Não há como começar qualquer balanço do
ano de 2016 sem lembrar, desde logo, o tão inesperado quanto saboroso triunfo
português no Europeu. É justo fazê-lo também aqui. Foi um momento histórico
para Portugal e para os portugueses. Tivemos o privilégio de o viver, com a
consciência de que dificilmente se repetirá nas nossas gerações.
Dito isto, permitam-me confessar que,
para mim, o grande dia do ano aconteceu algumas semanas antes, quando, a 15 de
Maio, festejámos o Tri-Campeonato na Luz.
A distância temporal ainda não o
permite garantir com clareza, mas arriscaria afirmar que se terá tratado da
maior alegria desportiva da minha vida.
Um campeonato é um campeonato. Porém,
aquele foi especial. Quer pelas circunstâncias que o rodearam dentro e fora do
campo, quer pela enorme empatia criada entre dirigentes, treinador, jogadores e
adeptos na inesquecível caminhada rumo à glória. Talvez o Futebol nunca me
tenha levado a tão altos índices de ansiedade como em algumas partidas das
derradeiras jornadas. Valeu a pena!
Gostaria de juntar aqui as outras
modalidades. À cabeça, a Liga Europeia de Hóquei, por desígnios do destino
conquistada na mesmíssima tarde do “Tri” futebolístico. Estive lá, cumprindo o
sonho de ver, ao vivo, o Benfica Campeão Europeu de uma modalidade que nos é
tão querida.
De salientar, igualmente, a Medalha
de Bronze da nossa Telma no Rio de Janeiro. E recordar que não andámos longe de
triunfos internacionais em Andebol, Voleibol e Futsal, tendo chegado às finais
de todos os play-offs domésticos.
Por tudo isto, 2016 ficará nas nossas
memórias. Que venha outro parecido.
VIDEO JOGOS
Se
a aplicação de vídeo-tecnologias no Mundial de Clubes era um teste para aferir
a eficácia das mesmas, há que dizer que tal redundou num absoluto fracasso.
Poderia
destacar dois momentos: um árbitro parar o jogo e correr para a linha lateral
para confirmar um lance nos ecrãs, e um golo festejado, depois retido na
dúvida, e finalmente re-festejado como válido. Eis duas situações caricatas,
que mostram, enfim, aquilo que, quem pensasse um pouco no assunto, já há muito tempo
havia concluído: esta ideia corta ritmo ao Futebol, retirando-lhe
espontaneidade e beleza, dando-lhe pouca coisa em troca.
Há
quem argumente com a redução do erro. Há quem apresente exemplos de modalidades
como o Râguebi, o Basquetebol ou o Ténis.
Pois
quando assisto a uma partida de uma liga estrangeira, a última coisa com que me
preocupo é com a arbitragem. Pelo contrário, o que pretendo - e pago para ver -
é um espectáculo corrido, sem paragens, nem cortes.
Já
nas modalidades referidas, as pausas fazem parte da respectiva identidade. Não é
comparável a fluência de um jogo de Futebol a um de Râguebi (com tanto tempo
parado como a jogar-se), a um de Basquetebol (com mais tempo parado do que a
jogar-se, também por via dos estupidamente excessivos tempos técnicos), ou a um
de Ténis (disputado lance a lance). Talvez por isso o Futebol seja mais popular
do que qualquer dessas modalidades.
Já
chegam as faltas, as substituições e o intervalo. Por mim, enquanto adepto,
dispenso mais pausas. Até porque, como se viu na própria final da competição
mencionada, nada disto porá fim ao erro, ou às discussões em torno dele.
PENÁLTIS...OU TALVEZ NÃO?
Repare-se que o tão aclamado e insuspeito painel d'"O Jogo" é unânime: não há penálti nenhum!
Já agora, deixo a minha opinião: algumas dúvidas no lance com Pizzi (aceitaria qualquer decisão, sendo um lance extremamente difícil de analisar, mesmo depois de 15 repetições televisivas), e nenhuma dúvida de que não há penálti do Nélson Semedo (ombro na bola, e braço puxado atrás precisamente para evitar a falta).
Balanço: meio penálti, digamos assim.
Nada comparado com os três penáltis subtraídos ao Benfica nos três dérbis perdidos da época transacta (rasteira de Carrillo a Gaitán na Supertaça, agarrão de camisola de Ruiz a Luisão, na Luz, para o Campeonato, ainda com 0-0, e abalroamento de Luisão nos últimos segundos do prolongamento na Taça). Tudo com muito menos barulho à mistura.
RUI PATRÍCIO 12º DO MUNDO ? Toda a verdade
Quem tenha ouvido ou lido a notícia, poderá ser levado a pensar que um vasto lote de especialistas colocou o guarda-redes do Sporting no top-12 do futebol mundial - porventura em virtude da sua excelente exibição na final do Europeu.
Não! O facto deve-se exclusivamente a um anónimo cidadão cabo-verdiano chamado André Amaral.
Não! O facto deve-se exclusivamente a um anónimo cidadão cabo-verdiano chamado André Amaral.
Perceba-se porquê:
A votação "desta" Bola de Ouro não foi feita por treinadores ou capitães das selecções nacionais (como acontecia nos últimos anos, e como acontecerá com o prémio Jogador do Ano da FIFA, agora a atribuir em separado, no próximo mês de Janeiro). Aqui a votação foi feita por jornalistas, um por cada um dos 173 países convidados, que tinha a missão de escolher três nomes, valendo à primeira escolha 5 pontos, a segunda 3 pontos, e a terceira 1 ponto. Da soma de todos os votos, resulta a classificação final.
No geral, os votados não foram assim tantos (Ronaldo, Messi, Neymar, Suarez, Bale, Griezmann e mais alguns nomes esperados, e outros... nem por isso).
Onde entra então Rui Patrício?
Entra com 6 pontos, decorrentes de um terceiro e um primeiro lugar nas escolhas de 2 dos 173 votantes - o que lhe permitiu, numa tão restrita lista de votados, aparecer na classificação final numa inusitada 12ª posição.
Admita-se que um desses pontos tenha sido oferecido com alguma boa vontade, por parte de um sportinguista de Macau, chamado Pedro André Santos ("Tribuna de Macau"), que lhe atribuiu o 3º lugar atrás de Ronaldo e Griezmann (talvez até para ajudar a impedir Messi de discutir a vitória). Ok, tudo bem. Não choca, nem ofende a verdade.
Admita-se que um desses pontos tenha sido oferecido com alguma boa vontade, por parte de um sportinguista de Macau, chamado Pedro André Santos ("Tribuna de Macau"), que lhe atribuiu o 3º lugar atrás de Ronaldo e Griezmann (talvez até para ajudar a impedir Messi de discutir a vitória). Ok, tudo bem. Não choca, nem ofende a verdade.
Mais estranhos são os restantes 5 pontos. Os mesmos resultam de um comovente 1º lugar (!!!!) atribuído pelo representante de Cabo Verde (outro país de língua portuguesa).
Trata-se do Sr. André Amaral (do jornal "Expresso das Ilhas") - que, curiosamente, não colocou nem Cristiano Ronaldo, nem Messi, nem Griezmann, entre os três melhores. Álcool no sangue? Brincadeira com amigos? Uma aposta? Sportinguismo? Só ele saberá.
Ver também
Tal pode confirmar-se através da infografia abaixo, retirada do jornal "Record". Basta clicar para aumentar, e ver todos os votos de todos os votantes:
Trata-se do Sr. André Amaral (do jornal "Expresso das Ilhas") - que, curiosamente, não colocou nem Cristiano Ronaldo, nem Messi, nem Griezmann, entre os três melhores. Álcool no sangue? Brincadeira com amigos? Uma aposta? Sportinguismo? Só ele saberá.
Ver também
Tal pode confirmar-se através da infografia abaixo, retirada do jornal "Record". Basta clicar para aumentar, e ver todos os votos de todos os votantes:
O próprio "France Football" (organizador do prémio), considera esta opção como uma das mais surpreendentes. E noutra publicação francesa, a mesma figura num artigo que fala dos votos exóticos (houve também um adepto da Juventus, de San Marino, que escolheu Buffon (!!) para melhor do ano).
A quem perceba um pouco de francês, aqui ficam algumas citações.
Para quem não perceba, eu traduzo, "isto é um embuste":
Para quem não perceba, eu traduzo, "isto é um embuste":
FRANCE FOOTBALL: "En club, son année n'a pas été
aussi réussie. Avec le Sporting Portugal, Rui Patricio n'a rien gagné. En
Championnat, son club a échoué à la deuxième place du classement. En
Ligue des champions, l'équipe portugaise a été éliminée dès la phase
éliminatoire de la C1"
SPORTS: "Un gardien à l’honneur également pour le journaliste de
Cap-Vert qui a fait encore plus exotique en nommant Rui Patricio devant Paul
Pogba et Bale"
Acrescentando muito
justamente que..."pas de quoi
remettre en cause le quatrième sacre de CR7"
EUROSPORT "C'est la
grosse surprise de ce début de classement. Gardien titulaire du Portugal, Rui
Patricio fait une entrée fracassante dans le classement en terminant
directement 12e"
O desafio que fica ao leitor é o de encontrar mais comentários a estas escolhas, noutras publicações internacionais. Eu não tive tempo para procurar muito.
NOTA FINAL: Também eu estou grato a Rui Patrício pelo que fez no Europeu, e entendo que é, indiscutivelmente, o melhor guarda-redes português da actualidade. Acho-o também um profissional respeitável, correctíssimo, e que sabe honrar a camisola da Selecção Nacional.
Tenho, porém, muitas dúvidas de que seja, sequer, um dos três melhores guarda-redes do campeonato português (onde estão, recorde-se, Ederson, Júlio César e Casillas). E tenho absoluta certeza que não está, nem alguma vez estará, entre os 50 melhores jogadores de futebol do mundo, nem em 2016, nem em qualquer outro ano passado ou futuro.
Em todo o caso, acho que uma camisola autografada era o mínimo que Patrício poderia enviar ao seu amigo cabo-verdiano. Fica a sugestão.
E já agora aproveitaria também para deixar os parabéns a Cristiano Ronaldo. Esse sim, colocado no lugar que lhe compete.
NOTA FINAL: Também eu estou grato a Rui Patrício pelo que fez no Europeu, e entendo que é, indiscutivelmente, o melhor guarda-redes português da actualidade. Acho-o também um profissional respeitável, correctíssimo, e que sabe honrar a camisola da Selecção Nacional.
Tenho, porém, muitas dúvidas de que seja, sequer, um dos três melhores guarda-redes do campeonato português (onde estão, recorde-se, Ederson, Júlio César e Casillas). E tenho absoluta certeza que não está, nem alguma vez estará, entre os 50 melhores jogadores de futebol do mundo, nem em 2016, nem em qualquer outro ano passado ou futuro.
Em todo o caso, acho que uma camisola autografada era o mínimo que Patrício poderia enviar ao seu amigo cabo-verdiano. Fica a sugestão.
E já agora aproveitaria também para deixar os parabéns a Cristiano Ronaldo. Esse sim, colocado no lugar que lhe compete.
SPORTING: Uma história europeia de "sucesso" 1955-2017
São estas, e apenas estas, as eliminatórias (ou pré-eliminatórias) ultrapassadas pelos "leões" em toda a história da Taça / Liga dos Campeões Europeus, desde 1955 até 2017.
Nas restantes participações, foi sempre sumariamente afastado, ou nas pré-eliminatórias, ou na primeira ronda, ou na logo fase de grupos (quando para aí entrou directamente). Só em 1982-83 ultrapassou mais do que uma eliminatória (com dois empates frente a uma equipa búlgara).
De notar que, em 2008-09, após a única passagem na fase de grupos, o desfecho foram duas copiosas derrotas frente ao Bayern de Munique por 0-5 e 1-7.
Deixo ao leitor a tarefa de encontrar outros clubes que, no velho continente, possam evidenciar semelhante palmarés. Não vale a pena procurar entre os principais emblemas.
NA RAÇA !
Há várias formas de analisar um jogo
de futebol.
Podemos fazê-lo à luz das estatísticas
(sempre relativas, e condicionadas ao evoluir do resultado), pela eficácia, ou quanto
à garra demonstrada pelas equipas.
Aquilo que verdadeiramente importa são
os golos. Mas quando vejo o Benfica jogar com a atitude competitiva que
demonstrou no “dérbi”, com a concentração e combatividade que colocou em cada
lance, com aquele espírito de luta que define os campeões, fico com a certeza de
que dificilmente alguém nos conseguirá bater.
A vitória começou, pois, a
desenhar-se na coragem e bravura dos nossos homens, que correram mais, lutaram
mais, e foram mais fortes nos duelos físicos, durante a maior parte do tempo.
Em desvantagem, cabia ao adversário
assumir as despesas ofensivas da partida. Muito mal estaria o nosso rival se, a
perder por 2-0, não mostrasse qualquer reacção. Mostrou-a, e aí soubemos agarrar
com unhas e dentes os preciosos pontos, contando com o acerto da linha defensiva,
e com a qualidade de Ederson, sem nunca perder de vista o contra-ataque.
As habituais desculpas de mau
perdedor apenas procuram desviar a atenção dos dois desaires consecutivos
(externo e interno), daquele que é o mais bem pago treinador da história do
futebol português.
Se quiserem falar de arbitragem, que falem
dos cartões perdoados a jogadores do Sporting: são os únicos casos em que as
opiniões dos especialistas não se dividem, e foram também os únicos bem
visíveis em todo o estádio.
Como visíveis foram as
inqualificáveis provocações do presidente de um clube que merecia alguém com
outro nível a dirigi-lo.
HAJA VERGONHA
Houvera necessidade de explicar o
motivo de um país campeão da Europa, com o melhor jogador do mundo, e alguns
dos melhores treinadores da actualidade, ter uma liga tão fraca e pouco
apelativa, e o último Marítimo-Benfica seria um óptimo exemplo.
Embora com um historial respeitável,
esta equipa madeirense mostrou não ter lugar naquilo que seria um campeonato conforme
as exigências acima mencionadas. Na primeira parte praticou wrestling. Na segunda,
teatro. Futebol? Nada. Sobrou uma chico-espertice saloia, também ela tão tipicamente
lusitana - a fazer lembrar um certo Benfica-V.Guimarães da temporada passada,
que tanta celeuma levantou na altura. Enquanto adepto, senti-me gozado.
A arbitragem foi um desastre, contribuindo
para a encenação grotesca a que assistimos. Durante a maior parte do tempo, aos
da casa valia tudo menos tirar olhos. Na ponta final, quando o Benfica
precisava de cada segundo para tentar o golo, e com um critério diametralmente
oposto, o juiz interrompia o jogo por coisa nenhuma, cortando-lhe o ritmo, e alimentando
toda a espécie de simulações. Os seis minutos de desconto foram risíveis, dado
o que se passara até então. Não queria chamar-lhe habilidade, mas...
Não é possível pretender um campeonato
competitivo e compactuar com este tipo de treinadores, jogadores e árbitros,
que não têm nível para o futebol de topo. Os primeiros, pela atitude tacanha de
quem promove o anti-jogo como lema (e não falo de sistemas tácticos defensivos,
esses absolutamente legítimos). Os últimos, pela incompetência (vamos dizer
assim) na gestão do espectáculo.
Pobre desporto.
MOMENTO CHAVE
Júlio César, André
Almeida, Jardel, Samaris, Carrillo, Rafa e Mitroglou. A espinha dorsal de um
onze de topo? Não, o sumptuoso banco de suplentes do Benfica na última jornada,
mesmo com os lesionados Grimaldo, Horta e Jonas (todos eles, também, possíveis
titulares) fora do leque de opções.
Por este banco, e por
estes nomes, percebe-se a qualidade que existe, hoje, no nosso plantel. Dispomos,
de facto, de uma equipa de luxo, e só assim tem sido possível resistir aos
azares que têm atirado para o departamento médico vários jogadores nucleares,
mantendo um nível competitivo muito elevado, e uma pontuação a condizer.
Diga-se, igualmente,
que só uma grande equipa pratica um futebol do nível daquele que pudemos ver,
durante mais de uma hora, em Istambul, na passada semana. O resultado foi
amargo, e foi-o precisamente por não fazer justiça a uma exibição de gala que,
aos 80 minutos, se aprestava para entrar na história europeia do Benfica das
últimas décadas, ao lado de célebres recitais, que todos recordamos, no
Olímpico de Roma em 1983, em Highbury Park em 1991, em Leverkusen em 1994, ou
em Anfield Road em 2006.
O que passou, passou.
E as próximas partidas requerem essa melhor roupagem. Terça-feira ficará
decidido o futuro na Champions, enquanto Funchal e Sporting, podem dizer muito acerca
da caminhada para o “Tetra” – cuja prioridade se sobrepõe a todas as outras.
Três grandes jogos em
apenas 10 dias, constituem um tríptico de respeito, que é também um desafio à
resistência física e mental dos atletas.
Estamos com eles,
confiamos neles e em quem os dirige.
Comecemos então pelo
Marítimo.
NOTA: Este texto foi remetido ao Jornal O Benfica antes de conhecer a tragédia da Chapecoense. Já não houve tempo de lhe fazer qualquer referência. Porém, a minha consternação é enorme, como será a de todos aqueles que amam o desporto, e o futebol em particular. Não podia deixar de aproveitar este meio para a expressar.
A HISTÓRIA COMO ELA É
A patética ideia do
presidente do Sporting de reivindicar mais uns quantos títulos para o seu clube
é fantasiosa, e nem mereceria, sequer, estas linhas de texto.
A história foi o que
foi. Os factos são conhecidos. Chame-se Campeonato Nacional, Liga, 1ª Liga, 1ª
Divisão, Superliga, ou a marca de qualquer patrocinador passado, presente ou
futuro, títulos nacionais são títulos nacionais, e contam-se desde 1934-35 -
altura em que foi criada a prova que encaixa nas características daquela que, até
hoje, determina o campeão nacional. O Benfica venceu 35 vezes, o FC Porto 27, o
Sporting 18, o Boavista e o Belenenses uma cada. Não constam da lista
Olhanense, Carcavelinhos ou Marítimo. Mas vivemos num país livre, e cada um
pode dizer as baboseiras que quiser. Gritem então que têm 22, 44 ou 88… É
indiferente. O que conta é a verdade. Ponto final quanto a isto.
Este revisitar da
história das competições lusas levanta, porém, uma outra questão, essa sim
pertinente. Não entendo o motivo de nunca terem sido agregados os Campeonatos
de Portugal às Taças de Portugal, prova que, com todas as evidências, lhes
sucedeu no tempo, no formato, e até no desenho do troféu. Face à relação directa
com os nossos rivais ficaríamos com menos um troféu? Paciência. Factos são
factos, e no próximo mês de Maio podíamos acertar a conta.
Cabe à FPF acabar de
vez com este equívoco, o qual abre espaço a confusões desnecessárias, e
alimenta devaneios absurdos. Mas também devemos fazer a nossa parte: chegar à
final do Jamor, e, ao erguermos a Taça de 2016-17, inscrever um gordo número 29
nos adereços da festividade.
NOJO
Uma imagem vale por
mil palavras. E quando a imagem é nítida, não há palavras que lhe resistam, nem
areia ou vapor que nos tapem os olhos.
Todo o país viu o
presidente de um clube cuspir ostensivamente na cara de outro. Só isso basta para
concluir estarmos perante uma situação gravíssima, e inédita na história do
dirigismo desportivo.
Impõe-se que as
instituições jurisdicionais sejam implacáveis. Mas é preciso que também a
comunicação social assuma as suas responsabilidades, e deixe de compactuar com
comportamentos que, a prazo, matam o próprio negócio, e têm efeitos nefastos a
outros níveis.
Estamos a falar de um
fenómeno de massas, seguido por milhões de crianças e jovens. Os exemplos que
nos entram em casa via TV transcendem o universo desportivo, atingindo uma dimensão
social não negligenciável. Os jornais e as televisões não podem, com paninhos
quentes, debaixo da hipocrisia do politicamente correcto, tolhidos pelo receio
de ferir susceptibilidades clubistas, sustentar, branquear ou promover figuras
que usam este tipo de conduta, que fomentam guerrilhas, e delas se servem para,
em bicos de pés, conquistar protagonismo e poder junto de falanges de adeptos
fanatizadas.
Não é de Benficas, de
Sportingues, ou de Aroucas que se trata. Aliás, com todo o clima de ódio que
nos tem sido particularmente dirigido, somos Tri-Campeões, e estamos no rumo do
Tetra. O problema aqui é já de sociedade.
Este episódio passa
todas as marcas. E no dia em que alguém me convencer que é normal presidentes
andarem a escarrar na cara uns dos outros nos túneis dos estádios, deixarei de ir
ao futebol.
ATÉ AO FIM
Há
pouco mais de um ano, saíamos do Estádio do Dragão vergados a uma derrota
injusta, com um golo sofrido nos últimos minutos, após uma excelente exibição -
que de algum modo anunciava o potencial que a equipa viria a demonstrar meses mais
tarde.
Ainda
no último Campeonato, mas já na segunda volta, na Luz, depois de dominarmos
completamente o FC Porto, e de criarmos cerca de uma dezena de ocasiões
flagrantes para marcar, acabámos por perder de forma inacreditável por 1-2, num
dos “Clássicos” com resultado mais desfasado da realidade a que alguma vez
assisti.
Indo
mais atrás, ainda hoje é difícil de engolir o trágico minuto 92 que, em 2013, nos
custou um Campeonato - com toda a certeza o momento mais cruel que o desporto
me proporcionou em 47 anos de vida e de benfiquismo.
Ao
contrário das situações acima invocadas, há que reconhecer que desta vez a
sorte esteve do nosso lado.
Com
um golo nos instantes finais de uma partida que, até então, não nos correra bem,
evitámos uma derrota que poderia efectivamente ter acontecido.
Sem
subtrair mérito à performance do adversário, há que salientar o facto de os
nossos jogadores nunca terem deixado de acreditar que podiam ser felizes. E sublinhar
que a forma como Rui Vitória mexeu na equipa se revelou determinante no
desfecho do jogo.
Não
festejo empates, e era o triunfo que eu queria. Mas, dadas as circunstâncias, o
ponto alcançado e os dois subtraídos ao rival acabaram por saber bem,
mantendo-nos firmes na caminhada rumo ao grande objectivo da época.
Ficou
o aviso. Nada nos será dado gratuitamente, e até Maio ainda teremos muito que
sofrer.
UNIDOS
O
elevado número de sócios que acorreu ao acto eleitoral da semana passada
demonstra que estamos firmes e unidos rumo às metas que temos por diante.
A
democracia no Benfica antecedeu, em largas décadas, a do próprio país. E essa
tradição democrática ficou uma vez mais vincada na forma organizada e livre
como decorreram as eleições. É verdade que só houve uma lista, mas o facto de a
mesma ser apoiada de modo tão veemente – inclusive por sócios que num passado
recente se apresentaram a sufrágio com outros projectos – reforça o nosso clube,
relegitima os órgãos sociais, e cria condições para que nos próximos anos
continuemos a caminhada que nos trouxe até aqui, e que nos vai certamente levar
ainda mais longe.
Vivemos
um grande momento. Temos um Benfica ao nível dos melhores de sempre. Temos um
líder inequívoco e incontestado, que já é o presidente mais realizador e
ganhador em 112 anos de história. Dispomos de um excelente treinador, de um
plantel de luxo, e seguimos destacados na frente do campeonato. Respiramos
saúde, estabilidade, competência e confiança. Somos fortíssimos em todas as
modalidades. Sabemos, porém, que não podemos parar, e que o triunfalismo é,
neste momento, um perigoso adversário.
Sabemos
igualmente o quanto tudo isto incomoda os nossos rivais, pelo que, daqui em
diante, as tentativas de desestabilização vão recrudescer. É sempre assim. Estamos
habituados. Noutras temporadas arranjaram estoris, túneis, colinhos e vouchers.
Alguma coisa inventarão desta vez para nos tentar perturbar, e desviar da rota
das vitórias. Se nos mantivermos unidos, não vão conseguir.
SALTO PARA O ESQUECIMENTO
Num
fim-de-semana de tantas vitórias, de grandes exibições, de supertaça aqui e supertaça
ali, confesso que a transferência de Nélson Évora não me abalou minimamente. Se
o objectivo era darem-nos uma alfinetada, pela minha parte não senti a mais
leve picadela.
Estamos a falar de um atleta com passado, mas sem futuro. Os seus anos de
glória foram…2007 e 2008. Desde então, esteve quase tanto tempo lesionado como
a competir, deixando repetidas evidências de que não voltará a ganhar nada de
relevo, a não ser, ao que parece, bastante dinheiro.
A crua
verdade é que não faz falta nenhuma ao Benfica. Ao invés, talvez o carinho e o afecto
que os benfiquistas lhe devotaram ao longo destes anos, e que ele acaba de deitar
para o lixo - ou vender, para ser mais exacto -, lhe pudessem um dia vir a
dar jeito. Então, será tarde. Problema dele.
O que me intriga neste tipo de transferências é justamente a falta de visão dos
protagonistas acerca da dimensão histórica e simbólica que detêm junto de
milhões de pessoas, e a facilidade com que dela prescindem a troco de mais uns
patacos. De como se auto-excluem de museus, de livros, da eternidade, mas,
sobretudo, do coração dos adeptos, por causa de desentendimentos circunstanciais.
Mas a minha incompreensão é igual à minha indiferença.
António Leitão continuará a ser um símbolo do atletismo encarnado, como Carlos
Lopes sempre será um símbolo do Sporting. Quanto a Nélson Évora, mais medalha
menos medalha, talvez fique na história também como um símbolo da miséria mercenária
em que o desporto de alta competição se transformou nas últimas décadas.
SUPERBENFICA
A pré-temporada não fora bem conseguida, com alguns resultados
negativos. A Supertaça doméstica escapou, por via de uma primeira parte
desastrada frente ao FC Porto. Mas no passado sábado, com um pavilhão bem
composto, o Hóquei em Patins benfiquista regressou às suas jornadas de glória,
goleando o Óquei de Barcelos por 9-2, e alcançando o 7º título internacional em
7 épocas (8º, se lhes acrescentarmos o sector feminino). Desta vez, a Taça
Continental, ou Supertaça Europeia, conforme lhe queiramos chamar.
As modalidades do Benfica, diga-se, estão bem e recomendam-se. É óbvio
que não se pode ganhar sempre, e além da Supertaça portuguesa de Hóquei, também
a de Basquetebol nos fugiu. Porém, conquistámos as de Futsal e de Andebol
(além, naturalmente, do Futebol), faltando ainda decidir o Voleibol. E nos
vários campeonatos nacionais levamos 12 vitórias em 13 partidas, registo ao
qual podemos, e devemos, acrescentar a passagem à segunda ronda da prova
europeia andebolista, e um triunfo histórico do Basquete em Itália.
Na ponta final da temporada passada fomos muito pouco felizes. Excepção
feita ao Hóquei (título nacional e europeu) e ao Atletismo, morremos na praia
nas restantes frentes da nossa grande força eclética. Estivemos nas finais dos
play-offs de Futsal, Basquetebol, Andebol e Voleibol. Faltou sorte, sobretudo
nestas duas últimas (nas quais, ainda assim, conquistámos as respectivas Taças
de Portugal). Mas ninguém ouse dizer que não fomos competitivos.
A nova época traz outra vez um grande Benfica, em todos os domínios.
Mais títulos vão seguramente aparecer. É o nosso destino.
O NOME É GOMES
Para quem siga com atenção o futebol jovem do Benfica, não é
certamente novidade o surgimento de José Gomes, aos 17 anos, no nosso plantel
principal, com minutos e protagonismo.
Não sendo eu um observador muito regular dos jogos da formação, nem
mesmo assim me escapou aquele miúdo, com movimentos felinos e faro pela baliza,
que terei visto pela primeira vez aos seus 14 anos. Logo me impressionou. Desde
então, a cada jogo que via das suas equipas (sub 15, sub 17 ou sub 19), rapidamente
o procurava, seguindo todos os seus pormenores, arrancadas, movimentações,
desmarcações e golos. Não era preciso ser especialista para perceber tratar-se
de um talento raro. De um possível fora-de-série.
Mais do que Renato Sanches, mais do que Bernardo Silva, foi José Gomes
o jovem da “cantera” do Seixal que mais cedo me saltou à vista. Talvez por ser
ponta-de-lança – sendo essa a minha espécie predilecta no mundo do futebol.
Beneficiando das lesões de Jonas e Jimenez, chegou agora à equipa
principal. Mas isso para ele não pode ser um ponto de chegada. É sim, o ponto
de partida.
Com a sua idade, e com todo um trabalho que ainda tem pela frente,
dentro de uma década tanto poderá estar no Real Madrid como no Real Massamá. A
diferença é muito ténue, e não faltam exemplos para o comprovar. O caminho é
estreito, e qualquer desvio será fatal.
Depende dele, do seu trabalho, da sua humildade, do seu empenho em
cada treino, dos cuidados a ter fora do campo, da sua vontade de aprender mais
e mais, de melhorar todos os detalhes. Cada dia conta. Talento não lhe falta.
Enquadramento também não.
A bola é tua, Zé.
CASA CHEIA
Os quase 60 mil que estiveram presentes no Benfica-Feirense criaram
uma atmosfera extraordinária, galvanizaram a equipa para mais uma vitória, e expressaram
duas evidências que não podem passar em claro.
A primeira é a de que o futebol disputado à luz do dia tem outro
encanto, e cativa muito mais adeptos. Quem viva na zona de Lisboa talvez não
entenda quão importantes são os horários dos jogos para benfiquistas que se
deslocam de vários pontos do país – de Trás-os-Montes ao Algarve -, e têm de
regressar a casa a tempo de poder trabalhar no dia seguinte. Uma partida realizada
numa noite de domingo deixa automaticamente de fora uns quantos milhares de pessoas
que, simplesmente, não podem ir. Diga-se, em nome da justiça, que a BTV deu um
grande impulso no regresso do futebol à sua hora tradicional. E a consequência
tem sido um assinalável acréscimo do número de espectadores no estádio.
A segunda evidência é a de que a nação benfiquista não tem quaisquer
dúvidas acerca da grande prioridade para esta temporada. Mesmo depois de uma
derrota europeia, o clima de apoio, de alegria, e de entusiasmo, foi um sinal inequívoco
do que o povo efectivamente quer. E isso escreve-se com cinco letras: Tetra!
A Champions é uma competição maravilhosa, que proporciona grandes
espectáculos, permite valorizar jogadores, e encher os cofres. Mas nenhum clube
português tem condições de a vencer. Chegar longe é fantástico… quando se é Campeão
Nacional.
A Liga Portuguesa é pois o foco onde devem estar concentradas todas as
nossas energias. É nela que se vai escrever o destino da época. Os adeptos
sabem isso.
O DIABO VERMELHO
Noutras ocasiões, já aqui falei da minha grande admiração por
pontas-de-lança. Ou seja, por quem, na verdade, me faz levantar da cadeira e
vibrar de alegria.
O futebol é um desporto colectivo, onde todos são importantes. Uma
peça a menos pode causar derrotas e comprometer títulos. Mas, enquanto adepto,
a minha grande devoção vai mesmo para quem faz os golos. Mais até do que para
os artistas do passe, da finta, ou do estilo, normalmente muito apreciados na
Luz.
Nunca entendi, por isso, os assobios a Óscar Cardozo, ou, muitos anos
antes, as críticas a Nené. Um e outro são, juntamente com Nuno Gomes (também
ele, nem sempre consensual), os que mais golos marcaram no clube desde que vejo
futebol. Cada um a seu tempo, foram ídolos que venerei, e aos quais estarei
eternamente grato pelos momentos de alegria que me proporcionaram.
Serve isto para destacar, agora, o nosso Mitroglou.
O grego, em pouco mais de uma época, já está à porta do top-dez dos
goleadores do Benfica do sec. XXI, superando avançados com o simbolismo de
Mantorras ou Miccoli. E caso tivesse convertido os penáltis que Jonas converteu
na temporada passada, teria sido ele o “Bola de Prata” – isto sem melindre para
o extraordinário avançado brasileiro, tão somente o melhor e o mais completo
jogador a actuar em Portugal.
Recordemos que o Sporting fez tudo para contratar Mitro. Veio para
nossa casa in-extremis, e foi também dele o golo que, em Alvalade, acabou por
decidir o título.
Em bom momento, o clube adquiriu o seu passe.
A barba dá-lhe um certo ar de diabo. Mas são os golos que fazem dele
um ponta-de-lança dos diabos.
O MESTRE DA BAZÓFIA
Há duas faculdades que
temos de reconhecer ao actual treinador do Sporting.
A primeira é a de, por
via de uma hábil gestão de expectativas e/ou de rumores, ano após ano, Julho
após Julho, fazer subir o seu próprio salário até níveis muito pouco
compatíveis com a realidade do futebol português, e, sobretudo, com a realidade
de um profissional que, aos 62 anos, apenas alcançou títulos significativos num
dos clubes onde trabalhou.
A segunda é a de, por
arte e engenho seus, ou por sortilégio das circunstâncias, conseguir dos
presidentes que o contratam, padrões de investimento nos plantéis igualmente
acima daquilo que é comum no nosso país, e daquilo que é, ou foi, concedido a diferentes
treinadores desses mesmos clubes em momentos anteriores e posteriores – aconteceu
entre 2009 e 2015 no Benfica, repete-se agora no Sporting.
As caríssimas equipas
de que este técnico dispôs enquanto esteve na Luz, e de que dispõe em Alvalade,
quer em termos de investimento, quer quanto a custos com a massa salarial, não
têm paralelo na história dos dois rivais lisboetas. Tivessem idênticos meios, e
muitos outros treinadores teriam podido encher o peito, e a boca, em
conferências de imprensa, como génios de uma lâmpada que, todavia, não acende para
todos com semelhante grau de luminosidade.
Quando andou por cá, uma
envolvente estrutural de topo permitiu-lhe aproveitar bem os recursos,
traduzindo-os em títulos. Veremos o que a sua suprema sapiência consegue até
final da carreira, enquanto nos vamos divertindo com declarações que outrora
nos faziam sentir desconfortáveis, ou até mesmo envergonhados.
O MUNDO AO CONTRÁRIO
Supertaças nacionais e
europeia, jornadas de Campeonato, playoffs de competições da UEFA, tudo
disputado no meio de um vai e vem de jogadores, e de consequente diarreia de informação
e contra-informação corrosiva e desestabilizadora, por via do estapafúrdio
estender do mercado de transferências para além dos timings aceitáveis.
Encerrado o mercado,
quando os adeptos puderam, enfim, entusiasmar-se com os seus jogadores, e com
as suas equipas, eis que o futebol de clubes ficou parado, dando lugar a uma
jornada dupla de selecções – que poderia ter sido disputada uma ou duas semanas
antes.
Não conheço razões que
expliquem tamanho absurdo, perturbador para a generalidade dos adeptos que,
directa ou indirectamente, paga tudo isto.
Mais do que
vídeo-árbitros, ou seja o que for que destrua aquilo que o futebol tem de
melhor face a outras modalidades – a fluidez -, importava às instâncias
federativas nacionais e internacionais rever os calendários competitivos, e
ajustá-los a um qualquer assomo de lógica minimamente entendível.
Se as sacro-santas
janelas de mercado de transferências são intocáveis, se as datas FIFA são
impostas pelos seus tão credíveis e zelosos dirigentes, então que se altere o
calendário nacional, começando o Campeonato na segunda semana de Setembro, e
deixando o mês de Agosto, por exemplo, para eliminatórias da Taça da Liga e/ou
Taça de Portugal, e para todas as insuportáveis contingências do mercado de transferências.
Hoje jogamos em
Arouca, com os nossos jogadores, com o nosso plantel. Hoje começa, finalmente,
o futebol de que todos gostamos. Já não era sem tempo.
CUIDADOS REDOBRADOS
1. Sorteios são
sorteios. Não há que lamentar, nem rejubilar. Mas o grupo da Champions que nos
calhou não é nada fácil, sobretudo tendo em conta que o Benfica saltava, com
todo o mérito, do pote 1.
Nápoles, Besiktas e
Dinamo de Kiev são adversários a quem podemos ganhar, mas com quem também
podemos perder. A afirmação parece um tanto lapalissiana, mas a verdade é que
entre estas quatro equipas qualquer classificação será, digamos, normal. É o chamado
grupo traiçoeiro, acessível na aparência, mas perigoso a cada esquina. A última
vez que algo semelhante nos tocou em sorte (há dois anos, com Zenit, Monaco e
Leverkusen), correu-nos mal. Não há “pêras doces”, como noutros grupos. Não há
tubarões que possam retirar todos os pontos a todos os adversários. Cada jogo é
decisivo, e pode não haver margem de erro. Acresce que todos os adversários
(dois campeões e um vice-campeão) estão em excelente momento da sua história
recente.
Dito isto, é óbvio que
acredito no Benfica, e em mais um apuramento para a fase seguinte.
2.A arbitragem
portuguesa parece estar a mudar…mas para pior. Podem ser apenas sinais. Pode
ser precipitado fazer já uma avaliação. Mas o que se percebe destas primeiras
três jornadas, quer em termos de nomeações, quer em termos de desempenhos, não
augura nada de bom. Estejamos atentos, e não permitamos o regresso a um passado
negro, agora com outros protagonistas.
3. A época das
modalidades começou da melhor forma, com o triunfo na Supertaça de Andebol.
Será certamente o primeiro de muitos títulos, pois a infelicidade que tivemos
nas últimas finais não durará para sempre.
ACÇÃO!
Após vários jogos de
preparação, recheados de testes e de experiências, com distintos, mas pouco
relevantes resultados, eis-nos chegados ao futebol a sério.
No domingo, em Aveiro,
o Tri-Campeão apresenta-se forte e para ganhar.
A Supertaça Cândido de
Oliveira tem sido uma competição maldita para as nossas cores, sendo a única
prova futebolística nacional em que não somos a força dominante: em 37 edições
apenas conquistámos 5 troféus, somando 18 derrotas nas 34 partidas disputadas. É
altura de atenuar estes números, e começar a inverter a situação.
Durante alguns anos,
talvez não tenhamos levado a Supertaça suficientemente a sério, enquanto outros
acumulavam triunfos. A prova entretanto credibilizou-se, e estabilizou o seu
lugar no calendário desportivo – sobretudo a partir do momento em que passou a
ser disputada a uma só mão, e na abertura das temporadas. Não sendo a nossa
maior prioridade, é o primeiro dos 5 objectivos para 2016-17.
O adversário que
teremos pela frente surge muito motivado. Nunca venceu a prova. Quererá,
igualmente, começar bem uma época para a qual parte com grandes aspirações. Numa
final, não há favoritismos. E só com muita humildade, a mesma que nos levou ao
Tri, conseguiremos erguer o troféu. O apoio dos benfiquistas é imprescindível.
Com ele, vamos certamente entrar na temporada com o pé direito, e com mais uma
taça nas mãos.
PS: Há Homens cuja
respeitabilidade e relevo transcendem, em muito, os clubes que representam. O
Professor Moniz Pereira era um deles. Fica a gratidão por tudo o que fez pelo
desporto, e pela forma elevada como nele sempre soube estar.
É SIMPLES...
VENDER: Carcela e Talisca
EMPRESTAR: Zlobin, Mandava, Kalaica, Marçal, Celis, Benitez, J.Carvalho, J.Teixeira, R.Fonte, Sponijc, D.Gonçalves e Jovic
COMPRAR: Médio-ofensivo
e...fechar plantel para o Tetra!
PLANTEL (25):
J.César, Ederson e P.Lopes;
A.Almeida, Lindelof, Jardel, Eliseu, N.Semedo, Luisão, Lisandro e Grimaldo;
Fejsa, Salvio, médio-ofensivo, Cervi, Samaris, Pizzi, Horta, Carrillo, Danilo e Zivkovic;
Jonas, Mitroglou, Jimenez e Guedes.
NOVA ORDEM
Para além do saboroso
triunfo português, o Europeu de França deixou duas evidências difíceis de
contrariar.
Em primeiro lugar a de
que o futebol tem uma larga componente de aleatoriedade, muitas vezes negada pelos
analistas (têm de ganhar a vida…), mas que define grande parte das competições
e dos seus vencedores. Há ciência na preparação dos atletas, na organização das
equipas e no estudo dos adversários, mas, entre conjuntos equilibrados, tudo o
resto é…sorte. Por muito que nos possa ser útil teorizar acerca da superior
capacidade dos nossos jogadores, a verdade é que se aquela bola de Gignac, aos
91 minutos, se tem aconchegado dois centímetros mais para dentro, estaríamos agora
a lamentar mais uma desilusão portuguesa. Isto é válido para a final, para os
penáltis contra a Polónia, mas também para o Alemanha-França, para a fase de
grupos, para …tudo.
Outra evidência é a de
que jogar bonito, jogar ao ataque, empolgar plateias, não interessa
absolutamente nada. Para os puristas do jogo belo isto é um drama. Mas de entre
as várias formas de ganhar finais, o realismo e a contenção parecem ser as
preferidas das principais equipas do futebol internacional. É uma tendência que
se nota desde 1982, mas talvez nunca como neste Europeu ela tenha estado tão
patente.
Aliás, o desporto vive
actualmente com um grave problema da falta de espectacularidade, que a médio
prazo o poderá matar. Nota-se no Tour de França, na Fórmula 1, no Ténis, e na
generalidade das modalidades, onde o dinheiro abunda na mesma proporção em que
o risco escasseia.
Seja como for, aqui fica
mais um …Viva Portugal!
PARA A ETERNIDADE!
Se, depois de uma fase
de grupos insípida, e de uma qualificação sofrida, alguém me dissesse que
Portugal ia ser Campeão da Europa, diante da anfitriã, sem Cristiano Ronaldo, e
com Eder a marcar o golo da vitória, provavelmente teria soltado uma
gargalhada.
Sim. Era um dos que
não acreditava. Era um dos que duvidava das capacidades da equipa, e das
possibilidades de êxito num Europeu onde França, Alemanha, Itália, Espanha,
Bélgica e Inglaterra se apresentavam com grandes ambições. Era um dos que
pensava que o optimismo do seleccionador era excessivo, ou até romântico.
Mas o futebol é assim
mesmo, e é por ser imprevisível, irracional e caprichoso que o seguimos com
tanta paixão.
Há que reconhecer que
a sorte bafejou Portugal. Quer na final, quer no trajecto até lá chegar. Mas tem
de se dizer também que a equipa nacional soube aproveitar essa dose de fortuna
com humildade e com competência. Soube interpretar muito bem as suas forças e
fraquezas, potenciando as primeiras, e disfarçando as segundas. Cresceu ao
longo da prova, mudando quando tinha de mudar. Demonstrou união, solidez e uma
confiança à prova de bala. Mereceu entrar para a história.
Num país pequeno e
periférico como o nosso, este triunfo é algo de extraordinário, e,
provavelmente, irrepetível. E prova que o nosso futebol – tantas vezes
vilipendiado e mal-tratado por cá – é um dos grandes agentes do orgulho
português no exterior. Que felizes devem estar os nossos emigrantes,
particularmente os que vivem em França! Eles, mais do que ninguém, mereceram este
triunfo.
Obrigado Fernando
Santos!
Obrigado Selecção
Nacional!
O TETRA COMEÇA AQUI
O Campeonato da Europa
tem dispersado as atenções, mas a nova temporada clubista está aí, e o mercado
continua a girar.
No Seixal trabalha-se
no duro, enquanto os adeptos se mantêm na esperança de que o plantel campeão não
sofra mais mexidas. No news, good news…
Para já, ficámos sem
Renato Sanches e Nico Gaitán, duas saídas inevitáveis que não serão fáceis de
suprir. De entrada estão Carrillo, Cervi, Celis, André Horta, Kalaika, Benitez
e, ao que parece, Zivkovic. Alguns deles de qualidade acima de suspeita.
Outros, apostas de futuro.
Por agora, talvez
falte apenas um substituto directo para Renato Sanches, pois tanto quanto
conheço dos reforços anunciados, nenhum preenche essas características. De
resto, mantendo-se a base titular, a equipa ficará muito forte, e tem tudo para
enfrentar a luta pelo 36º título com optimismo.
Na baliza não parece
haver alterações. Na defesa, seria importante manter o quarteto base da
temporada passada, nomeadamente a dupla de centrais rápida e forte no jogo
aéreo. No centro do terreno, haverá necessariamente mudanças, devido às saídas
acima mencionadas, mas homens como Fejsa, Pizzi, Samaris, Salvio ou Gonçalo
Guedes serão o fio condutor capaz de enquadrar os novos recrutas. No ataque, certos
que estão Mitroglou e Jimenez, seria determinante manter Jonas, pois não é
fácil encontrar no mercado alguém que marque quase 70 golos em dois anos, e que
assuma tanta preponderância na manobra ofensiva da equipa.
Além da valia técnica
dos jogadores, há que preservar o espírito que levou ao Tri. E com estes
jogadores, sabemos que contamos com entrega total.
À PORTUGUESA
À hora a que este
jornal chegar às mãos do estimado leitor, já se conhecerá o desfecho do
Portugal-Polónia. Antes dessa partida, é-me difícil fazer uma análise profunda
ao desempenho do conjunto luso no Europeu de França: chegar às meias-finais
será uma coisa, ser eliminado pelos polacos será outra bem diferente.
Além do mais, esta
selecção tem viajado da terra ao céu, e do céu à terra, a uma velocidade que
nem o proverbial oito-oitentismo português consegue acompanhar. Uma fase de grupos
muito modesta levou à depressão generalizada dos adeptos portugueses. Mas logo
uma vitória sofrida, e bastante feliz, sobre a Croácia, mergulhou o país nas
ondas da euforia. No momento em que escrevo, já vamos outra vez ser campeões.
O seleccionador Fernando
Santos é soberano nas suas escolhas. E, se chegar à final, todos os que o
criticaram nas últimas semanas terão de meter as violas no saco. Também eu - um
dos dez milhões de seleccionadores de bancada -, que não só teria feito outras
opções desde o início da prova (Renato Sanches, Quaresma…), ou até antes dela
(André Almeida, Pizzi, André Silva…), como teria adoptado um discurso bem mais
prudente face às limitações de uma equipa que depende em demasia de um só
jogador, e que tem alguns pontos fracos… bastante fracos (o jeito que faria um
ponta-de-lança a sério...).
O que me parece
inegável é que, até aqui, temos tido a sorte do nosso lado: na fase de
qualificação, no grupo que nos calhou, nos enquadramentos desta fase
eliminatória, e, pelo menos, no jogo com a Croácia.
Que os deuses nos tenham
continuado a proteger na partida de quinta-feira.
HERÓIS
Perder custa. Perder
com rivais, custa a dobrar. Sobretudo havendo troféus em disputa.
O nosso Hóquei registou
uma amarga derrota no domingo passado, em Ponte de Lima, diante do FC Porto,
não conseguindo juntar o Tri na Taça, ao Bi-Campeonato e à Liga Europeia.
Não pude assistir ao
jogo, pelo que não me seria lícito comentar a arbitragem. Seja como for, há que
lembrar a fabulosa temporada da nossa equipa, a qual terá chegado a esta final-four
em inteligível clima de descompressão, depois das glórias nacionais e
internacionais recentemente alcançadas, e das semanas que entretanto se
passaram.
Estamos a falar
daquela que é, presumivelmente, a melhor equipa de sempre do Hóquei em Patins
encarnado. E aos saudosistas de outros tempos respondo desde já com um facto
irrefutável: fomos duas vezes campeões europeus (2013 e 2016), e só desta vez
juntámos o título doméstico à conquista internacional.
Aliás, estes triunfos
vêm na senda de várias temporadas de grande fulgor. Nos últimos seis anos, somámos
três Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal, duas Supertaças, duas Ligas
Europeias, uma Taça Cers, duas Taças Continentais e uma Taça Intercontinental.
Um palmarés impressionante, ao nível do Clube que, ininterruptamente, pratica a
modalidade há mais tempo no mundo.
Houve Cruzeiro e
Perdigão, houve Ramalhete e Livramento, houve Paulo Almeida e Rui Lopes, houve
ainda Panchito. Um dia também falaremos de Trabal, Valter Neves, Diogo Rafael,
João Rodrigues, Adroher ou Nicolia, como grandes figuras de uma época dourada.
Que estamos a viver, e esperamos ver prolongada por mais uns anos.
O TETRA
O Benfica existe para
ganhar. Apenas para ganhar.
Foi a ganhar que
cresceu. Foi a ganhar que se tornou popular e gigantesco, que nos cativou e
envolveu.
Diz-se que perder e
ganhar é desporto. Mas não é de desporto (muito menos de indústria ou de
comércio) que se fala quando se fala de Benfica. É de amor. É de paixão. De uma
paixão sem limites, que não admite outra coisa que não a vitória, que somente
aceita a glória absoluta.
Somos Tri-campeões.
Mas se em Maio de 2017 não festejarmos o Tetra, ninguém se lembrará dos maios
anteriores. Todas as conquistas passadas serão meras peças de museu. Dignas de
orgulho, mas carentes de sentimento. Serão outros a festejar, ou a verde, ou a
azul. Já não estamos habituados. Custa-nos, só de imaginar o cenário.
A estes axiomas, que
nos moldam a alma, e que nos exigem superação constante, acresce um contexto
estratégico muito peculiar. Temos um dos rivais desportivamente moribundo, à
procura de uma oportunidade para se reerguer. Temos outro em bicos de pés, a
tentar afirmar-se por todos os meios – mesmo os mais estapafúrdios e indecorosos.
Depende de nós deixá-los, ou não, renascer das cinzas. Depende de nós
estabelecermos, ou não, um ciclo de manifesta hegemonia no futebol português,
que pode levar décadas a ser quebrado, mas que, no sopro de uma temporada menos
conseguida, rapidamente se esfumará, como areia que se escapa pelos dedos das
mãos.
O Benfica não irá
certamente ganhar todos os campeonatos até ao fim das nossas vidas. Mas alguns não
os poderá perder. O próximo é um deles.
MODALIDADES
A gloriosa saga do
ecletismo encarnado de 2015 era difícil de repetir. Então, só o Andebol escapara
ao pleno dos campeonatos nacionais entre as modalidades mais significativas.
Foi o melhor ano de sempre a este nível.
Em 2016, se Futebol e
Hóquei repetiram o título (no caso do Hóquei acompanhado de brilhante conquista
europeia), e se Futsal e Atletismo mantêm em aberto essa possibilidade,
Basquetebol, Andebol e Voleibol falharam o principal objectivo - pese embora a
conquista de Taças e Supertaças.
Os casos são
diferentes, bem como o contexto e as expectativas que rodeavam cada uma das
equipas. Se a de Andebol era, à partida, a menos favorita, a forma como deixou
fugir o campeonato acabou por ser, porventura, a mais dolorosa. O meu grau de benfiquismo
não me permite aceitar com naturalidade derrotas como a do último Sábado,
quando, com quatro golos de vantagem a pouco mais de três minutos do fim, o
título estava no bolso. A não repetir.
Também o Basquetebol
desiludiu. O Benfica era o grande favorito à conquista do penta. Mantinha a
estrutura e reforçara-se com nomes sonantes. Mas durante os play-offs
percebeu-se que as coisas iriam correr mal. Jogámos pouco. As sete (!) derrotas
com o FC Porto obrigam necessariamente à reflexão.
O Voleibol foi,
sobretudo, infeliz. Perdeu no último set da última partida, depois de 24
vitórias em 25 jogos até chegar à final. Creio que nesta modalidade
recuperaremos o título rapidamente.
De Futsal falarei no
fim do campeonato. E o Hóquei, pela estrondosa época que fez (ainda falta a
Taça), merece um texto inteiro, assim que a oportunidade espreitar.
A ANGÚSTIA DO ADEPTO NO MOMENTO DO MERCADO
O tema é recorrente. A
cada defeso, a angústia do adepto cresce à medida que as notícias da saída de
jogadores se avolumam nos jornais.
Quase não nos deixam
comemorar os títulos em paz. Em poucos dias, a crer na imprensa, praticamente
não temos equipa.
Para além de Renato
Sanches, pelo menos Ederson, Jardel, Lisandro, Lindelof, Fejsa, Salvio,
Talisca, Carcela, Gaitán e Jonas, foram, por estes dias, dados como negociados,
ou negociáveis, para outros destinos. Na maioria dos casos tal não passa de
especulação. O problema é que por vezes o fumo traz fogo, e alguns deles podem
mesmo ter de vir a sair.
Sabe-se como funciona
o modelo de negócio em clubes como o nosso, de países periféricos, e sem o
poder financeiro de outros mercados. Sabe-se que, para manter contas
equilibradas, e não comprometer o futuro, há que vender jogadores. Sabe-se que
os mais procurados, os mais valiosos, os mais rentáveis, são, obviamente, os
melhores. Sabe-se que os próprios, aliciados por salários principescos, são
frequentemente os primeiros a forçar a saída. Sabe-se da pressão de agentes e intermediários.
Sabe-se que, sobretudo em anos de Europeu ou Mundial, é difícil planificar o
que quer que seja nesta matéria.
Porém, existem
princípios orientadores que convém não desprezar.
Há jogadores em picos
da valorização, mas susceptíveis de ser bem substituídos. Por outro lado, há
jogadores cujo valor de mercado, por motivos etários ou outros, é manifestamente
inferior ao valor desportivo – leia-se, ao peso na equipa. Poderá ser boa
gestão vender os primeiros. Será sempre mau negócio perder os segundos.
ILUSTRAÇÃO
A conclusão do texto anterior poderá ser ilustrada pelo quadro seguinte:
Ao qual acrescentaria:
- Duas finais europeias, e recuperação no ranking da Uefa, desde o 91º lugar até ao 6º actual.
- Múltiplos títulos nas modalidades, entre os quais 2 Ligas Europeias, 1 Taça Cers, 2 Taças Continentais e 1 Taça Intercontinental no Hóquei; 1 Uefa Cup no Futsal; finais europeias inéditas no Andebol e no Voleibol.
- Construção do Estádio, do Centro de Estágio, de dois pavilhões, de piscinas, do Museu Cosme Damião.
- Criação de BTV, da revista Mística, rejuvenescimento do Jornal.
- Aumento recorde do número de sócios.
- Expansão das Casas do Benfica.
- Captação recorde de receitas com patrocínios.
- Profissionalização da gestão, e total reestruturação do clube, que, em 2001, estava falido, desorganizado e desacreditado.
UM POR TODOS
Seria fácil dizer
agora que sempre acreditei. Que, também eu, era um entusiasta da aposta na
formação. Que vira com bons olhos a substituição de um treinador campeão. Que
olhara sem desconfianças para uma alteração de paradigma, justamente quando começávamos
a vencer com regularidade.
Estaria a mentir.
Na verdade, foi com bastante
cepticismo que encarei as mudanças do Verão passado. E quando, a poucos dias do
Natal, estávamos a 7 pontos do Sporting, e a 5 do FC Porto, não apostaria um
fósforo na possibilidade do Tri. Não fosse uma carreira europeia prometedora, e
dava, nessa altura, a época como morta.
Nada melhor do que ser
desmentido pelos factos quando estes superam as nossas melhores expectativas. E
este Benfica superou tudo aquilo que eu perspectivara.
Na altura, muitos
pensavam como eu. Mas houve um (aquele que interessava, aquele que decidia) que
se manteve absolutamente fiel às suas convicções. Que, com grande coragem,
insistiu no caminho que sabia ser o melhor para o Clube.
Este título é de muita
gente. É de um técnico que, para além de enorme competência, soube manter uma
atitude que nos orgulha. É de todos os benfiquistas, mesmo daqueles que, como
eu, tinham poucas certezas quanto à forma de lá chegar. Mas este título é,
sobretudo, de Luís Filipe Vieira.
O nosso presidente
apostou forte. Arriscou muito. E, seguindo a sua convicção, venceu em toda a
linha.
A obra feita no
Benfica já falava por si. Este campeonato, a forma como foi ganho, e tudo
aquilo que nos mostrou, tornou óbvia uma certeza: Vieira é o presidente mais
marcante dos 112 anos de história do nosso Clube.
ARBITRAGENS 2015-16
ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS
Grandes Penalidades a favor:
SPORTING-11
Benfica - 7
FC Porto - 5
Grandes Penalidades contra:
SPORTING - 5
Benfica - 1
FC Porto - 1
Grandes Penalidades decisivas a favor:
SPORTING - 5
FC Porto - 3
Benfica - 2
Grandes Penalidades decisivas contra:
SPORTING - 2
FC Porto - 1
Benfica - 0
Cartões Vermelhos:
SPORTING - 4
FC Porto - 3
Benfica - 2
Cartões Vermelhos a adversários:
SPORTING - 7
Benfica - 4
FC Porto - 0
Minutos em superioridade numérica:
SPORTING - 212
Benfica - 4
FC Porto - 0
Minutos em inferioridade numérica:
BENFICA - 53
Sporting - 48
FC Porto - 17
Benefício em pontos por erros grosseiros de arbitragem:
SPORTING - 6
Benfica - 4
FC Porto - 3
Prejuízo de pontos por erros grosseiros de arbitragem:
BENFICA - 3
Sporting - 2
FC Porto - 2
CLASSIFICAÇÃO REAL:
BENFICA (88-4+3) = 87
Sporting (86-6+2) = 82
FC Porto (73-3+2) = 72
JOGO A JOGO
AGRADECIMENTOS
Ao presidente do
Sporting, e a toda a comunicação social que o tolerou, promoveu, e cuja
estratégia de ódio, guerrilha e conflito permanente branqueou – como, de resto,
no passado, havia feito com outro protagonista.
Aos seus mais fiéis acólitos
que, na cegueira anti-benfiquista, apoiaram e interpretaram essa estratégia.
Ao milionário treinador
do Sporting, e a toda a sua pesporrência, ingratidão, e mau perder, que ora nos
dá pena, ora nos faz rir.
Aos inácios
televisivos, e às repetidas mentiras, insinuações e provocações - desde uma campanha
sórdida e racista visando Renato Sanches, a aspectos risíveis como a
calendarização dos jogos - com que tentaram sistematicamente desestabilizar e
descredibilizar o Benfica.
A Norton de Matos,
Nelo Vingada e Sérgio Conceição, pelo modo singular como abordaram algumas
partidas do campeonato, abrindo uma perturbadora caixa de pandora, de efeitos
imprevisíveis para a verdade do futebol português.
Aos conselhos de
justiça e de disciplina da FPF, pela impunidade, patetice e esperteza saloia
com que lidaram com as agressões de Slimani.
A todos eles os meus
agradecimentos.
Aos jogadores,
técnicos, dirigentes e restante estrutura profissional do SL Benfica, agradeço
vivamente a conquista de mais um campeonato, o 35º da nossa história. Mas aos
anteriormente mencionados tenho de agradecer por terem transformado essa
conquista na maior alegria desportiva da minha vida.
SÓ MAIS UMA !
Estamos a um jogo, a uma vitória, a uma final, de
poder soltar o grito que há meses nos atravessa a garganta, e nos entope a
alma.
Falta pouco. Muito pouco. Mas esse pouco parece
tudo, olhando àquilo que se tem passado nestas últimas semanas.
Como se não bastassem malas e maletas, no Funchal
apareceram também apitos e cartões. Tiraram-nos um penálti. Tiraram-nos um
jogador. Tudo tem servido para nos condicionar, tudo tem servido para nos
perturbar, e tentar desviar da rota do ”Tri-Campeonato”. Fomos fortes. Muito
fortes. Ultrapassámos todos os obstáculos. Os naturais e os outros. Ficámos
mais perto da glória.
Agora faltam noventa minutos. Noventa longos e
sofridos minutos, durante os quais teremos de estar preparados para as mais
diversas condicionantes – à semelhança do que tem vindo a ser regra,
designadamente desde que, ganhando em Alvalade, metemos um pauzinho numa
engrenagem que alguns achavam já montada.
Resistiremos a tudo. Resistiremos a todos. Quem
chegou aqui, não vai parar às portas do sonho. Seremos onze irmãos em campo, 65
mil nas bancadas, e milhões a torcer por fora. Mais do que um país, seremos um
mundo. Um mundo a gritar 35!
Acredito num domingo lindo, que nos conduza aos céus.
Acredito no trabalho sério, na humildade, na honestidade, na união, no
fair-play, no civismo. Acredito que as metodologias do passado serão vigorosamente
derrotadas em campo, pois é também contra elas, e em nome do desporto e da
paixão que o alimenta, que este Benfica terá de jogar.
Também por isso, a justiça vai premiar-nos. Também
por isso, vamos vencer!
Força Benfica! É só mais uma!
JOGO SUJO
Houve o corte de electricidade no Restelo, a zaragata entre jogadores
do Marítimo, e os vários indisponíveis do Moreirense, antes das partidas com o
Sporting. A poupança de titulares do União em Alvalade, mesmo precisando de
pontos. A exibição simpática do Arouca. As lágrimas do Setúbal. O penálti de Tonel. Mas se eram
necessárias mais evidências de que algo de estranho se passa no nosso campeonato,
esta jornada trouxe-as. E nem falo de penáltis por assinalar - que também houve.
Vejo futebol há mais de 40 anos, e não me recordo de uma equipa sem
aspirações fazer o anti-jogo que o Guimarães fez na Luz ao longo da primeira
parte. Não esperava, nem queria, facilidades. Mas esperava um adversário a
jogar futebol. O que se viu foi a triste cena de onze almas (mais umas quantas
no banco) desesperadas para retirar pontos ao Benfica, não hesitando em
recorrer a simulações, provocações, quebras de ritmo, e a uma agressividade
muito acima do normal. Até mudaram de táctica, testando-a propositadamente na
jornada anterior, à custa de um empate em casa.
Na Amoreira, um Marítimo também com classificação definida, entrou em
campo sem cinco jogadores que tinha em risco de suspensão, poupando-os para a próxima
jornada, cedendo pontos que, teoricamente, até lhe seriam mais acessíveis.
Porquê? Segundo o treinador, para preparar a próxima época.
Podemos juntar as declarações do presidente do FC Porto, que deixaram claro
porque motivo não seria de esperar um desfecho diferente no Clássico.
Os factos falam por si. Não podemos fingir que não vemos. A porcaria
está a regressar em força ao futebol português. E, se nada fizermos, vem para
ficar.
AI QUE SORTE!
É uma sorte.
É uma sorte ter avançados com a categoria de Raul Jimenez, Jonas ou
Mitroglou, que resolvem jogos com precisão de matador, nos momentos mais
delicados. É uma sorte ter jovens como Ederson, Nelson Semedo, Lindelof, Renato
Sanches ou Gonçalo Guedes, os quais há um ano atrás ninguém imaginava como
presumíveis titulares do Benfica e jogadores de selecção. É uma sorte ter
figuras do nível de Luisão ou Salvio, que se sentam no banco com o mesmo
profissionalismo que sempre revelaram em campo. É uma sorte ter um plantel em
que as ausências são colmatadas por jogadores de igual valia, com os quais o
colectivo em nada se ressente. É uma sorte ter uma equipa unida e solidária,
que entra em campo com humildade e sem qualquer laivo de sobranceria,
disputando cada lance como se fosse o último. É uma sorte ter a melhor média de
golos por jogo dos últimos 32 anos. É uma sorte ter o melhor ataque e o melhor
marcador do campeonato. É uma sorte ter como treinador um homem competente e
civilizado, que responde com vitórias às reiteradas provocações que lhe chegam
do exterior. É uma sorte ter uma estrutura administrativa e logística na qual
nada falta, e a qual representa uma importante mola no rendimento dos atletas.
É uma sorte ter um presidente que está sempre ao lado da equipa, nos bons e nos
maus momentos, e que não usa facebooks para insultar, pressionar ou coagir
ninguém. É uma sorte ter uma massa adepta que enche estádios de norte a sul do
país, com uma paixão inigualável, e um apoio frenético que empurra a equipa
para a frente.
É mesmo uma sorte. É uma sorte ser do Benfica!
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