NO APROVEITAR ESTÁ O GANHO

Pedia-se ao Benfica que desse continuidade à grande exibição realizada na Chamoions. E se o contexto não era o mesmo (nem o adversário, nem a prova, nem o estádio), a verdade é que os encarnados fizeram tudo o que lhes competia - primeiro a desmontar a estratégia do Moreirense, depois a aproveitar os brindes oferecidos pela defesa minhota e assim construir um resultado robusto.
Este campo não devia existir. E este clube devia estar na segunda divisão. Nem o relvado nem o clube têm dimensão para uma Liga a sério.  O futebol português é o que é, e há que levar com todas estas vicissitudes. Desta vez o Benfica soube abordar a ocasião da forma mais correcta, e não deu hipótese para qualquer dúvida, pese embora a extrema agressividade com que alguns jogadores do Moreirense entraram no jogo (Barreiro que o diga). 
Obviamente Pavlidis foi o homem em foco. Respondeu da melhor maneira à ausência do onze inicial contra o Nápoles. Gosto sempre de ver um jogador manifestar-se em campo, "falar" em campo - neste caso de forma bastante eloquente. 
Ficaram-me dúvidas sobre uma eventual grande penalidade ainda com 0-0, mas ainda não vi as repetições necessárias para ter uma opinião definitiva.
Nos últimos trinta anos, só em duas ocasiões o Benfica chegara à 14a jornada sem derrotas. Curiosamente em nenhuma delas foi campeão (2011-12 e 2012-13). Agora também não vai ser fácil. Mas se continuar sem perder, talvez seja um pouco menos difícil. 

DAR CONTINUIDADE

A grande exibição realizada frente ao Nápoles só fará sentido se representar uma espécie de ponto de viragem na época do Benfica. 
Frente ao Moreirense, num campo muito difícil, há que vencer. Mesmo sem a nota artística de quarta-feira, os três pontos são fundamentais para dar confiança aos jogadores e manter viva algumas hipóteses no campeonato. 
Trubin, Dedic, Araújo, Otamendi, Dahl, Enzo, Rios, Aursnes, Barreiro, Sudakov e Pavlidis.

AS CONTAS DA ESPERANÇA

Vale o que vale. É apenas um exercício, que todavia serve para perceber quais são os principais rivais nesta contenda. Há jogos bastante interessantes na última ronda, como um Mónaco-Juventus, ou um Brugge-Marselha. Primeiro há que vencer em Turim. Fazendo-o acredito na passagem. É o jogo determinante, até por ser contra um adversário directo. Uma espécie de final.
 

POR ONDE ANDASTE, BENFICA?

Não fosse o desperdício de três ocasiões claras de... golear, e esta tinha sido uma noite perfeita. Um grande Benfica em todos os parâmetros do jogo, uma grande vitória perante o campeão italiano e um dos líderes da Série A, e a esperança renovada na passagem à fase seguinte.
Já era tempo de ver uma grande exibição. Os adeptos mereciam, a equipa precisava.
Há jogadores em clara subida de rendimento,  sendo o caso mais flagrante o de Richard Rios - que, de repente, se tornou no patrão do meio campo de que o Benfica precisava, e que a sua contratação milionária anunciou. Sudakov também cresce a olhos vistos,  e até Ivanovic, que esteve nos dois golos, mostrou trabalho e deu muito à equipa, nomeadamente no esticar de jogo que Mourinho pretendia.
Aursnes e Dahl também agradaram e parecem recuperar os índices fisicos. Já Barreiro está de pedra e cal, oferecendo a pressão e a intensidade que lhe é habitual. E ainda deu para estrear mais dois jovens.
As contas não são fáceis,  mas estas duas vitórias devolveram os encarnados à luta pelo apuramento. Aliás, não fosse o golo do Copenhaga nos últimos minutos em Villarreal, e a equipa de Mourinho já estaria, nesta altura, em 24°lugar, ou seja, em zona de qualificação.
Mais do que isso, este jogo, esta exibição, tem tudo para devolver a confiança e a serenidade aos jogadores. E para dar esperança aos adeptos. Afinal a equipa é capaz de jogar futebol. Afinal, não é assim tão má como tem aparentado. Talvez cresca ainda mais. Está a lançar jovens, tem lesionados por recuperar, e o mercado para fazer os ajustes necessários. Ainda vai a tempo? Só o futuro dirá. Mas se havia que começar rapidamente a jogar e a ganhar, este foi, sem dúvida, um bom princípio. 
Grande jogo. Grande noite. Viva o Benfica!

ALGUMA COISA...OU NADA

Instintivamente ia titular este texto com o comum "tudo ou nada". Acontece que, se o "nada" está à espreita, e pode materializar-se desde logo com um empate ou uma derrota nesta partida, falar em "tudo", face às circunstâncias, seria algo abusivo. Na verdade, não está em causa um apuramento, mas sim a possibilidade mais ou menos remota de ainda sonhar com ele. Para ter aspirações, não basta ganhar este jogo. É preciso, pelo menos, ganhar mais um (em Turim, ou na Luz frente ao Real Madrid). E ainda assim, haverá que fazer contas.
O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. A participação dos encarnados nesta Champions começou da pior forma: perdendo o único jogo em que tinha a franca obrigação de ganhar. Com esses três pontos (agora somaria seis) a situação não seria brilhante, mas seria, digamos, normal. Mantinha-se tudo de pé. A equipa encarnada estaria firme na sua posição natural: na luta pelo playoff.  Assim...
Tudo o que ficou para trás já não se pode mudar, o que estará para a frente ainda não se conhece. O dado objectivo é: não ganhando ao Nápoles o Benfica estará irremediavelmente fora da fase seguinte. Como só se joga uma jornada de cada vez, há que pensar nesta.

FALTA DE SENSO

 
Estes são os preços dos bilhetes para um Benfica-Real Madrid em finais de Janeiro, no qual há grandes hipóteses de os encarnados estarem já eliminados e os merengues já apurados. O direito de opção para detentores de Red Pass nornal terminava hoje - mais de um mês antes do jogo, mas cirurgicamente antes do Benfica-Nápoles, não vá a coisa correr mal.
Ora além da exorbitância dos preços, se há coisa que detesto é que me tentem manipular comercialmente. Pelo menos de forma tão ostensiva. Se isso já acontece com telecomunicações ou bancos, muito menos admito que o clube que amo, e do qual me sinto parte, o faça ou tente fazer.
Do ponto de vista institucional, a bilhética é o parente pobre do clube. Vive noutro mundo, que não é certamente o do povo benfiquista.
Para este jogo, como para a Champions deste ano em geral, a bilhética do Benfica está de costas voltadas com a realidade. A realidade dos sócios, e, já agora, também a realidade dos resultados desportivos.

O POSSÍVEL

Podia dividir-se este jogo em três partes distintas. E na maior delas, o Benfica foi claramente superior.
Os primeiros 25 minutos foram do Sporting. Mais fruto das trapalhadas dos jogadores encarnados (que infelizmente não são novidade) do que por qualquer superioridade estratégica da equipa de Rui Borges. O golo nasce de um erro monumental de Enzo, sucedido por um frango de Trubin - perante um remate bastante defensável. E já antes, Aursnes oferecera um brinde que podia ter aberto o marcador.
Depois do golo de Sudakov, o Benfica serenou, e partiu para um domínio absoluto da partida. Sobretudo na segunda parte, só se viu Benfica - que venceu quase todos os duelos, encostou o Sporting às cordas, e podia ter marcado mais de uma vez.
Quando se antevia um ataque final à baliza de Rui Silva, entrou em acção António Nobre. Ou eu não estou a par das regras, ou uma falta como aquela é para cartão amarelo. Não há entrada por trás, não há pitons. É um lance duro, mas leal. É, aliás,  uma excelente intervenção de Prestianni, a anular um contra-ataque perigoso.
A expulsão impediu o Benfica,  a partir daí, de procurar os três pontos. E deu uma última vida ao rival. Não haverá contra-prova, e nunca se saberá como acabaria o jogo com onze jogadores de cada lado. Eu até estava com um feeling para o tempo extra. Tive de me resignar a ver a equipa defender o empate.
O resultado é mau. Não em si mesmo (o Benfica continua sem perder em competições nacionais), mas fruto das circunstâncias em que se partia para esta jornada. Seis pontos perdidos com Santa Clara, Rio Ave e Casa Pia obrigavam a uma vitória nesta noite. Não aconteceu. Resta acreditar que seja o FC Porto a devolver a esperança.
São já vários os dérbis em que o Sporting entra na Luz a poder jogar para o empate. E consegue-o. Há que trabalhar para evitar uma coisa e outra.  
Individualmente destacaria o incansável Barreiro, e a melhor versão de Richard Rios que vi na Luz. Pela negativa,  já falei dos erros individuais. Espero que Manu Silva recupere rapidamente os índices fisicos, pois começo a estar um pouco saturado de Enzo Barrenechea. Até pode ser que me venha a surpreender no futuro. Agora precisa urgentemente de banco.
De António Nobre também já falei. É um árbitro medíocre,  que jamais deveria ter sido nomeado para esta partida. Ao longo do jogo mostrou cartões que não devia, e deixou outros no bolso. Equivocou-se em faltas para ambos os lados. E concluiu a actuação com um vermelho mal mostrado, a meias com o VAR. Em todo o caso, não podemos afirmar que, com uma arbitragem certeira, o resultado tivesse sido outro.
PS: Hulmand é um grande jogador. É um atleta correcto (ao contrário de alguns dos seus colegas). Mas quando faz faltas, elas têm de ser assinaladas, e quando justificam cartões, eles têm de ser mostrados. Ora isso raramente acontece.

IMPERIOSO VENCER

É verdade que o FC Porto por vezes dá mostras de alguma irregularidade exibicional, que infelizmente ainda não se reflectiu em pontos no campeonato. Mas sejamos claros: se o Benfica ficar, nesta jornada, a nove, ou mesmo oito, pontos de distância do primeiro lugar, só a matemática o deixará na luta pelo título. Assim, há que vencer. É fácil? Não. Nesta altura o Sporting é claramente favorito, tem uma equipa sólida, com identidade bem definida, enquanto o Benfica ainda anda à procura de si próprio - e precisa de tempo (...e reforços) para se encontrar. Além de que, António Nobre no apito quase significa entrar a perder 0-1. Porém, dérbi é dérbi.
PS: Os árbitros portugueses são genericamente fracos, são objectivamente incompetêntes, para não lhes chamar outra coisa. Há um razoável (João Pinheiro). Porque não colocá-lo a arbitrar este tipo de jogos?

PARA QUEM NÃO SE LEMBRE

António Nobre

ANTÓNIO NOBRE ?!?

O árbitro que, contrariando o VAR (coisa pouco vista), insistiu num penálti inexistente no jogo com o Arouca - que condicionaria o último campeonato -, vai agora arbitrar o "dérbi", quem sabe para condicionar este. António Nobre viu algo que mais ninguém viu, nem o próprio VAR. Gozou com os benfiquistas em pleno Estádio da Luz. Mas não se passa nada. 
O CA já nem tem sequer a vergonha de tentar fingir. É ostensivo: para esta gente o Benfica não pode mesmo ser campeão!

DÉRBI ANTES DO DÉRBI

Retratos de uma tarde de futebol fantástica em Stamford Bridge: