Isto não podia mesmo acontecer. O Benfica está a preparar-se há semanas, as pré eliminatórias - como sempre defendi - valiam o que valiam, mas a entrada no campeonato tinha de ser ganhadora. E se as bancadas levantaram fantasmas da pandemia, o desempenho da equipa, sobretudo na hora de defender, levantaram fantasmas da época passada. Até o resultado de 2-2 cheira a déjà vu.
Quem criticava o futebol feio de Mourinho, talvez não tenha percebido o que ele tentou fazer no Benfica - e estou em crer que nesta temporada o conseguiria: transmitir segurança a uma equipa que quando perde a bola parece perder também a cabeça, evidenciando uma permeabilidade totalmente incompatível com quem quer ser campeão. Veremos o que poderá fazer Marco Silva relativamente a esta questão. E o mercado também terá que trazer alguém que ajude. Palhinha? Um médio que faça compensações (que saudades de Florentino...)? Um lateral esquerdo? Um central que não seja um passarinho como Araújo? Outro guarda redes (Samu é de equipa B)?
Os dois golos do Académico de Viseu são absolutamente inaceitáveis. E quem sofre golos assim, não merece vencer.
Aliás, cada vez que o Académico ultrapassava o meio-campo, o pânico instalava-se, e a equipa partia-se em três: os atarantados e aveludados defesas, os erráticos médios e avançados/ extremos que não existem sem bola. Já se tinha visto nas partidas anteriores. Não houve nenhuma evolução. Desta vez com consequências graves.
A primeira parte até prometia. A inspiração de Prestianni parecia um dínamo capaz de transportar toda a equipa. Oportunidades falhadas, bolas ao poste e a sensação de que o jogo podia ter ficado resolvido logo ali.
Na segunda parte o Académico acertou algumas marcações, e a apatia tomou conta do Benfica. Houvesse solidez defensiva (como no FCP) e a coisa teria ficado assim. 1-0, 2-0. Mas quando cada bola no meio campo do Benfica representa uma oportunidade de golo, e cada oportunidade de golo tem larga probabilidade de se concretizar (seja contra que adversário for), as coisas complicam-se.
O Benfica começa mal. E a única esperança é que o mercado ainda está aberto. Para aqueles que já não querem ali estar (como Schjelderup ou Lukebakio), e para outros que têm forçosamente de chegar.