CARA LAVADA

Cinco anos depois, o Benfica voltou a ser Benfica frente ao Porto na Luz. Fruto de uma segunda parte de alto nível, quando os encarnados perceberam finalmente como lidar com a superioridade numérica em que cedo se viram, e soltaram com naturalidade o seu maior talento. O golo de Di Maria foi o corolário de minutos de grande domínio benfiquista. E no fim a vitória até soube a pouco. 
Com dez jogadores, o Porto morreu. A segunda metade da equipa de Conceição foi miserável, não fazendo sequer cócegas ao Benfica. 
E com dez jogadores porque João Pinheiro não teve coragem para os deixar com nove - o lance de David Carmo é praticamente igual ao de Fábio Cardoso, e merecia o mesmo julgamento. Foi melhor assim, para que ninguém se queixe. 
Muitas vezes tenho criticado Schmidt. Porventura demasiado, talvez pela elevada expetativa que criou no início da sua caminhada na Luz. Mas tenho de lembrar agora que leva três vitórias em quatro clássicos. É verdade que dois deles contra dez, mas o que fica são os números. 
Falta apenas uma palavra para João Neves: craque! 

SEM MEDO

...mas com prudência e algum cinismo. Sobretudo com muita garra, sabendo que se correr tanto, e lutar tanto como o rival, o Benfica estará perto de vencer.
 

EMBARAÇOSO

Em 22 anos de "Clássicos" na Luz para o Campeonato, apenas 4 vitórias! 
Como benfiquista, confesso que tenho vergonha destes números.
Houve, neste período, jogos com clara influência das arbitragens. Mas é preciso reconhecer que, sobretudo na Luz, o Benfica tem também muitas razões de queixa de si próprio.
Destaco três aspetos que sempre condicionaram estas partidas:
1) Maior capacidade física e atlética do FC Porto, que nos confrontos diretos faz dano (sobretudo, lá está, se a agressividade mais extrema for tolerada pelos árbitros);
2) Grande rigor tático e defensivo do FC Porto, por contraponto com um jogo mais aberto do Benfica, que o expõe sistematicamente ao cinismo do rival - algo que, desde o Brasil-Itália de 1982, acontece em todo o mundo, em todos os campeonatos, e, gostemos ou não, define o futebol moderno;
3) Mentalidade guerrilheira do FC Porto, face ao cândido #pelobenfica da equipa encarnada.
O problema 1) é difícil de resolver com o atual plantel do Benfica, onde, por exemplo, o único "6" é Florentino, faltando músculo e altura em muitas posições, sobrando arte e os correspondentes salários noutras.
O problema 2) é difícil de resolver com Roger Schmidt, adepto de um futebol ofensivo, algo romântico, e muito exposto ao risco...e ao erro.
No imediato é preciso, pois, trabalhar o ponto 3), sobretudo dentro das paredes do balneário, sobretudo dentro da cabeça dos jogadores.
Com a mentalidade certa, com uma arbitragem isenta, com alguma dose de sorte e com a maior capacidade técnica dos seus jogadores, talvez o Benfica possa inverter, por uma vez, a tendência. Talvez possa fazer um bom resultado. Mas terá de se mentalizar de que, primeiro, tem de lutar contra si próprio.
Ao contrário do que se apregoa, a matriz identitária do Benfica não é a do futebol de veludo. Foi com suor, lágrimas e talvez algum sangue, que uma equipa operária de gente humilde com o campo às costas acabou com o domínio dos "Violinos", e poucos anos depois se tornou campeã europeia em Berna - lembremos, ainda sem Eusébio. 
Gostava que, um dia, o Benfica e os benfiquistas (sim, também os adeptos, que aplaudem as chicuelinas e assobiam o combate) resgatassem esse espírito. E, enquanto não o fizerem, temo que os números do quadro acima se vão agravando.

CONFIANÇA REPOSTA

É verdade que este Portimonense é muito mais suave do que era há uns anos, mas tem de se dizer que o Benfica também não lhe deu grandes hipóteses de levantar as orelhas.
Dois golos bastante cedo, pareciam ditar desde logo a distribuição de pontos. E se Rafa tivesse convertido uma das duas soberanas ocasiões de que dispôs até ao intervalo, a segunda parte podia ter sido um passeio. Não foi.
Dois minutos de desconcentração, e os algarvios quase podiam ter chegado ao empate. Valeu Trubin, reencontrado consigo próprio depois da desastrada exibição europeia. Defendeu o penálti (foi muito mal marcado, mas...foi defendido, o que pode ser extremamente importante para a confiança do jovem ucraniano e para a solução do problema que Schmidt criou na baliza), manteve o Benfica na frente do resultado, manteve o Portimonense aberto, e permitiu a Neres resolver de vez a partida. 
Vitória justa da (muito) melhor equipa.
Se o FC Porto continuar sucessivamente a marcar golos depois dos noventa minutos, vai acabar por fazer 90 pontos, e não dará hipóteses à concorrência. Como acredito que esta sequência não passe de uma infeliz coincidência, talvez um dia chegue a hora de perder pontos. Já na sexta-feira? Veremos.
Nem tudo era muito mau após a derrota com o Salzburgo. Nem todos os problemas estão resolvidos após a vitória em Portimão. Este Benfica tem alguns equívocos de base, que terá de resolver, ou pelo menos disfarçar. Já na sexta-feira!

O MESMO ONZE!

Os jogadores correram e lutaram, não havendo nada a apontar-lhes. António Silva tem crédito e merece desculpa. Trubin precisa de recuperar confiança. Bernat e Jurasek ainda não estarão a 100%, pelo que, à esquerda, não há alternativa a Aursnes. A minha maior dúvida era entre Di Maria e Neres, mas que avance o argentino: jogarem ambos, saindo João Mário, deixaria as alas demasiado permeáveis.
 

NÃO! OS ASSOBIOS NÃO ERAM PARA TRUBIN!

Eu estava lá, e a coisa não foi demasiado grave, devendo ser entendível no contexto de um jogo que o Benfica perdia em casa por 0-2. Mas é verdade que, em alguns momentos, Trubin foi assobiado.
Foi cruel para um jovem lançado (desnecessariamente) às feras, que, aos 22 anos, se estreava em casa do seu novo clube, num novo país e numa partida da Champions. 
Acredito, porém, que os assobios não eram para ele. Eram, sim, para quem, sem necessidade, queimou e despediu em público um guarda-redes campeão - e que seria o escudo onde a carreira imediata de Trubin se podia ancorar. Os assobios eram, pois, para Roger Schmidt, que andou a brincar aos guarda-redes neste início de época, com consequências que, temo, venham a ser devastadoras.

NOITE DE BRUXAS

Em apenas quinze minutos, o Benfica deixou-se enrolar num nó que, depois, lhe foi impossível desatar. Dois penáltis, uma expulsão, e vários erros individuais e coletivos, perante um adversário que não é tão frágil como alguns imaginavam, cedo deitaram tudo a perder.
A reação foi a possível. Viu-se empenho total dos jogadores até ao último suspiro, mas muita desorganização, muito voluntarismo estéril, e algumas lacunas de que falei aqui durante semanas a fio - e que, obviamente, só os jogos grandes ("clássicos" e champions) iriam expor na plenitude. Também faltou sorte, numa noite em que tudo o que podia correr mal, correu.
Uma vez mais não percebi o que quis Roger Schmidt da equipa e do jogo. Certamente por insuficiências minhas, mas o que é factual é a derrota. Por exemplo, porquê mais de meia segunda parte com Di Maria a arrastar-se em campo? Porquê Neres só a 15 minutos do fim? Para o queimar, como a Vlachodimos?
Não quero alongar-me muito sobre o jovem Trubin - que é isso mesmo, um jovem, como Samu e outros -, nem chorar sobre o leite derramado com o despedimento de Odysseas, patrocinado pelo próprio treinador. Mas fico curioso de saber o que pensam agora aqueles que exigiam ao grego este mundo e o outro. Infelizmente, estou convencido de que o tempo irá chamá-los à razão. Tarde demais.
Ainda não vi imagens televisivas, e dou benefício da dúvida à arbitragem nos lances capitais. Mas quanto à gestão do jogo, pareceu-me claro tratar-se de um árbitro sem personalidade e sem nível para a Liga dos Campeões. Irritou as bancadas, irritou os jogadores, perturbou o espetáculo. 
Voaram três pontos importantíssimos na configuração do grupo. E logo no jogo, de entre os seis, em que a vitória era, digamos, mais obrigatória. Veremos se é possível recuperá-los.
Segue-se Portimão, e depois o FC Porto em casa. Testes de fogo para este Benfica 2023-24, que, pese embora o avultado investimento, ainda não me deixa nada tranquilo.

ENTRAR A GANHAR


 

ENTÃO...VAMOS DAR O DINHEIRO AOS OUTROS


Centralização de direitos televisivos é roubar os verdadeiros adeptos do futebol para dar a investidores externos de honorabilidade duvidosa. É roubar os clubes que prestigiam o futebol português e fazem entrar dinheiro no país. É cortar a sua competitividade internacional, para dar empregos a treinadores e árbitros medíocres (os jovens jogadores portugueses emigram), e lugar a equipas sem história, sem identidade, sem massa crítica e até sem estádios - que semanalmente se limitam a praticar o anti-jogo para o pontinho.
Querem competitividade e equilíbrio: então venha de lá uma 1ªdivisão com 8 ou 10 clubes. O resto? fora!
Solidariedade é com pessoas. Não com SADs de capital estrangeiro a circular por off-shores para lavagem de dinheiro, que não valorizam em nada o campeonato português, nem sequer representam a diversidade geográfica do país.

SIGA

Por motivos velocipédicos (deslocação a Espanha para acompanhar a Vuelta na zona de Madrid), não pude ver o Vizela-Benfica sequer na TV (algo que não me acontecia há já bastante tempo). 
Fui acompanhando o resultado com sofrimento, sofrimento esse que percebi, ao ver mais tarde um resumo, não ter grandes motivos que o justificassem: a superioridade encarnada terá sido clara, e os números podiam ter sido outros. A verdade é que a vantagem era tangencial e o jogo nunca mais acabava. No futebol português o tempo de descontos parece cumprir um padrão: até o FC Porto marcar, e/ou até o Benfica sofrer.
O livre de Di Maria foi magistral. Gostei de ver Musa anotar mais um golo (e se um ponta-de-lança vale pelos números, a titularidade é sua). E Trubin terá tido uma estreia tranquila, sofrendo apenas de penálti.
Não poderei alongar-me muito mais sobre um jogo que não vi, lamentando apenas que os adversários não tenham perdido pontos. A propósito, o único golo do FC Porto na Amadora, sancionado pelo VAR Fábio Melo (um nosso velho conhecido) - e isso vi -, deixa-me bastante inquieto quanto às próximas jornadas.
Uma nota final para felicitar as modalidades do Benfica, que em menos de 24 horas conquistaram cinco (!) troféus oficiais.

MULHERES COM GARRA

Vitória sofrida mas merecida, de uma equipa que perdeu duas das suas maiores individualidades (Lacasse e Ana Vitória), e tem outras duas lesionadas (Jéssica e Pauleta). Parabéns ao Sporting pela luta que deu, e pelo desportivismo manifestado no fim.
O futebol feminino continua à espera do FC Porto, que é o único clube da Champions League que apenas tem equipa masculina. Ao que parece, na Torre das Antas, o pensamento predominante é que o lugar das mulheres é nos bares de alterne.

OS SCHJELDERUPS DA VIDA

Andreas Schjelderup fez 19 anos em Junho. Veio para o Benfica, aos 18, por alguns (demasiados?) milhões, e talvez tivesse achado que isso bastava para ter lugar cativo no onze titular - de uma equipa que, recordemos, na altura estava a ganhar praticamente todos os jogos a nível nacional e internacional. 
Vi-o jogar algumas vezes na equipa B, e pouquíssimos minutos na equipa principal. Sempre me pareceu um...júnior. Com talento, sim, mas sem capacidade atlética, nem maturidade, nem discernimento para assumir responsabilidades numa equipa como a do Benfica. A precisar de muito trabalho, e a espalhar mais incerteza do que magia.
Foi emprestado, e bem, para ganhar tudo aquilo que lhe falta, e poder eventualmente voltar por outra porta. Mas em vez de agradecido, já começou a falar demais. Enfim, é um jovem. Enfim, é imaturo, como se percebeu em campo. Espero que, pelo menos, seja melhor aconselhado.

Não era apenas dele que eu queria falar. É de todos os jovens que, aos 18, aos 17, aos 16 ou até antes, acham que vão ser (ou, pior ainda, que já são) o Maradona.
Diego Moreira, por exemplo. Até se chama Diego, o apelido começa por M (acabam ai as semelhanças com o astro argentino), e talvez por isso não tenha aceitado uma boa proposta para renovar pelo Benfica - que lhe acompanharia a carreira, que o protegeria durante anos, até fazer coincidir o talento natural com tudo o resto que falta para se ser profissional de futebol de alto nível. Foi para o Chelsea ganhar mais dinheiro. Quase me disponho a cortar uma orelha se alguma vez chegar a titular do clube londrino. Já foi emprestado, assim vai continuar, provavelmente em sentido descendente e até acabar o contrato. Aos 27 anos (numa qualquer liga turca, romena ou cipriota) irá estar a auferir um salário menor do que se tivesse ficado cá, e saído apenas aos 22 ou 23, depois de passar pela equipa principal, se afirmar, e, ai sim, se fazer à vida.
Cher Ndour, outro exemplo. Também não aceitou renovar pelo Benfica. Enfim, não se chama Diego e tem um pouco mais de cabedal. Mas...
Mas... há mais. Até Renato Sanches ou João Félix (vamos ver Gonçalo Ramos...), são exemplos de como saídas prematuras para contextos diferentes e mal escolhidos, com responsabilidades enormes, com o peso dos milhões às costas, e onde não são apaparicados como no Seixal, podem comprometer carreiras que podiam, e deviam, ter outras dimensões. Nem vou falar de Rodericks, de Nélsons Oliveiras ou de Josés Gomes, que infelizmente nem sei por onde andam. Recordo, a propósito, que Nélson Oliveira chegou a ser considerado o melhor jogador de um Mundial Sub-20.
Em sentido contrário, Ruben Dias. Fez três épocas como titular do Benfica, ganhou maturidade, e só depois, quando era quase capitão de equipa, fez as malas para a Premier League. Saiu com experiência, com títulos, também com fracassos, com vários jogos na Champions e titular da Selecção. Enfim: maduro. Chegou a Inglaterra e pegou de estaca, sendo considerado o jogador do ano. Acaba de ganhar a Champions, e se não tiver lesões fará uma carreira notável. Ganha, e continuará a ganhar até depois dos trinta, além de títulos, rios de dinheiro. Merece-o. Tomou as decisões certas, no momento certo. 
Para o Benfica, e enquanto benfiquista, tanto me faz. Desde que paguem as transferências, está tudo certo. Este texto é sobre os jovens futebolistas e a gestão das suas carreiras.
É em tudo isto que gente como António Silva e João Neves têm de pôr os olhos - e no caso deles parece-me que põem. Não só eles, como todos aqueles (e os pais deles) que, nos Iniciados ou nos Juvenis, acham que, por terem bons pezinhos, logo vão ter o mundo aos ditos.
Volto a Schjelderup. Ainda acredito que cresça e apareça. Um bom princípio será trabalhar mais e falar menos. 

BASTOU TIRAR O MONO E....9-0!

Só não vê quem não quer. E percebe-se porque motivo a FPF não quer ver: Ronaldo é uma fonte inesgotável de receitas, e a tentação de as espremer até ao fim é grande. Com isso, hipoteca-se a competitividade de um conjunto de talentos impar na história do futebol português. Vende-se a possibilidade de conquistas desportivas, mas ganha-se (alguém ganha) muito dinheiro.
Em campo, o óbvio. Sem um ponta-de-lança acabado e a arrastar-se, que exige que todos joguem para os seus registos pessoais e não aceita sequer ser substituído, a "Equipa das Quinas" solta o seu talento é é capaz de esmagar qualquer um. Bem... "qualquer um" será liberdade de linguagem, mas que Portugal liberto de amarras vence e convence, e assim seria candidato a tudo, isso ninguém poderá negar.
Martinez foi contratado para manter em campo uma galinha, que ainda dá ovos de ouro, mas já não dá futebol nem golos - excepto no meio de árabes medíocres, a quem qualquer Alverca dá luta, e a quem um Benfica a meio gás é capaz de golear. Se um dia a retirar da equipa, o mais certo é ser despedido como todos os outros que afrontaram o seu círculo de poder. Aliás, assim de repente não me recordo de um único seleccionador com quem a antiga estrela do Real Madrid não se tenha, a dada altura, incompatibilizado.
Apesar de toda a sua fabulosa carreira, apesar da sua reluzente fortuna, de todos os seus carros e suas jóias, confesso que começo a ter pena dele. Lamento que alguém, com quase 40 anos, não perceba quem é, quem foi, nem onde está, e com essa crua e básica ignorância manche uma imagem que podia ser eternamente dourada. 
"Crepúsculo dos Deuses" ("Sunset Boulevard", no título original) é um fantástico filme de 1950, do genial Billy Wilder. Aconselho vivamente. Tem tudo a ver com Cristiano Ronaldo.
Quanto a Selecção, espero que CR7 continue a ver alguns cartões amarelos. Não lhe desejando nenhuma lesão, parece ser a única forma de podermos desfrutar do bom futebol de Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rafael Leão, João Félix e companhia.

A RAFA O QUE É DE RAFA

Não tenho medo das palavras: é o melhor jogador do Benfica dos últimos cinco anos.
E, ou me engano muito ou voltará a sê-lo nesta temporada.
Acaba contrato em Junho, e a cada semana que passa (a menos que se lesione, o que ninguém deseja), tornar-se-á mais difícil convencê-lo a ficar.
Há uns tempos falei aqui de valores. Percebi depois que estava algo desactualizado com os salários dos futebolistas. Talvez tenha sido a inflação... 
Ofereça-se pois ao homem tudo aquilo que ele pedir (10, 12, 15...), e ainda mais umas botas novas. Se há jogador que justifica uma loucura é este: um craque, que decide jogos e campeonatos, e vale cada euro que ganha.
Com o mercado fechado, talvez seja o momento certo para avançar com tudo. Afinal de contas, trata-se de Rafa, uma lenda!

DEPOIS DAS EXPLICAÇÕES

VLACHODIMOS por TRUBIN: Já falei abundantemente de Vlachodimos, e percebo que Rui Costa não queira alongar-se sobre o assunto. Mas, até por uma questão de princípio, não pode ser o treinador, unilateralmente, a decidir quem fica ou quem sai do plantel. Recordo-me de Artur Jorge (que decidiu dispensar todo um plantel campeão para contratar quilos de mediocridade, o que resultou, pouco depois, no seu próprio despedimento, e em onze anos de sucessivos fracassos), ou, em sentido contrário, do caso Cardozo/Jesus, que culminou com a permanência dos dois, e um "Triplete" de títulos. Se Trubin vai ser dos melhores da Europa (oxalá que sim), então que seja rapidamente titular. Cá estarei para o aplaudir;

GILBERTO por JOÃO VICTOR: Naturalmente Gilberto pretendeu sair, o que se compreende. Do que vi de João Victor à direita, até nem desgostei. Mas ainda temo que uma ausência de Bah em jogos de Champions ou nos "Clássicos" possa ser complicada de gerir, e, com um Galeno qualquer pela frente, ter efeitos devastadores. Enfim, resta Aursnes. Mas confesso que gostava que o Benfica, à semelhança do critério seguido noutras posições, tivesse contratado um competidor para a titularidade do dinamarquês;

LUCAS VERÍSSIMO por TOMÁS ARAÚJO: Todos sabemos o que aconteceu a Lucas Veríssimo, e nesse sentido percebe-se que deva sair, para jogar com regularidade, e eventualmente voltar na próxima época (fim de carreira de Otamendi?, venda de António ou de Morato?);

GRIMALDO por BERNAT: Se Grimaldo queria mesmo sair, pois não havia muito a fazer. Cheguei a assustar-me com a posição, mas penso que Bernat, em princípio, dá garantias. Aliás, há que dizer que o Grimaldo da última temporada não foi o das anteriores - em que mostrava, reiteradamente, bastante permeabilidade defensiva;

RISTIC por JURASEK: Sempre que vi Ristic jogar, gostei. Mas haverá razões que a razão desconhece, ou que apenas Schmidt conhece. Quanto a Jurasek, a única coisa que questiono é o preço de luxo pago por um presumível suplente - pois pelo que já se viu, não dará, pelo menos no imediato, para muito mais do que isso;

ENZO FERNANDEZ por KOKÇU: Na verdade Enzo já tinha saído, e por um valor irrecusável. Nesse sentido, jogador por jogador, parecia-me uma substituição criteriosa. Acontece que entretanto "nasceu" João Neves. Enfim, vamos ver como corre a interacção entre ambos, e se a ausência de Florentino (ou o tal gorila que eu preferia ver no plantel) nas costas dos criativos não será um problema em jogos de maior pressão;

SCHJELDERUP por TIAGO GOUVEIA; Gostei da explicação, sobretudo na parte em que se percebe que o empréstimo abateu o preço do jovem nórdico. Do que vi, Schjelderup pareceu-me sempre um...júnior. Com talento, sim, mas jamais uma opção imediata. Gouveia terá pouco espaço, e talvez devesse rodar mais um ano, mas percebo e saúdo a vontade de ficar; 

DRAXLER por DI MARIA: Draxler, infelizmente, não contou, pelos motivos conhecidos. Gostei de saber como Di Maria chegou, e as exigências que (não) fez. Não há dúvidas de que, neste caso, se trata de um imenso upgrade;

GONÇALO RAMOS por ARTHUR CABRAL; Pelo contrário, na importantíssima posição de ponta-de-lança, não me parece que o Benfica tenha colmatado a (esperada e inevitável) venda de Ramos. Até ver, Arthur Cabral não me convenceu, tal como o seu relativamente modesto currículo já evidenciava. Ainda espero uma agradável surpresa. A acontecer, será isso mesmo: uma surpresa.

+

RENOVAÇÃO DE OTAMENDI: Continuo a achar que era evitável, e preferia, cem vezes, renovar com Rafa. Não sei qual o salário do central argentino, mas suponho que esteja no topo do plantel. Não vai para novo, comprometeu em vários jogos, está a tapar a evolução de Morato, mas, enfim, talvez tenha uma importância no balneário que o torne imprescindível neste momento (embora, se era só para o balneário, já chegasse...Luisão).

RAFA: Gostava de perceber se o Benfica pretende mesmo abrir os cordões à bolsa por aquele que é, de há alguns anos para cá, o seu melhor jogador. Dar-lhe 10 milhões, quando se pagaram 14 por Jurasek e 20 por Cabral, parece-me uma pechincha. Avancem lá já com a renovação antes que seja tarde, dando ao homem tudo aquilo que ele quiser, pois merece-o;

CUSTO DO PLANTEL: Gostei de saber que não fica mais caro que o do ano anterior. Gostava também de ter a certeza de que não há demasiados desequilíbrios salariais. Obviamente que Di Maria não pode ganhar o mesmo que Tiago Gouveia. Mas há situações e situações.

O QUE MUDOU:

VLACHODIMOS por TRUBIN

GILBERTO por JOÃO VICTOR

LUCAS VERÍSSIMO por TOMÁS ARAÚJO

GRIMALDO por BERNAT

RISTIC por JURASEK

ENZO FERNANDEZ por KOKÇU

SCHJELDERUP por TIAGO GOUVEIA

DRAXLER por DI MARIA

GONÇALO RAMOS por ARTHUR CABRAL

Ficou melhor? Ficou pior?


OBRIGADO ODY

A gratidão e o reconhecimento fazem parte da identidade do Sport Lisboa e Benfica. Mas nem dois Campeonatos Nacionais (com duas fantásticas exibições nas respectivas e decisivas vitórias no Dragão), duas Supertaças (5-0 ao Sporting e 2-0 ao FC Porto), duas presenças nos Quartos-de-Final da Champions League (em que foi protagonista central, quer nos apuramentos, quer nas fases subsequentes, e em que nenhum guarda-redes da história do clube jogou mais vezes, ou obteve mais vitórias), um total de 225 jogos pelo Benfica (sexto guarda-redes de sempre com mais jogos, e quanto a mim, o melhor desses seis), ou a titularidade absoluta desde 2018 com cinco diferentes treinadores (Vitória, Lage, Jesus, Veríssimo e Schmidt), criaram unanimidade dos adeptos do em torno de Odysseas Vlachodimos.
Uma parte, na qual me incluo, sempre o achou um excelente guarda-redes, que pagou o preço de suceder a Oblak e Ederson (ambos do top 5 mundial), como se o Benfica tivesses jogadores de top 5 mundial em todas as posições, ou tivesse tido sempre na sua baliza guarda-redes desse nível (só me recordo de mais um: Michel Preud'Homme, se descontar um Júlio César já em final de carreira).
Para a outra parte, foi sempre um mal-amado. Queixavam-se de não agarrar as bolas aéreas (como se algum guarda-redes hoje em dia o fizesse, como se tal não fosse, por vezes, um enorme e desnecessário risco), e de não ser bom com os pés. Ora eu pertenço à velha escola segundo a qual um guarda-redes tem de ser, antes de mais, bom com as mãos - coisa que, por exemplo, o da Selecção Nacional não mostrou no último Mundial, arrastando a "equipa das quinas" para uma eliminação escusada diante de Marrocos, já depois de um erro ridículo no jogo com o Gana. E até me arrepio quando vejo trocas de bola entre centrais e guardiões, por vezes dentro da pequena área, sob intensa pressão de adversários, e cuja utilidade não entendo senão à luz do exibicionismo táctico de alguns treinadores. Se é para isso que interessa jogar assim tão bem com os pés, acho que se deveria antes começar por pontapear alguns treinadores para fora dos bancos - e aqui não falo de Roger Schmidt, mas de coisas que vejo, até em ligas de escalões inferiores.
Ouvindo ou lendo alguns comentadores e adeptos, o grau de exigência e a quantidade de valências que que se colocam hoje em dia aos guarda-redes (ou a alguns deles, ou a todos menos a Diogo Costa) raia o absurdo. Com aquilo que se poderia apelidar de critério-Odysseas, nem Manuel Bento, nem Vítor Damas, nem Vítor Baía, para não falar em Yachine, Maier, Zoff ou Dasaev, resistiriam, ou sairiam da mediocridade. Acresce que, na liga portuguesa, onde a quantidade de trabalho de um guarda-redes de clube grande é quase sempre diminuta, a posição nem sequer é assim tão importante. O Benfica foi campeão com Moreira, com Quim, com Silvino (para falar apenas nos vivos), e ia sendo com Artur Moraes e Bruno Varela. No contexto dos clássicos ou dos jogos internacionais, aí sim se vê a qualidade: e nesses momentos foi precisamente onde Ody sempre brilhou.
Não sei o que se passou no balneário do Seixal entre o grego e Roger Schmidt, cidadãos que não conheço pessoalmente. Pode haver questões que me escapem, nomeadamente de carácter ou falta de respeito. Falo apenas do que vejo, e Vlachodimos foi sempre titular na época passada, a do 38 (como, de resto, na do 37), ganhando a Supertaça já na corrente. E não gostei, não gosto, e não quero ver mais, um treinador do Benfica destruir publicamente um seu pupilo numa conferência de imprensa. A velha máxima, elogios públicos/criticas privadas, é uma das bases para uma liderança sólida, respeitada e respeitável. Se havia algo a apontar (e, naquele caso, admito que houvesse, e eu próprio aqui o escrevi), tal tinha de ser feito dentro das paredes do balneário - a partir daí, o treinador tomava as opções que queria, mas pelo menos não desvalorizava o jogador. Se o critério era o dos erros cometidos, ou o da responsabilidade numa derrota, Otamendi não mais vestiria o Manto Sagrado depois do último Chaves-Benfica. Mas, como disse, só falo do que vejo, e poderá haver situações que desconheço.
O que passou, passado é. Agora não há nada a fazer senão despedirmo-nos de um guarda-redes do qual, espero, não tenhamos demasiadas saudades a muito breve trecho. Não conheço Trubin, que é da idade do Samuel Soares, ou seja, dois rapazitos. Dizem que é o novo Courtois. Tanto que eu gostava que fosse... Mas na última ocasião em que vi o Benfica, muito apressadamente, substituir um guarda-redes campeão que não cumpria os finos critérios de alguns, veio de lá Roberto - que também era, na altura, a última Coca-Cola do deserto.
Enquanto fã do grego, resta-me a consolação de o ver partir para um clube e uma cidade que me dizem muito no plano pessoal e familiar, e defender as balizas do City Ground, onde ainda há pouco mais de um mês andei a passear em pleno relvado.
Tudo de bom para o futuro, e obrigado pelos cinco anos em que dormi sempre descansado com a baliza do Benfica.

DESCONTOS? SÃO NO DRAGÃO

Não se trata de um novo supermercado. É mais uma espécie de casino, para não lhe chamar outra coisa (bordel?).
1) Em quatro jornadas, os jogos do FC Porto tiveram 78 (!?!?!?!) minutos de tempo adicional acumulado;
2) Na 2ª jornada, o resultado do FC Porto-Farense aos noventa minutos era 1-1, na 3ª o Rio Ave-FC Porto estava 1-0 (com Eustáquio em campo), e na 4ª, o FC Porto-Arouca 0-1. Ou seja, em nenhuma das últimas três rondas, no fim do chamado tempo regulamentar, o FC Porto se encontrava em vantagem (o que explica o ponto 1);
3) No tempo extra dessas três partidas o FC Porto beneficiou de dois penáltis, marcou quatro golos, empatou um dos jogos que perdia, e ganhou os outros dois, conquistando assim seis pontos (é fazer as contas, como um dia alguém sabiamente disse);
4) O FC Porto-Arouca teve mais de 22 minutos de descontos, apenas na segunda parte. Recordo que, no futebol, cada parte tem 45 minutos. Não houve nenhuma invasão de campo, a tempestade foi em Madrid, e felizmente Christian Eriksen está vivo;
5) Entre o minuto 89 e o minuto 113 (!), em duas das várias ocasiões em que Taremi se atirou para o relvado, o árbitro apontou de pronto para a marca de grande penalidade. Numa delas, alguém viu a repetição e rapidamente desligou os cabos do vídeo (valeu que havia por ali um telemóvel), noutra o guarda-redes do Arouca (que podia estar no plantel do Benfica) defendeu com categoria. 
Tendo em conta o exposto, não me apetece dizer mais nada. 
    

BEM DISPOSTO

O jogo com o Vitória de Guimarães deixou-me bem disposto.
O mais importante era ganhar, mas além de o fazer com estilo, e de goleada, o Benfica deu vários sinais que me tranquilizaram - pelo menos para já.
Desde logo, a adaptação de Aursnes (o melhor em campo) ao lado esquerdo da defesa, mostrou, primeiro que o norueguês é de facto pau para toda a obra e uma das melhores contratações do Benfica dos últimos anos, depois que Roger Schmidt não é parvo de todo, e vê, nos treinos, algumas coisas que nós não vemos, e - faço um "mea culpa" - por vezes me intrigam e me levam a desabafar por aqui, mesmo correndo o risco de escrever disparates sem conhecimento de causa - como ninguém me paga por isto, faço e digo o que quero, e tenciono continuar a fazê-lo e a dizê-lo.
Mas, voltando ao jogo, gostei também, pela primeira vez, da dupla João Neves-Kokçu, que à partida, e até agora, me parecia uma sobreposição de talentos a carecer de alguém nas costas. O jovem algarvio é um craque da cabeça aos pés, e encarrega-se de cobrir as costas de si próprio, do colega do lado, e de quem mais for preciso, sobrando-lhe tempo para soltar um talento que muito estranho ainda não ter sido alvo de apetites milionários. Gostei igualmente da titularidade de Musa, que, mesmo não marcando, mesmo não sendo um Haaland, realizou um excelente jogo, deixando claro que, neste momento, não há melhor na casa.
Depois...existem Rafa e Di Maria. E se o argentino é consensualmente tido como um dos melhores jogadores do mundo, em quem só as condições físicas, no decorrer de uma longa época, podem deixar saltar alguma dúvida, o português parece não ser ainda devidamente valorizado (nem pela SAD, nem, diga-se, no coração de alguns benfiquistas). Por mim, dava já os tais dez milhões ao homem, pois não há, no mercado, por esse preço, um jogador tão bom, tão importante e tão decisivo como ele tem sido, parecendo empenhado em voltar a sê-lo.
É claro que toda esta análise não pode deixar de parte o facto de tudo ter começado com um auto-golo e uma expulsão, que facilitaram sobremaneira a tarefa dos encarnados.
De qualquer forma, termino como começo: gostei e fiquei bem disposto.

ESTE CONTINUA A SER O MEU ONZE...UM ONZE DE CAMPEÕES

 

ES LO QUE HAY...

Tivesse saído um Antuérpia qualquer em vez da Real Sociedad, e o sorteio até nem tinha sido mau de todo. Com a equipa basca no pote 4, o grupo fica demasiado incómodo para o meu gosto.
Desde logo, não queria outra vez o Inter, de tão má e tão recente memória (mas no pote 2, de facto, não havia grandes alternativas). O Salzburgo foi sem dúvida o melhor pote que calhou ao Benfica, embora houvesse escolhas ainda mais apelativas (Copenhaga, por exemplo). Agora a Real Sociedad...francamente não! Pior? Só mesmo o Newcastle.
O Benfica terá pela frente dois adversários (Inter e Real Sociedad) justamente do perfil táctico com o qual tem maiores dificuldades em lidar: equipas muito rigorosas defensivamente, fortes fisicamente, e cínicas na abordagem aos jogos. Na época passada viu-se. E a agravar, nem sequer pode puxar pelos preços dos bilhetes, sob pena de não encher o estádio, pois o único nome apelativo seria o Inter, não fosse o caso de....
Enfim, é o que temos. Trata-se de um grupo que pode dar para tudo. Não vejo o Salzburgo vencer na Luz, nem o Benfica em San Siro. De resto, todos os resultados são possíveis. E todas as classificações também - do primeiro ao quarto lugar.
Quanto ao FC Porto, que dizer? É um clube que nasceu com o dito cujo virado para a lua, ou então tem grandes cunhas junto do divino. Shakhtar e Antuérpia, partindo de um pote 2, é absolutamente pornográfico (a agravar, nenhum dos três adversários jogará no seu estádio...). O Braga fará o que pode, sendo realista apontar ao terceiro lugar.
Ao Sporting, não sei quem calhou :)