AFINAL JOGARAM METADE

Exibição penosa da selecção portuguesa na estreia de Jorge Jesus. Afinal os problemas e as obsessões continuam, de Fernando Santos para Martinez, de Martinez para Jesus. 
Um dos problemas que se arrasta, em nome das receitas da FPF, é a titularidade de um ex-jogador, que em tempos foi um dos melhores do mundo, que continua a ser uma marca comercial, mas há anos que deixou de jogar futebol a sério. Não é, porém, o único problema. Não percebo a resistência em utilizar o melhor meio-campo da Europa, e construir a jogo ofensivo em função disso. Ao invés, a equipa parece construída para ajudar CR0 a bater os records que ainda lhe faltam.
Assim, Portugal não vai longe.

ESCREVER HISTÓRIA

Só um dia mais tarde se perceberá o impacto que os triunfos no desporto feminino agora têm. O Benfica está a construir a sua história e a marcar desde já uma posição dominante da qual dificilmente será desalojado na próxima década.  Nesta temporada, as equipas femininas das várias modalidades levam quinze vitórias em quinze jogos, e já celebraram quatro troféus. 
O Futebol ganhou todos os campeonatos nacionais que disputou (seis). E nem a saída, ano após ano, de jogadoras importantes (até agora sempre bem substituídas), tem diminuído o seu nível competitivo. Abaixo, o histórico do clube na Champions League Feminina:
22 vitórias, 7 empates, 18 derrotas, um percurso já bastante respeitável, com o pináculo nos quartos-de-final em 2024. A melhor marcadora ainda é Chloé Lacasse, com 12 golos. Das actuais jogadoras, Nicole Raysla tem 7.

BRAVO, MIÚDAS!

Entrada com o pé direito na Champions feminina, vitória histórica em Turim, e uma porta escancarada à esperança de voltar a chegar longe na prova. Muito boa exibição, sobretudo na segunda parte. 
Estas raparigas bem merecem um Estádio da Luz composto para o jogo com o Bayern. 

PROPOSTA

O Porto e o Sporting têm canais de televisão em sinal aberto para vender o seu peixe antes e depois dos jogos. A BTV, como transmite os próprios jogos, é um canal pago. Não conheço os detalhes do contrato com a NOS, mas certamente não seria difícil abrir a restante programação, permitindo ao clube defender as suas posições perante um maior auditório. Quem pagasse a mensalidade podia ver, também, os jogos de futebol. Quem não pagasse, via tudo o resto, ficando o horário dos jogos codificado.
Se os jogos são uma receita que se percebe, fechar a restante programação é limitar o alcance da voz do clube. Coisa que, como se viu nestes dias, é demasiado importante para ser deixada ao acaso.
Fica a minha proposta.

DEZ CONTRA DOZE E ALGO MAIS

Era difícil um jogo, um só jogo, demonstrar com tanta clareza todos os motivos pelos quais tenho mantido algum cepticismo face a este Benfica, e a este campeonato. 
Desde logo a arbitragem. Estivesse a ver outra liga e o critério disciplinar deste árbitro daria para rir. Prestianni foi pontapeado, esbofeteado e...levou cartão amarelo. Lenglet tocou com a mão na ponta da orelha de um adversário, foi expulso. Estes foram os momentos mais emblemáticos, mas todo o jogo foi um manancial de manipulação, em que a arbitragem parecia empenhada em não deixar que uma equipa jogasse com as armas que permitia à outra. Enquanto estiveram onze de cada lado, o jogo foi um. A partir daí, foi outro. Não havendo penáltis nem golos anulados, houve influência clara da arbitragem no resultado final.
Depois o FC Porto. A equipa de Farioli recuperou a velha tradição portista do "vale tudo". O primeiro objectivo foi travar Prestianni, agredindo-o, provocando-o, procurando tirar cartões, procurando tirá-lo do jogo. Depois...foi um festival de simulações, de agressões, de outras provocações, de jogo subterrâneo, quase à sul-americana - que o Benfica nunca soube jogar, que o Benfica nunca sabe jogar, embora, na verdade, também não lho permitam.
Também há méritos deste FC Porto, que é campeão nacional, não viu saír nenhum titular, tem uma dupla de centrais de ferro, um grande guarda-redes, uma tremenda força mental, e, também por isso, por ser uma equipa sólida e construída de trás para a frente, leva cinco pontos de avanço na corrida à revalidação do título. Independentemente de tudo o resto, é uma equipa muito forte no contexto nacional, sabe jogar bem, sabe jogar mal, é realista, corre muito, arrisca pouco e ganha sempre ou quase sempre.
Por fim o Benfica. Se do meio-campo para a frente a equipa encarnada tem mostrado argumentos convincentes, faltava o teste de fogo à sua linha defensiva, ou, se quisermos, à forma como defende. E neste teste chumbou redondamente. Os três golos são o espelho de uma defesa de cristal, que, quando pressionada, quando obrigada a olhar para todos os lados, se desorienta por completo. A dada altura cheguei a temer uma goleada, tal a facilidade com que eram concedidos espaços aos avançados portistas. É claro que a expulsão de Lenglet não estava no programa. Mas foi também uma falha sua que originou o primeiro amarelo - esse, indiscutível. 
E ainda, Samuel Soares. Embora para este problema haja solução óbvia e imediata, e pese embora ter feito uma boa defesa (a segunda defesa que me lembro de o ver fazer enquanto titular do Benfica - a primeira fora com o Gil Vicente), eu acredito que Trubin podia ter evitado um, ou talvez mesmo dois, dos golos do FC Porto. Samu tem futuro, chuta com força,  mas a sensação que me fica é de que em cada bola que vai à baliza há uma fortíssima probabilidade de golo. Sinto isso desde aquela negra final do Jamor, onde, se a arbitragem levou o jogo para prolongamento, nesse prolongamento faltou Trubin. Esta noite também me lembrei do ucraniano, sobretudo no lance que abriu o marcador. Samuel Soares não é, de todo, o principal culpado da derrota do Benfica. Mas se não foi o rosto do problema, também não soube ser a solução - nunca o é, e talvez esse seja o seu problema.
E pronto. Agora vem a pausa, e depois mais uma montanha para escalar. O Benfica já não depende só de si para ser campeão. E ficou à porta do record de Mortimore, com 55 jogos sem deŕrota.
Para ganhar a liga portuguesa é preciso controlar as arbitragens, e ter também  cinco ou seis jagunços na equipa. Sem uma coisa nem outra, este Benfica (uma vez mais) de veludo terá enormes dificuldades em superar este FC Porto. Em Portugal, não se ganha a jogar futebol.
Nada a apontar aos jogadores, que lutaram como puderam. E quanto a Marco Silva, apenas lhe aponto a teimosia do guarda-redes. Gostei dos primeiros vinte minutos, que, infelizmente, não serviram para nada.

COM TUDO

Nas últimas dez visitas ao Estádio do Dragão, a contar para o campeonato, o balanço é de três vitórias, três derrotas e quatro empates. Equilíbrio total. 
Felizmente já lá vai o tempo em que uma deslocação ao Porto era sinónimo de derrota. Em apenas oito anos o Benfica obteve tantas vitórias como nos quarenta anos anteriores. E parte para este jogo, eu diria, com 50% de hipóteses - tantas quanto as do adversário.
Não há espaço para qualquer deslumbramento com o noite de Milão. Este FC Porto é diferente, é melhor, e vai entrar em campo a querer comer a relva e os calcanhares dos jogadores do Benfica. Há que ser humilde, saber defender, saber sofrer, não cometer erros, e jogar rápido - que, quando não se tem o plantel do Manchester City, é a única maneira de derrotar equipas com o perfil da de Farioli. E se não se puder vencer, que se agarre o empate. Saír incólume pode virr a ser importante nas contas futuras.
O onze que eu escolheria: Trubin, Bah, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Palhinha, Aursnes, Rafa, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.

ORFÃOS DO DOUTOR VARANDAS

Gyokeres anda aos soluços e realizou um Mundial penoso. Hjulmand está no banco do Atlético de Madrid. Dos outros nem se ouve falar. E aqueles que ainda permanecem em Alvalade, no dia em que saírem voltarão para o anonimato de onde vieram - como vai ser, certamente, o caso do grandioso Luis Suarez. Só Matheus Reis continua a agredir toda a gente, agora na liga russa.
Por outro lado, não me admirava que um destes dias Rafael Nel conquistasse uma Bota de Ouro. Isto se se mantiver em Alvalade, sob liderança do mago Rui Borges - génio capaz de meter no bolso qualquer Ancelotti desta vida. Se o jovem procurar outros ares, acabará com naturalidade no Rio Ave.
Ruben Amorim é, porém, o exemplo mais flagrante de uma doença que só o doutor Varandas sabe curar. Saíu de Manchester pela porta dos fundos, e com isso hipotecou a Premier League nos anos mais próximos. Não tardará a saír de Milão, corrido a pontapé, hipotecando também a Série A. Na próxima temporada, vejo-o num Racing de Santander ou num Lorient. A menos que ele e o seu empresário consigam enganar um árabe qualquer.
Nada como uma estrutura altamente profissional, que faz com que todos os jogadores lutem como touros e corram como galgos, e todos os treinadores sejam os melhores do mundo e arredores. E se alguma coisa falhar, o Conselho de Arbitragem dá uma mãozinha. Nota-se pouco, até porque a comunicação social é a banda sonora deste novo e grande Sporting. O Sporting do doutor Varandas.

SE NÃO ERA CHAMPIONS, PARECIA

"Este foi um jogo desastroso". Foram as primeiras palavras que ouvi, no pós-match, num canal português, ao "comentador" Luís Vidigal. Deu para rir, e acrescentar um toque de humor à boa disposição com que o resultado me tinha deixado. 
Para mim, enquanto benfiquista, foi uma noite de gala - que bem merecia ter acontecido na Liga dos Campeões.
E quando uma equipa muda nove titulares, e faz uma exibição destas, há que valorizar o plantel, sim, mas sobretudo o trabalho do treinador. 
Mudaram nove, mas o meio-campo foi aquele que me parece o mais forte (e, já agora, o guarda-redes também). Foi na dupla Palhinha/Aursnes que o Benfica conquistou o meio-campo e começou a ganhar o jogo. O golo cedo ajudou. Daí em diante tudo correu bem, e fez-se história. Foi a primeira vitória de sempre em San Siro, foi a primeira vitória de sempre sobre o Milan - que já não é o dos anos noventa, mas tem um orçamento muito superior ao dos encarnados.
De Trubin a Kaminski, toda a gente esteve bem. Circati e Karouani foram boas surpresas. Talvez Durán tenha sido a unidade de menor fulgor. Mas o que há a realçar é o trabalho colectivo.
Os mais de cinco mil adeptos que viajaram para Milão (e senti pena de não poder lá estar) bem mereceram uma noite que - assim o espero - possa marcar a temporada, como o primeiro grande momento de afirmação, ou o primeiro murro na mesa, do Benfica de Marco Silva.
Ficamos com água na boca para domingo. Embora todo o contexto seja diferente, o adversário esteja mais encarniçado e motivado, não haveria melhor maneira de preparar o "Clássico" do que com um triunfo como este, num estádio mítico, frente a um dos maiores clubes da história do futebol mundial.
Viva o Benfica!

ONZE PARA MILÃO

A Liga Europa, não sendo nada fácil (o Benfica nunca a venceu), apresenta-se este ano bastante apetitosa, e pode constituír, lá mais para a frente, uma prioridade do clube. O andamento da época e do campeonato o dirão.
Por agora, interessa apenas ultrapassar a fase regular, preferencialmente nos primeiros oito classificados. Para tal, o Benfica irá ter jogos suficientes, em casa e fora, onde pode alcançar todos os pontos de que necessita. A partida de Milão é teoricamente a mais difícil de todo o calendário, e está longe, muito longe, de ser decisiva. Não diria que pode ser desprezada (até dava gozo ganhar a Amorim...), mas, agendada poucos dias antes de um "Clássico", esse sim, bastante importante nas contas do principal objectivo da temporada, não pode constituir qualquer tipo risco para domingo. Ao invés, é sim uma excelente ocasião para preparar esse jogo da melhor forma, dando ritmo ou descanço a quem deles precisar.
O meu onze para San Siro seria pois o seguinte: Samu, Banjaqui, Circati, Lenglet, Karouani, Enzo, Aursnes, Sudakov, Lukebakio, Durán e Kaminski. Apenas três o quatro destes nomes entrarão em campo frente so FC Porto. Se der para pontuar, tanto melhor. Mas o que me interessa é ter um Benfica a 200% no Dragão.

CORREU BEM

Na época passada o Benfica perdeu o campeonato com empates em casa. Nesta, começou com um empate em casa. E tanto o jogo com o Estoril, como o de hoje, podiam ter tido um desfecho idêntico. 
É claro que o Benfica mereceu ganhar, como o teria merecido em quase todos esses empates. Mas há algo a rever.
Desde logo no plano psicológico. A liga portuguesa é o que é, e não creio que vá mudar este ano. Para derrotar este tipo de adversários, com este tipo de atitude (que não se vê em nenhum país e é típica de treinadores espertalhões e árbitros permissivos), há que procurar outras vias - o bom futebol, o futebol ofensivo, não basta. É preciso peso, altura e eficácia na área,  peso, altura e agressividade no meio-campo, peso, altura e solidez na defesa.
Tentar destruir castelos com chaves de fendas, não dá. E temo que possamos assistir a mais momentos de sofrimento como este, onde um resultado na Luz contra uma equipa manifestamente inferior, fica entregue aos caprichos da fortuna.
Os próximos jogos serão diferentes, e vão exigir coisas diferentes. Mas a solidez defensiva será posta à prova como nunca até agora. Os centrais não poderão ter a abordagem soft que se viu uma vez mais, e Samuel Soares, que hoje, enfim, fez uma defesa, não pode deixar entrar quase todos os remates que chegam à baliza. E para lateral direito talvez seja melhor recorrer outra vez a Aursnes - esperando que El Karouani possa saír melhor que a encomenda no lado oposto.
Fico sempre feliz quando o Benfica ganha. Fico sempre triste quando isso não acontece. Mas a análise ao que vejo não depende só dos resultados. Hoje podia ter acontecido uma tragédia- que era ir ao Dragão sob risco de ficar já a 7 pontos da liderança. 
A arbitragem foi o costume. Dualidade de critérios, expulsão perdoada ao Gil, e erros atrás de erros. Também isso não deverá mudar muito daqui em diante.
Veremos que é o escolhido para a próxima jornada, e veremos, talvez mais tarde, quem o vai escolher.
Prestianni também foi o costume: o melhor em campo.

ONZE

Trubin, Banjaqui, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Palhinha, Barreiro, Rafa, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.

UM DIA SABEREMOS

A verdade é como o azeite. E tal como as piratarias do FC Porto em 2018, que a PJ acabaria por desmantelar (infelizmente, não sem consequências),  outras serão um dia desmascaradas.
Campo, clínica, bastidores, arbitragem e imprensa. Ou como se ganham campeonatos em Portugal. Estejamos atentos.

O VERDADEIRO MINI MESSI

Não sei se se recordam de um escocês chamado Ryan Gauld, que vi pela última vez, faz tempo, no banco de suplentes do Farense.
Uns anos antes chegou ao Sporting, ainda muito jovem. Alguém perspicaz lhe chamou Mini Messi. Como rapidamente soubemos, era falso alarme.
Mas ao ver Gianluca Prestianni jogar, não posso deixar de me lembrar, não do pobre e inocente escocês, mas do nome que lhe puseram.
O argentino do Benfica está um craque da cabeça aos pés. Está, com golos e assistências, a ser aquilo que o seu talento anunciava. É neste momento, Pavlidis que me perdoe, o melhor jogador do Benfica. E só o episódio Vinicius o pode manter por cá mais tempo do que os joões neves das últimas décadas. 
Em Moreira de Cónegos, em mais um terreno lavrado - este dentro de uma caixa de fósforos - foi outra vez de Prestianni a maior nota de destaque. O Benfica venceu, goleou, e ficou a dever a si próprio (e ao guarda-redes contrário) mais um bom par de golos.
A equipa de Marco Silva mostra uma boa dinâmica ofensiva, e chega a encantar. Aconteceu o que iria fatalmente ter de acontecer: a entrada no onze de Schjelderup no lugar de Sudakov. E como Prestianni joga bem em todo o lado, o conjunto fica claramente a ganhar.
Falta, porém, um verdadeiro teste à capacidade defensiva da equipa. Sem menosprezar o Gil Vicente, Milão e Dragão podem dar uma resposta mais cabal sobre o que vale efectivamente este Benfica. Mostrar, enfim, se estamos perante uma equipa que é forte com os fracos e fraca com os fortes, ou se consegue fazer ao FC Porto de Farioli o que, por exemplo, Mourinho fez há um ano atrás: bloqueá-lo e deixá-lo sem soluções. Banjaqui, pelo que se viu esta noite, ainda não "é" Bah. Veremos de Karouani é mais do que Dahl.
A nota de preocupação fica para a arbitragem, que ao longo da primeira parte, enquanto o Benfica não conseguiu desatar o nó, se mostrou claramente tendenciosa. E percebeu-se que Fábio Veríssimo não tinha vontadinha nenhuma de assinalar aquele óbvio penálti- como não assinalara um anterior. Depois, à medida que o resultado se foi avolumando, a arbitragem saiu de cena - desta vez incapaz de condicionar jogadores, sobretudo um jogador, que respira(m) confiança. 

ONZE

Trubin, Banjaqui, T. Araújo, Lenglet, Dahl, Palhinha, Barreiro, Rafa, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.

VENHAM MAIS CINCO

Para igualar o record nacional, são necessários mais cinco jogos sem perder. Esse record (58 jogos) é do FC Porto de Sérgio Conceição, e registou-se entre 2020 e 2022. Por sua vez, o Benfica de John Mortimore, entre 1976 e 1978, conseguiu 56 partidas consecutivas sem conhecer o sabor da derrota. O registo corrente é já o terceiro melhor da história do futebol português. Vale o que vale, mas, como diria La Palisse, é melhor não perder do que perder. Até porque nesta sequência estão os últimos três jogos com o FC Porto, os últimos três jogos com o Sporting e os últimos três jogos com o Braga.

AGOSTO DE 2024

"Mas a grande surpresa foi a exibição de Prestianni. Que tinha bom toque de bola, já toda a gente suspeitava. O que se viu esta noite não foi propriamente um "brinca na areia" (como eu temia), mas um verdadeiro jogador de futebol, com técnica, garra, velocidade e critério no passe. É claro que tem muito para crescer, e não sei se na sombra de Di Maria terá espaço para o fazer. Mas que está ali uma pérola, parece ser um facto. Que tenha juízo e humildade, pois talento não lhe falta. Começo a achar-lhe graça. Muita graça."

In aqui mesmo

3 GOLOS, 3 PONTOS

Um terreno agrícola, um adversário encarniçado, uma arbitragem permissiva e tendenciosa. Eis a miserável liguinha portuguesa. Eis aquilo que o Benfica vai encontrar muitas vezes daqui em diante.
O jogo foi, por tudo isso, bastante difícil - pelo menos até ao segundo golo de Barreiro, o qual serenou a equipa...e também a arbitragem.  Até aí temia-se o pior (um golo fortuito,  uma falha de marcação,  enfim, aquilo que tantas vezes tem acontecido nas últimas épocas). A partir daí o Marítimo baixou os braços e os pontos ficaram entregues.
Tudo acabou bem, havendo que realçar algumas grandes exibições individuais. Barreiro, Palhinha e Prestianni estiveram em plano bastante elevado. Schjelderup entrou bem. E a surpresa Kaminski, na ala direita, deixou uma nota de dúvida a confirmar em próximas partidas, o que já representa um upgrade face às paupérrimas exibições que tinha realizado na sua posição original.
Nota negativa para a lesão de Bah, e para Sudakov (ainda não foi desta...). Também não fiquei impressionado com Circati, embora tenha sido forçado a tarefas fora do seu habitat natural.
Segue-se mais um jogo fora de casa, na caixa de fósforos de uma aldeia minhota.

ONZE PARA A MADEIRA

 Samu, Bah, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Palhinha, Aursnes, Barreiro, Rafa, Pavlidis e Prestianni.

FACTOS

PLANTEL DO BENFICA: 20 internacionais A

PLANTEL DO FC PORTO: 17 internacionais A

PLANTEL DO SPPORTING: 10 internacionais A

OPINIÃO

Nos dois posts anteriores mencionei factos. Seguem-se opinões.
Grosso modo, acho que este mercado talvez não tenha sido tão mau como o de há um ano (era difícil...), sobretudo porque houve a capacidade de manter alguns jogadores nucleares como Pavlidis ou Schjelderup, enquanto as contratações de Palhinha e, de algum modo também a de Lenglet, parecem de acordo com aquilo que a equipa necessitava. 
O que eu faria diferente?
No eixo da defesa mantinha António Silva, dispensando talvez a contratação de Circati - o qual não sei ainda o que vale (custou 18M), mas António era um valor seguro. Na esquerda, em vez do marroquino, trazia a custo zero o desempregado Raphael Guerreiro, experiente, internacional português e benfiquista de gema.
No meio-campo, gostei da contratação de Palhinha e também de ver segurar Leandro Barreiro - um grande atleta, um grande profissional, com força, atitude e polivalência.
Tal como 99,9% dos benfiquistas, pouparia os 17 milhões dados por Kaminski (ainda que seja jogador da selecção polaca, e talvez não tão fraco como demonstrou nos primeiros jogos). E também não sou fã do perfil de Durán. Echeverri também não sei se acrescentará alguma coisa (falhou no ano passado, vem por empréstimo, se correr mal sai, se correr bem...também sai). Lukebakio era vendável.
Em suma, trocava Circati, Karouani, Kaminski, Echeverria, Durán e Lukebakio, por António Silva, Raphael Guerreiro, Tiago Gouveia e um "pinheiro" com 2 metros de altura para a frente de ataque (estilo Weghorst). Poupava dinheiro e construia um grupo, porventura, mais coeso.

O ESTADO DA ARTE


BALANÇO

Este ano, pelo menos, espero que ninguém diga que o Benfica é uma equipa de milhões - como aconteceu no ano passado, depois de vender Carreras, Florentino, Kokçu, Akturkoglu e ficar sem Di Maria.

SOFRIMENTO DESNECESSÁRIO

Tivesse o Benfiica convertido metade das oportunidades que criou, e teríamos visto mais uma vitória gorda. A grande exibição do guarda-redes do Estoril foi evitando alguns golos, e o resultado manteve-se em aberto. Quando os canarinhos reduziram, a dez minutos do fim, os fantasmas caíram sobre o Estádio da Luz. Desta vez sem consequências, mas mais uma vez obrigando a riscos desnecessários. Mais uma vez facilitando e confiando na sorte, sem saber como trancar o jogo e a vitória. 
Com Palhinha, o regresso de Aursnes ao onze e uma eventual subida de forma de Schjelderup (que o coloque na equipa em vez de Sudakov), parece-me que o Benfica tem meio-campo e ataque. Na defesa continuo com dúvidas. Falta agressividade e rigor. Se chegam com o tempo, veremos.