SEIS EM SEIS

Desde 1982 que o Benfica não começava um campeonato ganhando os primeiros seis jogos.
As estatísticas valem o que valem, mas estes números dão confiança, e mostram um Benfica muito diferente, para melhor, do que o da época passada.
Darwin parece ter encontrado a posição onde mais rende: a partir do flanco esquerdo, onde tem mais espaço para aplicar a sua velocidade e capacidade de explosão. E o meio-campo, com Weigl e João Mário, está finalmente estabilizado. Por seu lado, Rafa aparece nesta alura em grande forma, afirmando-se como o melhor jogador do campeonato português.
O que ainda falta é Yaremchuk mostrar a veia goleadora que o seu potencial deixa adivinhar, e Everton Cebolinha render, enfim, aquilo que se espera de um jogador da selecção brasileira. Já agora, também Pizzi atingir o seu melhor, pois é jogador para mais do que tem mostrado ultimamente. Na lateral-direita veremos como é Lazaro - parece talentoso, veremos se é consistente.
Segue-se Guimarães, e depois Barcelona na Luz. Semana determinante para se perceber se este Benfica é mesmo um caso sério, tal como começamos a pensar. 

ONZE PARA O BOAVISTA


 

GRANDE?

Em toda a sua história, só em quatro ocasiões o Sporting passou a primeira eliminatória ou fase na Taça/Liga dos Campeões. A saber:

62-63: Eliminou o Shelbourne da Irlanda (foi eliminado logo a seguir pelo Dundee da Escócia);

70-71: Eliminou o Floriana de Malta (foi eliminado logo a seguir pelo Carl Zeiss da RDA);

82-83: Eliminou o Dinamo Zagreb, e a seguir o CSKA Sofia (foi eliminado depois pela Real Sociedad);

08-09: Passou em 2º no grupo de Barcelona, Shakhtar e Basileia (foi eliminado nos oitavos pelo Bayern por 0-5 e 1-7).

É este o registo do Sporting na principal prova de clubes da UEFA. Prova que Benfica e FC Porto venceram duas vezes, em que, além dessas, o Benfica foi a mais cinco finais, e em que, mesmo na última década, várias vezes estiveram nos Quartos-de-Final (FC Porto 3 e Benfica 2 respectivamente).

VAR ACORDOU AOS 93

Por definição, um empate fora de casa na primeira jornada da fase de grupos da Champions nunca é um mau resultado. E se colocarmos a fasquia apenas no terceiro lugar, e consequente apuramento para a Liga Europa (talvez a mais realista das opções), este foi mesmo um excelente resultado, diante de uma equipa que tem sete jogadores na selecção ucraniana - que chegou mais longe do que Portugal no último Europeu.
Porém, cada jogo é um jogo. E se olharmos para o copo meio vazio, concluímos que o Benfica terá perdido uma soberana oportunidade de voltar a triunfar em Kiev, e de se colocar diante do Barcelona (deste Barcelona) como um verdadeiro candidato à passagem aos oitavos.
Na verdade, os encarnados dominaram toda a partida, pelo menos até ao quarto árbitro exibir a placa de descontos. Até aí, praticamente só deu Benfica, a bola poucas vezes chegou à área encarnada, e, pelo contrário, junto da baliza do Dínamo foram várias as ocasiões de perigo - algumas desperdiçadas de forma escandalosa por Rafa, Yaremchuk ou Everton.
Após as substituições (porquê trocar logo três jogadores quando se está por cima?), o gás perdeu-se um pouco. A equipa ucraniana foi equilibrando a partida. Até àqueles momentos finais.
Em face de tudo o que se passou, é-me difícil entender os últimos três minutos. Quem visse apenas esses, pensaria que teria havido ali um massacre. Uma equipa experiente, que quer ter ambições, tem de saber controlar melhor um jogo em que, não podendo ganhar, também não podia perder. Valeu o VAR, mas valeu também, e uma vez mais, Vlachodimos.
É um case study a forma como alguns benfiquistas desconfiam do guarda-redes grego, que é talvez, a par de Rafa, o melhor elemento do plantel encarnado, e dos poucos com verdadeira dimensão internacional. No meu ponto de vista, tal deve-se ao "mau" hábito criado por anos de Oblak e Ederson (poderia também acrescentar o melhor Júlio César), que estão seguramente no top-5 mundial. Ora em nenhuma posição de campo o Benfica tem hoje jogadores dessa dimensão. Comparar Vlachodimos com eles é despropositado e injusto. Seria como comparar Weigl com Canté, ou pretender que Rafa fosse um Mbappé, e exigir-lhe tal. Dentro do panorama dos guarda-redes que o clube encarnado pode ter, o grego é o melhor, e uma garantia de segurança para jogos como este, e como o de...Eindhoven. Aliás, leva três deslocações europeias consecutivas sem sofrer qualquer golo, muito por mérito dele próprio.
A par de Odysseas, também Rafa, e sobretudo Weigl (não por acaso, os dois atrás citados) estiveram em grande plano. Pela negativa destacaria Everton, que tarda em afirmar-se no futebol europeu, com um ritmo e uma intensidade a que não estava (e manifestamente ainda não está) habituado. Não foi por coincidência que no meu onze para este jogo ele era o único que não entrava.
Se no lance final o Benfica tem de agradecer ao VAR, antes, em dois momentos cruciais, este mostrou-se tristemente ausente: num penálti evidente por mão de um jogador ucraniano na área ainda na primeira parte, e no lance da lesão de Rafa, em que o cartão exibido teria de ser de outra cor. Afinal os árbitros portugueses não são assim tão maus, ou pelo menos não são piores do que se vê na UEFA.

ONZE PARA KIEV


 

CINCO EM CINCO

O jogo dos Açores tinha tudo para correr mal: pós pausa para selecções, com jogadores ausentes, várias deslocações entre continentes, fusos horários e partidas com menos de 48 horas de diferença; vésperas de Champions com deslocação longa e desafio que pode vir a ser decisivo; deslocação a ilha para defrontar uma excelente equipa orientada por um treinador conhecido pela forma como consegue bloquear os adversários.
A primeira parte confirmou esse cenário, com um Santa Clara a dominar o meio-campo, e um Benfica sem conseguir soltar-se das amarras criadas por Daniel Ramos. Depois de dois lances de grande perigo junto da baliza de Odysseas (um dos quais resolvido com mais uma grande defesa do grego), os encarnados acabaram por chegar ao golo à beira do intervalo, totalmente contra a corrente do jogo, e praticamente no primeiro remate que fizeram à baliza. Foi um golpe de sorte, mas também de eficácia, com grande mérito para a desmarcação e finalização de Rodrigo Pinho.
Na segunda parte, com a entrada de Rafa, tudo foi diferente. Dois golos de rajada logo a abrir o segundo período catapultaram o Benfica para uma exibição solta e segura, a goleada avolumou-se, e há que dizer que poderia ter sido ainda mais expressiva. Dado o resultado do "clássico" de Alvalade, esta vitória aumentou a vantagem da equipa de Jorge Jesus para quatro pontos. Claro que ainda falta quase tudo, mas é um bom começo - sobretudo tendo em conta que tem sido alicerçado em períodos de bom futebol.
Quanto às queixas do Santa Clara relativamente à arbitragem, há que reconhecer que Daniel Ramos tem razão num ponto: em lance muito parecido, na final da última Taça de Portugal, o Benfica viu o seu guarda-redes expulso. Porém, essa decisão, então sim, foi desajustada. Nos Açores, tanto Rui Costa como o VAR decidiram bem o lance. Não pode haver cartão vermelho quando o avançado não tem a bola dominada, nem está totalmente enquadrado com a baliza. Não pode o simples facto de a falta ser cometida pelo guarda-redes ditar desde logo uma expulsão. Acresce que Vlachodimos ainda toca na bola. É, pois, jogo perigoso, livre e cartão amarelo. Tudo certo. Relativamente ao lance de Diogo Gonçalves na área, as últimas orientações da FIFA para esta temporada são claras: não marcar penaltizinhos. Aliás no jogo de Alvalade houve um lance semelhante e também nada foi assinalado. Que se mantenha o critério.

ALGUMAS NOTAS

EINDHOVEN: Foi o jogo mais importante do Benfica no ano de 2021, e foi também o resultado mais saboroso desde a conquista do último título. Um hino à entrega, à coesão e à solidariedade, que catapultou os jogadores que o interpretaram para as galerias históricas do benfiquismo. Grande momento!

SORTEIO DA FASE DE GRUPOS: Dificilmente poderia ter sido mais duro. As hipóteses de passagem são diminutas, para não dizer inexistentes. Resta lutar pelo terceiro lugar. Mas, enfim, o mais importante era mesmo garantir a presença e o dinheiro. 

LIDERANÇA DO CAMPEONATO: Vale o que vale, e exactamente o que valeu há um ano atrás quando, à quarta jornada, o Benfica também seguia isolado na frente. Nota-se agora, porém, um perfume bem diferente, onde um nome se destaca como elemento charneira do futebol encarnado: João Mário. Não é um Maradona, mas, pelas suas características enquanto jogador, era precisamente a peça que faltava ao Benfica. E com ele em campo tudo parece ser mais simples.

MERCADO: Não diria melhor que o próprio JJ. Ficou a faltar mais um central, a uma equipa que joga com três, todos eles internacionais pelas suas selecções, e dois deles já acima dos trinta. David Luiz seria uma solução demasiado cara para quarta opção, mas havia um mundo de hipóteses entre Ferro e o brasileiro, que poderia e deveria ter sido explorado. Apesar disso, creio que o Benfica continua a dispor do melhor plantel do país (o que, no meu ponto de vista, é uma realidade, ano após ano, pelo menos desde os tempos de Hulk, James e Falcão no FC Porto).

ELEIÇÕES: Rui Costa prometeu, e cumpriu. Eleições convocadas, espera-se que clarificadores e pacificadores de um clube que só tem a ganhar com a união dos seus adeptos. Aliás a transicção de Vieira para o pós-Vieira não poderia estar a correr melhor. E se Rui Costa souber aproveitar a considerável obra estrutural e económica das últimas décadas, e acrescentar-lhe paixão benfiquista e rigor de processos, será o presidente ideal para muitos anos. É altura também para se perceber quem quer de facto o bem do clube, e quem tem apenas agendas próprias mais ou menos mediatizadas.

SELECÇÃO: Cada vez é mais evidente que Portugal joga melhor futebol sem Ronaldo. É verdade que o homem é um extraordinário finalizador, e que ainda decide jogos, mas tacticamente é um estorvo que limita a acção de outras estrelas com muito menos idade e muito mais fulgor (Bernardo Silva, Bruno Fernandes etc). Como ele, CR7, não parece disposto a abandonar em breve, resta-nos esperar que vá vendo alguns cartões amarelos para podermos nós ver a equipa de Fernando Santos libertar-se das amarras e fazer boas exibições de futebol colectivo.

VOLTO JÁ


 

OBRIGADO CAMPEÃO!


Este é um espaço de futebol, mas as lendas de outros desportos também aqui cabem.
O quinto campeão olímpico na história de Portugal é nosso. Já tinha esperança, mas não tinha certezas. O primeiro salto mostrou logo ao que ele ia. 
Grande triunfo. Uma vitória à Benfica!

HOJE SOUBE-ME A POUCO


Não que o resultado não seja bom, nem que o favoritismo do Benfica não saia reforçado desta primeira mão. Mas, caramba, depois de tanto futebol ofensivo, e de tantas oportunidades desperdiçadas, o marcador ficar apenas em 0-2, sabe a pouco.
Podíamos de facto ter visto um resultado histórico, que permitisse abordar a segunda mão com total tranquilidade, rodando o plantel. Ficou apenas um bom resultado, que quase garante o apuramento. Falta o...quase.
Destaque para João Mário. Com ele o meio-campo do Benfica parece, agora sim, render o triplo. Se mostrar o nível que o notabilizou, com Jorge Jesus, em 2015-16, temos reforço, e que reforço!
Destaque também para Rafa, que mesmo com férias reduzidas apareceu em alta rotação.
Mas nem tudo são rosas: além das lesões de dois dos avançados, as zonas laterais da defesa continuam a parecer permeáveis. O Spartak é apenas o...Spartak. Se o Benfica chegar à fase de grupos vai ter pela frente equipas bem mais fortes. E aí, estas lacunas pagarão o seu preço.

ONZE PARA MOSCOVO


 

PONTO DE SITUAÇÃO

 

Mesmo na hipótese absurda de não sair ninguém depois das pré-eliminatórias (há que garantir receitas), creio que falta claramente um lateral direito. E se puder fazer os dois lados, tanto melhor. 

MUITO TRABALHO PELA FRENTE


Enquanto FC Porto e Sporting ganharam com uma certa facilidade ao primeiro e ao quarto da Ligue 1, o Benfica não foi além de um empate frente ao quinto classificado da mesma liga. Vale o que vale, mas pior que o resultado foi a sensação de que ainda há muitas arestas por limar nesta equipa encarnada, e o próximo jogo é dos mais importantes da temporada.
Os problemas parecem ser os mesmos do ano passado: permeabilidade nas laterais da defesa (que não foram reforçadas...), falta de agressividade no meio-campo (veremos com Meité...) e ineficácia ofensiva (Gonçalo Ramos parece demasiado verde para assegurar a função, Seferovic está ainda em modo férias, Darwin está lesionado, e Vinicius...não se sabe porque não joga).
Restam ainda alguns dias de treino, e Jorge Jesus não costuma mostrar as cartas nas pré-épocas. Esperemos que em Moscovo apareça um Benfica diferente, ou então a temporada pode começar logo muito mal.

FALTA DE SENSIBILIDADE, FALTA DE BENFIQUISMO

Não vou crucificar ninguém por este assunto, e detesto as fogueiras que anonimamente se fazem e alimentam nas redes sociais acerca disto e de tudo o resto, no desporto e na vida. Mas não posso deixar de referir que autorizar um programa do Porto Canal com Pinto da Costa na Luz revela uma tremenda falta de sensibilidade, e uma óbvia falta de benfiquismo.
Acho que Domingos Soares de Oliveira é um excelente gestor, espero que não esteja envolvido em nenhum dos casos investigados, e que a SAD possa continuar a contar com os seus serviços enquanto profissional. A ele, tal como a Vieira (que embora detido 4 dias para ser ouvido, ainda nem sequer foi formalmente acusado), tal como a muitos elementos da estrutura benfiquista, aponto, e sempre apontei, o pecado da falta de benfiquismo. Nem sempre se nota nas vitórias. Nota-se, sobretudo, nas derrotas, e gritantemente em casos como este.
As SAD do século XXI não são os clubes associativos do século XX. e desengane-se quem pense que algum dia voltarão a sê-lo. Hoje estamos a falar de empresas cotadas, que movimentam milhões, e não podem ser geridas por um qualquer endinheirado benfiquista que ia à sede ao fim do dia assinar uns cheques - perfil que, diga-se, encaixa em muitos dos antigos dirigentes do clube.
Há uma componente de gestão, fria, racional, empresarial, que não pode ser desprezada. Tal não tem, porém, que significar falta de paixão, ou paixão artificial. Há que sentir, ou pelo menos saber, o que é o Benfica e o que é o benfiquismo. Há que sofrer com as derrotas, não conseguir dormir com elas e até chorar. Só assim se encontra a força suplementar para as evitar com total empenho e determinação, para perceber em profundidade o que é um clube desportivo e o que é o pulsar dos seus sócios.
Admito que possa haver um DSO numa administração da SAD. Não pode é toda ela, ou a maior parte dela, sentir o desprendimento de quem está ali apenas para ganhar a vida. Esse foi um problema do Benfica nos últimos anos. Espero que com Rui Costa as coisas melhorem.
Aliás, o próprio Pinto da Costa, tendo mil e um defeitos a apontar, tem, admitamo-lo, essa virtude: ama o FC Porto como ninguém.

POUCA SORTE


O sorteio podia ter sido mais favorável. O Spartak está a fazer uma pré-temporada muito bem conseguida, vai começar o campeonato duas semanas antes do Benfica, e é orientado por alguém que conhece demasiado bem o clube da Luz.
No ano passado, também calhou um técnico português, e sabe-se o que aconteceu. A história não pode repetir-se.

CENAS DOS PRÓXIMOS EPISÓDIOS

Na sequência do post anterior, eis um artigo bastante interessante publicado na revista "SÁBADO": 

As vigilâncias aos telefones de dezenas de alvos estavam ativas há vários meses quando o procurador Rosário Teixeira e o juiz de instrução Carlos Alexandre decidiram que era tempo de autorizar no terreno a primeira vigilância encoberta com recolha de imagens.
A operação foi montada rapidamente por um dos homens de maior confiança do magistrado do Ministério Público (MP), o inspetor tributário Paulo Silva, que trabalha com o procurador desde 2005 em alguns dos processos mais complexos da justiça portuguesa. Os alvos? Os empresários Armando Pereira, um dos donos da multinacional Altice, e Hernâni Vaz Antunes, o seu braço-direito para certos negócios em Portugal como a milionária negociação dos direitos televisivos dos jogos de futebol com o FC Porto e outros clubes.
Com uma pequena equipa de elementos das Finanças já habituada a operações deste tipo desde que seguira no terreno José Sócrates, vários familiares e amigos, Paulo Silva tinha ainda assim uma missão difícil. De acordo com o que ouvira nas conversas telefónicas dos alvos, Armando Pereira iria fazer uma viagem-relâmpago a Portugal de avião privado. Estava previsto que ficasse apenas pouco mais de 10 horas e os inspetores tinham de ser ágeis o suficiente para montarem discretamente a ação no terreno e anotarem todos os passos do empresário que vive entre França e Suíça.
Tudo foi feito em dezembro de 2018, dias antes do Natal. Local: a área metropolitana do Porto. A operação começou logo no local da aterragem do avião, com o seguimento de um Porsche com matrícula estrangeira que foi apanhar Armando Pereira e o transportou para um apartamento de luxo. Durante horas os homens do fisco fizeram várias fotos, anotaram itinerários, matrículas e tentaram identificar melhor outros intervenientes como o empresário Hernâni Antunes e duas mulheres que pareciam ter pouco mais de 30 anos e que acompanharam os dois homens numa deslocação a um restaurante da zona. Nos meses seguintes, os investigadores continuaram a vigiar intensamente os dois homens, os seus eventuais negócios e até os contactos com terceiros.
Hoje, estas ações de vigilância e recolha de informação integram o conteúdo de largas dezenas de volumes da megainvestigação iniciada há três anos, no verão de 2018, no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e que já levou à recente detenção de Luís Filipe Vieira, do filho Tiago, do empresário José António Santos e do agente de jogadores Bruno Macedo. Tal como sucedeu na semana passada, novas detenções e constituições de arguidos deverão ocorrer nos próximos meses num caso que não tem qualquer relação com as situações denunciadas pelo pirata Rui Pinto (Football Leaks), cuja investigação está a cargo de outra equipa especial de procuradores do mesmo departamento.
SÁBADO apurou que a megainvestigação sigilosa tem decorrido de forma paralela e interligada em dois processos titulados pelo procurador Rosário Teixeira, que delegou os trabalhos na equipa do fisco liderada por Paulo Silva, entretanto promovido a chefe de Divisão da Autoridade Tributária (AT). Autorizadas inicialmente pelo antigo diretor do DCIAP, Amadeu Guerra, e depois por Albano Pinto, o atual responsável, os novos inquéritos resultaram de vários processos administrativos e de alertas sobre transferências financeiras suspeitas da prática de crimes de frau- de fiscal qualificada e de branqueamento de capitais. Depois surgiram suspeitas de outros crimes económico financeiros.
Um destes processos – o NUIPC 406/18 – foi batizado recentemente pelos investigadores como a operação Cartão Vermelho, induzindo que os alvos estão apenas relacionados com o Benfica, o que não é verdade pois a megainvestigação sempre esteve centrada no mundo do futebol. Aberto como o caso "BM Consulting", o processo começou por estar centrado na empresa que Bruno Macedo constituiu em 2009 em Braga (distrito onde está formalmente colocado o inspetor Paulo Silva) e que, entre 2016/19, fez negócios avaliados em cerca de 18 milhões de euros (com lucros líquidos de mais de 3,2 milhões de euros). Negócios realizados sobretudo com o Benfica e com o FC Porto, como veremos adiante.
O outro inquérito da megainvestigação do MP que o juiz Carlos Alexandre identificou no fim dos recentes interrogatórios é o NUIPC 405/18, o caso Pesarp, aberto também em junho de 2018 e no início centrado nos negócios de outro agente de futebol, Pedro Pinho, que este ano saltou para a ribalta mediática depois de agredir um operador de câmara da TVI à frente de Pinto da Costa.
Filho do antigo presidente do Rio Ave, José Maria Pinho, e casado com Sara Peneda, filha de Silva Peneda, ex-ministro dos governos de Cavaco Silva e eurodeputado do PSD, Pedro Pinho tem há largos anos negócios cruzados com o filho de Pinto da Costa, Alexandre, e é considerado um dos homens de confiança do presidente portista. Ao ponto de o histórico dirigente lhe ter até pedido ajuda, durante a fase mais complicada das finanças da SAD, para que sondasse o Banco Carregosa para a possibilidade de conceder um empréstimo aos portistas – o banco não terá aceitado.
Os alvos iniciais dos dois inquéritos começaram por ser agentes ou intermediários nos opacos negócios milionários do mundo do futebol. Mas rapidamente a investigação chegou a dezenas de alvos, que incluem os presidentes do Benfica e do FC Porto, os filhos dos dois dirigentes, Tiago Vieira e Alexandre Pinto da Costa, bem como os administradores da SAD dos dragões Fernando Gomes e Adelino Caldeira, diversos empresários como José António Santos, Hernâni Vaz Antunes e os gestores Armando Pereira e Alexandre Fonseca, respetivamente, um dos donos e o CEO da Altice Portugal.
No caso da Altice, a investigação segue dois tipos de suspeitas que se foram afastando ao longo dos últimos meses: a operação de negociação dos direitos das transmissões televisivas concretizada no fim de 2015, escassos meses após a compra da PT à Oi, e a venda de património da empresa (imobiliário e outro) a um grupo de empresários sediados em Braga e com ligações à Zona Franca da Madeira e a paraísos fiscais (ver SÁBADO, edição 883, de 31/3/21).
Um dos elos comuns destas suspeitas é o já citado Hernâni Antunes. Conhecido no meio empresarial como "o comissionista", Hernâni está ligado a muitos negócios, sobretudo na área do imobiliário, onde tem vários sócios e homens de confiança como o empresário José Silva Pinto, outro alvo da investigação. Mas foram as relações de Hernâni com Armando Pereira, um dos quatro donos do grupo franco-israelita Altice, liderado por Patrick Drahi, que o levou para novos voos logo em 2012, quando a Altice comprou a Cabovisão por 45 milhões de euros, e Hernâni foi mandatado para negociar com vários fornecedores.
O empresário também esteve com Armando Pereira em várias reuniões durante as negociações para a compra da PT e terá também trabalhado nos bastidores quando a Meo/Altice avançou de surpresa para a negociação dos contratos dos direitos de transmissão de jogos de futebol com vários clubes. Terá sido Hernâni Antunes, juntamente com Bruno Macedo (também natural de Braga), que apareceram mandatados para negociar com clubes e SAD. Aliás, nos últimos anos, Hernâni tem-se rodeado de vários sócios, amigos e até familiares (a filha Jéssica, ex-jogadora do Sp. Braga tem uma agência de intermediação, a Topballer, Sports Management) com negócios centrados no agenciamento de atletas e intermediação de direitos desportivos e patrocínios.
Sob investigação criminal estão precisamente alguns destes negócios milionários, a começar pela forma como foram concretizados pela Altice, entre 2015/16, os contratos de direitos de transmissão televisiva e de patrocínios e publicidade, quem foram realmente os seus intervenientes e que comissões acabaram por ser pagas. O MP suspeita da existência de crimes de fraude fiscal, falsificação e lavagem de dinheiro.
A SÁBADO sabe que o contrato com o FC Porto é central para os investigadores, que estão a anali- sar outros negócios da operadora, porque a Altice assinou acordos também, por exemplo, com o Boavista, Guimarães, Rio Ave, Farense e Aves.
Oficialmente, no caso da FC Porto SAD, a PT Portugal (contrato depois cedido à Altice Picture) pagou-lhe 457.500.000 euros para, entre outras vantagens, poder transmitir os jogos do clube em casa durante 10 épocas da Primeira Liga, a partir de 2018/19. Na altura, a intermediação nas negociações do FC Porto com a Altice levou os presidentes do Benfica e do Sporting, que assinaram contratos com outra operadora, a criticarem o que se teria passado nos bastidores. "Vendemos os direitos televisivos à NOS, não a qualquer intermediário", sublinhou Luís Filipe Vieira. Já Bruno de Carvalho garantiu que o Sporting não pagara "nenhuma comissão pelo contrato".
Depois disso, a SAD portista já antecipou por várias vezes o pagamento destas receitas televisivas (à semelhança do que fizeram o Benfica e o Sporting com os contratos da NOS) para garantir sobretudo a emissão de obrigações. Há anos que estes negócios estão sob escrutínio da Autoridade da Concorrência, sem resultados públicos.
À semelhança da estratégia que já adotaram na investigação paralela de outros processos, como o caso Monte Branco (aberto há 10 anos e ainda não encerrado) e a Operação Marquês, Rosário Teixeira e Paulo Silva têm em curso vários transvazes entre os dois processos de documentos fiscais, bancários e financeiros, de dezenas de relatórios da Autoridade Tributária (AT) e de muitas horas de conversas gravadas a partir de escutas telefónicas mantidas a vários alvos de forma quase ininterrupta há quase três anos. Por exemplo, as autoridades fizeram questão de acompanhar em direto várias
negociações de jogadores durante os mercados de verão e de inverno nos últimos anos.
No fim das recentes medidas de coação aplicadas na semana passada a Luís Filipe Vieira, o juiz Carlos Alexandre confirmou parcialmente este facto quando informou por escrito os advogados dos arguidos do inquérito 406/18 de que o MP promovera o "alargamento do objeto da investigação" e que o juiz tinha autorizado a transferência de "meios de prova (…) de outro processo", nomeadamente gravações de conversas telefónicas. E identificou de onde vinham: do processo 405/18, o caso do agente Pedro Pinho.
As autoridades suspeitam que Pinho é uma espécie de pivô, diretamente ou por entrepostas pessoas, em vários negócios avultados do FC Porto. A Pesarp, SA é apenas uma das empresas que o agente de jogadores detém dedicadas a negócios desportivos como contratos de transferências, de gestão de carreiras e de direitos desportivos. Fundada em 2003, esta sociedade anónima com um capital de 50 mil euros, controla a Pesarp II, a PP Sports e a mais recente N1, Gestão de Carreiras Desportivas (além de ser sócia em empresas de imobiliário e de outros ramos, como a Desafios Geniais I e II, a Oh! Parque, a Prosperavenida e a XPZ, Madeiras).
As listas oficiais de intermediários e transações da Federação Portuguesa de Futebol (1/4/18 a 31/3/21) revelam agenciamentos feitos pela PP Sports e pela N1 em seis negócios portistas: a compra de Chidozie, dos colombianos Yoni Mosquera e Germán Meneses (jogam na equipa B), o regresso de Sérgio Oliveira, a venda de Tiquinho Soares aos chineses do Tianjin Teda FC e o empréstimo do central venezuelano Yordon Osorio ao Zenit – o jogador andou de empréstimo em empréstimo até o FC Porto o vender finalmente em 2020 ao Parma. Segundo o site especializado Transfermarket, o negócio foi feito por 4,1 milhões de euros.
Há ainda outras contas oficiais. Nos últimos anos, entre 2015-19, só a Pesarp e a PP Sports (Alexandre Pinto da Costa é/era diretor-geral desta empresa que se chamou Energy Soccer até junho de 2017) fizeram negócios avaliados em cerca de 16 milhões de euros e tiveram resultados líquidos de mais de 8 milhões. Em 2016, a então Energy Soccer chegou a desmentir que teria lucrado quase 2 milhões de euros em negócios com o FC Porto, salientando que, entre 2012-15, a faturação da empresa à SAD fora de apenas 596 mil euros pela intermediação de transferências de jogadores como Carlos Eduardo, Quaresma, Rolando, Álvaro Pereira, Atsu e Casemiro, neste último caso em parceria com a Doyen/Vela gerida por Nélio Lucas.
Anos depois, e segundo o relatório e contas da SAD do FC Porto de 2019, os dragões lançaram na contabilidade quase 1,3 milhões de euros que tinham de pagar à PP Sports (Energy Soccer) por causa da transferência de Ricardo Pereira para o Leicester, uma venda feita por 20 milhões de euros que deu ao clube português uma mais-valia de pouco mais de 12,6 milhões de euros. O resto do dinheiro, e foi muito, seguiu para aquilo que o documento da SAD chama "encargos adicionais", que inclui gastos relacionados com as aquisições de direitos económicos, nomeadamente despesas com serviços de intermediação, serviços legais, prémios de assinatura de contratos, entre outros custos.
No ano passado, Alexandre Pinto da Costa fez mais um comunicado a reagir a acusações públicas de que estaria a fazer de novo negócios com a SAD do FC Porto, mas através de outra empresa: "É totalmente falso que a SerialSport tenha tido qualquer relação comercial com o FC Porto SAD. Isso é facilmente comprovável pelos relatórios e contas devidamente auditadas da referida sociedade desportiva."
Efetivamente, nada consta nos relatórios oficiais da SAD sobre a Serialsport, que é uma sociedade anónima constituída em 2006. Entre 2015-19, a empresa fez negócios avaliados num total de cerca de 2,4 milhões de euros e lucrou perto de 1,3 milhões de euros. Mas a megainvestigação em curso do DCIAP considera Alexandre Pinto da Costa como um dos principais suspeitos, tendo-o colocado sob intensa vigilância há cerca de 30 meses. Os sigilos fiscais e bancários do empresário também já foram quebrados.
O MP e a AT suspeitam que haverá muito dinheiro dos negócios com jogadores que estará a ser movimentado sem ser declarado ao fisco e a coberto de empresas, offshores e intermediários que escondem o destino final dessas verbas em países como Brasil e Dubai. A SÁBADO sabe que a investigação julga já ter identificado contratos alegadamente fictícios de várias compras e vendas de direitos desportivos. A equipa da AT chefiada por Paulo Silva tem já prontos vários relatórios de análise de alguns destes negócios.
Em várias ocasiões, os investigadores anotaram até indícios de negócios de compra de jogadores bem recentes, que terão sido feitos à revelia do treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, que foi contratado em junho de 2017. Os investigadores anotaram que Conceição terá manifestado descontentamento interno sobre os negócios e nos bastidores terão chegado a existir pressões de empresários como Alexandre Pinto da Costa para o FC Porto se livrar do treinador incómodo.
No processo constam também indícios de que alguns dos negócios suspeitos de Alexandre e de outros empresários poderão estar a ser feitos com o conhecimento ou mesmo a cobertura de parte da estrutura dirigente da SAD portista, nomeadamente do seu presidente, Pinto da Costa, e dos administradores Fernando Gomes (ex-presidente socialista da Câmara do Porto que gere as finanças da SAD) e Adelino Caldeira. Um dos casos que está a ser analisado ao pormenor será um contrato de intermediação avaliado em 6 milhões de euros, alegadamente não registado no contrato principal, mas apenas num outro paralelo ao negócio. A SÁBADO apurou que o MP e a AT montaram uma apertada vigilância aos três altos responsáveis portistas porque estenderam a investigação à eventual falsificação das contas da SAD do FC Porto. Contactados através de email dirigido ao assessor Francisco J. Marques e ao FC Porto, a SÁBADO não obteve resposta às perguntas dirigidas a Pinto da Costa, Fernando Gomes e Adelino Caldeira até à data de fecho desta edição, a 13 de julho.
Um dos negócios de jogadores sob maior escrutínio do MP e da equipa do fisco é a compra e venda de Éder Militão, filho do antigo jogador do Benfica, Valdo. Ainda segundo os documentos oficiais da SAD do FC Porto, o jogador assinou um contrato de cinco épocas em julho de 2018. O clube ficou com 90% dos direitos económicos do jogador, adquirido em fim de contrato ao São Paulo por pouco mais de 8,5 milhões de euros (7 milhões pelo passe e cerca de 1,5 milhões de encargos adicionais). Um ano depois, o FC Porto vendeu Militão ao Real Madrid, onde ainda joga.
A transferência, conforme foi anunciado pela SAD do FC Porto à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), foi de 50 milhões de euros, "que gerou uma mais-valia de 28.437.285 euros, após dedução do valor global de 21.562.715 euros relativo a: efeito de atualização financeira das contas a receber a médio prazo originadas por estas transações; proporção do valor de venda do passe detida por terceiros (10%); custos com serviços de intermediação prestados pela BM Consulting, Lda. e Bertolucci Assessoria e Propaganda Esportiva; e valor líquido contabilístico do passe à data da alienação", conforme refere o comunicado.
Nas contas de 2019 da SAD do FC Porto, a BM Consulting e a Yes Sports (ex-Moov Sports), ambas de Bruno Macedo, chegaram a ser credoras de um total de cerca de 5,5 milhões de euros – respetivamente, 3,5 milhões pela intermediação na transferência de Militão para o Real Madrid e pouco mais de 1 milhão na transferência (20 milhões de euros) de Felipe para o Atlético de Madrid. As já citadas listas da Federação Portuguesa de Futebol mostram que Bruno Macedo fez nos últimos anos outros negócios com dois laterais esquerdos. Um centrou-se no moçambicano Reinildo Mandara (emprestado e depois vendido por 3 milhões de euros pela Belenenses SAD ao Lille), o outro foi a transação do brasileiro Jorge Moraes, que o Mónaco emprestou ao FC Porto a 30 de agosto de 2018 (regressou em março do ano seguinte a França e tem andado emprestado a outros clubes).
Tudo isto está a ser analisado, juntamente com mais negócios de outras empresas alegadamente controladas pelo agente de forma discreta. De acordo com parte do despacho de indiciação de Bruno Macedo, "nos anos de 2015 e 2016, a SL Benfica SAD realizou pagamentos diretos à Master International FZE no montante global de 2.636.362,62 euros, sendo que tais ganhos foram mobilizados, na sequência do acordado entre Luís Filipe Vieira e Bruno Macedo, para, pelo menos em parte, virem a beneficiar as sociedades do grupo de Luís Filipe Vieira", refere o MP. De forma a "ocultar a origem dos fundos nas contas da Master", indica ainda o despacho, os suspeitos acordaram utilizar outra estrutura societária, constituída na Tunísia, "forjando a existência de faturação emitida por esta à Master, de forma
a justificar a circulação de fundos".
A investigação do MP garante que a Master, uma sociedade utilizada por Bruno Macedo para receber ganhos da intermediação de futebolistas serviu para "parquear uma mais-valia" gerada com a transferência em 2012 dos paraguaios Derlis González e Cláudio Correa. O MP estima que
o valor de 1.280.000 euros deveria ter sido refletido como um ganho nas contas da Benfica SAD, "e no
seu beneficiário final como rendimento em IRS, o que não aconteceu".
O MP refere ainda a sociedade Trade In, alegadamente utilizada para titular os direitos económicos do futebolista brasileiro César Martins, antes de vender parte desses direitos em 2014 à SAD do Benfica "por um valor bastante superior, gerando em Portugal um aumento de custos que resultaram na diminuição da tributação" da SAD em mais de 1,3 milhões de euros.
No interrogatório perante o MP e o juiz Alexandre, Bruno Macedo desmentiu, com dados e números, parte das informações recolhidas pela investigação, inclusive a suspeita de que teria usado o escritório de advogados do pai em Braga para receber comissões ilegais de jogadores – Macedo é advogado e só em outubro de 2014 conseguiu a licença de agente desportivo. Já sobre ser uma espécie de testa de ferro de Vieira, Macedo foi também perentório na negação, garantindo que se limitara simplesmente a fazer negócios (até imobiliários) e garantiu que até se sentiu enganado pelo presidente
do Benfica num caso muito recente.
Aquando das negociações da transferência de Darwin para o Benfica – concretizada em setembro de 2020 por 24 milhões de euros –, Macedo revelou que recebeu apenas 500 mil euros pela intermediação quando julgava que iria receber entre 2 e 3 milhões de euros. Perante a estupefação dos magistrados contou ainda que, quando foi informado disso num encontro com Vieira e outros intervenientes (garantiu que lhe disseram também que o negócio incluía pagamentos ao ex-assessor jurídico da SAD do Benfica, Paulo Gonçalves), levantou-se e saiu zangado do Hotel Tivoli, em Lisboa.
Além dos negócios de Bruno Macedo, a investigação cruzada nos dois processos criminais estende-se ao poderoso empresário brasileiro Giuliano Bertolucci, que se tornou conhecido em Portugal por representar jogadores brasileiros famosos que passaram pelo Benfica como Luisão, David Luiz, Júlio César e Ramires. Bertolucci está sob intensa investigação do MP há cerca de um ano. O brasileiro é dono de, entre outras empresas, da Bertolucci, Assessoria e Propaganda Esportiva, que em 2019 tinha 5 milhões de euros a receber do FC Porto. As listas de intermediários e transações da FPF revelam que Bertolucci participou, juntamente com Bruno Macedo, na transferência de Militão para o Real Madrid. E que fez o negócio de Felipe Anderson do West Ham para o FC Porto – agenciou ainda as transferências dos brasileiros Everton, Lucas Veríssimo, Pedrinho e do central Morato para o Benfica.
Bertolucci está a ser investigado por suspeitas de crimes de fraude fiscal, falsificação e lavagem de dinheiro, apurou a SÁBADO. A investigação do brasileiro estende-se a negócios imobiliários que terá feito ou iniciado com Luís Filipe Vieira. Segundo os dados divulgados pela FPF, só em dois anos, em 2018/19, as despesas pagas a intermediários nos negócios do futebol português atingiram os 82 milhões de euros.
A Federação divulga a lista das comissões pagas desde a época de 2015/16 e as contas oficiais são fáceis de fazer: 29 clubes portugueses gastaram cerca de 187 milhões de euros até 2019. Só o Benfica (o campeão dos gastos com quase 80 milhões de euros), FC Porto (o segundo do ranking com cerca de 43 milhões), Sporting, Braga e Guimarães pagaram cerca de 178 milhões de euros.
É atrás de parte deste dinheiro, dos circuitos utilizados e dos seus reais destinatários, que a megainvestigação está a ir, a partir dos negócios dos empresários Bruno Macedo, Pedro Pinho, Alexandre Pinto da Costa e outros intermediários ou "agilizadores de contactos" portugueses e estrangeiros.
Outro rumo da investigação que surgiu de forma inesperada – tal como sucedeu com a teia de ligações das dívidas de Vieira ao Novo Banco agora conhecida – foram os negócios imobiliários da Altice Portugal. Nos últimos anos, a operadora tem vendido vários imóveis à Almost Future e à Smartdev, empresas controladas pela Vintagepanóplia, Vaguinfus, Hernâni Vaz Antunes, familiares e sócios. Os negócios dos imóveis que pertenciam a um fundo da antiga PT – a investigação da SÁBADO detetou vendas avaliadas em cerca de 15 milhões de euros, que incluem o chamado edifício Sapo localizado no centro de Lisboa – foram apanhados de forma fortuita nas escutas telefónicas da megainvestigação aos negócios do futebol.
A Altice Portugal já garantiu à SÁBADO que todas as transações de imóveis foram feitas a "preços de mercado e tendo sempre por base avaliações levadas a cabo por entidades avaliadoras independentes e credenciadas." Mas a SÁBADO sabe que estes negócios e os seus principais intervenientes estão há longos meses sob forte escrutínio das autoridades do MP e da AT. Até porque os investigadores detetaram um outro ca- so que consideraram suspeito, quando a 1 de março de 2019, num cartório no- tarial de Oeiras, o gestor André Coutada, sócio gerente da Vintagepanóplia, selou um negócio com o presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, e a mulher Anabela.
Nesse dia, a Vintagepanóplia vendeu ao casal Fonseca, por cerca de 1 milhão de euros, uma moradia de luxo localizada em Barcarena, uma das freguesias de Oeiras. Segundo a escritura pública de compra e venda a que a SÁBADO acedeu, no ato da assinatura do contrato foi feito um pagamento pelo casal de 200 mil euros através de um cheque do banco Santander. Quanto à dívida remanescente (859 mil euros), esta teria de ser paga "em 36 prestações mensais e sucessivas, das quais, 35 no montante de €23.611,11 e a última de €23.611,15, mediante cheque à ordem" da Vintagepanóplia. A primeira das prestações ocorreria até 30 de abril de 2019 e o total da dívida seria pago até março de 2022.
A moradia de Oeiras tem 1.512 metros quadrados de área total (220,12 metros quadrados de área coberta) e é composta por cave, rés do chão, 1º andar e logradouro, conforme indica o registo predial público do imóvel que consta na 1ª Conservatória de Braga. Alexandre Fonseca tem 46 anos e é desde o fim de 2017 (bem depois da assinatura do contrato de transmissão dos jogos do FC Porto pela Altice, conforme nos confirmou o próprio) o presidente executivo da Altice Portugal. "Confirmo assim que a minha esposa e eu adquirimos em 2019 um imóvel em Oeiras, destinado a primeira habitação, na sequência da alienação da nossa anterior residência.
A aquisição do imóvel, tal como consta na escritura pública e das condições descritas na mesma, foi efetivamente feita à empresa Vintagepanóplia, a preço de mercado", disse por escrito em março passado Alexandre Fonseca, depois de a SÁBADO lhe perguntar se queria esclarecer os negócios imobiliários, o pessoal e os da Altice Portugal. Isso e as eventuais ligações a empresas detidas ou controladas por Hernâni Antunes, sócios e familiares. "Já no que concerne às questões que coloca, relativas à entidade vendedora, a terceiros ou relações entre estes, nunca foi minha prática pessoal tecer comentários sobre assuntos que me são alheios e que desconheço", concluiu o CEO da Altice Portugal. Agora, instado a comentar a investigação que lhe mandou quebrar o sigilo bancário e fiscal, Alexandre Fonseca declarou-se estupefacto: "(...) quero, de forma clara e objetiva, manifestar total estranheza", garantindo que não teve "nenhuma espécie de contato por parte de qualquer órgão de investigação criminal ou penal ou qualquer outro da área judicial."

ELES NEM DORMEM

Agora faltam os outros. Ou alguém é suficientemente ingénuo para pensar que as práticas de que Luís Filipe Vieira é suspeito (nomeadamente desvio de dinheiros na transferência de jogadores) só aconteciam na Luz?
Aliás, o silêncio sepulcral da comunicação do FC Porto é bem revelador sobre o receio que Pinto da Costa (e não só) tem de ser o senhor que se segue.

BEM-VINDO

Contratação de João Mário desbloqueada em dois dias, empréstimo de Nuno Santos descomplicado, presença na final de Hóquei feminino. Rui Costa parece estar a começar bem esta oportunidade de mostrar que tem perfil para o lugar.
Falta solicitar ao presidente da AG a convocação de eleições antecipadas (o que, estou convicto, acontecerá em breve), candidatar-se e fazer uma lista de qualidade em seu redor para, acredito, ter o apoio da maioria dos benfiquistas e iniciar um novo ciclo no clube.  

Quanto ao próprio João Mário, desejo que tenha a maior sorte, e possa retomar o rendimento que mostrou em 2015-16, justamente com Jorge Jesus, que faria dele titular absoluto da selecção campeã da Europa.

A NÃO REPETIR

Lista de 250 jogadores contratados pelo Benfica desde 2001 que não eram, digamos, necessários:
 

A HORA DE RUI

Independentemente do que possa acontecer num futuro próximo - e no post anterior já expressei a minha opinião sobre isso -, no imediato o momento é de Rui Costa. Um benfiquista ferrenho, antiga glória, que vive o clube desde criança, que sabe de futebol, tem personalidade e é respeitado por todos dentro e fora do Benfica.
Mesmo defendendo a realização de eleições antecipadas a breve prazo (onde Rui Costa, Noronha e outros poderão apresentar-se para, então, no momento próprio, os sócios escolherem livremente o que pretendem para o futuro), não podemos deixar de defender PRIMEIRO o Benfica, a sua equipa e a preparação de uma temporada que é extremamente importante. Isso passa, no imediato, por deixar Rui Costa trabalhar tão serenamente quanto possível.
Haverá tempo para a necessária clarificação. Agora importa começar a construir uma temporada desportiva vitoriosa.

A DETENÇÃO DE VIEIRA

 Acerca da detenção de Luís Filipe Vieira tenho a dizer o seguinte:

1- Até ser condenado, qualquer cidadão é inocente. Ora Vieira nem sequer foi ainda formalmente acusado, o processo está em investigação, e há que respeitar o estado de direito. Há poucos dias um ex-ministro foi totalmente ilibado de vários crimes de que era acusado, depois do enxovalho na praça pública, e de ver a sua carreira política arruinada. Quando é com outros, sobretudo se poderosos, achamos graça. Se um dia nos tocar a nós, já não terá tanta piada. E este juiz tem palmarés na matéria.

2- Independentemente do que vier a suceder no processo, Vieira tem uma obra considerável no Benfica, que jamais será apagada, tanto a nível de infraestruturas, como de títulos (é o presidente que mais ganhou na história do clube). Essa obra estará sempre num dos pratos da balança. No outro, veremos o que fica, e para que lado ela pende.

3- Para mim, o clube sempre esteve, está e estará acima de tudo e todos, sejam eles jogadores, treinadores ou dirigentes. Nesse sentido, parece-me que não há condições para Luís Filipe Vieira se manter no cargo. Não sei se é culpado ou inocente, mas que mais não seja pela pressão mediática que se irá tornar insuportável, Vieira deveria, ele próprio, em nome do interesse do Benfica, afastar-se - pelo menos até poder provar a sua inocência em sede própria.

4- A solução para o imediato parece-me óbvia: Rui Costa assumir o cargo interinamente, e serem convocadas novas eleições para data que, tanto quanto possível, não comprometa a temporada desportiva.

5- Este caso irá ser aproveitado pelos rivais para tentar desestabilizar ao máximo o Benfica. Cabe aos benfiquistas ter a inteligência de não se deixarem entrar nesse jogo. Quem acredita em Vieira terá de esperar pacientemente pelas decisões do tribunal. Quem o queria ver longe do clube já não tem de esperar muito, mas não deverá querer deitar fora o menino com a água do banho. Pede-se neste momento, a todos os verdadeiros apaixonados pelo clube, alguma paciência, muita serenidade, nervos de aço e mais benfiquismo do que nunca. 

UM GRANDE EUROPEU


Estou deliciado.
Jogos espectaculares. Estádios compostos (suspirava por isso...). Maior média de golos desde 1976.
Falta talvez uma grande estrela a este Campeonato da Europa. Mas em termos de futebol colectivo, ritmo, velocidade, intensidade e emoção, não me recordo de outra grande competição de selecções tão bonita nos tempos mais recentes. O Itália-Espanha, por exemplo, foi um recital.
Após uma temporada que, além de me afastar das bancadas dos estádios, quase me afastou da paixão pelo jogo, chega um torneio a lembrar-me que este é um vício para a vida.

MARCOU MAIS QUE O POTE


 

INJUSTO

Podemos questionar porque não jogou Portugal na primeira parte como o fez na segunda, sobretudo na última meia hora. Mas uma coisa é óbvia: Portugal foi melhor do que a Bélgica, e merecia outro resultado.
Foi pena.
Haverá tempo para outras análises, para avaliar as opções de Fernando Santos, a demora em reagir, as insistências em alguns jogadores. Agora, a quente, não seria justo fazê-lo.
Apenas talvez constatar que a Bélgica é uma grande equipa, e teve a sorte do jogo. 


EM FRENTE

Tudo está bem quando acaba bem.
Neste caso, em rigor, ainda não acabou. Mas a qualificação para os oitavos-de-final, num grupo onde estava França e Alemanha, e onde Portugal teria de jogar duas partidas no terreno dos seus adversários, acaba por ser necessariamente positiva.
Foi pena não escaparmos ao quadro mais difícil. Podia ter acontecido, até mesmo sem interferência da nossa equipa, tal como acontecera em 2016, com os resultados que se conhecem. Desta vez o caminho para a final vai ser muito mais difícil, com Bélgica, e depois, eventualmente, Itália nos quartos e França ou Espanha nas meias. Vai ser duro, e tenho dúvidas de que, pelo que se tem visto, tenhamos forma de repetir o feito do último Europeu.
Quanto ao jogo em si, pode dizer-se que teve, não duas, mas três partes distintas. Primeiro com superioridade lusa, que justificaria vantagem ao intervalo, não fosse um penálti, quanto a mim inexistente, assinalado à beira do intervalo. Depois a reação francesa, que deu o segundo golo (continuo a não acreditar em linhas, e estas ainda me parecem mais toscas que as do campeonato nacional), contra a corrente da qual Portugal voltou a empatar. Mas a França manteve-se por cima, e na altura, com a Hungria a vencer em Munique, temi o pior. A terceira fase do jogo foi o quarto de hora final, em que uma espécie de pacto de cavalheiros deixou o empate encaminhar-se tranquilamente para o seu destino.
O onze escalado por Fernando Santos foi manifestamente mais coerente e compacto que o dos jogos anteriores. Bruno Fernandes não está no seu melhor, e William nunca foi jogador para a titularidade de uma selecção que tem melhores opções para o lugar. Renato Sanches, pelo contrário, está em grande momento, e no nosso melhor período foi o homem em maior destaque – pela força, pelo dinamismo e, agora, também pelo critério que dá ao sector central da equipa. Moutinho, pela experiência e sentido táctico, também esteve bem. Mas o principal destaque, além dos golos e dos recordes de Ronaldo, vai para Rui Patrício, que salvou Portugal em mais de uma ocasião.
Enfim, agora temos pela frente a Bélgica, de Lukaku e De Bruyne entre outros, primeira do ranking mundial de selecções. Um osso muito duro de roer, e que exigirá uma equipa portuguesa bem acima daquilo que tem mostrado até aqui.

O ONZE PARA A DECISÃO

Este seria o meu. O de Fernando Santos vai incluir William Carvalho, com o objectivo de perder exactamente por 2-0.
 

AS CONTAS DO APURAMENTO

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DERROCADA

Após o jogo com a Hungria, já aqui tinha expressado a minha dificuldade em compreender algumas das opções tácticas de Fernando Santos. Depois de levar quatro da Alemanha, essa incompreensão generalizou-se a todo o país desportivo. Ao menos não estou sozinho o que, neste caso, é parca consolação.
Não se entende, por exemplo, porque mantém o engenheiro duas estátuas em frente da defesa, quando as ditas não compensam os centrais, não compensam os laterais, nem participam no jogo ofensivo. E se Danilo ainda poderia ser útil em alguma dessas tarefas (nomeadamente na zona central da defesa, dado o seu jogo aéreo, permitindo alargar os laterais, coisa que ninguém lhe terá dito para fazer), já William não tem qualquer cabimento nesta equipa. Apenas ocupa espaço, e mal. Por algum motivo, todos os outros jogam em grandes clubes europeus enquanto ele aquece o banco do Bétis de Sevilha.
Tirar Bernardo Silva, que até estava a fazer um bom jogo, para fechar o corredor direito com...Renato Sanches, foi outro erro crasso, hipotecando duas posições com uma só alteração. Com Portugal a perder Bernardo tinha de continuar em campo. E Renato devia ter entrado, sim, mas para o corredor central. Entre Jota e Bruno Fernandes creio que só deve jogar um, pois se Bernardo e Ronaldo não defendem, o colectivo não suporta mais dois elementos nulos na hora de correr atrás dos adversários. Neste caso, Bruno Fernandes, pelo cansaço que denota e que o deixa muito longe do seu melhor, podia ficar no banco e ser lançado ao longo do jogo.
Os equívocos são muitos e a sorte não dura sempre. Espero estar enganado, mas temo o pior para o jogo com a França.
Não vou bater mais no ceguinho. Espero que Fernando Santos saiba interpretar o que correu mal, e à boa maneira de Scolari em 2004, tomar as opções óbvias ao arrepio da sua teimosia.

A ESTRELINHA CONTINUA A BRILHAR

Primeiro ponto: é quase emocionante voltarmos a ver um estádio completamente cheio, algo que não acontecia há mais de um ano. Que muito em breve tal se possa estender a todo o futebol mundial.

Quanto à partida, Portugal é muito melhor do que a Hungria, e demonstrou-o ao longo de quase todo o tempo de jogo. Mas aos 84 minutos, com insistente e preocupante 0-0 no marcador, confesso que maldizia Fernando Santos. Pela constituição inicial da equipa (a insistência em William tem sido um mistério, pese embora até nem ter estado mal nesta partida), e pelas substituições que, na altura, me pareceram algo despropositadas (tirar Bernardo Silva, enfim…).
Tenho este problema com Fernando Santos: acho-o uma pessoa estimável, mas não o compreendo como técnico. Será com certeza por ignorância minha, pois o homem é campeão da Europa, e eu sou um simples curioso que gosta de mandar bitaites.
A verdade é que, ou ele é mesmo genial e vê coisas que ninguém vê (afirmar que ia ganhar o Europeu em 2016 depois daquela primeira fase miserável…Santo Deus!…), ou tem uma sorte descumunal. E neste jogo com a Hungria foi uma vez mais bafejado (ou visionário…) pois as substituições que eu maldizia (inclusive o benfiquista Rafa, de quem tanto gosto), e que, para ser franco, tacticamente continuo sem perceber, acabaram por se revelar determinantes. Rafa foi mesmo o homem do jogo (para toda a gente menos para a UEFA), com duas assistências e um penálti conquistado.De destacar o terceiro golo, que foi um verdadeiro hino ao futebol.
Tudo está bem quando acaba bem. Foi assim em 2016, e foi assim neste jogo – que acabou em apoteose, com Ronaldo a bater mais recordes e as substituições de Fernando Santos louvadas por toda a gente.
Penso que bastará um empate num dos dois jogos que faltam para garantir o apuramento. Depois…é esperar que a estrelinha continue a brilhar.
Força Portugal!

A MINHA SELECÇÃO

 

O GUARDA REDES DOS 6-3


... e de muitas outras vitórias. Acima de tudo um grande ser humano, segundo todos os que o conheceram.

Descansa em Paz! 

LISTA DE DISPENSAS

VLACHODIMOS - Jesus não parece gostar dele. Sem espaço não faz sentido ficar no banco. Tem mercado na Alemanha.

SVILAR - Emprestar a uma equipa onde jogue sempre, embora já comece a desconfiar do seu valor.

GILBERTO - Com a recuperação de André Almeida, deixará de fazer falta. Deve ter mercado no Brasileirão. Também não me chocaria que, em vez dele, saísse o próprio André Almeida...

JOÃO FERREIRA - Sem espaço, deve ser emprestado a uma equipa onde jogue sempre.

JARDEL - Fim de contrato. Agradecimentos.

KALAICA - Não acrescenta nada ao plantel.

GRIMALDO ou NUNO TAVARES - Aproveitar alguma possibilidade de fazer dinheiro com Grimaldo, caso contrário, emprestar Nuno Tavares. De qualquer forma, contratar outro lateral-esquerdo.

PIZZI - Salário demasiado elevado face ao rendimento recente. Como melhor goleador da Liga Europa, talvez se encontre mercado, apesar da idade.

GABRIEL - Vender ao melhor preço. Tem talento, mas peso a mais e rendimento demasiado irregular. Sem perfil para uma equipa como o Benfica.

PEDRINHO - Não encaixou no futebol europeu. Individualista e sem sentido táctico. Longe de fazer a diferença e justificar o preço. Vender ao melhor preço para o Brasileirão.

TAARABT - Lutador mas quase sempre pouco esclarecido. Não defende bem, nem remata à baliza, o que é um défice para um médio de equipa grande. Tentar vender para a Turquia ou Arábia Saudita, ou...

CERVI - Tem saída marcada para o Celta. Até tenho alguma pena, pois acho que é combativo e tem alguma qualidade.

SAMARIS - Salário demasiado elevado para o rendimento. Turquia, Arábia Saudita, Grécia ou...

DAVID TAVARES - Sem perfil para o Benfica. Dispensar.

TIAGO ARAÚJO - Emprestar a uma equipa onde tenha algum espaço.

PAULO BERNARDO - Emprestar a uma equipa onde tenha algum espaço.

WALDSCHMIDT - Não rendeu o que se esperava. Muito irregular. Como internacional alemão, tem mercado no seu país. Recuperar o dinheiro investido, ou pelo menos parte dele.

CHIQUINHO - É curto para o Benfica. Como médio ofensivo tinha de marcar e assistir mais. Encontrar mercado na Liga Espanhola, por exemplo.

542 DIAS DE PESADELO

 


TAÇA ALMEIDA

Nuno Almeida, nome envolvido nas escutas do Apito Dourado, quer como árbitro de campo, quer como VAR, já havia retirado ao Benfica duas vitórias, e quatro pontos, no campeonato (jogos diante de Nacional e V.Guimarães no final da primeira volta). Não satisfeito, agora retirou também a Taça. Uma verdadeira "dobradinha" algarvia.
Tenho sérias dúvidas de que exista falta no lance entre Helton Leite a Abel Ruiz. Do que não tenho dúvidas algumas é de que o avançado do Braga toca a bola em direcção da bandeirola de canto, e havia dois jogadores do Benfica no eixo central em condições de eventualmente poder evitar o golo. Não havendo falta era cartão amarelo para Abel Ruiz por simulação. Havendo falta era livre contra o Benfica e cartão amarelo para Helton Leite. Expulsão? Só na cabeça de quem queria manipular o resultado. VAR? Só aparece quando não interessa, ou para, com linhas obtusas, assinalar foras-de-jogo de 10 centímetros.
A Covid já retirou os adeptos das bancadas. O futebol jogado tem sido genericamente miserável. A Final foi à porta fechada, em horário tardio e longe do Jamor. Com arbitragens destas bem podem abrir as bancadas, pois alguns já lá não voltarão.
É óbvio que o lance condicionou o jogo. Pode dizer-se que na final do ano passado o Benfica jogou mais de metade do tempo em vantagem numérica e perdeu com o FC Porto. Mas, aí sim, tinha obrigação de fazer mais e melhor. Nesta final fez o que pôde: teve falhas, cometeu erros, mas não creio que se possa atacar a atitude dos jogadores. Contra uma equipa forte e motivada, a injusta expulsão foi golpe de que um Benfica, já de si algo fragilizado, não conseguiu recompor-se.
Finalmente esta maldita época terminou. Muita coisa tem de mudar, quer no Benfica, quer no futebol português. O último ano e meio foi penoso a todos os níveis. Por agora o sentimento é de tristeza, de revolta, mas também de...alívio. Alívio por isto, pelo menos por agora, ter acabado.

ONZE PARA A FINAL


 

CULTURA DE VIGARICE

Todos os clubes tiveram, digamos, os seus momentos. Mas no FC Porto está instalada, há quase 40 anos, uma cultura de vigarice. Agora, até com o Covid.
Além da investigação em curso, muito gostaria de saber o que se terá passado nos balneários do Estádio do Dragão nas vésperas do Benfica lá jogar. A verdade é que toda a equipa veio de lá infectada, e isso foi caso único na temporada futebolística nacional. Houve casos aqui e ali, mas nada comparável, nem tão generalizado, o que me faz pensar que, se jogadores de várias equipas foram contagiados em lugares dispersos, e os do Benfica foram todos no mesmo dia, e no mesmo sítio, algo de estranho aconteceu nesse dia e nesse sítio - certamente por casualidade, o balneário do maior rival, rival esse com largo "palmarés" em golpadas fora de campo.

ATÉ ISTO...

Coincidentemente ou não, a verdade é que desde o início da pandemia, tudo o que o Benfica pode perder, perde. Esta noite, até a Bola de Prata - que, sendo um troféu individual, e tendo importância relativa, era a única coisa que estava em jogo na última jornada.
Seferovic fez a sua parte, anotando dois golos. Mas a diferença horária nos jogos terá feito toda a diferença, e o Sporting, a jogar contra "mortos", conseguiu levar o seu jogador ao triunfo na "Bola de Prata".
Pior que isso, mesmo rodando a equipa, ainda se lesionou um dos mais importantes titulares (dos poucos que entraram em campo de início), e Lucas Veríssimo vai desfalcar a defesa para a Final da Taça. Boa notícia apenas a exibição de Morato que, enfim, permite a Jorge Jesus continuar a ponderar a utilização de três centrais diante do Braga. E recordo que foi precisamente em Braga que esse modelo se afirmou.
Ser melhor da segunda volta vale muito pouco. Apenas acentua a sensação de que tudo poderia, e deveria, ter sido diferente.
Com tanta contrariedade, com tanto azar, confesso que até tenho receio de ver o jogo de Domingo. Quem, em pouco mais de um ano, perde Taça da Liga 2020, Liga Europa 2020, Campeonato 2020, Taça de Portugal 2020, Acesso à Champions 2020-21, Supertaça 2020, Taça da Liga 2021, Liga Europa 2021, Campeonato 2021, Acesso directo à Champions 2021-22, só pode desconfiar de tudo: da equipa, da sorte e de alguns fantasmas que parecem pairar pela Luz.

PARA SEFEROVIC

Pode ser derrota 4-3, com hat-trick do suíço. De resto, poupar para a Taça.

 

DISPENSÁVEL


Recados internos devem ser...internos.
Há tanta coisa para um vice-presidente do Benfica comunicar para o exterior, que dispensamos vê-lo trocar galhardetes em público com o treinador, sobre uma matéria que nem é do seu pelouro, e sobre a qual perceberá tanto como qualquer adepto comum.
Infelizmente a vaidade leva a estas coisas, que só fragilizam o clube.
Toda a gente sabe que a próxima época terá de ser diferente. Não é preciso lembrar isso aos jornalistas.

SOUBE A POUCO

Quando Seferovic converteu a grande penalidade fazendo o quarto golo do Benfica, dado o que tinha acontecido até então, e dado o previsível cansaço da equipa adversária - em ressaca da festa do título -, confesso que esperei bastante mais. Pensei mesmo que talvez houvesse uma oportunidade de ouro para vingar os 7-1 de 1986. Ou ao menos ficar lá perto.
A verdade é que o conjunto de Ruben Amorim reagiu bem, e embora o Benfica continuasse a criar oportunidades até final, há que dizer que também o empate chegou a ser uma possibilidade.
Salvou-se a vitória, pois nem os dois golos do avançado suíço marcaram qualquer diferença na luta dos goleadores, dado que também Pote bisou na partida.
Foi uma vitória da honra, que deixou algumas boas indicações para a Taça de Portugal. Mas também alguns avisos, pois os golos consentidos exigem alguma reflexão.

COM GUARDA DE HONRA, E COM...VITÓRIA

Fora do campo, e até ao apito inicial do "Dérbi", o Benfica deveria manter uma postura institucional intocável. Se outros não o fazem, que sejamos nós a dar o exemplo. Guarda de honra aos novos campeões seria uma manifestação de grandeza, e de saber perder. Não custa nada. Era bonito.
Depois, assim que o árbitro apitar, entrar com tudo para vencer o jogo. Aí sim, é que o Benfica deve mostrar que tinha equipa para ter sido o campeão. Aí sim, é que pode levantar dúvidas sobre a justiça do título. Aí sim é que pode de alguma forma subalternizar o seu adversário - desportivamente, claro, que é o que me interessa. 
Fora de campo, saber perder. Dentro do campo, saber ganhar.


AFINAL HAVIA OUTRO

Esperavam-se golos de Seferovic (marcou um, mas árbitros e jornalistas têm uma obsessão pelos autogolos). Foi Gonçalo Ramos quem apareceu, vindo do banco, para dar a vitória ao Benfica.
A primeira parte foi uma vez mais desastrada. Como o próprio Jorge Jesus afirmou, alguns jogadores não sabiam o que andavam a fazer em campo. Pedrinho, por exemplo, que até tem algum talento, foi uma nulidade, com sucessivas más decisões a evidenciarem que não terá aprendido muito desde que chegou do Brasil por 18 milhões. Outro caso é o de Waldschmidt, que custou 15 milhões, e depois de uma monumental exibição no primeiro jogo que realizou (em Famalicão), foi caindo, caindo, até se tornar outra nulidade. Cervi e Chiquinho parecem já ter a cabeça noutras paragens. Nuno Tavares, enfim, tem momentos.
Na segunda parte, com Grimaldo, Pizzi, Everton, e depois Darwin e Gonçalo, o Benfica melhorou bastante. Não ao ponto de brilhar, mas de fazer uma exibição normal, ao nível do que se espera num confronto com o último classificado.
Gonçalo é goleador. Disso não há dúvidas. Já Darwin parece-me um ponta-de-lança sofrível, mas quando parte do flanco esquerdo torna-se um excelente avançado. Gostava de um ver num 4-3-3.
Segue-se um jogo pela honra. Ganhar ao Sporting é imperioso, quer como factor motivacional para a Taça de Portugal, quer como forma de mostrar que a temporada podia ter sido bem diferente.

PS: Aproveito para dar os parabéns ao Sporting, justo campeão. Foi mais regular, teve sorte, e não tem culpa dos erros e azares alheiros. Acertou no treinador, e na maioria das contratações. Nos jogos que lhe vi, mostrou uma equipa com garra, grande frescura física e capacidade de pressão. É saudável que ganhe com um presidente e uma estratégia de comunicação nos antípodas do brunocarvalhismo.

SEFEROGOLOS


Pouco há a retirar deste campeonato. O segundo lugar é uma miragem, e o terceiro está garantido. Ganhar ao Sporting é uma questão de dignidade que se sobrepõe a qualquer aspecto individual. Mas nos jogos com Nacional e Guimarães não vejo outro objectivo para além de ajudar Seferovic a conquistar mais uma "Bola de Prata".
Espera-se, pois, uma equipa em torno do suíço. Venham os golos.

A DIAS O QUE É DE DIAS

Soares Dias é o árbitro português mais cotado internacionalmente. Porquê? Porque para a UEFA, um bom árbitro é aquele que preenche os seguintes três requisitos:
- apresentar boa forma física;
- falar bem inglês;
- conseguir manipular jogos de acordo com os interesses superiores sem dar muito nas vistas.
Ora o árbitro do Porto cumpre todos eles, tal como, num passado não muito distante, Pedro Proença também os cumpria.
De resto, se olharmos para as prestações no campeonato nacional, e, naquilo que me diz respeito, nos jogos do Benfica, Soares Dias comete demasiados erros, erros demasiado graves, e sempre para os mesmos lados. Ninguém se lembra de um "clássico" com Porto ou Sporting em que Soares Dias se tenha enganado a favor do Benfica. Mas todos se lembram, praticamente em todos os "clássicos" com Porto e Sporting, de vários erros graves a prejudicar o Benfica - muitas vezes de forma sub-reptícia, habilidosa e em alguns casos quase invisível, mas sempre eficaz.
Depois há também outra questão: pode um árbitro a viver na cidade do Porto, reiteradamente ameaçado e insultado pela ingratidão dos Super Dragões, ter condição psíquica para dirigir um jogo como este? Apesar de tudo, não seria mais confortável que a arbitragem de um Benfica-Porto ficasse a cargo de alguém que vivesse longe das duas maiores cidades? Aqui não se trata de uma questão de honestidade, mas sim de pressões e de medo. Antigamente essa regra existia. Ainda existe em jogos internacionais. Talvez não fosse má ideia recuperá-la.

TEM DIAS

Ao contrário do que foi dito no final pelos treinadores (Jesus e, no caso, Vítor Bruno), não me parece que o “Clássico” tenha sido um bom jogo. Pelo contrário: todas as equipas (Benfica, Porto e, sobretudo, arbitragem) estiveram mal.
O Benfica porque no largo período compreendido entre o golo de Everton e o empate de Uribe praticamente não existiu, limitando-se a esperar que o tempo passasse e que o seu trio de centrais, bem como Helton, continuassem a resolver os problemas que os portistas crescentemente colocavam. O FC Porto porque foi…FC Porto, apostando numa combatividade muito para além das leis, com simulações, intimidações, provocações e entradas selvagens desde o primeiro minuto, destacando-se Otávio, Sérgio Oliveira e, sobretudo, como é hábito, Pepe. O árbitro porque compactuou com tudo isto, utilizando uma impressionante dualidade de critérios que fez com que, pasme-se, o Benfica terminasse com mais do dobro dos cartões amarelos do seu adversário (8-3). Aliás, este número diz tudo sobre a actuação de Artur Soares Dias.
Depois, ainda há o VAR. Já disse várias vezes que não confio minimamente nas linhas de fora-de-jogo. Carecem de rigor em dois aspectos: o próprio ângulo de colocação, e a definição do exacto momento em que a bola parte (no qual uma diferente “frame” do momento do passe pode fazer o seu destinatário adiantar-se dois ou três metros). No futebol de que eu gostava, Darwin estaria em linha no lance do segundo golo do Benfica. E o golo seria validado. E o Benfica ganhava. Até concedo que os dois penáltis possam ter sido retirados, mas anular-se um golo porque um jogador calça 45 e outro 38, ou porque a linha é mais ou menos obtusa, não faz qualquer sentido. E festejar no último minuto para poucos segundos depois perceber que não valeu é dar um tiro no coração do futebol.
De resto, o jogo esteve ao nível das bancadas vazias. Salvaram-se os últimos minutos, quando, então sim, o Benfica foi Benfica, procurando o golo que só por manifesta infelicidade não obteve.
O resultado é mau para ambos. E merecidamente mau, pois nenhum deles merecia outra coisa. De resto, creio que qualquer que tivesse sido o resultado deste jogo, a classificação não se alteraria até final.
Agora, é ganhar ao Sporting por uma questão de dignidade, ajudar Seferovic a ser "Bola de Prata" (já que o "Clássico" nem para isso serviu), sobretudo ganhar a Taça de Portugal, e esquecer que esta temporada existiu. Tal como, alias, a anterior. Há que voltar a 2019 e partir daí para o futuro.

IMPORTA-SE DE REPETIR?


 

PARABÉNS MALTA!

Acrescente-se Ederson e temos uma amostra do que poderia ser o Benfica se...se...se...enfim, se estivéssemos em Inglaterra, na Liga Inglesa, e não num país periférico e pobre como Portugal.
Fico a torcer pelo City na final, não porque aprecie o conceito do clube, mas por ver gente que nos é tão simpática a defender as suas cores. Força Ederson, força João, força Ruben, força Bernardo. Vocês merecem ser felizes, e se ganharem a Champions, ela também será, mesmo que só um bocadinho, de todos os benfiquistas.

 

ONZE PARA O CLÁSSICO

 


VINTE MINUTOS

Vinte minutos à Benfica decidiram o jogo e o resultado. Nesse período, logo após o apito inicial, os encarnados apresentaram-se rápidos, frescos e incisivos, criando uma mão cheia de oportunidades flagrantes. Entraram duas. Foram suficientes.
No resto do tempo não mais se viu esse Benfica. Talvez demasiado confiante, talvez fruto de maior acerto defensivo do Tondela, a verdade é que o jogo mudou, e os homens da casa estiveram, mais de uma vez, perto de fazer o golo. 
Destaque para Everton, que terá sido o melhor em campo, e feito o melhor jogo com a camisola encarnada, bem como para Helton Leite, que segurou o resultado com uma excelente exibição, cimentando a sua titularidade na baliza do Benfica.
Fica o resultado, e fica também a esperança num milagre que ainda garanta a qualificação directa para a Champions, sendo que a pré-eliminatória, pelo menos, parece assegurada.