ONZE PARA O DÉRBI


 Do lado de lá, já se sabe que vão jogar com nove...

DÉRBI: últimos 15 anos


 

MEMÓRIA CURTA

Ainda não há dois anos.
Pimenta e refresco...
 

LAMENTÁVEL


Não há muito a acrescentar ao que o presidente Rui Costa disse após esta espécie de jogo de futebol.
Enquanto benfiquista sinto-me constrangido pelo que se passou, mas as culpas devem ser procuradas noutros lados.
Deixo um aplauso aos jovens jogadores do BSAD que entraram em campo, e espero, com alguma ansiedade, que esta situação não tenha trazido mais contágios, nomeadamente a jogadores do Benfica.
Fica também a necessidade urgente de rever os regulamentos, dado que, infelizmente, tudo indica que situações semelhantes possam vir a ter de ser consideradas.

 

CONTAS DA CHAMPIONS - guia para a última jornada

(clique para aumentar)

71 GOLOS PELO BENFICA!

Mais do que Lima, Filipovic, Saviola, Mitroglou, Vata, César Brito, Yuran, Mantorras, Raul Jimenez, Carlos Manuel, Chalana, Rodrigo, Gaitán, Vítor Baptista, Vítor Paneira, Valdo, Rui Costa, Miccoli, Aimar, Poborsky, Di Maria, etc...

PARA QUEM NÃO SE LEMBRA


Golos falhados é o que não falta. Apenas em Camp Nou, ficam três exemplos de falhanços de jogadores do Benfica.

2006, Simão:



2012, Rodrigo: 


2012, Lima:


SABE A POUCO

Não tivesse acontecido aquele lance, ao minuto 93, e a saga do Benfica em Barcelona teria sido um êxito: rigor defensivo, empate a zero, qualificação pendente.
Aquela perdida, no momento em que foi, deixa um sabor amargo. Afinal, podia ter-se escrito história. Afinal, a vitória até tinha sido possível, e agora os encarnados dependiam apenas de si próprios, e de uma vitória, na Luz, diante do Dínamo de Kiev.
Lances daqueles acontecem frequentemente. Até o próprio Seferovic já os desperdiçou. Lembro-me de, em Barcelona (e eu até estava lá), ver Lima desperdiçar uma ocasião semelhante, na outra baliza, num jogo que também terminou zero a zero, empate que na altura eliminou o Benfica.
A diferença é que agora foi praticamente na última jogada. É isso que faz Jesus ajoelhar-se, e muitos benfiquistas baterem com a cabeça nas paredes.
Não vou contribuir para a fogueira do internacional suíço. E acho que Jorge Jesus não o deveria ter feito. Mas sabemos como é o orgulho do treinador do Benfica: ele ganhou o jogo, e só Seferovic o impediu.
Já aqui escrevi, e volto a dizê-lo: Seferovic é o melhor ponta-de-lança do Benfica, e se juntasse a frieza na finalização ao sentido posicional e capacidade de desmarcação que tem, não estaria certamente em Portugal.
O que ficou para trás desse lance foi um jogo de nervos, com o Barcelona a atacar, e o Benfica a defender bem. Mas se na linha defensiva os encarnados estiveram intransponíveis, comandados por um super-Otamendi, no meio campo e no ataque já vi esta equipa fazer mais e melhor. João Mário estava claramente limitado, Rafa não esteve nos seus dias, Everton foi inconsequente e Yaremchuk devia ter ficado no banco. Tudo isto impediu o Benfica de colocar os catalães em sentido, e fez com que a partida se inclinasse progressivamente para o lado da baliza de Vlachodimos (outra grande exibição).
O empate é um bom resultado, e deixa bastantes esperanças para a última jornada. Confio no Bayern e na sua sede de ganhar. Este Barcelona não me parece capaz de, em condições normais, se superiorizar no Allianz Arena. Em condições normais, repito.
O Benfica não pode jogar esse jogo. Joga, sim, na Luz, e tem forçosamente de ganhar.

CENÁRIOS PARA CAMP NOU

DERROTA: Benfica eliminado matematicamente da Champions, discutiria com o Dínamo de Kiev o acesso à Liga Europa.

EMPATE: Tudo em aberto para a última jornada, com o Benfica a depender de terceiros, mas esse terceiro seria o...Bayern. Ganhando ao Dínamo na Luz, os encarnados obrigavam o Barça a vencer em Munique para seguir para os Oitavos da Champions. Ou seja, um empate em Camp Nou pode não ser nada mau.

VITÓRIA: Naturalmente o melhor cenário, com o Benfica a ultrapassar o Barcelona na classificação do grupo, ficando a depender apenas de si para passar à fase seguinte da prova. Se o Bayern cumprisse a sua parte e vencesse os dois jogos que faltam, o Benfica até poderia perder em casa com o Dínamo que estaria apurado para os Oitavos-de-Final. 

ONZE PARA BARCELONA


 

A TEMPO E HORAS


Um grande golo de Grimaldo empurrou o Benfica para uma justa remontada, depois de se ver a perder numa das poucas ocasiões de perigo criadas pelo seu opositor.
Na verdade, com maior ou menor brilhantismo, os encarnados dominaram todo o jogo, e mesmo na primeira parte já haviam criado um par de oportunidades flagrantes para marcar. O último quarto de hora, os célebres e antigos 15 minutos à Benfica, acabaram por dar cor e justiça ao marcador.
Não gostei nada do Paços de Ferreira. Dois autocarros em frente da baliza, constante anti-jogo, e pouca ou nenhuma criatividade do meio-campo para diante. Uma daquelas equipas típicas do futebolzinho português, que enchem o calendário e deprimem os adeptos. 
Destaque positivo para o regresso triunfal de Seferovic (para mim, claramente o melhor avançado do Benfica) e para a boa entrada em campo de Taarabt. Aliás, Jorge Jesus esteve certeiro nas substituições, sobretudo quando prescindiu do terceiro central (finalmente!!) - que se justifica, por exemplo, na Champions, mas parece-me inadequado neste tipo de jogos.
Agora...Camp Nou.

COFINAR




Estranhamente, ou talvez não, de há uns meses para cá (desde que Octávio Ribeiro foi substituído por Carlos Rodrigues, desde que Vieira foi substituído por Rui Costa), o grupo Cofina decidiu embirrar com o Benfica. Vai daí, lançam um conjunto de mentiras (como todas as boas mentiras, talvez partam de 10% de verdade), visando apenas desestabilizar o clube da Luz.
Primeiro foi Otamendi. Agora Jorge Jesus. E até Rafa - que nem sequer jogou na selecção, é apontado como um problema, e, pasme-se, como tendo personalidade complicada..
Talvez alguém da FPF possa ter soltado um lamento pela lesão do extremo benfiquista, daí a Cofina avança para um "falta de compromisso de Rafa gera desconforto". Talvez alguém da SAD benfiquista tenha dito que apreciava o trabalho de Pepa, daí a Cofina "despede" Jorge Jesus e avança com Pepa como "reservado" para o Benfica. Talvez Otamendi se tenha queixado a amigos de que Jorge Jesus era demasiado duro, daí a Cofina cria um desentendimento fatal entre capitão e treinador.
Com Ignacio Ramonet aprendi, em tempos, como se fazem estas coisas. A Cofina demonstra-o na prática, quase diariamente.
Espero que a estrutura do Benfica tenha força suficiente para aguentar, e responder aos ataques despudorados de um grupo de media que faz mal ao jornalismo, faz mal ao desporto, e faz mal ao país.
E espero, sobretudo, que os adeptos não embarquem nesta estratégia. Quando se ganha é fácil. Quando se perde é preciso sangue frio para lidar com estes terroristas da comunicação.
Entre as redes sociais (e os insultos anónimos), os fóruns de opinião (intoxicados pela multiplicação de perfis falsos) e este tipo de jornalismo (feito por bandidos), venha o Diabo e escolha.

IGUAL A PERDER POR 10-0

Fernando Santos é um homem sério e estimável. Não é, e provavelmente nunca foi, um grande treinador de futebol. E uma grande equipa merece um grande treinador.
Portugal tem talvez o melhor e mais completo plantel que alguma vez se viu. Beneficiou de um sorteio relativamente simpático para esta fase de qualificação. Tinha total obrigação de seguir em frente.
Neste jogo decisivo, perante um estádio cheio e vibrante, ainda teve o condão de marcar logo no primeiro minuto, aproveitando uma falha individual de um adversário.
Estive na Luz. O problema não é Ronaldo. O problema é mesmo uma total inoperância colectiva, própria de quem não sabe muito bem o que quer. O engenheiro amarra os jogadores, amarra e condiciona a equipa, com um conservadorismo totalmente inapropriado, sobretudo para quem dispõe de tanto talento.
A Sérvia foi uma equipa. Portugal, um amontoado de jogadores temerosos, à espera de um destino. Uma vez pode correr bem, na maioria das vezes correrá mal.
A sorte não aparece sempre. E este Portugal de Fernando Santos terá esgotado todo o seu plafond em 2016, quando foi campeão europeu com apenas uma vitória nos noventa minutos regulamentares.
Compreendi a gratidão até ao último Euro. A partir de agora é inexplicável insistir nisto.
Temo o pior para o play-off.

RIP CARTÃO DO ADEPTO

Que dizer de uma iniciativa capaz de colocar contra si, tanto Benfica como FC Porto, tanto PCP como Chega, para além de todos os clubes, de todos os adeptos, e de todos os partidos, incluindo uma parte do partido do governo, e até o próprio primeiro-ministo?
Apenas que foi um disparte sem qualquer sentido.
O que me chocou não foi o erro (quem não os comete?). O que me chocou foi a insistência quando o fracasso era mais do que óbvio.
Fica para a história como um triste momento de um triste secretário-de-estado.

ENFIM, EVERTON

 

Vindo de uma sequência de resultados e exibições bastante abaixo do que já mostrara, o Benfica precisava mesmo de uma noite assim.
Vitória expressiva, face a um adversário forte, com momentos vibrantes e nota artística elevada.
É verdade que, até ao segundo golo (37 minutos), o jogo foi muito diferente do que viria a ser a partir daí. O Braga respondera à boa entrada dos encarnados, a a partida parecia atar-se a meio-campo, sem oportunidades de um lado ou de outro. Acresce que as lesões de João Mário, e sobretudo de Lucas Veríssimo, deixavam as bancadas ainda mais ansiosas.
Apareceu então a dupla Everton-Rafa para partir tudo. E se do extremo português já temos amplas demonstrações daquilo que é capaz, o brasileiro teve aqui o seu primeiro grande momento desde que chegou à Luz. Em pouco mais de vinte minutos, entre o final da primeira parte e a primeira metade da segunda, a equipa de Jorge Jesus, comandada em campo por essa dupla maravilha, marcou cinco golos e resolveu a contenda, esmagando um adversário totalmente impotente face à inspiração encarnada.
Daí em diante tudo foi mais tranquilo, que o Braga a desejar que tudo acabasse, e o Benfica a rodar a equipa, sempre à espreita de mais um ou outro golo - que acabou por não surgir.
Agora vem mais uma pausa (até quando irá durar este anacronismo da FIFA). Tudo está em aberto, e a cabeça ficou limpa. Espera-se a recuperação da maioria dos lesionados, e um Benfica a reentrar forte. Tão forte como aquele que cilindrou o Braga, e havia goleado o Barcelona.

CONTRASTES

Dois meses no Céu



...e um no Inferno

CRÓNICA DE UMA DERROTA ANUNCIADA

Quem olhar para o onze que propus antes da partida de Munique, verificará que estavam lá os principais titulares do Benfica.
Confesso que na altura não ponderei a questão dos cartões amarelos. Se o tivesse feito, e pensado melhor (não tenho essa obrigação), talvez seguisse a opção de Jorge Jesus – que, além do mais, tem dados sobre os atletas e a sua condição física de que mais ninguém dispõe.
O que me parece, acima de tudo, é que responsabilizar o treinador do Benfica por uma derrota mais ou menos anunciada, contra a melhor equipa do mundo, não faz qualquer sentido. Aliás, se jogassem todos, perdessem à mesma (como, estou certo, aconteceria), e se apresentassem de rastos diante do Sp.Braga, Jesus seria crucificado duplamente. Assim, pode ser que no domingo se salve.
O Benfica fez em Munique aquilo que podia. E quem entrou na equipa não esteve melhor nem pior do que os que já lá estavam. Durante a primeira parte o principal problema até foi no lado esquerdo da defesa, onde actuava o titularíssimo Grimaldo – que deve ter ficado com tonturas depois das repetidas chicuelinas de Kingsley Coman.
Ao intervalo ainda havia alguma esperança de uma noite épica. O golo de Morato e a defesa de Odysseas ao penálti de Lewandowski (e, já agora, o empate que se registava em Kiev) acrescentavam ânimo à jornada europeia. Não esquecendo que o Benfica até marcara primeiro, num lance cuja alegada irregularidade não me convence.
O 3-1 e o 4-1, alcançados em poucos minutos, deitaram abaixo qualquer veleidade do Benfica. Quando Darwin reduziu ainda se pensou numa derrota honrosa (4-2 ou até 4-3), mas a goleada era mesmo inevitável.
Pior do que o resultado do Alianz Arena foi a vitória do Barcelona em Kiev. Sem ela, o Benfica poderia perder em Camp Nou e manter fortes hipóteses de se qualificar (bastaria vencer depois o Dínamo, e esperar que o Bayern cumprisse, em casa, diante do Barça). Assim as coisas ficaram bastante difíceis, mas não mais difíceis do que se supunha aquando do sorteio.
Em termos individuais terei de destacar obviamente Vlachodimos (que mesmo sofrendo 5 golos foi o melhor do Benfica), mas também João Mário (se descontarmos aquela perda de bola a meio-campo). Os entrados Morato (que até marcou), Meité (naturalmente sem ritmo, mas longe de ser aquilo que pintam dele), Everton (excelente entrada, depois apagou-se) e Pizzi (também sem ritmo, mas com uma boa primeira parte) não comprometeram.
Sei que é mais fácil criticar quem vem de fora, mas acho curioso que toda a gente massacre Meité (que, não sendo um craque, até tem algumas qualidades) e poupe Gonçalo Ramos (que na equipa A tem sido uma nulidade completa). Sobre Pizzi nem vale a pena falar (marcou 61 golos nos últimos três anos, e continua a ser patinho feio). Enfim, mais vale cair em graça do que ser engraçado.

RESISTIR


FALTA DE EFICÁCIA

O golo sofrido aos 90 minutos na Amoreira, o empate e a perda do primeiro lugar que originou, têm tido as mais diversas interpretações.
No meu ponto de vista, o que se passa no Benfica é uma tremenda falta de eficácia concretizadora. Foi esse o problema com o Portimonense, e agora no Estoril.
Nas últimas temporadas, tinha sido o mal amado Seferovic (62 golos nos últimos três anos) a desbloquear muitas situações. Pizzi (61 golos no mesmo período), com a sua forte presença em frente da baliza, também ia marcando. Ainda assim foi, como sabemos, insuficiente.
Para esta temporada o Benfica contratou Rodrigo Pinho e Yaremchuk. O primeiro lesionou-se gravemente. O segundo tarda em mostrar serviço, sendo, quanto a mim, um dos problemas, se não "o" problema, desta equipa. Seferovic tem estado igualmente lesionado. Pizzi não tem sido opção. E o jovem Gonçalo Ramos não tem trazido absolutamente nada à equipa, mostrando estar ainda demasiado verde para estas andanças.
Resta Rafa, que não pode fazer tudo, e que também nunca primou pela frieza de decisão na hora do remate. Resta também Darwin, que rende muito mais a partir dum flanco, está longe de ser um ponta-de-lança, e muito menos um matador.
Assim, o Benfica até joga, até cria, mas não resolve jogos aparentemente fáceis de resolver. Expõe-se depois a situações imponderáveis, como uma bola parada ou um contra-ataque. Assim perdeu com o Portimonense, assim empatou no Estoril. Ambos, jogos com várias oportunidades para matar e assegurar os três pontos.
Há muito campeonato. Mas este problema tem de ser resolvido. Da época passada para esta o Benfica melhorou na defesa, melhorou (muito) no meio-campo, mas parece pior na frente.
Segue o Bayern, numa partida em que se teme um desastre (uma goleada), não deixando de ter uma esperançazinha, lá bem no fundo, de uma noite milagrosa (um empate). A boa notícia é que a qualificação não será decidida neste jogo, sendo até, a esse respeito, mais importante um empate do Barcelona em Kiev do que do Benfica em Munique.

ELECTRIZANTE

A Taça da Liga tem destas coisas. Ora acontecem jogos desinteressantes com bancadas vazias e segundas linhas em campo, ora nos oferece partidas espectaculares, com futebol de ataque e muitos golos.
O Vitória de Guimarães-Benfica foi uma destas.
Pode olhar-se para o copo meio cheio (grande jogo, de parte a parte), ou para o copo meio vazio (uma equipa que ganha por 3-1 aos 28 minutos, não pode, ou não deve, permitir o empate). A verdade é que o Benfica chegou a ser empolgante, mas raramente foi consistente - o que não será surpresa se tivermos em conta as profundas, e necessárias, mexidas realizadas no onze. O resultado é justo, deixando tudo em aberto para a última jornada.
Individualmente gostava de destacar a exibição de Pizzi (enquanto teve forças), e mais um ou outro pormenor de Radonjic. 
Pela negativa, realço que Morato, pese embora a estampa física, ainda está algo verde, e tem lances verdadeiramente comprometedores. E sobretudo, custa-me a entender a insistência em Gonçalo Ramos, que nesta temporada já participou em 14 jogos, e não marcou um único golo (e poucos remates à baliza terá feito). São jovens, prometem futuro, mas revelam-se ainda bastante curtos para o presente. A equipa principal do Benfica não pode ser uma plataforma de crescimento competitivo de jovens jogadores, para isso existem a equipa B e a de sub-23, e Gonçalo Ramos parece-me ter nestas o seu lugar - ou então, em alternativa talvez melhor, ser emprestado a um clube onde tenha mais espaço para o seu futebol.
Agora, há que pensar no Estoril. A Taça da Liga segue em Dezembro, com uma Benfica-Sp.Covilhã, no qual os encarnados terão de anotar pelo menos três golos (3-1, 3-0, 4-2, 4-1, 4-0 etc).

FORA DE HORAS

Já sabemos que os jogos imediatamente antes e depois da Champions são sempre difíceis. Mais a mais após uma derrota bastante ácida, e jogando num campo difícil (em Vizela joga-se efectivamente fora de casa) contra um adversário de valor.
Mas tudo está bem quando acaba bem, e o golo de Rafa chegou para manter a liderança e tornar a noite de domingo bem mais agradável para os benfiquistas.
Isto não isenta de críticas o treinador Jorge Jesus, que à semelhança do que acontecera com o Portimonense, voltou a cometer o mesmo erro: com um plantel vasto e soluções credíveis (viu-se, por exemplo, Radonijc), insiste em manter um onze exausto e permeável ao efeito pós-europeu. Com os algarvios correu mal, em Vizela podia ter corrido. Valeu aquele golpe de sorte (e de arte) aos 98 minutos de um jogo em que o Benfica teve grandes dificuldades para se impor. Não por acaso foram dois suplentes (o sérvio e Pizzi) a construir o lance do golo.
Na quarta-feira joga-se para a Taça da Liga. É altura para rodar a equipa e descansar alguns elementos claramente cansados (Grimaldo, João Mário, Darwin entre outros). Depois, mais um difícil compromisso no terreno do quarto classificado, o Estoril.
Como diria um antigo treinador, isto é jogo a jogo e treino a treino. Para já o Benfica mantém o primeiro lugar no campeonato, segue nas Taças e em lugar de acesso na Champions.

20 MINUTOS DEMASIADO CRUÉIS

Até aos 70 minutos de jogo, o Benfica estava a realizar uma exibição na senda da realizada diante do Barcelona. Não conseguira concretizar as oportunidades de que dispusera, e o adversário, pelo seu poderio, também não permitira um amplo domínio do jogo que chegara a ter, em alguns períodos, diante dos catalães. Mas a situação estava  controlada, e se não fosse possível a vitória, um saboroso empate aparecia no horizonte como uma possibilidade bem real.
O primeiro golo, algo consentido por uma má colocação de Vlachodimos (defendo-o quando é justo, critico-o quando é necessário), deixou mais longe a hipótese de pontuar neste jogo - objectivo que o próprio Jorge Jesus colocara na antevisão. Mas o espectro de uma goleada parecia então já totalmente afastado.
Creio que o segundo golo, aos 80 minutos, tendo em conta a forma como ocorreu, deitou abaixo toda a equipa, e desorientou-a o tempo suficiente para que os bávaros, com a sua rudeza, aproveitassem sem piedade e elevassem os números do placard. 0-4 antes do jogo não surpreenderia ninguém. 0-4 depois daqueles 70 minutos foram um choque, e acima de tudo uma enorme crueldade para com uma equipa que se tinha batido tão bem até esses dramáticos momentos.
Nada está perdido em termos de apuramento. Porém, a alavanca alcançada no jogo com o Barcelona diluiu-se nesta noite, e agora há que voltar à estaca de partida. O grupo é extremamente difícil, o mais provável é que o Benfica caia para a Liga Europa. O próximo jogo é pouco menos que impossível, e só um bom resultado em Camp Nou permitirá aos encarnados chegar aos oitavos-de-final. Tudo, enfim,  o que se antecipava na altura do sorteio.
Desta noite na Luz fica apenas o justo aplauso final para os jogadores do Benfica, e a mágoa de se pensar que, com um pouco de sorte, tudo poderia ter sido diferente.

SUSTER

Devo dizer que sairei satisfeitíssimo com um pontinho, pois o normal, diante desde Bayern, será o Benfica perder por dois ou três golos de diferença em casa, e quatro ou cinco fora.
 

UMA HISTÓRIA ATERRADORA

De Gerd Muller a Lewandowski, de Klinsmann a Robben, o historial dos jogos entre Benfica e Bayern de Munique é negro. Nenhuma vitória, três empates caseiros, sete derrotas, quatro delas por goleada. 7 golos marcados, 26 sofridos. Naturalmente, nenhuma eliminatória passada.
Magra consolação é o facto de FC Porto (1-6) e Sporting (1-7) terem sido vergados a castigos ainda mais duros. 
Recordemos alguns dos momentos de terror vividos diante do colosso germânico, que, por sinal, e pelo que vi no domingo passado no jogo de Leverkusen, está mais ameaçador do que nunca.

NOTA DE CURIOSIDADE: O jogo de 1976, derrota por 5-1, é a primeira partida do Benfica que a minha memória alcança. Tinha seis anos, e recordo-me do meu pai ouvir o relato angustiado com os golos do Bayern, todos na segunda parte, enquanto eu, pouco menos que indiferente, jogava à bola no corredor. É este o primeiro dos vídeos que se seguem.
 








HORAS EXTRA

Nem Jorge Jesus nem os adeptos esperavam tantas dificuldades na partida da Trofa.
Os primeiros minutos até davam a entender que, mais tarde ou mais cedo, a coisa ia resolver-se com naturalidade. O que é certo é que o Benfica foi obrigado a um inoportuno prolongamento, com o desgaste que isso acarreta em vésperas de enfrentar um touro.
Pior do que isso: os encarnados puseram-se a jeito de um golpe de infelicidade, que seria também de escândalo e vergonha. Quer nos minutos finais do tempo regulamentar, quer no próprio prolongamento com o espectro do desempate por penáltis a pairar.
Valeu o golo salvador de André Almeida. Agora há que esquecer tudo o que se passou neste jogo e preparar a Champions o melhor possível.

RODAR


RUI SANTOS: O SENHOR ESGOTO

Como já sei o que a casa gasta, quase nunca assisto à missa de Rui Santos na “SICN”.
É curioso como certos órgãos de comunicação social gostam de clamar a sua independência face ao poder político, mas omitem a sua total dependência face a interesses privados (quer de accionistas, quer de anunciantes, ou outros) muito menos escrutinados. É assim que as redes sociais vão tomando o seu lugar, o que também não é motivo para festejos do pobre e incauto consumidor de informação.
Toda a estação de Carnaxide (ou Paço de Arcos) se pauta por muito pouca imparcialidade, no desporto e não só. No desporto, o dono e a família são sportinguistas, o diretor de informação também, bem como quase todos os comentadores residentes (Joaquim Rita, Ribeiro Cristóvão, David Borges, etc). E o Benfica, excepção feita ao período de Vale e Azevedo, tem sido sempre ali destratado (assim como no semanário “Expresso”, bastando recordar algumas tristes primeiras páginas da época dos e-mails). Tal como o futebol português em geral, desde os tempos em que programas como “Os Donos da Bola” chafurdavam semanalmente no esgoto, tentando descredibilizar os jogos que então passavam nos ecrãs da concorrente RTP.
Rui Santos é produto desta cultura.
Além de anti-benfiquista primário, vive como um autêntico rato de esgoto, alimentando-se do que cai no caixote do lixo do futebol. Vive de polémicas e de escândalos. Quando não existem, arranja-os.
Na última terça-feira, num descuidado zapping, passei pelo seu púlpito.
A tese era a seguinte: Rui Costa não vai ter paz, pois é um homem acossado (!?!). E achava (lá está) escandaloso que na campanha eleitoral do Benfica não se tivesse falado mais de Luís Filipe Vieira.
Ou seja, Rui Santos queria que os benfiquistas abordassem, não os temas que interessam ao clube e aos sócios, mas os que lhe interessam a ele e à sua retórica. Queria que se autoflagelassem numa espécie de suicídio assistido, para que o seu programa ganhasse audiências, e o seu clube ganhasse títulos.
Tenho uma má notícia para ele: o Benfica está unido, Rui Costa teve muito mais votos do que Vieira (inclusivamente vindos de muita gente que votou Noronha no ano passado), a transicção foi extremamente pacífica e, até ver, bem-sucedida, e nem o novo presidente, nem qualquer membro da sua equipa directiva, têm sobre si qualquer suspeita sobre qualquer assunto.
Quer Rui Santos queira, quer não, o Benfica e os benfiquistas olham para a frente e não para trás. E tenho a certeza de que a esmagadora maioria ignora o seu lamentável programa.
Pela minha parte, prometo ser mais cuidadoso nos zappings televisivos, de modo a não voltar a cruzar-me tão cedo com tão triste personagem. A purificação do futebol português podia começar, aliás, por acabar com este programa.

84% !!!

Rui Costa é o presidente do Sport Lisboa e Benfica, amplamente legitimado por uma esmagadora maioria de sócios votantes.
Agora, durante quatro anos, não quero ouvir falar de eleições, oposições ou divisões. Os benfiquistas, aqueles que querem verdadeiramente ver o clube vencer, terão de estar unidos e focados no essencial: as vitórias e os títulos.

 

OBVIAMENTE, RUI COSTA!

As entrevistas e o debate apenas confirmaram aquilo que já se sabia: de um lado está um homem experiente, que respira Benfica e respira futebol, com muitos anos de clube e alguns de dirigismo, e do outro um adepto de bancada para quem tudo são facilidades, que enumera um conjunto de boas intenções mas deixa antever uma total incapacidade para as alcançar, e nem sequer consegue explicar quem é a sua equipa. Enfim, um curioso. Tal como eu o seria se, por qualquer momento de loucura, decidisse candidatar-me à presidência do Benfica.
Rui Costa pertenceu à equipa de Vieira? Claro que pertenceu! Conquistou seis campeonatos e vários outros troféus, naquela que foi uma das décadas mais ganhadoras da história do clube.
Tem alguma coisa a ver com os casos judiciais que envolvem Vieira? Que se saiba, nada.
Não viu? Mas não viu o quê? Circuitos de dinheiro por off-shores entre intermediários de transferências de jogadores? Como poderia ter visto? Alguém veria? Temos todos o dever de ser polícias? Devemos ser culpados por algo que outros eventualmente nos tenham escondido?
Rui Costa é um homem do futebol e uma figura que prestigia o Benfica. Com o apoio de todos, será um excelente presidente. 
Não pode, nem deve, mudar tudo. Deve, sim, ir mudando, à medida que tal for possível e vantajoso para o clube. Deitar fora desde já um gestor com as capacidades financeiras e administrativas de Domingos Soares de Oliveira (que fez com a SAD batesse recordes de receitas e lucros anuais) seria deitar fora o menino com a água do banho. Acho bem que o mantenha, até porque não é suspeito de coisa nenhuma. Se vier a ser, então logo se analisa a questão.
Não podemos confundir casos que eventualmente tenham lesado o Benfica (e que a justiça deve apurar), com todo o folclore mediático, alimentado pelos rivais, que pretende destruir o clube peça por peça.
Também por isso, e por tudo o resto, eu votarei RUI COSTA.

AS ENTREVISTAS

Sobre as entrevistas:

RUI COSTA - Com a preparação que o conhecimento do clube lhe dá, respondeu a todas as questões com grande assertividade. Sublinho as apostas no desporto feminino, nas cinco modalidades de pavilhão (realçando que algumas delas podem proporcionar títulos internacionais), e sobretudo, no Ciclismo (do qual, como sabem, sou adepto apaixonado, e como tal não deixarei de cobrar a promessa). Gostei também de saber que há uma preocupação com as instalações e o seu melhoramento.
Como bem diz, houve coisas muito boas nos últimos vinte anos. O que é da justiça é da justiça, mas não se pode deitar fora o menino com a água do banho.

FRANCISCO BENITEZ - Parece tratar-se, sem dúvida, de um benfiquista, que deseja o melhor para o clube. Porém, em questões fundamentais, revela uma ingenuidade pouco compatível com a função a que se candidata. Naturalmente não está dentro do fenómeno futebolístico, e vê muitas rosas onde existem espinhos. A manutenção dos jogadores da formação depende de inúmeros factores, assim como o relacionamento com intermediários e empresários, pois o futebol real não é o "Football Manager".
Ao contrário de Noronha Lopes (que na altura, embora sem merecer o meu voto, me pareceu uma boa reserva para o futuro), não creio que a candidatura de Benitez represente grande coisa após estas eleições.

BALDE DE ÁGUA FRIA

PSG, Real Madrid, Ajax, Bayern, Barcelona, Liverpool, M.City, M.United, Sevilha, Atalanta, Zenit, Malmo, D.Kiev, Shakhtar e Brugge. Tal como o Benfica, nenhuma destas equipas, todas elas presentes na fase de grupos da Liga dos Campeões, ganhou os jogos para os seus campeonatos. Algumas delas perderam surpreendentemente em casa contra adversários muito mais fracos (Bayern e Ajax, por exemplo). Outras perderam pela primeira vez (R.Madrid e PSG, por exemplo), havendo também alguns empates.
É o que se chama o vírus-champions, e que se traduz numa humana descompressão após momentos de altíssima intensidade. Não é falta de vontade, mas sim fadiga, física e, sobretudo, mental.
Quando vi o onze escalado por Jorge Jesus, quase igual ao de quarta-feira (só Lázaro, lesionado, não jogou), pensei nisso. Pensei também, por outro lado, nos altos índices de confiança que aqueles jogadores sentiriam, e que poderiam bater aquele desgaste. Qual seria o deve? Qual seria o haver?
Agora é fácil dizer que Rafa ou Darwin, por exemplo, podiam ter sido preservados, entrando eventualmente na segunda parte. Que também Grimaldo podia ter ficado de fora. Ou mesmo Vertonghen. Ou Yaremchuk. E porque não ter jogado com apenas dois centrais?
Mas se em equipa que ganha não se mexe, também terei de compreender as opções do técnico encarnado. Não correram bem, mas ninguém adivinhava. Como ninguém suporia que o Benfica falhasse tanto na concretização, ou que o guarda-redes do Portimonense fizesse, muito provavelmente, o jogo da vida dele.
O que é certo é que o Benfica perdeu o jogo, a invencibilidade, grande parte da vantagem classificativa, e, quem sabe (os próximos jogos dirão), parte da confiança que havia conquistado.
Foi um balde de água fria, cujas consequências ainda não conseguimos prever.
O aplauso final foi justo, pois não houve facilitismos: todos lutaram como podiam. Houve sim, erros, que devem servir de aprendizagem para o futuro próximo.

SUBLIME


Ainda tenho de esfregar os olhos para confirmar que é verdade: o Benfica goleou mesmo o Barcelona por 3-0!
Antes da partida, confesso que um empate já me satisfaria. Saí do estádio regalado, após uma noite que entra directamente para a história do clube encarnado.
Este Barcelona não é o de Messi, Xavi e Iniesta. Esse, treinado por Guardiola, foi uma das melhores equipas de todos os tempos. Este é apenas...um Barcelona. Já não é a melhor equipa do mundo, mas é uma grande equipa, repleta de estrelas (Ter Stegen, Piqué, Busquets, De Jong, Pedri, Depay, Coutinho, Fati etc etc), que mais tarde ou mais cedo (previsivelmente com um treinador melhor, com a recuperação dos lesionados e com mais serenidade e confiança) encontrará o seu rumo, e discutirá o título espanhol como sempre. Foi este Barcelona que, mesmo depois de uma primeira parte em que, por largos momentos, encostou o adversário à sua área, e em que desperdiçou golos cantados, acabou vergado a um enorme Benfica.
Foi isso mesmo que aconteceu: um enorme Benfica, ao nível dos melhores que vimos este século. Uma equipa coesa, solidária, combativa, ultra-confiante, e com momentos de magia. Que ainda se viu penalizada pela arbitragem, sobretudo no lance em que ficou por mostrar o segundo cartão amarelo a Piqué.
Tal como Jorge Jesus (esta época a fazer aquilo que sempre esperei dele), também não consigo destacar um jogador em exibição colectiva tão brilhante. Darwin fez dois golos, mas que dizer da exibição de Rafa, e da segunda parte de João Mário, e da primeira de Lucas Veríssimo, e de Weigl, etc, etc.
A qualificação está longe de estar garantida. Uma dupla derrota com o Bayern e uma dupla vitória do Barça ao Dínamo poderá virar tudo do avesso. Todavia, esta é uma vitória com valor próprio, que já ninguém tira ao Benfica. Sessenta anos depois voltámos a vencer o Barcelona, e de goleada. 
É mesmo verdade?

ONZE PARA O BARÇA


HISTÓRICO DE CONFRONTOS

1961
1991
1992

2006
2006
2012
2012
 
RESUMO:

COM CLASSE


Uma primeira parte muito bem conseguida garantiu a sétima vitória consecutiva ao Benfica, mantendo distâncias para os rivais - numa jornada que, à partida, poderia considerar-se ameaçadora.
Dois golos de Yaremchuk fizeram então a diferença. E se o primeiro período durasse mais uns minutos, é quase certo que os números aumentariam, dado o domínio total encarnado na altura em que se foi para intervalo.
A segunda parte trouxe um Vitória diferente, e um Benfica mais expectante - quiçá confiante de que os três pontos já não fugiam. Foi no contra-ataque que os encarnados criaram então os seus lances de maior perigo, embora o golo da tranquilidade apenas surgisse à entrada do último quarto de hora.
Um penálti indiscutível ainda reduziu distâncias, mas era tarde para o Vitória alimentar veleidades. 
Sete jogos, sete vitórias. Com este registo de entrada, nunca o Benfica perdeu um campeonato (apenas o Sporting cometeu essa "proeza", em 1991). Vale o que vale, mas é óbvio para toda a gente que esta equipa nada tem a ver com os tons cinzentos e tristonhos da época passada. 
Foi-se a pandemia (assim o esperamos), voltou um grande Benfica (idem, idem). Quarta-feira há espaço para sonhar.

SEIS EM SEIS

Desde 1982 que o Benfica não começava um campeonato ganhando os primeiros seis jogos.
As estatísticas valem o que valem, mas estes números dão confiança, e mostram um Benfica muito diferente, para melhor, do que o da época passada.
Darwin parece ter encontrado a posição onde mais rende: a partir do flanco esquerdo, onde tem mais espaço para aplicar a sua velocidade e capacidade de explosão. E o meio-campo, com Weigl e João Mário, está finalmente estabilizado. Por seu lado, Rafa aparece nesta alura em grande forma, afirmando-se como o melhor jogador do campeonato português.
O que ainda falta é Yaremchuk mostrar a veia goleadora que o seu potencial deixa adivinhar, e Everton Cebolinha render, enfim, aquilo que se espera de um jogador da selecção brasileira. Já agora, também Pizzi atingir o seu melhor, pois é jogador para mais do que tem mostrado ultimamente. Na lateral-direita veremos como é Lazaro - parece talentoso, veremos se é consistente.
Segue-se Guimarães, e depois Barcelona na Luz. Semana determinante para se perceber se este Benfica é mesmo um caso sério, tal como começamos a pensar. 

ONZE PARA O BOAVISTA


 

GRANDE?

Em toda a sua história, só em quatro ocasiões o Sporting passou a primeira eliminatória ou fase na Taça/Liga dos Campeões. A saber:

62-63: Eliminou o Shelbourne da Irlanda (foi eliminado logo a seguir pelo Dundee da Escócia);

70-71: Eliminou o Floriana de Malta (foi eliminado logo a seguir pelo Carl Zeiss da RDA);

82-83: Eliminou o Dinamo Zagreb, e a seguir o CSKA Sofia (foi eliminado depois pela Real Sociedad);

08-09: Passou em 2º no grupo de Barcelona, Shakhtar e Basileia (foi eliminado nos oitavos pelo Bayern por 0-5 e 1-7).

É este o registo do Sporting na principal prova de clubes da UEFA. Prova que Benfica e FC Porto venceram duas vezes, em que, além dessas, o Benfica foi a mais cinco finais, e em que, mesmo na última década, várias vezes estiveram nos Quartos-de-Final (FC Porto 3 e Benfica 2 respectivamente).

VAR ACORDOU AOS 93

Por definição, um empate fora de casa na primeira jornada da fase de grupos da Champions nunca é um mau resultado. E se colocarmos a fasquia apenas no terceiro lugar, e consequente apuramento para a Liga Europa (talvez a mais realista das opções), este foi mesmo um excelente resultado, diante de uma equipa que tem sete jogadores na selecção ucraniana - que chegou mais longe do que Portugal no último Europeu.
Porém, cada jogo é um jogo. E se olharmos para o copo meio vazio, concluímos que o Benfica terá perdido uma soberana oportunidade de voltar a triunfar em Kiev, e de se colocar diante do Barcelona (deste Barcelona) como um verdadeiro candidato à passagem aos oitavos.
Na verdade, os encarnados dominaram toda a partida, pelo menos até ao quarto árbitro exibir a placa de descontos. Até aí, praticamente só deu Benfica, a bola poucas vezes chegou à área encarnada, e, pelo contrário, junto da baliza do Dínamo foram várias as ocasiões de perigo - algumas desperdiçadas de forma escandalosa por Rafa, Yaremchuk ou Everton.
Após as substituições (porquê trocar logo três jogadores quando se está por cima?), o gás perdeu-se um pouco. A equipa ucraniana foi equilibrando a partida. Até àqueles momentos finais.
Em face de tudo o que se passou, é-me difícil entender os últimos três minutos. Quem visse apenas esses, pensaria que teria havido ali um massacre. Uma equipa experiente, que quer ter ambições, tem de saber controlar melhor um jogo em que, não podendo ganhar, também não podia perder. Valeu o VAR, mas valeu também, e uma vez mais, Vlachodimos.
É um case study a forma como alguns benfiquistas desconfiam do guarda-redes grego, que é talvez, a par de Rafa, o melhor elemento do plantel encarnado, e dos poucos com verdadeira dimensão internacional. No meu ponto de vista, tal deve-se ao "mau" hábito criado por anos de Oblak e Ederson (poderia também acrescentar o melhor Júlio César), que estão seguramente no top-5 mundial. Ora em nenhuma posição de campo o Benfica tem hoje jogadores dessa dimensão. Comparar Vlachodimos com eles é despropositado e injusto. Seria como comparar Weigl com Canté, ou pretender que Rafa fosse um Mbappé, e exigir-lhe tal. Dentro do panorama dos guarda-redes que o clube encarnado pode ter, o grego é o melhor, e uma garantia de segurança para jogos como este, e como o de...Eindhoven. Aliás, leva três deslocações europeias consecutivas sem sofrer qualquer golo, muito por mérito dele próprio.
A par de Odysseas, também Rafa, e sobretudo Weigl (não por acaso, os dois atrás citados) estiveram em grande plano. Pela negativa destacaria Everton, que tarda em afirmar-se no futebol europeu, com um ritmo e uma intensidade a que não estava (e manifestamente ainda não está) habituado. Não foi por coincidência que no meu onze para este jogo ele era o único que não entrava.
Se no lance final o Benfica tem de agradecer ao VAR, antes, em dois momentos cruciais, este mostrou-se tristemente ausente: num penálti evidente por mão de um jogador ucraniano na área ainda na primeira parte, e no lance da lesão de Rafa, em que o cartão exibido teria de ser de outra cor. Afinal os árbitros portugueses não são assim tão maus, ou pelo menos não são piores do que se vê na UEFA.

ONZE PARA KIEV


 

CINCO EM CINCO

O jogo dos Açores tinha tudo para correr mal: pós pausa para selecções, com jogadores ausentes, várias deslocações entre continentes, fusos horários e partidas com menos de 48 horas de diferença; vésperas de Champions com deslocação longa e desafio que pode vir a ser decisivo; deslocação a ilha para defrontar uma excelente equipa orientada por um treinador conhecido pela forma como consegue bloquear os adversários.
A primeira parte confirmou esse cenário, com um Santa Clara a dominar o meio-campo, e um Benfica sem conseguir soltar-se das amarras criadas por Daniel Ramos. Depois de dois lances de grande perigo junto da baliza de Odysseas (um dos quais resolvido com mais uma grande defesa do grego), os encarnados acabaram por chegar ao golo à beira do intervalo, totalmente contra a corrente do jogo, e praticamente no primeiro remate que fizeram à baliza. Foi um golpe de sorte, mas também de eficácia, com grande mérito para a desmarcação e finalização de Rodrigo Pinho.
Na segunda parte, com a entrada de Rafa, tudo foi diferente. Dois golos de rajada logo a abrir o segundo período catapultaram o Benfica para uma exibição solta e segura, a goleada avolumou-se, e há que dizer que poderia ter sido ainda mais expressiva. Dado o resultado do "clássico" de Alvalade, esta vitória aumentou a vantagem da equipa de Jorge Jesus para quatro pontos. Claro que ainda falta quase tudo, mas é um bom começo - sobretudo tendo em conta que tem sido alicerçado em períodos de bom futebol.
Quanto às queixas do Santa Clara relativamente à arbitragem, há que reconhecer que Daniel Ramos tem razão num ponto: em lance muito parecido, na final da última Taça de Portugal, o Benfica viu o seu guarda-redes expulso. Porém, essa decisão, então sim, foi desajustada. Nos Açores, tanto Rui Costa como o VAR decidiram bem o lance. Não pode haver cartão vermelho quando o avançado não tem a bola dominada, nem está totalmente enquadrado com a baliza. Não pode o simples facto de a falta ser cometida pelo guarda-redes ditar desde logo uma expulsão. Acresce que Vlachodimos ainda toca na bola. É, pois, jogo perigoso, livre e cartão amarelo. Tudo certo. Relativamente ao lance de Diogo Gonçalves na área, as últimas orientações da FIFA para esta temporada são claras: não marcar penaltizinhos. Aliás no jogo de Alvalade houve um lance semelhante e também nada foi assinalado. Que se mantenha o critério.

ALGUMAS NOTAS

EINDHOVEN: Foi o jogo mais importante do Benfica no ano de 2021, e foi também o resultado mais saboroso desde a conquista do último título. Um hino à entrega, à coesão e à solidariedade, que catapultou os jogadores que o interpretaram para as galerias históricas do benfiquismo. Grande momento!

SORTEIO DA FASE DE GRUPOS: Dificilmente poderia ter sido mais duro. As hipóteses de passagem são diminutas, para não dizer inexistentes. Resta lutar pelo terceiro lugar. Mas, enfim, o mais importante era mesmo garantir a presença e o dinheiro. 

LIDERANÇA DO CAMPEONATO: Vale o que vale, e exactamente o que valeu há um ano atrás quando, à quarta jornada, o Benfica também seguia isolado na frente. Nota-se agora, porém, um perfume bem diferente, onde um nome se destaca como elemento charneira do futebol encarnado: João Mário. Não é um Maradona, mas, pelas suas características enquanto jogador, era precisamente a peça que faltava ao Benfica. E com ele em campo tudo parece ser mais simples.

MERCADO: Não diria melhor que o próprio JJ. Ficou a faltar mais um central, a uma equipa que joga com três, todos eles internacionais pelas suas selecções, e dois deles já acima dos trinta. David Luiz seria uma solução demasiado cara para quarta opção, mas havia um mundo de hipóteses entre Ferro e o brasileiro, que poderia e deveria ter sido explorado. Apesar disso, creio que o Benfica continua a dispor do melhor plantel do país (o que, no meu ponto de vista, é uma realidade, ano após ano, pelo menos desde os tempos de Hulk, James e Falcão no FC Porto).

ELEIÇÕES: Rui Costa prometeu, e cumpriu. Eleições convocadas, espera-se que clarificadores e pacificadores de um clube que só tem a ganhar com a união dos seus adeptos. Aliás a transicção de Vieira para o pós-Vieira não poderia estar a correr melhor. E se Rui Costa souber aproveitar a considerável obra estrutural e económica das últimas décadas, e acrescentar-lhe paixão benfiquista e rigor de processos, será o presidente ideal para muitos anos. É altura também para se perceber quem quer de facto o bem do clube, e quem tem apenas agendas próprias mais ou menos mediatizadas.

SELECÇÃO: Cada vez é mais evidente que Portugal joga melhor futebol sem Ronaldo. É verdade que o homem é um extraordinário finalizador, e que ainda decide jogos, mas tacticamente é um estorvo que limita a acção de outras estrelas com muito menos idade e muito mais fulgor (Bernardo Silva, Bruno Fernandes etc). Como ele, CR7, não parece disposto a abandonar em breve, resta-nos esperar que vá vendo alguns cartões amarelos para podermos nós ver a equipa de Fernando Santos libertar-se das amarras e fazer boas exibições de futebol colectivo.

VOLTO JÁ