CR7, A SELECÇÃO E OUTRAS DESILUSÕES

Nada me move contra Cristiano Ronaldo.
Admirei-o como jogador, quando era o melhor (ou, pelo menos, um dos dois melhores) do mundo. Como português, gostava que marcasse golos, quer no Manchester, quer no Real, quer mesmo na Juventus. Na Selecção Nacional, até haver otávios, era um dos meus. E em locais sem grande expressão futebolística como a China, a índia, ou os Estados Unidos, pude comprovar in loco a sua enorme popularidade enquanto português mais conhecido de sempre. Foram, de resto, várias as situações em que, no estrangeiro, ao dizer de onde era, logo vinha o nome de Cristiano Ronaldo à baila. E quando, algumas vezes, em jeito de brincadeira/provocação me perguntavam de seguida se o melhor era Ronaldo ou Messi, invariavelmente respondia, num assomo patriótico, Ronaldo, of course.
Obviamente não conheço CR7 pessoalmente, nunca falei com ele, e tenho o maior respeito por alguém que veio de meios extremamente humildes e chegou ao topo do mundo. Tolero-lhe alguns comportamentos devido a essa trajectória, na qual, na verdade, poucos mortais se podem colocar e garantir que teriam esta ou aquela atitude. Honestamente, não sei como seria eu próprio se tivesse nascido naquele local e contexto e hoje fosse dono de uma das maiores fortunas do país. Chamar-lhe arrogante ou vaidoso é, por isso, extemporâneo, e talvez até injusto.
Dito isto, também é preciso dizer que o seu tempo já lá vai. E que é pena que o próprio pareça ser o único a não o perceber. É sintomático o que se pode ver no gráfico abaixo, com os seus golos por temporada. Foi lamentável, e degradante, o espectáculo de pré-epoca, em que diversos clubes europeus lhe fecharam a porta na cara (coisa que ele, seguramente, não estaria à espera). A verdade é que na Selecção, como nos clubes, Ronaldo tornou-se mais problema do que solução, ao não entender a sua actual medida, condicionando, assim, toda a estratégia das equipas. Aceitasse de bom grado ficar no banco e saltar aos oitenta minutos para resolver alguns jogos mais complicados (Ibrahimovic, no Milan, por exemplo), e ainda seria útil. Acontece que Ronaldo não aceita, nem entende essa condição. Acha que está em 2014, e que ainda é o maior. Isso torna-se complicado para qualquer treinador – menos para Fernando Santos, que manda menos do que ele na equipa nacional, e assim a vai submetendo aos caprichos da sua estrela cadente.
Fora dos relvados, tenho também de lamentar que, alguém com a sua dimensão planetária, com a sua idade, com acesso aos mais sofisticados meios de todo o mundo, e que é capaz de fazer cair a pique as acções de uma marca de bebidas só por afastar o copo numa conferência de imprensa, não tenha uma intervenção social mais activa. Na verdade, nunca lhe ouvi opinião sobre assunto nenhum. Podendo ser importante, limita-se ostensivamente a ser mediático. Exibe joias, penteados e carros, como um puto ignorante e fútil de 19 anos, e fica-se por aí, parecendo não ter mais nada dentro da cabeça. Lamento, pois, que o português mais conhecido de todos os tempos seja, objectivamente, um imbecil – no sentido menos agressivo da palavra.
Com o andar dos anos, a Selecção Nacional tornou-se a selecção de CR7.  Mais recentemente também a de Otávio e a de convocatórias irritantes quase ao nível da provocação. Não só para um benfiquista (veja-se a teimosia de não convocar qualquer jogador do Sporting num lote de 26, onde podiam caber Pote ou Gonçalo Inácio, por exemplo). Já há muito que era a selecção da Nike e de Jorge Mendes. É talvez a selecção de todos menos dos verdadeiros adeptos de futebol que, como eu, acham que se está a desperdiçar uma geração fabulosa de jogadores lusos em nome de caprichos e interesses nem sempre claros, e de um culto a um rei que, salvo seja, já vai nu.
Fui adepto da Selecção Nacional desde criança. Por vezes quase tanto como do Benfica. A pouco e pouco, e acentuadamente desde 2016, fui deixando de sentir essa segunda camisola. Sendo uma representação do meu país, jamais torcerei para que perca. Mas fico-me por aí.
Com os bilhetes oferecidos no Continente, e com o apoio dos Super Dragões, também não precisam de mim, nem de adeptos como eu. Ainda bem. Tira-me peso na consciência.
O que tem isto a ver com Ronaldo? Talvez a correlação seja sobretudo simbólica. Tornaram-se farinha de um mesmo saco, que também está cheio de FPF, Nike, Gestifute, otávios, proenças, arbitragens etc, tudo palavras enjoativas, que, directa ou indirectamente, afastam milhares de adeptos da equipa que deixou de ser de todos nós.
Não deixo de lamentar que, para mim, a Selecção Nacional, tal como Ronaldo, comece a parecer coisa do passado.

NÃO PERDES NADA

Rafa é um craque. E, quanto a mim, um dos mais subvalorizados jogadores do futebol português. Jurgen Klopp, e mais recentemente Mircea Lucescu, sabem do que falam. Como eles, também eu estranho que Rafa se tenha mantido por cá todo este tempo.
Tirando Jonas e Darwin, é para mim o melhor jogador do Benfica dos últimos dez anos. Não sei se é boa ou má pessoa (nunca sequer falei com ele), se é benfiquista de criança ou não (talvez agora já o seja), mas em campo enche-me os olhos e a alma. E para correr como corre, como sempre correu, não pode ser mau profissional. Por vezes até parece reencarnar Chalana, se me perdoam o sacrilégio.
Ficar a trabalhar exclusivamente no Benfica, neste momento da temporada, é um privilégio para Roger Schmidt, e uma alegria para os benfiquistas. 
Desconheço os motivos da decisão, mas a selecção de Fernando Santos, da Nike, de Jorge Mendes e de Cristiano Ronaldo, cada vez me diz menos enquanto adepto. Ao que parece, a Rafa também.
Faço votos para que Portugal ganhe. Mas para mim, neste momento, é mais importante preservar os jogadores do meu clube. Espero que João Mário fique no banco, e se desgaste o menos possível com esta parvoíce de jogos sem sentido a meio de competições importantes.

VENDAVAL

Não seria a primeira vez que uma equipa, com tudo a seu favor, em casa, perante o último classificado, e depois de ter visto os principais rivais perder pontos, sentia a pressão, neste caso também o eventual cansaço, e desperdiçava a ocasião de se distanciar.
O Benfica não deu hipóteses ao azar.
Com um jogo sério, vivo e por vezes empolgante, resolveu o problema com distinção, mantendo a sequência de vitórias que já começa a ser digna de nota. 13 triunfos (19 se somarmos a pré-temporada) não surgem todos por acaso. Vê-se que a equipa respira alegria, confiança, e cada vez mais se afirma como o principal favorito à conquista do título. O onze está estabilizado, os reforços são muito bons (alguns mesmo excelentes), e a onda das bancadas começa a fazer-se sentir.
Estamos ainda na 7ª jornada. De favorito a campeão vai uma longa distância. Basta recordar que na época passada o Benfica também entrou no campeonato com 7 vitórias seguidas, entretanto apurou-se para a Champions, goleou o Barcelona, e já em outubro seguia isolado com 4 pontos de avanço. Depois, perdeu em casa com o Portimonense. Depois...
Agora segue-se uma estúpida pausa para selecções (porque não juntá-la à do Mundial?!?). Veremos como voltam os craques de viagens, diferentes métodos de treino, jogos intensos, esperemos que sem lesões. A seguir vem Guimarães. Mais do que o PSG, talvez essa viagem à cidade berço possa ser o grande e derradeiro teste a este Benfica. Não vai decidir nada, mas até pela barreira psicológica da época passada, pode significar muito. De lembrar que na mesma jornada há um Porto-Braga. 

O RECORD DE ERIKSSON?

2022/23

1982/83
Como se vê, para igualar é necessário bater Marítimo, V.Guimarães e...PSG. Para ultrapassar, será necessário ganhar depois ao Rio Ave. Ai o PSG...
De salientar que a equipa de 82-83 foi campeã nacional, venceu a taça de Portugal, e chegou à final da taça UEFA, sendo considerada uma das melhores, senão a melhor, do pós-Eusébio.

OLÉ BENFICA!

É lugar comum dizer-se que um jogo de futebol teve duas partes distintas. No caso deste Juventus-Benfica, poderia dizer-se que teve quatro.
Até aos vinte minutos, a equipa italiana, embalada pelo golo precoce, pressionou muito, criou perigo, e poderia até ter aumentado a vantagem – com consequências agora difíceis de equacionar. O Benfica sentiu o golpe, e demorou até assentar o seu jogo.
Depois desse choque inicial, a partir dos vinte minutos os encarnados soltaram-se, e com dois ou três lances de ataque, quase sempre saídos do trio Enzo, Rafa, Neres, equilibraram a partida mostrando os dentes ao adversário. Até ao intervalo, com duas oportunidades flagrantes de marcar, já justificavam o empate, que acabaria por surgir numa grande penalidade exemplarmente executada por João Mário. Voltava-se ao ponto de partida.
Após o intervalo o Benfica assumiu por completo o jogo, e partiu para o seu melhor período. Entre os 45 e os 70 minutos, a equipa de Roger Schmidt deu um autêntico recital de futebol de ataque, pressionando alto, conquistando quase todas as segundas bolas, criando oportunidades em série (cinco? seis?), que valeram o golo e a vitória, mas que poderiam ter levado a um resultado (ainda mais) histórico. Temeu-se, na altura, que tanto desperdício pudesse ser penalizado no fim. O risco existiu, mas é também de sorte que se fazem os vencedores.
Com as substituições, a Juventus melhorou (sobretudo com Di Maria), e o Benfica perdeu os seus elementos mais valiosos, mas que eram também os mais desgastados. A diferença de Chiquinho para Neres, e de Diogo Gonçalves para João Mário é acentuada. Mas o momento era já de segurar o jogo e o resultado.
A vitória foi justíssima, e agora basta empatar com a Juve na Luz e ganhar em Israel para que, matematicamente, o apuramento se concretize. Com o PSG, tudo o que vier à rede é peixe.
Toda a gente esperava por um teste de fogo para o Benfica de Schmidt. A Juventus, mesmo em crise, com jogadores como Cuadrado, Bonucci, Paredes, Vlahovic, Milik ou Di Maria, era claramente esse teste. E o Benfica passou com distinção.
Destaques individuais para Enzo Fernandez, Florentino, Rafa, João Mário, Neres e, uma palavra muito especial para António Silva – com um pouco mais de músculo e agressividade pode vir a ser um dos melhores centrais do mundo, na senda de Ruben Dias.
Arbitragem discreta, como se pretende.

ONZE PARA TURIM


 

11 EM 11

Por motivos pessoais, não pude ver o jogo de Famalicão. Foi a primeira vez que tal aconteceu nesta época.
Fui apenas acompanhando tempo e resultado conforme ia sendo possível. Tomei conhecimento do apito final com alívio.
Sei que não foi um grande jogo. Mas entalado entre duas jornadas da Champions, ninguém poderia esperar ópera.
Fico com os números: 11 jogos, 11 vitórias (17/17 se considerarmos a pré-temporada).
Em Turim ficarei satisfeito com um empate.

ONZE PARA FAMALICÃO





























Para Turim: Bah, Neres e Musa por Gilberto, João Mário e Gonçalo Ramos. 

MEIA HORA À BENFICA

Nada como entrar na fase de grupos da Liga dos Campeões com três pontos. Era essa a obrigação, mas uma vez mais, de obrigação em obrigação, o Benfica não falhou. E já vão dez "obrigações" cumpridas.
A primeira parte foi fraca. O Maccabi tem muita força mas pouco jeito. Fechou-se, tentou dificultar, mas não criou qualquer perigo. Após breves minutos de atrevimento, não mais passou do meio-campo. Deu também mostras de ser permeável, e ficou claro que se o Benfica acelerasse mais o jogo, rapidamente conseguiria criar as situações de golo que não estavam a aparecer.
A sensação que dá é que, ao longo dos primeiros quarenta e cinco minutos, o Benfica respeitou demasiado um adversário que não merecia tanta cerimónia. Roger Schmidt percebeu-o, e a segunda parte foi diferente.
Gonçalo Ramos, totalmente desinspirado, sem capacidade de jogar de costas ou vencer duelos individuais (e já amarelado) foi substituído por Musa - que, não sendo um primor de técnica, luta muito, tem corpo, e vai perturbando a linha defensiva adversária.
Sempre com Enzo Fernandez a pautar o jogo, Rafa libertou-se, e o Benfica tornou-se mais rápido e incisivo. Apareceram os golos: primeiro numa boa combinação colectiva, depois num pontapé fenomenal de Grimaldo. Com 2-0 a vitória estava entregue.
Mais dois lances de Rafa a lembrar Chalana, e uma bola no poste rematada por Enzo (novamente com participação de Musa) foi tudo o que o jogo deu até final.
O calendário é denso, e Schmidt decidiu tirar Rafa e João Mário (a par de Grimaldo, os melhores em campo, com destaque ainda para o jovem António Silva, perto da perfeição, e a assumir o posto como um veterano). Os três pontos estavam garantidos, sendo até possível testar um novo sistema, com meio-campo a três, porventura já a pensar na Juventus. Aproveito para dizer que Aursnes me parece jogador para, mais jogo menos jogo, entrar no onze para ficar.
Agora, venha a 11ª vitória.

PS: Ainda não percebi porque motivo o pessoal das claques embirra com as lanternas dos telemóveis. Por mim, que por acaso nunca a acendi, nem desgosto do efeito. Respeito quem não goste. Mas não entendo, nem aceito, que se gritem cânticos insultuosos de benfiquistas para outros benfiquistas, só porque acendem as lanternas e têm outra forma de ver e desfrutar do futebol. Se apenas houvesse claques, em vez de 55 mil estavam lá ...2 mil. O Benfica é maior, muito maior, do que qualquer claque, por mais que esta se ache dona do clube. Caramba! Isto não é o Sporting!

DIFERENÇAS

Números dos clubes portugueses na Taça/Liga dos Campeões:

AO ATAQUE

 5ª Jornada:

BENFICA (futebol ofensivo) : 18 cartões amarelos e 3 vermelhos

FC PORTO (futebol agressivo) : 8 cartões amarelos e 0 vermelhos (equipa menos admoestada da Liga)

SERENIDADE

O quadro acima mostra os resultados obtidos pelo Benfica no início das últimas quatro temporadas, ou seja, desde que foi campeão pela última vez. Com excepção da derrota em Salónica, no dia 15/9/2020, os percursos são quase imaculados. Na temporada Covid a calendarização foi diferente, mas na época passada, por exemplo, só em Outubro chegou o primeiro mau resultado (derrota em casa com o Portimonense), imediatamente depois de uma goleada ao...Barcelona.
A memória da comunicação social é curta, e como o Benfica vende, rapidamente transformam o pão em rosas.
Estou feliz pelo início de época vitorioso. Acontece que, há um ano atrás...também estava.
Ainda falta tudo. E o Benfica tem de jogar mais e ser mais sólido para poder vencer as adversidades que, dentro e fora do campo, lhe irão ser colocadas semana a semana.
Dito isto, encha-se o estádio, e vamos a mais uma vitória.

PIADA DE MAU GOSTO

Podia haver muito para dizer desta vitória do Benfica. Que foi sofrida e muito saborosa. Também que foi melhor do que a exibição. Podia dizer-se que a equipa encarnada parece cansada e algo previsível. E que a noite andou perto do abismo. Ainda que o campeonato português é uma lástima, recheado como está de equipas formatadas para o anti-jogo, representando clubes sem expressão popular, social, demográfica, desportiva ou economica, coisa que só se resolvia com uma drástica redução, enviando toda esta gente para o seu devido lugar : a segunda divisão. 

Porém, nada me parece mais importante, ou mais preocupante, do que denunciar o assalto que, sobretudo o VAR, António Nobre de seu nome, praticou esta noite. Felizmente sem dano.

É nas vitórias que se deve denunciar estas situações, que lemram tudo o que se viu ao longo da temporada passada. Também porque é nestes momentos que se consegue agregar o universo benfiquista na denúncia. Quando se perde é mais difícil.

O lance de Gonçalo Ramos é, como disse Schmidt, uma piada. De mau gosto. Até percebo que, em campo, o árbitro seja induzido em erro. Mas o VAR??!!!?? Enfim, faltam-me palavras para definir aquilo. O que sei é que me deixou profundamente preocupado para o futuro. Tal como os 7 amarelos e 2 vermelhos a uma equipa que fez 9 faltas e passou o tempo todo a atacar 

Era oportuno Rui Costa falar. Ser a voz da indignação do povo benfiquista perante o que, incrédulo, foi obrigado a ver. Depois, pode ser tarde. 

Mesmo com os três pontos, não irei dormir descansado. 


NÃO MEXE MAIS

...e só o futuro dirá o que ficou a faltar e o que ficou a sobrar.

NADA MAL

Ao que parece, será este o plantel definitivo.
Não está mal, embora continue a achar a equipa, globalmente, macia e com menos músculo do que seria desejável. Ainda assim com um acréscimo de qualidade evidente.
Espera-se a todo o momento a confirmação das saídas de André Almeida (rescisão amigável) e Meité (Cremonese).
Em relação à época passada, não estarão pois: Svilar, Lázaro, Vertonghen, Tomás Araújo, Kalaica, André Almeida, Sandro Cruz, Weigl, Meité, Taarabt, Gabriel, Pizzi, Radonjic, Everton, Seferovic, Yaremchuk, Darwin e Tiago Gouveia. Ferro, Gedson, Vinicius e Waldschmidt ainda haviam começado a temporada, pelo que estamos a falar de um total de 22 jogadores. Uma verdadeira revolução, que era imperioso fazer. E podiam ter saído também Helton, Gil Dias, Diogo Gonçalves, Chiquinho e Rodrigo Pinho. Mas...não se pode ter tudo.
Creio que o plantel está mais forte, mais jovem, mais português, mais equilibrado e mais coeso. Falta saber que correspondência isso terá em títulos.

MERCADO A FECHAR - actualização

DRAXLER - Se estiver em boas condições físicas pode vir a ser o melhor jogador do campeonato. É um craque, que só mesmo no PSG (com Messi, Mbappé e Neymar) podia ficar no banco. Parece-me um excelente negócio, até porque sendo alemão terá integração facilitada por Roger Schmidt. Além de que o PSG assegura parte substancial do ordenado. Resta saber como está a sua condição física depois da grave lesão que teve. É esse o meu único receio.

ODYSSEAS - Boa notícia ter ficado. Embora a alternativa Keylor Navas fosse apetitosa, talvez por esta se ter tornado inviável Rui Costa não quis arriscar. E bem. O problema do Benfica não está, nem esteve, na baliza. Substituir Vlachomidos por Navas, seria excelente. Substituir Vlachodimos, neste momento, por não se sabe quem, podia ser trágico.

VERTONGHEN - Tivesse a lesão de Morato acontecido uma semana antes, e Vertonghen ficava no plantel. Mas ninguém pode antecipar lesões, e percebe-se que a cabeça do jogador já estivesse noutro sítio. Nem era ético querer dispensá-lo, e agora, à última hora, voltar atrás e querer que ficasse para tapar um buraco de dois meses. É um profissional, um ser humano, que sempre se deu ao respeito e merece ser respeitado. Que tenha sorte na Bélgica.

MORATO - É de facto uma lástima que no melhor momento da sua carreira, quando se estava a afirmar, tenha de parar por dois meses. Temo que possa até nunca mais vir a ser titular do Benfica, se entretanto Lucas Veríssimo voltar, ou se António Silva se consolidar no onze. Confesso que esta temporada estava a gostar bastante dele. Pela primeira vez.

RUBEN VEZO - É barato, português, e para ficar no banco durante seis ou sete jogos talvez chegue. Se ainda se arranjar melhor, óptimo.

ANDRÉ ALMEIDA E TAARABT - Fala-se em rescisões amigáveis. Espero que se concretizem.

MEITÉ - Fala-se no Cremonese. Espero que se concretize.

MERCADO A FECHAR

Já estou conformado com o facto de não entrar mais ninguém. Tenho pena de Ricardo Horta, pelo atleta. Mas Salvador não merece outra coisa que não ficar com o negócio a arder-lhe nas mãos.
Ainda espero é que o plantel possa ser emagrecido, em número e em massa salarial.
Seguem-se onze casos (uma equipa completa) de jogadores que preferia ver longe da Luz. Já não vou falar de Grimaldo, pois não há tempo para encontrar alternativas.
WEIGL - Penso que acabará por sair, só não se sabendo para onde. Aufere salário demasiado elevado para o seu valor real - que no Benfica nunca passou da mediania, e para mediano prefiro o Florentino, que ganha (muito) menos, e joga pelo menos o mesmo.
ANDRÉ ALMEIDA - Pelo seu passado no clube pagava-lhe o resto do contrato, rescindia e deixava-o ir à sua vida. Manter-se não é bom para o Benfica nem para a imagem que o próprio jogador deixa, ele que, apesar de tudo, conquistou vários títulos na casa. Além de que existem boas opções para o lugar (Gilberto e Bah).
VERTONGHEN - Salário altíssimo para terceira, quarta, quinta ou sexta opção (quando regressarem os dois brasileiros e António Silva se afirmar). Parece ser um bom profissional, e também merece saída digna. Mas desportivamente está lento e acabado. Cedência, ou rescisão com acordo, para encontrar um local (Brugge?) onde ainda possa sonhar com a presença no Mundial. Termina contrato no fim da época, pelo que talvez não seja difícil haver entendimento.
TAARABT - Já não está com o plantel, mas ainda recebe bom salário. Médio Oriente? Turquia? Ceder a custo zero, ou mesmo abaixo de zero.
MEITÉ - Fala-se da Cremonese. Será que lhe querem pagar o salário que aufere na Luz? Se não, emprestar para qualquer lado, nem que seja a poupar apenas parte do ordenado.
GIL DIAS - É português, abnegado, benfiquista desde criança, e ganha pouco. Não é um craque, mas não faz mal nenhum ao plantel, ficando entre o banco e a bancada. Pode ser que até marque outro golo ao Sporting...
CHIQUINHO - Não sei se é benfiquista, e não me parece tão abnegado como Gil Dias, mas também é português e não ganhará muito. A qualidade futebolística é a mesma ou pior. Enfim, se Schmidt gosta dele, também não me faz comichão que permaneça.
DIOGO GONÇALVES - Em relação aos dois anteriores tem a vantagem de ser da formação do Seixal (e, já agora, de ser alentejano...). Ainda assim não aprecio o estilo, e a vez que o vi jogar com mais alegria foi na Luz mas...pelo Famalicão. De vez em quando marca uns golos bonitos. Aceito que fique.
PAULO BERNARDO - Este parece-me de segurar, embora ache melhor emprestá-lo (não sei ainda muito bem como funciona o limite de empréstimos, nem se pode ser emprestado via equipa B). Vai jogar pouco, e precisa de evoluir, ganhar ritmo e músculo, jogando todas as semanas, preferencialmente na Liga Portuguesa.
RODRIGO PINHO - Com a saída de Yaremchuk, talvez não seja má ideia mantê-lo. Tem alguma qualidade técnica (creio que até mais do que Musa). Falta-lhe nervo, intensidade (trabalho?) e aos 32 anos não vai passar daquilo. Mas em caso de lesões pode vir a ser útil.
HELTON LEITE - Dizem muito bem de Kovacevic. Mas, por mim, Odysseas renovava por mais cinco anos, pois vejo-o como um esteio da equipa. Se Kovacevic é mesmo bom, pois que venha, mas então que saia Helton. Ou então que fique tudo como está na baliza, pois o Benfica tem bons guarda-redes na formação, que podem assegurar o médio-longo prazo.

Em suma, é imperioso que saiam Weigl, André Almeida, Vertonghen, Taarabt e Meité.
Quanto aos outros, se saíssem não se perdia nada, mas aceito que possam ficar a fazer número.
Custa-me falar assim de jogadores do Benfica. As últimas épocas deixaram-me fortemente magoado com os plantéis (ou parte deles), e julgo que quanto mais profunda a limpeza, mais perto se estará das vitórias.

SORRISO AMARELO

Com razão ou sem ela, com mais ou menos optimismo, a verdade é que têm sido criadas grandes expectativas face ao Benfica de Roger Schmidt. E os rivais também fizeram a sua parte, perdendo pontos inesperadamente nesta última jornada, permitindo aos encarnados jogarem para a liderança isolada e beneficiarem de um enorme entusiasmo em seu redor, próprio de quem espera ardentemente por dias melhores do que os que passou ao longo dos últimos três anos.
Numa terça-feira à noite, a Luz estava cheia.
Não sei se devido a essas altas expectativas (um homem não é de ferro...) a verdade é que saí do estádio algo desapontado. Feliz (aliviado?) com a vitória e com a liderança, mas preocupado com as debilidades que a equipa deixou perceber, e que com outros adversários poderão ser fatais - de resto, com este já foi o que foi.
No ataque a coisa não vai mal. O Benfica marcou três, mais dois anulados, e poderiam ter feito outros tantos. É preciso melhorar a eficácia, mas isso acredito que possa vir a acontecer num futuro próximo.
O problema é quando perde a bola.
O meio-campo é macio, os alas não defendem, os laterais são demasiado ofensivos , e a equipa fica partida (numa espécie de 2-4-4 audaz mas porventura romântico). Logo, as transicções defensivas são de susto. E qualquer Casa Pia ou Paços de Ferreira consegue criar perigo, uma, e outra, e outra vez, com passes feitos a meio-campo, com liberdade, a isolar alas que entram entre lateral e central como faca em manteiga num dia de verão.
O Paços ainda não tinha marcado qualquer golo no campeonato. Marcou dois! E aquele lance aos 95 minutos gelou o estádio.
Na maioria das vezes os avançados destas equipas acabam por se atrapalhar e perder os timings, a bola, ou atirar para fora. Quando se tratar de Mbappe, ou Vlahovic (ou mesmo Taremi ou Pote), a coisa vai piar fino. Aí, temo o pior.
Posso estar a ser demasiado pessimista. Na verdade o Benfica está numa série condensada de jogos, e não pode impor o mesmo ritmo nem a mesma agressividade de três em três dias. Falta ver o que Aursnes trará àquele meio-campo.
Enfim, veremos. Para já espera-se nova vitória em casa, diante do Vizela, e pressão acrescida sobre os rivais. O Sporting, por exemplo, poderá entrar na Amoreira, na sexta-feira à noite, com 11 pontos (!!!) de desvantagem. Não mata mas mói.
Seja como e onde for: Viva o Benfica!

FALTAM 3 DIAS

Mais do que contratar (e Ricardo Horta parece cada vez mais longe), o Benfica tem de acelerar as dispensas. Pelo emagrecimento do plantel e da folha salarial.
Há que colocar/dispensar/vender: André Almeida, Vertonghen, Gil Dias, Weigl, Meité, Taarabt, Chiquinho e Rodrigo Pinho.


A VOAR

Faltam ainda os grandes testes (PSG, Juventus, sobretudo FC Porto e Sporting, talvez também Braga), mas não se poderá dizer que a partida do Bessa estaria destinada a ser um mero desfile de camisolas vermelhas.
O Boavista é uma boa equipa, muito combativa, e Petit é um treinador competente e conhecedor do Benfica. O Bessa é um estádio difícil onde há algum tempo os encarnados não venciam. Foi lá que começou a debacle do primeiro ano do regresso de Jorge Jesus.
Pois desta vez as dificuldades foram ultrapassadas com distinção. Nem gostei muito dos primeiros minutos, mas a partir do golo, com o Boavista obrigado a abrir um pouco as suas linhas, o Benfica saltou para mais uma vitória folgada e uma exibição convincente. Destacaria o "capitão" João Mário, mas também gostei bastante da entrada de Musa.
Não quero entusiasmar-me demasiado. Na época passada, só em Outubro o Benfica perdeu os primeiros pontos, quando comandava isolado com quatro de vantagem e acabara de golear o Barcelona para a Liga dos Campeões. E só em Dezembro verdadeiramente caiu a pique.
Aliás, nas últimas duas épocas, os encarnados entraram com 5 e 7 vitórias consecutivas respectivamente. Sabe-se como acabaram.
Falta tudo, e como diz Roger Schmidt, e como diria João Pinto...só no fim da época se verá, de facto, quem é a melhor equipa portuguesa. Mas que isto está a saber bem, lá isso está.

RECORDE OS JOGOS COM O PSG

2007
 

2011


2013

RECORDE OS JOGOS COM A JUVENTUS

1968
 
1993


2014

ADVERSÁRIOS COM HISTÓRIA

PARIS SAINT-GERMAIN
Histórico com Benfica:


JUVENTUS TURIM
Histórico com Benfica:


 MACCABI HAIFA
Nunca jogou com o Benfica. Mas, atenção: em Israel, os encarnados perderam sempre.

PODIA TER SIDO PIOR...

Confesso que, nos sorteios da fase de grupos da Champions, a minha maior preocupação vai sempre para o pote 4. Um pote 4 adocicado permite conquistar pontos e, em condições normais, pelo menos seguir pela Liga Europa adentro. O resto se vê depois.
Nesse ponto de vista, o Benfica não se poderá queixar.
Podia, porém, ter tido um pouco mais de sorte nos restantes potes. Sobretudo no 1, de onde o Sporting apanhou o Frankfurt, e o contraste é óbvio. Ainda assim, acho que a Juventus, mesmo com Pogba, Chiesa, Di Maria e Vlahovic, com sorte e inspiração não é totalmente inultrapassável. Já perante o PSG de Messi, Neymar e Mbappé o único objectivo será evitar grandes goleadas.
Os rivais de Lisboa e Porto foram bastante mais bafejados pela sorte. O FC Porto dificilmente não avançará para os Oitavos (enfim, também partiu do pote 1), bastando-lhe para tal ultrapassar os acessíveis Leverkusen e Brugges (duvido que encha sequer o estádio). O Sporting, não fosse o Marselha (um dos indesejáveis do último pote), teria tido um verdadeiro jackpot, com os potes 1 e 2 altamente favoráveis (sobretudo o 1).
Está feito, está feito. Agora é jogar, e sonhar com uma campanha parecida com a do ano passado.

SEMÁFORO EUROPEU

GRUPO CÉU: Ajax, Leipzig e M.Haifa
GRUPO INFERNO: Bayern, Liverpool e Rangers

O QUE FALTA

CONTRATAÇÕES: Ricardo Horta, Orellano ou um sucedâneo
DISPENSAS, VENDAS, COLOCAÇÕES: André Almeida, Vertonghen, Weigl, Taarabt e Meité 

 

SEMPRE A GANHAR

 

FESTIVAL

Não passava pela cabeça de ninguém que, depois de vencer fora de casa por 0-2, o Benfica desperdiçasse a oportunidade de selar o apuramento para a fase de grupos da Champions League.
Por via das dúvidas, os encarnados não facilitaram. Mesmo nada.
Entrada de rompante e exibição de luxo ao longo de toda a primeira parte, não só confirmaram o apuramento, como deixaram água na boca dos adeptos para o que resta de temporada - e que é quase tudo.
Os reforços são mesmo...reforços. David Neres e Enzo Fernandez cotaram-se como os melhores em campo, sendo eles (a par de um grande Rafa) as figuras cimeiras deste Benfica de cara lavada.
O modelo de jogo de Roger Schmidt - inteligentemente trabalhado com um onze base desde cedo  definido - é de facto empolgante. E contra adversários de valor, digamos, moderado, é também altamente eficaz. Resta saber se as transicções defensivas, muitas vezes no limite do risco, muitas vezes a causar calafrios, serão suficientemente sólidas para enfrentar equipas mais fortes. Estou a pensar no FC Porto, no Sporting, e nos prováveis adversários da Champions.
É aí que residem as minhas dúvidas sobre o real valor desta equipa de Schmidt, sendo que, até agora, o percurso tem sido imaculado, e o desempenho acima de todas as expectativas.
Que este Benfica vai muitas vezes golear e dar espectáculo, parece-me óbvio. Não sei é se, por exemplo, no Estádio do Dragão, será capaz de vencer por 0-1 na raça e no rigor, ou não evitará uma derrota 3-2 ou 4-2 depois de uma partida fantástica elogiada pela crítica. E isso, na Liga Portuguesa, pode fazer toda a diferença.
PS: Uma palavra para a equipa do Dínamo, que disputou esta qualificação em condições extremamente difíceis, e com enorme dignidade. Ficaram pelo caminho no futebol, mas espero que, naquilo que certamente mais lhes importa, venham um dia a ser bem sucedidos.

LINDO!

 


AO MEU ÍDOLO


Na margem esquerda da vida nasceu. Foi na ala esquerda do campo que brilhou.
Fintou adversários. Também  adversidades. 
Foi um mago, uma luz, um trovão. Jogava enormidades. 
Valeu milhões. 
Fernando era alegria em movimento, era poema em calções.
Um pequeno gigante de talento. Um enorme coração de humildade. Um oceano de génio. 
Chamava-se mito, lenda e eternidade. Chamava-se Benfica como Eusébio.
Não partiste, pois não? Pergunta o povo emocionado. Pois Chalana não morre. Fica para sempre do nosso lado. 

NOTA: A foto é do primeiro jogo que vi ao vivo do Benfica, do primeiro golo que festejei no Estádio da Luz, e que foi também o primeiro golo que Chalana marcou na Luz para as competições europeias. 3 de setembro de 1980, Benfica-Altay Izmir


PONTO DE SITUAÇÃO (actualizado)

Confesso que gostava de, neste momento, já ver as coisas mais definidas. Mas o mercado é o que se sabe, só fecha no fim de agosto, e muitas das indefinições, como pedras de dominó, dependem de terceiros - nomeadamente os jogadores a vender (Weigl, eventualmente Odysseas, eventualmente Grimaldo, eventualmente Gonçalo Ramos).
Terminada a pré-temporada, vistos os jogadores, vou dizer novamente aquilo que eu queria:
- Manter Odysseas, pois acho que é um guarda-redes ao nível do Benfica. Não é Ederson nem Oblak, assim como Rafa não é Mbappé e Gonçalo Ramos não é Lewandowski. Infelizmente o Benfica não pode ter os melhores do mundo em cada posição, e o guardião grego está entre aqueles que podemos ter. Dificilmente se encontrará melhor pelo mesmo salário;
- Se Morato continuar, com João Victor, a esperada recuperação de Lucas Veríssimo, e o potencial de António Silva, parece-me que Vertonghen torna-se demasiado caro para ficar no banco. Gostava que se encontrasse uma solução para o belga, de forma a sair dignamente de um clube que representou dignamente;
- Grimaldo tem virtudes e defeitos. Acontece que os defeitos permanecem patentes, e no contexto táctico do Benfica (alas pouco dados a marcação, trincos suaves, etc) tornam-se demasiado penalizadores para a solidez defensiva da equipa. Acaba contrato no fim da temporada, talvez tenha algum mercado, e por mim resolvia-se o problema contratando um outro lateral - forte, robusto, sólido e rigoroso tacticamente;
- Weigl é claramente para vender. Tem um salário elevadíssimo, tem mercado na Alemanha, e não é o jogador de que o Benfica precisa para a posição (demasiado suave, pouco móvel, errante nas coberturas, fraco no jogo aéreo etc). Venha de lá esse Aursnes (não sei o que vale, mas não será pior, e fica certamente mais em conta na folha salarial);
- André Almeida e Meité estão a mais no plantel. Um porque já passou o seu tempo, o outro porque não se afirmou e duvido que venha a fazê-lo. Quanto a Chiquinho, Diogo Gonçalves e Gil Dias, as suas presenças dependem de outras saídas ou entradas (Ricardo Horta? Lateral-Esquerdo?);
- Martim Neto, Paulo Bernardo e Diego Moreira são todos para agarrar. Mas talvez seja melhor para algum ou alguns deles, no imediato, rodar noutra equipa. O espaço no plantel também depende daquilo que acontecer no mercado (atenção que Martim termina o contrato no fim da época, e o seu empresário não é de fiar);
- Perante uma boa proposta (sempre acima de 40M) não me chocava vender Gonçalo Ramos. Schmidt quer jogar preferencialmente com um ponta-de-lança, e neste momento tem cinco. Acredito mais em Henrique Araújo do que no jovem algarvio - do qual, francamente, não sou super-fã;
- Entre Musa e Rodrigo Pinho emprestava um. Um ou outro será terceira (ou quarta...) opção. Não desgosto deles, mas não há espaço para todos.
Em suma, saíam mais 12 jogadores: André Almeida, Vertonghen, Grimaldo, Gil Dias, Weigl, Meité, Chiquinho, Diogo Gonçalves, Gonçalo Ramos, Rodrigo Pinho, e ainda Taarabt e Gabriel que já estão separados da equipa. E entrava um lateral-esquerdo forte e sólido, Aursnes e Ricardo Horta.

O plantel definitivo, com 25 elementos, seria: Vlachodimos, Helton e Samuel Soares / Bah, Otamendi, João Victor, (lateral-esquerdo), Gilberto, Morato, Lucas Veríssimo, António Silva e Ristic / (Aursnes), Enzo, João Mário, Florentino, Paulo Bernardo e Martim Neto / Henrique, Yaremchuk, Musa, Rafa, Neres, (Ricardo Horta) e Moreira.

OS AMIGÁVEIS DESTE SÉCULO


GOLEADORES:

NADA COMO VENCER

Em primeiro lugar queria saudar o regresso da Eusébio Cup.
Foi uma excelente ideia replicar no Benfica a tradição de grandes clubes como Real Madrid, Barcelona ou Bayern, criando um troféu de pré-época e convidando nomes sonantes do futebol internacional para o abrilhantar. Infelizmente, por motivos que me escapam, perdeu-se durante alguns anos. Depois veio a pandemia. Em boa hora regressa, com a dignidade que o seu nome merece. Espero que seja para ficar.
Desportivamente, valha o troféu o que valer, era importante que o Benfica mantivesse a rota triunfante desta pré-temporada. As vitórias, mesmo a feijões, dão confiança e estabilidade ao grupo de trabalho, estimulam o entusiasmo dos adeptos - o que faz encher o estádio, vender cativos e merchandising, chamar novos sócios etc - e,...silenciam críticas destrutivas da comunicação social hostil e dos pseudo-adeptos mais barulhentos.
Em caso de derrota, começava já o folclore de devastação, dos anti-benfiquistas, e daqueles que se dizem benfiquistas mas querem não sei bem o quê que já não existe e não mais existirá. Porque o plantel é muito grande, porque não se dispensa este, aquele e o outro, porque não se contrata aqui, ali e acolá, porque Grimaldo isto, porque Vlachodimos aquilo, etc, etc, prova da grande dimensão, para o bem e para o mal, do clube, mas também dos novos tempos em que um discurso de taberna, via redes sociais e afins, se torna preocupantemente dominante -  no futebol e não só. 
Dito isto, não acrescentaria muito mais ao que o próprio Roger Schmidt referiu no fim do jogo: houve coisas boas, mas também algumas a melhorar.
A minha maior preocupação é que as coisas que carecem de melhoria (e neste caso ofereceram dois golos ao adversário) são as mesmas de anos anteriores, com os resultados que se conhecem: défice na transição defensiva, e permeabilidade no eixo central-trinco-lateral esquerdo.
Acredito que o Midtjylland não as consiga aproveitar devidamente, e que o Benfica passe com alguma tranquilidade aos playoffs. E acredito que, então, com mais tempo de trabalho, já se possa ver outra solidez defensiva na equipa. 
Individualmente destacaria Rafa (parece firmemente apostado em estar no Mundial), Enzo (com classe e ritmo acima dos companheiros), Gilberto (a querer agarrar o lugar com os dentes) e Henrique Araújo (no qual deposito esperanças de vir a ser, em breve, o grande goleador do Benfica). Gostei do golo de Grimaldo, o que não me faz mudar de ideias quanto à necessidade de um lateral mais forte, sólido e rigoroso no plano defensivo. Quanto a Florentino, embora mais rápido e móvel do que Weigl, demonstra a mesma suavidade numa posição onde se precisava de um gorila. Gostei de ver Gonçalo Ramos marcar, apesar de não ser o seu maior fã, e continuar a preferir Henrique Araújo para o lugar (mais incisivo, mais matador).
Acabaram os testes. Vai começar a época a sério, e então veremos o que vale afinal o novo Benfica de Roger Schmidt.
HISTÓRICO DA EUSÉBIO CUP:


O QUE FALTA FAZER

DISPENSAS (16):
- Concluir a venda de Pizzi para o Dubai;
- Acordar rescisão de André Almeida, Vertonghen, Meité, Taarabt, Gabriel, Chiquinho e Rodrigo Pinho;
- Vender Grimaldo, Weigl e Yaremchuk;
- Emprestar Kokubo, Gil Dias, Diogo Gonçalves e Musa;
- Colocar André Gomes na equipa B.

CONTRATAÇÕES (4):
- Lateral esquerdo forte e sólido (?);
- Trinco robusto (Sangaré? Aursnes?);
- Avançado móvel capaz de jogar pelas alas (Ricardo Horta?);
- Ponta-de-lança matador (?).

PLANTEL (27):
GR - Vlachodimos, Helton Leite e Samuel Soares;
DF- Bah, Otamendi, João Victor, (contratação), Gilberto, Morato, António Silva, Tomás Araújo, Ristic e Lucas Veríssimo;
MD- (contratação), Enzo Fernandez, João Mário, Florentino, Martim Neto, Tiago Gouveia e Paulo Bernardo;
AV- Rafa, (contratação), Neres, (Ricardo Horta), Gonçalo Ramos, Henrique Araújo e Diego Moreira.


MUITO OBRIGADO A AMBOS!

Por motivos que desconheço, Pizzi , sensivelmente desde a fase final do período-Lage, tornou-se um mal-amado no Benfica. Terá tido culpas próprias, mas também alguma incompreensão dos adeptos.
Por mim, prefiro ficar com os números. O médio transmontano marcou mais golos de águia ao peito do que João Pinto, Magnusson, Diamantino, Simões, Isaías, Mitroglou, Chalana, Paneira, Gaitán, Saviola, Filipovic, Mantorras, Valdo ou Rui Costa, só para dar alguns exemplos de grandes ídolos do benfiquismo. Ganhou também mais títulos do que alguns dos mencionados. Foi capitão inúmeras vezes. E pedra angular nas últimas conquistas do clube.
Do pouco que o conheci, pareceu-me também uma pessoa afável e educada (aparentemente até dos mais simpáticos e acessíveis jogadores do plantel). Não o imagino como terrorista de balneário.
A mim, deixa saudades, embora entenda o fim de ciclo - ao qual nem Eusébio escapou.
Desejo-lhe a melhor sorte do mundo como pessoa e como profissional. A história não irá mentir.

Seferovic foi um jogador de altos e baixos. Altos muito altos, como na temporada em que se sagrou melhor marcador do campeonato e foi um dos pilares do último título encarnado, com golos extraordinários de verdadeiro ponta-de-lança; ou como no último Europeu em que foi um dos avançados em maior destaque. Baixos muito baixos, com falhanços inacreditáveis em frente das balizas, e, sobretudo, eclipsando-se por completo, quer na segunda metade da primeira época na Luz (ainda com Rui Vitória), quer em quase toda a última (com Jesus e Veríssimo).
Ficou sempre a ideia de que tinha condições físicas e técnicas para mostrar maior regularidade e maior preponderância. Mas, se fosse o caso, talvez há muito que já não estivesse em Portugal. 
Gosto de goleadores, e apreciava bastante o modo de jogar do suíço. As suas movimentações, a sua elegância em campo, e sobretudo os golos. Não sei se treinava bem, se treinava mal, pelo que não faço ideia dos motivos das profundas oscilações de rendimento. E compreendo que um dos mais elevados salários do plantel não pode ser desperdiçado no banco de suplentes.
Na hora do adeus, fico com os altos. Com 2019. Com os fantásticos golos que foi capaz de marcar (inclusivamente a Sporting e FC Porto), e que o colocam, em números, à frente de  Mitroglou, Saviola, Filipovic, Lima, Rodrigo, Darwin, César Brito, Vata, Yuran, Jimenez ou Mantorras, para falar apenas de pontas-de-lança.
Obrigado e Boa Sorte!

O PLANTEL (QUASE) DEFINITIVO

GUARDA-REDES (3): Valchodimos, Helton Leite e Samuel Soares
LATERAIS-DIREITOS (2): Bah e Gilberto
CENTRAIS (5+1): Otamendi, João Victor, Vertonghen, Morato, António Silva e Lucas Veríssimo
LATERAIS-ESQUERDOS (2): Grimaldo (ou contratação) e Ristic
MÉDIOS (6): Florentino, Enzo Fernandez, João Mário, Weigl (ou contratação), Martim Neto e Paulo Bernardo
ALAS (4): Rafa, Neres, Diego Moreira e Tiago Gouveia
AVANÇADOS (4): Gonçalo Ramos, Henrique Araújo, Yaremchuk e Musa

Equipa B: André Gomes
Emprestar: Kokubo, Tomás Araújo, Gil Dias, Chiquinho e Diogo Gonçalves
Vender/dispensar: André Almeida, Meité, Taarabt, Pizzi, Gabriel e Rodrigo Pinho; eventualmente Grimaldo e Weigl
Saídas confirmadas: Svilar, Lazaro, Ferro, Everton, Radonjc, Darwin e, quase, Seferovic 

NÃO FOI MAU

...penso que o pior vem a seguir, no Playoff (Monaco? PSV? Fenerbahce de Jesus?). Mas há que pensar numa coisa de cada vez.
 

A FESTA DO GOLO

A pré-temporada vale o que vale. Lembro-me de algumas muito boas que antecederam épocas sofríveis (desde logo as três últimas), e também do contrário (por exemplo, em 2014 com seis derrotas em oito jogos, e em 2015, com três derrotas e dois empates em cinco partidas). Ainda assim, continuo a acreditar que é melhor ganhar do que perder, mesmo nos jogos a feijões. 
O Torneio do Algarve mostrou um Benfica solto, confiante, pressionante e goleador. Deu boas indicações sobre alguns dos reforços (Bah, Enzo e Neres). E permitiu erguer uma taça, que é sempre uma excelente forma de começar.
O modelo de Roger Schmidt parece mais ou menos definido. Linha de quatro defesas, duplo-pivot, dois extremos, e um segundo avançado no apoio ao ponta-de-lança. Uma espécie de 4-2-3-1, bastante flexível.
Tendo em conta esse modelo, destaco desde já alguns pontos que me parecem carecer de definição:
1- Creio que Grimaldo acabará por sair, Ristic não se mostrou (não sei o que vale), pelo que a posição de lateral-esquerdo permanece, até ver, em aberto, sendo que Gil Dias, pelo esforço, pelo dinamismo, deu boas indicações quanto à possibilidade de se manter no plantel como alternativa de segundo plano. 
2- Ainda não estou convencido de que Florentino seja o de 2019, com Lage, e não o que se eclipsou nos sucessivos empréstimos desde então. De qualquer modo, tanto ele como Weigl são atletas macios, e o Benfica necessita, a meu ver, de músculo naquela posição. Ainda mais se utilizar Enzo como número oito, tal como aconteceu neste torneio.
3- Gonçalo Ramos marcou dois golos, e foi considerado MVP (para mim seria Rafa). Mas nem ele, nem Yaremchuk, por motivos diferentes (o primeiro porque rende mais atrás do ponta-de-lança, o segundo porque é tecnicamente limitado), são o matador de que o Benfica necessita. Recordo que saiu Darwin, o melhor jogador da equipa, e um dos melhores avançados do Benfica deste século. O uruguaio, sozinho, assegurava o ataque e disfarçava muita coisa. Seferovic, melhor marcador em 2019 e 2021 também está de saída. Tenho fé em Henrique Araújo, mas não sei até que ponto está maduro para tamanha responsabilidade. Acho, pois, que falta ali qualquer coisa.
Dito de outra forma, creio que com um lateral-esquerdo sólido, um trinco robusto e um ponta-de-lança eficaz, este Benfica poderia, de facto, tornar-se numa grande equipa. Assim...vamos ver.
Longe da possibilidade de integrarem o plantel definitivo parecem estar André Gomes e Kokubo (Samuel Soares será, ao que parece, terceiro guarda-redes), André Almeida, Tomás Araújo (António Silva ganhou-lhe a dianteira), Meité, Taarabt, Pizzi, Gabriel, Diogo Gonçalves, Tiago Gouveia, Paulo Bernardo (algo lento para este modelo), Diego Moreira (talentoso, mas muito verde) e Rodrigo Pinho. Com estas saídas, com as desejáveis vendas de Weigl e Grimaldo, com a contratação de trinco e ponta-de-lança (lateral esquerdo depende de Ristic ser ou não solução clara para a titularidade), fecharia o plantel.
Ricardo Horta? Nem me lembrava. Lamento por ele, pois sei que era o cumprir de um sonho de criança. Mas o Benfica tem outras prioridades que não encher o bolso de António Salvador. 12 milhões mais dois dos jogadores dispensáveis acima referidos (alguns deles, eventualmente em definitivo), e não dava nem mais um cêntimo. Se quiserem, muito bem, senão, boa tarde.

PONTO DE SITUAÇÃO


 

A LIGA DELE

Os comentários patéticos da tal Sofia Oliveira dão apenas para rir. Já aquilo que disse Pedro Proença, quando questionado sobre o protesto do Benfica na cerimónia do sorteio, é grave, preocupante, e não tem graça nenhuma.
Atribuir um prémio fair-play ao Benfica foi uma anedota de mau gosto. Mas dizer depois que as parcas palavras dos benfiquistas presentes se deviam a falta de capacidade de expressão (não sei se pensava no jovem Henrique Araújo ou no grego Odysseas) é um insulto à inteligência de quem ouviu, e à dignidade do Benfica e dos benfiquistas.
Pedro Proença foi um árbitro miserável, que condicionou campeonatos no país, e que fez carreira na UEFA seguindo os três princípios necessários para tal: falar bem inglês, aparentar boa forma física e saber manipular jogos sem dar muito nas vistas.
Como presidente da Liga é ainda pior, deixando as competições em queda livre, com arbitragens manipuladoras como não se via desde o século passado, calendarizações e horários estapafúrdios, e com um desfile de equipas fantasma sem qualidade, sem adeptos, sem história e sem nada, que não pagam salários e apenas enchem o calendário e se prestam a suspeitas de jogos de mala e afins. Não me lembro de campeonatos tão fracos como estes últimos, e o responsável máximo tem nome.
Proença, que é todo ele uma piada de mau gosto, vem agora gozar com os benfiquistas, que não podem, nem devem esquecer tudo aquilo que se passou na última temporada - nem, já agora, tudo aquilo em que assentou a carreira deste personagem. 
Com gente desta no poder do futebol, temo que contratar bons treinadores e bons jogadores não venha a ser mais do que deitar dinheiro ao lixo.



A ESCOLHA DE SOFIA

O que algumas pessoas fazem para se tornar populares (ou virais, como é moda), seja por que razão for, é triste de se ver.
E quando se trata de uma das poucas mulheres que aparecem na comunicação social a falar sobre futebol, mais triste se torna. Acontece que a estupidez não tem sexo.
A comentadora da CNN Sofia Oliveira manifestou há pouco tempo atrás, em directo, uma opinião estapafúrdia, quando disse que Jurgen Klopp (que, obviamente, não percebe nada do assunto) deveria ter preferido Evanilson (?!?) a Darwin Nuñez. Como era expectável, o mundo caiu-lhe em cima. Com toda a razão.
Um momento de menor lucidez tolera-se. Carlos Daniel, que é um grande jornalista, pelo qual tenho estima profissional e até pessoal, e que não precisa de popularidade para nada, também disse um dia que Óscar Cardozo "só sabia marcar golos", argumento fantástico para se criticar um jogador de futebol. Eu certamente também digo alguns disparates, com a sublime diferença de que ninguém me paga por isso.
O problema maior é que, agora, a dita senhora parece querer aproveitar a onda para fazer render o peixe. Perante a óbvia nomeação (de capitães de equipa e treinadores) de Darwin Nuñez como melhor jogador da Liga, disse algo como: "Não faz qualquer sentido, Darwin fez algumas exibições penosas. Deveria ser Otávio, e depois Taremi ou Vitinha".
Perante estas palavras, nem me apetecia dizer mais nada. Apenas lamentar que não haja mais mulheres a comentar futebol na TV, mas mulheres que percebam do jogo, e que não aproveitem a antena simplesmente para fazer barulho - como é o caso. Esta senhora que continue a sua cruzada, e com isso encha as caixas de comentários pela net fora (...eu estou aqui a dar o meu modesto contributo), ganhando os minutos de fama a que Andy Wahrol dizia todos termos direito. Nem que seja a fazer figura de urso (ou de ursa, neste caso). 
Quanto a Darwin, não foi apenas o melhor jogador da Liga. Será já um dos melhores do mundo, e na última década, talvez com excepção de Jonas (bem mais velho), não vi ninguém em Portugal que me impressionasse tanto. Fosse antes da pandemia e teria valido os 150 milhões da cláusula. Se, por absurdo, ouviu o comentário da dita senhora, certamente se fartou de rir.

ESPERANÇA

Os milhares que se deslocaram à Luz para um simples treino mostraram que o nível de expectativa está elevadíssimo. O mercado está a correr bem (falta o necessário emagrecimento do plantel) e a pré-época promete. Falta tudo o resto, mas a hora é de esperança.

 

NÃO ESTÁ NADA MAL


É claro que o futebol masculino é o mais importante, mas mesmo aí não podemos esquecer a excelente temporada na Champions League.
Depois, no futebol formação, há que considerar a inédita Youth League, além do Nacional de Juniores.
E no que toca a conquistas internacionais, a fantástica e ainda mais inédita European League de Andebol, bem como a Golden Cup de Hóquei - que reuniu as melhores equipas da Europa.
Falta acrescentar 5 Supertaças, 1 Taça da Liga e 3 ou 4 Taças de Portugal (a de Hóquei Feminino ainda decorre). E, quem sabe, o Atletismo (agendado para Julho).
Total de títulos até agora: 37