SÉTIMA VITÓRIA

E de mão cheia, com uma exibição notável, repleta de velocidade, garra e fluidez. 
Mais uma vez sem sofrer golos, e a confirmar que este Benfica, com este plantel e com este treinador, poderia ter feito uma temporada muito diferente.
Afinal o problema não era o presidente, nem o balneário. Foi o covid, foram os vários penaltis por assinalar, e ainda alguma falta de sorte, que, conjuntamente também retiraram confiança e adensaram a instabilidade.
Com tudo no sítio, está a ver-se, enfim, quão forte é, ou poderia ter sido, este Benfica.
Seferovic foi o homem em destaque. É provavelmente o melhor avançado a jogar em Portugal, e está a encontrar o seu destino com Jorge Jesus. Em condições normais será Bola de Prata pela segunda vez em três anos.
Uma palavra final para Darwin: confiança.


SEXTA VITÓRIA

Não era preciso sofrer tanto para consumar a sexta vitória consecutiva, desta vez diante do último classificado. A exibição foi fraca (estes jogos pós-selecção raramente são brilhantes), mas suficiente para um triunfo tranquilo. As várias oportunidades desperdiçadas, algumas delas de forma quase ridícula, inviabilizaram a construção de um resultado que deixasse o Benfica a salvo de sobressaltos. E a parte final do jogo foi aflitiva.
O que conta são os pontos: e os encarnados continuam a depender apenas de si próprios para chegar ao segundo lugar, e ao apuramento directo para a Champions. Ficaram também mais perto do Sporting, mas ainda demasiado longe para sonhar com o título. Só um colapso total dos leões poderia permitir uma surpresa, mas não me parece que ainda seja plausível esperar por tal.
De realçar mais uma partida com a ficha limpa, a sexta consecutiva, sendo que no campeonato, desde Alvalade, o Benfica apenas sofreu um golo, de penálti, em Moreira de Cónegos. Aquele que era o principal problema da equipa na fase inicial da temporada parece debelado.

Helton Leite, Diogo Gonçalves e Lucas Veríssimo são os rostos da mudança, embora seja redutor colocar a questão em termos individuais. Do meio-campo para a frente, os elementos em perda são Darwin Nuñez e Pizzi, cuja saída da equipa tem coincidido com os melhores resultados. No caso de Darwin era evidente a má forma e a intranquilidade, já quanto a Pizzi será mais uma questão de enquadramento táctico - isto se afastarmos hipóteses extra-desportivas, que carecem de prova.
Segue-se Paços de Ferreira, um campo extremamente difícil, e certamente uma das deslocações mais duras até final. Teste de foro à recuperação da equipa de Jorge Jesus.

ONZE PARA O REGRESSO


 

SEM PERDÃO

Ninguém me consegue explicar porque motivo um qualquer Moreirense-Farense (ou Sittard-Heracles) tem VAR, e um Sérvia-Portugal, de qualificação para o Mundial, não tem.
De qualquer modo, com VAR ou sem VAR, não há como não validar um golo destes. Esperemos que não custe caro.

 

QUINTA VITÓRIA

Os últimos quatro jogos haviam deixado a nítida sensação de que o Benfica estava em fase de retoma, mas de tal faltava ainda uma demonstração clara, frente a um adversário forte. Essa demonstração aconteceu em Braga.
Terá sido a melhor exibição da temporada, embora o facto de jogar em superioridade numérica durante mais de metade do jogo possa ter  contribuído para isso. Mas diga-se que, já antes da expulsão, o Benfica dominava amplamente o jogo, e só por manifesta infelicidade (e inspiração de Matheus) não estava em vantagem desde cedo. O golo à beira do intervalo também ajudou, mas recorrer a Ortega Y Gasset para explicar resultados futebolísticos não é original - como não o seria para justificar o colapso de Janeiro e Fevereiro, quando a equipa estava dizimada pela Covid, da mesma forma que ninguém ousará questionar a liderança do Sporting, mesmo sabendo-se como venceu alguns dos seus jogos. 
A sorte e as circunstâncias fazem parte das vitórias e das derrotas. E ainda há bem pouco tempo o Benfica parecia incapaz de aproveitar erros contrários. Em Braga aproveitou e de forma eloquente, deixando nota de que tem jogadores para muito melhor do que o terceiro lugar que ocupa actualmente.
No plano individual destaque para Rafa e, sobretudo, Seferovic - cheio de confiança, a marcar em todos os jogos, a soltar a sua classe e a protagonizar lances à Van Basten, como aquele mergulho a que o guarda-redes correspondeu com belíssima defesa, evitando o 0-3.
Destaque igualmente para o quinto jogo consecutivo sem sofrer qualquer golo. Aliás, desde Alvalade, nas oito partidas do campeonato que se seguiram, o Benfica apenas sofreu um golo - de penálti em Moreira de Cónegos.
Pena o campeonato não começar agora...

ATAQUE AO SEGUNDO LUGAR

 

FORA DE HORAS

Se os jogos terminassem aos 75 minutos, a classificação era a seguinte:
FCP 48, SCP 46, SLB 41
É sabido que as partidas só terminam quando o árbitro apita, mas, caramba, o Sporting abusa. Já leva nove resultados obtidos nos últimos minutos, dos quais quatro vitórias alcançadas no tempo de descontos, e mais algumas nos minutos 80's.
O FC Porto já ganhou um campeonato assim. Mas o Benfica, que me lembre, praticamente só tem desaires nos últimos instantes. Este ano, a excepção é o golo de Waldschmidt ao Paços na Luz. De resto, contam-se pelos dedos as vitórias obtidas ao soar do gongo em toda a última década: Maritimo 2011, Gil Vicente 2013, Jardel 2015, Bessa e Coimbra 2016 e...

QUARTA VITÓRIA

É uma pena o campeonato não começar agora. No seu quarto jogo seguido a vencer, e sem sofrer golos, o Benfica, mesmo jogando contra dez durante quase toda a partida, deu mostras de evidente retoma exibicional, e deixou claro que vai lutar pelos pontos até ao fim - sirva isso para o que servir.

A defesa encontrou o seu ponto de solidez - Lucas Veríssimo é reforço, e Diogo Gonçalves vai ganhando espaço - enquanto na frente, o mal-amado Seferovic parece querer atingir o nível de 2019 e entrar na luta pelo troféu de melhor marcador. 

No próximo domingo a equipa tem um teste decisivo para se perceber até que ponto vão estes sinais de recuperação. Mas por agora, a teoria justificativa de Jorge Jesus parece estar a fazer sentido. Sem covid esta equipa é outra. 

PAIXÃO

Tem inúmeros e graves defeitos, fez muito mal ao futebol português, é um personagem deplorável para quem os fins justificam os meios. Mas há uma coisa que ninguém pode negar: Pinto da Costa ama profundamente o seu clube.
Curiosamente também eu chorei de alegria em 2014 no mesmo estádio, quando, acabando com nove, o Benfica se apurou dramaticamente para a final da Liga Europa. Essa eliminatória teve contornos específicos, e alguns deles pessoais, pelo que quando o árbitro apitou para o fim não resisti às lágrimas. Aliás, se chorei de tristeza muitas vezes na vida (por falecimento de familiares e não só), talvez possa dizer que só o futebol me fez chorar de alegria - nessa e noutras ocasiões. Não muitas, mas algumas. Tal como recordo noites sem pregar olho após certas derrotas.
Por vezes dou comigo a pensar o quanto gostava de ter, no meu clube, dirigentes que também chorassem de alegria com uma vitória desportiva. E se não é isso que de algum modo falta no Benfica: quem chore de alegria pelas vitórias, e quem nem consiga dormir com as derrotas.

RESPEITO PELA HISTÓRIA

 Presenças em Quartos-de-Final da Taça/Liga dos Campeões:



TERCEIRA VITÓRIA

Com o surto de Covid debelado, e com a tranquilidade proporcionada pelas duas vitórias anteriores, ambas sem sofrer golos, o Benfica venceu com categoria do Belenenses SAD, mostrando que ainda pode fazer uma ponta final de temporada bastante interessante - o que se traduziria no alcançar do segundo lugar, consequente apuramento directo para a Champions League, e conquista da Taça de Portugal.
Neste jogo, só não percebo porque motivo a equipa de Jesus não entrou logo de início com a velocidade apresentada na segunda parte. Mas a imagem final é a que fica, e há que dizer que alguns dos momentos de futebol então apresentados foram do melhor que se viu ao Benfica 2020-21.
Desde a partida de Alvalade, para o Campeonato o Benfica apenas sofreu um golo, de penálti em Moreira de Cónegos - sinal de que a principal fragilidade evidenciada no início da época estará já debelada. Helton Leite não me parece, em nada, superior a Vlachodimos, mas o certo é que não tem sofrido golos (pelo menos na Liga). Lucas Veríssimo dá passos rumo à adaptação, mostrando qualidades. Otamendi afirma-se como patrão da defesa. Seferovic marcou quatro golos em quatro jogos, e demonstra assim que talvez se possa contar com ele ao nível de 2018-19. Deste modo, falta apenas uma maior fluidez no centro do meio-campo (onde anda o melhor Pizzi? onde anda Gabriel?), para que este Benfica possa, enfim, soltar o seu potencial.
Não há um super-plantel na Luz. Mas há matéria prima suficiente para construir a melhor equipa portuguesa. É isso que se espera dos treze jogos que faltam para terminar a temporada.

SEGUNDA VITÓRIA

Não se esperava um grande jogo. Apenas uma vitória (a segunda consecutiva) e a confirmação do apuramento.
Mesmo assim, é preciso valorizar algumas boas indicações, nomeadamente quanto ao ritmo de algumas fases da partida.
Importante, igualmente, não sofrer golos. E o aspecto defensivo é algo que está, de facto, francamente melhor do que há uns meses atrás.
Destaque ainda para o golo de Gonçalo Ramos (5º em 12 jogos pela equipa principal), e para as exibições de Chiquinho e Pedrinho.
O Jamor, ou lá onde for a final, ficará como reserva de esperança até ao fim da época. Agora trata-se de apostar as fichas todas no segundo lugar do campeonato, que não parece nada fácil.

ALGUMA PAZ

A vitória sobre o Rio Ave valeu mais do que três pontos. Havia quatro jogos seguidos que o Benfica não vencia, e a instabilidade estava, quase irremediavelmente, a tomar conta de jogadores, estrutura e adeptos.
Os problemas não ficam todos resolvidos após esta vitória. Mas a equipa ganha, pelo menos, alguma tranquilidade para respirar fundo e embalar para uma ponta final de campeonato bem diferente do que tem acontecido até aqui.
Neste momento, independentemente de tudo o resto, os jogadores precisam de confiança. Quem jogou futebol sabe o quão importante ela é para o desempenho em campo. Sobre brasas ninguém rende. E para dar a volta a este momento precisava-se de alguma serenidade. Esta vitória valeu por isso.
Na próxima quinta-feira espera-se o apuramento para a final da Taça de Portugal. Depois, será jogo a jogo, e no fim ver o que dá. Os encarnados só dependem de si próprios para ultrapassar o FC Porto, e apenas precisam de um empate do Braga até final para chegar ao valioso segundo lugar.
O presidente foi reeleito há quatro meses. O treinador tem contrato por mais um ano. O mercado de jogadores está fechado. É com todos eles que temos de contar no imediato. É a todos eles que os verdadeiros benfiquistas devem, neste momento, expressar o seu apoio. Todos temos o direito ao desabafo (eu também), mas assente a poeira, e olhando friamente para o problema, percebe-se facilmente que não adianta nada contestar quem quer que seja nesta altura. Ser benfiquista é também ser inteligente, e pragmático quando for caso disso. E agora é caso disso.
Nota 1: Nos últimos cinco jogos do campeonato o Benfica apenas sofreu um golo...de penálti. É já a segunda melhor defesa da Liga. Vale o que vale.
Nota 2: Aquando dos 26 casos de Covid, o Benfica estava a quatro pontos do Sporting. O Covid não justifica esses quatro pontos, mas...Vale o que vale.

A ENTREVISTA

FIQUEI ESCLARECIDO QUANTO A:

- efeitos da covid no rendimento do plantel

- sintonia entre Vieira e Jesus na construção do plantel

- profissionalismo dos jogadores


NÃO FIQUEI ESCLARECIDO QUANTO A:

- porque motivo saiu Vinicius

- o que justificou o colapso na segunda época de Bruno Lage





DOLOROSO

A expectativa era baixa. Uma derrota seria o mais normal. Mas como decorreu o jogo, essa derrota tornou-se dolorosa.

O Benfica chegou a ter o pássaro na mão. O golo de Rafa deixava o Arsenal a dois de distância, com 27 minutos por jogar. Cheguei a acreditar.

Penso que Jesus mexeu mal na equipa. Everton não trouxe nada, e até esteve ligado ao golo de Thierney. Nuno Tavares ficaria ligado ao último de Aubameyang. E talvez Gilberto tivesse travado Willian, no flanco esquerdo do ataque arsenalista - que trouxe grande perigo para a área encarnada.

Ficou também demonstrado que Lucas Veríssimo ainda não tem o ritmo do futebol europeu, e que Helton Leite não acrescenta nada na baliza face a Odysseas. 

Enfim, assim doeu mais. É preciso também dizer que este Benfica dificilmente chegaria longe nesta prova. Resta a taça e tentar ainda o segundo lugar no campeonato.

A crise continua. Parece maldição. Ou é falta de categoria ou é falta de sorte. Neste jogo foram ambas, mas ninguém acuse os jogadores de falta de entrega. 

A PROPÓSITO DE PIZZI

 Goleadores do Benfica em provas internacionais de sempre:


Goleadores do Benfica nesta temporada em todas as competições:

Goleadores do Benfica na temporada passada em todas as competições:


Rei das Assistências no campeonato 2019-20 : 14

Rei das Assistências no campeonato 2018-19 : 19

314 jogos (22º da história), 88 golos (24º da história, à frente de Magnusson, Diamantino, Simões, Isaías, Chalana, Paneira, Saviola, Rui Costa, Valdo, Aimar, Di Maria, Miccoli, João Alves, Filipovic etc).

4 campeonatos, 1 taça, 2 taças da liga e 4 supertaças

São factos.

PISTAS PARA PERCEBER A CRISE

Comecemos com um Benfica campeão nacional, batendo recordes de golos e vitórias com uma equipa assente na formação do Seixal, depois de 5-0 ao Sporting na Supertaça, e de, já em 2019-20, ter entrado de rompante na Liga com uma série de 18 vitórias nos primeiros 19 jogos. Chegamos então a Janeiro de 2020.
- A contratação de Weigl, por 20M, e certamente com salário chorudo, pode não ter caído bem no balneário, num momento em que ainda havia, para a posição, Fejsa, Florentino e Samaris. Na altura chegou também, por empréstimo, Dyego Souza. Chego a pensar se os prémios relativos à “Reconquista” já haviam sido liquidados integralmente. A verdade é que, coincidência ou não, após aquele mercado de Janeiro o Benfica não mais foi o mesmo;
- A seguir ao empate com o Tondela em casa, e antes do autocarro ser apedrejado (coisa que ajudou imenso, como se viu…), Vieira terá gritado no balneário, chamando ingratos aos jogadores. Constou que, ao contrário do FC Porto, o Benfica tinha mantido os salários integralmente, e daí a acusação;
- A prestação de André Almeida nos jogos com Santa Clara e Marítimo foi inquietante (veja-se o 4º golo do Santa Clara e o 1º do Marítimo). Tal como havia sido a de Pizzi, primeiro no Dragão, com uma exibição miserável, depois com três penáltis falhados nos jogos com Moreirense e Setúbal. Almeida disse que não percebia o que estava a acontecer, e que os jogadores faziam o que se lhes pedia;
- Bruno Lage, mesmo perante uma intrigante sequência de apenas 2 vitórias em 13 jogos (isto depois de, com praticamente a mesma equipa, ter batido recordes de pontos, vitórias e golos) afirmou que os jogadores estavam com ele. Mas quando saiu, a equipa soltou-se um pouco, realizando um final de campeonato, digamos, normal;
- Na final da Taça o Benfica volta a baquear, mesmo jogando toda a segunda parte com mais um jogador;
- Para a nova época, o Benfica voltou a investir forte, e a contratar atletas internacionais de vários países com salários elevadíssimos. Recorde-se que chegaram a ser oferecidos a Cavani qualquer coisa como 6M por ano. É provável que os capitães do plantel não tenham visto com bons olhos tanto desafogo para quem acabava de (ou estaria para) chegar;
- Em sentido oposto, Jorge Jesus logo na apresentação falou de construir uma grande equipa, e de arrasar. Na altura dizia-se que o Benfica, para além de Cavani (e daí ter recusado… Taremi), pretendia também Gerson, Arão e Bruno Henrique do Flamengo, mais um guarda-redes, Garay, William Carvalho, João Mário, Enzo Perez e até James Rodriguez, entre outros possíveis reforços. Ruben Dias parecia de pedra e cal na Luz. A verdade é que, com a eliminação em Salónica, essas ideias parecerem ficar a meio caminho, e por exemplo o meio-campo, como as laterais, não saíram reforçados. Quem saiu foi Ruben, tal como Vinicius – melhor marcador do campeonato anterior. A equipa ficou algo desequilibrada (no valor desportivo, e presumivelmente também nos salários);
- No Bessa, poucos dias depois das eleições, e após uma sequência de sete vitórias, o Benfica perde estrepitosamente. Foi o primeiro jogo em que Rafa foi suplente. Grimaldo estava indisponível, assim se mantendo na derrota seguinte, com o Braga na Luz. Pelo meio um empate milagroso com o Rangers, obtido no último segundo. Numa semana, nove golos sofridos. Era tempo de se questionar Otamendi;
- Otamendi, esse mesmo, tornado capitão do Benfica ao terceiro jogo de águia ao peito. Na altura, em Poznan, não estava nenhum dos capitães em campo. Mas depois, em Liége, até Vertonghen chegou a usar a braçadeira, aí com Jardel a seu lado no onze;
- Na Supertaça, e na ausência de Tiago Pinto, Luisão senta-se no banco. No fim, manifesta veementemente o seu descontentamento com alguns jogadores, desautorizando Jesus – que na conferência de imprensa desvaloriza o sucedido. No jogo em Alvalade volta a passar-se algo idêntico. O que é certo é que em Roma, antes do jogo com o Arsenal, Luisão é o único membro do staff que não cumprimenta Jesus à saída do balneário, talvez porque não calhou, talvez por qualquer outro motivo;
- Quem também não cumprimentou Jesus, mas no jogo com o Standard na Luz, foi Gabriel, após ser substituído, ocasião em que não escondeu total desagrado, ignorando a abordagem do treinador. A situação foi desvalorizada, e o brasileiro foi titular no Bessa. Mas desde então, em 14 jogos de campeonato só entrou de início em três deles;
- Jesus não é um hábil comunicador. Mas terá passado as marcas quando comparou Pizzi com Taarabt, dizendo que a atacar eram iguais (Pizzi havia marcado 30 golos na época anterior, e era rei das assistências), e que a defender o marroquino era superior. De resto, o transmontano tem perdido influência no onze, sendo suplente nos últimos jogos.
- O técnico substituiu com frequência também Rafa, por vezes sem razão aparente, e chegou a criticá-lo numa conferência de imprensa. Culpou Vlachodimos por golos sofridos, quando tal nem acontecera nos dois jogos anteriores à perda da sua titularidade. Acusou os centrais de lentidão. E também responsabilizou os avançados pelo zero no último jogo;
- Darwin é o jogador mais caro da história do clube. Mas o rendimento tem sido intermitente: começou bem, mas a pouco e pouco tem vindo a apagar-se, evidenciando enorme ansiedade em frente das balizas. Em Faro foi substituído bem cedo, mesmo com o nulo no marcador, e não escondeu a frustração ao chegar ao banco. Manifestou insatisfação também nas redes sociais;
- Darwin, como Everton, chegaram a eliminar as suas páginas pessoais, dado o nível de críticas, acusações e ameaças que alguns pseudo-adeptos entenderam fazer-lhes, como se isso servisse para algo mais do que desestabilizar ainda mais os jogadores e a equipa;
- Rui Costa falou após a derrota de Alvalade, e não escondeu as críticas aos jogadores a quem, segundo ele não bastava fazer um carrinho ou um malabarismo em campo, sendo preciso também treinar no duro todos os dias. A reacção da equipa foi absolutamente inexistente, e seguiu-se um tristonho empate com o Guimarães na Luz;
- João de Deus, quando confrontado com essas declarações, e questionado sobre quais seriam os jogadores em causa, respondeu “perguntem ao Rui Costa”, como que desautorizando o vice-presidente, em mais um episódio desta saga.
Agora, como num filme de David Lynch, cabe ao leitor filtrar o que interessa, e tirar as suas conclusões.
Fica também, para aquilo que se entender por útil, um quadro com a utilização dos jogadores do plantel actual nos jogos mais negros das últimas três temporadas

DE MAL A PIOR

A verdade é que já quase nem dói. Este Benfica 2020-21 é um caso perdido, e, ou me engano muito, ou na próxima quinta-feira ficará reduzido a uma muito improvável  possibilidade de vencer a Taça de Portugal.
Se no início da época o problema era a defesa, agora é o ataque: cinco golos marcados nas últimas sete jornadas, e a pior média de golos em mais de uma década, ainda assim inflacionada pela goleada ao Famalicão (5-1) na primeira ronda. O jogo de Faro foi bem elucidativo, pois a equipa até entrou bem, com alguma velocidade, com alguma vontade, mas sempre com total inoperância dentro da área, onde Seferovic e Darwin têm sido dois pesos mortos. Naturalmente zero golos a uma equipa que até nem defende particularmente bem, e que sofrera golos em todos os jogos até aqui.
O investimento para esta temporada centrou-se precisamente no sector ofensivo. Só Darwin, Waldschmidt, Pedrinho e Everton custaram no conjunto quase 80 milhões de euros. Até ver, em termos de rendimento, nenhum justificou sequer metade do preço de custo, embora todos eles, num ou noutro momento, tenham demonstrado qualidades. Por qualquer motivo que desconheço, não rendem, nem evoluem. Aliás, há jogadores neste Benfica que parecem até regredir.
Urge fazer uma reflexão profunda sobre o que está a acontecer, reflexão essa que não pode deixar de parte o que aconteceu na segunda volta do campeonato passado. Jorge Jesus é o melhor treinador português, mas, tal como Bruno Lage antes, e até talvez Rui Vitória num passado mais distante, não está a conseguir tirar rendimento de um plantel que, no papel, é substancialmente superior ao dos rivais.

É altura de Luís Filipe Vieira falar. Recordo que quando ganhou as eleições a equipa estava numa série de sete vitórias consecutivas, e embora tivesse ficado fora da Champions, tudo se compunha para uma temporada interna ao nível daquilo que foi comum na última década. Na semana seguinte perdeu estrondosamente no Bessa, e a partir daí caiu a pique. Porquê? Os benfiquistas precisam de saber, precisam de justificações. Há que admitir erros, e inflectir caminho. Houve opções erradas que é preciso corrigir. Pode e deve pedir-se união, mas também é preciso saber a verdade. Porque motivo uma equipa que ganha quase 40 jogos seguidos de repente perde ou empata 10, como sucedeu com Lage? Porque motivo um plantel é reforçado em quase 100 milhões, e não só as aquisições não rendem, como os que já lá estavam deixam de render? Há algum compromisso por cumprir? Há falta de profissionalismo de alguém? Há focos de conflito? Quais e porquê? O tempo passa e as respostas tardam.

PODIA TER SIDO PIOR

Um empate em casa (?!) com golos numa primeira mão europeia é sempre um mau resultado. Porém, atendendo ao momento do Benfica, e à expectativa negativa criada para este jogo, pode dizer-se que o simples facto de ter deixado a eliminatória em aberto, já não é mau de todo. Até porque os ingleses tiveram mais e mais flagrantes oportunidades de golo.
Note-se que a exibição teve momentos agradáveis, embora sem consistência que permita alimentar sonhos muito altos nesta competição. E diga-se que o Arsenal tem algumas super-estrelas, mas também está longe de ser uma super-equipa – por exemplo no plano defensivo, deixou espaços que o Benfica podia ter aproveitado de outra forma.
A opção de três centrais não resultou mal, embora não tenha disfarçado alguns dos problemas crónicos dos encarnados (espaço nas costas entre laterais e centrais, sobretudo no flanco esquerdo). Gostei, por exemplo, da forma como deixou sistematicamente os avançados do Arsenal em off-side. E da prestação de Lucas Veríssimo, que parece trazer coisas que nenhum dos outros centrais dão à equipa.
Enfim, na próxima semana se saberá se este foi ou não um momento positivo.

ONZE PARA ROMA

 

...e sobretudo não sofrer golos.

PORQUÊ?


Odysseas Vlachodimos é, para mim, a par de Rafa, um dos dois melhores jogadores do Benfica. E dos poucos com dimensão internacional - isto é, capaz de brilhar, por exemplo, numa Champions.
Nos últimos cinco jogos de campeonato havia sofrido apenas dois golos (um no Dragão, sem qualquer culpa, e outro em Alvalade, com culpas residuais - tantas como as de Helton Leite no Estoril, e muito menos do que as de Svilar com o Nacional). 
Salvo ter ocorrido qualquer situação de âmbito disciplinar, não vejo o menor motivo para o afastar de uma equipa onde é dos poucos valores seguros. Aliás, sem ele na baliza, as duas épocas anteriores teriam sido bem piores. A crise benfiquista era hoje bem mais grave. 
Acresce que não vejo Helton Leite como nenhum Ederson ou Oblak. É um bom guarda-redes, e suplente ideal para o grego. Podia jogar nas Taças, e até talvez na Liga Europa. Mas a titularidade não me oferece quaisquer dúvidas.
A baliza é certamente o sector menos problemático do Benfica. Quem olha para os laterais, para o meio-campo e para os pontas-de-lança, só tem de abrir a boca de espanto por ver que é o guarda-redes o primeiro a ser posto em causa. Enfim, uma das muitas coisas que não percebo no actual Benfica.

BENFICA NA TAÇA UEFA/LIGA EUROPA

 


OS NÚMEROS DA VERGONHA

 Penáltis assinalados em 19 jornadas:

AS PROVAS DO CRIME


Só não vê quem não quer. E as repetições televisivas são óbvias: ficaram duas grandes penalidades por marcar a favor do Benfica. Já outras tinham ficado por assinalar nos jogos com Nacional e Guimarães. Assim se compreende porque chegamos à 19ª jornada sem um único penálti marcado a favor dos encarnados, e com onze (!!) a favor do FC Porto.

FRAUDE!

Ponto prévio: o Benfica jogou mal, e sobretudo na segunda parte esteve muito aquém daquilo que pode e deve fazer, e talvez nem merecesse ganhar.
Dito isto, o que se passou em Moreira de Cónegos foi uma farsa. E ficou a perceber-se porque motivo a equipa de Jorge Jesus ainda não tem qualquer grande penalidade assinalada a seu favor, e com arbitragens destas é provável que nem venha a ter. O segundo lugar vale ouro, e o FC Porto está aflito. Esta espécie de regresso aos anos noventa não acontece por acaso.
O jogo foi fértil em casos, em erros e manipulações. Um nome deve ser retido: Fábio Melo, VAR do Porto, que veio do nada para roubar dois pontos ao Benfica. Tinha obrigação de sinalizar o penálti de Vertonghen, e de ver o toque na perna esquerda de Weigl (suficiente para nenhum VAR alterar a primeira decisão do árbitro de campo). Não sei quem coloca as linhas de fora-de-jogo, mas se as mesmas nunca me convenceram, desta vez fiquei com a certeza de que são colocadas onde dá mais jeito. Tão ou mais grave é a omissão de imagens no lance de Weigl: se o árbitro vê o mesmo que nós, percebe-se que o ângulo em que é visível a falta foi omitido. Por quem? Confesso que não sei. 
Dois penáltis por assinalar, um deles óbvio para quem tem acesso a imagens televisivas, e uma linha de fora-de-jogo adulterada a validar o golo do Moreirense. Foi demais para uma equipa ainda em convalescença.
Na véspera, de penálti em penálti o FC Porto foi empurrado para a vitória que ainda assim não conseguiu.
Depois de tudo o que se viu e ouviu na semana passada, ficou uma vez mais demonstrado que, no futebol português, o crime compensa.

REGRESSO À NORMALIDADE

Apesar de ter pela frente uma equipa do escalão secundário, tem de se dizer que o Benfica realizou um bom jogo. Boa dinâmica, bons movimentos, oportunidades e três golos que ficaram aquém da produção da equipa - sobretudo na primeira parte, quando o resultado de 1-1 era completamente falso face ao amplo domínio encarnado.
A porta para o Jamor (?) ficou aberta. E uma vantagem de dois golos e meio permitirá, até, fazer alguma gestão de plantel na partida da segunda mão, pois na verdade ninguém acredita que o Estoril possa vencer 0-3 ou 2-4 na Luz.
Em termos individuais, além dos dois golos de Darwin (vamos ver se com eles arrebita), há a salientar o bom regresso de Rafa. 
Agora, segue-se Moreira de Cónegos. Sem olhar para a classificação, o Benfica terá de vencer, jogo a jogo, até ao fim do campeonato. Há que garantir a Champions, e estar preparado para um possível colapso do Sporting (não é provável, mas pode acontecer).

OLHA BEM, VARANDAS

Varandas mete tudo no mesmo saco. Desde logo devia preocupar-se mais com quem está mais perto na classificação. E atendendo ao que se tem visto no pós jogo da meia-final em Braga (cuja arbitragem foi bastante razoável e o resultado nem foi mau para os portistas) devia perceber o que é de facto jogar fora do campo. 

O HOMEM ESTÁ DE VOLTA!

E com a força toda: discurso notável, não de desculpabilização, mas sim de motivação e descompressão da equipa e dos seus jogadores. À líder!
Nem todos perceberam, mas o que aconteceu foi uma lição de liderança.
Lembro-me quando estava no Sporting, e já no pós-Alcochete, como quase que sozinho unia e galvanizava todo o clube. Não conseguiu. Era impossível. Mas já aí dera mostras de que, mais do que de táctica, percebe de jogadores, de homens. Ou como alguém uma vez disse, por vezes atrapalha-se com as palavras, mas nunca se atrapalha com as ideias.

ENFIM 3 PONTOS


Havia um mês que o Benfica não ganhava um jogo para o Campeonato, e como tal, uma vitória, qualquer que ela fosse, já era motivo de alguma descompressão.
A exibição foi boa nos primeiros 10 minutos (o que mostra vontade), razoável até final da primeira parte, e medíocre em toda a segunda. Sentiu-se, aliás, que se o Famalicão fizesse o 2-1 (que esteve várias vezes para acontecer), o mais certo era o Benfica voltar a colapsar e perder ainda mais pontos. Não aconteceu, ainda bem.
No início da época os encarnados demoraram até estabilizar o processo defensivo. O que é certo é que, mesmo longe da perfeição, a defesa é hoje, ainda assim, o sector mais consistente da equipa. O meio-campo não foi reforçado e tem um enorme défice de qualidade (Weigl, Gabriel e Taarabt são, todos eles, jogadores de menos). E o ataque, mesmo com fortíssimo investimento, está a revelar-se um fiasco, fiasco esse que tem nome próprio: Darwin.
É decerto injusto crucificar um jovem com 21 anos, que tem talento, e está pela primeira vez num clube com tamanho grau de exigência. Mas a verdade tem de ser dita: o uruguaio tem futuro, mas ainda não terá grande presente, à semelhança de um qualquer Gonçalo Ramos da vida. Sobretudo, não tem estofo para assegurar nas suas espaldas o ataque do Benfica, faltando-lhe inúmeras coisas, das quais a mais visível é a ineficácia em frente da baliza, mas que se estendem à incapacidade de segurar a bola, de jogar de costas para a área, de definir o último passe ou o remate, de ganhar bolas de cabeça, de pressionar a saída de jogo contrária, etc, etc. Mostra disponibilidade, força física e talento, mas tem tudo a aprender sobre o jogo - o que naturalmente não deveria ser feito à custa de maus resultados. E recordo que havia quatro jogos consecutivos do campeonato em que nenhum avançado do Benfica marcava qualquer golo...
Mas a grande nota da noite vai para o regresso de Jorge Jesus. Ao banco e à sala de imprensa, onde o seu discurso foi notável.
Não interessa agora distinguir o que foi Covid e o que foram outras coisas que já se notavam antes. O que interessa é que o treinador encontrou forma de fazer deste jogo um ponto de inflexão, de mexer com a confiança dos jogadores, e de lhes limpar a cabeça. Os próximos jogos vão ditar se valeu a pena, e se se justificava.
Enfim, eu sou do Benfica e quero que o Benfica ganhe sempre. Quero acreditar que este seja, de facto um ponto de inflexão na época (pode não dar para o título, mas há mais objectivos). O que é certo é que o mercado está fechado e não adiantará muito chorar pelo que quer que seja. A equipa é esta, a situação é esta, e quem quer que o Benfica ganhe deve fazer agora um esforço para não contribuir para uma maior desestabilização. Há de facto muitas atenuantes (covid, calendário, integração de reforços, arbitragens, algum azar). Vamos acreditar que tenham tido um peso maior do que os erros cometidos. 

ONZE PARA A RETOMA

O primeiro lugar já vai demasiado longe. O segundo só depende do próprio Benfica, e vale milhões. Não dá para desistir. Falta meio-campeonato.

QUO VADIS

Infelizmente, já nem me surpreendo.

11 pontos não deixam margem sequer para sonhar. E a realidade é neste momento a luta com o Paços de Ferreira pelo quarto lugar.

Nesta partida o problema foi a eficácia. Noutras foi a defesa ou o meio campo. O que é certo é que não se vê um grupo, nem capacidade de reagir às adversidades. 

Importa perceber que não há um goleador no plantel, mesmo depois de 100 milhões de investimento. 

Seferovic é Seferovic. Gonçalo Ramos é um júnior. E Darwin, não sei se será um flop total ou, na melhor das hipóteses, também ele um jovem com futuro, mas sem condições para assegurar nas costas, no imediato, o ataque encarnado. Vinicius está no Tottenham, Cavani no United, Taremi no Porto e Paulinho no Sporting. 

O Benfica está a fazer o suficiente para se afundar. Não precisava do empurrão dos árbitros. Mas também isso está a acontecer. Mais um lance de dúvida na área (porque não se foi ao VAR?) e, isso é objectivo, um ridículo tempo de desconto. Em 17 jogos nem um penalti, e muitos momentos em que se sente uma vontade muito grande de derrubar a equipa do Benfica. 

Tudo mau, portanto, neste futebol sem público, sem som, sem cor, com esta equipa sem força, sem ambição e sem alma.

ISTO NÃO CHEGOU A SER EXPLICADO

No fim da época passada avisei: era necessário explicar o que tinha acontecido no futebol do Benfica a partir de Fevereiro (por coincidência ou não, imediatamente pós mercado de transferências, mas ainda antes do Covid fazer parar as competições), caso contrário poderia voltar a repetir-se com qualquer outro treinador.
Esta é a estranhíssima sequência de resultados de Bruno Lage no campeonato. Desde que assumiu funções, até que foi despedido, mesmo sendo campeão em título:
Estes são os jogadores utilizados nas oito partidas a analisar (descontando as duas vitórias e a fase Veríssimo):

Não estou a concluir nada. Apenas a exigir, uma vez mais, explicações. O que se está a passar no Benfica não é novo. Aliás, já acontecera na fase final de Rui Vitória, em finais de 2018.
Estará aqui, neste período específico (do jogo no Dragão onde o Benfica podia ficar com 10 pontos de avanço, ao jogo nos Barreiros, que ditou a chicotada), a chave para perceber o problema. É preciso que de dentro nos cheguem explicações, mas, sobretudo, soluções.
De recordar que no mercado de Janeiro do ano passado saíram Fejsa, Gedson, RDT e Caio Lucas (Florentino não saiu, mas foi como se saísse, pois nunca mais jogou), entrando Weigl e Dyego Souza.
Não sei os salários de quem entrou, de quem saiu ou de quem ficou. Não sei se havia quem quisesse sair e não saiu. Ou quem não quisesse ver chegar quem entrou, ou ver sair quem saiu. Ou se houve alguma alteração geral face à liderança de Lage. Ou se houve promessas por cumprir. Enfim, as possibilidades são muitas, e as explicações poucas ou nenhumas.
O futebol não é matemática. Mas nenhuma equipa ganha 40 jogos seguidos, alguns deles de forma brilhante, e de repente perde 10 sem que nada o justifique, até ao despedimento do treinador. Sobretudo se depois de reforçada com 100 milhões de aquisições, e orientada por um técnico experiente e ganhador, mas bastante exigente, continua sem render
Se há alguém a mais no plantel, tem de ser encostado. Se forem vários, que sejam vários. Nem que se jogue com a equipa B, quem veste a camisola do Benfica tem de dar tudo em campo, e em cada treino. E quem queima treinadores, não tem lugar no clube, nem no futebol profissional, diria eu.
Há demasiados jogadores do Benfica de quem eu não gosto. Não vou referir nomes, pois não tenho a certeza de acertar em cheio, e não quero correr o risco de ser injusto. Quem é benfiquista e escreve sobre o clube também tem de ter responsabilidade e recato. Mas espero e exijo soluções.

RECEITA CONTRA A CRISE


Sem qualquer "inside information", lendo apenas nas entrelinhas tudo o que se tem ouvido, percebe-se que a causa da crise benfiquista reside, como sempre fui aqui defendendo, num balneário longe da união que se via nos tempos de Luisão, Salvio, Jonas, Fejsa, etc.
Estou convencido de que há hoje jogadores que não merecem vestir a camisola do Benfica. E alguns não será por falta de qualidade. Sim, por falta de compromisso. 
A pandemia não ajuda a criar laços, sobretudo num grupo repleto de elementos novos, oriundos de vários países. Jogadores caros, uns a ganhar muito mais do que outros, sem se encontrarem para além do local de trabalho, sem falarem as mesmas línguas, sem o carinho dos adeptos, com um treinador novo, a adoecerem em cadatupa com o vírus. Enfim, correr bem é que seria estranho.
São atenuantes, mas não desculpas. E a verdade é que já Bruno Lage fora, a dada altura, vítima de um plantel aburguesado, mimado, que foi ficando sem referências, sem vozes de comando, à deriva.
Recuperar não é tarefa fácil. Mas talvez fosse necessário proceder a uma limpeza, pelo menos no final da época.

QUANDO TUDO CORRE MAL...

A frustração de uma derrota aos 92 minutos pode levar-nos a grande angústia e a muitos desabafos. Mas há que dizer que o resultado do Dérbi foi injusto. O Benfica não merecia perder, mas sobretudo o Sporting não merecia ganhar - e no tempo de descontos já nem sequer queria ganhar.
O jogo foi fraco. A primeira parte do Benfica muito má. A segunda, assim-assim, mas o suficiente para manter o zero a zero, que seria o resultado óbvio deste jogo. Não servia, mas mantinha viva alguma esperança. O golo foi um balde de água fria, e a prova de que quando tudo corre mal, pode correr ainda pior.
Com nove pontos para Sporting, e cinco para FC Porto, penso que a luta pelo título esfumou-se. Agora o foco passará para a Liga Europa e para a Taça de Portugal, não esquecendo que o segundo lugar do Campeonato, este ano, vale ouro. Interessa sobretudo preparar desde já o futuro, e não cometer mais os erros deste passado recente.
Há atenuantes: gostaria de saber, por exemplo, o que seria deste Sporting com os casos de covid que teve o Benfica. 
Mas há também que discutir alguns dos investimentos. Por exemplo, porque motivo se deixou escapar Taremi por 4,5 milhões, Nuno Santos por 4,2 milhões, Pote por 6 milhões (está aqui um total de menos de 15 milhões de euros), e se contratou Darwin por 24, Waldschmidt por 15, Everton por 20 e Pedrinho por 18 (neste lote, quase 80 milhões!). Também porque motivo desapareceram do plantel nomes como Florentino, Gedson, Ferro, Tomás Tavares ou Jota, antes joias da coroa do Seixal, sem que se visse retorno palpável. Ainda porque ficámos sem Carlos Vinicius, o melhor marcador do último campeonato, quando não temos, hoje, nenhum avançado como ele. As vendas de João Félix e Ruben Dias percebem-se e eram inevitáveis, o resto creio que não.
Continuo a achar que Jorge Jesus é o melhor treinador português, e o presidente é o mesmo que ganhou cinco dos últimos sete campeonatos. É fácil disparar sobre toda a gente, mas isso apenas atenua frustrações, não resolve problemas. Há erros de um e de outro (quem não os comete?), mas creio que o problema do Benfica não se resolveria com demissões, e vai para além dos nomes. Acredito que possa ainda ser identificado e resolvido a tempo de podermos ter algumas alegrias na corrente época.
Viva o Benfica!

ONZE PARA ALVALADE

 

DÉRBI - 15 anos de alegrias


 

MELHOR ERA IMPOSSÍVEL

Sem treinador no banco, com vários jogadores ainda ausentes, outros regressados de paragem Covid, pode dizer-se que seria injusto exigir mais do que aquilo que o Benfica apresentou.
E não foi pouco: vitória clara, três golos marcados, zero sofridos, e pedaços de bom futebol, sobretudo na segunda parte.
O caminho para o Jamor parece aberto. Já no campeonato, uma derrota em Alvalade pode deitar tudo a perder. Com a equipa dizimada, sem JJ, sem os dois principais guarda-redes, confesso que temo o pior. E estão eles preocupados com um Palhinha...
Nota para Cervi, cuja saída só poderei entender por motivos financeiros (ordenado eventualmente alto para um suplente). É um jogador generoso, que defende e ataca razoavelmente, e até marca golos. Um excelente elemento de plantel, que se vai perder, e deixará saudades.

O "MEU" PRIMEIRO TREINADOR

1976. Eu tinha seis anos, e John Mortimore chegava ao Benfica.
Ainda tenho uma memória remota e difusa de um Bayern-Benfica da temporada 75-76, com a equipa orientada por Mário Wilson. Mas o "meu" primeiro treinador do Benfica é, de facto, Mortimore - que ficaria na Luz até 1979, regressando nos anos oitenta para uma segunda passagem.
Num total de cinco temporadas, deixou ao Benfica dois Campeonatos, duas Taças de Portugal e uma Supertaça. Chegou aos Quartos-de-Final da Taça dos Campeões em 77/78, caindo aos pés do poderosíssimo Liverpool.
Teve pouca sorte nos campeonatos perdidos. Em 77/78, com os mesmos pontos do FC Porto, sem qualquer derrota, perdeu por diferença de golos. Fosse o regulamento o actual e teria sido campeão (no confronto directo empatou 1-1 nas Antas e 0-0 na Luz). Na época seguinte perdeu por apenas um ponto (se as vitórias valessem três pontos teria ficado em primeiro). E em 85-86, uma inesperada derrota em casa com o Sporting na penúltima jornada, por 1-2, sem ele no banco por castigo, estragou uma festa anunciada, naquele que foi o primeiro dérbi a que assisti ao vivo. Ou seja, nas cinco temporadas na Luz, foi campeão em duas, e ficou muito perto de o ser nas restantes. Com uma equipa ainda órfã de Eusébio e Simões, lançou jovens como Alberto, José Luís, e sobretudo Chalana. Foi também com ele que Manuel Bento se tornou titular indiscutível da baliza encarnada.
Saiu do Benfica com uma "dobradinha" em 1987, marcado ainda assim pela derrota por 7-1 em Alvalade (sem dúvida o seu momento mais negro), e indirectamente também pelo facto do FC Porto se ter sagrado campeão europeu nessa mesma temporada. Mas saiu de pé, com toda a dignidade, e com o estatuto de um treinador rigoroso, disciplinador e muito bom no plano físico.
Morreu hoje. Descanse em Paz!

PENÁLTIS 2020-21

Campeonato, após 15 jornadas:

 Note-se que, na Liga Europa, o Benfica beneficiou de 4 grandes penalidades em 6 jogos.

UM ROUBO

Esta temporada ainda não se vira nada assim.
Um golo anulado que deixa muitas dúvidas (já disse várias vezes que as linhas não me convencem, são apenas uma mentira bem contada) . Três lances de penalti que o VAR parece ter ignorado (um deles bastante óbvio). Dualidade de critérios chocante. Cinco minutos de compensação depois de várias paragens. E, mesmo com substituições no tempo de descontos, apenas oito segundos a mais, cortando um lance de ataque do Benfica.
Lamento que os comentadores da BTV tenham praticamente ignorado tudo isto, destacando até à náusea a fraca exibição de uma equipa que se apresentou dizimada.
Este jogo nem devia ter sido disputado. A esperteza saloia do Nacional, e a inércia da Liga, assim o impôs. Era difícil jogar bem. Contra 14, ou 15 ou sei lá quantos são, tornou-se impossível vencer.
Aquele golo não se sofre. Mas com terceiras opções a compor a linha defensiva era de esperar falhas. A equipa de arbitragem apresentou-se completa, e foi o que se viu. 

O POSSÍVEL...

..para continuarmos a brincar aos campeonatos.
 

COVID 2 BENFICA 1

Não há milagres.
Defrontar uma equipa madura e competitiva como o Braga, com uma defesa de terceira linha e feita à pressa, dificilmente daria bom resultado. 
Os dois golos foram naturalmente consentidos, e duas vezes em desvantagem seria difícil dar a volta. Alguma ineficácia, sobretudo na primeira parte, fez o resto. 
Nada a acusar a esta equipa, que já tantas vezes critiquei nesta temporada, mas que hoje não podia fazer muito mais. Há que recuperar, e centrar atenções no campeonato. 
Os dois últimos jogos deixaram bons sinais quanto ao carácter do grupo, pelo que há lugar para a esperança. 

PS: O Braga não tem culpa dos problemas do Benfica. Mas ficaria bem a Carvalhal uma palavrinha, nem que fosse a desejar melhoras. Alarvemente, ignorou tudo isso, como se tivesse ganho à melhor equipa do Benfica, como se tivesse sido justo disputar sequer esta partida. Enfim, não surpreende. 


JOGAR COM ONZE

Recuperar o modelo da "Reconquista", com os "Manéis" João Ferreira, Jardel, Todibo e Chiquinho nos lugares de André Almeira, Ruben Dias, Grimaldo e João Félix. Não é, obviamente, a mesma coisa, mas nas circunstâncias actuais parece-me a forma menos arriscada de ir a jogo. Na ala esquerda poderia também ser lançado Cervi, ou alguém da equipa B.
No banco ficariam: Helton Leite, Morato, Weigl, Taraabt, Pedrinho, Gonçalo Ramos e Darwin.
Não me preocupa tanto a Taça da Liga. Preocupa-me mais Alvalade, jogo que o Benfica tem de vencer se quiser ser campeão, e onde terá de alinhar sem nenhum dos defesas titulares.

ASSIM NÃO DÁ


Em condições normais estaria aqui a propor um onze para defrontar o SC Braga, ou a recordar bons momentos da Taça da Liga. A verdade é que nem Jorge Jesus poderá nesta altura prever o onze a apresentar, nem se sabe se há jogo, ou mesmo Taça da Liga.
Custa-me muito dizer isto, mas não me parece que estejam reunidas condições para se continuar a jogar normalmente. A competição profissional não pode ser uma espécie de roleta de número de infectados, e quem tem menos ganha. E a continuar-se a jogar, é isso que vai fatalmente acontecer.
Ao contrário das escolas, o futebol é algo de que todos podemos prescindir durante algum tempo. Podem falar-me das receitas televisivas, mas esse problema seria igual para todos, e quanto ao destino das Sportvs e Elevens, lamento mas não sou particularmente sensível - seguramente não mais do que face a muitos dos sectores de actividade já encerrados.
Estive a olhar para o calendário, e de facto é difícil encaixar mais datas (a menos que o Europeu seja novamente adiado ou mesmo cancelado). Mas jogar assim não faz qualquer sentido, sejamos do Benfica, do Sporting ou do FC Porto.

SABE A POUCO

Dado o que tem acontecido nos últimos clássicos, e aquilo que tem sido o desempenho da equipa do Benfica ao longo desta época, se me dessem o empate antes do jogo, mais a mais depois do resultado do Sporting, certamente teria aceitado.

Depois dos 98 minutos sabe a pouco. 

Nesta partida viu-se finamente um excelente Benfica, capaz de se superiorizar ao seu rival durante quase todo o tempo, igualando-o na raça e na agressividade, jogando rápido e com fluidez, faltando apenas eficácia na área para construir uma vitória que seria o resultado mais adequado ao que se viu.

Não ganhou o jogo, fica um sabor amargo, mas penso que pode ter ganho uma equipa.

Acredito que nada será igual daqui em diante, e numa altura em que ainda há margem e tempo para recuperar, esta exibição é sem dúvida uma boa notícia.

Por fim, é preciso dizer: Jorge Jesus está vivo e continua um super-treinador. Independentemente do empate, tacticamemte deu um banho a Conceição. 

O MEU ONZE


 

EM FRENTE

Estes jogos de Taça, com elementos pouco utilizados e nada rotinados entre si, contra equipas de escalões inferiores arreganhadas, raramente resultam em bons espectáculos.
A primeira parte da partida da Reboleira confirmou esse padrão: futebol lento, previsível, desajeitado. 
No segundo período o Benfica melhorou. Ajudaram as substituições, e também os golos que foram soltando a equipa para um jogo mais fluído e agradável. Entraram quatro, poderiam ter sido sete ou oito. Há que dizer porém que o Estrela não merecia resultado mais pesado, podendo inclusivamente ter marcado em mais do que uma ocasião (chegou a fazê-lo, mas em fora-de-jogo).
Nota para a estreia absoluta de Todibo, que não pareceu tão mau como o pintavam. Já vi Ferro, e até Jardel, fazer bem pior.
A notícia da eliminatória acaba por ser o afastamento do Sporting (em bom rigor, o FC Porto também deveria ter sido eliminado, mas uma arbitragem à antiga evitou-lhe esse destino), que deixa o Benfica com total favoritismo para chegar até à final - espera-se, no Jamor.
Agora, centrar atenções no Dragão.

RODAR


CAMINHO ATÉ À FINAL:

- Estrela da Amadora, fora;

- Belenenses ou Fafe, casa:

- Marítimo ou Estoril, a duas mãos.
 

SEM CONVENCER

Não quero bater no ceguinho. Mas dos três candidatos ao título, o Benfica era o único que jogava em casa, e foi o que esteve mais próximo de perder pontos. E voltou a dar 45 minutos de avanço.
As indicações para sexta-feira não são boas. Ou acontece uma surpresa, ou este Benfica pode ficar já bastante longe do primeiro lugar, ainda antes do final da primeira volta.
Espera-se que algo mude. Mas já se espera isso há longas semanas. Veremos se é agora.


PORQUE NÃO?


Os nomes até podem ser alterados, mas parece-me que o plantel do Benfica daria para tudo isto e muito mais. Aqui vão, a título de exemplo, um 4-3-3, um 3-5-2 e um 4-2-3-1. Em qualquer das hipótese a equipa parece (no papel, claro) mais consistente, e a defesa mais protegida. É claro que a contratação de um médio ajudaria...

UMA TRAGÉDIA EM TRÊS ACTOS - ou uma história que se repete

 

   1) Em 2018 pensava-se que o problema era Rui Vitória.
É verdade que tinha sido Bi-Campeão, e conquistara seis títulos. O Benfica realizara exibições brilhantes durante duas épocas, com garra, personalidade e ambição. Dizia-se que a força residia no balneário, onde nomes como Luisão, Jonas, Salvio, Gaitán, Fejsa, Júlio César, Paulo Lopes ou Eliseu ditavam regras. Houve até relatos de jogadores que entravam em campo em lágrimas, tal a emoção que punham em cada partida. Grandes alegrias tivemos, talvez das maiores de que me recordo nos últimos anos (Mitroglou em Alvalade, Jonas no Bessa, Jimenez em Vila do Conde, etc etc)
Mas a partir de dada altura a equipa emperrou e estranhamente deixou de render. As exibições passaram a ser miseráveis, e rapidamente os resultados passaram a condizer.
Os primeiros sinais foram dados num estranho empate 3-3 na Luz com o Boavista.
Enfim, a coisa compôs-se, veio o “Tetra” e a “Dobradinha”. Já em 2017-18, não houve desculpa para a horrível carreira europeia (zero pontos!), ainda que o desinvestimento no plantel possa ser circunstância atenuante.  O início de 2018-19 não trouxe melhorias, e Rui Vitória caiu sem surpresa, depois de derrotas comprometedoras com Belenenses, Moreirense e Portimonense. A nau estava a afundar, e a culpa era do treinador – que afinal só ganhara porque tinha tido a sorte dos deuses do seu lado.

   2) Veio Bruno Lage, e durante meses pareceu confirmar-se a tese: o Benfica voltou a jogar, a marcar, a ganhar e a bater recordes. Entre a segunda volta de 2018-19 e a primeira de 2019-20, a equipa de Bruno Lage ganhou 36 em 38 jogos do campeonato (!!!). Na segunda volta de 2018-19 marcou 66 golos (!!!). Nas primeiras 18 jornadas de 2019-20 sofreu apenas 6 (!!!). Pelo meio deu-se a “Reconquista”, sob fortíssima aposta na formação (Ruben, Ferro, Tino, Gedson, Jota, Félix…). Tudo corria sobre rosas, e até podíamos contratar jogadores de 20 milhões (primeiro RDT, depois Weigl e Pedrinho).  O Benfica estava um patamar acima da concorrência. Era opinião unânime.
Só que…o bicho voltou a morder a equipa da Luz, e subitamente também Lage perdeu o pé. Depois daquela impressionante sequência, apenas duas vitórias em dez jogos entregaram, em circunstâncias que nenhum adepto consegue ainda descortinar, o título 2019-20 a um FC Porto intervencionado, com cortes salariais e longe de qualquer brilhantismo. Nessa série negra, que atravessou a pandemia (mas começou antes), houve apedrejamentos, houve gritos do presidente no balneário (após o jogo com o Tondela), e sobretudo exibições tão deploráveis que tornaram impossível a permanência do técnico setubalense. Dizia-se que o modelo de jogo estava esgotado, e entendido por todos os adversários, e que Lage não conseguia apresentar plano B. Mas cheguei a escrever, aqui e no jornal, que sem apurar verdadeiramente as causas de tão súbito decréscimo de rendimento competitivo, as coisas podiam repetir-se.

   3) Veio Jesus, pois com ele não havia hipótese de falhar. Nem em campo, nem no balneário – que JJ segurara com unhas e dentes em todos os clubes por onde passou.
Ainda por cima, com um investimento de quase 100 milhões de euros, nunca antes visto em Portugal, contrataram-se internacionais belgas, argentinos, brasileiros, uruguaios e alemães.
A época começou mal com a eliminação da Champions (com atenuantes face ao tempo de treino, à integração de novas pedras na equipa, e ao facto de a eliminatória se ter disputado em jogo único no campo do adversário). Mas depois a equipa pareceu equilibrar-se, e arrancou para uma série de sete vitórias consecutivas (22-5 em golos), altura em que Gabriel parecia imprescindível, André Almeida ainda assegurava o lado direito, Waldschmidt e Darwin brilhavam na frente, e Everton parecia crescer de rendimento. Tudo dentro do esperado, e é neste contexto que ocorrem as eleições, certamente por coincidência (não é ironia, não vejo mesmo qualquer possível relação, apenas o registo de um facto).
Eis que chegamos ao Bessa, e a uma estrepitosa derrota 0-3 frente a uma equipa que não ganhara nenhum jogo até então, nem voltou a ganhar depois dessa estranha noite. Seguiu-se uma semana negra, com nove golos sofridos em três jogos, empate milagroso com o Rangers (que terá custado o primeiro lugar no grupo da Liga Europa, e derrota caseira com o Braga (2-3 depois de se chegar, novamente, a 0-3). O pior é que não foi algo circunstancial, e a verdade é que a equipa não mais se recompôs, padronizando o seu comportamento em exibições medíocres com resultados mais ou menos milagrosos. Um FC Porto repleto de Manafás e Zaidus foi adversário demasiado forte na Supertaça, e tantas vezes o cântaro foi à fonte que se partiu nos Açores com este empate.
E agora? Encetar mais um capítulo desta novela, chegar novo treinador, fazer meia dúzia de jogos bons, e depois afundar-se no mesmo precipício? Mudar meio plantel?
Sinceramente, gostava de saber. Este Benfica assemelha-se cada vez mais a um filme de David Lynch, em que as pistas estão todas por ali, mas é difícil concluir o puzzle.
Está mais do que visto que o problema não é de treinador. Será de balneário? Faltarão os Luisões e os Jonas, mas também os Eliseus e os Paulos Lopes? Haverá indisciplina ou simples desenquadramento de novos jogadores? Faltará um Director-Desportivo? Será de estrutura de rectaguarda? Alguma coisa mudou na preparação dos jogadores?

PARA REFLECTIR

"O Benfica gastou 98,5 milhões em reforços, feito o desconto conseguido com Pedrinho – e antes de Lucas Veríssimo –, e terá recebido 76 milhões. Além dos 68 milhões por Rúben Dias, houve ainda a venda de Lema, os empréstimos de Florentino e Carlos Vinícius, além de uns trocos aqui e ali com outros jogadores. Contas feitas, os gastos ficam em 22,5 milhões, embora tenha de sublinhar-se a perda da maior referência defensiva, titular da Seleção Nacional e, hoje, do Manchester City, com os elogios a serem praticamente diários, inclusive do treinador Pep Guardiola, como podem ler neste jornal. No entanto, se afastarmos a parcela recebida deste nosso exercício, a conclusão mais óbvia a retirar dos resultados e exibições é que, 98,5 milhões de euros depois – 99,5 se somarmos a cláusula de Jorge Jesus de um milhão – o Benfica está muito longe de ser um plantel completo e equilibrado, estar consolidado no processo de jogo e ser, nesta altura, em janeiro, o mais forte candidato ao título, mesmo perante rivais a atravessar momentos financeiros muito difíceis. Pior, o investimento de 100 milhões, se nos permitirem arredondar, nada alterou o status quo dentro do grupo: Pizzi, Rafa e o hoje lesionado André Almeida – jogadores com qualidade, mas que têm mostrado, ao longo dos anos, dificuldades em manter o registo elevado sempre que a exigência sobe, seja nos confrontos com rivais diretos ou nas competições internacionais – continuam a ser as maiores referências. Ou seja, se aplicarmos aqui a lógica, os encarnados não fizeram crescer o nível médio de qualidade do grupo de trabalho. Mesmo em termos de carisma, os jogadores contratados deixam bastante a dever em termos de capacidade de liderança, com tamanha timidez que apresentam. A braçadeira tem passado de braço para braço, com Ferro a usá-la hoje, ao segundo jogo de início, depois dos 90 minutos com o Paredes.

Há a questão do treinador e, vivamos ou não um momento de anormalidade com a questão da pandemia – que é argumento válido para todas as equipas –, este talvez seja o pior trabalho, ainda que a meio e recuperável, reconhecido a Jorge Jesus. Se o gosto pelo jogo partido continua lá, há erros contínuos nos passes em fase de construção – que aumentam com Taarabt e/ou Gabriel em campo – e que expõem o setor mais recuado, e ainda uma primeira e segunda linhas de pressão que deixam constantemente a bola descoberta e que possibilitam ao adversário colocá-la nas costas da defesa. Depois, também os erros individuais que alguns jogadores acrescentam – o caso de Otamendi tem sido o mais flagrante – não ajudam. Se Jesus nada pode fazer neste último ponto, a equipa não parece ter evoluído muito nos anteriores. Mesmo que Gilberto agora se posicione mais por dentro, quando a bola circula do outro lado, para prever uma mais forte reação à perda.

Se defensivamente, as coisas não melhoram, o excessivo jogo interior em ataque posicional torna a equipa demasiado previsível. Everton é um jogador que não consegue jogar por fora, precisa que Grimaldo esteja em overlappings constantes, o que também o desprotege defensivamente. Rafa ataca muito mais o canal interior entre lateral e central do que a linha e já se sabe que Gilberto não consegue grande profundidade. Além disso, mesmo a forçar o jogo interior, os elementos mais adiantados estão sempre muito estáticos sem procurar movimentos de rotura. Waldschmidt continua a ser o único a tentar encontrar espaço entre linhas, mas atravessará um momento de menor confiança – e acaba quase sempre como sacrificado, ainda que com outros em pior momento.

Mesmo que apresente largura, se ninguém se movimentar, o impasse continua. Nos Açores, verificaram-se algumas melhorias no primeiro tempo, mas a verdade é que o Santa Clara deu 45 minutos de avanço.

O que piorou bastante foi a transição ofensiva, com o desperdício de inúmeras situações de superioridade e igualdade numérica em determinados jogos, e que se explica pela tomada de decisão geralmente deficiente dos atacantes, nomeadamente Rafa, Seferovic e Darwin. O uruguaio tem também outro defeito grave, que é o primeiro toque – a receção simples ou orientada – e que o tem prejudicado em muitos momentos. Apresenta outras valências e não são poucas, mas se quer singrar ao mais alto nível, tem de começar a reagir melhor ao momento em que recebe a bola. A isso e ao posicionamento no momento do passe de rotura.

As declarações do técnico também fazem parte do pacote. O vamos arrasar vai ter eco cada vez maior sempre que os jogos não correrem bem, mas têm surgido igualmente declarações menos adequadas sobre alguns jogadores, como Gonçalo Ramos e agora Diogo Gonçalves, que nada lhes acrescenta em termos de confiança. E, sobretudo, aquela em que colocou o futebol brasileiro ao nível da Premier League terá deixado os adeptos preocupados. Será que Jesus pensa mesmo assim, e daí a aposta em Everton, os suspiros por Gerson e Bruno Henrique, e agora a chegada de Lucas Veríssimo? É que se é verdade que JJ beneficiou de um pensamento e método europeu – e talvez do melhor plantel do Brasileirão, reforçados com jogadores acabados também de chegar da Europa – para ganhar o que ganhou pelo Flamengo, a realidade no Velho Continente é bem outra.

Há questões mais profundas, que se prendem com o regresso à Luz depois da passagem pelo rival – com acusações e palavras feias, entretanto certamente já esquecidas pelas partes, embora não pelos adeptos –, mas sobretudo depois da mudança de rumo. Primeiro, a questão de princípio: ao fazer regressar Jesus, Luís Filipe Vieira resignou-se àquele que passou a ser o melhor treinador que o Benfica poderia contratar, fosse ou não verdade na altura. Uma espécie de fim da história, como professava Fukuyama.

Depois, o paradigma. O emblema da Luz chegou a ter um dos melhores departamentos de scouting da Europa e ainda terá também uma das melhores academias de formação, com jogadores que estão à porta da equipa principal. A porta parece fechada para os dois circuitos, enquanto Jesus estiver no banco. Contratado quase com um selo de garantia de sucesso imediato – que passava pelo apuramento para a Liga dos Campeões e que se estende ao título e, agora, a uma boa participação na Liga Europa –, é difícil não olhar para estes primeiros meses com alguma desconfiança.

O Benfica parece parado no tempo. Em campo, não evolui. Na política desportiva, terá involuído."


Com a devida vénia, Luis Mateus em "A Bola"

PORQUÊ?

Com um plantel de milhões, com um treinador que, até agora, tinha brilhado em todo o lado, nem mesmo assim o Benfica apresenta um futebol consistente e compatível com uma equipa que quer ganhar títulos.

A Champions foi logo por água abaixo, a Supertaça também já lá vai, a Taça da Liga escapou por pouco, e no Campeonato alguma sorte tem evitado o total descalabro. Como a sorte não dura sempre, alguma vez a coisa acabaria mal. Foi hoje.

É incompreensível aquilo que se passa no Benfica. E a história já vai longa. Começou nos últimos tempos de Rui Vitória, repetiu-se na segunda época de Lage, e agora é o que se vê. Sempre com plantéis mais caros e extensos que os dos adversários, sem renderem o que podem e deles se espera, a afundarem-se na mediocridade competitiva. Jogadores apáticos e entregues, sem rendimento nem alegria, nem reacção. 

Zero remates na última meia hora, com o jogo empatado?!?!? Mas o que é isto? 

Porquê?

Urge uma explicação. Exige-se uma explicação. Não podemos pagar quotas e não perceber o que se passa no clube que amamos.

O Benfica está doente, e enquanto não houver um murro na mesa, e não se identificar essa doença, as coisas não vão melhorar.

Neste momento, Sporting, Porto e Braga jogam mais, e gastaram muito menos. 

E se olharmos para as restantes modalidades do clube, o padrão mantém-se. Se há relação, não sei. 

Mas, volto a dizer, espero e exijo explicações. E parece-me que seria altura do presidente dizer alguma coisa. 



SEM BRILHO

Jorge Jesus dispensou a nota artística, e os jogadores levaram à letra. A exibição foi muito pobre, se exceptuarmos os primeiros 20 minutos, e a partida terminou em aflição - mesmo diante do último classificado da Liga.

Este Benfica é um case study, e já não é de agora. 

Enfim, pode ser que o ano novo traga vida nova. E já agora algumas mudanças no plantel. 

POR LINHAS TORTAS

Mau demais.

Tudo. O jogo, o árbitro, o Benfica. 

De boa qualidade parecem ser as vitaminas que os jogadores do FCPorto tomam sempre que jogam com o Benfica ou na Champions. Voam em campo, pressionam como cães, e quem vê futebol há muito tempo sabe que não há milagres.

Quanto à arbitragem, parece ter ficado um penalti por marcar na área portista, mas o que não me convence mesmo são as linhas de fora de jogo no lance que origina o primeiro golo. As linhas são, digamos, como o Natal: onde um homem quiser. E quando mete Porto, já se sabe o que os homens querem.

E por fim, o Benfica. Os problemas de sempre, acrescentados por uma abordagem ridícula de Jorge Jesus ao jogo (meio campo a descoberto) e sobretudo às substituições, deixando Everton e Waldschmidt em campo até ao absurdo, tirando Rafa que parecia o único capaz de romper a defesa do FC Porto.

Enfim, num ano para esquecer a todos os níveis, o Benfica interpretou isso na perfeição perdendo tudo de todas as maneiras.

Muito para reflectir. Sobre o Benfica e sobre o futebol português.