A ESTRELINHA CONTINUA A BRILHAR

Primeiro ponto: é quase emocionante voltarmos a ver um estádio completamente cheio, algo que não acontecia há mais de um ano. Que muito em breve tal se possa estender a todo o futebol mundial.

Quanto à partida, Portugal é muito melhor do que a Hungria, e demonstrou-o ao longo de quase todo o tempo de jogo. Mas aos 84 minutos, com insistente e preocupante 0-0 no marcador, confesso que maldizia Fernando Santos. Pela constituição inicial da equipa (a insistência em William tem sido um mistério, pese embora até nem ter estado mal nesta partida), e pelas substituições que, na altura, me pareceram algo despropositadas (tirar Bernardo Silva, enfim…).
Tenho este problema com Fernando Santos: acho-o uma pessoa estimável, mas não o compreendo como técnico. Será com certeza por ignorância minha, pois o homem é campeão da Europa, e eu sou um simples curioso que gosta de mandar bitaites.
A verdade é que, ou ele é mesmo genial e vê coisas que ninguém vê (afirmar que ia ganhar o Europeu em 2016 depois daquela primeira fase miserável…Santo Deus!…), ou tem uma sorte descumunal. E neste jogo com a Hungria foi uma vez mais bafejado (ou visionário…) pois as substituições que eu maldizia (inclusive o benfiquista Rafa, de quem tanto gosto), e que, para ser franco, tacticamente continuo sem perceber, acabaram por se revelar determinantes. Rafa foi mesmo o homem do jogo (para toda a gente menos para a UEFA), com duas assistências e um penálti conquistado.De destacar o terceiro golo, que foi um verdadeiro hino ao futebol.
Tudo está bem quando acaba bem. Foi assim em 2016, e foi assim neste jogo – que acabou em apoteose, com Ronaldo a bater mais recordes e as substituições de Fernando Santos louvadas por toda a gente.
Penso que bastará um empate num dos dois jogos que faltam para garantir o apuramento. Depois…é esperar que a estrelinha continue a brilhar.
Força Portugal!

A MINHA SELECÇÃO

 

O GUARDA REDES DOS 6-3


... e de muitas outras vitórias. Acima de tudo um grande ser humano, segundo todos os que o conheceram.

Descansa em Paz! 

LISTA DE DISPENSAS

VLACHODIMOS - Jesus não parece gostar dele. Sem espaço não faz sentido ficar no banco. Tem mercado na Alemanha.

SVILAR - Emprestar a uma equipa onde jogue sempre, embora já comece a desconfiar do seu valor.

GILBERTO - Com a recuperação de André Almeida, deixará de fazer falta. Deve ter mercado no Brasileirão. Também não me chocaria que, em vez dele, saísse o próprio André Almeida...

JOÃO FERREIRA - Sem espaço, deve ser emprestado a uma equipa onde jogue sempre.

JARDEL - Fim de contrato. Agradecimentos.

KALAICA - Não acrescenta nada ao plantel.

GRIMALDO ou NUNO TAVARES - Aproveitar alguma possibilidade de fazer dinheiro com Grimaldo, caso contrário, emprestar Nuno Tavares. De qualquer forma, contratar outro lateral-esquerdo.

PIZZI - Salário demasiado elevado face ao rendimento recente. Como melhor goleador da Liga Europa, talvez se encontre mercado, apesar da idade.

GABRIEL - Vender ao melhor preço. Tem talento, mas peso a mais e rendimento demasiado irregular. Sem perfil para uma equipa como o Benfica.

PEDRINHO - Não encaixou no futebol europeu. Individualista e sem sentido táctico. Longe de fazer a diferença e justificar o preço. Vender ao melhor preço para o Brasileirão.

TAARABT - Lutador mas quase sempre pouco esclarecido. Não defende bem, nem remata à baliza, o que é um défice para um médio de equipa grande. Tentar vender para a Turquia ou Arábia Saudita, ou...

CERVI - Tem saída marcada para o Celta. Até tenho alguma pena, pois acho que é combativo e tem alguma qualidade.

SAMARIS - Salário demasiado elevado para o rendimento. Turquia, Arábia Saudita, Grécia ou...

DAVID TAVARES - Sem perfil para o Benfica. Dispensar.

TIAGO ARAÚJO - Emprestar a uma equipa onde tenha algum espaço.

PAULO BERNARDO - Emprestar a uma equipa onde tenha algum espaço.

WALDSCHMIDT - Não rendeu o que se esperava. Muito irregular. Como internacional alemão, tem mercado no seu país. Recuperar o dinheiro investido, ou pelo menos parte dele.

CHIQUINHO - É curto para o Benfica. Como médio ofensivo tinha de marcar e assistir mais. Encontrar mercado na Liga Espanhola, por exemplo.

542 DIAS DE PESADELO

 


TAÇA ALMEIDA

Nuno Almeida, nome envolvido nas escutas do Apito Dourado, quer como árbitro de campo, quer como VAR, já havia retirado ao Benfica duas vitórias, e quatro pontos, no campeonato (jogos diante de Nacional e V.Guimarães no final da primeira volta). Não satisfeito, agora retirou também a Taça. Uma verdadeira "dobradinha" algarvia.
Tenho sérias dúvidas de que exista falta no lance entre Helton Leite a Abel Ruiz. Do que não tenho dúvidas algumas é de que o avançado do Braga toca a bola em direcção da bandeirola de canto, e havia dois jogadores do Benfica no eixo central em condições de eventualmente poder evitar o golo. Não havendo falta era cartão amarelo para Abel Ruiz por simulação. Havendo falta era livre contra o Benfica e cartão amarelo para Helton Leite. Expulsão? Só na cabeça de quem queria manipular o resultado. VAR? Só aparece quando não interessa, ou para, com linhas obtusas, assinalar foras-de-jogo de 10 centímetros.
A Covid já retirou os adeptos das bancadas. O futebol jogado tem sido genericamente miserável. A Final foi à porta fechada, em horário tardio e longe do Jamor. Com arbitragens destas bem podem abrir as bancadas, pois alguns já lá não voltarão.
É óbvio que o lance condicionou o jogo. Pode dizer-se que na final do ano passado o Benfica jogou mais de metade do tempo em vantagem numérica e perdeu com o FC Porto. Mas, aí sim, tinha obrigação de fazer mais e melhor. Nesta final fez o que pôde: teve falhas, cometeu erros, mas não creio que se possa atacar a atitude dos jogadores. Contra uma equipa forte e motivada, a injusta expulsão foi golpe de que um Benfica, já de si algo fragilizado, não conseguiu recompor-se.
Finalmente esta maldita época terminou. Muita coisa tem de mudar, quer no Benfica, quer no futebol português. O último ano e meio foi penoso a todos os níveis. Por agora o sentimento é de tristeza, de revolta, mas também de...alívio. Alívio por isto, pelo menos por agora, ter acabado.

ONZE PARA A FINAL


 

CULTURA DE VIGARICE

Todos os clubes tiveram, digamos, os seus momentos. Mas no FC Porto está instalada, há quase 40 anos, uma cultura de vigarice. Agora, até com o Covid.
Além da investigação em curso, muito gostaria de saber o que se terá passado nos balneários do Estádio do Dragão nas vésperas do Benfica lá jogar. A verdade é que toda a equipa veio de lá infectada, e isso foi caso único na temporada futebolística nacional. Houve casos aqui e ali, mas nada comparável, nem tão generalizado, o que me faz pensar que, se jogadores de várias equipas foram contagiados em lugares dispersos, e os do Benfica foram todos no mesmo dia, e no mesmo sítio, algo de estranho aconteceu nesse dia e nesse sítio - certamente por casualidade, o balneário do maior rival, rival esse com largo "palmarés" em golpadas fora de campo.

ATÉ ISTO...

Coincidentemente ou não, a verdade é que desde o início da pandemia, tudo o que o Benfica pode perder, perde. Esta noite, até a Bola de Prata - que, sendo um troféu individual, e tendo importância relativa, era a única coisa que estava em jogo na última jornada.
Seferovic fez a sua parte, anotando dois golos. Mas a diferença horária nos jogos terá feito toda a diferença, e o Sporting, a jogar contra "mortos", conseguiu levar o seu jogador ao triunfo na "Bola de Prata".
Pior que isso, mesmo rodando a equipa, ainda se lesionou um dos mais importantes titulares (dos poucos que entraram em campo de início), e Lucas Veríssimo vai desfalcar a defesa para a Final da Taça. Boa notícia apenas a exibição de Morato que, enfim, permite a Jorge Jesus continuar a ponderar a utilização de três centrais diante do Braga. E recordo que foi precisamente em Braga que esse modelo se afirmou.
Ser melhor da segunda volta vale muito pouco. Apenas acentua a sensação de que tudo poderia, e deveria, ter sido diferente.
Com tanta contrariedade, com tanto azar, confesso que até tenho receio de ver o jogo de Domingo. Quem, em pouco mais de um ano, perde Taça da Liga 2020, Liga Europa 2020, Campeonato 2020, Taça de Portugal 2020, Acesso à Champions 2020-21, Supertaça 2020, Taça da Liga 2021, Liga Europa 2021, Campeonato 2021, Acesso directo à Champions 2021-22, só pode desconfiar de tudo: da equipa, da sorte e de alguns fantasmas que parecem pairar pela Luz.

PARA SEFEROVIC

Pode ser derrota 4-3, com hat-trick do suíço. De resto, poupar para a Taça.

 

DISPENSÁVEL


Recados internos devem ser...internos.
Há tanta coisa para um vice-presidente do Benfica comunicar para o exterior, que dispensamos vê-lo trocar galhardetes em público com o treinador, sobre uma matéria que nem é do seu pelouro, e sobre a qual perceberá tanto como qualquer adepto comum.
Infelizmente a vaidade leva a estas coisas, que só fragilizam o clube.
Toda a gente sabe que a próxima época terá de ser diferente. Não é preciso lembrar isso aos jornalistas.

SOUBE A POUCO

Quando Seferovic converteu a grande penalidade fazendo o quarto golo do Benfica, dado o que tinha acontecido até então, e dado o previsível cansaço da equipa adversária - em ressaca da festa do título -, confesso que esperei bastante mais. Pensei mesmo que talvez houvesse uma oportunidade de ouro para vingar os 7-1 de 1986. Ou ao menos ficar lá perto.
A verdade é que o conjunto de Ruben Amorim reagiu bem, e embora o Benfica continuasse a criar oportunidades até final, há que dizer que também o empate chegou a ser uma possibilidade.
Salvou-se a vitória, pois nem os dois golos do avançado suíço marcaram qualquer diferença na luta dos goleadores, dado que também Pote bisou na partida.
Foi uma vitória da honra, que deixou algumas boas indicações para a Taça de Portugal. Mas também alguns avisos, pois os golos consentidos exigem alguma reflexão.

COM GUARDA DE HONRA, E COM...VITÓRIA

Fora do campo, e até ao apito inicial do "Dérbi", o Benfica deveria manter uma postura institucional intocável. Se outros não o fazem, que sejamos nós a dar o exemplo. Guarda de honra aos novos campeões seria uma manifestação de grandeza, e de saber perder. Não custa nada. Era bonito.
Depois, assim que o árbitro apitar, entrar com tudo para vencer o jogo. Aí sim, é que o Benfica deve mostrar que tinha equipa para ter sido o campeão. Aí sim, é que pode levantar dúvidas sobre a justiça do título. Aí sim é que pode de alguma forma subalternizar o seu adversário - desportivamente, claro, que é o que me interessa. 
Fora de campo, saber perder. Dentro do campo, saber ganhar.


AFINAL HAVIA OUTRO

Esperavam-se golos de Seferovic (marcou um, mas árbitros e jornalistas têm uma obsessão pelos autogolos). Foi Gonçalo Ramos quem apareceu, vindo do banco, para dar a vitória ao Benfica.
A primeira parte foi uma vez mais desastrada. Como o próprio Jorge Jesus afirmou, alguns jogadores não sabiam o que andavam a fazer em campo. Pedrinho, por exemplo, que até tem algum talento, foi uma nulidade, com sucessivas más decisões a evidenciarem que não terá aprendido muito desde que chegou do Brasil por 18 milhões. Outro caso é o de Waldschmidt, que custou 15 milhões, e depois de uma monumental exibição no primeiro jogo que realizou (em Famalicão), foi caindo, caindo, até se tornar outra nulidade. Cervi e Chiquinho parecem já ter a cabeça noutras paragens. Nuno Tavares, enfim, tem momentos.
Na segunda parte, com Grimaldo, Pizzi, Everton, e depois Darwin e Gonçalo, o Benfica melhorou bastante. Não ao ponto de brilhar, mas de fazer uma exibição normal, ao nível do que se espera num confronto com o último classificado.
Gonçalo é goleador. Disso não há dúvidas. Já Darwin parece-me um ponta-de-lança sofrível, mas quando parte do flanco esquerdo torna-se um excelente avançado. Gostava de um ver num 4-3-3.
Segue-se um jogo pela honra. Ganhar ao Sporting é imperioso, quer como factor motivacional para a Taça de Portugal, quer como forma de mostrar que a temporada podia ter sido bem diferente.

PS: Aproveito para dar os parabéns ao Sporting, justo campeão. Foi mais regular, teve sorte, e não tem culpa dos erros e azares alheiros. Acertou no treinador, e na maioria das contratações. Nos jogos que lhe vi, mostrou uma equipa com garra, grande frescura física e capacidade de pressão. É saudável que ganhe com um presidente e uma estratégia de comunicação nos antípodas do brunocarvalhismo.

SEFEROGOLOS


Pouco há a retirar deste campeonato. O segundo lugar é uma miragem, e o terceiro está garantido. Ganhar ao Sporting é uma questão de dignidade que se sobrepõe a qualquer aspecto individual. Mas nos jogos com Nacional e Guimarães não vejo outro objectivo para além de ajudar Seferovic a conquistar mais uma "Bola de Prata".
Espera-se, pois, uma equipa em torno do suíço. Venham os golos.

A DIAS O QUE É DE DIAS

Soares Dias é o árbitro português mais cotado internacionalmente. Porquê? Porque para a UEFA, um bom árbitro é aquele que preenche os seguintes três requisitos:
- apresentar boa forma física;
- falar bem inglês;
- conseguir manipular jogos de acordo com os interesses superiores sem dar muito nas vistas.
Ora o árbitro do Porto cumpre todos eles, tal como, num passado não muito distante, Pedro Proença também os cumpria.
De resto, se olharmos para as prestações no campeonato nacional, e, naquilo que me diz respeito, nos jogos do Benfica, Soares Dias comete demasiados erros, erros demasiado graves, e sempre para os mesmos lados. Ninguém se lembra de um "clássico" com Porto ou Sporting em que Soares Dias se tenha enganado a favor do Benfica. Mas todos se lembram, praticamente em todos os "clássicos" com Porto e Sporting, de vários erros graves a prejudicar o Benfica - muitas vezes de forma sub-reptícia, habilidosa e em alguns casos quase invisível, mas sempre eficaz.
Depois há também outra questão: pode um árbitro a viver na cidade do Porto, reiteradamente ameaçado e insultado pela ingratidão dos Super Dragões, ter condição psíquica para dirigir um jogo como este? Apesar de tudo, não seria mais confortável que a arbitragem de um Benfica-Porto ficasse a cargo de alguém que vivesse longe das duas maiores cidades? Aqui não se trata de uma questão de honestidade, mas sim de pressões e de medo. Antigamente essa regra existia. Ainda existe em jogos internacionais. Talvez não fosse má ideia recuperá-la.

TEM DIAS

Ao contrário do que foi dito no final pelos treinadores (Jesus e, no caso, Vítor Bruno), não me parece que o “Clássico” tenha sido um bom jogo. Pelo contrário: todas as equipas (Benfica, Porto e, sobretudo, arbitragem) estiveram mal.
O Benfica porque no largo período compreendido entre o golo de Everton e o empate de Uribe praticamente não existiu, limitando-se a esperar que o tempo passasse e que o seu trio de centrais, bem como Helton, continuassem a resolver os problemas que os portistas crescentemente colocavam. O FC Porto porque foi…FC Porto, apostando numa combatividade muito para além das leis, com simulações, intimidações, provocações e entradas selvagens desde o primeiro minuto, destacando-se Otávio, Sérgio Oliveira e, sobretudo, como é hábito, Pepe. O árbitro porque compactuou com tudo isto, utilizando uma impressionante dualidade de critérios que fez com que, pasme-se, o Benfica terminasse com mais do dobro dos cartões amarelos do seu adversário (8-3). Aliás, este número diz tudo sobre a actuação de Artur Soares Dias.
Depois, ainda há o VAR. Já disse várias vezes que não confio minimamente nas linhas de fora-de-jogo. Carecem de rigor em dois aspectos: o próprio ângulo de colocação, e a definição do exacto momento em que a bola parte (no qual uma diferente “frame” do momento do passe pode fazer o seu destinatário adiantar-se dois ou três metros). No futebol de que eu gostava, Darwin estaria em linha no lance do segundo golo do Benfica. E o golo seria validado. E o Benfica ganhava. Até concedo que os dois penáltis possam ter sido retirados, mas anular-se um golo porque um jogador calça 45 e outro 38, ou porque a linha é mais ou menos obtusa, não faz qualquer sentido. E festejar no último minuto para poucos segundos depois perceber que não valeu é dar um tiro no coração do futebol.
De resto, o jogo esteve ao nível das bancadas vazias. Salvaram-se os últimos minutos, quando, então sim, o Benfica foi Benfica, procurando o golo que só por manifesta infelicidade não obteve.
O resultado é mau para ambos. E merecidamente mau, pois nenhum deles merecia outra coisa. De resto, creio que qualquer que tivesse sido o resultado deste jogo, a classificação não se alteraria até final.
Agora, é ganhar ao Sporting por uma questão de dignidade, ajudar Seferovic a ser "Bola de Prata" (já que o "Clássico" nem para isso serviu), sobretudo ganhar a Taça de Portugal, e esquecer que esta temporada existiu. Tal como, alias, a anterior. Há que voltar a 2019 e partir daí para o futuro.

IMPORTA-SE DE REPETIR?


 

PARABÉNS MALTA!

Acrescente-se Ederson e temos uma amostra do que poderia ser o Benfica se...se...se...enfim, se estivéssemos em Inglaterra, na Liga Inglesa, e não num país periférico e pobre como Portugal.
Fico a torcer pelo City na final, não porque aprecie o conceito do clube, mas por ver gente que nos é tão simpática a defender as suas cores. Força Ederson, força João, força Ruben, força Bernardo. Vocês merecem ser felizes, e se ganharem a Champions, ela também será, mesmo que só um bocadinho, de todos os benfiquistas.

 

ONZE PARA O CLÁSSICO

 


VINTE MINUTOS

Vinte minutos à Benfica decidiram o jogo e o resultado. Nesse período, logo após o apito inicial, os encarnados apresentaram-se rápidos, frescos e incisivos, criando uma mão cheia de oportunidades flagrantes. Entraram duas. Foram suficientes.
No resto do tempo não mais se viu esse Benfica. Talvez demasiado confiante, talvez fruto de maior acerto defensivo do Tondela, a verdade é que o jogo mudou, e os homens da casa estiveram, mais de uma vez, perto de fazer o golo. 
Destaque para Everton, que terá sido o melhor em campo, e feito o melhor jogo com a camisola encarnada, bem como para Helton Leite, que segurou o resultado com uma excelente exibição, cimentando a sua titularidade na baliza do Benfica.
Fica o resultado, e fica também a esperança num milagre que ainda garanta a qualificação directa para a Champions, sendo que a pré-eliminatória, pelo menos, parece assegurada.

VELHOS MÉTODOS

O FC Porto não sabe ganhar, nem sabe perder. Não há ali desportivismo, apenas ódio, rancor e intimidação. É assim há 40 anos, mas toda a gente assobia para o lado, e frequentemente canta loas aos seus triunfos - também eles, assumidamente, "contra todos".
Quantas vezes Sérgio Conceição já foi expulso? Quantas mais será, até ser castigado a sério?
Quantos penáltis o FC Porto já teve a favor neste campeonato? Quantos mais terá devido ao barulho que agora voltou a fazer?
No futebol português o crime compensa e, ou me engano muito ou na próxima jornada teremos pagamento.


DEMASIADO DIFÍCIL

Com três pontos somados, com a derrota do SC Braga e o empate do FC Porto, a jornada acabou por correr menos mal.
Mas a exibição confrangedora dos encarnados diante do Santa Clara deixa muitas interrogações no ar.
A primeira parte foi, uma vez mais, escandalosamente fraca. E a segunda não foi suficientemente melhor para apagar a impressão deixada. O Benfica acabou por ter a sorte de um jogo que, sejamos justos, talvez nem merecesse vencer.
Não sei se o esquema de três centrais é o mais adequado para este tipo de jogos. Talvez o seja para jogar com FC Porto ou Sporting, mas para defrontar adversários mais modestos, que fazem do rigor defensivo a sua principal arma, fica a faltar gente na frente para causar os necessários desequilíbrios.
Acresce que há unidades deste Benfica em claro sub-rendimento. Everton tarda em mostrar-se. Pizzi parece desmotivado. E até Rafa evidencia sinais de cansaço. Seferovic tem dias. Waldschmidt é extremamente irregular. E neste jogo acabou por ser Chiquinho a fazer a diferença. A boa notícia é um certo crescimento de forma de Darwin.
O Benfica ainda não depende de si para chegar ao segundo lugar. E, ao que tudo indica, viajará para Tondela sem Otamendi, Weigl, Gabriel e Taarabt, além de Jardel e, claro, Samaris e André Almeida. Demasiadas baixas num plantel não tão brilhante como isso. 
Este campeonato tem trazido algumas surpresas. Pode ser que a sorte acompanhe a equipa encarnada nesta ponta final, e ainda venha ser possível o apuramento directo para a Champions. Será preciso vencer todos os jogos (onde se incluem os clássicos com FC Porto e Sporting), e ainda que os portistas encostem mais uma vez (e além da Luz só vão a Vila do Conde).

DUAS CARAS

Olhando para o que se passou em Portimão, mais nos custa a digerir a derrocada da jornada anterior diante do Gil Vicente.
Embora a primeira parte deste jogo não fosse exemplar, o golo perto do intervalo catapultou o Benfica para uma reviravolta, uma goleada, e uma excelente exibição - ao nível do que havia feito em Braga e em Paços. Seria uma bela sequência, não fosse, lá está, o malfadado jogo anterior, que hipotecou o segundo lugar, bem como qualquer réstia de esperança na conquista do título (num momento em que o Sporting ameaça colapsar).
Faltam seis jogos. Há que os vencer, assegurar, no mínimo, o terceiro lugar, e depois ganhar a Taça. E reflectir sobre o que foi esta temporada, na qual, vírus à parte, o Benfica de Jesus mostrou demasiada irregularidade.

QUE PENA...


Como se vê pela declaração acima destacada, Florentino Perez ainda não percebeu o que é o futebol. Lamenta-se de que ninguém terá 200 ou 300 milhões de euros para contratar um jogador. Ignora que o facto de haver transferências de 200 ou 300 milhões de euros é, isso mesmo, um problema em si, E que a esmagadora maioria de clubes do mundo nem por 30 milhões pode contratar alguém. E que nenhum futebolista, quase arriscaria dizer nenhum profissional de qualquer área, vale tamanha barbaridade.
Sem a Superliga, Haaland e Mbappé não irão certamente abandonar a carreira. Se o Real Madrid não tiver dinheiro para os contratar...que contrate o Rodrigo Pinho, como faz o Benfica.

ADEUS!


MANCHESTER UNITED.....out
MANCHESTER CITY...... out
LIVERPOOL..... out
ARSENAL.......out
TOTTENHAM.....out
CHELSEA.......out
INTER........prestes a sair
ATLETICO MADRID....prestes a sair
BARCELONA......prestes a sair
MILAN....... a ponderar

Sobram dois gananciosos. Irão jogar um contra o outro dezoito vezes, certamente com enorme audiência. Adeus, e sejam felizes!

A MINHA NOVA CHAMPIONS

Em resposta à tal superliga, a UEFA poderia aproveitar para apostar num modelo competitivo mais democrático, em que mais países participassem, deixando porventura de lado a actual Liga Europa. Ou seja, uma competição única, com 64 participantes, apurados pelos campeonatos nacionais, divididos em 16 grupos apurando-se os dois primeiros, e com a fase a eliminar acrescida de uma eliminatória (dezasseis-avos de final). Algo como isto:
 

SUPERLIGA? NÃO!

O futebol é identidade. Não me diz nada ver uma série de multinacionais a jogar entre si sem sequer serem desafiadas.
É verdade que existe a NBA, mas num país diferente, com uma tradição que remonta há mais de 70 anos, e num modelo em que não há mais qualquer competição nacional para aqueles jogadores.
O futebol vive de rivalidades locais, regionais e nacionais, de um conjunto de competições, da identificação que as pessoas sentem pelos seus clubes, e do sonho que alimentam de os verem chegar longe. A Superliga é cortar esse sonho e essa identificação para a maioria dos emblemas e, logo, para a maioria doS adeptos.
Eu vejo a Liga dos Campeões porque o Benfica normalmente participa nela, já a venceu, e foi várias vezes a fases adiantadas (assim como o FC Porto). É esse o fascínio, que depois me arrasta para outros jogos. Se não puder participar, não me interessa nada ver um Real Madrid-Liverpool só pelos nomes, ou por ser disputado por jogadores ricos, numa prova fechada e sem alma. O futebol não é só boas jogadas e bons golos. Nem é principalmente isso. É toda uma cultura para além de um mero show de entretenimento, e que os CEO's destas multinacionais não compreendem - provavelmente porque nunca conheceram essa paixão.
Se quiserem avançar com a Superliga, avancem. Eu não pagarei um cêntimo para ver qualquer jogo. Os chineses que a vejam e que a paguem.
Haverá muito futebol para além deste monstro.


PONTAPÉ NO ESTÔMAGO

Vejo futebol há mais de quarenta anos, e não consigo perceber como uma equipa que mostrara dias antes, em Paços de Ferreira, grande frescura física, confiança e fulgor, entra em campo, na sua casa, perante um candidato à descida, sem alma e sem norte, realizando uma das piores primeiras partes de toda a temporada.
Rafa, Seferovic e Waldschmidt pura e simplesmente não existiram durante os primeiros 45 minutos. E foi aí que a derrota começou a desenhar-se. O Gil, sem pressão, com espaço para sair a jogar, ganhou confiança e ganhou vantagem - que foi conseguindo gerir tranquilamente na segunda parte,  com algum sofrimento apenas nos instantes finais. Um filme já visto, em que a equipa pequena chega à vantagem, ganha confiança, a grande facilita, e depois, deparando-se com queimas de tempo sucessivas, enerva-se ao ver que é tarde para dar a volta, e tem de arriscar abrindo espaços para o contra-ataque.
Quando tudo parecia enfim entrar nos eixos, quando o Benfica de Jesus começava a mostrar os dentes, e quase sonhava novamente com o título, eis que vai tudo por água abaixo, em casa, num jogo onde nem o mais pessimista se atreveria a antecipar uma derrota.
O sonho do título esfumou-se por completo. E até o segundo lugar parece agora uma miragem. Resta manter o terceiro, que também está longe de ser um dado adquirido.
Até há uns dias atrás, a narrativa da Covid, enquanto responsável pelos maus resultados, parecia fazer sentido. E agora? Que justificação encontrar? Sinceramente não sei. Espero que se garanta pelo menos o terceiro lugar, se vença a Taça, e, sobretudo, que a temporada termine depressa.

ONZE PARA SÁBADO


 

SÉTIMA VITÓRIA

E de mão cheia, com uma exibição notável, repleta de velocidade, garra e fluidez. 
Mais uma vez sem sofrer golos, e a confirmar que este Benfica, com este plantel e com este treinador, poderia ter feito uma temporada muito diferente.
Afinal o problema não era o presidente, nem o balneário. Foi o covid, foram os vários penaltis por assinalar, e ainda alguma falta de sorte, que, conjuntamente também retiraram confiança e adensaram a instabilidade.
Com tudo no sítio, está a ver-se, enfim, quão forte é, ou poderia ter sido, este Benfica.
Seferovic foi o homem em destaque. É provavelmente o melhor avançado a jogar em Portugal, e está a encontrar o seu destino com Jorge Jesus. Em condições normais será Bola de Prata pela segunda vez em três anos.
Uma palavra final para Darwin: confiança.


SEXTA VITÓRIA

Não era preciso sofrer tanto para consumar a sexta vitória consecutiva, desta vez diante do último classificado. A exibição foi fraca (estes jogos pós-selecção raramente são brilhantes), mas suficiente para um triunfo tranquilo. As várias oportunidades desperdiçadas, algumas delas de forma quase ridícula, inviabilizaram a construção de um resultado que deixasse o Benfica a salvo de sobressaltos. E a parte final do jogo foi aflitiva.
O que conta são os pontos: e os encarnados continuam a depender apenas de si próprios para chegar ao segundo lugar, e ao apuramento directo para a Champions. Ficaram também mais perto do Sporting, mas ainda demasiado longe para sonhar com o título. Só um colapso total dos leões poderia permitir uma surpresa, mas não me parece que ainda seja plausível esperar por tal.
De realçar mais uma partida com a ficha limpa, a sexta consecutiva, sendo que no campeonato, desde Alvalade, o Benfica apenas sofreu um golo, de penálti, em Moreira de Cónegos. Aquele que era o principal problema da equipa na fase inicial da temporada parece debelado.

Helton Leite, Diogo Gonçalves e Lucas Veríssimo são os rostos da mudança, embora seja redutor colocar a questão em termos individuais. Do meio-campo para a frente, os elementos em perda são Darwin Nuñez e Pizzi, cuja saída da equipa tem coincidido com os melhores resultados. No caso de Darwin era evidente a má forma e a intranquilidade, já quanto a Pizzi será mais uma questão de enquadramento táctico - isto se afastarmos hipóteses extra-desportivas, que carecem de prova.
Segue-se Paços de Ferreira, um campo extremamente difícil, e certamente uma das deslocações mais duras até final. Teste de foro à recuperação da equipa de Jorge Jesus.

ONZE PARA O REGRESSO


 

SEM PERDÃO

Ninguém me consegue explicar porque motivo um qualquer Moreirense-Farense (ou Sittard-Heracles) tem VAR, e um Sérvia-Portugal, de qualificação para o Mundial, não tem.
De qualquer modo, com VAR ou sem VAR, não há como não validar um golo destes. Esperemos que não custe caro.

 

QUINTA VITÓRIA

Os últimos quatro jogos haviam deixado a nítida sensação de que o Benfica estava em fase de retoma, mas de tal faltava ainda uma demonstração clara, frente a um adversário forte. Essa demonstração aconteceu em Braga.
Terá sido a melhor exibição da temporada, embora o facto de jogar em superioridade numérica durante mais de metade do jogo possa ter  contribuído para isso. Mas diga-se que, já antes da expulsão, o Benfica dominava amplamente o jogo, e só por manifesta infelicidade (e inspiração de Matheus) não estava em vantagem desde cedo. O golo à beira do intervalo também ajudou, mas recorrer a Ortega Y Gasset para explicar resultados futebolísticos não é original - como não o seria para justificar o colapso de Janeiro e Fevereiro, quando a equipa estava dizimada pela Covid, da mesma forma que ninguém ousará questionar a liderança do Sporting, mesmo sabendo-se como venceu alguns dos seus jogos. 
A sorte e as circunstâncias fazem parte das vitórias e das derrotas. E ainda há bem pouco tempo o Benfica parecia incapaz de aproveitar erros contrários. Em Braga aproveitou e de forma eloquente, deixando nota de que tem jogadores para muito melhor do que o terceiro lugar que ocupa actualmente.
No plano individual destaque para Rafa e, sobretudo, Seferovic - cheio de confiança, a marcar em todos os jogos, a soltar a sua classe e a protagonizar lances à Van Basten, como aquele mergulho a que o guarda-redes correspondeu com belíssima defesa, evitando o 0-3.
Destaque igualmente para o quinto jogo consecutivo sem sofrer qualquer golo. Aliás, desde Alvalade, nas oito partidas do campeonato que se seguiram, o Benfica apenas sofreu um golo - de penálti em Moreira de Cónegos.
Pena o campeonato não começar agora...

ATAQUE AO SEGUNDO LUGAR

 

FORA DE HORAS

Se os jogos terminassem aos 75 minutos, a classificação era a seguinte:
FCP 48, SCP 46, SLB 41
É sabido que as partidas só terminam quando o árbitro apita, mas, caramba, o Sporting abusa. Já leva nove resultados obtidos nos últimos minutos, dos quais quatro vitórias alcançadas no tempo de descontos, e mais algumas nos minutos 80's.
O FC Porto já ganhou um campeonato assim. Mas o Benfica, que me lembre, praticamente só tem desaires nos últimos instantes. Este ano, a excepção é o golo de Waldschmidt ao Paços na Luz. De resto, contam-se pelos dedos as vitórias obtidas ao soar do gongo em toda a última década: Maritimo 2011, Gil Vicente 2013, Jardel 2015, Bessa e Coimbra 2016 e...

QUARTA VITÓRIA

É uma pena o campeonato não começar agora. No seu quarto jogo seguido a vencer, e sem sofrer golos, o Benfica, mesmo jogando contra dez durante quase toda a partida, deu mostras de evidente retoma exibicional, e deixou claro que vai lutar pelos pontos até ao fim - sirva isso para o que servir.

A defesa encontrou o seu ponto de solidez - Lucas Veríssimo é reforço, e Diogo Gonçalves vai ganhando espaço - enquanto na frente, o mal-amado Seferovic parece querer atingir o nível de 2019 e entrar na luta pelo troféu de melhor marcador. 

No próximo domingo a equipa tem um teste decisivo para se perceber até que ponto vão estes sinais de recuperação. Mas por agora, a teoria justificativa de Jorge Jesus parece estar a fazer sentido. Sem covid esta equipa é outra. 

PAIXÃO

Tem inúmeros e graves defeitos, fez muito mal ao futebol português, é um personagem deplorável para quem os fins justificam os meios. Mas há uma coisa que ninguém pode negar: Pinto da Costa ama profundamente o seu clube.
Curiosamente também eu chorei de alegria em 2014 no mesmo estádio, quando, acabando com nove, o Benfica se apurou dramaticamente para a final da Liga Europa. Essa eliminatória teve contornos específicos, e alguns deles pessoais, pelo que quando o árbitro apitou para o fim não resisti às lágrimas. Aliás, se chorei de tristeza muitas vezes na vida (por falecimento de familiares e não só), talvez possa dizer que só o futebol me fez chorar de alegria - nessa e noutras ocasiões. Não muitas, mas algumas. Tal como recordo noites sem pregar olho após certas derrotas.
Por vezes dou comigo a pensar o quanto gostava de ter, no meu clube, dirigentes que também chorassem de alegria com uma vitória desportiva. E se não é isso que de algum modo falta no Benfica: quem chore de alegria pelas vitórias, e quem nem consiga dormir com as derrotas.

RESPEITO PELA HISTÓRIA

 Presenças em Quartos-de-Final da Taça/Liga dos Campeões:



TERCEIRA VITÓRIA

Com o surto de Covid debelado, e com a tranquilidade proporcionada pelas duas vitórias anteriores, ambas sem sofrer golos, o Benfica venceu com categoria do Belenenses SAD, mostrando que ainda pode fazer uma ponta final de temporada bastante interessante - o que se traduziria no alcançar do segundo lugar, consequente apuramento directo para a Champions League, e conquista da Taça de Portugal.
Neste jogo, só não percebo porque motivo a equipa de Jesus não entrou logo de início com a velocidade apresentada na segunda parte. Mas a imagem final é a que fica, e há que dizer que alguns dos momentos de futebol então apresentados foram do melhor que se viu ao Benfica 2020-21.
Desde a partida de Alvalade, para o Campeonato o Benfica apenas sofreu um golo, de penálti em Moreira de Cónegos - sinal de que a principal fragilidade evidenciada no início da época estará já debelada. Helton Leite não me parece, em nada, superior a Vlachodimos, mas o certo é que não tem sofrido golos (pelo menos na Liga). Lucas Veríssimo dá passos rumo à adaptação, mostrando qualidades. Otamendi afirma-se como patrão da defesa. Seferovic marcou quatro golos em quatro jogos, e demonstra assim que talvez se possa contar com ele ao nível de 2018-19. Deste modo, falta apenas uma maior fluidez no centro do meio-campo (onde anda o melhor Pizzi? onde anda Gabriel?), para que este Benfica possa, enfim, soltar o seu potencial.
Não há um super-plantel na Luz. Mas há matéria prima suficiente para construir a melhor equipa portuguesa. É isso que se espera dos treze jogos que faltam para terminar a temporada.

SEGUNDA VITÓRIA

Não se esperava um grande jogo. Apenas uma vitória (a segunda consecutiva) e a confirmação do apuramento.
Mesmo assim, é preciso valorizar algumas boas indicações, nomeadamente quanto ao ritmo de algumas fases da partida.
Importante, igualmente, não sofrer golos. E o aspecto defensivo é algo que está, de facto, francamente melhor do que há uns meses atrás.
Destaque ainda para o golo de Gonçalo Ramos (5º em 12 jogos pela equipa principal), e para as exibições de Chiquinho e Pedrinho.
O Jamor, ou lá onde for a final, ficará como reserva de esperança até ao fim da época. Agora trata-se de apostar as fichas todas no segundo lugar do campeonato, que não parece nada fácil.

ALGUMA PAZ

A vitória sobre o Rio Ave valeu mais do que três pontos. Havia quatro jogos seguidos que o Benfica não vencia, e a instabilidade estava, quase irremediavelmente, a tomar conta de jogadores, estrutura e adeptos.
Os problemas não ficam todos resolvidos após esta vitória. Mas a equipa ganha, pelo menos, alguma tranquilidade para respirar fundo e embalar para uma ponta final de campeonato bem diferente do que tem acontecido até aqui.
Neste momento, independentemente de tudo o resto, os jogadores precisam de confiança. Quem jogou futebol sabe o quão importante ela é para o desempenho em campo. Sobre brasas ninguém rende. E para dar a volta a este momento precisava-se de alguma serenidade. Esta vitória valeu por isso.
Na próxima quinta-feira espera-se o apuramento para a final da Taça de Portugal. Depois, será jogo a jogo, e no fim ver o que dá. Os encarnados só dependem de si próprios para ultrapassar o FC Porto, e apenas precisam de um empate do Braga até final para chegar ao valioso segundo lugar.
O presidente foi reeleito há quatro meses. O treinador tem contrato por mais um ano. O mercado de jogadores está fechado. É com todos eles que temos de contar no imediato. É a todos eles que os verdadeiros benfiquistas devem, neste momento, expressar o seu apoio. Todos temos o direito ao desabafo (eu também), mas assente a poeira, e olhando friamente para o problema, percebe-se facilmente que não adianta nada contestar quem quer que seja nesta altura. Ser benfiquista é também ser inteligente, e pragmático quando for caso disso. E agora é caso disso.
Nota 1: Nos últimos cinco jogos do campeonato o Benfica apenas sofreu um golo...de penálti. É já a segunda melhor defesa da Liga. Vale o que vale.
Nota 2: Aquando dos 26 casos de Covid, o Benfica estava a quatro pontos do Sporting. O Covid não justifica esses quatro pontos, mas...Vale o que vale.

A ENTREVISTA

FIQUEI ESCLARECIDO QUANTO A:

- efeitos da covid no rendimento do plantel

- sintonia entre Vieira e Jesus na construção do plantel

- profissionalismo dos jogadores


NÃO FIQUEI ESCLARECIDO QUANTO A:

- porque motivo saiu Vinicius

- o que justificou o colapso na segunda época de Bruno Lage





DOLOROSO

A expectativa era baixa. Uma derrota seria o mais normal. Mas como decorreu o jogo, essa derrota tornou-se dolorosa.

O Benfica chegou a ter o pássaro na mão. O golo de Rafa deixava o Arsenal a dois de distância, com 27 minutos por jogar. Cheguei a acreditar.

Penso que Jesus mexeu mal na equipa. Everton não trouxe nada, e até esteve ligado ao golo de Thierney. Nuno Tavares ficaria ligado ao último de Aubameyang. E talvez Gilberto tivesse travado Willian, no flanco esquerdo do ataque arsenalista - que trouxe grande perigo para a área encarnada.

Ficou também demonstrado que Lucas Veríssimo ainda não tem o ritmo do futebol europeu, e que Helton Leite não acrescenta nada na baliza face a Odysseas. 

Enfim, assim doeu mais. É preciso também dizer que este Benfica dificilmente chegaria longe nesta prova. Resta a taça e tentar ainda o segundo lugar no campeonato.

A crise continua. Parece maldição. Ou é falta de categoria ou é falta de sorte. Neste jogo foram ambas, mas ninguém acuse os jogadores de falta de entrega. 

A PROPÓSITO DE PIZZI

 Goleadores do Benfica em provas internacionais de sempre:


Goleadores do Benfica nesta temporada em todas as competições:

Goleadores do Benfica na temporada passada em todas as competições:


Rei das Assistências no campeonato 2019-20 : 14

Rei das Assistências no campeonato 2018-19 : 19

314 jogos (22º da história), 88 golos (24º da história, à frente de Magnusson, Diamantino, Simões, Isaías, Chalana, Paneira, Saviola, Rui Costa, Valdo, Aimar, Di Maria, Miccoli, João Alves, Filipovic etc).

4 campeonatos, 1 taça, 2 taças da liga e 4 supertaças

São factos.

PISTAS PARA PERCEBER A CRISE

Comecemos com um Benfica campeão nacional, batendo recordes de golos e vitórias com uma equipa assente na formação do Seixal, depois de 5-0 ao Sporting na Supertaça, e de, já em 2019-20, ter entrado de rompante na Liga com uma série de 18 vitórias nos primeiros 19 jogos. Chegamos então a Janeiro de 2020.
- A contratação de Weigl, por 20M, e certamente com salário chorudo, pode não ter caído bem no balneário, num momento em que ainda havia, para a posição, Fejsa, Florentino e Samaris. Na altura chegou também, por empréstimo, Dyego Souza. Chego a pensar se os prémios relativos à “Reconquista” já haviam sido liquidados integralmente. A verdade é que, coincidência ou não, após aquele mercado de Janeiro o Benfica não mais foi o mesmo;
- A seguir ao empate com o Tondela em casa, e antes do autocarro ser apedrejado (coisa que ajudou imenso, como se viu…), Vieira terá gritado no balneário, chamando ingratos aos jogadores. Constou que, ao contrário do FC Porto, o Benfica tinha mantido os salários integralmente, e daí a acusação;
- A prestação de André Almeida nos jogos com Santa Clara e Marítimo foi inquietante (veja-se o 4º golo do Santa Clara e o 1º do Marítimo). Tal como havia sido a de Pizzi, primeiro no Dragão, com uma exibição miserável, depois com três penáltis falhados nos jogos com Moreirense e Setúbal. Almeida disse que não percebia o que estava a acontecer, e que os jogadores faziam o que se lhes pedia;
- Bruno Lage, mesmo perante uma intrigante sequência de apenas 2 vitórias em 13 jogos (isto depois de, com praticamente a mesma equipa, ter batido recordes de pontos, vitórias e golos) afirmou que os jogadores estavam com ele. Mas quando saiu, a equipa soltou-se um pouco, realizando um final de campeonato, digamos, normal;
- Na final da Taça o Benfica volta a baquear, mesmo jogando toda a segunda parte com mais um jogador;
- Para a nova época, o Benfica voltou a investir forte, e a contratar atletas internacionais de vários países com salários elevadíssimos. Recorde-se que chegaram a ser oferecidos a Cavani qualquer coisa como 6M por ano. É provável que os capitães do plantel não tenham visto com bons olhos tanto desafogo para quem acabava de (ou estaria para) chegar;
- Em sentido oposto, Jorge Jesus logo na apresentação falou de construir uma grande equipa, e de arrasar. Na altura dizia-se que o Benfica, para além de Cavani (e daí ter recusado… Taremi), pretendia também Gerson, Arão e Bruno Henrique do Flamengo, mais um guarda-redes, Garay, William Carvalho, João Mário, Enzo Perez e até James Rodriguez, entre outros possíveis reforços. Ruben Dias parecia de pedra e cal na Luz. A verdade é que, com a eliminação em Salónica, essas ideias parecerem ficar a meio caminho, e por exemplo o meio-campo, como as laterais, não saíram reforçados. Quem saiu foi Ruben, tal como Vinicius – melhor marcador do campeonato anterior. A equipa ficou algo desequilibrada (no valor desportivo, e presumivelmente também nos salários);
- No Bessa, poucos dias depois das eleições, e após uma sequência de sete vitórias, o Benfica perde estrepitosamente. Foi o primeiro jogo em que Rafa foi suplente. Grimaldo estava indisponível, assim se mantendo na derrota seguinte, com o Braga na Luz. Pelo meio um empate milagroso com o Rangers, obtido no último segundo. Numa semana, nove golos sofridos. Era tempo de se questionar Otamendi;
- Otamendi, esse mesmo, tornado capitão do Benfica ao terceiro jogo de águia ao peito. Na altura, em Poznan, não estava nenhum dos capitães em campo. Mas depois, em Liége, até Vertonghen chegou a usar a braçadeira, aí com Jardel a seu lado no onze;
- Na Supertaça, e na ausência de Tiago Pinto, Luisão senta-se no banco. No fim, manifesta veementemente o seu descontentamento com alguns jogadores, desautorizando Jesus – que na conferência de imprensa desvaloriza o sucedido. No jogo em Alvalade volta a passar-se algo idêntico. O que é certo é que em Roma, antes do jogo com o Arsenal, Luisão é o único membro do staff que não cumprimenta Jesus à saída do balneário, talvez porque não calhou, talvez por qualquer outro motivo;
- Quem também não cumprimentou Jesus, mas no jogo com o Standard na Luz, foi Gabriel, após ser substituído, ocasião em que não escondeu total desagrado, ignorando a abordagem do treinador. A situação foi desvalorizada, e o brasileiro foi titular no Bessa. Mas desde então, em 14 jogos de campeonato só entrou de início em três deles;
- Jesus não é um hábil comunicador. Mas terá passado as marcas quando comparou Pizzi com Taarabt, dizendo que a atacar eram iguais (Pizzi havia marcado 30 golos na época anterior, e era rei das assistências), e que a defender o marroquino era superior. De resto, o transmontano tem perdido influência no onze, sendo suplente nos últimos jogos.
- O técnico substituiu com frequência também Rafa, por vezes sem razão aparente, e chegou a criticá-lo numa conferência de imprensa. Culpou Vlachodimos por golos sofridos, quando tal nem acontecera nos dois jogos anteriores à perda da sua titularidade. Acusou os centrais de lentidão. E também responsabilizou os avançados pelo zero no último jogo;
- Darwin é o jogador mais caro da história do clube. Mas o rendimento tem sido intermitente: começou bem, mas a pouco e pouco tem vindo a apagar-se, evidenciando enorme ansiedade em frente das balizas. Em Faro foi substituído bem cedo, mesmo com o nulo no marcador, e não escondeu a frustração ao chegar ao banco. Manifestou insatisfação também nas redes sociais;
- Darwin, como Everton, chegaram a eliminar as suas páginas pessoais, dado o nível de críticas, acusações e ameaças que alguns pseudo-adeptos entenderam fazer-lhes, como se isso servisse para algo mais do que desestabilizar ainda mais os jogadores e a equipa;
- Rui Costa falou após a derrota de Alvalade, e não escondeu as críticas aos jogadores a quem, segundo ele não bastava fazer um carrinho ou um malabarismo em campo, sendo preciso também treinar no duro todos os dias. A reacção da equipa foi absolutamente inexistente, e seguiu-se um tristonho empate com o Guimarães na Luz;
- João de Deus, quando confrontado com essas declarações, e questionado sobre quais seriam os jogadores em causa, respondeu “perguntem ao Rui Costa”, como que desautorizando o vice-presidente, em mais um episódio desta saga.
Agora, como num filme de David Lynch, cabe ao leitor filtrar o que interessa, e tirar as suas conclusões.
Fica também, para aquilo que se entender por útil, um quadro com a utilização dos jogadores do plantel actual nos jogos mais negros das últimas três temporadas

DE MAL A PIOR

A verdade é que já quase nem dói. Este Benfica 2020-21 é um caso perdido, e, ou me engano muito, ou na próxima quinta-feira ficará reduzido a uma muito improvável  possibilidade de vencer a Taça de Portugal.
Se no início da época o problema era a defesa, agora é o ataque: cinco golos marcados nas últimas sete jornadas, e a pior média de golos em mais de uma década, ainda assim inflacionada pela goleada ao Famalicão (5-1) na primeira ronda. O jogo de Faro foi bem elucidativo, pois a equipa até entrou bem, com alguma velocidade, com alguma vontade, mas sempre com total inoperância dentro da área, onde Seferovic e Darwin têm sido dois pesos mortos. Naturalmente zero golos a uma equipa que até nem defende particularmente bem, e que sofrera golos em todos os jogos até aqui.
O investimento para esta temporada centrou-se precisamente no sector ofensivo. Só Darwin, Waldschmidt, Pedrinho e Everton custaram no conjunto quase 80 milhões de euros. Até ver, em termos de rendimento, nenhum justificou sequer metade do preço de custo, embora todos eles, num ou noutro momento, tenham demonstrado qualidades. Por qualquer motivo que desconheço, não rendem, nem evoluem. Aliás, há jogadores neste Benfica que parecem até regredir.
Urge fazer uma reflexão profunda sobre o que está a acontecer, reflexão essa que não pode deixar de parte o que aconteceu na segunda volta do campeonato passado. Jorge Jesus é o melhor treinador português, mas, tal como Bruno Lage antes, e até talvez Rui Vitória num passado mais distante, não está a conseguir tirar rendimento de um plantel que, no papel, é substancialmente superior ao dos rivais.

É altura de Luís Filipe Vieira falar. Recordo que quando ganhou as eleições a equipa estava numa série de sete vitórias consecutivas, e embora tivesse ficado fora da Champions, tudo se compunha para uma temporada interna ao nível daquilo que foi comum na última década. Na semana seguinte perdeu estrondosamente no Bessa, e a partir daí caiu a pique. Porquê? Os benfiquistas precisam de saber, precisam de justificações. Há que admitir erros, e inflectir caminho. Houve opções erradas que é preciso corrigir. Pode e deve pedir-se união, mas também é preciso saber a verdade. Porque motivo uma equipa que ganha quase 40 jogos seguidos de repente perde ou empata 10, como sucedeu com Lage? Porque motivo um plantel é reforçado em quase 100 milhões, e não só as aquisições não rendem, como os que já lá estavam deixam de render? Há algum compromisso por cumprir? Há falta de profissionalismo de alguém? Há focos de conflito? Quais e porquê? O tempo passa e as respostas tardam.

PODIA TER SIDO PIOR

Um empate em casa (?!) com golos numa primeira mão europeia é sempre um mau resultado. Porém, atendendo ao momento do Benfica, e à expectativa negativa criada para este jogo, pode dizer-se que o simples facto de ter deixado a eliminatória em aberto, já não é mau de todo. Até porque os ingleses tiveram mais e mais flagrantes oportunidades de golo.
Note-se que a exibição teve momentos agradáveis, embora sem consistência que permita alimentar sonhos muito altos nesta competição. E diga-se que o Arsenal tem algumas super-estrelas, mas também está longe de ser uma super-equipa – por exemplo no plano defensivo, deixou espaços que o Benfica podia ter aproveitado de outra forma.
A opção de três centrais não resultou mal, embora não tenha disfarçado alguns dos problemas crónicos dos encarnados (espaço nas costas entre laterais e centrais, sobretudo no flanco esquerdo). Gostei, por exemplo, da forma como deixou sistematicamente os avançados do Arsenal em off-side. E da prestação de Lucas Veríssimo, que parece trazer coisas que nenhum dos outros centrais dão à equipa.
Enfim, na próxima semana se saberá se este foi ou não um momento positivo.

ONZE PARA ROMA

 

...e sobretudo não sofrer golos.

PORQUÊ?


Odysseas Vlachodimos é, para mim, a par de Rafa, um dos dois melhores jogadores do Benfica. E dos poucos com dimensão internacional - isto é, capaz de brilhar, por exemplo, numa Champions.
Nos últimos cinco jogos de campeonato havia sofrido apenas dois golos (um no Dragão, sem qualquer culpa, e outro em Alvalade, com culpas residuais - tantas como as de Helton Leite no Estoril, e muito menos do que as de Svilar com o Nacional). 
Salvo ter ocorrido qualquer situação de âmbito disciplinar, não vejo o menor motivo para o afastar de uma equipa onde é dos poucos valores seguros. Aliás, sem ele na baliza, as duas épocas anteriores teriam sido bem piores. A crise benfiquista era hoje bem mais grave. 
Acresce que não vejo Helton Leite como nenhum Ederson ou Oblak. É um bom guarda-redes, e suplente ideal para o grego. Podia jogar nas Taças, e até talvez na Liga Europa. Mas a titularidade não me oferece quaisquer dúvidas.
A baliza é certamente o sector menos problemático do Benfica. Quem olha para os laterais, para o meio-campo e para os pontas-de-lança, só tem de abrir a boca de espanto por ver que é o guarda-redes o primeiro a ser posto em causa. Enfim, uma das muitas coisas que não percebo no actual Benfica.

BENFICA NA TAÇA UEFA/LIGA EUROPA