ORFÃOS DO DOUTOR VARANDAS
Por outro lado, não me admirava que um destes dias Rafael Nel conquistasse uma Bota de Ouro. Isto se se mantiver em Alvalade, sob liderança do mago Rui Borges - génio capaz de meter no bolso qualquer Ancelotti desta vida. Se o jovem procurar outros ares, acabará com naturalidade no Rio Ave.
Ruben Amorim é, porém, o exemplo mais flagrante de uma doença que só o doutor Varandas sabe curar. Saíu de Manchester pela porta dos fundos, e com isso hipotecou a Premier League nos anos mais próximos. Não tardará a saír de Milão, corrido a pontapé, hipotecando também a Série A. Na próxima temporada, vejo-o num Racing de Santander ou num Lorient. A menos que ele e o seu empresário consigam enganar um árabe qualquer.
Nada como uma estrutura altamente profissional, que faz com que todos os jogadores lutem como touros e corram como galgos, e todos os treinadores sejam os melhores do mundo e arredores. E se alguma coisa falhar, o Conselho de Arbitragem dá uma mãozinha. Nota-se pouco, até porque a comunicação social é a banda sonora deste novo e grande Sporting. O Sporting do doutor Varandas.
SE NÃO ERA CHAMPIONS, PARECIA
ONZE PARA MILÃO
Por agora, interessa apenas ultrapassar a fase regular, preferencialmente nos primeiros oito classificados. Para tal, o Benfica irá ter jogos suficientes, em casa e fora, onde pode alcançar todos os pontos de que necessita. A partida de Milão é teoricamente a mais difícil de todo o calendário, e está longe, muito longe, de ser decisiva. Não diria que pode ser desprezada (até dava gozo ganhar a Amorim...), mas, agendada poucos dias antes de um "Clássico", esse sim, bastante importante nas contas do principal objectivo da temporada, não pode constituir qualquer tipo risco para domingo. Ao invés, é sim uma excelente ocasião para preparar esse jogo da melhor forma, dando ritmo ou descanço a quem deles precisar.
CORREU BEM
É claro que o Benfica mereceu ganhar, como o teria merecido em quase todos esses empates. Mas há algo a rever.
Desde logo no plano psicológico. A liga portuguesa é o que é, e não creio que vá mudar este ano. Para derrotar este tipo de adversários, com este tipo de atitude (que não se vê em nenhum país e é típica de treinadores espertalhões e árbitros permissivos), há que procurar outras vias - o bom futebol, o futebol ofensivo, não basta. É preciso peso, altura e eficácia na área, peso, altura e agressividade no meio-campo, peso, altura e solidez na defesa.
ONZE
Trubin, Banjaqui, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Palhinha, Barreiro, Rafa, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.
UM DIA SABEREMOS
Campo, clínica, bastidores, arbitragem e imprensa. Ou como se ganham campeonatos em Portugal. Estejamos atentos.
O VERDADEIRO MINI MESSI
Uns anos antes chegou ao Sporting, ainda muito jovem. Alguém perspicaz lhe chamou Mini Messi. Como rapidamente soubemos, era falso alarme.
Mas ao ver Gianluca Prestianni jogar, não posso deixar de me lembrar, não do pobre e inocente escocês, mas do nome que lhe puseram.
O argentino do Benfica está um craque da cabeça aos pés. Está, com golos e assistências, a ser aquilo que o seu talento anunciava. É neste momento, Pavlidis que me perdoe, o melhor jogador do Benfica. E só o episódio Vinicius o pode manter por cá mais tempo do que os joões neves das últimas décadas.
Em Moreira de Cónegos, em mais um terreno lavrado - este dentro de uma caixa de fósforos - foi outra vez de Prestianni a maior nota de destaque. O Benfica venceu, goleou, e ficou a dever a si próprio (e ao guarda-redes contrário) mais um bom par de golos.
ONZE
Trubin, Banjaqui, T. Araújo, Lenglet, Dahl, Palhinha, Barreiro, Rafa, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.
VENHAM MAIS CINCO
AGOSTO DE 2024
"Mas a grande surpresa foi a exibição de Prestianni. Que tinha bom toque de bola, já toda a gente suspeitava. O que se viu esta noite não foi propriamente um "brinca na areia" (como eu temia), mas um verdadeiro jogador de futebol, com técnica, garra, velocidade e critério no passe. É claro que tem muito para crescer, e não sei se na sombra de Di Maria terá espaço para o fazer. Mas que está ali uma pérola, parece ser um facto. Que tenha juízo e humildade, pois talento não lhe falta. Começo a achar-lhe graça. Muita graça."
In aqui mesmo
3 GOLOS, 3 PONTOS
O jogo foi, por tudo isso, bastante difícil - pelo menos até ao segundo golo de Barreiro, o qual serenou a equipa...e também a arbitragem. Até aí temia-se o pior (um golo fortuito, uma falha de marcação, enfim, aquilo que tantas vezes tem acontecido nas últimas épocas). A partir daí o Marítimo baixou os braços e os pontos ficaram entregues.
Tudo acabou bem, havendo que realçar algumas grandes exibições individuais. Barreiro, Palhinha e Prestianni estiveram em plano bastante elevado. Schjelderup entrou bem. E a surpresa Kaminski, na ala direita, deixou uma nota de dúvida a confirmar em próximas partidas, o que já representa um upgrade face às paupérrimas exibições que tinha realizado na sua posição original.
Nota negativa para a lesão de Bah, e para Sudakov (ainda não foi desta...). Também não fiquei impressionado com Circati, embora tenha sido forçado a tarefas fora do seu habitat natural.
ONZE PARA A MADEIRA
Samu, Bah, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Palhinha, Aursnes, Barreiro, Rafa, Pavlidis e Prestianni.
FACTOS
PLANTEL DO BENFICA: 20 internacionais A
PLANTEL DO FC PORTO: 17 internacionais A
PLANTEL DO SPPORTING: 10 internacionais A
OPINIÃO
BALANÇO
SOFRIMENTO DESNECESSÁRIO
Com Palhinha, o regresso de Aursnes ao onze e uma eventual subida de forma de Schjelderup (que o coloque na equipa em vez de Sudakov), parece-me que o Benfica tem meio-campo e ataque. Na defesa continuo com dúvidas. Falta agressividade e rigor. Se chegam com o tempo, veremos.
A VIDA DOS OUTROS
Por muito melhor que o Benfica esteja, por muito melhor que o Benfica jogue, por muito que contrate, vai ser sempre muito difícil vencer este campeonato- como de resto têm sido difíceis os anteriores.
Que não interessa, que são desculpas, que só o Benfica conta, blá blá blá. A verdade é que o campeonato é uma correlação de forças, e Sporting e Porto estão muito mais fortes. O primeiro do que em quase toda a sua história desde os Violinos. O segundo do que na primeira temporada de Villas Boas, tendo sabido reinventar-se. E as outras equipas (excepto o Braga) são cada vez mais frágeis - havendo imperiosamente que ganhar a todas, em casa e fora. Coisa que os rivais fazem, e que o Benfica também tem de fazer.
NADA MAU
Dos "big five" só temos o Milan, e em San Siro, gastando uma deslocação. E esse é o único dos oito jogos em que o Benfica não será favorito a vencer. Assim sendo, a passagem é mais do que obrigatória, e em condições normais será conseguida sem muito stress.
O QUE FALTAVA A UM CRAQUE, O QUE NÃO FALTA A OUTRO
Foi ele o grande destaque de uma vitória que acabou por surgir com naturalidade, a mesma naturalidade com que o Benfica se desembaraçou do conjunto das pré eliminatórias, e com que chega à fase regular da Liga Europa. Não é o seu lugar natural, mas era o seu lugar nesta temporada.
De resto, mais um golo de Rafa, cujos números deviam, pelo contrário, embaraçar todos os que desdenharam da sua contratação. Continua a ser um grande jogador, titular indiscutível com todos os treinadores que teve, profissional que se cuida, e que rende com futebol e golos. Continua a sua cavalgada rumo a um brilhante lugar na história do próprio clube. O único de todo o plantel com essa dimensão. E que, como tal, devia ser mais respeitado por alguns adeptos.
Venha o sorteio.
ONZE PARA A DINAMARCA
Para este jogo, aproveitava as rotinas já criadas, fortalecia-as, e não mexia em nada, até porque a continuidade nas provas europeias está assegurada (Liga Europa e Liga Conferência são quase a mesma coisa): Samu, Bah, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Enzo, Barreiro, Prestianni, Sudakov, Rafa e Pavlidis.
UM FILHO PRÓDIGO
AI SE FOSSE NO BENFICA...
À VISTA
OPORTUNIDADE(S) PERDIDA(S)
Fica tudo em aberto, sendo que, com este 3-1, em condições normais o Benfica estará na fase regular da Liga Europa. E se alguma coisa correr muito mal, já nunca ficará fora das provas da UEFA. Com os novos formatos, a Conference é quase igual.
A primeira parte foi muito melhor do que a segunda. Se nos primeiros 45 minutos os encarnados marcaram três e deixaram outros tantos por anotar, no segundo período ficaram a zeros e apenas por duas vezes ameaçaram a baliza dinamarquesa. Algum desgaste de jogadores nucleares, e uma ou outra substituição que não entendi, fizeram com que a partida se arrastasse até ao fim. O Benfica sem fulgor, o Aahrus sem capacidade para mais. E ficou tudo como estava.
Acredito que este Benfica, no plano ofensivo, possa vir a ser bastante forte. Palhinha e Aursnes no miolo, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis mais à frente. Rios, Barreiro, Lukebakio, Sudakov e Durán como alternativas. Enfim, olhando desta perspectiva, isto parece-se com um plantel campeão.
O problema está mais atrás, sendo que Palhinha, com a capacidade de compensação, com a sua agressividade e o seu jogo aéreo, pode de alguma forma mitigá-lo. A solidez defensiva, longe de se mostrar minimamente conseguida, pode também depender muito da afirmação de algum, ou de alguns dos jovens que irão, para já, guarnecer o quarteto titular. Acredito que Banjaqui, Circati, Índio e José Neto, ao longo da época, não sejam, todos eles, cartas fora do baralho. Se assim suceder, o Benfica pode ter um plantel forte e equilibrado. Caso contrário, irá penar bastante quando encontrar pela frente adversários mais fortes. Com extremos pouco dados a trabalho defensivo, exigem-se laterais extremamente seguros. Bah e, sobretudo, Dahl são...Bah e, sobretudo, Dahl. E no meio, tanto Tomás como Lenglet, são ambos de perfil demasiado açucarado - o que ficou bem patente no golo sofrido esta noite.
O MEU ONZE
Trubin (lamento, mas Samu não me convence), Bah, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Aursnes, Barreiro, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.
TER CÃO
Entretanto, aqueles que criticavam o Benfica pelo atraso na contratação de um defesa e de um médio, já começaram a campanha de descredibilização de um e de outro - mesmo que, provavelmente, nem sequer tenham visto o jovem central jogar. Basta ler o Record.
Recordo que, se Palhinha vem para pegar de estaca, Circati será, no imediato, uma alternativa a Tomás Araújo.
O médio enquadra-se claramente naquilo que Marco Silva pretende, devendo fazer dupla com Aursnes no miolo do terreno. Circati esperarei para ver.
Não sei se o plantel fica fechado. Mas com estes dois reforços, e a não saír nenhum dos habituais titulares, fica claramente mais forte e equilibrado.
AMASSO
Foi um jogo de sentido único, que o Benfica soube tornar fácil. Ao contrário da primeira jornada, a equipa não adormeceu à sombra da vantagem, e só levantou o pé quando a goleada garantia definitivamente os três pontos. Comportando-se sempre desta forma, ganhará a maioria dos jogos do campeonato. Esperemos, pois, que a lição do Académico de Viseu tenha sido aprendida.
O Benfica precisa de reforçar a defesa e o meio-campo. Daí para a frente, precisa apenas de manter as principais figuras. O plantel não é tão mau como se pinta, tem excelentes jogadores, e com Rafa, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis ao melhor nível, fica com um quarteto mais do que suficiente para compor um onze campeão. Depois há o caso Sudakov, do qual nem Marco Silva ainda desistiu, e sobre o qual nem eu perdi a esperança.
Venha o Aahrus.
GANHAR!
1-0 basta.
Trubin, Bah, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Barreiro, Rios, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.
SEM CONVENCER
O aspecto positivo: o Benfica esteve quase sempre por cima, e, nesse período, a haver um vencedor teria de ser a equipa encarnada.
Os aspectos negativos: a facilidade com que se sofreu mais um golo, e as prestações de Durán e Kaminski, dando ideia que os reforços desta época são piores do que os da época anterior, que por sua vez já haviam sido piores que os de 2024.
Parece haver, de facto, uma problema com a construção das equipas. Scouting? Área financeira? Capacidade de negociação? Mário Branco? O presidente?
Para mim não é claro. Vejo o presidente como uma figura tutelar, simbólica e de agregação, que não tem de andar a ver e a escolher jogadores para o plantel. Mas há algo que não está a funcionar e tem de ser corrigido. Há gente no clube que não está a fazer bem o seu trabalho. E haverá gente que, porventura, nem estará a fazer trabalho nenhum.
Rui Costa tem de se rodear melhor, tem de reformar algumas áreas do clube e da Sad, se não quiser perder a confiança daqueles que apostaram nele, lhe deram mais uma oportunidade no ano passado, mas, se as coisas voltarem a correr mal, podem chegar à conclusão que a mudança tem de ser mais profunda.
Palhinha não vem. O central, vamos ver. E a gestão das saídas tem de ser criteriosa. Vamos ver o que acontece nas próximas semanas. Este mercado tem de trazer, pelo menos, alguma esperança. Até agora isso não foi conseguido.
ONZE PARA A ESCÓCIA
Trubin, Bah, T.Araujo, Lenglet, Neto, Barreiro, Rios, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.
AINDA HÁ TEMPO. MAS POUCO.
Não sei quem anda a negociar os jogadores para o Benfica. Quem quer que seja tem de perceber que não haverá mais margem para errar. Nem tempo a perder.
O campeonato já começou, e cada dia conta.
TOTALMENTE VAZIO
Quem criticava o futebol feio de Mourinho, talvez não tenha percebido o que ele tentou fazer no Benfica - e estou em crer que nesta temporada o conseguiria: transmitir segurança a uma equipa que quando perde a bola parece perder também a cabeça, evidenciando uma permeabilidade totalmente incompatível com quem quer ser campeão. Veremos o que poderá fazer Marco Silva relativamente a esta questão. E o mercado também terá que trazer alguém que ajude. Palhinha? Um médio que faça compensações (que saudades de Florentino...)? Um lateral esquerdo? Um central que não seja um passarinho como Araújo? Outro guarda redes (Samu é de equipa B)?
Os dois golos do Académico de Viseu são absolutamente inaceitáveis. E quem sofre golos assim, não merece vencer.
COMEÇA BEM...
Enquanto o gangster que preside ao CA por lá continuar, vai ser assim. Podem calar os intervenientes com castigos sucessivos. Aos benfiquistas não calam.
ONZE
Infelizmente sem gente à volta. Quem aplica este tipo de castigo, não gosta de futebol.
Trubin, Bah, T.Araujo, Lenglet, Dahl, Enzo, Barreiro, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.
NOITE QUASE PERFEITA
Prestianni veio dar alegria aos flancos, Rafa voltou a marcar, tal como Pavlidis. Barreiro dá consistência ao meio campo, Bah aparece em boa forma, mas são as movimentações colectivas que melhor explicam a segunda goleada consecutiva, e a quase garantia de qualificação europeia - pois em caso de derrota no playoff, sobrará sempre a Conference League.
Não percebi a aposta em Samuel Soares, a não ser para preparar uma eventual saída de Trubin. O jovem guarda-redes da formação ainda não me convence de ter maturidade ou segurança para tomar conta da baliza do Benfica. Se o ucraniano sair, tem de chegar novo guardião.
Enzo esteve bem, como em algumas partidas da fase inicial da época passada. Então não manteve a consistência e caiu na mediocridade. Veremos se agora escreve uma história diferente.
De notar ainda mais uma enchente na Luz, o que demonstra a esperança dos benfiquistas numa boa temporada. Há reforços por chegar, há jogadores ainda longe da melhor condição (Schjelderup é o caso mais flagrante), mas para já a equipa está a cumprir o que dela se espera.
O EQUILÍBRIO
Pavlidis é, porventura, o melhor jogador deste plantel. Não me choca que venha a ter um dos salários mais altos. Não será possível contratar um ponta de lança que garanta igual rendimento por menos de 30 ou 40 milhões de euros. Por isso, há que manter e motivar o grego.
Palhinha pode ser uma contratação de luxo, de um internacional português que Marco Silva conhece bem, para uma posição carenciada. Acredito que seja difícil, mas é crucial para formar um onze equilibrado e trazer ânimo aos adeptos - dando, de caminho, uma bicada ao rival.
...E A TAÇA LATINA?
Mas se é para fazer contas, então é preciso englobar também uma prova como a Taça Latina, onde o Benfica obteve a primeira grande vitória internacional de um clube português. Não vou repetir aqui amplos estudos que demonstram o carácter oficial da competição - que na altura era a única internacional envolvendo equipas da Europa ocidental. Basta consultar o palmarés do Real Madrid, o clube que provavelmente menos precisaria de acrescentar exorbitâncias ao currículo.
QUE FORMA DE VER AS COISAS...
Esta é uma notícia do jornal "Público". Uma goleada salva o Benfica da vergonha? Certo? A Espanha foi campeã do mundo e salvou-se da vergonha de ser eliminada na fase de grupos? Igualmente certo? Enfim, uma forma de ver as coisas que mostra bem como está a ccomunicação social portuguesa.
TEM DE SER EM GREGO
Obviamente que mais uma semana de trabalho faz diferença, mas foi sobretudo um super Pavlidis que embalou a equipa para o triunfo.
Não está tudo bem, nem poderia estar - com um novo treinador, numa fase precoce de preparação, e perante a ausência de alguns dos principais elementos que, pouco a pouco, foram regressando das férias pós Mundial. Tudo isso pesou na Suíça. Tudo isso pesou menos esta noite. Tudo isso pesará bem menos nas próximas semanas e até termos a versão definitiva do Benfica de Marco Silva, do Benfica 2026-27 - cujo principal objectivo não pode deixar de ser o campeonato nacional.
E para ter reais ambições há um homem que não pode saír. Não é António Silva, não é Schjelderup - é Pavlidis, avançado que seria extremamente difícil de substituir nos mercados a que o Benfica tem acesso. Aumente-se o ordenado ao homem, faça-se o que for necessário, mas tem de ficar no plantel.
É ISSO
Gilles Veissière, antigo árbitro francês, cuja opinião eu aplaudo e merece aqui ser citada.
Se além de comer bacalhau acompanhasse, também, a liga portuguesa, certamente veria que, por cá, uma vez é a favor do Sporting e outra é contra... o Benfica. Mais um instrumento de manipulação, este nas mãos de quem está longe do estádio e nem assobiado pode ser.
DAR A VOLTA
Isto se Aursnes estiver em condições...Se não estiver, enfim, que jogue um Manel qualquer.
O GAJO COMPETENTÍSSIMO
Se isto puder contribuir para varrer o lixo da FPF e do CA antes de começar o próximo campeonato, já terá valido a pena.
SERÁ ALGO COMO ISTO?
RUA!
OLHOS QUE NÃO VEEM
Não vi, não sei, pelo que não vou comentar o Benfica-Belenenses. Apenas notar que a equipa de Belém é da Liga 3, e o St.Gallen é vice-campeão suíço. E registar um golo de Durán.
NO SCOUTING
O QUE NÃO PODE ACONTECER
ENTRADA EM FALSO
Como eu disse antes do jogo, isto é o que há, de momento. Esperava, e espero, que seja suficiente para, na Luz, dar a volta à eliminatória. Se tal não acontecer, se o Benfica tiver que disputar a Conference League, que a dispute. Uma coisa não pode voltar a acontecer: comprometer mais um campeonato logo no verão. Se há um ano estava em causa a Champions, e muitos milhões, nesta temporada a prioridade é clara.
Dito isto, há naturalmente sinais de preocupação. Kaminski ainda não mostrou absolutamente nada. Lenglet, enfim, vamos ver. Sudakov não se afirma. E não fosse o velho Rafa, podíamos estar perante um resultado ainda mais comprometedor.
É cedo para tirar conclusões. Mas entrar com uma derrota era tudo o que o Benfica de Marco Silva não necessitava.
ONZE PARA A SUÍÇA
APOSTA DE RISCO
SOBRE O MUNDIAL
UM BOM TESTE
Naturalmente a equipa encarnada ainda está muito longe daquilo que se espera venha a render ao longo da época. Há jogadores de férias pós Mundial, reforços por chegar (pelo menos um central, um médio, um extremo e um ponta de lança), e os que já cá estão ainda não mostraram as suas potencialidades.
A segunda parte foi manifestamente melhor que a primeira. Mormente o período entre o intervalo e as muitas substituições. Dois belos golos, e a confirmação de que Rafa, Pavlidis e, depois, Prestianni, ainda são os elementos preponderantes deste Benfica. Pelo menos dos disponíveis.
ENQUANTO NÃO CHEGAM REFORÇOS...
A ÚLTIMA PALAVRA
Os tempos mudaram. Mudaram demasiado. Desconfio que neste abominávvel mundo novo, o das redes sociais, dos algorítmos, das polarizações e de todos os ressentimentos e rancores expressos através de um teclado, não seja possível discutir futebol na internet. Desconfio mesmo que não seja possível discutir assunto nenhum, sem um exército de trolls atacar com insistência até à náusea, sem nos depararmos com uma polarização absurdamente excessiva, por vezes quase ridícula, resultado dos algorítmos, mas, sobretudo, do anonimato - que transportou o discurso de tasca para o espaço público. Uma pessoa faz-se passar por várias. Umas poucas pessoas criam uma multidão, organizada ou espontânea, mas sempre virtual. E quando têm uma agenda definida, o ruído torna-se demasiado tóxico para se manter suportável. Escreve-se alhos, aparecem vinte respostas em bugalhos. Ninguém elogia nada (quando alguém elogia, é porque é avençado, ou tem tacho, ou é lambe-botas, ou é parvo). Tudo é para deitar abaixo. Tudo é péssimo. Toda a gente é corrupta (sejam presidentes de clubes, sejam ministros, sejam figuras de destaque em qualquer área da sociedade). O grau de exigência (para com os outros) é ilimitado e tende para infinito, como se a fasquia estivesse em Albert Einstein, ou na Madre Teresa, conforme se fale de capacidade ou honestidade. A tolerância ao erro (e ao outro) é abaixo de zero - sobretudo para gerações habituadas a todos os facilitismos, em casa, na escola e até à vida adulta, onde esbarram de frente com a realidade e, com isso, adensam frustrações. As caixas de comentários tornam-se uma teia que acaba por asfixiar qualquer discussão lúcida sobre qualquer tema. Interessa é gritar, fazer o maior ruído possível, para levar avante (ou destruir) um qualquer propósito, uma qualquer figura. E quem não concorda é porque é estúpido. Isso é bastante notório na vida política, em Portugal e não só. Não sei se, por cá, as redes sociais serão um dia capazes de eleger um presidente da república (como um dia Emídio Rangel disse a propósito das televisões). Para já ainda não, mas noutros quadrantes já o fizeram.
Quando me tornei benfiquista nem sabia quem era o presidente. Essa era uma figura burocrática que me foi sendo mais ou menos indiferente até chegar Vale e Azevedo - um criminoso, mais tarde condenado em tribunal por desviar dinheiro do clube para o seu próprio bolso. Aí, bati-me de forma veemente contra as suas propostas em Assembleias Gerais onde os seus capangas de serviço não me meteram medo. Quem lá esteve, e viu cabeças partidas, sabe do que estou a falar. O fulano ainda assim cumpriu o seu mandato. Depois, foi democraticamente corrido - nas urnas, pela maioria dos sócios (os que como eu nunca acreditaram nele, e aqueles que de início foram mais crédulos, mas depois deixaram também de acreditar num vendedor de ilusões e de mentiras).
Entretanto Pinto da Costa, e, depois, de certo modo também Luís Filipe Vieira, tornaram-se elementos centrais da vida dos clubes portugueses. A somar à volatilidade com que jogadores e treinadores entravam e saíam, a figura dos presidentes assumiu um peso desproporcional e nocivo no clubismo dos adeptos portugueses - a reboque de uma comunicação social em crise, ávida de sangue e de polémicas capazes de conferir audiências e receitas. Daí, a política interna dos clubes ter assumido, também ela, maior relevância e destaque (#varandasout, AVB traidor, etc).
QUER SAIR? COMO ASSIM?
Sei que o futebol profissional é o que é - e quando penso a fundo no que é, dá-me vontade de não querer saber dele para nada -, mas António Silva, um menino que chegou ao clube ainda criança, e que não se cansava de afirmar o seu benfiquismo (e o do irmão, e o da família toda, e o do cão e do gato), independentemente da avaliação técnica que se pudesse fazer, era um daqueles jogadores que eu gostava de ver no plantel durante anos. Escrevi sobre isso, pedindo a renovação, e esperando ver ali um futuro capitão de equipa - nem que fosse só no balneário.
Ao que sei, o Benfica fez-lhe uma excelente proposta de renovação, com um valor bastante acima do contrato actual. Mas ele...quer sair, como se fosse um Schjelderup qualquer.
Tem cometido erros primários, perdeu a titularidade para Tomás Araújo (que partia bastante atrás), e nem sequer foi chamado à Selecção. Ainda assim, o clube queria pagar-lhe mais do que aufere.
Situações como esta reforçam a minha convicção de que os ídolos são apenas as camisolas. Quem circunstancialmente as veste, não merece sequer um aplauso, quanto mais qualquer tipo de carinho.
O MEU PLANTEL
VALE O QUE VALE
A postura dos brasileiros não é aceitável e não se reproduz no futebol europeu. Atiraram para fora do campo o jovem Umeh, e foi uma sorte não terem feito mais vítimas.
De resto, para primeiro jogo, e diante de uma equipa num patamar físico totalmente diferente (a meio da sua temporada), não é dramático perder. Noutro comtexto, duvido que o Flamengo acabasse com onze, e isso podia pesar. E até nem desgostei da dinâmica com que os encarnados terminaram a partida - por cima do adversário e em busca do empate.
O trabalho vai continuar, e só mais tarde se perceberá a força deste Benfica. Por agora, faltam jogadores, faltam rotinas, falta tempo.
ONZE PARA O FLAMENGO
Trubin, Bah, A.Silva, Lenglet, Dahl, Enzo, Barreiro, Sudakov, Rafa, Pavlidis e Kaminski.
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS
APENAS SIMPÁTICO
Scolari também não era um mago da táctica, mas soube, não só construir um grupo à prova de bala e cativar o povo português em seu redor, como também aproveitar inteligentemente o trabalho de terceiros, designadamente quando percebeu que o FC Porto de Mourinho, campeão europeu em 2004 com bastantes portugueses no onze titular, tinha obviamente que ser a base da selecção nacional. Não venceu, mas ficou lá perto.
O técnico espanhol sempre foi difícil de decifrar. As suas convocatórias foram por vezes estranhas, e não esqueço que, para Bola de Ouro, uma vez votou em...Brozovic (!?!). Vendo a equipa jogar mal, ainda pensei, num benefício da dúvida que levei até onde pude, que a estivesse a preparar para grandes confrontos de "mata-mata", em que era preciso especular, defender, arrastar o jogo e procurar o erro contrário. A realidade mostrou que o erro não era contrário, e estava em todo o lado, que a equipa defendia mal, não se mexia, não evidenciava qualquer tipo de organização, e apostava apenas no factor sorte. E era preciso muita.
E chegamos a Cristiano Ronaldo. Depois de Fernando Santos o ter colocado no banco, em 2022, e, acto contínuo, ser despedido, a primeira coisa que Martinez fez quando foi contratado foi visitar CR7 na Arábia Saudita - decerto para lhe dizer que a selecção ia ser ele e mais dez, fazendo também a vontade a uma FPF que tem lucrado milhões com a imagem do antigo Bola de Ouro. Não sei, e talvez nunca venhamos a saber, se o espanhol foi de algum modo coagido a utilizar Ronaldo (em nome das receitas comerciais), ou se tinha mesmo a convicção da sua utilizade no onze titular. O que é certo é que, não só insistiu até à náusea num avançado que já não consegue correr nem saltar, como resistiu sempre a tirá-lo de campo, que mais não fosse para lhe poupar algumas energias na ponta final de certas partidas - contra tudo aquilo que era óbvio para quem visse os jogos. E se a presença de Ronaldo na selecção ainda divide os portugueses, para além dele próprio, da mãe e das irmãs, não haverá mais ninguém que ache que, aos 41 anos, deva realizar todos os minutos de todos os jogos. Por dever, ou por falta de coragem, Martinez seguiu pelo caminho mais fácil, o de agradar ao dono disto tudo, e assim comprar uma paz de balneário que, desconfio, seja mais podre do que aparenta. Caiu com estrondo.
Roberto Martinez não deixa, pois, quaisquer saudades. Deixa sim uma interrogação: porque motivo foi contratado?
Venha o senhor que se segue. Toda a gente que visita este espaço sabe o que penso de Jorge Jesus: um extraordinário treinador, que põe equipas a jogar e a ganhar. Isso aconteceu em quase todos os clubes por onde passou. Não tenho a certeza que o papel de seleccionador lhe assente assim tão bem. Sem tempo para treinar, com jogos de tempos a tempos, tem pela frente um desafio muito diferente de qualquer outro que teve até agora. Não terá, certamente, a diplomacia de Martinez ou Fernando Santos, coisa que não é despicienda num cargo como este. Enfim, vamos esperar para ver.
A curiosidade maior, o elefante na sala, é perceber se Cristiano Ronaldo se mantém na equipa, e se a continua a bloquear com a sua omnipresença. Se CR7 tivesse decidido abandonar a selecção, pelo seu pé, há quatro anos atrás, seria digno do meu aplauso. Se a abandonar agora, apenas merece o meu registo e o meu alívio. Se não tomar essa decisão, veremos que força será dada a Jorge Jesus para ser ele a fazê-lo.
Há jogos já em Setembro. Não temos de esperar muito para saber.
CR 0
UM JOGO COM HISTÓRIA
41 jogos, 7 vitórias, 16 empattes e 18 derrotas. É este o registo histórico global do Portugal-Espanha, o confronto mais vezes repetido no historial da "Equipa das Quinas". No século XXI, 12 jogos, 3 vitórias, 5 empates e 4 derrotas. Em Mundiais, um empate e uma derrota, nas únicas duas ocasiões em que os dois países ibéricos se defrontaram.
Viajando no tempo, recordemos, com algumas fotografias, a primeira partida, em 1921
