DOIS GOLOS PARA MANDAR CALAR A CRISE

A entrega do troféu relativo ao título nacional, os cânticos entoados aos campeões, e as bancadas mais ou menos repletas, terão dado o mote para um regresso do Benfica àquilo que foi a normalidade da temporada passada.
A vitória era imprescindível. Qualquer outro resultado podia significar o adeus definitivo ao sonho do bi-campeonato, pelo que este jogo trazia associado o dramatismo das grandes ocasiões. E, como tantas vezes aconteceu no último ano, a equipa de Jorge Jesus, perante o desafio, gritou “presente!”.
Se os dois golos de Óscar Cardozo, um em cada uma das partes, fizeram lembrar o jogo da última jornada com o Rio Ave, a atitude global da equipa encarnada, a raça com que abordou os lances de princípio a fim, a capacidade de choque e de luta postas sobre o relvado, trouxeram à memória o Benfica-FC Porto das vésperas do último Natal (o do túnel), quando, também sob pressão, e com a equipa dizimada por ausências importantes, os jogadores do Benfica deixaram a pele em campo para alcançar a vitória que os embalou para a grande conquista.
Foi pois de fato de macaco que o Benfica começou a desenhar a vitória neste dérbi. Foi recorrendo à coragem, à valentia, e até ao orgulho ferido, que a equipa da Luz deu um pontapé na ansiedade com que teve de conviver nos últimos tempos. Foi também, ironicamente, pelos pés de Cardozo que a águia começou a caminhar: depois de três minutos iniciais de domínio sportinguista, uma bola ao poste e, pouco depois, um golo, foram resposta para a qual os leões não mais encontraram argumentação. Coragem e Cardozo, poderiam resumir assim, em duas palavras começadas pela mesma letra, a vitória do Benfica no dérbi.
É importante dizer-se que o Sporting desiludiu. Depois daquela entrada de leão, foi-se percebendo, à medida que os minutos passavam, que seria difícil ao conjunto de Paulo Sérgio escapar a uma saída de sendeiro. A discussão sobre o mérito de uns face ao demérito de outros seria interminável. Mas se o Benfica revelou, neste jogo, e porventura pela primeira vez nesta temporada, alguns dos tópicos futebolísticos que o levaram ao último título, também teremos de dizer que o Sporting não foi uma equipa à altura de um momento em que poderia, caso vencesse, colocar o rival directo fora da corrida pelo primeiro lugar.
Aliás, este Sporting é um caso curioso. Todos se recordam da contestação que na época passada, por esta altura, grassava em Alvalade. Pois olhando para a situação actual da equipa, e comparando-a com a de há um ano, vemos que o Sporting, entrando igualmente com uma vitória fora de casa na fase de grupos da Liga Europa (na altura sobre o Heerenveen da Holanda), tinha então 10 pontos no campeonato, enquanto agora tem apenas 7. Explicação para a diferença de atitude dos adeptos? É simples, agora mantém-se (ainda) à frente do Benfica, enquanto no ano passado estava já a 3 pontos dos encarnados, que na altura iam maravilhando com um futebol de excepção e goleadas em série.
Voltando ao jogo, diga-se que, para além de Cardozo, outro C, o de Coentrão (de regresso ao seu lugar de origem), esteve em grande plano. Creio que para o jogador, e para a sua carreira, talvez fosse preferível mantê-lo como lateral, lugar que o deu a conhecer ao mundo na África do Sul. Mas, pelo contrário, para a equipa, e para o desenho táctico que possa aproximar um Benfica sem Di Maria daquele que, com o extremo argentino, encantou o país durante o último ano, julgo que a colocação de Fábio Coentrão como extremo se torna quase imperativa. Foi pois bastante feliz a opção de Jesus, retirando Gaitán - talentoso mas ainda em fase de crescimento – para cobrir, com Peixoto, as costas do vilacondense, dando a este a liberdade para criar a maioria dos desequilíbrios que abriram a defesa adversária.
Como balanço diga-se que a vitória do Benfica foi justa e não sofre qualquer contestação. O futuro próximo dirá até que ponto ela pode ser, ou não, o trampolim para uma recuperação classificativa na qual, além de si próprios, os encarnados terão de contar com o desempenho de terceiros.
Carlos Xistra esteve mal, apitando demais, mostrando cartões demais, e prejudicando, sobretudo, o espectáculo. A dada altura da primeira parte pareceu querer inclinar o campo, como outros tão eficazmente fizeram nas últimas semanas. O jogo acabou por não proporcionar “casos” em nenhuma das áreas, o que não deu azo a qualquer influência no resultado final. Mas não há motivo nenhum para pensarmos que os problemas da arbitragem portuguesa tenham ficado diluídos por um dérbi sem grandes polémicas.

DERBY É DERBY!

...e este é decisivo!

VOTO CONTRA

Nenhum português desdenharia a hipótese de ver José Mourinho como seleccionador nacional. Nem mesmo eu, que apesar de não simpatizar com o personagem, não deixo, obviamente, de reconhecer a sua enorme capacidade técnica e profissional.
Coisa totalmente diferente é esta ideia de Gilberto Madaíl, de pretender contratá-lo em part-time, não se sabe bem para que funções.
Não me parece que o Real Madrid (que tem desafios extremamente exigentes pela frente) vá aceitar de bom grado a possibilidade de ver o caríssimo treinador perder o seu precioso tempo a orientar uma selecção de outro país – que por pouco trabalho que dê, exige decerto alguma energia, alguma atenção e algumas ausências. Mas independentemente desse (decisivo) aspecto, não creio que um seleccionador “a meias” seja a melhor opção para Portugal, nem me lembro de ver algo idêntico em selecções de topo, como queremos que seja a nossa.
Até porque Mourinho, por muito bom que seja, não faz milagres. Sobretudo se tiverem de ser feitos à pressa, e à distância.

XISTRA: um cadastro preocupante

2009-10
p.ferreira-porto 1-1
Fora-de-jogo mal assinalado no último minuto dos descontos, quando Carlitos seguia isolado para a baliza de Helton
nacional-porto 0-4
Penalti por marcar para o Nacional por agarrão claro de Fucile a Edgar; penálti inventado no lance seguinte, e expulsão, a favor do FC Porto
academica-benfica 2-3
Golo irregular da Académica, após domínio de bola com a mão; expulsão perdoada a Sougou

2008-09
rio ave-benfica 1-1
penálti por assinalar sobre Aimar
guimarães-benfica 1-2
penálti escandaloso por assinalar sobre Aimar; 3 expulsões perdoadas a vimaranenses; Reyes expulso de forma exagerada; fora-de-jogo mal tirado a Suazo em situação de golo

2006-07
benfica-amadora 3-1
Miccoli expulso sem fazer nada, e impedido de jogar no Dragão; penálti por marcar sobre Miccoli; expulsão perdoada a Jordão

2005-06
porto-academica 5-1
Golo fantasma de César Peixoto (então no FCP)
benfica-naval 0-0
2 penáltis por assinalar em empurrão a Ricardo Rocha, na primeira parte, e rasteira a Léo, este perto do final

2004-05
maritimo-porto 1-1
Golo do empate, comLuís Fabiano dois metros fora-de-jogo
sporting-estoril 4-0
3 golos irregulares: 2º golo com 2 bolas em campo, 3º em fora-de-jogo, e 4º de penálti inexistente
COMENTÁRIO: Com o árbitro mais sportinguista da Liga em campo, nomeado pelo "Leão de Ouro" Vítor Pereira, creio que Rogério Alves (que aproveita todos os instantes da vida para aparecer na televisão ou nos jornais a dizer aquilo que for preciso) não tem muito com que se preocupar.

CABEÇA QUENTE E PÉ DIREITO

Estou em crer que muitas das insuficiências reveladas pelo Benfica nos últimos jogos advêm do caldo psicológico provocado pelas derrotas. O Benfica perde porque é prejudicado pela arbitragem, e, consequentemente, joga pior porque sente a pressão das derrotas. É este o ciclo - que, naturalmente, contempla também o sentido inverso (veja-se o FC Porto). É isto que tem sido frequentemente iludido por aqueles que tentam desviar as atenções das arbitragens, argumentando com a falta de plasticidade das exibições encarnadas.
Se alguém tinha dúvidas sobre os efeitos das derrotas na cabeça, e nas pernas, dos jogadores, a partida desta noite terá sido um documento perfeito para as dissipar. O jogo com o Hapoel mostrou-nos (como, de resto, seria de esperar) um Benfica nervoso, ansioso, intranquilo e pouco seguro das suas capacidades. Teve desta vez a sorte do seu lado (o primeiro golo surge num excelente momento), e contou ainda com uma arbitragem amiga (creio que Luisão fez mesmo penálti), o que também é demonstrativo de como a simples análise de um lance - e aqui estamos perante apenas um lance, num jogo, sendo certo que o Benfica não vai ser beneficiado com múltiplas decisões de arbitragem em quatro partidas seguidas da fase de grupos - pode condicionar o livre curso de um resultado.
Não significa isto que a vitória não tenha sido merecida. Foi-o. Mas há que dizer que, noutras circunstâncias (por exemplo, o Hapoel ter marcado primeiro), o jogo poderia ter-se complicado bastante para o conjunto de Jorge Jesus, que raramente mostrou segurança de processos capaz de matar o adversário e a partida, mau grado a fantástica exibição de Pablo Aimar enquanto brilhante e zeloso maestro de uma orquestra pouco afinada.
O que mais lamento na noite da Luz é, contudo, que poucos benfiquistas tenham percebido o momento da equipa e aquilo que o explica.
Na sequência do jogo de Guimarães falei aqui abundantemente de unidade, de apoio, de amor clubista. Disse que era importante que os benfiquistas interpretassem devidamente o que estava em cima da mesa. Esperava que dessem uma resposta à altura, mas, honestamente, fiquei desolado quando, ao entrar no estádio, deparei com as bancadas semi-desertas. Provavelmente não será um problema exclusivo do clube - há uma gritante falta de cultura desportiva no país, que põe sistematicamente rivalidades acima de paixões -, mas com o mal dos outros posso eu bem. Quando se pedem acções concertadas aos sócios, quando se clama pelo peso social do clube da Luz, quando se fala do “maior clube do mundo” e depois se percebe que, em toda a primeira jornada da Champions League, só o estádio do Benfica não encheu, há algo que tem de ser reequacionado. O pior é que alguns dos que lá estavam deviam, também eles, ter ficado em casa (já lá irei). E já nem falo da deplorável tarja exibida pelos Diabos Vermelhos.
Entrar a ganhar na Liga dos Campeões é motivo para festejar. O adversário não tem nome sonante, mas os três pontos valem tanto como se fossem conseguidos perante o Real Madrid. Se havia jogo importante nesta fase, se havia jogo que não podia, de modo algum, ser desperdiçado, era este: era o primeiro da prova, disputava-se em casa, perante o adversário teoricamente menos cotado, e num contexto interno muito problemático. A vitória seria, como foi, preciosa. Por todos os motivos, incluindo como calmante lançado em cima da efervescência dos últimos tempos.
Já destaquei Aimar, claramente o melhor em campo. Poderia também falar de Luisão, de Roberto (enfim transformado, pelo menos, e para já, num guarda-redes… normal), e, a espaços, também de Carlos Martins. Com nota baixa saíram aqueles que têm dado mostras de maior quebra de forma relativamente à temporada passada: Ruben Amorim, David Luíz, Javi Garcia, Saviola e Cardozo.
Fábio Coentrão esteve intermitente, mas não jogou mal. E Nico Gaitán prossegue o seu caminho de integração no futebol europeu, ora com acelerações, ora com um ou outro abrandamento (como foi, de certo modo, o caso deste jogo).
O árbitro apenas pecou no tal lance de Luisão. De resto esteve perfeito.

Deixei para o fim o caso protagonizado por Óscar Cardozo, após marcar o segundo, e decisivo, golo do jogo.
Não posso deixar de considerar que o paraguaio podia, e devia, ter evitado o gesto que fez. Mas também não posso deixar de o compreender, e direi até que, no lugar dele, dificilmente teria resistido a fazer o mesmo.
Na verdade, ao ouvir os primeiros assobios, também eu tive vontade de mandar calar aquela gente. Não era muita gente. Não tenho como avaliar a questão, mas parece-me que num estádio com 30 mil pessoas, se mil assobiarem e 29 mil estiverem em silêncio, a vaia soa a monumental. Não era pois a mim (que nunca seria capaz de assobiar um jogador do Benfica), nem à maioria dos benfiquistas que Tacuára mandava calar. Era antes a um número reduzido de auto-intitulados "adeptos", que teriam feito melhor em ficar em casa a ver o jogo pela TV, em vez de se deslocarem ao estádio para intranquilizar ainda mais uma equipa, já toda ela sob brasas.Cardozo fez bem em pedir desculpas. Mas a mim, enquanto sócio do Benfica, nem precisava de as pedir. Quem fez mal ao clube nesta noite europeia não foi quem marcou um golo decisivo. Foi quem, primeiro o assobiou prejudicando o seu trabalho (e acrescentando ansiedade também aos colegas), e depois “conseguiu” ignorar o festejo de um importantíssimo golo europeu para continuar a assobiar com disparatada indignação.
Não irei discutir novamente os méritos de Cardozo. Já o fiz muitas vezes, aqui e noutros locais. O que me parece estranho é haver benfiquistas que assobiam o seu grande goleador, como assobiavam Nené, como assobiavam Nuno Gomes, mesmo nos seus melhores tempos (será algum trauma com o golo, ou simplesmente não perceber nada de futebol?). Provavelmente, muitos deles são os mesmos. Provavelmente são também os que agora vaiaram César Peixoto antes sequer de ele pisar o relvado (David Luíz, por exemplo, por mais asneiras que faça merece sempre aplausos). Ou os que, no passado, fizeram a vida negra a vários guarda-redes do Benfica. Provavelmente são também os que gritavam histericamente quando Mantorras, a coxear, entrava em campo.
O Benfica ganhou o jogo. Mas alguns dos seus adeptos (quero acreditar que uma inexpressiva minoria), mereciam perdê-lo. Esperava, pelos vistos em vão, que todos percebessem o que se passava, e estivessem incondicionalmente com a equipa. Espero agora, por outro lado, que os dirigentes encarnados percebam que alguns destes adeptos não são mesmo para levar a sério.

DE REGRESSO À ELITE

Empurrado para uma posição extremamente difícil no campeonato, o Benfica tem hoje, na frente externa, a oportunidade soberana de regressar às vitórias, e reconquistar a tranquilidade que, por cá, outros lhe retiraram.
O momento não será o ideal, mas tem a virtude de permitir, num jogo diferente, numa competição diferente, a recuperação de alguma da auto-confiança que ditou leis na temporada passada. Com uma arbitragem neutra, com o apoio do público da Luz, o Benfica pode vencer. E uma vitória terá também o condão de afastar do horizonte os laivos de instabilidade que já vão sendo criados a partir do exterior, e ao qual alguns benfiquistas mais permeáveis acabam por ser sensíveis. Esse é, de resto, o meu maior receio para os tempos mais próximos.
Não que um empate ou uma derrota neste jogo retirem um pingo de razão aos encarnados em tudo o que tem estado em causa no campeonato nacional. Mas percebe-se que uma vitória europeia reforçará essas razões, e esse tem de ser um factor acrescido de motivação para jogadores, e também para adeptos.
Ao contrário do que se possa pensar, o Hapoel não é um adversário fácil. É uma equipa com experiência europeia, que vai deixar a pele em campo para fazer um bom jogo e conseguir um bom resultado. É previsível que venha jogar com muitas cautelas defensivas, o que ainda dificultará mais a vida ao Benfica. Só um colectivo forte será capaz de ultrapassar estes israelitas.
Apesar de tudo, esta é a equipa teoricamente menos cotada do grupo, o jogo disputa-se em casa, e é da primeira jornada. Juntando estes factores, acrescentando-lhes a conjuntura nacional, estamos perante uma partida em que o Benfica é praticamente obrigado a ganhar - talvez a única, das seis, em que tal se poderá dizer. Ou seja, este é provavelmente, por isso mesmo, o jogo mais importante de toda a fase de grupos.
Ninguém deve deitar a toalha ao chão relativamente ao campeonato. Mas há que admitir que a situação não é nada favorável, pelo que a presença na Taça dos Campeões ainda pode fazer alterar a hierarquia de prioridades para a temporada benfiquista. Afinal de contas trata-se da maior competição de clubes do mundo, e na qual os encarnados escreveram as mais belas páginas da sua história.
O onze deve ser o mesmo de Guimarães. Não foi por aí que o Benfica perdeu.

DETERMINAÇÃO E UNIÃO: OS LEMAS PARA OS TEMPOS QUE CORREM

O comunicado que resultou do plenário dos órgãos sociais do Benfica vai de encontro àquilo que a maioria dos sócios exigia, e responde à onda de indignação que tem varrido o país de norte a sul.
Direi mesmo que, por mim, poderia ter ido ainda mais longe nalguns dos pontos considerados, designadamente naquilo que diz respeito à arbitragem. Há árbitros que têm de ser banidos do futebol, e seria uma boa altura para o Benfica exigir publicamente a não nomeação de alguns deles para os seus jogos, quaisquer que fossem os efeitos conseguidos.
Subscrevendo tudo, o único aspecto do comunicado que me deixa algumas dúvidas é o da ausência dos adeptos nos jogos fora de casa. Irei cumpri-lo escrupulosamente, e aconselho todos os benfiquistas a fazê-lo, mas, olhando ao calendário próximo, custa-me que o primeiro penalizado seja o Marítimo, justamente um dos poucos clubes que ultimamente tem tomado atitudes corajosas – estando a pagar um elevado preço por isso, como se viu na grotesca arbitragem de Cosme Machado este fim-de-semana. Tenho também para mim que a estratégia do Benfica não deve passar pela hostilização dos clubes mais pequenos, mas antes pela sua sedução para a causa da verdade desportiva. Entendo, contudo, os argumentos invocados, e, como disse, apesar das dúvidas, irei cumprir este ponto sem hesitações.
É natural que qualquer benfiquista, ao ler o comunicado, acolha algumas das medidas com maior entusiasmo do que outras. Mas o que me parece mais importante salientar neste momento é a necessidade de todos os benfiquistas apoiarem globalmente esta tomada de posição, e apoiarem, sem reservas, os seus órgãos sociais, o seu treinador e os seus jogadores. É aí, na união, que começa o combate. E este comunicado é – pelo menos entendo-o como tal – apenas o princípio desse combate.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Não sei o que mais me chocou: se as duas grandes penalidades claras não assinaladas, se os foras-de-jogo mal tirados a Saviola e Cardozo, se os festival de cartões amarelos com que Benquerença manietou o Benfica, e lhe retirou agressividade e clarividência.
Tiro, aliás, o meu chapéu aos profissionais do Benfica, pela forma como conseguiram manter a cabeça fria perante tão ostensiva e reiterada manifestação de parcialidade. Alguns deles, decerto, nunca haviam passado por nada igual. Quase todos eles foram provocados, gozados, e espezinhados na sua dignidade profissional, por um árbitro corrupto, que foi a Guimarães para ajudar o FC Porto a ser campeão. Eu, confesso, não teria tão grande capacidade de resistência.
O pior é que isto não se tratou de um caso isolado. Desde o dia 15 de Agosto que o Benfica é sistematicamente perseguido pelas arbitragens, enquanto outros são, cirurgicamente, ajudados a ganhar. Nem mesmo nos negros anos noventa me lembro de uma coisa assim. Esta época está a ser um verdadeiro compêndio de como aniquilar uma equipa, e de como subverter um campeonato.
Agora cantam-se loas a André Vilas-Boas. Criticam-se as opções de Jesus. Teoriza-se sobre as saídas de Ramires e Di Maria e o seu efeito no novo Benfica. O que não se diz é que uma sequência de arbitragens como esta (Académica, Choupana e Guimarães) deita toda a moral e auto-confiança de uma equipa abaixo. E os auxílios ao FC Porto (Figueira da Foz e Vila do Conde) provocam-lhe o efeito inverso.
Tal caldo chega e sobra para considerar este um campeonato totalmente adulterado, sem valor, fora-da-lei, e criminoso. Não reconheço qualquer mérito aos líderes, pois não me esquecerei de como lá chegaram. Abstenho-me de qualquer crítica à equipa do Benfica, porque também sei como tem sido puxada para baixo.
Nunca, como nestas semanas, se pôde perceber tão bem o peso que a arbitragem pode assumir no futebol. Talvez por a vergonha ter sido tão pouca que até se esqueceram de disfarçar.

V.GUIMARÃES-BENFICA
Amarelos ridículos, dois penáltis por marcar, um golo mal anulado, uma expulsão perdoada ao Vitória, um fora-de-jogo mal tirado quando Saviola seguia isolado, dualidade de critérios, e um campo inclinado como nunca se vira. Numa palavra: um roubo!
Resultado Real: 2-4

FC PORTO-SP.BRAGA
Tenho muitas dúvidas acerca de um empurrão de Belluschi a um avançado bracarense já perto do fim do jogo. Como não revi as imagens, vou dar, provisoriamente, o benefício da dúvida ao árbitro. Ainda que tenha a certeza de que, mesmo havendo falta, Proença não a assinalaria.
Resultado Real: 3-2

SPORTING-OLHANENSE
Depois do que se passou na Figueira da Foz (pobre Naval…), a arbitragem voltou a favorecer escandalosamente o Sporting.
Talvez estes benefícios estejam incluídos no pacote João Moutinho. Quem sabe?
Razão para invalidar o golo do Olhanense é que eu não vejo.
Resultado Real 0-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA (1+3+3+3) = 10
FC Porto (1+3+1+1) = 6
Sp.Braga (3+1+1+1) = 6
Sporting (0+3+1+0) = 4
Mais palavras para quê?
PS: Depois de ver as repetições do lance de Belluschi no último minuto, particularmente uma delas (atrás da baliza), cheguei à conclusão que existe mesmo falta, e como tal ficou uma grande penalidade por marcar.
A classificação já está corrigida.

ATÉ À MORTE!

Nove anos depois do 11 de Setembro, o Benfica está, salvaguardando as distâncias, a ser, também ele, alvo de um atentado.
Um atentado ao respeito. Um atentado à verdade. Um atentado ao futebol.
As forças do sistema corrupto que vigorou em Portugal desde 1983 até 2004, estão de volta. Os Osamas Bin Ladens do futebol português estão aí, em força, na tentativa de matar o maior clube português, de aniquilar o campeão nacional, de destruir a maior força do desporto luso.
É o que dá a impunidade. É o que dá um sistema de justiça decadente, permeável e ineficaz. Em Portugal, lamentavelmente, o crime compensa. E é de criminosos que estou a falar.
Os benfiquistas têm um enorme desafio pela frente. Um desafio à sua coragem e ao seu amor clubista, pois o tempo não pode voltar para trás. Não vai voltar para trás!
Nos próximos dias vamos assistir a análises sobre Roberto, sobre os reforços, sobre David Luiz, sobre as saídas de Ramires e Di Maria, sobre tácticas, sobre Jorge Jesus. Tudo tretas!
O que se passa está à vista de todos, e ninguém pode deixar-se iludir. Os responsáveis pela classificação do Benfica são Cosme Machado, Pedro Proença, Jorge Sousa, Olegário Benquerença, Lourenço Pinto, Vítor Pereira, Fernando Gomes e Pinto da Costa. É este bando que está por trás do filme pornográfico a que estamos a assistir, e ao qual é preciso por termo. São estes energúmenos, estes criminosos, estes ladrões, estes corruptos (e é preciso não ter medo das palavras) que pensam que podem abater um clube centenário, um clube campeão, um clube grandioso como o Sport Lisboa e Benfica. Pensam eles que podem gozar connosco, benfiquistas, rir-se de nós, achincalhar-nos. Mas estão enganados! A bem ou a mal, custe o que custar, vamos acabar com isto!
É em momentos como este que se vê a raça e o querer de quem ama um clube. E juntos os benfiquistas são muitos, e podem muito. Nos estádios, nos jornais, nas televisões, nas rádios, nos fóruns de opinião, nos blogues, e até nas ruas se preciso for.
Comigo, Luís Fialho, o Benfica pode contar, incondicionalmente, para tudo. Tudo mesmo, pois sinto-me hoje, dia 11 de Setembro de 2010, mais benfiquista do que nunca.
E vocês?

PORNOGRAFIA!
Basta!
É preciso dizer chega! É necessário um grito de revolta!
Eu tinha avisado. Era fácil de prever, mas o que aconteceu esta noite superou as piores expectativas.
Desde que escrevo sobre futebol nunca se vira nada igual. Preciso recuar até aos anos noventa para me recordar de tanta pouca vergonha. Três derrotas, três roubos descarados, enquanto outros vão sendo ajudados e levados aos triunfos.
Este noite ultrapassaram-se todos os limites. Um árbitro que marca 50 faltas por jogo, que assinala todos os toques, todos os espirros, nunca vê o que acontece na área dos adversários do Benfica. Não é uma questão de critério, não é por achar que não deve marcar, nem por falta de vista. Não marca porque não quer marcar. Não marca porque alguém lhe disse que o Benfica não podia, de modo algum, ser bi-campeão.
E não vai ser. Conseguiram! Só assim conseguem. Há trinta anos que só assim conseguem.
Já nem falo dos foras-de-jogo. Os cartões amarelos são um tratado de como condicionar uma equipa. Não houve futebol em Guimarães. Houve fraude. Houve um ROUBO! Interpretado por um personagem que já há muitos anos deixou cair a máscara, e se arvorou em zeloso defensor dos poderes da corrupção, o que, de resto, lhe tem valido uma carreira internacional de sucesso.
Este campeonato está podre. Está inquinado. Não vale. Voltámos aos negros anos do “penta”.
Não basta à SAD do Benfica denunciar a situação. É preciso agir. Agir implacavelmente, e por todos os meios. Com coragem. O Benfica tem uma força social incrível. Tem de a usar. Não pode continuar a ser um cordeirinho perante os lobos mais obscuros do futebol português. Tem de ser um monstro capaz de aniquilar a corrupção e os seus lobos.
O sistema voltou, mais firme que nunca, mas tem de ser derrotado. A bem ou a mal. Custe o que custar. E os benfiquistas, todos os benfiquistas, têm de estar preparados para esse combate.
Não há como falar de futebol numa situação destas. É a terceira derrota do Benfica, todas com claríssima influência dos árbitros. Nem o Barcelona ganharia assim, pelo que não faz qualquer sentido criticar jogadores, debater opções técnicas, nem falar das transições defensivas ou dos estados de forma de Cardozo, Javi Garcia e David Luiz.
Parabéns a Pinto da Costa. Parabéns a Lourenço Pinto. Parabéns a Fernando Gomes. Conseguiram o que queriam. O Benfica está praticamente afastado do título.
Na terça-feira será importante que os adeptos compareçam em peso. A equipa merece todo o apoio em face daquilo que lhe estão a fazer. Toda a família benfiquista terá de se unir, ao lado da sua equipa, do seu treinador e dos seus dirigentes. E ninguém pode calar a revolta. É nestas alturas que é preciso saber ser benfiquista.

OBRIGATÓRIO GANHAR!

Sálvio lesionou-se, mas eu até já tinha feito o quadro antes, com Carlos Martins no onze.
Não creio que seja de arriscar Coentrão, a menos que a recuperação esteja totalmente consumada. O que duvido.

UM SUSTO PELA MANHÃ

Que seja apenas um susto. Que as coisas não fiquem ainda piores do que estão. Que o mais reles da política não venha sujar ainda mais o futebol.

TEMOS DECISÕES! ALELUIA!

71 dias depois de Portugal ter sido eliminado do Mundial, Gilberto Madaíl e a FPF lá tomaram uma decisão. Dir-se-á que mais vale tarde do que nunca, e é verdade. Mas os cinco pontos perdidos na qualificação para o Euro 2012 já ninguém põe na tabela classificativa.
Queiroz saiu tarde demais. Aliás, quanto a mim nunca deveria ter entrado, pois não só não tomo como provada a sua competência técnico-táctica para orientar equipas profissionais, como, depois deste triste período de dois anos, creio ter ficado também demonstrada a sua total inabilidade para lidar com a pressão emocional da alta competição. O futebol não se joga em gabinetes, joga-se nos relvados, à vista de adeptos, televisões e jornalistas. Toda essa moldura faz parte do fenómeno, e quem não souber interagir com ela (como é manifestamente o caso de Queiroz) deve procurar outra actividade.
Madaíl pediu eleições antecipadas. Fez aquilo que se lhe impunha. Espero que não se recandidate, e leve com ele toda a equipa que o acompanhou nos últimos anos. O futebol (seja o de selecção, seja o juvenil, seja, sobretudo, o das divisões secundárias) agradece.
O ainda presidente da FPF anunciou também a contratação para breve de um novo seleccionador. Acredito que seja dada uma oportunidade a Paulo Bento, o que, como aqui fui dizendo, me agrada bastante. Trata-se de alguém que se excedeu muitas vezes – designadamente quando falava, sem razão, de arbitragem -, mas cujo perfil técnico e, sobretudo, a capacidade de liderança, sempre me impressionaram pela positiva. Fez milagres no Sporting, com plantéis fraquíssimos, e soube lidar muito bem com as situações de pressão. É jovem, conhece a selecção, conhece os jogadores, pelo que, no contexto actual, seria a melhor hipótese.
Acredito pois que estejam, finalmente, a ser dados passos no sentido de inflectir este caminho de total decadência em que o futebol português se deixou mergulhar. Nem podia ser de outra forma, ultrapassados que estavam todos os timings razoáveis para uma mudança indolor.
Para completar esta fase faltará rolar mais uma cabeça. Laurentino Dias é o tipo de indivíduo que nunca sairá pelo seu pé. É preciso que alguém o empurre. Tenhamos esperança.

CRIME, DIGO EU!

O árbitro que, em Maio passado, no Estádio do Dragão, tudo fez para retirar o Benfica da rota do título; o árbitro que há poucos dias foi ao beija-mão do sinistro e obscuro Lourenço Pinto na A.F.Porto; o árbitro que tem uma história negra em jogos do Benfica (desde o célebre golo de Petit, a uma eliminatória da Taça em Matosinhos); esse árbitro vai ser o juiz do importantíssimo jogo de Guimarães.
Olhando para tudo o que se passou nas primeiras jornadas, olhando para estas nomeações, percebendo uma clara mudança de agulhas nos órgãos da Liga, não posso deixar de expressar o meu maior cepticismo quanto ao desfecho deste campeonato.
O presidente Luís Filipe Vieira já percebeu que não pode ficar calado. Espero que, no previsível caso do Benfica voltar a ser prejudicado, ninguém se cale amanhã à noite. A competição está a ser totalmente adulterada, e por muito desportivismo ou cortesia que se queira ter, há momentos em que é preciso dar um violento murro na mesa.
O que está em causa ultrapassa os limites. Trata-se, já, de uma questão de dignidade. E o Benfica não pode pactuar com fraudes que todos julgávamos enterradas no passado.

GIRAFA ATÉ AO FIM

Luisão não será o mais tecnicista dos jogadores do Benfica, mas é, para mim, o mais importante de todos eles.
A liderança que impõe dentro e fora do campo – sobretudo junto da extensa colónia sul-americana -, a sua preponderância no espaço aéreo, a sua experiência, o seu profissionalismo, a empatia que cedo estabeleceu com o clube e com os adeptos, são aspectos que fazem dele figura cimeira do universo encarnado na actualidade.
Trata-se de um jogador cujo peso na equipa e no clube suplanta largamente o respectivo valor de mercado, pelo que uma alienação do seu passe seria um tremendo erro.
As notícias dando conta das intenções da SAD em renovar-lhe o contrato, colocando o seu vencimento ao nível dos mais elevados do plantel, e segurando-o, provavelmente, até ao final da carreira, merecem pois o meu total aplauso.
Luisão pode assim reforçar o seu nome na história do Benfica, tornando-se o mais relevante jogador estrangeiro de sempre no clube da Luz.
Aliás, com estrangeiros destes, ninguém precisaria de portugueses.

BASTA!

Não era de esperar outra coisa. A selecção nacional, sem rei nem roque, fracassou por completo em Oslo, deixando o apuramento para o Europeu bastante comprometido.
Mais do que voltar a chafurdar no lodo em que o poder do futebol português tem vivido nos últimos tempos, interessa olhar para o futuro, e para aquilo que deve ser feito, sem hesitações nem demoras.
Os passos são simples:
1º Gilberto Madail deve despedir Carlos Queiroz, de forma frontal, sem subterfúgios nem esquemas obscuros. Agostinho Oliveira termina o contrato, e também não deixará saudades.
2º Deve ser contratado, imediatamente, Paulo Bento, para tentar salvar a qualificação. O contrato não se pode estender para lá do Europeu.
3º O primeiro-ministro deve demitir Laurentino Dias e escolher outro secretário de estado. Alguém que decida, e não se perca em birras estéreis de consequências desastrosas.
4º O novo secretário de estado deve forçar, por todos os meios ao seu alcance (e ainda são alguns), as associações a convocar uma assembleia-geral da FPF e marcar eleições para derrubar a actual direcção – caso esta não se demita, como seria desejável.
5º Deve ser eleita uma equipa liderada por Fernando Seara, da qual façam parte figuras como Vítor Baía ou, se possível, Luís Figo.
6º A prioridade da nova direcção deve ser a adequação dos estatutos à nova lei de bases, tarefa para a qual é indispensável um apoio governamental forte, nomeadamente na pressão que será necessário exercer sobre o monstro que são as associações.
Seguindo este guião – de forma tão veloz quanto possível - poderíamos por um ponto final na balbúrdia que se tem vivido, alimentar alguma esperança na presença no Europeu, e criar condições para um futuro mais tranquilo no futebol português.
PS: Imagine-se que Eduardo era espanhol, que se chamava Roberto, e a selecção era (cruzes canhoto) o Benfica. Imagine-se que os jogos com Chipre e Noruega tinham sido com a Académica e com o Nacional. Imagine-se quantas capas de jornal teriam sido feitas acerca do tema.

O COMBOIO FANTASMA

Sem dirigentes, sem treinador, sem a principal estrela, sem grande parte dos titulares, sem adeptos, sem alma, a pobre Selecção Nacional tem amanhã um compromisso de extrema importância na Noruega. Uma derrota em Oslo, e estará fortemente comprometida a presença no Campeonato da Europa, algo que não acontece desde 1991 – na altura, curiosamente, com Queiroz como seleccionador.
Se tal acontecer, a culpa não pode morrer solteira. Não havendo inocentes, creio que há duas figuras que mostraram, nesta triste história, a sua total incompetência, e que não podem passar ao lado das responsabilidades como, infelizmente, tantas vezes têm feito. Falo de Laurentino Dias e Gilberto Madaíl. São eles, quanto a mim, os rostos principais, não dum polvo, mas daquilo que o nosso país tem de pior, e que no passado tantas vezes nos penalizou: leviandade, irresponsabilidade, falta de preparação, birras pessoais, jogos de interesses e incapacidade total para decidir.
Uma derrota com a Noruega (e, por arrastamento, uma provável ausência no Euro 2012) será injusta para os portugueses, será cruel para um lote de jogadores de eleição, mas será merecida para os poderes do futebol português. Pode até significar a oportunidade para uma enorme vassourada em toda esta gente - céus!, como foi possível arranjar toda esta situação sem ter em conta o calendário do Europeu?!? -, e uma janela única que permita, enfim, colocar a FPF dentro da legalidade, acabar com o monstruoso polvo (esse sim, no sentido mafioso do termo) das associações, encontrar um presidente e uma equipa dirigente à altura (Fernando Seara com Vítor Baía e Figo, por exemplo), substituir o secretário de estado por alguém que perceba de desporto e saiba tomar decisões, encontrar um verdadeiro seleccionador nacional (Paulo Bento seria a minha escolha), e recolocar a Equipa das Quinas na rota que trilhava há um par de anos atrás, quando, com Scolari ao leme, fazia parar o país.
Nem por isso desejo que Portugal perca amanhã à noite. Os pontos são demasiado importantes, e, já que não se fizeram antes, espero que todas as mudanças possam ainda ser feitas com a esperança do Europeu no horizonte.
Deixo aqui a minha selecção. Não a selecção dos Queirozes, nem dos Agostinhos, mas a minha, independentemente dos convocados e tendo em conta as muitas ausências forçadas:

NOTA1: Como é possível que um jogador como Miguel ainda seja titular da equipa nacional, quando, a olhos vistos, lhe apetece fazer tudo menos jogar futebol? Deixem o homem curtir a vida, a noite, o dinheiro, as bebedeiras, as aventuras no mundo do crime, e não o convoquem mais. Ele até agradecerá.

NOTA2: No tempo de Scolari, mesmo sem se ligar patavina à selecção Sub-21, ela sempre esteve presente nas fases finais. Agora, com o grande organizador, com o homem do "projecto", o que aconteceu afinal aos sub-21? Quem teve a "brilhante" ideia de escolher Oceano? O que vai agora dizer o Luís Freitas Lobo?

FANTOCHADA

Lamento, mas não me apeteceu escrever nada sobre isto.
Nunca o destino de uma selecção nacional me foi tão indiferente. Os que a mataram, que a enterrem.

ATÉ SEMPRE!

Morreu José Torres. Morreu uma lenda do Benfica e da Selecção Nacional.
Ainda me lembro dele jogar, já não de águia ao peito, mas com a camisola do Estoril-Praia, aos 40 anos, em fim de carreira, depois de ter passado também pelo Vitória de Setúbal.
Mais tarde, enquanto treinador, ficou marcado pelo caso Saltillo, onde terá sido mais vítima do que culpado. Mas a mais grata memória que tenho dele vem das histórias que o meu pai me contava na infância, acerca dos seus golos, acerca do ar desengonçado que tantas desconfianças causou no Terceiro Anel - rapidamente dissipadas pelas suas capacidades ímpares.
Foi um dos mais marcantes avançados de sempre do nosso futebol, estando ligado ao melhor período da história do Benfica e da Selecção portuguesa.
É de lamentar que os seus últimos anos de vida tenham sido tão difíceis, mas fica o consolo de saber que o Benfica tudo fez para lhes proporcionar a dignidade possível, mesmo tendo de lutar contra incompreensões de terceiros.
Até sempre, Bom Gigante!

EQUILÍBRIO

Finalmente o mercado fechou.
Tal como sempre aqui defendi, o Benfica apenas vendeu dois jogadores – à semelhança, de resto, do que FC Porto (Bruno Alves e Raul Meireles), Sporting (João Moutinho e Miguel Veloso) e Sp.Braga (Eduardo e Evaldo) fizeram.
Cheguei a temer o pior, mas a verdade é que o plantel encarnado acabou por manter a sua espinha dorsal quase intacta, sendo este, em muitos anos, o defeso em que menos alterações se registaram na casa.
Luisão, David Luíz, Fábio Coentrão e Óscar Cardozo permaneceram na Luz, o que não pode deixar de justificar uma saudação especial àqueles que, na administração da SAD, souberam resistir aos impulsos mais imediatistas. O Benfica encaixou, mesmo assim, mais de 40 milhões, e mantém uma equipa quase tão competitiva como a anterior, continuando a ter, quanto a mim, o melhor plantel do futebol português.
Agora, só falta ganhar, para o ciclo não ser quebrado.

OBVIAMENTE DEMITAM-SE! TODOS!

Todas estas figuras são um problema para o futebol português. Todas revelam total incompetência para as funções que desempenham. Todas se movem por interesses que não coincidem com o bem do futebol e, em particular, da selecção. Embora algumas nem o percebam, todas elas estão a mais.
Façam, por uma vez, algo de útil: demitam-se!

O D.QUIXOTE DA TV

Provavelmente este homem quer ser um herói.
Está empenhado, quixotescamente, numa missão hercúlea, e condenada ao fracasso: acabar com o mediatismo do Benfica.
Sempre que modera ou apresenta um programa de televisão faz questão de remeter o clube da Luz para o fim, não lhe deixando mais do que breves e apressados minutos (quando deixa). Foi sempre assim no programa das quintas-feiras (que, em muitas das suas edições, sobretudo antes de emergir o Sp.Braga, caberia bem numa espécie de FCPorto TV), e é também assim quando, por acidente, surge noutros contextos.
Depois de na passada quinta-feira levar longos minutos a discutir, com Luís Freitas Lobo, os adversários do Braga no sorteio da Champions League, e mal ter falado nos do Benfica (como sempre, remetido para os últimos cinco minutos do programa), ainda esta noite, no Trio de Ataque (com ele a moderar), falou-se do Sporting das 23.17 às 23.32, do FC Porto das 23.32 às 23.49, e do Benfica das 23.49 às 23.56, ou seja, 15 minutos para leões, 17 minutos para dragões, e somente 7 minutinhos ratados para a discussão do Benfica-V.Setúbal - que além de envolver o campeão nacional era, à partida, o jogo que maior curiosidade despertava, até mesmo para os rivais dos encarnados.
Manuel Fernandes Silva (assim se chama o personagem) insiste pois em utilizar a antena para discutir aquilo que lhe interessa a ele, desprezando o que interessa à maioria dos portugueses que, através dos impostos, lhe paga o ordenado.
A programação desportiva da RTPN sempre foi tendenciosa (embora tenha de fazer uma ressalva para Carlos Daniel). Como tudo o que é feito no Porto, nunca soube manter a independência (e jamais me esquecerei os noticiários da meia-noite, na estação, aquando dos momentos mais delicados do Apito Dourado), naquilo que é uma manifestação de subserviência saloia e provinciana aos obscuros poderes da paróquia. Mas Manuel Fernandes Silva abusa. Já foram feitas queixas à RTP, a que ele foi forçado a responder, mas depois de algumas semanas de maior equilíbrio, este princípio de época está mostrar-nos novamente um Manuel Fernandes Silva em todo o seu esplendor.
O homem tenta, tenta, esforça-se, esforça-se, mas, para mal dos seus pecados, nada mais vai conseguir do que diminuir as audiências dos programas que apresenta. A menos que o objectivo seja seguir os passos de Rui Cerqueira, e ir para onde, efectivamente, há já muito tempo, devia estar.

LIGA DA MENTIRA

Não gosto de arbitragem, não gosto de falar de arbitragem, nem gosto que me falem de arbitragem. Nutro por isso o maior apreço de princípio pela posição do Benfica e do seu presidente, ao impor o silêncio do clube e de todos os seus profissionais sobre o tema.
Acontece que a negra realidade se está a sobrepor a essas louváveis intenções, e tenho muitas dúvidas de que o silêncio continue a ser, neste momento, a melhor forma de abordar a questão, pois nas suas asas está a cozinhar-se um campeonato amarrotado por uma gritante parcialidade - a fazer lembrar tristes tempos passados, quando as escutas ainda não tinham denunciado as práticas obscuras que levaram o FC Porto a tornar-se um clube ganhador.
Desde 2004 que não se via nada assim. Em apenas três jornadas, o FC Porto puxado para o topo com erros clamorosos cometidos pelos árbitros em todos os seus jogos, e sempre a seu favor, e o Benfica empurrado para baixo, com duas zelosas arbitragens logo nas duas primeiras jornadas. Resultado: a classificação completamente subvertida, instabilidade e cepticismo na Luz, e confiança renovada no Dragão. Já era assim nos tempos de Calheiros e Guimaro, foi assim que o monstro do norte cresceu e se tornou naquilo que é hoje.
Não era difícil adivinhar que o campeonato ganho pelo Benfica, as subsequentes mudanças na liga, e a vergonhosa impunidade da justiça no caso Apito Dourado originassem isto. As figuras são as mesmas, e só esperavam uma conjuntura mais favorável para voltarem a actuar em prol daqueles que, mafiosamente, as protegem. Como se percebe, desde as decisões do Conselho de Justiça até às convocatórias para a Selecção, o polvo “pintodacostista” está por todo o lado, apodrecendo o edifício do futebol português. À mínima folga, lá está ele a roer, a corromper, a sujar, como um cancro que espalha as suas metástases pelo corpo do paciente, levando-o à morte. Quando os crimes ficam impunes sabe-se o resultado, e estamos assim perante algo que se vai repetir enquanto Pinto da Costa se mantiver no futebol. Tal exige um combate feroz e incessante, e o silêncio não será, com certeza, a melhor arma.
Eu, pelo menos, não me calarei. Podem vir cá com Robertos que ninguém me tira a convicção de que o Benfica está em 11º lugar, e o FC Porto na liderança, em razão directa dos gravíssimos erros de arbitragem que ocorreram nestes jogos. E apelo à Benfica TV, ao departamento de comunicação do Benfica, ao site oficial do clube, para que façam os possíveis por manter uma memória viva de todos os casos que vão adulterando a classificação da Liga, pois cada uma dessas imagens valerá bem mais do que as mil palavras que eu, ou outro qualquer, possa escrever.
1ª JORNADA:
-Penálti arranjado por Paulo Baptista a 7 minutos do fim, dando a vitória ao FC Porto na Figueira.
-Lance idêntico na Luz, sem que fosse assinalada qualquer falta (e, neste caso, bem).
-Penálti óbvio sobre Javi Garcia (empurrão), a poucos minutos do fim, com o resultado em 1-1.
2ª JORNADA:
-Segundo e importante golo do FC Porto, à beira do intervalo, obtido num livre inacreditavelmente mal assinalado.
-Na Choupana, golo do Nacional após livre também mal assinalado.
-Livre à entrada da área madeirense que ficou por assinalar, após obstrução a Saviola.
-Penálti por marcar sobre Fábio Coentrão que daria o empate.
-Corte com a mão de um defesa do Nacional, dentro da sua área, sem que Pedro Proença tomasse a decisão que lhe competia.
- 12 (!!!!) cartões amarelos mostrados a jogadores do Benfica nos primeiros dois jogos.
3ª JORNADA:
-Duas irregularidades consecutivas no lance do primeiro golo do FC Porto, não sancionadas pelo mesmo árbitro (ex membro dos Super Dragões) que anulou um golo a Luisão, em Braga, no ano passado, por um ligeiríssimo toque na camisola de um adversário.
- Penálti claríssimo (o mais claro de todo o campeonato até agora) não assinalado na área portista, já perto do intervalo, com o resultado em 0-1.

Resultados reais:
Naval-FC Porto, 0-0
Benfica-Académica, 2-2
FC Porto-Beira Mar, 2-0
Nacional-Benfica, 1-3
Benfica-V.Setúbal, 3-0
Rio Ave-FC Porto, 1-1

Se considerarmos também o penálti por assinalar sobre Baba, no SP.Braga-Marítimo, o golo fora-de-jogo de Liedson na Figueira, e o penálti mal assinalado sobre o mesmo Liedson também nesse jogo, chegamos à seguinte classificação real:

BENFICA 7 pontos
FC Porto 5 pontos
Sp.Braga 5 pontos
Sporting 4 pontos

O Roberto tem pois as costas muito largas.

PRIMEIRO O ÓSCAR, DEPOIS O FILME E O INESPERADO HAPPY-END

Só o mais criativo dos argumentistas poderia imaginar uma situação como a que sucedeu ao minuto 22 do jogo de sábado na Luz. Roberto, o maldito, o proscrito, aquele que todos queriam ver pelas costas, voltava à baliza do Benfica, num momento delicado, como se um qualquer deus das coisas menores dissesse lá do alto, com um sorriso de gozo no canto do lábio: “Ai não o querem? Pois aí o têm!”.
Jorge Jesus remetera o espanhol para o banco, numa atitude óbvia de quem tem o dever de proteger a equipa e o próprio atleta. Novo erro comprometedor, e seria o treinador, ele mesmo, o alvo das críticas. A teimosia nunca é boa conselheira, e foi sem surpresa que Júlio César tomou conta da baliza.
Antes do filme já houvera um Óscar. Não de Hollywood, mas do Paraguai, pois logo aos três minutos de jogo o Benfica adiantou-se no marcador na sequência de um belo cruzamento de Gaitán (boa exibição), e de uma cabeçada certeira de “Tacuara”. Golo de Cardozo, o Benfica a vencer, tudo parecia indicar um regresso á tranquila normalidade das noites da época passada. Mal se sabia o que estava para acontecer.
Se fui um dos muitos que colocaram as mãos na cabeça ao ver o árbitro a puxar do cartão vermelho (não porque não se justificasse, mas pelas consequências que ele trazia), também fui dos que, alguns segundos decorridos, engrossaram a enorme onda de aplausos que acompanhou a entrada de Roberto em campo. Independentemente da opinião que se tenha sobre o jogador, naquele momento não era o nome A ou B que estava em causa, mas sim o Benfica e a sua baliza. Creio que foi com essa bela reacção do público da Luz (surpreendente para o próprio jogador) que o penálti começou a ser defendido.Falei do azar para explicar os resultados anteriores. Penálti à parte, terei de falar da sorte para comentar este. Um golo a abrir o jogo, e outro a fechar a primeira parte - após alguns minutos de demasiada ansiedade – foram estocadas muito duras num Vitória de Setúbal que, a partir de então, e em todo o segundo período, não conseguiu esconder o sentimento de que aquela não seria a sua noite.
O terceiro golo acabou com o jogo, e aí o Benfica, reduzido a dez, tinha duas alternativas: ou abria o campo e procurava uma improvável goleada, correndo riscos de sofrer um golo que recolocasse o Vitória na discussão da partida, ou trancava a sua zona intermediária, deixando o espectáculo morrer juntamente com o adversário, mas garantindo desde logo os imprescindíveis três pontos. Jesus optou, e bem, pela segunda hipótese.
Emoções fortes, vitória gorda, reabilitação de Roberto, regresso aos golos de Cardozo, boas indicações de Gaitán (e também, no curto período que esteve em campo, de Sálvio), e exibições de bom nível de Luisão e Aimar. Poucos benfiquistas esperariam tanto, ainda que, em termos colectivos, as coisas não atingissem (longe disso) o patamar de referência de quase toda a temporada anterior. O campeonato vai parar, e no dia 11, em Guimarães, então sim, os encarnados terão um verdadeiro teste de fogo. Nova vitória, uma boa exibição, e teremos o Benfica lançado na corrida ao Bi-campeonato. Com ou sem Roberto na baliza.
PS: Hleb já não vem para o Benfica. A parcela do (altíssimo) salário que teria de ficar a cargo dos encarnados saía fora do orçamento do clube, e o negócio gorou-se. É pena, mas olhando para o plantel do Benfica não me parece que Hleb fosse um reforço imprescindível.

ACTUALIDADES

AINDA O SORTEIO
Escrevendo a quente, a minha primeira reacção ao sorteio do Mónaco foi, como perceberam, de alguma felicidade. Talvez influenciado pelo factor Lyon – única equipa do pote 1 que abria algumas possibilidades de pontuar -, olhei para o grupo, e pareceu-me que as coisas podiam ter sido bem piores.
De facto podiam, mas mais a frio, e melhor documentado, tenho de confessar alguma preocupação com o equilíbrio que este grupo traz - o que para quem estava no pote 2 não é, necessariamente, uma boa notícia.
O Schalke 04 era, à excepção do Tottenham, o pior adversário que podia ter saído do terceiro lote de equipas. É vice-campeão alemão, tem o guarda-redes titular da selecção germânica (e um dos melhores, senão o melhor, do último Mundial), tem elementos capazes de desequilibrar no meio-campo e no ataque, contratou Raul (o melhor goleador de sempre da história da Champions, e ainda com muito para dar ao futebol), e eliminou o FC Porto há relativamente pouco tempo. Não é o Bayern de Munique, mas também não anda lá muito longe. Aqui, no pote 3, o Benfica não foi nada feliz.
O Hapoel é menos conhecido, mas nem por isso deixará de ser uma equipa difícil. Além do mais, obriga a uma viagem longa, e a jogar num estádio pequeno e de ambiente tremendamente hostil. O pior que o Benfica poderá fazer será desvalorizar este adversário, que até nem é propriamente um novato nas competições europeias. O primeiro jogo, com esta equipa israelita na Luz, deverá assim ser encarado como uma final, pois qualquer perspectiva de apuramento passa por essa indispensável vitória.

LIGA EUROPA
O Sporting está de parabéns pelo seu triunfo na Dinamarca. Mas de épica, esta jornada apenas tem os números.
O que se passou foi a simples manifestação de uma anunciada superioridade sobre um adversário de terceira linha, e o cumprimento, in-extremis, da obrigação de entrar na fase de grupos da Liga Europa. Esse apuramento foi concretizado com dificuldades que ninguém ousaria prever, fruto precisamente das insuficiências manifestadas pelo Sporting no jogo de Lisboa.
Mesmo nesta partida da Dinamarca, a exibição leonina foi tudo menos convincente. O conjunto de Paulo Sérgio viu-se bafejado pela sorte suprema de um golo obtido no último minuto da primeira parte, outro no último minuto da segunda, beneficiando pelo meio de um enorme frango do guarda-redes adversário, depois de sofrer longos minutos de total sufoco junto da baliza de Rui Patrício (mais uma vez o melhor em campo).
É claro que duas vitórias consecutivas ao minuto noventa dão moral a qualquer equipa. Isso mesmo vai ser explorado por responsáveis e adeptos do clube de Alvalade. Mas querer comparar este triunfo com (por exemplo) o do Braga em Sevilha, é comparar a beira da estrada com a estrada da beira.

HLEB
É dado como próximo do Benfica, e creio tratar-se de uma boa solução.
Lembro-me dele no Arsenal, onde mostrou um enorme talento. O sistema de jogo do Barcelona não o favorecia, e acabou emprestado ao Estugarda.
Se puder voltar a apresentar o nível que o notabilizou em Londres, estamos perante um grande reforço.

ROBERTO
Independentemente do valor que possa ter (que eu ainda lhe não vi, e do qual, como sabem, sempre desconfiei), não existe margem para arriscar mais na sua utilização.
O jogo com o V.Setúbal é crucial para a temporada do Benfica, e nova falha do guarda-redes espanhol poderá comprometer, inclusivamente, a própria imagem do treinador (até agora, salvo um artigo de Fernando Guerra, quase intacta), o que seria dramático para a equipa e para o clube. Mesmo que injustamente, novo erro de Roberto já não será atirado para cima dele, mas sim para cima de…Jorge Jesus, ou até para andares superiores. Isto é, sabendo-se como o mundo do futebol é volátil, e como o coração dos adeptos fervilha de emotividades pouco ponderadas, o risco que está sobre a mesa é o de deitar fora a criança juntamente com a água do banho.
Feche-se, portanto, desde já a torneira, e salvaguarde-se a tranquilidade do atleta e o investimento nele efectuado (um empréstimo para o mercado espanhol seria o ideal) retirando-o da baliza do Benfica. Neste momento, ou o Benfica 2010-2011 “mata” rapidamente Roberto, ou corre o risco de por ele ser “morto”. Não vejo aqui terceiras vias.

V.SETÚBAL
Para além de Roberto, também Javi Garcia, Ruben Amorim têm estado francamente mal. Para este jogo, seriam eles, quanto a mim, os sacrificados.
Cardozo e David Luíz não têm alternativas à altura, pelo que, apesar do fraco rendimento que têm apresentado, terão de continuar no onze titular.
Eis a minha equipa:

NÃO ÓPTIMO, MAS BOM

Só o Schalke 04 não seria convidado, mas tanto no pote 1, como no pote 4, as coisas correram bem. Tal não significa que os jogos sejam fáceis, pois qualquer um deles vai exigir o melhor Benfica.
Também o Sp.Braga tem boas hipóteses de passar à fase seguinte.

A RODA DA SORTE

Se fosse eu a escolher seria assim: Lyon, Benfica, Basileia e Cluj.
A evitar: Tottenham, Schalke (no pote 3) e Rubin Kazan (no pote 4).
No pote 1, se não puder sair o Lyon, que venham Arsenal ou Milan.

OLHE QUE NÃO!

Fernando Guerra é um dos mais prestigiados jornalistas desportivos nacionais, e é alguém que desde há muito me habituei a ler com total atenção e interesse, ou não se tratasse de uma referência para todos os que, como eu, mesmo que de forma totalmente amadora e desinteressada, gostam de escrever sobre futebol.
Recentemente tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente, e à mesa comum de um almoço pudemos trocar impressões sobre variados assuntos relacionados com o mundo da bola. Reforcei a convicção de se tratar de uma pessoa bastante esclarecida e rigorosa no seu pensamento e nas suas análises.
Infelizmente, tenho de dizer que, no meu modesto ponto de vista, o seu último artigo n’A Bola (terça-feira) não corresponde à poderosa imagem que a sua carreira construiu. Para além da inegável qualidade formal que Fernando Guerra sempre coloca naquilo que escreve, tudo o resto neste artigo é um equívoco: desde o timing (criticar um treinador campeão após três derrotas parece-me muito pouco criterioso) ao conteúdo, passando pela estranha veemência e até por alguma falta de rigor. É verdade que cada um tem direito à sua opinião, mas, do mesmo modo, também me sinto no direito de me confessar desiludido com aquilo que li.
Deixando de lado a questão dos truques e das manhas (e Mourinho não as usa? e Pedroto não as usava também? e Alex Ferguson?), passemos então aos cinco pecados que Fernando Guerra aponta ao técnico encarnado:

1- Devo dizer que também não gostei de ver Jorge Jesus aos abraços com Pinto da Costa. Tratou-se, é certo, de um lapso de comunicação, fruto da simples e genuína forma de estar do treinador. Mas olhar para esse episódio como algo de grave, e capaz de pôr em causa o fantástico trabalho técnico realizado ao longo de um ano, parece-me, francamente, um absurdo. É óbvio que para um jornalista, a comunicação é um aspecto determinante. Para mim, enquanto adepto, devo dizer que me estou nas tintas para quem são os amigos pessoais de Jorge Jesus, se ele fala bem, se cospe no chão, se pinta o cabelo de amarelo ou de violeta, desde que o seu trabalho, enquanto profissional, me satisfaça. E não tenho dúvidas que a esmagadora maioria dos milhões de adeptos do Benfica está comigo.
2- Diz Fernando Guerra que Jorge Jesus fez constar o desejo de melhorar o contrato, antes ainda da conquista do título, entendendo isso como algo de muito reprovável. Não sei se efectivamente o fez ou não, mas se fez, fê-lo no pleno direito de um profissional ambicioso que, tendo consciência da quase perfeição do trabalho desenvolvido, achou que podia ser melhor remunerado. Jorge Jesus (que veio para o Benfica ganhar menos de metade do que auferia o seu antecessor) não tem obrigação de ser benfiquista, nem se espera que esteja no Benfica por paixão clubista. É um profissional que está a fazer pela vida, como qualquer outro treinador, de qualquer outro clube. Mourinho (o tal que é incomparável), por exemplo, exigiu a renovação do seu vínculo só por ter ganho um jogo ao Sporting. Como criticar Jesus por ter pedido (se é que pediu) aumento de vencimento quando estava à beira de dar um tão ansiado título ao clube onde trabalha?
3- Sou insuspeito para falar do caso Quim. Quem frequenta este espaço sabe que sempre tive admiração pelo guarda-redes, e nunca concordei com a sua dispensa, até porque me parecia que a questão da baliza benfiquista era, até ao início desta temporada, um falso problema (agora, infelizmente, tornado real). Aceito também que não tivesse sido elegante tratar o tema num programa televisivo, mas aí Jorge Jesus foi uma vez mais traído pela sua fraca oralidade, caindo na armadilha que, legitimamente, o jornalista lhe colocou. Mas, à semelhança do caso Pinto da Costa, também não creio que uma entrevista mal conseguida, um erro de comunicação, um momento de infelicidade, possa construir, ou destruir, a capacidade de um treinador. Mais do que saber comunicar com os jornalistas, a mim interessa-me que Jesus saiba comunicar com os jogadores. E isso, inquestionavelmente, ele sabe fazer. De qualquer forma, se a dispensa de Quim, e a insistência na contratação de Roberto, foram da exclusiva responsabilidade do técnico, terei de admitir aqui uma falha técnica. Em todo o caso, apenas uma falha, no meio de muitos acertos.
4- Interpretar um sorriso, em resposta a uma questão que não se quer abordar, como um acto de deselegância para com a entidade patronal, é algo que não lembra a ninguém. A versão que me contaram - e não foi Jorge Jesus - é a de que o FC Porto tentou mesmo contratá-lo, coisa que, olhando às práticas habituais de Pinto da Costa (veja-se Cristian Rodriguez, veja-se João Moutinho, veja-se Maniche, veja-se Jankauskas, e por aí fora), não custará muito a acreditar. Ter sido eventualmente o próprio técnico a sugerir que isso aconteceu (o que não deixa de ser uma interpretação abusiva) e, tacitamente, confessar não ter aceite o convite, não só não desrespeitaria o Benfica, como, pelo contrário, até, de certa forma, o valorizava. Só com uma grande ginástica mental se poderá, pois, ver nesta questão algum tipo de deslealdade.
5- É verdade que estive uns dias fora do país, mas desde o início do campeonato não ouvi, não li, nem me contaram que Jorge Jesus tivesse tornado público qualquer tipo de lamento pelas perdas de Di Maria e Ramires. Pelo contrário, ouvi-o dizer que se sentia orgulhoso pelas transferências, e admitir que fazia parte das suas funções valorizar os jogadores de forma a permitir ao clube a realização das mais-valias necessárias ao seu equilíbrio financeiro. Já ouvi, isso sim, críticas de benfiquistas em sentido contrário, apontando alguma passividade ao técnico quanto a esses dossiers.

Não acredito que Fernando Guerra se mova por critérios de simpatia ou antipatia pessoal quando escreve os seus artigos. Aceito, todavia, que a isenção total é uma abstracção, e que todos nós acabamos influenciados por este ou aquele facto, por este ou aquele episódio, do presente ou do passado, e tal acaba por se reflectir quando expressamos as nossas opiniões.
Neste caso, estou perfeitamente à vontade para defender Jorge Jesus. Não só não fui particularmente entusiasta da sua contratação (embora me tenha rendido totalmente ao fim de pouco tempo), como os meus contactos pessoais com ele se resumiram até agora a um simples e circunstancial aperto de mão.
Ao contrário de Fernando Guerra, acho que Jorge Jesus é um fantástico treinador, e enquanto benfiquista, espero e desejo que fique no clube por muitos e bons anos. E, convertido que estou ao seu valor, não serão duas ou três derrotas, nem mesmo a eventual perda de um campeonato, que me farão mudar de opinião. Como, de resto, também não é um mau artigo que arrasa um grande jornalista.

SORTEIO DA CHAMPIONS: ponto de situação

BENFICA TERÁ COMPANHIA

Um par de horas após a vitória bracarense em Sevilha, uma estação de televisão acompanhava os festejos na cidade dos arcebispos. O som era elucidativo: no momento mais alto do historial do clube gritava-se “slb, slb, filhos da p…, slb”.
Enquanto benfiquista, até podia entender aquele grito como uma homenagem à grandiosidade do clube da Luz. Afinal de contas é normal que os mais pequenos se coloquem em bicos de pés para desafiar os grandes. É natural que se lembrem deles quando se aproximam - ainda que ao de leve - da sua dimensão, do seu espaço natural. É assim em Braga, é assim noutras cidades também.
Justamente por prever que tal fosse acontecer, ninguém me poderá levar a mal que desejasse a vitória do Sevilha. Lá, ao menos, na Andaluzia, deixariam o Benfica em paz.
Mas não é só o lamentável comportamento da claque que me afasta do Braga. Na verdade, não suporto o treinador, não suporto o presidente, e ainda suporto menos o presidente da câmara e da assembleia-geral do clube. Alguns jogadores também não devem nada ao desportivismo, e, à excepção dos equipamentos vermelhos, tudo aquilo cheira mal, tudo aquilo cheira a Porto.
É interessante a questão do “politicamente correcto” patriótico. Será lícito exigir (ainda que moralmente) a um português que torça por uma equipa composta por 7 brasileiros, 1 uruguaio, 1 nigeriano, 1 peruano e apenas um, só um, compatriota? Não creio, e cada vez entendo este tema de forma mais liberal. A representação nacional para mim é a Selecção, e como tal (por muito que aprecie o Minho e o seu fantástico vinho verde), não tenho, nem quero ter nada a ver com este sucesso bracarense, assim como não estarei disposto a repartir com não benfiquistas as eventuais vitórias internacionais do meu clube – embora esteja absolutamente seguro de que não me passará pela cabeça, nesses doces momentos, lembrar-me de qualquer paróquia portuguesa, nem ouvir, no Estádio da Luz, cânticos acerca de qualquer outro clube que não esteja em campo naquele momento.
À margem de tudo isto, tenho de reconhecer a grande exibição do conjunto minhoto. Ganhou de forma categórica, mereceu o triunfo, e fez história. É uma equipa que já não me surpreende, tal como disse aqui antes da partida. Domingos Paciência, independentemente das questões de carácter, é um extraordinário treinador, e jogadores como Alan (pasmo como o FC Porto o perdeu), Matheus, Paulo César, Luís Aguiar ou Moisés são claramente de equipa grande, de equipa campeã. Creio que este Sp.Braga é manifestamente superior ao Boavista do título, que na sua altura teve a felicidade de aproveitar as quebras simultâneas de Benfica (a pior época da sua história), FC Porto (uma das piores dos tempos de Pinto da Costa) e Sporting (em fase de transição), para assim chegar à glória suprema. Além de que o Sp.Braga carrega em si uma cidade, coisa que não sucedia com a equipa do Bessa. É verdade que, nestas pré-eliminatórias, teve a sorte de encontrar Celtic e Sevilha em gritantes crises de forma, mas teve também o mérito de saber aproveitar as fragilidades alheias, coisa que a equipa andaluza – dando as favas como contadas – não parece ter-se preocupado em tentar fazer.
Agora segue-se a fase de grupos. O Sp.Braga tem assegurada presença no pote 3 do sorteio, o que, com alguma sorte, lhe pode proporcionar um grupo ultrapassável (por exemplo: Lyon, Shakhtar Donetsk e Zilina). Francamente, mesmo não me satisfazendo particularmente com isso, depois do que vi no ano passado, e pelo que se voltou agora a ver no Sanchez Pizjuan, já acredito em tudo. Até que o Sp.Braga conquiste o título nacional, e chegue aos oitavos-de-final da Champions.

PS: Não faço ideia se Jorge Jesus estará ou não feliz com este sucesso da antiga equipa. Mas factos são factos: os principais craques deste Sp.Braga chegaram ao clube pela mão do actual treinador do Benfica.

ESCRITA EM DIA

Saí para férias acabava o Benfica de conquistar o Torneio Guadiana, com duas goleadas, prometendo uma reedição da fantástica temporada 2009-10.
Desde então, na minha ausência, quatro jogos (incluindo a Eusébio Cup), quatro derrotas, perda da Supertaça, e pior início de campeonato dos últimos os 50 anos. Até custa a acreditar…
Vejamos então, jogo por jogo, assunto por assunto, tudo o que ficou pendente:

SUPERTAÇA: Soube do resultado quando, em final de tarde, seguia pela interminável auto-estrada que liga a Florida a Nova Iorque, deliciando-me com a música de Lou Reed, Leonard Cohen, Elliott Smith e outros produtos típicos da região. Uma pausa, um telemóvel, uma ligação à Internet, e a má notícia.
Dadas as circunstâncias, devo dizer que a frustração não resistiu a mais do que algumas milhas. À passagem pelo túnel de Lincoln (que abre as portas de Manhattan), já nem me lembrava do jogo, e só pensava em continuar as minhas – perdoem-me a imodéstia – estrondosas férias americanas. Até porque uma Supertaça não é mais do que…uma Supertaça.
Só muitos dias mais tarde, já em Portugal, num momento de ócio, me dei ao trabalho de ver os golos através do You Tube. Não vi mais nada, não li mais nada.
Disseram-me que o FC Porto mereceu ganhar, e é tudo quanto sei sobre aquele pobre evento.

ACADÉMICA: Foi já em terras algarvias que vi, pela televisão, num bar, a derrota frente à equipa de Jorge Costa. Tinha pensado deslocar-me a Lisboa para ver o jogo in loco, mas uma estranha e prenunciadora letargia impeliu-me a permanecer estendido por aqueles bandas.
Depois de uma primeira parte confrangedora, devo dizer que até nem desgostei dos segundos 45 minutos do Benfica, ao longo dos quais a equipa fez tudo o que podia para chegar ao golo. A derrota acabou por ser injusta, cruel e imerecida, e - tem de dizer-se - teve a mãozinha do árbitro.

NACIONAL: Vi o jogo com toda a atenção, e pelo que se passou na primeira parte fiquei convencido que seria apenas uma questão de tempo até o Benfica chegar ao golo. Se Gaitán ou Saviola tivessem marcado em duas ocasiões claríssimas então criadas, tudo poderia ter sido diferente.
Lamentavelmente, Cardozo e Roberto ofereceram a vantagem à equipa madeirense, e a partir daí as coisas complicaram-se. Sentiu-se a ansiedade das derrotas anteriores, e perante um adversário forte e organizado, num terreno difícil, não foi possível dar a volta.
Em três jogos oficiais o Benfica ainda não conseguiu ver-se um minuto que fosse em vantagem, como tanto gosta, e, tendo de perfurar defesas fechadíssimas, notam-se bastante as ausências dos flanqueadores da época passada.
Mais uma vez o árbitro teve influência no resultado, prejudicando claramente o Benfica, que assim acabou vergado a mais uma derrota francamente injusta.

ROBERTO: Parece-me um caso perdido, e ao insistir nele, Jesus corre o risco de perder também a equipa e a temporada.
Como sabem, nunca fui um entusiasta da contratação de um novo guarda-redes, muito menos por aquele preço, e tratando-se de um nome quase desconhecido e sem quaisquer referências abonatórias. Infelizmente tinha razão, e as falhas sucessivas mostram que alguém (Jesus? Rui Costa? a direcção? olheiros?) se equivocou totalmente ao supor que Roberto poderia valer 8,5 milhões de euros.
O empréstimo para o mercado espanhol seria, quanto a mim, a melhor saída para o caso, pois tranquilizaria o atleta, permitindo, quem sabe, recuperar mais tarde uma parte do investimento. Júlio César e Moreira não são foras-de-série, mas quer um, quer outro, têm condições para assegurar a baliza enquanto não for encontrada (provavelmente só em Dezembro) uma solução mais consistente.
Qualquer outra decisão raiará os limites da teimosia – a qual, como se sabe, nunca foi boa conselheira.

FUTURO: 6 pontos são 6 pontos, mas o futebol jogado nalgumas fases destes dois jogos, e a qualidade do plantel benfiquista, levam-me a pensar que nada está perdido. Há atenuantes (efeitos do mundial, arbitragens, adaptação dos reforços, falta de sorte, Roberto, etc) que explicam as derrotas, e o pior que se pode fazer é confundir a aleatoriedade de um desporto em que a bola por vezes não entra, com o trabalho que está a ser feito, com as opções que têm sido tomadas (ainda que nem todas correctas, como se vê no caso do guarda-redes), e com a competência das pessoas - precisamente as mesmas que levaram o Benfica ao título há poucos meses atrás.
Tenho chamado a atenção, aqui e em todo o lado onde posso fazer ouvir a minha voz, para os perigos das vendas mal calculadas de jogadores, para os consequentes efeitos no decréscimo de qualidade das equipas, e, por essa via, numa segunda fase, na própria capacidade de gerar receitas. Sempre disse que o Benfica não devia vender mais de dois jogadores, sob pena de, retirando demasiadas peças, desmantelar a máquina de futebol que deslumbrou na época passada. As saídas de Di Maria e Ramires, e os problemas sentidos para os substituir, já dão uma ideia daquilo que quis mostrar.
Mas o mundo é como é, e não como gostaríamos que fosse. O enorme investimento dos últimos anos obrigava à realização de algumas mais-valias, e assim sendo entendo como legítima a opção tomada (no caso de Ramires o clube nem terá tido escolha), e saúdo o esforço que foi feito para manter David Luíz, Cardozo, Coentrão e Luisão.
Talvez este Benfica, sem os seus alas (titulares da selecção brasileira e argentina) não possa ser igual ao do ano passado. Talvez tenha de procurar outras soluções tácticas, que levam tempo a consolidar. No entanto creio que continua, mesmo assim, a ter o melhor plantel do futebol português, e acredito que seja apenas uma questão de tempo até os resultados o evidenciarem.
O Benfica tem também tido azar. Muito azar. E esse azar não irá durar sempre.

FC PORTO: Ainda não vi nem um minuto de qualquer jogo dos dragões esta época, mas não é difícil perceber que, com a incorporação de Moutinho, e sobretudo com os regressos de Hulk, Ruben Micael, Varela, e a super-forma de Falcão e Belluschi, o conjunto de André Villas-Boas, tal como eu previra, aparecesse mais forte do que no ano passado. Decorridas as duas primeiras jornadas, e com os percalços do Benfica, parece ser óbvio considerar o FC Porto como o mais sério candidato ao título.
Isto não invalida que se diga que a vitória na Figueira da Foz foi manchada por um erro grave de arbitragem.

SPORTING: Sinceramente já lhe ligo tão pouca importância que nem sequer me satisfaço com as suas derrotas.
Vi o jogo com o Marítimo, e não me parece que os leões tenham jogado metade do que o Benfica jogou com a Académica ou com o Nacional. Tiveram a sorte do jogo, e venceram-no, recuperando algum ânimo, ao contrário do Benfica, que teve azar e perdeu. Mas uma equipa cujo dinamismo é alicerçado em jogadores como Maniche, Zapater ou Valdés, não é, não pode ser, candidato a coisa nenhuma.
É uma carta fora do baralho.

SP.BRAGA: Pelo contrário, a equipa bracarense tem mostrado argumentos para fazer uma temporada igual, ou até melhor, que a anterior.
É dos conjuntos mais cínicos de que me recordo, fazendo lembrar o FC Porto dos anos noventa, que mesmo aparentemente dominado, ganhava jogos em contra-ataques concluídos por Kostadinov e…Domingos. É terrivelmente eficaz, e dentro do estilo é do melhor que se vê por aí. Não fossem dois laterais pouco brilhantes, e diria estarmos perante uma super-equipa, fortíssima candidata ao título.
Não me admiro que resista ao Sevilha, e arrecade os milhões da Champions. Será o passo que lhe falta (além de um título) para ultrapassar definitivamente o Sporting como terceiro grande, e colocar-se no patamar de Benfica e FC Porto na disputa pelo trono do futebol português.
Em sentido inverso ao que sucede com o Sporting, cada vez me agasto mais com os jogos e as vitórias do Sp.Braga. Não esqueço alguns episódios da temporada passada, e ao lembrá-los não posso deixar de desejar, para esta terça-feira, boa sorte…ao Sevilha (cidade onde, curiosamente, estive faz amanhã precisamente uma semana). Até porque o Benfica, uma vez sozinho na Liga dos Campeões, encaixará a totalidade da verba relativa aos direitos televisivos para Portugal. Ou seja, até existe um poderoso álibi para, neste caso, colocar o patriotismo de lado…

CASO QUEIROZ: Faço parte do imenso grupo de portugueses que não aprecia o trabalho de Carlos Queiroz, e que o deseja ver rapidamente pelas costas.
Estou assim à vontade para dizer que a estratégia seguida pela FPF para evitar pagar-lhe a indemnização a que tem direito é absolutamente lamentável, e envergonha o futebol português e o próprio país.
Quando faltam 11 dias para o primeiro jogo do Europeu, “conseguimos” ficar sem seleccionador nacional. Espantoso!
Despeça-se o homem, mas pague-se aquilo que está no contrato, sem golpes, sem subterfúgios, sem “chitos”. E, de caminho, demitam-se todos também.

ARBITRAGEM: Fala-se de Roberto, de Jesus, da falta de Di Maria e Ramires, mas nada disto teria sentido se Cosme Machado tivesse assinalado o penálti sobre Javi Garcia frente à Académica (que faria o 2-1), Pedro Proença tivesse assinalado o penálti sobre Fábio Coentrão na Choupana (e há ainda uma mão suspeita, sem falar na falta inexistente de onde resulta o primeiro golo madeirense), ou se Paulo Baptista não tivesse inventado uma grande penalidade para dar a vitória ao FC Porto na Figueira da Foz a poucos minutos do fim, e João Capela não tivesse oferecido um livre à medida para Belluschi resolver o jogo com o Beira-Mar ainda antes do intervalo.
Contas feitas, e temos o campeonato completamente subvertido, já à segunda jornada, o que não pode deixar de preocupar os amantes da verdade desportiva. Será que a presidência portista na Liga já se está a fazer sentir?
Classificação Real: FC Porto 4 pts, Sp.Braga 4 pts, Benfica 4 pts e Sporting 3 pts.

VOLTO JÁ!

Chegou a minha hora.
Depois de uma última passagem pelo Estádio da Luz, partirei na quarta-feira para um período de férias, que se estenderá por cerca de 3 semanas.
Conto estar de volta por alturas da segunda jornada da Liga, e do sorteio da Champions. Para já, não posso prometer data certa.
Durante este período, espero naturalmente receber boas notícias: uma vitória na Supertaça (jogo que, infelizmente, é mais do que provável que não consiga sequer ver pela TV), um triunfo sobre a Académica (aí já poderei ver, pelo menos na TV), e nenhuma saída de jogadores.
Saudações a todos, e votos de um excelente Agosto, em particular aos benfiquistas.

A OPÇÃO 4-3-3

À CAMPEÃO!

Ora aí está o Campeão, mostrando a classe que o fez subir ao trono.
A primeira hora do jogo com o Aston Villa podia pedir meças aos melhores momentos do Benfica na temporada passada, tal a fluência do seu jogo ofensivo, tal a qualidade das acções individuais e colectivas. Foram os melhores minutos da pré-época, e revelaram uma considerável melhoria face às exibições de há um par de semanas atrás. Já o jogo com o Feyenoord nos oferecera uma segunda parte de alto nível, e esta final do Torneio Guadiana confirmou plenamente essas boas indicações.
Este não é um Benfica igual ao de 2009-10. Para além da mudança de guarda-redes, da aparente troca de pivot defensivo, e da integração progressiva dos jogadores presentes no Mundial, o sistema táctico destes últimos (e melhores) jogos tem sido um 4-3-3 que, salvo numa ou noutra situação pontual, não foi utilizado na época passada. Consequentemente, o modelo em que se alicerçam as principais acções ofensivas também regista diferenças.
Além do propósito de Jorge Jesus dotar a equipa de uma maior versatilidade táctica, concorreu para esta alteração também a perda de Di Maria, acrescida da ausência (definitiva?) de Ramires, e ainda da lesão de Nico Gaitán, factos que amputaram o conjunto das asas que lhe permitiam voar pelos flancos. Rapidamente o técnico encarnado descobriu outras soluções, e a incorporação de Jara (excelente jogador) na linha ofensiva, lado a lado com Cardozo e Saviola, permitiu, não só manter, como porventura aumentar, a capacidade do Benfica criar situações de perigo junto das balizas contrárias, como se viu nestes jogos diante de adversários bastante respeitáveis – ambos vergados ao peso de goleadas.
Aparentemente trata-se pois de uma variante com pernas para andar, ficando apenas por saber qual a composição definitiva do trio de meio-campo. É que se com Ramires todos os equilíbrios serão relativamente fáceis de manter, já sem o internacional brasileiro se levantam muitas dúvidas acerca da fiabilidade deste sistema, dado que quer Carlos Martins, quer Aimar não são muito dados a tarefas defensivas, deixando o pivot (Airton ou Javi) e toda a linha defensiva demasiado exposta.
Veremos então como evolui este Benfica nas próximas partidas, e sobretudo como se apresenta em Aveiro, para a Supertaça, já dentro de uma semana, encontro no qual não pode deixar de assumir algum (ainda que ligeiro) favoritismo. Para já, vão três troféus particulares na bagagem, podendo juntar-se-lhe um quarto já esta terça-feira.
Mas, devo dizer, tenho grande dificuldade em entusiasmar-me com esta equipa enquanto o mercado não tiver fechado as suas portas. Não adianta estarmos para aqui a dizer que este ou aquele aspecto está melhor, que a solução pode ser assim ou assado, e depois depararmo-nos com constantes notícias acerca de possíveis saídas de jogadores fundamentais. A perda de qualquer dos titulares da época passada representará um rombo na qualidade e nas aspirações do Benfica para 2010-11, e enquanto essa nuvem não estiver totalmente dissipada, nem sequer terei muita vontade de ir à Luz.