TRÊS PONTOS

O jogo valeu pela primeira parte, onde, de resto, podia ter ficado decidido, dado o volume ofensivo do Benfica e a quantidade de oportunidades desperdiçadas. A segunda parte foi morna, e algo perigosa - até ao golo de Sudakov, que descansou, enfim, o Estádio da Luz.
A arbitragem foi irritante, com critérios desiguais e demasiado permissivos para a violência dos jogadores do Guimarães. Numa jornada já desvirtuada, este podia ter sido a terceiro episódio.
 

ONZE PARA O E A VITÓRIA

Trubin, Bah, Araújo, Circati, Dahl, Palhinha, Aursnes, Echeverri, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.

Dar descanso a Prestianni, que veio a meio da semana da selecção. 

TUDO BONS RAPAZES

O competentissimo Proença (estamos a ver), o fanático Caeiro e o gangster Luciano, não vão deixar que o Benfica seja campeão. Aliás, com esta trupe, acredito mais na Liga Europa que no campeonato. A arbitragem do clássico (entretanto ofuscada pelo caso Ronaldo) já foi o que foi. Na jornada após a pausa, Porto e Sporting continuam a sua competição particular sobre qual deles é mais ajudado. Em lances de dúvida, olha-se para as camisolas e sabe-se o que inevitavelmente acontece. Vale tudo: penáltis por marcar e mal marcados, golos mal validados e mal invalidados, critérios disciplinares obtusos. E uma subversão total da verdade desportiva. Veremos se amanhã conseguem colocar o Benfica em terceiro lugar, a sete ou oito pontos da liderança. Que o vão tentar, não tenho dúvidas. Árbitros e vídeoárbitros, têm de agradar aos chefes. E os chefes, além de enriquecerem brutal e injustificadamente, sabem muito bem o que querem e para onde vão. Isto se não forem antes para a cadeia, coisa que, sobretudo no caso de Luciano Gonçalves, não me espantaria mesmo nada.
Temos a pior arbitragem dos últimos vinte anos, temos o pior presidente da FPF desde Saltillo. Nos anos noventa havia um clube que dominava a arbitragem e o doping, agora temos dois. Viva o futebolzinho português. 

RENOVAÇÕES

A notícia da eventual renovação de Pavlidis (ou, pelo menos, aumento salarial) vai de encontro aquilo que defendo: é preciso vender jogadores todos os anos, mas não aqueles cujo valor de mercado seja inferior à importância que têm para a equipa.
Pavlidis é, claramente, um desses casos. Com a sua idade, ninguém irá dar 70 ou 80 milhões por ele. E o Benfica não conseguirá contratar um ponta-de-lança da sua categoria sem pagar um salário muito acima do que aufere o grego. Assim, há que o aumentar para o segurar. Foi uma contratação acertada, e há que a fazer render...desportivamente. Pavlidis merece ganhar um título nacional pelo Benfica. Pavlidis tem de ganhar um título nacional pelo Benfica. Até lá, é preciso mantê-lo feliz e motivado.
Prestianni e Schjelderup são casos diferentes. Um e outro irão fatalmente ser vendidos, só não se sabe quando. E para o clube manter as rédeas do processo em suas mãos, é preciso aumentar-lhes também o salário. São craques, e devem ser pagos como tal. Há que evitar que acabem por ser vendidos em saldo, perto do fim dos contratos. Trata-se pois de investir agora (em salários), para lucrar mais tarde (numa venda milionária). Acresce que nem um nem outro atingiram ainda os seus picos de valorização. Gostava  que saíssem por 80 milhões, Schjelderup no Verão de 2028, Prestianni no Verão de 2029. Se isso é possível, confesso que não sei. Mas que era o ideal, disso não tenho dúvidas.

QUEM FOI MELHOR?

A lenda do Real Madrid e do Manchester United ou a lenda do Benfica?
Um ganhou mais Bolas de Ouro e Ligas dos Campeões, mas nunca brilhou em fases finais de europeus ou mundiais, outro foi melhor jogador e mellhor marcador de um Mundial. Um venceu mais troféus internacionais, outro venceu mais campeonatos. Um tem mais seguidores nas redes sociais, outro jogou antes de haver redes sociais. Um tem 979 golos em 1337 jogos (média de 0,73 golos por jogo), outro marcou 624 golos em 639 jogos (média de 0,97 golos por jogo). Um é egocêntrico e ostentador, outro era humilde e respeitador.  
A resposta talvez se encontre numa pergunta: como seria a carreira de Eusébio se tivesse jogado neste século?

TRISTE FIGURA

A famosa frase de Karl Marx " a história repete-se, primeiro como tragédia, depois como farsa" aplica-se ao caso Ronaldo. E o seu triste comunicado é já o momento da farsa.
Inenarrável,  como inenarrável seria se Jorge Jesus tivesse lido aquela alucinada cábula. Felizmente temos treinador.  Felizmente já não temos a figurinha que tem usado a braçadeira de capitão há demasiado tempo. E qualquer outro desfecho será caso para nunca mais ver um jogo da Selecção.

SOMA E SEGUE

Não foi uma grande exibição. Mas são quatro vitórias em quatro jogos. Esta bastante sofrida, sobretudo naqueles últimos minutos em desvantagem numérica. 
Nota-se ar puro à volta desta equipa, e também dentro do campo se vê união e solidariedade. 
Há dez anos que não vibrava tanto com a equipa das quinas. E até tenho pena desta pausa nos campeonatos de clubes acabar agora.

O DINHEIRO DA FPF

Num clube, por exemplo no Benfica, interessam-me os proveitos, os custos e os lucros, na medida em que o dinheiro serve para construír equipas mais fortes, contratando.(ou mantendo) melhores jogadores.
E na FPF? O plantel é o mesmo independentemente dos orçamentos. Não se vendem nem contratam jogadores, e o investimento na formação está integralmente assegurado pelos principais clubes.
Fez-se a cidade do futebol. E os maooress patrocínios da Selecção estarão em vigor até 2030, ano da realização do Mundial ibérico. 
Alguns defendem que Ronaldo terá de lá estar até aos 55 anos, caso contrário é o caos e a falência. Mentira.
Há,  de facto, quem perca muito dinheiro com a sua ausência. Esses estão naturalmente em pânico. Mas não o futebol português, e muito menos o país. 

O QUE LHE DEVEMOS?

2005

2009

2010

2014

2018

2019

2021

2022

2022

2025


2025

2026

Que pena o português mais conhecido de sempre ser um cidadão tão pouco recomendável.

RESPOSTA À ALTURA

As ronaldetes deste país e dos outros não terão ficado felizes com a excelente vitória obtida na Dinamarca - mais uma demonstração daquilo que pode ser uma equipa recheada de grandes jogadores, quando actua de forma solidária.
Eu fiquei feliz, como ficaram os portugueses que gostam da Selecção, independentemente de quem a representa. Sobretudo depois de uma boa exibição, que também mostrou crescimento táctico colectivo. Na Noruega foi melhor que em Alvalade,  e hoje foi melhor que na Noruega. 
Não costumo apreciar estas pausas FIFA. Neste caso, até terei pena de chegar a domingo à noite, e ter de me despedir de uma Selecção na qual, também eu, voltei a acreditar.
Jogue quem jogar, concordemos mais ou menos com o onze, agora sabemos que há um plano colectivo de vitória que não é refém de qualquer individualidade. A Selecção Nacional deixou de ser uma marca comercial e voltou a ser uma equipa de futebol. 
Viva Portugal!

O MEU PORTUGAL

...o gozo que me deu fazer este onze.
 

COM 4 ANOS DE ATRASO

No dia em que Portugal foi eliminado por Marrocos no Mundial 2022, Cristiano Ronaldo devia ter percebido que o seu tempo na Selecção acabara aí. Se o percebesse nessa altura, teria saido por cima, pelo seu pé, com total dignidade, deixando a sua história falar por si. Era hoje respeitado por todo o país, e por todo o mundo.
Sem conseguir reflectir sobre o que quer que seja a não ser carros, roupas e jóias, CR7 não entendeu o que era, o que se tinha tornado, nem o papel que podia desempenhar. Mal aconselhado, por toda uma multidão que ganha dinheiro à volta dele, continuou a pensar que era o melhor jogador do mundo, que a equipa era ele, que os colegas deviam centrar-se em ajudá-lo a bater records individuais, e que o seu nome era mais importante que o do próprio país.
Há muito tempo que se percebeu que, não querendo sair a bem, teria de sair a mal. Roberto Martinez foi contratado para gerir o seu ego, em nome das receitas de milhões que a FPF arrecada com Ronaldo. Jorge Jesus jamais se entregaria a essa papel. É um treinador de futebol, quer ganhar, joga com os melhores, e... também acha que é o maior do mundo. Um técnico com 72 anos pode pensá-lo. Um jogador com 41 não.
Estranhei a sua convocatória, e ainda mais a sua titularidade com Gales. Não era o Jorge Jesus que eu conhecia. Substituindo-o nessa partida, e deixando-o no banco em Oslo, Jesus abriu fatalmente uma guerra com um indivíduo que não aceita um não. E as coisas acabaram mal. Com uma atitude deplorável do antigo génio e um péssimo exemplo para os mais jovens (atitudes que vão ser branqueadas pela sua cada vez maior rede de influências no país e no mundo).
Estou convencido que Jorge Jesus, interiormente, esfrega agora as mãos por se ter visto livre de um elefante no balneário. Vai poder fazer a equipa que quer, colocar os jogadores que quer, a fazerem em campo o que ele exige - sem preocupações de não belicar o ego de uma majestade.
A Selecção fica liberta de um peso que não conseguiu suportar desde 2022. Começa uma vida nova.
Viva Portugal!

INGLÓRIO

O mais natural era perder com o Bayern. Porém, até sofrer o primeiro golo, o Benfica equilibrou o jogo e teve oportunidades para marcar. O resultado foi demasiado pesado para o que se passou.
O próximo jogo, em Londres com o Arsenal, também dificilmente será pontuável. Depois há Roma e, sobretudo, Austria de Viena e Koge para tentar a qualificação.