A ÚNICA BOA NOTÍCIA

Numa noite em que até o basquetebol perdeu, a única boa notícia veio mesmo da Áustria, onde um penálti milagroso convertido por Lautaro Martinez aos 85 minutos, ditou a derrota caseira do RB Salzburg, e assim permitiu que o Benfica ainda dependa apenas de si para continuar nas provas europeias - neste caso, claro, na Liga Europa.
Simplificando as contas, temos dois caminhos para o apuramento:
1) Fazer melhor resultado com o Inter do que o RB Salzburg em San Sebastian, e depois ganhar na Áustria;
2) Fazer o mesmo resultado com o Inter que o RB Salzburg em San Sebastian (ex: vitória/vitória, empate/empate ou derrota/derrota), e depois ganhar na Áustria, por pelo menos dois golos de diferença.
Nesta hipótese 2), se o Benfica perder com o Inter por diferença de golos maior do que o RB Salzburg no País Basco, ou ganhar por diferença menor, então terá de vencer na Áustria, não por duas, mas por três bolas de diferença - pois aí haveria necessidade de se superiorizar no confronto direto, ao ficar com um goal-average desfavorável.  Ainda no âmbito desta hipótese 2), também há possibilidade de suceder algo parecido com a temporada passada (então face ao PSG para o 1º lugar), e o desempate vir a ser por cartões amarelos - com resultados paralelos na próxima jornada (1-0/0-1, 0-0/0-0, 2-3/3-2 etc), e um 0-2 na Áustria simétrico ao da primeira jornada na Luz. Em cartões, a vantagem, neste momento, é benfiquista.

Academicamente, o Benfica até pode, por exemplo, perder com o Inter por 0-19, e ainda se apurar. Seria preciso o RB Salzburg perder no País Basco por qualquer diferença, e depois perder por 0-3, ou mais, na última ronda em casa diante dos encarnados. Obrigatório é mesmo vencer em Salzburgo, condição absolutamente necessária para qualquer contabilidade.
A independência, digamos assim, advém da possibilidade de ganhar ao Inter e ganhar na Áustria por 0-3. Neste caso, mesmo que o RB Salzburg goleasse a Real Sociedad em San Sebastian por 0-25, a equipa de Schmidt seria sempre terceira classificada.. 
Em sentido oposto, se o Benfica fizer menos pontos com o Inter do que o RB Salzburg no País Basco, fica desde logo arredado da Europa.
Portanto, o que há a fazer é simples: primeiro que tudo, ganhar ao Inter - que, recordemos, vem à Luz já qualificado. Nesse caso, ceteris paribus, o Benfica garante vida para a sexta e última jornada.

LIXO

Os rostos foi a Real Sociedad que desfocou. Os emblemas do Benfica fui eu que apaguei.
Eis o tipo de gente que não faz falta nenhuma ao clube, nem ao futebol, nem à sociedade. São uma vergonha para o Benfica, e um cancro a infectar os estádios. Há que os banir sem contemplações.
Provavelmente o Benfica-Inter vai ser jogado à porta fechada. A nossa equipa não vai ter apoio. O clube vai pagar multas avultadas, e os verdadeiros adeptos ficam com a imagem manchada na Europa. A culpa é destes animais e de outros como eles, que semearam a violência no centro da cidade basca, agrediram pessoas de forma bárbara e cobarde, e depois, no estádio, de forma igualmente cobarde, atiraram tochas para cima de bancadas cheias de gente, como, de resto, já haviam feito em Milão e noutros sítios.
Segundo me contou quem esteve presente, os benfiquistas ficaram retidos mais de duas horas na bancada, para que as forças policiais (que em Espanha, e particularmente no País Basco, nada têm a ver com as portuguesas) identificassem os criminosos e procedessem às detenções.
Se querem violência, juntem-se e batam uns nos outros. Deixem o futebol em paz. Sobretudo, deixem o Benfica em paz.
A UEFA terá certamente mão firme. E bem. Exijo que o clube também a tenha, expulsando-os sumariamente de sócios (se é que o são), retirando-lhes os lugares cativos (se é que os têm) e impedindo-os de entrar em qualquer instalação do Sport Lisboa e Benfica.

MISERÁVEL

Envergonhado. É como me sinto, enquanto benfiquista.
Envergonhado com a exibição fantasmagórica da equipa na primeira parte, em tudo a fazer lembrar Vigo - enfim, na segunda o jogo foi "apemas" medíocre...
Envergonhado, sobretudo, com o inenarrável comportamento de alguns animais que se dizem benfiquistas, e mancham, jogo após jogo, deslocação após deslocação, a imagem internacional que o clube tanto lutou por construir. Espera-nos certamente um jogo à porta fechada, e é preciso identificar com rapidez, e expulsar sumariamente de sócios, os delinquentes responsáveis por isso. Numa hora tão negra, não posso esquecer que é a esta gente que chegam bilhetes para os jogos fora de casa, outro aspecto que merece reflexão dentro do clube. 
Depois disto, quase não me apetecia dizer mais nada. 
Mas, falemos de futebol. 
Não sei se a culpa é dos jogadores (como confessou Di Maria), se é do treinador (como o próprio assumiu), ou da SAD, que manifestamente preparou mal a época. O mais certo é ser de todos, o que em nada me surpreende - basta ver o que escrevi ainda na pré-época, logo que me apercebi que o Benfica se preparava para intoxicar com múltiplas, caras e duvidosas contratações, um grupo campeão.
O mal está feito. Agora é preciso minimizar danos, concentrar energias nas provas internas, onde a vida também não será fácil, desde já no próximo domingo. 
Um segundo lugar na liga e uma taça já eu comprava, de caras. Infelizmente até isso me parece difícil, tal o grau de indigência em que caiu a equipa de Schmidt.
A única certeza que tenho é que, aconteça o que acontecer, vou continuar benfiquista. Até morrer! 

ONZE PARA GANHAR

Embora, numa perspectiva de Liga Europa, e caso o Salzburg perca com o Inter, um empate talvez não fosse de deitar fora. Até para matar, desde já, o fantasma dos zero pontos.
 

DEIXEM-ME SONHAR...

...
4ª JORNADA:
Real Sociedad-Benfica, 0-1
Salzburg-Inter, 0-1
5ª JORNADA
Benfica-Inter, 1-0
Real Sociedad-Salzburg, 0-0
6ª JORNADA
Salzburg-Benfica, 0-1
Inter-Real Sociedad, 1-0

CLASSIFICAÇÃO 
1º INTER 13
2º BENFICA 9
3º Real Sociedad 8
4º Salzburg 4

3 PONTOS

Não foi uma exibição brilhante. Até ao primeiro golo foi mesmo sofrível. Mas apareceu João Neves, que com um golpe de magia resolveu a partida, e deu 3 pontos aos encarnados. 
Com o resultado desbloqueado, o jogo ficou diferente. O autocarro do Chaves cedeu, e tudo ficou mais fácil para o Benfica. 
Para trás, uma enorme dificuldade, ao longo da primeira parte, em furar uma densa barreira defensiva contrária, muita passividade na construção e medo de perder mais pontos. Tal como algumas exibições individuais preocupantes. Tudo está bem quando acaba bem, e este jogo acabou bem. 
Não me conformo com golos anulados por 9 cms.  É importante que os adeptos percebam que isto é uma fraude. As linhas não são traçadas no relvado, mas sim num ecrã em que um jogador mede, ele próprio, não mais do que os 9 cms. Não é geometricamente possível garantir que Musa está offside. E assim havia que validar o golo - tal como o do Boavista frente ao Sporting. 

ONZE PARA CHAVES

Não há laterais, caça-se com gato.
 

RETOMA?

Era preciso mudar alguma coisa. E Roger Schmidt mudou.
Um jogo com o Arouca para a Taça da Liga vale o que vale, mas a verdade é que gostei bastante da ideia, e dos primeiros 30 minutos. 
Depois, o estado do relvado dificultou o bom futebol. Mas a atitude manteve-se, o que é muito bom sinal.
Com um penalti por assinalar, e um golo anulado por centímetros, a vitória podia ter sido mais robusta. Mas em principio chega para atingir a Final Four, e para dar alguma tranquilidade à equipa e aos adeptos. 

ONZE PARA AROUCA

Com a Champions arrumada, com a Liga Europa comprometida, com o Campeonato a correr mal, o Benfica pode, e deve, apostar forte nas taças. Este não é um onze alternativo. É, provavelmente, o melhor onze que o Roger Schmidt pode, neste momento, apresentar. 
Recordemos que em caso de derrota os encarnados dizem de imediato adeus à competição. Em caso de empate, terão de vencer por dois golos o AVS em casa para conseguir o apuramento. Em caso de vitória , bastará um empate na última partida. Uma vitória por mais do que um golo em Arouca, obrigará o AVS a ganhar na Luz pela mesma diferença menos um.

E EM JANEIRO...


OTAMENDI: Salário demasiado elevado, Morato tapado, crescente falta de pernas. Uma rescisão amigável, com cerimónia de despedida, gratidão e amor eterno.
JOÃO VICTOR: Não parece ter perfil para o Benfica. Vender ao melhor preço para o Brasil.
BERNAT: Sem condição física para as exigências do Benfica e com salário elevado. Libertar.
JURASEK: Absoluto erro de casting. Não tem qualidade. Vender rapidamente por 5, 4 ou 3 milhões, conforme as propostas (duvido que alguém dê mais).
KOKÇU: Tem qualidade, mas não encaixa na equipa, além de ter também um salário elevado. Talvez fosse possível vender por 18/20 milhões e recuperar algum do investimento.
DI MARIA: Salário demasiado elevado, crescente falta de pernas e de condição física. Também merece uma rescisão amigável, com cerimónia de despedida, gratidão e amor eterno.
ARTHUR CABRAL: Absoluto erro de casting. Não tem qualidade. Vender rapidamente pela melhor proposta - que, duvido, ultrapasse os 6 ou 7 milhões.
TENGSTEDT: Absoluto erro de casting. Não tem qualidade. Vender, ou mesmo dar.
Quanto a guarda-redes, já não há nada a fazer: é aguentar Trubin.
Com estas saídas, podiam-se recuperar talvez 30 dos 80 milhões (mal) investidos. Do mal o menos...
Além dos salários que se poupavam (provavelmente cinco deles entre os mais elevados do plantel).
Contratar apenas dois bons laterais (que saibam defender), e sobretudo um grande ponta-de-lança (como teriam sido Santiago Gimenez, ou Gyokeres, por exemplo, que agora estão totalmente inacessíveis).
Talvez assim fosse possível salvar a época e a tesouraria. Como as coisas estão, um segundo lugar no campeonato e uma taçita, e eu já ficava satisfeito.

QUE DIZER MAIS?

Na verdade, tenho a sensação de ter dito tudo no post relativo ao último jogo. Não vale a pena repetir-me.
Restam-me ainda as dúvidas sobre quem pediu, indicou ou avalizou contratações como as de Jurasek e Arthur Cabral (bem que gostava de saber..., até para não ser injusto com ninguém) . E a razão para Tiago Gouveia não ter tido qualquer minuto depois de uma boa entrada na terça feira. E para se meter em campo Chiquinho aos 87 minutos, com a equipa a precisar urgentemente de marcar. Quero também ver se vai acontecer a Trubin o mesmo que a Odysseas. Otamendi? Esse já sei que irá continuar no mural. 
Enfim, Roger Schmidt diz que o Benfica jogou bem. Serão certamente 5999999 pessoas a ver as coisas ao contrário. 

UM ONZE DE CAMPEÕES

Reforços? Só Trubin, e porque tem de ser. Os outros, para o banco, para a bancada e para o...mercado. Como não chegaram melhores, aproveitem-se os que cá estavam. Uma equipa de campeões, para tentar resgatar o espírito de 2022-23. É esta a minha proposta para este jogo, e para a época.

AGENDA


O MEU MURAL

Nos 20 anos do novo Estádio da Luz, é de saudar a ideia de um mural com os 20 nomes que, na opinião dos adeptos, ali mais se destacaram.
É claro que uma escolha desta natureza jamais seria consensual. Tratando-se de uma votação aberta, não há como questionar os nomes.
Cada um de nós é livre, porém, de exprimir as suas opções, e no meu caso custa-me não ver ali Darwin Nuñez - que, a seguir a Jonas, foi talvez o melhor jogador do Benfica nesta última década. Não ganhou títulos, e isso pesa. Além de que a escolha era segmentada por posições, o que a condiciona.
Também David Luiz merecia lá estar. Pelo contrário, é algo discutível que se considerem jogadores do plantel atual. 
Quanto a Petit e Pizzi, percebo que seria embaraçoso, neste momento, colocar lá um jogador do Braga e um treinador do Boavista, adversários do Benfica no campeonato.
Entre outros que ficaram de fora, destacam-se ainda os nomes de Enzo Perez, Fejsa, Javi Garcia, Renato Sanches, Júlio César e Saviola. 
Enfim. quando votei escolhi apenas onze, e não me lembro bem de quais. Contas feitas, olhando para estes vinte nomes, trocava André Almeida e Otamendi, por David Luiz e Darwin Nuñez.

PENOSO

Quem queira perceber o que se passa com o Benfica 2023-24, não precisa de se interrogar muito. Basta pesquisar aquilo que escrevi no início da temporada, e mesmo antes de ela se iniciar. Não por ser um visionário, não por pretender perceber mais de futebol do que qualquer outro adepto, mas apenas por estar atento, e ter já quase meio século de benfiquismo. Talvez também por saber algumas coisas sobre dinâmicas de grupo e liderança, aspetos que não se esgotam no mundo do desporto, mas também fazem parte dele.
É claro que há problemas com Roger Schmidt, com a sua gestão do plantel, com a sua leitura de jogo (que nem os jogadores parecem entender), e com algumas teimosias a roçar a obstinação. Apesar de tudo, no outro lado da balança, o técnico alemão ganhou um campeonato, uma supertaça, realizou uma excelente campanha europeia na época passada, e ganhou três dos quatro jogos que disputou com o FC Porto. Tem por isso ainda algum crédito (enfim, não será para sempre, nem para muito mais tempo...), o que nos obriga a olhar também para outras questões. Dito de outra forma, Schmidt poderá fazer parte do problema, poderá ter potenciado o problema (e tanto uma, como a outra afirmação são, quanto a mim, verdadeiras), mas não esgota o problema.
Decorreu já tempo suficiente para podermos dizer que o mercado de verão foi uma catástrofe. Escrevi-o aqui várias vezes. Disse-o também noutros contextos, frequentemente perante quem insistia "estás louco, a equipa manteve-se e ainda foi bastante reforçada!". Ora o problema reside precisamente aí: em ter sido bastante "reforçada".
Há uma velha máxima que importa lembrar, e que nos diz que "em equipa que ganha, não se mexe". Não é só no futebol, é válida para qualquer empresa ou organização. E a verdade é que o Benfica mexeu, e mexeu demasiado.
Entre contratações desnecessárias (Trubin é bom, mas Odysseas chegava; Kokçu não complementa, antes se sobrepõe a João Neves; Di Maria tem 35 anos e demasiado estatuto para o que corre e ganha mais dinheiro do que outros que corriam e agora deixaram de o fazer) e contratações completamente falhadas (Jurasek e Arthur Cabral, vamos ver Bernat...), a SAD encarnada introduziu peças que não encaixam no grupo, criando uma caldeirada de talentos, equívocos, desequilíbrios salariais e insatisfações num plantel campeão que, de um momento para o outro, se viu descaracterizado. Tudo absolutamente desnecessário, quando bastava, à equipa do ano passado, substituir Gonçalo Ramos e Grimaldo (que, com o que se pagou por Jurasek, até talvez tivesse sido possível convencer a ficar).
As equipas de futebol são, antes de mais, grupos de homens. Com os seus ânimos e desânimos, com as suas ambições, insatisfações e inquietações. O que se vê nos jogadores do Benfica é um grupo de homens inquietos, descrentes, a duvidar uns dos outros, de si próprios e do seu líder. Quem já lá estava parece olhar com desconfiança para quem chegou. Quem chegou não consegue, não pode, ou não sabe, integrar-se. O resultado vê-se em campo, e não passa de zero.
Talvez Pep Guardiola resolvesse isto. Roger Schmidt, que a pouco e pouco tem colecionado conflitos (Odysseas terá certamente amigos no plantel, a mulher de Morato deu-lhe voz nas redes socias, Neres mostra o que sente quando é injustamente preterido, João Victor foi publica e desnecessariamente exposto, Florentino anda decerto infeliz), não parece conseguir fazê-lo.
A Champions está morta e enterrada. Mesmo a Liga Europa é difícil. E até o fantasma dos zero pontos começa a pairar. Talvez duas vitórias internas (Casa Pia e Chaves) permitam alguma estabilidade emocional para enfrentar o Sporting, naquele que continua a ser o principal objetivo da época: o Campeonato. E não vai ser fácil sequer empatar com a bem organizada equipa de Ruben Amorim.
Depois, há que aguentar até janeiro, e aí tentar minimizar os estragos de verão (vender Jurasek, Kokçu, João Victor, Arthur Cabral, Tengstedt, devolver Bernat e deixar Di Maria partir para a sua terra, contratando um lateral e um ponta-de-lança). Talvez desse modo ainda fosse possível salvar a época. 
Numa equipa em que apenas dois jogadores correram (João Neves e Tiago Gouveia), onde João Mário e Rafa são sombras de um passado recente, onde não há um ponta-de-lança (nem um lateral-esquerdo) de qualidade, vai ser preciso muita ginástica e imaginação para resgatar um pouco de ânimo do fundo do poço. 
Neste momento, a minha expetativa para o resto da época está em linha com a classificação da Champions: zero!

ONZE PARA A DECISÃO

É mesmo o tudo ou nada. Se o Benfica não ganhar à Real Sociedad, não vai passar aos oitavos. Não se trata de matemática. Trata-se de futebol.

NOTA: Fiz o onze sem contar com os lesionados. Gostava que, pelo menos, Bah recuperasse. Nesse caso, saía João Mário e avançava Aursnes para a ala esquerda.
 

OS JOGOS COM O FC PORTO? SIM!

Há muito tempo que digo e escrevo que um dos crónicos problemas do Benfica nos "clássicos" com  o FC Porto reside na forma inocente como os aborda. É "só mais um jogo", é #pelobenfica, enfim, tudo conceitos que por vezes retiram agressividade competitiva à equipa, e causam uma situação objetiva de desvantagem nos confrontos diretos perante alguém que chega cá com a faca nos dentes e sangue nos olhos.
O que Roger Schmidt disse hoje (e também, lembremos, os últimos resultados) indicia que o assunto foi encarado na Luz, e que doravante o "clássico" passará a ser disputado como "o" jogo - e bem. 
Estou, pois, totalmente de acordo com a filosofia subjacente à declaração do técnico alemão. Saúdo-o.
É discutível, isso sim, o timing da mesma. Antes de uma partida da Champions (importantíssima para a passagem do grupo), e a duas semanas do "dérbi" lisboeta, digamos que havia melhores momentos para dizer aquilo.
Os bascos não sei. Mas Ruben Amorim terá anotado a frase, e provavelmente já a colou nas paredes do balneários de Alcochete. 
Se o objetivo era apenas puxar dos galões e afirmar "lembrem-se que, mesmo perdendo amanhã, eu ganhei duas vezes ao FC Porto", então não aceito. Não é a boa ou má imagem do treinador que interessa aos benfiquistas.
Vou ficar pelo conteúdo: no Benfica, queremos fazer o FC Porto perder.

SEM HISTÓRIA

Vitória fácil contra uma equipa de escalões inferiores  (nem sempre acontece), num jogo de sentido único.
Um bom treino para a Champions, que serviu para dar ritmo a alguns jogadores, e tirar dúvidas sobre outros.
De melhor, os golos de Arthur Cabral e Tiago Gouveia, pela confiança que lhes podem dar. De pior, a evidência de que, mesmo com o golo, nem Cabral, nem Tengstedt são soluções, estando o eixo do ataque do Benfica dependente de Musa - que também não é propriamente fenomenal. 
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MEIO FESTIVAL

Se à partida a contratação de Roberto Martinez não me entusiasmou, e a insistência em Cristiano Ronaldo me pareceu (e parece) contraproducente, é preciso dizer, em nome da justiça, que a Seleção Nacional está a surpreender pela positiva.
É verdade que os adversários deste grupo não permitem tirar conclusões definitivas, mas, mesmo diante deste tipo de equipas, vê-se (muito) mais futebol do que se via com Fernando Santos.
Na Bósnia, perante uma equipa que, no passado, havia criado dificuldades, e ainda lutava pelo apuramento, Portugal passeou classe e tranquilidade.
Numa fase final, contra Franças, Espanhas ou Alemanhas, se verá enfim o que vale esta equipa e este selecionador. Para já, tenho de admitir que as coisas não estão mal de todo. E começo a inclinar-me para dar a mão à palmatória. Oxalá tenha de o fazer.

DOMINGOS SOARES OLIVEIRA

Por falta de oportunidade e tempo, não pude escrever na altura própria sobre a saída de Domingos Soares de Oliveira da SAD benfiquista. Faço-o agora.
Antes de mais, há que dizer que os casos que colocaram o gestor na alçada da Justiça, independentemente daquilo que vierem a determinar no futuro, tornaram inviável a sua permanência no Benfica. Para bem do clube, e também do próprio, era preciso virar a página, e colocar um ponto final numa relação que durou décadas. Aceito que tal não tivesse ocorrido mais cedo (quando Rui Costa assumiu a presidência), pois percebo que nessa altura era preciso assegurar uma transição tão tranquila quanto possível, e o próprio "Maestro" necessitava de apoio na gestão de setores que não dominava.
Dito isto, há que lembrar que DSO fez um trabalho notável na Luz, o qual nem sempre foi devidamente valorizado pela frequente confusão que se fez com áreas (nomeadamente a desportiva) que não eram da sua responsabilidade. Ganhando ou perdendo dentro do campo, é de reconhecer que o universo comercial, financeiro e estrutural do Benfica cresceu e solidificou-se, mudando para (muito) melhor, com DSO (obviamente não só mérito dele, mas também mérito dele). E quando a equipa perdeu, a SAD manteve-se forte, dinâmica, e com pujança comercial e financeira. Não concordei com tudo, queixei-me de muita coisa (bilhética, por exemplo), mas globalmente tenho de valorizar o que foi feito.
Como disse, muitos atribuem a DSO responsabilidades que, na verdade, não eram dele (construção de plantéis, política de contratações e mesmo vendas de atletas). E confundem o personagem com todo o contexto do futebol moderno, onde é preciso garantir receitas para fazer face a custos galopantes. A SAD é uma empresa, e DSO geriu-a bem. Eu também não gosto de olhar para o Benfica como uma empresa, nem sou fã do futebol moderno (ou do que o termo genericamente significa), mas disso DSO não tem culpa.
DSO pagou também, junto dos adeptos, o preço de um dia se ter confessado sportinguista. Seria preferível ver sempre adeptos do clube nos cargos de decisão. Devo dizer, porém, que jamais esse "sportinguismo" do gestor se fez notar. Foi acima de tudo um profissional da gestão, que fez bem o seu trabalho. Segundo se dizia, até gostava mais de golfe do que de futebol (gostos não se discutem).
Não tenho, nem alguma vez tive, qualquer relação pessoal com Domingos Soares de Oliveira - com quem me cruzei e a quem cumprimentei circunstancialmente não mais do que duas ou três vezes. Estou, por isso, à vontade para falar dele apenas enquanto benfiquista observador.
Acabou a sua história no Benfica. Que tenha saúde e sorte pela vida fora. 
Se os próximos vinte anos forem comercial e financeiramente tão estáveis e sólidos como os anteriores, estarão criadas as condições para, com uma boa gestão desportiva, fazer do Benfica um clube ainda mais ganhador.


O COPO CHEIO

Se a equipa principal de futebol não convence, embora leve sete vitórias consecutivas no campeonato, esteja a um ponto da liderança, já tenha conquistado a Supertaça diante do FC Porto, e tenha vencido novamente o rival nortenho na Luz, já o restante universo Benfica parece bastante dinâmico e ganhador.
No total desta temporada, já cantam na Luz nove Supertaças (!!!), o que é record absoluto de qualquer clube português.
Recordemos:
FUTEBOL MASCULINO: 2-0 ao FC Porto
FUTEBOL FEMININO: 1-1 (vgp) com o Sporting
HÓQUEI EM PATINS MASCULINO: 4-1 ao SC Tomar
BASQUETEBOL MASCULINO: 93-75 ao Imortal
FUTSAL MASCULINO: 5-4 ao Sporting
FUTSAL FEMININO: 4-2 ao Nun'Alvares
ANDEBOL FEMININO: 36-33 ao Madeira
VOLEIBOL MASCULINO: 3-0 ao Fonte Bastardo
POLO AQUÁTICO FEMININO: 29-7 ao Cascais
Faltam ainda disputar as de Hóquei em Patins Feminino (no domingo frente ao Feira) e a de Andebol Masculino (em dezembro)
Para além das Supertaças, o Benfica já venceu também a Elite Cup (uma espécie de Taça da Liga) de Hóquei em Patins, tanto em Masculinos como em Femininos, bem como a Taça João Campelo de Hóquei Feminino, e a Taça Vítor Hugo de Basquetebol Feminino, tudo competições oficiais. Não perdeu qualquer prova disputada até agora.
De notar também a qualificação para a fase de grupos da Champions de Basquetebol (apenas uma das doze!!! competições europeias em que o Benfica está inserido).


 

GOLPE DE SORTE

Não se trata do novo filme do Woody Allen. E também não foi uma comédia. Podia, isso sim, ter sido uma tragédia. Mas desta vez a sorte bafejou o Benfica.
Depois de noventa minutos miseráveis, ao longo dos quais ninguém percebeu qual era a estratégia para ganhar, duas cabeçadas de António Silva, uma em cada baliza, decidiram o resultado frente ao último classificado da Liga. Uma vitória magra, sofrida e porventura até imerecida, mas que vale três pontos como as outras.
Não deixa, porém, de ser inquietante como o Benfica partiu do título de campeão nacional, colocou 70 milhões de euros de investimento em cima, e tem hoje uma equipa pior que a da época passada. Entre contratações medianas (Jurasek 14), medíocres (Arthur Cabral 20) e inúteis (Kokçu 25), o Benfica gastou o dinheiro que podia, e devia, ter sido investido nas renovações de Grimaldo e Rafa, e na contratação de um grande ponta-de-lança (Gimenez?). Em vez disso, mudou, mudou muito, mudou demais, e Roger Schmidt deixou-se enlear numa nuvem de equívocos que tarda a dissipar-se.
Sem Kokçu, esperava ver, enfim, a dupla Florentino-Neves no eixo do meio-campo. Sem que se saiba porquê, o melhor jogador deste Benfica ficou de fora. Na frente surgiu Tengstedt, que é esforçado, mas não dá mais do que aquilo - e "aquilo" é apenas uma espécie de Martin Pringle...Aursnes continua a ser desperdiçado a tapar buracos nas laterais. João Mário, sem jogar, não tem ritmo. As substituições foram tardias, e no caso de Jurasek sucedeu precisamente no melhor momento do checo no jogo. Mas eu não sou treinador. Apenas vejo que este Benfica joga pouco ou nada.
Segue-se uma longa pausa. Espero que dê para recuperar os lesionados, para refletir e trabalhar a equipa de forma a resgatar o futebol da temporada passada. Os jogadores, na sua maioria, ainda estão lá. Basta talvez deixar de inventar.

30 MINUTOS DE TERROR

Facto 1: O Inter é vice-campeão europeu, é melhor do que o Benfica, e jogava em sua casa. A equipa italiana está ainda mais forte do que na época anterior. Era este, à partida, o jogo mais difícil do grupo.
Facto 2: O Benfica perdeu 1-0, com um golo irregular, não se percebendo para que serve o VAR quando deixa passar em claro uma falta óbvia no lance capital do jogo. E até dou de barato o penálti sobre Neres, ainda com 0-0 no marcador.
Facto 3: Bah lesionou-se na primeira parte, o Benfica não tem mais nenhum lateral direito no plantel, e Tomás Araújo teve muitas dificuldades para parar as investidas do Inter pelo seu flanco. O jovem central fez o que pôde, mas não está rotinado na posição, e também não teve o apoio de que necessitava. O corredor direito da defesa do Benfica foi uma verdadeira autoestrada durante largos períodos da segunda parte.
Facto 4: Os primeiros 45 minutos foram equilibrados, e nada fazia prever o que se seguiria. 
Dito isto, é preciso reflectir sobre uma segunda parte em que o Benfica foi absolutamente vulgarizado, mormente entre os 45 e os 75 minutos, Não fossem Trubin e os postes, o resultado poderia ter sido humilhante.
Há problemas de base nesta equipa, como sejam a ausência de um grande ponta-de-lança, a debilidade atlética do meio campo, disfarçada no campeonato por um super João Neves, e o facto de Di Maria ser invariavelmente menos um a defender, e ter de jogar sempre. Com Neres em campo, são menos dois. Rafa também não é de grandes marcações, e com toda esta gente a equipa fica partida - a menos que jogue contra dez...
E se Trubin começa a justificar o investimento, em sentido contrário Kokcu ainda não mostrou nada (a equipa até melhorou com... Chiquinho), Arthur Cabral nada mostrou e desconfio que nada venha a mostrar, Jurasek permanece um mistério, e Di Maria, como disse, é por vezes, e em demasiados momentos, mais um problema do que uma solução.
Florentino e João Mário estão no banco, eram jogadores nucleares na época passada, Aursnes anda a saltitar entre posições, mas Schmidt parece encurralado numa lógica circular, onde algumas aquisições têm lugar cativo, nem que para tal seja necessário torturar tacticamente toda a equipa.
A verdade é esta: sem Kokcu e Di Maria, o Benfica seria mais compacto, mais equilibrado e, logo, mais forte. Custa escrever isto sobre dois talentosos jogadores, mas o futebol é um desporto colectivo, e não uma soma de individualidades. Para construir uma máquina eficaz não são necessárias peças de ouro, mas sim as peças adequadas à sua função no todo. Kokçu e Di Maria podem ser de ouro, mas não encaixam num Benfica que tinha uma equipa construída e bem sucedida, não precisando de grandes mexidas. E com esse dinheiro podia, e devia, ter-se investido num ponta-de-lança que substituísse Gonçalo Ramos.
Este jogo já passou, também deixou coisas boas (Trubin, mas também Morato) e está tudo em aberto. Em termos de classificação, o maior problema foi na primeira jornada. Aí é que o Benfica não podia ter perdido. Agora tudo poderá decidir-se no duplo confronto com a Real Sociedad - exige-se, pelo menos, uma vitória e um empate, sob pena de dizer adeus a esta competição.
Segue-se o Estoril, e tempo para Schmidt perceber, enfim, o seu plantel. 

VIVA A CANDONGA

No ano passado trouxe aqui o tema. Outros também falaram dele. Aparentemente está tudo na mesma.
Tentei comprar bilhetes para o Estoril-Benfica através da app oficial. Às 10.00h em ponto, hora do início da venda, já eu estava a clicar, e via uma mensagem a indicar-me 52 minutos de espera. 19 minutos depois a mensagem passou a ser outra: "temporariamente esgotado". Sei bem o que isso significa.
Sou sócio desde 1986, sempre com as quotas em dia, pequeno accionista da SAD, e detentor de Red Pass ininterruptamente desde 2004. Entre quotas, lugares no estádio (também de familiares), bilhetes, deslocações, refeições e diversos, gasto com o clube, direta e indiretamente, valores na ordem dos milhares de euros por ano - e o facto de ser colaborador gratuito do jornal desde 2008 nem sequer é para aqui chamado. 
Mas na época passada não consegui ir a Portimão, nem a Alvalade, mau grado todas as tentativas - não me atrasando sequer um segundo nos acessos, dedicando pelos menos duas manhãs inteiras (perdidas) à compra online (não sucedida) de bilhete para cada um desses jogos. 
As questões que desde logo se colocam são: quem consegue estes bilhetes? E, como faz para os conseguir? O que é certo é que as bancadas enchem, sempre com as mesmas caras. E também que, em sites de candonga, rapidamente aparecem bilhetes a preços exorbitantes.  
Aquando do jogo de Alvalade, cheguei a pensar ir à entrada do estádio questionar: "caro amigo, importa-se de me dizer como conseguiu o seu bilhete?". Confesso que mantenho a curiosidade. Seria uma sondagem interessante.
Outras questões que eu gostava de ver respondidas: quantos bilhetes são de facto disponibilizados ao Benfica neste tipo de jogos, quantos são destinados às claques (?) e porquê, e quantos chegam a esta bilheteira virtual, que infelizmente é apenas isso mesmo, virtual. Será preciso dispor de um telemóvel igual ao do Domingos Soares Oliveira para ter sucesso na compra online? Ou é preferível ser amigo do OLA e nem perder um minuto com apps ou sites?
Chego a ter saudades dos tempos em que ia para as filas do estádio às 5.00h da manhã. Era desagradável mas, ou saía de lá com bilhetes, ou pelo menos via quem os comprava. Se lá não fosse, se não quisesse esperar, só podia culpar-me a mim mesmo. Neste método, com esta app, há algo de turvo que me escapa. E uma sensação de gritante injustiça que permanece.
Já sugeri que, para este tipo de jogos, havendo um número reduzido de bilhetes e muita procura, fosse feito um rateio mediante inscrição (como no Euro 2004). Seria azar ou fortuna, mas institucionalizada, e não selvagem como é, ou manipulada como desconfio ser.
Acredito que quem toma as grandes decisões, e vê o jogo tranquilamente na tribuna, nem sonhe com o que se está a passar no inferno da App. Mas a área comercial tem obrigação de saber.
É muito triste quando vemos o clube que amamos tornar-se uma parede burocrática, fria, opaca e inacessível. Na bilhética do Benfica, é isso que está a acontecer.

ONZE PARA MILÃO


 

APENAS RIDÍCULO


A isenção de Jorge Coroado fica patente neste quadro. Num lance óbvio, o antigo arbitro (!!??!!) opina com o critério de sempre: contra o Benfica.
O caso do jogo não foi este. Foram sim, as expulsões perdoadas aos outros centrais do FC Porto, David Carmo e Zé Pedro. 

CARA LAVADA

Cinco anos depois, o Benfica voltou a ser Benfica frente ao Porto na Luz. Fruto de uma segunda parte de alto nível, quando os encarnados perceberam finalmente como lidar com a superioridade numérica em que cedo se viram, e soltaram com naturalidade o seu maior talento. O golo de Di Maria foi o corolário de minutos de grande domínio benfiquista. E no fim a vitória até soube a pouco. 
Com dez jogadores, o Porto morreu. A segunda metade da equipa de Conceição foi miserável, não fazendo sequer cócegas ao Benfica. 
E com dez jogadores porque João Pinheiro não teve coragem para os deixar com nove - o lance de David Carmo é praticamente igual ao de Fábio Cardoso, e merecia o mesmo julgamento. Foi melhor assim, para que ninguém se queixe. 
Muitas vezes tenho criticado Schmidt. Porventura demasiado, talvez pela elevada expetativa que criou no início da sua caminhada na Luz. Mas tenho de lembrar agora que leva três vitórias em quatro clássicos. É verdade que dois deles contra dez, mas o que fica são os números. 
Falta apenas uma palavra para João Neves: craque! 

SEM MEDO

...mas com prudência e algum cinismo. Sobretudo com muita garra, sabendo que se correr tanto, e lutar tanto como o rival, o Benfica estará perto de vencer.
 

EMBARAÇOSO

Em 22 anos de "Clássicos" na Luz para o Campeonato, apenas 4 vitórias! 
Como benfiquista, confesso que tenho vergonha destes números.
Houve, neste período, jogos com clara influência das arbitragens. Mas é preciso reconhecer que, sobretudo na Luz, o Benfica tem também muitas razões de queixa de si próprio.
Destaco três aspetos que sempre condicionaram estas partidas:
1) Maior capacidade física e atlética do FC Porto, que nos confrontos diretos faz dano (sobretudo, lá está, se a agressividade mais extrema for tolerada pelos árbitros);
2) Grande rigor tático e defensivo do FC Porto, por contraponto com um jogo mais aberto do Benfica, que o expõe sistematicamente ao cinismo do rival - algo que, desde o Brasil-Itália de 1982, acontece em todo o mundo, em todos os campeonatos, e, gostemos ou não, define o futebol moderno;
3) Mentalidade guerrilheira do FC Porto, face ao cândido #pelobenfica da equipa encarnada.
O problema 1) é difícil de resolver com o atual plantel do Benfica, onde, por exemplo, o único "6" é Florentino, faltando músculo e altura em muitas posições, sobrando arte e os correspondentes salários noutras.
O problema 2) é difícil de resolver com Roger Schmidt, adepto de um futebol ofensivo, algo romântico, e muito exposto ao risco...e ao erro.
No imediato é preciso, pois, trabalhar o ponto 3), sobretudo dentro das paredes do balneário, sobretudo dentro da cabeça dos jogadores.
Com a mentalidade certa, com uma arbitragem isenta, com alguma dose de sorte e com a maior capacidade técnica dos seus jogadores, talvez o Benfica possa inverter, por uma vez, a tendência. Talvez possa fazer um bom resultado. Mas terá de se mentalizar de que, primeiro, tem de lutar contra si próprio.
Ao contrário do que se apregoa, a matriz identitária do Benfica não é a do futebol de veludo. Foi com suor, lágrimas e talvez algum sangue, que uma equipa operária de gente humilde com o campo às costas acabou com o domínio dos "Violinos", e poucos anos depois se tornou campeã europeia em Berna - lembremos, ainda sem Eusébio. 
Gostava que, um dia, o Benfica e os benfiquistas (sim, também os adeptos, que aplaudem as chicuelinas e assobiam o combate) resgatassem esse espírito. E, enquanto não o fizerem, temo que os números do quadro acima se vão agravando.

CONFIANÇA REPOSTA

É verdade que este Portimonense é muito mais suave do que era há uns anos, mas tem de se dizer que o Benfica também não lhe deu grandes hipóteses de levantar as orelhas.
Dois golos bastante cedo, pareciam ditar desde logo a distribuição de pontos. E se Rafa tivesse convertido uma das duas soberanas ocasiões de que dispôs até ao intervalo, a segunda parte podia ter sido um passeio. Não foi.
Dois minutos de desconcentração, e os algarvios quase podiam ter chegado ao empate. Valeu Trubin, reencontrado consigo próprio depois da desastrada exibição europeia. Defendeu o penálti (foi muito mal marcado, mas...foi defendido, o que pode ser extremamente importante para a confiança do jovem ucraniano e para a solução do problema que Schmidt criou na baliza), manteve o Benfica na frente do resultado, manteve o Portimonense aberto, e permitiu a Neres resolver de vez a partida. 
Vitória justa da (muito) melhor equipa.
Se o FC Porto continuar sucessivamente a marcar golos depois dos noventa minutos, vai acabar por fazer 90 pontos, e não dará hipóteses à concorrência. Como acredito que esta sequência não passe de uma infeliz coincidência, talvez um dia chegue a hora de perder pontos. Já na sexta-feira? Veremos.
Nem tudo era muito mau após a derrota com o Salzburgo. Nem todos os problemas estão resolvidos após a vitória em Portimão. Este Benfica tem alguns equívocos de base, que terá de resolver, ou pelo menos disfarçar. Já na sexta-feira!

O MESMO ONZE!

Os jogadores correram e lutaram, não havendo nada a apontar-lhes. António Silva tem crédito e merece desculpa. Trubin precisa de recuperar confiança. Bernat e Jurasek ainda não estarão a 100%, pelo que, à esquerda, não há alternativa a Aursnes. A minha maior dúvida era entre Di Maria e Neres, mas que avance o argentino: jogarem ambos, saindo João Mário, deixaria as alas demasiado permeáveis.
 

NÃO! OS ASSOBIOS NÃO ERAM PARA TRUBIN!

Eu estava lá, e a coisa não foi demasiado grave, devendo ser entendível no contexto de um jogo que o Benfica perdia em casa por 0-2. Mas é verdade que, em alguns momentos, Trubin foi assobiado.
Foi cruel para um jovem lançado (desnecessariamente) às feras, que, aos 22 anos, se estreava em casa do seu novo clube, num novo país e numa partida da Champions. 
Acredito, porém, que os assobios não eram para ele. Eram, sim, para quem, sem necessidade, queimou e despediu em público um guarda-redes campeão - e que seria o escudo onde a carreira imediata de Trubin se podia ancorar. Os assobios eram, pois, para Roger Schmidt, que andou a brincar aos guarda-redes neste início de época, com consequências que, temo, venham a ser devastadoras.

NOITE DE BRUXAS

Em apenas quinze minutos, o Benfica deixou-se enrolar num nó que, depois, lhe foi impossível desatar. Dois penáltis, uma expulsão, e vários erros individuais e coletivos, perante um adversário que não é tão frágil como alguns imaginavam, cedo deitaram tudo a perder.
A reação foi a possível. Viu-se empenho total dos jogadores até ao último suspiro, mas muita desorganização, muito voluntarismo estéril, e algumas lacunas de que falei aqui durante semanas a fio - e que, obviamente, só os jogos grandes ("clássicos" e champions) iriam expor na plenitude. Também faltou sorte, numa noite em que tudo o que podia correr mal, correu.
Uma vez mais não percebi o que quis Roger Schmidt da equipa e do jogo. Certamente por insuficiências minhas, mas o que é factual é a derrota. Por exemplo, porquê mais de meia segunda parte com Di Maria a arrastar-se em campo? Porquê Neres só a 15 minutos do fim? Para o queimar, como a Vlachodimos?
Não quero alongar-me muito sobre o jovem Trubin - que é isso mesmo, um jovem, como Samu e outros -, nem chorar sobre o leite derramado com o despedimento de Odysseas, patrocinado pelo próprio treinador. Mas fico curioso de saber o que pensam agora aqueles que exigiam ao grego este mundo e o outro. Infelizmente, estou convencido de que o tempo irá chamá-los à razão. Tarde demais.
Ainda não vi imagens televisivas, e dou benefício da dúvida à arbitragem nos lances capitais. Mas quanto à gestão do jogo, pareceu-me claro tratar-se de um árbitro sem personalidade e sem nível para a Liga dos Campeões. Irritou as bancadas, irritou os jogadores, perturbou o espetáculo. 
Voaram três pontos importantíssimos na configuração do grupo. E logo no jogo, de entre os seis, em que a vitória era, digamos, mais obrigatória. Veremos se é possível recuperá-los.
Segue-se Portimão, e depois o FC Porto em casa. Testes de fogo para este Benfica 2023-24, que, pese embora o avultado investimento, ainda não me deixa nada tranquilo.

ENTÃO...VAMOS DAR O DINHEIRO AOS OUTROS


Centralização de direitos televisivos é roubar os verdadeiros adeptos do futebol para dar a investidores externos de honorabilidade duvidosa. É roubar os clubes que prestigiam o futebol português e fazem entrar dinheiro no país. É cortar a sua competitividade internacional, para dar empregos a treinadores e árbitros medíocres (os jovens jogadores portugueses emigram), e lugar a equipas sem história, sem identidade, sem massa crítica e até sem estádios - que semanalmente se limitam a praticar o anti-jogo para o pontinho.
Querem competitividade e equilíbrio: então venha de lá uma 1ªdivisão com 8 ou 10 clubes. O resto? fora!
Solidariedade é com pessoas. Não com SADs de capital estrangeiro a circular por off-shores para lavagem de dinheiro, que não valorizam em nada o campeonato português, nem sequer representam a diversidade geográfica do país.

SIGA

Por motivos velocipédicos (deslocação a Espanha para acompanhar a Vuelta na zona de Madrid), não pude ver o Vizela-Benfica sequer na TV (algo que não me acontecia há já bastante tempo). 
Fui acompanhando o resultado com sofrimento, sofrimento esse que percebi, ao ver mais tarde um resumo, não ter grandes motivos que o justificassem: a superioridade encarnada terá sido clara, e os números podiam ter sido outros. A verdade é que a vantagem era tangencial e o jogo nunca mais acabava. No futebol português o tempo de descontos parece cumprir um padrão: até o FC Porto marcar, e/ou até o Benfica sofrer.
O livre de Di Maria foi magistral. Gostei de ver Musa anotar mais um golo (e se um ponta-de-lança vale pelos números, a titularidade é sua). E Trubin terá tido uma estreia tranquila, sofrendo apenas de penálti.
Não poderei alongar-me muito mais sobre um jogo que não vi, lamentando apenas que os adversários não tenham perdido pontos. A propósito, o único golo do FC Porto na Amadora, sancionado pelo VAR Fábio Melo (um nosso velho conhecido) - e isso vi -, deixa-me bastante inquieto quanto às próximas jornadas.
Uma nota final para felicitar as modalidades do Benfica, que em menos de 24 horas conquistaram cinco (!) troféus oficiais.

MULHERES COM GARRA

Vitória sofrida mas merecida, de uma equipa que perdeu duas das suas maiores individualidades (Lacasse e Ana Vitória), e tem outras duas lesionadas (Jéssica e Pauleta). Parabéns ao Sporting pela luta que deu, e pelo desportivismo manifestado no fim.
O futebol feminino continua à espera do FC Porto, que é o único clube da Champions League que apenas tem equipa masculina. Ao que parece, na Torre das Antas, o pensamento predominante é que o lugar das mulheres é nos bares de alterne.

OS SCHJELDERUPS DA VIDA

Andreas Schjelderup fez 19 anos em Junho. Veio para o Benfica, aos 18, por alguns (demasiados?) milhões, e talvez tivesse achado que isso bastava para ter lugar cativo no onze titular - de uma equipa que, recordemos, na altura estava a ganhar praticamente todos os jogos a nível nacional e internacional. 
Vi-o jogar algumas vezes na equipa B, e pouquíssimos minutos na equipa principal. Sempre me pareceu um...júnior. Com talento, sim, mas sem capacidade atlética, nem maturidade, nem discernimento para assumir responsabilidades numa equipa como a do Benfica. A precisar de muito trabalho, e a espalhar mais incerteza do que magia.
Foi emprestado, e bem, para ganhar tudo aquilo que lhe falta, e poder eventualmente voltar por outra porta. Mas em vez de agradecido, já começou a falar demais. Enfim, é um jovem. Enfim, é imaturo, como se percebeu em campo. Espero que, pelo menos, seja melhor aconselhado.

Não era apenas dele que eu queria falar. É de todos os jovens que, aos 18, aos 17, aos 16 ou até antes, acham que vão ser (ou, pior ainda, que já são) o Maradona.
Diego Moreira, por exemplo. Até se chama Diego, o apelido começa por M (acabam ai as semelhanças com o astro argentino), e talvez por isso não tenha aceitado uma boa proposta para renovar pelo Benfica - que lhe acompanharia a carreira, que o protegeria durante anos, até fazer coincidir o talento natural com tudo o resto que falta para se ser profissional de futebol de alto nível. Foi para o Chelsea ganhar mais dinheiro. Quase me disponho a cortar uma orelha se alguma vez chegar a titular do clube londrino. Já foi emprestado, assim vai continuar, provavelmente em sentido descendente e até acabar o contrato. Aos 27 anos (numa qualquer liga turca, romena ou cipriota) irá estar a auferir um salário menor do que se tivesse ficado cá, e saído apenas aos 22 ou 23, depois de passar pela equipa principal, se afirmar, e, ai sim, se fazer à vida.
Cher Ndour, outro exemplo. Também não aceitou renovar pelo Benfica. Enfim, não se chama Diego e tem um pouco mais de cabedal. Mas...
Mas... há mais. Até Renato Sanches ou João Félix (vamos ver Gonçalo Ramos...), são exemplos de como saídas prematuras para contextos diferentes e mal escolhidos, com responsabilidades enormes, com o peso dos milhões às costas, e onde não são apaparicados como no Seixal, podem comprometer carreiras que podiam, e deviam, ter outras dimensões. Nem vou falar de Rodericks, de Nélsons Oliveiras ou de Josés Gomes, que infelizmente nem sei por onde andam. Recordo, a propósito, que Nélson Oliveira chegou a ser considerado o melhor jogador de um Mundial Sub-20.
Em sentido contrário, Ruben Dias. Fez três épocas como titular do Benfica, ganhou maturidade, e só depois, quando era quase capitão de equipa, fez as malas para a Premier League. Saiu com experiência, com títulos, também com fracassos, com vários jogos na Champions e titular da Selecção. Enfim: maduro. Chegou a Inglaterra e pegou de estaca, sendo considerado o jogador do ano. Acaba de ganhar a Champions, e se não tiver lesões fará uma carreira notável. Ganha, e continuará a ganhar até depois dos trinta, além de títulos, rios de dinheiro. Merece-o. Tomou as decisões certas, no momento certo. 
Para o Benfica, e enquanto benfiquista, tanto me faz. Desde que paguem as transferências, está tudo certo. Este texto é sobre os jovens futebolistas e a gestão das suas carreiras.
É em tudo isto que gente como António Silva e João Neves têm de pôr os olhos - e no caso deles parece-me que põem. Não só eles, como todos aqueles (e os pais deles) que, nos Iniciados ou nos Juvenis, acham que, por terem bons pezinhos, logo vão ter o mundo aos ditos.
Volto a Schjelderup. Ainda acredito que cresça e apareça. Um bom princípio será trabalhar mais e falar menos. 

BASTOU TIRAR O MONO E....9-0!

Só não vê quem não quer. E percebe-se porque motivo a FPF não quer ver: Ronaldo é uma fonte inesgotável de receitas, e a tentação de as espremer até ao fim é grande. Com isso, hipoteca-se a competitividade de um conjunto de talentos impar na história do futebol português. Vende-se a possibilidade de conquistas desportivas, mas ganha-se (alguém ganha) muito dinheiro.
Em campo, o óbvio. Sem um ponta-de-lança acabado e a arrastar-se, que exige que todos joguem para os seus registos pessoais e não aceita sequer ser substituído, a "Equipa das Quinas" solta o seu talento é é capaz de esmagar qualquer um. Bem... "qualquer um" será liberdade de linguagem, mas que Portugal liberto de amarras vence e convence, e assim seria candidato a tudo, isso ninguém poderá negar.
Martinez foi contratado para manter em campo uma galinha, que ainda dá ovos de ouro, mas já não dá futebol nem golos - excepto no meio de árabes medíocres, a quem qualquer Alverca dá luta, e a quem um Benfica a meio gás é capaz de golear. Se um dia a retirar da equipa, o mais certo é ser despedido como todos os outros que afrontaram o seu círculo de poder. Aliás, assim de repente não me recordo de um único seleccionador com quem a antiga estrela do Real Madrid não se tenha, a dada altura, incompatibilizado.
Apesar de toda a sua fabulosa carreira, apesar da sua reluzente fortuna, de todos os seus carros e suas jóias, confesso que começo a ter pena dele. Lamento que alguém, com quase 40 anos, não perceba quem é, quem foi, nem onde está, e com essa crua e básica ignorância manche uma imagem que podia ser eternamente dourada. 
"Crepúsculo dos Deuses" ("Sunset Boulevard", no título original) é um fantástico filme de 1950, do genial Billy Wilder. Aconselho vivamente. Tem tudo a ver com Cristiano Ronaldo.
Quanto a Selecção, espero que CR7 continue a ver alguns cartões amarelos. Não lhe desejando nenhuma lesão, parece ser a única forma de podermos desfrutar do bom futebol de Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rafael Leão, João Félix e companhia.

A RAFA O QUE É DE RAFA

Não tenho medo das palavras: é o melhor jogador do Benfica dos últimos cinco anos.
E, ou me engano muito ou voltará a sê-lo nesta temporada.
Acaba contrato em Junho, e a cada semana que passa (a menos que se lesione, o que ninguém deseja), tornar-se-á mais difícil convencê-lo a ficar.
Há uns tempos falei aqui de valores. Percebi depois que estava algo desactualizado com os salários dos futebolistas. Talvez tenha sido a inflação... 
Ofereça-se pois ao homem tudo aquilo que ele pedir (10, 12, 15...), e ainda mais umas botas novas. Se há jogador que justifica uma loucura é este: um craque, que decide jogos e campeonatos, e vale cada euro que ganha.
Com o mercado fechado, talvez seja o momento certo para avançar com tudo. Afinal de contas, trata-se de Rafa, uma lenda!

DEPOIS DAS EXPLICAÇÕES

VLACHODIMOS por TRUBIN: Já falei abundantemente de Vlachodimos, e percebo que Rui Costa não queira alongar-se sobre o assunto. Mas, até por uma questão de princípio, não pode ser o treinador, unilateralmente, a decidir quem fica ou quem sai do plantel. Recordo-me de Artur Jorge (que decidiu dispensar todo um plantel campeão para contratar quilos de mediocridade, o que resultou, pouco depois, no seu próprio despedimento, e em onze anos de sucessivos fracassos), ou, em sentido contrário, do caso Cardozo/Jesus, que culminou com a permanência dos dois, e um "Triplete" de títulos. Se Trubin vai ser dos melhores da Europa (oxalá que sim), então que seja rapidamente titular. Cá estarei para o aplaudir;

GILBERTO por JOÃO VICTOR: Naturalmente Gilberto pretendeu sair, o que se compreende. Do que vi de João Victor à direita, até nem desgostei. Mas ainda temo que uma ausência de Bah em jogos de Champions ou nos "Clássicos" possa ser complicada de gerir, e, com um Galeno qualquer pela frente, ter efeitos devastadores. Enfim, resta Aursnes. Mas confesso que gostava que o Benfica, à semelhança do critério seguido noutras posições, tivesse contratado um competidor para a titularidade do dinamarquês;

LUCAS VERÍSSIMO por TOMÁS ARAÚJO: Todos sabemos o que aconteceu a Lucas Veríssimo, e nesse sentido percebe-se que deva sair, para jogar com regularidade, e eventualmente voltar na próxima época (fim de carreira de Otamendi?, venda de António ou de Morato?);

GRIMALDO por BERNAT: Se Grimaldo queria mesmo sair, pois não havia muito a fazer. Cheguei a assustar-me com a posição, mas penso que Bernat, em princípio, dá garantias. Aliás, há que dizer que o Grimaldo da última temporada não foi o das anteriores - em que mostrava, reiteradamente, bastante permeabilidade defensiva;

RISTIC por JURASEK: Sempre que vi Ristic jogar, gostei. Mas haverá razões que a razão desconhece, ou que apenas Schmidt conhece. Quanto a Jurasek, a única coisa que questiono é o preço de luxo pago por um presumível suplente - pois pelo que já se viu, não dará, pelo menos no imediato, para muito mais do que isso;

ENZO FERNANDEZ por KOKÇU: Na verdade Enzo já tinha saído, e por um valor irrecusável. Nesse sentido, jogador por jogador, parecia-me uma substituição criteriosa. Acontece que entretanto "nasceu" João Neves. Enfim, vamos ver como corre a interacção entre ambos, e se a ausência de Florentino (ou o tal gorila que eu preferia ver no plantel) nas costas dos criativos não será um problema em jogos de maior pressão;

SCHJELDERUP por TIAGO GOUVEIA; Gostei da explicação, sobretudo na parte em que se percebe que o empréstimo abateu o preço do jovem nórdico. Do que vi, Schjelderup pareceu-me sempre um...júnior. Com talento, sim, mas jamais uma opção imediata. Gouveia terá pouco espaço, e talvez devesse rodar mais um ano, mas percebo e saúdo a vontade de ficar; 

DRAXLER por DI MARIA: Draxler, infelizmente, não contou, pelos motivos conhecidos. Gostei de saber como Di Maria chegou, e as exigências que (não) fez. Não há dúvidas de que, neste caso, se trata de um imenso upgrade;

GONÇALO RAMOS por ARTHUR CABRAL; Pelo contrário, na importantíssima posição de ponta-de-lança, não me parece que o Benfica tenha colmatado a (esperada e inevitável) venda de Ramos. Até ver, Arthur Cabral não me convenceu, tal como o seu relativamente modesto currículo já evidenciava. Ainda espero uma agradável surpresa. A acontecer, será isso mesmo: uma surpresa.

+

RENOVAÇÃO DE OTAMENDI: Continuo a achar que era evitável, e preferia, cem vezes, renovar com Rafa. Não sei qual o salário do central argentino, mas suponho que esteja no topo do plantel. Não vai para novo, comprometeu em vários jogos, está a tapar a evolução de Morato, mas, enfim, talvez tenha uma importância no balneário que o torne imprescindível neste momento (embora, se era só para o balneário, já chegasse...Luisão).

RAFA: Gostava de perceber se o Benfica pretende mesmo abrir os cordões à bolsa por aquele que é, de há alguns anos para cá, o seu melhor jogador. Dar-lhe 10 milhões, quando se pagaram 14 por Jurasek e 20 por Cabral, parece-me uma pechincha. Avancem lá já com a renovação antes que seja tarde, dando ao homem tudo aquilo que ele quiser, pois merece-o;

CUSTO DO PLANTEL: Gostei de saber que não fica mais caro que o do ano anterior. Gostava também de ter a certeza de que não há demasiados desequilíbrios salariais. Obviamente que Di Maria não pode ganhar o mesmo que Tiago Gouveia. Mas há situações e situações.

O QUE MUDOU:

VLACHODIMOS por TRUBIN

GILBERTO por JOÃO VICTOR

LUCAS VERÍSSIMO por TOMÁS ARAÚJO

GRIMALDO por BERNAT

RISTIC por JURASEK

ENZO FERNANDEZ por KOKÇU

SCHJELDERUP por TIAGO GOUVEIA

DRAXLER por DI MARIA

GONÇALO RAMOS por ARTHUR CABRAL

Ficou melhor? Ficou pior?


OBRIGADO ODY

A gratidão e o reconhecimento fazem parte da identidade do Sport Lisboa e Benfica. Mas nem dois Campeonatos Nacionais (com duas fantásticas exibições nas respectivas e decisivas vitórias no Dragão), duas Supertaças (5-0 ao Sporting e 2-0 ao FC Porto), duas presenças nos Quartos-de-Final da Champions League (em que foi protagonista central, quer nos apuramentos, quer nas fases subsequentes, e em que nenhum guarda-redes da história do clube jogou mais vezes, ou obteve mais vitórias), um total de 225 jogos pelo Benfica (sexto guarda-redes de sempre com mais jogos, e quanto a mim, o melhor desses seis), ou a titularidade absoluta desde 2018 com cinco diferentes treinadores (Vitória, Lage, Jesus, Veríssimo e Schmidt), criaram unanimidade dos adeptos do em torno de Odysseas Vlachodimos.
Uma parte, na qual me incluo, sempre o achou um excelente guarda-redes, que pagou o preço de suceder a Oblak e Ederson (ambos do top 5 mundial), como se o Benfica tivesses jogadores de top 5 mundial em todas as posições, ou tivesse tido sempre na sua baliza guarda-redes desse nível (só me recordo de mais um: Michel Preud'Homme, se descontar um Júlio César já em final de carreira).
Para a outra parte, foi sempre um mal-amado. Queixavam-se de não agarrar as bolas aéreas (como se algum guarda-redes hoje em dia o fizesse, como se tal não fosse, por vezes, um enorme e desnecessário risco), e de não ser bom com os pés. Ora eu pertenço à velha escola segundo a qual um guarda-redes tem de ser, antes de mais, bom com as mãos - coisa que, por exemplo, o da Selecção Nacional não mostrou no último Mundial, arrastando a "equipa das quinas" para uma eliminação escusada diante de Marrocos, já depois de um erro ridículo no jogo com o Gana. E até me arrepio quando vejo trocas de bola entre centrais e guardiões, por vezes dentro da pequena área, sob intensa pressão de adversários, e cuja utilidade não entendo senão à luz do exibicionismo táctico de alguns treinadores. Se é para isso que interessa jogar assim tão bem com os pés, acho que se deveria antes começar por pontapear alguns treinadores para fora dos bancos - e aqui não falo de Roger Schmidt, mas de coisas que vejo, até em ligas de escalões inferiores.
Ouvindo ou lendo alguns comentadores e adeptos, o grau de exigência e a quantidade de valências que que se colocam hoje em dia aos guarda-redes (ou a alguns deles, ou a todos menos a Diogo Costa) raia o absurdo. Com aquilo que se poderia apelidar de critério-Odysseas, nem Manuel Bento, nem Vítor Damas, nem Vítor Baía, para não falar em Yachine, Maier, Zoff ou Dasaev, resistiriam, ou sairiam da mediocridade. Acresce que, na liga portuguesa, onde a quantidade de trabalho de um guarda-redes de clube grande é quase sempre diminuta, a posição nem sequer é assim tão importante. O Benfica foi campeão com Moreira, com Quim, com Silvino (para falar apenas nos vivos), e ia sendo com Artur Moraes e Bruno Varela. No contexto dos clássicos ou dos jogos internacionais, aí sim se vê a qualidade: e nesses momentos foi precisamente onde Ody sempre brilhou.
Não sei o que se passou no balneário do Seixal entre o grego e Roger Schmidt, cidadãos que não conheço pessoalmente. Pode haver questões que me escapem, nomeadamente de carácter ou falta de respeito. Falo apenas do que vejo, e Vlachodimos foi sempre titular na época passada, a do 38 (como, de resto, na do 37), ganhando a Supertaça já na corrente. E não gostei, não gosto, e não quero ver mais, um treinador do Benfica destruir publicamente um seu pupilo numa conferência de imprensa. A velha máxima, elogios públicos/criticas privadas, é uma das bases para uma liderança sólida, respeitada e respeitável. Se havia algo a apontar (e, naquele caso, admito que houvesse, e eu próprio aqui o escrevi), tal tinha de ser feito dentro das paredes do balneário - a partir daí, o treinador tomava as opções que queria, mas pelo menos não desvalorizava o jogador. Se o critério era o dos erros cometidos, ou o da responsabilidade numa derrota, Otamendi não mais vestiria o Manto Sagrado depois do último Chaves-Benfica. Mas, como disse, só falo do que vejo, e poderá haver situações que desconheço.
O que passou, passado é. Agora não há nada a fazer senão despedirmo-nos de um guarda-redes do qual, espero, não tenhamos demasiadas saudades a muito breve trecho. Não conheço Trubin, que é da idade do Samuel Soares, ou seja, dois rapazitos. Dizem que é o novo Courtois. Tanto que eu gostava que fosse... Mas na última ocasião em que vi o Benfica, muito apressadamente, substituir um guarda-redes campeão que não cumpria os finos critérios de alguns, veio de lá Roberto - que também era, na altura, a última Coca-Cola do deserto.
Enquanto fã do grego, resta-me a consolação de o ver partir para um clube e uma cidade que me dizem muito no plano pessoal e familiar, e defender as balizas do City Ground, onde ainda há pouco mais de um mês andei a passear em pleno relvado.
Tudo de bom para o futuro, e obrigado pelos cinco anos em que dormi sempre descansado com a baliza do Benfica.

DESCONTOS? SÃO NO DRAGÃO

Não se trata de um novo supermercado. É mais uma espécie de casino, para não lhe chamar outra coisa (bordel?).
1) Em quatro jornadas, os jogos do FC Porto tiveram 78 (!?!?!?!) minutos de tempo adicional acumulado;
2) Na 2ª jornada, o resultado do FC Porto-Farense aos noventa minutos era 1-1, na 3ª o Rio Ave-FC Porto estava 1-0 (com Eustáquio em campo), e na 4ª, o FC Porto-Arouca 0-1. Ou seja, em nenhuma das últimas três rondas, no fim do chamado tempo regulamentar, o FC Porto se encontrava em vantagem (o que explica o ponto 1);
3) No tempo extra dessas três partidas o FC Porto beneficiou de dois penáltis, marcou quatro golos, empatou um dos jogos que perdia, e ganhou os outros dois, conquistando assim seis pontos (é fazer as contas, como um dia alguém sabiamente disse);
4) O FC Porto-Arouca teve mais de 22 minutos de descontos, apenas na segunda parte. Recordo que, no futebol, cada parte tem 45 minutos. Não houve nenhuma invasão de campo, a tempestade foi em Madrid, e felizmente Christian Eriksen está vivo;
5) Entre o minuto 89 e o minuto 113 (!), em duas das várias ocasiões em que Taremi se atirou para o relvado, o árbitro apontou de pronto para a marca de grande penalidade. Numa delas, alguém viu a repetição e rapidamente desligou os cabos do vídeo (valeu que havia por ali um telemóvel), noutra o guarda-redes do Arouca (que podia estar no plantel do Benfica) defendeu com categoria. 
Tendo em conta o exposto, não me apetece dizer mais nada. 
    

BEM DISPOSTO

O jogo com o Vitória de Guimarães deixou-me bem disposto.
O mais importante era ganhar, mas além de o fazer com estilo, e de goleada, o Benfica deu vários sinais que me tranquilizaram - pelo menos para já.
Desde logo, a adaptação de Aursnes (o melhor em campo) ao lado esquerdo da defesa, mostrou, primeiro que o norueguês é de facto pau para toda a obra e uma das melhores contratações do Benfica dos últimos anos, depois que Roger Schmidt não é parvo de todo, e vê, nos treinos, algumas coisas que nós não vemos, e - faço um "mea culpa" - por vezes me intrigam e me levam a desabafar por aqui, mesmo correndo o risco de escrever disparates sem conhecimento de causa - como ninguém me paga por isto, faço e digo o que quero, e tenciono continuar a fazê-lo e a dizê-lo.
Mas, voltando ao jogo, gostei também, pela primeira vez, da dupla João Neves-Kokçu, que à partida, e até agora, me parecia uma sobreposição de talentos a carecer de alguém nas costas. O jovem algarvio é um craque da cabeça aos pés, e encarrega-se de cobrir as costas de si próprio, do colega do lado, e de quem mais for preciso, sobrando-lhe tempo para soltar um talento que muito estranho ainda não ter sido alvo de apetites milionários. Gostei igualmente da titularidade de Musa, que, mesmo não marcando, mesmo não sendo um Haaland, realizou um excelente jogo, deixando claro que, neste momento, não há melhor na casa.
Depois...existem Rafa e Di Maria. E se o argentino é consensualmente tido como um dos melhores jogadores do mundo, em quem só as condições físicas, no decorrer de uma longa época, podem deixar saltar alguma dúvida, o português parece não ser ainda devidamente valorizado (nem pela SAD, nem, diga-se, no coração de alguns benfiquistas). Por mim, dava já os tais dez milhões ao homem, pois não há, no mercado, por esse preço, um jogador tão bom, tão importante e tão decisivo como ele tem sido, parecendo empenhado em voltar a sê-lo.
É claro que toda esta análise não pode deixar de parte o facto de tudo ter começado com um auto-golo e uma expulsão, que facilitaram sobremaneira a tarefa dos encarnados.
De qualquer forma, termino como começo: gostei e fiquei bem disposto.

ESTE CONTINUA A SER O MEU ONZE...UM ONZE DE CAMPEÕES

 

ES LO QUE HAY...

Tivesse saído um Antuérpia qualquer em vez da Real Sociedad, e o sorteio até nem tinha sido mau de todo. Com a equipa basca no pote 4, o grupo fica demasiado incómodo para o meu gosto.
Desde logo, não queria outra vez o Inter, de tão má e tão recente memória (mas no pote 2, de facto, não havia grandes alternativas). O Salzburgo foi sem dúvida o melhor pote que calhou ao Benfica, embora houvesse escolhas ainda mais apelativas (Copenhaga, por exemplo). Agora a Real Sociedad...francamente não! Pior? Só mesmo o Newcastle.
O Benfica terá pela frente dois adversários (Inter e Real Sociedad) justamente do perfil táctico com o qual tem maiores dificuldades em lidar: equipas muito rigorosas defensivamente, fortes fisicamente, e cínicas na abordagem aos jogos. Na época passada viu-se. E a agravar, nem sequer pode puxar pelos preços dos bilhetes, sob pena de não encher o estádio, pois o único nome apelativo seria o Inter, não fosse o caso de....
Enfim, é o que temos. Trata-se de um grupo que pode dar para tudo. Não vejo o Salzburgo vencer na Luz, nem o Benfica em San Siro. De resto, todos os resultados são possíveis. E todas as classificações também - do primeiro ao quarto lugar.
Quanto ao FC Porto, que dizer? É um clube que nasceu com o dito cujo virado para a lua, ou então tem grandes cunhas junto do divino. Shakhtar e Antuérpia, partindo de um pote 2, é absolutamente pornográfico (a agravar, nenhum dos três adversários jogará no seu estádio...). O Braga fará o que pode, sendo realista apontar ao terceiro lugar.
Ao Sporting, não sei quem calhou :)


SEMÁFORO EUROPEU


 

SCHMIDT AO ESPELHO

Será normal um treinador que se sagrou campeão nacional logo na primeira época em Portugal, atingiu os Quartos-de-Final da Liga dos Campeões depois de uma carreira com momentos notáveis, e ainda adicionou uma Supertaça logo a abrir a nova temporada, ser tão questionado como tem sido Roger Schmidt nas últimas semanas? A resposta óbvia é: não! Mas permanece uma pergunta: então porque motivo é isso mesmo que está a acontecer?
Há que puxar o filme atrás. 
De facto, o Benfica fez uma primeira metade da temporada 2022-23 esplendorosa. Apurou-se brilhantemente no 1º lugar de um grupo da Champions onde estavam PSG e Juventus, venceu praticamente todos os jogos do Campeonato (apenas um empate, em Guimarães), e cavou desde logo uma distância considerável para os principais rivais que, por contraponto, entraram mal na temporada, escorregando sucessivamente em terrenos inesperados. À 7ª jornada o Benfica já tinha 5 pontos de vantagem para o FC Porto e 11 para o Sporting. À 11ª, levava 8 para os portistas e 12 para os rivais lisboetas. Como se sabe, isso veio a revelar-se determinante.
Se, por outro lado, isolarmos o que se passou desde a pausa para o Mundial do Catar, verificamos que o Benfica, daí em diante, perdeu 13 pontos, o Sporting 14, o Braga 11, e o FC Porto apenas 7. Não se superiorizou a nenhum deles no confronto directo. Com isso, colocou em risco um Campeonato em que chegou a ter, virtualmente, 13 pontos de vantagem (a meio da primeira parte do "clássico" da Luz, onde, diga-se, acabou por ser claramente manietado pela equipa de Sérgio Conceição, como o foi em alguns momentos dos dois "dérbis" lisboetas, nenhum deles ganho, em nenhum deles tendo estado, um minuto sequer, em vantagem). Não fosse uma surpreendente vitória do Gil Vicente no Estádio do Dragão, e não se sabe (mas calcula-se) o que teria acontecido. E seria catastrófico. Ainda no plano nacional, os encarnados foram eliminados da Taça da Liga por uma equipa que então militava no segundo escalão (Moreirense), e da Taça de Portugal pelo SC Braga. Os dragões venceram ambas as competições.
No plano internacional, depois de uma fase de grupos impressionante, o Benfica beneficiou de um sorteio extremamente simpático, que lhe pôs por diante um Club Brugge mergulhado numa crise gravíssima. Passou facilmente, mas caiu de seguida, dando menos luta ao Inter de Milão do que havia dado o FC Porto na ronda anterior.
Ou seja, desde o Mundial (Novembro/Dezembro de 2022), e, coincidentemente ou não, desde a saída de Enzo Fernandez, e porventura desde o memento em que a equipa deixou de ser capaz de surpreender, não se pode dizer que o Benfica tenha sido brilhante, e muito menos que se tenha superiorizado a um FC Porto com muito menores recursos. E já então se falava da teimosia de Roger Schmidt em insistir no mesmo onze, em desgastar, por vezes de forma desnecessária e incompreensível, alguns jogadores nucleares (não dando oportunidades a outros), e em fazer substituições que só ele parecia entender. Como tudo fica bem quando acaba bem, e o Benfica foi campeão, Schmidt pôde passar umas férias descansadas.
Não terá sido a derrota do Bessa a mudar a perspectiva dos adeptos. Na verdade, essa derrota (com traves, postes, erros individuais de jogadores e árbitros) teve uma componente de infelicidade enorme, bastando dizer que aos 89 minutos o Benfica vencia por 1-2, tendo chegado à vantagem já em inferioridade numérica. E, há que o dizer (e eu disse-o), Vlachodimos não esteve bem nessa partida, realizando a sua pior exibição pelos encarnados.
É precisamente o guarda-redes grego, ou melhor, o modo como Schmidt lidou com o assunto (na praça pública e de uma forma totalmente inusitada numa pessoa inteligente e sempre ponderada nas declarações que faz), que trouxe inquietação ao universo benfiquista, e mais reticências na sua (nossa) identificação com o técnico germânico.
Terá sido uma espécie de gota de água num processo que, como referi, já vinha da fase final da temporada anterior, e que passou também por uma gestão do plantel e dos reforços (a acreditar que as opções foram suas) no mínimo duvidosa, de onde ressalta a insistência num caríssimo Kokçu que não era prioritário, e na renovação de um Otamendi veterano e decadente, a escolha dos duvidosos (e também caros) Jurasek e Arthur Cabral, as dispensas dos razoáveis, mas seguros, Gilberto e agora Ristic, e uma composição de onze que sacrifica desnecessariamente Aursnes (um dos pilares do último campeonato...no meio-campo), deixa de fora sistematicamente Neres, também Morato (e sempre Musa), e, por fim, sacrilégio dos sacrilégios, neste último jogo, o jovem João Neves - que salvou o campeonato passado com um punhado de extraordinárias exibições num momento de grande pressão e em que uma equipa manifestamente extenuada precisava da sua energia como de pão para a boca.
Não defendo, de forma alguma, o despedimento de Roger Schmidt. Acho que só um louco o faria neste momento. Tive dúvidas, isso sim, numa renovação porventura precipitada e que, até ver, não acrescentou nada ao Benfica a não ser uma folha salarial mais generosa. Já foi feita, feita está.
Entendo, porém, que a crítica é livre, e até saudável. Quando os adeptos não puderem criticar as opções dos treinadores, o futebol terá morrido.
Nesse sentido, tenho sido uma das vozes que se junta à daqueles que, ao contrário do que seria de supor após um ano vitorioso seguido de um investimento avultado, não olham com grande entusiasmo para a nova época. E não o fazem, eu pelo menos não o faço, exclusivamente por receio e desconfiança no caminho que está a ser seguido por Schmidt - que, é preciso lembrar, nunca tinha treinado em países latinos, e também, diga-se, aos 56 anos nunca tinha vencido grande coisa. Temo que o balneário esteja a ser minado por opções duvidosas, por simpatias (Otamendi, Di Maria, João Mário, Kokçu) e antipatias (Ody, Gilberto, Morato, Ristic, Florentino, Neres, Musa...), por diferenças salarias substantivas e não sustentadas no rendimento desportivo, e por um técnico de perfil obstinado, pouco focado nos adversários e na forma de os bloquear (ou desbloquear), e que vive muito à custa de uma excelente preparação física do plantel (aí tiro-lhe o meu chapéu). Além de que (isso acontece com todos os treinadores, eu diria mais, com todas as lideranças), o tempo vai causando desgaste: um dia zanga-se com um, na semana seguinte com outro, e se as coisas não são muito bem acauteladas, se não há uma preocupação séria com isso (não estamos na Holanda, e muito menos na China), é fácil perder o controlo total do grupo. Isto não é apenas no futebol, a aí já sei bem daquilo que falo.
O que mais desejo é estar enganado. É concluir, em Maio de 2024 (preferencialmente vivo e de boa saúde), que mesmo após quase 50 anos a ver futebol, não percebo nada disto. E que Roger Schmidt é, afinal tão bom treinador como parecia em Novembro de 2022, que o Arthur Cabral é um craque, que o balneário (depois de tantas torturas) ficou coeso e solidário, e, sobretudo, que o Benfica é campeão. 

E O MEU PLANTEL SERIA:

Caso não tivesse mesmo sido possível chegar a Santiago Gimenez, teria tentado Pavlidis, Beltran ou um outro ponta-de-lança bom. Em qualquer dos casos, sem Trubin, Jurasek, Kokçu, Schjelderup, Tengstedt e Cabral, o volume total investido seria sempre muito menor, e, quanto a mim, o plantel ficava bastante mais equilibrado. Em vez de ter renovado com Otamendi, renovava com Rafa, seis anos mais novo, e que parece continuar, mais uma época, a carregar a equipa ao colo (para já, três jogos, três golos). 

ERROS DELES, MÁ FORTUNA

Numa jornada, o Sporting é claramente favorecido pelo VAR Hugo Miguel, e o Conselho de Arbitragem reage, reconhecendo o facto.
Noutra jornada, o FC Porto é claramente favorecido pelo árbitro Fábio Veríssimo, e o Conselho de Arbitragem não reage, ignorando o facto.
Com ou sem reacção do CA, a verdade é que, em três jornadas, já ambos foram escandalosamente beneficiados. Além de que, uns e outros vão ganhando jogos que só terminam quando, finalmente, conseguem marcar. Seja aos 90+9, seja aos 90+10, seja, se necessário, aos 90+854.
E o Benfica? Também perdeu o seu jogo aos 90+9, e está a três pontos, quando deveria estar, no máximo, a um. E sem este autêntico casino dos descontos, poderia até já ir destacado em primeiro lugar.
Confesso que estou cada vez mais farto do futebolzinho português, que é um esgoto a céu aberto e cheira mal que tresanda.