CRISE? QUAL CRISE?

Antes de qualquer consideração sobre o jogo de Turim, devo dizer que estou chocado com a vergonhosa campanha mediática que visa tirar Bruno Lage do Benfica. Também haverá benfiquistas que não gostam dele, mas estou em crer que a esmagadora maioria dos sócios e adeptos do clube, ou pretende expressamente que ele continue a dirigir a equipa (e eu sou, sem hesitar, um desses), ou, pelo menos, não acha que os problemas se resolvam com uma mudança no comando técnico. Não é, pois, dos adeptos do clube, ou da maioria deles, que parte a contestação a Lage: é mesmo de um conjunto de "jornalistas" (predominantemente anti-benfiquistas) que não descansa enquanto o Benfica não tiver o seu "João Pereira". Afirmar-se e escrever-se que a continuidade do treinador no Benfica dependia deste jogo, é (ou foi) terrorismo comunicacional, com o intuito mal disfarçado de virar os adeptos contra o técnico, caso a equipa perdesse no estádio de um clube com enormes pergaminhos internacionais e com um orçamento muito superior a qualquer emblema português - coisa que podia naturalmente acontecer, sem que a terra deixasse de ser redonda. 
Lage comunica mal (como Jesus, Schmidt e tantos outros). Fala demais nas conferências de imprensa, expõe-se a perguntas às quais não devia sequer responder, e, pelo que se (ou)viu, expõe-se também a alguns "adeptos" a quem não tinha de dar satisfações (sendo de salientar o serviço prestado ao clube pelo "exigente" que gravou e difundiu o audio, talvez amigo do outro que apedrejara o autocarro da equipa em 2020). Ora a comunicação externa (e é desta que falo, pois a interna não conheço) alimenta o debate mediático, mas não faz ganhar jogos, não passando, quanto a mim, de um detalhe na avaliação global a um treinador. Quique Flores, por exemplo, e recorrendo às sábias palavras do saudoso Medeiros Ferreira, fazia grandes exibições nas conferências de imprensa. Como se sabe, não foi exemplo a seguir. E em tudo o resto (sagacidade táctica, liderança, gestão de grupo, leitura e conhecimento do jogo e dos adversários, performance física, etc), Lage, não sendo um Guardiola ou um Ancelotti, é um excelente técnico, que acrescenta qualidade ao futebol do Benfica, é capaz de potenciar o rendimento dos jogadores, e até de contrariar alguns problemas estruturais que o clube lhe coloca - como colocou aos que o antecederam no cargo, e aos quais já aqui fiz referência. 
O jogo foi espectacular (mais um). A primeira parte podia ter terminado com um resultado de 1-4, ou coisa parecida. Se dúvidas havia sobre a união da equipa, sobre a sua vontade de vencer, elas foram dissipadas logo no primeiro minuto, ao fim do qual os encarnados já haviam criado duas boas ocasiões para marcar. O golo apareceu, e outros podiam ter aparecido. Temia-se que o desperdício viesse a cobrar o seu preço na segunda metade.
A Juventus de facto melhorou, e em certos momentos o Benfica teve de saber sofrer - nunca deixando de procurar, aqui e ali, a baliza de Perin. Desta vez as substituições resultaram, e na verdade, com elas, Lage matou o adversário e o jogo. A ponta final voltou a ser em tons de vermelho vivo, surgindo com naturalidade o 0-2. Globalmente a vitória foi justíssima, e a exibição bastante prometedora.
Em termos individuais destacaria Pavlidis (que parece ter outra cara nos jogos da Champions, e já leva mais golos europeus do que no campeonato português), Florentino, Aursnes (de regresso à sua melhor condição, e também à sua grande versatilidade), e Otamendi. Bah foi uma adaptação feliz, acabando por ter participação determinante no primeiro golo, e fechar muitas vezes a porta a Francisco Conceição - o mais inconformado jogador da Juventus.
Ao contrário da jornada anterior, desta vez o árbitro nem se viu.
Enfim, depois de grandes espectáculos de futebol (este, bem como os jogos com Atlético e Barça), com três vitórias fora de casa em quatro deslocações, o Benfica conseguiu o merecido apuramento. Fica uma pequena mágoa ao verificarmos que uma simples vitória na Luz sobre o Feyenoord teria permitido entrada directa na elite dos Oitavos-de-final. Fica também a evidência de que uma derrota em Turim teria ditado a eliminação. No meio está a virtude, e agora, enquanto cabeça-de-série no playoff, ainda há caminho para chegar um pouco mais além, pois tanto Mónaco como Brest estão longe de ser adversários inultrapassáveis.
Para já, é preciso ganhar na Reboleira. Como Bruno Lage tem dito recorrentemente, falta a esta equipa conseguir a consistência. Se jogasse sempre como nesta noite, seria certamente campeão nacional. Talvez ainda vá a tempo.
PS: Entendo a conferência de imprensa de domingo, assim como as declarações de Rui Costa no fim deste jogo, como tentativas bem intencionadas de encerrar o assunto dos audios. Eu teria seguido outro caminho: um comunicado lacónico e os "jornalistas" que se entretessem a discutir entre eles. Infelizmente, no mundo em que vivemos, ser franco e genuíno paga-se caro.  E o Benfica tem demasiados motivos de queixa da comunicação social para que lhe continue a prestar qualquer tipo de vassalagem. Aos adeptos comunica-se com golos, vitórias e títulos. Para falar, já há gente que chegue.

ONZE PARA TURIM

...e venha de lá um empatezinho.
 

COM LAGE ATÉ AO FIM

Como escrevi no texto anterior, o problema do Benfica não é o treinador. Estas quebras já se verificaram com outros, e se Lage sair e não acontecer mais nada, dentro de algum tempo estaremos aqui a pedir mais uma cabeça. E depois outra e mais outra. 
Até ver, ainda me parece que Lage pode ser parte da solução. Não esquecendo que este plantel não foi desenhado por ele. E que o único troféu que disputou, ganhou. 
Há muito a mudar no Benfica para que Lage, e os treinadores que se seguirem, tenham efectivamente condições para triunfar de modo consistente. 

MAU DEMAIS

Até aceito perder com o Barcelona como na quarta feira. Não aceito perder com o Casa Pia como hoje.
Uma equipa de 150 milhões de euros tem obrigação de fazer mais. Muito mais. E temo que tenha hipotecado em Rio Maior a luta por um título que estava inteiramente à sua disposição. 
Houve desorganização, até mesmo desnorte. Houve pouca vontade, pouca concentração, pouco estofo. Em campo, e no banco. Uma atitude miserável. 
No campo, confesso que já não consigo olhar para Kokçu e Arthur Cabral (e só aqui estão, fora salários, mais de 50 milhões). Um não quer. Outro não sabe. Nenhum deles tem lugar no plantel, quanto mais no onze. António Silva estava, de facto, melhor no banco. Carreras esgotou-se na Champions. Di Maria desapareceu com a lesão. Enfim, gente a mais, em muito baixo nível.
Tirar da equipa jogadores que acabam de fazer hat-tricks também não me parece a melhor ideia. Barreiro entrou mal com o Barcelona. Pavlidis entrou mal hoje. Eis uma forma de matar o estado de espírito de um e de outro, desaproveitando todo o potencial de confiança que pudessem ter alcançado. Tal como, de resto, tirar a titularidade a Schjelderup - que estava em super forma, e agora... vamos ver. 
Mas o problema do Benfica está longe de se esgotar no treinador. Desde Rui Vitória, passando por Lage, Jesus e Schmidt, já não me apanham nessa. 
Há algo de estrutural que tem de ser revisto. O Benfica, ano após ano, gasta dinheiro demais e joga futebol de menos. Investe em artistas de qualidade duvidosa, por vezes imberbes, quase sempre de perfil aveludado, amontoa esses investimentos (sempre de olho na venda e na potencial mais-valia), e esquece-se de construir uma verdadeira equipa de atletas unidos - um exército que, com maior ou menor brilhantismo (isso é secundário), lute bravamente, em conjunto, todos os jogos, cada minuto e cada lance desses jogos, sempre com sentido de urgência, pela vitória. Não interessa dar espectáculo. No Benfica, a única coisa espectacular é ganhar. E as receitas conseguem-se com títulos e presenças europeias de qualidade. É preciso critério, e não propriamente tanto dinheiro (que quando o bolso não é o nossso, é fácil de gastar, e quando sem critério, vai directamente para o lixo). O Benfica tem tido, de longe, os plantéis mais caros do país, e raramente tem mostrado ser a melhor equipa. Gasta muito e mal. Mas não só. 
Qualquer treinadorzeco da miserável liga portuguesa, com jogadores de refugo, põe o Benfica em sentido, sem que alguém, em campo, no banco, na tribuna, ou nos gabinetes pareça preocupar-se em demasia. Isto é cultural, é estrutural, e vai-se repetindo à velocidade com que se queimam treinadores.
A estrutura do Benfica, dentro no campo, no banco, na tribuna e nos gabinetes, está acomodada. Está aburguesada. Há pessoas que andam lá há vinte anos, sem que se perceba se fazem alguma coisa de útil. Estão simplesmente lá. Não sentem pressão, nem exigência (e exigência não é agredir ou insultar, e deve ser exercida por quem está mandatado para tal). Não sofrem como os adeptos. Quantos alguma vez choraram após uma derrota? Perder? É mais um dia no escritório. 
Falta paixão, rigor, ódio à derrota, ou até espírito de trincheira. Há muito pavoneamento snob e perfumado tipicamente lisboeta, e pouco sangue, pouco suor e poucas lágrimas, ao contrário do que ditaria a raiz popular histórica e sociológica do clube, e daquilo que seria fundamental num projecto ganhador. Isto reflecte-se nas equipas, nos profissionais que nos representam em campo, e nem só no futebol. 
O Benfica tornou-se demasiado "corporate" e menos focado no jogo de domingo (neste caso, sábado) que deveria ser o foco absoluto de toda a sua estrutura e de toda a sua actividade, o único motivo da sua existência, o único desígnio de todos os que o servem ou nele trabalham. E tudo o que no Benfica não sirva, directa ou indirectamente, para ganhar títulos, não serve para nada, está a mais. Quem no Benfica não esteja neste momento revoltado, quem consiga dormir bem esta noite, não pode lá estar - nem sequer como empregado de limpeza. 
Rui Costa tem de dar um murro na mesa, fazer sangue se necessário, mas impôr-se, e, de uma vez, limpar a casa (não para a imprensa ver, mas para muitos, dentro do clube, sentirem que, ou dão mais, ou estão a mais). É porventura a sua última oportunidade. Caso contrário as circunstâncias e o desencanto dos adeptos tornar-se-ão um peso demasiado grande para aquilo que ele pode suportar.
A vontade de me entusiasmar com esta equipa é agora quase nula. Ou as coisas correm muito bem em Turim, ou toda a temporada pode estar, mais uma vez, comprometida. E se se pensar que é lançando mais 100 milhões para cima que se resolve o problema, dentro de pouco tempo, nem vitórias nem dinheiro. 

ONZE PARA RIO MAIOR

Otamendi, Aursnes e Di Maria em repouso para Turim. Onze com média de idades 23.

ORA BOLAS, JOÃO NEVES MAIS GONÇALO RAMOS!

Raios partam os golos dos dois jogadores formados no Benfica. Sem esses golos, que deram três pontos ao PSG, a vida do Benfica na Champions estava agora bem mais facilitada.
Se o PSG tivesse apenas oito pontos (os nove do City seriam irrelevantes), a partida entre Estugarda e PSG da última ronda ditaria, desde logo, mais uma equipa atrás do Benfica nas contas finais. Assim, um empate na cidade da Mercedes põe ambos com onze pontos, ambos apurados. Ora Benfica tem dez...
O ponto de situação é o seguinte:
Deixando de lado goleadas históricas - que no limite até podiam qualificar o Shakhtar (teria de golear em Dortmund e esperar por uma carambola de outros resultados), as hipóteses reais do Benfica são:

1) EMPATAR - pontuando em Turim, o que também significaria manter a diferença de golos, o Benfica estaria matematicamente apurado. Aí, com mais um ponto, já podia contar com a partida entre Estugarda e PSG, bem como com o City-Brugge (jogos que, com Shakhtar, formariam um trio que deixava o Benfica a salvo);

2) PERDER E ACONTECEREM DUAS DAS SEGUINTES CONDIÇÕES -  a) Sporting perder, b) City não ganhar, c) Zagreb não ganhar, d) PSG não empatar.
Digamos que uma delas é lógica (c)), uma bastante improvável (b)) e as outras duas teoricamente possíveis (a) e d)). 
João Neves e Gonçalo Ramos podiam assim ainda dar o que nesta jornada tiraram - embora, se houver empate, se apurem as duas equipas (Estugarda e PSG), o que significa que...
Sérgio Conceição também tem de ajudar, impedindo uma vitória do Dínamo Zagreb. Mas para simplificar tudo, o melhor é mesmo o Benfica pontuar em Turim.

QUE CRUELDADE!

Nunca como hoje fez tanto sentido usar o velho chavão do futebolês: "levantar a cabeça e pensar no próximo jogo".
Viveu-se na Luz, de facto, uma verdadeira noite de bruxas (si, las hay!). Agora é preciso reagir, e ir buscar às lágrimas a coragem e a força para enfrentar o que aí vem - e que ainda é quase tudo.
A consolação de termos assistido a um dos melhores jogos de Champions dos últimos anos é parca face ao desencanto sentido após o apito final do árbitro. Uma derrota como esta traz consigo um mar de desilusão. E com 4-2 a doze minutos do fim, seria difícil engolir até o empate, quanto mais a derrota. 
Num carrossel de emoções, acabou por triunfar a melhor equipa, face a um Benfica que realizou 75 minutos fantásticos. Os encarnados têm todas as razões para sair deste jogo de consciência limpa pelo seu desempenho, e até com o orgulho de terem sido capazes, durante grande fatia da partida, de encostar o poderoso Barcelona às cordas - conjunto que já nesta temporada deu 4-0 e 5-2 ao Real Madrid. O resultado foi um castigo demasiado duro, numa partida que poderia ter terminado 6-6 ou 7-7. Pelo inglório esforço, os jogadores bem mereceram os aplausos que ouviram no final.
Houve, de facto, muitos aspectos positivos a retirar do jogo. Desde logo a exibição colectiva, a forma como o Benfica soube ferir tantas vezes a equipa adversária (mérito a Lage), mas também o regresso aos golos - e logo três - de Pavlidis, as prestações de Carreras, Florentino e Schjelderup, bem como os sinais de que Akturkoglu poderá estar de volta à sua melhor forma. 
De negativo confesso que só tenho de apontar um momento, que acabou por decidir o resultado: a empatar com o Barcelona a 15 segundos do fim, e com um livre a favor, jamais se poderia sofrer um golo em contra-ataque. Aliás, se o resultado fosse 0-0 e não 4-4, estou certo de que aquela bola já não saia do meio-campo catalão. As circunstâncias conduziram a equipa a um entusiasmo que se revelou fatal. Até porque, nas contas do apuramento, um pontinho faria, neste momento, toda a diferença.
Globalmente não podemos deixar de atribuir mérito à recuperação do Barcelona, que é aquilo o que a imprensa internacional irá destacar. Foi um grande jogo, protagonizado por duas grandes equipas, em que a sorte acabou por bafejar a mais forte delas. Pena que a terceira equipa talvez não tenha estado à altura da ocasião.
Não tendo ainda visto os lances na televisão, não poderei falar demasiado do árbitro. Mas quando percebi que havia possibilidade de reverter um golo num penálti (virando um 4-5 para um presumível 5-4), no último lance de um jogo, contra o...Barcelona, rapidamente me ocorreu que, fosse como fosse a falta, tal não iria acontecer. A UEFA é a UEFA, e já estamos habituados. E devo dizer também que nomear um árbitro holandês, quando a Holanda disputa lugar no ranking com Portugal (sem falar de Cruyff, Neeskens, Koeman, Van Gaal, De Jong etc), revela, ou má fé, ou incompetência.
Agora há que resgatar o ponto perdido em Turim. Mas antes, e bem mais importante, há que vencer o Casa Pia, e seguir com a luta pelo título nacional - maior objectivo de qualquer temporada benfiquista. 

SHOW DE BOLA

Se era necessário demonstrar que a "crise" tinha ficado definitivamente para trás, a goleada aplicada ao Famalicão (que vencera o Benfica na primeira jornada) deixou isso bem claro. O herói foi Leandro Barreiro - jogador que se tem afirmado a pulso na equipa, não é de encantar as bancadas, mas revela uma utilidade crescente, sendo hoje uma espécie de Aursnes, com menos perfume mas, pelos vistos, mais golo.
Se o luxemburguês foi o homem da noite, a verdade é que toda a equipa esteve bem, impondo desde cedo um ritmo que a pôs a coberto de qualquer contrariedade - como por exemplo uma arbitragem tendenciosa, que irritou o estádio e só não inclinou mais o campo porque não conseguiu.
A quem apontar a ausência de Di Maria como razão para o brilhantismo, recordo que nos melhores jogos da temporada (creio ser consensual terem sido contra Atlético e Porto), o argentino não só estava, como foi o melhor em campo.
Aliás, se as observações valem o que valem, também é altura de dizer que, as derrotas contra Braga e Sporting, vistas a frio, foram de alguma forma injustas - pois em qualquer das duas partidas, mesmo sem jogar bem, o Benfica merecia, pelo menos, o empate.
Ou seja, a "crise", ou lá o que foi que aconteceu, terá sido episódica, exponenciada pela doentia voragem dos tempos que vivemos, mas longe de determinar fosse o que fosse - como a Taça da Liga, a segunda parte de Faro, e todo o jogo desta noite vieram demonstrar. E se alguns jogadores desceram de forma, outros apareceram em grande. Para o Barcelona fica desde já uma nota: serão Barreiro, Schjelderup e mais nove.
Palavra final para Pavlidis. Em crise de confiança quase penosa, continuo a acreditar no potencial do grego. Também precisa de alguma sorte para fazer sair o ketchup. Não é um Van Basten, mas é o mais completo avançado do plantel, e sobretudo tem capacidade para muito mais do que aquilo que tem mostrado. 

ONZE PARA O FAMALICÃO

NÃO FOSSE TRÁGICO E ERA RIDÍCULO

Deixo aqui dois artigos tirados de "A Bola", sobre aquilo que a oscilação de rendimento dos candidatos ao título tem tornado recorrente e já quase caricatural. Sempre que alguém perde, temos tochas, insultos, agressões,  produzidas por grupos minoritários com capacidade para ser ruidosos, e as televisões a aproveitar o folclore (afinal de contas, dois homens e uma tocha colorida enchem um ecrã).
Porém, isto não me dá grande vontade de rir. É que não acontece apenas no futebol, antes sendo um reflexo da sociedade em que vivemos, das redes sociais, das manifestações e contramanifestações, dos discursos de ódio normalizados, de todas as intolerâncias, cujo caminho parece cada vez mais conduzir ao abismo. Hoje, se uma pequena minoria de estúpidos consegue fazer ruído, é premiada pelas circunstâncias e bem sabemos que a iliteracia generalizada vai atrás de qualquer demagogo. Isso é perigoso, muito perigoso.

"As gentes e os agentes do futebol português são reflexos da sociedade deste país: altamente suscetíveis, intolerantes e com opinião e decisões baseadas em critérios casuísticos e liminares.
As lideranças nos clubes – de presidentes a treinadores - estão sob fortíssimo escrutínio, sob mira de contestação e em causa à primeira série de maus resultados. É um estado transversal, não se resume à massa adepta (não a maioria) permanentemente irada contra presidente, treinador e jogadores.
Começa no primeiro, o presidente, exposto a intensa pressão do exterior (e amiúde do interior) do clube, que, muitas vezes, por fragilidade e inoperância, decide pelo mais fácil, a dispensa do técnico, que neste estado de permanente instabilidade não tem condições para exprimir competências.
Treinadores que trabalham sob pressão inaceitável de adeptos e dirigentes, forças de bloqueio que não ponderam nas críticas a limitação dos plantéis, em qualidade, nalguns casos sem responsabilidade direta do treinador em funções, herdada de antecessores; noutros casos, condicionados por lesões (em número e/ou de jogadores fundamentais); ou tão-só pela competitividade: porque as outras equipas também jogam e não se pode ganhar sempre. (…)
Mas não é um problema (só) do futebol, insista-se, é da sociedade em geral"
RICARDO JORGE COSTA
 
"Começa a ser recorrente, tanto que quase se normalizou: basta um dos chamados clubes grandes perder um jogo e depois da primeira manifestação de desagrado no estádio seguem-se outras. E se no estádio o assobio e o apupo até serão normais – o que não acho normal é muitas vezes a embaraçosa forma como os jogadores, treinadores e staff se desdobram em justificações fora de lugar e a quem não as merece pela forma como se comporta nas bancadas –, não consigo compreender a condescendência que há para arruaceiros da palavra, do gesto e da violência gratuita que vão depois esperar a equipa na chegada ao estádio ou ao aeroporto, quando a viagem é de avião.
Aquilo que acontecia amiúde quando as crises se alongavam nos maus resultados sistemáticos, acontece agora com a regularidade de qualquer derrota ou empate. Já o vimos em Alvalade, já o vimos na Luz, vimo-lo mais recentemente e mais insistentemente no Dragão.
Sim, o FC Porto perdeu com o Nacional e com isso perdeu a oportunidade de ultrapassar o Sporting e de se isolar no comando da Liga no final da 1.ª volta – com toda a simbologia que tem dobrar o cabo do campeonato com esse estatuto. Não, o FC Porto não viu com essa derrota na Madeira hipotecar o título ou ficar em zona periclitante na tabela. Porém, à chegada ao aeroporto e ao Dragão lá estavam os do costume, de lábia afiada e mão leve para atirar tochas e rebentar petardos.
Polícia chamada, a um e a outro local, e a ver aqueles gatos pingados enraivecidos a insultar tudo e todos, a espumar da boca como não espumam por coisas bem mais importantes e a explodir a cólera em mais um petardo ou a acendê-la noutra tocha atirada ao autocarro.
As televisões correm para mais um espetáculo de luz e cor, com banda sonora de rebentamentos e insultos. A polícia afasta-os, a caravana passa e para a próxima há mais. É só haver mais uma derrota e a festa está garantida."
NUNO RAPOSO

CINCO MINUTOS BASTARAM

Não estava fácil a partida para o Benfica. 
Perante um adversário fechadíssimo - que, a agravar, teve a felicidade de marcar logo à primeira oportunidade -, e com o desgaste natural de uma final jogada (e festejada) não muitas horas antes, a equipa encarnada sentiu grandes dificuldades para encontrar o caminho da área. Assim foi decorrendo quase toda a primeira parte. Ao intervalo, confesso que temia o pior.
O início da segunda metade não foi muito diferente. A primeira grande ocasião até foi do Farense. Só que, a dada altura, lá apareceram as individualidades (curiosamente, já sem Di Maria em campo). Schjelderup com um magnífico golo alcançou o empate, e no minuto seguinte um passe magistral de Carreras encontrou Arthur Cabral em boa posição para finalizar. Pouco tempo depois Bah fechou o resultado, e fechou a porta a qualquer ambição do conjunto algarvio.
A partir de então o jogo não teve mais história. O Benfica passou com merecimento aos Quartos-de-Final, e agora irá encontrar, presumivelmente, o Braga - jogo que, também presumivelmente, valerá a presença no Jamor.
A nota de preocupação é para Di Maria. Neste jogo acabou por não se sentir a sua falta. Nos próximos será extremamente importante que esteja presente. Schjelderup está a afirmar-se, mas ainda longe de garantir aquilo que o craque argentino garante. Akturkoglu atravessa uma acentuada quebra de rendimento. E não há muitos mais extremos no plantel.
Enfim, uma coisa de cada vez. Com três vitórias consecutivas (e um título) em três partidas difíceis, a crise já lá vai. Agora, venha de lá o Famalicão.

ONZE PARA FARO

Dado que o principal problema desta deslocação será, a meu ver, o desgaste acumulado, e o pouco tempo de descanso, há que fazer alterações e correr alguns riscos. Se isto não funcionar, haverá sempre um banco de suplentes recheado com Trubin, Otamendi, Carreras, Florentino, Aursnes, Di Maria, Pavlidis e Akturkoglu. 

SLB - DESEMPATES POR PENÁLTIS

Eis a lista de todos os desempates por panáltis na história do Benfica:
Ao contrário do que o senso comum ditaria, o histórico de desempates por penáltis em todas as competições é pois favorável ao Benfica (12 vitórias, 9 derrotas). Talvez a importância das derrotas (desde logo duas finais europeias) tenha criado uma ilusão que não corresponde aos números.
Há porém uma vitória que... não deveria ter acontecido. Se o Benfica tivesse perdido o desempate com o Paok em 1999, tinha evitado a humilhação de Vigo, semanas depois. Ironias do destino.
É curioso olhar também para o histórico dos guarda-redes envolvidos neste tipo de desempate:
Quem diria que Quim, que nem sequer era muito alto, tinha 100% de sucesso (tal como Helton Leite, embora este com menos um jogo)?  E é preciso notar que numa das derrotas do Benfica, na Taça da Liga de 2013, Quim estava do outro lado, vencendo esse desempate. Um especialista que passou despercebido nos livros de história...
Trubin, por seu lado, com duas derrotas na temporada passada, ainda tem saldo negativo.

BENFICA NA TAÇA

OS TÍTULOS EM 30 ANOS

De 1995 a 2003 tivemos o "Vietname". De 2004 a 2013, o regresso a pouco e pouco do Benfica ganhador. De 2014 a 2019 o domínio absoluto. Depois uma quebra. E agora....vamos ver.

PALMARÉS TAÇA DA LIGA


 







DEPOIS DE REVISÃO

A ideia formada acerca da Final da Taça da Liga é a de que o Benfica fez uma boa primeira parte e o Sporting foi melhor na segunda. E que qualquer um deles seria um vencedor justo. Talvez o evoluir do resultado tenha apontada para tal, mas ao rever o jogo (tive tempo e gosto para o fazer), conclui rapidamente que não foi bem assim.
Na verdade, o Benfica foi quase sempre superior, foi quase sempre dominador. O Sporting conseguiu esticar o jogo algumas vezes, e com isso também criar perigo, mas o domínio foi invariavelmente encarnado. Isto até aos 75/80 minutos, quando se fez sentir o desgaste físico da meia-final, e as menos 24 horas de repouso. Como as últimas sensações são as que prevalecem, e nesses últimos minutos o Sporting estava, naturalmente, mais fresco, ficou uma ideia de equilíbrio que até aí nunca existiu.
Muitos criticam a substituição de Schjelderup. A verdade é que a ala esquerda da defesa do Benfica estava a ficar muito desprotegida, e quer Quaresma, quer Catamo, tiveram ocasiões de a percorrer como uma auto-estrada (o que Bruno Lage obviamente não pôde dizer aos jornalistas). Akturkoglu está em má forma, mas em 45 minutos conseguiu estancar esse corredor, depois de uma curta incursão pelo lado contrário nos primeiros instantes da segunda parte - troca com Di Maria, que também não seria viável com o jovem nórdico em campo.
De resto, foi interessante observar a utilização de Aursnes (depois Barreiro) quase como um segundo avançado, responsável pela pressão sobre a saída de bola do Sporting. E certificar a extraordinária exibição de Florentino - jogador, a meu ver, imprescindível, pelo menos nos jogos grandes.
Mais uma vez Kokçu não justificou valer 30 milhões. Foi a unidade mais apagada da equipa.
Quanto à arbitragem, diga-se que o penálti assinalado não o seria em mais nenhuma liga europeia. E o braço de Simões, na segunda parte, até foi mais expressivo que o pé de Florentino, na primeira. Eu não marcaria nenhum deles. João Pinheiro marcou um e ignorou outro. Erro ainda mais grave foi perdoar uma entrada assassina de Catamo - que nem cartão amarelo viu. E uma palmada na cara de Otanendi, essa sim amarelada, pareceu-me merecer outra cor. Enfim, nenhuma das situações de dúvida foi decidida a favor do Benfica.

É NOSSA!!!

Contra ventos e marés. Contra o cansaço. Contra a arbitragem. O Benfica regressou aos títulos, com total mérito (sobretudo pela excelente primeira parte, quando o nível físico de ambas as equipas se equivalia) . 

Braga e Sporting estão vingados. Agora vamos ao campeonato. 


ONZE PARA LEIRIA

Digo uma vez mais que esta proposta teria de ter sido, obviamente, trabalhada nos treinos. Mas era isto que eu propunha para a final de Leiria. Um sistema bastante flexível, com Aursnes e Beste a proteger os laterais, permitindo que, ora de um lado, ora do outro, a defesa pudesse ser feita a três - evitando desde logo situações como a do golo de Catamo no último dérbi, e possibilitando uma marcação mais assertiva em cima de Gyokeres. Amdouni seria lançado no apoio a Pavlidis com bola, e na pressão à saída do Sporting sem ela. Di Maria com liberdade para criar. Florentino como pêndulo de equilíbrio. Sacrificava os turcos, um porque não está em forma, outro porque nunca está em forma. Quanto a Bah, creio que anda com alguns problemas físicos.

DÉRBIS EM FINAIS

 Todas as finais de provas de âmbito nacional disputadas entre Benfica e Sporting:

16 finais, 10 triunfos, 6 desaires.

RUMO À 8ª

 2009

2010

2011

2012

2014

2015

2016

ASSIM, SIM!

Como diria Mark Twain, as notícias da morte do Benfica de Bruno Lage eram manifestamente exageradas. Assim se viu nesta meia-final, inversamente proporcional ao jogo do fim-de-semana passado. O Braga está vingado. Falta o próximo.
E foi na primeira parte que os encarnados resolveram a contenda, marcando três, como podiam ter marcado cinco. Aliás, o resultado final, depois de tudo o que se passou em campo, peca claramente por escassez. 6-0 não seria demais.
Tal como em todos os bons momentos do Benfica na última época e meia, o protagonista foi Di Maria. É, de longe, o melhor jogador desta equipa, e, com Gyokeres, um dos dois melhores a actuar em Portugal. Espanta-me como alguém pode considerá-lo um problema: é que, não só resolve jogos, como demonstra uma vitalidade notável para a sua idade e para o seu estatuto. E até o medo que havia das lesões (batam na madeira...) se tem dissipado. É um exemplo de classe e de profissionalismo, pois só um grande profissional apresenta esta forma física, e esta generosidade competitiva, aos 37 anos, depois de ganhar tudo e já não precisar do futebol para nada. Se a equipa depende dele, pois atire a primeira pedra quem acha que o Sporting não depende do seu avançado sueco, o Barcelona de Guardiola não dependia de Messi, ou, para ficar em casa, o Benfica da década de sessenta não dependia de Eusébio. Os craques têm esta característica: fazer jogar em seu redor e à sua imagem. O inacreditável talento de El Fideo, vale bem que a equipa do Benfica seja montada à sua volta, de forma a potenciá-lo ao máximo.
Mas a vitória foi também do colectivo. E aqueles que nos últimos dias têm tentado derrubar Bruno Lage, agora agarram-se exclusivamente às individualidades para justificar a vitória e a exibição. O que se viu foi um grande Benfica, que reduziu o adversário à vulgaridade, ficando a dever a si próprio uma goleada histórica. Florentino entrou bem, Tomás Araújo realizou uma exibição fantástica a lateral-direito, mostrando que talvez não seja preciso gastar muito dinheiro num suplente para Bah, Carreras esteve ao seu melhor nível, Pavlidis não marcou mas assistiu e esteve sempre envolvido na manobra ofensiva da equipa, e Schjelderup revelou-se uma opção válida para a ala esquerda.
A arbitragem passou despercebida - que é o que dela se pretende.
Agora venha a final. A primeira final da temporada. E como era importante erguer um troféu nesta altura...

NOTA: Otamendi, que tantas vezes tenho criticado por  exibições menos conseguidas, teve uma atitude de grande nível perante um jovem adversário cujo entusiasmo, aliado à imaturidade, o fizera expulsar pouco tempo depois de entrar em campo. Foi uma atitude à "Capitão", e na qual, como benfiquista, me revejo totalmente. Eu próprio tive pena do rapaz, e desejo-lhe uma longa e brilhante carreira.

ONZE PARA LEIRIA

Provavelmente isto não foi treinado, pelo que não poderá ser levado à prática. Mas era um modelo que eu já teria tentado aplicar.

O BENFICA NA TAÇA DA LIGA

CAMPANHA NEGRA

Não sei se é orquestrada ou não, mas existe uma forte campanha na comunicação social, mais notória entre os jornalistas/comentadores de alguma forma ligados ao Sporting, que visa descredibilizar Bruno Lage, culpando-o pelas últimas exibições do Benfica, e omitindo olimpicamente que há apenas dez dias atrás era líder isolado do campeonato depois de recuperar uma desvantagem significativa. Talvez queiram qualquer coisa como isto: "se nós tivemos o nosso João Pereira, vocês também hão de ter o vosso".
Não falarei em nomes, pois não lhes quero dar publicidade. Apenas peço aos adeptos do Benfica que não se deixem levar por essas cantigas de escárnio. E digo isto antes de uma partida que pode ditar a perda de um troféu - neste caso bem mais importante do que noutras circunstancias.
Até parece que o Benfica estava muito bem quando Bruno Lage voltou. Até parece que não era Bruno Lage que estava no banco quando a equipa encarnada aplicou 4-0 ao Atlético de Madrid e 4-1 ao FC Porto, com duas exibições deslumbrantes. E nem sequer foi Bruno Lage que escolheu o plantel. De facto, as últimas semanas não têm sido brilhantes, mas uma análise fria diz que o Benfica perdeu apenas com Sporting e Braga, duas boas equipas, e em ambos os jogos, pese embora todas as críticas que possamos fazer a jogadores e/ou treinador, pese embora as exibições bastante negativas (pelo menos nas duas primeiras partes), o resultado mais justo teria sido o empate.
O Benfica não pode mudar de treinador de seis em seis meses. Todos os clubes já tiveram as suas semanas negras, quer em Portugal, quer no futebol europeu. Nesses momentos há que resistir à pressão exterior, e reforçar a autoridade do técnico perante o plantel, os adeptos e a comunicação social. Se a Taça da Liga escapar (com nova derrota ante Braga ou Sporting), o que Rui Costa tem a fazer é dar a cara para apoiar, sem reservas, o treinador que escolheu. No fim da época, conforme os resultados finais, logo se vê - assim como no fim do mandato, no caso do presidente.
Atacar o treinador agora é absurdo e perigoso. Que os benfiquistas não caiam nesse logro.
Eu estou com Bruno Lage, incondicionalmente, até ao fim da temporada. Só aí se poderá avaliar criteriosamente o trabalho do setubalense, e colocar, ou não, a questão de uma troca de treinador. 
Isto não me inibirá, obviamente, de apontar críticas pontuais às suas opções e às exibições da equipa. Ninguém ganha os jogos todos, ninguém joga sempre bem. E em cada um de nós há um treinador de bancada sempre pronto a emitir veredictos absolutos - mesmo sem conhecer muitas das variáveis determinantes daquilo que se vê em campo.

UM PROBLEMA TURCO

Faz agora um ano, escrevi isto a propósito de Kokçu. Na altura ainda tinha esperança que a realidade viesse a desmentir-me - como já aconteceu tantas vezes, e outras tantas acontecerá. Infelizmente, não é o caso.
Vejo, ouço e leio análises à equipa do Benfica, a Di Maria que não defende, aos pontas-de-lança que não marcam, a Florentino que só faz passes para o lado, a Aursnes que está fora de forma. Estranhamente, ninguém fala do mais caro de todos, e daquele que é, também, a meu ver, o maior problema de todos - pelo menos dentro do campo, e talvez também (não sei) no balneário.
Primeiro era porque jogava mais recuado, depois porque jogava mais adiantado. A verdade é que já percorreu todas as posições do meio-campo, até já actuou na ala, e o rendimento do turco permanece entre o medíocre e o mediano. Muito pouco para quem custou 30 milhões, para quem tinha obrigação de fazer a diferença, e para quem queria ter uma apresentação igual à de Di Maria.
O maior problema táctico do Benfica, neste momento, reside no meio-campo. Ou se fecha a porta com Florentino e Barreiro, perdendo-se criatividade e capacidade de passe. Ou se escancara, com Renato Sanches ou Rollheiser (ou Amdouni em 4-4-2), ficando a faltar gente a correr nas costas. Ora era precisamente para cumprir essa dupla tarefa que Kokçu foi contratado: criar equilíbrios sem bola (coisa que nunca sequer se esforçou por tentar), e desequilíbrios com ela (o que também não consegue, por falta de intensidade e/ou empenho). No fundo, aquilo que falta à equipa, além de um goleador, é um jogador como-se-pensava-e-esperava-que-fosse-Kokçu-mas-não-é. 
O mercado está aberto. O turco veio com cartaz da Holanda. Talvez ainda se conseguisse impingir a alguém, recuperando pelo menos metade do investimento. E depois contratar um médio, decerto mais barato, mas mais lutador e influente.
Não será o único problema do Benfica. Mas parece-me bastante claro que Kokçu não é solução para coisa nenhuma.
Por qualquer motivo que desconheço, comentadores e adeptos parecem apontar as suas setas para outros lados. Há uma longa tradição na Luz de se perdoar tudo a quem mostra bom toque de bola. Eu prefiro olhar para o rendimento. Nessa medida, Kokçu é um dos rostos, senão mesmo o rosto, das sucessivas crises desportivas deste Benfica desde o tempo de Roger Schmidt.
PS: Akturkoglu é um caso diferente. Entrou de rompante, mostrando ser craque. Caiu abruptamente de forma no último mês. E não sei se uma coisa não andará ligada a outra, que é como quem diz, não sei se Kokçu não tem estragado também o seu compatriota.

A NÃO REPETIR

 

ASSIM É DIFÍCIL

O ponta-de-lança do Sporting tem 21 golos, o do FC Porto tem 13...o do Rio Ave tem 9, o do Estoril tem 7.

SEM PERDÃO

Mais uma vez, uma parte de avanço. Mais uma vez, surpreendido pelo sistema do adversário. Mais uma vez, uma gritante ineficácia ofensiva. Mais uma vez, uma proverbial permeabilidade defensiva. Mais uma vez, insistência em jogadores completamente fora de forma (conforme aqui escrevi, é óbvio que os turcos precisam de banco). Mais uma vez, substituições que nada acrescentam e parecem, pelo contrário, perturbar a equipa (Schjelderup e Sanches, sem ritmo, numa situação daquelas?). 
Assim, é de facto difícil. 
A quente talvez seja tentador criticar Bruno Lage. Mas é preciso lembrar que tudo isto já aconteceu com Roger Schmidt. E se formos mais atrás, com Jorge Jesus, com Rui Vitória e com o próprio Lage na sua primeira passagem.
Não creio que haja um problema de treinador. Ou, pelo menos, que seja esse "o" problema. O plantel tem alguns desequilíbrios, mas já deu 4-0 ao Atlético de Madrid e 4-1ao FC Porto. 
É preciso entender porque motivo, reiteradamente, com diferentes jogadores, treinadores e até presidente, o Benfica tem quebras súbitas e acentuadas de rendimento, que comprometem épocas e títulos. Há toda uma análise estrutural a fazer, sem a qual isto irá repetir-se indefinidamente, quaisquer que sejam os protagonistas. E o clube irá continuar a gastar milhões e a ver voar troféus ano após ano. 
PS: Não é desculpa, mas na segunda parte contei oito jogadores do Braga no chão. No fim, o árbitro deu... seis minutos. Assim se promove o antijogo. 

PARA 2025? MAIS TÍTULOS DO QUE AG's!

Em 2024 o futebol do Benfica conquistou "bola". 
Todavia, perdi o número às Assembleias Gerais realizadas, sempre com a mesma ínfima minoria de benfiquistas (é preciso lembrar que cinco mil em seis milhões dá 0,08%), sempre com mais momentos de fractura que de união - que fizeram as delícias de uma certa comunicação social, e foram dando lastro a esta nova forma de ver o mundo, segundo a qual está sempre tudo mal, tem de ser tudo perfeito... menos os próprios que o afirmam, e quem diz bem de alguma coisa é porque está comprado.
Enfim, a revisão de estatutos foi uma promessa de Rui Costa (que eu nunca teria feito), está cumprida. Serve para o Benfica ganhar mais vezes? Não creio. Pelo contrário, serviu para gastar energia, perder tempo e, a dada altura, acentuar clivagens. E, já agora, também para a demissão de um bom presidente da mesa. A boa notícia é que tudo já passou.
Em 2025 espero vitórias e títulos. Esse sim, foi o Benfica que comecei a amar em criança - quando dizia de cor o nome completo de Fernando Albino de Sousa Chalana, a sua data de nascimento 10/02/1959, mas nem sequer sabia como se chamava o presidente do clube, quanto mais as alíneas dos estatutos. Se esse era o futebol antigo, se esse era o velho e grandioso Benfica de que muitos falam, então também tenho as minhas saudades dele.  

ONZE PARA O BRAGA

Já aqui o tinha escrito no texto anterior. Parece-me que o modelo do Benfica de Lage, que tão bons resultados deu na fase inicial, está a ficar um pouco cristalizado. Não sei se foi trabalhado nos treinos um plano B, ou qual, mas na minha opinião devia ter sido. Otamendi parece cada vez mais excedentário. Os turcos andam de gatas. Barreiro está em melhor forma do que Tino. Pavlidis rende mais com alguém ao lado ou nas costas (como na pré-temporada, em que tinha Prestianni). Amdouni merece ser titular na sua posição natural. Beste e Carreras combinam bem, e Di Maria é Di Maria.
Duvido que Bruno Lage faça uma revolução deste tipo. Mas estou aqui para dar a minha opinião, que naturalmente não vale para nada a não ser como tema de discussão.

TEMPO DE MUDAR

Até percebo que Bruno Lage, quando chegou, tenha assumido como prioridade definir um onze base, criar rotinas, transmitir confiança e segurança aos seus principais jogadores.
Passado algum tempo, e perante a quebra acentuada de rendimento de alguns deles, já era altura de reflectir, e evitar cristalizar uma equipa que começa a mostrar desgaste e grande dificuldade em surpreender os adversários. 
O caso dos turcos é evidente. De Kokçu não gosto nem alguma vez gostei - lembremos que se trata do jogador mais caro da história do futebol português e em dois anos limitou-se a duas ou três exibições aceitáveis, mostrando reiteradamente uma passividade que irrita, bem como alguns tiques mal disfarçados de vedetismo. Já Akturkoglu parece ser um excelente jogador, mas que, depois dum período de grande fulgor, atravessa agora uma fase de compreensível desgaste. Em ambos os casos, há lugar no banco para se sentrarem.
Depois há Otamendi. Mais do que capitão, parece querer ser dono da equipa. Ora esta é, salvo erro, a sua quinta época, e apenas conquistou um campeonato. Magro para quem se arma em Humberto Coelho, Nené ou Shéu. Sendo que nenhum destes tinha férias quando lhe apetecia, nem comprometia reiteradamente a equipa com falhas infantis.
António Silva fica mal no banco, onde está a desvalorizar.
O plantel do Benfica não é tão bom como se dizia, mas também não é tão mau que não permita mudar o onze base, ou obrigue a manter a titularidade de jogadores em manifesta má forma. Até porque esta cristalização dá trunfos aos treinadores contrários.
Por mim, já na próxima jornada, fazia alinhar a seguinte equipa:
Trubin, Bah, Araújo, A.Silva, Carreras, Di Maria, Aursnes, Barreiro, Beste, Amdouni e Pavlidis. Um 4-4-2 que pode, por exemplo, potenciar os avançados.
Otamendi e Kokçu até podiam ir à sua vida no mercado de Janeiro (o argentino dispensado e o turco naturalmente vendido), abrindo espaço salarial para duas contratações mais de acordo com a necessidade da equipa.
Enfim, reflexões de quem não tem certezas, a não ser que é preciso mudar algo. E pelo passado recente não me parece que seja o treinador, mas talvez, e numa perspectiva macro, a política desportiva - que parece feita avulso sem uma ideia de jogo por trás. 

UMA PARTE DE AVANÇO E A INEFICÁCIA DO COSTUME

Num jogo, como diz o cliché, com  duas partes distintas, o empate talvez fosse o resultado mais justo. A eficácia, ou a falta dela, fez a diferença.
Na primeira parte aconteceu aquilo que se temia: o Benfica surpreendido por um adversário do qual ninguém sabia muito bem o que esperar. O Sporting apresentou-se com um sistema (4-4-2) diferente daquele que tem usado nos últimos anos, e de algum modo com a cabeça limpa (mérito do novo treinador) . Lage foi surpreendido, e até ao intervalo a equipa da Luz nunca se encontrou.
Na segunda parte sim, viu-se um Benfica corajoso e lutador, que dominou o jogo e, durante largos minutos, encostou o rival às cordas. Faltou o que é mais importante no futebol: o golo. E não é a primeira vez que isso acontece nesta temporada (lembremos o jogo com o Bolonha, por exemplo), o que se explica quando os dois pontas de lança do plantel rendem, juntos, menos de dez golos em vários meses de competição.
Enfim, nada está perdido, a não ser uma oportunidade de acentuar a crise do rival (este resultado dá-lhe o oxigénio de que estava a precisar). O Benfica depende de si próprio, Rui Borges não vai surpreender outra vez e a segunda parte deixa alguma esperança de voltar a ver bom futebol nesta temporada, embora a ineficácia reiteradamente mostrada (na verdade, sempre que Di Maria não acende a lâmpada), seja bastante preocupante.
Fábio Veríssimo fez uma arbitragem habilidosa, inclinando o campo com faltas e faltinhas, com lançamentos ao contrário e cantos por assinalar, que quebraram o ritmo ao melhor período dos encarnados. Mas isso não surpreendeu ninguém, nem foi por isso  que o Sporting ganhou. 

OMZE PARA O DÉRBI

Trubin, Bah, Araújo, Otamendi, Carreras, Florentino, Aursnes, Kokçu, Di Maria, Amdouni e Akturkoglu 

LAGARTO NO CAMPO, LAGARTO NO VAR

Estas nomeações parecem servir apenas um propósito: calar as recentes queixas do Sporting, que desde que me lembro acontecem sempre que não ganha.
Espero que o Benfica seja suficientemente forte para suplantar mais dois adversários de peso, como são Fábio Veríssimo e Tiago Martins.
Mas com esta dupla, o dérbi já começa mal. 

NATAL EM PRIMEIRO

Afinal o desejo de Rui Costa foi satisfeito: o Benfica vai passar o Natal na liderança da tabela, e é nessa condição que entrará em Alvalade para disputar o dérbi eterno. 
A vitória diante do Estoril não sofre qualquer contestação, e podia até ter sido mais ampla. O que não significa que a exibição tenha sido brilhante - sobretudo se atendermos à facilidade com que os canarinhos chegaram perto da área encarnada em mais do que uma ocasião.
Pavlidis marcou, e Otamendi não jogou, nem se sentiu a falta. Tudo correu como o guião previa. E até a entrada de Amdouni - custa vê-lo no banco - rendeu, não se sabendo quem terá de sair do onze para, mais tarde ou mais cedo, o internacional suíço assumir a merecida titularidade.
A arbitragem esteve bem.
Agora há que entrar em Alvalade com total confiança, mas sem triunfalismos. O Benfica está no lugar que quer, mas o campeonato ainda nem chegou ao meio, e já sofreu as voltas e reviravoltas que sabemos. 

ATAQUE À LIDERANÇA

Trubin, Bah, Araújo, A.Silva, Carreras, Florentino, Aursnes, Kokçu, Di Maria, Amdouni e Akturkoglu. 

NÃO, NÃO E NÃO!

O apoio do Benfica a Pedro Proença (Lourenço Pereira Coelho é um dos subscritores) só pode ser entendido da seguinte forma: sabendo que ele vai ganhar, o clube prefere não o hostilizar agora para não ser ainda mais penalizado no futuro.
Digamos que não é uma atitude que se destaque pela coragem. Mas também é verdade que o peso institucional do Benfica não é comparável ao seu peso social, coisa que os adeptos nem sempre têm em conta.
Seja como for, eu jamais apoiaria um individuo como este, que foi um árbitro famoso por resolver campeonatos, e um presidente de uma liga que se tem afundado na mediocridade.
Os perus não votam a favor do natal, pelo que congrega o apoio esmagador do enorme desfile fantasma de clubes (ou afins) das divisões profissionais, a troco do palco que não merecem, nem justificam. 
Os campeonatos estão nivelados por baixo. Antes, os grandes eram maiores e os pequenos existiam. Agora tudo é puxado para o chão, de forma a manter uma série de oportunistas sentados à mesa das receitas. Proença é o rosto dessa triste realidade, como foi o rosto dos tempos mais obscuros da arbitragem portuguesa.
Mas o homem que dá abraços a toda a gente, sempre foi habilidoso a fazer o que mais lhe convinha. Como bom árbitro-UEFA, falando bem inglês e apresentando boa forma física, sabia manipular jogos sem dar muito nas vistas. Agora parece saber manipular assembleias e vontades.
Ele vai crescer em sentido inversamente proporcional à morte assistida do futebol português. E custa-me ver o Benfica a participar nesse cortejo fúnebre.

O SUSPEITO DO COSTUME

Num jogo em atraso a meio da semana e a começar já no minuto 8, num estádio daqueles (que há muito devia ter sido interditado pela liga), sem se saber se se podia jogar ou por quanto tempo, e após dois empates consecutivos e evitáveis, a deslocação à Choupana tinha tudo para correr mal. E ao intervalo, a extraordinária exibição do guarda-redes do Nacional parecia apontar para mais uma estéril sessão de tiro ao boneco. 
Na segunda apareceu aquele que tantas vezes tem sido o verdadeiro Dom Sebastião deste Benfica. Di Maria emergiu do nevoeiro e resolveu, garantindo os três pontos e uma dose suplementar de serenidade para fazer face aos próximos compromissos.
Há coisas a rever. Os turcos estão a léguas da forma que apresentavam por alturas das goleadas ao Atlético de Madrid e ao FC Porto. Pavlidis, que na pré-época marcou sete golos em cinco jogos, e que na sua selecção tem dado cartas, tarda em ser o finalizador de que a equipa necessita. Sobra El Fideo, que muitas vezes chega - mas, como é óbvio, nem sempre um só homem é suficiente para tudo. 
Di Maria tem já 28 golos e 18 assistências nesta segunda passagem pelo clube, ou seja, em ano e meio. Para quem duvidava da sua aquisição, e da posterior renovação, os números são a resposta cabal. Por mim, ficava mais um ano, até porque, ao contrário de outros, corre e luta como se fosse um jovem de 18 anos (o que é deveras impressionante). E, como é sabido, tem uma classe de nível muito acima da liga portuguesa.
Enfim, o Benfica, que podia (e devia) estar agora sentado na liderança fica a um ponto de distância. Há que ir buscar a Alvalade os pontos que fugiram na Vila das Aves. Primeiro, claro, vencer o Estoril - que tem histórico de inconveniência nas deslocações à Luz.

PROCURAR ALGUMA LUZ NO MEIO DO NEVOEIRO

Trubin; Bah, Araújo, Otamendi e Carreras; Florentino, Aursnes e Kokçu; Di Maria, Amdouni e Akturkoglu.

UM PADRÃO QUE SE REPETE

Rui Vitória chegou ao Benfica em 2015 e fez duas excelentes épocas, alcançando o Tri e o Tetra respectivamente, juntando Supertaças, Taças da Liga e uma Taça de Portugal. Depois, o rendimento da equipa caiu a pique, chegando ao ponto de fazer exibições penosas diante de adversários manifestamente inferiores. Desperdiçou o Penta, e ia perdendo ainda mais um título. Saiu despedido, deixando a equipa em 4º lugar.

Veio Bruno Lage, que entrou com tudo, e fez uma segunda volta sensacional, praticamente só com vitórias - fossem elas em Alvalade, no Dragão, em Braga ou em Guimarães, com algumas goleadas pelo meio (até um 10-0 ao Nacional). Recuperou de uma desvantagem de sete pontos, e reconquistou espectacularmente o campeonato. Na temporada seguinte arrancou com 5-0 ao Sporting na Supertaça, e obteve uma impressionante série de 18 vitórias em 19 jogos, ameaçando recordes de Jimmy Hagan. Depois, o rendimento da equipa caiu a pique. Apenas duas vitórias em treze jogos ditaram o despedimento.

Regressou Jorge Jesus, que havia ganhado três campeonatos e levado o clube a duas finais europeias. A primeira época foi marcada pelo Covid. Mas na segunda arrancou em força, vencendo as sete primeiras jornadas e despachando o Barcelona por 3-0 na Liga dos Campeões. Depois, o rendimento da equipa caiu a pique. Acabou despedido por altura do Natal.

No início da época seguinte, já com Rui Costa na presidência, foi contratado Roger Schmidt para resgatar o futebol do Benfica das catacumbas onde havia caído. Vários jogadores foram dispensados. O plantel foi revitalizado. Com exibições excepcionais, obteve doze vitórias e um empate nos primeiros treze jogos, fez uma Liga dos Campeões extraordinária em quase fez sonhar com a final. Alcançou o 38º título com todo o merecimento. No ano passado as coisas começaram mal e acabaram pior. O rendimento da equipa caiu a pique. Após mais um início de época confrangedor, acabou despedido como os outros.

Voltou Bruno Lage. Entrou em grande estilo, obtendo oito vitórias consecutivas no campeonato, goleando o FC Porto e também o Atlético de Madrid na Champions. Nas últimas duas semanas, o rendimento da equipa caiu a pique.

A razão pela qual o Benfica só ganhou um campeonato desde 2019 passa por este texto. Qual é ela? Não sei. Mas apesar de as haver, não acredito em bruxas. E acho que Bruno Lage, como Jorge Jesus, e até Roger Schmidt são bons treinadores. O plantel tem sido genericamente o melhor do país (pelo menos o mais caro). O que se passa então? Falta de rigor? Pouco profissionalismo? Sabotagem? Compromissos por cumprir? Muito gostava de saber, até para não fazer críticas injustas a quem possa não ter quaisquer culpas. A única certeza que tenho é que, se o mal não for atacado de raiz, daqui a dois ou três anos podemos acrescentar mais dois ou três parágrafos a este texto, haverá mais dois ou três treinadores despedidos, quem sabe até mais um presidente, e o Benfica continuará a gastar mais dinheiro e a conquistar menos títulos que os seus rivais. Mesmo quando eles estão depenados e encostados às cordas, como é agora o caso.

ABAIXO DE ZERO

Inqualificável! Inaceitável!
Se a primeira parte tinha sido fraca, a segunda foi fantasmagórica. De longe, os piores minutos deste Benfica de Bruno Lage.
Até podia ter dado para ganhar 1-0. Não deu e, diga-se, o Benfica teve o que merecia, depois de um autêntico banho de bola do... AFS - que levou cinco do Porto, três do Sporting e foi eliminado da Taça pelo Lusitano de Évora.
Não há perdão para um jogo destes. Quando tinha todas as condições para chegar a Alvalade na liderança, o Benfica devolve a estabilidade aos rivais, de uma forma preocupantemente medíocre, e depois de se arrastar penosamente em campo durante minutos a fio, parecendo não saber onde estava nem o que tinha para fazer. 
Lamento, mas não consigo entender como um plantel pago a peso de ouro oferece apenas isto, num jogo em que era extremamente importante vencer. Não consigo entender a equipa titular, nem as substituições (Schelderup e Rollheiser para segurar um resultado??!!). Muito menos a atitude demonstrada por quase todos, em campo e no banco. 
A verdade é que os sinais estavam lá. Arouca, Vitória, Bolonha. Não os quisemos ver. Agora o cântaro partiu mesmo. Os avançados não marcam, o meio campo não domina, a defesa é permeável. Assim vai ser muito difícil. 
Se alguém no clube não percebeu a importância deste jogo, então está lá a mais. Este era o momento de fazer sangue nos rivais, de não os deixar reagir, de dar tudo por tudo pelos pontos, pela liderança, pelo aproveitar das circunstâncias do campeonato. 
Mas não... O que se viu foi um verdadeiro tiro nos pés (o futuro dirá se foi um tiro na cabeça). 
Assim, o Benfica não merece ser feliz. Não merece nada a não ser pena. Pena de ver tanto dinheiro esbanjado numa equipa que só funciona de vez em quando. 
E por falar em pena, desgraçados dos que foram ao estádio apanhar frio. Espero que desta vez ainda tenham força para assobiar. O que acabaram de ver não merece outra coisa.

PARA GANHAR AO AVS, AVES, AFS OU LÁ O QUE SEJA AQUILO

Trubin, Bah, Araújo, Otamendi, Beste, Florentino, Aursnes, Kokçu, Di Maria, Amdouni e Akturkoglu. 

AS CONTAS DO APURAMENTO

 

Se imperasse a lógica (ou, pelo menos, a minha lógica), o Benfica podia já nem necessitar de pontuar para chegar ao play-off. E aqui se percebe a importância do ponto conquistado diante do Bolonha (em futebol foram dois pontos perdidos, mas em matemática poderá ter sido um ponto ganho). 
Com a chave de resultados acima, que segue, grosso modo, a lógica dos rankings, o Benfica, com os dez pontos que tem, ficaria em 21º lugar, passando à fase seguinte.

Deixando modelos académicos e olhando apenas aos factos, é preciso dizer que Graz, E.Vermelha, Girona, Salznurgo, Y.Boys, Bolonha, Leipzig e Slovan já não podem, de todo, ultrapassar os encarnados na classificação final, enquanto Shakhtar e Sparta apenas podem igualar (sendo que precisariam de vencer os dois jogos que lhes faltam, contra Brest e Dortmund/ Inter e Leverkusen respectivamente, e ainda recuperar uma diferença negativa de 8 e 11 golos). Ou seja, há dez equipas que, objectivamente, não irão ultrapassar o Benfica. 
Por outro lado, há 14 equipas com mais de dez pontos. E há ainda Real Madrid, City e PSG, que têm menos de dez pontos mas...vão passar. Atendendo que há um Sporting-Bolonha e um Celtic-Young Boys, em nome do realismo tiremos também leões e escoceses das contas finais.
Podemos assim considerar 8+2=10 clubes mais ou menos eliminados, e 14+3+2=19 mais ou menos apurados. Sobram 36-19-10=7, dos quais cinco apuram-se, dois ficam pelo caminho. É aqui que está a grande batalha. Vejamos:
Para ser eliminado, o Benfica teria de ser ultrapassado por cinco dos outros seis clubes deste lote. É lícito pensar que Monaco e Feyenoord poderão pontuar. Já o Brugge tenho mais dúvidas (teria sido bom que o Sporting lhes tivesse ganho...). Enquanto o PSV teria de ganhar, ou em Belgrado, ou em casa ao Liverpool. Tal como o Zagreb, que joga em Londres e recebe o Milan. Já o Estugarda tem um jogo para chegar facilmente aos dez pontos, em Bratislava (esperemos que não goleie), mas depois recebe o PSG.
D.Zagreb, Brugge, PSV e Estugarda são pois os principais adversários a considerar. É preciso que dois deles terminem abaixo dos encarnados. 
Enfim, muitas contas que serão obviamente evitadas se o Benfica obtiver, pelo menos, um empatezinho nos dois jogos que lhe faltam.

A BOLA NÃO ENTROU

Se alguma coisa se pode apontar ao Benfica nesta noite de Champions é o facto de ter demorado demasiado tempo a perceber como podia ferir o adversário.
Na primeira parte o jogo não foi bonito. O futebol encarnado parecia engasgado, faltando sempre um qualquer detalhe para que os lances tivessem o desenvolvimento pretendido. Como todas as equipas italianas (à excepção, sejamos justos, do Atalanta), o Bolonha usou e abusou do cinismo táctico (mais à frente também do antijogo puro e duro, com o qual o árbitro compactuou). O seu treinador estudou bem a equipa de Bruno Lage e procurou neutralizá-la nos seus pontos críticos. Ainda assim, foram do Benfica as grandes oportunidades nesse período.
Na segunda parte, sim. Embalada pelo talento de Di Maria, assistiu-se a uma excelente exibição encarnada, à qual apenas faltaram golos – afinal de contas o mais importante. Frente ao Vitória de Guimarães houve menos remates, menos oportunidades, mas um instante de eficácia bastou para vencer. Com o Bolonha, alguma desinspiração de Pavlidis, e uma soberba exibição do guarda-redes contrário, mantiveram o nulo até ao fim.
É preciso dizer que o empate, neste caso concreto, foi muito diferente de uma derrota. Dez pontos até podem vir a permitir a qualificação. Nove torná-la-iam praticamente impossível. E o Benfica recebe o Barcelona e vai a Turim – ou seja, pode, muito logicamente, não pontuar mais. Tratou-se de uma oportunidade perdida para encarar com tranquilidade essas duas jornadas finais. Mas nada está perdido. Pelo contrário, continuo a apostar no apuramento para o play-off.
Já falei do árbitro. Num jogo sem casos, conseguiu estragar o espectáculo, e irritar os jogadores e as bancadas com uma gestão da disciplina, dos critérios e das paragens confusa e incoerente. Os cinco minutos de compensação fizeram-me rir.

PARA GARANTIR O APURAMENTO

Trubin, Bah, Araújo, Otamendi, Carreras, Florentino, Aursnes, Kokçu, Di Maria, Pavlidis e Akturkoglu.

TRÊS PRECIOSOS PONTOS

Foi uma vitória sofrida. Mas confesso que não esperava outra coisa.
Por um lado, havia a pressão natural de não poder perder a oportunidade dada pela crise do Sporting. Por outro, o Vitória de Guimarães é uma excelente equipa, tem feito uma época muito boa, e isso fazia deste jogo uma espécie de clássico - ou seja, teria de ser jogado como tal.
E foi. Não faltou intensidade e entusiasmo, embora em alguns momentos o Benfica continue a evidenciar uma certa permeabilidade nas transições defensivas. Que acredito possa ser corrigida nos próximos tempos. 
Tudo está bem quando acaba bem, e o que o jogo deixou foi uma vitória justa, que garante uma liderança virtual, a ser confirmada na partida que falta realizar na Choupana.
E quem diria? Neste momento o Benfica é provavelmente o maior favorito ao título. Se alguém dissesse isso há dois meses atrás, seria ridicularizado. É assim o futebol. 

ONZE PARA O(A) VITÓRIA

Trubin, Bah, Araújo, Otamendi, Carreras, Florentino, Aursnes, Rollheiser, Di Maria, Pavlidis e Akturkoglu. 

SÃO NÚMEROS

 NOTA: dados apenas relativos ao campeonato.

MAIS PERTO

A grande notícia da jornada foi mesmo a derrota do Sporting, e a aproximação do Benfica à liderança do campeonato. Já dependia apenas de si próprio, mas quanto mais perto, melhor.
Quanto ao jogo de Arouca, não há muito para contar. Uma exibição assim-assim, uma vitória natural, que podia, e talvez devesse, ser menos sofrida. Afinal de contas o Arouca não é o Mónaco. Sofrer com um não é equivalente a sofrer com outro.
Uma palavra para Lage, pois já é tempo de lhe reconhecer o mérito. No campeonato conta por vitórias os jogos realizados, e leva números impressionantes. Quando a direcção comete erros toda a gente dispara fogo. Quando acerta, ninguém diz nada. A opção Lage foi acertadíssima. Se o Benfica será campeão ou não, isso é outra história, pois partiu de uma desvantagem de cinco pontos.
Outra palavra para Di Maria. Esta é simples: renovação.

ONZE PARA AROUCA

Trubin, Bah, Araújo, Otamendi, Carreras, Florentino, Aursnes, Kokçu, Di Maria, Pavlidis e Akturkoglu.