NOTAS SOBRE UM TÍTULO

O MENTOR:
Quando, na sequência da sua retumbante vitória eleitoral, disse que este mandato seria dedicado à vertente desportiva, houve talvez quem não acreditasse.
O que é facto é que, mesmo sem Liga dos Campeões, mesmo sem venda de jogadores, o Benfica surgiu fortíssimo no mercado, conseguindo, fruto de uma gestão inovadora e corajosa, construir um plantel como há muito tempo não se via. Se foi um risco, há que dizer que resultou em petisco.
A escolha do treinador, da sua responsabilidade pessoal, foi o golpe certeiro que restava para que o Benfica dispusesse, enfim, de todas as condições para se tornar campeão.
Este título tem pois o seu dedo, e a sua marca. Se apenas faltavam sucessos desportivos para colorir a sua presidência, ora aí estão eles.

O OBREIRO:
O que mais impressiona em Jorge Jesus é a tremenda confiança que consegue transmitir a todos (equipa e adeptos). Exemplo disso foi a afirmação, categórica, de que iria ser campeão nacional, e que, com ele, os jogadores do Benfica renderiam o dobro. Disse-o na conferência de imprensa de apresentação, e não foi preciso esperar muito tempo para se perceber que falava a sério.
Soube organizar rapidamente a equipa, dotá-la de um modelo de jogo, construir um onze-base (que depois se foi abrindo a mais dois ou três jogadores), e pô-la a praticar um futebol espectacular. Tudo o que Quique Flores não conseguira.
Recuperou jogadores caídos na apatia (Aimar, Carlos Martins), fez explodir jovens talentos (Di Maria, David Luíz), e até de nomes improváveis como Weldon conseguiu extrair futebol e golos.
Com uma pré-época impressionante (já nem me lembro da quantidade de troféus conquistados), este seu Benfica impôs-se com grande rapidez e autoridade, deixando antever, desde logo, grandes conquistas. O título acabou por ser o corolário natural de todo um processo quase perfeito.

A FIGURA:
A escolha é difícil. A época foi longa, e com distintos e variados protagonismos (Ramires nas primeiras jornadas, Saviola a meio do campeonato, David Luíz em muitas ocasiões, os golos de Cardozo etc).
Mas se atendermos à preponderância na equipa, à regularidade exibicional ao longo de todos estes meses, e aos momentos singulares de classe proporcionados, creio que não será errado considerar Di Maria como a figura cimeira deste Benfica e, consequentemente, do campeonato.
Em grande parte dos jogos foi um autêntico diabo à solta, que nenhuma defesa conseguia segurar.
Confesso que cheguei a duvidar da sua capacidade, mas esta época mostrou finalmente o nível que o seu talento anunciava. Infelizmente, é já jogador demais para o futebol português. Poderá em breve tornar-se num dos quatro ou cinco melhores do mundo.

O MOMENTO:
Uns referem o jogo com o Sp.Braga, outros a vitória sobre o FC Porto na primeira volta, Jorge Jesus falou também do difícil triunfo na Choupana. Todos esses foram naturalmente momentos chave da prova, até porque, nos dois primeiros casos, estávamos perante confrontos directos que poderiam ter alterado substancialmente o rumo dos acontecimentos.
Embora tenha acreditado neste Benfica desde os jogos da pré-temporada (e escrevi-o aqui na altura, chamando a atenção para a grande equipa que se estava a formar), houve contudo uma jornada a partir da qual passei a ter a convicção plena que este seria mesmo o ano da águia. Falo do fim-de-semana em que, vencendo em casa o Paços de Ferreira, os encarnados viram o Sp.Braga empatar no Bonfim, passando assim para uma distância de 3 pontos, e o FC Porto empatar em casa com o Olhanense, ficando a 11 pontos e praticamente fora da corrida pelo primeiro lugar.
Foi aí o meu clique do título. Até aí, ganhar o campeonato seria um sonho, a partir daí, perdê-lo seria uma tremenda desilusão.

É TÃO BOM VÊ-LOS ASSIM...

Só para ver a cara de Guilherme Aguiar no “Dia Seguinte”de ontem, e imaginar a de Miguel Sousa Tavares quando escrevia o inenarrável artigo de hoje para ”A Bola”, já valia a pena ter sido campeão.
Que azia…

UMA CONVOCATÓRIA À QUEIROZ

Não me apetece muito escrever sobre a selecção. O título conquistado pelo Benfica ainda me ocupa a mente e a alma, e só mais perto do Mundial me irei preocupar com a equipa de Queiroz.
No entanto, como a actualidade o impõe, faço desde já um comentário à convocatória. E esse comentário poderia resumir-se a uma simples palavra: patética.
Eu diria mesmo que esta foi uma convocatória à Queiroz, como tudo o que isso significa de mau, de hermético, de incompreensível, de experimentalista.
Vejamos ponto por ponto:
1) Começando pela baliza, e embora não goste do personagem, entendo e aceito a convocatória de Eduardo. O que de todo não se compreende é como Quim, titular indiscutível da equipa campeã nacional, é preterido em função do suplente do FC Porto (que, estranhamente, jogou os últimos jogos, o que faz supor que a decisão da sua chamada não tenha sido tomada apenas pelo seleccionador). Por outro lado, convocar Daniel Fernandes (que eu nem sei bem quem é) e deixar de fora Rui Patrício e Hilário é coisa que também só lembraria a este professor. Enfim, inacreditável.
2) Pelas minhas contas estão dez (!!) defesas na lista, e apenas dois pontas-de-lança. Se, por infelicidade, um deles se lesionar, o esquema táctico de Portugal ficará desde logo limitado a uma opção, salvo recorrendo a desnecessárias adaptações. Sempre pensei que entre Nuno Gomes, Edinho, Makukula ou Yannick, alguém mais fosse convocado para a frente de ataque. Queiroz acha que Liedson e Hugo Almeida, ambos longe da melhor forma, são suficientes. Oxalá o sejam.
3) Ricardo Costa e Zé Castro (para já não falar de Duda) não têm categoria para representar a selecção portuguesa. É claro que, com Queiroz, já lá vimos Antunes, Eliseu, Gonçalo Brandão, Orlando Sá, e outros, pelo que nada mais nos pode surpreender. Brincar as selecções é um passatempo que nos vai sair caro.
4) Com ironia, quase seria capaz de estranhar a ausência de Miguel Lopes da lista. É que para Queiroz basta ser português e jogador do FC Porto para ter lugar assegurado nas convocatórias. Só lá não estão Varela e Ruben Micael porque se lesionaram, senão veríamos uma selecção à base da equipa que ficou em terceiro lugar no campeonato, e levou 5-0 do Arsenal. Se Rolando nunca percebi o que tinha feito para ser seleccionável (a não ser talvez umas exibições mais dóceis quando estava no Restelo e enfrentava a futura equipa), para convocar Beto as razões encontram-se provavelmente num célebre Leixões-FC Porto da época passada. Já agora, pois, porque não o Miguel Lopes, que até jogou mais minutos que o Paulo Ferreira? Ninguém lembrou isso ao professor?
5) A exclusão de João Moutinho é estapafúrdia sob o ponto de vista futebolístico (até porque também não está Maniche), mas é também mais um rude golpe na popularidade desta equipa. Depois de afrontar os adeptos do Benfica, deixando de fora Quim, Carlos Martins, Ruben Amorim e Nuno Gomes, Queiroz parece pretender fazer o mesmo aos do Sporting, não convocando o seu capitão. Pode argumentar-se que Scolari também chocou de frente com o FC Porto. Acontece que se tratava de uma minoria. Não sei que representatividade terá uma selecção sem o apoio de grande parte de benfiquistas e sportinguistas. E Fábio Coentrão ainda pode ser o excluído.

Em suma, este seleccionador conseguiu a extraordinária proeza de me fazer desinteressar quase por completo da campanha portuguesa no Mundial. Não do Mundial em si, que esse está bem gravado no mapa das minhas paixões (desde o Argentina 78, e do Espanha 82, curiosamente, ambos sem Portugal), mas da prestação de uma equipa pela qual não aposto um pau de fósforo queimado.
Não deixarei, obviamente, de desejar a vitória portuguesa, mas, pelo menos por agora, não sinto qualquer tipo de entusiasmo com esta pseudo-selecção (na qual, somando todos os jogadores, treinadores e dirigentes, apenas sete figuras me são minimamente simpáticas).
Não acredito na maioria dos convocados (muitos sem qualquer qualidade, e alguns escolhidos por critérios extra-futebol), e muito menos neste medíocre treinador, que só um golo da Dinamarca à Suécia salvou de nos conduzir a uma tremenda humilhação, e que seria a sua terceira qualificação falhada.

DIGAM 32!

Ninguém terá dificuldade em acreditar que, nos quatro anos que “Vedeta da Bola” leva de vida, este será provavelmente o post que mais prazer me dá a escrever. Paradoxalmente é também um dos mais difíceis de articular, pois as emoções são muitas e ainda estão à flor da pele, após uma noite mal dormida mas inesquecivelmente bela.
O Benfica é campeão. É um justíssimo campeão, a quem só o fanatismo mais radical poderá retirar mérito.
É campeão porque tem a melhor equipa, tem os melhores jogadores, tem o melhor treinador, jogou o melhor futebol, marcou mais golos, venceu mais jogos, fez mais pontos e até conseguiu vencer o duelo dos goleadores. Não há um único aspecto futebolístico neste campeonato em que o Benfica não se tenha superiorizado a todos os adversários. E fê-lo quase sempre de forma clara e inequívoca.
Só a surpreendente carreira do Sp.Braga evitou que esta competição cedo se tivesse tornado um passeio benfiquista. A qualidade do futebol e a consistência revelada pelo conjunto de Jesus (15 vitórias nos últimos 17 jogos) justificavam uma consagração menos sofrida, mas o futebol vive também das suas circunstâncias, e este fortíssimo Braga surgiu (para sua própria infelicidade) precisamente nesta época, e não numa das anteriores, nas quais, com os pontos agora obtidos, teria conquistado o título.
Temia este último jogo, e disse-o aqui. Surpreenderam-me portanto algumas manifestações de festa antecipada com que deparei à chegada ao estádio, onde percebi que a família benfiquista estava com a confiança em alta. Foram essas manifestações de confiança que contribuíram para aliviar a minha tensão. O golo de Cardozo logo aos dois minutos, seguido da expulsão de Wires, representaram o golpe quase definitivo na ansiedade – na minha e, seguramente, na dos jogadores.
Só na segunda parte, com o inesperado golo vilacondense, o nervosismo voltou. Contudo, novo golo de Cardozo, garantindo-lhe a “Bola de Prata”, devolveu de pronto a festa à Luz. O dia era mesmo do Benfica, que não precisou de uma grande exibição para escrever uma das mais belas páginas da sua história recente.
No fim foi o que se viu, mas sobretudo o que se sentiu. E isso, caros leitores, eu não consigo descrever. Mas muitos de vós sabem bem do que se trata.
A postura de Luís Filipe Vieira após o jogo mostra a elevação com que também se pode saber vencer (algo que, em Portugal, há algum tempo não se via). Não é um título ganho contra ninguém, disse. A mim, pessoalmente, custa-me bastante a esquecer tudo o que foi feito, e foi dito, para perturbar a caminhada benfiquista. Custa-me desde logo a esquecer o que se passou na semana passada (e a espaços repetido na noite de ontem), mas custa-me também a perdoar as infelizes declarações de Domingos Paciência, que desde a pré-temporada até à conferência de imprensa final, nunca perdeu uma ocasião para destilar veneno sobre o Benfica.
Mas, enfim, tudo está terminado, e terminado em bem. Deixemos para trás as menoridades. Pensemos no futuro.
O desafio para a próxima época é enorme. Para além presença na Liga dos Campeões, o Benfica tem pela frente a responsabilidade de alimentar o novo ciclo que acredito ter agora iniciado. Só ganhando mais campeonatos poderá cumprir o verdadeiro objectivo que persegue: recuperar a hegemonia no futebol português. Por isso, o próximo campeonato será ainda mais importante que este. Por isso, a gestão deste defeso terá de ser extremamente cuidadosa.
Para já, ainda é hora de continuar a festejar.
Viva o Benfica !

PS: O Benfica sagrar-se campeão nacional já seria motivo de sobra para um estado de euforia total. Juntar a isso a subida de divisão do Juventude de Évora, consumada no mesmo dia (vencendo o Farense no Estádio do Algarve), é algo de absolutamente extraordinário, e que dificilmente se irá repetir na minha vida.
Deixo uma foto da equipa eborense, em homenagem aos jogadores que materializaram este sucesso.

CARTA ABERTA AOS JOGADORES DO BENFICA

A ti, Quim,
És o melhor guarda-redes português, e nem precisas de o voltar a mostrar. Não terás muito trabalho, mas sei que estarás, a cada segundo do jogo, esperando que a bola chegue até ti para a agarrares com o íman que pareces ter nas luvas.
Tens experiência, já foste campeão. Pela tua qualidade, e pela tua frieza, nenhum benfiquista se preocupa contigo.

A ti, Maxi,
Tens a raça dos campeões. Levas já um campeão dentro de ti, pela forma como te entregas ao jogo. Só tens de fazer o que sabes, com a alma de sempre. Com o ritmo de sempre. És dos que nunca falham. Todos o sabemos.
Cuidado com as faltas. O árbitro não é de confiança.

A ti, Luisão,
De um grande capitão, de um dos melhores centrais do mundo, de um jogador da selecção brasileira, espera-se liderança, tranquilidade e classe.
Já foste campeão, já ganhaste troféus, já escreveste história neste clube. Este será mais um jogo importante na tua carreira, como aqueles que farás no Mundial, como outros que já fizeste no clube. E até talvez marques o habitual golinho dos grandes momentos…

A ti, David,
Foste dos melhores do campeonato, és dos centrais mais cobiçados na Europa. Sei que respiras confiança. Que estás desejando que o jogo comece.
Sei que não tens medo de nada, mas…olha, não precisas de te entusiasmar muito pelo campo fora. Lembra-te que até nos chega o empate, e se não sofrermos golos, seremos campeões.
Cuidado com as faltas. Toma atenção ao Bruno Gama.

A ti, César,
Todos os benfiquistas confiam em ti. És internacional, já foste até campeão da Europa. Jogaste uma enormidade contra o FC Porto, na primeira volta. Só tens de fazer o mesmo, dando tudo, em raça, e em concentração, para fechares bem o teu corredor.
Este pode ser o jogo da tua vida. Agarra-o com força.

A ti, Airton,
És o rapaz das finais. No Flamengo, depois no Algarve, agora na Luz. Ganhaste as outras duas, e vais ver que ganhas esta também.
Todos confiamos absolutamente em ti. Trazes a marca dos campeões.
Sempre que jogaste ninguém se lembrou do Javi. É simples, não é? Basta fazeres o que sabes. E já sabes muito.
Cuidado com as faltas.

A ti, Ramires,
Estás cansado de dezenas de jogos sucessivos. Mas este é um dia especial. É só mais um jogo, só mais noventa minutos. São os últimos. Depois terás tempo para descansar até ao Mundial.
Jogues à direita, ao meio ou à esquerda, sei que vais cumprir a tua missão. Sem o Di, serás ainda mais importante neste jogo.
És um jogador para os grandes momentos. Este é um grande momento.

A ti, Pablo,
A ti quase não precisava de dizer nada. És um craque, habituado a grandes jogos, a títulos, a tudo. Sabes tudo da tua função.
Pressão? Qual pressão? Pressão foi na semana passada, quando quase levaste com uma pedra em cima. Agora estás em casa.
Já ganhaste na Argentina, em Espanha, este poderá ser apenas mais um ponto alto da tua carreira.
É a última partida da época, não tens de te poupar a nada.
Creio que vais brilhar, e vais ser o homem do jogo. Este jogo é para ti.

A ti, Ruben,
Tens o Mundial à porta, e a oportunidade de seres convocado.
Pensa nisso. Pensa em fazeres o teu trabalho com o maior rigor possível, como fazes sempre que és chamado. Lembra-te também que podes ficar na história do nosso Benfica.
É nestes momentos que os verdadeiros craques se assumem. E todos sabemos que tu és um craque à procura de títulos.

A ti, Carlos,
Pode ser esta a tua consagração. Depois de tantos anos, podes enfim tornar-te o campeão que o teu talento sempre justificou.
Tens magia nos pés, e estou certo de que, se jogares, vais deixar a tua marca de classe.
Ainda há esperança de ires ao Mundial. Joga concentrado, e com a calma dos campeões. Lembra-te também que o jogo tem 90 minutos, e que todos eles, até final, são importantes.

A ti, Weldon,
Não sei se vais jogar, mas sei que se jogares, vais com certeza marcar um golito, vais fazer aquelas arrancadas junto à linha, vais fazer vibrar as bancadas que soubeste conquistar com o teu trabalho.
Estão 65 mil contigo. Depois dos golos da Figueira e de Coimbra, já ninguém tem dúvidas sobre o teu valor. Ninguém te exige nada, mas este pode ser o grande dia da tua carreira.

A ti, Javier,
És, provavelmente, o melhor jogador da Liga. Mostraste-o antes de te lesionares.
Tens experiência de selecção, de River, de Barça, de Real. Tenho a certeza de que para ti, disputar um título, será como beber um copo de água.
Este é o último jogo da época. Aproveita-o para mostrar que és o melhor. Aproveita-o para deixares a tua marca final. O Benfica precisa muito de ti. Os adeptos adoram-te. Esta é a tua família. Ajuda-a a vencer.

A ti, Óscar,
Por favor, esquece completamente a lista dos marcadores. Ela não vale nada se comparada com a conquista de um título. Ninguém te dará sequer os parabéns se o título nos escapar. Se fores campeão, aí sim, serás um herói, mesmo que alguém marque mais um golo do que tu.
Sei que ainda tens dores. Mas este é o último jogo, o último sacrifício. Depois poderás recuperar tranquilamente até ao Mundial.
Já sabes que, mesmo que falhes um ou dois, marcarás o terceiro (já lá vão 87, eu contei-os). Sempre foi assim. E assim será. E se não marcares nenhum, outro marcará por ti.
E se houver penáltis, contamos contigo. Desde que estás cá, em 25 converteste 21.

A todos vós,
Vocês são uma grande equipa. Das melhores da história recente do futebol português. Aconteça o que acontecer, não deixarão de a ser. Aconteça o que acontecer, ninguém vos irá acusar de nada. Fizeram uma grande época, um excelente trabalho, que agora pode ter a sua consagração final. A consagração que só se alcança com a tranquilidade e a confiança própria dos grandes campeões, como vocês.
Estão perante a hipótese de entrar para a imortalidade deste grande clube. Estão perante a hipótese de se tornarem os heróis de seis milhões de pessoas. Vale a pena aproveitá-la.

FRASE DA SEMANA

"Aquilo foi um frango, um Coelho ou um polvo?"
Do meu amigo Pedro F.Ferreira, na Benfica TV, referindo-se ao golo do Sp.Braga na última jornada.

BALANÇO INCOMPLETO

UM ÚLTIMO OBSTÁCULO

Tinha aqui escrito que temia a nomeação de Jorge Sousa. Pois inacreditavelmente, será ele mesmo o árbitro do jogo que decide o título.
Esta nomeação é indecorosa, e deixa claramente a ideia de que a Comissão de Arbitragem não quer ver o Benfica campeão. Junta-se-lhe, aliás, uma outra: a de Carlos Xistra para o Nacional-Sp.Braga, o que significa que por lá, na Choupana, o assunto está desde já arrumado, com uma mais do que certa vitória do clube de Mesquita Machado e Carlos Freitas.
Se perguntassem ao universo benfiquista qual seria o árbitro que não queriam mesmo ver na Luz, estou em crer que 90% responderia, sem hesitar, Jorge Sousa. Isso, por si só, seria suficiente para que o bom senso desaconselhasse tal escolha, quando estamos em face de tão importante jogo.

Vítor Pereira deixou cair a máscara justamente no momento da despedida. Se dúvidas haviam, estas nomeações provam, no mínimo, um desnorte completo. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, e o presidente da Comissão de Arbitragem acaba de a enfiar até ao pescoço.
Acontecerá uma de duas coisas: ou Jorge Sousa, antigo membro dos Super Dragões, é realmente desonesto (coisa que não posso afirmar com segurança, embora reserve opinião sobre o assunto), e tudo fará para complicar a vida aos encarnados; ou, pelo menos, vai entrar sob grande pressão nesta partida, tendo muito mais condições para errar do que, arrisco a dizer, qualquer outro árbitro do quadro principal. Tanto uma como outra hipótese são de susto.
Como esquecer o golo anulado a Luisão em Braga? Ou o penálti de Evaldo no mesmo jogo? Como esquecer os penáltis por assinalar no Bonfim? Ou a impunidade de que gozou Bruno Alves na final da Taça da Liga? Como esquecer o histórico do Benfica com este senhor (3 vitórias em 14 jogos nas últimas três épocas, 9 penáltis por assinalar nesse período)? Como é possível vê-lo num jogo destes?
Resta ao Benfica fazer o seu papel, e superiorizar-se a todas as contrariedades. Depois de se ver privado de três titulares, vai agora ter de enfrentar o adversário que mais pontos lhe retirou neste campeonato. Além das ausências, além do Rio Ave, eis agora este perigoso opositor, justamente aquele que os benfiquistas mais temiam.
Domingos Paciência lá saberá porque ri. Se calhar ri de todos nós.

O MEU ONZE, A MINHA ESPERANÇA

…e faltam ainda três dias, três longos dias.
Avanço com aquele que me parece ser o melhor onze para disfarçar as ausências, com Ramires a tentar fazer de Di Maria - o caso mais bicudo, pois o substituto natural, Fábio Coentrão, também fica de fora (que pena Urreta estar tão longe).
De Airton não creio virem problemas de maior. De Peixoto temo alguma falta de ritmo, e o facto do irrequieto Bruno Gama cair nesse flanco. Mas David Luiz dará certamente uma ajuda, até porque não me espanta se Carlos Brito não colocar nenhum ponta-de-lança de início, optando por reforçar o meio-campo.

Acredito que o Rio Ave vá apenas jogar futebol. Não tem nada a ganhar nem a perder, e posso estar enganado mas não me parece clube, nem equipa, para servir interesses de terceiros, sejam eles quem forem. Vai naturalmente fazer o seu jogo com dignidade, o que passa por tentar pontuar. Quanto ao árbitro, só espero que não se lembrem do Jorge Sousa, nem de ninguém da AF Porto.
Tenho ainda de dizer que me enerva profundamente o sorriso ultra-confiante de Domingos Paciência, que parece sempre saber alguma coisa que mais ninguém sabe.
O Boavista foi na sua altura apontado como um caso de sucesso. Sempre desconfiei. Mais tarde veio a verificar-se que se tratava afinal de um antro de corrupção e doping.
Lamento, mas não acredito em milagres. E este Sp.Braga, mesmo que a sorte o venha a bafejar no domingo, não me convence. Em nada.

EU, BENFIQUISTA, ME CONFESSO

Passaram apenas três noites desde o jogo do Dragão. Uma eternidade.
Ainda faltam passar mais quatro até domingo. Outra eternidade.
Sete penosas noites, sete penosos dias.

Esta é, provavelmente, a mais longa semana da minha vida.
Adormeço a pensar no Rio Ave, acordo a pensar no Rio Ave.
Vivo e trabalho com um fantasma às riscas verticais verde e brancas diante de mim, a perturbar-me o espírito, a consumir-me a alma.
Não tenho fome.
Tenho sim pesadelos com o Bruno Gama, com o Bruno Moraes, e até com o Chidi.
E, sobretudo, com uma inesperada festa azul e verde a inundar o país no domingo à noite.

Não. As coisas não podem correr mal. Afinal estarão onze craques no relvado, 65 mil a gritar nas bancadas, e milhões lá fora a torcer com muita fé.
Basta um empatezinho, mesmo daqueles que normalmente nos deprimem, e satisfazem visitantes.
Desta vez chega um desses empatezinhos, como os daqueles dias em que nada bate certo, em que o raio da bola se recusa a entrar.
E, se tudo o resto falhar, se tudo desgraçadamente falhar, se até esse empatezinho nos quiser fugir, ainda sobra uma remota esperança situada lá pelo Atlântico.
Que diabo, seria preciso muito azar...Muito azar mesmo.

Mas...são onze de cada lado.
Onze profissionais de futebol, uma bola redonda, e duas balizas do mesmo tamanho. E se ela, a bola, entrar na baliza errada?
Temo uma dramática demonstração da Lei de Murphy, temo um “Maracanazzo” à portuguesa, temo os nervos a tolher as pernas dos jogadores. Temo as ausências do Fábio, do Di e do Javi, temo a lesão do Óscar. Temo a inspiração do guarda-redes adversário. Temo a arbitragem. Temo, sobretudo temo. Temo muito. Temo tudo. Aterrorizadamente.

Mas não, não pode ser.
Em catorze jogos em casa o Benfica empatou um e venceu os restantes. Foi sempre a melhor equipa. É a melhor equipa. Muito melhor que todas as outras. Quem é afinal o Rio Ave?
Não. Nada pode falhar. Nada vai falhar.

E os dias não passam.
É terrível a angústia do adepto no momento da incerteza. Sabendo apenas que, dentro de quatro dias e quatro noites, ou irá poder dançar sobre as doces nuvens do paraíso, ou cairá desamparado nos mais profundos alçapões do inferno, não havendo quaisquer terceiras vias por onde escapar.

Mas não. As coisas não podem correr mal.
O Rio Ave tem dois centrais lesionados, há oito jogos que não ganha, e nesses só marcou um golo. Há cinco partidas que não mete uma só bola dentro de qualquer baliza. Como poderá marcar a Quim, ao grande Quim? Como? Além disso nunca ganhou na Luz, e a história sempre tem algum peso nestas coisas. E os 65 mil? E os 6 milhões?
Não. Nada pode falhar.

O futebol não nos devia fazer passar por isto. Mas faz.
Aperta o coração, brinca com as nossas emoções, divertindo-se, ele, sarcasticamente, à custa do nosso sofrimento. Se os jogadores do Benfica entrarem em campo com metade desta terrível ansiedade de adepto, estaremos todos perdidos. Nós e eles, ou eles e nós, o que vem a dar no mesmo.

Mas confio naquela gente. Em todos eles. Nos que jogam sempre, mas também no Airton, no César, no Weldon, no Carlos, no Ruben, no Nuno, e até no Pedro se for preciso. Se foram capazes de coisas fantásticas, se foram intérpretes de tantas sonatas, não iriam cair do palco agora que o pano já desce e a apoteose os espera. São fortes, muito fortes, e não vão tremer. São campeões. Vão ser campeões. Vamos ser campeões.

Ainda faltam quatro noites e quatro dias.
Quatro noites e quatro dias de inquietação e agonia. E depois, mais noventa minutos de arrepiar a espinha. Como resistirei? Como resistiremos?
Tudo em noventa minutos. Uma vida em noventa minutos. Tinha razão o Shankly. Se calhar até mesmo a Florbela, quando escreveu:
Minha alma de sonhar-te anda perdida,
Meus olhos andam cegos de te ver,
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida

E a vida, essa vida, pode mesmo acabar alí. Ou não. Como numa roleta russa em que sabemos haver uma bala, mesmo que uma só bala, para nos liquidar.

Força Benfica! Que tenhas mais força do que eu para viver os dias que faltam até nos voltarmos a encontrar na tua casa. Na nossa casa.
E lá, que Deus nos ajude a agarrar aquilo que é nosso. Depois…depois não haverá amanhã que cale a nossa alegria.

A VIOLÊNCIA TEM UM ROSTO

Tudo o que se passou em redor deste FC Porto-Benfica merece uma ampla reflexão, mas não pode deixar de originar também alguma reacção, nomeadamente, numa primeira instância, das autoridades de segurança, e num plano mais vasto, do próprio poder político.
Ao contrário do que certa comunicação social – receosa de, tomando uma posição clara, perder vendas, notícias ou simplesmente a sua tranquilidade - insiste em afirmar, não se tratou de uma luta entre claques, mas sim de actos premeditados e organizados de emboscada, intimidação, violência e terrorismo, perpetrados por adeptos do FC Porto, e patrocinados, pelo menos com silêncio cúmplice, pelos principais dirigentes do clube, à cabeça dos quais, naturalmente, o seu presidente. São estes os responsáveis por aquilo a que o país assistiu incrédulo, e que agora se pretende desculpabilizar num inenarrável comunicado (estilo “labaredas” ou "Pato") que utiliza acontecimentos de há quinze anos para justificar a violência das vésperas, falando descaradamente de dimensão moral, o que num clube cujo presidente recebe árbitros em casa antes dos jogos, os presenteia com fruta e chocolate, lhes paga viagens ao Brasil, e foi condenado por corrupção desportiva, só pode ser para rir.
Se na final do Algarve a diferença de comportamentos entre os adeptos dos dois clubes apenas deixara dúvidas a quem lá não estivera, agora, perante imagens televisivas inequívocas, só por má fé se pode falar de “claques" ou de “adeptos” no plural. O que esteve em causa foi uma mobilização quase para-militar de toda a estrutura portista (começando, desde logo, nos seus dirigentes) para receber o Benfica da forma mais hostil possível, procurando com isso - e, infelizmente para o desporto, conseguindo-o – condicionar a equipa da Luz, impedindo-a por todos os meios possíveis de disputar o jogo com normalidade.
Pretendiam vingança, diz-se. Mas vingança de quê? Do Benfica ter uma equipa extraordinária? De perderem o campeonato ao fim de quatro anos? De quê afinal?
Dizem-se revoltados. Mas revoltados com quem? Com a Comissão Disciplinar da Liga, provavelmente. Mas independentemente de terem ou não motivos para isso (e a meu ver não têm), e da instância superior até lhes ter dado razão, não era o Dr.Ricardo Costa que seguia no autocarro, nem estava nas bancadas, nem na sala de imprensa, nem nos camarotes, nem no relvado, nem nas Casas do Benfica cobardemente vandalizadas.
É o poder centralista de Lisboa, dizem outros. Mas o que tem o Benfica a ver com ele, quando há dois grandes clubes na capital, e quando existem adeptos e sócios benfiquistas espalhados por todos os cantos do mundo.

“Guerra é Guerra” disse um dia Pinto da Costa a Eriksson, quando, em 1991, se passou algo semelhante. Com uma diferença notável: nesse longínquo dia (e já então o presidente portista sabia muito bem como organizar estas operações) o FC Porto disputava o campeonato directamente com o Benfica, e como naquela casa sempre valeu tudo para vencer, até se percebia a estratégia. Desta vez tratou-se apenas de ódio, puro e duro, e as suas manifestações foram muito para lá do balneário, do túnel ou mesmo do estádio. Começaram nas emboscadas em prédios e viadutos na A1 e na linha de comboio, passaram pela bárbara agressão a duas mulheres sozinhas que seguiam no seu carro com adereços do Benfica, e ninguém sabe como poderiam ter terminado caso o resultado do jogo tivesse sido outro, e os benfiquistas pretendessem naturalmente comemorar ali o título, como era seu direito.
Há um aspecto que importa discutir, até mesmo no interior do clube da Luz, e que se prende com o facto - a meu ver incompreensível - do Benfica ser objecto de tanta hostilidade, não só no Porto, mas também, por vezes, em Braga, em Guimarães e em muitos outros locais, sobretudo do norte do país, ódio esse que só encontra paralelo na forma incondicional como tantos milhões de pessoas o amam calorosamente. Se quando está a ganhar até podemos imputar as causas à inveja ou ao ciúme, enquanto esteve a perder (e ainda foram alguns anos) não era fácil encontrar razões lógicas para tal atitude. Mas esse tema (interessantíssimo no plano sociológico e da psicologia de massas) fica para outra altura, pois se ninguém é obrigado a gostar do Benfica, todos estão obrigados a comportar-se dentro dos limites da lei, e isso, manifestamente, não aconteceu.
Recuso-me a aceitar que a cidade do Porto, a cidade de Siza Vieira, de Manoel de Oliveira, das Francesinhas, da Ribeira, da Rua de Santa Catarina, do Douro, e de alguns amigos que por lá tenho, se tenha tornado numa espécie de Palermo, onde as forças de segurança, as autoridades judiciais e todas as estruturas de poder político estejam tomadas pela influência de um padrinho mafioso e criminoso. Mas as evidências remetem-me cada vez mais para essa infeliz conclusão. E nem é preciso falar do Benfica para se chegar lá – fale-se de Co Adriaanse, de Paulo Assunção, de Costinha, de Ricardo Bexiga, de algumas decisões de tribunais portuenses, do comportamento de alguns agentes da PSP, de cães envenenados, ou das noites brancas (não as de Dostoievski, mas as de Bruno Pidá), e percebe-se, há demasiado tempo, que algo de muito grave se passa.
Há de facto no Porto um perigoso fenómeno de manipulação de massas (adeptos imbecis, iletrados e carneirizados ao serviço da ideologia que Pinto da Costa trouxe para o desporto) e de crime organizado (não tenhamos medo das palavras), que urge combater e desmantelar, antes que seja tarde demais. E o primeiro passo para isso não poderá ser confundir tudo, misturando lutas entre claques, ou comportamento desordeiro de alguns adeptos (coisa que de facto acontece em todo o lado), com estes episódios a que agora assistimos, e que remetem para um âmbito muito mais vasto, a tocar nas fronteiras do terrorismo.
Quando vejo a atitude complacente da maior parte da comunicação social (salvo honrosas excepções) para com os verdadeiros responsáveis pelo que se passou, quando vejo altos responsáveis políticos (temerosos, bajuladores, reverentes) sentados ao lado de Pinto da Costa, temo que tenhamos de esperar pelo desaparecimento físico do presidente do FC Porto (autor, pelo menos moral, de tudo o que se passou) para toda esta estúpida gente perceber enfim aquilo que andou a fazer, uns por actos, outros por omissões. Se o futebol e o desporto em Portugal resistem até lá? Essa é a minha maior dúvida.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Escrevi a crónica do jogo a quente, praticamente sobre o apito final, e a verdade é que me escapou um lance que na altura, em plena emoção do jogo, não havia revisto devidamente.
Na área portista Hulk cortou com a mão um livre batido sobre a meia-direita. Seria penálti.

FC PORTO-BENFICA
Além desse lance, Olegário Benquerença despistou-se por completo no plano disciplinar, penalizando as duas equipas, mas condicionando sobretudo o Benfica logo na fase inicial, e dizimando-o para o jogo com o Rio Ave.
Conforme já disse, o cartão amarelo mostrado a Di Maria é absurdo, e retira o jogador do jogo final. Também o de Javi Garcia me pareceu exagerado, e também ele fica de fora da próxima e derradeira partida. Não me custa a admitir que o segundo amarelo a Fucile também seja excessivo, mas a verdade é que o jogador deveria ter sido expulso aos 17 minutos, quando, aí sim, fez uma falta que lhe valeria o segundo cartão.
Os restantes amarelos foram bem mostrados, e o lance duvidoso em que Maxi Pereira cai na área também não me parece dar motivos para penálti.
Quanto ao segundo golo do FC Porto, se o mesmo fosse na outra baliza teríamos os Guilhermes Aguiares deste mundo a vociferar por fora-de-jogo, puxando pelo braço, pelo pé ou pelo cabelo dos jogadores para justificar a opinião. Para mim está mais ou menos em linha, e quando assim é o fiscal deve deixar prosseguir o lance.
Resultado Real: 3-2

SP.BRAGA-P.FERREIRA
Num dos serviços informativos da televisão via-se ontem um adepto do Sp.Braga a dizer que o Benfica tinha sido beneficiado pela arbitragem durante todo o campeonato. Não queria acreditar em tamanha imbecilidade, logo vinda dum apaniguado do clube que tem sido, ele sim, levado ao colo até à posição em que está.
Ontem, com um golo obtido em posição de fora-de-jogo, tivemos mais um exemplo da forma como este Sp.Braga consegue muitas das suas vitórias.
Grande influência devem ter Mesquita Machado, António Salvador, Carlos Freitas e/ou Domingos Paciência, para conseguirem tanta protecção para um clube fora do arco dos três tradicionais grandes. Desde o Boavista dos Loureiros que não se via nada assim.
Resultado Real: 0-0

SPORTING-NAVAL
Não vi absolutamente nada sobre este jogo (nem o golo), e socorro-me da crónica de “A Bola” (que fala de uma arbitragem tranquila e sem casos) para a classificação ficar completa.
Resultado Real: 0-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 78
FC Porto 62
Sp.Braga 61
Sporting 47

DECISÃO ADIADA

Derrota no Dragão, vitória do Sp.Braga, vários jogadores benfiquistas fora de combate para a última jornada. A noite não podia ter sido pior para o Benfica, que terá agora noventa minutos dramáticos frente ao Rio Ave para mostrar que toda a sua excelente temporada não foi em vão.
Olegário Benquerença condicionou a entrada dos encarnados no jogo (distribuindo amarelos cirúrgicos e deixando Fucile em campo demasiado tempo), a agressividade posta em cada lance pelos jogadores do FC Porto foi absolutamente inusual (e levanta algumas dúvidas quanto à sua origem), os golos portistas surgiram contra a corrente do jogo, mas a verdade é que o Benfica nunca se entendeu muito bem com esta partida, nem com aquilo que seria necessário para a vencer, ou, pelo menos, não a perder.
Talvez o clima de festa que se vive desde há algumas semanas tenha tomado conta do subconsciente dos jogadores benfiquistas. Talvez a extrema motivação da equipa de Jesualdo Ferreira (afastada do título, mas carregada de ódio e vontade de vingança) para esta partida os tenha surpreendido. A verdade é que me deu a sensação que o Benfica confiou demasiado na sua superior capacidade técnica e no seu virtuosismo, esperando que assim, com naturalidade, a ver o que dava, mais tarde ou mais cedo as coisas lhe viessem a sorrir. Não critico a entrega da equipa, nem, obviamente, a sua vontade de vencer. Mas no contexto em que esta partida se disputou, no local onde foi, contra este adversário, só com outra abordagem estratégica - sobretudo em termos de velocidade de processos, robustez e capacidade de choque - seria possível vencer.
Olhando para os noventa minutos, e partindo do princípio que a força e a intensidade portista se deveram única e exclusivamente ao ódio incutido aos seus jogadores (sem elementos externos ou alheios à natureza), terei de concluir que ganhou quem mereceu, e quem mais fez por isso. O FC Porto deu a vida para ganhar este jogo, enquanto o Benfica, demasiado tranquilo e descontraído, nunca se esqueceu que lhe bastava empatar com o Rio Ave na próxima semana, e isso ter-lhe-á subtraído o sentimento de urgência e a alma guerreira a que o momento apelava.
Deixar toda a decisão de uma época para noventa minutos, com uma bola redonda e onze de cada lado, não deixa de ser perigoso. A situação em que o Benfica está é invejável (tomara todos os seus adversários estarem a um ponto do título), mas será necessária uma enorme força mental para suportar a pressão que pesará nos ombros dos jogadores encarnados quando entrarem em campo no próximo domingo, e em vez de se limitarem a pousar para as fotografias, tiverem de arregaçar as mangas para marcar golos e ganhar (pois jogar para o empate seria suicidário). E sem Di Maria e Fábio Coentrão (todo o flanco esquerdo), e ainda sem Javi Garcia, a última coisa que o Benfica poderá fazer é pensar em festividades ou em facilidades. A partida com o Rio Ave será o jogo de uma vida, e terá que ser encarado como tal.
Sobre Benquerença voltarei a falar, mas o cartão amarelo a Di Maria é escandaloso, o mostrado a Javi Garcia exagerado, e Fucile deveria ter sido expulso aos vinte minutos de jogo. Não houve penáltis, nem golos anulados, mas toda a diferença de intensidade entre as duas equipas (e que , afinal de contas, justificou o resultado) começou também no bolso do árbitro leiriense.

UM PASSO PARA A GLÓRIA

A forma como o campeonato decorreu, e a superioridade que o Benfica exibiu, mereciam uma consagração a condizer. Uma vitória no Dragão poderia ser a chave de ouro a fechar as contas do título, e seria um ponto de exclamação na justiça do êxito encarnado.
Noutros tempos, pelos mais diversos motivos, jogo nas Antas era jogo perdido. Uma série de FC Portos-Benficas, apitados por figuras como Carlos Calheiros, Donato Ramos, António Costa ou Paulo Costa, no apogeu do sistema, tornaram-se um calvário para a equipa da Luz. Em dez anos (1994 a 2004), dez derrotas, com muitas expulsões à mistura.
Mais recentemente as coisas mudaram um pouco, e independentemente dos resultados alcançados (uma vitória e dois empates em cinco épocas de Dragão), as partidas entre os dois clubes tornaram-se mais abertas, equilibradas e disputadas. Nos últimos dez confrontos entre estes mega-rivais, o Benfica até leva vantagem (ver quadro).
Desta vez, um ponto vale o título. É uma situação inédita, que o Benfica pode fazer valer a seu favor. Raramente a equipa encarnada visitou o seu rival em situação tão privilegiada, o que sob o ponto de vista anímico terá seguramente o seu impacto.
Do outro lado estará uma equipa disposta a deixar a pele em campo para evitar a humilhação suprema de ver o Benfica festejar no seu estádio. Veremos se essa disposição é suficiente para suplantar a maior força individual e colectiva do Benfica, que tem, neste momento, indiscutivelmente, muito melhor equipa.
Prognósticos? Só no fim do jogo, como se disse um dia. Mas em termos de probabilidades, atendendo ao que tem sido o seu campeonato (e a 14 vitórias nos últimos 15 jogos), não creio que seja de prever uma derrota benfiquista.
Uma coisa é certa, nenhum resultado vai afastar o Benfica do título, e nenhum resultado poderá pôr em causa a justiça do mesmo.
Equipas prováveis:
FC PORTO – Beto, Fucile, Bruno Alves, Rolando, Álvaro Pereira, Fernando, Gaurin, Raul Meireles, Belluschi, Farias e Hulk.
BENFICA – Quim, Maxi Pereira, Luisão, David Luíz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ramires, Carlos Martins, Di Maria, Saviola e Cardozo.

QUANTO VALE UM "SE"?

Olhando ao desfecho das meias-finais da Liga Europa, fica uma sensação amarga de oportunidade perdida.
Se Fernando Torres se tem lesionado 15 dias mais cedo, o Benfica poderia estar agora em vias de conquistar o seu terceiro título internacional – pois suponho que Atlético de Madrid e Fulham não fariam frente a esta equipa encarnada.
Por outro lado, com estas meias-finais pelo meio, o Benfica arriscava-se a ter perdido alguns pontos no campeonato (Sporting? Coimbra?), e estava hoje, desgastadíssimo, na iminência de ter de discutir a liderança em pleno Estádio do Dragão.
Entre o certo e o incerto, creio que, neste caso, o destino se escreveu por linhas direitas.

ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS

Apurados que estão os finalistas, eis a actualização dos rankings estatísticos da competição maior do futebol europeu:

A DERROTA DO FUTEBOL

Não sou particularmente simpatizante do Barcelona enquanto clube (todo aquele regionalismo cheira-me mal), nem alinho na histeria que ultimamente tem tomado conta de alguns comentadores, fazendo da equipa de Guardiola muito mais do que aquilo que ela realmente é: uma excelente equipa, como, noutras temporadas, outras houve (e, deixando as selecções de parte, só nos últimos 30 anos lembro-me de um fantástico Liverpool com Dalglish, Souness e Rush, de um soberbo Milan com Gullit, Van Basten e Rijkaard, de uma eficaz Juventus com Del Piero, Paulo Sousa e Roberto Baggio, de um colossal Real Madrid com Hierro, Zidane e Figo, de um entusiasmante Manchester United com Cristiano Ronaldo, Rooney e Giggs, e do próprio Barcelona de há uns anos, orientado por Frank Rijkaard, e com Ronaldinho Gaúcho, Deco e Samuel Eto’o nas suas fileiras).
Independentemente dessa posição de princípio, e até de algumas simpatias madridistas, lamento profundamente que a equipa catalã tenha sido eliminada, quer da forma como foi, quer, sobretudo, por quem o foi.
A exibição do Inter em Camp Nou fez-me lembrar o Leixões ou o Naval quando visitam o Estádio da Luz. Onze homens (depois dez) atrás da linha da bola, pontapé para a frente, constantes perdas de tempo, provocações ao adversário, e todo um manancial de anti-futebol, que por vezes é premiado com um resultado imerecidamente positivo, como foi o caso. Os italianos (povo que, de resto, também não aprecio particularmente, ao passo que à Catalunha nunca fui) venceram, mas não convenceram. Provaram apenas, e uma vez mais, que o futebol não é justo.
Depois, lamento não alinhar no coro oficial da nação em redor de José Mourinho. Reconheço, obviamente, toda a sua competência técnica, mas sob o ponto de vista humano, de comportamento, de educação e desportivismo, trata-se de alguém que me envergonha enquanto cidadão português. Nunca tive outra opinião acerca dele, nem enquanto treinou o Benfica, saindo sob ameaças e chantagens - tal como de resto saiu do FC Porto, do Barcelona, do Chelsea, sairá do Inter, e de todos os clubes onde trabalhar.
Se há coisa que tenho é uma boa memória, e não me esqueço do que foi Mourinho no futebol português. Não pelo que ganhou, mas pela forma arrogante, imbecil e provocadora como sempre se comportou. Não me esqueço da sua volta ao relvado da Luz, de sorriso cínico na cara, perante 80 mil pessoas a assobiarem-no. Não me esqueço dos seus insuportáveis “mind games”, que apenas aumentavam a necessidade de reforço policial nos jogos, enquanto satisfaziam o seu ego do tamanho do mundo, permitindo-lhe gozar com todos nós. Desta vez, visitando a casa que o projectou e que lhe ensinou grande parte do que sabe, voltou a ter um comportamento nojento e cretino, daqueles que queremos ver banidos do futebol, que condenamos veementemente quando se trata de alguém de outro país (Domenech, por exemplo), mas que a Mourinho todos em Portugal, estranhamente, toleram. Normalmente os mesmos que vêm em Pinto da Costa um exemplo a seguir, e no fundo aqueles para quem vale tudo, desde que se ganhe.
Nesta partida estava pois pelo Barcelona. Estava, sobretudo, contra o Inter, e contra Mourinho, como sempre estive, desde os tempos do Chelsea, para nem falar do FC Porto.
Não se pode dizer, todavia, que a equipa transalpina não tenha feito jus à história do seu futebol. Foi com Helenio Herrera, e com o célebre Catenaccio, que o Inter alcançou as suas grandes conquistas internacionais, voltando agora, do mesmo modo, à final da principal prova europeia de clubes.
Nesse dia, e independentemente da animosidade que a postura política da chanceler Ângela Merkel possa ter trazido à Europa nos últimos meses, estarei pelos alemães. Estarei, sobretudo, contra Mourinho, contra o Catenaccio, contra o anti-jogo, as provocações, os golpes baixos, a arrogância. Estarei pelo futebol.

CURIOSIDADE

O Benfica-Interviu, em futsal, teve mais espectadores que os jogos de futebol do Sporting e do FC Porto juntos.

COMO É POSSÍVEL?

Por mais que me esforce, não entendo a incompreensão que alguns adeptos do Benfica (acredito que uma minoria) têm para com Óscar Cardozo.
O paraguaio já marcou cerca de 40 golos (!) nesta temporada, e quase 90 (!) desde que está no Benfica. É o melhor marcador da Liga Portuguesa, e também da Liga Europa. Ou eu não percebo nada de futebol, ou estamos na presença de um extraordinário ponta-de-lança, daqueles que no mercado nacional não existem, no mercado europeu são completamente inacessíveis, e no sul-americano são um achado (que o Benfica teve a felicidade, e perspicácia, de descobrir).
Falha golos? Pois falha, mas todos os grandes avançados falham golos. Só quem não saiba aparecer nas zonas de finalização, quem não consiga escapar-se aos defesas, quem não adivinhe onde vão cair as bolas, é que não falha. Desses, dos que jogam “de costas para a baliza”, dos das “missões de sacrifício”, dos que “criam espaços”, já cá houve muitos. Dos que metam a bola lá dentro é que nem por isso.
Em pouco tempo, no estádio e fora dele, ouvi comentários sobre Cardozo que me provocaram arrepios na espinha. Como é possível dizer-se tanto disparate? O que queriam? Samuel Eto'o? Drogba? Ibrahimovic?
Para mim, “Tacuara” é, indiscutivelmente, uma das figuras do campeonato. E, digo mais, é talvez o jogador do plantel do Benfica mais difícil de substituir - basta lembrarmo-nos dos jogos em que esteve ausente, nos quais as dificuldades da equipa dentro da área foram notórias, originando, por exemplo, uma eliminação da Taça de Portugal.
Que fique no Benfica muitos anos é o meu desejo. Outro como ele é que não vejo onde encontrar.

CHAMPIONS 2010-2011: um pequeno exercício

Se a questão do título ainda não está totalmente decidida, a da qualificação para a Liga dos Campeões, depois da vitória bracarense na Figueira da Foz, parece definitivamente arrumada. Em muitos países europeus passa-se o mesmo, sendo pois altura de fazer um pequeno exercício de antecipação, e tentar perceber o que poderá ser a próxima edição da principal prova da UEFA.
Partamos de dois axiomas de base: 1) os campeonatos nacionais terminam com a classificação actual; e 2) nas pré-eliminatórias passam as equipas com melhor ranking.
Seguindo este critério chegamos rapidamente às 32 equipas qualificadas, e podemos então reparti-las pelos quatro potes do sorteio.
Vejamos então, no quadro que se segue, os nomes dos clubes presumivelmente apurados, quer directamente, quer para as pré-eliminatórias:
Atendamos agora às pré-eliminatórias, repartindo as equipas segundo a sua posição actual no ranking, encontrando desse modo os cabeças-de-série, tanto no alinhamento dos principais países, como no dos campeões nacionais. Se os teoricamente mais poderosos forem ganhando, chegamos aos apurados:
Com todos os 32 apurados encontrados, é pois possível distribuí-los pelos quatro potes, sendo que o Benfica iria para o segundo. O Sp.Braga, caso conseguisse ultrapassar um dos cabeças-de-série na 3ª pré-eliminatória (por exemplo o Basileia), conseguiria provavelmente entrar no terceiro pote:
Para finalizar, resta escolher um grupo para os encarnados. Que tal um constituído por Lyon, Copenhaga e Cluj? De evitar seria, por exemplo, algo como Barcelona, Schalke 04 e Spartak de Moscovo.
Veremos até que ponto tudo isto se confirma, a começar pela própria qualificação directa do Benfica, que, como sabemos, ainda não é uma realidade matemática.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Suponho que esta tenha sido uma das semanas de maior acerto por parte dos árbitros, e só a necessidade de arranjar argumentos (um cartão amarelo, um livre, um cabelo…) faz com que a discussão prevaleça.

V.SETÚBAL-FC PORTO
Depois de uma série de erros cometidos - nomeadamente nos Benficas-Sportings que ano após ano, invariavelmente, apitava -, e que todos foram atribuindo ao seu estilo permissivo de deixar jogar, Pedro Henriques perdeu a inocência quando, na época passada, anulou um golo limpo ao Benfica (vendo uma falta que não existiu) em pleno Estádio da Luz, no último minuto de compensação de um jogo com o Nacional, impedindo então os encarnados de se destacarem na classificação antes da pausa de Natal.
Ficou aí demonstrada a sua má fé (diz-se que é sportinguista fanático), pois afinal o seu “deixar jogar” só valia para alguns, como Tonel (para agarrar Nuno Gomes na área), ou João Moutinho (para rasteirar Freddy Adu também na área), em dois derbys lisboetas quase consecutivos.
Dizer-se que o cartão amarelo mostrado a Falcão serviu para beneficiar o Benfica é pois um absurdo. Um duplo absurdo, aliás. Primeiro porque Pedro Henriques nunca beneficiou o Benfica (foi, de resto, o árbitro escolhido por Pinto da Costa para uma final da Taça de Portugal), depois porque o lance é, à primeira vista, efectivamente passível de sanção disciplinar, já deixando de lado o facto de o alegado benefício daí resultante para os encarnados ser tão residual (quero lá saber se o Falcão joga ou não joga…) quanto desnecessário (o Benfica nem precisa de pontuar no Dragão).
No Dragão subsiste a dramática e desesperada necessidade de justificar, com terceiros, quartos ou quintos, a extraordinária época do Benfica (a melhor dos últimos 20 anos), e o correspondente fracasso do FC Porto (um dos três piores campeonatos dos últimos 34 anos). Para isso qualquer argumento é válido, seja um castigo da CD Liga, seja um simples cartão amarelo, seja um cão que entra dentro do relvado, ou um pássaro que pousa sobre o banco de suplentes.
Há pois que entender, desvalorizar, e seguir em frente.
Resultado Real: 2-5

BENFICA-OLHANENSE
Assisti ao jogo no estádio, e, na televisão, apenas vi um curtíssimo resumo num dos telejornais do fim-de-semana.
Fiquei com a sensação de que a arbitragem de Lucílio Baptista foi razoável, dando de barato que, no lance do quinto golo, Aimar tenha efectivamente ajeitado a bola com a mão.
Tanto no penálti assinalado, como na expulsão, nada há a dizer. Ambos os lances são claros e indiscutíveis.
Resultado Real: 4-0

NAVAL-SP.BRAGA
Apenas vi os golos, mas os ecos que me chegaram foram os de uma boa arbitragem.
Resultado Real: 0-4

U.LEIRIA-SPORTING
Idem, idem, aspas, aspas.
Nem sei como é que alguém ainda perde tempo a ver os jogos do Sporting. É sintomático que em Leiria estivessem menos de metade do número de pessoas que, no Pavilhão Atlântico, assistiram à final da Futsal Cup.
Resultado Real: 1-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 78
Sp.Braga 60
FC Porto 59
Sporting 47

NOS CÉUS DA EUROPA

Impressionante é a palavra que melhor define a tarde vivida ontem por 10 mil benfiquistas num Pavilhão Atlântico todo ele pintado de vermelho.
O caso não foi para menos, pela primeira vez uma equipa portuguesa subiu ao mais alto degrau do Futsal europeu, conquistando a Uefa Cup, equivalente à Liga dos Campeões da variante de onze.
Num jogo frenético, com incessante e vibrante apoio vindo das bancadas - onde toda a gente ansiava por festejar -, os super-poderosos espanhóis do Interviu (uma espécie de Barcelona do Futsal) caíram no prolongamento, e o troféu ficou em Lisboa.
Este será, porventura, o momento mais alto da história do eclectismo benfiquista, e vai perdurar muitos anos na memória daqueles que, como eu, o viveram in loco. Com Luís Filipe Vieira, Jorge Jesus, Rui Costa, Eusébio e até a águia Vitória presentes (e ninguém minimamente preocupado com o Naval-Sp.Braga), a festa final foi de arromba, com lágrimas e cânticos de alegria dentro e fora do campo.
Tratou-se de um sonho concretizado por uma fantástica equipa, cujo percurso há muito fazia merecer esta magnífica tarde de consagração internacional. E é justo que esta festa não tenha sido ofuscada por nenhuma outra.

MAGIA, GOLOS E...UM CHEIRINHO NO AR

Com mais de 60 mil nas bancadas, não foi preciso esperar muito para se perceber que o Benfica estava firmemente decidido a arrecadar mais três pontos, e a prosseguir a sua caminhada rumo ao título.
Logo aos dois minutos de jogo, Cardozo marcou, de penálti, o primeiros dos seus três golos; pouco tempo depois Delson viu o segundo cartão amarelo e foi expulso; e mal passava do quarto-de-hora quando, num lance espectacular concluído por Di Maria, os encarnados aumentaram a vantagem, pondo fim à discussão dos pontos em disputa. Daí em diante sobrou tempo e espaço para mais um recital de puro deleite futebolístico, interpretado sobretudo pela magia do extremo argentino, com Cardozo, ora a falhar, ora a marcar, e o placar a subir até números de nova goleada.
Nas bancadas sentiu-se o cheiro a título, e durante a segunda parte chegou a gritar-se “campeões, nós somos campeões”. Pode parecer prematuro, mas a verdade é que ninguém acredita que o Benfica venha a perder este campeonato, até porque a principal nota de perigo que restava – a eventualidade de ter de necessitar do jogo do Dragão – está agora posta de parte, sendo apenas preciso um empatezinho com o Rio Ave, em pleno Estádio da Luz, para a festa se consumar.
O clima de euforia benfiquista prolongou-se no domingo, não ainda com a garantia do título, mas com outra brilhante conquista do clube. Como Jorge Jesus disse, um triunfo em campo, na sequência de um jogo, será muito mais saboroso e adequado para comemorar o título. Numa época como esta, seria quase pecado o Benfica sagrar-se campeão à custa de um percalço de um adversário.
PS: Peço desculpa aos leitores pelo atraso na publicação desta crónica, mas alguns compromissos pessoais e profissionais, para além, naturalmente, do Futsal, deixaram-me com pouco tempo para a fazer.

GANHAR O JOGO!

Antes de qualquer outra coisa o Benfica deve ganhar ao Olhanense. Se puder festejar no domingo, tanto melhor, mas o que é fundamental é ficar, no sábado, a um só ponto do título.
Julgo que os jogos deveriam ser à mesma hora, mas o que interessa é ser campeão. E quanto mais cedo, melhor. Para tal, nada como apresentar o onze de gala.
PS: Este domingo pode ser apenas normal, mas pode também ficar para a história do Benfica. Além da hipótese matemática dos títulos de Futebol e Voleibol, há também a final-four da taça europeia de Futsal, no Pavilhão Atlântico. Sinceramente, acho pouco provável que cada uma delas se concretize (o Volei e o Futebol podem esperar, o Futsal tem concorrência de respeito), mas ...sonhar é grátis.

JOGOS PARA A ETERNIDADE (16) - OS MEUS TÍTULOS

Quando o Benfica está à beirinha de conquistar o seu 32º título, é altura para recordar outros campeonatos ganhos, e a forma como eles foram eles vividos por este vosso amigo, em mais uma viagem pelo passado.
Recordo-me de um total de nove títulos (este poderá ser o décimo). Desde 1977, tempos de Chalana, Nené e Mortimore, até 2005, já com Simão, Luisão e Nuno Gomes. Vamos então relembrá-los um a um:

1976-77
Depois de uma época marcada pela impressionante recuperação classificativa face ao Sporting (que na primeira volta chegou a dispor de seis pontos de avanço, que hoje equivaleriam a nove), o Benfica sagrou-se campeão a três jornadas do fim, em jogo com o Beira-Mar no Estádio da Luz.
A festa estava prevista apenas para a semana seguinte, mas as derrotas de Sporting e FC Porto anteciparam a decisão. 4-0 foi o resultado, a que se seguiu uma volta triunfal ao campo, carregando aos ombros o treinador inglês John Mortimore.
Recordo-me de vários momentos dessa temporada (as partidas com o Sporting e com o FC Porto, por exemplo), mas a memória que tenho do jogo do título, e desse dia, é algo difusa. Recordo-me de ouvir partes do relato (provavelmente o meu pai ouvia-o enquanto eu brincava), tomei conhecimento que o Benfica era campeão, mas nem me lembro de ter ficado particularmente eufórico com o acontecimento.
Na altura este era o 14º título em 18 anos, pelo que as comemorações seriam naturalmente comedidas.
A equipa-base dos encarnados era composta por: Bento, Pietra, Alhinho, Eurico, Alberto, Toni, Shéu, Vítor Martins, Nelinho, Nené e Chalana (que na sua primeira temporada como sénior foi a grande estrela da equipa).

1980-81
Este sim, foi o primeiro título que vivi com verdadeiro entusiasmo de campeão. Pôs fim a três temporadas de jejum (uma eternidade para a altura), e foi obtido numa época quase perfeita dos encarnados, a qual incluiu também a Taça de Portugal, a Supertaça e umas meias-finais europeias. Foi também nesta temporada que assisti ao meu primeiro jogo no Estádio da Luz, precisamente um Benfica-Altay Izmir para a 1ª eliminatória da Taça das Taças.
O treinador era o húngaro Lajos Baroti, e a conquista foi selada na penúltima jornada, com uma goleada ao Vitória de Setúbal (5-1), testemunhada por um Estádio da Luz a rebentar pelas costuras, e já preparado para as festividades. Julgo ter sido o último jogo da carreira de Toni, que já não era titular, mas entrou para os minutos finais.
Não estive lá (só bastante mais tarde me tornei presença habitual), pelo que foi mais um título que me chegou pela rádio. A partida ficou marcada por uma muito criticada, e totalmente desproporcionada, carga policial aos adeptos que apenas pretendiam invadir o campo para festejar a vitória. Meteu Assembleia da República, críticas ao governo e tudo.
A equipa-base era a seguinte: Bento, Veloso, Humberto Coelho, Laranjeira, Pietra, Carlos Manuel, João Alves, Shéu, Chalana, Nené e César.

1982-83
Um maior distanciamento temporal vai permitir um dia perceber onde enquadrar a actual equipa de Jorge Jesus, entre as que melhor futebol praticaram no Benfica do pós-Eusébio. Deixando esse exercício para depois, entregaria o prémio, por agora, ao conjunto de 82-83, orientado por Eriksson (na sua primeira época), e que encantou o país e a Europa.
Foi uma temporada inesquecível, com vitórias no Campeonato, na Taça de Portugal, na Supertaça e uma caminhada épica até à final da Taça Uefa, perdida na Luz diante do Anderlecht. Mais do que os resultados, o futebol de ataque praticado em todos os campos (fosse em casa, fosse fora) ficou na retina de muita gente, catapultando o treinador sueco para uma carreira internacional de grande sucesso .
O título foi carimbado em Portimão (vitória por 0-1), com duas jornadas ainda por disputar, e, se não estou em erro, quatro dias depois da final da Uefa. A festa foi feita na semana seguinte, em casa diante do Sporting. Esperava-se uma goleada (na Taça tinham sido 3-0), mas a vitória ficou-se por um golo solitário de Chalana, numa partida em que Bento defendeu um penálti e…falhou outro (suponho que por ordem inversa, mas isso pouco interessa para o caso).
Equipa-base: Bento, Pietra, Humberto Coelho, Bastos Lopes, Álvaro, Carlos Manuel, João Alves, Shéu, Chalana, Nené e Filipovic

1983-84
No ano seguinte, ainda com Eriksson, a superioridade benfiquista voltou a ser inquestionável. Numa temporada em que apenas cedeu oito pontos, o Benfica sagrou-se campeão na penúltima jornada, em casa, e uma vez mais diante do eterno rival.
Nem foi preciso vencer, pois, à mesma hora, o FC Porto perdia no Bessa, e como tal, bastou um empate a um golo com o Sporting, a que se seguiu a tradicional invasão do relvado.
A grande aposta dos encarnados, depois de alcançada a final da Uefa no ano anterior, era a Taça dos Campeões Europeus. O sonho acabou por morrer aos pés do…Liverpool, com uma derrota por…4-1 (daquela vez em plena Luz, depois do 1-0 de Anfield), o que, numa altura em que ser campeão era corriqueiro, acabou por deixar um travo ligeiramente amargo, que nem o título nacional apagou inteiramente.
Tal como era habitual, todas as grandes emoções do campeonato foram vividas pela rádio. Assisti contudo, no Estádio do Bonfim, à primeira jornada desta temporada, e ao último golo da carreira de Humberto Coelho – que se lesionaria com gravidade poucas semanas depois num treino da selecção, não mais voltando aos relvados -, numa partida que o Benfica venceu por 2-3, com as bancadas a abarrotar de gente, um sol abrasador e um calor quase insuportável, sobretudo para quem estava espalmado contra a vedação (como era o meu caso). Estávamos, afinal de contas, em pleno Agosto.
Equipa-base: Bento, Pietra, Bastos Lopes, Álvaro, Sheu, José Luís, Carlos Manuel, Stromberg, Chalana, Diamantino e Manniche.
Chalana e Stromberg seriam vendidos para França e Itália respectivamente, Eriksson também abraçaria o Cálcio, e esse desinvestimento (necessário para Fernando Martins completar o terceiro anel do estádio) revelar-se-ia fatal nos anos seguintes.

1986-87
Depois de um bi-campeonato portista, com Artur Jorge, o Benfica voltou aos triunfos, aproveitando muito bem o enfoque dado pelos nortenhos à Taça dos Campeões Europeus, que venceriam em Viena com o calcanhar de Madjer.
O Benfica vinha de uma temporada aziaga, em que perdera tudo em poucas semanas, depois de uma caminhada empolgante. A inesperada eliminação europeia aos pés do acessível Dukla de Praga (com um golo fatal, sofrido em casa, nos últimos minutos da segunda mão), e, principalmente, o título perdido na penúltima jornada, em plena Luz, diante do Sporting (1-2, o primeiro derby a que assisti ao vivo), abriram feridas na confiança dos adeptos face à sua equipa. Mais feridas ainda deixou a histórica goleada sofrida em Alvalade - os célebres 7-1 - e a relação com o regressado John Mortimore ressentiu-se de tudo isso, não mais voltando a ser a mesma.
Em 1986-87 a equipa foi muitas vezes assobiada, e desconsiderada, mesmo comandando a classificação durante quase todo o campeonato. Temia-se que acontecesse o mesmo que no ano anterior, até porque a penúltima jornada reservava novamente um Benfica-Sporting.
Só que a história não se repetiu. Desta vez, praticamente na mesma situação, e também com 120 mil nas bancadas, o Benfica ganhou por 2-1 (golos de Chiquinho e Nunes), conquistando o título nacional, ao qual iria juntar, alguns dias mais tarde, a Taça de Portugal. Foi a última dobradinha do clube da Luz até à data.
Este foi o primeiro dos dois títulos que festejei em pleno estádio (o outro seria o último, o de 2005). Fui ver esse derby, presenciei a invasão de campo, e toda a euforia que tomou conta da família benfiquista. Recordo-me, como se fosse hoje, de ir festejar com as pessoas com quem vi o jogo, a um restaurante de Setúbal chamado “O Quintal” (não faço ideia se ainda existe). Comi cherne grelhado, regado com vinho rosé. Tinha eu os meus fabulosos 17 aninhos.
Para a história desta temporada fica também o registo daquele que terá sido o jogo com maior assistência de sempre disputado no nosso país, e a que eu também tive o privilégio de assistir. Foi o Benfica-FC Porto (3-1, hat-trick de Rui Águas), e "A Bola" do dia seguinte falava em 140.000 pessoas na Luz. Não as contei, mas sei de muita gente que ficou à porta com o bilhete na mão, sem conseguir passar a densa barreira humana que entopia todas os buracos por onde entrar no estádio.
Equipa-base: Silvino, Veloso, Dito, Oliveira, Álvaro, Sheu, Nunes, Chiquinho, Diamantino, Rui Águas e Manniche

1988-89
Terá sido dos títulos menos sofridos que a história recente do Benfica nos apresenta. Talvez por isso, talvez fruto do desencanto de uma eliminação europeia precoce (com o improvável Liegeois), talvez também por ter, à época, 19 anos, e nessa idade as prioridades estarem muito para lá do futebol (raparigas, noitadas, festas, raparigas, faculdade, raparigas, etc, etc), terá sido também dos que menos me entusiasmou.
Foi o ano das vitórias por 1-0 conseguidas no último minuto, com golos de Vata (o surpreendente Bola de Prata nessa época), em que a contratação falhada de Quinito como técnico do FC Porto (substituído depois de uma copiosa derrota em Eindhoven) cedo deixou o caminho livre aos encarnados. Ainda assim, diga-se que com o regresso de Chalana (já longe do fulgor dos primeiros anos), e com as contratações de Valdo, Ricardo e Magnusson, o Benfica tinha uma extraordinária equipa, cuja base esteve na origem de duas finais da Taça dos Campeões Europeus nos anos imediatamente anterior e posterior a este. É verdade que haviam saído Dito e Rui Águas (como resposta do FC Porto à contratação de Ademir, no qual os azuis-e-brancos estariam interessados), mas as ausências pouco se fizeram sentir.
Ainda assisti ao vivo a três jogos desse campeonato, mas não foi uma temporada que me tivesse proporcionado recordações particularmente intensas.
Curiosamente, estive em vias de presenciar ao momento da consagração. Foi em Setúbal, a três jornadas do fim, quando uma vitória poderia ser suficiente para fazer a festa. Um golo de Aparício, já nos momentos finais (estabelecendo o 2-2), retardou o título, e obrigou a multidão que enchia por completo o estádio do Bonfim a guardar as bandeiras e cachecóis para a semana seguinte.
Foi em casa com o Estrela da Amadora, que uma vitória por 3-0 selou as contas. Não faço a menor ideia onde estaria a essa hora, e nesse dia. Mas estava certamente feliz.
Equipa-base: Silvino, Veloso, Mozer, Ricardo, Álvaro, Sheu, Vítor Paneira, Valdo, Chalana, Diamantino e Magnusson.

1990-91
Eriksson havia regressado, e na primeira temporada tinha levado a equipa à sétima final da Taça dos Campeões da sua história. Em parte por isso, em parte por influência de um sistema tentacular que já à época invadia a arbitragem, o campeonato de 89-90 fugiu para o FC Porto, que, com Bandeirinhas, Kikis, Demols, Tozés e Vlks, conseguiu bater o Benfica de Valdo, Thern, Magnusson e Ricardo. Foi esse, aliás, o primeiro dos campeonatos ganhos pelo FC Porto de forma imoral, e fruto da sua crescente influência na arbitragem.
Em 1990-91 os encarnados viram-se precocemente afastados da frente europeia, ao perder com a Roma logo na primeira eliminatória da Taça Uefa. E, dedicando-se em exclusivo ao campeonato, partiram para uma caminhada imparável rumo ao título, que teve o seu apogeu nos célebres 0-2 das Antas, com dois golos de César Brito.
Lembro-me de ouvir o relato desse jogo (que a poucas jornadas do fim decidiu quase tudo), como me lembro, também via rádio, da partida que garantiu o título, no Funchal diante do Marítimo (vitória por 0-2, também).
Na última jornada, com o estádio cheio, o convidado para a festa do título foi o Beira Mar, que levou 3-0, dois dos golos apontados por Rui Águas (de regresso ao seu clube depois de uma incompreensível experiência nas Antas, que nunca lhe perdoarei), que assim conseguia destronar Domingos Paciência na luta pela Bola de Prata - um grupo de sócios portistas, alegando (sabe Deus porquê) que Domingos tinha mais um golo, decidiu então mandar fazer um troféu paralelo para entregar ao avançado do FC Porto, numa daquelas atitudes saloias que mostra bem o espírito, passado e presente, daquele clube.
Recordo-me que a RTP transmitiu em directo os últimos dez minutos da jornada final, e a festa que se lhe seguiu.
Este foi o último campeonato de um período em que o Benfica, ganhando ano sim, ano não, ainda mantinha, ou pelo menos repartia, a hegemonia do futebol português. Daí em diante só conquistaria mais dois títulos, ambos em circunstâncias muito especiais.
Equipa-base: Neno, José Carlos, Ricardo, William, Veloso, Jonas Thern, Vítor Paneira, Valdo, Pacheco, Isaías e Rui Águas.

1993-94
Depois de um verão muito quente, com Sousa Cintra a aproveitar-se alarvemente da crise financeira do rival, e a aliciar muitos dos seus principais jogadores (que tinham os salários em atraso, e, como tal, podiam rescindir facilmente os contratos), o Benfica partiu para a temporada futebolisticamente fragilizado, mas com o seu orgulho ferido. Isso revelar-se-ia determinante, até porque na luta pelo ceptro teve no Sporting o mais directo opositor.
Paulo Sousa e Pacheco mudaram-se para Alvalade, João Pinto foi resgatado in-extremis numa viagem do presidente Jorge de Brito a Torremolinos, e Rui Costa, Isaías e Neno foram também abordados, mantendo-se todavia na Luz. Futre tinha sido vendido para Marselha, mas ainda assim, os que ficaram, formavam uma grande equipa. Restava saber se haveria condições de retaguarda (desde logo financeiras) para levar a nau a bom porto. E nesse particular o trabalho desenvolvido por Toni foi fundamental, segurando pelas pontas um grupo muito talentoso mas desorganizado e indisciplinado, que tinha nos russos Kulkov, Yuran e Mostovoi as principais dores de cabeça.
A época haveria de reservar grandes momentos, grandes vitórias, estádios cheios, muitos novos associados, o que parecia permitir ao clube retomar o rumo correcto. Infelizmente foi sol de pouca dura, e os anos seguintes iriam evidenciar que as coisas estavam mesmo mal. Só onze anos depois o Benfica voltaria a ser campeão nacional, depois de aventuras que quase levaram à sua destruição.
O grande momento deste campeonato foi naturalmente a vitória por 3-6 em Alvalade, jogo em que João Pinto, um dos protagonistas do defeso anterior, terá feito a exibição da sua vida. Mas o título só ficou seguro duas rondas depois, em Braga, numa partida com o Gil Vicente (numa altura em que ninguém se lembrava de reclamar por os clubes pequenos mudarem os jogos grandes para estádios onde pudessem obter maiores receitas), em que foi uma vez mais João Pinto a brilhar, marcando os dois primeiros golos de uma vitória por 0-3.
Na altura eu fazia parte de uma equipa (se é que se pode chamar-lhe assim) de futebol de cinco que, ainda disputou alguns torneios na região. O jogo de Braga foi durante a semana, num fim de tarde de, salvo erro, quarta-feira, e ouvi o relato durante um treino, som vindo do auto-rádio de um dos colegas que estacionara junto ao ringue. Quando o jogo acabou estava, recordo-me bem, a tomar banho, e seguiu-se naturalmente uma jantarada. Mas a maior dose de euforia tinha sido servida com o triunfo em Alvalade.
Na semana seguinte o Estádio da Luz encheu para receber os campeões. Era a penúltima jornada, e o adversário o Vitória de Guimarães. Não arranjei bilhete, e faltei à cerimónia. Nem a minha ausência, nem o empate a zero retiraram brilho às festividades.
Equipa-base: Neno, Veloso, Mozer, Hélder, Schwarz, Kulkov, Vítor Paneira, Rui Costa, Yuran, João Pinto e Isaías.

2004-05
Obtido em circunstâncias particularmente difíceis, na sequência de um longo jejum, com um plantel muito limitado e uma concorrência extremamente forte (FC Porto campeão europeu, Sporting finalista da Uefa, Boavista ainda nos seus bons tempos, Sp.Braga a nascer para aquilo que é hoje), depois de um campeonato verdadeiramente espectacular (o melhor de que me lembro), este foi para mim o título mais reconfortante de todos os que vivi.
Cedo comecei a acreditar na equipa, e momentos houve em que me pareceu ser o único a fazê-lo. Levei a peito aquela equipa, aqueles jogadores, e aquela temporada. No fim, como nos filmes, tudo acabou em bem.
Foi, até hoje ,a temporada futebolística em que vi mais jogos ao vivo. Em casa não perdi nenhum, e fora fui a todo o lado onde pude ir. Muito sofri eu…
A decisão final foi apenas na última jornada, no Bessa, em tarde para recordar durante uma vida. A procissão de carros pela A1 acima, o leitão da Mealhada, em restaurante à pinha onde os cânticos slb,slb emergiam à medida que o vinho escorria pelas gargantas, o dramatismo de um jogo que, pela primeira e única vez na vida, quase me obrigou a sair da bancada, tal o estado de nervos que me tolhia o corpo e a alma. No fim foi o que se viu. Talvez tenha sido dos poucos benfiquistas a estar, nessa noite, no Bessa, no Aeroporto, e no Estádio da Luz, com um belo jantar pelo meio, e festa até de manhã. Só me deitei depois de ler “A Bola” de segunda-feira.
Este campeonato ficou porém desde logo alinhavado na semana anterior, no também inesquecível derby do golo de Luisão. Já aqui recordei esses dois momentos.
Equipa-base: Quim, Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Dos Santos, Petit, Manuel Fernandes, Nuno Assis, Geovanni, Nuno Gomes e Simão.

Agora, venha o próximo…

BARÇA ENCOSTADO ÀS CORDAS

Num grande espectáculo a que só faltou um grande Messi, o Inter de Mourinho deu um passo significativo rumo à final da Champions League, derrotando o todo-poderoso Barcelona por 3-1.
Na segunda mão a equipa catalã tem assim uma verdadeira prova de fogo, e um enorme desafio à sua superior qualidade.
Creio que o vencedor desta eliminatória será o campeão.

BOM TREINADOR, MAS...

Paulo Sérgio é, quanto a mim, um excelente treinador. Foi, portanto, uma boa escolha do Sporting.
Resolverá ele os problemas do clube? Não creio. Os problemas do Sporting vão muito para além da área técnica, são já antigos, e foram iludidos durante anos pelo fantástico trabalho de Paulo Bento, e, sobretudo, pela crise de resultados do Benfica.
José Eduardo Bettencourt (que Deus o conserve em Alvalade por muito tempo) tem-se revelado um flop total. Desde que assumiu os destinos do clube, a instabilidade, os erros estratégicos, as hesitações e as gaffes têm-se sucedido a um ritmo alucinante. E Costinha, pelo que já se viu, também não parece ser uma grande ajuda.

CLASSIFICAÇÃO REAL

De Carlos Xistra espera-se sempre o pior, e na verdade o homem não desiludiu. Se, por absurdo, o Benfica não tivesse ganho o jogo, muita tinta aquele golo validado à Académica iria fazer correr.

SP.BRAGA-LEIXÕES
Dos resumos que vi, só o primeiro golo de Alan poderia oferecer matéria para dicussão. Nas repetições percebe-se que o avançado bracarense está em jogo, pelo que nada haverá a condenar na actuação do árbitro.
Resultado Real: 3-1

ACADÉMICA-BENFICA
O primeiro golo da Académica, que poderia ter condicionado o jogo, é claramente ilegal, e Carlos Xistra, do local onde estava, teria obrigação de ver. Nada assinalou, prejudicando o Benfica.
Ainda na primeira parte Sogou deveria ter visto o segundo cartão amarelo, o que, a acontecer, também teria o seu peso na história do jogo.
Por fim, aos 93 minutos, só Xistra viu uma falta de Maxi Pereira perto da área, que originou um livre perigoso e fez disparar as pulsações dos benfiquistas.
Em benefício do Benfica? Só talvez o cartão amarelo que terá ficado por mostrar ao mesmo Maxi Pereira.
No lance reclamado por Eder não existe qualquer falta.
Resultado Real: 1-3

FC PORTO-V.GUIMARÃES
Um penálti por assinalar a favor do V.Guimarães, e mais uma expulsão perdoada a Bruno Alves, é tudo o que me lembro das incidências deste jogo de tristes. Quanto ao penálti marcado a favor do FC Porto nada há a dizer.
Resultado Real: 3-1

SPORTING-V.SETÚBAL
Um penálti bem marcado, e um outro por marcar (sobre Matias Fernandez) foi aquilo que me ficou deste jogo…de tristes (perdoem-me a falta de originalidade, mas não me ocorre outro termo).
Resultado Real: 3-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 75
Sp.Braga 57
FC Porto 56
Sporting 46
PS: No FC Porto-V.Guimarães há de facto um penálti sobre Guarin, que me esqueci de referir. O resultado seria então 4-1. Não altera a classificação real.