MUITO TRABALHO PELA FRENTE
FALTA DE SENSIBILIDADE, FALTA DE BENFIQUISMO
POUCA SORTE
No ano passado, também calhou um técnico português, e sabe-se o que aconteceu. A história não pode repetir-se.
CENAS DOS PRÓXIMOS EPISÓDIOS
Na sequência do post anterior, eis um artigo bastante interessante publicado na revista "SÁBADO":
O empresário também esteve com Armando Pereira em várias reuniões durante as negociações para a compra da PT e terá também trabalhado nos bastidores quando a Meo/Altice avançou de surpresa para a negociação dos contratos dos direitos de transmissão de jogos de futebol com vários clubes. Terá sido Hernâni Antunes, juntamente com Bruno Macedo (também natural de Braga), que apareceram mandatados para negociar com clubes e SAD. Aliás, nos últimos anos, Hernâni tem-se rodeado de vários sócios, amigos e até familiares (a filha Jéssica, ex-jogadora do Sp. Braga tem uma agência de intermediação, a Topballer, Sports Management) com negócios centrados no agenciamento de atletas e intermediação de direitos desportivos e patrocínios.
Sob investigação criminal estão precisamente alguns destes negócios milionários, a começar pela forma como foram concretizados pela Altice, entre 2015/16, os contratos de direitos de transmissão televisiva e de patrocínios e publicidade, quem foram realmente os seus intervenientes e que comissões acabaram por ser pagas. O MP suspeita da existência de crimes de fraude fiscal, falsificação e lavagem de dinheiro.
A SÁBADO sabe que o contrato com o FC Porto é central para os investigadores, que estão a anali- sar outros negócios da operadora, porque a Altice assinou acordos também, por exemplo, com o Boavista, Guimarães, Rio Ave, Farense e Aves.
Oficialmente, no caso da FC Porto SAD, a PT Portugal (contrato depois cedido à Altice Picture) pagou-lhe 457.500.000 euros para, entre outras vantagens, poder transmitir os jogos do clube em casa durante 10 épocas da Primeira Liga, a partir de 2018/19. Na altura, a intermediação nas negociações do FC Porto com a Altice levou os presidentes do Benfica e do Sporting, que assinaram contratos com outra operadora, a criticarem o que se teria passado nos bastidores. "Vendemos os direitos televisivos à NOS, não a qualquer intermediário", sublinhou Luís Filipe Vieira. Já Bruno de Carvalho garantiu que o Sporting não pagara "nenhuma comissão pelo contrato".
Depois disso, a SAD portista já antecipou por várias vezes o pagamento destas receitas televisivas (à semelhança do que fizeram o Benfica e o Sporting com os contratos da NOS) para garantir sobretudo a emissão de obrigações. Há anos que estes negócios estão sob escrutínio da Autoridade da Concorrência, sem resultados públicos.
À semelhança da estratégia que já adotaram na investigação paralela de outros processos, como o caso Monte Branco (aberto há 10 anos e ainda não encerrado) e a Operação Marquês, Rosário Teixeira e Paulo Silva têm em curso vários transvazes entre os dois processos de documentos fiscais, bancários e financeiros, de dezenas de relatórios da Autoridade Tributária (AT) e de muitas horas de conversas gravadas a partir de escutas telefónicas mantidas a vários alvos de forma quase ininterrupta há quase três anos. Por exemplo, as autoridades fizeram questão de acompanhar em direto várias
negociações de jogadores durante os mercados de verão e de inverno nos últimos anos.
No fim das recentes medidas de coação aplicadas na semana passada a Luís Filipe Vieira, o juiz Carlos Alexandre confirmou parcialmente este facto quando informou por escrito os advogados dos arguidos do inquérito 406/18 de que o MP promovera o "alargamento do objeto da investigação" e que o juiz tinha autorizado a transferência de "meios de prova (…) de outro processo", nomeadamente gravações de conversas telefónicas. E identificou de onde vinham: do processo 405/18, o caso do agente Pedro Pinho.
As autoridades suspeitam que Pinho é uma espécie de pivô, diretamente ou por entrepostas pessoas, em vários negócios avultados do FC Porto. A Pesarp, SA é apenas uma das empresas que o agente de jogadores detém dedicadas a negócios desportivos como contratos de transferências, de gestão de carreiras e de direitos desportivos. Fundada em 2003, esta sociedade anónima com um capital de 50 mil euros, controla a Pesarp II, a PP Sports e a mais recente N1, Gestão de Carreiras Desportivas (além de ser sócia em empresas de imobiliário e de outros ramos, como a Desafios Geniais I e II, a Oh! Parque, a Prosperavenida e a XPZ, Madeiras).
As listas oficiais de intermediários e transações da Federação Portuguesa de Futebol (1/4/18 a 31/3/21) revelam agenciamentos feitos pela PP Sports e pela N1 em seis negócios portistas: a compra de Chidozie, dos colombianos Yoni Mosquera e Germán Meneses (jogam na equipa B), o regresso de Sérgio Oliveira, a venda de Tiquinho Soares aos chineses do Tianjin Teda FC e o empréstimo do central venezuelano Yordon Osorio ao Zenit – o jogador andou de empréstimo em empréstimo até o FC Porto o vender finalmente em 2020 ao Parma. Segundo o site especializado Transfermarket, o negócio foi feito por 4,1 milhões de euros.
Há ainda outras contas oficiais. Nos últimos anos, entre 2015-19, só a Pesarp e a PP Sports (Alexandre Pinto da Costa é/era diretor-geral desta empresa que se chamou Energy Soccer até junho de 2017) fizeram negócios avaliados em cerca de 16 milhões de euros e tiveram resultados líquidos de mais de 8 milhões. Em 2016, a então Energy Soccer chegou a desmentir que teria lucrado quase 2 milhões de euros em negócios com o FC Porto, salientando que, entre 2012-15, a faturação da empresa à SAD fora de apenas 596 mil euros pela intermediação de transferências de jogadores como Carlos Eduardo, Quaresma, Rolando, Álvaro Pereira, Atsu e Casemiro, neste último caso em parceria com a Doyen/Vela gerida por Nélio Lucas.
Anos depois, e segundo o relatório e contas da SAD do FC Porto de 2019, os dragões lançaram na contabilidade quase 1,3 milhões de euros que tinham de pagar à PP Sports (Energy Soccer) por causa da transferência de Ricardo Pereira para o Leicester, uma venda feita por 20 milhões de euros que deu ao clube português uma mais-valia de pouco mais de 12,6 milhões de euros. O resto do dinheiro, e foi muito, seguiu para aquilo que o documento da SAD chama "encargos adicionais", que inclui gastos relacionados com as aquisições de direitos económicos, nomeadamente despesas com serviços de intermediação, serviços legais, prémios de assinatura de contratos, entre outros custos.
No ano passado, Alexandre Pinto da Costa fez mais um comunicado a reagir a acusações públicas de que estaria a fazer de novo negócios com a SAD do FC Porto, mas através de outra empresa: "É totalmente falso que a SerialSport tenha tido qualquer relação comercial com o FC Porto SAD. Isso é facilmente comprovável pelos relatórios e contas devidamente auditadas da referida sociedade desportiva."
Efetivamente, nada consta nos relatórios oficiais da SAD sobre a Serialsport, que é uma sociedade anónima constituída em 2006. Entre 2015-19, a empresa fez negócios avaliados num total de cerca de 2,4 milhões de euros e lucrou perto de 1,3 milhões de euros. Mas a megainvestigação em curso do DCIAP considera Alexandre Pinto da Costa como um dos principais suspeitos, tendo-o colocado sob intensa vigilância há cerca de 30 meses. Os sigilos fiscais e bancários do empresário também já foram quebrados.
O MP e a AT suspeitam que haverá muito dinheiro dos negócios com jogadores que estará a ser movimentado sem ser declarado ao fisco e a coberto de empresas, offshores e intermediários que escondem o destino final dessas verbas em países como Brasil e Dubai. A SÁBADO sabe que a investigação julga já ter identificado contratos alegadamente fictícios de várias compras e vendas de direitos desportivos. A equipa da AT chefiada por Paulo Silva tem já prontos vários relatórios de análise de alguns destes negócios.
Em várias ocasiões, os investigadores anotaram até indícios de negócios de compra de jogadores bem recentes, que terão sido feitos à revelia do treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, que foi contratado em junho de 2017. Os investigadores anotaram que Conceição terá manifestado descontentamento interno sobre os negócios e nos bastidores terão chegado a existir pressões de empresários como Alexandre Pinto da Costa para o FC Porto se livrar do treinador incómodo.
No processo constam também indícios de que alguns dos negócios suspeitos de Alexandre e de outros empresários poderão estar a ser feitos com o conhecimento ou mesmo a cobertura de parte da estrutura dirigente da SAD portista, nomeadamente do seu presidente, Pinto da Costa, e dos administradores Fernando Gomes (ex-presidente socialista da Câmara do Porto que gere as finanças da SAD) e Adelino Caldeira. Um dos casos que está a ser analisado ao pormenor será um contrato de intermediação avaliado em 6 milhões de euros, alegadamente não registado no contrato principal, mas apenas num outro paralelo ao negócio. A SÁBADO apurou que o MP e a AT montaram uma apertada vigilância aos três altos responsáveis portistas porque estenderam a investigação à eventual falsificação das contas da SAD do FC Porto. Contactados através de email dirigido ao assessor Francisco J. Marques e ao FC Porto, a SÁBADO não obteve resposta às perguntas dirigidas a Pinto da Costa, Fernando Gomes e Adelino Caldeira até à data de fecho desta edição, a 13 de julho.
Um dos negócios de jogadores sob maior escrutínio do MP e da equipa do fisco é a compra e venda de Éder Militão, filho do antigo jogador do Benfica, Valdo. Ainda segundo os documentos oficiais da SAD do FC Porto, o jogador assinou um contrato de cinco épocas em julho de 2018. O clube ficou com 90% dos direitos económicos do jogador, adquirido em fim de contrato ao São Paulo por pouco mais de 8,5 milhões de euros (7 milhões pelo passe e cerca de 1,5 milhões de encargos adicionais). Um ano depois, o FC Porto vendeu Militão ao Real Madrid, onde ainda joga.
A transferência, conforme foi anunciado pela SAD do FC Porto à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), foi de 50 milhões de euros, "que gerou uma mais-valia de 28.437.285 euros, após dedução do valor global de 21.562.715 euros relativo a: efeito de atualização financeira das contas a receber a médio prazo originadas por estas transações; proporção do valor de venda do passe detida por terceiros (10%); custos com serviços de intermediação prestados pela BM Consulting, Lda. e Bertolucci Assessoria e Propaganda Esportiva; e valor líquido contabilístico do passe à data da alienação", conforme refere o comunicado.
Nas contas de 2019 da SAD do FC Porto, a BM Consulting e a Yes Sports (ex-Moov Sports), ambas de Bruno Macedo, chegaram a ser credoras de um total de cerca de 5,5 milhões de euros – respetivamente, 3,5 milhões pela intermediação na transferência de Militão para o Real Madrid e pouco mais de 1 milhão na transferência (20 milhões de euros) de Felipe para o Atlético de Madrid. As já citadas listas da Federação Portuguesa de Futebol mostram que Bruno Macedo fez nos últimos anos outros negócios com dois laterais esquerdos. Um centrou-se no moçambicano Reinildo Mandara (emprestado e depois vendido por 3 milhões de euros pela Belenenses SAD ao Lille), o outro foi a transação do brasileiro Jorge Moraes, que o Mónaco emprestou ao FC Porto a 30 de agosto de 2018 (regressou em março do ano seguinte a França e tem andado emprestado a outros clubes).
Tudo isto está a ser analisado, juntamente com mais negócios de outras empresas alegadamente controladas pelo agente de forma discreta. De acordo com parte do despacho de indiciação de Bruno Macedo, "nos anos de 2015 e 2016, a SL Benfica SAD realizou pagamentos diretos à Master International FZE no montante global de 2.636.362,62 euros, sendo que tais ganhos foram mobilizados, na sequência do acordado entre Luís Filipe Vieira e Bruno Macedo, para, pelo menos em parte, virem a beneficiar as sociedades do grupo de Luís Filipe Vieira", refere o MP. De forma a "ocultar a origem dos fundos nas contas da Master", indica ainda o despacho, os suspeitos acordaram utilizar outra estrutura societária, constituída na Tunísia, "forjando a existência de faturação emitida por esta à Master, de forma
a justificar a circulação de fundos".
A investigação do MP garante que a Master, uma sociedade utilizada por Bruno Macedo para receber ganhos da intermediação de futebolistas serviu para "parquear uma mais-valia" gerada com a transferência em 2012 dos paraguaios Derlis González e Cláudio Correa. O MP estima que
o valor de 1.280.000 euros deveria ter sido refletido como um ganho nas contas da Benfica SAD, "e no
seu beneficiário final como rendimento em IRS, o que não aconteceu".
O MP refere ainda a sociedade Trade In, alegadamente utilizada para titular os direitos económicos do futebolista brasileiro César Martins, antes de vender parte desses direitos em 2014 à SAD do Benfica "por um valor bastante superior, gerando em Portugal um aumento de custos que resultaram na diminuição da tributação" da SAD em mais de 1,3 milhões de euros.
No interrogatório perante o MP e o juiz Alexandre, Bruno Macedo desmentiu, com dados e números, parte das informações recolhidas pela investigação, inclusive a suspeita de que teria usado o escritório de advogados do pai em Braga para receber comissões ilegais de jogadores – Macedo é advogado e só em outubro de 2014 conseguiu a licença de agente desportivo. Já sobre ser uma espécie de testa de ferro de Vieira, Macedo foi também perentório na negação, garantindo que se limitara simplesmente a fazer negócios (até imobiliários) e garantiu que até se sentiu enganado pelo presidente
do Benfica num caso muito recente.
Aquando das negociações da transferência de Darwin para o Benfica – concretizada em setembro de 2020 por 24 milhões de euros –, Macedo revelou que recebeu apenas 500 mil euros pela intermediação quando julgava que iria receber entre 2 e 3 milhões de euros. Perante a estupefação dos magistrados contou ainda que, quando foi informado disso num encontro com Vieira e outros intervenientes (garantiu que lhe disseram também que o negócio incluía pagamentos ao ex-assessor jurídico da SAD do Benfica, Paulo Gonçalves), levantou-se e saiu zangado do Hotel Tivoli, em Lisboa.
Além dos negócios de Bruno Macedo, a investigação cruzada nos dois processos criminais estende-se ao poderoso empresário brasileiro Giuliano Bertolucci, que se tornou conhecido em Portugal por representar jogadores brasileiros famosos que passaram pelo Benfica como Luisão, David Luiz, Júlio César e Ramires. Bertolucci está sob intensa investigação do MP há cerca de um ano. O brasileiro é dono de, entre outras empresas, da Bertolucci, Assessoria e Propaganda Esportiva, que em 2019 tinha 5 milhões de euros a receber do FC Porto. As listas de intermediários e transações da FPF revelam que Bertolucci participou, juntamente com Bruno Macedo, na transferência de Militão para o Real Madrid. E que fez o negócio de Felipe Anderson do West Ham para o FC Porto – agenciou ainda as transferências dos brasileiros Everton, Lucas Veríssimo, Pedrinho e do central Morato para o Benfica.
Bertolucci está a ser investigado por suspeitas de crimes de fraude fiscal, falsificação e lavagem de dinheiro, apurou a SÁBADO. A investigação do brasileiro estende-se a negócios imobiliários que terá feito ou iniciado com Luís Filipe Vieira. Segundo os dados divulgados pela FPF, só em dois anos, em 2018/19, as despesas pagas a intermediários nos negócios do futebol português atingiram os 82 milhões de euros.
A Federação divulga a lista das comissões pagas desde a época de 2015/16 e as contas oficiais são fáceis de fazer: 29 clubes portugueses gastaram cerca de 187 milhões de euros até 2019. Só o Benfica (o campeão dos gastos com quase 80 milhões de euros), FC Porto (o segundo do ranking com cerca de 43 milhões), Sporting, Braga e Guimarães pagaram cerca de 178 milhões de euros.
É atrás de parte deste dinheiro, dos circuitos utilizados e dos seus reais destinatários, que a megainvestigação está a ir, a partir dos negócios dos empresários Bruno Macedo, Pedro Pinho, Alexandre Pinto da Costa e outros intermediários ou "agilizadores de contactos" portugueses e estrangeiros.
Outro rumo da investigação que surgiu de forma inesperada – tal como sucedeu com a teia de ligações das dívidas de Vieira ao Novo Banco agora conhecida – foram os negócios imobiliários da Altice Portugal. Nos últimos anos, a operadora tem vendido vários imóveis à Almost Future e à Smartdev, empresas controladas pela Vintagepanóplia, Vaguinfus, Hernâni Vaz Antunes, familiares e sócios. Os negócios dos imóveis que pertenciam a um fundo da antiga PT – a investigação da SÁBADO detetou vendas avaliadas em cerca de 15 milhões de euros, que incluem o chamado edifício Sapo localizado no centro de Lisboa – foram apanhados de forma fortuita nas escutas telefónicas da megainvestigação aos negócios do futebol.
A Altice Portugal já garantiu à SÁBADO que todas as transações de imóveis foram feitas a "preços de mercado e tendo sempre por base avaliações levadas a cabo por entidades avaliadoras independentes e credenciadas." Mas a SÁBADO sabe que estes negócios e os seus principais intervenientes estão há longos meses sob forte escrutínio das autoridades do MP e da AT. Até porque os investigadores detetaram um outro ca- so que consideraram suspeito, quando a 1 de março de 2019, num cartório no- tarial de Oeiras, o gestor André Coutada, sócio gerente da Vintagepanóplia, selou um negócio com o presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, e a mulher Anabela.
Nesse dia, a Vintagepanóplia vendeu ao casal Fonseca, por cerca de 1 milhão de euros, uma moradia de luxo localizada em Barcarena, uma das freguesias de Oeiras. Segundo a escritura pública de compra e venda a que a SÁBADO acedeu, no ato da assinatura do contrato foi feito um pagamento pelo casal de 200 mil euros através de um cheque do banco Santander. Quanto à dívida remanescente (859 mil euros), esta teria de ser paga "em 36 prestações mensais e sucessivas, das quais, 35 no montante de €23.611,11 e a última de €23.611,15, mediante cheque à ordem" da Vintagepanóplia. A primeira das prestações ocorreria até 30 de abril de 2019 e o total da dívida seria pago até março de 2022.
A moradia de Oeiras tem 1.512 metros quadrados de área total (220,12 metros quadrados de área coberta) e é composta por cave, rés do chão, 1º andar e logradouro, conforme indica o registo predial público do imóvel que consta na 1ª Conservatória de Braga. Alexandre Fonseca tem 46 anos e é desde o fim de 2017 (bem depois da assinatura do contrato de transmissão dos jogos do FC Porto pela Altice, conforme nos confirmou o próprio) o presidente executivo da Altice Portugal. "Confirmo assim que a minha esposa e eu adquirimos em 2019 um imóvel em Oeiras, destinado a primeira habitação, na sequência da alienação da nossa anterior residência.
ELES NEM DORMEM
Aliás, o silêncio sepulcral da comunicação do FC Porto é bem revelador sobre o receio que Pinto da Costa (e não só) tem de ser o senhor que se segue.
BEM-VINDO
Contratação de João Mário desbloqueada em dois dias, empréstimo de Nuno Santos descomplicado, presença na final de Hóquei feminino. Rui Costa parece estar a começar bem esta oportunidade de mostrar que tem perfil para o lugar.
Falta solicitar ao presidente da AG a convocação de eleições antecipadas (o que, estou convicto, acontecerá em breve), candidatar-se e fazer uma lista de qualidade em seu redor para, acredito, ter o apoio da maioria dos benfiquistas e iniciar um novo ciclo no clube.
Quanto ao próprio João Mário, desejo que tenha a maior sorte, e possa retomar o rendimento que mostrou em 2015-16, justamente com Jorge Jesus, que faria dele titular absoluto da selecção campeã da Europa.
A HORA DE RUI
Mesmo defendendo a realização de eleições antecipadas a breve prazo (onde Rui Costa, Noronha e outros poderão apresentar-se para, então, no momento próprio, os sócios escolherem livremente o que pretendem para o futuro), não podemos deixar de defender PRIMEIRO o Benfica, a sua equipa e a preparação de uma temporada que é extremamente importante. Isso passa, no imediato, por deixar Rui Costa trabalhar tão serenamente quanto possível.
A DETENÇÃO DE VIEIRA
Acerca da detenção de Luís Filipe Vieira tenho a dizer o seguinte:
1- Até ser condenado, qualquer cidadão é inocente. Ora Vieira nem sequer foi ainda formalmente acusado, o processo está em investigação, e há que respeitar o estado de direito. Há poucos dias um ex-ministro foi totalmente ilibado de vários crimes de que era acusado, depois do enxovalho na praça pública, e de ver a sua carreira política arruinada. Quando é com outros, sobretudo se poderosos, achamos graça. Se um dia nos tocar a nós, já não terá tanta piada. E este juiz tem palmarés na matéria.
2- Independentemente do que vier a suceder no processo, Vieira tem uma obra considerável no Benfica, que jamais será apagada, tanto a nível de infraestruturas, como de títulos (é o presidente que mais ganhou na história do clube). Essa obra estará sempre num dos pratos da balança. No outro, veremos o que fica, e para que lado ela pende.
3- Para mim, o clube sempre esteve, está e estará acima de tudo e todos, sejam eles jogadores, treinadores ou dirigentes. Nesse sentido, parece-me que não há condições para Luís Filipe Vieira se manter no cargo. Não sei se é culpado ou inocente, mas que mais não seja pela pressão mediática que se irá tornar insuportável, Vieira deveria, ele próprio, em nome do interesse do Benfica, afastar-se - pelo menos até poder provar a sua inocência em sede própria.
4- A solução para o imediato parece-me óbvia: Rui Costa assumir o cargo interinamente, e serem convocadas novas eleições para data que, tanto quanto possível, não comprometa a temporada desportiva.
5- Este caso irá ser aproveitado pelos rivais para tentar desestabilizar ao máximo o Benfica. Cabe aos benfiquistas ter a inteligência de não se deixarem entrar nesse jogo. Quem acredita em Vieira terá de esperar pacientemente pelas decisões do tribunal. Quem o queria ver longe do clube já não tem de esperar muito, mas não deverá querer deitar fora o menino com a água do banho. Pede-se neste momento, a todos os verdadeiros apaixonados pelo clube, alguma paciência, muita serenidade, nervos de aço e mais benfiquismo do que nunca.
UM GRANDE EUROPEU
Estou deliciado.
Jogos espectaculares. Estádios compostos (suspirava por isso...). Maior média de golos desde 1976.
Falta talvez uma grande estrela a este Campeonato da Europa. Mas em termos de futebol colectivo, ritmo, velocidade, intensidade e emoção, não me recordo de outra grande competição de selecções tão bonita nos tempos mais recentes. O Itália-Espanha, por exemplo, foi um recital.
Após uma temporada que, além de me afastar das bancadas dos estádios, quase me afastou da paixão pelo jogo, chega um torneio a lembrar-me que este é um vício para a vida.
INJUSTO
Foi pena.
Haverá tempo para outras análises, para avaliar as opções de Fernando Santos, a demora em reagir, as insistências em alguns jogadores. Agora, a quente, não seria justo fazê-lo.
Apenas talvez constatar que a Bélgica é uma grande equipa, e teve a sorte do jogo.
EM FRENTE
Neste caso, em rigor, ainda não acabou. Mas a qualificação para os oitavos-de-final, num grupo onde estava França e Alemanha, e onde Portugal teria de jogar duas partidas no terreno dos seus adversários, acaba por ser necessariamente positiva.
Foi pena não escaparmos ao quadro mais difícil. Podia ter acontecido, até mesmo sem interferência da nossa equipa, tal como acontecera em 2016, com os resultados que se conhecem. Desta vez o caminho para a final vai ser muito mais difícil, com Bélgica, e depois, eventualmente, Itália nos quartos e França ou Espanha nas meias. Vai ser duro, e tenho dúvidas de que, pelo que se tem visto, tenhamos forma de repetir o feito do último Europeu.
Quanto ao jogo em si, pode dizer-se que teve, não duas, mas três partes distintas. Primeiro com superioridade lusa, que justificaria vantagem ao intervalo, não fosse um penálti, quanto a mim inexistente, assinalado à beira do intervalo. Depois a reação francesa, que deu o segundo golo (continuo a não acreditar em linhas, e estas ainda me parecem mais toscas que as do campeonato nacional), contra a corrente da qual Portugal voltou a empatar. Mas a França manteve-se por cima, e na altura, com a Hungria a vencer em Munique, temi o pior. A terceira fase do jogo foi o quarto de hora final, em que uma espécie de pacto de cavalheiros deixou o empate encaminhar-se tranquilamente para o seu destino.
O onze escalado por Fernando Santos foi manifestamente mais coerente e compacto que o dos jogos anteriores. Bruno Fernandes não está no seu melhor, e William nunca foi jogador para a titularidade de uma selecção que tem melhores opções para o lugar. Renato Sanches, pelo contrário, está em grande momento, e no nosso melhor período foi o homem em maior destaque – pela força, pelo dinamismo e, agora, também pelo critério que dá ao sector central da equipa. Moutinho, pela experiência e sentido táctico, também esteve bem. Mas o principal destaque, além dos golos e dos recordes de Ronaldo, vai para Rui Patrício, que salvou Portugal em mais de uma ocasião.
Enfim, agora temos pela frente a Bélgica, de Lukaku e De Bruyne entre outros, primeira do ranking mundial de selecções. Um osso muito duro de roer, e que exigirá uma equipa portuguesa bem acima daquilo que tem mostrado até aqui.
O ONZE PARA A DECISÃO
DERROCADA
Não se entende, por exemplo, porque mantém o engenheiro duas estátuas em frente da defesa, quando as ditas não compensam os centrais, não compensam os laterais, nem participam no jogo ofensivo. E se Danilo ainda poderia ser útil em alguma dessas tarefas (nomeadamente na zona central da defesa, dado o seu jogo aéreo, permitindo alargar os laterais, coisa que ninguém lhe terá dito para fazer), já William não tem qualquer cabimento nesta equipa. Apenas ocupa espaço, e mal. Por algum motivo, todos os outros jogam em grandes clubes europeus enquanto ele aquece o banco do Bétis de Sevilha.
Tirar Bernardo Silva, que até estava a fazer um bom jogo, para fechar o corredor direito com...Renato Sanches, foi outro erro crasso, hipotecando duas posições com uma só alteração. Com Portugal a perder Bernardo tinha de continuar em campo. E Renato devia ter entrado, sim, mas para o corredor central. Entre Jota e Bruno Fernandes creio que só deve jogar um, pois se Bernardo e Ronaldo não defendem, o colectivo não suporta mais dois elementos nulos na hora de correr atrás dos adversários. Neste caso, Bruno Fernandes, pelo cansaço que denota e que o deixa muito longe do seu melhor, podia ficar no banco e ser lançado ao longo do jogo.
Os equívocos são muitos e a sorte não dura sempre. Espero estar enganado, mas temo o pior para o jogo com a França.
Não vou bater mais no ceguinho. Espero que Fernando Santos saiba interpretar o que correu mal, e à boa maneira de Scolari em 2004, tomar as opções óbvias ao arrepio da sua teimosia.
A ESTRELINHA CONTINUA A BRILHAR
Primeiro ponto: é quase emocionante voltarmos a ver um estádio completamente cheio, algo que não acontecia há mais de um ano. Que muito em breve tal se possa estender a todo o futebol mundial.
Quanto à partida, Portugal é muito melhor do que a Hungria,
e demonstrou-o ao longo de quase todo o tempo de jogo. Mas aos 84 minutos, com insistente
e preocupante 0-0 no marcador, confesso que maldizia Fernando Santos. Pela
constituição inicial da equipa (a insistência em William tem sido um mistério,
pese embora até nem ter estado mal nesta partida), e pelas substituições que,
na altura, me pareceram algo despropositadas (tirar Bernardo Silva, enfim…).
Tenho este problema com Fernando Santos: acho-o uma pessoa
estimável, mas não o compreendo como técnico. Será com certeza por ignorância
minha, pois o homem é campeão da Europa, e eu sou um simples curioso que gosta
de mandar bitaites.
A verdade é que, ou ele é mesmo genial e vê coisas que
ninguém vê (afirmar que ia ganhar o Europeu em 2016 depois daquela primeira
fase miserável…Santo Deus!…), ou tem uma sorte descumunal. E neste jogo com a
Hungria foi uma vez mais bafejado (ou visionário…) pois as substituições que eu
maldizia (inclusive o benfiquista Rafa, de quem tanto gosto), e que, para ser
franco, tacticamente continuo sem perceber, acabaram por se revelar
determinantes. Rafa foi mesmo o homem do jogo (para toda a gente menos para a
UEFA), com duas assistências e um penálti conquistado.De destacar o terceiro
golo, que foi um verdadeiro hino ao futebol.
Tudo está bem quando acaba bem. Foi assim em 2016, e foi
assim neste jogo – que acabou em apoteose, com Ronaldo a bater mais recordes e
as substituições de Fernando Santos louvadas por toda a gente.
Penso que bastará um empate num dos dois jogos que faltam
para garantir o apuramento. Depois…é esperar que a estrelinha continue a
brilhar.
Força Portugal!
O GUARDA REDES DOS 6-3
... e de muitas outras vitórias. Acima de tudo um grande ser humano, segundo todos os que o conheceram.
Descansa em Paz!
LISTA DE DISPENSAS
SVILAR - Emprestar a uma equipa onde jogue sempre, embora já comece a desconfiar do seu valor.
GILBERTO - Com a recuperação de André Almeida, deixará de fazer falta. Deve ter mercado no Brasileirão. Também não me chocaria que, em vez dele, saísse o próprio André Almeida...
JOÃO FERREIRA - Sem espaço, deve ser emprestado a uma equipa onde jogue sempre.
JARDEL - Fim de contrato. Agradecimentos.
KALAICA - Não acrescenta nada ao plantel.
GRIMALDO ou NUNO TAVARES - Aproveitar alguma possibilidade de fazer dinheiro com Grimaldo, caso contrário, emprestar Nuno Tavares. De qualquer forma, contratar outro lateral-esquerdo.
PIZZI - Salário demasiado elevado face ao rendimento recente. Como melhor goleador da Liga Europa, talvez se encontre mercado, apesar da idade.
GABRIEL - Vender ao melhor preço. Tem talento, mas peso a mais e rendimento demasiado irregular. Sem perfil para uma equipa como o Benfica.
PEDRINHO - Não encaixou no futebol europeu. Individualista e sem sentido táctico. Longe de fazer a diferença e justificar o preço. Vender ao melhor preço para o Brasileirão.
TAARABT - Lutador mas quase sempre pouco esclarecido. Não defende bem, nem remata à baliza, o que é um défice para um médio de equipa grande. Tentar vender para a Turquia ou Arábia Saudita, ou...
CERVI - Tem saída marcada para o Celta. Até tenho alguma pena, pois acho que é combativo e tem alguma qualidade.
SAMARIS - Salário demasiado elevado para o rendimento. Turquia, Arábia Saudita, Grécia ou...
DAVID TAVARES - Sem perfil para o Benfica. Dispensar.
TIAGO ARAÚJO - Emprestar a uma equipa onde tenha algum espaço.
PAULO BERNARDO - Emprestar a uma equipa onde tenha algum espaço.
WALDSCHMIDT - Não rendeu o que se esperava. Muito irregular. Como internacional alemão, tem mercado no seu país. Recuperar o dinheiro investido, ou pelo menos parte dele.
CHIQUINHO - É curto para o Benfica. Como médio ofensivo tinha de marcar e assistir mais. Encontrar mercado na Liga Espanhola, por exemplo.
TAÇA ALMEIDA
Tenho sérias dúvidas de que exista falta no lance entre Helton Leite a Abel Ruiz. Do que não tenho dúvidas algumas é de que o avançado do Braga toca a bola em direcção da bandeirola de canto, e havia dois jogadores do Benfica no eixo central em condições de eventualmente poder evitar o golo. Não havendo falta era cartão amarelo para Abel Ruiz por simulação. Havendo falta era livre contra o Benfica e cartão amarelo para Helton Leite. Expulsão? Só na cabeça de quem queria manipular o resultado. VAR? Só aparece quando não interessa, ou para, com linhas obtusas, assinalar foras-de-jogo de 10 centímetros.
A Covid já retirou os adeptos das bancadas. O futebol jogado tem sido genericamente miserável. A Final foi à porta fechada, em horário tardio e longe do Jamor. Com arbitragens destas bem podem abrir as bancadas, pois alguns já lá não voltarão.
É óbvio que o lance condicionou o jogo. Pode dizer-se que na final do ano passado o Benfica jogou mais de metade do tempo em vantagem numérica e perdeu com o FC Porto. Mas, aí sim, tinha obrigação de fazer mais e melhor. Nesta final fez o que pôde: teve falhas, cometeu erros, mas não creio que se possa atacar a atitude dos jogadores. Contra uma equipa forte e motivada, a injusta expulsão foi golpe de que um Benfica, já de si algo fragilizado, não conseguiu recompor-se.
Finalmente esta maldita época terminou. Muita coisa tem de mudar, quer no Benfica, quer no futebol português. O último ano e meio foi penoso a todos os níveis. Por agora o sentimento é de tristeza, de revolta, mas também de...alívio. Alívio por isto, pelo menos por agora, ter acabado.
CULTURA DE VIGARICE
Além da investigação em curso, muito gostaria de saber o que se terá passado nos balneários do Estádio do Dragão nas vésperas do Benfica lá jogar. A verdade é que toda a equipa veio de lá infectada, e isso foi caso único na temporada futebolística nacional. Houve casos aqui e ali, mas nada comparável, nem tão generalizado, o que me faz pensar que, se jogadores de várias equipas foram contagiados em lugares dispersos, e os do Benfica foram todos no mesmo dia, e no mesmo sítio, algo de estranho aconteceu nesse dia e nesse sítio - certamente por casualidade, o balneário do maior rival, rival esse com largo "palmarés" em golpadas fora de campo.
ATÉ ISTO...
Seferovic fez a sua parte, anotando dois golos. Mas a diferença horária nos jogos terá feito toda a diferença, e o Sporting, a jogar contra "mortos", conseguiu levar o seu jogador ao triunfo na "Bola de Prata".
Pior que isso, mesmo rodando a equipa, ainda se lesionou um dos mais importantes titulares (dos poucos que entraram em campo de início), e Lucas Veríssimo vai desfalcar a defesa para a Final da Taça. Boa notícia apenas a exibição de Morato que, enfim, permite a Jorge Jesus continuar a ponderar a utilização de três centrais diante do Braga. E recordo que foi precisamente em Braga que esse modelo se afirmou.
Ser melhor da segunda volta vale muito pouco. Apenas acentua a sensação de que tudo poderia, e deveria, ter sido diferente.
Com tanta contrariedade, com tanto azar, confesso que até tenho receio de ver o jogo de Domingo. Quem, em pouco mais de um ano, perde Taça da Liga 2020, Liga Europa 2020, Campeonato 2020, Taça de Portugal 2020, Acesso à Champions 2020-21, Supertaça 2020, Taça da Liga 2021, Liga Europa 2021, Campeonato 2021, Acesso directo à Champions 2021-22, só pode desconfiar de tudo: da equipa, da sorte e de alguns fantasmas que parecem pairar pela Luz.
DISPENSÁVEL
Infelizmente a vaidade leva a estas coisas, que só fragilizam o clube.
Toda a gente sabe que a próxima época terá de ser diferente. Não é preciso lembrar isso aos jornalistas.
SOUBE A POUCO
A verdade é que o conjunto de Ruben Amorim reagiu bem, e embora o Benfica continuasse a criar oportunidades até final, há que dizer que também o empate chegou a ser uma possibilidade.
Foi uma vitória da honra, que deixou algumas boas indicações para a Taça de Portugal. Mas também alguns avisos, pois os golos consentidos exigem alguma reflexão.
COM GUARDA DE HONRA, E COM...VITÓRIA
Depois, assim que o árbitro apitar, entrar com tudo para vencer o jogo. Aí sim, é que o Benfica deve mostrar que tinha equipa para ter sido o campeão. Aí sim, é que pode levantar dúvidas sobre a justiça do título. Aí sim é que pode de alguma forma subalternizar o seu adversário - desportivamente, claro, que é o que me interessa.
AFINAL HAVIA OUTRO
A primeira parte foi uma vez mais desastrada. Como o próprio Jorge Jesus afirmou, alguns jogadores não sabiam o que andavam a fazer em campo. Pedrinho, por exemplo, que até tem algum talento, foi uma nulidade, com sucessivas más decisões a evidenciarem que não terá aprendido muito desde que chegou do Brasil por 18 milhões. Outro caso é o de Waldschmidt, que custou 15 milhões, e depois de uma monumental exibição no primeiro jogo que realizou (em Famalicão), foi caindo, caindo, até se tornar outra nulidade. Cervi e Chiquinho parecem já ter a cabeça noutras paragens. Nuno Tavares, enfim, tem momentos.
Na segunda parte, com Grimaldo, Pizzi, Everton, e depois Darwin e Gonçalo, o Benfica melhorou bastante. Não ao ponto de brilhar, mas de fazer uma exibição normal, ao nível do que se espera num confronto com o último classificado.
Gonçalo é goleador. Disso não há dúvidas. Já Darwin parece-me um ponta-de-lança sofrível, mas quando parte do flanco esquerdo torna-se um excelente avançado. Gostava de um ver num 4-3-3.
SEFEROGOLOS
Espera-se, pois, uma equipa em torno do suíço. Venham os golos.
A DIAS O QUE É DE DIAS
- apresentar boa forma física;
- falar bem inglês;
- conseguir manipular jogos de acordo com os interesses superiores sem dar muito nas vistas.
Ora o árbitro do Porto cumpre todos eles, tal como, num passado não muito distante, Pedro Proença também os cumpria.
De resto, se olharmos para as prestações no campeonato nacional, e, naquilo que me diz respeito, nos jogos do Benfica, Soares Dias comete demasiados erros, erros demasiado graves, e sempre para os mesmos lados. Ninguém se lembra de um "clássico" com Porto ou Sporting em que Soares Dias se tenha enganado a favor do Benfica. Mas todos se lembram, praticamente em todos os "clássicos" com Porto e Sporting, de vários erros graves a prejudicar o Benfica - muitas vezes de forma sub-reptícia, habilidosa e em alguns casos quase invisível, mas sempre eficaz.
Depois há também outra questão: pode um árbitro a viver na cidade do Porto, reiteradamente ameaçado e insultado pela ingratidão dos Super Dragões, ter condição psíquica para dirigir um jogo como este? Apesar de tudo, não seria mais confortável que a arbitragem de um Benfica-Porto ficasse a cargo de alguém que vivesse longe das duas maiores cidades? Aqui não se trata de uma questão de honestidade, mas sim de pressões e de medo. Antigamente essa regra existia. Ainda existe em jogos internacionais. Talvez não fosse má ideia recuperá-la.
TEM DIAS
O Benfica porque no largo período compreendido entre o golo de Everton e o empate de Uribe praticamente não existiu, limitando-se a esperar que o tempo passasse e que o seu trio de centrais, bem como Helton, continuassem a resolver os problemas que os portistas crescentemente colocavam. O FC Porto porque foi…FC Porto, apostando numa combatividade muito para além das leis, com simulações, intimidações, provocações e entradas selvagens desde o primeiro minuto, destacando-se Otávio, Sérgio Oliveira e, sobretudo, como é hábito, Pepe. O árbitro porque compactuou com tudo isto, utilizando uma impressionante dualidade de critérios que fez com que, pasme-se, o Benfica terminasse com mais do dobro dos cartões amarelos do seu adversário (8-3). Aliás, este número diz tudo sobre a actuação de Artur Soares Dias.
Depois, ainda há o VAR. Já disse várias vezes que não confio minimamente nas linhas de fora-de-jogo. Carecem de rigor em dois aspectos: o próprio ângulo de colocação, e a definição do exacto momento em que a bola parte (no qual uma diferente “frame” do momento do passe pode fazer o seu destinatário adiantar-se dois ou três metros). No futebol de que eu gostava, Darwin estaria em linha no lance do segundo golo do Benfica. E o golo seria validado. E o Benfica ganhava. Até concedo que os dois penáltis possam ter sido retirados, mas anular-se um golo porque um jogador calça 45 e outro 38, ou porque a linha é mais ou menos obtusa, não faz qualquer sentido. E festejar no último minuto para poucos segundos depois perceber que não valeu é dar um tiro no coração do futebol.
De resto, o jogo esteve ao nível das bancadas vazias. Salvaram-se os últimos minutos, quando, então sim, o Benfica foi Benfica, procurando o golo que só por manifesta infelicidade não obteve.
O resultado é mau para ambos. E merecidamente mau, pois nenhum deles merecia outra coisa. De resto, creio que qualquer que tivesse sido o resultado deste jogo, a classificação não se alteraria até final.
Agora, é ganhar ao Sporting por uma questão de dignidade, ajudar Seferovic a ser "Bola de Prata" (já que o "Clássico" nem para isso serviu), sobretudo ganhar a Taça de Portugal, e esquecer que esta temporada existiu. Tal como, alias, a anterior. Há que voltar a 2019 e partir daí para o futuro.
PARABÉNS MALTA!
Fico a torcer pelo City na final, não porque aprecie o conceito do clube, mas por ver gente que nos é tão simpática a defender as suas cores. Força Ederson, força João, força Ruben, força Bernardo. Vocês merecem ser felizes, e se ganharem a Champions, ela também será, mesmo que só um bocadinho, de todos os benfiquistas.
VINTE MINUTOS
No resto do tempo não mais se viu esse Benfica. Talvez demasiado confiante, talvez fruto de maior acerto defensivo do Tondela, a verdade é que o jogo mudou, e os homens da casa estiveram, mais de uma vez, perto de fazer o golo.
Destaque para Everton, que terá sido o melhor em campo, e feito o melhor jogo com a camisola encarnada, bem como para Helton Leite, que segurou o resultado com uma excelente exibição, cimentando a sua titularidade na baliza do Benfica.
Fica o resultado, e fica também a esperança num milagre que ainda garanta a qualificação directa para a Champions, sendo que a pré-eliminatória, pelo menos, parece assegurada.
VELHOS MÉTODOS
Quantas vezes Sérgio Conceição já foi expulso? Quantas mais será, até ser castigado a sério?
Quantos penáltis o FC Porto já teve a favor neste campeonato? Quantos mais terá devido ao barulho que agora voltou a fazer?
No futebol português o crime compensa e, ou me engano muito ou na próxima jornada teremos pagamento.
DEMASIADO DIFÍCIL
Mas a exibição confrangedora dos encarnados diante do Santa Clara deixa muitas interrogações no ar.
A primeira parte foi, uma vez mais, escandalosamente fraca. E a segunda não foi suficientemente melhor para apagar a impressão deixada. O Benfica acabou por ter a sorte de um jogo que, sejamos justos, talvez nem merecesse vencer.
Não sei se o esquema de três centrais é o mais adequado para este tipo de jogos. Talvez o seja para jogar com FC Porto ou Sporting, mas para defrontar adversários mais modestos, que fazem do rigor defensivo a sua principal arma, fica a faltar gente na frente para causar os necessários desequilíbrios.
Acresce que há unidades deste Benfica em claro sub-rendimento. Everton tarda em mostrar-se. Pizzi parece desmotivado. E até Rafa evidencia sinais de cansaço. Seferovic tem dias. Waldschmidt é extremamente irregular. E neste jogo acabou por ser Chiquinho a fazer a diferença. A boa notícia é um certo crescimento de forma de Darwin.
O Benfica ainda não depende de si para chegar ao segundo lugar. E, ao que tudo indica, viajará para Tondela sem Otamendi, Weigl, Gabriel e Taarabt, além de Jardel e, claro, Samaris e André Almeida. Demasiadas baixas num plantel não tão brilhante como isso.
Este campeonato tem trazido algumas surpresas. Pode ser que a sorte acompanhe a equipa encarnada nesta ponta final, e ainda venha ser possível o apuramento directo para a Champions. Será preciso vencer todos os jogos (onde se incluem os clássicos com FC Porto e Sporting), e ainda que os portistas encostem mais uma vez (e além da Luz só vão a Vila do Conde).
DUAS CARAS
Embora a primeira parte deste jogo não fosse exemplar, o golo perto do intervalo catapultou o Benfica para uma reviravolta, uma goleada, e uma excelente exibição - ao nível do que havia feito em Braga e em Paços. Seria uma bela sequência, não fosse, lá está, o malfadado jogo anterior, que hipotecou o segundo lugar, bem como qualquer réstia de esperança na conquista do título (num momento em que o Sporting ameaça colapsar).
Faltam seis jogos. Há que os vencer, assegurar, no mínimo, o terceiro lugar, e depois ganhar a Taça. E reflectir sobre o que foi esta temporada, na qual, vírus à parte, o Benfica de Jesus mostrou demasiada irregularidade.
QUE PENA...
Sem a Superliga, Haaland e Mbappé não irão certamente abandonar a carreira. Se o Real Madrid não tiver dinheiro para os contratar...que contrate o Rodrigo Pinho, como faz o Benfica.
ADEUS!
MANCHESTER CITY...... out
LIVERPOOL..... out
ARSENAL.......out
TOTTENHAM.....out
CHELSEA.......out
INTER........prestes a sair
ATLETICO MADRID....prestes a sair
BARCELONA......prestes a sair
MILAN....... a ponderar
Sobram dois gananciosos. Irão jogar um contra o outro dezoito vezes, certamente com enorme audiência. Adeus, e sejam felizes!
A MINHA NOVA CHAMPIONS
SUPERLIGA? NÃO!
É verdade que existe a NBA, mas num país diferente, com uma tradição que remonta há mais de 70 anos, e num modelo em que não há mais qualquer competição nacional para aqueles jogadores.
O futebol vive de rivalidades locais, regionais e nacionais, de um conjunto de competições, da identificação que as pessoas sentem pelos seus clubes, e do sonho que alimentam de os verem chegar longe. A Superliga é cortar esse sonho e essa identificação para a maioria dos emblemas e, logo, para a maioria doS adeptos.
Eu vejo a Liga dos Campeões porque o Benfica normalmente participa nela, já a venceu, e foi várias vezes a fases adiantadas (assim como o FC Porto). É esse o fascínio, que depois me arrasta para outros jogos. Se não puder participar, não me interessa nada ver um Real Madrid-Liverpool só pelos nomes, ou por ser disputado por jogadores ricos, numa prova fechada e sem alma. O futebol não é só boas jogadas e bons golos. Nem é principalmente isso. É toda uma cultura para além de um mero show de entretenimento, e que os CEO's destas multinacionais não compreendem - provavelmente porque nunca conheceram essa paixão.
Se quiserem avançar com a Superliga, avancem. Eu não pagarei um cêntimo para ver qualquer jogo. Os chineses que a vejam e que a paguem.
PONTAPÉ NO ESTÔMAGO
Rafa, Seferovic e Waldschmidt pura e simplesmente não existiram durante os primeiros 45 minutos. E foi aí que a derrota começou a desenhar-se. O Gil, sem pressão, com espaço para sair a jogar, ganhou confiança e ganhou vantagem - que foi conseguindo gerir tranquilamente na segunda parte, com algum sofrimento apenas nos instantes finais. Um filme já visto, em que a equipa pequena chega à vantagem, ganha confiança, a grande facilita, e depois, deparando-se com queimas de tempo sucessivas, enerva-se ao ver que é tarde para dar a volta, e tem de arriscar abrindo espaços para o contra-ataque.
O sonho do título esfumou-se por completo. E até o segundo lugar parece agora uma miragem. Resta manter o terceiro, que também está longe de ser um dado adquirido.
Até há uns dias atrás, a narrativa da Covid, enquanto responsável pelos maus resultados, parecia fazer sentido. E agora? Que justificação encontrar? Sinceramente não sei. Espero que se garanta pelo menos o terceiro lugar, se vença a Taça, e, sobretudo, que a temporada termine depressa.


































