DERROCADA

Após o jogo com a Hungria, já aqui tinha expressado a minha dificuldade em compreender algumas das opções tácticas de Fernando Santos. Depois de levar quatro da Alemanha, essa incompreensão generalizou-se a todo o país desportivo. Ao menos não estou sozinho o que, neste caso, é parca consolação.
Não se entende, por exemplo, porque mantém o engenheiro duas estátuas em frente da defesa, quando as ditas não compensam os centrais, não compensam os laterais, nem participam no jogo ofensivo. E se Danilo ainda poderia ser útil em alguma dessas tarefas (nomeadamente na zona central da defesa, dado o seu jogo aéreo, permitindo alargar os laterais, coisa que ninguém lhe terá dito para fazer), já William não tem qualquer cabimento nesta equipa. Apenas ocupa espaço, e mal. Por algum motivo, todos os outros jogam em grandes clubes europeus enquanto ele aquece o banco do Bétis de Sevilha.
Tirar Bernardo Silva, que até estava a fazer um bom jogo, para fechar o corredor direito com...Renato Sanches, foi outro erro crasso, hipotecando duas posições com uma só alteração. Com Portugal a perder Bernardo tinha de continuar em campo. E Renato devia ter entrado, sim, mas para o corredor central. Entre Jota e Bruno Fernandes creio que só deve jogar um, pois se Bernardo e Ronaldo não defendem, o colectivo não suporta mais dois elementos nulos na hora de correr atrás dos adversários. Neste caso, Bruno Fernandes, pelo cansaço que denota e que o deixa muito longe do seu melhor, podia ficar no banco e ser lançado ao longo do jogo.
Os equívocos são muitos e a sorte não dura sempre. Espero estar enganado, mas temo o pior para o jogo com a França.
Não vou bater mais no ceguinho. Espero que Fernando Santos saiba interpretar o que correu mal, e à boa maneira de Scolari em 2004, tomar as opções óbvias ao arrepio da sua teimosia.

3 comentários:

Islander disse...

Só uma coisa: o Bernardo não defende? 🙄
Ninguém no mundo que jogue naquelas posições defende tanto como o Bernardo.
Defender numa anarquia colectiva é que ninguém consegue....

PAULO SANTOS disse...

Lembram-se da seleção da Argentina quando o saudoso Diego Maradona era o Treinador?
Tinha jogadores fabulosos, teoricamente seria imbatível. Ganhou BOLA.
Sabem porquê ?
Porque o Maradona era zero como treinador, e queria colocar a jogar os craques todos ao mesmo tempo, além dos seus amigos.
Não jogava quem estava em melhor forma, quem mais jogos fez durante a época e estava em grande forma física ou quem mais treinava, jogavam os nomes. Sentem o paralelismo ?

Falando do Bernardo. Segundo o Guardiola, e os dados não o desmentem, é o jogador que mais corre, que mais Kms faz durante um jogo...mas o Guardiola é Treinador, não coloca o rapaz num colete de forças. Não o obriga a atacar por fora e por dentro, não o obriga a fechar no meio e na lateral, não o obriga a jogar como nº 10 e extremo, não o obriga a passar a bola sempre ao mesmo colega para este bater recordes...dá-lhe liberdade com "obrigações". Por isso, não raras vezes diz que o Bernardo é dos jogadores mais inteligentes que já viu.

Mark Trencher disse...

Tudo dito no último parágrafo.