DRAMA EM MADRID

Entre Real Madrid e Barcelona já tendo normalmente a preferir o primeiro. Mas na Liga dos Campeões gosto acima de todo de ver as melhores equipas e os melhores jogadores, e o Real Madrid desta época está (como quase sempre) recheado de grandes estrelas.
Por tudo isto, foi com muita pena que vi a eliminação da equipa espanhola aos pés de um esforçado, mas não tão cintilante Lyon. Eliminação essa que, diga-se, ao intervalo, parecia altamente improvável, dado o caudal de futebol ofensivo de Cristiano Ronaldo e seus pares perante um conjunto francês remetido às imediações da sua área.
Em parte o cansaço, em parte as incompreensíveis opções de Pellegrini (ai a saída de Kaká, ai a entrada de Mamadou Diarra), explicam a estranhíssima exibição madrilena após o intervalo, período em que convidou os franceses a tomar conta do meio-campo e partir em busca do golo. Ele chegou a um quarto de hora do fim dos pés de Pjanic, e a partir daí sentiu-se que só um milagre salvaria o Real. E até foram Lisandro e Delgado a desperdiçar as melhores oportunidades até ao último apito do árbitro.
Foi um grande jogo de Champions, mas ficaria muito mais satisfeito se Ronaldo, Kaká e companhia estivessem nos quartos-de-final. Os outsiders têm piada na altura, mas depois, caramba, um Manchester-Real Madrid é bem mais apetitoso que um Manchester-Lyon...
A Pellegrini nem a conquista do campeonato irá salvar. Mas para Portugal talvez seja positivo ter um Cristiano Ronaldo mais fresco no Mundial da África do Sul.

Após a vigília à porta da Liga, agora a vigília à porta do avião.
Esta gente não tem emenda...

REGRESSO AO FUTURO

Depois de alguns anos atípicos, parecem estar agora reunidas as condições para que o futebol português retome a ordem natural da sua história.

BEN...BEN...BENDTNER !

No ano passado havia sido o Sporting. Este ano cabe ao FC Porto o triste papel de "cabeçudo" da Champions League.
Esmagado em Londres, o (ainda) conjunto de Jesualdo Ferreira não mostrou estofo para as andanças do futebol europeu, confirmando todas as debilidades reveladas nos últimos tempos no contexto doméstico. Foram 5, poderiam ter sido 7, 8 ou 9, não fora a excelente exibição de Helton (de longe, o melhor portista em campo).
Arséne Wenger estará agora novamente a rir-se no balneário. A rir-se do confrangedor adversário que lhe apareceu pela frente, que permitiu um verdadeiro passeio a Arshavin, Bendtner, Nasri e companhia, e que enxovalhou uma vez mais a imagem do futebol português – agora também dentro dos relvados.
Devo confessar que tinha por provável que as pobres exibições do FC Porto no campeonato pudessem estar relacionadas com a preparação desta eliminatória. Acreditava, inocentemente, na hipótese da equipa portista aparecer em grande forma no "Emirates", e, tendo por diante um adversário inglês (equipas tradicionalmente acessíveis ao nosso futebol), marcar golos e seguir em frente. Escrevi-o aqui.
Afinal os problemas do FC Porto são bem mais profundos. Decididamente parecem significar o canto do cisne de um treinador, de uma equipa, e de um ciclo que marcou o futebol português nos últimos anos. A Liga dos Campeões acabou para o FC Porto. E, muito provavelmente, por algum tempo.
Quem terá saudades?

A VERDADE DOS NÚMEROS

O senso comum é apontado como o pior inimigo do conhecimento científico. Subverte dados, enviesa conclusões, adultera a verdade. Só a experimentação, a verificação e a análise permitem chegar aos destinos de objectividade que a ciência exige.
Um bom exemplo disso mesmo é a pontuação das equipas portuguesas para o ranking da UEFA dos últimos anos. Muita gente, que não fez as contas, diz que o FC Porto é quem mais contribuiu. Eu, que fiz as contas, afirmo a pés juntos que foi o Benfica. Quem conseguir, que me desminta.
Comecemos pelas pontuações simples (vitórias, empates e bónus) de cada clube em cada uma das últimas cinco temporadas:

Não seria preciso muito mais, mas a pontuação efectiva ponderada é calculada dividindo a pontuação simples pelo número de equipas representativas do respectivo país em cada temporada. Vejamo-la:

Chegamos assim à pontuação do país no Ranking, onde Portugal, à entrada desta temporada, ocupava o 10º lugar.

E pronto, lá temos o Benfica como o maior contribuinte para a pontuação de Portugal no Ranking da UEFA. Curiosamente o 2º lugar é do Sporting.
Não acreditam? Façam as contas!

PS: Depois da publicação deste post apareceu um artigo do "Mais Futebol" que diz ser o FC Porto o clube que mais contribui. Acontece que o "Mais Futebol" considera já os pontos desta temporada (que ainda não terminou), e retira assim os de 2004-05. Embora respeite a opção, não creio que seja a melhor forma de analisar o contributo efectivo dos clubes para aquilo que mais interessa: as qualificações de equipas. Os meus números são reais para a temporada presente. Os do "Mais Futebol" são provisórios para a temporada seguinte.

POLITICAMENTE INCORRECTO

O FC Porto joga hoje em Londres a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, e com isso, a hipótese de salvação da época - afastado que está da conquista do título, e partindo do princípio que nem Taça da Liga, nem mesmo Taça de Portugal, serão suficientes para aquecer a alma do Dragão.
Conheço muitos benfiquistas (alguns deles destacados) que irão torcer pelos azuis-e-brancos. Não são a maioria, mas estou em crer que, globalmente, constituem um número significativo. É o patriotismo a falar mais alto. É o politicamente correcto a ditar as suas leis.
Não me peçam para fazer parte desse grupo. Com toda a honestidade, desejo que o Arsenal ganhe e o FC Porto seja eliminado. Não irei sofrer com o jogo (vou vê-lo com total tranquilidade), e nenhum resultado me fará chorar, mas se pudesse escolher, o Arsenal seguiria em frente.
Nem sempre pensei assim, e recordo-me de, na inocência dos verdes anos, ter ficado feliz com o triunfo do Porto em Viena. Um ano depois assisti pela TV, chocado, aos festejos na baixa portuense após o penálti falhado por Veloso em Estugarda, e desde então a minha posição sobre o assunto alterou-se, variando de acordo com as temporadas e as ocasiões. Agora é assim.

O tema merece ser analisado. Até porque entra em linha de conta com diversos factores, quer no âmbito das emoções, quer quanto ao pragmatismo dos pontos, ou do desgaste que as provas europeias acarretam. Direi por exemplo que, caso o FC Porto estivesse na discussão do título com o Benfica talvez me agradasse a sua continuidade na Europa de modo a dispersar assim as suas atenções e esforços. Tal como tenho a certeza que, no dia em que Pinto da Costa desaparecer, irei passar olhar o FC Porto com outros olhos - certamente com muito maior respeito -, sendo então capaz de torcer pelos seus sucessos internacionais, como o faço quando jogam Braga, Guimarães, Nacional e todos os outros, entre os quais, e na maioria dos casos, também o Sporting.
Muito embora, no meu ponto de vista, a verdadeira e única representação do país seja a Selecção Nacional, e os clubes sejam hoje autênticas multinacionais desportivas, cujos laços de identidade patriótica são pouco mais que residuais, a verdade é que o sistema de pontuações da UEFA também obriga a reflexões. Uma boa temporada europeia de Benfica, FC Porto e Sporting (como esta vai sendo), pode significar benefícios para todos nos próximos anos. E isso também deve ser ponderado.
Mas, na conjuntura actual do futebol português, trocava bem uns pontinhos do FC Porto no ranking pela instabilidade estrutural e financeira que uma eliminação em Londres seguramente traria ao clube. Trava-se neste momento uma batalha doméstica pela hegemonia no futebol português dos próximos anos, e dessa luta o FC Porto ainda não está afastado. O que resta desta temporada é particularmente relevante para aquilo que pode vir a ser a próxima, e uma caminhada portista até a uma nova final europeia (coisa que, diga-se, com Bordéus, Lyon, Fiorentina e Sevilha possivelmente apurados, não é de colocar de parte) poderia alterar radicalmente o sentido da história que se vai pressentindo internamente. Uma passagem aos quartos-de-final ainda será tolerável, mas mais do que isso poderá pôr em causa os novos equilíbrios que se desenham no futebol português, e acabará por se tornar, indirectamente, prejudicial ao Benfica. Assim sendo, o mais prudente seria a coisa ficar resolvida já hoje.

PS: Ficou expresso o meu desejo. Outra coisa é a minha antevisão daquilo que pode acontecer. Essa aponta para a forte possibilidade do FC Porto, mesmo em crise, passar a eliminatória.

9-1=8

Faltam ainda oito finais. Oito semanas para que se faça justiça à verdade deste campeonato e para que o bom futebol seja premiado. Oito jornadas em que muitas coisas estarão em jogo, mas face às quais este Benfica não dá qualquer sinal de cedência, lançando no ar a questão: quem o poderá parar?
É muito cedo para entrar em euforias, mas não estaria a ser honesto se não confessasse que esta noite comecei a ver o fundo ao tacho.
A superioridade do Benfica sobre os seus adversários é esmagadora, e cada vez mais afirmativa. A diferença pontual vai aumentando, e só um tal Benfica-Sp.Braga, dentro de duas semanas, ameaça um panorama de optimismo absoluto. Se o Benfica não perder pontos na Choupana e ganhar o jogo com o adversário directo, será, com toda a certeza, campeão nacional. E poderá mesmo sê-lo antes ainda da deslocação ao Estádio do Dragão na penúltima jornada.
Diante do Paços de Ferreira os encarnados fizeram aquilo que tinham de fazer. Entraram a matar, realizando vinte minutos plenos de velocidade, intensidade, pressão e capacidade técnico-táctica, ao nível do melhor que se lhes viu esta temporada. Deixaram o adversário à beira do KO, marcando dois golos, e ficando a dever a si próprios outros tantos. Nova goleada parecia vir a caminho.
Acontece que nesta fase da temporada o realismo é uma virtude da qual ninguém pode prescindir. A partir da meia-hora o Benfica baixou o ritmo, fazendo a gestão do jogo que se impunha. Tudo corria dentro do previsto não fosse o golo de William, à beira do intervalo, que veio pôr alguma desordem num guião que desde cedo ficara escrito.
Aquele momento fortuito relançou o jogo, e fez soar campainhas de alarme na equipa encarnada. Até porque, ao contrário do que ocorrera no início da partida, no regresso do intervalo via-se um Paços muito mais seguro, ameaçando discutir o resultado até ao último minuto.
Por alguns momentos a ansiedade tomou conta das bancadas da Luz, mas com um remate feliz de Cardozo tudo voltou ao devido lugar. O Benfica, com os três pontos na mão, geriu então o jogo como quis, não deixando espaço para grandes veleidades ofensivas a um adversário que, ainda assim, nunca desistiu de tentar a sua sorte.
Os números finais acabam por ficar aquém daquilo que o Benfica merecia, mas uma maior diferença de golos seria, por outro lado, demasiado cruel para uma das melhores equipas que passou pela Luz nos últimos tempos.
Individualmente creio que Di Maria, mesmo sem marcar, voltou a ser o melhor em campo, dando sequência ao seu extraordinário momento de forma. Mas também Cardozo, Ruben Amorim e Airton (que agradável surpresa…) estiveram em bom plano.
Soares Dias teve um jogo fácil de dirigir, mas não seguiu um critério coerente na mostragem de cartões amarelos.
Seguem-se duas jornadas que, como disse, poderão definir o campeão. Duas vitórias seguidas e o Benfica poderá começar a encomendar as faixas. E tão bem que elas lhe irão ficar…
PS: Não tendo sido possível introduzir a classificação "real" em tempo útil, deixo aqui um resumo da mesma:
FC PORTO-OLHANENSE: um penálti por marcar para cada lado; 1º golo do Olhanense legal - 2-2
V.SETÚBAL-SP.BRAGA: nenhum dos penáltis reclamados o foi - 0-0
BELENENSES-SPORTING: golo mal anulado ao Sporting - 0-5
BENFICA-P.FERREIRA: nenhum dos penáltis reclamados o foi; falta de Coentrão fora da área por assinalar; amarelos exagerados a Saviola e Di Maria - 3-1
CLASSIFICAÇÃO: BENFICA 60 pts, Sp.Braga 45, FC Porto 44 e Sporting 38

O ADIANTADO MENTAL

Não me revejo nos assobios à selecção (nunca o faria), mas não deixo de os compreender e aceitar como naturais. Os caminhos que Carlos Queiroz tem trilhado no comando técnico nacional põem-no - a ele e, consequentemente, à equipa - a jeito desta triste situação.
A entrevista desta noite à RTPN confirma a ideia de um homem obcecado com a organização e o método, mas que, no meio de um discurso esdrúxulo, acaba por deixar o essencial perder-se nos labirintos do acessório, aprisionando invariavelmente o presente às amarras do futuro. Ouvimo-lo falar, e nota-se que a música (forma sofisticada do discurso) abafa a letra (conteúdo vazio e errante). Não consegue fugir à lógica do formador, que nem sempre se cruza com as exigências imediatas de uma selecção com ambições.
A maioria das questões mais pertinentes ficou sem resposta objectiva, e as contradições foram inúmeras (quer com a prática, quer no âmbito da própria entrevista). Manifesta a todo o momento ser um homem de gabinete, um eminente académico, mas nunca um grande técnico de banco. Assim o prova, aliás, o seu parco currículo, pontuado por vários despedimentos.
Muitos dos jogadores estão já saturados das suas redondas e longas palestras. Mas a eles, como a nós, não resta alternativa: temos de o suportar até ao Mundial.
Não confundo a selecção com o treinador que conjunturalmente a orienta, assim como nunca confundi o Benfica com Artur Jorge ou Jesualdo Ferreira. O meu apoio será sempre incondicional, sobretudo a partir do momento em que a competição for a doer.
Não deixo no entanto de manifestar a minha preocupação ante aquilo que vejo. E não apostaria um pau de fósforo queimado na possibilidade de, com este treinador, passarmos sequer da fase de grupos.

NOTA FINAL: A minha sorte é que Queiroz não me conhece. Caso contrário suponho que estaria sujeito a levar uns socos quando me cruzasse com ele no aeroporto.

ORDEM PARA RODAR

UM ANGEL COM O DIABO NO CORPO

Vi um resumo muito curtinho do Alemanha-Argentina (inexplicavelmente a Sport Tv preferiu passar os desinteressantes Inglaterra-Egipto e o Suíça-Uruguai). Mas o que vi chegou para perceber a extraordinária exibição de Angel Di Maria.
Dois lances definem-na: uma iniciativa individual só ao alcance dos predestinados que ele próprio concluiu com um forte remate à trave, e um esplendoroso passe de trinta metros que isolou Higuain para o golo solitário do jogo.
A estela argentina está no melhor momento da sua carreira. A evoluír desta forma, "Di" pode tornar-se um dos melhores jogadores do mundo a breve prazo. A má notícia é que os benfiquistas podem começar a despedir-se dele, a boa notícia é que, em condições normais, a tesouraria da Luz pode contar com os 40 milhões da sua cláusula de rescisão.
PS: O Andebol do Benfica sofreu a 8ª derrota da época. Depois de ver voar a Supertaça, a Taça de Portugal e a prova europeia, as contas do campeonato complicam-se a cada semana que passa. Dispondo de jogadores de grande classe, o que se vê em campo é uma manta de retalhos, em que a agressividade é nula e a organização inexistente. É algo que se vem acentuando desde o dia em que Donner foi despedido. Creio ser altura de se fazer alguma coisa.

BOA SORTE E POUCO MAIS

Será que entre Quim, Ruben Amorim, Fábio Coentrão, Carlos Martins, César Peixoto e Nuno Gomes, nenhum deles tem lugar nos dezoito convocados para a selecção?
Ou será que Queiroz, depois de ter tentado mudar o jogo com a Bósnia da Luz para o Dragão, depois de convocar Boa Morte apenas por este ter estado presente numa festa do FC Porto, depois de lançar Beto, Rolando, Duda entre outros apenas por serem (ou estarem próximos) do FC Porto, depois de pretender limitar o vermelho nos equipamentos, depois de se sentar repetidamente ao lado de Pinto da Costa, depois de participar na cerimónia litúrgica em torno de Pedroto, está mesmo empenhado em prescindir do apoio de 60 % dos portugueses?
Para mim, a selecção está ainda muito, mas mesmo muito, acima de qualquer Queiroz, e como benfiquista até agradeço que nesta altura os meus jogadores sejam poupados ao desgaste de mais um jogo. Mas confesso que a cada dia que passa, a cada convocatória que sai, se torna mais difícil para mim apoiar este projecto. Esperando estar enganado, tenho um feeling que tudo vai correr mal, e não me esqueço que só estamos no Mundial porque, felizmente, a Dinamarca marcou um golo à Suécia.
Para já, sinalizando o meu descontentamento, não vou dizer mais uma palavra sobre o jogo com a China.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Uma jornada que se previa quente acabou por não ter muito que contar em termos de arbitragens, isto se exceptuarmos um golo limpo anulado a Di Maria, ainda assim sem consequências.

SP.BRAGA-OLHANENSE
Impressionante a imensa sorte que a equipa de Domingos voltou a ter, conseguindo o empate no seu primeiro remate à baliza, já depois do Olhanense ter desperdiçado três ocasiões flagrantes para fazer o 0-2 (fazendo lembrar o jogo do Restelo em que o Braga foi massacrado, viu o adversário falhar um penálti, e pôs-se em vantagem, completamente contra a corrente do jogo, nos descontos antes do intervalo).
Mas, enfim, estas são questões que passam ao lado desta rubrica. O árbitro esteve bem, e o único lance com alguma polémica terá sido o eventual fora-de-jogo no terceiro golo minhoto. Aceita-se aí o critério do assistente, e fosse ele qual fosse, a vitória do Braga estava mais ou menos assegurada.
Resultado Real: 3-1

LEIXÕES-BENFICA
O fora-de-jogo assinalado a Di Maria no lance do primeiro golo da noite é um escândalo. Como é possível ver algo que, de todo, não existe, sobretudo quando as instruções são para deixar prosseguir os lances em caso de dúvida. O fiscal-de-linha até estava bem colocado, e com o resultado ainda a zero podia ter arranjado ali um sarilho dos grandes.
Lucílio Baptista não tem culpa, e naquilo que lhe competia fez uma boa arbitragem.
Resultado Real: 0-5

SPORTING-FC PORTO
João Ferreira não fez uma boa arbitragem. Equivocou-se muitas vezes, marcou faltas ao contrário, deixou passar outras em claro, prejudicando indiscriminadamente ambas as equipas. Deixou inexplicavelmente Bruno Alves em campo, quando o central portista tudo fez para ser expulso.
Não parece contudo que tenha tido qualquer influência no resultado. Nos únicos lances polémicos a esse nível, ajuizou bem o reclamado (mas inexistente) penálti sobre Falcão, e foi bem auxiliado no fora-de-jogo assinalado ao mesmo jogador quando este se dirigia isolado para a baliza de Rui Patrício.
Resultado Real: 3-0

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 57
Sp.Braga 44
FC Porto 43
Sporting 35 (com as suas últimas duas exibições, tenho que reconhecer que, mesmo fora das contas do título, merece voltar a este quadro)

ADEUS PORTO !

Por muito que os seus responsáveis evitem assumi-lo, o jogo de Alvalade significou o fim das aspirações do FC Porto ao título nacional. Mais do que isso, terá até significado o fim de um certo FC Porto. O fim de uma era que não deixa saudades no futebol português.
A forma desgarrada, resignada e incapaz como o FC Porto foi goleado pelo Sporting ilustra bem o fim de ciclo que até no interior da equipa se sentirá. Jesualdo Ferreira tem a porta da saída escancarada (Domingos espreita), e Pinto da Costa está já fora do prazo de validade. Mas, mais do que isso, o plantel portista não tem hoje matéria-prima capaz de corresponder às expectativas dos seus adeptos, e a força da concorrência (leia-se, Benfica) deixa pouco espaço e pouco tempo para reequilibrar as coisas.

Ruben Micael, Falcão e Varela. São estes os grandes jogadores deste FC Porto, ainda assim com rendimento intermitente. Para lá destas excepções reina a mediocridade. Ora por via da falta de qualidade de alguns elementos (Tomás Costa, Álvaro Pereira, Rolando, Guarin etc), ora por via da abrupta e continuada quebra de forma de outros (Meireles é, neste particular, o caso mais aflitivo, mas também Bruno Alves dá mostras de decadência). O que é certo é que desde as saídas de Lucho e Lisandro não mais o FC Porto conseguiu três jogos seguidos em alto rendimento. A equipa mantém a sua musculatura de laboratório, mas aparece agora inchada, sem mobilidade, nem criatividade. Está fora do título, está longe da Champions do próximo ano (e não fora um árbitro amigo estaria também eliminada na edição corrente). A sua época estará em breve limitada à possibilidade de tentar atrapalhar o Benfica na penúltima jornada.
Depois de campeonatos ganhos pela arbitragem (até 2004), e de campeonatos ganhos por via de estranhas facilidades concedidas pelos adversários, um certo FC Porto morreu em Alvalade.
O enterro está para breve. Paz à sua alma!

IR AO MAR SEM PERDER O LUGAR

Esperava-se uma partida difícil. Tão difícil como as que, em Olhão e Setúbal, tinham deixado marcas na classificação. Um campo pequeno, um adversário fechado e agressivo e, a agravar, uma intempérie como não há memória nos últimos anos. Tudo parecia compor-se para uma noite de sofrimento.
Desta vez, contudo, a forma como o Benfica abordou o jogo não deixou veleidades ao seu adversário. Não esperou pelos acasos da sorte, como em Olhão, nem tirou o pé quando se viu em vantagem, como em Setúbal. Uma e outra coisa só se poderiam evitar com frescura física, e nesse plano a equipa de Jesus, embora de vermelho vestida, assemelhou-se mesmo a uma luzidia alface.
Quando Lucílio Baptista apitou para intervalo, já o Benfica ganhava por 0-2, embora o marcador apenas assinalasse 0-1. Di Maria tinha já aberto o livro onde se lia uma das melhores exibições da sua carreira (pincelada com quatro golos, sim, quatro!), e do qual ainda nos daria a conhecer mais algumas páginas até final da partida.
Se não é Di Maria é Saviola, se não é Saviola é Aimar, se não é Aimar é Ramires, Cardozo ou outro qualquer. As soluções de classe deste Benfica são muitas e dão para todas as ocasiões. A segunda parte foi um festival ofensivo dos encarnados, perante um Leixões completamente rendido à força das circunstâncias. Em vantagem no marcador, a jogar como gosta, este Benfica é de facto imparável, e a sensação que fica nalgumas das suas goleadas (por exemplo nesta, por exemplo frente ao Hertha) é a de que, forçando um pouco mais, duplicaria os números, enxovalhando os seus adversários com resultados históricos.
Não era necessário fazê-lo. Era sim imperioso conquistar os três pontos que asseguram a liderança e que mantém a nação benfiquista em júbilo perante a esperança de grandes conquistas.
Faltam nove finais, das quais as primeiras sete são fundamentais. É imprescindível chegar ao Estádio do Dragão com, pelo menos, quatro pontos de vantagem para o segundo classificado, e ele (Sp.Braga) neste momento está apenas a um. Sete vitórias nestes sete jogos (quatro em casa, três fora), permitem assegurar essa vantagem, e são carimbo de segurança para o título.
O destaque individual vai todo, naturalmente, para Angelito, que dificilmente permanecerá no futebol português para além do próximo Verão. Mas também Airton deixou uma excelente primeira impressão, prometendo ser alternativa credível a Javi Garcia. Carlos Martins entrou muito bem no jogo, confirmando o seu bom momento. Cardozo foi infeliz, acabando por ficar em branco num jogo em que, com melhor sorte, poderia, também ele, ter feito um hat-trick.
Lucílio foi traído pelo seu auxiliar. À excepção do lance do golo mal anulado, esteve bem.

UMA FINAL

Olhando para este jogo, não é possível esquecer o que aconteceu em Olhão e em Setúbal. É este o tipo de jogo em que a equipa do Benfica manifesta maiores dificuldades, pelo que todo o cuidado é pouco.
Há que entrar a todo o gás, e tentar marcar cedo de forma a obrigar o Leixões a abrir as suas linhas.
Uma vitória em Matosinhos pode ser um passo importante rumo ao título. É a primeira de oito finais até ao jogo do Dragão, onde convém entrar com alguma vantagem pontual.

É ESTE O ADVERSÁRIO DO BENFICA

Vem da Champions League, onde discutiu o apuramento até à última jornada com Milan e Real Madrid, e leva 5 vitórias nos últimos 5 jogos realizados.
Se vencer em casa o modesto Sochaux, ascenderá ao 2º lugar da Liga Francesa, com todas as hipóteses de lutar pelo título com o Bordéus.
É um adversário forte. O mais forte que o Benfica encontrou na Europa desde 2007. E a agravar, ainda tem umas contas a ajustar com os encarnados...

Destaque para as eliminações de Roma, Shakhtar Donetsk, Villarreal e PSV Eindhoven.

MELHORES MARCADORES: CLAUDIO PIZARRO (W.Bremen) 8 golos; Óscar Cardozo (Benfica) e Llorente (A.Bilbau) 6 golos; Gervinho (Lille) e Legear (Anderlecht) 5 golos.

A NOITE DO LEÃO

Com uma exibição plena de garra e vontade de vencer, o Sporting esmagou o Everton e alcançou, com toda a justiça, o apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa.
Foi um Sporting transfigurado aquele que entrou esta noite em campo, apresentando um futebol que não se lhe tinha visto ao longo de toda a temporada. Foi capaz de retirar espaços ao adversário, ganhou quase todos os duelos individuais, executou rápido, criou perigo, marcou golos. Uma noite perfeita para o leão, que se espera possa ter continuidade no próximo domingo.
É uma mistificação dizer-se que este Everton é outra equipa face àquela que, em Novembro, defrontou o Benfica. Na altura estavam lesionados Arteta e Pienaar, agora verificaram-se as ausências do central Distin (castigado) e de Fellaini (o motor da equipa). O treinador é o mesmo, o sistema táctico é o mesmo, o modelo de jogo também. Está agora melhor classificado, mas recordo que entre 13 de Setembro e 21 de Novembro (altura em que defrontou os encarnados) apenas perdeu um jogo para a Premier League.
Acontece que esta equipa apresenta algumas virtudes no âmbito do futebol inglês, mas quando desce ao continente deixa perceber grandes limitações. Joga bem com os espaços que lhe dão na competição doméstica, não se entende com a pressão continental, e comete infantilidades defensivas que acabam por comprometer a sua estabilidade. Tem um treinador britânico a orientá-la, o que talvez explique o perfil do seu futebol.
O Sporting não tem culpa, e fez aquilo que tinha de fazer para vencer. Terá agora pela frente o Atlético de Madrid, de Simão, de Tiago, de Reyes, de Paulo Assunção e de Quique Flores. Veremos para que lado pende este conhecimento mútuo, mas creio que o Atlético, pelos seus valores individuais, tem uma ligeira margem de favoritismo.

Tal como se adivinhava, o Marselha será, entretanto, o adversário do Benfica. Grandes recordações traz este duelo, mas, conforme já escrevi, não creio que um Benfica fortemente focado no campeonato tenha espaço para preparar e vencer esta eliminatória - diante de uma equipa que, caso ganhe o jogo que tem em atraso, chegará à vice-liderança do forte campeonato francês.

CARNAVAL RETARDADO ?

Que querem eles?
O Hulk deu ou não um pontapé num agente de segurança? Os regulamentos indicam ou não uma pena de 6 meses a 3 anos para estes casos?
Serão os Stewards agentes desportivos? A lei é omissa, prevalecendo a interpretação de quem tem poder de decisão.
A Comissão Disciplinar aplicou os regulamentos, interpretando a lei, tal como é das suas funções. Só a ela (e em sede de recurso ao Conselho de Justiça da FPF) cabe interpretar a lei, e se a interpretação fosse diferente as queixas apareceriam de outro lado. O direito não é uma ciência exacta, pois se assim fosse não careceria de juízes, bastando um funcionário administrativo para o exercer.
Se fosse eu a interpretar as leis, o FC Porto tinha descido de divisão juntamente com o Boavista em 2008. Não era eu, era o Dr.Ricardo Costa, que fez a coisa apenas por 6 pontos, num campeonato resolvido. Foi a interpretação dele.
Ao contrário do que sucedia no passado, os órgãos de poder deixaram de estar nas mãos de Pinto da Costa (as escutas publicadas são bem reveladoras quanto à forma como tudo funcionava). Os tempos agora são outros, e as decisões doem a todos.
Como dizia o outro, habituem-se!
PS: Convém lembrar que o FC Porto perdeu até agora 17 pontos, dos quais apenas 4 sem Hulk em campo.

RANKING DA UEFA (actualização)

A conseguir manter esta 18ª posição, e uma vez que Werder Bremen e Villarreal estão praticamente fora da próxima Liga dos Campeões, o Benfica, a estar lá, garantiria um lugar no pote 2 do sorteio da respectiva fase de grupos. Mas atenção ao PSV e ao Bordéus...

ARTE, FUTEBOL E GOLOS

Diante de um adversário frágil e (ainda mais) cansado, o Benfica aproveitou a ocasião para oferecer uma bela tarde europeia aos mais de trinta mil espectadores que, num dia de temporal e a horas de trabalho, não quiseram mesmo assim deixar de acompanhar a equipa.
O espectáculo foi muito agradável, o jogo foi fluído, e os golos foram aparecendo com naturalidade. Durante dois terços do tempo o Benfica foi uma equipa demasiado forte para um Hertha sem argumentos. A inspiração de Di Maria e Fábio Coentrão fez do corredor esquerdo um inferno para a defesa alemã, que desde cedo deu a sensação de apenas pretender que o calvário terminasse o mais rapidamente possível. A meia-hora do fim Jesus decidiu que já chegava, retirou Aimar, Di Maria e Saviola, e o jogo acabou. Ficou posta de parte a hipótese de uma goleada histórica, mas a exigência dos próximos compromissos não deixa espaço para grandes romantismos.
Se este jogo era um teste à capacidade física do Benfica, a verdade é que a resposta foi muito positiva. Apesar das debilidades do Hertha, o Benfica jogou um futebol veloz, criativo e, a espaços, empolgante, à imagem e semelhança do que protagonizou nos melhores momentos da temporada. Se há unidades em sub-rendimento (apesar do golo, o sumaríssimo a Javi Garcia vem mesmo a calhar, e Saviola, embora mais activo, está ainda longe do seu melhor), também há outras em excelente momento de forma. Para além dos dois jovens alas-esquerdos, Cardozo regressou aos golos, e Aimar mostrou alguns rasgos da sua genialidade, enquanto na linha defensiva os centrais continuam em alta. Globalmente a exibição foi pois de bom nível, deixando água na boca para os próximos e importantes jogos.
Mesmo perante a presença anunciada de Michel Platini, o árbitro holandês mostrou dualidade de critérios e falta de categoria. Complicou o que pôde, mas a diferença entre as equipas era demasiado grande para que os efeitos da má arbitragem se fizessem sentir. Em consequência do Europeu 2000 (castigos a Paulo Bento, Nuno Gomes e Abel Xavier), do Mundial 2002 (agressão de João Pinto a um árbitro) e do Mundial de 2006 (o célebre Portugal-Holanda), as equipas portuguesas têm andado na mira das arbitragens internacionais. Golos como o do FC Porto frente ao Arsenal só acontecem com o FC Porto, pois isto do G14, e de muitos anos na Liga dos Campeões traz alguma protecção. O Benfica (tal como Sporting e restantes clubes), andando há alguns anos longe dos grandes filmes, sofre inevitavelmente as consequências correspondentes.
Segue-se provavelmente o Marselha. Ou me engano muito ou essa eliminatória representará o fim da linha para s encarnados nesta Liga Europa, onde já cumpriram os mínimos, ganharam uns trocos e subiram no ranking aquilo que podiam subir. O campeonato é a prioridade máxima e absoluta, e não vejo como seja possível enquadrar mais quatro jogos internacionais (caso os franceses sejam ultrapassados) no meio das grandes exigências da batalha interna, que implicam total enfoque físico e, sobretudo, emocional. Jogadores como Saviola, Aimar ou Ramires não poderão ser submetidos a maior desgaste, sob pena do seu rendimento se ressentir dramaticamente no campeonato. Há quatro anos, Fernando Santos perdeu tudo por não saber fazer a escolha que a dada altura se impunha, e por muito que me custe a admiti-lo (e acreditem que custa bastante), não creio que este Benfica tenha presentemente condições para apostar fortemente numa grande caminhada europeia. A partir de agora há pois que poupar os principais titulares na Liga Europa, e dar oportunidades a outros elementos do plantel (Ruben Amorim, Carlos Martins, Airton, Weldon, Sidnei, Nuno Gomes, Felipe Menezes, Kardec, Eder Luís, Miguel Vítor, Roderick etc), motivando-os para que façam o melhor possível. Se der para mais alguma coisa, óptimo. Caso contrário, haverá certamente condições para sair com dignidade. Escreve uma pessoa que preza muitíssimo as provas europeias, que aprendeu o benfiquismo nas inesquecíveis noites da antiga Luz, mas cuja paixão não pode, nem deve, sobrepor-se à frieza de análise que as circunstâncias exigem.

PARA PASSAR

SOLIDARIEDADE

Estive recentemente na Madeira, onde passei uma semana maravilhosa. Não posso por isso deixar de exprimir a minha consternação pelas imagens de devastação a que, perplexo, tenho assistido, em locais que se me afiguravam tão doces e tranquilos.
Deixo por isso aqui uma sugestão para uma iniciativa que, sendo uma migalha, poderia constituir um expressivo sinal de solidariedade para com os madeirenses. Uma vez que Benfica, FC Porto e Cristiano Ronaldo manifestaram disponibilidade para ajudar, porque não um Benfica-FC Porto no Funchal, com o astro do Real Madrid a jogar uma parte por cada uma das equipas? Além do auxílio, além de um pitoresco momento futebolístico, era também uma oportunidade de, por via da tragédia, apaziguar um pouco (quem sabe?) as relações entre os dois grandes clubes.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Como o Benfica já havia jogado, e como o Sporting deixou de fazer parte desta história (e deveria também ficar de parte dos debates televisivos a três, onde neste momento apenas lança a confusão), a análise resume-se esta semana ao jogo do Dragão.
FC PORTO-SP.BRAGA
Olegário Benquerença esteve mal, cometendo erros em desfavor de ambas as equipas. Perdoou duas grandes penalidades ao FC Porto (ambas sobre Mossoró, e uma delas claríssima), mas também perdoou a expulsão a Paulo César quando este atingiu Fucile com uma cabeçada. No entanto, a vitória expressiva do FC Porto não pode ser posta em causa.
Resultado Real: 5-3
CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 54 pontos
FC Porto 43 pontos
Sp.Braga 41 pontos
ADENDA: Não é muito importante para a classificação, mas devo dizer que só depois me apercebi terem ficado mais dois cartões vermelhos por mostrar a jogadores do Sp.Braga: Mossoró (2º amarelo) e Rafael Bastos (entrada assassina perto do final).

PASSADEIRA MINHOTA, TRIUNFO PORTISTA, BENFICA LÍDER

O resultado até favorece o Benfica, mas, caramba, a exibição da equipa de Domingos parecia fazer parte do pagamento do empréstimo do Renteria.
Quando o Benfica venceu o União de Leiria deixei aqui o palpite de que os encarnados não mais perderiam a liderança da Liga. Até agora tudo está a correr de acordo com o previsto.

RETRATOS DE BERLIM

NOTAS SOBRE BERLIM

Tratou-se de um jogo fraco, em que o Benfica parece ter ficado deslumbrado com o golo e as facilidades iniciais.
Salvou-se o resultado que, estatísticas à parte, permite aos encarnados encarar a 2ª mão com optimismo, ainda que sem qualquer tipo de descompressão.
Se as pobres prestações dos últimos três jogos encontram razão de ser no desgaste físico, só as proximas partidas dirão. Para já, importa salientar a baixa de forma de Saviola, grande obreiro dos melhores momentos do Benfica 2009-2010. Sem ele o ataque fica sub-nutrido, e Cardozo não faz metade dos golos. Creio ser esse o principal problema do Benfica das últimas semanas.

ATÉ JÁ !

Dado que irei acompanhar o Benfica na deslocação a Berlim, VEDETA DA BOLA sofrerá uns dias de paragem. O regresso fica marcado para o próximo fim-de-semana.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Se na Luz a arbitragem não se evidenciou particularmente, já o mesmo não se poderá dizer de Matosinhos e Braga. Um penálti por marcar e um golo irregular adulteraram os resultados, penalizando FC Porto e beneficiando Sp.Braga.

PAÇOS DE FERREIRA-SPORTING:
Não vi o jogo, mas pelos resumos não parece ter havido qualquer motivo para polémica.
Devo dizer que estou a ponderar a hipótese de cortar o Sporting desta tabela, uma vez que os seus jogos já não têm qualquer relevância para a luta pelo título. Acho até que os programas de debate televisivo a três deveriam também reflectir sobre o assunto.
Resultado Real: 0-0

BENFICA-BELENENSES:
Carlos Xistra não teve casos difíceis para analisar. Um ou outro erro, uma falta aqui, um amarelo ali, tudo sem qualquer influência no resultado. Não me pareceu existir qualquer grande penalidade a favor do Benfica, conforme tem sido defendido. Ressalvo no entanto que vi o jogo no estádio, e o resumo televisivo a que assisti foi muito curto.
O que me pareceu foi que o fiscal-de-linha do lado dos bancos (não sei o seu nome), passou o jogo todo a tentar prejudicar o Benfica, não assinalando faltas mesmo debaixo das suas barbas, marcando lançamentos laterais ao contrário, deixando passar dois foras-de-jogo e uma bola fora ao Belenenses.
Resultado Real: 1-0

LEIXÕES-FC PORTO:
Estava fora de casa, e a dada altura, esbarrando num aparelho de televisão, tive oportunidade de ver um pouco do jogo de Matosinhos. Faltavam dois ou três minutos para os noventa, e o resultado entusiasmou-me para assistir ao resto. Sem ter visto a totalidade do jogo não poderei condenar Bruno Paixão por ter dado 6 minutos de compensação, o que talvez constitua recorde da temporada. Mas não deixei de estranhar. Mais chocado fiquei quando passaram os seis minutos, os sete minutos, e o árbitro não apitava. Não sei o que se terá passado de tão demorado que justificasse tanto tempo concedido.
Só depois, nos resumos, vi o penálti sobre Ruben Micael. O lance não deixa dúvidas e há portanto que atribuir dois pontos ao FC Porto.
Resultado Real: 0-1

SP.BRAGA-MARÍTIMO:
Num momento crucial do campeonato, o Sp.Braga voltou a ser beneficiado, como já o fora na fase inicial da época. O golo da vitória nasce de uma irregularidade, pois a bola saiu do campo antes do cruzamento de Filipe Oliveira. O que mais choca é a proximidade do fiscal-de-linha, que incrivelmente não assinalou o lançamento lateral que se impunha.
Resultado Real: 1-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 54 (+1 jogo)
Sp.Braga 41
FC Porto 40
Sporting 31

SERVIÇOS MÍNIMOS, COLECTA MÁXIMA

À medida que o campeonato se vai aproximando do fim, os pontos ganhos ou perdidos são aquilo que mais interessa aferir, e uma vitória, qualquer que ela seja, é suficiente para satisfazer o mais exigente dos adeptos. O triunfo sobre o Belenenses, magro, sofrido, sem brilho, foi pois motivo de sobra para que à saída do Estádio da Luz se respirasse um clima agradável, senão de euforia, pelo menos de tranquilidade e optimismo.
O resultado foi justo, pois ao longo de quase todo o jogo foi sempre o Benfica que esteve mais perto de marcar. É verdade que, num golpe de sorte, o Belenenses até podia ter surpreendido, mas outro desfecho que não fosse a vitória benfiquista seria de uma crueldade atroz.
O golo marcado cedo parece desta vez ter adormecido a equipa da casa, convencendo-a que, por um lado, o adversário não conseguiria criar muito perigo, e por outro, que mais minuto menos minuto o segundo golo seria uma realidade, e o jogo estaria resolvido. Este sentimento manifestou-se ao longo da quase totalidade dos 90 minutos, e se o Benfica não voltou a marcar, também se deve dizer que só esporadicamente o Belenenses foi capaz de fazer cócegas ao destino da partida.
As razões para o menor brilho encarnado encontram-se, porventura, no cansaço físico, e traduziram-se muito claramente nas prestações de dois dos seus elementos de maior influência: Saviola e Aimar. A dupla argentina esteve muitos furos abaixo do que já fez esta temporada, e juntando esse défice à ausência do castigado Di Maria, grande parte da criatividade do futebol do conjunto de Jesus eclipsou-se, mesmo levando em conta os esforços de Fábio Coentrão (e a espaços de Ramires) para disfarçar a desinspiração dos colegas.
Sobrou pois o golo de Cardozo, a luz do sol e a vibração das bancadas para salvar uma tarde de futebol em que o Benfica deu mais um passo rumo ao seu principal objectivo. O empate portista em Matosinhos acabou por representar mais um tónico para os encarnados, a poucos dias dum palpitante FC Porto-Sp.Braga.
Carlos Xistra não teve um trabalho difícil, mas o fiscal-de-linha do lado dos bancos fez tudo para complicar a vida ao Benfica.

VAI SER UMA GUERRA...

A excelente exibição da Académica merecia melhor sorte. A final vai mesmo ser um Benfica-FC Porto, que constituirá, antes de mais, um desafio à capacidade das forças de segurança.

UM PASSEIO

Mesmo entrando em campo sem seis titulares, e jogando a passo, o Benfica superiorizou-se com clareza a um Sporting demasiado frágil para a circunstância, e apurou-se com naturalidade para a final da Taça da Liga.
É verdade que o jogo correu de feição aos encarnados. Aquele minuto em que João Pereira perdeu a cabeça e, para cúmulo, David Luíz marcou na sequência do livre, definiu desde cedo os contornos desta meia-final. Não tanto pelo facto do Sporting ter ficado a jogar com dez – quantas vezes se viu equipas inferiorizadas numericamente equilibrarem, e até vencerem, José Mourinho que o diga -, mas mais pelo efeito anímico que esse momento teve em jogadores ansiosos e descrentes, que nunca mais se encontraram a si próprios.
O jogo era muito mais importante para o Sporting, que vinha de três derrotas consecutivas e pretendia salvar a época. Isso explica o medo com que a equipa de Carvalhal entrou em campo, e o naufrágio total que se seguiu à dupla contrariedade que sofreu pouco depois. O período entre o golo de David Luíz (minuto 6) e o remate fortuito de Liedson que reduziu distâncias (minuto 38), foi absolutamente revelador das diferenças actuais entre estas duas equipas. Não me lembro de ver tamanha superioridade de um face a outro de há muitos anos para cá, e poucas vezes na vida terei visto um clássico ser tão facilmente dominado por um dos contendores. Perante as trocas de bola do Benfica (em velocidade turística e praticamente sem avançados), e os olés das bancadas, via-se uma equipa do Sporting de gatas, suplicando piedade e com vontade de fugir dali.
O golo do Sporting animou um pouco o jogo e obrigou o Benfica a acelerar ligeiramente seu passo. Esperava-se uma enérgica reacção dos da casa após o intervalo, mas voltou a ser dos encarnados o domínio total e absoluto da partida. A um ou outro fogacho leonino, respondia o Benfica com a sua exuberante circulação de bola, com os rasgos de Di Maria, com a conquista total do meio-campo, e fosse outra a atitude colectiva (e a disponibilidade física) talvez tivessem sido aqui vingados os 7-1 de 1986.
O golo de Luisão foi a estocada final nas dúvidas que pudessem ainda subsistir. Com o jogo ganho, Jesus optou por proporcionar alguns minutos de treino às estrelas, fazendo entrar Cardozo, Saviola e Aimar. A disponibilidade para correr não era muita, mas ainda assim o paraguaio conseguiu fazer as pazes com a massa associativa, marcando o golo mais bonito da noite, e selando os números finais da goleada.
Mesmo em poupança de esforços o Benfica conseguiu os dois objectivos que tinha para esta partida: chegar à final e repor os níveis anímicos após a tempestade de Setúbal.
Ao Sporting, goleado expressivamente por FC Porto e Benfica, derrotado inapelavelmente por Sp.Braga e Académica, afastado da discussão de todas as provas nacionais, não resta outra alternativa que não preparar a próxima época, formando uma equipa a sério (sem Pedros Silvas, Grimis ou Pongolles), sob pena de entrar por um caminho irreversível de definhamento. Falta ainda a Liga Europa, onde, a jogar desta forma, vai ter dificuldades em evitar a humilhação de ser eliminado pelo Everton.
Olegário Benquerença esteve globalmente bem. O único erro da equipa de arbitragem terá sido um fora-de-jogo mal assinalado a Pongolle já na segunda parte. Mas se o francês não marcou qualquer golo até agora (outro Caicedo?), porque motivo haveria de marcar naquele lance?
Hoje fica a saber-se se a final da Taça da Liga vai ser uma festa (caso a Académica marque presença), ou uma guerra (caso tal não aconteça). O futebol português agradecia a primeira hipótese.

O MEU ONZE PARA ALVALADE

A ANGÚSTIA DO ADEPTO NO MOMENTO DO PENÁLTI

Jornada 1 – A um quarto de hora do fim, com o Benfica a perder 0-1 em casa com o Marítimo, Cardozo desperdiça uma grande penalidade. Resultado final: 1-1
Jornada 15 – Em tempo de descontos, o União de Leiria beneficia de uma grande penalidade no Estádio do Dragão que lhe pode dar o empate a 3 golos. Ronny permite a defesa de Helton. Resultado final: 3-2 para o FC Porto
Jornada 18 – Com uma enervante igualdade no marcador, o Benfica beneficia de um penálti no Bonfim aos 91 minutos. Cardozo atira à barra. Resultado final: 1-1
Jornada 18 – Numa primeira parte totalmente dominada pelo Belenenses, Moisés do Sp.Braga comete penálti e é expulso. Lima desperdiça o castigo máximo para os azuis. No minuto de descontos da primeira parte, os bracarenses, em inferioridade numérica, marcam na sequência de um livre; e a abrir a segunda parte marcam o 2º golo no 2º remate que fazem à baliza. Resultado final: 1-3

Com uma pontinha de sorte o Benfica podia ter mais 4 pontos, o FC Porto menos 2, e o Sp.Braga menos 2 também. Ou seja, a equipa de Domingos podia estar a 7 pontos do Benfica, e a de Jesualdo a 13. Bem vistas as coisas, o campeonato podia estar já decidido.

TACUARA = 72 golos