PIADA DE MAU GOSTO
Podia haver muito para dizer desta vitória do Benfica. Que foi sofrida e muito saborosa. Também que foi melhor do que a exibição. Podia dizer-se que a equipa encarnada parece cansada e algo previsível. E que a noite andou perto do abismo. Ainda que o campeonato português é uma lástima, recheado como está de equipas formatadas para o anti-jogo, representando clubes sem expressão popular, social, demográfica, desportiva ou economica, coisa que só se resolvia com uma drástica redução, enviando toda esta gente para o seu devido lugar : a segunda divisão.
Porém, nada me parece mais importante, ou mais preocupante, do que denunciar o assalto que, sobretudo o VAR, António Nobre de seu nome, praticou esta noite. Felizmente sem dano.
É nas vitórias que se deve denunciar estas situações, que lemram tudo o que se viu ao longo da temporada passada. Também porque é nestes momentos que se consegue agregar o universo benfiquista na denúncia. Quando se perde é mais difícil.
O lance de Gonçalo Ramos é, como disse Schmidt, uma piada. De mau gosto. Até percebo que, em campo, o árbitro seja induzido em erro. Mas o VAR??!!!?? Enfim, faltam-me palavras para definir aquilo. O que sei é que me deixou profundamente preocupado para o futuro. Tal como os 7 amarelos e 2 vermelhos a uma equipa que fez 9 faltas e passou o tempo todo a atacar
Era oportuno Rui Costa falar. Ser a voz da indignação do povo benfiquista perante o que, incrédulo, foi obrigado a ver. Depois, pode ser tarde.
Mesmo com os três pontos, não irei dormir descansado.
NADA MAL
Não está mal, embora continue a achar a equipa, globalmente, macia e com menos músculo do que seria desejável. Ainda assim com um acréscimo de qualidade evidente.
Espera-se a todo o momento a confirmação das saídas de André Almeida (rescisão amigável) e Meité (Cremonese).
Em relação à época passada, não estarão pois: Svilar, Lázaro, Vertonghen, Tomás Araújo, Kalaica, André Almeida, Sandro Cruz, Weigl, Meité, Taarabt, Gabriel, Pizzi, Radonjic, Everton, Seferovic, Yaremchuk, Darwin e Tiago Gouveia. Ferro, Gedson, Vinicius e Waldschmidt ainda haviam começado a temporada, pelo que estamos a falar de um total de 22 jogadores. Uma verdadeira revolução, que era imperioso fazer. E podiam ter saído também Helton, Gil Dias, Diogo Gonçalves, Chiquinho e Rodrigo Pinho. Mas...não se pode ter tudo.
Creio que o plantel está mais forte, mais jovem, mais português, mais equilibrado e mais coeso. Falta saber que correspondência isso terá em títulos.
MERCADO A FECHAR - actualização
DRAXLER - Se estiver em boas condições físicas pode vir a ser o melhor jogador do campeonato. É um craque, que só mesmo no PSG (com Messi, Mbappé e Neymar) podia ficar no banco. Parece-me um excelente negócio, até porque sendo alemão terá integração facilitada por Roger Schmidt. Além de que o PSG assegura parte substancial do ordenado. Resta saber como está a sua condição física depois da grave lesão que teve. É esse o meu único receio.
ODYSSEAS - Boa notícia ter ficado. Embora a alternativa Keylor Navas fosse apetitosa, talvez por esta se ter tornado inviável Rui Costa não quis arriscar. E bem. O problema do Benfica não está, nem esteve, na baliza. Substituir Vlachomidos por Navas, seria excelente. Substituir Vlachodimos, neste momento, por não se sabe quem, podia ser trágico.
VERTONGHEN - Tivesse a lesão de Morato acontecido uma semana antes, e Vertonghen ficava no plantel. Mas ninguém pode antecipar lesões, e percebe-se que a cabeça do jogador já estivesse noutro sítio. Nem era ético querer dispensá-lo, e agora, à última hora, voltar atrás e querer que ficasse para tapar um buraco de dois meses. É um profissional, um ser humano, que sempre se deu ao respeito e merece ser respeitado. Que tenha sorte na Bélgica.
MORATO - É de facto uma lástima que no melhor momento da sua carreira, quando se estava a afirmar, tenha de parar por dois meses. Temo que possa até nunca mais vir a ser titular do Benfica, se entretanto Lucas Veríssimo voltar, ou se António Silva se consolidar no onze. Confesso que esta temporada estava a gostar bastante dele. Pela primeira vez.
RUBEN VEZO - É barato, português, e para ficar no banco durante seis ou sete jogos talvez chegue. Se ainda se arranjar melhor, óptimo.
ANDRÉ ALMEIDA E TAARABT - Fala-se em rescisões amigáveis. Espero que se concretizem.
MEITÉ - Fala-se no Cremonese. Espero que se concretize.
MERCADO A FECHAR
Ainda espero é que o plantel possa ser emagrecido, em número e em massa salarial.
ANDRÉ ALMEIDA - Pelo seu passado no clube pagava-lhe o resto do contrato, rescindia e deixava-o ir à sua vida. Manter-se não é bom para o Benfica nem para a imagem que o próprio jogador deixa, ele que, apesar de tudo, conquistou vários títulos na casa. Além de que existem boas opções para o lugar (Gilberto e Bah).
VERTONGHEN - Salário altíssimo para terceira, quarta, quinta ou sexta opção (quando regressarem os dois brasileiros e António Silva se afirmar). Parece ser um bom profissional, e também merece saída digna. Mas desportivamente está lento e acabado. Cedência, ou rescisão com acordo, para encontrar um local (Brugge?) onde ainda possa sonhar com a presença no Mundial. Termina contrato no fim da época, pelo que talvez não seja difícil haver entendimento.
TAARABT - Já não está com o plantel, mas ainda recebe bom salário. Médio Oriente? Turquia? Ceder a custo zero, ou mesmo abaixo de zero.
MEITÉ - Fala-se da Cremonese. Será que lhe querem pagar o salário que aufere na Luz? Se não, emprestar para qualquer lado, nem que seja a poupar apenas parte do ordenado.
GIL DIAS - É português, abnegado, benfiquista desde criança, e ganha pouco. Não é um craque, mas não faz mal nenhum ao plantel, ficando entre o banco e a bancada. Pode ser que até marque outro golo ao Sporting...
CHIQUINHO - Não sei se é benfiquista, e não me parece tão abnegado como Gil Dias, mas também é português e não ganhará muito. A qualidade futebolística é a mesma ou pior. Enfim, se Schmidt gosta dele, também não me faz comichão que permaneça.
DIOGO GONÇALVES - Em relação aos dois anteriores tem a vantagem de ser da formação do Seixal (e, já agora, de ser alentejano...). Ainda assim não aprecio o estilo, e a vez que o vi jogar com mais alegria foi na Luz mas...pelo Famalicão. De vez em quando marca uns golos bonitos. Aceito que fique.
PAULO BERNARDO - Este parece-me de segurar, embora ache melhor emprestá-lo (não sei ainda muito bem como funciona o limite de empréstimos, nem se pode ser emprestado via equipa B). Vai jogar pouco, e precisa de evoluir, ganhar ritmo e músculo, jogando todas as semanas, preferencialmente na Liga Portuguesa.
RODRIGO PINHO - Com a saída de Yaremchuk, talvez não seja má ideia mantê-lo. Tem alguma qualidade técnica (creio que até mais do que Musa). Falta-lhe nervo, intensidade (trabalho?) e aos 32 anos não vai passar daquilo. Mas em caso de lesões pode vir a ser útil.
SORRISO AMARELO
Numa terça-feira à noite, a Luz estava cheia.
Não sei se devido a essas altas expectativas (um homem não é de ferro...) a verdade é que saí do estádio algo desapontado. Feliz (aliviado?) com a vitória e com a liderança, mas preocupado com as debilidades que a equipa deixou perceber, e que com outros adversários poderão ser fatais - de resto, com este já foi o que foi.
No ataque a coisa não vai mal. O Benfica marcou três, mais dois anulados, e poderiam ter feito outros tantos. É preciso melhorar a eficácia, mas isso acredito que possa vir a acontecer num futuro próximo.
O problema é quando perde a bola.
O meio-campo é macio, os alas não defendem, os laterais são demasiado ofensivos , e a equipa fica partida (numa espécie de 2-4-4 audaz mas porventura romântico). Logo, as transicções defensivas são de susto. E qualquer Casa Pia ou Paços de Ferreira consegue criar perigo, uma, e outra, e outra vez, com passes feitos a meio-campo, com liberdade, a isolar alas que entram entre lateral e central como faca em manteiga num dia de verão.
Na maioria das vezes os avançados destas equipas acabam por se atrapalhar e perder os timings, a bola, ou atirar para fora. Quando se tratar de Mbappe, ou Vlahovic (ou mesmo Taremi ou Pote), a coisa vai piar fino. Aí, temo o pior.
FALTAM 3 DIAS
Há que colocar/dispensar/vender: André Almeida, Vertonghen, Gil Dias, Weigl, Meité, Taarabt, Chiquinho e Rodrigo Pinho.
A VOAR
O Boavista é uma boa equipa, muito combativa, e Petit é um treinador competente e conhecedor do Benfica. O Bessa é um estádio difícil onde há algum tempo os encarnados não venciam. Foi lá que começou a debacle do primeiro ano do regresso de Jorge Jesus.
Pois desta vez as dificuldades foram ultrapassadas com distinção. Nem gostei muito dos primeiros minutos, mas a partir do golo, com o Boavista obrigado a abrir um pouco as suas linhas, o Benfica saltou para mais uma vitória folgada e uma exibição convincente. Destacaria o "capitão" João Mário, mas também gostei bastante da entrada de Musa.
Não quero entusiasmar-me demasiado. Na época passada, só em Outubro o Benfica perdeu os primeiros pontos, quando comandava isolado com quatro de vantagem e acabara de golear o Barcelona para a Liga dos Campeões. E só em Dezembro verdadeiramente caiu a pique.
Aliás, nas últimas duas épocas, os encarnados entraram com 5 e 7 vitórias consecutivas respectivamente. Sabe-se como acabaram.
Falta tudo, e como diz Roger Schmidt, e como diria João Pinto...só no fim da época se verá, de facto, quem é a melhor equipa portuguesa. Mas que isto está a saber bem, lá isso está.
ADVERSÁRIOS COM HISTÓRIA
PODIA TER SIDO PIOR...
Nesse ponto de vista, o Benfica não se poderá queixar.
Podia, porém, ter tido um pouco mais de sorte nos restantes potes. Sobretudo no 1, de onde o Sporting apanhou o Frankfurt, e o contraste é óbvio. Ainda assim, acho que a Juventus, mesmo com Pogba, Chiesa, Di Maria e Vlahovic, com sorte e inspiração não é totalmente inultrapassável. Já perante o PSG de Messi, Neymar e Mbappé o único objectivo será evitar grandes goleadas.
Os rivais de Lisboa e Porto foram bastante mais bafejados pela sorte. O FC Porto dificilmente não avançará para os Oitavos (enfim, também partiu do pote 1), bastando-lhe para tal ultrapassar os acessíveis Leverkusen e Brugges (duvido que encha sequer o estádio). O Sporting, não fosse o Marselha (um dos indesejáveis do último pote), teria tido um verdadeiro jackpot, com os potes 1 e 2 altamente favoráveis (sobretudo o 1).
O QUE FALTA
FESTIVAL
Por via das dúvidas, os encarnados não facilitaram. Mesmo nada.
Entrada de rompante e exibição de luxo ao longo de toda a primeira parte, não só confirmaram o apuramento, como deixaram água na boca dos adeptos para o que resta de temporada - e que é quase tudo.
Os reforços são mesmo...reforços. David Neres e Enzo Fernandez cotaram-se como os melhores em campo, sendo eles (a par de um grande Rafa) as figuras cimeiras deste Benfica de cara lavada.
O modelo de jogo de Roger Schmidt - inteligentemente trabalhado com um onze base desde cedo definido - é de facto empolgante. E contra adversários de valor, digamos, moderado, é também altamente eficaz. Resta saber se as transicções defensivas, muitas vezes no limite do risco, muitas vezes a causar calafrios, serão suficientemente sólidas para enfrentar equipas mais fortes. Estou a pensar no FC Porto, no Sporting, e nos prováveis adversários da Champions.
AO MEU ÍDOLO
PONTO DE SITUAÇÃO (actualizado)
Terminada a pré-temporada, vistos os jogadores, vou dizer novamente aquilo que eu queria:
- Manter Odysseas, pois acho que é um guarda-redes ao nível do Benfica. Não é Ederson nem Oblak, assim como Rafa não é Mbappé e Gonçalo Ramos não é Lewandowski. Infelizmente o Benfica não pode ter os melhores do mundo em cada posição, e o guardião grego está entre aqueles que podemos ter. Dificilmente se encontrará melhor pelo mesmo salário;
- Se Morato continuar, com João Victor, a esperada recuperação de Lucas Veríssimo, e o potencial de António Silva, parece-me que Vertonghen torna-se demasiado caro para ficar no banco. Gostava que se encontrasse uma solução para o belga, de forma a sair dignamente de um clube que representou dignamente;
- Grimaldo tem virtudes e defeitos. Acontece que os defeitos permanecem patentes, e no contexto táctico do Benfica (alas pouco dados a marcação, trincos suaves, etc) tornam-se demasiado penalizadores para a solidez defensiva da equipa. Acaba contrato no fim da temporada, talvez tenha algum mercado, e por mim resolvia-se o problema contratando um outro lateral - forte, robusto, sólido e rigoroso tacticamente;
- Weigl é claramente para vender. Tem um salário elevadíssimo, tem mercado na Alemanha, e não é o jogador de que o Benfica precisa para a posição (demasiado suave, pouco móvel, errante nas coberturas, fraco no jogo aéreo etc). Venha de lá esse Aursnes (não sei o que vale, mas não será pior, e fica certamente mais em conta na folha salarial);
- André Almeida e Meité estão a mais no plantel. Um porque já passou o seu tempo, o outro porque não se afirmou e duvido que venha a fazê-lo. Quanto a Chiquinho, Diogo Gonçalves e Gil Dias, as suas presenças dependem de outras saídas ou entradas (Ricardo Horta? Lateral-Esquerdo?);
- Martim Neto, Paulo Bernardo e Diego Moreira são todos para agarrar. Mas talvez seja melhor para algum ou alguns deles, no imediato, rodar noutra equipa. O espaço no plantel também depende daquilo que acontecer no mercado (atenção que Martim termina o contrato no fim da época, e o seu empresário não é de fiar);
- Perante uma boa proposta (sempre acima de 40M) não me chocava vender Gonçalo Ramos. Schmidt quer jogar preferencialmente com um ponta-de-lança, e neste momento tem cinco. Acredito mais em Henrique Araújo do que no jovem algarvio - do qual, francamente, não sou super-fã;
- Entre Musa e Rodrigo Pinho emprestava um. Um ou outro será terceira (ou quarta...) opção. Não desgosto deles, mas não há espaço para todos.
Em suma, saíam mais 12 jogadores: André Almeida, Vertonghen, Grimaldo, Gil Dias, Weigl, Meité, Chiquinho, Diogo Gonçalves, Gonçalo Ramos, Rodrigo Pinho, e ainda Taarabt e Gabriel que já estão separados da equipa. E entrava um lateral-esquerdo forte e sólido, Aursnes e Ricardo Horta.
NADA COMO VENCER
Foi uma excelente ideia replicar no Benfica a tradição de grandes clubes como Real Madrid, Barcelona ou Bayern, criando um troféu de pré-época e convidando nomes sonantes do futebol internacional para o abrilhantar. Infelizmente, por motivos que me escapam, perdeu-se durante alguns anos. Depois veio a pandemia. Em boa hora regressa, com a dignidade que o seu nome merece. Espero que seja para ficar.
Desportivamente, valha o troféu o que valer, era importante que o Benfica mantivesse a rota triunfante desta pré-temporada. As vitórias, mesmo a feijões, dão confiança e estabilidade ao grupo de trabalho, estimulam o entusiasmo dos adeptos - o que faz encher o estádio, vender cativos e merchandising, chamar novos sócios etc - e,...silenciam críticas destrutivas da comunicação social hostil e dos pseudo-adeptos mais barulhentos.
Em caso de derrota, começava já o folclore de devastação, dos anti-benfiquistas, e daqueles que se dizem benfiquistas mas querem não sei bem o quê que já não existe e não mais existirá. Porque o plantel é muito grande, porque não se dispensa este, aquele e o outro, porque não se contrata aqui, ali e acolá, porque Grimaldo isto, porque Vlachodimos aquilo, etc, etc, prova da grande dimensão, para o bem e para o mal, do clube, mas também dos novos tempos em que um discurso de taberna, via redes sociais e afins, se torna preocupantemente dominante - no futebol e não só.
O QUE FALTA FAZER
- Concluir a venda de Pizzi para o Dubai;
- Acordar rescisão de André Almeida, Vertonghen, Meité, Taarabt, Gabriel, Chiquinho e Rodrigo Pinho;
- Vender Grimaldo, Weigl e Yaremchuk;
- Emprestar Kokubo, Gil Dias, Diogo Gonçalves e Musa;
- Colocar André Gomes na equipa B.
- Lateral esquerdo forte e sólido (?);
- Trinco robusto (Sangaré? Aursnes?);
- Avançado móvel capaz de jogar pelas alas (Ricardo Horta?);
- Ponta-de-lança matador (?).
GR - Vlachodimos, Helton Leite e Samuel Soares;
DF- Bah, Otamendi, João Victor, (contratação), Gilberto, Morato, António Silva, Tomás Araújo, Ristic e Lucas Veríssimo;
MD- (contratação), Enzo Fernandez, João Mário, Florentino, Martim Neto, Tiago Gouveia e Paulo Bernardo;
AV- Rafa, (contratação), Neres, (Ricardo Horta), Gonçalo Ramos, Henrique Araújo e Diego Moreira.
MUITO OBRIGADO A AMBOS!
Ficou sempre a ideia de que tinha condições físicas e técnicas para mostrar maior regularidade e maior preponderância. Mas, se fosse o caso, talvez há muito que já não estivesse em Portugal.
Na hora do adeus, fico com os altos. Com 2019. Com os fantásticos golos que foi capaz de marcar (inclusivamente a Sporting e FC Porto), e que o colocam, em números, à frente de Mitroglou, Saviola, Filipovic, Lima, Rodrigo, Darwin, César Brito, Vata, Yuran, Jimenez ou Mantorras, para falar apenas de pontas-de-lança.
O PLANTEL (QUASE) DEFINITIVO
LATERAIS-DIREITOS (2): Bah e Gilberto
CENTRAIS (5+1): Otamendi, João Victor, Vertonghen, Morato, António Silva e Lucas Veríssimo
LATERAIS-ESQUERDOS (2): Grimaldo (ou contratação) e Ristic
MÉDIOS (6): Florentino, Enzo Fernandez, João Mário, Weigl (ou contratação), Martim Neto e Paulo Bernardo
ALAS (4): Rafa, Neres, Diego Moreira e Tiago Gouveia
AVANÇADOS (4): Gonçalo Ramos, Henrique Araújo, Yaremchuk e Musa
NÃO FOI MAU
A FESTA DO GOLO
O Torneio do Algarve mostrou um Benfica solto, confiante, pressionante e goleador. Deu boas indicações sobre alguns dos reforços (Bah, Enzo e Neres). E permitiu erguer uma taça, que é sempre uma excelente forma de começar.
O modelo de Roger Schmidt parece mais ou menos definido. Linha de quatro defesas, duplo-pivot, dois extremos, e um segundo avançado no apoio ao ponta-de-lança. Uma espécie de 4-2-3-1, bastante flexível.
Tendo em conta esse modelo, destaco desde já alguns pontos que me parecem carecer de definição:
1- Creio que Grimaldo acabará por sair, Ristic não se mostrou (não sei o que vale), pelo que a posição de lateral-esquerdo permanece, até ver, em aberto, sendo que Gil Dias, pelo esforço, pelo dinamismo, deu boas indicações quanto à possibilidade de se manter no plantel como alternativa de segundo plano.
2- Ainda não estou convencido de que Florentino seja o de 2019, com Lage, e não o que se eclipsou nos sucessivos empréstimos desde então. De qualquer modo, tanto ele como Weigl são atletas macios, e o Benfica necessita, a meu ver, de músculo naquela posição. Ainda mais se utilizar Enzo como número oito, tal como aconteceu neste torneio.
A LIGA DELE
Atribuir um prémio fair-play ao Benfica foi uma anedota de mau gosto. Mas dizer depois que as parcas palavras dos benfiquistas presentes se deviam a falta de capacidade de expressão (não sei se pensava no jovem Henrique Araújo ou no grego Odysseas) é um insulto à inteligência de quem ouviu, e à dignidade do Benfica e dos benfiquistas.
Pedro Proença foi um árbitro miserável, que condicionou campeonatos no país, e que fez carreira na UEFA seguindo os três princípios necessários para tal: falar bem inglês, aparentar boa forma física e saber manipular jogos sem dar muito nas vistas.
Como presidente da Liga é ainda pior, deixando as competições em queda livre, com arbitragens manipuladoras como não se via desde o século passado, calendarizações e horários estapafúrdios, e com um desfile de equipas fantasma sem qualidade, sem adeptos, sem história e sem nada, que não pagam salários e apenas enchem o calendário e se prestam a suspeitas de jogos de mala e afins. Não me lembro de campeonatos tão fracos como estes últimos, e o responsável máximo tem nome.
Proença, que é todo ele uma piada de mau gosto, vem agora gozar com os benfiquistas, que não podem, nem devem esquecer tudo aquilo que se passou na última temporada - nem, já agora, tudo aquilo em que assentou a carreira deste personagem.
A ESCOLHA DE SOFIA
A comentadora da CNN Sofia Oliveira manifestou há pouco tempo atrás, em directo, uma opinião estapafúrdia, quando disse que Jurgen Klopp (que, obviamente, não percebe nada do assunto) deveria ter preferido Evanilson (?!?) a Darwin Nuñez. Como era expectável, o mundo caiu-lhe em cima. Com toda a razão.
O problema maior é que, agora, a dita senhora parece querer aproveitar a onda para fazer render o peixe. Perante a óbvia nomeação (de capitães de equipa e treinadores) de Darwin Nuñez como melhor jogador da Liga, disse algo como: "Não faz qualquer sentido, Darwin fez algumas exibições penosas. Deveria ser Otávio, e depois Taremi ou Vitinha".
Perante estas palavras, nem me apetecia dizer mais nada. Apenas lamentar que não haja mais mulheres a comentar futebol na TV, mas mulheres que percebam do jogo, e que não aproveitem a antena simplesmente para fazer barulho - como é o caso. Esta senhora que continue a sua cruzada, e com isso encha as caixas de comentários pela net fora (...eu estou aqui a dar o meu modesto contributo), ganhando os minutos de fama a que Andy Wahrol dizia todos termos direito. Nem que seja a fazer figura de urso (ou de ursa, neste caso).
ESPERANÇA
NÃO ESTÁ NADA MAL
Depois, no futebol formação, há que considerar a inédita Youth League, além do Nacional de Juniores.
E no que toca a conquistas internacionais, a fantástica e ainda mais inédita European League de Andebol, bem como a Golden Cup de Hóquei - que reuniu as melhores equipas da Europa.
Falta acrescentar 5 Supertaças, 1 Taça da Liga e 3 ou 4 Taças de Portugal (a de Hóquei Feminino ainda decorre). E, quem sabe, o Atletismo (agendado para Julho).
Total de títulos até agora: 37
ALGO COMO ISTO?
Não sei o que valem Bah e Ristic, mas gostaria de ter um outro lateral, pelo menos para o lado esquerdo. Talvez também mais um central, dado que a lesão de Lucas Veríssimo está para durar.
Estou a partir de um 4-4-2, mas não sei que esquema vai adoptar Schmidt. E se precisar de extremos puros, penso que será necessário mais uma alternativa de segundo plano: alguma coisa entre Rafa e Neres e os jovens Tiago Gouveia e Diego Moreira. Com um 4-3-3 Ricardo Horta talvez chegue.
Gostava ainda de substituir Yaremchuk por outro ponta-de-lança, mais eficaz do que o ucraniano.
A POUCO E POUCO...VERDADE E JUSTIÇA
As notícias dão conta do risco de prisão em que incorre o diretor de comunicação do FC Porto por roubo, truncagem e divulgação indevida da correspondência do Benfica. Que vai a julgamento, juntamente com os seus comparsas, isso é certo, e era algo que não lhe passaria pela cabeça em 2018.
Na verdade, Marques nunca pensou que o hacker seria localizado e detido na Hungria. A partir desse momento todo o esquema ficou à mostra: Rui Pinto, o amigo, o contacto, o programa do Porto Canal, e uma forma criminosa e macabra de desestabilizar o Benfica e descredibilizar as suas, então, muitas conquistas. Recordemos que nas primeiras divulgações tentaram também passar a ideia de que a documentação era fornecida por alguém de dentro do clube da Luz - e assim promover uma espécie de caça às bruxas.
Ficou patente que, quem é capaz disto (provavelmente com algum problema mental), é capaz de tudo. E esses são, não só Jota Marques, mas também toda a estrutura de comunicação do FC Porto que, daí a cima, vai até ao presidente - ou alguém acredita que o esquema não teve o seu beneplácito? E já agora também o Sporting daquela altura (com os Brunos e os Saraivas), que felizmente já não existe.
É preciso lembrar ainda que os casos que posteriormente envolveram Luís Filipe Vieira, nomeadamente a operação Cartão Vermelho, nada tiveram a ver com os mails divulgados pelo FC Porto. E que o caso E-Toupeira teve a ver exclusivamente com quebra de segredo de justiça (grave para os funcionários que a cometeram, mas incólume e irrelevante para o Benfica), o qual também não foi denunciado pelo Porto Canal. Aí, o que se tentou foi passar a ideia de corrupção desportiva, nomeadamente com a arbitragem. Mas não há nada, para além daquilo que foi inventado ou recriado (padres, missas e figurantes), que coloque em causa as vitórias desportivas do Benfica.
OBRIGADO, DARWIN!
Golos na Champions League a Barcelona (2), Bayern (1), Ajax (1) e Liverpool (2), acompanhados de exibições fulgurantes, melhor jogador e melhor marcador do campeonato, tornaram Darwin Nuñez jogador a mais para o futebol português.
Há três anos valeria (pelo menos) tanto quanto João Félix. Devido à pandemia, o mercado mudou. E hoje 75+25 é um bom negócio. Talvez só o PSG pudesse dar mais, mas com a renovação de Mbappe desistiu do uruguaio.
Deixa saudades. Para mim, depois de Jonas, terá sido o melhor jogador que vestiu a camisola do Benfica no Século XXI. E é, de longe, o melhor de sempre dos que não venceram qualquer titulo.
Boa sorte rapaz! E até sempre!
À BENFICA!
"Tem aqui, por isso, uma nova oportunidade de romper definitivamente com o passado. Com toda a legitimidade democrática de uma esmagadora maioria dos sócios que o escolheram há 8 meses. Nas boas e nas más horas conte connosco, nós esperamos contar consigo." NORONHA LOPES
SOBRE A ENTREVISTA
Como já aqui escrevi, só quando a Justiça tirar as suas conclusões definitivas se poderá fazer um balanço honesto sobre a presidência de Vieira na sua globalidade. Na coluna do Haver terá de figurar a obra e os títulos. Na coluna do Deve está um último mandato desastroso e o mais que vier a ser apurado nos tribunais - e que, para já, ainda não está provado.
Mas seja qual for o balanço final, e como o próprio afirmou nesta entrevista, Vieira pertence irremediavelmente ao passado.
Sendo assim, percebendo e tolerando que, em sua defesa, queira deixar ao público a sua versão dos factos, não entenderei que Vieira volte a falar do Benfica nos tempos mais próximos. Sim, dos seus negócios, da sua vida empresarial, das justificações que entenda dar para a sua dívida (assuntos que não me dizem respeito, e sobre os quais apenas faço votos para que seja bem sucedido). Não do clube, sob pena de estragar definitivamente os restos da imagem da sua longa presidência, e dar razão aos que sempre afirmaram que, para ele, o Benfica não era um desígnio mas sim um instrumento.
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De sublinhar a conquista de três competições europeias (64 vitórias em jogos internacionais), o que é inédito numa só época.
COM OTÁVIO? NÃO, OBRIGADO!
Sobretudo no final da época clubística – como é o caso – consigo, e consegui muitas vezes, engolir alguns sapos em nome do patriotismo. E desde criança sofri com as derrotas (então bastante frequentes) e vibrei com as vitórias, quer em fases de apuramento, quer, sobretudo, em fases finais. Além das histórias que o meu Pai me contava de Eusébio, no Benfica, mas também no Mundial 66, e com as quais despertou a minha paixão pelo futebol.
Um dos jogos da minha vida foi o Portugal-Inglaterra, do Euro 2004, a que assisti na Luz, e durante o qual dei comigo a gritar por Ricardo, por Deco ou por Postiga. Lembro-me igualmente da batalha de Nuremberga, dois anos depois, e de roer as unhas em frente ao televisor durante nova série de penáltis ante os ingleses. Muitos anos mais tarde fui para a rua festejar a vitória no Europeu de França.
Isto tudo para dizer que a Equipa das Quinas está longe de me ser indiferente.
Porém, há limites. Ver “macacos” na bancada financiados pela FPF para viajar à conta e assistir aos jogos é um deles. A convocatória de Otávio ultrapassa-os.
Não vou alongar-me sobre a questão dos naturalizados, que dava pano para mangas, e onde encontramos casos de verdadeiros refugiados que precisam do nosso país (Pichardo ou, para falar de outros clubes, Obikwelu), dão-nos mais do que recebem, e contam com o meu apoio incondicional (à semelhança de tantos milhares de imigrantes anónimos que chegam cá para poder ter a vida digna que pelos mais diversos motivos não encontram nos seus países de origem, e com os quais estarei sempre solidário), e outros casos, como Deco ou este Otávio, profissionais de futebol pagos a peso de ouro, em que, independentemente dos direitos de cidadania, a naturalização é meramente instrumental com vista ao aumento da cotação dos respectivos passes no mercado europeu. Deco, como é óbvio, depois de fazer carreira como jogador comunitário nas ligas espanhola e inglesa, partiu para aquele que sempre foi o seu país: o Brasil. Com Otávio acontecerá o mesmo.
Mas se Deco, enfim, além de ser um jogador diferenciado, teve também um comportamento profissional genericamente dentro do aceitável, já Otávio, sendo um jogador mediano, é um indivíduo ordinário, que grava vídeos a insultar clubes rivais, e que dentro do campo passa o tempo a simular faltas, a provocar adversários, não tendo um mínimo de estatura moral para representar o país. A agravar, tem um processo disciplinar a decorrer contra si justamente por questões de comportamento ético-desportivo, razão mais do que suficiente para Fernando Santos evitar a sua convocatória, pelo menos neste momento.
O Engenheiro diz que para ele não há clubes na Selecção. Percebo-o, e se estivesse no seu lugar diria, e faria, o mesmo. Mas aqui não é uma questão de clubismo. Não é por Otávio ser jogador o FC Porto que se torna um problema (colocado, de resto, pelos jornalistas, e não por acaso). Já houve muitos jogadores do FC Porto na Selecção, e isso, obviamente, nunca pôs em causa o meu apoio. É pelo seu perfil, pelo seu comportamento, pela sua manifesta falta de condições éticas para representar um país que nem é, e nunca será, o dele.
Volto ao princípio: é precisamente por ser adepto da Selecção que isto me dói mais. Mas com Otávio na equipa, não contem comigo.
Nem perderei tempo a ver o jogo de uma equipa que, com Otávio, deixa de me representar.
CHAPEAU VARANDAS!
Já o havia demonstrado na difícil relação com as suas claques. Demonstra-o agora ao dizer, em voz alta, aquilo que todos sabemos e que muitos calam: Pinto da Costa é uma nódoa que custará a extrair do desporto português.
Não. Isto não é uma crítica a Rui Costa. Cada dirigente tem o seu estilo, e não é certamente um aperto de mão que altera a percepção que o “Maestro” tem do presidente do FC Porto – e que é, com toda a certeza, coincidente com a minha, e com a de quem veja tudo isto com os olhos abertos.
Falo, isso sim, dos jornalistas e comentadores pseudo-independentes, que se apressaram a relativizar as práticas de ganhar
Ora eu penso justamente o contrário: foi a passividade com que esse universo de comentadores e jornalistas sempre tolerou os atropelos de Pinto da Costa e da sua trupe que permitiu chegar a esta situação de guerrilha constante, e que só terminará quando outra pessoa se sentar na cadeira da presidência portista. Tudo em nome de uma hipotética isenção, que não faz qualquer sentido quando não se trata de condenar clubes ou clubismos, mas sim comportamentos.
Quando Pinto da Costa, do alto das suas "finas ironias", insultava e provocava tudo e todos, falavam de “dirigentes” no plural, como se lhes fosse proibido falar "daquele" dirigente. Quando o FC Porto conspurcava a verdade desportiva falavam de “clubes” no plural, como se lhes fosse proibido falar "daquele" clube. Quando uma claque amestrada e miliciana, amedrontava, provocava, intimidava, agredia e até matava, falavam em “claques” no plural, esquecendo que os outros são condenados e presos (Alcochete, atropelamento de italiano, etc) e aqueles andam por aí, e até são patrocinados pela FPF.
Seria fastidioso trazer para aqui todas as provocações dirigidas por Pinto da Costa aos rivais (sobretudo, diga-se, ao Benfica). Seria fastidioso descrever novamente aquilo que todos escutámos nas gravações do processo "Apito Dourado" e que, inacreditavelmente, acabou por não dar em nada. Seria fastidioso mencionar todos os escândalos de arbitragem que envolvem sucessivamente as modalidades onde o FC Porto marca presença (só esta semana foi o Sporting a queixar-se no Basquetebol e o Barcelos no Hóquei em Patins), e que não se verificam quando aquele clube não participa (Futsal ou Voleibol, por exemplo). Seria fastidioso recordar todas as pressões e intimidações em jogos decisivos nos estádios das Antas e do Dragão, desde os produtos tóxicos no balneário em 1991, passando por apedrejamentos em viadutos, foguetes à porta de hotéis, até ao último FC Porto-Sporting, onde vimos seguranças a agredir jogadores leoninos. Isto sem falar nas visitas a centros de treino de árbitros, ou pior ainda, a estabelecimentos comerciais de familiares de árbitros, ou ainda nas agressões e intimidações aos próprios jornalistas - que vão acontecendo desde os anos oitenta do século passado.
Na verdade, a fantasiosa guerra norte-sul (criada por Pinto da Costa para seu proveito), e o ganhar "contra tudo e contra todos", não significam outra coisa que não seja vencer a qualquer preço – por cima e por baixo da mesa, à frente e atrás das cortinas, dentro e fora da lei, sempre com um nível máximo de agressividade, hostilidade, ódio e provocação – que se estende naturalmente para os adeptos, e até para os atletas, como se viu no recente e triste caso de Fábio Cardoso. Enfim, tudo o que do desporto e o futebol não precisavam, mas a cujos tais jornalistas e comentadores sempre viraram as costas com olímpica naturalidade.
Quem tem e premeia um diretor(?) de comunicação que adopta e alimenta uma prática de autêntico terrorismo comunicacional, como se viu no caso dos e-mails roubados, como se vê pelas redes sociais onde comunica directamente (sempre a atacar algo ou alguém, nunca a enaltecer as vitórias do seu clube) e de forma oculta (enchendo de “trolls” fóruns de opinião, caixas de comentários e blogues para desestabilizar os rivais), torna-se simplesmente ridículo ao acusar outros de atear fogos. E torna igualmente ridículo quem segue essa cartilha (aí sim, uma verdadeira cartilha) em nome da tal "isenção".
Era tudo isto que esperava ler o ouvir de comentadores e jornalistas. Mas ao que parece vão querer continuar a fazer parte deste jogo sujo e enjoativo, onde cada polémica, cada caso, cada conflito, se traduzem em audiências. O desporto que se lixe.













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