A FESTA DO GOLO

A pré-temporada vale o que vale. Lembro-me de algumas muito boas que antecederam épocas sofríveis (desde logo as três últimas), e também do contrário (por exemplo, em 2014 com seis derrotas em oito jogos, e em 2015, com três derrotas e dois empates em cinco partidas). Ainda assim, continuo a acreditar que é melhor ganhar do que perder, mesmo nos jogos a feijões. 
O Torneio do Algarve mostrou um Benfica solto, confiante, pressionante e goleador. Deu boas indicações sobre alguns dos reforços (Bah, Enzo e Neres). E permitiu erguer uma taça, que é sempre uma excelente forma de começar.
O modelo de Roger Schmidt parece mais ou menos definido. Linha de quatro defesas, duplo-pivot, dois extremos, e um segundo avançado no apoio ao ponta-de-lança. Uma espécie de 4-2-3-1, bastante flexível.
Tendo em conta esse modelo, destaco desde já alguns pontos que me parecem carecer de definição:
1- Creio que Grimaldo acabará por sair, Ristic não se mostrou (não sei o que vale), pelo que a posição de lateral-esquerdo permanece, até ver, em aberto, sendo que Gil Dias, pelo esforço, pelo dinamismo, deu boas indicações quanto à possibilidade de se manter no plantel como alternativa de segundo plano. 
2- Ainda não estou convencido de que Florentino seja o de 2019, com Lage, e não o que se eclipsou nos sucessivos empréstimos desde então. De qualquer modo, tanto ele como Weigl são atletas macios, e o Benfica necessita, a meu ver, de músculo naquela posição. Ainda mais se utilizar Enzo como número oito, tal como aconteceu neste torneio.
3- Gonçalo Ramos marcou dois golos, e foi considerado MVP (para mim seria Rafa). Mas nem ele, nem Yaremchuk, por motivos diferentes (o primeiro porque rende mais atrás do ponta-de-lança, o segundo porque é tecnicamente limitado), são o matador de que o Benfica necessita. Recordo que saiu Darwin, o melhor jogador da equipa, e um dos melhores avançados do Benfica deste século. O uruguaio, sozinho, assegurava o ataque e disfarçava muita coisa. Seferovic, melhor marcador em 2019 e 2021 também está de saída. Tenho fé em Henrique Araújo, mas não sei até que ponto está maduro para tamanha responsabilidade. Acho, pois, que falta ali qualquer coisa.
Dito de outra forma, creio que com um lateral-esquerdo sólido, um trinco robusto e um ponta-de-lança eficaz, este Benfica poderia, de facto, tornar-se numa grande equipa. Assim...vamos ver.
Longe da possibilidade de integrarem o plantel definitivo parecem estar André Gomes e Kokubo (Samuel Soares será, ao que parece, terceiro guarda-redes), André Almeida, Tomás Araújo (António Silva ganhou-lhe a dianteira), Meité, Taarabt, Pizzi, Gabriel, Diogo Gonçalves, Tiago Gouveia, Paulo Bernardo (algo lento para este modelo), Diego Moreira (talentoso, mas muito verde) e Rodrigo Pinho. Com estas saídas, com as desejáveis vendas de Weigl e Grimaldo, com a contratação de trinco e ponta-de-lança (lateral esquerdo depende de Ristic ser ou não solução clara para a titularidade), fecharia o plantel.
Ricardo Horta? Nem me lembrava. Lamento por ele, pois sei que era o cumprir de um sonho de criança. Mas o Benfica tem outras prioridades que não encher o bolso de António Salvador. 12 milhões mais dois dos jogadores dispensáveis acima referidos (alguns deles, eventualmente em definitivo), e não dava nem mais um cêntimo. Se quiserem, muito bem, senão, boa tarde.

3 comentários:

Anónimo disse...

Caro LF,

concordo no geral mas falta algo de importante e decisivo: pôr em ordem e limpar o Conselho de Arbitragem e o de Disciplina. Senão.........

#UmSLBnaInvicta

joão carlos disse...

o gil dias a ser opção será como extremo, só foi lateral porque não existia mais nenhuma opção, mas continua a ser um jogador sem qualidade que define mal.

curioso que o yaremchuck é limitado tecnicamente já o darwin era um portento de técnica, isto para não falar no cardozo.

precisamos de outro medio defensivo porque quer o meite, quer o paulo bernardo não tem andamento para a posição, o weigl é uma opção para o lugar do enzo até porque não existe mais ninguém no plantel para aquela posição.

Anónimo disse...

O aborto alemão não é opção para lado nenhum. É opção para desaparecer para sempre.

Zé Pincel