A VIOLÊNCIA TEM UM ROSTO

Tudo o que se passou em redor deste FC Porto-Benfica merece uma ampla reflexão, mas não pode deixar de originar também alguma reacção, nomeadamente, numa primeira instância, das autoridades de segurança, e num plano mais vasto, do próprio poder político.
Ao contrário do que certa comunicação social – receosa de, tomando uma posição clara, perder vendas, notícias ou simplesmente a sua tranquilidade - insiste em afirmar, não se tratou de uma luta entre claques, mas sim de actos premeditados e organizados de emboscada, intimidação, violência e terrorismo, perpetrados por adeptos do FC Porto, e patrocinados, pelo menos com silêncio cúmplice, pelos principais dirigentes do clube, à cabeça dos quais, naturalmente, o seu presidente. São estes os responsáveis por aquilo a que o país assistiu incrédulo, e que agora se pretende desculpabilizar num inenarrável comunicado (estilo “labaredas” ou "Pato") que utiliza acontecimentos de há quinze anos para justificar a violência das vésperas, falando descaradamente de dimensão moral, o que num clube cujo presidente recebe árbitros em casa antes dos jogos, os presenteia com fruta e chocolate, lhes paga viagens ao Brasil, e foi condenado por corrupção desportiva, só pode ser para rir.
Se na final do Algarve a diferença de comportamentos entre os adeptos dos dois clubes apenas deixara dúvidas a quem lá não estivera, agora, perante imagens televisivas inequívocas, só por má fé se pode falar de “claques" ou de “adeptos” no plural. O que esteve em causa foi uma mobilização quase para-militar de toda a estrutura portista (começando, desde logo, nos seus dirigentes) para receber o Benfica da forma mais hostil possível, procurando com isso - e, infelizmente para o desporto, conseguindo-o – condicionar a equipa da Luz, impedindo-a por todos os meios possíveis de disputar o jogo com normalidade.
Pretendiam vingança, diz-se. Mas vingança de quê? Do Benfica ter uma equipa extraordinária? De perderem o campeonato ao fim de quatro anos? De quê afinal?
Dizem-se revoltados. Mas revoltados com quem? Com a Comissão Disciplinar da Liga, provavelmente. Mas independentemente de terem ou não motivos para isso (e a meu ver não têm), e da instância superior até lhes ter dado razão, não era o Dr.Ricardo Costa que seguia no autocarro, nem estava nas bancadas, nem na sala de imprensa, nem nos camarotes, nem no relvado, nem nas Casas do Benfica cobardemente vandalizadas.
É o poder centralista de Lisboa, dizem outros. Mas o que tem o Benfica a ver com ele, quando há dois grandes clubes na capital, e quando existem adeptos e sócios benfiquistas espalhados por todos os cantos do mundo.

“Guerra é Guerra” disse um dia Pinto da Costa a Eriksson, quando, em 1991, se passou algo semelhante. Com uma diferença notável: nesse longínquo dia (e já então o presidente portista sabia muito bem como organizar estas operações) o FC Porto disputava o campeonato directamente com o Benfica, e como naquela casa sempre valeu tudo para vencer, até se percebia a estratégia. Desta vez tratou-se apenas de ódio, puro e duro, e as suas manifestações foram muito para lá do balneário, do túnel ou mesmo do estádio. Começaram nas emboscadas em prédios e viadutos na A1 e na linha de comboio, passaram pela bárbara agressão a duas mulheres sozinhas que seguiam no seu carro com adereços do Benfica, e ninguém sabe como poderiam ter terminado caso o resultado do jogo tivesse sido outro, e os benfiquistas pretendessem naturalmente comemorar ali o título, como era seu direito.
Há um aspecto que importa discutir, até mesmo no interior do clube da Luz, e que se prende com o facto - a meu ver incompreensível - do Benfica ser objecto de tanta hostilidade, não só no Porto, mas também, por vezes, em Braga, em Guimarães e em muitos outros locais, sobretudo do norte do país, ódio esse que só encontra paralelo na forma incondicional como tantos milhões de pessoas o amam calorosamente. Se quando está a ganhar até podemos imputar as causas à inveja ou ao ciúme, enquanto esteve a perder (e ainda foram alguns anos) não era fácil encontrar razões lógicas para tal atitude. Mas esse tema (interessantíssimo no plano sociológico e da psicologia de massas) fica para outra altura, pois se ninguém é obrigado a gostar do Benfica, todos estão obrigados a comportar-se dentro dos limites da lei, e isso, manifestamente, não aconteceu.
Recuso-me a aceitar que a cidade do Porto, a cidade de Siza Vieira, de Manoel de Oliveira, das Francesinhas, da Ribeira, da Rua de Santa Catarina, do Douro, e de alguns amigos que por lá tenho, se tenha tornado numa espécie de Palermo, onde as forças de segurança, as autoridades judiciais e todas as estruturas de poder político estejam tomadas pela influência de um padrinho mafioso e criminoso. Mas as evidências remetem-me cada vez mais para essa infeliz conclusão. E nem é preciso falar do Benfica para se chegar lá – fale-se de Co Adriaanse, de Paulo Assunção, de Costinha, de Ricardo Bexiga, de algumas decisões de tribunais portuenses, do comportamento de alguns agentes da PSP, de cães envenenados, ou das noites brancas (não as de Dostoievski, mas as de Bruno Pidá), e percebe-se, há demasiado tempo, que algo de muito grave se passa.
Há de facto no Porto um perigoso fenómeno de manipulação de massas (adeptos imbecis, iletrados e carneirizados ao serviço da ideologia que Pinto da Costa trouxe para o desporto) e de crime organizado (não tenhamos medo das palavras), que urge combater e desmantelar, antes que seja tarde demais. E o primeiro passo para isso não poderá ser confundir tudo, misturando lutas entre claques, ou comportamento desordeiro de alguns adeptos (coisa que de facto acontece em todo o lado), com estes episódios a que agora assistimos, e que remetem para um âmbito muito mais vasto, a tocar nas fronteiras do terrorismo.
Quando vejo a atitude complacente da maior parte da comunicação social (salvo honrosas excepções) para com os verdadeiros responsáveis pelo que se passou, quando vejo altos responsáveis políticos (temerosos, bajuladores, reverentes) sentados ao lado de Pinto da Costa, temo que tenhamos de esperar pelo desaparecimento físico do presidente do FC Porto (autor, pelo menos moral, de tudo o que se passou) para toda esta estúpida gente perceber enfim aquilo que andou a fazer, uns por actos, outros por omissões. Se o futebol e o desporto em Portugal resistem até lá? Essa é a minha maior dúvida.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Escrevi a crónica do jogo a quente, praticamente sobre o apito final, e a verdade é que me escapou um lance que na altura, em plena emoção do jogo, não havia revisto devidamente.
Na área portista Hulk cortou com a mão um livre batido sobre a meia-direita. Seria penálti.

FC PORTO-BENFICA
Além desse lance, Olegário Benquerença despistou-se por completo no plano disciplinar, penalizando as duas equipas, mas condicionando sobretudo o Benfica logo na fase inicial, e dizimando-o para o jogo com o Rio Ave.
Conforme já disse, o cartão amarelo mostrado a Di Maria é absurdo, e retira o jogador do jogo final. Também o de Javi Garcia me pareceu exagerado, e também ele fica de fora da próxima e derradeira partida. Não me custa a admitir que o segundo amarelo a Fucile também seja excessivo, mas a verdade é que o jogador deveria ter sido expulso aos 17 minutos, quando, aí sim, fez uma falta que lhe valeria o segundo cartão.
Os restantes amarelos foram bem mostrados, e o lance duvidoso em que Maxi Pereira cai na área também não me parece dar motivos para penálti.
Quanto ao segundo golo do FC Porto, se o mesmo fosse na outra baliza teríamos os Guilhermes Aguiares deste mundo a vociferar por fora-de-jogo, puxando pelo braço, pelo pé ou pelo cabelo dos jogadores para justificar a opinião. Para mim está mais ou menos em linha, e quando assim é o fiscal deve deixar prosseguir o lance.
Resultado Real: 3-2

SP.BRAGA-P.FERREIRA
Num dos serviços informativos da televisão via-se ontem um adepto do Sp.Braga a dizer que o Benfica tinha sido beneficiado pela arbitragem durante todo o campeonato. Não queria acreditar em tamanha imbecilidade, logo vinda dum apaniguado do clube que tem sido, ele sim, levado ao colo até à posição em que está.
Ontem, com um golo obtido em posição de fora-de-jogo, tivemos mais um exemplo da forma como este Sp.Braga consegue muitas das suas vitórias.
Grande influência devem ter Mesquita Machado, António Salvador, Carlos Freitas e/ou Domingos Paciência, para conseguirem tanta protecção para um clube fora do arco dos três tradicionais grandes. Desde o Boavista dos Loureiros que não se via nada assim.
Resultado Real: 0-0

SPORTING-NAVAL
Não vi absolutamente nada sobre este jogo (nem o golo), e socorro-me da crónica de “A Bola” (que fala de uma arbitragem tranquila e sem casos) para a classificação ficar completa.
Resultado Real: 0-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 78
FC Porto 62
Sp.Braga 61
Sporting 47

DECISÃO ADIADA

Derrota no Dragão, vitória do Sp.Braga, vários jogadores benfiquistas fora de combate para a última jornada. A noite não podia ter sido pior para o Benfica, que terá agora noventa minutos dramáticos frente ao Rio Ave para mostrar que toda a sua excelente temporada não foi em vão.
Olegário Benquerença condicionou a entrada dos encarnados no jogo (distribuindo amarelos cirúrgicos e deixando Fucile em campo demasiado tempo), a agressividade posta em cada lance pelos jogadores do FC Porto foi absolutamente inusual (e levanta algumas dúvidas quanto à sua origem), os golos portistas surgiram contra a corrente do jogo, mas a verdade é que o Benfica nunca se entendeu muito bem com esta partida, nem com aquilo que seria necessário para a vencer, ou, pelo menos, não a perder.
Talvez o clima de festa que se vive desde há algumas semanas tenha tomado conta do subconsciente dos jogadores benfiquistas. Talvez a extrema motivação da equipa de Jesualdo Ferreira (afastada do título, mas carregada de ódio e vontade de vingança) para esta partida os tenha surpreendido. A verdade é que me deu a sensação que o Benfica confiou demasiado na sua superior capacidade técnica e no seu virtuosismo, esperando que assim, com naturalidade, a ver o que dava, mais tarde ou mais cedo as coisas lhe viessem a sorrir. Não critico a entrega da equipa, nem, obviamente, a sua vontade de vencer. Mas no contexto em que esta partida se disputou, no local onde foi, contra este adversário, só com outra abordagem estratégica - sobretudo em termos de velocidade de processos, robustez e capacidade de choque - seria possível vencer.
Olhando para os noventa minutos, e partindo do princípio que a força e a intensidade portista se deveram única e exclusivamente ao ódio incutido aos seus jogadores (sem elementos externos ou alheios à natureza), terei de concluir que ganhou quem mereceu, e quem mais fez por isso. O FC Porto deu a vida para ganhar este jogo, enquanto o Benfica, demasiado tranquilo e descontraído, nunca se esqueceu que lhe bastava empatar com o Rio Ave na próxima semana, e isso ter-lhe-á subtraído o sentimento de urgência e a alma guerreira a que o momento apelava.
Deixar toda a decisão de uma época para noventa minutos, com uma bola redonda e onze de cada lado, não deixa de ser perigoso. A situação em que o Benfica está é invejável (tomara todos os seus adversários estarem a um ponto do título), mas será necessária uma enorme força mental para suportar a pressão que pesará nos ombros dos jogadores encarnados quando entrarem em campo no próximo domingo, e em vez de se limitarem a pousar para as fotografias, tiverem de arregaçar as mangas para marcar golos e ganhar (pois jogar para o empate seria suicidário). E sem Di Maria e Fábio Coentrão (todo o flanco esquerdo), e ainda sem Javi Garcia, a última coisa que o Benfica poderá fazer é pensar em festividades ou em facilidades. A partida com o Rio Ave será o jogo de uma vida, e terá que ser encarado como tal.
Sobre Benquerença voltarei a falar, mas o cartão amarelo a Di Maria é escandaloso, o mostrado a Javi Garcia exagerado, e Fucile deveria ter sido expulso aos vinte minutos de jogo. Não houve penáltis, nem golos anulados, mas toda a diferença de intensidade entre as duas equipas (e que , afinal de contas, justificou o resultado) começou também no bolso do árbitro leiriense.

UM PASSO PARA A GLÓRIA

A forma como o campeonato decorreu, e a superioridade que o Benfica exibiu, mereciam uma consagração a condizer. Uma vitória no Dragão poderia ser a chave de ouro a fechar as contas do título, e seria um ponto de exclamação na justiça do êxito encarnado.
Noutros tempos, pelos mais diversos motivos, jogo nas Antas era jogo perdido. Uma série de FC Portos-Benficas, apitados por figuras como Carlos Calheiros, Donato Ramos, António Costa ou Paulo Costa, no apogeu do sistema, tornaram-se um calvário para a equipa da Luz. Em dez anos (1994 a 2004), dez derrotas, com muitas expulsões à mistura.
Mais recentemente as coisas mudaram um pouco, e independentemente dos resultados alcançados (uma vitória e dois empates em cinco épocas de Dragão), as partidas entre os dois clubes tornaram-se mais abertas, equilibradas e disputadas. Nos últimos dez confrontos entre estes mega-rivais, o Benfica até leva vantagem (ver quadro).
Desta vez, um ponto vale o título. É uma situação inédita, que o Benfica pode fazer valer a seu favor. Raramente a equipa encarnada visitou o seu rival em situação tão privilegiada, o que sob o ponto de vista anímico terá seguramente o seu impacto.
Do outro lado estará uma equipa disposta a deixar a pele em campo para evitar a humilhação suprema de ver o Benfica festejar no seu estádio. Veremos se essa disposição é suficiente para suplantar a maior força individual e colectiva do Benfica, que tem, neste momento, indiscutivelmente, muito melhor equipa.
Prognósticos? Só no fim do jogo, como se disse um dia. Mas em termos de probabilidades, atendendo ao que tem sido o seu campeonato (e a 14 vitórias nos últimos 15 jogos), não creio que seja de prever uma derrota benfiquista.
Uma coisa é certa, nenhum resultado vai afastar o Benfica do título, e nenhum resultado poderá pôr em causa a justiça do mesmo.
Equipas prováveis:
FC PORTO – Beto, Fucile, Bruno Alves, Rolando, Álvaro Pereira, Fernando, Gaurin, Raul Meireles, Belluschi, Farias e Hulk.
BENFICA – Quim, Maxi Pereira, Luisão, David Luíz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ramires, Carlos Martins, Di Maria, Saviola e Cardozo.

QUANTO VALE UM "SE"?

Olhando ao desfecho das meias-finais da Liga Europa, fica uma sensação amarga de oportunidade perdida.
Se Fernando Torres se tem lesionado 15 dias mais cedo, o Benfica poderia estar agora em vias de conquistar o seu terceiro título internacional – pois suponho que Atlético de Madrid e Fulham não fariam frente a esta equipa encarnada.
Por outro lado, com estas meias-finais pelo meio, o Benfica arriscava-se a ter perdido alguns pontos no campeonato (Sporting? Coimbra?), e estava hoje, desgastadíssimo, na iminência de ter de discutir a liderança em pleno Estádio do Dragão.
Entre o certo e o incerto, creio que, neste caso, o destino se escreveu por linhas direitas.

ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS

Apurados que estão os finalistas, eis a actualização dos rankings estatísticos da competição maior do futebol europeu:

A DERROTA DO FUTEBOL

Não sou particularmente simpatizante do Barcelona enquanto clube (todo aquele regionalismo cheira-me mal), nem alinho na histeria que ultimamente tem tomado conta de alguns comentadores, fazendo da equipa de Guardiola muito mais do que aquilo que ela realmente é: uma excelente equipa, como, noutras temporadas, outras houve (e, deixando as selecções de parte, só nos últimos 30 anos lembro-me de um fantástico Liverpool com Dalglish, Souness e Rush, de um soberbo Milan com Gullit, Van Basten e Rijkaard, de uma eficaz Juventus com Del Piero, Paulo Sousa e Roberto Baggio, de um colossal Real Madrid com Hierro, Zidane e Figo, de um entusiasmante Manchester United com Cristiano Ronaldo, Rooney e Giggs, e do próprio Barcelona de há uns anos, orientado por Frank Rijkaard, e com Ronaldinho Gaúcho, Deco e Samuel Eto’o nas suas fileiras).
Independentemente dessa posição de princípio, e até de algumas simpatias madridistas, lamento profundamente que a equipa catalã tenha sido eliminada, quer da forma como foi, quer, sobretudo, por quem o foi.
A exibição do Inter em Camp Nou fez-me lembrar o Leixões ou o Naval quando visitam o Estádio da Luz. Onze homens (depois dez) atrás da linha da bola, pontapé para a frente, constantes perdas de tempo, provocações ao adversário, e todo um manancial de anti-futebol, que por vezes é premiado com um resultado imerecidamente positivo, como foi o caso. Os italianos (povo que, de resto, também não aprecio particularmente, ao passo que à Catalunha nunca fui) venceram, mas não convenceram. Provaram apenas, e uma vez mais, que o futebol não é justo.
Depois, lamento não alinhar no coro oficial da nação em redor de José Mourinho. Reconheço, obviamente, toda a sua competência técnica, mas sob o ponto de vista humano, de comportamento, de educação e desportivismo, trata-se de alguém que me envergonha enquanto cidadão português. Nunca tive outra opinião acerca dele, nem enquanto treinou o Benfica, saindo sob ameaças e chantagens - tal como de resto saiu do FC Porto, do Barcelona, do Chelsea, sairá do Inter, e de todos os clubes onde trabalhar.
Se há coisa que tenho é uma boa memória, e não me esqueço do que foi Mourinho no futebol português. Não pelo que ganhou, mas pela forma arrogante, imbecil e provocadora como sempre se comportou. Não me esqueço da sua volta ao relvado da Luz, de sorriso cínico na cara, perante 80 mil pessoas a assobiarem-no. Não me esqueço dos seus insuportáveis “mind games”, que apenas aumentavam a necessidade de reforço policial nos jogos, enquanto satisfaziam o seu ego do tamanho do mundo, permitindo-lhe gozar com todos nós. Desta vez, visitando a casa que o projectou e que lhe ensinou grande parte do que sabe, voltou a ter um comportamento nojento e cretino, daqueles que queremos ver banidos do futebol, que condenamos veementemente quando se trata de alguém de outro país (Domenech, por exemplo), mas que a Mourinho todos em Portugal, estranhamente, toleram. Normalmente os mesmos que vêm em Pinto da Costa um exemplo a seguir, e no fundo aqueles para quem vale tudo, desde que se ganhe.
Nesta partida estava pois pelo Barcelona. Estava, sobretudo, contra o Inter, e contra Mourinho, como sempre estive, desde os tempos do Chelsea, para nem falar do FC Porto.
Não se pode dizer, todavia, que a equipa transalpina não tenha feito jus à história do seu futebol. Foi com Helenio Herrera, e com o célebre Catenaccio, que o Inter alcançou as suas grandes conquistas internacionais, voltando agora, do mesmo modo, à final da principal prova europeia de clubes.
Nesse dia, e independentemente da animosidade que a postura política da chanceler Ângela Merkel possa ter trazido à Europa nos últimos meses, estarei pelos alemães. Estarei, sobretudo, contra Mourinho, contra o Catenaccio, contra o anti-jogo, as provocações, os golpes baixos, a arrogância. Estarei pelo futebol.

CURIOSIDADE

O Benfica-Interviu, em futsal, teve mais espectadores que os jogos de futebol do Sporting e do FC Porto juntos.

COMO É POSSÍVEL?

Por mais que me esforce, não entendo a incompreensão que alguns adeptos do Benfica (acredito que uma minoria) têm para com Óscar Cardozo.
O paraguaio já marcou cerca de 40 golos (!) nesta temporada, e quase 90 (!) desde que está no Benfica. É o melhor marcador da Liga Portuguesa, e também da Liga Europa. Ou eu não percebo nada de futebol, ou estamos na presença de um extraordinário ponta-de-lança, daqueles que no mercado nacional não existem, no mercado europeu são completamente inacessíveis, e no sul-americano são um achado (que o Benfica teve a felicidade, e perspicácia, de descobrir).
Falha golos? Pois falha, mas todos os grandes avançados falham golos. Só quem não saiba aparecer nas zonas de finalização, quem não consiga escapar-se aos defesas, quem não adivinhe onde vão cair as bolas, é que não falha. Desses, dos que jogam “de costas para a baliza”, dos das “missões de sacrifício”, dos que “criam espaços”, já cá houve muitos. Dos que metam a bola lá dentro é que nem por isso.
Em pouco tempo, no estádio e fora dele, ouvi comentários sobre Cardozo que me provocaram arrepios na espinha. Como é possível dizer-se tanto disparate? O que queriam? Samuel Eto'o? Drogba? Ibrahimovic?
Para mim, “Tacuara” é, indiscutivelmente, uma das figuras do campeonato. E, digo mais, é talvez o jogador do plantel do Benfica mais difícil de substituir - basta lembrarmo-nos dos jogos em que esteve ausente, nos quais as dificuldades da equipa dentro da área foram notórias, originando, por exemplo, uma eliminação da Taça de Portugal.
Que fique no Benfica muitos anos é o meu desejo. Outro como ele é que não vejo onde encontrar.

CHAMPIONS 2010-2011: um pequeno exercício

Se a questão do título ainda não está totalmente decidida, a da qualificação para a Liga dos Campeões, depois da vitória bracarense na Figueira da Foz, parece definitivamente arrumada. Em muitos países europeus passa-se o mesmo, sendo pois altura de fazer um pequeno exercício de antecipação, e tentar perceber o que poderá ser a próxima edição da principal prova da UEFA.
Partamos de dois axiomas de base: 1) os campeonatos nacionais terminam com a classificação actual; e 2) nas pré-eliminatórias passam as equipas com melhor ranking.
Seguindo este critério chegamos rapidamente às 32 equipas qualificadas, e podemos então reparti-las pelos quatro potes do sorteio.
Vejamos então, no quadro que se segue, os nomes dos clubes presumivelmente apurados, quer directamente, quer para as pré-eliminatórias:
Atendamos agora às pré-eliminatórias, repartindo as equipas segundo a sua posição actual no ranking, encontrando desse modo os cabeças-de-série, tanto no alinhamento dos principais países, como no dos campeões nacionais. Se os teoricamente mais poderosos forem ganhando, chegamos aos apurados:
Com todos os 32 apurados encontrados, é pois possível distribuí-los pelos quatro potes, sendo que o Benfica iria para o segundo. O Sp.Braga, caso conseguisse ultrapassar um dos cabeças-de-série na 3ª pré-eliminatória (por exemplo o Basileia), conseguiria provavelmente entrar no terceiro pote:
Para finalizar, resta escolher um grupo para os encarnados. Que tal um constituído por Lyon, Copenhaga e Cluj? De evitar seria, por exemplo, algo como Barcelona, Schalke 04 e Spartak de Moscovo.
Veremos até que ponto tudo isto se confirma, a começar pela própria qualificação directa do Benfica, que, como sabemos, ainda não é uma realidade matemática.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Suponho que esta tenha sido uma das semanas de maior acerto por parte dos árbitros, e só a necessidade de arranjar argumentos (um cartão amarelo, um livre, um cabelo…) faz com que a discussão prevaleça.

V.SETÚBAL-FC PORTO
Depois de uma série de erros cometidos - nomeadamente nos Benficas-Sportings que ano após ano, invariavelmente, apitava -, e que todos foram atribuindo ao seu estilo permissivo de deixar jogar, Pedro Henriques perdeu a inocência quando, na época passada, anulou um golo limpo ao Benfica (vendo uma falta que não existiu) em pleno Estádio da Luz, no último minuto de compensação de um jogo com o Nacional, impedindo então os encarnados de se destacarem na classificação antes da pausa de Natal.
Ficou aí demonstrada a sua má fé (diz-se que é sportinguista fanático), pois afinal o seu “deixar jogar” só valia para alguns, como Tonel (para agarrar Nuno Gomes na área), ou João Moutinho (para rasteirar Freddy Adu também na área), em dois derbys lisboetas quase consecutivos.
Dizer-se que o cartão amarelo mostrado a Falcão serviu para beneficiar o Benfica é pois um absurdo. Um duplo absurdo, aliás. Primeiro porque Pedro Henriques nunca beneficiou o Benfica (foi, de resto, o árbitro escolhido por Pinto da Costa para uma final da Taça de Portugal), depois porque o lance é, à primeira vista, efectivamente passível de sanção disciplinar, já deixando de lado o facto de o alegado benefício daí resultante para os encarnados ser tão residual (quero lá saber se o Falcão joga ou não joga…) quanto desnecessário (o Benfica nem precisa de pontuar no Dragão).
No Dragão subsiste a dramática e desesperada necessidade de justificar, com terceiros, quartos ou quintos, a extraordinária época do Benfica (a melhor dos últimos 20 anos), e o correspondente fracasso do FC Porto (um dos três piores campeonatos dos últimos 34 anos). Para isso qualquer argumento é válido, seja um castigo da CD Liga, seja um simples cartão amarelo, seja um cão que entra dentro do relvado, ou um pássaro que pousa sobre o banco de suplentes.
Há pois que entender, desvalorizar, e seguir em frente.
Resultado Real: 2-5

BENFICA-OLHANENSE
Assisti ao jogo no estádio, e, na televisão, apenas vi um curtíssimo resumo num dos telejornais do fim-de-semana.
Fiquei com a sensação de que a arbitragem de Lucílio Baptista foi razoável, dando de barato que, no lance do quinto golo, Aimar tenha efectivamente ajeitado a bola com a mão.
Tanto no penálti assinalado, como na expulsão, nada há a dizer. Ambos os lances são claros e indiscutíveis.
Resultado Real: 4-0

NAVAL-SP.BRAGA
Apenas vi os golos, mas os ecos que me chegaram foram os de uma boa arbitragem.
Resultado Real: 0-4

U.LEIRIA-SPORTING
Idem, idem, aspas, aspas.
Nem sei como é que alguém ainda perde tempo a ver os jogos do Sporting. É sintomático que em Leiria estivessem menos de metade do número de pessoas que, no Pavilhão Atlântico, assistiram à final da Futsal Cup.
Resultado Real: 1-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 78
Sp.Braga 60
FC Porto 59
Sporting 47

NOS CÉUS DA EUROPA

Impressionante é a palavra que melhor define a tarde vivida ontem por 10 mil benfiquistas num Pavilhão Atlântico todo ele pintado de vermelho.
O caso não foi para menos, pela primeira vez uma equipa portuguesa subiu ao mais alto degrau do Futsal europeu, conquistando a Uefa Cup, equivalente à Liga dos Campeões da variante de onze.
Num jogo frenético, com incessante e vibrante apoio vindo das bancadas - onde toda a gente ansiava por festejar -, os super-poderosos espanhóis do Interviu (uma espécie de Barcelona do Futsal) caíram no prolongamento, e o troféu ficou em Lisboa.
Este será, porventura, o momento mais alto da história do eclectismo benfiquista, e vai perdurar muitos anos na memória daqueles que, como eu, o viveram in loco. Com Luís Filipe Vieira, Jorge Jesus, Rui Costa, Eusébio e até a águia Vitória presentes (e ninguém minimamente preocupado com o Naval-Sp.Braga), a festa final foi de arromba, com lágrimas e cânticos de alegria dentro e fora do campo.
Tratou-se de um sonho concretizado por uma fantástica equipa, cujo percurso há muito fazia merecer esta magnífica tarde de consagração internacional. E é justo que esta festa não tenha sido ofuscada por nenhuma outra.

MAGIA, GOLOS E...UM CHEIRINHO NO AR

Com mais de 60 mil nas bancadas, não foi preciso esperar muito para se perceber que o Benfica estava firmemente decidido a arrecadar mais três pontos, e a prosseguir a sua caminhada rumo ao título.
Logo aos dois minutos de jogo, Cardozo marcou, de penálti, o primeiros dos seus três golos; pouco tempo depois Delson viu o segundo cartão amarelo e foi expulso; e mal passava do quarto-de-hora quando, num lance espectacular concluído por Di Maria, os encarnados aumentaram a vantagem, pondo fim à discussão dos pontos em disputa. Daí em diante sobrou tempo e espaço para mais um recital de puro deleite futebolístico, interpretado sobretudo pela magia do extremo argentino, com Cardozo, ora a falhar, ora a marcar, e o placar a subir até números de nova goleada.
Nas bancadas sentiu-se o cheiro a título, e durante a segunda parte chegou a gritar-se “campeões, nós somos campeões”. Pode parecer prematuro, mas a verdade é que ninguém acredita que o Benfica venha a perder este campeonato, até porque a principal nota de perigo que restava – a eventualidade de ter de necessitar do jogo do Dragão – está agora posta de parte, sendo apenas preciso um empatezinho com o Rio Ave, em pleno Estádio da Luz, para a festa se consumar.
O clima de euforia benfiquista prolongou-se no domingo, não ainda com a garantia do título, mas com outra brilhante conquista do clube. Como Jorge Jesus disse, um triunfo em campo, na sequência de um jogo, será muito mais saboroso e adequado para comemorar o título. Numa época como esta, seria quase pecado o Benfica sagrar-se campeão à custa de um percalço de um adversário.
PS: Peço desculpa aos leitores pelo atraso na publicação desta crónica, mas alguns compromissos pessoais e profissionais, para além, naturalmente, do Futsal, deixaram-me com pouco tempo para a fazer.

GANHAR O JOGO!

Antes de qualquer outra coisa o Benfica deve ganhar ao Olhanense. Se puder festejar no domingo, tanto melhor, mas o que é fundamental é ficar, no sábado, a um só ponto do título.
Julgo que os jogos deveriam ser à mesma hora, mas o que interessa é ser campeão. E quanto mais cedo, melhor. Para tal, nada como apresentar o onze de gala.
PS: Este domingo pode ser apenas normal, mas pode também ficar para a história do Benfica. Além da hipótese matemática dos títulos de Futebol e Voleibol, há também a final-four da taça europeia de Futsal, no Pavilhão Atlântico. Sinceramente, acho pouco provável que cada uma delas se concretize (o Volei e o Futebol podem esperar, o Futsal tem concorrência de respeito), mas ...sonhar é grátis.

JOGOS PARA A ETERNIDADE (16) - OS MEUS TÍTULOS

Quando o Benfica está à beirinha de conquistar o seu 32º título, é altura para recordar outros campeonatos ganhos, e a forma como eles foram eles vividos por este vosso amigo, em mais uma viagem pelo passado.
Recordo-me de um total de nove títulos (este poderá ser o décimo). Desde 1977, tempos de Chalana, Nené e Mortimore, até 2005, já com Simão, Luisão e Nuno Gomes. Vamos então relembrá-los um a um:

1976-77
Depois de uma época marcada pela impressionante recuperação classificativa face ao Sporting (que na primeira volta chegou a dispor de seis pontos de avanço, que hoje equivaleriam a nove), o Benfica sagrou-se campeão a três jornadas do fim, em jogo com o Beira-Mar no Estádio da Luz.
A festa estava prevista apenas para a semana seguinte, mas as derrotas de Sporting e FC Porto anteciparam a decisão. 4-0 foi o resultado, a que se seguiu uma volta triunfal ao campo, carregando aos ombros o treinador inglês John Mortimore.
Recordo-me de vários momentos dessa temporada (as partidas com o Sporting e com o FC Porto, por exemplo), mas a memória que tenho do jogo do título, e desse dia, é algo difusa. Recordo-me de ouvir partes do relato (provavelmente o meu pai ouvia-o enquanto eu brincava), tomei conhecimento que o Benfica era campeão, mas nem me lembro de ter ficado particularmente eufórico com o acontecimento.
Na altura este era o 14º título em 18 anos, pelo que as comemorações seriam naturalmente comedidas.
A equipa-base dos encarnados era composta por: Bento, Pietra, Alhinho, Eurico, Alberto, Toni, Shéu, Vítor Martins, Nelinho, Nené e Chalana (que na sua primeira temporada como sénior foi a grande estrela da equipa).

1980-81
Este sim, foi o primeiro título que vivi com verdadeiro entusiasmo de campeão. Pôs fim a três temporadas de jejum (uma eternidade para a altura), e foi obtido numa época quase perfeita dos encarnados, a qual incluiu também a Taça de Portugal, a Supertaça e umas meias-finais europeias. Foi também nesta temporada que assisti ao meu primeiro jogo no Estádio da Luz, precisamente um Benfica-Altay Izmir para a 1ª eliminatória da Taça das Taças.
O treinador era o húngaro Lajos Baroti, e a conquista foi selada na penúltima jornada, com uma goleada ao Vitória de Setúbal (5-1), testemunhada por um Estádio da Luz a rebentar pelas costuras, e já preparado para as festividades. Julgo ter sido o último jogo da carreira de Toni, que já não era titular, mas entrou para os minutos finais.
Não estive lá (só bastante mais tarde me tornei presença habitual), pelo que foi mais um título que me chegou pela rádio. A partida ficou marcada por uma muito criticada, e totalmente desproporcionada, carga policial aos adeptos que apenas pretendiam invadir o campo para festejar a vitória. Meteu Assembleia da República, críticas ao governo e tudo.
A equipa-base era a seguinte: Bento, Veloso, Humberto Coelho, Laranjeira, Pietra, Carlos Manuel, João Alves, Shéu, Chalana, Nené e César.

1982-83
Um maior distanciamento temporal vai permitir um dia perceber onde enquadrar a actual equipa de Jorge Jesus, entre as que melhor futebol praticaram no Benfica do pós-Eusébio. Deixando esse exercício para depois, entregaria o prémio, por agora, ao conjunto de 82-83, orientado por Eriksson (na sua primeira época), e que encantou o país e a Europa.
Foi uma temporada inesquecível, com vitórias no Campeonato, na Taça de Portugal, na Supertaça e uma caminhada épica até à final da Taça Uefa, perdida na Luz diante do Anderlecht. Mais do que os resultados, o futebol de ataque praticado em todos os campos (fosse em casa, fosse fora) ficou na retina de muita gente, catapultando o treinador sueco para uma carreira internacional de grande sucesso .
O título foi carimbado em Portimão (vitória por 0-1), com duas jornadas ainda por disputar, e, se não estou em erro, quatro dias depois da final da Uefa. A festa foi feita na semana seguinte, em casa diante do Sporting. Esperava-se uma goleada (na Taça tinham sido 3-0), mas a vitória ficou-se por um golo solitário de Chalana, numa partida em que Bento defendeu um penálti e…falhou outro (suponho que por ordem inversa, mas isso pouco interessa para o caso).
Equipa-base: Bento, Pietra, Humberto Coelho, Bastos Lopes, Álvaro, Carlos Manuel, João Alves, Shéu, Chalana, Nené e Filipovic

1983-84
No ano seguinte, ainda com Eriksson, a superioridade benfiquista voltou a ser inquestionável. Numa temporada em que apenas cedeu oito pontos, o Benfica sagrou-se campeão na penúltima jornada, em casa, e uma vez mais diante do eterno rival.
Nem foi preciso vencer, pois, à mesma hora, o FC Porto perdia no Bessa, e como tal, bastou um empate a um golo com o Sporting, a que se seguiu a tradicional invasão do relvado.
A grande aposta dos encarnados, depois de alcançada a final da Uefa no ano anterior, era a Taça dos Campeões Europeus. O sonho acabou por morrer aos pés do…Liverpool, com uma derrota por…4-1 (daquela vez em plena Luz, depois do 1-0 de Anfield), o que, numa altura em que ser campeão era corriqueiro, acabou por deixar um travo ligeiramente amargo, que nem o título nacional apagou inteiramente.
Tal como era habitual, todas as grandes emoções do campeonato foram vividas pela rádio. Assisti contudo, no Estádio do Bonfim, à primeira jornada desta temporada, e ao último golo da carreira de Humberto Coelho – que se lesionaria com gravidade poucas semanas depois num treino da selecção, não mais voltando aos relvados -, numa partida que o Benfica venceu por 2-3, com as bancadas a abarrotar de gente, um sol abrasador e um calor quase insuportável, sobretudo para quem estava espalmado contra a vedação (como era o meu caso). Estávamos, afinal de contas, em pleno Agosto.
Equipa-base: Bento, Pietra, Bastos Lopes, Álvaro, Sheu, José Luís, Carlos Manuel, Stromberg, Chalana, Diamantino e Manniche.
Chalana e Stromberg seriam vendidos para França e Itália respectivamente, Eriksson também abraçaria o Cálcio, e esse desinvestimento (necessário para Fernando Martins completar o terceiro anel do estádio) revelar-se-ia fatal nos anos seguintes.

1986-87
Depois de um bi-campeonato portista, com Artur Jorge, o Benfica voltou aos triunfos, aproveitando muito bem o enfoque dado pelos nortenhos à Taça dos Campeões Europeus, que venceriam em Viena com o calcanhar de Madjer.
O Benfica vinha de uma temporada aziaga, em que perdera tudo em poucas semanas, depois de uma caminhada empolgante. A inesperada eliminação europeia aos pés do acessível Dukla de Praga (com um golo fatal, sofrido em casa, nos últimos minutos da segunda mão), e, principalmente, o título perdido na penúltima jornada, em plena Luz, diante do Sporting (1-2, o primeiro derby a que assisti ao vivo), abriram feridas na confiança dos adeptos face à sua equipa. Mais feridas ainda deixou a histórica goleada sofrida em Alvalade - os célebres 7-1 - e a relação com o regressado John Mortimore ressentiu-se de tudo isso, não mais voltando a ser a mesma.
Em 1986-87 a equipa foi muitas vezes assobiada, e desconsiderada, mesmo comandando a classificação durante quase todo o campeonato. Temia-se que acontecesse o mesmo que no ano anterior, até porque a penúltima jornada reservava novamente um Benfica-Sporting.
Só que a história não se repetiu. Desta vez, praticamente na mesma situação, e também com 120 mil nas bancadas, o Benfica ganhou por 2-1 (golos de Chiquinho e Nunes), conquistando o título nacional, ao qual iria juntar, alguns dias mais tarde, a Taça de Portugal. Foi a última dobradinha do clube da Luz até à data.
Este foi o primeiro dos dois títulos que festejei em pleno estádio (o outro seria o último, o de 2005). Fui ver esse derby, presenciei a invasão de campo, e toda a euforia que tomou conta da família benfiquista. Recordo-me, como se fosse hoje, de ir festejar com as pessoas com quem vi o jogo, a um restaurante de Setúbal chamado “O Quintal” (não faço ideia se ainda existe). Comi cherne grelhado, regado com vinho rosé. Tinha eu os meus fabulosos 17 aninhos.
Para a história desta temporada fica também o registo daquele que terá sido o jogo com maior assistência de sempre disputado no nosso país, e a que eu também tive o privilégio de assistir. Foi o Benfica-FC Porto (3-1, hat-trick de Rui Águas), e "A Bola" do dia seguinte falava em 140.000 pessoas na Luz. Não as contei, mas sei de muita gente que ficou à porta com o bilhete na mão, sem conseguir passar a densa barreira humana que entopia todas os buracos por onde entrar no estádio.
Equipa-base: Silvino, Veloso, Dito, Oliveira, Álvaro, Sheu, Nunes, Chiquinho, Diamantino, Rui Águas e Manniche

1988-89
Terá sido dos títulos menos sofridos que a história recente do Benfica nos apresenta. Talvez por isso, talvez fruto do desencanto de uma eliminação europeia precoce (com o improvável Liegeois), talvez também por ter, à época, 19 anos, e nessa idade as prioridades estarem muito para lá do futebol (raparigas, noitadas, festas, raparigas, faculdade, raparigas, etc, etc), terá sido também dos que menos me entusiasmou.
Foi o ano das vitórias por 1-0 conseguidas no último minuto, com golos de Vata (o surpreendente Bola de Prata nessa época), em que a contratação falhada de Quinito como técnico do FC Porto (substituído depois de uma copiosa derrota em Eindhoven) cedo deixou o caminho livre aos encarnados. Ainda assim, diga-se que com o regresso de Chalana (já longe do fulgor dos primeiros anos), e com as contratações de Valdo, Ricardo e Magnusson, o Benfica tinha uma extraordinária equipa, cuja base esteve na origem de duas finais da Taça dos Campeões Europeus nos anos imediatamente anterior e posterior a este. É verdade que haviam saído Dito e Rui Águas (como resposta do FC Porto à contratação de Ademir, no qual os azuis-e-brancos estariam interessados), mas as ausências pouco se fizeram sentir.
Ainda assisti ao vivo a três jogos desse campeonato, mas não foi uma temporada que me tivesse proporcionado recordações particularmente intensas.
Curiosamente, estive em vias de presenciar ao momento da consagração. Foi em Setúbal, a três jornadas do fim, quando uma vitória poderia ser suficiente para fazer a festa. Um golo de Aparício, já nos momentos finais (estabelecendo o 2-2), retardou o título, e obrigou a multidão que enchia por completo o estádio do Bonfim a guardar as bandeiras e cachecóis para a semana seguinte.
Foi em casa com o Estrela da Amadora, que uma vitória por 3-0 selou as contas. Não faço a menor ideia onde estaria a essa hora, e nesse dia. Mas estava certamente feliz.
Equipa-base: Silvino, Veloso, Mozer, Ricardo, Álvaro, Sheu, Vítor Paneira, Valdo, Chalana, Diamantino e Magnusson.

1990-91
Eriksson havia regressado, e na primeira temporada tinha levado a equipa à sétima final da Taça dos Campeões da sua história. Em parte por isso, em parte por influência de um sistema tentacular que já à época invadia a arbitragem, o campeonato de 89-90 fugiu para o FC Porto, que, com Bandeirinhas, Kikis, Demols, Tozés e Vlks, conseguiu bater o Benfica de Valdo, Thern, Magnusson e Ricardo. Foi esse, aliás, o primeiro dos campeonatos ganhos pelo FC Porto de forma imoral, e fruto da sua crescente influência na arbitragem.
Em 1990-91 os encarnados viram-se precocemente afastados da frente europeia, ao perder com a Roma logo na primeira eliminatória da Taça Uefa. E, dedicando-se em exclusivo ao campeonato, partiram para uma caminhada imparável rumo ao título, que teve o seu apogeu nos célebres 0-2 das Antas, com dois golos de César Brito.
Lembro-me de ouvir o relato desse jogo (que a poucas jornadas do fim decidiu quase tudo), como me lembro, também via rádio, da partida que garantiu o título, no Funchal diante do Marítimo (vitória por 0-2, também).
Na última jornada, com o estádio cheio, o convidado para a festa do título foi o Beira Mar, que levou 3-0, dois dos golos apontados por Rui Águas (de regresso ao seu clube depois de uma incompreensível experiência nas Antas, que nunca lhe perdoarei), que assim conseguia destronar Domingos Paciência na luta pela Bola de Prata - um grupo de sócios portistas, alegando (sabe Deus porquê) que Domingos tinha mais um golo, decidiu então mandar fazer um troféu paralelo para entregar ao avançado do FC Porto, numa daquelas atitudes saloias que mostra bem o espírito, passado e presente, daquele clube.
Recordo-me que a RTP transmitiu em directo os últimos dez minutos da jornada final, e a festa que se lhe seguiu.
Este foi o último campeonato de um período em que o Benfica, ganhando ano sim, ano não, ainda mantinha, ou pelo menos repartia, a hegemonia do futebol português. Daí em diante só conquistaria mais dois títulos, ambos em circunstâncias muito especiais.
Equipa-base: Neno, José Carlos, Ricardo, William, Veloso, Jonas Thern, Vítor Paneira, Valdo, Pacheco, Isaías e Rui Águas.

1993-94
Depois de um verão muito quente, com Sousa Cintra a aproveitar-se alarvemente da crise financeira do rival, e a aliciar muitos dos seus principais jogadores (que tinham os salários em atraso, e, como tal, podiam rescindir facilmente os contratos), o Benfica partiu para a temporada futebolisticamente fragilizado, mas com o seu orgulho ferido. Isso revelar-se-ia determinante, até porque na luta pelo ceptro teve no Sporting o mais directo opositor.
Paulo Sousa e Pacheco mudaram-se para Alvalade, João Pinto foi resgatado in-extremis numa viagem do presidente Jorge de Brito a Torremolinos, e Rui Costa, Isaías e Neno foram também abordados, mantendo-se todavia na Luz. Futre tinha sido vendido para Marselha, mas ainda assim, os que ficaram, formavam uma grande equipa. Restava saber se haveria condições de retaguarda (desde logo financeiras) para levar a nau a bom porto. E nesse particular o trabalho desenvolvido por Toni foi fundamental, segurando pelas pontas um grupo muito talentoso mas desorganizado e indisciplinado, que tinha nos russos Kulkov, Yuran e Mostovoi as principais dores de cabeça.
A época haveria de reservar grandes momentos, grandes vitórias, estádios cheios, muitos novos associados, o que parecia permitir ao clube retomar o rumo correcto. Infelizmente foi sol de pouca dura, e os anos seguintes iriam evidenciar que as coisas estavam mesmo mal. Só onze anos depois o Benfica voltaria a ser campeão nacional, depois de aventuras que quase levaram à sua destruição.
O grande momento deste campeonato foi naturalmente a vitória por 3-6 em Alvalade, jogo em que João Pinto, um dos protagonistas do defeso anterior, terá feito a exibição da sua vida. Mas o título só ficou seguro duas rondas depois, em Braga, numa partida com o Gil Vicente (numa altura em que ninguém se lembrava de reclamar por os clubes pequenos mudarem os jogos grandes para estádios onde pudessem obter maiores receitas), em que foi uma vez mais João Pinto a brilhar, marcando os dois primeiros golos de uma vitória por 0-3.
Na altura eu fazia parte de uma equipa (se é que se pode chamar-lhe assim) de futebol de cinco que, ainda disputou alguns torneios na região. O jogo de Braga foi durante a semana, num fim de tarde de, salvo erro, quarta-feira, e ouvi o relato durante um treino, som vindo do auto-rádio de um dos colegas que estacionara junto ao ringue. Quando o jogo acabou estava, recordo-me bem, a tomar banho, e seguiu-se naturalmente uma jantarada. Mas a maior dose de euforia tinha sido servida com o triunfo em Alvalade.
Na semana seguinte o Estádio da Luz encheu para receber os campeões. Era a penúltima jornada, e o adversário o Vitória de Guimarães. Não arranjei bilhete, e faltei à cerimónia. Nem a minha ausência, nem o empate a zero retiraram brilho às festividades.
Equipa-base: Neno, Veloso, Mozer, Hélder, Schwarz, Kulkov, Vítor Paneira, Rui Costa, Yuran, João Pinto e Isaías.

2004-05
Obtido em circunstâncias particularmente difíceis, na sequência de um longo jejum, com um plantel muito limitado e uma concorrência extremamente forte (FC Porto campeão europeu, Sporting finalista da Uefa, Boavista ainda nos seus bons tempos, Sp.Braga a nascer para aquilo que é hoje), depois de um campeonato verdadeiramente espectacular (o melhor de que me lembro), este foi para mim o título mais reconfortante de todos os que vivi.
Cedo comecei a acreditar na equipa, e momentos houve em que me pareceu ser o único a fazê-lo. Levei a peito aquela equipa, aqueles jogadores, e aquela temporada. No fim, como nos filmes, tudo acabou em bem.
Foi, até hoje ,a temporada futebolística em que vi mais jogos ao vivo. Em casa não perdi nenhum, e fora fui a todo o lado onde pude ir. Muito sofri eu…
A decisão final foi apenas na última jornada, no Bessa, em tarde para recordar durante uma vida. A procissão de carros pela A1 acima, o leitão da Mealhada, em restaurante à pinha onde os cânticos slb,slb emergiam à medida que o vinho escorria pelas gargantas, o dramatismo de um jogo que, pela primeira e única vez na vida, quase me obrigou a sair da bancada, tal o estado de nervos que me tolhia o corpo e a alma. No fim foi o que se viu. Talvez tenha sido dos poucos benfiquistas a estar, nessa noite, no Bessa, no Aeroporto, e no Estádio da Luz, com um belo jantar pelo meio, e festa até de manhã. Só me deitei depois de ler “A Bola” de segunda-feira.
Este campeonato ficou porém desde logo alinhavado na semana anterior, no também inesquecível derby do golo de Luisão. Já aqui recordei esses dois momentos.
Equipa-base: Quim, Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Dos Santos, Petit, Manuel Fernandes, Nuno Assis, Geovanni, Nuno Gomes e Simão.

Agora, venha o próximo…

BARÇA ENCOSTADO ÀS CORDAS

Num grande espectáculo a que só faltou um grande Messi, o Inter de Mourinho deu um passo significativo rumo à final da Champions League, derrotando o todo-poderoso Barcelona por 3-1.
Na segunda mão a equipa catalã tem assim uma verdadeira prova de fogo, e um enorme desafio à sua superior qualidade.
Creio que o vencedor desta eliminatória será o campeão.

BOM TREINADOR, MAS...

Paulo Sérgio é, quanto a mim, um excelente treinador. Foi, portanto, uma boa escolha do Sporting.
Resolverá ele os problemas do clube? Não creio. Os problemas do Sporting vão muito para além da área técnica, são já antigos, e foram iludidos durante anos pelo fantástico trabalho de Paulo Bento, e, sobretudo, pela crise de resultados do Benfica.
José Eduardo Bettencourt (que Deus o conserve em Alvalade por muito tempo) tem-se revelado um flop total. Desde que assumiu os destinos do clube, a instabilidade, os erros estratégicos, as hesitações e as gaffes têm-se sucedido a um ritmo alucinante. E Costinha, pelo que já se viu, também não parece ser uma grande ajuda.

CLASSIFICAÇÃO REAL

De Carlos Xistra espera-se sempre o pior, e na verdade o homem não desiludiu. Se, por absurdo, o Benfica não tivesse ganho o jogo, muita tinta aquele golo validado à Académica iria fazer correr.

SP.BRAGA-LEIXÕES
Dos resumos que vi, só o primeiro golo de Alan poderia oferecer matéria para dicussão. Nas repetições percebe-se que o avançado bracarense está em jogo, pelo que nada haverá a condenar na actuação do árbitro.
Resultado Real: 3-1

ACADÉMICA-BENFICA
O primeiro golo da Académica, que poderia ter condicionado o jogo, é claramente ilegal, e Carlos Xistra, do local onde estava, teria obrigação de ver. Nada assinalou, prejudicando o Benfica.
Ainda na primeira parte Sogou deveria ter visto o segundo cartão amarelo, o que, a acontecer, também teria o seu peso na história do jogo.
Por fim, aos 93 minutos, só Xistra viu uma falta de Maxi Pereira perto da área, que originou um livre perigoso e fez disparar as pulsações dos benfiquistas.
Em benefício do Benfica? Só talvez o cartão amarelo que terá ficado por mostrar ao mesmo Maxi Pereira.
No lance reclamado por Eder não existe qualquer falta.
Resultado Real: 1-3

FC PORTO-V.GUIMARÃES
Um penálti por assinalar a favor do V.Guimarães, e mais uma expulsão perdoada a Bruno Alves, é tudo o que me lembro das incidências deste jogo de tristes. Quanto ao penálti marcado a favor do FC Porto nada há a dizer.
Resultado Real: 3-1

SPORTING-V.SETÚBAL
Um penálti bem marcado, e um outro por marcar (sobre Matias Fernandez) foi aquilo que me ficou deste jogo…de tristes (perdoem-me a falta de originalidade, mas não me ocorre outro termo).
Resultado Real: 3-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 75
Sp.Braga 57
FC Porto 56
Sporting 46
PS: No FC Porto-V.Guimarães há de facto um penálti sobre Guarin, que me esqueci de referir. O resultado seria então 4-1. Não altera a classificação real.

BATE CORAÇÃO

Não se esperava outra coisa. O jogo de Coimbra traduziu-se numa tarde de dificuldade, tensão e sofrimento.
À medida que o campeonato caminha para o fim, à medida que cada ponto ganho ou perdido assume peso de decisão, os corações palpitam nas bancadas e as almas sofrem como nunca. A glória está próxima, todas as probabilidades jogam a favor, mas enquanto a porta da gaiola não se fechar, enquanto subsistir o risco do pássaro se escapulir, enquanto a terrível hipótese de morrer na praia permanecer ameaçadora, esta angústia vai acompanhar o mundo benfiquista. Vai valendo que, em campo, os jogadores encarnados não dão mostras de grandes tremeliques, e, uma vez mais, tudo acabou em bem.
Tal como tudo começara bem, pois um golo aos dois minutos poderia até indiciar uma vitória tranquila. Sobretudo pela forma afirmativa como o Benfica entrou em campo, dominando completamente as operações, conquistando a bola em zonas adiantadas, pressionando muito, flanqueando o jogo, fazendo, enfim, aquilo que tem feito ao longo dos melhores momentos da sua temporada. Um eventual segundo golo poderia ter transportado a partida para outra dimensão (uma goleada?), mas o que é certo é que, apesar de terem existido oportunidades para tal, foi a Académica a marcar, num lance fortuito…e irregular.
Fazendo o 1-1 os estudantes cresceram muito. O restabelecer do empate era a prova de que podiam efectivamente responder ao futebol benfiquista, e disputar-lhe os pontos. Passaram a deter a bola muito mais tempo, trocando-a como é raro ver-se a uma equipa da cauda da tabela classificativa. E na área encarnada a ausência de Luisão fazia-se notar, quer ao nível do futebol aéreo, quer no apoio normalmente dado às iniciativas ofensivas de David Luíz (que voltou a manifestar alguma displicência nas saídas da zona de perigo).
Não há campeões sem sorte, e o momento em que o Benfica marcou o seu segundo golo (à beira do intervalo) não podia ter sido mais favorável. Foi novamente Weldon o protagonista, mostrando a enorme utilidade da sua presença no plantel – com 5 golos valeu já 6 pontos, exactamente os que o Benfica tem de vantagem sobre o segundo classificado.
Após o intervalo sentia-se que, ou o Benfica marcava o terceiro, ou ver-se-ia em apuros para, na ponta final do jogo, segurar a vantagem. A Académica ameaçava lances de perigo a cada vez que dispunha da posse de bola (ou será a minha ansiedade a falar por mim?), e o resultado tangencial conferia-lhe o tónico psicológico necessário para continuar a lutar bravamente pelos pontos.A sorte foi que o terceiro golo apareceu mesmo. Marcou Ruben Amorim, mas coube a Di Maria a maior fatia do mérito. Após algumas oportunidades desperdiçadas, o Benfica pensava ver sorrir-lhe a tranquilidade. Debalde. Com poucos minutos para jogar, um pontapé de Tiero, e uma desatenção de Quim, recolocaram a equipa de Villas-Boas na discussão do jogo. O tempo que faltava jogar-se foi aflitivo, até porque Carlos Xistra insistia em assinalar faltas inexistentes contra os encarnados, empurrando-os para a sua zona defensiva.
Soou enfim o apito final. Soou como música celestial aos ouvidos de milhões. O Benfica ganhou, com justiça, um jogo que poderia ter corrido mal. Superando o indisfarçável cansaço, as ausências de Luisão e Saviola, a debilidade física de Cardozo, a arbitragem hostil, e um adversário forte, organizado e empenhado, pode ter sido dado em Coimbra o passo decisivo para o título.
Mas…ainda faltam 4 pontos, e não será de garrafa de champanhe na mão que eles poderão ser conquistados.

CLASSIFICAÇÃO REAL

O derby ameaçava ser quente. Acabou por não o ser tanto como outros, ainda que Costinha o tenha tentado incendiar, numa patética declaração à imprensa que proferiu no final da partida.
Mais não fez, contudo, do que atirar umas lenhas para a fogueira onde, mais tarde ou mais cedo (aposto no mais cedo), ele próprio se irá queimar.
Afinal de contas, para se ser director-desportivo (ou “ministro”) é preciso muito mais do que atar uma gravata ao pescoço ou ter vivido em Monte Carlo.

U.LEIRIA-SP.BRAGA
Não vi o jogo (com o do V.Guimarães/Soares Dias fiquei vacinado até ao fim da época), e pelos resumos não me apercebi de nenhum lance polémico.
Resultado Real: 1-2

RIO AVE-FC PORTO
Também não vi o jogo – com um Real Madrid-Barcelona à mesma hora, só se fosse louco é que perdia tempo a ver Guarins e Alvaros Pereiras.
O único caso de que me apercebi foi um suposto empurrão a Falcão sobre a linha de grande área. Não me pareceu caso para penálti, mas até posso aceitar interpretação contrária.
Para ser franco, já tanto me dá que o FC Porto seja prejudicado ou beneficiado. Para mim passaram à história. Se forem prejudicados, melhor ainda – acho piada quando os vejo nervosos.
Resultado Real: 0-1, 0-2, ou aquilo que vocês quiserem…

BENFICA-SPORTING
Desde que foi apresentado como novo director-desportivo do Sporting, Costinha só tem feito, e dito, disparates. O caso Izmailov é o mais gritante, mas aquando do mais recente derby lisboeta tivemos novo exemplo da manifesta falta de preparação que o homem tem para o cargo que ocupa – coisa com a qual, devo dizer, durmo perfeitamente descansado.
Não se pode dizer que a sua declaração não tenha sido “à Sporting”, mas, pela desfaçatez, e pela inoportunidade, empobreceu a imagem do clube, e ridicularizou-o, sobretudo, a ele próprio. Até porque, dentro daquele registo, o Paulo Bento era bem mais divertido.
Tive pena de Carvalhal. O homem queria falar de futebol, queria justificar a derrota, mas viu-se forçado a falar de arbitragem na flash-interview, como quem paga uma promessa a um santo. Depois, foi cirurgicamente desviado da conferência de imprensa não fosse dar-se o caso de - em fim de contrato e já sem pruridos de agradar ao patrão - poder descair-se a dar os parabéns ao Benfica pela sua justa vitória.
Enfim, coisas a que já estamos habituados, e que me fazem lembrar o velho provérbio “os cães ladram, e a caravana passa”, sendo aqui a caravana, naturalmente, a do Benfica, a caminho do seu 32º título nacional.
Eis os casos do jogo:
- Dois penáltis por assinalar contra o Sporting: um por mão de Carriço, outro por pontapé de Grimi no tornozelo de Cardozo, que obrigou o paraguaio a sair lesionado. São penáltis televisivos (no estádio confesso que não me apercebi), mas são penáltis.
- Carga de ombro legal de David Luíz a João Pereira, em lance reclamado pelos leões.
- Expulsões perdoadas a João Moutinho, Miguel Veloso e Luisão por entradas violentas sobre Ramires, Alan Kardec e Liedson respectivamente.
Com tudo isto, dizer-se que o Benfica ganhou por causa do árbitro é, no mínimo, hilariante. Mas, tudo bem, sabemos que há que encontrar desculpas para os 26 pontos de atraso…Façam pois outra conferência de imprensa! Ou então vão de luto para o próximo jogo! A malta entende.
Resultado Real: 4-0

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 72 (já consagrado campeão)
Sp.Braga 54
FC Porto 53
Sporting 43 (não eram 26, eram 29!)

45 MINUTOS DE TANGO

Suplantando, com classe, um dos mais fortes adversários que o calendário lhe punha por diante, não há como negar que o Benfica deu esta noite um passo muito largo rumo ao título. Não o definitivo (uma eventual derrota em Coimbra, e tudo se complicará de novo), mas um passo firme, capaz de empolgar a equipa e o seu mar de adeptos – que ontem, diga-se, deram mais uma demonstração de que, no nosso país, ninguém sequer se assemelha à sua força vibrante e entusiástica.
Como se previa, o jogo não foi fácil. O Sporting, talvez por ter pouco a perder, entrou muito bem na partida, e realizou uma primeira parte deveras interessante – não tanto pelas oportunidades criadas (que não foram muitas), mas mais pela forma como manietou o Benfica, e lhe atou quase todos os movimentos da sua fase de construção ofensiva.
Tapando os flancos, e pressionando com grande agressividade no corredor central, a equipa de Carvalhal teve o mérito de assumir, desde o início, que o adversário lhe era superior, e que, antes de qualquer outra coisa, seria necessário não deixar jogar. Sabe-se que, privilegiando o reforço do meio-campo (numa espécie de 4-2-3-1 já testado noutras ocasiões), Liedson acaba por ser o principal sacrificado, pois sem companhia, sem bola e sem oportunidades para alvejar a baliza, o levezinho perde preponderância, e, com isso, a capacidade ofensiva do Sporting esfuma-se quase por completo. Mas esta era a estratégia possível para uma equipa que, dando espaços ao rival, corria o sério risco de sair da Luz vergada a um resultado humilhante. Segurando a bola, o adversário e o jogo, fazendo correr os minutos, cortando espaços, o Sporting ia enervando o anfitrião, e até podia, num golpe de sorte, marcar o golo que lhe valesse um saboroso triunfo.
Do outro lado da barricada, Jorge Jesus optou surpreendentemente por Eder Luís como substituto do ausente Saviola, deixando Pablo Aimar no banco. Procurava assim aproximar, ao máximo, a sua equipa do modelo através do qual lhe tínhamos visto a sua mais bonita cara, evitando cair nos erros de Liverpool. Só que Eder Luís não é Saviola, e, com um futebol ainda demasiado abrasileirado, acabou por se tornar presa fácil para a pressão do meio-campo leonino (designadamente do experiente Pedro Mendes), deixando Cardozo sozinho na dura batalha com os centrais. Sem Saviola, com Aimar no banco e Di Maria desinspirado (e muito marcado), o poder criativo do Benfica ressentiu-se seriamente. Para além disso, a cada bola perdida, a cada passe transviado, recrudescia a tensão nervosa resultante da responsabilidade do jogo, e do perigo de uma eventual derrota.
Sem golos e com pouco futebol, as equipas regressaram aos balneários. E se naquela altura me vendessem o empate, confesso que, a avaliar pela forma acorrentada como decorria o jogo, tendo em conta o drama que uma derrota poderia trazer consigo, talvez o tivesse comprado. Seria, viu-se depois, uma precipitação.
Estava no banco a solução para os problemas do Benfica. A entrada de Aimar ao intervalo, virou o jogo do avesso, desequilibrou todos os exercícios de contenção que o Sporting havia conseguido impor até aí, e desbravou os caminhos para a vitória encarnada. Logo no primeiro lance da segunda parte isso se fez sentir de forma clara. Logo aí o Benfica se voltou a parecer consigo próprio.
O jogo passou a disputar-se muito mais perto da área de Rui Patrício, as faixas laterais começaram a abrir espaços, e a teia de marcações leoninas começou a ceder. O golo benfiquista passou a estar, senão iminente, pelo menos com sérias possibilidades de vir a acontecer. Seria Óscar Cardozo - em grandes dificuldades físicas, e com a substituição preparada - a dar à sua equipa aquilo de que precisava para, enfim, se assenhoriar por completo da partida. No contexto em que aconteceu, e da forma como aconteceu, o golo tornou-se demasiado pesado para um Sporting já de alguma forma desmontado pela criatividade trazida ao jogo por Aimar. Sentiu-se que o Benfica não mais perderia o jogo, e que muito provavelmente o ganharia. Sentiu-se, porque não dizê-lo, um cheirinho a título.
Foi o próprio Aimar a fechar as contas do resultado, num momento que a sua extraordinária exibição já fazia por merecer. O jogo acabou aí, e a única dúvida seria então a de se saber se o resultado se ficava pelos 2-0, ou subiria até números mais elevados – o que, a acontecer, teria sido demasiado penalizador para um Sporting honesto, humilde e que fez o que estava ao seu alcance para dar uma alegria (a alegria suprema) aos seus apaniguados.
Ficou 2-0, ficou o Benfica com os seus 6 pontos de avanço, ficou o Benfica mais perto do título. A margem é boa, dá confiança mas, por enquanto, ainda não é suficientemente tranquila para permitir um dia mau. Uma derrota num dos próximos dois jogos (Coimbra e Olhanense em casa) deixaria os encarnados dependentes do resultado do Dragão, o que poderia tornar-se extremamente perigoso. Por isso, não são aconselháveis grandes euforias. Haverá tempo para festejar.
João Ferreira cometeu dois erros graves. Não assinalou uma grande penalidade por corte com a mão de Carriço a remate de Carlos Martins ainda na primeira parte; e não expulsou Luisão num lance que, tal como é habitual em Alvalade, irá servir de cortina de fumo para uma derrota justa, lógica, natural e indiscutível.

O DERBY DE SEMPRE, MAIS DERBY QUE NUNCA

Não sei se alguma vez um derby lisboeta terá começado com uma diferença de 23 pontos entre as duas equipas. Contudo, nem por isso acredito que este venha a ser um jogo desequilibrado.
Afastado de todas as competições, com o quarto lugar destinado e assegurado, o Sporting tem nesta partida a hipótese de resgatar algum do seu orgulho perdido, fazendo aquilo que os seus adeptos normalmente mais apreciam: complicar a vida ao Benfica, e, se possível, contribuir para evitar que o odiado rival se sagre campeão. Esta é também a última chance para o seu treinador mostrar que tinha lugar no clube, e que os responsáveis leoninos estavam errados ao prescindir dos seus serviços. Mas este é, acima de tudo, um Benfica-Sporting, que ambos sempre querem ganhar, e que, sobretudo para os leões, significa o apogeu de qualquer época desportiva.
Ninguém tenha dúvidas: o Sporting de amanhã na Luz vai ser igual aos mais fortes Sportings da temporada (Everton, FC Porto, Fiorentina…), e não vai regatear esforços para levar um bom resultado da casa do rival. Motivação não lhe vai faltar, e, com tantos dias de descanso, disponibilidade física também não. Depois, não esquecer, há Liedson, com tudo o que isso significa.

O Benfica tem pela frente um desafio de grande responsabilidade. Após a vitória sobre o Sp.Braga muitos terão sido os que davam o campeonato por concluído. A verdade é que os minhotos não desarmam, a bem ou a mal venceram os dois mais difíceis jogos que o seu calendário lhes apresentava, e aí estão a discutir o título até ao fim. Tendo de visitar o Estádio do Dragão, o Benfica não pode deixar o seu destino entregue ao resultado desse jogo, o que lhe diminui substancialmente a margem de erro. Trocando isto por miúdos, nos quatro jogos que tem para além da deslocação ao Porto os encarnados não poderão ceder mais do que um mísero empate. E seria muito perigoso que o gastassem já.
Não me peçam prognósticos. Só no fim do jogo serei capaz de os fazer. Este tipo de jogos não permite previsão, e a história está aí para o confirmar.
Que dizer do golo de Sabry que estragou a festa do título aos leões em 1999-00? Ou do agora tão lembrado 1-2 de 1986 na Luz (o meu primeiro derby ao vivo) que entregou um campeonato ao FC Porto (que no ano seguinte viria a sagrar-se campeão europeu)? Para além desses momentos de decisão, onde o cenário de festa acabou dramaticamente desmontado, muitos foram os derbys em que o anunciado favoritismo de uns esbarrou na inspiração de outros. Até se diz que quem está pior ganha mais vezes, ainda que não exista qualquer elemento científico a sustentá-lo.
Apesar de tudo isto, acredito no Benfica, na sua melhor equipa, nos seus melhores jogadores, no seu melhor treinador, e nos 60 mil a vibrar nas bancadas. Não é um jogo absolutamente decisivo, mas, conforme disse, sobretudo em caso de derrota, a vida dos encarnados poderá complicar-se muito, pelo que todo o cuidado é pouco. Uma vitória será, ao invés, o retomar da dinâmica ganhadora posta em causa em Liverpool, e de tudo o que isso significa, até mesmo no estado anímico dos principais adversários.
Talvez seja este o verdadeiro jogo do título, talvez não. Amanhã à noite se saberá.
Para quem não leu, ficam aqui as minhas recordações de derbys do passado.

CONDIÇÕES NECESSÁRIAS

Com a lei Bosman as diferenças entre os campeonatos europeus acentuaram-se, e a vida tornou-se manifestamente mais difícil para os clubes de países semi-periféricos como Portugal.
Multinacionais riquíssimas, com planteis de luxo, passaram a discutir entre si o protagonismo internacional, e só episodicamente esse predomínio foi posto em causa. O FC Porto de Mourinho foi um exemplo, o Benfica de Jesus não o conseguiu ser. Duas grandes equipas, dois contextos diferentes.
Para um clube português (ou grego, ou turco, ou holandês) romper a hierarquia estabelecida, será necesário responder a quatro condições fundamentais:
1) ter uma grande equipa e um grande treinador;
2) ter sorte nos sorteios, evitando os mais perigosos adversários, e esperando que eles se eliminem entre si;
3) ter total disponibilidade física e anímica para enfrentar o desafio europeu, o que pressupõe a possibilidade de aligeirar a frente doméstica (quer fruto de uma larga vantagem pontual, quer, pelo contrário, por estar fora da respectiva corrida);
4) ter sorte nos momentos decisivos das partidas contra os mais difíceis adversários.
O FC Porto de José Mourinho dispôs de todas estas permissas a seu favor, o Benfica de Jorge Jesus só conseguiu a primeira. Um ganhou a Taça Uefa e a Liga dos Campeões, outro ficou, para já, pelos quartos-de-final da Liga Europa.

BALANÇO POSITIVO

Terminada a época internacional do Benfica, e passada a frustração da derrota de Liverpool, importa dizer que a participação encarnada nesta edição da Liga Europa foi um enorme êxito.
O objectivo inicial passava justamente pela chegada aos quartos-de-final (ouvi-o eu pessoalmente, em Agosto, da boca do próprio presidente Luís Filipe Vieira), e esse foi atingido. Ao longo da caminhada assistimos a grandes exibições, testemunhámos várias goleadas, e os principais jogadores do Benfica saíram largamente valorizados. As eliminatórias com Marselha e Liverpool foram particularmente intensas, originaram grandiosos espectáculos de futebol, e deram uma excelente embalagem á equipa de Jorge Jesus para a Liga dos Campeões da próxima época - onde tudo indica o Benfica possa marcar presença, e, se assim acontecer, tem assegurado lugar no pote 2 do sorteio dos grupos.
Olhando para as estatísticas da prova, o Benfica detém o melhor marcador, o líder das assistências, e também do número de remates, posições que pode perfeitamente manter até final. Também nas estatísticas colectivas a equipa encarnada aparece invariavelmente nos primeiros lugares, sendo claramente uma das principais animadoras da competição.
Mas onde se percebe melhor a qualidade da performance europeia agora concluída, é na comparação da mesma com o próprio historial do clube, de grande brilhantismo como todos sabemos. Pois esta época bateu os recordes de número de jogos, número de vitórias e número de golos marcados, superando – nomeadamente nos dois últimos casos - marcas que tinham quase cinquenta anos.Lastimando, uma vez mais, o mal fadado sorteio que interpôs o Liverpool no caminho da glória, há ainda assim bastos motivos para erguer a cabeça e o orgulho benfiquista. Não pôde ser uma temporada europeia histórica (sê-lo-ia se o clube chegasse à sua nona final), mas foi seguramente uma temporada europeia à altura da história.
Viva o Benfica!

QUATRO DOSES DE FATALIDADE

Acabou-se.
O futebol é imprevisível, mas há verdades que são difíceis de tornear. Como por exemplo a que nos diz que os chamados “big four” ingleses são claramente de outro campeonato, motivo pelo qual, desde a primeira hora, sempre me mostrei bastante céptico face a esta eliminatória.
O sonho europeu do Benfica caiu no momento em que, num sorteio onde estavam Fulham, Standard de Liége, Wolfsburgo, e mesmo Atlético de Madrid, lhe apareceu pela frente a mais poderosa das equipas em prova. Não fora assim e a presença numa final europeia era uma séria possibilidade, e poderia mesmo tornar-se numa aposta firme e empenhada de toda a estrutura do clube. Com Torres, Kuyt, Gerrard e companhia pela frente, restava esperar por pouco mais que um milagre, tentando ao mesmo tempo fazer da ocasião uma grandiosa festa – aspecto que o jogo da primeira-mão assegurou em pleno.
O milagre não aconteceu. Conforme o próprio Jesus previra, grande parte dos jogadores encarnados surgiu nesta partida em condições físicas muito débeis, e esse acabou por ser um dado determinante no seu desfecho final. Faltou também uma pontinha de sorte em momentos chave, como naquela oportunidade desperdiçada à beira do intervalo, como numa ou noutra bola perdida em lances de superioridade numérica. Creio mesmo que uma coisa estará intimamente ligada com a outra, pois o desgaste, mais do que nas pernas, nota-se sobretudo na cabeça.
Não adianta especular sobre o que poderia ter sido este jogo com Quim na baliza, e David Luíz no eixo central da defesa. Todas as críticas são legítimas, mas raia o absurdo apontar culpas às opções de um homem que, em apenas alguns meses, revolucionou o futebol do Benfica. Jorge Jesus merece todo o crédito, e decerto saberá porque motivo deixou Fábio Coentrão tanto tempo no banco, porque motivo substituiu Carlos Martins (que parecia um dos mais frescos), e porque não retirou um dos centrais (necessariamente Sidnei, sem ritmo) a partir do momento em que a eliminatória tomou tonalidades mais sombrias. Não percebi nenhuma dessas opções, mas ninguém me ouvirá uma palavra de desconfiança para com o extraordinário treinador que o Benfica em boa hora contratou.Júlio César foi a personificação da infelicidade, como fora Costa Pereira em 1965, como fora Bento em 1984. Ramires, Aimar, Sidnei, Javi Garcia, e mesmo Cardozo (apesar do golo), estiveram também, todos eles, muito abaixo daquilo que os temos visto fazer ao longo da temporada. Ainda assim o Benfica, que até entrou muito bem no jogo, discutiu a eliminatória palmo a palmo até oito minutos do seu final, o que, diante de tão poderoso adversário, não deixa de ser meritório. Balanceado no ataque, com ambição de marcar e discutir o resultado, a equipa portuguesa acabou traída pelo fortíssimo e eficaz contra-ataque contrário, motivo pelo qual o resultado se tornou tão pesado (e exagerado) – os terceiro e quarto golo ilustram-no na perfeição.
Esta é obviamente uma noite triste para todos os benfiquistas, mas nem por um segundo o orgulho nesta grande equipa deve ficar abalado. O melhor Benfica de que me recordo (1982-1984 com Eriksson e...Bento) perdeu também por 4-1 com o Liverpool, então em pleno Estádio da Luz, não deixando por isso de ficar na memória de todos, como este porventura também ficará.
O campeonato foi desde a primeira hora considerado pelo clube como a prioridade máxima, e olhando apenas e só para ele, esta até pode ter sido uma derrota útil, uma derrota dolorosamente útil. Há pois que olhar em frente, e mostrar, já na próxima terça-feira, que se na Europa há equipas melhores que o Benfica, em Portugal não as há.
A arbitragem foi confusa, mas não foi por ela que o Benfica saiu da prova.
PS: Inqualificáveis os comentários de David Borges no rescaldo do jogo. Não disfarçou alguma felicidade (alívio?), e aproveitou, alarvemente, para tentar deitar abaixo a equipa benfiquista.

O PALCO DO NOSSO SONHO

Força Benfica!

PREOCUPAÇÃO ACRESCIDA

- Jogam dois holandeses no Liverpool, e um deles foi expulso de forma polémica na primeira mão;
- No último Mundial, Portugal eliminou a Holanda num jogo marcado pela violência mútua, com várias expulsões e casos de arbitragem que quase desencadearam uma guerra entre as duas federações;
- Nos últimos jogos de equipas portuguesas arbitrados por holandeses, tem ficado patente o peso daquela memória;
- Na mesma altura foram despedidos de equipas portuguesas dois técnicos holandeses.
Não seriam motivos suficientes para escolher um árbitro de qualquer outro país?
As arbitragens da Liga Europa têm sido fraquíssimas. Esperemos que não seja um holandês praticamente desconhecido o protagonista da noite de Anfield Road.

ELE NÃO MERECIA...

...mas este Bayern, com Ribery e Robben em grande forma, justificou amplamente a passagem, recuperando espantosamente de um redondo 3-0.
Fica garantida uma final inédita, provavelmente entre esta equipa bávara e o todo-poderoso Barcelona de Messi.