POUCO FUTEBOL, DEMASIADO SOFRIMENTO

Quis o destino que fosse justamente Javi Garcia - o homem que eu tinha “tirado” da equipa – a dar os três pontos ao Benfica no Estádio do Algarve.
Antes assim. O meu desejo é que, enganando-me ou não, os jogadores encarnados joguem sempre mais do que aquilo que eu espero deles, e me surpreendam pela positiva. O espanhol não fez uma exibição de encher o olho, mas foi decisivo ao apontar o golo solitário do jogo. Que este golo seja um estímulo para, daqui em diante, fazer um pouco mais do que havia feito nos jogos anteriores, e voltar a mostrar o nível que lhe vimos na temporada passada.
Mas se Javi me surpreendeu, já o colectivo benfiquista voltou a mostrar muitos problemas, dando uma pálida imagem da sua força enquanto equipa campeã nacional.
O jogo foi globalmente fraco, e o Benfica correu alguns riscos de não o vencer, sobretudo pela passividade com que o abordou, expondo-se a que um lance menos feliz pudesse, a qualquer momento, trair a sua superioridade.
A equipa está manifestamente descrente, continua a chorar pelas ausências (dos que partiram e dos lesionados), e tarda em encontrar um plano de equilíbrio onde sustentar o seu futebol. Não vou falar outra vez das saídas Ramires e Di Maria, mas poderei lembrar as ausências de Fábio Coentrão e Cardozo.
O esquerdino a dar profundidade, e o paraguaio a garantir presença na área, são elementos que Jorge Jesus tem muita dificuldade em substituir, como esta noite ficou bem patente. Depois há ainda o caso-Saviola, outro dos jogadores que está a léguas da produção do ano passado. Ou seja, além das saídas, o Benfica debate-se ainda com problemas de lesões (que praticamente não teve em 2009-10), e com uma estranha e acentuada quebra de forma de vários dos seus jogadores nucleares. Tudo isto faz com que a equipa pouco ou nada tenha a ver com a que se sagrou campeã, ainda que Jesus continue a insistir no mesmo modelo de jogo, e no mesmo desenho táctico, à procura que o tempo faça o seu trabalho.
O Portimonense acabou por ser um adversário à medida das dificuldades do Benfica, permitindo-lhe ainda assim controlar minimamente o jogo, e conquistar a sua quarta vitória consecutiva sem sofrer golos. Foi Portimonense de menos, e não Benfica de mais, o factor que determinou o desfecho da partida. Um adversário mais acutilante, mais incisivo e com outra presença nos últimos metros, teria, muito provavelmente, feito encostar este titubeante Benfica.
Era muito importante manter este ciclo. Qualquer perda de pontos antes do jogo do Dragão seria o adeus ao título. Como aqui disse há umas semanas atrás, o estreito caminho para o Benfica de 2010-11 ainda chegar ao Bi-Campeonato passa por ganhar todos os jogos até ao dia 7 de Novembro, e ganhar, também, no dia 7 de Novembro. Se isso acontecer, o conjunto encarnado ficará, no máximo, a 4 pontos do primeiro lugar, com vantagem no confronto directo. Ou seja, ficará tudo em aberto. Será como começar de novo.
Infelizmente, a equipa de Jorge Jesus não está a dar mostras de um poderio suficiente para se impor no terreno do seu principal adversário. A jogar como jogou em Lyon, a jogar como jogou hoje, a jogar como tem jogado na maioria das partidas desta temporada, será inapelavemente derrotada no Porto, e verá as suas esperanças voarem para longe. Faltam duas semanas. Muito pouco tempo.
O árbitro Hugo Miguel não teve qualquer influência no resultado, mas ao apitar constantemente retirou beleza ao espectáculo. É um estilo bem enraizado na arbitragem portuguesa, e que deveria merecer reparo por parte de Vítor Pereira. Não é possível encher bancadas de estádios para assistir a 50 faltas em 90 minutos. Talvez esta prática proteja os árbitros. Mas certamente não protege o futebol.
Por falar em bancadas, creio que o apelo dos dirigentes do Benfica teve, ainda assim, algum eco entre os adeptos. Pelo que se via na televisão, não terá estado mais de meia-casa para assistir ao jogo, sendo a primeira vez que o Benfica não esgotou aquele recinto. Estimo em seis ou sete mil os espectadores que a partida teve a menos, em face daqueles que teria sem boicote. É alguma coisa. Não será legítimo que os dirigentes do Benfica cantem vitória, mas também ninguém os poderá acusar de derrota, se é que estamos efectivamente a tratar de vitórias e derrotas num caso como este.
Nunca seria de esperar um boicote completo. Supor que a força dos seis milhões, na sua amplitude, na sua multiplicidade, pode ser de algum modo aglutinável para propósitos institucionais, é um erro de análise muito comum ao mundo benfiquista. Daí as dúvidas que muitos exprimiram quanto à eficácia deste ponto do comunicado. Em todo o caso, para já as coisas nem saíram mal.

ONZE PARA O ALGARVE

"(...) o Estádio do Algarve traz-nos gratas recordações. Foi precisamente lá que os encarnados conquistaram metade (três: duas Taças da Liga e uma Supertaça) de todas as competições ganhas nos últimos 15 anos (seis), sendo que uma das restantes – o campeonato de 2004-2005 – também teve a marca de um importante triunfo naquele local. Esperemos pois que a noite de domingo traga mais uma vitória, sedimentando esta simpática tradição.
Do outro lado irá estar uma equipa recentemente promovida ao escalão principal, e cuja política de alianças há muito tomou o caminho errado. Assim sendo, é sabido que teremos por diante um conjunto de jogadores de faca nos dentes, plenos de agressividade, e extraordinariamente motivados para nos roubar pontos, de modo a deitar por terra o nosso esforço de aproximação ao topo da tabela. Todas as equipas querem ganhar os seus jogos, mas experiências recentes ensinam-nos que algumas têm maior vontade de derrotar certos adversários do que outros, e não adianta termos ilusões quanto a essa realidade.
Será assim necessária uma atenção redobrada, quer aos aspectos técnicos e à valia da equipa contrária, quer às provocações que muito provavelmente irão surgir, e às quais teremos de estar preparados para resistir. No ano passado tivemos, em Olhão, um bom exemplo daquilo que agora nos espera"

LF, no Jornal "O Benfica" de hoje (22/10/2010)

AS VOZES DO CRIME

"Quando a mensagem não agrada, ataca-se o mensageiro. Foi assim em tempos antigos, e no futebol português, muitos séculos depois, a máxima continua a aplicar-se.
Perante a publicação de conversas que expõem, de forma pornográfica, o clima de podridão em que muitos campeonatos nacionais de futebol decorreram, perante a revelação de obscuras manobras de influência e viciação de resultados, o que interessa a alguns puristas deste país é salientar (e castigar) a atitude de quem – decerto indignado com a impunidade que brotou dos tribunais - as trouxe aos nossos incrédulos ouvidos. Perante graves crimes de corrupção, estas virgens ofendidas preocupam-se com pequenos ilícitos processuais, pretendendo, sob as asas do acessório, abafar o essencial.
Aos Ruis Moreiras deste país, pouco importa o conteúdo das escutas. Nada interessa que elas demonstrem, passo por passo, os métodos seguidos, durante anos, pelo seu clube, e que deixem a nu o aspecto central de toda esta questão: a justiça civil portuguesa, mergulhada num mar de insuficiências e equívocos, falhou neste processo. A eles apenas interessa o silêncio. Ou antes, uma cortina de fumo que transforme culpados em vítimas, e crimes graves em coisa nenhuma. Interessa, sobretudo, manter a capa de legitimidade que muitos dos títulos conquistados pelo FC Porto se percebe não merecerem.
As escutas telefónicas não são uma prática simpática, e ninguém gostaria de viver num país em que qualquer conversa pudesse ser escutada sob qualquer pretexto. Mas muito pior do que isso é viver num país em que os crimes ficam invariavelmente impunes, e os seus autores são objectivamente convidados a reincidir, em nome de um sistema ultra-garantístico, de operacionalidade labiríntica, de isenção questionável, e de eficácia nula, que é capaz de absolver mesmo dispondo de provas óbvias diante do seu nariz, virando cinicamente as costas às evidências. Neste caso concreto, nenhum cidadão de boa fé entende como puderam ser desprezadas escutas que já existiam, e provavam claramente os actos em apreço. E quando um sistema de justiça deixa de ser entendido pelo cidadão comum, deixa de cumprir a sua missão. Deixa de ter utilidade. Não serve para nada.
É ilegal a publicação das escutas? Pois que seja. Em face de uma “justiça” entorpecida, decadente e moribunda, quase se torna moralmente legítimo que o cidadão ignore algumas das obtusas normas com que o pretendem afastar da verdade. Há muito que não acredito na justiça em Portugal. Logo, não acredito no equilíbrio ou pertinência das suas vielas processuais, que na maioria das vezes - e suspeito que seja precisamente essa a sua razão de ser – apenas conduzem a becos de impunidade. Mais do que um “Estado de Direito” de fachada, interessa ao país um “Estado de Justiça”, em que a verdade seja devidamente apurada, e o crime seja devidamente punido. O Apito Dourado, e todos os seus contornos, mostram que, lamentavelmente, vivemos muito longe dessa realidade.
De resto, não estamos aqui perante qualquer violação gratuita da privacidade de ninguém. Nenhuma das escutas publicadas revela conversas de teor familiar, ou remete para qualquer circunstância privada da vida dos indivíduos em causa. Todas as escutas tratam de esquemas de favorecimento. Todas tratam de jogos de bastidores. Todas tratam de corrupção desportiva. Todas tratam de crimes. Por isso tanto nos interessam. Por isso tanto interessam ao futebol português, e deviam interessar também aos tribunais.
É em nome da justiça, e, sobretudo, em nome da verdade, que elas devem ser ouvidas, divulgadas, debatidas e comentadas. Há quem as tente desesperadamente silenciar, mas se ainda existem alguns aspectos positivos nesta globalizada sociedade da informação, um deles é precisamente o facto de permitir aos cidadãos fazer ouvir democraticamente a sua indignação, sem que os bloqueios das forças do situacionismo, do medo, ou da subserviência, o possam impedir.
Ninguém nos vai devolver os campeonatos perdidos. Ninguém nos vai ressarcir dos danos directos e indirectos que décadas de vício nos impuseram. Se a justiça não fez o seu papel, se os prevaricadores continuam a rir-se dela, do futebol, do país e de todos nós, pouco mais nos resta do que a revolta. E perante ela, pedirem-nos para tomar em conta aspectos de ilicitude lateral não é mais do que um desprezível insulto à nossa inteligência."

LF no Jornal "O Benfica" de 15/10/2010

LIGAR A CALCULADORA

Contas e mais contas. É o que espera o Benfica, que, com duas derrotas consecutivas, se pôs a jeito de uma eliminação evitável.
É cedo para uma análise mais consistente, pois a amplitude de possibilidades é enorme. Repare-se como os encarnados tanto podem ser apurados com apenas seis pontos, como ser eliminados alcançando exactamente o dobro, doze (o máximo que lhes é agora permitido).

APURADO COM 6 PONTOS
4ª Jornada: Benfica-Lyon, 0-1 e Hapoel-Schalke, 1-0
5ª Jornada: Hapoel-Benfica, 1-0 e Schalke-Lyon, 0-1
6ª Jornada: Benfica-Schalke, 3-0 e Lyon-Hapoel, 1-0
Classificação Final: Lyon 18 pts, Benfica 6, Schalke 6 e Hapoel 6

ELIMINADO COM 12 PONTOS
4ª Jornada: Benfica-Lyon, 1-0 e Hapoel-Schalke, 0-1
5ª Jornada: Hapoel-Benfica, 0-1 e Schalke-Lyon, 1-0
6ª Jornada: Benfica-Schalke, 2-0 e Lyon-Hapoel, 1-0
Classificação Final: Lyon 12 pts, Schalke 12, Benfica, 12 e Hapoel 0

Significa isto que o Benfica não depende de si próprio? Errado! Se ganhar ao Lyon e em Israel, o pior que poderá então acontecer à equipa de Jesus é ver-se na necessidade de marcar três golos ao Schalke na última jornada. Não seria fácil mas…dependeria sempre de si.
Aliás, esse jogo diante do Schalke, já em Dezembro, é o único que o Benfica não pode, de forma alguma, perder, quaisquer que sejam todos os outros resultados.
Para já, e tomando apenas em conta a próxima ronda, para se manter dependente dos desfechos dos seus próprios jogos o Benfica terá de fazer, na Luz com o Lyon, pelo menos o mesmo resultado do Schalke em Israel.
Recordemos, por fim, que em 2005-06, a equipa então orientada por Ronald Koeman chegou à fase seguinte depois de uma sequência pouco prometedora: VDEDE...e V(sobre o Manchester, num jogo épico).

NORMAL FOI A DERROTA

“Os erros individuais foram, de facto, determinantes, mas o Benfica revelou nesta partida gravíssimos problemas de organização global, e, no meu ponto de vista, também de estratégica de jogo.
Comecemos justamente pelos aspectos estratégicos. Os encarnados entraram no campo do adversário, num jogo importante da Liga dos Campeões, como se estivessem a jogar na Luz com o Paços de Ferreira. Procuraram fixar-se no meio campo contrário sem acautelarem minimamente as transições defensivas. Deixaram partir o jogo, quando – sendo o empate um excelente resultado – o deveriam ter tentado fechar. Eu também gosto de futebol de ataque, e compreendo que uma grande equipa não pode alicerçar o seu jogo no medo. Mas creio, por outro lado, que todas as grandes equipas começam a sê-lo precisamente na segurança com que vestem o seu futebol. O Benfica - que, a quem não soubesse, parecia precisar de recuperar de uma larga desvantagem - nunca, nesta partida, se mostrou uma equipa segura. Nunca soube perder a bola, deixando que cada transição ofensiva adversária causasse o pânico perto da baliza de Roberto. Nunca conseguiu controlar os ritmos do jogo, deixando-o transformar-se numa roleta que dificilmente o poderia favorecer. Assim, torna-se relativamente natural que os erros aconteçam, e, pior que isso, que sejam fatais. O primeiro passo para se ser forte é ter-se noção das próprias fraquezas. O Benfica, esta noite, não conseguiu conviver com as suas debilidades, nem pareceu entender as virtudes de um adversário que talvez tenha subestimado.
Há também aspectos organizativos que não estão bem nesta equipa. Se na direita o fantasma de Ramires continua a conviver com a incapacidade de todos os possíveis substitutos darem, por um lado, o apoio de que Javi Garcia necessita, e por outro, conferirem a acutilância ofensiva que o "queniano" ainda assim garantia, na esquerda, Fábio Coentrão, sendo (desafortunadamente) apenas um, não é suficiente para fechar o corredor, sobretudo quando não tem nas costas um defesa seguro e consistente, como, no plantel, só ele próprio poderia ser. Ruben Amorim talvez representasse, no primeiro caso, uma solução interessante para esta partida. Infelizmente, estava em Lisboa.”

Podia ser esta a crónica do jogo de Lyon.
Na verdade, foram palavras que eu próprio escrevi há umas semanas atrás, após a derrota na Alemanha. E, como se vê, nem Jorge Jesus, nem a equipa, parecem ter aprendido muito com aquele desaire.
As infelizes declarações do técnico encarnado na conferência de imprensa antes do jogo já faziam antever o pior. Aquilo a que uns chamam audácia, eu chamo fanfarronice, pois ganhar em Lyon não é normal para nenhuma equipa do mundo, muito menos para um Benficazinho a léguas da equipa que, na época passada, encantou o país e também a Europa.
Este era provavelmente o jogo mais complicado do grupo, e só com muita humildade (e sorte) os encarnados poderiam evitar uma anunciada derrota. Era um jogo no qual um empate seria um óptimo resultado, e como tal uma ocasião merecedora das maiores cautelas, do máximo rigor, e de muita frieza competitiva.
O que se viu? Um Benfica a subir no terreno de forma suicida com seis, sete, oito unidades, expondo-se ao terrível contra-ataque francês; um Benfica sobranceiro, displicente e desastrado, mesmo em zonas recuadas do campo; um Benfica, em bicos de pés, a querer exibir o que não tem; um Benfica sem estofo nem forças para superar, ou pelo menos disfarçar, as suas (não poucas) debilidades. Tudo isto perante um adversário fortíssimo, coeso e muito experiente, que acabou por passar ao lado de uma goleada histórica, tais as facilidades que encontrava sempre que se aproximava da baliza benfiquista – onde Roberto foi evitando aquilo que pôde.

O grande erro do Benfica na noite de Lyon consistiu pois, uma vez mais, numa estratégia de jogo totalmente desadequada às circunstâncias. Na Liga dos Campeões não se vê ninguém jogar daquela forma. Nem gigantes como Real Madrid, Inter ou Chelsea, cuja maturidade os torna fortes precisamente por saberem adaptar-se a diferentes contextos – mesmo àqueles em que o melhor ataque é a…defesa. Aliás, a grande carreira do Benfica na Liga dos Campões de 2005-06 foi justamente alicerçada em estratégias de contenção face a adversários mais poderosos, procurando surpreendê-los pelas costas, e nunca enchendo o peito alarvemente nas suas barbas. Assim se joga na Champions, assim venceu Koeman o Liverpool e o Manchester United, e Jorge Jesus faria bem em rever os videos dessas históricas partidas.
Não falo necessariamente na constituição do onze inicial (embora partir para um jogo destes em 4-4-2, com Aimar e Gaitán como alas, seja o primeiro passo para o abismo). Falo sobretudo na forma errática, romântica, e sempre incipiente, como a equipa quis atacar (quer com onze, quer com dez, não fez um único remate à baliza), e na forma imprudente como pensou ser possível travar as transições do Lyon. Falo numa atitude despida de humildade, e de qualquer noção dos próprios limites. Não quero um Benfica a jogar sempre fechado na defesa. Quero um Benfica capaz de responder, a cada momento, às exigências do jogo, como uma grande equipa europeia, que, na verdade, pelo que se vê, está longe de ser. Infelizmente, mais longe do que estava há apenas uns meses atrás.
A diferença entre este Benfica e o da época passada é gritante. As razões para essa diferença davam para várias páginas de texto, e vão desde as saídas de jogadores absolutamente fundamentais (e ou me engano muito ou em todos os jogos da Champions, sobretudo nestes, iremos lembrar-nos aflitivamente de Ramires e Di Maria, cada um deles um enorme buraco por preencher na equipa), às lesões (Cardozo e Amorim seriam claramente titulares), ou ao estado de forma de alguns jogadores nucleares. Neste último aspecto há dois que sobressaem pela negativa, e nem sequer estiveram no Mundial: David Luíz e Javi Garcia. Duvido que para o caso do primeiro exista uma alternativa credível no plantel (Sidnei estancou o seu crescimento). Já o médio espanhol tem em Airton um substituto à altura, pelo que, dadas as reiteradas más exibições, justificava plenamente uma cura de banco. Em Lyon foi um verdadeiro fantasma, e quase parecia jogar de olhos vendados, tal o desacerto posicional que, a cada lance, ia revelando.
Olhando para a classificação, e para o calendário, nada está perdido. O Benfica depende apenas de si próprio, e duas vitórias e um empate até talvez possam chegar para a qualificação. O problema está mais nas fragilidades futebolísticas evidenciadas, não só nesta partida como na de Gelsenkirchen, e que deixam pouca margem de esperança em alcançar os imprescindíveis pontos. Ou seja, e para começar, duvido muitíssimo que este Benfica seja capaz de ganhar a este mesmo Lyon já no próximo dia 2 de Novembro. E não ganhando esse jogo, a continuidade na prova será uma miragem.
Muito honestamente, creio até que a Liga Europa talvez seja a melhor porta de saída para uma equipa que na época passada ameaçava vir a tornar-se muito forte (mesmo na cena internacional), coisa que esta Liga dos Campeões - pondo a nu as carências provocadas pelas saídas dos seus dois melhores jogadores - tem desmentido de forma eloquente. Na Liga Europa, contra Gents e Rapids, talvez ainda seja possível mostrar alguma garganta, e jogar um futebol abertamente ofensivo. Na milionária Champions, manifestamente, não é.

HISTÓRICO EM TERRAS GAULESAS

De realçar que os encarnados ultrapassaram sete destas nove eliminatórias disputadas.

PONTUAR

Não é possível olhar para o jogo de amanhã, no Stade Gerland, sem partir de uma premissa basilar: o Olympique de Lyon é superior ao Benfica.
A equipa francesa tem um orçamento substancialmente maior; dispõe, consequentemente, de melhores executantes; tem muito mais experiência na competição (se considerarmos fundamentalmente os últimos anos); e é francamente favorita a ganhar, não só o jogo, como também o grupo.
Dir-me-ão que não se trata do Real Madrid, nem do Chelsea, nem do Inter. É verdade, mas na hierarquia de valores da UEFA, este Lyon anda lá perto, e ainda surge num patamar claramente superior ao do Benfica, pelo que, para o conjunto português, qualquer resultado que não seja a derrota será de saudar. Não há que ter medo de ninguém, e há que jogar com confiança, mas o primeiro passo para tal consiste precisamente em manter uma clara noção das circunstâncias.
Não é este o jogo em que o Benfica joga a sua qualificação. Quando muito, poderá ter de fazê-lo quando, no dia 2 de Novembro, receber os franceses em sua casa - isto se amanhã perder, e os alemães do Schalke se superiorizarem ao Hapoel.
A derrota de Gelsenkirchen – num jogo em que, até pela forma como decorreu, se exigia, ao menos, o empate - complicou a vida do Benfica. Mas a situação do grupo não obriga ainda a cuidados intensivos, pelo que os encarnados devem encarar o jogo de Lyon sem qualquer tipo de ansiedade acrescida. Tentar ganhar, sim, mas se o andamento da partida apontar para uma possível igualdade, então ela não deverá ser desprezada.
Um empate (se possível acompanhado de igual resultado no outro jogo) seria magnífico, permitindo ao Benfica encarar os três jogos finais (dois deles em casa, e uma deslocação a Israel) com amplificado optimismo, e manter de pé a esperança de poder discutir o apuramento na última jornada, no Estádio da Luz, diante do Schalke 04.

Árbitro: Undiano Malenco (Espanha)
Equipas prováveis:
LYON – Lloris, Reveillere, Cris, Diakhite, Cissokho, Gonalons, Kallstrom, Gourcuff, Briand, Lisandro Lopez e Michel Bastos.
BENFICA – Roberto, Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão (ou César Peixoto), Javi Garcia, Carlos Martins, Aimar, Gaitán, Saviola e Alan Kardec.

SIGA PARA BINGO

Por imperativos pessoais não pude ver mais do que meia-hora do Benfica-Arouca. Por felicidade, a meia-hora final da primeira parte, na qual os encarnados marcaram três golos, e resolveram de vez o jogo e a eliminatória.
Nesse período, vi uma equipa do Benfica sem facilitar, e a dar mostras de respeitar a ocasião e o adversário. Vi também uma excelente prestação de Alan Kardec, que, mau grado a fragilidade dos opositores, mostrou faro pelo golo e vontade de fazer esquecer Cardozo. Rezam as crónicas que, a partir de então, pouco mais houve que contar.
Permitam-me que, nesta eliminatória, destaque aqui também o meu outro emblema. O Juventude de Évora, líder da Zona Sul da II divisão, eliminou o Santa Clara da Liga de Honra, já leva três eliminatórias ultrapassadas, e mantém o sonho de defrontar um clube grande. Um Juventude-Benfica seria um jackpot para o clube eborense, e seria também, provavelmente, o jogo da minha vida. Que o sorteio me faça a vontade.

TEMPO DE TAÇA


Infelizmente, o Arouca e o seu presidente não têm estado á altura do clima de festa que esta partida lhes poderia - sobretudo a eles - proporcionar. Declarações de amor eterno ao FC Porto, e ao seu criminoso presidente, justamente na semana do jogo; preparação da equipa junto dos dragões; acusações ao Benfica acerca da hora do jogo e da transmissão televisiva. Enfim, uma postura de bicos de pés que era perfeitamente dispensável.

A propósito da hora, diga-se que é absolutamente incompreensível que uma partida sem qualquer interesse mediático (e, como tal, a dispensar a transmissão televisiva), se jogue às 21.00 horas. À tarde, no estádio, podia ter alguma graça. À noite terá certamente bancadas vazias, obrigando também os adeptos do Arouca a chegar a casa de madrugada. Não havia necessidade.

Mas seja assim ou de qualquer outra forma, seja de dia ou pela calada da noite, seja com amizade ou com indiferença, os jogadores do Benfica terão de cumprir as suas obrigações. E neste caso, estão obviamente obrigados a passar a eliminatória, ainda que tenham pela frente uma equipa profissional (apesar do nome menos sonante poder indiciar outra coisa), do escalão de um Belenenses ou de um Leixões, e, ao que parece, excepcionalmente bem preparada para enfrentar o gigante da Luz.

O onze que vai alinhar terá de dar descanso aos jogadores das selecções, devendo contudo manter um sopro de experiência, de modo a evitar complicações desagradáveis. Gondomar, Varzim e Penafiel devem estar presentes na memória daqueles que entrarem em campo.

O CÃO E O DONO

"Numa das várias, e inquietantes, obras-primas de Luís Buñuel (neste caso, “Viridiana”), há uma sequência em que um cão, mal-tratado pelo dono, insiste ainda assim em seguí-lo com a fidelidade que só a sua espécie consegue expressar.
Entre os humanos assistimos, no entanto, a exemplos que conseguem, por vezes, aproximar-se desse registo. A postura do Sporting perante o FC Porto lembra-me frequentemente aquelas imagens, sendo aqui bastante fácil de distinguir o dono cruel e o animal amestrado.
Voa Paulo Assunção, voa Adriano, e o Sporting zanga-se com o Nacional da Madeira. Escapa João Moutinho, e o Sporting atira-se ao comportamento do jogador. Foge Ruben Micael, e o Sporting queixa-se do empresário. Perde Villas-Boas, e o Sporting lamenta a sua pouca sorte. Ouvimos Pinto da Costa a ridicularizar José Eduardo Bettencourt (sem falar do roupeiro Paulinho), e vemos o presidente portista no camarote presidencial de Alvalade. O FC Porto ganha 17 campeonatos em 25 anos, recorrendo às fórmulas mais obscuras (expostas nos casos Apito Dourado, Calheiros, Guímaro, “quinhentinhos”, e por aí fora), e o Sporting escuda-se no silêncio, permitindo que a ira dos seus adeptos se volte para o…Benfica.

Se não estivermos a falar de cães, sobrará apenas uma hipótese para entender isto: o Sporting e os sportinguistas olham para o FC Porto, não como um rival, mas como um parceiro útil no combate ao odiado vizinho, e regozijam-se com as suas vitórias, vendo-as como uma forma eficaz de evitar triunfos do Benfica. Aliás, na noite da comemoração de um dos últimos títulos portistas, foram vistas bandeiras verde e brancas nalgumas ruas de Lisboa, que não pareciam propriamente festejar o 2º lugar.
Esta peculiar atitude tem custado muito caro ao clube de Alvalade, que caiu, em apenas duas décadas, de segundo maior emblema português para um periclitante terceiro lugar na hierarquia do desporto luso. Isso, tal como os pontapés ao cão de Buñuel, pouco parece preocupar as suas gentes.
Mais do que um fenómeno desportivo, estamos aqui perante um verdadeiro “case-study” na psicologia de massas portuguesa."

LF no Jornal "O Benfica" em 30/07/2010

GENTE GRANDE

"Estávamos no Verão de 2007 quando, num Mundial de sub-20 disputado no Canadá, vi jogar Fábio Coentrão pela primeira vez. Tinha sido contratado pelo Benfica umas semanas antes, e, como tal, mereceu a minha particular atenção ao longo de toda a prova.
Esse torneio (em que a Argentina de Di Maria e Aguero se sagrou campeã) não correu bem à selecção portuguesa, mas o toque de bola do jovem vilacondense mostrou desde logo que podíamos estar perante um craque fadado para os mais altos voos.
Permaneceu meia-temporada na Luz, onde não teve muitas oportunidades para se evidenciar. Não terá feito tudo o que podia para isso, e foi emprestado, temendo-se então que, à semelhança de tantos outros, não mais voltasse à casa mãe. Porém, um ano e meio depois Jorge Jesus decidiu trazê-lo de volta ao plantel encarnado. Não tardou muito tempo até que se percebesse porquê.
Apareceu-nos então um Fábio Coentrão muito mais maduro, muito mais profissional, felizmente (para ele, para o Benfica, e para o futebol português) ainda a tempo de resgatar todo o potencial que o seu enorme talento anunciava, e que a dada altura chegou a parecer perdido. Lembro-me de pensar, no início da época passada, que Fábio Coentrão tinha um ou dois anos para mostrar se era jogador para um Rio Ave, ou para um Manchester United, e que essa escolha só dependia da sua própria vontade. Passado um ano está claro que fez a opção certa, cabendo hoje em qualquer grande equipa do mundo.
O debate acerca da sua melhor posição em campo é deveras interessante, e daria para várias horas de discussão. Mas o que se deve extrair do seu trabalho, da sua atitude, e do seu talento, é que se trata já de um dos melhores jogadores portugueses da actualidade - talvez mesmo (juntamente com Nani) o segundo melhor, logo atrás de Cristiano Ronaldo.
Sabemos como o futebol actual é mercantilizado, e sabemos que um destes dias teremos provavelmente de o ver partir. Enquanto se mantiver de águia ao peito, regalemo-nos pois com o seu futebol, com a sua velocidade, e com a fantasia que se solta, em torrentes, do seu iluminado pé esquerdo."

LF no Jornal "O Benfica" em 8/10/2010

SEM COMPLICAR

Sem empolgar, mas com um poderoso sentido colectivo, e com um Cristiano Ronaldo mais próximo do estatuto de que goza, a Selecção Nacional conseguiu os objectivos que tinha para esta dupla jornada.
Trata-se, no fundo, de um regresso à normalidade. Podemos não ter a equipa que – com Figo, Pauleta, Rui Costa, Deco e Simão – há uns anos se aproximou da glória, mas continuamos a ser superiores a qualquer dos adversários deste grupo, e em condições normais deveríamos ter, pelo menos, mais três pontos do que aqueles que a classificação nos mostra. Esperamos que, como estes, também os próximos resultados ajudem a dissipar os efeitos da irresponsabilidade que nos conduziu a esta situação.
Tal como antes foi inevitável comparar Carlos Queiroz com Scolari, também agora será pertinente estabelecer um paralelo entre o novo seleccionador e o professor, que, diga-se, poucas saudades deixou.
No meu ponto de vista, Paulo Bento limitou-se a descomplicar aquilo que Queiroz complicara. Convocou os melhores jogadores, pô-los a jogar nas suas posições, e procurou manter a estrutura de um jogo para outro (suspeito que o fará também nos próximos compromissos) - pois só assim se conseguem os automatismos que, num clube, com muito mais tempo de treino, aparecem com facilidade, mas que numa selecção só com os jogos são possíveis de atingir.
Terá também conseguido aglutinar os principais jogadores da equipa em torno das suas ideias (muito mais fáceis de compreender, e como tal, de levar à prática), o que deu força e unidade ao grupo, e assim permitiu à principal estrela soltar o seu brilho. Isso viu-se em campo com toda a nitidez.O que mais aprecio em Paulo Bento é justamente a sua linearidade – por contraponto com o experimentalismo suicida de Queiroz. Mas aprecio também a diplomacia, a verdadeira diplomacia (não prosaica, mas genuína), que o impede, por exemplo, de lançar críticas ao trabalho de quem o antecedeu no cargo, bem ao contrário daquilo a que assistíramos em 2008.
Temos pois selecção, temos jogadores, e temos também treinador. Resta saber se ainda vamos a tempo.

NÃO ESTARÃO ELES A MAIS?

O futebol português está totalmente bipolarizado, tanto nos relvados, como nas guerras de bastidores. Existem apenas dois verdadeiros candidatos ao título. Existem dois clubes claramente superiores aos restantes sob todos os pontos de vista (palmarés, dimensão internacional, representatividade, orçamento, poder mediático e institucional, eclectismo, audiências, número de associados etc). Perante esta realidade e nestas circunstâncias, ainda fará algum sentido manter elementos de um terceiro clube nos debates televisivos?
Creio que não.
Compreendo que isto não seja consensual, que a medida seja difícil de aplicar, e dê azo a alguma polémica. As figuras em causa são bons personagens televisivos (polémicos, castiços, por vezes ridículos), e isso também contribui para os manter em antena. Mas a relevância que estes espaços tomam hoje no futebol português, e a importância dos temas que, perante o país, ali se discutem, já não se compadece com outras presenças que não as representantes das suas duas principais forças.
É verdade que todos os clubes têm direito ao seu espaço. Mas se o Sp.Braga, o V.Guimarães e o Marítimo (por exemplo) não estão representados neste tipo de debates, porque motivo há de estar o Sporting? Alguém imagina o Atlético de Madrid ou o Espanyol intrometido num espaço de discussão entre Real Madrid e Barcelona?
É que a presença leonina, além de fazer desperdiçar tempo de emissão, traz também um total enviesamento ao equilíbrio que se pretende. Tomando sistematicamente as dores e as posições do FC Porto, torna o debate numa espécie de “dois” contra “um”, sendo que o “um” é, paradoxalmente, representativo da esmagadora maioria dos adeptos do futebol.

UMA NOVA ALMA, UMA NOVA VIDA

Não foi necessária uma exibição de luxo. Bastou ganhar...com tranquilidade.
Apesar do panorama ainda se encontrar bastante carregado, os sinais de que temos equipa (e treinador) podem, e devem, alimentar-nos a esperança.

FORÇA PORTUGAL !

BOATO OU CENSURA?

Recuso-me a acreditar que a RTP equacione, sequer, ceder ao tipo de pressões que são aqui mencionadas. Tal cedência, a ocorrer, seria o fim do programa, e o fim de um conceito de serviço público independente, do qual a RTP (em particular a sua versão N) por vezes se esquece, mas que no essencial ainda vai subsistindo no nosso país.
A censura acabou em 1974. E quem tencione abafar as verdades terá de ter paciência, pois há muitos (entre os quais, modestamente, me incluo) que nunca as irão calar.

AOS 55 MINUTOS E 33 SEGUNDOS...

Terá sido isto que confundiu Rui Cerqueira?

OIÇAM TODOS, OIÇAM

Depois da encenação a que assistimos no programa "Trio de Ataque", fiquei com uma vontade irresistível de, também eu, publicar as escutas.
Sei que é um post redundante (já toda a gente as ouviu), mas simboliza o meu respeito pela verdade e pela justiça, e o meu total desprezo por questiúnculas forenses que, na maioria dos casos, apenas servem para proteger criminosos.
O que me interessa nas escutas é a sua substância. O que delas releva é a total impunidade que os actos praticados encontraram num sistema judicial caduco, incompetente e irresponsável - que se perde quase sempre no acessório, negligenciando o essencial.

TEATRO NACIONAL

Pirandello não faria melhor. Um mais velho e um mais jovem. Dois personagens à procura de uma fuga. Um sem querer ouvir, o outro recusando-se a ver. Ou como a farsa está, de vez, a tomar conta do universo do FCP.
Será para rir?

CLASSIFICAÇÃO REAL

V.GUIMARÃES-FC PORTO
A estratégia já vem dos tempos de Pedroto: mesmo quando se é reiteradamente beneficiado pelas arbitragens, mesmo quando se acaba de o ser mais uma vez, convém protestar um pouco para lançar uma nuvem de fumo que permita manter o status quo. A altura ideal para o fazer é após uma derrota, ou um empate, e quanto mais veemência se utilizar, melhor.
Tudo isto bateria certo se o penálti que só Rui Cerqueira viu, existisse mesmo. Podia acontecer: depois de vários penáltis por assinalar contra o FC Porto (Álvaro Pereira em Vila do Conde, Belluschi com o Braga, Rolando na Choupana, e, minutos antes, Fucile), era perfeitamente natural que, um dia, houvesse um por marcar a favor, permanecendo ainda assim um largo crédito nas contas azuis-e-brancas. Seria normal, num campeonato normal, e com um clube normal. Em Portugal (e estão aí mais escutas a demonstrá-lo), nem os campeonatos são normais, nem o clube que Pinto da Costa dirige o é - para se marcar um penálti contra a sua equipa seria preciso arrancar uma cabeça dentro da área, e qualquer espirro na área dos adversários é, quase sempre, sancionado (como aconteceu, por exemplo, na Figueira da Foz). Ainda assim há que manter os espíritos confusos, e não deixar que as efectivas razões de queixa de outros possam fazer-se ouvir a solo no palco mediático. Havia pois que aproveitar o insólito momento, e montar uma feira de indignação postiça a propósito do único lance, em todo o campeonato, em que o FC Porto teria sido supostamente penalizado.
Villas Boas cumpriu o papel que lhe cabia nesta peça (e até mostrou ter jeito), só não calculou que pudesse ter sido enganado pela própria estrutura do clube, fazendo a figura mais ridícula (usando a sua própria palavra) que me recordo de ver a um treinador português nos últimos anos. Gosto de ver as pessoas reconhecerem os seus erros, e o jovem treinador portista fê-lo, recuperando um pouco da seriedade que, após o jogo, parecia totalmente posta em causa. Mas o grotesco episódio não deixa de evidenciar a forma como naquela casa se procura, a todo o instante, adulterar a verdade, misturando-a com a mentira.
O que sobra da arbitragem de Carlos Xistra? Um penálti claro por assinalar, cometido por Fucile, e um segundo cartão amarelo ao mesmo jogador em lance que justificava a expulsão directa. Contra o FC Porto? Só um fora-de-jogo mal assinalado, num lance que não deu golo (Nilson defendeu com a cabeça).
Resultado real: 2-1 para o Vitória. Apesar da ingratidão demonstrada, Villas Boas deve pois um pontinho a Carlos Xistra.

BENFICA-SP.BRAGA
Como disse na altura, não gostei da arbitragem de Duarte Gomes. Teve critérios disformes, equivocou-se em muitas das faltas assinaladas e por assinalar, e não entendo – pelo menos à luz dos critérios que têm sido seguidos na Liga – os seis minutos de descontos dados no final.
Houve ainda dois foras-de-jogo mal assinalados, um para cada lado, mas em lances difíceis de avaliar (um porque é tirado "à pele", outro porque a movimentação dos jogadores do Braga – um, em jogo, a correr para a frente, outro, deslocado mas sem influência, a fazer-se também à bola, e depois a retrair-se - induz em erro o assistente).
No cômputo geral não houve influência no resultado.
Resultado real: 1-0

BEIRA-MAR-SPORTING
Um fora-de-jogo mal assinalado a um jogador aveirense, e um penálti reclamado, mas inexistente, sobre Hélder Postiga, são os únicos casos que me recordo do jogo.
Este texto serve para comentar a arbitragem, mas não deixo de notar a forma impressionante como o Sporting abordou os últimos minutos, perdendo bolas infantilmente, e deixando que o Beira Mar criasse lances de perigo sucessivos. Problemas físicos?
Resultado real: 1-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 19
FC Porto 13
Sp.Braga 10
Sporting 6

TOP-ERRO
Nesta rubrica assinale-se a entrada do penálti de Fucile para o 3º lugar, por troca com o penálti sobre Carlos Martins em Guimarães.
1º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Á.Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
2º NACIONAL-FC PORTO (5ª jornada) Murro de Rolando na bola dentro da área, que Bruno Paixão não quis ver. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º V.GUIMARÃES-FC PORTO (7ª jornada) Agarrão de camisola de Fucile a Edgar, na área portista, com Carlos Xistra a assinalar falta atacante. Resultado na altura: 1-1 Resultado final: 1-1

PONTAPÉ NA FATALIDADE

Uma bomba de Carlos Martins permitiu ao Benfica somar a terceira vitória consecutiva no campeonato, e ascender provisoriamente ao 2º lugar da classificação.
O jogo era difícil, e cheirava a clássico. A vitória foi justa, foi saborosa, e era imprescindível. Mas há que dizer, sem subterfúgios, nem resultadismos, que a exibição encarnada não encheu o olho a ninguém.
Sinceramente não gostei do jogo. Ambas as equipas estão a anos luz do espectacular campeonato que protagonizaram na época passada. O Sp.Braga vive uma indisfarçável crise, somando quatro derrotas e um empate nos últimos seis jogos que disputou, demonstrando que o seu plantel dificilmente aguentará sem danos o exigente desafio da Champions. O Benfica ainda luta para recuperar a identidade perdida, e embora esteja francamente melhor do que há umas jornadas atrás, mantém-se longe, muito longe, do registo que, há poucos meses, encantava o país.
Deste modo, quando Carlos Martins decidiu o jogo a pouco mais de um quarto de hora do fim, as coisas pareciam encaminhar-se para um deprimente zero a zero - que não servindo a ninguém, seria bem mais penalizador para o Benfica.
Se assim acontecesse, toda a nação benfiquista teria agora bastos motivos para lamentar a ausência de Óscar Cardozo. Sem o paraguaio, o ataque encarnado torna-se praticamente inofensivo, pois se Saviola não é propriamente um jogador de área (e está muito longe da sua melhor forma), Alan Kardec, sendo generoso na atitude, não tem o killer instinct que caracteriza os grandes matadores, raramente aparecendo isolado na cara do guarda-redes. Deste mal se sentiu a equipa de Jorge Jesus ao longo de quase toda a partida.
O Sp.Braga sofreu mais golos nas últimas quatro jornadas do que nas primeiras 17 da temporada passada. Nos últimos seis jogos oficiais leva 16 golos sofridos, e a razão é simples de explicar: a equipa minhota só tem um lateral (Sílvio), pois do outro lado está uma verdadeira caricatura. O nigeriano é um “bom-bom” para os ataques contrários, e depois de múltiplos erros, acabaria, naturalmente, por ficar ligado ao golo do Benfica. Um Benfica com maior peso nas alas (com Di Maria, com Ramires…) teria provavelmente goleado, tais as facilidades que foram sendo concedidas por aquele corredor. De resto, o conjunto de Domingos pareceu cansado e sem confiança, quase se limitando a esperar que o tempo passasse, e que o Benfica não conseguisse superar as suas próprias insuficiências.
O destaque individual vai inteirinho para Carlos Martins, autor do golo solitário, e de uma exibição pontuada por apontamentos de grande classe. Aimar também esteve em plano razoável, e Luisão continua a exibir a segurança a que já nos habituou. Em sentido contrário, como já ficou dito, Kardec não fez esquecer Cardozo, e Fábio Coentrão terá realizado uma das exibições mais descoloridas dos últimos meses.
Não vi quaisquer imagens televisivas, pelo que me é difícil falar do árbitro. Pareceu-me equivocar-se vezes demais, e utilizar critérios diferentes, quer no sancionamento da faltas, quer na exibição de cartões. Mas, como disse, o equívoco pode até ser meu.
Com três vitórias consecutivas o Benfica chegou ao segundo lugar. É pouco para as ambições do clube, mas é alguma coisa depois do fantasmagórico início de época que, por razões próprias e, sobretudo, alheias, a equipa viveu. Até seria bom ficar-se pela terceira posição, sendo isso sinal de que o FC Porto teria perdido pontos em Guimarães.

ONZE PARA DOMINGO(S)

DE ACORDO!

Com Ruben Amorim e Quaresma lesionados, Paulo Bento apenas acrescentou alguns nomes àqueles que já aqui tinham sido "convocados".

DÉFICE DE ORGANIZAÇÃO, CRISE DE ESCLARECIMENTO, AUSTERIDADE ANGUSTIANTE

Perante as derrotas, os analistas tendem normalmente a procurar uma explicação única, uma razão que, em poucas palavras, resuma cada desfecho negativo. As primeiras reacções ao desaire do Benfica em Gelsenkirchen mostraram já uma escolha clara: erros individuais. Terão sido erros individuais, e, por consequência, pontuais, que determinaram este resultado, e complicaram a vida do Benfica na Liga dos Campeões.
Creio que esse discurso é redutor, e não explica o que se passou em campo.
Ainda decorria a primeira parte, e (mesmo cm uma ou outra oportunidade perdida) já eu pensava para com os meus botões que só por milagre o Benfica conseguiria vencer este jogo. Não percebia os generosos comentários televisivos feitos durante esses primeiros quarenta e cinco minutos, nem entendia como a equipa insistia num tipo de futebol que potenciava claramente as características do adversário, oferecendo-lhe aquilo que ele talvez nem fosse capaz de conseguir por si próprio.
Os erros individuais foram, de facto, determinantes, mas o Benfica revelou nesta partida gravíssimos problemas de organização global, e, no meu ponto de vista, também de estratégica de jogo.
Comecemos justamente pelos aspectos estratégicos. Os encarnados entraram no campo do vice-campeão alemão, num jogo importante da Liga dos Campeões, como se estivessem a jogar na Luz com o Paços de Ferreira. Procuraram fixar-se no meio campo contrário sem acautelarem minimamente as transições defensivas. Deixaram partir o jogo, quando – sendo o empate um excelente resultado – o deveriam ter tentado fechar. Eu também gosto de futebol de ataque, e compreendo que uma grande equipa não pode alicerçar o seu jogo no medo. Mas creio, por outro lado, que todas as grandes equipas começam a sê-lo precisamente na segurança com que vestem o seu futebol. O Benfica - que, a quem não soubesse, parecia precisar de recuperar de uma larga desvantagem (um exemplo: para quê tantos homens na frente nos lances de bola parada?) - nunca, nesta partida, se mostrou uma equipa segura. Nunca soube perder a bola, deixando que cada transição ofensiva adversária causasse o pânico perto da baliza de Roberto. Nunca conseguiu controlar os ritmos do jogo, deixando-o transformar-se numa roleta que dificilmente o poderia favorecer. Assim, torna-se relativamente natural que os erros aconteçam, e, pior que isso, que sejam fatais. O primeiro passo para se ser forte é ter-se noção das próprias fraquezas. O Benfica, em Gelsenkirchen, não conseguiu conviver com as suas debilidades, nem pareceu entender as virtudes de um adversário (com talento individual e muito poder atlético) que talvez tenha subestimado.
Há também aspectos organizativos que não estão bem nesta equipa. Os jogos com Hapoel, Sporting e Marítimo deixaram a sensação de que o modelo de jogo da temporada passada estava de volta à eficácia, mas, após esta noite, é de suspeitar que tenha sido apenas a fragilidade desses adversários a iludir a realidade. Se na direita o fantasma de Ramires continua a conviver com a incapacidade de todos os possíveis substitutos darem, por um lado, o apoio de que Javi Garcia necessita, e por outro, conferirem a acutilância ofensiva que o queniano ainda assim garantia, na esquerda, Fábio Coentrão, sendo (desafortunadamente) apenas um, não é suficiente para fechar o corredor, sobretudo quando não tem nas costas um defesa seguro e consistente, como, no plantel, só ele próprio poderia ser. Ruben Amorim talvez representasse, no primeiro caso, uma solução interessante para esta partida. Infelizmente, estava em Lisboa. Quanto ao segundo caso, Jorge Jesus tem de decidir se quer Coentrão como defesa (e aí há que encontrar uma solução para o ataque, que até podia ter sido Urreta), ou como extremo (sendo então urgente a contratação de um lateral já em Dezembro). É que o jovem vila-condense, embora por vezes pareça, nem sempre consegue valer por dois.Deixo para o fim as questões individuais, se bem que algumas delas convirjam em tudo o que já ficou dito. Há, de facto, jogadores em gritante má forma na equipa do Benfica. David Luiz e Javi Garcia, por exemplo, que nem estiveram no Mundial, ainda parecem estar de férias. Saviola tem sido demasiado intermitente, tal como, de resto, Óscar Cardozo. César Peixoto nunca foi muito melhor do que aquilo que mostrou nesta noite: um jogador capaz de disfarçar as insuficiências em jogos de ritmo mais baixo, totalmente contra-indicado para partidas de Liga dos Campeões, ou de grau de exigência mais elevado. Sem Di Maria e Ramires, sobra assim muito pouco da exuberância individual e colectiva da época passada. Só Luisão fez um jogo digno de Liga dos Campeões. Só Carlos Martins o tentou acompanhar.
Não irei criticar a política desportiva seguida no defeso, até porque na altura a elogiei, e gosto de manter alguma coerência. Mas não deixa de ser interessante verificar que o Schalke 04, à semelhança de quase todas as equipas participantes na Liga dos Campeões, investiu fortemente nesta participação, reforçando o seu plantel para uma prova que, directa e indirectamente, proporciona receitas de milhões. A excepção foi o Benfica, que, precisamente em nome dos milhões (neste caso imediatos), vendeu os seus dois melhores jogadores. Este Benfica 2010-11 é, aliás, o paradigma, de como a perda de jogadores fundamentais pode pesar nos alicerces de uma equipa. E tanto que eu falei nesses riscos...
Ainda acredito, contudo, neste plantel, e ainda acredito no apuramento. Há que recuperar rapidamente David Luiz, Javi e Saviola, caso contrário Sidnei, Airton e Jara, ou um, ou dois deles, devem ter a sua oportunidade. Há que trabalhar afincadamente as transições defensivas (fixar Ruben Amorim na direita, pode ser o princípio da solução), sem as quais a equipa não pode atacar com segurança e eficácia, sobretudo diante de adversários mais cínicos. Há que recuperar o 4-3-3 como sistema alternativo para algumas partidas, ou, pelo menos, alguns momentos de jogo. Só não há é tempo para nada. Já no domingo, provavelmente sem Cardozo (um azar nunca vem só), o Benfica volta a jogar a vida no campeonato.
Quanto à Champions, será agora imprescindível pontuar com o Lyon. Um empate na Alemanha teria sido um passo determinante. O Benfica não o soube dar.
O árbitro esteve ao nível do jogo: fraquinho.
Uma nota final para o ambiente. Mesmo com a equipa em penúltimo lugar no seu campeonato, os adeptos encheram o estádio e não regatearam um apoio incessante, e impressionante, aos seus jogadores. Que inveja...

MATAR O BORREGO

"A partida de amanhã, na Arena de Gelsenkirchen, pode vir a revelar-se decisiva para o desfecho do grupo B da Liga dos Campeões.
Uma vitória do Benfica no terreno do adversário mais directo, deixará este em sérias dificuldades, e embalará os encarnados para a discussão de um dos dois primeiros lugares do grupo, esboçando desde logo um horizonte de fortes hipóteses de qualificação para a fase seguinte.
Em mais de cinquenta anos de competições europeias, nunca o Benfica conseguiu vencer em território germânico. Umas vezes por falta de sorte, outras por fraquezas próprias ou méritos alheios, a verdade é que a malapata foi perdurando no tempo, ainda que episodicamente disfarçada por alguns empates saborosos - à cabeça dos quais, uns célebres 4-4 em Leverkusen, com João Pinto e Rui Costa a conduzirem a equipa então orientada por Toni para uma exibição de gala, que valeu, na altura, uma passagem às meias-finais da já extinta Taça das Taças.
O jogo de Gelsenkirchen constituirá, agora, uma excelente ocasião para romper com essa negra tradição. Enquanto o Benfica está a crescer, o Schalke 04 não vive dias felizes, e tem-se deixado afundar na tabela da Bundesliga. Aparentemente, este pode ser o momento mais apropriado para o defrontar.
Não nos iludamos, porém, com classificações domésticas. O Benfica terá pela frente uma equipa forte, cujo plantel é constituído por grandes jogadores, dirigidos por um treinador experiente, e que tentará alcançar nesta participação europeia o sucesso que parece estar a fugir-lhe na frente interna. Tendo perdido na primeira jornada, e jogando agora em sua casa, certamente tudo fará para ganhar, assumindo-se, com toda a certeza, como um adversário capaz de criar enormes dificuldades ao conjunto de Jesus. Só o melhor dos Benficas pode vencer este jogo, e é esse mesmo, o melhor, que espero ver subir ao relvado nesta quarta-feira.
Repostos os níveis de confiança, é agora altura do Benfica pôr o ponto final nas amarguras do início de época. Nada melhor do que fazê-lo com uma grande, e inédita, vitória na Alemanha."
LF, Jornal "O Benfica"

EQUIPAS PROVÁVEIS
19,45, Veltins Arena -Gelsenkirchen (Sport Tv1)
SCHALKE04 - Neuer, Sarpei, Metzelder, Plestan, Schmitz, Matip, Jones, Rakitic, Jurado, Raul e Huntelaar.
BENFICA - Roberto, Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, César Peixoto, Javi Garcia, Carlos Martins, Aimar, Fábio Coentrão, Cardozo e Saviola.

NOVES FORA, NADA!

Não tenho nada contra a cidade de Braga (embora, honestamente, goste muitíssimo mais de Guimarães), nem reconheço ao Sporting Clube de Braga um estatuto que o faça rivalizar com o Benfica, pelo que, em condições normais, olharia para ele como para qualquer outro dos clubes portugueses que me são indiferentes (V.Setúbal, V.Guimarães, Marítimo, Nacional, P.Ferreira etc), e aos quais não me custa desejar sorte nas competições internacionais. Aliás, no passado já o fiz.
Porém, quando me lembro de algumas declarações de Mesquita Machado, António Salvador, Domingos Paciência ao longo da última temporada; quando vejo a hostilidade com que jogadores como Miguel Garcia, Vandinho, Luís Aguiar ou Mossoró (entre outros) encaram os jogos com o Benfica; quando recordo o episódio do túnel; quando oiço os cânticos da sua claque, não posso deixar de sentir uma profunda antipatia pelo caminho que este clube tem percorrido de há uns tempos para cá, e que, entre outras coisas, fez sentar, com frequência, um criminoso na sua tribuna presidencial.
Deste modo, o destino do Sp.Braga na Champions League não me torce nem me amolga. E as suas copiosas derrotas, se não me fazem comemorar, também não me envergonham, pois não me sinto, enquanto português, minimamente representado por elas.
Lamento a perda de pontos para o país, num momento em que pode estar em causa o regresso ao sexto lugar no ranking (e à qualificação de três clubes para a prova principal). Mas não sou capaz de chorar uma lágrima por aquela gente.
O meu único desejo é que, no próximo domingo, levem da Luz uma dose idêntica.

TIRO ÀS ÁGUIAS

CITAÇÃO DA SEMANA

“A minha simpatia pelo Benfica é, como se sabe, nula. Mas temos que manter alguma coerência. Isto é, de facto, escandaloso! Não sei qual seria a minha reacção se isto se passasse com o Sporting!”
Dr. Eduardo Barroso, adepto fanático do Sporting, e confesso anti-benfiquista, no programa Prolongamento da TVI24, a propósito das arbitragens, quando se analisava o penálti cometido (e não assinalado) sobre Saviola no Funchal.

OS EPISÓDIOS DUMA FARSA

PENÁLTIS POR MARCAR A FAVOR DO BENFICA (6):

# Empurrão sobre Javi Garcia dentro da área, e já nos últimos dez minutos de jogo, quando o resultado era de 1-1 (1ª Jornada – Benfica-Académica, 1-2, árbitro: Cosme Machado)

# Rasteira sobre Fábio Coentrão, já no interior da área, com o resultado em 1-0 (2ª Jornada – Nacional-Benfica, 2-1, árbitro: Pedro Proença)

# Corte com o braço de um defesa madeirense, dentro da área, na ponta final do jogo (2ª Jornada – Nacional-Benfica, 2-1, árbitro: Pedro Proença)

# Aimar pontapeado na área, ainda na primeira parte, com o jogo empatado a uma bola (4ª Jornada – V.Guimarães-Benfica, 2-1, árbitro: Olegário Benquerença)

# Rasteira sobre Carlos Martins, já na segunda parte, com o árbitro a poucos metros do lance (4ª Jornada – V.Guimarães-Benfica, 2-1, árbitro: Olegário Benquerença)

# Entrada no pé de Saviola, na primeira parte, com o resultado em branco (6ª Jornada – Marítimo-Benfica, 0-1, árbitro: João Capela)

# Agressão com o ombro no queixo de César Peixoto, dentro da área, já na segunda parte (6ª Jornada – Marítimo-Benfica, 0-1, árbitro: João Capela)


PENÁLTIS POR MARCAR CONTRA O FC PORTO (3):

# Dupla falta de Álvaro Pereira sobre um avançado do Rio Ave, com o árbitro por perto, e a valer um cartão amarelo ao jogador vila-condense (3ª Jornada – Rio Ave-FC Porto, 0-2, árbitro: Jorge Sousa)

# Carga de Belluschi sobre Paulo César, impedindo-o de rematar nas melhores condições à baliza, no último minuto do jogo (4ª Jornada – FC Porto-Sp.Braga, 3-2, árbitro: Pedro Proença)

# Corte com a mão de Rolando no interior da área, com o resultado em 0-1 (5ª Jornada – Nacional-FC Porto, 0-2, árbitro: Bruno Paixão)

Acrescem a estes lances o penálti mal assinalado por Paulo Baptista na 1ª Jornada na Figueira da Foz, que deu a vitória ao FC Porto a poucos minutos do fim do jogo; e o golo irregular que inaugurou o marcador em Vila do Conde na 3ª Jornada; para além de um livre inacreditável de que resultou o 2º golo frente ao Beira Mar, assinalado por João Capela a um minuto do intervalo; e do número verdadeiramente insólito de cartões amarelos mostrados a jogadores do Benfica em quase todos os jogos.

Lourenço Pinto, entretanto, continua a homenagear árbitros (Benquerença), a jantar com árbitros (Bruno Paixão), e, provavelmente, também ele a dar conselhos matrimoniais a árbitros (quantos?).

UM CRAQUE PARA MUITOS MILHÕES

O aumento de salário é mais do que merecido, mas, pela qualidade e margem de progressão do jogador, temo que a manutenção da cláusula de rescisão em 30 milhões se venha a tornar um mau negócio para o Benfica.
Fábio Coentrão é inegavelmente uma das estrelas do campeonato, uma das figuras da selecção nacional, e um craque fadado para os mais altos voos. Talvez seja mesmo, já hoje, o segundo melhor jogador português da actualidade. 40 milhões seria um número, eu diria, mais prudente.

O DRAMA DA DECADÊNCIA

Vi integralmente o jogo Sporting-Nacional, e se aquela foi a melhor exibição do Sporting no campeonato (como já ouvi por aí), muito mal vai a equipa de Alvalade.
O golo de Saleiro foi um grande golo, Vukcevic fez um grande jogo, mas de resto…nada. Foi até o Nacional que, depois do empate, esteve mais perto do 1-2. Já contra o Benfica a exibição leonina tinha sido medíocre, e sinceramente não vejo esta equipa como candidata a coisa nenhuma.
Mas o que se passa com o Sporting está muito para além daquilo que, conjunturalmente, se vê nos relvados. Não há “um” problema do Sporting. Há vários, e muito difíceis de resolver.
Á cabeça de tudo creio que existe uma completa assimetria entre as aspirações dos adeptos e a história do clube, por um lado, e o seu potencial presente (quer económico, quer desportivo), por outro. Isto ultrapassa a própria equipa, o treinador, e os jogadores, que acabam por ser mais vítimas do que culpados de um grau de exigência para o qual não têm, nem podem ter, resposta.. Na verdade, o Sporting já não é um clube grande, já não está no mesmo plano que Benfica e FC Porto, e muitos dos sócios ainda não assimilaram essa nova e triste realidade. Qual o caminho para recuperar a grandeza? Mesmo que o soubesse, não o dizia. Mas, honestamente, não me parece fácil.
Em segundo lugar, José Eduardo Bettencourt é um homem sério, será com certeza um gestor de empresas competente, mas não tem manifestamente perfil para liderar um clube de futebol. Está a revelar-se um flop total, e desde que assumiu a presidência, o Sporting não para de cair. Consequentemente, as escolhas feitas não têm sido as melhores, ninguém compreendendo, por exemplo, o que tem Costinha de experiência directiva, ou de sportinguismo, para assumir o futebol do clube.
Entalado entre esta realidade, e um plantel sofrível (Nuno André Coelho, por exemplo, nem era convocado no FC Porto, sendo agora titular indiscutível no Sporting), e para mais afectado por algumas lesões de jogadores nucleares, Paulo Sérgio (como antes Paulo Bento, ou Carlos Carvalhal) será quem menos culpas tem neste cartório.
Desde os tempos de José Peseiro (final da Taça Uefa, e quase, quase, título nacional) que não me recordo de ver um plantel minimamente credível em Alvalade. Curiosamente, foi nessa altura também que, institucionalmente, o Sporting perdeu a oportunidade histórica de, aliando-se ao Benfica, desferir o golpe de morte no FC Porto de Pinto da Costa, então de gatas na sequência do eclodir do processo Apito Dourado. O ódio ao rival lisboeta falou mais alto, e o manifesto que Dias da Cunha assinou com Luís Filipe Vieira acabou queimado pela contestação ao próprio presidente sportinguista, e pela azia causada pelo título de Trappatoni. Daí para cá - com Pinto da Costa irradiado, com o FC Porto despromovido, com uma limpeza total no futebol português (à semelhança do que aconteceu em Itália) só possível nessa conjuntura peculiar, e utilizando a força conjunta dos dois rivais lisboetas - o Sporting até podia ter sido campeão 4 vezes, tendo o Benfica conquistado precisamente os mesmos dois títulos que conquistou. E com outra gestão desportiva podiam estar em Alvalade: Varela, Carlos Martins, João Moutinho e até…Fábio Coentrão, que como se recordam chegou a ser dado como certo no Sporting, mas alguém achou que um milhão de euros era demasiado dinheiro pelo vila-condense.
Hoje temos um FC Porto com toda a sua força renovada, quer nos relvados, quer, sobretudo, nos bastidores. Temos um Benfica forte e afirmativo, que só factores subterrâneos têm impedido de atingir a bitola da época passada. E temos um Sp.Braga emergente, presente na Champions League, a desafiar o Sporting como terceiro candidato ao título. A este último, já nem o pontinho de vantagem que tinha sobre o Benfica lhe vale de consolo.
A chamada crise de militância (resultante de tudo isto) esconde uma realidade ainda mais dura: a perda efectiva de adeptos, bastando uma visita a uma qualquer escola para perceber que Benfica (claramente maioritário) e FC Porto (muito mais expressivo que há uns anos atrás) dividem as simpatias dos mais jovens.
É esta a verdade de um clube que foi grande e deixou de o ser.
Para os adversários, há muito que o Sporting deixou de meter medo, e passou a despertar pena - sobretudo para aqueles que, como eu, ainda o tiveram, em tempos, como um grande e temível rival.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Já falei da arbitragem de João Capela na Madeira. Dos jogos do FC Porto e do Sp.Braga, que não vi, não tive notícia de qualquer caso relevante. Em Alvalade há um lance duvidoso na área do Sporting, mas é precedido de fora-de-jogo, pelo que não entra nas contas. Os resultados reais correspondem assim aos verificados.

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 16 (1+3+3+3+3+3)
FC Porto 12 (1+3+1+1+3+3)
Sp.Braga 10 (3+1+1+1+1+3)
Sporting 5 (0+3+1+0+0+1)

Também o top-erro se mantém inalterável:
TOP-ERRO
1º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Á.Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
2º NACIONAL-FC PORTO (5ª jornada) Murro de Rolando na bola dentro da área, que Bruno Paixão não quis ver. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º V.GUIMARÃES-BENFICA (4ª jornada) Rasteira de um defesa vimaranense a Carlos Martins, já bem dentro da área, com Olegário Benquerença a mandar seguir. Resultado na altura: 1-1 Resultado final: 2-1

UMA ILHA NUM OCEANO DE DESPERDÍCIO

A generalidade dos treinadores diz, com frequência, que se preocupa muito mais quando a sua equipa não constrói situações de golo, do que quando as constrói e as falha sucessivamente. Tomando isto como uma verdade do futebol, Jorge Jesus deve sentir-se bastante tranquilo face ao que se passou nos Barreiros: muitas ocasiões criadas, e, sobretudo, três pontinhos arrecadados.
Seis. Contei seis momentos de golo cantado, que Saviola e Cardozo se foram encarregando de desperdiçar, ora por mérito das intervenções do guardião contrário, ora por inépcia (neste caso do paraguaio) junto das redes. Um dos lances fez-me inclusivamente recordar dos tempos de escola, quando num daqueles torneios entre turmas, eu próprio falhei um golo semelhante, facto que na altura me atormentou durante dias.
Nem nesses, nem em quaisquer outros tempos, cheguei a ser um ponta-de-lança minimamente convincente. Não é o caso de Óscar Cardozo, e há até quem diga – com alguma razão – que quem falha muitos golos nunca pode ser um mau avançado, pois os méritos de aparecer em zonas de finalização, de saber fugir aos defesas, de estar no local e no momento exactos não são coisa do somenos. Não valerá para todos, mas vale seguramente para Tacuára, que ainda uma semana antes fizera, como nos lembramos, uma exibição portentosa diante do Sporting, e pelas minhas contas, mais jornada, menos jornada, atingirá os 100 golos com o Manto Sagrado vestido.
A história deste jogo é a história dos golos falhados. O final poderia ter sido inglório, pois como usualmente se diz “quem não marca, arrisca-se a sofrer”. O risco existiu, mas não se consumou. E que cruel teria sido um eventual empate…
O Benfica podia, pelo contrário, ter repetido as goleadas dos últimos anos nos Barreiros. E também disso esteve muito perto. O destino assim não quis, mas os sinais de retoma são por demais evidentes, havendo até possibilidades (mais do que matemáticas) dos encarnados saltarem para o segundo lugar já na próxima jornada.
Destaque para as exibições de Fábio Coentrão e Gaitán, e para a firme indicação de que pode residir nesta dupla a alternativa ideal às saídas de Di Maria e Ramires respectivamente. Tal como sempre defendi, Coentrão é o extremo-esquerdo ideal para o Benfica. Pode não ser a melhor opção para ele e para a sua carreira, mas é seguramente a melhor para uma equipa que tinha, há poucos meses atrás, a sua maior estrela justamente nessa posição, e que se habituou a um modelo de jogo onde a velocidade dos extremos é fundamental para causar os necessários desequilíbrios nas linhas defensivas adversárias.

Resta falar do árbitro. E João Capela fica para o fim apenas porque o Benfica acabou por ganhar, e as vitórias sempre esbatem as revoltas (é humano, é da vida). Mas custa a acreditar como, mesmo após toda a polémica em redor dos jogos anteriores, mesmo após a conferência de imprensa de Vítor Pereira, não se marca um penálti como aquele cometido sobre Saviola.
Dir-me-ão que há outro lance na área do Benfica. Mas se este segundo é muitíssimo menos claro (nenhuma repetição o prova, não passando por isso de uma simples suspeita), também ocorre num momento posterior, ou seja, numa altura em que, se o árbitro, Deus e Cardozo quisessem, já o Benfica estaria a ganhar por 0-1.
Ainda irá o Benfica a tempo de revalidar o título? Talvez sim. É necessário, primeiro que tudo, que não se repitam as farsas de arbitragem das primeiras jornadas.
Se um sopro de isenção surgir, há ainda outra condição que me parece fundamental: ganhar no Dragão no dia 7 de Novembro, e ganhar, naturalmente, os três jogos que faltam até lá, dois deles em casa, mas um deles (já no próximo domingo), contra outro candidato ao título. Com estas quatro vitórias o Benfica poderia estar, nessa noite de Novembro, com 4 ou 6 pontos de atraso, com vinte jornadas para jogar, com o FC Porto a ter de visitar a Luz (e também Alvalade, e também Braga), ou seja, com quase tudo em aberto. É pois até ao dia 7 de Novembro que se vão decidir grande parte das ambições do Benfica na prova. Que sejam decididas pelos jogadores, e por mais ninguém.

PS1: Não posso deixar de destacar e saudar a excelente entrada do meu Juventude de Évora no campeonato nacional da 2ª divisão, com duas vitórias em dois jogos a valerem a liderança da Zona Sul. Lutando praticamente sem apoios, mantendo o treinador há seis épocas consecutivas, a equipa eborense tem sido um verdadeiro modelo daquilo que ainda se pode fazer no depauperado futebol das divisões secundárias.

PS2: Sendo este um espaço exclusivamente de futebol, não deixo também de manifestar a minha enorme alegria pela expressiva vitória do Hóquei em Patins benfiquista na Supertaça diante do FC Porto (8-4), que espero possa significar o princípio de uma nova era na modalidade. Gosto de Hóquei desde a mais tenra infância, e ainda mais do que os crónicos triunfos do FC Porto, têm-me magoado as constantes notícias acerca do eventual fim da secção no clube da Luz. Para além de uma vitória contra o FC Porto e contra o sistema que domina totalmente a modalidade, esta foi também uma vitória pela afirmação do Hóquei no Benfica, clube mundial que há mais tempo, ininterruptamente, o pratica.

PARA O FUNCHAL

UM CAMPEÃO!

Passou três épocas no Benfica, em todas foi campeão, somando ainda duas presenças em finais da Taça dos Campeões Europeus (na última das quais apenas orientou a equipa até aos quartos-de-final).
Só isso chegaria para lhe tirar o chapéu.
Não sei muito mais sobre ele. Apenas que era um cavalheiro, e que orientou clubes como Boca Juniores, Nacional de Montevideo, Corunha, Everton e Marselha para além de FC Porto, Sporting e Belenenses. Levou ainda a selecção do Chile ao terceiro lugar do Campeonato do Mundo que organizou em 1962, naquela que foi a melhor classificação de sempre do seu país em mundiais.
Partiu aos 90 anos, deixando o seu nome gravado na história do Benfica, do futebol português e do futebol internacional.

DUAS NOTAS

1) Vítor Pereira fez bem em falar, e só é pena que os próprios árbitros não tenham, à semelhança dos restantes intervenientes no jogo, a obrigação de o fazer após os jogos. As suas palavras não vão devolver pontos ao Benfica, mas fica-lhe bem, pelo menos, reconhecer alguns dos erros cometidos pelos seus comandados.
2) André Villas-Boas perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado. Não sei como foram formuladas as perguntas, mas um técnico que vê a sua equipa sistematicamente levada ao colo rumo a uma liderança que ainda não provou merecer, devia, em nome do decoro, no mínimo, evitar o assunto.

A MINHA SELECÇÃO

Empossado um novo seleccionador, aproveito para deixar desde já a minha sugestão com vista à próxima convocatória:
GUARDA-REDES - Eduardo e Rui Patrício
DEFESAS - Ruben Amorim, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão, João Pereira e Rolando
MÉDIOS - Pepe, Raul Meireles, Tiago, Miguel Veloso, João Moutinho e Carlos Martins
AVANÇADOS - Cristiano Ronaldo, Hugo Almeida, Nani, Quaresma, Liedson e Varela

O HOMEM CERTO

Ao longo dos quatro anos em que orientou o Sporting, Paulo Bento assumiu demasiadas vezes, e com demasiada veemência, as dores do clube - esquecendo-se que era um simples profissional -, e excedeu-se frequentemente nas declarações sobre arbitragem, mesmo quando não tinha manifestamente a razão do seu lado. São esses os pecados que lhe aponto.
Do outro lado da balança sempre vi um homem sério e vertical, e um treinador exigente, rigoroso e competente. Não necessariamente um mago da táctica, mas antes um líder, um disciplinador e um motivador, dono de um discurso inteligente e determinado, aspectos que foram sustentando a minha profunda admiração por ele, a qual nunca aqui escondi.
O seu trajecto em Alvalade foi brilhante. Com plantéis medíocres, conseguiu presenças sucessivas na Champions League, vitórias na Taça de Portugal, na Supertaça, e por pouco não chegou ao título nacional. Estranhamente foi objecto de uma contestação interna que acabou por tornar inevitável a sua saída - momento que, enquanto benfiquista, vivi com alívio e satisfação.
No pós-Scolari, foi precisamente o seu nome que eu apontei para a equipa das quinas. Antes de Jorge Jesus, cheguei também a sugeri-lo para o Benfica. A escolha agora assumida pela FPF vai pois totalmente de encontro ao meu agrado.
Não espero milagres. A situação da selecção nacional é aflitiva, e não existe nenhum treinador no mundo que possa, num passo de mágica, garantir o apuramento para o Euro 2012. Acredito, todavia, que a partir de agora a equipa “de todos nós” terá condições para se tornar mais coesa e mais competitiva, podendo assim voltar a dar-se ao respeito e à admiração dos portugueses.

UM LÍDER PRÉ-FABRICADO

André Villas-Boas não disfarça algum constrangimento a cada vez que é instado a comentar a vantagem pontual do FC Porto nesta edição da Liga.
Compreende-se que assim seja: ninguém melhor que ele entenderá as ajudas com que o seu clube tem contado, e que depressa transformaram uma equipa em formação e à deriva, num líder destacado e muito gabado por uma comunicação social que continua a ter medo de dizer a verdade com todas as suas letras.
Vejamos então como chegou este FC Porto à situação privilegiada em que está:
1ª JORNADA:
NAVAL-FC PORTO, 0-1 O golo solitário da vitória portista foi obtido através de um penálti mais do que duvidoso assinalado por Paulo Baptista, num lance de bola na mão de um defensor figueirense, quando faltavam menos de dez minutos para o fim da partida.
2ª JORNADA:
FC PORTO-BEIRA MAR, 3-0 O segundo, e importante, golo na vitória frente ao Beira-Mar, nasceu a um minuto do intervalo, na sequência de um livre inexistente, inventado por João Capela, e cobrado por Belluschi. O 2-0 decidiu o jogo, libertando o FC Porto para uma segunda parte tranquila.
3ª JORNADA:
RIO AVE-FC PORTO, 0-2 O primeiro golo portista é precedido de duas intervenções faltosas de Falcão. Uma sobre um defensor, carregando-o pelas costas, outra sobre o guarda-redes, não lhe permitindo fazer-se à bola. Jorge Sousa apontou para o centro do terreno. Alguns minutos mais tarde há um penálti claríssimo cometido por Álvaro Pereira (duas faltas no mesmo lance, a segunda das quais mais do que evidente) que ficou por sancionar, e que poderia ter dado o empate. Posto isto, tudo se facilitou.
4ª JORNADA:
FC PORTO-SP.BRAGA, 3-2 No último minuto do jogo, Belluschi empurra Paulo César no ar, impedindo-o de rematar à baliza de Helton. Pedro Proença mandou jogar. Estranhamente (ou talvez não) ninguém protestou.
5ª JORNADA:
NACIONAL-FC PORTO, 0-2 Mais um penálti flagrante por marcar contra o FC Porto (o terceiro em três jornadas consecutivas), desta vez por corte com a mão de Rolando, que Bruno Paixão não quis marcar. Daria o empate, e complicaria a vida à equipa portista.
Com uma trajectória destas qualquer Paços de Ferreira ou Olhanense seria líder isolado.
Juntando isto aos graves prejuízos que o Benfica tem sofrido, temos o campeonato mais subvertido de que há memória em muitos anos.
As semanas vão passando, e a falta de vergonha evidenciada pela gente do apito mostra que as coisas não acontecem por acaso. Não me entra na cabeça que uma equipa seja beneficiada em cinco jogos seguidos, e o seu principal adversário seja prejudicado gravemente em três deles, sem que tal corresponda a um plano de acção preconcebido.
Esse plano é simples: o Benfica não pode ser bi-campeão, e o FC Porto, dê por onde der, tem de voltar a sê-lo, sob pena de ver esfumar-se a hegemonia que, por portas e travessas, foi conseguindo ao longo dos últimos vinte anos. Em Junho ninguém se irá lembrar, e todos concederão justiça a mais um título azul-e-branco.
Provavelmente comunicados não chegam. Provavelmente serão necessárias atitudes ainda mais drásticas, pois esta gente, está visto, não brinca em serviço.

PS: Repare-se nas feições de João Moutinho agora, e compare-se com os tempos do Sporting. Com a cara chupada, olhar agressivo e distante, o médio parece outra pessoa, totalmente diferente do miúdo que conhecíamos.
Que lhe terão feito? Que suplementos vitamínicos lhe terão dado? Que se passa no FC Porto?

CLASSIFICAÇÃO REAL

A farsa continua.
Não foi na Luz, foi na Choupana. Mais um penálti por assinalar contra o FC Porto, e de facto começam a escassear palavras para descrever um campeonato em que um dos candidatos ao título é gravemente prejudicado em três das cinco jornadas, e o outro é descaradamente beneficiado em TODAS elas (penálti fantasma na Figueira da Foz, livre fantasma com o Beira Mar, golo irregular em Vila do Conde, penálti por marcar em Vila do Conde, penálti de Belluschi com o Braga, e agora, penálti de Rolando na Choupana).
Na Luz, mais cartão menos cartão, mais fora-de-jogo, menos fora-de-jogo (e aqui o maior erro foi num lance de Carlos Martins já perto do final), a arbitragem acabou por não influir no resultado. Influiu, isso sim, na qualidade do jogo, transformando uma boa partida de futebol num concerto de apitos.
Apenas vi um breve resumo do jogo do Sp.Braga, não me apercebendo de nenhum caso grave.
Resultados reais:
Nacional-FC Porto 1-2
Benfica-Sporting 2-0
P.Ferreira-Sp.Braga 2-2

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 13 (1+3+3+3+3)
FC Porto 9 (1+3+1+1+3)
Sp.Braga 7 (3+1+1+1+1)
Sporting 4 (0+3+1+0+0)

Segue-se também uma nova rubrica, que passará a constar do post semanal sobre arbitragem. Trata-se do top-3 dos maiores escândalos do campeonato. Para já, escolhi estes:

TOP ERRO
1º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Álvaro Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
2º NACIONAL-FC PORTO (5ª jornada) Murro de Rolando na bola dentro da área, que Bruno Paixão não quis ver. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º V.GUIMARÃES-BENFICA (4ª jornada) Rasteira de um defesa vimaranense a Carlos Martins, já bem dentro da área, com Olegário Benquerença a mandar seguir. Resultado na altura: 1-1 Resultado final: 2-1