FOTOCÓPIAS E ORIGINAIS

Desde que José Eduardo Bettencourt chegou à presidência do Sporting, que o seu clube não pára de tentar imitar o rival da Luz. Sem sucesso, diga-se.
Por um lado, é reconfortante verificar como o presidente do Sporting aprecia a gestão benfiquista. Por outro, a forma desastrada como tira as suas fotocópias deve preocupar seriamente os adeptos leoninos. A questão do director-desportivo é sintomática.
O objectivo é encontrar, à viva força, um Rui Costa verde e branco. Acontece que a única pessoa que poderia fazer esse papel em Alvalade, chama-se Luís Figo, e está-se totalmente nas tintas para o Sporting. Vai daí, experimentem-se vários a ver o que dá.
Sá Pinto acabou ao murro com Liedson, seguiu-se o interino Salema Garção, em cujo consolado de sete jogos o Sporting não conseguiu uma única vitória, e veio então um novo salvador da pátria, chamado Costinha, e sem qualquer currículo que o aconselhasse. Mais uma aposta no escuro, portanto.
A entrada não podia ser pior. O caso Izmailov revela incompetência, ligeireza, fanfarronice e irresponsabilidade. É natural em alguém que nunca tinha trabalhado no clube – e logo, não o conhecia -, e que, enquanto futebolista, nunca ficou conhecido pela sua correcção ou disciplina. Pelo contrário, teve problemas no FC Porto, na selecção, na Rússia e em Itália. Terá sido um profissional empenhado, mas sempre foi conflituoso.
Não sei quais serão as próximas consequências deste caso (a eliminação europeia está consumada, e um dos melhores jogadores do Sporting desvalorizado e às portas da saída), mas não aposto caroço de pêro podre em Costinha, como director de um Sporting alguma vez campeão.
Tal como Pongolle não passa de um Saviola de feira de Carcavelos (apesar de mais caro), também Costinha não é mais do que um Rui Costa de contrafacção. Só não sei em que momento irão as altas instâncias de Alvalade aperceber-se disso.

ULTRA-IMPUNIDADE

Conheço razoavelmente o fenómeno ultra – pelo menos no que diz respeito ao Benfica - e ninguém me vai apanhar a confundir o trigo com o joio, ou seja, a defender a extinção das claques, que considero fundamentais na ideia que tenho do espectáculo desportivo, quer pela fantástica banda sonora que conferem aos jogos, quer pelo colorido que sempre dão às bancadas.
Sou um esteta, também no futebol, e acho que sem claques o espectáculo dos estádios resultava empobrecido, sobretudo num país onde a maioria dos adeptos – ao contrário, por exemplo, do que acontece em Inglaterra – tem algum pudor em manifestar-se, em cantar, em gritar, e só apoia a equipa quando ela está em vantagem.
Não aceito que as claques possam alguma vez participar de forma privilegiada na vida institucional do meu clube (como acontece no FC Porto e no Sporting), mas não as dispenso das bancadas da Luz, nem dos estádios que o Benfica visita.
Também me parece óbvio que muitos dos incidentes ocorridos em redor do futebol são largamente empolados pela comunicação social, sempre ávida de sangue e de conflito. Fui ao futebol centenas de vezes, já vi jogos em quase todos os principais estádios portugueses, vi jogos de grandes competições internacionais em Portugal e no estrangeiro, vi muitos clássicos, derbys, jogos com equipas britânicas (e da própria selecção inglesa), gregas, turcas, italianas, alemãs, etc. E à excepção de uma ou outra ocasião pontual em que estive em camarotes resguardados à entrada e à saída, vi-os quase sempre no meio da multidão, e alguns deles (sobretudo do Benfica, fora de casa) até entre a claque. Pessoalmente nunca tive o mínimo problema, e em nome da verdade devo dizer também que foram poucas as ocasiões em que presenciei actos de violência de alguma gravidade (um Benfica-FC Porto de há uns anos atrás e pouco mais).
Também a ideia segundo a qual é a violência que retira adeptos aos estádios me parece ter pouco fundamento. O que afecta drasticamente as assistências é a televisão, e foi desde que a Sport Tv nasceu, e passamos a dispor de doze ou quinze grandes jogos durante o fim-de-semana na nossa sala de estar, que muitas pessoas abandonaram o antigo hábito dos domingos à tarde.
Dito isto, parece-me que há, ainda assim, muito a fazer no domínio da segurança, de modo a prevenir que a situação possa sair fora de controlo, e evitar que pessoas como eu (que por vezes ainda enchem estádios), possam mudar de ideias.
Não era preciso ser muito perspicaz para perceber que, num contexto de grande hostilidade entre os clubes, um Benfica-FC Porto disputado em terreno neutro, no meio de um descampado cheio de pedras, iria dar que fazer a forças de autoridade pouco habituadas a semelhantes eventos. Nos dias que antecederam a final, comentei com amigos que se estava perante a forte possibilidade de ocorrer uma sangrenta batalha entre as claques. Tinha até escrito aqui que, em vez de uma festa, com a presença do FC Porto a final seria transformada numa guerra. Levo o meu filho a muitos jogos, nunca o levaria para ali.
Esperava-se um contingente policial mais numeroso e mais capacitado. Mas a verdadeira questão prende-se com as (in)consequências que resultam dos actos violentos. As claques são constituídas por vários milhares de jovens, e estou certo que apenas algumas dezenas deles está a mais, e é efectivamente responsável pelos desacatos, arrastando porventura alguns dos restantes. Mas ninguém mexe uma palha para os retirar dali, isto é, para os deter.
Como é possível que os incidentes do Algarve fiquem por uma simbólica multa, ainda por cima direccionada para quem não tem qualquer culpa (os clubes)? Como é possível que nenhum membro das claques (designadamente dos Super Dragões) tenha sido condenado a coisa nenhuma?
Aqui, como no fenómeno da corrupção, como nas escolas, como na sociedade portuguesa em geral, o problema é só um: chama-se impunidade.
Não sei se tem a ver com a incapacidade dos polícias, se com o código penal, se com a sua aplicação, se com a incompetência dos juízes, se com o orçamento de estado. Mas em Portugal, salvo pequenos traficantes de rua, mais ninguém é preso, mais ninguém é penalizado, e os problemas mais graves ficam invariavelmente por solucionar.
Quando vemos, em directo, o líder da Juventude Leonina apelar às suas tropas para não pouparem nem mulheres nem crianças com símbolos do Atlético de Madrid, quando vemos o inqualificável Salema Garção a clamar por um ambiente extremamente difícil para com o adversário (e tudo isto no clube “inocente” e “ofendido” dos acontecimentos de Alcochete), quando vemos garrafas enviadas desde um auto-carro dos Super Dragões a atingirem a cara de agentes da GNR, quando um lider da mesma claque escreve um livro a confessar todo um conjunto de crimes de diferentes naturezas cometidos pelo seu bando, e depois ninguém é responsabilizado, ninguém é punido, ninguém é preso, resta-nos apenas a certeza de que, à próxima oportunidade, tudo se vai repetir, com estes ou outros protagonistas.

FRASES

Para aplaudir:
“Tenho a noção como foi o golo. A minha sorte vem do azar de um adversário, mas o futebol é assim” Ruben Amorim após a final da Taça da Liga
Para rir:
“A diferença entre mim e si é que eu analiso os lances com objectividade, independentemente da cor das camisolas” Guilherme Aguiar dirigindo-se a Sílvio Cervan, depois do jantar, na SIC Notícias.

LIMPAR PORTUGAL

A Selecção Nacional de Futebol é uma representação do país ao mais alto nível que, até pelo seu mediatismo, exige especial cuidado. Não pode aceitar qualquer um, e o critério não deve ser apenas desportivo, mas também humano e cívico.
O comportamento de Bruno Alves durante toda a final da Taça da Liga (não se tratou de um simples momento de desnorte, mas uma atitude reiterada de provocação e violência) não é compatível com aquilo que se pretende de uma representação nacional. Um indivíduo assim não pode representar o país, que mais não seja porque a maior parte desse país não se sente representada por ele.
A menos que seja feito um pedido de desculpas público, não creio que Bruno Alves tenha condições para voltar a ser convocado para a Selecção. É verdade que Pepe está ainda a recuperar, que as alternativas não são muitas, mas não podemos prostituir a nossa dignidade. Nem que tenha de jogar o Daniel Carriço ou o Miguel Vítor, parece-me que os valores do desportivismo, da competição leal, do respeito pelos colegas, pelos adversários e pelo público, é muito mais importante - sobretudo numa equipa que é o rosto do país perante o mundo - do que um simples defesa-central.
Se aparecer pois por aí uma petição para tirar este indivíduo da "equipa de todos nós", eu assino!

O VERDADEIRO BALANÇO

Quaisquer que sejam os critérios, o Benfica é o clube português com mais títulos conquistados, e vai continuar a sê-lo por muito tempo (para sempre?).
Mas o critério que melhor define a diferença real entre os dois clubes é o que considera as competições disputadas em mais que um simples jogo, subtraindo assim Supertaças, Taças Toyotas, Taças Eusébio e afins. O resultado é o que se segue:

SOMOS BENFICA, E VAMOS CONTINUAR A GANHAR !

Esta podia ser uma frase dita por um dos guarda-redes do clube da Luz, numa qualquer conferência de imprensa tão inflamada quanto saloia. Não o foi.
O Benfica 2009-2010 tem falado sobretudo dentro do campo, e foi aí que voltou a fazer ouvir bem alto a voz do seu espírito de conquista. Desta vez, um misto de titulares e suplentes foi suficiente para golear o FC Porto, e conquistar a segunda Taça da Liga consecutiva.
A superioridade encarnada foi absoluta, e manifestou-se em todos os capítulos do jogo. A vitória acabou por se tornar bastante fácil e tranquila, podendo até ter sido mais expressiva, o que revela bem a gritante diferença de qualidade entre os dois conjuntos – sobretudo se olharmos à globalidade dos respectivos plantéis. Airton foi dos melhores em campo, e ninguém deu pela falta de Javi Garcia; Alan Kardec fez um excelente jogo, ocupando com qualidade a posição de Óscar Cardozo; Ruben Amorim e Carlos Martins só não são titulares absolutos porque fazem parte de um plantel vasto e brilhante, onde figuras de renome mundial como Ramires ou Pablo Aimar os remetem frequentemente para o banco. Um luxo!
Mas não é só de nomes sonantes que se faz esta maravilhosa equipa do Benfica. A organização colectiva implementada por Jorge Jesus é notável, a pressão do meio-campo encarnado asfixia completamente os adversários, e a criatividade dos seus movimentos ofensivos reduz à vulgaridade qualquer defesa. Os resultados são pois o espelho fidedigno de um super-futebol, que encanta os espectadores, prestigia a modalidade e perturba os adversários.Todavia, nem tudo foi festa nesta final. Árbitro, jogadores e adeptos do FC Porto deixaram a sua marca, representando afinal de contas, cada qual à sua maneira, aquilo que o futebol português tem de pior.
A arbitragem foi altamente tendenciosa, deixando cair a máscara a um juiz medíocre e ferozmente anti-benfiquista. Jorge Sousa inclinou o campo, tudo fazendo para empurrar a bola para as imediações da baliza de Quim, com faltas mal assinaladas e outras por assinalar, cujo critério parecia ser apenas a cor das camisolas dos protagonistas. Mesmo sem penáltis ou golos anulados (não houve ocasiões para tal), mostrou porque é que com ele a apitar o Benfica encontra sempre tantas dificuldades para vencer os jogos. Desta vez não conseguiu os seus intentos, mas penso que deixou matéria suficiente para os dirigentes do Benfica ponderarem uma tomada de posição sobre o assunto.
Os adeptos do FC Porto fizeram aquilo que deles sempre se espera: ódio, provocação, violência, destruição e banditismo. A mim não me surpreenderam as ocorrências verificadas durante a tarde, e logo que a equipa azul-e-branca se apurou para esta final escrevi aqui, como se recordam, que ela ficaria, com isso, transformada numa guerra. Aquela gente não sabe viver de outra forma, e quando o futebol serve de instrumento para descarregar complexos de inferioridade regionalistas, o resultado dificilmente pode ser outro. Culpados? Sobretudo um: o homem que trouxe o ódio para o futebol português, e que se chama Jorge Nuno Pinto da Costa.
É importante, aliás, que esta temporada, e o que dela resultar, possa fazer finalmente perder o medo a uma comunicação social dócil, politicamente correcta, e que compactua, por omissão, com esta realidade. Este FC Porto, o FC Porto de Pinto da Costa, tem definitivamente de passar a ser tratado conforme merece, e como aquilo que verdadeiramente é: um cancro a banir do desporto português, na mesma medida em que, salvaguardando as óbvias distâncias, a pedofilia ou a droga o são para a sociedade em geral. Chamar-me-ão radical, mas creio que um dia mais tarde, talvez com o desaparecimento do actual presidente portista, a história conduzirá necessariamente a conclusões como esta. Pena que com trinta anos de atraso.
Alguns jogadores reflectem em campo tudo o que acabei de escrever. Depois de Hulk, Sapunaru e Fernando na Luz, o comportamento deplorável de Bruno Alves (e também, num dado momento, de Cristian Rodriguez) ao longo de todo este jogo, demonstra o nervosismo de um clube à deriva, o mau perder tradicional naquele emblema, levanta suspeitas sobre as origens biológicas (ou farmacéuticas) de tanta agressividade, e revela uma cultura que é preciso combater de forma impiedosa. Já que árbitros como Jorge Sousa não actuam, só uma atitude firme como o afastamento do defesa-central da selecção nacional poderia servir de exemplo, e fechar a porta a maneiras de estar que nada têm a ver com o desporto. Como é possível esperar que o povo português se una no próximo mês de Junho em torno de figuras como aquela? Não será melhor prescindir do valor desportivo do atleta, para com isso conquistar o valor cívico de uma representação nacional prestigiante e digna do apoio de todos os portugueses? Fica a reflexão, sabendo no entanto que com Carlos Queiroz a porcaria dificilmente será alguma vez varrida.
Mas, enfim, a hora é de festejar. O primeiro título oficial da temporada faz justiça à melhor equipa portuguesa. A saga benfiquista continua, em nome do clube, em nome do futebol, em nome do país.
Sábado há mais, e, cansaço à parte, subscrevo a opinião de Sílvio Cervan: começo também eu a ter pena é do Benfica não jogar todos os dias.

UM CLÁSSICO EUROPEU

PIOR ERA IMPOSSÍVEL

Terrível! Desde o adversário ao caminho para a final, passando pela ordenação dos jogos, tudo neste sorteio parece ter sido encomendado pelo diabo. Provavelmente trata-se do pontapé definitivo no sonho benfiquista de voltar a uma final europeia.
Mais uma vez um sorteio virou as costas aos encarnados (ainda me lembro do Barcelona em 2006...), colocando-lhe na frente o mais forte adversário em prova, e para o qual a Liga Europa constitui a hipótese de salvação da época.
Veja-se a sorte do Hamburgo (primeiro Standard de Liége, depois o vencedor do Fulham-Wolfsburgo), e percebam-se as reais possibilidades que havia de chegar à final, caso o sorteio de hoje não tivesse sido tão adverso.
Assim…salva-se a receita, e a possibilidade de assistir a um jogo digno de uma Champions League.
Hipóteses? Olhando a todas as circunstâncias da época, do calendário e das equipas, não mais de 10%.
JOGOS (1 e 8 de Abril):
Hamburgo-St.Liége
Fulham-Wolfsburgo
Valencia-At.Madrid
Benfica-Liverpool

PARA A HISTÓRIA !

O Benfica escreveu esta noite uma das mais belas páginas da sua história europeia recente. O categórico triunfo em Marselha, conseguido dramaticamente no último minuto, entra para o galarim das grandes jornadas internacionais do clube nos últimos anos, a par de Londres em 1991, Leverkusen em 1994 ou Liverpool em 2006. Como cereja em cima do bolo, foi selado com o 100º golo da temporada - marca deveras impressionante, e que revela bem o poder ofensivo desta extraordinária equipa de Jorge Jesus.
Os encarnados tiveram tudo contra si. Desde logo o resultado da primeira mão, que conferia vantagem aos franceses. Mas também tiveram bastante infelicidade em várias das oportunidades desperdiçadas, e, sobretudo, na inqualificável arbitragem de um esloveno do qual não quero nem recordar o nome.
É pouco usual, depois de uma importante vitória europeia, lembrarmo-nos, com revolta, do desempenho do árbitro. Pois este senhor tudo fez para colocar o Benfica fora da Liga Europa, com dois penáltis por assinalar, e uma série de equívocos tecnicos e disciplinares, sempre em desfavor da equipa portuguesa. Não conseguiu os seus intentos, pois os encarnados mostraram uma força mental (e já agora, também física) difícil de destronar, afirmando-se preparados para ultrapassar até o mais desaforado dos infortúnios.Jorge Jesus sabia que a sua equipa tinha de marcar golos. Quantos mais golos o jogo tivesse (2-2, 3-3...), melhor para o Benfica, pelo que valia a pena arriscar num futebol totalmente aberto. Foi isso que se viu desde o primeiro instante.
Só por infelicidade o Benfica não chegou ao intervalo a vencer. Além dos penáltis por marcar, destaque ainda para um remate ao poste de Óscar Cardozo, e para uma perdida infantil de Di Maria, só com Mandanda pela frente. Sentia-se que o golo encarnado podia surgir a qualquer momento, mas o zero a zero continuava teimosamente a figurar no placard, e com ele, o perigo de uma eliminação injusta.
Na segunda parte o Benfica intensificou a pressão...e o risco. A equipa balanceou-se por completo sobre a área adversária, criando lances de ataque sucessivos, e desperdiçando-os irritantemente um após outro. A ansiedade crescia, mas sabia-se que um golo encarnado faria toda a diferença, mesmo que o Marselha também marcasse – o que, de resto, veio a acontecer.
Quando Niang pôs a equipa gaulesa a vencer, temeu-se contudo que o Benfica pudesse sentir algum abalo anímico, embora um só golo na outra baliza continuasse a chegar para alterar o rumo da eliminatória (neste caso empatando-a). Foi aqui que se viu um grande Benfica. Um enorme Benfica, cheio de classe, raça e auto-confiança. Reagindo de forma extremamente afirmativa, o conjunto encarnado demonstrou querer mesmo seguir em frente na prova, e confirmou a ideia que tinha já deixado nos primeiros 75 minutos da partida: a de ser claramente superior ao seu adversário, quer sob o ponto de vista colectivo, quer quanto ao brilhantismo das suas individualidades.
Maxi Pereira voltou a assumir-se como protagonista, marcando um excelente golo, e empatando, enfim, a eliminatória. Depois de uma semana de sofrimento, o Benfica anulava finalmente a vantagem francesa, e tudo voltava ao início.
Era expectável que o jogo assumisse então uma feição mais pausada, com as equipas pouco dispostas a arriscar, esperando cautelosamente pelo prolongamento. Qual quê? O Benfica continuou na mesma toada, procurando sofregamente o golo que lhe garantisse a qualificação, e evitasse os inconvenientes trinta minutos de tempo-extra.
Nem sempre o futebol é justo, e muitas vezes as grandes equipas, as que mais procuram a fortuna, acabam vergadas à crueldade própria de um desporto de incertezas. Desta vez não foi isso que sucedeu, e o golo salvador de Alan Kardec deu à eliminatória a dose de justiça que ela até aí não quisera aceitar.
Foi um momento extraordinário para todos os benfiquistas. Depois de tanto penar, a equipa colocava-se enfim nos quartos-de-final, dando sequência e alimento ao sonho europeu. E logo pelos pés de um improvável herói, que certamente não vai esquecer depressa esta belíssima noite.
O calendário fica apertado? Fica, mas isso é coisa para analisar mais tarde. Agora há que dar largas à imensa alegria (e que grande alegria, caramba!) de ver o Benfica caminhar a passos largos para o reencontro com o seu passado de grande clube europeu.
Venham os quartos-de-final. Viva o Benfica !
PS: Olhando às equipas apuradas, escolheria desde já duas possiblidades preferenciais: Fulham e Standard de Liége. De evitar são claramente Valencia e Liverpool.

COM TUDO!


...e venha de lá uma jornada histórica. Que tal 2-2?

FRASES

"(...) Ou então, é como se, por hipótese absurda, alguém se lembrasse de enfiar uma gravata no gargalo de um garrafão imbecil e lhe atribuísse o cargo de Secretário de Estado, mas lhe retirasse toda a responsabilidade e deveres inerentes ao cargo. Seria apenas um inútil a ser comandado por aqueles que deveria comandar. Seria um títere sem autoridade, sem utilidade pública, mas muito útil aos interesses privados." Do meu amigo Pedro F.Ferreira na Tertúlia Benfiquista
"Ó Póncio, você não teme deixar de ser levado a sério?" Do insuspeito Eduardo Barroso para Póncio Monteiro na TVI24, quando se falava sobre o Benfica e a arbitragem

A SAGA CONTINUA...

Atente-se ao impressionante currículo de Jorge Sousa em jogos do Benfica: (clique na figura para aumentar)
E confira agora os pontos perdidos pelo Benfica neste campeonato:
Se nos lembrarmos da mão impune de um defesa do Marítimo no tempo de descontos; do golo anulado a Luisão em Braga, e da mão de Evaldo no mesmo jogo; dos dois golos irregulares do Olhanense (livre inexistente, e fora-de-jogo); dos dois penáltis por assinalar no Bonfim, chegamos à conclusão que as coincidências nem sempre existem.
Com Jorge Sousa nomeado para a final da Taça da Liga, creio que Jorge Jesus faz bem em desvalorizá-la. O Benfica entrará em campo a perder.

DUAS HISTÓRIAS DE ENCANTAR

Nos últimos vinte anos, só por duas vezes o Benfica empatou 1-1 em sua casa na primeira-mão de uma eliminatória europeia. Em ambas foi buscar a eliminatória ao terreno do adversário, realizando exibições fabulosas - seguramente ao nível das mais belas da história do clube.
Em 1991, no play-off de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, o então campeão inglês Arsenal arrancou um empate a um golo no Estádio da Luz (e eu estive lá) que parecia valer-lhe o apuramento. Porém, com uma portentosa exibição, o Benfica triunfaria por 1-3 (depois de estar a perder 1-0) no mítico Highbury Park, deixando o forte opositor fora de prova.

Creio que se tratou do primeiro jogo internacional de Rui Costa como titular da equipa encarnada. Actuavam também Neno, Veloso, Schwarz, Vítor Paneira, Isaías (o melhor em campo com dois golos apontados), Thern, e os russos Kulkov e Yuran. Era Eriksson o treinador, e o Benfica disputaria em Nou Camp (no último jogo do grupo) o acesso à final da prova, perdendo então com o Barcelona por 2-1.

Três anos depois, com Toni ao leme, nos quartos-de-final da Taça das Taças, os encarnados cederam novo empate a uma bola na recepção aos alemães de Bayer Leverkusen (onde jogava, por exemplo Bernd Schuster). Depois de estar a perder, o Benfica chegaria ao golo por Isaías, num lance confuso nos últimos instantes da partida. Eu também estive lá.

A segunda-mão foi um dos jogos de futebol mais vibrantes que alguma vez me lembro de ter visto. O Benfica chegou a estar a perder por 2-0 já em plena segunda-parte, virou para 2-3, o Bayer voltou a inverter o resultado com dois golos de rajada já nos últimos dez minutos (fazendo assim o 4-3), e seria Kulkov a marcar a quatro minutos do fim o golo que valeu a presença nas meias-finais. Inesquecível!
Dessa equipa (que semanas depois ganharia 3-6 em Alvalade) faziam parte Abel Xavier, João Pinto, Mozer, para além de Neno, Veloso, Paneira, Rui Costa, Isaías e dos russos (presentes em ambas as ocasiões). Nas meias-finais o Benfica cairia diante do Parma, depois de muita infelicidade (penálti falhado por Paneira na Luz, expulsão prematura de Mozer no Ennio Tardini). Dois empates caseiros a um golo deram assim origem a duas das mais extraordinárias exibições europeias do Benfica pós-Eusébio. Haverá duas sem três?

PROCURAR A SORTE

Marselha na quinta-feira, FC Porto no domingo, duas competições, dois momentos diferentes, e muito pouco tempo a separá-los.
Com tão curta margem de recuperação, vai ser difícil a Jorge Jesus apresentar a equipa nos limites em ambos os jogos, pelo que tenho alguma curiosidade em conhecer a estratégia do técnico encarnado para este duplo compromisso. Por mim, digo desde já que se conseguir vencer pelo menos um destes dois jogos, na próxima segunda-feira sentir-me-ei um benfiquista feliz.
A prioridade do clube é o campeonato, e será ao Sp.Braga que o conjunto de Jesus terá mesmo de ganhar para cimentar definitivamente o seu favoritismo ao título. Mas isso não impede que, sobrando uma semana para preparar a recepção aos minhotos, o Benfica não encontre algum espaço para entretanto se entregar de alma e coração a estas duas competições. Até porque era bastante engraçado fazer uma espécie de dobradinha com a Taça da Liga, e muito mais engraçado seria poder prosseguir a campanha europeia até à final de Hamburgo.

Deixando o Sp.Braga para mais tarde, devo dizer que entre Liga Europa e Taça da Liga não hesitaria muito em optar pela primeira, mesmo tratando-se, no caso da segunda, de levantar já o troféu (e logo às custas do FC Porto). Se entre estes dois jogos pudesse pois escolher uma só vitória, ela aconteceria já em França, e passo a explicar porquê.
Além do prestígio internacional, a Liga Europa confere pontos para o ranking da UEFA (muito úteis na definição dos cabeças-de-série, e dos potes, para as próximas temporadas), e dá algum dinheiro (directamente através dos bónus, e indirectamente com as receitas de bilheteira). Mas o que mais irei lamentar no caso de o Benfica vir a ser eliminado (conforme infelizmente prevejo), é o facto deste plantel encarnado me parecer particularmente talhado para chegar longe numa competição internacional a eliminar. E quando digo chegar longe, estou a referir-me, obviamente, à final.
O Benfica tem jogadores experientes e de grande classe, capazes de protagonizar grandes momentos; tem-se revelado uma equipa imparável quando lhe dão algum espaço no meio terreno contrário; é quase imbatível em casa; e em contexto europeu, com bons e amplos relvados, frente a adversários empenhados em jogar um futebol ofensivo, Di Maria, Saviola, Aimar e companhia sentem-se como peixe na água. Estou assim em crer que, com uma abordagem diferente (por exemplo, o tudo por tudo que o enquadramento competitivo do Sporting agora lhe permite), o Benfica tinha condições únicas para, já nesta época, voltar a discutir um título europeu. Mas, felizmente o Benfica não está afastado do título nacional como o Sporting (lidera, pelo contrário, o campeonato, e tem de concentrar forças na sua conquista), e infelizmente não dispõe de uma vantagem de dez ou doze pontos como teve o FC Porto de José Mourinho há uns anos atrás, pelo que - e é este o drama - as circunstâncias não lhe permitem olhar para esta oportunidade europeia como ela justificaria.
Com um dia de sorte em Marselha, e uma vitória sobre o Sp.Braga que garantisse o conforto pontual necessário, o Benfica teria, então sim, melhores condições para enfrentar os quartos-de-final europeus com outra centralidade competitiva. Por isso, talvez esta partida de Marselha valha mais do que uma só eliminatória – e recorde-se que poderão ficar ainda em prova equipas como o Standard de Liége, Wolfsburgo, Lille e o próprio Sporting, o que, com um sorteio favorável, pode significar uma certa acessibilidade. Será todavia muito complicado vencer no Vélodrome.
Tanto quanto creio ser difícil arrancar a vitória em Marselha, também estou convicto que se o Benfica pudesse ter encarado o jogo da primeira mão como encarou, por exemplo, a partida do campeonato com o FC Porto em Dezembro, esta eliminatória estaria já resolvida. Acontece que havia jogo na Choupana algumas horas depois, e isso terá obrigado a equipa encarnada a entrar em campo com uma muito maior passividade, o que se veio a revelar fatal. A sorte também não quis marcar presença, e aquele golo no último minuto pode muito bem ter sido fatal.
Agora não vale a pena olhar para trás. Há que buscar os golos, a vitória e, quem sabe, fazer reviver as epopeias de Londres (1991) e Leverkusen (1994), quando empates caseiros a uma bola proporcionaram segundas mãos inesquecíveis.
E se não for possível seguir em frente, estou mesmo a ver alguém que pode, e deve, pagar as favas.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Se a polémica em torno das arbitragens fosse proporcional ao número e à gravidade dos erros cometidos, ao longo de toda esta semana não se falaria noutra coisa. Contudo, sendo FC Porto e Sporting os mais beneficiados nesta ronda, estando afastados da discussão do título, e de algum modo resignados com a forte possibilidade de o Benfica o conquistar, tudo parece bem mais pacificado.

SP.BRAGA-RIO AVE
Só vi os últimos minutos do jogo, e quero acreditar que antes não se tenha passado nada que belisque a sofrida vitória bracarense.
Resultado Real: 1-0

ACADÉMICA-FC PORTO
Arbitragem desastrada de João Capela, cometendo erros graves em série, sobretudo em prejuízo da Académica. Vejamo-los:
- Tudo começa com um penálti por assinalar a favor da equipa de Villas-Boas, por toque de Miguel Lopes no pé de apoio de Sogou.
- O penálti favorável à Académica, as dúvidas que possam subsistir prendem-se mais com a qualidade da transmissão televisiva. É que no meu ponto de vista existe claramente um empurrão pelas costas de Bruno Alves ao avançado estudante, mas a realização televisiva fez o “favor” de omitir os melhores ângulos para se perceber a falta. Um caso que já originou protestos em vários quadrantes.
- Já o penálti assinalado a favor do FC Porto deixa muitas dúvidas. Rui Neréu parece tentar evitar o contacto, e é Falcão que força a queda. Escreveu-se direito por linhas tortas, e o colombiano falhou.
- Pelo meio, creio que o golo do empate portista é ilegal. Não por fora-de-jogo, pois a bola vem de um defesa da Académica, mas por carga de Bruno Alves quando salta com o outro defensor sobre a linha de baliza, impedindo-o com o braço de chegar à bola.
- Há ainda um lance de dúvida envolvendo Ruben Micael, mas parece-me ser o madeirense a forçar a queda.
Resultado Real: um golo ilegal para o Porto, um penálti por marcar para a Académica e temos o resultado ao contrário, 2-1.

SPORTING-V.GUIMARÃES
Em Alvalade, Bruno Paixão e os seus auxiliares não estiveram melhor.
Nunca compreendi como é que Pedro Henriques, que quase não marca faltas, assinalou aquela mão de Miguel Vítor no Benfica-Nacional do ano passado. Da mesma forma, custo a entender que Bruno Paixão, que assinala 40 faltas por jogo, deixe passar em claro duas grandes penalidades claras contra o Sporting, ambas por mão na área (a primeira de Polga, a segunda creio que de Saleiro). A menos que se tratasse de cumprir a missão patriótica de ajudar a motivar a equipa de Carvalhar para o jogo de quinta-feira.
Um dos fiscais-de-linha acompanhou o árbitro no desnorte. No primeiro golo Grimi está em fora-de-jogo, e pouco depois foi anulado um golo a Saleiro com este em posição legal. Se neste último particular as contas se equilibram, com os penáltis que ficaram por marcar o Guimarães poderia ter conquistado um ponto.
E Miguel Veloso ficou por expulsar…
Resultado Real: 3-3

NACIONAL-BENFICA
A mentira choca-me sempre. Mas quando é tão absurda, quando está à vista de todos, quando nem se preocupa em disfarçar-se de verdade, além de detestável torna-se também ridícula.
Miguel Sousa Tavares escreve hoje n’“A Bola” que o golo de Cardozo foi obtido em fora-de-jogo. Ou ele não viu bem as imagens, ou pensa que os leitores não as viram (pelo menos a parte deles que ele tenta enganar). Quando Ruben Amorim faz o passe está para lá da linha de pequena área, e Cardozo está um bom metro atrás dela, pelo que o golo é legalíssimo, e nem Manuel Machado protestou.
Já no lance do penálti parece-me que Paulo Baptista errou. Há falta, mas dá a sensação de ser cometida fora da área, embora na posição em que o árbitro se encontra se perceba o equívoco. É um lance difícil de avaliar, e mais uma vez a realização televisiva poderia ter feito muito melhor. De qualquer modo, o falhanço de Cardozo retirou protagonismo ao caso.
De resto, um livre mal assinalado por alegada mão de David Luíz, e outro por assinalar por corte com o cotovelo de Cardozo, ambos sobre a linha da área benfiquista, e ambos na ponta final do desafio, equilibram-se no deve e haver das equipas.
Resultado Real: 0-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 63
Sp.Braga 48
FC Porto 44
Sporting 39

O HOMEM DOS TÚNEIS

Cuidado com este homem!
- O caso do túnel da Luz foi nele que começou.
- Em Alvalade envolveu-se com o adjunto do Sporting.
- Em Coimbra envolveu-se com André Villas-Boas.
Depois de uma prestação medíocre enquanto preparador-físico do Benfica (lembram-se das ondas de lesões musculares?), e enquanto treinador-principal do Paços de Ferreira e do União de Leiria, José Gomes está finalmente no local certo, e a cumprir o papel para que verdadeiramente parece ter vocação.

TESOURO NA ILHA

Quando for feito o balanço final do campeonato, e se o Benfica se vier a sagrar campeão, estou certo de que a partida desta tarde na Choupana será tida como um dos momentos-chave dessa conquista.
O Nacional é sempre um adversário complicado, sobretudo quando joga em sua casa – um estádio peculiar, num local peculiar -, mas as dificuldades desta jornada não se esgotavam no terreno de jogo, nem no adversário. O Benfica lutava hoje também contra si próprio, contra as suas pernas cansadas, e contra o inevitável desgaste anímico de uma partida europeia azarada, disputada algumas horas antes.
Os noventa minutos confirmaram amplamente todas essas dificuldades. O Benfica não jogou mal (pelo contrário), mas teve de suar, e muito, para trazer os três pontos da Madeira, acabando por consegui-los com algum mérito, mas também com bastante felicidade.
Ao longo da primeira parte, embora tenha dominado territorialmente, nem sempre mostrou a clarividência necessária para transformar essa superioridade em ocasiões de golo. Mais do que isso, sentiu-se a todo o momento que o jogo poderia pender para qualquer dos lados, pois sempre que o Nacional acelerava notava-se alguma permeabilidade benfiquista, sobretudo nos corredores laterais, o que até já nem é novidade nesta temporada. O nulo registado ao intervalo adensava as suspeitas de uma noite difícil.
Na segunda parte o Benfica entrou melhor, mas os minutos iam passando e o golo salvador não aparecia. O coração dos adeptos batia cada vez mais fortemente, e quase ia explodindo com mais um penálti falhado por Cardozo, que parecia, naquele momento, deitar fora as chances de vitória, à semelhança do que acontecera na primeira jornada com o Marítimo, e há algumas semanas atrás em Setúbal.
Felizmente, o paraguaio não demorou muito a marcar, afastando fantasmas e tranquilizando os milhares de benfiquistas presentes no estádio, e os milhões que já roíam as unhas diante da televisão. Foi o golpe de sorte de que o Benfica necessitava, e é também desses momentos que, como sabemos, se fazem os campeões.
Os minutos finais foram de grande sofrimento, com o Nacional a ameaçar o empate, e com o Benfica a desperdiçar oportunidades de sentenciar o jogo em lances de contra-ataque. O apito final de Paulo Baptista soou como uma bela melodia aos ouvidos de toda a família benfiquista.
Esta foi uma vitória importantíssima para o conjunto de Jorge Jesus (a forma como o golo foi festejado é elucidativa), que poderá, na próxima jornada diante do Sp.Braga, dar uma vigorosa machadada na história deste campeonato. Creio que, vencendo os minhotos, o título já não fugirá. Mas isso fica para posterior análise.
Individualmente o destaque desta tarde vai, uma vez mais, para Di Maria, que participou na maioria dos momentos mais afirmativos do futebol benfiquista. Cardozo resolveu o jogo, é um grande avançado, é o melhor marcador do campeonato, é um dos jogadores que mais admiro (já tive até o enorme prazer de o conhecer pessoalmente), mas entendo que não deve marcar mais penáltis esta época - pelo menos quando esteja em causa a obtenção de pontos. As coisas são o que são, ele já falhou quatro (!!), e não acredito que consiga ter a tranquilidade suficiente para abordar outra situação idêntica.
Paulo Baptista teve uma prestação razoável, embora eu prefira aguardar por melhores imagens para perceber se o lance do penálti é dentro ou fora da área.

GALO

Tinha aqui pedido que a sorte acompanhasse o Benfica neste jogo. Achava-a, mais do que nunca, imprescindível, num contexto em que não era de esperar uma grande noite de gala por parte dos encarnados. Não fui ouvido.
As coisas até pareciam estar a correr bem. Uma exibição quanto baste, o pé de Maxi a fazer de mão de Vata, e uma vitória que, mesmo tangencial, escancarava as portas da qualificação. Mas, ao minuto noventa, aquele maldito golo tudo complicou, deitando para o lixo a vitória, a vantagem e uma parte significativa das esperanças de qualificação.
Se há coisa que eu custo a suportar no futebol são precisamente os golos nos últimos minutos. Representam a manifestação suprema da crueldade que o desporto-rei é capaz de nos impor. Constituem um murro no estômago, um golpe traiçoeiro, uma chaga profunda que leva o adepto a questionar-se sobre os porquês de estar ali em sofrimento, e em agonia. Confesso que não aguentei os dois minutos de compensação, e ao ver a bola entrar na baliza de Júlio César, levantei-me do meu lugar e, sem dizer palavra, saí de imediato, maldizendo a força da minha paixão.
Foi cruel, mas não se pode dizer que tenha sido injusto. O Marselha confirmou as melhores (piores) expectativas, mostrando tratar-se efectivamente de uma equipa de primeira linha do futebol europeu. Para além das individualidades que também tem, nunca perdeu a sua rigorosa organização táctica (ou não fosse Deschamps um filho do "Calcio"), e impressionou pela robustez atlética, sendo capaz de manietar o futebol encarnado durante grande parte do tempo de jogo, não dando espaços nem tempo para os artistas da Luz pensarem e executarem a preceito. Criou oportunidades claras de golo (pelo menos tantas como as do Benfica), e se saísse derrotada de Lisboa teria bastos motivos para se queixar da má fortuna.
Percebo pouco de futebol. Tão pouco como muitas das pessoas que escrevem sobre ele, mas muito menos do que qualquer treinador mediano. Não consigo por isso entender a gestão do plantel que Jorge Jesus diz fazer, lembrando ao mesmo tempo, e bem, que o Campeonato é a principal prioridade. Não sei em que condições se irá apresentar esta equipa na Madeira dentro de algumas horas, mas não posso deixar de manifestar a minha grande apreensão. Talvez a gestão do plantel passe “apenas” pela forma mais lenta e passiva com que os jogadores abordaram esta partida, pelo menos na sua fase inicial. Não sei se sim nem se não, mas no meu entendimento de leigo, preferia ter visto em campo um onze à base de segundas linhas (se é que se pode chamar tal coisa a Ruben Amorim, Carlos Martins etc), mas fortemente decidido a comer a relva até ao último apito do árbitro.
Para além dos méritos já devidamente atribuídos ao conjunto francês, só Jesus e os jogadores saberão os verdadeiros motivos de uma primeira parte tão pouco conseguida. Gestão de esforço ou não, a verdade é que o Benfica demorou a encontrar-se, e só na última meia-hora de jogo atingiu o nível habitual nesta temporada. Paradoxalmente, talvez aqueles minutos finais, com a preciosa vantagem de 1-0 no marcador, devessem ter sido conduzidos a um ritmo mais baixo. Talvez Fábio Coentrão não devesse ter entrado. Talvez Ruben Amorim ajudasse a segurar o meio-campo, e a pôr o gelo que aquele copo estava a pedir com avidez. Sabe-se todavia que não é essa a filosofia deste Benfica, cujo código genético remete para a busca constante do golo. E também é verdade que um eventual 2-0 quase fechava as contas da eliminatória. Foi na fronteira entre estes dois mundos que o Benfica sofreu o golo penalizador. No futebol, como na vida, nem sempre a sorte protege os audazes.
A eliminatória não está perdida. Mas é óbvio que, com este resultado, o favoritismo instalou-se claramente do lado de lá. Não sei também se, à luz da luta pelo título nacional, será assim tão mau para o Benfica ficar pelo caminho na competição. O sonho de uma final europeia seria o céu, mas cá na terra não ser campeão seria trágico. No futebol, como na vida, quem tudo quer, tudo perde.
Queiramos com todas as forças o título nacional. O resto se verá.

APELO À FELICIDADE

Do resultado desta noite dependem, em larga medida, as ambições europeias do Benfica para esta época.
Tratando-se de uma competição a eliminar, parece uma verdade lapalisseana. Mas é mais do que isso. Jogando diante dum candidato ao título francês três dias antes duma partida de importância, eu diria, transcendental na luta doméstica (na Choupana diante do Nacional), o Benfica não pode forçar muito o seu andamento, nem correr demasiados riscos. O jogo de hoje está claramente condicionado pelo do próximo domingo, a atitude da equipa terá de ser cautelosa, e assim sendo, as possibilidades de êxito serão inevitavelmente menores.
Imaginemos que o Benfica tem, ainda assim, a sorte de fazer hoje um bom resultado. Na segunda-mão (sem campeonato no fim-de-semana seguinte) já poderia empenhar-se mais firmemente na passagem, jogando então com todas as fichas no Vélodrome. E a eliminatória seguinte (já depois do tira-teimas com o Sp.Braga) talvez pudesse ser disputada com o conforto de uma maior vantagem pontual no campeonato - coisa que espero e desejo – permitindo um olhar privilegiado sobre a prova europeia, e (quem sabe?) uma reedição da inesquecível saga de 1983.
Ou seja, em todo o percurso internacional da temporada, o jogo em que o Benfica menos poderá apostar é porventura este. Hoje é necessário que seja a sorte a fazer o seu trabalho, e a proteger uma equipa que não pode explorar ao máximo as suas capacidades.
Qualquer vitória é boa, mas ganhar sem sofrer golos seria o ideal, e iluminaria o sonho que tenho de uma viagem até Hamburgo no próximo mês de Maio.
Onzes prováveis:
BENFICA – Júlio César, Maxi Pereira, Luisão, David Luíz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ruben Amorim, Carlos Martins, Di Maria, Saviola e Cardozo.
MARSELHA – Mandanda, Bonnard, M’Bia, Diawara, Taiwo, Cissé, Cheyrou, Lucho Gonzalez, Valbuena, Ben Arfa e Niang.

GRATAS MEMÓRIAS

Nesta quinta-feira teremos na Luz a 1ª mão dos oitavos-de-final da Liga Europa, onde o Benfica vai reencontrar o Olympique de Marselha, adversário da célebre e saudosa meia-final de 1990.
Aquele que ficou imortalizado como “o da mão de Vata”, foi um dos mais empolgantes jogos internacionais para a minha geração - a par de Roma em 1983, Steaua de Bucareste em 1988, Arsenal em 1991 e Leverkusen em 1994. Quem o presenciou jamais poderá esquecer o ambiente de autêntica loucura vivido naqueles derradeiros minutos (após o golo) pelas mais de 120 mil pessoas que enchiam o nosso antigo estádio. Devo confessar que só na manhã seguinte soube que o lance que tinha colocado o Benfica na sua 8ª final europeia havia sido irregular. Reconheço também que pouco me importei com isso.
Esperemos que o resultado da eliminatória se possa repetir, mas desta vez sem que o árbitro assuma o protagonismo. Para confusões já bastam as que nos vão arranjando por cá.”
LF em Jornal "O Benfica" 05/03/2010

DRAMA EM MADRID

Entre Real Madrid e Barcelona já tendo normalmente a preferir o primeiro. Mas na Liga dos Campeões gosto acima de todo de ver as melhores equipas e os melhores jogadores, e o Real Madrid desta época está (como quase sempre) recheado de grandes estrelas.
Por tudo isto, foi com muita pena que vi a eliminação da equipa espanhola aos pés de um esforçado, mas não tão cintilante Lyon. Eliminação essa que, diga-se, ao intervalo, parecia altamente improvável, dado o caudal de futebol ofensivo de Cristiano Ronaldo e seus pares perante um conjunto francês remetido às imediações da sua área.
Em parte o cansaço, em parte as incompreensíveis opções de Pellegrini (ai a saída de Kaká, ai a entrada de Mamadou Diarra), explicam a estranhíssima exibição madrilena após o intervalo, período em que convidou os franceses a tomar conta do meio-campo e partir em busca do golo. Ele chegou a um quarto de hora do fim dos pés de Pjanic, e a partir daí sentiu-se que só um milagre salvaria o Real. E até foram Lisandro e Delgado a desperdiçar as melhores oportunidades até ao último apito do árbitro.
Foi um grande jogo de Champions, mas ficaria muito mais satisfeito se Ronaldo, Kaká e companhia estivessem nos quartos-de-final. Os outsiders têm piada na altura, mas depois, caramba, um Manchester-Real Madrid é bem mais apetitoso que um Manchester-Lyon...
A Pellegrini nem a conquista do campeonato irá salvar. Mas para Portugal talvez seja positivo ter um Cristiano Ronaldo mais fresco no Mundial da África do Sul.

Após a vigília à porta da Liga, agora a vigília à porta do avião.
Esta gente não tem emenda...

REGRESSO AO FUTURO

Depois de alguns anos atípicos, parecem estar agora reunidas as condições para que o futebol português retome a ordem natural da sua história.

BEN...BEN...BENDTNER !

No ano passado havia sido o Sporting. Este ano cabe ao FC Porto o triste papel de "cabeçudo" da Champions League.
Esmagado em Londres, o (ainda) conjunto de Jesualdo Ferreira não mostrou estofo para as andanças do futebol europeu, confirmando todas as debilidades reveladas nos últimos tempos no contexto doméstico. Foram 5, poderiam ter sido 7, 8 ou 9, não fora a excelente exibição de Helton (de longe, o melhor portista em campo).
Arséne Wenger estará agora novamente a rir-se no balneário. A rir-se do confrangedor adversário que lhe apareceu pela frente, que permitiu um verdadeiro passeio a Arshavin, Bendtner, Nasri e companhia, e que enxovalhou uma vez mais a imagem do futebol português – agora também dentro dos relvados.
Devo confessar que tinha por provável que as pobres exibições do FC Porto no campeonato pudessem estar relacionadas com a preparação desta eliminatória. Acreditava, inocentemente, na hipótese da equipa portista aparecer em grande forma no "Emirates", e, tendo por diante um adversário inglês (equipas tradicionalmente acessíveis ao nosso futebol), marcar golos e seguir em frente. Escrevi-o aqui.
Afinal os problemas do FC Porto são bem mais profundos. Decididamente parecem significar o canto do cisne de um treinador, de uma equipa, e de um ciclo que marcou o futebol português nos últimos anos. A Liga dos Campeões acabou para o FC Porto. E, muito provavelmente, por algum tempo.
Quem terá saudades?

A VERDADE DOS NÚMEROS

O senso comum é apontado como o pior inimigo do conhecimento científico. Subverte dados, enviesa conclusões, adultera a verdade. Só a experimentação, a verificação e a análise permitem chegar aos destinos de objectividade que a ciência exige.
Um bom exemplo disso mesmo é a pontuação das equipas portuguesas para o ranking da UEFA dos últimos anos. Muita gente, que não fez as contas, diz que o FC Porto é quem mais contribuiu. Eu, que fiz as contas, afirmo a pés juntos que foi o Benfica. Quem conseguir, que me desminta.
Comecemos pelas pontuações simples (vitórias, empates e bónus) de cada clube em cada uma das últimas cinco temporadas:

Não seria preciso muito mais, mas a pontuação efectiva ponderada é calculada dividindo a pontuação simples pelo número de equipas representativas do respectivo país em cada temporada. Vejamo-la:

Chegamos assim à pontuação do país no Ranking, onde Portugal, à entrada desta temporada, ocupava o 10º lugar.

E pronto, lá temos o Benfica como o maior contribuinte para a pontuação de Portugal no Ranking da UEFA. Curiosamente o 2º lugar é do Sporting.
Não acreditam? Façam as contas!

PS: Depois da publicação deste post apareceu um artigo do "Mais Futebol" que diz ser o FC Porto o clube que mais contribui. Acontece que o "Mais Futebol" considera já os pontos desta temporada (que ainda não terminou), e retira assim os de 2004-05. Embora respeite a opção, não creio que seja a melhor forma de analisar o contributo efectivo dos clubes para aquilo que mais interessa: as qualificações de equipas. Os meus números são reais para a temporada presente. Os do "Mais Futebol" são provisórios para a temporada seguinte.

POLITICAMENTE INCORRECTO

O FC Porto joga hoje em Londres a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, e com isso, a hipótese de salvação da época - afastado que está da conquista do título, e partindo do princípio que nem Taça da Liga, nem mesmo Taça de Portugal, serão suficientes para aquecer a alma do Dragão.
Conheço muitos benfiquistas (alguns deles destacados) que irão torcer pelos azuis-e-brancos. Não são a maioria, mas estou em crer que, globalmente, constituem um número significativo. É o patriotismo a falar mais alto. É o politicamente correcto a ditar as suas leis.
Não me peçam para fazer parte desse grupo. Com toda a honestidade, desejo que o Arsenal ganhe e o FC Porto seja eliminado. Não irei sofrer com o jogo (vou vê-lo com total tranquilidade), e nenhum resultado me fará chorar, mas se pudesse escolher, o Arsenal seguiria em frente.
Nem sempre pensei assim, e recordo-me de, na inocência dos verdes anos, ter ficado feliz com o triunfo do Porto em Viena. Um ano depois assisti pela TV, chocado, aos festejos na baixa portuense após o penálti falhado por Veloso em Estugarda, e desde então a minha posição sobre o assunto alterou-se, variando de acordo com as temporadas e as ocasiões. Agora é assim.

O tema merece ser analisado. Até porque entra em linha de conta com diversos factores, quer no âmbito das emoções, quer quanto ao pragmatismo dos pontos, ou do desgaste que as provas europeias acarretam. Direi por exemplo que, caso o FC Porto estivesse na discussão do título com o Benfica talvez me agradasse a sua continuidade na Europa de modo a dispersar assim as suas atenções e esforços. Tal como tenho a certeza que, no dia em que Pinto da Costa desaparecer, irei passar olhar o FC Porto com outros olhos - certamente com muito maior respeito -, sendo então capaz de torcer pelos seus sucessos internacionais, como o faço quando jogam Braga, Guimarães, Nacional e todos os outros, entre os quais, e na maioria dos casos, também o Sporting.
Muito embora, no meu ponto de vista, a verdadeira e única representação do país seja a Selecção Nacional, e os clubes sejam hoje autênticas multinacionais desportivas, cujos laços de identidade patriótica são pouco mais que residuais, a verdade é que o sistema de pontuações da UEFA também obriga a reflexões. Uma boa temporada europeia de Benfica, FC Porto e Sporting (como esta vai sendo), pode significar benefícios para todos nos próximos anos. E isso também deve ser ponderado.
Mas, na conjuntura actual do futebol português, trocava bem uns pontinhos do FC Porto no ranking pela instabilidade estrutural e financeira que uma eliminação em Londres seguramente traria ao clube. Trava-se neste momento uma batalha doméstica pela hegemonia no futebol português dos próximos anos, e dessa luta o FC Porto ainda não está afastado. O que resta desta temporada é particularmente relevante para aquilo que pode vir a ser a próxima, e uma caminhada portista até a uma nova final europeia (coisa que, diga-se, com Bordéus, Lyon, Fiorentina e Sevilha possivelmente apurados, não é de colocar de parte) poderia alterar radicalmente o sentido da história que se vai pressentindo internamente. Uma passagem aos quartos-de-final ainda será tolerável, mas mais do que isso poderá pôr em causa os novos equilíbrios que se desenham no futebol português, e acabará por se tornar, indirectamente, prejudicial ao Benfica. Assim sendo, o mais prudente seria a coisa ficar resolvida já hoje.

PS: Ficou expresso o meu desejo. Outra coisa é a minha antevisão daquilo que pode acontecer. Essa aponta para a forte possibilidade do FC Porto, mesmo em crise, passar a eliminatória.

9-1=8

Faltam ainda oito finais. Oito semanas para que se faça justiça à verdade deste campeonato e para que o bom futebol seja premiado. Oito jornadas em que muitas coisas estarão em jogo, mas face às quais este Benfica não dá qualquer sinal de cedência, lançando no ar a questão: quem o poderá parar?
É muito cedo para entrar em euforias, mas não estaria a ser honesto se não confessasse que esta noite comecei a ver o fundo ao tacho.
A superioridade do Benfica sobre os seus adversários é esmagadora, e cada vez mais afirmativa. A diferença pontual vai aumentando, e só um tal Benfica-Sp.Braga, dentro de duas semanas, ameaça um panorama de optimismo absoluto. Se o Benfica não perder pontos na Choupana e ganhar o jogo com o adversário directo, será, com toda a certeza, campeão nacional. E poderá mesmo sê-lo antes ainda da deslocação ao Estádio do Dragão na penúltima jornada.
Diante do Paços de Ferreira os encarnados fizeram aquilo que tinham de fazer. Entraram a matar, realizando vinte minutos plenos de velocidade, intensidade, pressão e capacidade técnico-táctica, ao nível do melhor que se lhes viu esta temporada. Deixaram o adversário à beira do KO, marcando dois golos, e ficando a dever a si próprios outros tantos. Nova goleada parecia vir a caminho.
Acontece que nesta fase da temporada o realismo é uma virtude da qual ninguém pode prescindir. A partir da meia-hora o Benfica baixou o ritmo, fazendo a gestão do jogo que se impunha. Tudo corria dentro do previsto não fosse o golo de William, à beira do intervalo, que veio pôr alguma desordem num guião que desde cedo ficara escrito.
Aquele momento fortuito relançou o jogo, e fez soar campainhas de alarme na equipa encarnada. Até porque, ao contrário do que ocorrera no início da partida, no regresso do intervalo via-se um Paços muito mais seguro, ameaçando discutir o resultado até ao último minuto.
Por alguns momentos a ansiedade tomou conta das bancadas da Luz, mas com um remate feliz de Cardozo tudo voltou ao devido lugar. O Benfica, com os três pontos na mão, geriu então o jogo como quis, não deixando espaço para grandes veleidades ofensivas a um adversário que, ainda assim, nunca desistiu de tentar a sua sorte.
Os números finais acabam por ficar aquém daquilo que o Benfica merecia, mas uma maior diferença de golos seria, por outro lado, demasiado cruel para uma das melhores equipas que passou pela Luz nos últimos tempos.
Individualmente creio que Di Maria, mesmo sem marcar, voltou a ser o melhor em campo, dando sequência ao seu extraordinário momento de forma. Mas também Cardozo, Ruben Amorim e Airton (que agradável surpresa…) estiveram em bom plano.
Soares Dias teve um jogo fácil de dirigir, mas não seguiu um critério coerente na mostragem de cartões amarelos.
Seguem-se duas jornadas que, como disse, poderão definir o campeão. Duas vitórias seguidas e o Benfica poderá começar a encomendar as faixas. E tão bem que elas lhe irão ficar…
PS: Não tendo sido possível introduzir a classificação "real" em tempo útil, deixo aqui um resumo da mesma:
FC PORTO-OLHANENSE: um penálti por marcar para cada lado; 1º golo do Olhanense legal - 2-2
V.SETÚBAL-SP.BRAGA: nenhum dos penáltis reclamados o foi - 0-0
BELENENSES-SPORTING: golo mal anulado ao Sporting - 0-5
BENFICA-P.FERREIRA: nenhum dos penáltis reclamados o foi; falta de Coentrão fora da área por assinalar; amarelos exagerados a Saviola e Di Maria - 3-1
CLASSIFICAÇÃO: BENFICA 60 pts, Sp.Braga 45, FC Porto 44 e Sporting 38

O ADIANTADO MENTAL

Não me revejo nos assobios à selecção (nunca o faria), mas não deixo de os compreender e aceitar como naturais. Os caminhos que Carlos Queiroz tem trilhado no comando técnico nacional põem-no - a ele e, consequentemente, à equipa - a jeito desta triste situação.
A entrevista desta noite à RTPN confirma a ideia de um homem obcecado com a organização e o método, mas que, no meio de um discurso esdrúxulo, acaba por deixar o essencial perder-se nos labirintos do acessório, aprisionando invariavelmente o presente às amarras do futuro. Ouvimo-lo falar, e nota-se que a música (forma sofisticada do discurso) abafa a letra (conteúdo vazio e errante). Não consegue fugir à lógica do formador, que nem sempre se cruza com as exigências imediatas de uma selecção com ambições.
A maioria das questões mais pertinentes ficou sem resposta objectiva, e as contradições foram inúmeras (quer com a prática, quer no âmbito da própria entrevista). Manifesta a todo o momento ser um homem de gabinete, um eminente académico, mas nunca um grande técnico de banco. Assim o prova, aliás, o seu parco currículo, pontuado por vários despedimentos.
Muitos dos jogadores estão já saturados das suas redondas e longas palestras. Mas a eles, como a nós, não resta alternativa: temos de o suportar até ao Mundial.
Não confundo a selecção com o treinador que conjunturalmente a orienta, assim como nunca confundi o Benfica com Artur Jorge ou Jesualdo Ferreira. O meu apoio será sempre incondicional, sobretudo a partir do momento em que a competição for a doer.
Não deixo no entanto de manifestar a minha preocupação ante aquilo que vejo. E não apostaria um pau de fósforo queimado na possibilidade de, com este treinador, passarmos sequer da fase de grupos.

NOTA FINAL: A minha sorte é que Queiroz não me conhece. Caso contrário suponho que estaria sujeito a levar uns socos quando me cruzasse com ele no aeroporto.

ORDEM PARA RODAR

UM ANGEL COM O DIABO NO CORPO

Vi um resumo muito curtinho do Alemanha-Argentina (inexplicavelmente a Sport Tv preferiu passar os desinteressantes Inglaterra-Egipto e o Suíça-Uruguai). Mas o que vi chegou para perceber a extraordinária exibição de Angel Di Maria.
Dois lances definem-na: uma iniciativa individual só ao alcance dos predestinados que ele próprio concluiu com um forte remate à trave, e um esplendoroso passe de trinta metros que isolou Higuain para o golo solitário do jogo.
A estela argentina está no melhor momento da sua carreira. A evoluír desta forma, "Di" pode tornar-se um dos melhores jogadores do mundo a breve prazo. A má notícia é que os benfiquistas podem começar a despedir-se dele, a boa notícia é que, em condições normais, a tesouraria da Luz pode contar com os 40 milhões da sua cláusula de rescisão.
PS: O Andebol do Benfica sofreu a 8ª derrota da época. Depois de ver voar a Supertaça, a Taça de Portugal e a prova europeia, as contas do campeonato complicam-se a cada semana que passa. Dispondo de jogadores de grande classe, o que se vê em campo é uma manta de retalhos, em que a agressividade é nula e a organização inexistente. É algo que se vem acentuando desde o dia em que Donner foi despedido. Creio ser altura de se fazer alguma coisa.

BOA SORTE E POUCO MAIS

Será que entre Quim, Ruben Amorim, Fábio Coentrão, Carlos Martins, César Peixoto e Nuno Gomes, nenhum deles tem lugar nos dezoito convocados para a selecção?
Ou será que Queiroz, depois de ter tentado mudar o jogo com a Bósnia da Luz para o Dragão, depois de convocar Boa Morte apenas por este ter estado presente numa festa do FC Porto, depois de lançar Beto, Rolando, Duda entre outros apenas por serem (ou estarem próximos) do FC Porto, depois de pretender limitar o vermelho nos equipamentos, depois de se sentar repetidamente ao lado de Pinto da Costa, depois de participar na cerimónia litúrgica em torno de Pedroto, está mesmo empenhado em prescindir do apoio de 60 % dos portugueses?
Para mim, a selecção está ainda muito, mas mesmo muito, acima de qualquer Queiroz, e como benfiquista até agradeço que nesta altura os meus jogadores sejam poupados ao desgaste de mais um jogo. Mas confesso que a cada dia que passa, a cada convocatória que sai, se torna mais difícil para mim apoiar este projecto. Esperando estar enganado, tenho um feeling que tudo vai correr mal, e não me esqueço que só estamos no Mundial porque, felizmente, a Dinamarca marcou um golo à Suécia.
Para já, sinalizando o meu descontentamento, não vou dizer mais uma palavra sobre o jogo com a China.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Uma jornada que se previa quente acabou por não ter muito que contar em termos de arbitragens, isto se exceptuarmos um golo limpo anulado a Di Maria, ainda assim sem consequências.

SP.BRAGA-OLHANENSE
Impressionante a imensa sorte que a equipa de Domingos voltou a ter, conseguindo o empate no seu primeiro remate à baliza, já depois do Olhanense ter desperdiçado três ocasiões flagrantes para fazer o 0-2 (fazendo lembrar o jogo do Restelo em que o Braga foi massacrado, viu o adversário falhar um penálti, e pôs-se em vantagem, completamente contra a corrente do jogo, nos descontos antes do intervalo).
Mas, enfim, estas são questões que passam ao lado desta rubrica. O árbitro esteve bem, e o único lance com alguma polémica terá sido o eventual fora-de-jogo no terceiro golo minhoto. Aceita-se aí o critério do assistente, e fosse ele qual fosse, a vitória do Braga estava mais ou menos assegurada.
Resultado Real: 3-1

LEIXÕES-BENFICA
O fora-de-jogo assinalado a Di Maria no lance do primeiro golo da noite é um escândalo. Como é possível ver algo que, de todo, não existe, sobretudo quando as instruções são para deixar prosseguir os lances em caso de dúvida. O fiscal-de-linha até estava bem colocado, e com o resultado ainda a zero podia ter arranjado ali um sarilho dos grandes.
Lucílio Baptista não tem culpa, e naquilo que lhe competia fez uma boa arbitragem.
Resultado Real: 0-5

SPORTING-FC PORTO
João Ferreira não fez uma boa arbitragem. Equivocou-se muitas vezes, marcou faltas ao contrário, deixou passar outras em claro, prejudicando indiscriminadamente ambas as equipas. Deixou inexplicavelmente Bruno Alves em campo, quando o central portista tudo fez para ser expulso.
Não parece contudo que tenha tido qualquer influência no resultado. Nos únicos lances polémicos a esse nível, ajuizou bem o reclamado (mas inexistente) penálti sobre Falcão, e foi bem auxiliado no fora-de-jogo assinalado ao mesmo jogador quando este se dirigia isolado para a baliza de Rui Patrício.
Resultado Real: 3-0

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 57
Sp.Braga 44
FC Porto 43
Sporting 35 (com as suas últimas duas exibições, tenho que reconhecer que, mesmo fora das contas do título, merece voltar a este quadro)

ADEUS PORTO !

Por muito que os seus responsáveis evitem assumi-lo, o jogo de Alvalade significou o fim das aspirações do FC Porto ao título nacional. Mais do que isso, terá até significado o fim de um certo FC Porto. O fim de uma era que não deixa saudades no futebol português.
A forma desgarrada, resignada e incapaz como o FC Porto foi goleado pelo Sporting ilustra bem o fim de ciclo que até no interior da equipa se sentirá. Jesualdo Ferreira tem a porta da saída escancarada (Domingos espreita), e Pinto da Costa está já fora do prazo de validade. Mas, mais do que isso, o plantel portista não tem hoje matéria-prima capaz de corresponder às expectativas dos seus adeptos, e a força da concorrência (leia-se, Benfica) deixa pouco espaço e pouco tempo para reequilibrar as coisas.

Ruben Micael, Falcão e Varela. São estes os grandes jogadores deste FC Porto, ainda assim com rendimento intermitente. Para lá destas excepções reina a mediocridade. Ora por via da falta de qualidade de alguns elementos (Tomás Costa, Álvaro Pereira, Rolando, Guarin etc), ora por via da abrupta e continuada quebra de forma de outros (Meireles é, neste particular, o caso mais aflitivo, mas também Bruno Alves dá mostras de decadência). O que é certo é que desde as saídas de Lucho e Lisandro não mais o FC Porto conseguiu três jogos seguidos em alto rendimento. A equipa mantém a sua musculatura de laboratório, mas aparece agora inchada, sem mobilidade, nem criatividade. Está fora do título, está longe da Champions do próximo ano (e não fora um árbitro amigo estaria também eliminada na edição corrente). A sua época estará em breve limitada à possibilidade de tentar atrapalhar o Benfica na penúltima jornada.
Depois de campeonatos ganhos pela arbitragem (até 2004), e de campeonatos ganhos por via de estranhas facilidades concedidas pelos adversários, um certo FC Porto morreu em Alvalade.
O enterro está para breve. Paz à sua alma!

IR AO MAR SEM PERDER O LUGAR

Esperava-se uma partida difícil. Tão difícil como as que, em Olhão e Setúbal, tinham deixado marcas na classificação. Um campo pequeno, um adversário fechado e agressivo e, a agravar, uma intempérie como não há memória nos últimos anos. Tudo parecia compor-se para uma noite de sofrimento.
Desta vez, contudo, a forma como o Benfica abordou o jogo não deixou veleidades ao seu adversário. Não esperou pelos acasos da sorte, como em Olhão, nem tirou o pé quando se viu em vantagem, como em Setúbal. Uma e outra coisa só se poderiam evitar com frescura física, e nesse plano a equipa de Jesus, embora de vermelho vestida, assemelhou-se mesmo a uma luzidia alface.
Quando Lucílio Baptista apitou para intervalo, já o Benfica ganhava por 0-2, embora o marcador apenas assinalasse 0-1. Di Maria tinha já aberto o livro onde se lia uma das melhores exibições da sua carreira (pincelada com quatro golos, sim, quatro!), e do qual ainda nos daria a conhecer mais algumas páginas até final da partida.
Se não é Di Maria é Saviola, se não é Saviola é Aimar, se não é Aimar é Ramires, Cardozo ou outro qualquer. As soluções de classe deste Benfica são muitas e dão para todas as ocasiões. A segunda parte foi um festival ofensivo dos encarnados, perante um Leixões completamente rendido à força das circunstâncias. Em vantagem no marcador, a jogar como gosta, este Benfica é de facto imparável, e a sensação que fica nalgumas das suas goleadas (por exemplo nesta, por exemplo frente ao Hertha) é a de que, forçando um pouco mais, duplicaria os números, enxovalhando os seus adversários com resultados históricos.
Não era necessário fazê-lo. Era sim imperioso conquistar os três pontos que asseguram a liderança e que mantém a nação benfiquista em júbilo perante a esperança de grandes conquistas.
Faltam nove finais, das quais as primeiras sete são fundamentais. É imprescindível chegar ao Estádio do Dragão com, pelo menos, quatro pontos de vantagem para o segundo classificado, e ele (Sp.Braga) neste momento está apenas a um. Sete vitórias nestes sete jogos (quatro em casa, três fora), permitem assegurar essa vantagem, e são carimbo de segurança para o título.
O destaque individual vai todo, naturalmente, para Angelito, que dificilmente permanecerá no futebol português para além do próximo Verão. Mas também Airton deixou uma excelente primeira impressão, prometendo ser alternativa credível a Javi Garcia. Carlos Martins entrou muito bem no jogo, confirmando o seu bom momento. Cardozo foi infeliz, acabando por ficar em branco num jogo em que, com melhor sorte, poderia, também ele, ter feito um hat-trick.
Lucílio foi traído pelo seu auxiliar. À excepção do lance do golo mal anulado, esteve bem.