Há
pouco mais de um ano, saíamos do Estádio do Dragão vergados a uma derrota
injusta, com um golo sofrido nos últimos minutos, após uma excelente exibição -
que de algum modo anunciava o potencial que a equipa viria a demonstrar meses mais
tarde.
Ainda
no último Campeonato, mas já na segunda volta, na Luz, depois de dominarmos
completamente o FC Porto, e de criarmos cerca de uma dezena de ocasiões
flagrantes para marcar, acabámos por perder de forma inacreditável por 1-2, num
dos “Clássicos” com resultado mais desfasado da realidade a que alguma vez
assisti.
Indo
mais atrás, ainda hoje é difícil de engolir o trágico minuto 92 que, em 2013, nos
custou um Campeonato - com toda a certeza o momento mais cruel que o desporto
me proporcionou em 47 anos de vida e de benfiquismo.
Ao
contrário das situações acima invocadas, há que reconhecer que desta vez a
sorte esteve do nosso lado.
Com
um golo nos instantes finais de uma partida que, até então, não nos correra bem,
evitámos uma derrota que poderia efectivamente ter acontecido.
Sem
subtrair mérito à performance do adversário, há que salientar o facto de os
nossos jogadores nunca terem deixado de acreditar que podiam ser felizes. E sublinhar
que a forma como Rui Vitória mexeu na equipa se revelou determinante no
desfecho do jogo.
Não
festejo empates, e era o triunfo que eu queria. Mas, dadas as circunstâncias, o
ponto alcançado e os dois subtraídos ao rival acabaram por saber bem,
mantendo-nos firmes na caminhada rumo ao grande objectivo da época.
Ficou
o aviso. Nada nos será dado gratuitamente, e até Maio ainda teremos muito que
sofrer.
UNIDOS
O
elevado número de sócios que acorreu ao acto eleitoral da semana passada
demonstra que estamos firmes e unidos rumo às metas que temos por diante.
A
democracia no Benfica antecedeu, em largas décadas, a do próprio país. E essa
tradição democrática ficou uma vez mais vincada na forma organizada e livre
como decorreram as eleições. É verdade que só houve uma lista, mas o facto de a
mesma ser apoiada de modo tão veemente – inclusive por sócios que num passado
recente se apresentaram a sufrágio com outros projectos – reforça o nosso clube,
relegitima os órgãos sociais, e cria condições para que nos próximos anos
continuemos a caminhada que nos trouxe até aqui, e que nos vai certamente levar
ainda mais longe.
Vivemos
um grande momento. Temos um Benfica ao nível dos melhores de sempre. Temos um
líder inequívoco e incontestado, que já é o presidente mais realizador e
ganhador em 112 anos de história. Dispomos de um excelente treinador, de um
plantel de luxo, e seguimos destacados na frente do campeonato. Respiramos
saúde, estabilidade, competência e confiança. Somos fortíssimos em todas as
modalidades. Sabemos, porém, que não podemos parar, e que o triunfalismo é,
neste momento, um perigoso adversário.
Sabemos
igualmente o quanto tudo isto incomoda os nossos rivais, pelo que, daqui em
diante, as tentativas de desestabilização vão recrudescer. É sempre assim. Estamos
habituados. Noutras temporadas arranjaram estoris, túneis, colinhos e vouchers.
Alguma coisa inventarão desta vez para nos tentar perturbar, e desviar da rota
das vitórias. Se nos mantivermos unidos, não vão conseguir.
SALTO PARA O ESQUECIMENTO
Num
fim-de-semana de tantas vitórias, de grandes exibições, de supertaça aqui e supertaça
ali, confesso que a transferência de Nélson Évora não me abalou minimamente. Se
o objectivo era darem-nos uma alfinetada, pela minha parte não senti a mais
leve picadela.
Estamos a falar de um atleta com passado, mas sem futuro. Os seus anos de
glória foram…2007 e 2008. Desde então, esteve quase tanto tempo lesionado como
a competir, deixando repetidas evidências de que não voltará a ganhar nada de
relevo, a não ser, ao que parece, bastante dinheiro.
A crua
verdade é que não faz falta nenhuma ao Benfica. Ao invés, talvez o carinho e o afecto
que os benfiquistas lhe devotaram ao longo destes anos, e que ele acaba de deitar
para o lixo - ou vender, para ser mais exacto -, lhe pudessem um dia vir a
dar jeito. Então, será tarde. Problema dele.
O que me intriga neste tipo de transferências é justamente a falta de visão dos
protagonistas acerca da dimensão histórica e simbólica que detêm junto de
milhões de pessoas, e a facilidade com que dela prescindem a troco de mais uns
patacos. De como se auto-excluem de museus, de livros, da eternidade, mas,
sobretudo, do coração dos adeptos, por causa de desentendimentos circunstanciais.
Mas a minha incompreensão é igual à minha indiferença.
António Leitão continuará a ser um símbolo do atletismo encarnado, como Carlos
Lopes sempre será um símbolo do Sporting. Quanto a Nélson Évora, mais medalha
menos medalha, talvez fique na história também como um símbolo da miséria mercenária
em que o desporto de alta competição se transformou nas últimas décadas.
SUPERBENFICA
A pré-temporada não fora bem conseguida, com alguns resultados
negativos. A Supertaça doméstica escapou, por via de uma primeira parte
desastrada frente ao FC Porto. Mas no passado sábado, com um pavilhão bem
composto, o Hóquei em Patins benfiquista regressou às suas jornadas de glória,
goleando o Óquei de Barcelos por 9-2, e alcançando o 7º título internacional em
7 épocas (8º, se lhes acrescentarmos o sector feminino). Desta vez, a Taça
Continental, ou Supertaça Europeia, conforme lhe queiramos chamar.
As modalidades do Benfica, diga-se, estão bem e recomendam-se. É óbvio
que não se pode ganhar sempre, e além da Supertaça portuguesa de Hóquei, também
a de Basquetebol nos fugiu. Porém, conquistámos as de Futsal e de Andebol
(além, naturalmente, do Futebol), faltando ainda decidir o Voleibol. E nos
vários campeonatos nacionais levamos 12 vitórias em 13 partidas, registo ao
qual podemos, e devemos, acrescentar a passagem à segunda ronda da prova
europeia andebolista, e um triunfo histórico do Basquete em Itália.
Na ponta final da temporada passada fomos muito pouco felizes. Excepção
feita ao Hóquei (título nacional e europeu) e ao Atletismo, morremos na praia
nas restantes frentes da nossa grande força eclética. Estivemos nas finais dos
play-offs de Futsal, Basquetebol, Andebol e Voleibol. Faltou sorte, sobretudo
nestas duas últimas (nas quais, ainda assim, conquistámos as respectivas Taças
de Portugal). Mas ninguém ouse dizer que não fomos competitivos.
A nova época traz outra vez um grande Benfica, em todos os domínios.
Mais títulos vão seguramente aparecer. É o nosso destino.
O NOME É GOMES
Para quem siga com atenção o futebol jovem do Benfica, não é
certamente novidade o surgimento de José Gomes, aos 17 anos, no nosso plantel
principal, com minutos e protagonismo.
Não sendo eu um observador muito regular dos jogos da formação, nem
mesmo assim me escapou aquele miúdo, com movimentos felinos e faro pela baliza,
que terei visto pela primeira vez aos seus 14 anos. Logo me impressionou. Desde
então, a cada jogo que via das suas equipas (sub 15, sub 17 ou sub 19), rapidamente
o procurava, seguindo todos os seus pormenores, arrancadas, movimentações,
desmarcações e golos. Não era preciso ser especialista para perceber tratar-se
de um talento raro. De um possível fora-de-série.
Mais do que Renato Sanches, mais do que Bernardo Silva, foi José Gomes
o jovem da “cantera” do Seixal que mais cedo me saltou à vista. Talvez por ser
ponta-de-lança – sendo essa a minha espécie predilecta no mundo do futebol.
Beneficiando das lesões de Jonas e Jimenez, chegou agora à equipa
principal. Mas isso para ele não pode ser um ponto de chegada. É sim, o ponto
de partida.
Com a sua idade, e com todo um trabalho que ainda tem pela frente,
dentro de uma década tanto poderá estar no Real Madrid como no Real Massamá. A
diferença é muito ténue, e não faltam exemplos para o comprovar. O caminho é
estreito, e qualquer desvio será fatal.
Depende dele, do seu trabalho, da sua humildade, do seu empenho em
cada treino, dos cuidados a ter fora do campo, da sua vontade de aprender mais
e mais, de melhorar todos os detalhes. Cada dia conta. Talento não lhe falta.
Enquadramento também não.
A bola é tua, Zé.
CASA CHEIA
Os quase 60 mil que estiveram presentes no Benfica-Feirense criaram
uma atmosfera extraordinária, galvanizaram a equipa para mais uma vitória, e expressaram
duas evidências que não podem passar em claro.
A primeira é a de que o futebol disputado à luz do dia tem outro
encanto, e cativa muito mais adeptos. Quem viva na zona de Lisboa talvez não
entenda quão importantes são os horários dos jogos para benfiquistas que se
deslocam de vários pontos do país – de Trás-os-Montes ao Algarve -, e têm de
regressar a casa a tempo de poder trabalhar no dia seguinte. Uma partida realizada
numa noite de domingo deixa automaticamente de fora uns quantos milhares de pessoas
que, simplesmente, não podem ir. Diga-se, em nome da justiça, que a BTV deu um
grande impulso no regresso do futebol à sua hora tradicional. E a consequência
tem sido um assinalável acréscimo do número de espectadores no estádio.
A segunda evidência é a de que a nação benfiquista não tem quaisquer
dúvidas acerca da grande prioridade para esta temporada. Mesmo depois de uma
derrota europeia, o clima de apoio, de alegria, e de entusiasmo, foi um sinal inequívoco
do que o povo efectivamente quer. E isso escreve-se com cinco letras: Tetra!
A Champions é uma competição maravilhosa, que proporciona grandes
espectáculos, permite valorizar jogadores, e encher os cofres. Mas nenhum clube
português tem condições de a vencer. Chegar longe é fantástico… quando se é Campeão
Nacional.
A Liga Portuguesa é pois o foco onde devem estar concentradas todas as
nossas energias. É nela que se vai escrever o destino da época. Os adeptos
sabem isso.
O DIABO VERMELHO
Noutras ocasiões, já aqui falei da minha grande admiração por
pontas-de-lança. Ou seja, por quem, na verdade, me faz levantar da cadeira e
vibrar de alegria.
O futebol é um desporto colectivo, onde todos são importantes. Uma
peça a menos pode causar derrotas e comprometer títulos. Mas, enquanto adepto,
a minha grande devoção vai mesmo para quem faz os golos. Mais até do que para
os artistas do passe, da finta, ou do estilo, normalmente muito apreciados na
Luz.
Nunca entendi, por isso, os assobios a Óscar Cardozo, ou, muitos anos
antes, as críticas a Nené. Um e outro são, juntamente com Nuno Gomes (também
ele, nem sempre consensual), os que mais golos marcaram no clube desde que vejo
futebol. Cada um a seu tempo, foram ídolos que venerei, e aos quais estarei
eternamente grato pelos momentos de alegria que me proporcionaram.
Serve isto para destacar, agora, o nosso Mitroglou.
O grego, em pouco mais de uma época, já está à porta do top-dez dos
goleadores do Benfica do sec. XXI, superando avançados com o simbolismo de
Mantorras ou Miccoli. E caso tivesse convertido os penáltis que Jonas converteu
na temporada passada, teria sido ele o “Bola de Prata” – isto sem melindre para
o extraordinário avançado brasileiro, tão somente o melhor e o mais completo
jogador a actuar em Portugal.
Recordemos que o Sporting fez tudo para contratar Mitro. Veio para
nossa casa in-extremis, e foi também dele o golo que, em Alvalade, acabou por
decidir o título.
Em bom momento, o clube adquiriu o seu passe.
A barba dá-lhe um certo ar de diabo. Mas são os golos que fazem dele
um ponta-de-lança dos diabos.
O MESTRE DA BAZÓFIA
Há duas faculdades que
temos de reconhecer ao actual treinador do Sporting.
A primeira é a de, por
via de uma hábil gestão de expectativas e/ou de rumores, ano após ano, Julho
após Julho, fazer subir o seu próprio salário até níveis muito pouco
compatíveis com a realidade do futebol português, e, sobretudo, com a realidade
de um profissional que, aos 62 anos, apenas alcançou títulos significativos num
dos clubes onde trabalhou.
A segunda é a de, por
arte e engenho seus, ou por sortilégio das circunstâncias, conseguir dos
presidentes que o contratam, padrões de investimento nos plantéis igualmente
acima daquilo que é comum no nosso país, e daquilo que é, ou foi, concedido a diferentes
treinadores desses mesmos clubes em momentos anteriores e posteriores – aconteceu
entre 2009 e 2015 no Benfica, repete-se agora no Sporting.
As caríssimas equipas
de que este técnico dispôs enquanto esteve na Luz, e de que dispõe em Alvalade,
quer em termos de investimento, quer quanto a custos com a massa salarial, não
têm paralelo na história dos dois rivais lisboetas. Tivessem idênticos meios, e
muitos outros treinadores teriam podido encher o peito, e a boca, em
conferências de imprensa, como génios de uma lâmpada que, todavia, não acende para
todos com semelhante grau de luminosidade.
Quando andou por cá, uma
envolvente estrutural de topo permitiu-lhe aproveitar bem os recursos,
traduzindo-os em títulos. Veremos o que a sua suprema sapiência consegue até
final da carreira, enquanto nos vamos divertindo com declarações que outrora
nos faziam sentir desconfortáveis, ou até mesmo envergonhados.
O MUNDO AO CONTRÁRIO
Supertaças nacionais e
europeia, jornadas de Campeonato, playoffs de competições da UEFA, tudo
disputado no meio de um vai e vem de jogadores, e de consequente diarreia de informação
e contra-informação corrosiva e desestabilizadora, por via do estapafúrdio
estender do mercado de transferências para além dos timings aceitáveis.
Encerrado o mercado,
quando os adeptos puderam, enfim, entusiasmar-se com os seus jogadores, e com
as suas equipas, eis que o futebol de clubes ficou parado, dando lugar a uma
jornada dupla de selecções – que poderia ter sido disputada uma ou duas semanas
antes.
Não conheço razões que
expliquem tamanho absurdo, perturbador para a generalidade dos adeptos que,
directa ou indirectamente, paga tudo isto.
Mais do que
vídeo-árbitros, ou seja o que for que destrua aquilo que o futebol tem de
melhor face a outras modalidades – a fluidez -, importava às instâncias
federativas nacionais e internacionais rever os calendários competitivos, e
ajustá-los a um qualquer assomo de lógica minimamente entendível.
Se as sacro-santas
janelas de mercado de transferências são intocáveis, se as datas FIFA são
impostas pelos seus tão credíveis e zelosos dirigentes, então que se altere o
calendário nacional, começando o Campeonato na segunda semana de Setembro, e
deixando o mês de Agosto, por exemplo, para eliminatórias da Taça da Liga e/ou
Taça de Portugal, e para todas as insuportáveis contingências do mercado de transferências.
Hoje jogamos em
Arouca, com os nossos jogadores, com o nosso plantel. Hoje começa, finalmente,
o futebol de que todos gostamos. Já não era sem tempo.
CUIDADOS REDOBRADOS
1. Sorteios são
sorteios. Não há que lamentar, nem rejubilar. Mas o grupo da Champions que nos
calhou não é nada fácil, sobretudo tendo em conta que o Benfica saltava, com
todo o mérito, do pote 1.
Nápoles, Besiktas e
Dinamo de Kiev são adversários a quem podemos ganhar, mas com quem também
podemos perder. A afirmação parece um tanto lapalissiana, mas a verdade é que
entre estas quatro equipas qualquer classificação será, digamos, normal. É o chamado
grupo traiçoeiro, acessível na aparência, mas perigoso a cada esquina. A última
vez que algo semelhante nos tocou em sorte (há dois anos, com Zenit, Monaco e
Leverkusen), correu-nos mal. Não há “pêras doces”, como noutros grupos. Não há
tubarões que possam retirar todos os pontos a todos os adversários. Cada jogo é
decisivo, e pode não haver margem de erro. Acresce que todos os adversários
(dois campeões e um vice-campeão) estão em excelente momento da sua história
recente.
Dito isto, é óbvio que
acredito no Benfica, e em mais um apuramento para a fase seguinte.
2.A arbitragem
portuguesa parece estar a mudar…mas para pior. Podem ser apenas sinais. Pode
ser precipitado fazer já uma avaliação. Mas o que se percebe destas primeiras
três jornadas, quer em termos de nomeações, quer em termos de desempenhos, não
augura nada de bom. Estejamos atentos, e não permitamos o regresso a um passado
negro, agora com outros protagonistas.
3. A época das
modalidades começou da melhor forma, com o triunfo na Supertaça de Andebol.
Será certamente o primeiro de muitos títulos, pois a infelicidade que tivemos
nas últimas finais não durará para sempre.
ACÇÃO!
Após vários jogos de
preparação, recheados de testes e de experiências, com distintos, mas pouco
relevantes resultados, eis-nos chegados ao futebol a sério.
No domingo, em Aveiro,
o Tri-Campeão apresenta-se forte e para ganhar.
A Supertaça Cândido de
Oliveira tem sido uma competição maldita para as nossas cores, sendo a única
prova futebolística nacional em que não somos a força dominante: em 37 edições
apenas conquistámos 5 troféus, somando 18 derrotas nas 34 partidas disputadas. É
altura de atenuar estes números, e começar a inverter a situação.
Durante alguns anos,
talvez não tenhamos levado a Supertaça suficientemente a sério, enquanto outros
acumulavam triunfos. A prova entretanto credibilizou-se, e estabilizou o seu
lugar no calendário desportivo – sobretudo a partir do momento em que passou a
ser disputada a uma só mão, e na abertura das temporadas. Não sendo a nossa
maior prioridade, é o primeiro dos 5 objectivos para 2016-17.
O adversário que
teremos pela frente surge muito motivado. Nunca venceu a prova. Quererá,
igualmente, começar bem uma época para a qual parte com grandes aspirações. Numa
final, não há favoritismos. E só com muita humildade, a mesma que nos levou ao
Tri, conseguiremos erguer o troféu. O apoio dos benfiquistas é imprescindível.
Com ele, vamos certamente entrar na temporada com o pé direito, e com mais uma
taça nas mãos.
PS: Há Homens cuja
respeitabilidade e relevo transcendem, em muito, os clubes que representam. O
Professor Moniz Pereira era um deles. Fica a gratidão por tudo o que fez pelo
desporto, e pela forma elevada como nele sempre soube estar.
É SIMPLES...
VENDER: Carcela e Talisca
EMPRESTAR: Zlobin, Mandava, Kalaica, Marçal, Celis, Benitez, J.Carvalho, J.Teixeira, R.Fonte, Sponijc, D.Gonçalves e Jovic
COMPRAR: Médio-ofensivo
e...fechar plantel para o Tetra!
PLANTEL (25):
J.César, Ederson e P.Lopes;
A.Almeida, Lindelof, Jardel, Eliseu, N.Semedo, Luisão, Lisandro e Grimaldo;
Fejsa, Salvio, médio-ofensivo, Cervi, Samaris, Pizzi, Horta, Carrillo, Danilo e Zivkovic;
Jonas, Mitroglou, Jimenez e Guedes.
NOVA ORDEM
Para além do saboroso
triunfo português, o Europeu de França deixou duas evidências difíceis de
contrariar.
Em primeiro lugar a de
que o futebol tem uma larga componente de aleatoriedade, muitas vezes negada pelos
analistas (têm de ganhar a vida…), mas que define grande parte das competições
e dos seus vencedores. Há ciência na preparação dos atletas, na organização das
equipas e no estudo dos adversários, mas, entre conjuntos equilibrados, tudo o
resto é…sorte. Por muito que nos possa ser útil teorizar acerca da superior
capacidade dos nossos jogadores, a verdade é que se aquela bola de Gignac, aos
91 minutos, se tem aconchegado dois centímetros mais para dentro, estaríamos agora
a lamentar mais uma desilusão portuguesa. Isto é válido para a final, para os
penáltis contra a Polónia, mas também para o Alemanha-França, para a fase de
grupos, para …tudo.
Outra evidência é a de
que jogar bonito, jogar ao ataque, empolgar plateias, não interessa
absolutamente nada. Para os puristas do jogo belo isto é um drama. Mas de entre
as várias formas de ganhar finais, o realismo e a contenção parecem ser as
preferidas das principais equipas do futebol internacional. É uma tendência que
se nota desde 1982, mas talvez nunca como neste Europeu ela tenha estado tão
patente.
Aliás, o desporto vive
actualmente com um grave problema da falta de espectacularidade, que a médio
prazo o poderá matar. Nota-se no Tour de França, na Fórmula 1, no Ténis, e na
generalidade das modalidades, onde o dinheiro abunda na mesma proporção em que
o risco escasseia.
Seja como for, aqui fica
mais um …Viva Portugal!
PARA A ETERNIDADE!
Se, depois de uma fase
de grupos insípida, e de uma qualificação sofrida, alguém me dissesse que
Portugal ia ser Campeão da Europa, diante da anfitriã, sem Cristiano Ronaldo, e
com Eder a marcar o golo da vitória, provavelmente teria soltado uma
gargalhada.
Sim. Era um dos que
não acreditava. Era um dos que duvidava das capacidades da equipa, e das
possibilidades de êxito num Europeu onde França, Alemanha, Itália, Espanha,
Bélgica e Inglaterra se apresentavam com grandes ambições. Era um dos que
pensava que o optimismo do seleccionador era excessivo, ou até romântico.
Mas o futebol é assim
mesmo, e é por ser imprevisível, irracional e caprichoso que o seguimos com
tanta paixão.
Há que reconhecer que
a sorte bafejou Portugal. Quer na final, quer no trajecto até lá chegar. Mas tem
de se dizer também que a equipa nacional soube aproveitar essa dose de fortuna
com humildade e com competência. Soube interpretar muito bem as suas forças e
fraquezas, potenciando as primeiras, e disfarçando as segundas. Cresceu ao
longo da prova, mudando quando tinha de mudar. Demonstrou união, solidez e uma
confiança à prova de bala. Mereceu entrar para a história.
Num país pequeno e
periférico como o nosso, este triunfo é algo de extraordinário, e,
provavelmente, irrepetível. E prova que o nosso futebol – tantas vezes
vilipendiado e mal-tratado por cá – é um dos grandes agentes do orgulho
português no exterior. Que felizes devem estar os nossos emigrantes,
particularmente os que vivem em França! Eles, mais do que ninguém, mereceram este
triunfo.
Obrigado Fernando
Santos!
Obrigado Selecção
Nacional!
O TETRA COMEÇA AQUI
O Campeonato da Europa
tem dispersado as atenções, mas a nova temporada clubista está aí, e o mercado
continua a girar.
No Seixal trabalha-se
no duro, enquanto os adeptos se mantêm na esperança de que o plantel campeão não
sofra mais mexidas. No news, good news…
Para já, ficámos sem
Renato Sanches e Nico Gaitán, duas saídas inevitáveis que não serão fáceis de
suprir. De entrada estão Carrillo, Cervi, Celis, André Horta, Kalaika, Benitez
e, ao que parece, Zivkovic. Alguns deles de qualidade acima de suspeita.
Outros, apostas de futuro.
Por agora, talvez
falte apenas um substituto directo para Renato Sanches, pois tanto quanto
conheço dos reforços anunciados, nenhum preenche essas características. De
resto, mantendo-se a base titular, a equipa ficará muito forte, e tem tudo para
enfrentar a luta pelo 36º título com optimismo.
Na baliza não parece
haver alterações. Na defesa, seria importante manter o quarteto base da
temporada passada, nomeadamente a dupla de centrais rápida e forte no jogo
aéreo. No centro do terreno, haverá necessariamente mudanças, devido às saídas
acima mencionadas, mas homens como Fejsa, Pizzi, Samaris, Salvio ou Gonçalo
Guedes serão o fio condutor capaz de enquadrar os novos recrutas. No ataque, certos
que estão Mitroglou e Jimenez, seria determinante manter Jonas, pois não é
fácil encontrar no mercado alguém que marque quase 70 golos em dois anos, e que
assuma tanta preponderância na manobra ofensiva da equipa.
Além da valia técnica
dos jogadores, há que preservar o espírito que levou ao Tri. E com estes
jogadores, sabemos que contamos com entrega total.
À PORTUGUESA
À hora a que este
jornal chegar às mãos do estimado leitor, já se conhecerá o desfecho do
Portugal-Polónia. Antes dessa partida, é-me difícil fazer uma análise profunda
ao desempenho do conjunto luso no Europeu de França: chegar às meias-finais
será uma coisa, ser eliminado pelos polacos será outra bem diferente.
Além do mais, esta
selecção tem viajado da terra ao céu, e do céu à terra, a uma velocidade que
nem o proverbial oito-oitentismo português consegue acompanhar. Uma fase de grupos
muito modesta levou à depressão generalizada dos adeptos portugueses. Mas logo
uma vitória sofrida, e bastante feliz, sobre a Croácia, mergulhou o país nas
ondas da euforia. No momento em que escrevo, já vamos outra vez ser campeões.
O seleccionador Fernando
Santos é soberano nas suas escolhas. E, se chegar à final, todos os que o
criticaram nas últimas semanas terão de meter as violas no saco. Também eu - um
dos dez milhões de seleccionadores de bancada -, que não só teria feito outras
opções desde o início da prova (Renato Sanches, Quaresma…), ou até antes dela
(André Almeida, Pizzi, André Silva…), como teria adoptado um discurso bem mais
prudente face às limitações de uma equipa que depende em demasia de um só
jogador, e que tem alguns pontos fracos… bastante fracos (o jeito que faria um
ponta-de-lança a sério...).
O que me parece
inegável é que, até aqui, temos tido a sorte do nosso lado: na fase de
qualificação, no grupo que nos calhou, nos enquadramentos desta fase
eliminatória, e, pelo menos, no jogo com a Croácia.
Que os deuses nos tenham
continuado a proteger na partida de quinta-feira.
HERÓIS
Perder custa. Perder
com rivais, custa a dobrar. Sobretudo havendo troféus em disputa.
O nosso Hóquei registou
uma amarga derrota no domingo passado, em Ponte de Lima, diante do FC Porto,
não conseguindo juntar o Tri na Taça, ao Bi-Campeonato e à Liga Europeia.
Não pude assistir ao
jogo, pelo que não me seria lícito comentar a arbitragem. Seja como for, há que
lembrar a fabulosa temporada da nossa equipa, a qual terá chegado a esta final-four
em inteligível clima de descompressão, depois das glórias nacionais e
internacionais recentemente alcançadas, e das semanas que entretanto se
passaram.
Estamos a falar
daquela que é, presumivelmente, a melhor equipa de sempre do Hóquei em Patins
encarnado. E aos saudosistas de outros tempos respondo desde já com um facto
irrefutável: fomos duas vezes campeões europeus (2013 e 2016), e só desta vez
juntámos o título doméstico à conquista internacional.
Aliás, estes triunfos
vêm na senda de várias temporadas de grande fulgor. Nos últimos seis anos, somámos
três Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal, duas Supertaças, duas Ligas
Europeias, uma Taça Cers, duas Taças Continentais e uma Taça Intercontinental.
Um palmarés impressionante, ao nível do Clube que, ininterruptamente, pratica a
modalidade há mais tempo no mundo.
Houve Cruzeiro e
Perdigão, houve Ramalhete e Livramento, houve Paulo Almeida e Rui Lopes, houve
ainda Panchito. Um dia também falaremos de Trabal, Valter Neves, Diogo Rafael,
João Rodrigues, Adroher ou Nicolia, como grandes figuras de uma época dourada.
Que estamos a viver, e esperamos ver prolongada por mais uns anos.
O TETRA
O Benfica existe para
ganhar. Apenas para ganhar.
Foi a ganhar que
cresceu. Foi a ganhar que se tornou popular e gigantesco, que nos cativou e
envolveu.
Diz-se que perder e
ganhar é desporto. Mas não é de desporto (muito menos de indústria ou de
comércio) que se fala quando se fala de Benfica. É de amor. É de paixão. De uma
paixão sem limites, que não admite outra coisa que não a vitória, que somente
aceita a glória absoluta.
Somos Tri-campeões.
Mas se em Maio de 2017 não festejarmos o Tetra, ninguém se lembrará dos maios
anteriores. Todas as conquistas passadas serão meras peças de museu. Dignas de
orgulho, mas carentes de sentimento. Serão outros a festejar, ou a verde, ou a
azul. Já não estamos habituados. Custa-nos, só de imaginar o cenário.
A estes axiomas, que
nos moldam a alma, e que nos exigem superação constante, acresce um contexto
estratégico muito peculiar. Temos um dos rivais desportivamente moribundo, à
procura de uma oportunidade para se reerguer. Temos outro em bicos de pés, a
tentar afirmar-se por todos os meios – mesmo os mais estapafúrdios e indecorosos.
Depende de nós deixá-los, ou não, renascer das cinzas. Depende de nós
estabelecermos, ou não, um ciclo de manifesta hegemonia no futebol português,
que pode levar décadas a ser quebrado, mas que, no sopro de uma temporada menos
conseguida, rapidamente se esfumará, como areia que se escapa pelos dedos das
mãos.
O Benfica não irá
certamente ganhar todos os campeonatos até ao fim das nossas vidas. Mas alguns não
os poderá perder. O próximo é um deles.
MODALIDADES
A gloriosa saga do
ecletismo encarnado de 2015 era difícil de repetir. Então, só o Andebol escapara
ao pleno dos campeonatos nacionais entre as modalidades mais significativas.
Foi o melhor ano de sempre a este nível.
Em 2016, se Futebol e
Hóquei repetiram o título (no caso do Hóquei acompanhado de brilhante conquista
europeia), e se Futsal e Atletismo mantêm em aberto essa possibilidade,
Basquetebol, Andebol e Voleibol falharam o principal objectivo - pese embora a
conquista de Taças e Supertaças.
Os casos são
diferentes, bem como o contexto e as expectativas que rodeavam cada uma das
equipas. Se a de Andebol era, à partida, a menos favorita, a forma como deixou
fugir o campeonato acabou por ser, porventura, a mais dolorosa. O meu grau de benfiquismo
não me permite aceitar com naturalidade derrotas como a do último Sábado,
quando, com quatro golos de vantagem a pouco mais de três minutos do fim, o
título estava no bolso. A não repetir.
Também o Basquetebol
desiludiu. O Benfica era o grande favorito à conquista do penta. Mantinha a
estrutura e reforçara-se com nomes sonantes. Mas durante os play-offs
percebeu-se que as coisas iriam correr mal. Jogámos pouco. As sete (!) derrotas
com o FC Porto obrigam necessariamente à reflexão.
O Voleibol foi,
sobretudo, infeliz. Perdeu no último set da última partida, depois de 24
vitórias em 25 jogos até chegar à final. Creio que nesta modalidade
recuperaremos o título rapidamente.
De Futsal falarei no
fim do campeonato. E o Hóquei, pela estrondosa época que fez (ainda falta a
Taça), merece um texto inteiro, assim que a oportunidade espreitar.
A ANGÚSTIA DO ADEPTO NO MOMENTO DO MERCADO
O tema é recorrente. A
cada defeso, a angústia do adepto cresce à medida que as notícias da saída de
jogadores se avolumam nos jornais.
Quase não nos deixam
comemorar os títulos em paz. Em poucos dias, a crer na imprensa, praticamente
não temos equipa.
Para além de Renato
Sanches, pelo menos Ederson, Jardel, Lisandro, Lindelof, Fejsa, Salvio,
Talisca, Carcela, Gaitán e Jonas, foram, por estes dias, dados como negociados,
ou negociáveis, para outros destinos. Na maioria dos casos tal não passa de
especulação. O problema é que por vezes o fumo traz fogo, e alguns deles podem
mesmo ter de vir a sair.
Sabe-se como funciona
o modelo de negócio em clubes como o nosso, de países periféricos, e sem o
poder financeiro de outros mercados. Sabe-se que, para manter contas
equilibradas, e não comprometer o futuro, há que vender jogadores. Sabe-se que
os mais procurados, os mais valiosos, os mais rentáveis, são, obviamente, os
melhores. Sabe-se que os próprios, aliciados por salários principescos, são
frequentemente os primeiros a forçar a saída. Sabe-se da pressão de agentes e intermediários.
Sabe-se que, sobretudo em anos de Europeu ou Mundial, é difícil planificar o
que quer que seja nesta matéria.
Porém, existem
princípios orientadores que convém não desprezar.
Há jogadores em picos
da valorização, mas susceptíveis de ser bem substituídos. Por outro lado, há
jogadores cujo valor de mercado, por motivos etários ou outros, é manifestamente
inferior ao valor desportivo – leia-se, ao peso na equipa. Poderá ser boa
gestão vender os primeiros. Será sempre mau negócio perder os segundos.
ILUSTRAÇÃO
A conclusão do texto anterior poderá ser ilustrada pelo quadro seguinte:
Ao qual acrescentaria:
- Duas finais europeias, e recuperação no ranking da Uefa, desde o 91º lugar até ao 6º actual.
- Múltiplos títulos nas modalidades, entre os quais 2 Ligas Europeias, 1 Taça Cers, 2 Taças Continentais e 1 Taça Intercontinental no Hóquei; 1 Uefa Cup no Futsal; finais europeias inéditas no Andebol e no Voleibol.
- Construção do Estádio, do Centro de Estágio, de dois pavilhões, de piscinas, do Museu Cosme Damião.
- Criação de BTV, da revista Mística, rejuvenescimento do Jornal.
- Aumento recorde do número de sócios.
- Expansão das Casas do Benfica.
- Captação recorde de receitas com patrocínios.
- Profissionalização da gestão, e total reestruturação do clube, que, em 2001, estava falido, desorganizado e desacreditado.
UM POR TODOS
Seria fácil dizer
agora que sempre acreditei. Que, também eu, era um entusiasta da aposta na
formação. Que vira com bons olhos a substituição de um treinador campeão. Que
olhara sem desconfianças para uma alteração de paradigma, justamente quando começávamos
a vencer com regularidade.
Estaria a mentir.
Na verdade, foi com bastante
cepticismo que encarei as mudanças do Verão passado. E quando, a poucos dias do
Natal, estávamos a 7 pontos do Sporting, e a 5 do FC Porto, não apostaria um
fósforo na possibilidade do Tri. Não fosse uma carreira europeia prometedora, e
dava, nessa altura, a época como morta.
Nada melhor do que ser
desmentido pelos factos quando estes superam as nossas melhores expectativas. E
este Benfica superou tudo aquilo que eu perspectivara.
Na altura, muitos
pensavam como eu. Mas houve um (aquele que interessava, aquele que decidia) que
se manteve absolutamente fiel às suas convicções. Que, com grande coragem,
insistiu no caminho que sabia ser o melhor para o Clube.
Este título é de muita
gente. É de um técnico que, para além de enorme competência, soube manter uma
atitude que nos orgulha. É de todos os benfiquistas, mesmo daqueles que, como
eu, tinham poucas certezas quanto à forma de lá chegar. Mas este título é,
sobretudo, de Luís Filipe Vieira.
O nosso presidente
apostou forte. Arriscou muito. E, seguindo a sua convicção, venceu em toda a
linha.
A obra feita no
Benfica já falava por si. Este campeonato, a forma como foi ganho, e tudo
aquilo que nos mostrou, tornou óbvia uma certeza: Vieira é o presidente mais
marcante dos 112 anos de história do nosso Clube.
ARBITRAGENS 2015-16
ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS
Grandes Penalidades a favor:
SPORTING-11
Benfica - 7
FC Porto - 5
Grandes Penalidades contra:
SPORTING - 5
Benfica - 1
FC Porto - 1
Grandes Penalidades decisivas a favor:
SPORTING - 5
FC Porto - 3
Benfica - 2
Grandes Penalidades decisivas contra:
SPORTING - 2
FC Porto - 1
Benfica - 0
Cartões Vermelhos:
SPORTING - 4
FC Porto - 3
Benfica - 2
Cartões Vermelhos a adversários:
SPORTING - 7
Benfica - 4
FC Porto - 0
Minutos em superioridade numérica:
SPORTING - 212
Benfica - 4
FC Porto - 0
Minutos em inferioridade numérica:
BENFICA - 53
Sporting - 48
FC Porto - 17
Benefício em pontos por erros grosseiros de arbitragem:
SPORTING - 6
Benfica - 4
FC Porto - 3
Prejuízo de pontos por erros grosseiros de arbitragem:
BENFICA - 3
Sporting - 2
FC Porto - 2
CLASSIFICAÇÃO REAL:
BENFICA (88-4+3) = 87
Sporting (86-6+2) = 82
FC Porto (73-3+2) = 72
JOGO A JOGO
AGRADECIMENTOS
Ao presidente do
Sporting, e a toda a comunicação social que o tolerou, promoveu, e cuja
estratégia de ódio, guerrilha e conflito permanente branqueou – como, de resto,
no passado, havia feito com outro protagonista.
Aos seus mais fiéis acólitos
que, na cegueira anti-benfiquista, apoiaram e interpretaram essa estratégia.
Ao milionário treinador
do Sporting, e a toda a sua pesporrência, ingratidão, e mau perder, que ora nos
dá pena, ora nos faz rir.
Aos inácios
televisivos, e às repetidas mentiras, insinuações e provocações - desde uma campanha
sórdida e racista visando Renato Sanches, a aspectos risíveis como a
calendarização dos jogos - com que tentaram sistematicamente desestabilizar e
descredibilizar o Benfica.
A Norton de Matos,
Nelo Vingada e Sérgio Conceição, pelo modo singular como abordaram algumas
partidas do campeonato, abrindo uma perturbadora caixa de pandora, de efeitos
imprevisíveis para a verdade do futebol português.
Aos conselhos de
justiça e de disciplina da FPF, pela impunidade, patetice e esperteza saloia
com que lidaram com as agressões de Slimani.
A todos eles os meus
agradecimentos.
Aos jogadores,
técnicos, dirigentes e restante estrutura profissional do SL Benfica, agradeço
vivamente a conquista de mais um campeonato, o 35º da nossa história. Mas aos
anteriormente mencionados tenho de agradecer por terem transformado essa
conquista na maior alegria desportiva da minha vida.
SÓ MAIS UMA !
Estamos a um jogo, a uma vitória, a uma final, de
poder soltar o grito que há meses nos atravessa a garganta, e nos entope a
alma.
Falta pouco. Muito pouco. Mas esse pouco parece
tudo, olhando àquilo que se tem passado nestas últimas semanas.
Como se não bastassem malas e maletas, no Funchal
apareceram também apitos e cartões. Tiraram-nos um penálti. Tiraram-nos um
jogador. Tudo tem servido para nos condicionar, tudo tem servido para nos
perturbar, e tentar desviar da rota do ”Tri-Campeonato”. Fomos fortes. Muito
fortes. Ultrapassámos todos os obstáculos. Os naturais e os outros. Ficámos
mais perto da glória.
Agora faltam noventa minutos. Noventa longos e
sofridos minutos, durante os quais teremos de estar preparados para as mais
diversas condicionantes – à semelhança do que tem vindo a ser regra,
designadamente desde que, ganhando em Alvalade, metemos um pauzinho numa
engrenagem que alguns achavam já montada.
Resistiremos a tudo. Resistiremos a todos. Quem
chegou aqui, não vai parar às portas do sonho. Seremos onze irmãos em campo, 65
mil nas bancadas, e milhões a torcer por fora. Mais do que um país, seremos um
mundo. Um mundo a gritar 35!
Acredito num domingo lindo, que nos conduza aos céus.
Acredito no trabalho sério, na humildade, na honestidade, na união, no
fair-play, no civismo. Acredito que as metodologias do passado serão vigorosamente
derrotadas em campo, pois é também contra elas, e em nome do desporto e da
paixão que o alimenta, que este Benfica terá de jogar.
Também por isso, a justiça vai premiar-nos. Também
por isso, vamos vencer!
Força Benfica! É só mais uma!
JOGO SUJO
Houve o corte de electricidade no Restelo, a zaragata entre jogadores
do Marítimo, e os vários indisponíveis do Moreirense, antes das partidas com o
Sporting. A poupança de titulares do União em Alvalade, mesmo precisando de
pontos. A exibição simpática do Arouca. As lágrimas do Setúbal. O penálti de Tonel. Mas se eram
necessárias mais evidências de que algo de estranho se passa no nosso campeonato,
esta jornada trouxe-as. E nem falo de penáltis por assinalar - que também houve.
Vejo futebol há mais de 40 anos, e não me recordo de uma equipa sem
aspirações fazer o anti-jogo que o Guimarães fez na Luz ao longo da primeira
parte. Não esperava, nem queria, facilidades. Mas esperava um adversário a
jogar futebol. O que se viu foi a triste cena de onze almas (mais umas quantas
no banco) desesperadas para retirar pontos ao Benfica, não hesitando em
recorrer a simulações, provocações, quebras de ritmo, e a uma agressividade
muito acima do normal. Até mudaram de táctica, testando-a propositadamente na
jornada anterior, à custa de um empate em casa.
Na Amoreira, um Marítimo também com classificação definida, entrou em
campo sem cinco jogadores que tinha em risco de suspensão, poupando-os para a próxima
jornada, cedendo pontos que, teoricamente, até lhe seriam mais acessíveis.
Porquê? Segundo o treinador, para preparar a próxima época.
Podemos juntar as declarações do presidente do FC Porto, que deixaram claro
porque motivo não seria de esperar um desfecho diferente no Clássico.
Os factos falam por si. Não podemos fingir que não vemos. A porcaria
está a regressar em força ao futebol português. E, se nada fizermos, vem para
ficar.
AI QUE SORTE!
É uma sorte.
É uma sorte ter avançados com a categoria de Raul Jimenez, Jonas ou
Mitroglou, que resolvem jogos com precisão de matador, nos momentos mais
delicados. É uma sorte ter jovens como Ederson, Nelson Semedo, Lindelof, Renato
Sanches ou Gonçalo Guedes, os quais há um ano atrás ninguém imaginava como
presumíveis titulares do Benfica e jogadores de selecção. É uma sorte ter
figuras do nível de Luisão ou Salvio, que se sentam no banco com o mesmo
profissionalismo que sempre revelaram em campo. É uma sorte ter um plantel em
que as ausências são colmatadas por jogadores de igual valia, com os quais o
colectivo em nada se ressente. É uma sorte ter uma equipa unida e solidária,
que entra em campo com humildade e sem qualquer laivo de sobranceria,
disputando cada lance como se fosse o último. É uma sorte ter a melhor média de
golos por jogo dos últimos 32 anos. É uma sorte ter o melhor ataque e o melhor
marcador do campeonato. É uma sorte ter como treinador um homem competente e
civilizado, que responde com vitórias às reiteradas provocações que lhe chegam
do exterior. É uma sorte ter uma estrutura administrativa e logística na qual
nada falta, e a qual representa uma importante mola no rendimento dos atletas.
É uma sorte ter um presidente que está sempre ao lado da equipa, nos bons e nos
maus momentos, e que não usa facebooks para insultar, pressionar ou coagir
ninguém. É uma sorte ter uma massa adepta que enche estádios de norte a sul do
país, com uma paixão inigualável, e um apoio frenético que empurra a equipa
para a frente.
É mesmo uma sorte. É uma sorte ser do Benfica!
ARBITRAGEM 2015-16
(clique nos quadros para aumentar)
BALANÇO (classificação real à 30ª j):
1º BENFICA 73 pts (beneficiado em 3 pts)
2ª Sporting 70 pts (beneficiado em 4 pts)
3º Porto 63 pts (prejudicado em 1 pt)
MAIS DO QUE UM JOGO
Faltam quatro.
Apenas quatro jornadas para o fim de um dos campeonatos mais
empolgantes dos últimos anos, e, provavelmente, o mais importante da última
década.
Cada jogo é uma “final”, como há muito afirma Rui Vitória. Mas a “final”
deste domingo é especial, e pode definir muito mais do que os três pontos em
disputa. Pode muito bem ser a
verdadeira “final”. O momento chave na decisão do título. O Cabo da Boa Esperança
na rota para o Marquês.
O Rio Ave está em 5º lugar, a lutar arduamente por uma vaga na Liga
Europa (os adversários seguintes estão do 10º lugar para baixo, e já sem
objectivos). O estádio do Rio Ave é difícil, e tradicionalmente problemático
para o Benfica (ainda na época passada lá perdemos). O Rio Ave tem uma equipa muito
coesa, onde pontuam jogadores emprestados pelos nossos rivais. O treinador,
excelente diga-se, é também ele um antigo jogador do Sporting, valha isso o que
valer. A equipa vila-condense apresenta-se praticamente na máxima força (apenas
Roderick não jogará). Esta jornada antecede um FC Porto-Sporting, cuja
abordagem em muito depende do que se vier a passar em Vila do Conde.
Não são precisos mais condimentos para olharmos para a partida de
domingo como uma das mais importantes da temporada.
O jogo com o V.Setúbal evidenciou algum desgaste da nossa equipa. Após
tão exigente compromisso europeu, não seria de esperar outra coisa. Felizmente,
chegou para vencer.
Agora, com uma semana de repouso, teremos de entrar “a matar” no
Estádio dos Arcos, como se de cada lance dependesse toda uma vida. Só assim
podemos trazer a vitória. Só assim chegaremos ao 35º.
DE OLHOS BEM ABERTOS
Na jornada
anterior, o Sporting jogava no Restelo. Nas vésperas da partida, o conflito
entre o clube e a SAD do Belenenses agudizou-se. Foi cortada a luz e a água no
estádio. Houve jogadores impossibilitados de prosseguir planos de recuperação. O
treinador foi impedido de preparar o jogo. A equipa de Belém, mesmo sem Tonel,
apresentou-se bastante abaixo das suas potencialidades. O Sporting venceu
facilmente.
No último
fim-de-semana o Sporting jogava com o Marítimo. Nas vésperas da partida verificaram-se
agressões entre jogadores num treino dos insulares. Alguns foram suspensos e
não estiveram em Alvalade. A equipa madeirense apresentou-se desfalcada. O
Sporting venceu facilmente.
O próximo
adversário dos leões é o Moreirense. Nesta última jornada, um conjunto de
cartões amarelos cirúrgicos afastou vários titulares da equipa minhota. Também
não jogarão os emprestados e os lesionados. Teremos um Sub-Moreirense neste
sábado. O Sporting vai certamente vencer sem dificuldades.
Entretanto
Slimani foi ilibado de uma agressão que todo o país viu.
É necessário que
tomemos atenção a todas estas coincidências. A estrutura sportinguista tenta
passar a mensagem de que o clube só não ganhou títulos nas últimas décadas devido
a práticas subterrâneas dos seus rivais. E o corolário dessa teoria é achar-se
legitimado a usar todos os meios, lícitos e ilícitos, éticos e não éticos, por
cima e por baixo das mesas, para ganhar este campeonato – do qual depende muito
do seu futuro próximo.
Já vimos isto no
passado, com outros protagonistas. Não podemos voltar a cometer o erro de achar
que não é connosco.
TANTO PARA VENCER
1) Escrevo
estas linhas antes de conhecer o resultado do jogo de Munique. Porém, o que
quer que tenha acontecido na Baviera, não desviará o Benfica, os seus
profissionais, os seus dirigentes, e os seus adeptos, do grande desígnio da temporada:
a conquista do 35º campeonato. Nesse sentido, o jogo grande da semana é em
Coimbra, e é esse que estamos obrigados a vencer. Aliás, tenho a convicção de
que, ganhando as próximas três partidas (Académica, V.Setúbal e Rio Ave), o
título dificilmente nos fugirá.
2) O
Andebol encarnado está a superar todas as expectativas. Quem diria, há um mês
atrás, que teríamos a Taça de Portugal nas mãos, que estaríamos nas
meias-finais da prova europeia, e que levaríamos uma vantagem de 2-0 diante do hepta-campeão
FC Porto na meia-final do playoff? É verdade que as últimas vitórias foram
obtidas nos prolongamentos, e arrancadas dramaticamente nos últimos segundos
dos jogos. Mas a força competitiva destes jogadores ficou já amplamente
demonstrada. Vamos acreditar que a saga não fica por aqui.
3) Com
a passagem do Hóquei à final-four da Liga Europeia (que bom seria poder ser na
Luz…), garantimos desde já, pelo menos, quatro meias-finais de provas
internacionais nas nossas modalidades nesta época. Para além do Hóquei, o Voleibol
chegou às meias-finais da Challenge Cup, o Futsal está nas meias-finais da Uefa
Cup, e o Andebol nas meias-finais da sua Challenge Cup. Teremos ainda o
Atletismo a disputar a Taça dos Campeões da Pista. Entre tantas frentes, é
lícito esperar que pingue um título. Isto sim, é uma verdadeira potência
desportiva. A única em Portugal.
UMA FINAL
Depois de uma incompreensível pausa para jogos amigáveis das selecções
– porque não antecipar o fim de época numa semana, ao invés de a interromper na
sua fase mais quente, numa espécie de anti-climax que não agrada a um único
adepto de futebol? -, regressa o campeonato. E regressa com mais uma final,
esta diante de um adversário que está a realizar uma temporada fantástica, com
aspirações em quatro frentes distintas. Há mesmo quem diga que este será o jogo
mais difícil que o Benfica tem pela frente na sua caminhada rumo ao 35º.
Além da qualidade do adversário – equipa com experiência de grandes
momentos, que dificilmente se impressionará perante as 65 mil pessoas que se
esperam na Luz -, e além de esta partida chegar na sequência da referida pausa,
com desgaste de viagens, com diferentes metodologias de treino, com dispersão
mental face aos objectivos, haverá também que combater todos os pensamentos,
palavras, actos e omissões que remetam para compromisso seguinte, o de Munique.
Não podem jogar-se dois jogos ao mesmo tempo, e independentemente do prestígio
internacional que uns quartos-de-final da Liga dos Campeões conferem, ninguém
(jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos) pode esquecer, por um momento que
seja, que o grande desígnio da época é o Tri-Campeonato, e que a caminhada para
o atingir não permite o mais ínfimo percalço.
Nestas circunstâncias, dizer que o Benfica-Braga se trata de uma
final, não é conversa fiada. Tendo em conta que um empate pode significar a
perda da liderança, e a dependência de terceiros, o que hoje teremos na Luz é
mesmo uma verdadeira Final.
OS INÁCIOS
Há quem seja Inácio de nome. Mas há também quem não consiga ser outra
coisa. São os que não passam de…inácios.
Mas o que é ser inácio?
Ser inácio é acusar mais de uma dezena de pessoas de conspirar contra
o Sporting, metendo no pacote dirigentes, comentadores, empresários, adeptos e
jornalistas, como se todos pudessem ser tomados pelo mesmo critério de
clubismo, e como se não fosse o acusador o primeiro a conspirar semanalmente
contra o Benfica, inventando e mentindo sem limites nem pudor.
Ser inácio é insistir na ausência de penáltis contra o Benfica,
omitindo que o Sporting tem a seu favor, neste campeonato, mais penáltis do que
Benfica e FC Porto juntos.
Ser inácio é teimar na inexistência de expulsões de jogadores encarnados,
esquecendo que o Sporting já leva 126 minutos de superioridade numérica, ao
passo que nem Benfica, nem FC Porto, tiveram ainda o privilégio de jogar contra
dez. As estatísticas são como a água benta: cada um toma a que quer.
Ser inácio é falar de guerra de palavras, quando de um lado se ouvem,
e lêem, berros de rancor, azia e ódio, e do outro se mantém o silêncio.
Ser inácio é confundir declarações de comentadores, ou funcionários de
um clube, com as de um presidente - que implicam responsabilização institucional
distinta.
Ser inácio é fazer reparos à folha salarial do Benfica, quando a do
Sporting (seguindo a linha remuneratória do próprio presidente) quase duplicou
em menos de um ano.
Ser inácio é achar que vale tudo, é incendiar o país desportivo, é caluniar,
é vender a dignidade.
Mas, enfim, há que dar desconto. Afinal, os inácios não passam de…
inácios.
PRIORIDADES
No momento em que o estimado leitor puder ler estas páginas, provavelmente
já conhecerá o adversário do Benfica nos quartos-de-final da Champions League.
Já saberá, pois, se o “Glorioso” tem poucas, muito poucas, ou quase nenhumas
hipóteses de seguir em frente. Numa perspectiva pragmática, é esse o naipe de
possibilidades que esta fase da competição nos coloca, dada a colossal
capacidade financeira e desportiva das forças em presença.
O sonho é legítimo, mas a realidade diz-nos que as obrigações externas
do nosso Clube já estão, nesta temporada, amplamente cumpridas. Daqui em
diante, há que desfrutar, sem dramas, e sem pressões que não sejam as de
dignificar a camisola e preservar o prestígio internacional que Eusébio e seus
pares nos legaram.
Paralelamente, temos um Campeonato ao rubro e uma liderança presa por
um cabelo – a qual, precisamos de manter até ao fim, custe o que custar. Bela
Guttmann dizia que o futebol português não tinha rabo para duas cadeiras. E por
essa Europa fora é já bem conhecido o chamado “Vírus Champions”, que subtrai
pontos nas ligas nacionais, quer nas vésperas, quer no rescaldo dos grandes
jogos europeus. As explicações não vêm ao caso, mas não são do domínio da
coincidência.
Temos pois que analisar friamente o que queremos, o que podemos
alcançar, e qual a melhor forma de o conseguir. Este Campeonato é, por múltiplos
motivos, tremendamente importante para o Benfica. Porventura o mais importante
da última década. É na sua conquista que tem de estar o foco de todos os
profissionais da casa. Terá de ser essa a nossa prioridade absoluta. O resto se
verá.
REGRESSO À NORMALIDADE
Com o triunfo de Alvalade o Benfica voltou ao seu lugar: o primeiro.
Nada está ganho. Nada está garantido. Mas olhando de cima para baixo,
vê-se tudo mais nítido, e respira-se um ar diferente. Um ar que nos é familiar.
Conforme se esperava, os comentários do pós-jogo foram deliciosos. Que
jogámos como equipa pequena, que só defendemos, que não merecíamos vencer.
Enfim… litros de azia e mau perder, que só nos fazem rir.
A verdade é que o Benfica entrou no dérbi autoritário, e dominou os
primeiros minutos, até marcar. Uma vez em vantagem, adoptou uma estratégia de
contenção, cedendo a iniciativa e a posse de bola. Controlou alguns dos pontos
fortes do adversário (Slimani pouco se viu), e foi levando a água ao moinho.
Ganhou com justiça, e também com a dose de sorte que alimenta os campeões. Com
a sorte que havia faltado, por exemplo, no jogo com o FC Porto. Houve eficácia,
houve maturidade, houve solidariedade, e houve, sobretudo, humildade. Quatro
predicados de campeão. Do outro lado notou-se ansiedade a mais para tanta
presunção.
Agora, começa um novo campeonato. Um campeonato de 9 jornadas, no qual
não há margem de erro, mas para o qual partimos com a moral em alta.
A euforia entre os adeptos é saudável. Afinal, o futebol serve para
nos proporcionar momentos como estes, e temos o direito de os viver sem
espartilhos. Esse clima não pode é entrar pela porta do balneário, onde os
profissionais terão de estar cientes do longo itinerário que ainda falta
percorrer. Estou seguro de que saberão interpretar devidamente esta vitória. O
caminho para o 35º não terminou aqui. Começou aqui.
ELES TÊM MEDO
Eles queimaram milhões com um treinador, correm o risco de não ganhar
nada.
Eles precisavam de ir à Champions, não passaram das qualificações.
Eles sonhavam chegar à final da Liga Europa, foram sumariamente
eliminados.
Eles estão em 37º lugar do ranking da UEFA, nós seguimos em 6º, e
continuamos a escrever história.
Eles ambicionavam voltar a triunfar no Jamor, caíram em Braga.
Eles queriam finalmente conquistar a Taça da Liga, foram humilhados
por uma equipa da 2ª divisão.
Eles tiveram oito pontos de avanço no campeonato, já só têm um.
Eles apenas nos ganharam dois jogos em Alvalade, na última década,
para o campeonato. Nós vencemos lá três.
Eles não festejam o título há 14 anos. Nós somos Bi-Campeões, e
lutamos pelo Tri.
Eles derrotaram-nos três vezes na fase inicial da temporada, mas em
cada uma delas ficou um penálti por marcar a nosso favor. Nós não o esquecemos.
Eles sabem que estamos melhor, que somos melhores, que somos mais
fortes. Eles sabem que somos Benfica.
Eles estão aterrorizados. Estão cheios de medo de nós.
Estão cheios de medo que lhes tiremos da mão o único pássaro que ainda
lhes resta. Jogam aqui a vida. Jogam o futuro. Jogam tudo.
Estão cheios de medo de que sejamos nós a rir por último, depois de
tanta gritaria e fanfarronice.
Estão cheios de medo de que sejamos nós a vencer uma vez mais o
campeonato.
Tremem só de nos imaginar Tri-Campeões. E sabem que, ganhando este
dérbi, ninguém mais nos irá parar rumo ao 35º. Tremendo, vão cometer erros.
Resta-nos aproveitar.
Vamos mostrar-lhes quem manda. Vamos calá-los. Vamos ajoelhá-los aos
pés do Campeão.
Benfica, dá-me o 35!
CIRCO DE FERAS
As pressões sobre a arbitragem não são, infelizmente, novidade.
Desde os tempos de Pedroto, recordo inúmeras situações em que os
agentes desportivos tentaram, usando e abusando da comunicação social,
condicionar o consciente e o subconsciente dos árbitros para os jogos
seguintes. Outrora ou hoje, a receita é sempre a mesma, e bastante simples. Acusação,
vitimização e queixume, tudo devidamente emoldurado numa sonora e persistente gritaria,
capaz de transformar verdades em mentiras, e mentiras em verdades.
Naqueles tempos, a coisa até tinha piada. Em 2016, confesso que já não
lhe acho graça nenhuma. Com o avançar da idade, parece-me tudo demasiado óbvio,
demasiado básico. E aquilo que os responsáveis do Sporting têm feito ao longo
deste campeonato, de tão ridículo, chega a ser penoso.
O ponto mais absurdo desta estratégia – e por si só capaz de
descredibilizar todos os outros – terá sido a algazarra em torno da partida com
o Tondela, onde uma boa arbitragem foi devastada pelos muitos apaniguados que o
Sporting tem na comunicação social.
Esta semana, mais do mesmo: um penálti assinalado a favor do Benfica,
num lance difícil de analisar, e eis que se reabriu a torneira da desfaçatez, com
o objectivo único de condicionar as arbitragens seguintes, nomeadamente a do
próximo dérbi.
Quero acreditar que, em 2016, os árbitros não sejam tão maleáveis como
há vinte anos atrás. Isso deixa-me esperança de que todo este ruído não passe
de folclore. Mas também é verdade que água mole em pedra dura tanto bate até
que fura, sendo que neste caso, nem a pedra é muito dura, nem a água é muito
mole.SEM EXPLICAÇÃO
Quando uma determinada equipa ganha um jogo de futebol, comentadores e
analistas de pronto vêem o copo meio cheio, evidenciando virtudes, e procurando
encontrar nelas a razão da vitória. Quando essa mesma equipa perde, lá têm de olhar
para o copo meio vazio, e procurar defeitos a partir dos quais explicar a
derrota. É essa a forma de fazer corresponder – muitas vezes com artifício - cada
resultado, às vicissitudes técnicas, tácticas e físicas que envolvem as
partidas. De colorir uma retórica que vai muito para além da única evidência
que o futebol regista: o número de bolas que entra nas balizas.
Toda essa verborreia omite, porém, um dado essencial: estamos, antes
de mais, perante um jogo, cujos resultados incorporam uma larga componente aleatória.
É verdade que as equipas jogam bem ou mal, que passam por momentos de
forma melhores ou piores, que têm pontos fortes e pontos fracos. As que jogam
melhor e são mais fortes, ganham mais vezes.
O que não é justo é cantar loas a quem alcança uma dúzia de vitórias
consecutivas, e depois, ao primeiro revés, colocar tudo em causa, como se, por
magia, de um dia para outro, os atributos se transformassem em inépcias.
Um bom exemplo disto foi o Clássico da passada semana, no qual o
Benfica construiu oito (!!) ocasiões clamorosas de golo, sendo todavia
derrotado por um adversário tão insípido quanto afortunado – que teve no seu
guarda-redes o homem do jogo.
Mais prosa, menos prosa, mais teoria, menos teoria, o futebol é mesmo assim.
Nem sempre é justo, nem sempre se explica. É esse um dos seus encantos. É
também por isso que nos apaixona.
A HORA DA VERDADE
Chegou a hora de mostrar o que vale este Benfica. De confirmar os
resultados, as boas exibições, e a impressionante veia goleadora dos últimos
dois meses. De calar os críticos, os mal-dizentes e as aves agoirentas. De
responder aos provocadores e aos incendiários. De meter pressão máxima no rival
de Lisboa, e afastar da corrida o rival do Porto.
Chegou a hora de mostrar o quanto cresceram alguns jogadores desta
equipa. De André Almeida, Eliseu e Pizzi demonstrarem que estão num nível a que
nunca haviam chegado antes. De confirmar que todos eles merecem discutir a
titularidade na selecção nacional. De Jardel se arvorar definitivamente como
patrão da defesa, e futuro grande capitão da equipa. De Renato Sanches se
afirmar, já, como uma pedra preciosa para todas as circunstâncias. De Jonas
prosseguir a sua caça insaciável à Bota de Ouro. De Mitroglou aumentar a inveja
daqueles que não o conseguiram contratar. De Gaitán continuar a espalhar magia
pela relva. De Fejsa ou Samaris confirmarem que, qualquer um deles é trinco de
equipa campeã. De Júlio César gritar bem alto que é, ainda, um dos melhores do
mundo.
Chegou a hora de mostrar que este Benfica já nada deve às versões
anteriores. Que muitos dos seus jogadores nunca haviam evoluído tanto. De alcançar
a 14ª vitória consecutiva no campeonato, sequência que há décadas não era
obtida. De se afirmar eloquentemente como a melhor equipa portuguesa, e a mais
forte candidata ao título.
Chegou a hora da verdade. Hoje e terça-feira, FC Porto e Zenit são os
adversários ideais para o momento. Medo? Nenhum! Confiança? Toda!
Carrega Benfica!
GATO ESCONDIDO
Todos percebemos como pretende o Sporting chegar ao título: pressão incessante
sobre a arbitragem, e lobbying nos media,
para que se faça eco do discurso oficial de vitimização, repetindo-o até à
náusea, até parecer verdade.
No meio da fumarada, muitos casos ficam esquecidos. Relembro os
penáltis por assinalar nos três jogos com o Benfica, sobre Gaitán na Supertaça,
e sobre Luisão no Campeonato e na Taça; o golo irregular que lhes valeu a
vitória em Tondela; o off-side no golo ao Estoril; o escandaloso penálti que
ficou por marcar em Arouca; o bloqueio no livre de que resultou o primeiro golo
frente ao Moreirense; o penálti fora da área que Jorge Sousa ofereceu na
partida com o SC Braga (jogo em que ficaram por expulsar três jogadores do
Sporting); ou ainda as sucessivas e impunes agressões de Slimani a vários
adversários, em várias jornadas.
Porém, as vendas proporcionadas pela gritaria do bando de Alvalade
parecem tocar fundo no coração de editores e directores de jornais – que não
olham a esforços no momento de dar destaque a casos, ou pseudo-casos, em que o
Sporting se diz prejudicado. Fazem-no de uma forma insultuosa para com o rigor
e a independência. Gozam com os leitores.
A primeira página do jornal “A Bola” do passado domingo poderia muito
bem ser a do jornal “Sporting”, tal o modo parcial como tratava uma questão de
arbitragem. Fosse uma final europeia entre Sevilha e Benfica, e nem o
patriotismo os levaria a tanto.
No “Record”, já nos habituáramos à tonalidade esverdeada. A coisa agora
disseminou-se.
Podem continuar. Não só não nos enganam, como perdem o nosso respeito.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







