CLASSIFICAÇÃO REAL

Suponho que esta tenha sido uma das semanas de maior acerto por parte dos árbitros, e só a necessidade de arranjar argumentos (um cartão amarelo, um livre, um cabelo…) faz com que a discussão prevaleça.

V.SETÚBAL-FC PORTO
Depois de uma série de erros cometidos - nomeadamente nos Benficas-Sportings que ano após ano, invariavelmente, apitava -, e que todos foram atribuindo ao seu estilo permissivo de deixar jogar, Pedro Henriques perdeu a inocência quando, na época passada, anulou um golo limpo ao Benfica (vendo uma falta que não existiu) em pleno Estádio da Luz, no último minuto de compensação de um jogo com o Nacional, impedindo então os encarnados de se destacarem na classificação antes da pausa de Natal.
Ficou aí demonstrada a sua má fé (diz-se que é sportinguista fanático), pois afinal o seu “deixar jogar” só valia para alguns, como Tonel (para agarrar Nuno Gomes na área), ou João Moutinho (para rasteirar Freddy Adu também na área), em dois derbys lisboetas quase consecutivos.
Dizer-se que o cartão amarelo mostrado a Falcão serviu para beneficiar o Benfica é pois um absurdo. Um duplo absurdo, aliás. Primeiro porque Pedro Henriques nunca beneficiou o Benfica (foi, de resto, o árbitro escolhido por Pinto da Costa para uma final da Taça de Portugal), depois porque o lance é, à primeira vista, efectivamente passível de sanção disciplinar, já deixando de lado o facto de o alegado benefício daí resultante para os encarnados ser tão residual (quero lá saber se o Falcão joga ou não joga…) quanto desnecessário (o Benfica nem precisa de pontuar no Dragão).
No Dragão subsiste a dramática e desesperada necessidade de justificar, com terceiros, quartos ou quintos, a extraordinária época do Benfica (a melhor dos últimos 20 anos), e o correspondente fracasso do FC Porto (um dos três piores campeonatos dos últimos 34 anos). Para isso qualquer argumento é válido, seja um castigo da CD Liga, seja um simples cartão amarelo, seja um cão que entra dentro do relvado, ou um pássaro que pousa sobre o banco de suplentes.
Há pois que entender, desvalorizar, e seguir em frente.
Resultado Real: 2-5

BENFICA-OLHANENSE
Assisti ao jogo no estádio, e, na televisão, apenas vi um curtíssimo resumo num dos telejornais do fim-de-semana.
Fiquei com a sensação de que a arbitragem de Lucílio Baptista foi razoável, dando de barato que, no lance do quinto golo, Aimar tenha efectivamente ajeitado a bola com a mão.
Tanto no penálti assinalado, como na expulsão, nada há a dizer. Ambos os lances são claros e indiscutíveis.
Resultado Real: 4-0

NAVAL-SP.BRAGA
Apenas vi os golos, mas os ecos que me chegaram foram os de uma boa arbitragem.
Resultado Real: 0-4

U.LEIRIA-SPORTING
Idem, idem, aspas, aspas.
Nem sei como é que alguém ainda perde tempo a ver os jogos do Sporting. É sintomático que em Leiria estivessem menos de metade do número de pessoas que, no Pavilhão Atlântico, assistiram à final da Futsal Cup.
Resultado Real: 1-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 78
Sp.Braga 60
FC Porto 59
Sporting 47

NOS CÉUS DA EUROPA

Impressionante é a palavra que melhor define a tarde vivida ontem por 10 mil benfiquistas num Pavilhão Atlântico todo ele pintado de vermelho.
O caso não foi para menos, pela primeira vez uma equipa portuguesa subiu ao mais alto degrau do Futsal europeu, conquistando a Uefa Cup, equivalente à Liga dos Campeões da variante de onze.
Num jogo frenético, com incessante e vibrante apoio vindo das bancadas - onde toda a gente ansiava por festejar -, os super-poderosos espanhóis do Interviu (uma espécie de Barcelona do Futsal) caíram no prolongamento, e o troféu ficou em Lisboa.
Este será, porventura, o momento mais alto da história do eclectismo benfiquista, e vai perdurar muitos anos na memória daqueles que, como eu, o viveram in loco. Com Luís Filipe Vieira, Jorge Jesus, Rui Costa, Eusébio e até a águia Vitória presentes (e ninguém minimamente preocupado com o Naval-Sp.Braga), a festa final foi de arromba, com lágrimas e cânticos de alegria dentro e fora do campo.
Tratou-se de um sonho concretizado por uma fantástica equipa, cujo percurso há muito fazia merecer esta magnífica tarde de consagração internacional. E é justo que esta festa não tenha sido ofuscada por nenhuma outra.

MAGIA, GOLOS E...UM CHEIRINHO NO AR

Com mais de 60 mil nas bancadas, não foi preciso esperar muito para se perceber que o Benfica estava firmemente decidido a arrecadar mais três pontos, e a prosseguir a sua caminhada rumo ao título.
Logo aos dois minutos de jogo, Cardozo marcou, de penálti, o primeiros dos seus três golos; pouco tempo depois Delson viu o segundo cartão amarelo e foi expulso; e mal passava do quarto-de-hora quando, num lance espectacular concluído por Di Maria, os encarnados aumentaram a vantagem, pondo fim à discussão dos pontos em disputa. Daí em diante sobrou tempo e espaço para mais um recital de puro deleite futebolístico, interpretado sobretudo pela magia do extremo argentino, com Cardozo, ora a falhar, ora a marcar, e o placar a subir até números de nova goleada.
Nas bancadas sentiu-se o cheiro a título, e durante a segunda parte chegou a gritar-se “campeões, nós somos campeões”. Pode parecer prematuro, mas a verdade é que ninguém acredita que o Benfica venha a perder este campeonato, até porque a principal nota de perigo que restava – a eventualidade de ter de necessitar do jogo do Dragão – está agora posta de parte, sendo apenas preciso um empatezinho com o Rio Ave, em pleno Estádio da Luz, para a festa se consumar.
O clima de euforia benfiquista prolongou-se no domingo, não ainda com a garantia do título, mas com outra brilhante conquista do clube. Como Jorge Jesus disse, um triunfo em campo, na sequência de um jogo, será muito mais saboroso e adequado para comemorar o título. Numa época como esta, seria quase pecado o Benfica sagrar-se campeão à custa de um percalço de um adversário.
PS: Peço desculpa aos leitores pelo atraso na publicação desta crónica, mas alguns compromissos pessoais e profissionais, para além, naturalmente, do Futsal, deixaram-me com pouco tempo para a fazer.

GANHAR O JOGO!

Antes de qualquer outra coisa o Benfica deve ganhar ao Olhanense. Se puder festejar no domingo, tanto melhor, mas o que é fundamental é ficar, no sábado, a um só ponto do título.
Julgo que os jogos deveriam ser à mesma hora, mas o que interessa é ser campeão. E quanto mais cedo, melhor. Para tal, nada como apresentar o onze de gala.
PS: Este domingo pode ser apenas normal, mas pode também ficar para a história do Benfica. Além da hipótese matemática dos títulos de Futebol e Voleibol, há também a final-four da taça europeia de Futsal, no Pavilhão Atlântico. Sinceramente, acho pouco provável que cada uma delas se concretize (o Volei e o Futebol podem esperar, o Futsal tem concorrência de respeito), mas ...sonhar é grátis.

JOGOS PARA A ETERNIDADE (16) - OS MEUS TÍTULOS

Quando o Benfica está à beirinha de conquistar o seu 32º título, é altura para recordar outros campeonatos ganhos, e a forma como eles foram eles vividos por este vosso amigo, em mais uma viagem pelo passado.
Recordo-me de um total de nove títulos (este poderá ser o décimo). Desde 1977, tempos de Chalana, Nené e Mortimore, até 2005, já com Simão, Luisão e Nuno Gomes. Vamos então relembrá-los um a um:

1976-77
Depois de uma época marcada pela impressionante recuperação classificativa face ao Sporting (que na primeira volta chegou a dispor de seis pontos de avanço, que hoje equivaleriam a nove), o Benfica sagrou-se campeão a três jornadas do fim, em jogo com o Beira-Mar no Estádio da Luz.
A festa estava prevista apenas para a semana seguinte, mas as derrotas de Sporting e FC Porto anteciparam a decisão. 4-0 foi o resultado, a que se seguiu uma volta triunfal ao campo, carregando aos ombros o treinador inglês John Mortimore.
Recordo-me de vários momentos dessa temporada (as partidas com o Sporting e com o FC Porto, por exemplo), mas a memória que tenho do jogo do título, e desse dia, é algo difusa. Recordo-me de ouvir partes do relato (provavelmente o meu pai ouvia-o enquanto eu brincava), tomei conhecimento que o Benfica era campeão, mas nem me lembro de ter ficado particularmente eufórico com o acontecimento.
Na altura este era o 14º título em 18 anos, pelo que as comemorações seriam naturalmente comedidas.
A equipa-base dos encarnados era composta por: Bento, Pietra, Alhinho, Eurico, Alberto, Toni, Shéu, Vítor Martins, Nelinho, Nené e Chalana (que na sua primeira temporada como sénior foi a grande estrela da equipa).

1980-81
Este sim, foi o primeiro título que vivi com verdadeiro entusiasmo de campeão. Pôs fim a três temporadas de jejum (uma eternidade para a altura), e foi obtido numa época quase perfeita dos encarnados, a qual incluiu também a Taça de Portugal, a Supertaça e umas meias-finais europeias. Foi também nesta temporada que assisti ao meu primeiro jogo no Estádio da Luz, precisamente um Benfica-Altay Izmir para a 1ª eliminatória da Taça das Taças.
O treinador era o húngaro Lajos Baroti, e a conquista foi selada na penúltima jornada, com uma goleada ao Vitória de Setúbal (5-1), testemunhada por um Estádio da Luz a rebentar pelas costuras, e já preparado para as festividades. Julgo ter sido o último jogo da carreira de Toni, que já não era titular, mas entrou para os minutos finais.
Não estive lá (só bastante mais tarde me tornei presença habitual), pelo que foi mais um título que me chegou pela rádio. A partida ficou marcada por uma muito criticada, e totalmente desproporcionada, carga policial aos adeptos que apenas pretendiam invadir o campo para festejar a vitória. Meteu Assembleia da República, críticas ao governo e tudo.
A equipa-base era a seguinte: Bento, Veloso, Humberto Coelho, Laranjeira, Pietra, Carlos Manuel, João Alves, Shéu, Chalana, Nené e César.

1982-83
Um maior distanciamento temporal vai permitir um dia perceber onde enquadrar a actual equipa de Jorge Jesus, entre as que melhor futebol praticaram no Benfica do pós-Eusébio. Deixando esse exercício para depois, entregaria o prémio, por agora, ao conjunto de 82-83, orientado por Eriksson (na sua primeira época), e que encantou o país e a Europa.
Foi uma temporada inesquecível, com vitórias no Campeonato, na Taça de Portugal, na Supertaça e uma caminhada épica até à final da Taça Uefa, perdida na Luz diante do Anderlecht. Mais do que os resultados, o futebol de ataque praticado em todos os campos (fosse em casa, fosse fora) ficou na retina de muita gente, catapultando o treinador sueco para uma carreira internacional de grande sucesso .
O título foi carimbado em Portimão (vitória por 0-1), com duas jornadas ainda por disputar, e, se não estou em erro, quatro dias depois da final da Uefa. A festa foi feita na semana seguinte, em casa diante do Sporting. Esperava-se uma goleada (na Taça tinham sido 3-0), mas a vitória ficou-se por um golo solitário de Chalana, numa partida em que Bento defendeu um penálti e…falhou outro (suponho que por ordem inversa, mas isso pouco interessa para o caso).
Equipa-base: Bento, Pietra, Humberto Coelho, Bastos Lopes, Álvaro, Carlos Manuel, João Alves, Shéu, Chalana, Nené e Filipovic

1983-84
No ano seguinte, ainda com Eriksson, a superioridade benfiquista voltou a ser inquestionável. Numa temporada em que apenas cedeu oito pontos, o Benfica sagrou-se campeão na penúltima jornada, em casa, e uma vez mais diante do eterno rival.
Nem foi preciso vencer, pois, à mesma hora, o FC Porto perdia no Bessa, e como tal, bastou um empate a um golo com o Sporting, a que se seguiu a tradicional invasão do relvado.
A grande aposta dos encarnados, depois de alcançada a final da Uefa no ano anterior, era a Taça dos Campeões Europeus. O sonho acabou por morrer aos pés do…Liverpool, com uma derrota por…4-1 (daquela vez em plena Luz, depois do 1-0 de Anfield), o que, numa altura em que ser campeão era corriqueiro, acabou por deixar um travo ligeiramente amargo, que nem o título nacional apagou inteiramente.
Tal como era habitual, todas as grandes emoções do campeonato foram vividas pela rádio. Assisti contudo, no Estádio do Bonfim, à primeira jornada desta temporada, e ao último golo da carreira de Humberto Coelho – que se lesionaria com gravidade poucas semanas depois num treino da selecção, não mais voltando aos relvados -, numa partida que o Benfica venceu por 2-3, com as bancadas a abarrotar de gente, um sol abrasador e um calor quase insuportável, sobretudo para quem estava espalmado contra a vedação (como era o meu caso). Estávamos, afinal de contas, em pleno Agosto.
Equipa-base: Bento, Pietra, Bastos Lopes, Álvaro, Sheu, José Luís, Carlos Manuel, Stromberg, Chalana, Diamantino e Manniche.
Chalana e Stromberg seriam vendidos para França e Itália respectivamente, Eriksson também abraçaria o Cálcio, e esse desinvestimento (necessário para Fernando Martins completar o terceiro anel do estádio) revelar-se-ia fatal nos anos seguintes.

1986-87
Depois de um bi-campeonato portista, com Artur Jorge, o Benfica voltou aos triunfos, aproveitando muito bem o enfoque dado pelos nortenhos à Taça dos Campeões Europeus, que venceriam em Viena com o calcanhar de Madjer.
O Benfica vinha de uma temporada aziaga, em que perdera tudo em poucas semanas, depois de uma caminhada empolgante. A inesperada eliminação europeia aos pés do acessível Dukla de Praga (com um golo fatal, sofrido em casa, nos últimos minutos da segunda mão), e, principalmente, o título perdido na penúltima jornada, em plena Luz, diante do Sporting (1-2, o primeiro derby a que assisti ao vivo), abriram feridas na confiança dos adeptos face à sua equipa. Mais feridas ainda deixou a histórica goleada sofrida em Alvalade - os célebres 7-1 - e a relação com o regressado John Mortimore ressentiu-se de tudo isso, não mais voltando a ser a mesma.
Em 1986-87 a equipa foi muitas vezes assobiada, e desconsiderada, mesmo comandando a classificação durante quase todo o campeonato. Temia-se que acontecesse o mesmo que no ano anterior, até porque a penúltima jornada reservava novamente um Benfica-Sporting.
Só que a história não se repetiu. Desta vez, praticamente na mesma situação, e também com 120 mil nas bancadas, o Benfica ganhou por 2-1 (golos de Chiquinho e Nunes), conquistando o título nacional, ao qual iria juntar, alguns dias mais tarde, a Taça de Portugal. Foi a última dobradinha do clube da Luz até à data.
Este foi o primeiro dos dois títulos que festejei em pleno estádio (o outro seria o último, o de 2005). Fui ver esse derby, presenciei a invasão de campo, e toda a euforia que tomou conta da família benfiquista. Recordo-me, como se fosse hoje, de ir festejar com as pessoas com quem vi o jogo, a um restaurante de Setúbal chamado “O Quintal” (não faço ideia se ainda existe). Comi cherne grelhado, regado com vinho rosé. Tinha eu os meus fabulosos 17 aninhos.
Para a história desta temporada fica também o registo daquele que terá sido o jogo com maior assistência de sempre disputado no nosso país, e a que eu também tive o privilégio de assistir. Foi o Benfica-FC Porto (3-1, hat-trick de Rui Águas), e "A Bola" do dia seguinte falava em 140.000 pessoas na Luz. Não as contei, mas sei de muita gente que ficou à porta com o bilhete na mão, sem conseguir passar a densa barreira humana que entopia todas os buracos por onde entrar no estádio.
Equipa-base: Silvino, Veloso, Dito, Oliveira, Álvaro, Sheu, Nunes, Chiquinho, Diamantino, Rui Águas e Manniche

1988-89
Terá sido dos títulos menos sofridos que a história recente do Benfica nos apresenta. Talvez por isso, talvez fruto do desencanto de uma eliminação europeia precoce (com o improvável Liegeois), talvez também por ter, à época, 19 anos, e nessa idade as prioridades estarem muito para lá do futebol (raparigas, noitadas, festas, raparigas, faculdade, raparigas, etc, etc), terá sido também dos que menos me entusiasmou.
Foi o ano das vitórias por 1-0 conseguidas no último minuto, com golos de Vata (o surpreendente Bola de Prata nessa época), em que a contratação falhada de Quinito como técnico do FC Porto (substituído depois de uma copiosa derrota em Eindhoven) cedo deixou o caminho livre aos encarnados. Ainda assim, diga-se que com o regresso de Chalana (já longe do fulgor dos primeiros anos), e com as contratações de Valdo, Ricardo e Magnusson, o Benfica tinha uma extraordinária equipa, cuja base esteve na origem de duas finais da Taça dos Campeões Europeus nos anos imediatamente anterior e posterior a este. É verdade que haviam saído Dito e Rui Águas (como resposta do FC Porto à contratação de Ademir, no qual os azuis-e-brancos estariam interessados), mas as ausências pouco se fizeram sentir.
Ainda assisti ao vivo a três jogos desse campeonato, mas não foi uma temporada que me tivesse proporcionado recordações particularmente intensas.
Curiosamente, estive em vias de presenciar ao momento da consagração. Foi em Setúbal, a três jornadas do fim, quando uma vitória poderia ser suficiente para fazer a festa. Um golo de Aparício, já nos momentos finais (estabelecendo o 2-2), retardou o título, e obrigou a multidão que enchia por completo o estádio do Bonfim a guardar as bandeiras e cachecóis para a semana seguinte.
Foi em casa com o Estrela da Amadora, que uma vitória por 3-0 selou as contas. Não faço a menor ideia onde estaria a essa hora, e nesse dia. Mas estava certamente feliz.
Equipa-base: Silvino, Veloso, Mozer, Ricardo, Álvaro, Sheu, Vítor Paneira, Valdo, Chalana, Diamantino e Magnusson.

1990-91
Eriksson havia regressado, e na primeira temporada tinha levado a equipa à sétima final da Taça dos Campeões da sua história. Em parte por isso, em parte por influência de um sistema tentacular que já à época invadia a arbitragem, o campeonato de 89-90 fugiu para o FC Porto, que, com Bandeirinhas, Kikis, Demols, Tozés e Vlks, conseguiu bater o Benfica de Valdo, Thern, Magnusson e Ricardo. Foi esse, aliás, o primeiro dos campeonatos ganhos pelo FC Porto de forma imoral, e fruto da sua crescente influência na arbitragem.
Em 1990-91 os encarnados viram-se precocemente afastados da frente europeia, ao perder com a Roma logo na primeira eliminatória da Taça Uefa. E, dedicando-se em exclusivo ao campeonato, partiram para uma caminhada imparável rumo ao título, que teve o seu apogeu nos célebres 0-2 das Antas, com dois golos de César Brito.
Lembro-me de ouvir o relato desse jogo (que a poucas jornadas do fim decidiu quase tudo), como me lembro, também via rádio, da partida que garantiu o título, no Funchal diante do Marítimo (vitória por 0-2, também).
Na última jornada, com o estádio cheio, o convidado para a festa do título foi o Beira Mar, que levou 3-0, dois dos golos apontados por Rui Águas (de regresso ao seu clube depois de uma incompreensível experiência nas Antas, que nunca lhe perdoarei), que assim conseguia destronar Domingos Paciência na luta pela Bola de Prata - um grupo de sócios portistas, alegando (sabe Deus porquê) que Domingos tinha mais um golo, decidiu então mandar fazer um troféu paralelo para entregar ao avançado do FC Porto, numa daquelas atitudes saloias que mostra bem o espírito, passado e presente, daquele clube.
Recordo-me que a RTP transmitiu em directo os últimos dez minutos da jornada final, e a festa que se lhe seguiu.
Este foi o último campeonato de um período em que o Benfica, ganhando ano sim, ano não, ainda mantinha, ou pelo menos repartia, a hegemonia do futebol português. Daí em diante só conquistaria mais dois títulos, ambos em circunstâncias muito especiais.
Equipa-base: Neno, José Carlos, Ricardo, William, Veloso, Jonas Thern, Vítor Paneira, Valdo, Pacheco, Isaías e Rui Águas.

1993-94
Depois de um verão muito quente, com Sousa Cintra a aproveitar-se alarvemente da crise financeira do rival, e a aliciar muitos dos seus principais jogadores (que tinham os salários em atraso, e, como tal, podiam rescindir facilmente os contratos), o Benfica partiu para a temporada futebolisticamente fragilizado, mas com o seu orgulho ferido. Isso revelar-se-ia determinante, até porque na luta pelo ceptro teve no Sporting o mais directo opositor.
Paulo Sousa e Pacheco mudaram-se para Alvalade, João Pinto foi resgatado in-extremis numa viagem do presidente Jorge de Brito a Torremolinos, e Rui Costa, Isaías e Neno foram também abordados, mantendo-se todavia na Luz. Futre tinha sido vendido para Marselha, mas ainda assim, os que ficaram, formavam uma grande equipa. Restava saber se haveria condições de retaguarda (desde logo financeiras) para levar a nau a bom porto. E nesse particular o trabalho desenvolvido por Toni foi fundamental, segurando pelas pontas um grupo muito talentoso mas desorganizado e indisciplinado, que tinha nos russos Kulkov, Yuran e Mostovoi as principais dores de cabeça.
A época haveria de reservar grandes momentos, grandes vitórias, estádios cheios, muitos novos associados, o que parecia permitir ao clube retomar o rumo correcto. Infelizmente foi sol de pouca dura, e os anos seguintes iriam evidenciar que as coisas estavam mesmo mal. Só onze anos depois o Benfica voltaria a ser campeão nacional, depois de aventuras que quase levaram à sua destruição.
O grande momento deste campeonato foi naturalmente a vitória por 3-6 em Alvalade, jogo em que João Pinto, um dos protagonistas do defeso anterior, terá feito a exibição da sua vida. Mas o título só ficou seguro duas rondas depois, em Braga, numa partida com o Gil Vicente (numa altura em que ninguém se lembrava de reclamar por os clubes pequenos mudarem os jogos grandes para estádios onde pudessem obter maiores receitas), em que foi uma vez mais João Pinto a brilhar, marcando os dois primeiros golos de uma vitória por 0-3.
Na altura eu fazia parte de uma equipa (se é que se pode chamar-lhe assim) de futebol de cinco que, ainda disputou alguns torneios na região. O jogo de Braga foi durante a semana, num fim de tarde de, salvo erro, quarta-feira, e ouvi o relato durante um treino, som vindo do auto-rádio de um dos colegas que estacionara junto ao ringue. Quando o jogo acabou estava, recordo-me bem, a tomar banho, e seguiu-se naturalmente uma jantarada. Mas a maior dose de euforia tinha sido servida com o triunfo em Alvalade.
Na semana seguinte o Estádio da Luz encheu para receber os campeões. Era a penúltima jornada, e o adversário o Vitória de Guimarães. Não arranjei bilhete, e faltei à cerimónia. Nem a minha ausência, nem o empate a zero retiraram brilho às festividades.
Equipa-base: Neno, Veloso, Mozer, Hélder, Schwarz, Kulkov, Vítor Paneira, Rui Costa, Yuran, João Pinto e Isaías.

2004-05
Obtido em circunstâncias particularmente difíceis, na sequência de um longo jejum, com um plantel muito limitado e uma concorrência extremamente forte (FC Porto campeão europeu, Sporting finalista da Uefa, Boavista ainda nos seus bons tempos, Sp.Braga a nascer para aquilo que é hoje), depois de um campeonato verdadeiramente espectacular (o melhor de que me lembro), este foi para mim o título mais reconfortante de todos os que vivi.
Cedo comecei a acreditar na equipa, e momentos houve em que me pareceu ser o único a fazê-lo. Levei a peito aquela equipa, aqueles jogadores, e aquela temporada. No fim, como nos filmes, tudo acabou em bem.
Foi, até hoje ,a temporada futebolística em que vi mais jogos ao vivo. Em casa não perdi nenhum, e fora fui a todo o lado onde pude ir. Muito sofri eu…
A decisão final foi apenas na última jornada, no Bessa, em tarde para recordar durante uma vida. A procissão de carros pela A1 acima, o leitão da Mealhada, em restaurante à pinha onde os cânticos slb,slb emergiam à medida que o vinho escorria pelas gargantas, o dramatismo de um jogo que, pela primeira e única vez na vida, quase me obrigou a sair da bancada, tal o estado de nervos que me tolhia o corpo e a alma. No fim foi o que se viu. Talvez tenha sido dos poucos benfiquistas a estar, nessa noite, no Bessa, no Aeroporto, e no Estádio da Luz, com um belo jantar pelo meio, e festa até de manhã. Só me deitei depois de ler “A Bola” de segunda-feira.
Este campeonato ficou porém desde logo alinhavado na semana anterior, no também inesquecível derby do golo de Luisão. Já aqui recordei esses dois momentos.
Equipa-base: Quim, Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Dos Santos, Petit, Manuel Fernandes, Nuno Assis, Geovanni, Nuno Gomes e Simão.

Agora, venha o próximo…

BARÇA ENCOSTADO ÀS CORDAS

Num grande espectáculo a que só faltou um grande Messi, o Inter de Mourinho deu um passo significativo rumo à final da Champions League, derrotando o todo-poderoso Barcelona por 3-1.
Na segunda mão a equipa catalã tem assim uma verdadeira prova de fogo, e um enorme desafio à sua superior qualidade.
Creio que o vencedor desta eliminatória será o campeão.

BOM TREINADOR, MAS...

Paulo Sérgio é, quanto a mim, um excelente treinador. Foi, portanto, uma boa escolha do Sporting.
Resolverá ele os problemas do clube? Não creio. Os problemas do Sporting vão muito para além da área técnica, são já antigos, e foram iludidos durante anos pelo fantástico trabalho de Paulo Bento, e, sobretudo, pela crise de resultados do Benfica.
José Eduardo Bettencourt (que Deus o conserve em Alvalade por muito tempo) tem-se revelado um flop total. Desde que assumiu os destinos do clube, a instabilidade, os erros estratégicos, as hesitações e as gaffes têm-se sucedido a um ritmo alucinante. E Costinha, pelo que já se viu, também não parece ser uma grande ajuda.

CLASSIFICAÇÃO REAL

De Carlos Xistra espera-se sempre o pior, e na verdade o homem não desiludiu. Se, por absurdo, o Benfica não tivesse ganho o jogo, muita tinta aquele golo validado à Académica iria fazer correr.

SP.BRAGA-LEIXÕES
Dos resumos que vi, só o primeiro golo de Alan poderia oferecer matéria para dicussão. Nas repetições percebe-se que o avançado bracarense está em jogo, pelo que nada haverá a condenar na actuação do árbitro.
Resultado Real: 3-1

ACADÉMICA-BENFICA
O primeiro golo da Académica, que poderia ter condicionado o jogo, é claramente ilegal, e Carlos Xistra, do local onde estava, teria obrigação de ver. Nada assinalou, prejudicando o Benfica.
Ainda na primeira parte Sogou deveria ter visto o segundo cartão amarelo, o que, a acontecer, também teria o seu peso na história do jogo.
Por fim, aos 93 minutos, só Xistra viu uma falta de Maxi Pereira perto da área, que originou um livre perigoso e fez disparar as pulsações dos benfiquistas.
Em benefício do Benfica? Só talvez o cartão amarelo que terá ficado por mostrar ao mesmo Maxi Pereira.
No lance reclamado por Eder não existe qualquer falta.
Resultado Real: 1-3

FC PORTO-V.GUIMARÃES
Um penálti por assinalar a favor do V.Guimarães, e mais uma expulsão perdoada a Bruno Alves, é tudo o que me lembro das incidências deste jogo de tristes. Quanto ao penálti marcado a favor do FC Porto nada há a dizer.
Resultado Real: 3-1

SPORTING-V.SETÚBAL
Um penálti bem marcado, e um outro por marcar (sobre Matias Fernandez) foi aquilo que me ficou deste jogo…de tristes (perdoem-me a falta de originalidade, mas não me ocorre outro termo).
Resultado Real: 3-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 75
Sp.Braga 57
FC Porto 56
Sporting 46
PS: No FC Porto-V.Guimarães há de facto um penálti sobre Guarin, que me esqueci de referir. O resultado seria então 4-1. Não altera a classificação real.

BATE CORAÇÃO

Não se esperava outra coisa. O jogo de Coimbra traduziu-se numa tarde de dificuldade, tensão e sofrimento.
À medida que o campeonato caminha para o fim, à medida que cada ponto ganho ou perdido assume peso de decisão, os corações palpitam nas bancadas e as almas sofrem como nunca. A glória está próxima, todas as probabilidades jogam a favor, mas enquanto a porta da gaiola não se fechar, enquanto subsistir o risco do pássaro se escapulir, enquanto a terrível hipótese de morrer na praia permanecer ameaçadora, esta angústia vai acompanhar o mundo benfiquista. Vai valendo que, em campo, os jogadores encarnados não dão mostras de grandes tremeliques, e, uma vez mais, tudo acabou em bem.
Tal como tudo começara bem, pois um golo aos dois minutos poderia até indiciar uma vitória tranquila. Sobretudo pela forma afirmativa como o Benfica entrou em campo, dominando completamente as operações, conquistando a bola em zonas adiantadas, pressionando muito, flanqueando o jogo, fazendo, enfim, aquilo que tem feito ao longo dos melhores momentos da sua temporada. Um eventual segundo golo poderia ter transportado a partida para outra dimensão (uma goleada?), mas o que é certo é que, apesar de terem existido oportunidades para tal, foi a Académica a marcar, num lance fortuito…e irregular.
Fazendo o 1-1 os estudantes cresceram muito. O restabelecer do empate era a prova de que podiam efectivamente responder ao futebol benfiquista, e disputar-lhe os pontos. Passaram a deter a bola muito mais tempo, trocando-a como é raro ver-se a uma equipa da cauda da tabela classificativa. E na área encarnada a ausência de Luisão fazia-se notar, quer ao nível do futebol aéreo, quer no apoio normalmente dado às iniciativas ofensivas de David Luíz (que voltou a manifestar alguma displicência nas saídas da zona de perigo).
Não há campeões sem sorte, e o momento em que o Benfica marcou o seu segundo golo (à beira do intervalo) não podia ter sido mais favorável. Foi novamente Weldon o protagonista, mostrando a enorme utilidade da sua presença no plantel – com 5 golos valeu já 6 pontos, exactamente os que o Benfica tem de vantagem sobre o segundo classificado.
Após o intervalo sentia-se que, ou o Benfica marcava o terceiro, ou ver-se-ia em apuros para, na ponta final do jogo, segurar a vantagem. A Académica ameaçava lances de perigo a cada vez que dispunha da posse de bola (ou será a minha ansiedade a falar por mim?), e o resultado tangencial conferia-lhe o tónico psicológico necessário para continuar a lutar bravamente pelos pontos.A sorte foi que o terceiro golo apareceu mesmo. Marcou Ruben Amorim, mas coube a Di Maria a maior fatia do mérito. Após algumas oportunidades desperdiçadas, o Benfica pensava ver sorrir-lhe a tranquilidade. Debalde. Com poucos minutos para jogar, um pontapé de Tiero, e uma desatenção de Quim, recolocaram a equipa de Villas-Boas na discussão do jogo. O tempo que faltava jogar-se foi aflitivo, até porque Carlos Xistra insistia em assinalar faltas inexistentes contra os encarnados, empurrando-os para a sua zona defensiva.
Soou enfim o apito final. Soou como música celestial aos ouvidos de milhões. O Benfica ganhou, com justiça, um jogo que poderia ter corrido mal. Superando o indisfarçável cansaço, as ausências de Luisão e Saviola, a debilidade física de Cardozo, a arbitragem hostil, e um adversário forte, organizado e empenhado, pode ter sido dado em Coimbra o passo decisivo para o título.
Mas…ainda faltam 4 pontos, e não será de garrafa de champanhe na mão que eles poderão ser conquistados.

CLASSIFICAÇÃO REAL

O derby ameaçava ser quente. Acabou por não o ser tanto como outros, ainda que Costinha o tenha tentado incendiar, numa patética declaração à imprensa que proferiu no final da partida.
Mais não fez, contudo, do que atirar umas lenhas para a fogueira onde, mais tarde ou mais cedo (aposto no mais cedo), ele próprio se irá queimar.
Afinal de contas, para se ser director-desportivo (ou “ministro”) é preciso muito mais do que atar uma gravata ao pescoço ou ter vivido em Monte Carlo.

U.LEIRIA-SP.BRAGA
Não vi o jogo (com o do V.Guimarães/Soares Dias fiquei vacinado até ao fim da época), e pelos resumos não me apercebi de nenhum lance polémico.
Resultado Real: 1-2

RIO AVE-FC PORTO
Também não vi o jogo – com um Real Madrid-Barcelona à mesma hora, só se fosse louco é que perdia tempo a ver Guarins e Alvaros Pereiras.
O único caso de que me apercebi foi um suposto empurrão a Falcão sobre a linha de grande área. Não me pareceu caso para penálti, mas até posso aceitar interpretação contrária.
Para ser franco, já tanto me dá que o FC Porto seja prejudicado ou beneficiado. Para mim passaram à história. Se forem prejudicados, melhor ainda – acho piada quando os vejo nervosos.
Resultado Real: 0-1, 0-2, ou aquilo que vocês quiserem…

BENFICA-SPORTING
Desde que foi apresentado como novo director-desportivo do Sporting, Costinha só tem feito, e dito, disparates. O caso Izmailov é o mais gritante, mas aquando do mais recente derby lisboeta tivemos novo exemplo da manifesta falta de preparação que o homem tem para o cargo que ocupa – coisa com a qual, devo dizer, durmo perfeitamente descansado.
Não se pode dizer que a sua declaração não tenha sido “à Sporting”, mas, pela desfaçatez, e pela inoportunidade, empobreceu a imagem do clube, e ridicularizou-o, sobretudo, a ele próprio. Até porque, dentro daquele registo, o Paulo Bento era bem mais divertido.
Tive pena de Carvalhal. O homem queria falar de futebol, queria justificar a derrota, mas viu-se forçado a falar de arbitragem na flash-interview, como quem paga uma promessa a um santo. Depois, foi cirurgicamente desviado da conferência de imprensa não fosse dar-se o caso de - em fim de contrato e já sem pruridos de agradar ao patrão - poder descair-se a dar os parabéns ao Benfica pela sua justa vitória.
Enfim, coisas a que já estamos habituados, e que me fazem lembrar o velho provérbio “os cães ladram, e a caravana passa”, sendo aqui a caravana, naturalmente, a do Benfica, a caminho do seu 32º título nacional.
Eis os casos do jogo:
- Dois penáltis por assinalar contra o Sporting: um por mão de Carriço, outro por pontapé de Grimi no tornozelo de Cardozo, que obrigou o paraguaio a sair lesionado. São penáltis televisivos (no estádio confesso que não me apercebi), mas são penáltis.
- Carga de ombro legal de David Luíz a João Pereira, em lance reclamado pelos leões.
- Expulsões perdoadas a João Moutinho, Miguel Veloso e Luisão por entradas violentas sobre Ramires, Alan Kardec e Liedson respectivamente.
Com tudo isto, dizer-se que o Benfica ganhou por causa do árbitro é, no mínimo, hilariante. Mas, tudo bem, sabemos que há que encontrar desculpas para os 26 pontos de atraso…Façam pois outra conferência de imprensa! Ou então vão de luto para o próximo jogo! A malta entende.
Resultado Real: 4-0

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 72 (já consagrado campeão)
Sp.Braga 54
FC Porto 53
Sporting 43 (não eram 26, eram 29!)

45 MINUTOS DE TANGO

Suplantando, com classe, um dos mais fortes adversários que o calendário lhe punha por diante, não há como negar que o Benfica deu esta noite um passo muito largo rumo ao título. Não o definitivo (uma eventual derrota em Coimbra, e tudo se complicará de novo), mas um passo firme, capaz de empolgar a equipa e o seu mar de adeptos – que ontem, diga-se, deram mais uma demonstração de que, no nosso país, ninguém sequer se assemelha à sua força vibrante e entusiástica.
Como se previa, o jogo não foi fácil. O Sporting, talvez por ter pouco a perder, entrou muito bem na partida, e realizou uma primeira parte deveras interessante – não tanto pelas oportunidades criadas (que não foram muitas), mas mais pela forma como manietou o Benfica, e lhe atou quase todos os movimentos da sua fase de construção ofensiva.
Tapando os flancos, e pressionando com grande agressividade no corredor central, a equipa de Carvalhal teve o mérito de assumir, desde o início, que o adversário lhe era superior, e que, antes de qualquer outra coisa, seria necessário não deixar jogar. Sabe-se que, privilegiando o reforço do meio-campo (numa espécie de 4-2-3-1 já testado noutras ocasiões), Liedson acaba por ser o principal sacrificado, pois sem companhia, sem bola e sem oportunidades para alvejar a baliza, o levezinho perde preponderância, e, com isso, a capacidade ofensiva do Sporting esfuma-se quase por completo. Mas esta era a estratégia possível para uma equipa que, dando espaços ao rival, corria o sério risco de sair da Luz vergada a um resultado humilhante. Segurando a bola, o adversário e o jogo, fazendo correr os minutos, cortando espaços, o Sporting ia enervando o anfitrião, e até podia, num golpe de sorte, marcar o golo que lhe valesse um saboroso triunfo.
Do outro lado da barricada, Jorge Jesus optou surpreendentemente por Eder Luís como substituto do ausente Saviola, deixando Pablo Aimar no banco. Procurava assim aproximar, ao máximo, a sua equipa do modelo através do qual lhe tínhamos visto a sua mais bonita cara, evitando cair nos erros de Liverpool. Só que Eder Luís não é Saviola, e, com um futebol ainda demasiado abrasileirado, acabou por se tornar presa fácil para a pressão do meio-campo leonino (designadamente do experiente Pedro Mendes), deixando Cardozo sozinho na dura batalha com os centrais. Sem Saviola, com Aimar no banco e Di Maria desinspirado (e muito marcado), o poder criativo do Benfica ressentiu-se seriamente. Para além disso, a cada bola perdida, a cada passe transviado, recrudescia a tensão nervosa resultante da responsabilidade do jogo, e do perigo de uma eventual derrota.
Sem golos e com pouco futebol, as equipas regressaram aos balneários. E se naquela altura me vendessem o empate, confesso que, a avaliar pela forma acorrentada como decorria o jogo, tendo em conta o drama que uma derrota poderia trazer consigo, talvez o tivesse comprado. Seria, viu-se depois, uma precipitação.
Estava no banco a solução para os problemas do Benfica. A entrada de Aimar ao intervalo, virou o jogo do avesso, desequilibrou todos os exercícios de contenção que o Sporting havia conseguido impor até aí, e desbravou os caminhos para a vitória encarnada. Logo no primeiro lance da segunda parte isso se fez sentir de forma clara. Logo aí o Benfica se voltou a parecer consigo próprio.
O jogo passou a disputar-se muito mais perto da área de Rui Patrício, as faixas laterais começaram a abrir espaços, e a teia de marcações leoninas começou a ceder. O golo benfiquista passou a estar, senão iminente, pelo menos com sérias possibilidades de vir a acontecer. Seria Óscar Cardozo - em grandes dificuldades físicas, e com a substituição preparada - a dar à sua equipa aquilo de que precisava para, enfim, se assenhoriar por completo da partida. No contexto em que aconteceu, e da forma como aconteceu, o golo tornou-se demasiado pesado para um Sporting já de alguma forma desmontado pela criatividade trazida ao jogo por Aimar. Sentiu-se que o Benfica não mais perderia o jogo, e que muito provavelmente o ganharia. Sentiu-se, porque não dizê-lo, um cheirinho a título.
Foi o próprio Aimar a fechar as contas do resultado, num momento que a sua extraordinária exibição já fazia por merecer. O jogo acabou aí, e a única dúvida seria então a de se saber se o resultado se ficava pelos 2-0, ou subiria até números mais elevados – o que, a acontecer, teria sido demasiado penalizador para um Sporting honesto, humilde e que fez o que estava ao seu alcance para dar uma alegria (a alegria suprema) aos seus apaniguados.
Ficou 2-0, ficou o Benfica com os seus 6 pontos de avanço, ficou o Benfica mais perto do título. A margem é boa, dá confiança mas, por enquanto, ainda não é suficientemente tranquila para permitir um dia mau. Uma derrota num dos próximos dois jogos (Coimbra e Olhanense em casa) deixaria os encarnados dependentes do resultado do Dragão, o que poderia tornar-se extremamente perigoso. Por isso, não são aconselháveis grandes euforias. Haverá tempo para festejar.
João Ferreira cometeu dois erros graves. Não assinalou uma grande penalidade por corte com a mão de Carriço a remate de Carlos Martins ainda na primeira parte; e não expulsou Luisão num lance que, tal como é habitual em Alvalade, irá servir de cortina de fumo para uma derrota justa, lógica, natural e indiscutível.

O DERBY DE SEMPRE, MAIS DERBY QUE NUNCA

Não sei se alguma vez um derby lisboeta terá começado com uma diferença de 23 pontos entre as duas equipas. Contudo, nem por isso acredito que este venha a ser um jogo desequilibrado.
Afastado de todas as competições, com o quarto lugar destinado e assegurado, o Sporting tem nesta partida a hipótese de resgatar algum do seu orgulho perdido, fazendo aquilo que os seus adeptos normalmente mais apreciam: complicar a vida ao Benfica, e, se possível, contribuir para evitar que o odiado rival se sagre campeão. Esta é também a última chance para o seu treinador mostrar que tinha lugar no clube, e que os responsáveis leoninos estavam errados ao prescindir dos seus serviços. Mas este é, acima de tudo, um Benfica-Sporting, que ambos sempre querem ganhar, e que, sobretudo para os leões, significa o apogeu de qualquer época desportiva.
Ninguém tenha dúvidas: o Sporting de amanhã na Luz vai ser igual aos mais fortes Sportings da temporada (Everton, FC Porto, Fiorentina…), e não vai regatear esforços para levar um bom resultado da casa do rival. Motivação não lhe vai faltar, e, com tantos dias de descanso, disponibilidade física também não. Depois, não esquecer, há Liedson, com tudo o que isso significa.

O Benfica tem pela frente um desafio de grande responsabilidade. Após a vitória sobre o Sp.Braga muitos terão sido os que davam o campeonato por concluído. A verdade é que os minhotos não desarmam, a bem ou a mal venceram os dois mais difíceis jogos que o seu calendário lhes apresentava, e aí estão a discutir o título até ao fim. Tendo de visitar o Estádio do Dragão, o Benfica não pode deixar o seu destino entregue ao resultado desse jogo, o que lhe diminui substancialmente a margem de erro. Trocando isto por miúdos, nos quatro jogos que tem para além da deslocação ao Porto os encarnados não poderão ceder mais do que um mísero empate. E seria muito perigoso que o gastassem já.
Não me peçam prognósticos. Só no fim do jogo serei capaz de os fazer. Este tipo de jogos não permite previsão, e a história está aí para o confirmar.
Que dizer do golo de Sabry que estragou a festa do título aos leões em 1999-00? Ou do agora tão lembrado 1-2 de 1986 na Luz (o meu primeiro derby ao vivo) que entregou um campeonato ao FC Porto (que no ano seguinte viria a sagrar-se campeão europeu)? Para além desses momentos de decisão, onde o cenário de festa acabou dramaticamente desmontado, muitos foram os derbys em que o anunciado favoritismo de uns esbarrou na inspiração de outros. Até se diz que quem está pior ganha mais vezes, ainda que não exista qualquer elemento científico a sustentá-lo.
Apesar de tudo isto, acredito no Benfica, na sua melhor equipa, nos seus melhores jogadores, no seu melhor treinador, e nos 60 mil a vibrar nas bancadas. Não é um jogo absolutamente decisivo, mas, conforme disse, sobretudo em caso de derrota, a vida dos encarnados poderá complicar-se muito, pelo que todo o cuidado é pouco. Uma vitória será, ao invés, o retomar da dinâmica ganhadora posta em causa em Liverpool, e de tudo o que isso significa, até mesmo no estado anímico dos principais adversários.
Talvez seja este o verdadeiro jogo do título, talvez não. Amanhã à noite se saberá.
Para quem não leu, ficam aqui as minhas recordações de derbys do passado.

CONDIÇÕES NECESSÁRIAS

Com a lei Bosman as diferenças entre os campeonatos europeus acentuaram-se, e a vida tornou-se manifestamente mais difícil para os clubes de países semi-periféricos como Portugal.
Multinacionais riquíssimas, com planteis de luxo, passaram a discutir entre si o protagonismo internacional, e só episodicamente esse predomínio foi posto em causa. O FC Porto de Mourinho foi um exemplo, o Benfica de Jesus não o conseguiu ser. Duas grandes equipas, dois contextos diferentes.
Para um clube português (ou grego, ou turco, ou holandês) romper a hierarquia estabelecida, será necesário responder a quatro condições fundamentais:
1) ter uma grande equipa e um grande treinador;
2) ter sorte nos sorteios, evitando os mais perigosos adversários, e esperando que eles se eliminem entre si;
3) ter total disponibilidade física e anímica para enfrentar o desafio europeu, o que pressupõe a possibilidade de aligeirar a frente doméstica (quer fruto de uma larga vantagem pontual, quer, pelo contrário, por estar fora da respectiva corrida);
4) ter sorte nos momentos decisivos das partidas contra os mais difíceis adversários.
O FC Porto de José Mourinho dispôs de todas estas permissas a seu favor, o Benfica de Jorge Jesus só conseguiu a primeira. Um ganhou a Taça Uefa e a Liga dos Campeões, outro ficou, para já, pelos quartos-de-final da Liga Europa.

BALANÇO POSITIVO

Terminada a época internacional do Benfica, e passada a frustração da derrota de Liverpool, importa dizer que a participação encarnada nesta edição da Liga Europa foi um enorme êxito.
O objectivo inicial passava justamente pela chegada aos quartos-de-final (ouvi-o eu pessoalmente, em Agosto, da boca do próprio presidente Luís Filipe Vieira), e esse foi atingido. Ao longo da caminhada assistimos a grandes exibições, testemunhámos várias goleadas, e os principais jogadores do Benfica saíram largamente valorizados. As eliminatórias com Marselha e Liverpool foram particularmente intensas, originaram grandiosos espectáculos de futebol, e deram uma excelente embalagem á equipa de Jorge Jesus para a Liga dos Campeões da próxima época - onde tudo indica o Benfica possa marcar presença, e, se assim acontecer, tem assegurado lugar no pote 2 do sorteio dos grupos.
Olhando para as estatísticas da prova, o Benfica detém o melhor marcador, o líder das assistências, e também do número de remates, posições que pode perfeitamente manter até final. Também nas estatísticas colectivas a equipa encarnada aparece invariavelmente nos primeiros lugares, sendo claramente uma das principais animadoras da competição.
Mas onde se percebe melhor a qualidade da performance europeia agora concluída, é na comparação da mesma com o próprio historial do clube, de grande brilhantismo como todos sabemos. Pois esta época bateu os recordes de número de jogos, número de vitórias e número de golos marcados, superando – nomeadamente nos dois últimos casos - marcas que tinham quase cinquenta anos.Lastimando, uma vez mais, o mal fadado sorteio que interpôs o Liverpool no caminho da glória, há ainda assim bastos motivos para erguer a cabeça e o orgulho benfiquista. Não pôde ser uma temporada europeia histórica (sê-lo-ia se o clube chegasse à sua nona final), mas foi seguramente uma temporada europeia à altura da história.
Viva o Benfica!

QUATRO DOSES DE FATALIDADE

Acabou-se.
O futebol é imprevisível, mas há verdades que são difíceis de tornear. Como por exemplo a que nos diz que os chamados “big four” ingleses são claramente de outro campeonato, motivo pelo qual, desde a primeira hora, sempre me mostrei bastante céptico face a esta eliminatória.
O sonho europeu do Benfica caiu no momento em que, num sorteio onde estavam Fulham, Standard de Liége, Wolfsburgo, e mesmo Atlético de Madrid, lhe apareceu pela frente a mais poderosa das equipas em prova. Não fora assim e a presença numa final europeia era uma séria possibilidade, e poderia mesmo tornar-se numa aposta firme e empenhada de toda a estrutura do clube. Com Torres, Kuyt, Gerrard e companhia pela frente, restava esperar por pouco mais que um milagre, tentando ao mesmo tempo fazer da ocasião uma grandiosa festa – aspecto que o jogo da primeira-mão assegurou em pleno.
O milagre não aconteceu. Conforme o próprio Jesus previra, grande parte dos jogadores encarnados surgiu nesta partida em condições físicas muito débeis, e esse acabou por ser um dado determinante no seu desfecho final. Faltou também uma pontinha de sorte em momentos chave, como naquela oportunidade desperdiçada à beira do intervalo, como numa ou noutra bola perdida em lances de superioridade numérica. Creio mesmo que uma coisa estará intimamente ligada com a outra, pois o desgaste, mais do que nas pernas, nota-se sobretudo na cabeça.
Não adianta especular sobre o que poderia ter sido este jogo com Quim na baliza, e David Luíz no eixo central da defesa. Todas as críticas são legítimas, mas raia o absurdo apontar culpas às opções de um homem que, em apenas alguns meses, revolucionou o futebol do Benfica. Jorge Jesus merece todo o crédito, e decerto saberá porque motivo deixou Fábio Coentrão tanto tempo no banco, porque motivo substituiu Carlos Martins (que parecia um dos mais frescos), e porque não retirou um dos centrais (necessariamente Sidnei, sem ritmo) a partir do momento em que a eliminatória tomou tonalidades mais sombrias. Não percebi nenhuma dessas opções, mas ninguém me ouvirá uma palavra de desconfiança para com o extraordinário treinador que o Benfica em boa hora contratou.Júlio César foi a personificação da infelicidade, como fora Costa Pereira em 1965, como fora Bento em 1984. Ramires, Aimar, Sidnei, Javi Garcia, e mesmo Cardozo (apesar do golo), estiveram também, todos eles, muito abaixo daquilo que os temos visto fazer ao longo da temporada. Ainda assim o Benfica, que até entrou muito bem no jogo, discutiu a eliminatória palmo a palmo até oito minutos do seu final, o que, diante de tão poderoso adversário, não deixa de ser meritório. Balanceado no ataque, com ambição de marcar e discutir o resultado, a equipa portuguesa acabou traída pelo fortíssimo e eficaz contra-ataque contrário, motivo pelo qual o resultado se tornou tão pesado (e exagerado) – os terceiro e quarto golo ilustram-no na perfeição.
Esta é obviamente uma noite triste para todos os benfiquistas, mas nem por um segundo o orgulho nesta grande equipa deve ficar abalado. O melhor Benfica de que me recordo (1982-1984 com Eriksson e...Bento) perdeu também por 4-1 com o Liverpool, então em pleno Estádio da Luz, não deixando por isso de ficar na memória de todos, como este porventura também ficará.
O campeonato foi desde a primeira hora considerado pelo clube como a prioridade máxima, e olhando apenas e só para ele, esta até pode ter sido uma derrota útil, uma derrota dolorosamente útil. Há pois que olhar em frente, e mostrar, já na próxima terça-feira, que se na Europa há equipas melhores que o Benfica, em Portugal não as há.
A arbitragem foi confusa, mas não foi por ela que o Benfica saiu da prova.
PS: Inqualificáveis os comentários de David Borges no rescaldo do jogo. Não disfarçou alguma felicidade (alívio?), e aproveitou, alarvemente, para tentar deitar abaixo a equipa benfiquista.

O PALCO DO NOSSO SONHO

Força Benfica!

PREOCUPAÇÃO ACRESCIDA

- Jogam dois holandeses no Liverpool, e um deles foi expulso de forma polémica na primeira mão;
- No último Mundial, Portugal eliminou a Holanda num jogo marcado pela violência mútua, com várias expulsões e casos de arbitragem que quase desencadearam uma guerra entre as duas federações;
- Nos últimos jogos de equipas portuguesas arbitrados por holandeses, tem ficado patente o peso daquela memória;
- Na mesma altura foram despedidos de equipas portuguesas dois técnicos holandeses.
Não seriam motivos suficientes para escolher um árbitro de qualquer outro país?
As arbitragens da Liga Europa têm sido fraquíssimas. Esperemos que não seja um holandês praticamente desconhecido o protagonista da noite de Anfield Road.

ELE NÃO MERECIA...

...mas este Bayern, com Ribery e Robben em grande forma, justificou amplamente a passagem, recuperando espantosamente de um redondo 3-0.
Fica garantida uma final inédita, provavelmente entre esta equipa bávara e o todo-poderoso Barcelona de Messi.

TERRA PROMETIDA

Logo que foi conhecido o sorteio dos quartos-de-final da Liga Europa, atribuí 10% de hipóteses de apuramento ao Benfica. Fi-lo um pouco a quente, e tolhido pela frustração de ver fugir os Standards de Liege e os Fulhams que por lá havia, com os quais - penso ser pacífico afirmá-lo – este Benfica tinha a passagem às meias-finais praticamente assegurada. Saiu a equipa mais forte das oito, e é indesmentível que, a partir desse momento, o sonho europeu ficou mais difícil de concretizar.
Após ver o jogo da primeira-mão, e tendo em conta a vantagem que o Benfica conseguiu (embora não possamos esquecer que jogou a maior parte do tempo em superioridade numérica), creio que hoje as possibilidades de apuramento são efectivamente maiores. Continuo a dar favoritismo ao Liverpool, mas talvez o reduza dos 90% anteriores para números à volta de 60% ou 65%. Acredito que o Benfica possa surpreender, e o facto de qualquer empate lhe servir é uma vantagem que não se pode ignorar. Mas, por outro lado, não vejo como Dirk Kuyt, Fernando Torres e Steven Gerrard, a jogar em casa, com o estádio cheio, e na única competição que lhes resta da época, possam ficar noventa minutos sem marcar um só golo. Por alguma coisa as principais casas de apostas não andam longe das minhas previsões.

É uma lástima que Saviola não possa jogar. Este era um jogo feito à medida da sua experiência internacional, da sua mobilidade, da sua frieza e da sua classe. Era o homem que podia fazer a diferença, como Simão Sabrosa fez há quatro anos atrás. Mas não choremos mais sobre o leite derramado. O adversário é mesmo o Liverpool, e Saviola não pode mesmo jogar.
O Benfica tem de começar por saber resistir. Resistir ao jogo, ao adversário, mas também aos seus próprios impulsos. Marcar é importante, mas passar incólume pela primeira meia-hora pode ser fundamental. O Liverpool vai começar forte, como começou há quatro anos (então com os postes e Moretto a salvarem milagrosamente o Benfica), procurando repor rapidamente a eliminatória a seu favor. Um golo cedo vai certamente empolgar os ingleses, e pode tornar-se muito pesado de gerir para a equipa portuguesa.
Talvez por isso a opção de deslocar David Luíz para o flanco esquerdo faça sentido, erguendo um trio de centrais em momento defensivo, e mantendo o esquema habitual quando em posse de bola. Fábio Coentrão teria por missão estabelecer esses equilíbrios, fazendo uma espécie de dois-em-um, ora como lateral, ora como médio-ala. Di Maria poderia assim ficar livre para desempenhar um papel similar ao habitualmente desempenhado por Saviola, mantendo-se também sempre de olho no flanco direito, onde o Liverpool vai ter de fazer adaptações, pois, quer Ínsua, quer Fábio Aurélio (os dois defesas-esquerdos do plantel), estão impedidos de alinhar.

Independentemente do perfil táctico adoptado por Jorge Jesus, o principal factor de preocupação (expresso nas próprias palavras do técnico) prende-se com a condição física de alguns jogadores. Creio que cerca de metade dos titulares em Anfield Road não estará entre os jogadores que realizaram noventa minutos na Figueira da Foz. Falo de nomes como Júlio César, Ramires, Sidnei, Fábio Coentrão, Carlos Martins e Pablo Aimar, que, ou não jogaram, ou saltaram do banco, ou foram substituídos a meio da segunda parte. Ainda assim a época já vai longa, as frentes de combate têm sido várias, e os homens não são máquinas. Esta será seguramente uma das chaves do jogo de amanhã.

Se passar a eliminatória, o Benfica alcançará as meias-finais da prova, algo que não acontece desde 1994. Foi na extinta Taça das Taças, diante do Parma, que os encarnados disputaram pela última vez um acesso a uma final europeia, ganhando na Luz por 2-1 (com mais de 100 mil pessoas nas bancadas), e perdendo em Itália por 1-0, num jogo em que Mozer foi expulso aos vinte e poucos minutos. Longe vá o agoiro.
Já o apuramento para essa meia-final merece ser evocado: quem não se lembra na época noite de Leverkusen?

É precisamente uma noite épica que os benfiquistas esperam.
Anfield Road já foi palco de sonho para o Benfica. Porque não sê-lo novamente? Nos últimos quatro jogos oficiais entre os dois clubes o Benfica ganhou sempre, marcou seis golos, e só sofreu um. Agora nem será preciso ganhar. Basta um empate, ou até, no limite, uma derrota por 3-2 ou 4-3.
Acreditemos pois!
Viva o Benfica!

IMPRESSIONANTE!

Com apenas 22 anos de idade, creio que se trata já do melhor jogador do mundo das últimas duas décadas. A continuar assim, e se as lesões não o atraiçoarem, pode perfeitamente vir a destronar Pelé e Maradona, e transformar-se no melhor de sempre.
Esta noite marcou quatro (!!!!) golos e reduziu o Arsenal a cinzas. Bem se pode enaltecer o colectivo do Barcelona (e há razões para isso), mas com um craque desta dimensão qualquer equipa brilharia.
Ou me engano muito, ou no próximo sábado teremos direito a novo show, desta vez no Bernabéu.

CLASSIFICAÇÃO REAL

A análise à arbitragem da jornada centra-se naturalmente no fantasmagórico desempenho de Artur Soares Dias no jogo de Braga. De resto, pouco haveria a acrescentar.

SP.BRAGA-V.GUIMARÃES
Toda a actuação do árbitro foi um compêndio de incompetência e desnorte, do primeiro ao último minuto. Desde penáltis mal assinalados e cartões mal mostrados, até decisões revogadas, de tudo se passou. Vejamos os principais casos:
- A alteração da decisão de assinalar o penálti por suposta mão de Moisés vai, indiscutivelmente, de encontro à verdade desportiva. A dúvida que fica é contudo a de se saber de que forma, e por que meios, modificou Soares Dias a sua decisão. Foi o quarto árbitro que viu o lance na televisão? Foi alguém do banco do Braga? Porque não alterou então o juiz também a sua decisão no último, e inexistente, penálti?
- O golo vimaranense foi alvo de protestos, mas não creio que tenha havido qualquer irregularidade.
- Quanto ao primeiro penálti assinalado (o que fez o 1-1), de acordo com o critério que tenho utilizado noutros jogos, creio ter mesmo existido. Já não tenho a mesma opinião sobre a falta que dá origem ao perigosíssimo livre que o antecede, e que só um árbitro empenhado em ajudar uma das equipas seria capaz de assinalar.
- O lance do segundo penálti assinalado deixa-me muitas dúvidas. É verdade que as faltas devem ser assinaladas onde terminam, e que Valdomiro não foi hábil a evitar a má sorte. Mas não me parece que o último agarrão seja suficiente para fazer cair Renteria, e nem tenho a certeza de que o mesmo tenha sido efectuado já no interior da área de rigor. Em todo o caso, o pior ainda estava para vir.
- A polémica em torno do terceiro penálti (que fez o 2-2) surge apenas devido ao cartão vermelho exibido a Rodriguez. Mais um equívoco de Soares Dias, que, de facto, deveria ter ficado em casa. Ele sim, merecia um cartão vermelho tamanho do resto do campeonato.
- O caso mais grave prende-se com o último penálti, assinalado quando passavam já quatro minutos dos noventa. Não existiu qualquer falta, mas o que releva deste lance é a inequívoca vontade de Soares Dias fazer com que o Sp.Braga vencesse o jogo, pois um pénalti inexistente marcado aos 94 minutos de um jogo tão importante não aparece por acaso. Porquê? Só ele saberá, mas já na altura aqui deixei nota da minha estranheza pelo facto de uma arbitragem destas aparecer num momento em que um triunfo bracarense não interessava, nem a FC Porto, nem a Benfica (as duas forças desportivas de maior peso no país). Estávamos habituados a que uns dissessem que o Benfica dominava a arbitragem, outros lembrassem os anos negros do sistema portista. Esta é uma situação nova, em que os Mesquitas Machados (ex presidente da Assembleia Geral da FPF), os Antónios Salvadores, os Carlos Freitas (já muito batido dos tempos dos penáltis de Jardel), os Domingos Paciências (figura do FC Porto de Calheiros, Guímaro e Fortunato) e/ou outros personagens, parecem ter adquirido vida própria, e mostram força para determinar o andamento do campeonato. Uma semana depois do deplorável espectáculo da entrega das insígnias da FIFA de Pedro Proença ao treinador do Sp.Braga, meses depois de uma série negra de jornadas (as iniciais) em que o clube bracarense foi claramente beneficiado pelas arbitragens, eis um novo dado demonstrativo daquilo que parece ser o emergir de um novo sistema, tão podre como o anterior. Não o combatam agora, e depois digam que é tarde demais…
Resultado Real: 1-2

SPORTING-RIO AVE
Não vi o jogo, pois o derby minhoto deixou-me de rastos, e sem vontade de ver futebol até à noite de ontem. O único lance que posso destacar é a expulsão de Izmailov, que me pareceu justíssima.
Resultado Real: 5-0

FC PORTO-MARITIMO
Não tenho conhecimento de nenhum caso polémico. Mas se Radamel Falcão quisesse jogar a Champions do próximo ano, e, num acto de justificado arrependimento, pretendesse voltar aos caminhos da Luz, eu por mim recebê-lo-ia de braços abertos – além de grande jogador, parece-me um profissional irrepreensível, que está manifestamente a mais naquela casa.
Resultado Real: 4-1

NAVAL-BENFICA
Uma possível mão na bola de um defensor figueirense foi o único caso de eventual influência no resultado, aceitando-se contudo diferentes interpretações.
Mas a acção de Elmano Santos (árbitro que me causa sempre alguns arrepios) interferiu no jogo mais do que os resumos possam mostrar. Faltas a meio-campo marcadas e por marcar, corte dos ritmos da partida, dois livres perigosos por faltas inexistentes, e um cartão amarelo estapafúrdio mostrado a Maxi Pereira, que impede o uruguaio de defrontar o Sporting – clube do coração do juiz madeirense.
Embora sejam decisões do âmbito de acção dos assistentes, o primeiro e o quarto golo do Benfica parecem totalmente legais, estando Di Maria e Weldon, respectivamente, em linha com o último defesa da Naval. Infelizmente, a péssima realização televisiva da RTP não permitiu confirmar esta ideia, deixando as suspeitas no ar.
Já que falo na realização televisiva, devo dizer que a mesma não fracassou apenas nas repetições (ou falta delas) dos lances polémicos. Foi deplorável em todos os aspectos do jogo, falhando os timings de mudança de câmara, perdendo o rasto da bola, e cometendo erros primários em série. Que teriam bebido ao jantar?
Resultado Real: 2-5

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 69
Sp.Braga 51
FC Porto 50
Sporting 43

BRINCAR COM O FOGO ATÉ SURGIR UM BOMBEIRO INESPERADO

Passadas as emoções do jogo, e mesmo com a reposição anímica resultante de mais uma boa vitória do Benfica, não consigo ainda assim esquecer aqueles primeiros tristes quinze minutos, que provavelmente me fizeram perder mais uns quantos cabelos. Perdoar-me-ão pois que comece a análise a esta partida pelo seu princípio.
A equipa até reagiu muito bem, restabeleceu de imediato a ordem natural das coisas, e acabou na iminência de mais uma das suas goleadas. Mas não é desculpável que, em tão importante momento do campeonato, os jogadores tenham entrado em campo com tão pouco espírito de conquista, revelando uma passividade e uma sobranceria difíceis de compreender. Acontecera em Olhão e em Setúbal, sempre com consequências lamentáveis, e todos estávamos convencidos de que este Benfica teria ficado logo aí vacinado contra aquela espécie de vírus maldito – expresso na forma letárgica e abúlica como os jogadores abordam alguns jogos, esperando sentados que os golos e as respectivas vitórias acabem por cair do céu aos trambolhões. Quase sempre sucede em campos pequenos, com terrenos difíceis, e adversários fechados e agressivos. Quase sempre dá mau resultado, sendo esta justamente uma característica das equipas que…perdem campeonatos. Foi esta, aliás, uma das faces daquele Benfica que em quinze anos só por uma vez se sagrou campeão, tempos que todos os benfiquistas querem atirar para trás das costas.
Talvez a eliminatória europeia tenha pesado nas pernas e, sobretudo, na cabeça. Mas se é para desbaratar uma vantagem que tanto custou a alcançar, se é para pôr em causa a conquista de um título que ainda está longe de ser uma certeza - logo numa época tão determinante para o futuro do clube e do futebol português -, então mais vale ser eliminado da Liga Europa. Há que saber ser campeão em todos os momentos, e naqueles quinze minutos o Benfica não o soube ser.
Tudo isto me passou pela cabeça. Tudo isto me fez contorcer na cadeira, dar murros no joelho, e gritar silenciosamente, para dentro, alguns impropérios contra aqueles meninos que, de camisola vermelha, se passeavam pelo relvado. Que isto não se repita, nem em Coimbra, nem com o Olhanense, nem em nenhum jogo, até que o título seja uma verdade matemática. As festividades e as férias vêm depois. É verdade que foi este Benfica que me devolveu o elevado grau de exigência que porventura aqui manifesto, mas é essa mesma exigência que serve de alimento aos grandes campeões. Eu quero muito que o Benfica seja campeão, e, pela categoria e superioridade que mostrou até aqui, já nem sequer lhe perdoo que o não seja - o que é muito diferente de achar que já o é.
Feito que está o desabafo, direi então que a partir do 2-0, espicaçado pelo naufrágio inicial, o Benfica voltou a mostrar-se igual a si próprio. Contou para isso com a inspiração de um herói pouco provável (Weldon: o melhor em campo), mas que uma vez mais deu pontos á equipa, marcando os golos com que o jogo readquiriu a sua normalidade. E ele bem merecia uma noite destas. Caso a reacção benfiquista não tivesse dado frutos imediatos, as coisas complicar-se-iam muito. Felizmente a bola entrou uma, duas e três vezes, e quando os jogadores saíram para as cabines, já a vantagem no marcador era uma realidade. Imagino que mesmo assim não se tenham livrado de uma boa reprimenda de Jorge Jesus (e eu, a vontade que tinha era de lhes bater), pois a abordagem à segunda parte, mesmo em vantagem no marcador, nada teria que ver com aquela entrada inicial em falso.
Se os golos encarnados tranquilizaram o Benfica, também do outro lado se fizeram sentir. A Naval, tão eloquentemente desautorizada pela forte reacção benfiquista, sentiu-se impotente para reescrever o destino da partida, e em toda a segunda parte apenas causou perigo numa ocasião - já Cardozo tinha elevado a contagem para o 2-4 final. Sem forçar muito, e com a confiança e a serenidade resgatadas, o Benfica dominou então por completo os acontecimentos, garantindo mais uma preciosa vitória - a 7ª consecutiva, e a 11ª nos últimos doze jogos (a excepção foi o penálti falhado por Cardozo no Bonfim).
Faltam agora cinco finais, que podem até ser quatro ou mesmo três (se, por exemplo, o Sp.Braga não vencer em Leiria). Naturalmente que, olhando para elas, sobressai o derby da próxima semana. Desse, haverá tempo para falar. Agora sim, é hora de pensar na Europa.
Elmano Santos fez tudo o que podia para evitar a vitória do Benfica, como, de resto, eu já esperava que acontecesse. Só conseguiu retirar Maxi Pereira do derby, pois não teve oportunidades para mais.

PS: Socorrendo-se de uma argumentação tão labiríntica quanto patética, Miguel Sousa Tavares insinua hoje n’“A Bola” que a arbitragem de Soares Dias em Braga teria favorecido indirectamente o Benfica. Era bom que soubesse que eu, por exemplo, até fiquei com uma borbulha na cara graças ao estado de nervos em que me deixou aquele maldito penálti. Terá sido mesmo, juntamente com o V.Setúbal-Benfica, o jogo que maior revolta me provocou em todo o campeonato. Se era para beneficiar o Benfica, garanto que não dei por nada.

BATALHA NAVAL: MOMENTO CRUCIAL

Este é o meu onze, tendo em conta o impedimento de Saviola, as limitações de Luisão (que além do mais está tapado de amarelos), e a necessidade de gerir a condição de Aimar.

SEMPRE A SUBIR

No mês em que cumpriu o seu 4º aniversário (em dia de final da Taça da Liga nem me lembrei de tal efeméride...), VEDETA DA BOLA bateu o recorde de audiência com quase 23 mil entradas.
Como se percebe pela figura acima, à excepção dos meses de Agosto e Dezembro - em que alguns dias de ausência originam uma natural quebra de leitores -, o percurso do blogue tem sido invariavelmente ascendente.
Estes números são um enorme estímulo, mas representam também um acréscimo de responsabilidade para quem tem o gosto e o privilégio de manter vivo este seu espaço de todos os dias.
Obrigado a todos!

DUAS INTERROGAÇÕES E UMA CERTEZA

1- Como é possível o Sp.Braga vencer (mais) um jogo sem jogar absolutamente NADA?
2- Que influências movem o Sp.Braga, o seu presidente, o seu director-desportivo, o autarca da cidade e/ou o seu treinador, para que a equipa beneficie de uma arbitragem tão simpática, numa partida em que a sua vitória até nem interessava a nenhum dos clubes tradicionalmente mais poderosos?
A certeza: este clube está, para mim, a tomar rapidamente o lugar do Sporting como o segundo mais irritante e odiento do país desportivo. Lembram-me cada vez mais o FC Porto dos anos noventa. Em tudo. Até nas vitórias aos 97 minutos após um caldeirão de nervos, penáltis e expulsões.

SABOR A POUCO...

Se antes do jogo alguém me tivesse proposto o resultado de 2-1, tê-lo-ia aceite sem hesitações. O Liverpool é um gigante do futebol europeu, tem na Liga Europa a sua grande oportunidade de conquista, e nesta fase da competição – marcada normalmente pelo equilíbrio - uma vantagem, por curta que seja, não deixa de ser...uma vantagem.
Olhando para o que se passou em campo, para o facto do Benfica ter jogado cerca de uma hora em superioridade numérica, e, sobretudo, para a relativa naturalidade com que deu a volta ao golo madrugador de Agger, não posso deixar de reconhecer que, com um pouco mais de sorte – e acerto na finalização – as contas da eliminatória poderiam ter ficado, desde já, bastante mais favoráveis. E confesso que, quando Cardozo transformou irrepreensivelmente o segundo penálti, me convenci que ainda surgiria mais um golito, que, a acontecer, poderia revelar-se decisivo.
Nada disto reduz a enorme felicidade que todos os benfiquistas devem sentir neste momento: pela grande exibição (foi disso que se tratou), pela vitória ante uma das melhores equipas da Europa (a quarta consecutiva sobre o Liverpool), pelo alimentar do sonho de ir ainda mais além na competição, e pelo grandioso espectáculo a que puderam assistir, dentro e fora do relvado, mais uma vez (a segunda em poucos dias) com as bancadas repletas de entusiasmo e amor clubista. Este 2-1 deixa todas as esperanças em aberto para o mítico Anfield Road, e creio que o Benfica tem hoje mais possibilidades de chegar às meias-finais do que tinha ontem.
O jogo começou muito mal, com um golo consentido a lembrar – também ele – uma épica noite de 2005 em que o Manchester United saiu da Luz vergado a uma derrota por 2-1. O Liverpool dava mostras de conhecer bem o Benfica, limitando-lhe o espaço, e procurando explorar amiúde os corredores laterais, onde Babel e Kuyt eram setas apontadas à baliza de Júlio César, mas, simultaneamente, também os primeiros tampões à construção de jogo encarnada. A ausência de Saviola fazia-se igualmente sentir, e as dificuldades que a equipa de Jesus encontrava no último terço do campo eram visíveis, mau grado os “convites” que a linha defensiva britânica demasiadas vezes distribuía.
Com a expulsão de Babel tudo mudou. Rafa Benitez não fez qualquer substituição, mas alterou radicalmente o seu modelo táctico, transformando um trio de ataque, com alas bem abertos, numa dupla ofensiva (Kuyt-Torres) sem extremos. Era o que o Benfica mais podia desejar, pois residiam precisamente nas alas todas as suas dificuldades nessa fase inicial da partida.
Daí em diante, o Liverpool - talvez também por se encontrar em vantagem - retraiu-se, deixou de ser ameaçador, e foi do Benfica o controlo quase absolto das operações, sabendo aproveitar muito bem a benesse que lhe caíra em mãos. É verdade que de nomes como Steven Gerrard ou Fernando Torres se pode esperar, a todo o momento, um golpe de génio. Mas se o inglês se mostrou, a espaços, ao nível da sua imensa categoria, já o espanhol teve uma noite para esquecer, à qual nem faltou uma oportunidade escandalosamente desperdiçada já em plena segunda parte.
Disse ao intervalo, para quem estava comigo, que tinha a certeza de que o Benfica marcaria pelo menos um golo. Sentia-o, na facilidade com que o conjunto de Jesus controlava o meio-campo, e também na rigidez de movimentos do espaço central da defesa do Liverpool - que mais cedo ou mais tarde proporcionaria a Cardozo novos ensejos para ser feliz. E ele não iria falhar sempre.
Acabou por ser de penálti, e por duas vezes, o que não deixa de ser irónico face ao que se tem passado com o paraguaio no campeonato português. Mas independentemente da forma como chegou ao(s) golo(s), tem de se dizer que o Benfica justificou em futebol, em domínio, em atitude, em classe, a vantagem que alcançou. A justiça fez-se desde a marca dos onze metros, e o resultado final, seja ele suficiente ou não, responde integralmente ao futebol praticado nos noventa minutos – sessenta dos quais reveladores de manifesta superioridade benfiquista.
Individualmente gostaria de destacar Cardozo, que mesmo desperdiçando várias situações de perigo, acabou por se tornar no pai desta vitória; e também Fábio Coentrão, que realizou mais uma grande exibição. O papel dos centrais fica marcado pelo golo sofrido, mas daí para a frente, tanto Luisão, como, sobretudo, David Luíz estiveram em plano elevadíssimo. Javi Garcia também foi dos melhores, tal como Di Maria, que no entanto insistiu demasiado em iniciativas individuais, mesmo quando elas não se justificavam. Em sentido contrário há que referir que Maxi Pereira, Carlos Martins, Aimar e Ramires ficaram longe daquilo que têm feito durante a época.
O Árbitro sueco realizou um trabalho pobre, o que infelizmente tem sido a rotina desta Liga Europa. Perdoou um penálti ao Liverpool (seria o terceiro, mas existiu mesmo); não expulsou Insúa com o segundo amarelo, como se exigia no lance da primeira grande penalidade; mostrou mal o cartão a David Luíz; mas também se deve dizer, em nome da verdade, que a expulsão de Babel deixa algumas dúvidas (um cartão amarelo talvez fosse suficiente). Nos lances dos penáltis assinalados nada a dizer, embora no segundo tenha sido o fiscal-de-baliza (finalmente deu-se pela sua existência) a dar a indicação.
Nota final para o comportamento absolutamente lamentável de alguns No Name Boys. O meu benfiquismo tem-me feito defender frequentemente a claque, mesmo para além daquilo que ela porventura merece. Desta vez porém, não posso deixar de exprimir o meu veemente desagrado com o ignóbil lançamento de petardos, e ainda por cima para perto do local onde estava estacionado o fiscal-de-baliza. Espero, e acredito, que sejam os próprios lideres da claque a pôr na ordem os elementos responsáveis por tamanha estupidez. Os restantes sócios do Benfica, a sua esmagadora maioria, mostraram de imediato o seu desagrado.
Veremos como a UEFA interpreta o sucedido, sendo que se a coisa for além da inevitável (e pesada) multa, haverá que apurar os responsáveis e retirar as devidas consequências.