CLASSIFICAÇÃO REAL

Apesar desta jornada ter tido os seus casos, a polémica tem sido diminuta.
O Benfica começa a ver-se afastado do título, e quando assim é, guardam-se as espingardas e tudo parece correr na paz dos anjos. É este o futebol que temos.

PAÇOS DE FERREIRA-F.C.PORTO:
Não vi o jogo, pelo que apenas poderei analisar as situações passadas nos resumos.
O penálti pareceu-me bem assinalado. Apesar do defesa pacense tocar na bola, o derrube a Hulk é evidente, e impede-o, com ou sem intenção, de prosseguir o lance.
Já quanto ao golo anulado ao Paços o árbitro esteve mal. O toque no braço (?) de Carlos Carneiro é absolutamente acidental, pelo que Jorge Sousa não deveria ter assinalado qualquer infracção. Com alguns minutos ainda por jogar, sabe-se lá o que poderia mais ter acontecido nesta partida.
Resultado Real: 1-2

SPORTING-BENFICA:
Levando em conta que o penálti assinalado sobre Suazo é indiscutível, sobram do derby três casos para analisar.
Dois deles são grandes penalidades que ficaram por assinalar, numa e noutra área, ainda na primeira parte. Primeiro um agarrão a Aimar, depois um cotovelo de Maxi Pereira a desviar um remate de Izmailov.
O último dos casos foi o lance entre Luisão, Liedson e Derlei. Um cartão vermelho a Luisão e outro a Derlei não ficariam nada mal, pois se um atinge com a mão a cara do levezinho, o outro desforra-se com uma entrada duríssima por detrás.
Enfim, ao menos nos erros de arbitragem as equipas equivaleram-se.
Resultado Real: 4-3

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 40 (prejudicado em 3 pontos)
FC Porto 38 (beneficiado em 3 pontos)
Sp.Braga 37 (prejudicado em 5 pontos)
Sporting 32 (beneficiado em 5 pontos)

OURO AO BANDIDO

Perder em Alvalade por um resultado tangencial não deslustra ninguém, mas olhando àquilo que se passou em campo, há que dizer que o 3-2 de ontem é enganador e peca por defeito.
Não se sabe o que se terá passado no balneário do Benfica ao intervalo. Mas se durante a primeira parte o jogo tinha sido repartido, com predominância encarnada no período compreendido entre os dois golos, e o resultado se ajustava perfeitamente ao futebol praticado – podendo até o onze de Quique ter ido para o descanso em vantagem -, a meia hora inicial do segundo tempo mostrou o pior Benfica da temporada. Erros individuais incompreensíveis, posicionamento deficiente, mas também uma inércia e uma falta de esclarecimento que não podem fazer parte do menu apresentado por um candidato ao título.
À exibição preocupantemente confrangedora de David Luíz (que saudades de Léo…) – a espaços acompanhado por Sidnei -, o conjunto encarnado juntou uma inaceitável incapacidade táctica para lidar com uma equipa como o Sporting, permitindo-lhe dominar todos os espaços do campo a seu bel-prazer, deixando-o criar oportunidades de golo em série, sem ser capaz de, por uma só vez, construir um lance de ataque com princípio, meio e fim. É verdade que o golo consentido (oferecido) logo na reabertura do jogo em nada ajudou. Mas para além desse mesmo golo ter sido revelador das insuficiências defensivas que o Benfica demonstrou ao longo do jogo, o mesmo não pode justificar a inacção que se lhe seguiu, por muito mérito que se possa (e deva) dar à equipa de Paulo Bento.
Não há como falar deste derby sem falar também de Liedson. O levezinho marcou já dez golos ao Benfica, sendo os encarnados justamente as suas maiores vítimas em todo o futebol nacional.
Não creio que esta incrível eficácia de Liedson frente ao Benfica se trate de algo meramente acidental. Na verdade, a tipologia da defesa encarnada – a começar pelo próprio Luisão – não se entende com jogadores deste perfil, que usam de uma enorme mobilidade, de grande rapidez e espontaneidade de movimentos. Se no jogo aéreo o Benfica é normalmente forte – ontem nem isso…-, para um futebol rápido, acutilante, móvel, procurando explorar uma nesga de espaço, um momento de deslize, uma hesitação, características que caracterizam o avançado brasileiro, a equipa encarnada não encontra resposta. Esta é uma boa questão para se colocar quando se pensar na preparação da próxima temporada, na qual, creio, os aspectos relacionados com a consistência defensiva terão de ser francamente melhor acautelados.
Não é ao acaso que falo desde já na próxima época. O resultado de ontem, por muito que discurso de Quique Flores o possa contrariar (e tem, obviamente, de o fazer), pôs o Benfica numa posição muito delicada para fazer face a uma luta onde chegou a dispor de todas as vantagens. Quem conhece o futebol português sabe que, com de quatro pontos de avanço a doze jogos do fim, dificilmente o F.C.Porto deixa fugir um campeonato.
Não sei se o escrevi, mas pensei-o. A equipa que chegasse ao final desta série de cinco jornadas em primeiro lugar seria, com grande probabilidade, campeão. Ora mesmo que perca com o Sporting, a equipa portista terminará sempre a próxima ronda na liderança, sendo a única a depender de si própria para alcançar os objectivos. Se ganhar, então poderá mesmo encomendar as faixas.
Este derby era na realidade mais decisivo do que poderia parecer, e o Benfica fracassou completamente. No plano individual, no qual só Moreira e Cardozo (nos minutos que esteve em campo) se salvaram, e nos aspectos colectivos, onde a estratégia do técnico espanhol, as carências de movimentação e articulação, e a atitude demonstrada deixam muitas interrogações quanto à hipótese de o Benfica evitar mais uma temporada ancorada na frustração e no adiamento.
Olegário Benquerença deixou passar em claro duas grandes penalidades, uma para cada lado. A do Benfica (sobre Aimar) aconteceu primeiro. Mas com honestidade, terei de dizer que no estádio não me apercebi de nenhuma delas.

AS EQUIPAS

Estádio de Alvalade, sábado, 20.00h (Sport Tv 1)

ÁRBITRO: Olegário Benquerença (Leiria), auxiliado por Bertino Miranda e José Cardinal (Porto)

HISTORIAL RECENTE (II)

Nos últimos quinze anos, em jogos oficiais, Benfica e Sporting encontraram-se 35 vezes.
O Benfica ganhou 13, o Sporting 12 e verificaram-se 10 empates. O Benfica marcou 51 golos e o Sporting 47, o que faz supor que os encarnados tenham atacado ligeiramente mais.
Mas, estranhamente, em penáltis assinalados, a vitória do Sporting é expressiva: 7-3 (!)
Também em expulsões o saldo é esclarecedor: 8 cartões vermelhos para leões (Oceano, Pedro Barbosa, Quaresma, Rui Jorge, Rochemback, Hugo Viana, Beto e Polga), 13 para águias (Jamir, Helder, Andrade, Argel, Zahovic 2, Miguel, Petit, Ricardo Rocha 2, Alcides, Nuno Gomes e Nélson).

HISTORIAL RECENTE

Últimos vinte anos de Derbys em Alvalade para o Campeonato:
VITÓRIAS DO BENFICA - 10
EMPATES - 3
VITÓRIAS DO SPORTING - 7
Golos do Benfica- 27
Golos do Sporting- 20
Melhores Marcadores: João Pinto 4, Isaías 3 e Liedson 3

A PAIXÃO DE UM POVO

Aqui deixo as memórias dos meus Derbys

O VIRA DO BOM JESUS

O Sp.Braga deu hoje um passo de gigante rumo aos oitavos-de-final da Taça Uefa, ao vencer categoricamente o Standard de Liége por 3-0, resultado que não deixa dúvidas sobre o que se passou, e garante também algumas certezas relativamente ao desfecho da eliminatória.
Este Sp.Braga é de facto uma equipa empolgante. Para além dos méritos do seu treinador (que é muito melhor a treinar do que a falar), o clube minhoto dispõe de um plantel sem paralelo no futebol português das últimas décadas fora do âmbito dos três grandes. Quem se dá ao luxo de dispensar Roland Linz e Andrés Madrid (sem falar em Wender, Yazalde e outros), quem coloca no banco Jorginho (uma das figuras da Liga há dois anos), Matheus (uma das figuras da Liga no ano passado) e Orlando Sá (recente internacional A), para além de Mossoró, Paulo César ou Stélvio, quem vê na enfermaria os seus três principais centrais (Paulo Jorge, Rodriguez e Moisés), e mesmo assim faz aquilo que se viu, só pode ser mesmo uma grande equipa.
Como bem sabemos, a classificação do Braga na Liga não corresponde àquilo que fez em campo. Sem interferências exteriores, esta era equipa para, à semelhança do Boavista de há uns anos, disputar o título até ao fim, e eventualmente até vencê-lo. Felizmente tem a Europa para resgatar as alegrias que em Portugal lhe tiraram.
Que continue a sua saga.

FORÇA BRAGA !

Apesar do Jesus, apesar do Salvador, apesar do Machado, hoje sou do Braga.

BEM ME QUERENÇA, MAL ME QUERENÇA

Olegário Benquerença - que já esta época, em Matosinhos, não viu um penálti para o campeonato e outro para a taça - e dois auxiliares da A.F.Porto (Bertino Miranda e José Cardinal), são os nomeados para o derby de sábado.
Falava-se de Lucílio Baptista, pelo que (do mal o menos) antes a chuva que a trovoada. Quanto aos auxiliares, sendo quase todos eles do Porto (pelo menos os internacionais), também não há muito por onde escolher.

O SUSPEITO DO COSTUME

Após a vitória no Restelo, Paulo Bento, no intuito claro e um tanto desavergonhado de influenciar e pressionar, desde já, a arbitragem para os próximos jogos, voltou a lançar para o ar queixas e lamentos a que já estamos habituados, mas que carecem de fundamento objectivo.
O técnico sportinguista desafiou mesmo os analistas a fazer o balanço dos prejuízos e benefícios de arbitragem em todos os jogos do Sporting desde o início da época, sabendo de antemão que ninguém o faria, pois não é esse o hábito dos jornalistas e comentadores portugueses, que preferem, tal como ele próprio, utilizar os erros de arbitragem quando e como mais lhes convém, e evitar falar dela quando se sentem favorecidos.
Não é essa a prática de VEDETA DA BOLA, que sem receios, e sabendo o que a casa gasta, faz, semana a semana, o balanço pontual dos erros nos jogos dos três grandes, não esquece as jornadas passadas - como por vezes com leviandade se vê por aí -, nem foge a uma visão global da questão, mesmo não a colocando no plano central daquilo que deve ser um campeonato de futebol.
Por isso mesmo, e respondendo ao repto de Paulo Bento, aqui vai o resumo dos erros a favor e contra o Sporting em toda a Liga Portuguesa. A Taça da Liga e a Taça de Portugal ficam de fora deste balanço, embora a memória do que nelas aconteceu – designadamente os penáltis por assinalar frente ao FC Porto, a favor e contra, e o inenarrável golo de Vukcevic em Vila do Conde – permaneça bem viva por aqui.
Veja-se pois porque motivo Paulo Bento não tem qualquer razão, e porque é que o Sporting aparece na classificação real desta temporada como o mais favorecido de entre os três grandes. É que aqui não se lançam ideias para o ar: demonstram-se evidências.
1ª JORNADA C.Trofense 3-1 Paulo Baptista
Benefícios: Livre inexistente originou o segundo golo
Prejuízos: Penálti por falta fora da área
2ª JORNADA F.Sp.Braga 1-0 Bruno Paixão
Benefícios: Penálti por assinalar a carga sobre Meyong
Prejuízos:
3ª JORNADA C.Belenenses 2-0 Elmano Santos
Benefícios: Primeiro golo em fora-de-jogo; segundo de penálti duvidoso
Prejuízos:
4ª JORNADA F.Benfica 0-2 Duarte Gomes
Benefícios: Penálti por marcar por agarrão de Postiga a Yebda; amarelos por mostrar a Rochemback e Moutinho
Prejuízos:
5ª JORNADA C.FC Porto 1-2 Lucílio Baptista
Benefícios:
Prejuízos: Expulsão poupada a Tomás Costa
6ª JORNADA F.P.Ferreira 0-0 Olegário Benquerença
Benefícios:
Prejuízos: Expulsão perdoada a Filipe Anunciação
7ª JORNADA F.Rio Ave 1-0 Jorge Sousa
Benefícios:
Prejuízos: Golo mal anulado a Liedson; fora-de-jogo mal tirado a Derlei
8ª JORNADA C.Leixões 0-1 Pedro Proença
Benefícios: Penálti por assinalar por agarrão a Wesley
Prejuízos:
9ª JORNADA F. Naval 1-0 Soares Dias
Benefícios: Penálti por marcar por falta de Polga sobre Marcelinho
Prejuízos:
10ª JORNADA C.V.Guimarães 2-0 Duarte Gomes
Benefícios:
Prejuízos: Golo não validado pelo auxiliar
11ª JORNADA F.E.Amadora 3-1 Paulo Costa
Benefícios: Golo de Liedson em fora-de-jogo
Prejuízos:
12ª JORNADA C.Académica 0-0 Cosme Machado
Benefícios:
Prejuízos:
13ª JORNADA F.V.Setúbal 2-0 Elmano Santos
Benefícios: Livre sobre a linha de área (e amarelo) não marcado por falta de Polga
Prejuízos:
14ª JORNADA C.Marítimo 2-0 Lucílio Baptista
Benefícios:
Prejuízos: Penálti por assinalar por falta sobre Postiga
15ª JORNADA F. Nacional 1-1 Soares Dias
Benefícios: Penálti por assinalar por falta de Rui Patrício
Prejuízos:
16ª JORNADA F.Trofense 0-0 Nuno Campos
Benefícios:
Prejuízos:
17ª JORNADA C. Sp.Braga 2-3 Jorge Sousa
Benefícios:
Prejuízos: Livre sobre a linha de área não assinalado sobre Vukcevic (amarelo mostrado ao contrário)
18ª JORNADA F.Belenenses 2-1 Pedro Henriques
Benefícios: Expulsão perdoada a Rochemback
Prejuízos: Golo do Belenenses em fora-de-jogo

CONVENIÊNCIAS

O programa “O Dia Seguinte” da SIC Notícias está-se a revelar, de semana para semana, um verdadeiro santuário da manipulação anti-benfiquista, conduzido por uma redacção tendenciosa, contando com a fortíssima pressão argumentativa de Guilherme Aguiar e Dias Ferreira e sem qualquer oposição do insonso Fernando Seara, que parece sentir-se num filme bem diferente daquele em que estão os seus colegas de painel – uns vão para servir interesses, o outro vai para se distrair.
Numa semana em que se esperava ver escalpelizados e denunciados os erros graves cometidos por Elmano Santos no Dragão (e aos quais, estranhamente, só Fábio Coentrão deu voz), eis que grande parte do programa foi dedicado a uma imagem inócua e insignificante de Rui Costa no túnel da Luz – o único onde existem câmaras (?) -, à conversa com alguém da Liga (?), enquanto se vê um membro da equipa de arbitragem a sorrir animadamente, denunciando tudo menos qualquer tentativa de pressão ou coisa similar, que nem as mentes mais desconfiadas imaginariam ser feita ali, naquele local, em frente a uma câmara de televisão.
Compreende-se a necessidade de construir casos polémicos, que é já tradição numa estação que nunca lidou bem com o futebol - certamente por nunca ter podido oferecer transmissões dos jogos do campeonato. O que não se percebe, nem se pode aceitar, é que seja sempre o Benfica o alvo, e que o tratamento dado ao clube da Luz, bem como aos casos que o prejudicam, seja totalmente diferenciado relativamente aos dos outros dois grandes.
Há sempre a hipótese de mudar de canal, mas com o mediatismo que envolve e condiciona o futebol, estas são situações que não podem nem devem passar sem denúncia.
E…se outros calam, cantemos nós.

CLASSIFICAÇÃO REAL

A hora a que se disputou o Benfica-Paços de Ferreira impediu-me de visionar, no domingo, qualquer imagem televisiva, tanto do próprio jogo da Luz, como do F.C.Porto-Rio Ave que se disputara pouco tempo antes. Por esse motivo esperei pela noite de segunda-feira para, depois de ver atentamente os resumos, emitir então opinião sobre os casos de arbitragem ocorridos. Ainda bem que o fiz.
A verdade é que casos foi coisa que não faltou no jogo do Dragão, uma vez mais em benefício do F.C.Porto. E se não sou, como sabem, dos que fazem disso mais do que o que verdadeiramente é, não posso também olhar para o lado e fingir que não vi aquilo que aconteceu.

FC PORTO-RIO AVE:
Que dizer de um jogo em que há quatro golos, mas apenas um (o de Fábio Coentrão) é absolutamente limpo e inquestionável?
Elmano Santos, depois de uma arbitragem vergonhosa no Belenenses-Benfica, deu agora sinais claros de pertencer aquele lote de árbitros - que acredito ser minoritário - para quem o sistema ainda é o que era. Em poucas semanas, dois pontos tirados ao Benfica, dois pontos adicionados ao FC Porto. Dois e dois, para mim, são quatro.
O penálti é forçadíssimo, mas se o critério fosse para manter até ao fim ainda se aceitaria tamanho rigor. Acontece que o segundo golo do Porto surge na sequência de uma carga em tudo idêntica a que originou a grande penalidade, mas aí, a cinco minutos do final da partida, o juiz madeirense teve medo de apitar.
Como se tudo isto não bastasse, minutos depois Farias marcou o seu segundo golo partindo de posição irregular. Por pouco? É verdade, e até se admite que o fiscal-de-linha tenha tido dificuldade em ver. Mas que o argentino está fora-de-jogo, isso é uma verdade aritmética. Tão aritmética como a irregularidade do seu outro golo, este bem anulado, ainda na primeira parte.
O FC Porto reclamou golo num lance em que a bola pode eventualmente ter ultrapassado a linha de baliza. Eu não vi, nem ninguém viu. De boa fé não se pode ter certezas quanto a este lance. Quando assim é não há como não dar o benefício da dúvida a quem melhor colocado estava para avaliar. Seguindo o critério que segui para o Sporting-Sp.Braga, aceito a decisão tomada.
Teríamos então o seguinte puzzle: Ou o penálti, ou o primeiro golo de Farias teriam de ser invalidados, de forma a manter um critério uniforme. O último golo era anulado. Ficava 1-1
Recordando o que aconteceu no Restelo, temos aqui um árbitro para a galeria dos notáveis, onde se encontram, entre outros, Carlos Xistra, Lucílio Baptista, Olegário Benquerença, Paulo Costa e Rui Costa. São, diria, os resistentes de um sistema que insiste em querer dar sinais de vida e em negar o seu inevitável ocaso.
Resultado Real: 1-1

BELENENSES-SPORTING:
O único caso que me recordo deste jogo foi o eventual fora-de-jogo de Marcelo no golo do Belenenses. É um lance difícil de analisar pelo auxiliar, mas vendo as repetições televisivas percebe-se que o jogador azul está ligeiramente adiantado.
O jogo terminou com o resultado de 1-2, pelo que o lance não teve influência pontual e não justificava as palavras de Paulo Bento no final. Até porque o Sporting tem sido, esta época, o clube mais beneficiado pelas arbitragens, como a própria classificação real o demonstra. E julgo ser insuspeito para situar os benefícios do Sporting acima dos do FC Porto, pois entre os dois clubes não tenho qualquer dúvida ou hesitação sobre qual gosto menos.
Resultado Real: 0-2

BENFICA-PAÇOS DE FERREIRA:
Há apenas dois lances que merecem reparo. Um fora-de-jogo muito mal tirado a Aimar – não me recordo, com franqueza, qual era o resultado nesse momento -, e a falta assinalada nos últimos segundos, de onde resultou a bola ao poste que quase gelou a Luz. Em ambos os casos a equipa de arbitragem esteve mal.
Quanto ao golo anulado a Cardozo não há nada a dizer. Tal como quanto ao que valeu, ainda que o técnico pacense tenha clamado por uma irregularidade que mais ninguém viu.
Resultado Real: 3-2

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 40 (prejudicado em 3 pontos)
FC Porto 35 (beneficiado em 3 pontos)
Sp.Braga 34 (prejudicado em 5 pontos)
Sporting 29 (beneficiado em 5 pontos)

EMOÇÕES FORTES E FINAL FELIZ

Tal como já ocorrera na Mata Real, Benfica e Paços de Ferreira voltaram a oferecer um magnífico espectáculo, recheado de dramatismo, emoção, futebol e grandes golos.
Desta vez o jogo valeu sobretudo (apenas?) pelos excepcionais vinte minutos finais, ao longo dos quais, cinco golos – dois deles de grande qualidade -, e uma constante incerteza no marcador, levaram as emoções ao rubro, e deixaram um travo reconfortante em quem se dispôs a ir à Luz, a horas já adiantadas de uma noite de domingo, e para quem, tudo o que se passara até aos 70 minutos pouco havia feito para evitar arrependimentos.
O Benfica ganhou com toda a justiça, mas entre um cabeceamento à barra de Luisão ainda na primeira parte, e o golo de Cardozo que abriu o marcador, mostrou muito pouco para quem tinha forçosamente de vencer. A principal preocupação que ressalta desta exibição benfiquista prende-se, contudo, com o que se passou nos instantes finais, quando nem perante uma vantagem de dois golos os encarnados foram capazes de segurar o jogo com firmeza, terminando com o credo na boca e a agradecer aos deuses da fortuna que o poste da baliza de Moreira tivesse devolvido aquele remate pacense no último segundo.
Já não é a primeira vez que o Benfica se vê em grandes dificuldades depois de estar a vencer, tendo todas as condições para matar os jogos e aniquilar as hipóteses do adversário. Ao contrário do que se vê, por exemplo, no Sporting de Paulo Bento, os encarnados parecem sofrer mais quando estão em vantagem, tal a dificuldade que mostram em jogar sem a bola e fechar os caminhos da sua baliza. Em Matosinhos e com o V.Setúbal, o Benfica perdeu pontos nos últimos minutos. Com Naval e E.Amadora, ou em Guimarães – para além do duplo confronto com o Paços - a equipa de Quique viu-se e desejou-se para agarrar vitórias que, a dada altura, pareciam asseguradas. A fragilidade que o Benfica demonstra nesses momentos é muita. É demasiada para quem pretende ser campeão.É claro que para o espectador, uma vitória conseguida nas circunstâncias da de ontem torna-se entusiasmante. Para o analista não é tanto assim, pois uma grande equipa teria terminado com o jogo aos 2-0, fazendo contenção, fechando caminhos, tirando iniciativa, impondo ritmos lentos e fazendo resignar o adversário, evitando estes finais hitchcockianos, que tanto podem pender para a felicidade como para a tragédia.
Não se pode, no entanto, tirar mérito ao Paços de Ferreira, orientado por um jovem e talentoso técnico, cujo único pecado nesta partida terá estado na forma como a abordou até ao primeiro golo, quase não existindo no plano ofensivo, e limitando-se a acções de anti-jogo reiterado, nada condizentes com o que tem sido o percurso desta equipa na Liga, e com aquilo que depois ainda teria tempo de demonstrar, mesmo sem que evitasse a derrota.
No plano individual há que destacar as prestações de Di Maria e Ruben Amorim, para além do regresso de Cardozo aos golos.
O árbitro Cosme Machado esteve globalmente bem, ainda que aquele livre aos 94 minutos (de onde resultou a bola ao poste) me parecesse não ter existido.

DE VIDA OU DE MORTE !

Uma semana depois do Dragão, uma semana antes de Alvalade, o Benfica tem domingo pela frente um jogo que também vale três pontos.
É em partidas como esta, frente a adversários teoricamente mais fracos, que as contas finais do título se vão fazer. E até agora, foi justamente nestas que os encarnados demonstraram maiores dificuldades.
Perder pontos neste momento seria um suicídio, pelo que o jogo com o Paços de Ferreira terá de ser encarado, como todos até final, como um "jogo de vida ou de morte". Mais do que o castigo a Lisandro, mais do que a candura jurídica de Pinto da Costa, o que importa ao Benfica é, a bem ou a mal, com sorte ou sem ela, ganhar ao Paços.
Fica a habitual sugestão para o onze inicial, que não deixa de ter em conta os aspectos físicos:

HOJE NAS BANCAS

Se quer saber porque é que o Benfica foi o clube europeu com melhor palmarés durante a década de sessenta, e se quer relembrar os pontos perdidos pelos encarnados em jogos arbitrados por Pedro Proença, não perca o Jornal do seu Clube.
Destaque ainda para a habitual opinião de LF, e para um artigo de fundo (também aqui da casa) desmontando a ridícula conotação do Benfica com o regime salazarista, que neste número tem publicada a primeira de três partes.
É o mais barato jornal desportivo português. Custa apenas 0,75, e vale bem o preço.

O ARQUÉTIPO DA IMPUNIDADE

Embora a decisão seja passível de recurso, tudo indica que Pinto da Costa se vai livrar de julgamento no caso da “fruta”, ou seja, o relacionado com o F.C.Porto-E.Amadora (Jacinto Paixão) de 2003-04. No outro caso, o do Beira-Mar-F.C.Porto (Augusto Duarte), o presidente do F.C.Porto vai mesmo ser julgado, estando a primeira sessão marcada para o próximo dia 3 de Março.
Após o jogo contra o Estrela, a equipa de arbitragem foi presenteada com um jantar de luxo pago por Reinaldo Teles, seguido de uma orgia a expensas de um empresário ligado ao F.C.Porto (que combinou os seus termos de forma bem clara, e escura, pelo telefone com Pinto da Costa). Nada disto parece ser suficientemente óbvio para a babilónica justiça portuguesa, que não tem meios para, perante tamanhas evidências, encontrar uma prova juridicamente válida que ligue o presidente portista ao episódio.
Num país onde tudo fica impune, não é de estranhar este desfecho – como não será de estranhar que não venha a ser possível apurar culpas no caso a julgar. Na lamaçenta justiça portuguesa, produzir provas é uma tarefa hercúlea - mesmo perante as mais gritantes evidências -, o garantismo chega a extremos absurdos, o código penal, a cada revisão, só agrava o problema, e todos os processos com um pouco mais de complexidade acabam, de recurso em recurso, de incidente processual em incidente processual, por ficar perdidos nas gavetas da impunidade, após meses e meses (anos!) de generosos honorários para os advogados envolvidos – únicos, para além dos próprios criminosos, a quem interessa este estado de coisas.
Casa Pia, Operação Furacão, Fátima Felgueiras, Freeport são exemplos do caos a que chegou a nossa justiça, e da falta de credibilidade que a mesma nos merece, sobretudo quando estão em causa figuras com poder político, económico ou social. Não se esperaria que o Apito Dourado fugisse à regra.
A mim, no caso concreto de Pinto da Costa, e pelo que atrás escrevi, pouco me interessa o que venha a ser provado ou não em tribunal. As escutas existem, são claras, mas nem mesmo isso seria necessário. Bastar-me-ia o que vi nos relvados deste país ao longo de vinte anos.

A CRISE PODE ESPERAR

Face à profunda revolução que Carlos Queiroz decidiu implementar nas convocatórias da Selecção Nacional, temia-se que este jogo particular com a Finlândia, ao invés de servir para uma maior mecanização colectiva, pudesse redundar num acréscimo de perturbação e desconfiança no seio da equipa e em redor dela. Um eventual mau resultado seria (mais) um inegável passo atrás na consolidação de um projecto cujo objectivo é – supõe-se – a presença no Mundial 2010.
Nesta perspectiva tem de dizer-se que o seleccionador nacional (mais penálti, menos penálti) venceu a aposta, e pode, para já, respirar de alívio. Portugal venceu, e realizou uma exibição bem melhor que aquelas que tinha realizado nos seus últimos jogos. O resultado tangencial é manifestamente magro para aquilo que a equipa nacional produziu, ainda que o desperdício de oportunidades seja algo que não convenha repetir quando voltarem os jogos a sério, nomeadamente no próximo dia 28 de Março diante da Suécia.
Dos jogadores que se estrearam, há que realçar a exibição de Duda no flanco esquerdo da defesa - no plano ofensivo esteve muito bem, faltando-lhe ainda, todavia, uma prova de fogo, frente a um adversário mais exigente, para se saber como se comporta a defender. Também Orlando Sá deixou boas indicações. Falhou dois golos, mas a forma como se desmarcou e apareceu em posição de remate define a sua categoria. Como alguém já disse um dia, ponta-de-lança que falhe muitos golos nunca é um mau ponta-de-lança.
De resto viu-se uma equipa empenhada, trabalhadora e motivada, tal como Queiroz pedira. Nomes como Ricardo Carvalho e Simão Sabrosa ainda caberão certamente neste onze, a aposta em Pepe para o meio-campo não parece desajustada – tendo em conta as alternativas que existem no centro da defesa, e a escassez de jogadores para a posição seis -, e assim parecem criadas as condições para a nossa selecção começar a inverter a tendência dos últimos resultados, e correr para ultrapassar a difícil situação em que se encontra na classificação do grupo de apuramento. A tarefa não é fácil, mas a esperança renasceu ligeiramente.

FUTEBOL E PARAFUTEBOL

Poucos minutos depois de terminado o clássico de domingo, e ainda a quente, escrevi aqui que era altura de o Benfica dar o primeiro passo no sentido de deixar a arbitragem tranquilamente no seu lugar, que é um lugar lateral ao que deve ser o espectáculo desportivo. Parece que a direcção da SAD encarnada é da mesma opinião, e as críticas a Pedro Proença ficaram-se pelo óbvio: constatar o erro que decidiu o jogo.
Por muito que custe perder pontos daquela forma, por grande que seja a importância que eles possam vir a ter no desenrolar do campeonato, há que compreender de uma vez por todas que o trabalho dos árbitros é extraordinariamente difícil, que, como toda a gente, se podem enganar, e que, na sua esmagadora maioria, entram em campo com uma firme vontade de não cometer erros, não lhes passando pela cabeça favorecer este ou aquele. Quem abandona o conforto do sofá e assiste a jogos nos estádios, sabe bem que em tempo real a maioria dos lances duvidosos ficam mesmo por esclarecer, e em muitos outros a própria dúvida só é suscitada mais tarde através dos resumos. Eu, por exemplo, assisti ao Benfica-Sp.Braga na Luz, e saí do estádio convencido de que a arbitragem tinha sido relativamente pacífica (eventualmente com um penálti por assinalar – o de Luisão). Só ao ligar o rádio do carro percebi toda a polémica, que lá dentro escapou a quase toda a gente. Isto já se repetiu noutros jogos, a favor e contra.

Na verdade, exige-se ao árbitro aquilo que, honestamente, nenhum adepto ou comentador, em nenhum estádio, consegue fazer. Pretende-se que ele decida “in loco” com a mesma exactidão com que se opina após ver uma dúzia de repetições em todos os ângulos, na maioria das vezes sem que mesmo assim se chegue a um consenso.
O Benfica já foi prejudicado várias vezes, e beneficiado algumas outras. O F.C.Porto e o Sporting também. Tem sido assim desde 2004, ano em que o caso Apito Dourado emergiu e fez ruir o podre edifício que governava o futebol português nas décadas anteriores.
De 1984 a 2004 o F.C.Porto dominou a arbitragem. Durante esse período beneficiou - muitas vezes de forma grotesca - das ajudas dos senhores do apito para, a partir delas, e perante o adormecimento dos rivais, construir a sua hegemonia desportiva. Quero acreditar que - mesmo com um ou outro resquício - esse tempo já acabou. Pode-se pois discutir a competência dos árbitros, a sua melhor ou pior preparação, mas não creio que seja hoje lícito apontar-se o dedo à sua idoneidade. Haverá casos de menor seriedade, mas não são a maioria, nem suficientes para identificar um movimento subterrâneo no sentido de carregar alguém ao colo para as vitórias e os títulos, como sucedeu durante vinte anos com o clube dirigido por Pinto da Costa.
É claro que, num país onde se ama a polémica e a desconfiança, as discussões sobre arbitragem sobrepõem-se claramente à paixão pelo próprio jogo, atraindo sobre si um mediatismo que uma comunicação social tolhida pelas grilhetas da concorrência acaba invariavelmente por abraçar. Desprezam-se jogadores, treinadores, golos, defesas e cria-se assim uma espécie de campeonato paralelo, onde o título supremo é demonstrar que o nosso clube é mais prejudicado que os outros, como se (ou para que) dessa constatação se pudesse extrair algum benefício. Constrói-se um pantanoso cenário em redor dos jogos, que a prazo vai corroendo aquilo que o futebol tem de melhor e mais salutar, em nome de guerras de alecrim e manjerona que não levam a nada que não a sua própria auto-sustentação.
É bom que todos nós – adeptos do futebol – tenhamos ao menos a noção da irracionalidade que o gasto discurso sobre arbitragens encerra. É com orgulho que vejo o meu clube reagir com frieza e objectividade àquilo que – independentemente das consequências - não foi mais do que um momento de infelicidade de quem tinha de decidir num segundo algo que todos demoramos dois ou três dias a analisar esmiuçadamente. Assim outros sigam este registo, e em breve poderemos ter um futebol devolvido àquilo que é a beleza da sua essência.
Sinto-me particularmente à vontade para dizer tudo isto na sequência de um importante jogo em que o meu clube saiu prejudicado, o que de resto já ocorrera gritantemente frente a Nacional e Belenenses, olhando apenas ao último mês e meio. Seria pouco sério fazê-lo num momento em que sucedesse o contrário.
Aproveito, por fim, para reproduzir aqui um artigo notável de Luís Freitas Lobo em "A Bola", sobre arbitragem, e que vai de encontro à opinião que acabo de expressar:

"Não recordo quem disse isto, penso que um antigo árbitro francês (talvez Vautrot) pelos anos 80. Dizia mais ou menos assim: «Apenas existe um animal no mundo capaz de correr veloz de costas, meio virado de lado sobre uma linha sem perder o equilíbrio e olhando ao mesmo tempo para dois lados diferentes, com uma bandeira na mão, que deve levantar quando travar de repente.» É o fiscal-de-linha no futebol. É uma perspectiva demasiada animalesca da função, mas, vendo bem, faz sentido. Os árbitros vivem e apitam sob uma chuva de pressões. É raro eu falar de arbitragens. Por várias razões. Desde logo, porque não está aí a minha paixão e interesse pelo jogo e, depois, porque sempre que os vejo em campo ou assisto a todas estas polémicas, acabo sempre a pensar no mesmo. É que consigo entender uma pessoa querer ser mineiro, ninja ou até desactivador de bombas, mas, sinceramente, não consigo entender querer ser árbitro de futebol. Porque, reparem bem, trata-se de uma actividade em que um indivíduo que gosta de futebol está dentro do relvado sem poder tocar na bola, sempre a correr, a tomar decisões, ouvindo protestos dos jogadores e insultos vindos de todo o lado. Tudo isto durante 90 minutos. Será espírito de missão, não sei.O fiscal-de-linha, então, vive ainda mais na sombra das trevas. Nunca esqueci um debate que ouvi há anos, penso que no Chile, em que um deles se queixava do regulamento disciplinar que previa três jogos de castigo ao jogador que chamasse filho da p… ao árbitro e apenas um ao que chamasse o mesmo ao fiscal-de-linha. Até pode ter piada visto ao longe, mas esta discriminação em relação à mãe do bandeirinha é um princípio tão injusto quanto perturbante, porque há algo de simultaneamente chaplinesco e realista nesta norma.Penso que o princípio de um bom árbitro está em mais do que as regras, conhecer o jogo. Ou seja, mais do que transcrever a lei, entrar na lógica de movimentos e choques que o jogo provoca ou proporciona e, com isso, distinguir meros contactos de faltas. Isto também vale para questões emocionais, não confundindo o que é o jogador a viver o jogo com actos de indisciplina.Em geral, os árbitros percebem-se logo no início dos jogos. Quando parece frágil, os jogadores comem-no. Quando entra feito duro, é o público que o sufoca. Em qualquer situação, muitos erros causam inquietação. E os adeptos desconfiam que algo se passa nas suas costas. Tento fugir a essa sensação. É difícil. Nessas alturas, imagino a melhor forma dos árbitros se defenderem no caso de serem chamados a falar. A resposta que encontro deixa-me ainda mais perplexo. Porque, ao ponto que chegaram as coisas, mais do que pensar na tese da dificuldade física da tarefa, bastar-me-ia ouvir o seguinte: «Não senhor, nós, árbitros, não somos desonestos. Apenas incompetentes.» Quando uma frase assustadora, que reconhece ineptidão, passa a fazer mais sentido e deixa o adepto comum mais aliviado, é porque o futebol, sem o mínimo de sensatez, chegou mesmo à berma do precipício."

A ANATOMIA DE UMA CANDIDATURA AO TÍTULO

Jogando pela primeira vez em todo o campeonato com aquele que é, provavelmente, o seu melhor onze, o Benfica deixou no Estádio do Dragão uma excelente impressão acerca de si próprio e das suas reais possibilidades de chegar ao título.
Independentemente dos erros de arbitragem, ou mesmo da discussão acerca de quem tenha criado mais ou melhores ocasiões para marcar, é inegável que os encarnados se apresentaram com um nível de organização colectiva e uma auto-confiança que ainda se lhes não vira nesta temporada. O Benfica foi uma equipa segura, madura, solidária e, depois dos primeiros instantes, quase sempre capaz de controlar os ritmos de jogo a seu bel-prazer. Foi, em suma, uma verdadeira equipa, apenas traída por um erro de arbitragem.
Será o Benfica capaz de, daqui em diante, semana a semana, voltar a mostrar a cara bonita que se viu no Dragão? Esta é a dúvida que permanece por esclarecer, e à qual talvez os próximos dois jogos – totalmente diferentes um do outro – possam dar resposta.
Creio que este Benfica é integralmente ajustável ao jogo de Alvalade. A disponibilidade competitiva deverá ser semelhante, o onze base só por lesão ou castigo poderá ser alterado, o modelo de jogo será o mesmo. As hipóteses de êxito são tantas quanto a sorte do jogo o permitir, sabendo-se que um derby acarreta sempre um elevadíssimo grau de imprevisibilidade, mas não parece ser precipitado antecipar desde já uma boa prestação colectiva da equipa encarnada nessa partida, até porque algumas das carências do Sporting são bastante similares às do F.C.Porto - nomeadamente a incapacidade de gerar jogo ofensivo pelos corredores laterais.
O problema que o Benfica terá, na minha perspectiva, mais dificuldades em tornear prende-se com a abordagem a outro tipo de jogos, diante de equipas mais fechadas e combativas, que não irão permitir a Aimar, Suazo e Reyes - que, diga-se, foi apenas a terceira vez que jogaram juntos, depois de Guimarães e do Funchal, ambas com grande êxito - os espaços de que nestes grandes clássicos (ou em certa medida em jogos fora com equipas do espectro europeu) acabam por desfrutar. Paços de Ferreira, Leixões, Académica, Naval, Estrela da Amadora, Trofense, Vitória de Setúbal e Belenenses são alguns dos adversários que os encarnados terão pela frente até à 30ª jornada, e são jogos onde a perda de pontos se pode revelar fatal. É muito duvidoso que este modelo de jogo sirva para todas essas ocasiões, algo que de certa forma já transpareceu das deslocações a Vila do Conde, Matosinhos, Trofa e Restelo, ou mesmo dos últimos jogos em casa, nos quais, desde Novembro, apenas Mantorras e David Luíz (em fora-de-jogo), conseguiram marcar golos.
Este é pois o desafio que Quique Flores tem por diante. É neste aspecto que o Benfica encontra ainda muito espaço para melhorar, e será esse caminho que determinará se pode ou não ter condições para conquistar, já nesta época, o título nacional. Quem senta no banco de suplentes sete (!) internacionais A, como sucedeu no passado domingo (Quim, Jorge Ribeiro, Binya, Carlos Martins, Di Maria, Nuno Gomes e Óscar Cardozo), tem, em princípio, todas as condições para encontrar uma solução feliz.
Não podemos esquecer, contudo, que o Benfica não corre sozinho, e que neste momento nem sequer depende matematicamente apenas de si próprio. O que Sporting e, sobretudo, F.C.Porto fizerem daqui em diante, a forma como cada um deles souber resolver os problemas que também têm, ditará, como é natural, muito do destino deste campeonato.
Os leões terão de ultrapassar a instabilidade que a anunciada saída de presidente (e treinador?) decerto causará no edifício do seu futebol. Dentro do campo, o problema mais complicado prende-se com o fraquíssimo rendimento que tanto Miguel Veloso, como principalmente Rochemback (um flop que aqui anunciei na altura) têm demonstrado numa posição absolutamente nevrálgica, e onde talvez a adaptação de João Moutinho não fosse despicienda.
Quanto ao F.C.Porto, embora tenha a vantagem de ser líder, e disponha de um colectivo forte, sistematizado e habituado a vencer, terá de encontrar forma de marcar golos nos jogos em sua casa, onde o seu trio ofensivo (Hulk, Lisandro e Rodriguez), sem espaço para correr, parece perder grande parte do poder de fogo que exibe quando joga fora. De Novembro para cá, o F.C.Porto apenas marcou um golo no Estádio do Dragão em jogos do campeonato: justamente o penálti fantasma de Lucho no último domingo...

E ELE PREOCUPADO...

Se a cada despedimento correspondesse a indemnização que Luís Felipe Scolari vai receber do Chelsea, o desemprego deixaria de ser um problema para passar a ser o objectivo de qualquer mortal. Serve isto para dizer que ninguém lamenta a sorte de Felipão, por muita ou pouca admiração que se nutra por ele.
Não podemos também esquecer que este é o clube que já despediu Cláudio Ranieri, José Mourinho, e um israelita quase desconhecido que perdeu a final da Liga dos Campeões por penáltis. A gestão de Abramovitch não é pois exemplo para ninguém e, ou me engano muito, ou mais ano menos ano o Chelsea voltará a ser o clube de bairro que sempre foi.
Era previsível que Scolari, emocional, latino, sul-americano, impulsivo, encontrasse bastantes dificuldades num futebol tão racionalizado como o inglês. As principais virtudes do brasileiro, que tão bons resultados proporcionam ao nível de selecções, não são aplicáveis naquele tipo de contexto e, sobretudo, num clube com as particularidades do Chelsea. Este é pois um desfecho que pouco tem de surpreendente.
Resta agora saber o que irá fazer Felipão. Por mim arranjava-lhe emprego já esta semana, e não é preciso ser muito perspicaz para se perceber onde.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Clássico sem casos não é clássico. Mas talvez desde Benquerença - há mais de quatro anos - que um erro de arbitragem não se revelava tão dramaticamente decisivo num jogo desta natureza.
Entretanto em Alvalade também houve polémica.

SPORTING-SP.BRAGA:
Pouco vi do jogo - apenas um resumo e alguns minutos durante o intervalo da partida do Dragão. Desconheço portanto se houve outros casos para além dos dois de que mais se tem falado.
No lance em que Vukcevic viu cartão amarelo por simulação, pareceu-me ter existido um toque, mas fora-da-área. Seria pois livre e cartão amarelo…para o jogador bracarense. Não há lugar a penálti, nem, consequentemente, a correcção classificativa.
Sobre o golo-ou-não-golo do Sp.Braga, francamente não sei o que escrever. Não vi a bola entrar, nem poderei garantir que não entrou. Pelas imagens que vi ninguém o pode fazer. Creio que o árbitro assistente estava bem colocado, e haverá que lhe dar o benefício da dúvida.
Resultado Real: 2-3

F.C.PORTO-BENFICA:
A grande penalidade assinalada por Pedro Proença nem sequer me parece tratar-se de um “caso”. Foi simplesmente um erro, um equívoco, uma distracção ou aquilo que se lhe queira chamar, mas é um lance que não oferece a mínima discussão. Não houve qualquer falta, e pronto. Só por má fé ou fanatismo se poderá ter outra opinião.
Aquilo que se pode discutir na arbitragem do clássico resume-se pois ao lance entre Reyes e Lucho ainda na primeira parte.
Há de facto um toque do espanhol no pé do argentino, que se impedisse este de continuar o lance poderia ser passível de marcação de penálti. Acontece que Lucho, não só ficou com a bola, como pôde tranquilamente preparar a continuação da jogada, pelo que não creio haver motivo para assinalar qualquer falta.
Não se trata de dar ou não a lei da vantagem. Simplesmente, o contacto que houve não foi suficiente para impedir Lucho de prosseguir o lance, logo não se pode, em rigor, considerar faltoso. Se o argentino caísse, e a bola sobrasse para outro jogador do Porto, aí sim, poder-se-ia colocar a questão de dentro da área não existir lei da vantagem. Neste caso não. Assim como quando alguém tenta jogar a bola com a mão mas não lhe chega, também quando alguém tenta, ou faz o movimento, de derrubar outrem mas não o consegue, entendo não haver lugar a infracção. É, honestamente, a minha opinião, que pode estar errada mas é minha. E como não estou aqui para dar as opiniões dos outros, é esta que escrevo.
Sublinhe-se todavia a forma como Lucho Gonzalez – ao contrário do que faria mais tarde um seu compatriota – preferiu disputar o lance em vez de forçar uma queda e um penálti, que o árbitro não deixaria seguramente de marcar, mas que seria, cartesianamente, inexistente. A isto chama-se cultura desportiva, e Lucho já não é a primeira vez que dela dá mostras. É, aliás, o tipo de jogador que lamento profundamente não estar no Benfica.
Resultado Real: 0-1

CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA 37 (prejudicado em 3 pontos)
Sp.Braga 34 (prejudicado em 5 pontos)
F.C.Porto 34 (beneficiado em 1 ponto)
Sporting 26 (beneficiado em 5 pontos)

À semelhança da semana anterior, considero aqui o Sp.Braga, e fá-lo-ei enquanto se mantiver com hipóteses de disputar os primeiros lugares, algo que estou em crer será uma realidade dentro de semanas.
Importa contudo relembrar que, na primeira volta, só foram tidos em conta os seus jogos contra os grandes.

PROENÇA, 1- BENFICA, 1

Devo dizer desde já que título desta crónica não pretende crucificar ninguém. Apesar do modo lamentável como Pedro Proença interferiu no resultado – e estragou um belo clássico - o que é justo salientar em primeiro lugar é a forma brilhante como o Benfica abordou e disputou este jogo, mostrando inequivocamente estofo para discutir o campeonato até ao fim – algo que, diga-se, ainda não tinha ficado totalmente claro até esta noite.
Os encarnados foram a melhor equipa em campo e mereciam a vitória. Conseguiram-na, mas uma decisão de arbitragem retirou-lha das mãos. Todavia, o erro não deve e não pode impedir-nos de, terminada a partida, olhar para os jogadores do Benfica da mesmíssima forma como se tivessem alcançado os três pontos. Fizeram tudo para isso. Não lhes foi permitido mais.
Acredito que Pedro Proença seja uma pessoa séria, e se marcou penálti foi porque viu mal o lance. São coisas que acontecem no futebol, e creio ser agora uma boa oportunidade para os benfiquistas mostrarem alguma distinção na forma como em Portugal se reage a estas situações, que no passado tinham inegavelmente carácter subterrâneo, mas hoje acredito circunscreverem-se aos meros terrenos da fortuna e do azar. O Benfica teve azar com a arbitragem, e por isso não ganhou no Dragão.
A forma desinibida como o conjunto de Quique entrou em campo marcou o jogo. Nunca se notou um pingo de medo ou ansiedade, e foi paradoxalmente o F.C.Porto a revelar alguma intranquilidade, sobretudo nos minutos em que esteve em desvantagem. Foi na força mental com que se apresentou que o Benfica começou a desenhar o destino da partida, algo que representa uma novidade face ao que tem sido comum suceder, ano após ano, naquele estádio.A primeira parte foi equilibrada, com situações de perigo junto de uma e de outra baliza, ainda que fosse Reyes a estar, por duas vezesm mais próximo do golo. Um empate ao intervalo talvez se aceitasse, mas o golo de Yebda, já no tempo de descontos, foi o golpe de que o Benfica precisava para se afirmar definitivamente como a melhor equipa em campo. E foi isso que aconteceu ao longo do segundo período, no qual o F.C.Porto nunca encontrou formas de suplantar a organização benfiquista, e em que os minutos foram passando à medida que a vitória do Benfica se ia tornando cada vez mais previsível e natural, face à forma como os encarnados controlavam o jogo e neutralizavam as principais armas do adversário. A situação de vantagem transmitiu segurança ao onze benfiquista, que teve as linhas defensivas em excelente plano, e por via de Aimar ia encontrando espaços por onde pôr em sentido o adversário. Suazo esteve muito perto do 0-2, Ruben Amorim também, mas quando menos se esperava, e o F.C.Porto menos merecia, surgiu o momento do jogo - o momento do penálti.
A partir daí pensou-se que os azuis-e-brancos - com tamanha dádiva caída dos céus - poderiam encontrar forças e moral para chegar à vitória. Não foi isso que aconteceu, e acabou por ser o Benfica a estar novamente mais perto do golo, acabando o jogo em cima da área portista, numa atitude corajosa e digna de um verdadeiro campeão.
O apito final de Pedro Proença soou a desilusão para os benfiquistas. Não me recordo de um empate tão frustrante no estádio do F.C.Porto, por muito que as contas do campeonato permaneçam em aberto, e por muito que a derrota tivesse sido bem pior. Fica contudo a exibição personalizada, confiante, segura e, por momentos, brilhante do Benfica. Uma exibição carregada de motivos de optimismo para o futuro próximo dos encarnados nesta temporada.
O F.C.Porto provou uma vez mais estar muito distante da equipa dominadora da época passada, e não fosse Pedro Proença estaria agora a chorar a derrota e a perda da liderança.
Segue o campeonato.

É ASSIM !

Com recurso ao extenso arquivo do Bakero, recordemos aquela que foi, eventualmente, a mais saborosa vitória de todos os tempos do Benfica sobre o F.C.Porto.
Abril de 1991, 0-2 nas Antas, dois golos de César Brito. Lembram-se?
Em 2006 publiquei neste espaço as minhas memórias desta partida, na rubrica "Jogos para a Eternidade". Para quem quiser ler, ou reler, aqui está.

RIGOR MÁXIMO; MEDO MÍNIMO

O F.C.Porto-Benfica do próximo domingo não é decisivo mas… quase.
Terminar esta jornada na liderança da tabela com dois pontos de avanço é, como diria La Palisse, totalmente diferente do que concluí-la a quatro de distância (na prática cinco) do primeiro lugar. Mas se tomarmos em consideração que no domingo à noite ficarão a faltar apenas treze jogos para o fim da Liga, que o F.C.Porto já se deslocou à Luz, a Alvalade, a Braga e à Choupana, e avaliarmos tudo o que uma vitória num jogo desta natureza envolve, particularmente no aspecto anímico, teremos a rodear este clássico um grau de importância que vai muito para além dos três pontos em disputa.
Se me desafiarem a apontar favoritismo, pelo facto de jogar em casa, de ser campeão, de estar em primeiro, e de ser uma equipa com um processo de maturação mais desenvolvido, terei de apostar no F.C.Porto. Mas se me perguntam se acredito numa vitória do Benfica, respondo convicta e afirmativamente que sim.
A equipa de Quique Flores tem-se definido pela irregularidade. Ora faz exibições promissoras, ora desencanta tudo e todos, ainda que, globalmente, os resultados não sejam, para já, negativos. Nessa instabilidade competitiva conseguimos todavia identificar um padrão a que as prestações benfiquistas raramente têm fugido ao longo do que já lá vai de temporada: bons jogos contra equipas tecnicamente evoluídas, ofensivas e abertas, grandes dificuldades contra adversários mais pequenos, mais fechados e pressionantes - a excepção terá sido a derrota de Atenas.
O jogo do Dragão parece pois, no plano meramente técnico-táctico, corresponder à tipologia que mais confortável se tem revelado para os encarnados. Um adversário tecnicamente forte, a jogar em casa, a dar velocidade ao jogo e a querer atacar, deixando certamente alguns espaços na sua retaguarda, nos quais jogadores como Aimar, Reyes e, sobretudo, Suazo, se sentem como peixe na água.
Mas esta partida tem, como grande parte dos clássicos, muito mais conteúdo do que a simples análise táctica às equipas em presença. É jogada num ambiente extremamente hostil, onde o Benfica tem sentido grandes dificuldades nos últimos anos para sequer conseguir pontuar - para o F.C.Porto este jogo representa normalmente muito mais do que uma simples partida de futebol, e a agressividade competitiva que é posta em campo revela-se quase sempre muito difícil de contrariar.
Um jogo como este é pois, antes de tudo o mais, um desafio à coragem dos jogadores, à sua força mental e sua capacidade de superação, condimentos que, afinal de contas, costumam temperar os campeões É justamente neste particular que os jogadores do Benfica terão de mostrar o que valem. Será por aqui que o Benfica pode mostrar neste domingo se tem ou não condições para merecer o título nacional, se tem ou não aquilo a que se costuma chamar “estofo”.
Com um onze recheado de experientes internacionais habituados a todos os palcos – de Luisão a Katsouranis, de Aimar a Reyes – os encarnados podem, devem, e têm de saber resistir ao ambiente, fazendo-o reverter a favor da sua força anímica, da sua concentração competitiva, e da sua vontade de vencer. Têm sobretudo que acreditar em si próprios, convencer-se que podem ser melhores, que as bancadas não marcam golos, e que a vitória está ao seu alcance. Creio que a equipa do Benfica, esta equipa do Benfica, já estará em condições de o poder fazer - se assim for, pode muito bem sair desta partida embalada rumo ao título.
É claro que o factor sorte pesa muito neste tipo de jogos, cuja decisão se prende por vezes num simples detalhe. Mas com uma atitude de grande coragem e total concentração, o Benfica tornará bastante mais difícil um desfecho negativo, ou não fosse a sorte proteger habitualmente os audazes.
Quando falo em coragem, não me refiro necessariamente a uma equipa com quatro avançados. Penso que o Benfica deve primeiro que tudo fechar a sua baliza, e esperar pelo adversário. A coragem exige-se é a cada jogador no exercício das suas funções dentro do campo – sem hesitações, sem medos, sem desconcentrações, com confiança, eu diria mesmo, com a arrogância de quem sabe ter argumentos para poder ser melhor.
Creio ser esta a chave para um bom resultado. E um bom resultado será uma vitória, na qual francamente acredito.
Força Benfica!

Estádio do Dragão, domingo, 19.45 h (Sport Tv)
Árbitro: Pedro Proença
Equipas:
F.C.PORTO – Helton, Fucile, Rolando, Bruno Alves, Cissoko, Fernando, Raul Meireles, Lucho, Lisandro, Hulk e Rodriguez
BENFICA – Moreira, Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, David Luíz, Katsouranis, Yebda, Ruben Amorim, Reyes, Aimar e Suazo.

O HOMEM DO APITO

De acordo com a sondagem feita aqui ao lado, VEDETA DA BOLA tinha apostado em Pedro Proença ou em Jorge Sousa para o clássico deste fim-de-semana.
A nomeação recaiu sobre o lisboeta, enquanto o portuense vai estar em Alvalade para o Sporting-Sp.Braga.
Não é uma nomeação boa, nem má. É apenas óbvia.
Espera-se é que Pedro Proença não se decida por uma atitude de ostensiva auto-contrição em face de ser, ou ter sido, alegadamente, sócio do Benfica, e não faça o que fez em Penafiel em 2005, quando ao não assinalar duas grandes penalidades claras quase tirou o campeonato ao clube que dizem ser o seu.
Acredito que não, e que a sua arbitragem vai ser isenta e competente.

OS CONVOCADOS DE QUEIROZ

Tira-se o Pepe, o Deco e o Cristiano Ronaldo, e parece uma equipa "B", com alguns jogadores que nunca vi sequer jogar.
A grande vantagem desta lista é não ter ninguém do Benfica, numa fase crucial da época clubistica. Mas para o jogo com a Suécia, ou se recuperam alguns pesos-pesados (Quim, Bosingwa, Meira, R.Carvalho, Caneira, Simão, N.Gomes, Postiga, Quaresma etc), ou com tantas invenções iremos mesmo ver o Mundial pela televisão.
Caramba! Nuno Gomes não será melhor que Orlando Sá ? E Carlos Martins ou Ruben Amorim serão piores que Eliseu ? Andamos a brincar às selecções ?
Eis a lista:
Guarda-Redes:
Daniel Fernandes (VFL Bochum 1848)
Eduardo (SC Braga)
Defesas:
Bruno Alves (FC Porto)
Gonçalo Brandão (AC Siena)
Pepe (Real Madrid)
Miguel (Valência CF)
Paulo Ferreira (Chelsea FC)
Rolando (FC Porto)
Médios:
Deco (Chelsea FC)
João Moutinho (Sporting CP)
Maniche (Atletico Madrid)
Raúl Meireles (FC Porto)
Duda (Málaga CF)
Tiago (Juventus FC)
Eliseu (Málaga CF)
Avançados:
Danny (FC Zenit)
Hugo Almeida (Werder Bremen)
Nani (Manchester Utd)
Orlando Sá (SC Braga)
Cristiano Ronaldo (Manchester Utd)

SEXTA-FEIRA NAS BANCAS

A partir desta edição, o Jornal "O Benfica", para além da já habitual coluna semanal de opinião deste vosso amigo, vai também contar com a reprodução de alguns artigos deste blogue, numa estreita colaboração que esperamos possa contruibuír, modestamente que seja, para fortalecer a opinião benfiquista e o benfiquismo em geral.
VEDETA DA BOLA agradece a José Nuno Martins (director de "O Benfica") a visibilidade que este convite vai certamente proporcionar ao blogue, prometendo tudo fazer para que a ideia se traduza num sucesso. Embora este espaço não tenha como objectivo central aumentar audiências, é sempre motivo de orgulho quando isso sucede - não por vaidade pessoal, mas pelo sentimento de uma voz benfiquista soar mais alto e chegar mais longe, defendendo o clube e ajudando a torná-lo mais forte.
Esta semana poderá ler, ou reler, o post "Freeporto", aqui publicado há uns dias.

UMA RESERVA CAROTA

O F.C.Porto fez tudo para desvalorizar a Taça da Liga, como forma de vingança pelas decisões da Comissão Disciplinar de há uns meses atrás. Não conseguiu, pois Benfica e Sporting estão na final, e esta vai ser - tudo indica - um dos momentos da época futebolística nacional.
Para desprezar esta competição - e com medo do Benfica -, os portistas fizeram descansar onze titulares no jogo de Alvalade. Mas, seria a equipa apresentada por Jesualdo assim tão humilde e pobrezinha ?
Atente-se nos custos que os passes dos onze jogadores que actuaram de início. Das duas uma: ou os jogadores não prestam, e no norte também se tem andado a desbaratar dinheiro; ou então esta equipa teria obrigação de não ter saído goleada de Alvalade, escusando Jesualdo Ferreira de arranjar outras desculpas que não a ...incompetência.
Até porque na fase final do jogo cheguei a suspeitar que fosse desta que em Alvalade uns célebres 7-1 passassem ao esquecimento.

A GRANDE FINAL !

MISSÃO CUMPRIDA

Numa eliminatória disputada a um só jogo, e em vésperas de um importantíssimo compromisso para o campeonato, a partida com o Vitória de Guimarães acarretava alguns riscos para o Benfica.
Quique Flores optou por não proceder a grandes poupanças, mostrando a importância que dá, e bem, a esta prova. Como ganhou, tem que se dizer que agiu correctamente, ainda que por vezes, nestas situações, seja preferível contar com jogadores totalmente concentrados no momento e sem quaisquer preocupações futuras.
A primeira parte ficou marcada pela luta de Cardozo contra o golo. O paraguaio - com mais uma exibição carregada de disponibilidade - cabeceou fortemente à barra, obrigou Serginho à defesa da noite, disparou um livre a rasar o poste e, por fim, fuzilou o topo norte apenas com o guardião vimaranense por diante. A jogar assim não tenho dúvidas que os golos lhe irão sorrir em breve. Mas neste jogo bem se pode queixar de má fortuna. Estes momentos foram o que de melhor o Benfica fez até ao intervalo.
No segundo período as coisas não se alteraram muito, embora à medida que o tempo passava a ansiedade crescesse entre os encarnados, e o contra-ataque minhoto se tornasse mais consistente e consciente das suas possibilidades.
Surgiu o golo, numa infelicidade de Gregory, e sentiu-se que a partir daí o Benfica tinha a vitória nas mãos. Os espaços começaram a abundar, e a então dupla ofensiva encarnada, sem qualquer ponta-de-lança – um teste para o Dragão ? – pôde enfim explorar as costas dos centrais contrários, construindo mais alguns lances de perigo. Num deles, Pablo Aimar voltou aos golos, colocando o que parecia ser o ponto final nas hostilidades. Só não o foi porque na resposta Desmarets reduziu distâncias, deixando o resultado em aberto até ao apito final. Carlitos teve possibilidades de empatar após uma falha de David Luíz, mas o remate saiu muito por cima da baliza de Quim.
Quim foi justamente a principal novidade na equipa de Quique, e a sua exibição mostrou que se pode contar com ele. Para já creio ser injusto tirar Moreira da equipa, mas penso que o número 12 é, não só o melhor guarda-redes do Benfica, como o melhor guarda-redes português.
Para além de Quim e de Cardozo, também Miguel Vítor e Carlos Martins merecem destaque. Curiosamente (ou talvez não), trata-se de quatro jogadores sem lugar assegurado no onze. Reyes mostrou vontade, mas as coisas nem sempre lhe saíram bem. Todos os outros estiveram num plano regular.
Soares Dias esteve muito bem, e assim de repente não me recordo do mais pequeno erro cometido.

A CADA UM O DESTINO QUE MERECE

Ao apresentar em Alvalade uma segunda equipa, Jesualdo e o F.C.Porto deram uma vez mais mostras da hipocrisia e do cinismo que definem a identidade do clube desde que Pinto da Costa a ele preside. Não poderiam jogar se o Benfica não jogasse, dariam falta de comparência para não desgastar a equipa, e afinal, não só jogaram mais cedo, como não utilizaram um único titular. Enfim, já estamos habituados, mas é por estas e outras que o futebol português tem a imagem que tem. É talvez também por atitudes deste tipo que o F.C.Porto não tem a popularidade que gostaria de ter, pois ainda há muita gente para quem o desporto não se esgota num sectarismo provinciano e saloio.
Terminada a partida, o que se pode dizer é que a equipa portista teve o que merecia. Foi goleada, humilhada, e com alguma sorte não saiu de Alvalade com uma derrota histórica.
A disponibilidade física que o F.C.Porto demonstrou nos primeiros minutos impressionou, e esteve na raiz de algum domínio que foi tendo no jogo. Pensei para comigo que tamanha pressão, tamanha presença física, tão grande velocidade seria impossível de manter durante noventa minutos, para mais interpretada por jogadores sem ritmo competitivo, e fisicamente preparados por José Gomes. Lembrei-me de Ricardo Ricco ou de Michael Rasmussen a subir os Alpes, de Ben Johnson a correr os 100 metros em Seoul, e de uma série de outros desportistas cujas performances indiciavam factores extra. O trambolhão portista da segunda parte aliviou-me as dúvidas. Antes assim.
Com dois penáltis os leões deram a volta a jogo, mas ironicamente quem acabou por brilhar foi um ex-portista. Derlei com dois magníficos golos cimentou a vitória do Sporting, que coloca pela segunda vez consecutiva o clube de Alvalade na final desta competição. Vukcevic e Izmailov ainda podiam ter acentuado as diferenças, mas o resultado ficou mesmo em 4-1.
Carlos Xistra esteve globalmente bem. Os penáltis são penáltis, e se o segundo pode abrir campo a alguma discussão, também o golo de Postiga não é claramente irregular. Benefício da dúvida para o juiz albicastrense.
A eliminação do F.C.Porto representa a extracção de um cancro com que esta Taça da Liga era obrigada a conviver. Agora há todas as condições para – numa bela tarde de sol algarvio - se disputar uma bonita final, entre os dois mais tradicionais clubes do país, os dois maiores e mais respeitáveis símbolos do desporto português, aqueles que ainda são capazes de resgatar o velho e salutar espírito de rivalidade popular responsável por décadas e décadas de futebol puro.
A Taça da Liga está salva.

SEMANA DE DECISÕES

Nos jogos de hoje e de domingo joga-se grande parte da temporada do Benfica.
Na Taça da Liga, a meia-final a uma só mão assume-se, por definição, como totalmente decisiva. Fora da Uefa e da Taça de Portugal, o Benfica tem nesta competição - aconteça o que acontecer no campeonato - uma bela oportunidade para poder festejar um troféu. Até porque na nova prova faltam apenas duas vitórias para alcançar o objectivo.
No domingo o jogo não é matematicamente decisivo mas é de extrema importância. Uma vitória recoloca o Benfica na liderança, e pode fazê-lo embalar para uma caminhada triunfante rumo ao título. Uma derrota deixa a equipa de Quique a quatro pontos (na prática cinco), o que a treze jornadas do fim não seria nada entusiasmante. Tenho pois a percepção de que no F.C.Porto-Benfica se vai, de certo modo, decidir o campeonato, tratando-se muito provavelmente do jogo do ano. A aposta na partida do Dragão tem portanto que ser total.
Creio por outro lado, que para vencer um Vitória de Guimarães motivado e em crescendo de forma são necessários jogadores cem por cento empenhados e concentrados nos noventa minutos de hoje. Assim, a solução é apresentar onzes substancialmente diferentes, o que o plantel actual do Benfica permite na perfeição.
É esta assim a minha proposta para os dois jogos:

...E O ADVERSÁRIO É:

Mais vale tarde do que nunca!

FREEPORTO

A forma como o F.C.Porto marcou os seus golos no Restelo (sobretudo os dois primeiros) foi de tal modo enternecedora que por momentos julguei estar perante um treino da equipa de Jesualdo Ferreira à beira do Tejo. Os próprios equipamentos – ambos azuis – levavam a essa sensação, que aliás, com outras cores e protagonistas, não é nova, nem neste, nem em anteriores campeonatos.
A estratégia de Pinto da Costa é, desde há muito, a de uma satelização do maior número de clubes possível (da primeira e segunda ligas), de modo a somar poder em sede de votações, recrutar bons jogadores a baixo preço (Cissokho, Miguel Lopes, Andrés Madrid e Silvestre Varela são os mais recentes exemplos de negócios proibitivos para quaisquer outros clubes portugueses), ter onde colocar os excedentes do plantel - ficando com acesso privilegiado aos segredos de balneário de quase todas as equipas -, conseguindo com tudo isso, directa ou indirectamente, de forma mais ou menos dissimulada, para além de construir importantes dependências, um inegável amaciar de hostilidades que, em condições normais, um clube tantas vezes campeão despertaria na maioria dos adversários. Desde que o poder no futebol profissional se deslocou das associações para os clubes, desde que a então toda-poderosa e sinistra Associação de Futebol do Porto cedeu à Liga de Clubes o protagonismo com que manchou o futebol dos anos oitenta e noventa, tem sido esse o caminho seguido por aquele que é, reconheça-se, o sábio, o mestre, o sumo-pontífice dos bastidores do futebol português. E há que dizer que a estratégia tem dado resultados.
O Belenenses e o Vitória de Setúbal são dois exemplos paradigmáticos dessa política, e como se pode ver no quadro abaixo, a eficácia das parcerias tem sido absoluta. Nem a distância geográfica impediu estes dois clubes de estenderem a passadeira ao seu “tutor”, beneficiando de um lote alargado de jogadores emprestados, oferecendo direitos de opção sobre as suas melhores revelações e, enfim, perdendo simpática e docilmente os seus jogos com o F.C.Porto, nos quais a suavidade competitiva posta em campo nada tem que ver com a extrema agressividade com que é disputada cada bola, sempre que Benfica ou Sporting se deslocam aos seus estádios. Se estas alianças permitem ao F.C.Porto conquistar vitórias e campeonatos, aos seus satélites (ou pelo menos aos seus adeptos, pois os dirigentes movem-se por vezes noutras águas) não têm manifestamente proporcionado grandes motivos para festejar. O V.Setúbal está falido e o Belenenses para lá caminha - um irá para a segunda divisão esta época, o outro numa das próximas. É de facto lamentável como dois emblemas históricos se prostituíram e auto-destruíram com o beijo de escorpião que Jorge Nuno Pinto da Costa lhes deu.
Falei aqui da escandalosa viagem do Belenenses a Angola dias antes do jogo com o F.C.Porto. Com ou sem dentes de marfim pelo meio, estou seguro de que a mesma não aconteceria noutra qualquer semana, antes de outro qualquer jogo. Quem tanto se indispôs por um célebre Estoril-Benfica disputado no Algarve, deveria estar atento a este Belenenses-FC Porto (e ao Belenenses-Benfica da semana passada), a esta viagem a Angola, à prestação de alguns jogadores, quer ex-portistas (Cândido Costa, por exemplo), quer pré-portistas (vai uma aposta sobre Mano?), e à forma simples e pouco esforçada como o F.C.Porto venceu no Restelo e consegue facilmente levar de vencida muitos dos seus, aparentemente mais difíceis, compromissos.
Como já disse várias vezes neste espaço, um verdadeiro Apito Dourado teria de incidir em todos estes aspectos, teria de investigar jogadores e técnicos (para não falar em dirigentes), teria de perceber que nem só de arbitragem vive a manipulação e o favorecimento, havendo formas mais simples de conseguir ganhar jogos dentro e fora dos relvados.
Não havendo investigação, há no entanto aspectos que a Liga poderia e deveria cuidar, e que ajudariam a dissipar esta nuvem de conluio e suspeição que só serve para afastar pessoas do futebol. Poder-se-ia começar por proibir o empréstimo de jogadores a clubes do mesmo escalão. Poder-se-iam impedir as transferências entre eles durante a época. Poder-se-iam também penalizar os pré-acordos com jogadores, à semelhança do que se faz em Inglaterra, ou até criminalizar toda e qualquer movimentação financeira entre clubes que disputem as mesmas competições, salvo durante o defeso.
Se isto não iria desinfectar totalmente os bastidores, pelo menos aliviaria a dependência à qual certos dirigentes ajoelham os seus emblemas, tomando cafés (ou chocolatinhos, ou fruta), recebendo com todas as honras e negociando (ajudando?) com criminosos condenados e em pleno cumprimento de pena.
Apesar de tudo ainda acredito que as coisas um dia mudem, e o futebol em Portugal se torne absolutamente transparente e equitativo - que mais não seja, pela ordem natural do mundo. Até lá, não poderei deixar de exprimir a minha indignação.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Após várias semanas de polémica, esta acabou por ser uma jornada tranquila em termos de arbitragem. Alguns erros foram cometidos, mas dentro daquilo que são os padrões normais dos jogos de futebol em qualquer parte do mundo.

TROFENSE-SPORTING:
Nada a dizer nos golos anulados, ficando a sensação que, no segundo deles, se Izmailov não tivesse tocado na bola ela entraria igualmente na baliza. Mas disso o árbitro não tem culpa.
Foi reclamado um penálti contra o Sporting, mas não creio que o toque de Daniel Carriço no adversário tenha sido suficiente para provocar a queda.
Bela arbitragem de um novato (Nuno Campos), que se estreou em jogos grandes fruto da lesão de última hora de João Ferreira.
Resultado Real: 0-0

BENFICA-RIO AVE:
Temia-se um campo inclinado contra os encarnados, fruto de exemplos que Rui Costa nos deixou em arbitragens anteriores. Acabou por ser um jogo sem grandes casos, embora muito difícil de apitar dado o estado do terreno. O árbitro portuense equivocou-se na marcação de uma ou outra falta (ai aquele livre aos 94 minutos…), mas nas circunstâncias em que o jogo decorreu, não podemos deixar de lhe tolerar esses pequenos pecados.
No lance mais discutido da partida, a bola vai à mão de David Luíz sem que este mostre qualquer intenção de a desviar. O pontapé é feito a menos de um metro, o defesa encarnado volta a cara para se proteger, e o movimento do braço é perfeitamente harmonioso com o movimento do corpo. Pode-se dizer que já se marcaram grandes penalidades em lances idênticos. É verdade, mas foram mal assinaladas.
Resultado Real: 1-0

BELENENSES-FC PORTO:
O lance mais difícil de ajuizar foi o eventual fora-de-jogo no golo do Belenenses.
A dificuldade está em que se trata de um auto-golo, ficando assim francamente diminuída a noção de interferência do avançado belenense no lance. Revendo as imagens, creio que se ele ali não estivesse, o movimento de Rolando teria sido exactamente o mesmo – no sentido de tentar cortar para canto. Aceitar-se-ia qualquer decisão, pelo que há que dar o benefício da dúvida à equipa de arbitragem.
Quanto aos (justos) cartões amarelos, mais do que condenar Fucile por -ao provocar o segundo cartão - defender os interesses da sua equipa face a um regulamento despropositado, o que fica do caso é o cinismo de Jesualdo, ao não admitir ter sido aquela uma situação falada ao intervalo (terão sido os jogadores uruguaios que passaram a noite a ler os regulamentos da Liga ??). Naquela casa aprende-se depressa a mentira, o cinismo, a hipocrisia e a canalhice. Jesualdo, nesse particular, tem sido um formidável aluno.
Resultado Real: 1-3

CLASSIFICAÇÃO REAL:
BENFICA 34
FC PORTO 34
(Sp.Braga 31)
Sporting 26

O Sp.Braga figura na classificação apenas a título ocasional, pois só foram tidos em consideração os jogos com os três grandes. Pareceu-me curioso verificar o que esses polémicos jogos podiam ter feito à classificação da equipa de Jesus. O exercício está feito.

TREZE VEZES BENFICA !!

Não é todos os fins-de-semana que um clube ganha...treze (!) vezes.
O Benfica conseguiu-o entre ontem e hoje, vencendo todos os jogos que as várias modalidades e escalões disputaram (algumas das quais com jornada dupla). Ficam os resultados, como prova insofismável do impressionante ecletismo do clube da Luz, caso único no desporto europeu:
FUTEBOL PROFISSIONAL: Benfica-Rio Ave, 1-0
FUTEBOL JUNIORES: Real-Benfica, 0-1
FUTEBOL JUVENIS: CADE-Benfica, 1-3
FUTEBOL INICIADOS: Sporting-Benfica, 0-1
BASQUETEBOL: Benfica-Sangalhos, 105-57
BASQUETEBOL: Benfica-Maia, 89-58
HÓQUEI EM PATINS: Benfica-Carvalhos, 10-0
FUTSAL: Benfica-F.J.Antunes, 3-2
ANDEBOL: Benfica-Águas Santas, 39-31
VOLEIBOL: Clube K-Benfica, 0-3
VOLEIBOL: Fonte Bastardo-Benfica, 1-3
TÉNIS DE MESA: Benfica-Sporting, 4-1
TÉNIS DE MESA: Benfica-São Martinho, 4-0

O REGRESSO DO SALVADOR, NUMA NOITE DE TEMPESTADE

Foram precisos apenas quatro minutos para que Mantorras fizesse aquilo que nem Suazo, nem Cardozo, nem Nuno Gomes, nem Reyes, nem Di Maria, nem Aimar haviam feito nos últimos dois meses de campeonato: meter uma bola dentro de uma baliza.
O angolano é assim: decide! E a tristeza que fica é a de imaginar o que poderia ter sido este jogador sem os problemas físicos que lhe condicionaram a carreira.
O golo de Mantorras foi a nota de destaque de um jogo disputado em condições extremamente adversas. Em cerca de uma centena de jogos a que assisti no novo Estádio da Luz, não me recordo de alguma vez ter visto o relvado no estado em que ontem se encontrava – ensopado em água, sem permitir uma troca de bola minimamente consequente, apelando à luta e ao pontapé para a frente, aspecto em que, naturalmente, o último classificado da Liga poderia neutralizar os encarnados. Esta foi, também por isso, uma vitória importante para o Benfica. Uma vitória alicerçada na entrega dos seus jogadores a um combate para o qual a maioria deles não foram manifestamente moldados.
Durante a primeira parte o Rio Ave pareceu adaptar-se melhor ao relvado e obrigou o Benfica a 40 minutos de alguma atrapalhação. Só na ponta final do primeiro tempo a equipa de Quique se soltou, conseguindo então construir três ocasiões de golo quase sucessivas.

No segundo período sucedeu quase o oposto. O Benfica jogou bem – entenda-se de forma prática e de acordo com o terreno – até aos minutos finais, marcou um golo, poderia ter marcado mais, mas acabou a partida em grande e incompreensível sofrimento, parecendo não acreditar na sua superioridade, perante um rival empertigado e decidido a fazer estragos. Temeu-se o pior, mas desta vez o filme de outras ocasiões não se repetiu, e o último apito do árbitro soou como um alívio para os corajosos 22 mil espectadores, que numa noite diluviana se decidiram a apoiar o seu clube.
O destaque individual vai naturalmente para Mantorras (um caso singular na história recente do futebol português), mas Cardozo, pelo que trabalhou, também merecia ter marcado, algo que apenas a infelicidade não deixou acontecer.Pela negativa sublinhe-se mais uma actuação medíocre de Di Maria. É certo que o relvado não estava para malabarismos, mas as perdas de bola, os passes errados e, sobretudo, aquela perdida perto do intervalo com o guarda-redes já no chão, não se admitem a alguém com ambições a jogar no Chelsea ou no Real Madrid.
O árbitro equivocou-se algumas vezes, mas não esteve tão mal como se temia. O estado do relvado também não o ajudou, pelo que os erros cometidos são do tolerar.