UMA TRAGÉDIA EM DEZ ACTOS


Dez jogos, vinte pontos perdidos, um título deitado ao mar. Precisamos de explicações para os últimos meses de Lage no Benfica. Precisamos de perceber o que aconteceu, pois não pode ter sido apenas futebol. Um jogo, dois jogos, explicam-se com azar ou desinspiração. Dez, só considerando o campeonato, não são coincidência. E Lage, faz agora um ano, era um herói.

OS DEZ JOGOS EM CAUSA

JOGADORES UTILIZADOS NESSES JOGOS


A VISÃO DE VDB SOBRE OS JOGOS EM CAUSA

FC PORTO-BENFICA, 3-2
# Primeira parte caótica e incompreensível.
# Eclipse de Pizzi.

BENFICA-SC BRAGA, 0-1
# Depois dos problemas defensivos, o Benfica mostrou agora também uma confrangedora ausência de inspiração ofensiva.
# Equipa totalmente anárquica sem saber o que fazer para dar a volta.
# Que se passa com Pizzi?

GIL VICENTE-BENFICA, 0-1
# Foi preciso uma pontinha de sorte para evitar mais um dissabor.

BENFICA-MOREIRENSE, 1-1
# Com poucos minutos de jogo, há um lançamento lateral para o Benfica. Grimaldo vai executá-lo, mas, afastado da linha, caminha tranquilamente a passo até ao local, como se estivesse a ganhar.
# Entretanto, das fragilidades defensivas (que se mantêm), passou-se também a uma fase de previsibilidade ofensiva.
# Dyego Sousa, suspeito não chegue a marcar um golo no Benfica.
# Durante as partidas não se percebe a leitura de Lage.

V.SETUBAL-BENFICA, 1-1
# Fim de Lage, Jesus para ontem.
# Numa palavra: medíocre.
# Primeira parte a passo, sem ideias, sem rumo, sem atitude colectiva. Segunda parte nervosa, ansiosa e precipitada, com erros sucessivos na defesa e no ataque.
# As dinâmicas desta equipa são cada vez mais pobres e incapazes de ultrapassar os problemas.

BENFICA-TONDELA, 0-0
# Pouco ou nada parece ter mudado.
# A primeira parte foi paupérrima.
# Nas últimas cinco jornadas, o Benfica apenas marcou um golo de bola corrida.
# Se os jogadores estavam fartos de Rui Vitória, um certo relaxamento que se tem visto sinaliza que talvez já o estejam também do técnico setubalense. E quando uma equipa escapa ao pulso da liderança, o problema não é da equipa: é da liderança.
# Este Benfica não merece o título.

PORTIMONENSE-BENFICA, 2-2
# Ponto final na minha esperança de, com este treinador, o Benfica conseguir sair do buraco em que se deixou cair.
# Dez jogos, uma vitória e de aflitos.
# Uma lástima de campeonato. Um campeão (qualquer que ele seja) sem brilho. Um arrastar penoso de jornadas até final.
# Pior do que isto, não me lembro.

RIO AVE-BENFICA, 1-2
# Uma análise fria não pode deixar de sublinhar as dificuldades que a equipa uma vez mais encontrou, mesmo contra dez, mesmo contra nove, mas sobretudo contra onze, ou o fraco futebol praticado durante quase todo o encontro.
# Nem este Benfica, nem este FC Porto, merecem qualquer título.
# Lage continua a ficar bloqueado cada vez que o treinador adversário ajusta as suas pedras e corta o ímpeto inicial do Benfica.

BENFICA-SANTA CLARA, 3-4
# Há já muito que deixei de acreditar neste Benfica. Os problemas técnico-tácticos da equipa são inúmeros, e Bruno Lage não se mostra capaz de os resolver ou sequer disfarçar.
# Futebol lento, previsível, sem ideias, pouco eficaz no ataque, e assustadoramente permeável na defesa.
# Os jogadores parecem angustiados, perdidos em campo, sem perceber o que está a falhar, e sem saber como reagir. No banco, o vazio.
# O plantel do Benfica, estando longe da riqueza de outros da última década, é ainda assim o melhor do campeonato. Justificava muito mais.
# Só quem lá está dentro poderá saber o que realmente se passa. Mas seja lá o que for, Bruno Lage não consegue resolver. E quando o treinador deixa de ter soluções…

MARÍTIMO-BENFICA, 2-0
# O que se tem passado com a equipa do Benfica é verdadeiramente surreal e tem de ser esclarecido.
# Se até agora sempre tinha defendido os jogadores, começo a ter dúvidas sobre o seu papel nesta crise.
# Espero que a estrutura do Benfica perceba o que realmente se passou, caso contrário isto poderá repetir-se. Começo também a duvidar das culpas exclusivas de Rui Vitória em épocas anteriores, pois a história foi a mesma.

CAMPEÃO SEM BRILHO... E SEM CULPA

Para mim é claro: este foi o pior campeonato de que me recordo, e desconfio que tenha sido o pior de sempre. Péssimo futebol, equipas medíocres, jogos enfadonhos (mesmo enquanto o Benfica esteve a ganhar), e, como se não bastasse, um vírus a retirar toda a gente das bancadas e a transformar os estádios em verdadeiros sepulcros a condizer. Um surpreendente Famalicão, e alguns bons jogos do Braga de Amorim, é tudo o que se aproveita de uma longuíssima época que não deixará saudades a ninguém.
Assim sendo, não se esperaria, como é óbvio, um campeão brilhante.
O FC Porto ganhou, e tem de se admitir, com justiça, porque foi o menos mau, foi quem melhor soube manter a serenidade nos momentos decisivos, e, sobretudo, não teve culpa do suicídio benfiquista. Parabéns a Sérgio Conceição e aos jogadores, pois um título é um título. E o treinador portista está duplamente de parabéns, pois alcançou-o com o pior plantel da era Pinto da Costa, por entre cortes salariais, intervenções da UEFA, etc, e já agora, também é importante que se diga, sem desrespeitar ninguém.
Fica por perceber como aquela que era claramente a melhor equipa à partida para a prova, e cuja vantagem pontual, a dada altura, chegou a parecer definitiva, se suicidou no período compreendido entre a derrota no Dragão e a saída de Bruno Lage. Muito gostava de perceber os motivos para essa hecatombe, e espero que alguém dentro da estrutura os conheça, sob risco de voltar a acontecer algo semelhante num futuro próximo, pois "aquilo" tem de ter uma explicação.
Pela minha parte ainda a aguardo, sem a qual vou continuar com dificuldades em engolir o que se passou naquelas dez estranhas jornadas - as quais, mesmo tendo em conta as vicissitudes do futebol, foram tudo menos normais. É que perder para um adversário superior, aceita-se. Perder por intervenção de terceiros (como já aconteceu no passado), revolta, mas alimenta uma resposta e não belisca o ego. Perder exclusivamente por erros próprios, erros incompreensíveis,  erros intoleráveis, deprime, frustra, e demora a cicatrizar. 

TRISTE FIM

Adiar a festa do adversário.
É este o único propósito do Benfica no campeonato, ou seja, tentar que o FC Porto dispute a final da Taça ainda de ressaca.
Pobre propósito...Triste fim de campeonato...
Com a saída de Bruno Lage, a equipa melhorou ligeiramente: mais intensidade, mais pressão. Mas a falta de ideias continua lá.
Contra o V.Guimarães viu-se uma exibição globalmente pobre, e, ao contrário do que sucedera em Famalicão, um resultado acima do merecido.
Por falar em propósitos, não entendo as substituições de Pizzi e Vinicius. A "Bola de Prata" é um objectivo menor, mas num campeonato tão pobre, tão triste, e tão frustrante, esse seria um pequeno rebuçado - que mais não seja, para consolar os próprios jogadores, e para a respectiva valorização. Para tal, têm de estar em campo.

INVESTIR NA DEFESA

O Benfica comprou Raul De Tomás, comprou Carlos Vinicius, comprou Julian Weigl, comprou Pedrinho (e só aqui estão quase 80 milhões de euros). Mas a defesa há anos que não vê qualquer tipo de investimento.
Olhando para os últimos resultados, apenas confirmamos aquilo que já se percebera, por exemplo, na Europa: os encarnados têm uma linha defensiva frágil, desequilibrada e altamente permeável, que só um grande guarda-redes foi disfarçando até mais não poder.
Tomás Tavares tem enorme talento mas deveria estar na Equipa B, ou ser emprestado para rodar. A Ferro também lhe fazia bem uma rodagem por outro clube. Nuno Tavares ainda tem de provar ter categoria para jogar no Benfica. Jardel caminha para a reforma. André Almeida sempre teve limitações (seria um bom suplente...) . Ruben Dias está longe de ser o craque que a imprensa apregoa (é bastante limitado, por exemplo, no jogo aéreo, o que é dramático para um central). Grimaldo é razoável, e bastante melhor a atacar do que a defender. Morato está verde.
Ou seja, o Benfica precisa de uma defesa praticamente nova, que seja o esteio de uma equipa ganhadora. E para isso tem de investir, não em artistas da bola, mas em jogadores fortes, consistentes e duros - como em tempos o FC Porto fez, recrutando, por exemplo Felipe e Alex Telles.
Os ataques ganham jogos, mas as defesas ganham campeonatos. A do Benfica perdeu este.

IMERECIDO

Não foi uma extraordinária exibição. Foi um jogo normal, entre uma das melhores equipas do campeonato e um candidato ao título. O Benfica podia e merecia ter ganho. Houve empate.
Noutras circunstâncias lamentar-se-ia a infelicidade. Nestas, cumpriu-se calendário, com um mínimo de dignidade - que havia faltado em algumas jornadas.
Venha a final da Taça. E venha Jesus.
Por agora, há que desligar televisões, e ignorar festividades alheias.

CHAMPIONS 2021 - ponto de situação

Se ganhar em Famalicão, o Benfica garante a presença na 3ª pré-eliminatória da Champions League 2020-21. O lote de adversários ainda mostra alguma indefinição, sobretudo nos campeonatos russo e turco.
Importa referir que o Dinamo de Kiev não poderá ser adversário do Benfica em caso algum, pois são as duas equipas com melhor ranking, pelo que serão cabeças-de-série, tanto na 3ª pré-eliminatória, como no play-off - se se apurarem para o mesmo. 
Caso os campeonatos terminassem agora, e a 2ª pré-eliminatória correspondesse à lógica de vencerem os mais bem colocados no ranking, a 3ª pré-eliminatória seria algo como isto:
CABEÇAS-DE-SÉRIE: Benfica, D.Kiev, Cska e Plzen
ADVERSÁRIOS: Gent, Sivasspor, Alkmaar e Rapid
Depois haverá o playoff, com os quatro vencedores - no qual, digo eu, seria de evitar a equipa russa.
Recordemos que toda a fase de qualificação para a Champions será, excepcionalmente, jogada a uma só mão, entre 15 e 30 de Setembro.

O PRESIDENTE DO BENFICA TEM DE SER:


- Dinâmico e empreendedor
- Hábil negociador
- Líder forte e carismático
- Resiliente
- Capaz de se movimentar no sistema financeiro
- Capaz de se impor nos meandros do futebol português
- Capaz de lidar com empresários pouco recomendáveis
- Garante da manutenção da maioria do capital da SAD
- Garante de manutenção do ecletismo
- Garante da expansão territorial do clube

O TREINADOR DO BENFICA TEM DE SER:


- Ganhador
- Experiente
- Líder forte e carismático
- Interventivo e com capacidade de leitura de jogo
- Conhecedor profundo do futebol português
- Conhecedor do Benfica
- Adepto do futebol ofensivo
- Capaz de valorizar jogadores

AGORA É TARDE

Com praticamente o mesmo onze, com a mesma preparação física, com o mesmo sistema táctico, o Benfica apareceu irreconhecível, para melhor, no primeiro jogo pós-Lage.
Não acredito que tenha sido coincidência. E Veríssimo estará longe de ser um Guardiola oculto.
Ou foi apenas o choque psicológico próprio das chicotadas, ou a explicação tem de ser encontrada dentro do balneário.
O que é certo é que, especialmente durante a primeira parte, viu-se uma dinâmica e uma intensidade de jogo que não se via, pelo menos, desde Janeiro. E o resultado expressou isso mesmo, pecando apenas por escasso. Nem de propósito, os três golos saíram dos pés (e da cabeça) de três dos jogadores que atravessavam pior momento de forma.
Foi pena esta atmosfera mais saudável e mais natural ter chegado tão tarde. Duas ou três semanas antes, e o 38º podia ser uma realidade. Culpa de quem? Aceitam-se apostas. Eu, francamente, não sei.

ESCOLHA VOCÊ MESMO


Com Jesus, Pochettino, Emery, Jardim e Marco aparentemente fora de hipótese, sobra um conjunto de 25 treinadores à margem do qual não estou a ver outra hipótese para o Benfica. Alguns não os queria nem dados, outros...enfim. Há também uma ou outra alternativa que poderia ser interessante. Bem, um terá de ser.
Mas, reafirmo, caso exista a mais pequena hipótese de resgatar Jesus, mesmo no fim da época, entendo que é de esperar por ele, e pagar o que for preciso.

NOTA: Não percebo como a aposta para interino não recai em Renato Paiva, e sim no homem das bolas paradas (péssimo cartão de visita...), que além do mais não promete nada de novo relativamente a Lage. Com o Sporting a aproximar-se, temo ver repetido o filme "Chalana 2008" (com todo o respeito para com o meu ídolo de infância).

ORDEM DE PREFERÊNCIAS

1º JORGE JESUS (espere-se por ele)
2º JORGE JESUS (espere-se por ele)
3º JORGE JESUS (espere-se por ele)
.......
24º POCHETTINO
25º mais nenhum

OBRIGADO BRUNO LAGE!

Ultimamente as coisas não correram bem, e não podiam continuar assim.
Mas isso não apaga os títulos, as vitórias, os recordes, o magnífico futebol com que Bruno Lage nos brindou durante um ano.
Exerceu o cargo com dignidade e profissionalismo. Merece uma palavra de gratidão, e votos de muitos sucessos ao longo da carreira.

SURREAL

O que se tem passado com a equipa do Benfica desde o dia 8 de Fevereiro, nos últimos 13 jogos, é verdadeiramente surreal, e tem de ser esclarecido.
Bruno Lage alcançara, até então, 36 vitórias em 38 jogos de campeonato. Desde aí, é o que se vê.
É certo que o técnico setubalense não tem condições para continuar, pois já se percebeu que não tem soluções para os problemas da equipa - sejam eles quais forem. Mas, sobretudo nas últimas duas partidas, vi situações em campo de que também não gostei. E se até agora sempre tinha defendido os jogadores, começo a ter dúvidas sobre o seu papel (certamente não todos, mas alguns) nesta crise.
Espero que a estrutura do Benfica perceba o que realmente se passou, caso contrário isto poderá repetir-se com um novo técnico. Começo também a duvidar das culpas exclusivas de Rui Vitória em épocas anteriores, pois a história parece repetir-se.
Ao que se sabe, os ordenados estão em dia, e não foram cortados. Ou seja, a Direção, tendo cometido alguns erros na construção dos plantéis (o que poderia explicar, porventura, o insucesso europeu), está longe de ser responsável por esta série negra, contra equipas do meio e do fim da tabela. 
Como sócio, quero saber o que se passou com Bruno Lage. E já agora, com Rui Vitória.

MUITO BEM...AGORA FALTAM OS SUPER DRAGÕES.

Aplaudo a acção das autoridades face a elementos que não fazem falta nenhuma ao Benfica, nem ao futebol. Assim como não faziam os de Alcochete.
Agora espera-se acção semelhante no norte do país. Haverá coragem? 

OBVIAMENTE

Não sei se paga almoços e viagens a jornalistas. Se o faz por querer vir para o Benfica, ainda mais reforça a minha vontade de o ver regressar.
Ele é o ÚNICO homem que acredito possa dar a volta a esta equipa.

UM CASO PERDIDO


A minha única esperança neste campeonato era, até ontem, a eventualidade de um FC Porto sem dinheiro, sem salários, e com um plantel limitadíssimo, se espalhar ao comprido, e perder ainda mais pontos do que aqueles que se antevê virem a ser perdidos até ao fim pelo Benfica. Ao que parece, mesmo isso se desvaneceu.
Se a minha “esperança” no FC Porto ainda subsistia, há já muito que deixei de acreditar neste Benfica. Os problemas técnico-tácticos da equipa são inúmeros, e Bruno Lage não se mostra capaz de os resolver ou sequer disfarçar. O resultado é um futebol lento, previsível, sem ideias, pouco eficaz no ataque, e assustadoramente permeável na defesa.
Não me parece que haja alguma coisa a apontar aos jogadores: correm, lutam pela bola, esforçam-se por dar o melhor. Por vezes parecem angustiados, perdidos em campo, sem perceber o que está a falhar, e sem saber como reagir. No banco, o vazio.
O plantel do Benfica, estando longe da riqueza de outros da última década, é ainda assim o melhor do campeonato. Justificava muito mais.
Só quem lá está dentro poderá saber o que realmente se passa. Mas seja lá o que for, Bruno Lage não consegue resolver. E quando o treinador deixa de ter soluções…

SEM CONVENCER

O golo de Weigl, à beira do fim, e quando o Benfica jogava contra nove unidades, foi o momento de alegria que a equipa há muito devia aos adeptos, e manteve acesa a chama da luta pelo título. Porém, uma análise fria ao que se passou em Vila do Conde, não pode deixar de sublinhar as dificuldades que a equipa de Lage uma vez mais encontrou, mesmo contra dez, mesmo contra nove, mas sobretudo contra onze, ou o fraco futebol praticado durante quase todo o encontro.
Sejamos claros: nem este Benfica, nem este FC Porto, merecem qualquer título. E a perspectiva da luta ser tristemente pelo menos mau é a luz ao fundo do túnel que ainda permite acreditar em alguma coisa, pois ambos ameaçam estatelar-se ao comprido a cada esquina do caminho que falta percorrer, e talvez um se estatele mais do que o outro, e talvez esse outro seja o Benfica.
Enfim, veremos o que dão as próximas semanas, provavelmente com mais animação do que bom futebol.
Individualmente não poderia deixar de destacar Seferovic (que diferença para Dyego Sousa...) e Weigl (pelo precioso golo). Pela negativa, Nuno Tavares pareceu-me bem a cruzar mas bastante limitado em tudo o resto. Ferro também continua longe de convencer. Taarabt é capaz do melhor e do pior. Pizzi está a anos-luz daquilo que sabe. E o já referido Dyego Sousa,...meu Deus!
Lage, por sua vez, continua a ficar bloqueado cada vez que o treinador adversário ajusta as suas pedras e corta o ímpeto inicial do Benfica. Ontem foram as expulsões a desbloquear o jogo. Mas até final a equipa encarnada vai ter de voltar a jogar contra adversários completos.
O árbitro teve um trabalho bastante difícil, com lances muito complexos para ajuizar. Acabou por se sair razoavelmente. Pelo menos, bem melhor do que o do Aves-FC Porto, cujo penálti assinalado sobre Otávio entra para o top dos mais absurdos de que me lembro.

SAMARIS MAIS DEZ


A PIOR LIGA DE QUE HÁ MEMÓRIA

O pior Benfica dos últimos 10 anos.
O pior FC Porto dos últimos 30.
Um dos piores Sportingues de sempre.
Jogos sem público (enfim, disto ninguém tem culpa, mas é um facto).
Um desfile de clubes fantasma, sem dinheiro e sem adeptos.
Treinadores especialistas em anti-jogo.
Arbitragens vergonhosas (o penálti das Aves é indescritível).

Uma lástima de campeonato. Um campeão (qualquer que ele seja) sem brilho. Um arrastar penoso de jornadas até finais de Julho.
Pior do que isto, não me lembro.
Ainda bem que há Cinema...

RADIOGRAFIA À CRISE



-Péssimo estado de forma dos pontas-de-lança Vinicius, Seferovic e Dyego;

-Mau estado de forma dos extremos Rafa, Pizzi e Cervi;

-Ausência de um segundo avançado (Jonas, Félix…) que assegure presença na área e golo;

-Pouco aproveitamento das linhas de fundo para cruzamentos;

-Ausência total de jogo aéreo;

-Ausência total de meia-distância;

-Total ineficácia nas bolas paradas;

-Pouco ritmo em largos momentos dos jogos;

-Pouca agressividade colectiva na recuperação de bola;

-Weigl não cobre os laterais nem lança ataques;

-Demasiada lentidão de Gabriel (peso a mais?);

-Taarabt desposiciona-se demasiado no meio-campo defensivo, e não rende no ataque;

-Ausência misteriosa de Florentino e Samaris (o meio-campo da “Reconquista”)

-Zona muito deficiente nas bolas paradas defensivas;

-Permeabilidade defensiva no jogo aéreo;

-Permeabilidade defensiva nos flancos, com laterais demasiado ofensivos, extremos pouco dados a recuperação, e médios de pouca compensação;

-Buraco na meia esquerda defensiva, com péssima forma de Ferro e lesão de Jardel;

-Ausência de plano B para o modelo de jogo adoptado e já conhecido pelos adversários;

-Enorme crise de confiança e descontrolo emocional de todo o plantel;

-Treinador pouco ou nada interventivo durante os jogos.

PONTO FINAL

Ponto final na luta pelo título.
Ponto final na minha esperança de, com este treinador, o Benfica conseguir sair do buraco em que se deixou cair.
10 jogos, 1 vitória (e de aflitos).
Futebol miserável quase toda a temporada. Fracasso europeu.
O efeito surpresa talvez chegue para explicar o título passado. Pelo que se vê, quase chega a ser misterioso como, com Lage, o Benfica ganhou então tantos jogos
Além do mais, os treinadores esgotam-se.
Rui Vitória durou mais tempo.

SEM PIEDADE

Não sei quem foram, nem de que clube dizem ser. Benfiquistas não são certamente, aliás, nem devem ser de nenhum clube (será que isso importa?). Apenas delinquentes. Marginais. Bandidos.
Gente desta não tem nome, e nem devia andar nas ruas. Cadeia era o local certo.
Pelo paralelismo com Alcochete (salvaguardando que não estavam dentro do balneário, mas na estrada), espero que isto não signifique, ou seja reflexo, de um certo movimento no sentido da sportinguização do Benfica, que parecem pretender alguns imbecis que andam aí pela Internet, a querer mudar tudo, demitir toda a gente, não se sabe bem em nome de que futuro. Se é esse o futebol "ultra" que querem, se é esta a "exigência" que propõem, então não contam comigo, nem com os milhões de benfiquistas que não têm paciência para jovens burros como uma porta, e ignorantes como um rochedo, armados em donos da verdade - como é norma da ignorância. 
Não há muito mais a dizer sobre isto. Apenas desejar as rápidas melhoras aos profissionais atingidos, e esperar que as autoridades identifiquem rapidamente os agressores, e que os mesmos sejam julgados e condenados exemplarmente.

SEM GENTE, SEM ALMA, SEM NADA

Quando o futebol parou, o Benfica prosseguia numa triste sequência de apenas uma vitória em oito jogos.
Esperava-se que neste regresso, com tempo mais do que suficiente para limpar a cabeça, recuperar lesionados, e identificar problemas, a equipa se apresentasse a um outro nível, para mais tendo em conta o animador resultado do FC Porto na véspera.
A verdade é que pouco ou nada parece ter mudado. Salvo a boa reintegração de Jardel (única boa notícia da noite), a equipa de Lage continuou como que bloqueada, e sem saber o que fazer para ganhar uma partida.
A primeira parte foi paupérrima: sem chama, sem velocidade, sem rumo. Na segunda, com um pouco mais de intensidade (fruto também do progressivo desgaste físico do Tondela), continuaram a escassear ideias. Embora o Benfica se tivesse estacionado junto da área adversária, a verdade é que as ocasiões de verdadeiro perigo não foram assim tantas, ou tão flagrantes, que agora permitam falar apenas em falta de sorte. E aqui, há outra sequência que importa assinalar: nas últimas cinco jornadas, o Benfica apenas marcou um golo de bola corrida (em Barcelos), algo a que a péssima forma de Pizzi e Vinicius não será alheia, mas que não pode deixar de fora o treinador.
Bruno Lage entrou de rompante na equipa principal do Benfica. Na altura mudou tudo, e surpreendeu todos os adversários. Beneficiou do efeito Félix (que teve o mérito de lançar). E uniu um plantel que parecia claramente cansado de Rui Vitória. Foi campeão merecidamente.
Esta época, sobretudo a partir do jogo em casa com o FC Porto (em que o Benfica foi totalmente bloqueado por Sérgio Conceição), foi-se notando uma cada vez maior dificuldade em encontrar antídotos para adversários já familiarizados com os pontos fortes de uma equipa – que, recorde-se, ficou sem João Félix, mas também sem Jonas, Sálvio e depois Fejsa (porventura os três elementos mais preponderantes dos últimos anos). Aí era preciso mudar, e reinventar um processo que já não se mostrava capaz de surpreender. Aí, Bruno Lage falhou redondamente. E se os jogadores estavam fartos de Rui Vitória, um certo relaxamento que se tem visto nesta série negra de jogos sinaliza que talvez já o estejam também do técnico setubalense. E quando uma equipa escapa ao pulso da liderança, o problema não é da equipa: é da liderança.
Um empate num jogo em que era imperioso ganhar mostra que este Benfica não merece o título. Aliás, este FC Porto também não.
Estávamos muito bem de quarentena. 


ONZE PARA A RETOMA


JUSTIÇA À MEDIDA



https://www.publico.pt/2020/06/03/desporto/noticia/tribunal-aceita-afastamento-juiza-caso-rui-pinto-1919308

Está visto: os juízes não podem ser benfiquistas. Só portistas e sportinguistas. Mesmo quando o Benfica não está no banco dos réus. 
Assim o ditou uma putativa candidata (agora, desculpem, tenho de me rir...) à presidência da república (fim de gargalhada...)  quando referiu uma lista de 44 pobres magistrados que, pasme-se, tinham o desplante de frequentar o Estádio da Luz.
Assim o determinam agora os Tribunais.

Políticos benfiquistas?!?!? Ohhh que escândalo!!!!
Só portistas, mesmo acumulando importantes cargos públicos com cargos nos órgãos sociais do FCP.

Aliás, também na Liga não pode haver benfiquistas. Nada de Cláudias Santos. Só Sónias Carneiros. 

Aliás, ninguém pode ser benfiquista ! 
Já agora, criminalizem-nos no código penal. Ou obriguem-nos a usar uma estrela vermelha ao peito. Escusavam de fazer listas no Twitter.

ESCOLHE O ONZE DA DÉCADA

Aqui vai o meu, com algumas adaptações tácticas sempre oportunas nestas situações:
No banco poderiam ficar: Ederson, Lindelof, Witsel, Salvio, Gaitan, João Félix e Saviola.
Outras opções: Júlio César, Siqueira, Grimaldo, Ramires, Renato Sanches, Lima, Mitroglou, Rodrigo, Pizzi, Rafa, Gonçalo Guedes e Bernardo Silva.

ESCOLHE O MELHOR PLANTEL DO BENFICA PÓS-EUSÉBIO

Escolhe e comenta aqueles que, segundo VDB, foram os melhores plantéis do Benfica do pós-Eusébio, ou seja, dos últimos 45 anos:









ORGULHO

Gabriel Garcia Márquez dizia que a vida é uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver.
Colocados perante um dos maiores desafios deste século, eu diria que temos pela frente uma boa oportunidade para sobreviver, e de olharmos para o país com um olhar diferente daquele que nos é mais habitual – porventura demasiado céptico, porventura demasiado cáustico.
Numa fase tão delicada, nunca seria excessivo destacar o orgulho que sentimos nos incansáveis e corajosos profissionais de saúde, verdadeiros soldados deste combate, que arriscam a própria vida para salvar outras vidas.
Mas devemos orgulhar-nos também dos nossos políticos – e a importância de ter bons políticos mede-se nestas alturas -, quer dos que estão no governo e em cenários de tremenda incerteza dia e noite trabalham para tomar as melhores decisões, quer dos que estão na oposição e dão mostras de um sentido de estado assinalável, enterrando os machados de guerra e colaborando na duríssima empreitada que é de todos.
A comunicação social, tantas vezes criticada e criticável, tem dado lições de rigor jornalístico e de serviço ao público que evidenciam o quanto é imprescindível a qualquer sociedade moderna. Merece, também ela, o nosso orgulhoso aplauso.
Temos motivos para nos orgulhar igualmente de trabalhadores de muitas outras áreas, que se mantêm firmes no seu posto, exercendo funções determinantes para a comunidade, tais como caixas de supermercado, farmacêuticos, serviços de limpeza e de recolha de lixo, entre outros, e por aqui se percebe quem é verdadeiramente importante.
Devemos, por fim, orgulhar-nos dos nossos concidadãos, que de uma forma generalizada têm sabido interpretar a importância do momento, e cumprir com as determinações que visam proteger vidas. As excepções apenas confirmam a regra.
     Um dia isto há de terminar. O orgulho e a gratidão serão eternos.

ASSIM, TALVEZ SEJA POSSÍVEL

Tendo em conta o adiamento do Euro 2020 e a data marcada pela UEFA para a realização da final da Liga dos Campeões (27 de Junho), creio (espero...esperemos...) que ainda seja possível terminar o campeonato nacional com alguma normalidade, voltando a jogar apenas daqui a quase dois meses, a 13 de Maio (talvez por milagre...). Assim:

QUE CAMPEÃO?

Hoje a UEFA decidirá o futuro próximo da Champions League, da Europa League e do Euro 2020 - que, tudo indica, deverá passar para 2021.
Não creio que possa decidir o destino dos campeonatos nacionais, que dependem das Federações, e nem todos têm os mesmos formatos.
Há uma petição oportunista para fazer parar já o campeonato português, declarando campeão o actual líder. É caso para dizer, "cantam bem mas não me alegram". 
Era o que mais faltava que um líder circunstancial, que só comandou a classificação em duas das 24 jornadas disputadas, fosse declarado campeão na secretaria. Seria tão estúpido como fazer valer apenas a primeira volta, opção que, favorecendo o Benfica, também não me parece ter qualquer sentido.
É claro que a situação em Inglaterra, ou em França, é bem diferente. Já em Portugal, como em Espanha, é absurdo pensar-se em qualquer uma dessas soluções.
Deixo aqui as hipóteses que considero lícitas, tanto quanto tal é possível num cenário de grande incerteza:

1) Realizar o campeonato até ao fim, com jornadas ao fim-de-semana e a meio da semana. Caso o Europeu passe para 2021, esta opção permitiria, no limite, retomar a prova em meados de Junho, terminando-a em meados de Julho - data final prevista para o Euro. É, obviamente, o melhor cenário;

2) Realizar um play-off entre os quatro primeiros, com jogos em casa da equipa melhor classificada. Ou seja, Porto-Sporting no Dragão, e um Benfica-Braga na Luz, sendo que a eventual final Porto-Benfica seria no Dragão (se fosse Sporting-Benfica seria na Luz, Sporting-Braga em Braga);

3) Realizar apenas uma final Porto-Benfica, eventualmente no Estádio do Dragão;

4) Realizar uma final Porto-Benfica, em campo neutro (se necessário à porta fechada), eventualmente com o empate a valer ao FC Porto.

5) Anular a temporada, não havendo campeão.

Ou seja, até admito que o facto de o FC Porto liderar a classificação lhe possa dar alguma vantagem no critério a adoptar, mas não admito, de todo, que tal lhe possa valer o título sem se fazer mais nada.

PASSATEMPOS

82-83 FILME DA TEMPORADA

88-89 FILME DA TEMPORADA

90-91 FILME DA TEMPORADA

93-94 FILME DA TEMPORADA

04-05 FILME DA TEMPORADA


OS 103 GOLOS DE 18-19

PASSATEMPOS

1988 STEAUA-BENFICA 0-0

1988 BENFICA-STEAUA 2-0

1988 PSV-BENFICA 0-0

1990 MARSELHA-BENFICA 2-1

1990 BENFICA-MARSELHA 1-0

1990 MILAN-BENFICA 1-0

PASSATEMPOS

1963 BENFICA-FEYENOORD 3-1

1972 BENFICA-AJAX 0-0

1983 ANDERLECHT-BENFICA 1-0

1983 BENFICA-ANDERLECHT 1-1

1992 ARSENAL-BENFICA 1-3

1994 LEVERKUSEN-BENFICA 4-4

PASSATEMPOS

1961 BENFICA-BARCELONA 3-2 

1962 BENFICA-REAL MADRID 5-3

1963 MILAN-BENFICA 2-1

1965 INTER-BENFICA 1-0

1968 M.UNITED-BENFICA 4-1

HIPÓTESE

Há margem para retomar o campeonato apenas daqui a um mês. Jogando a próxima jornada, a 25ª, no dia 15 de Abril, e realizando dois jogos por semana (equipas portuguesas estão todas fora da Europa), seria possível terminar a prova a 17 de Maio, tal como previsto.
Portanto, haverá um mês para a situação desanuviar. Se até lá as coisas se agravarem, então...não sei. Nem eu, nem provavelmente ninguém.

O QUE NOS RESTA

Vai ser uma jornada diferente. Sem gente nos estádios. Sem barulho. Sem alma.
Não me atrevo a opinar sobre a medida tomada, pois não percebo patavina de virologia. E, como todos, tenho de acreditar em quem percebe, esperando que ainda venha a ser possível evitar por cá o caos que se vive em Itália.
A única coisa que posso questionar é porque, em vez de jogos à porta fechada, não se suspende a Liga - até porque, com toda a gente fora das competições europeias, datas não faltariam para depois ajustar o calendário.

Quanto à questão do Red Pass, propunha que o Benfica (válido também para outros clubes) carregasse na conta de cada sócio o valor correspondente ao jogo com o Aves, valor esse que podia ser utilizado em compras no clube. E já agora, que disponibilizasse o jogo em sinal aberto, para quem não tem BTV poder assistir.

AO LADO


Um texto escrito a quente teria decerto uma carga bem mais negativa. Qualquer coisa como “The End”, “Fim de Linha”, “Fim de Lage” ou “Jesus para ontem”, quer para ilustrar um triste ponto final na luta pelo título, quer para apontar a porta da rua ao treinador encarnado.
Era assim que me sentia logo que João Pinheiro apitou para o fim da partida de Setúbal.
Passado algum tempo, e sobretudo passado um empate caseiro inesperado do FC Porto ante o Rio Ave, talvez consiga uma maior clarividência na análise desta jornada, e na análise do momento do Benfica.
Em primeiro lugar, e quanto ao primeiro lugar, nada está perdido – um ponto é um ponto, e faltam dez jogos. Em segundo lugar, e mesmo em segundo lugar, penso que Bruno Lage deve continuar até ao fim da época – quer porque a fantástica época passada ainda lhe dá algum crédito (pouco, cada vez menos, mas algum), quer porque um treinador campeão, que ganhou 36 dos primeiros 38 jogos de campeonato que fez, não merece sair pela porta dos fundos, quer porque uma mudança nesta altura talvez não acrescentasse muito, nem fosse possível, do pé para a mão, trazer aquele que julgo ser o sucessor ideal, o único sucessor possível (falo naturalmente de Jorge Jesus, que nunca deveria ter saído da Luz). Quer ainda porque, observando friamente, não tenho a certeza absoluta de estarem já esgotadas todas as hipóteses de trabalho de Lage neste plantel. O último mês é catastrófico, mas…é um mês, e pode haver justificações que o adepto comum não conheça. Além de que com as mesmas exibições, mas com os dois penáltis de Pizzi dentro da baliza, o Benfica estaria na liderança, com três pontos de vantagem.
Quanto ao jogo propriamente dito não há muito mais a dizer do que uma palavra: medíocre.
Uma primeira parte a passo, sem ideias, sem rumo, sem atitude colectiva. Uma segunda parte nervosa, ansiosa e precipitada, com erros sucessivos na defesa e no ataque.
Não vou criticar o onze inicial pois não o teria apresentado muito diferente. Mas as dinâmicas desta equipa são cada vez mais pobres e incapazes de ultrapassar os problemas que surgem por diante, seja o aproveitamento das transições defensivas caóticas (como aconteceu noutros jogos, com outros adversários), seja um autocarro em frente da baliza (como foi o caso do Vitória).
Se tenho esperança? Residual. E esse resto traduz-se numa só ideia: é que o FC Porto também não joga nada.

DUAS PERGUNTAS AOS DEFENSORES DE RUI PINTO


1) Será que esta gente não percebe que no mundo moderno a cybersegurança é um valor determinante, mais determinante até do que a própria luta contra a corrupção?
2)  Porque continuam a tratar Rui Pinto como se ele tivesse tropeçado na informação por acaso, e a tivesse comunicado de imediato às autoridades – coisa que, como se sabe, não fez?

O BENFICA DE ANTIGAMENTE

Vejo futebol desde 1976, e já me irrita um bocado a conversa do Benfica “de antigamente”, aquele que era fantástico e agora morreu às mãos da modernidade.
É um mito que vive do saudosismo de alguns e da ignorância de outros.
Criou-se a ideia de que todos os jogadores encarnados dos anos 70 e 80 eram grandes craques, que jogavam maravilhosamente, e encantavam um Estádio da Luz sempre a abarrotar de entusiasmo.
É tudo mentira.
Tivemos bons jogadores, como temos agora. Mas o estádio raramente enchia (excepto nos "clássicos" e nas fases adiantadas das competições europeias), e muitas das agora tão consensuais “lendas” eram na verdade jogadores de rendimento irregular, por vezes até profissionais desleixados quando comparados com o elevadíssimo grau de profissionalismo dos de hoje. Só que se mantinham anos a fio no Benfica - muitos porque não tinham para onde ir, pois os mercados de transferências nem existiam -, pouca gente via os jogos, que não passavam na TV, e pelos relatos radiofónicos tudo parecia fabuloso. E nas memórias difusas de juventude, ainda mais fabuloso parece.
Na verdade, muitos de nós temos é saudades de ser jovens. Eu também as tenho.
Quando jogámos com o Steaua de Bucareste, com 120 mil pessoas na Luz quatro horas antes do apito inicial, eu estava lá. Tinha 18 anos, tinha o cabelo todo, pesava menos 20 kgs e tinha energia para dar e vender. Se tenho saudades desse tempo? Obviamente tenho, e de tudo a ele associado. Mas quanto a futebol no sentido estrito, isso foi um jogo, entre mais quatro ou cinco excepções (Marselha, Anderlecht e alguns "clássicos") que ficaram na história , e na lenda, que não correspondiam de todo ao que se passava nos domingos comuns, e que hoje servem de termo de comparação injusto e desfasado com a realidade de cada semana – criteriosamente escrutinada em transmissões televisivas hd e análises subsequentes até enjoar.
Aconselho todos a verem alguns jogos do Benfica na RTP Memória. Ainda esta semana passou um Benfica-Farense, de 1996, com um estádio completamente às moscas, e uma equipa descaracterizada e deprimente.
O antigo Estádio da Luz, quando foi demolido, era um elefante branco anacrónico, com muita história, mas já sem alma. Esta é a verdade.
E as equipas do Benfica dos anos noventa, com uma ou outra excepção (93, 94) eram uma treta, num clube amador e desorganizado - por vezes mesmo caótico. E nos anos 80 teve dias, sendo que as provas europeias, com outro formato e sem Lei-Bosman, eram muitíssimo mais facilitadas do que hoje. Nos anos 70 e 60 ainda não havia Porto. E não esquecer que, antes de Eusébio, o Sporting tinha mais campeonatos  do que o Benfica, e depois de Eusébio é o FC Porto que tem mais. Houve, portante, um período histórico diferenciado, década de sessenta (sobretudo na primeira metade), em que o Benfica era um grande europeu, tinha um super-jogador à escala mundial, e dominava completamente no país. Foi um período de alguns anos. Desde há muito que o futebol se mercantilizou, e sendo Portugal um país pobre no contexto europeu, esses tempos não são repetíveis. 
Para além disso houve, claro, uma ou outra temporada muito boa (73 ou 83, por exemplo), e é dessas que nos lembramos, pois só elas ficam na memória. Mas houve inúmeras crises, derrotas, fracassos, péssimas decisões de gestão e sempre muito amadorismo, que compreensivelmente metemos na gaveta do esquecimento.
Assim, o caso de Maxi Pereira parece-nos hoje muito diferente do de Artur Correia, Pizzi parece-nos muito diferente de Diamantino, Ferro a anos-luz de Bastos Lopes, Seferovic uma sombra de César Brito, e Vlachodimos um aprendiz de Bento. Ora essa ideia não resiste aos factos. E já ninguém se lembra dos Garridos, dos Hajrys, dos Mirandas, dos Tuebas, dos Padinhas, dos Tó Portelas, dos Ruis Pedros, dos Nivaldos, dos Carlos Pereiras, dos Folhas, dos Paulos Campos, dos Joeis, dos Vitais e dos Fonsecas, dos Rui Lopes, dos Cavungis, dos Pereirinhas, dos Josés Domingos, dos Móias, dos Matines e dos Pedrotos. E omiti propositadamente nomes dos anos noventa, pois aí o texto tornar-se-ia ilegível.
Deixemo-nos de fantasias. O Benfica de hoje, na globalidade e enquanto clube no seu todo, é dos melhores de sempre. E tirando o tempo de Eusébio - que não vivi - nenhum outro se lhe pode comparar. em rigor, em gestão, em profissionalismo, e em desempenho.
Exigência? Sim. Eu também acho que tínhamos obrigação de ganhar ao Moreirense.
Mas bom senso faz sempre falta, e rigor histórico também.

JÁ UMA LENDA

269 jogos (já 34º de sempre)
70 golos,7 deles nas provas europeias (já 32º de sempre, já 21º de sempre)
4 campeonatos
1 taça
2 taças da liga
4 supertaças

To be continued...

MANIF ESVERDEADA

Deixo aqui alguns posts retirados da conta do organizador e dinamizador de uma manifestação de "benfiquistas" contra Luís Filipe Vieira, marcada para a noite da Gala. É um tal Santiago Miguel ou Miguel Santiago, a ser verdadeiro o nome, a ser verdadeira a conta.
Tirem as vossas conclusões.
Atenção que, se este é amador, há profissionais de comunicação, de elevada competência e baixo carácter, a fazer coisas semelhantes. O Benfica está a ser atacado de todos os lados, e só por ingenuidade os benfiquistas poderão cair na esparrela.





A PIQUE


Com poucos minutos de jogo, talvez uns cinco, há um lançamento lateral para o Benfica. Grimaldo vai executá-lo, mas, afastado da linha, caminha tranquilamente a passo até ao local correcto. Como se estivesse a ganhar e faltassem poucos minutos para terminar o jogo. Como se não fosse necessário marcar rapidamente para abrir o Moreirense. Como se o Benfica não precisasse dramaticamente de vencer.
Esta abordagem passiva da equipa de Bruno Lage na primeira parte comprometeu desde logo o jogo, oferecendo ao adversário aquilo que ele queria. Mas os problemas do Benfica vão muito para além disso. Não se verificaram só na primeira parte. E não se centram, de modo algum, nos jogadores e sua atitude.
A verdade é que já nem me lembro da última exibição convincente da equipa. Talvez no início de Dezembro, há já longos três meses.
Entretanto, das fragilidades defensivas – que se mantêm – passou-se também a uma fase de previsibilidade ofensiva, e tremenda falta de eficácia, justamente a palavra que foi mantendo o Benfica na liderança destacada do campeonato durante meses, mesmo sem jogar grande coisa. Ou seja, nem defensiva, nem ofensivamente a equipa encarnada parece capaz de dar a volta a esta situação, que ontem se colocou bastante cinzenta, para não dizer negra.
Parece cada vez mais evidente que a abordagem ao mercado de Inverno foi uma catástrofe. Em vez do defesa-central de que a equipa carecia com urgência (sobretudo tendo em conta a dispensa de Conti), contratou-se Weigl, que teima em não convencer (preferia claramente Fejsa, que defensivamente dava muito mais garantias). Em vez de um segundo avançado capaz de colmatar as baixas de Jonas e Félix, contratou-se Dyego Sousa, que suspeito não chegue a marcar um golo no Benfica. E Gedson, de quem pouco se tem falado, e que poderia ser uma solução em determinados jogos, também já cá não está.
Não acuso expressamente ninguém, pois não faço ideia até que ponto houve aqui solicitações de Lage ou imposições directivas. A verdade é que, há que assumir, correu muito mal.
Em jogo também ninguém entende as opções do técnico setubalense. Nas conferências de imprensa explica detalhadamente o que pretendeu fazer, e com isso dá trunfos aos adversários que se seguem, mas durante as partidas não se percebe a sua leitura. Deixar Samaris amarelado a segurar todo o meio-campo, tirar Rafa, que podia resolver, e depois Taarabt, que estava a ser a melhor unidade benfiquista, colocando Jota que denota enorme nervosismo sempre que entra em campo, por maioria de razão com a equipa a perder, não lembraria a nenhum dos 40 mil adeptos presentes na Luz – e a reacção foi a condizer.
Uma palavra final para o árbitro. Fiquei com a sensação de que, mais do que um anti-benfiquista primário, Fábio Veríssimo é mesmo um árbitro absolutamente incompetente.