BOAS FESTAS

VEDETA DA BOLA deseja a todos os leitores um bom Natal, e um 2012 melhor que 2011 - que para a maioria dos portugueses não deixará muitas saudades.

Desportivamente, faz agora um ano, desejei uma final europeia para o Benfica. Por um golo, esse desejo falhou.

Este ano dedico todas as doze passas ao Campeonato. E acredito que vá ter mais sorte.

Que 2012 reserve também uma boa Liga dos Campeões ao Benfica (quartos-de-final parece ser o limite), e um Euro bem sucedido à Selecção Portuguesa (se passar o grupo já não será mau).

Nesta época natalícia, aproveito também para recordar que há coisas muito mais importantes que o futebol, e as rivalidades que nele se estabelecem. É bom não perdermos a noção de que isto é apenas um divertimento, que nos ajuda a passar o tempo livre com entusiasmo, mas que não nos condiciona a vida de todos os dias (por vezes bem mais difícil, e quase sempre bem mais complexa). Podemos viver o desporto com paixão, com fervor, com alegria, com tristeza, com alguma picardia, mas não faz qualquer sentido vivê-lo com ódio. As verdadeiras derrotas da vida não acontecem nos relvados. Aí, são outros que jogam, e nós, adeptos, ganhamos sempre alguma coisa, mesmo quando o nosso clube perde.

Este espaço estará de regresso dia 4 de Janeiro, para falar da Taça da Liga e da evolução do mercado de transferências.

UMA TAÇA NO SAPATINHO

Vencendo uma vez mais em casa, e uma vez mais contra dez jogadores (a décima !!! nos últimos três meses), o Sporting ficou muito perto de, sem saber muito bem como, conquistar a Taça de Portugal.

A sorte do clube de Alvalade nesta competição não tem paralelo. Em 35 anos, este será, mais do que provavelmente, o sexto triunfo, e à excepção de 2008 (quando, com ajuda de Jorge Sousa eliminou o Benfica a uma só mão em Alvalade, e ganhou no Jamor ao FC Porto), as restantes foram...de borla.

Nem em 1982, nem em 1995, nem em 2002, nem em 2006, nem agora em 2012, o Sporting teve de defrontar qualquer outro dos "grandes", metade dos jogos que realizou foram contra equipas dos escalões secundários (até em meias-finais), beneficiou de isenções, jogou quase sempre em casa ou lá por perto, não jogou uma única meia-final fora de casa, e no total dessas cinco taças, as únicas deslocações que efectuou foram para defrontar Boavista (vá lá, uma excepção nas facilidades), Olivais e Moscavide, Alverca, Vila Real, Pinhalnovense, União da Madeira e Famalicão.

Pode dizer-se que não têm culpa. Mas também não creio que tenham muito mérito.

A Taça permite estas aleatoriedades, e é justamente por isso que é a segunda competição, e não a primeira. No Campeonato, em trinta anos, os "leões", "lagartos" ou "osgas", conforme a preferência do leitor, apenas ganharam duas vezes.

ENTRADAS DE JESUS

Desde que Jorge Jesus chegou ao Benfica, os meses de Janeiro e Fevereiro têm sido particularmente felizes. Em 2010, dez vitórias e três empates (dois deles positivos). Em 2011, um pleno de quinze vitórias, entre as quais duas internacionais, uma no Dragão e outra em Alvalade. No total destes dois meses do ano, um registo notável de 25 vitórias, 3 empates e 0 derrotas.


A manter-se a tendência, teremos pois, lá para final de Fevereiro, um Benfica isolado na liderança do Campeonato, apurado para as meias-finais da Taça da Liga, e em boa posição para, no início de Março, carimbar na Luz a passagem aos quartos-de-final da Champions.

O MEU JANEIRO

Não concordo minimamente com esta abertura de mercado a meio da época, com as competiçóes a decorrer. Todavia ela existe. E move-se.

Para o Benfica, é a oportunidade de resolver o seu problema do lado esquerdo da defesa, trocando Capdevila por alguém que se firme como titular indiscutível (Ansaldi? Rojo?), equilibrando a equipa. É também a altura para libertar, sob empréstimo, aqueles que têm tido menos oportunidades, como David Simão, Luís Martins ou Rodrigo Mora. Também a Eduardo (sobretudo a ele próprio) faria bem mudar de ares, até para que o Euro 2012 não lhe escape das mãos.

O meu plantel ficaria bastante reduzido (apenas 22 jogadores), pois a crise obriga a poupar nos salários. Ei-lo:

GUARDA-REDES: Artur e Mika

DEFESAS: Maxi Pereira, Luisão, Garay, Ansaldi, Ruben Amorim, Jardel, Miguel Vítor e Emerson

MÉDIOS: Javi Garcia, Witsel, Aimar, Gaitán, Bruno César, Nolito, Enzo Perez e Matic

AVANÇADOS: Cardozo, Saviola, Rodrigo e Nélson Oliveira


A próxima época deve ser, também, e desde já, preparada, apontando para as inevitáveis saídas de Gaitán (com bastante mercado) e Saviola (alto salário e fim de contrato), e para os regressos de alguns emprestados - eventualmente Sidnei, Carlos Martins, Urreta ou Franco Jara. Não creio que exista dinheiro para novas contratações, nem me parece, honestamente, que façam muita falta. Até porque a concorrência terá igualmente de desinvestir.

DO QUE ELES NÃO FALAM

1ª JORNADA, V.Guimarães-FC Porto, 0-1 (Olegário Benquerença)

Penálti muito duvidoso deu o único golo do jogo; mão de Rolando na área, não sancionada, nos instantes finais


2ª JORNADA, FC Porto-Gil Vicente, 3-1 (Rui Silva)

Expulsão poupada a Otamendi logo aos 2 min; penálti inexistente deu o empate; penálti por marcar, cometido por Sapunaru, já na segunda parte


3ª JORNADA, U.Leiria-FC Porto, 2-5 (João Capela)

No lance do terceiro golo, James parte em fora-de-jogo


4ª JORNADA, FC Porto-V.Setúbal, 3-0 (Marco Ferreira)

Primeiro golo precedido de falta de Belluschi sobre Nuno Amaro; fora-de-jogo mal tirado a João Silva


5ª JORNADA, Feirense-FC Porto, 0-0 (Bruno Esteves)

Penálti por assinalar por rasteira de Belluschi; amarelo por mostrar a Fucile



8ª JORNADA, FC Porto-Nacional, 5-0 (Cosme Machado)

Dois golos fora-de-jogo (2º e 5º), outro precedido de livre marcado ao contrário (3º); penálti por assinalar por falta de Álvaro Pereira sobre Mateus mesmo no final da primeira parte; fora-de-jogo mal tirado a Rondon



9ª JORNADA, FC Porto-P.Ferreira, 3-0 (Hugo Miguel)

Cartão amarelo poupado a Sapunaru


11ª JORNADA, FC Porto-Sp.Braga, 3-2 (Soares Dias)

Expulsão poupada a Álvaro Pereira logo nos primeiros minutos; fora-de-jogo mal tirado a Lima


12ª JORNADA, Beira Mar-FC Porto, 1-2 (Carlos Xistra)


Primeiro golo do FC Porto irregular, com Hulk, em fora-de-jogo, com influência no lance; segundo amarelo poupado a Hulk por simulação na área; fora-de-jogo mal tirado a Balboa







Em nove das treze jornadas, o FC Porto beneficiou de erros de arbitragem mais ou menos graves. É tão habitual que nem se nota. Mas não deixa que ser um cadastro a justificar, no mínimo, algum recato dos seus responsáveis - que há poucas semanas chamavam "heróis" aos simpáticos juízes.

CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA-RIO AVE


O único caso a justificar análise nesta partida é o do suposto fora-de-jogo de Nolito no lance do seu primeiro golo.


Não creio que, estando os pés do jogador em linha, a cintura do jogador em linha, e porventura apenas um ombro em situação de fora-de-jogo (os braços não contam), e estando ele no lado oposto do campo ao do fiscal-de-linha, encoberto por três ou quatro jogadores do Rio Ave, possamos considerar estar perante um erro. Não é humanamente possível ter qualquer certeza sobre um lance daqueles em movimento rápido, e a regra deve ser beneficiar quem ataca. Até porque, se despirmos as camisolas, e virmos a coisa no abstracto, torna-se absurdo imaginar que exista qualquer vantagem adicional para o atacante que parte de um fora-de-jogo de milímetros. E o espírito da lei é justamente impedir essa vantagem.


Isto é válido aqui, como, por exemplo, também em Barcelos, onde o mesmo jogador teve uma situação semelhante, na altura muito criticada. Desta vez, o resultado não deixa margem a grande polémica, mas o princípio é o mesmo. Foras-de-jogo? Só quando existe certeza absoluta, e em lances como este tal não acontece.


Resultado real: 5-1 (mas quem quiser 4-1, que se sirva à vontade)



FC PORTO-MARÍTIMO


Apenas vi os últimos 15 minutos de jogo, e quando ouvi falar num penálti escandaloso sobre Belluschi, pensei tratar-se de uma rasteira violenta, um empurrão flagrante pelas costas, pensei, enfim, que tivesse acontecido algo parecido com uma dupla falta de Álvaro Pereira, no ano passado, em Vila do Conde, com um dos vários cortes com a mão de Rolando, em toda essa mesma temporada, ou com uma falta do mesmo Belluschi, não sancionada, no jogo com o Feirense.


Afinal, trata-se de um lance que só a repetição televisiva esclarece. Há um choque entre um jogador forte e um jogador frágil, e este cai espalhafatosamente. Aceito que seja penálti, mas erros daqueles têm existido às dúzias, muitos deles favorecendo o FC Porto, ou penalizando o Benfica. Erro? Sim. Escândalo? Nem pensar!


O mais curioso é que este tipo de situações ocorre quase sempre em vitórias do FC Porto. É muito, mas mesmo muito raro, vermos aquele clube perder pontos por via de erros de arbitragem, ao contrário do que acontece frequentemente com os seus rivais.


E Pinto da Costa, que há poucos anos recebia árbitros em casa nas vésperas dos jogos, e que pagava prostitutas aos mesmos após os jogos, devia, em nome do pudor, calar-se sobre o tema para o resto da sua vida. Vergonha, já sabemos que não tem. Mas não queira fazer-nos de idiotas.
Até porque o primeiro cartão amarelo a Roberge deixa também algumas dúvidas.


Resultado real: 3-0



ACADÉMICA-SPORTING


Daquilo que vi, dois lances justificam referência: uma alegada falta sobre Insua na área, e uma entrada violenta do mesmo jogador que justificaria expulsão.


No primeiro caso, não creio que haja motivo para penálti. É um lance dividido, o argentino cai, sem me parecer que exista intenção deliberada de o derrubar. Eu não marcaria, embora aceitasse decisão contrária.


A carga violenta do mesmo jogador não deixa dúvidas, e seria razão para explusão. Aqui sim, trata-se de um erro incompreensível do juiz da partida.


Sobre a expulsão de Elias, nada há a dizer. E também não creio que devamos embarcar em preciosismos no caso do lançamento que origina o golo do Sporting (efectuado cerca de vinte metros antes do local indicado) - ainda que se trate de uma situação irregular, que a passar-se com o Benfica teria sido certamente objecto de grande polémica.


Resultado real: 1-1



CLASSIFICAÇÃO REAL


BENFICA 35 (prejudicado em Braga)


FC Porto 33 (sem prejuízo ou benefício líquido)


Sporting 31 (prejudicado nas primeiras jornadas)

O MELHOR EM VINTE ANOS



Nunca, nos últimos 20 anos, o Benfica tivera tantos pontos à 13ª jornada. Mesmo considerando sempre três pontos por vitória, seria preciso recuar até 1990, com Eriksson (na segunda passagem por Portugal), para encontrar uma entrada mais triufante no campeonato, então com apenas 5 pontos perdidos em 13 jogos.

Essa marca será também ultrapassada caso o Benfica ganhe os próximos dois jogos (U.Leiria e V.Setúbal), pois em 1990-91 empatou com o FC Porto à 15ª ronda. Então, só na primeira passagem do treinador sueco, designadamente em 1983-84, poderíamos encontrarmos melhor: apenas 2 pontos perdidos em 15 jogos.

Já se sabe que o recorde é de Jimmy Hagan, em 1972-73, com 23 vitórias em 23 jornadas.

Diga-se também, como curiosidade, que as três temporadas de Jorge Jesus (inclusivamente a de 2010-11), são, a esta jornada, precisamente as três melhores dos últimos quinze anos.

O problema de tudo isto é que o FC Porto, mesmo em crise, não perde para o campeonato desde Fevereiro de 2010, e mantém um impressionante registo de 45 vitórias e 6 empates nos últimos 51 jogos.

BOAS SENSAÇÕES

Uma boa exibição, uma goleada, a liderança no campeonato. A noite de sexta-feira fez lembrar a gloriosa saga de 2009-2010, quando Coentrão, Di Maria, Ramires e alguns dos que ainda cá estão, atropelavam adversários, sucessivamente, a caminho do título. Até o adversário trazia boas recordações a esse nível.

Há alguns jogos que o Benfica, mesmo vencendo, não convencia. Também por isso, a partida com o Rio Ave, sendo a última antes da paragem natalícia, trouxe um conforto acrescido aos adeptos, renovando a confiança num grande campeonato. E se olharmos apenas para os pontos, este é já o melhor em duas décadas.

É preciso dizer que a postura do Rio Ave contribuiu para o espectáculo solto e entretido a que se assistiu. A equipa vilacondense nunca se fechou demasiado, nem mesmo quando se viu em vantagem, após uma primeira meia-hora de grande afirmação futebolística. Ficou a ideia de se tratar de um conjunto com excelentes avançados, sentindo, porém, dificuldades no sector mais recuado, sobretudo perante opositores velozes e criativos.

O Benfica reagiu bem ao golo sofrido, e teve também uma pontinha de sorte na forma como rapidamente, e ainda antes do intervalo, se colocou com dois golos à maior, fechando uma primeira parte de elevadíssimo nível. Ao fazer o 4-1 num dos primeiros lances do segundo período, os encarnados resolveram definitivamente a contenda, ficando apenas a dúvida acerca dos números finais da vitória. Marcariam mais um, já num período de alguma descompressão, acabando com o jogo, e levando a festa do relvado para as bancadas.

Na noite da Luz, há que destacar Nolito, claramente o melhor em campo. Não é um jogador para grandes adornos técnicos, tem um estilo por vezes demasiado voluntarista, mas não há dúvida de constituir um precioso reforço neste Benfica 2011-2012. Há algum tempo que justificava a titularidade – até pela notória quebra de forma de Bruno César -, e tendo-a, aproveitou-a muito bem, marcando posição para o futuro próximo.

Também Aimar (é já recorrente), e Saviola (este não tanto), se destacaram, dupla que igualmente marcou a temporada do último título. Cardozo marcou pelo terceiro jogo consecutivo, e pode dizer-se que, desta vez, ninguém destoou na orquestra de Jesus.

Quase não dei pelo árbitro, excepto quando, muito bem, assinalou a óbvia grande penalidade.

O Benfica lá segue, com 33 pontos em 13 jogos, realizando uma campanha impressionante, pelo menos em termos de eficácia. O problema é que o FC Porto, o tão criticado FC Porto, vai fazendo o mesmo, tendo apenas menos dois pontos que na época passada (embora aí com grandes ajudas da arbitragem), mais quatro que na anterior, e mais seis que no ano do último título de Jesualdo Ferreira. Mas na próxima jornada pode haver novidades.

É O ZENIT



Preferia o CSKA, mas como o bom é inimigo do óptimo...


EQUIPA TIPO: Malafeev, Anyukov, Criscito, Lombaerts, Hubocan, Shyrokov, Zyryanov, Denisov, Fayzulin, Danny e Lazovic TR: Luciano Spalletti

O SENHOR QUE SE SEGUE

Estes são os possíveis adversários do Benfica. A ordem é inversa à das minhas preferências.














AC MILAN (Itália)




ranking UEFA: 11º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Ibrahimovic, Pato, Robinho




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NÁPOLES (Itália)




ranking uefa: 57º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Cavani, Lavezzi, Hamsik








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OLYMPIQUE DE LYON (França)




ranking uefa:




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Michel Bastos, Lisandro, Gomis










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OLYMPIQUE DE MARSELHA (França)




ranking uefa: 14º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Lucho, Valbuena, Ayew





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BAYER LEVERKUSEN (Alemanha)




ranking uefa: 31º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Ballack, Derdiyok, Schurrle






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ZENIT DE SÃO PETERSBURGO (Rússia)




ranking uefa: 17º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Malafeev, Bruno Alves, Danny





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CSKA DE MOSCOVO (Rússia)




ranking uefa: 15º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Dzagoev, Doumbia, Vagner Love

CLASSIFICAÇÃO REAL

BEIRA MAR-FC PORTO

Não me custa a admitir que o FC Porto foi prejudicado em dois lances: um penálti cometido sobre Djalma, e um livre frontal em falta sobre Hulk.

É raro, mas acontece. Quase sempre sem consequências nos resultados. E Carlos Xistra tem amplo crédito na casa.

Há também a considerar um fora-de-jogo mal assinalado ao Beira Mar, que inviabilizou uma jogada de perigo já na segunda parte.

Resultado Real: 1-3


SPORTING-NACIONAL

Nuno Santos (P.Ferreira), Sony (Rio Ave), Nogueira (Feirense), Ivo Pinto (U.Leiria), Cardozo (Benfica) e Stojanovic (Nacional). Seis jogos do Sporting para o Campeonato (metade da prova, e últimos quatro sucessivamente)), seis expulsões de adversários, seis situações de superioridade numérica.

Jorginho e Talocha (Famalicão) e Elderson (Sp.Braga). Dois jogos da Taça de Portugal, três expulsões de adversários, duas situações de superioridade numérica.

Wesley (Vaslui). Um jogo da Liga Europa (no qual se decidiu o apuramento), uma expulsão de um adversário, uma situação de superioridade numérica.

O Sporting de Domingos já se habituou a jogar contra dez, e parece estar a gostar. Dos nove jogos referidos, ganhou oito, e só perdeu na Luz. Nos restantes onze jogos que disputou (sem a tal vantagem numérica), os números são um pouco mais modestos, incluindo duas derrotas e três empates.

Isto é grave, sobretudo se atendermos ao facto de grande parte das expulsões terem sido injustas. Voltou a ser assim, com um dos amarelos mostrados ao jogador do Nacional, que contrasta, aliás, com a impunidade que se tem visto (e mais uma vez se viu) para com João Pereira.

Não me lembro de outros casos deste jogo (só vi o resumo), mas o grande caso deste Sporting é mesmo esta estranha sucessão de expulsões.

Resultado Real: 1-0


MARÍTIMO-BENFICA

Por falar em expulsões, desta vez também o Benfica foi contemplado.

A origem esteve no excesso de cartões amarelos mostrados por Jorge Sousa, que foi penalizando ambas as equipas, e, além da própria expulsão, deixou o Marítimo sem meio-campo para a próxima jornada (curiosamente no Dragão).

Seguindo tão rigorosos critérios, aceita-se o segundo amarelo a Olberdan. A única dúvida reside em saber se o jogador madeirense toca efectivamente em Maxi Pereira, mas em movimento rápido seria impossível termos outra decisão que não aquela.

No lance que antecede um lançamento, que antecede o cabeceamento de Jardel, que antecede a grande defesa de Peçanha, que antecede o cruzamente de Nolito, que antecede o ressalto nas pernas do defesa do Marítimo, que antecede o remate final de Cardozo, há uma possível falta de Aimar sobre o guarda-redes. A acontecer, seria fora da área, pelo que o critério a considerar terá de ser mais lato. Mas dizer-se que o golo foi irregular por causa dessa possível falta soa a ridículo.

Resultado Real: 0-1


CLASSIFICAÇÃO REAL


BENFICA 32

FC Porto 30

Sporting 30

GOLO DE OURO

Perante um adversário que ocupava o quarto lugar da Liga, e que o havia derrotado poucos dias antes na Taça de Portugal, o Benfica tinha um importante desafio às suas capacidades, com a pressão acrescida das vitórias dos rivais na véspera.

Sem brilho, com sofrimento, e necessariamente impulsionado pela expulsão de um jogador madeirense na alvorada da segunda parte, o conjunto de Jesus acabou por se sair bem, triunfando onde certamente poucos o irão fazer, e partindo para uma fase do calendário aparentemente mais dócil – que, a imperar a lógica, o pode guindar à liderança isolada numa das próximas jornadas.

Foi o homem do costume, Óscar Cardozo, a resolver, quando o empate já ameaçava seriamente o horizonte encarnado. O paraguaio, depois de falhar uma oportunidade clamorosa ainda na primeira parte, acabou por se redimir, marcando pela segunda vez consecutiva, e garantindo três preciosos pontos.

Nessa primeira parte, o jogo fora extremamente equilibrado, com as duas equipas numa batalha constante pela posse da bola, procurando inventar espaços que as levassem às balizas adversárias. O Benfica teve quase sempre sinal mais, mas sem ideias suficientes para encostar o Marítimo à sua área, e impor a sua natural superioridade no jogo. O nulo aceitava-se ao intervalo.
Como disse, a expulsão ajudou bastante a equipa benfiquista. Embora o Marítimo não tenha aberto a porta à sua zona defensiva, nem desistido de lançar perigosos contra-ataques, o meio-campo passou a ser território exclusivamente encarnado. Javi Garcia impunha de tal forma a sua presença que Jesus até pôde prescindir de Witsel, incorporando mais uma unidade ofensiva.


Faltava abrir a lata, e foi preciso esperar até aos 85 minutos para que o domínio territorial se transformasse em vantagem no marcador.


O resultado acaba por premiar esse maior domínio, ajustando-se àquilo que foi o jogo.


Cardozo, pelo golo, e Javi Garcia foram os homens em maior destaque no Benfica, ao passo que Rodrigo, adaptado às alas, e Aimar estiveram abaixo das suas performances mais recentes.


Jorge Sousa exagerou nos cartões, penalizando indiscriminadamente ambas as equipas. O golo é absolutamente legal, pelo que não houve interferência no resultado.

MISSÃO CUMPRIDA



Num jogo sem história - entretido na primeira parte, tristonho na segunda -, o Benfica cumpriu o seu dever, e venceu a equipa mais modesta do grupo, alcançando com isso a desejada primeira posição.

Ganhar um grupo onde estava o Manchester United, não deixa de ser um feito. Mas também não podemos esconder que o grupo era, à partida, considerado acessível, e por muito brilhante que tenha sido a carreira do Basileia, creio que o Benfica e o Manchester teriam sempre obrigação de passar. Um cumpriu, outro falhou.

Nesta última partida o Benfica mostrou alguns dos pecados que têm marcado as suas últimas exibições. Poucas ideias, muitos erros. É uma equipa "tacticamente de nariz no ar, parecendo não ter noção dos perigos que corre". As palavras são de Luís Freitas Lobo, e definem, na perfeição, aquilo que tem sido este Benfica ultimamente.

Enfim, como a hora é de festa, vou tentar olhar apenas para o copo meio cheio, esperando, com fé, que a qualquer momento esta equipa solte a qualidade que tem, e me convença que a época irá acabar bem.

Individualmente gostaria de destacar Aimar e Witsel, bem como, uma vez mais, Artur. Quanto a Cardozo, fez aquilo que lhe competia, e deu mais uma vitória ao Benfica. Em sinal oposto está Bruno César, que está claramente em má forma, não justificando a titularidade.

Um conjunto de circunstancias estranhas, tanto em Amesterdão, como em Zagreb, atirou para a Liga Europa o meu adversário preferencial - o Ajax. Dos que restam, talvez escolhesse o CSKA, ou, em alternativa, o Marselha. A evitar, é claramente o Milan.

COM (QUASE) TUDO

Artur tem cartão amarelo e não deve fazer falta. Aimar, também amarelado, pode entrar na segunda parte se se tornar necessário. Sem Luisão, Garay, o terceiro da lista, não pode ser poupado. Maxi Pereira está suspenso. De resto...em força para ganhar o jogo, o dinheiro e o grupo.

A CHAMPIONS AINDA MAIS BELA

Há umas semanas atrás escrevi isto, no jornal "O Benfica":




"O início da temporada europeia trouxe de novo uma questão recorrente: devem ou não os adeptos de um clube apoiar os rivais do mesmo país, quando em provas internacionais?
Não será certamente o debate mais importante do mundo, mas não deixa de ter algum interesse, até para percebermos o que é efectivamente o futebol, e como viver da melhor forma esta paixão que, afinal de contas, nos une a todos.
A minha posição sobre o assunto nem sempre foi a mesma. Cresci com a ideia bem vincada de que, entre portugueses e estrangeiros, devia apoiar os portugueses, quaisquer que fossem as camisolas que vestissem, quaisquer que fossem as circunstâncias que rodeassem a ocasião. Tanto quanto me lembro, vivi assim as primeiras epopeias internacionais do FC Porto, nomeadamente a derrota na final da Taça das Taças, em 1984 (tinha eu 14 anos), e a vitória, três anos mais tarde, na Taça dos Campeões Europeus. Não chorei a primeira, nem festejei a segunda, mas recordo-me de, durante esses jogos, ceder às emoções manifestadas pelos narradores e comentadores televisivos, embarcando no apoio à equipa portuguesa.
Hoje não penso da mesma forma.
Embora entre um estrangeiro honesto e um português corrupto, não hesite em escolher o primeiro, nem sequer estão em causa os métodos - entretanto expostos - que levaram o FC Porto ao seu crescimento competitivo dentro e fora de portas. O que sinto não se limita ao FC Porto, estendendo-se a Sporting, e, mais recentemente, a Sp.Braga.
Creio que a representação nacional por excelência, aquela que une os portugueses em torno das bandeiras do seu patriotismo, é a Selecção Nacional, pela qual torço incondicionalmente. Os clubes representam-se a si próprios, e apesar de compreender a posição politicamente correcta de jornalistas que se querem isentos, não me parece que aos adeptos deva ser exigida tamanha magnanimidade.
Não sou nacionalista, mas sou patriota. Sou do Benfica, e, enquanto português, da Selecção Nacional. Em termos de futebol, ninguém mais me representa."









Em coerência, e sem complexos, não posso deixar de exprimir a alegria que senti com a passagem do Zenit (onde actuam quase tantos portugueses como no FC Porto), e do Apoel (onde actuam mais portugueses do que no FC Porto), pelo que deixo aqui o meu agradecimento a Danny, a Bruno Alves, a Hélio Pinto, a Paulo Jorge e a Nuno Morais, compatriotas nossos que prestigiam o futebol luso além fronteiras.




O Benfica é o único clube português na Champions. É também o que tem o mais rico palmarés na prova. É o passado, é o presente, e espero que possa ser também o futuro, até porque com esta eliminação, a fome (que alguns já vão sentindo, e confessando) tende a acentuar-se para os lados do Dragão.

AS CONTAS DA CHAMPIONS



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A MINHA HOMENAGEM

Como mais vale tarde do que nunca, não queria deixar passar em claro a morte de um craque da minha infância.


Sócrates, com Zico e Falcão, formavam o meio-campo do célebre Brasil de 1982, que marcou toda uma geração de adeptos. Não terá sido a mais consistente equipa da história do futebol, mas foi decerto uma das mais belas, ou até a mais bela. Não me recordo de ver outra a praticar tão bonito futebol - recheado de toques de calcanhar, simulações, dribles estonteantes e passes sumptuosos, num festival de técnica digno de outro mundo.


Chorei a dor da derrota com a Itália de Paolo Rossi (outra grande equipa, embora nos antípodas daquele Brasil), que determinou o rumo de um dos melhores Campeonatos do Mundo de sempre. Talvez se possa até dizer que existiu um Futebol até ao dia desse jogo, e outro Futebol de então para cá. Terminou aí um certo romantismo da bola, uma certa poesia futebolística, para dar lugar ao realismo táctico e científico que hoje temos. Recordei essa partida aqui.


Sócrates era o capitão, e, talvez com a excepção de Zico, a mais brilhante estrela daquela constelação. Tinha, para além do futebol, uma intervenção cívica de relevo.


Fica a minha homenagem.


PS: Quis o destino que o desaparecimento de Sócrates coincidisse com o triunfo do seu clube, o Corinthians, no campeonato brasileiro. O “Timão” é também a equipa pela qual eu torço no futebol canarinho, pelo que a jornada foi duplamente emotiva.

CULPAS PRÓPRIAS

Uma grande equipa pode perder alguns jogos não decisivos. Uma grande equipa pode perder jogos decisivos contra adversários de nível igual ou superior. Uma grande equipa NÃO PODE perder jogos decisivos contra adversários inferiores.

O Benfica perdera a 5 de Maio, em Braga, um jogo que não podia perder. O Benfica voltou a perder, a 2 de Dezembro, no Funchal, outro jogo que não podia perder, ficando em ambos os casos arredado de competições importantes. Salvaguardando a dimensão histórica de cada uma das derrotas (a outra, obviamente, mais profunda e dolorosa), há uma certa similitude entre elas, nomeadamente quanto a questões de mentalidade competitiva, e é isso, continua a ser isso, que me incomoda enquanto benfiquista.

Neste caso porém, há um aspecto paralelo que não posso deixar de condenar. Jorge Jesus sempre disse que a Taça de Portugal era uma das prioridades. Também eu a considerava como tal. Não entendo pois como, numa eliminatória disputada fora de casa, perante o quarto classificado do campeonato, o Benfica se apresenta sem vários titulares. Por motivos diferentes, não alinharam de início, Artur, Maxi Pereira, Luisão, Javi Garcia, Aimar, Bruno César e Cardozo (sete titulares!), mas só o central e o ponta-de-lança estavam impedidos de o fazer. Porquê tanta poupança, quando nem sequer se jogara a meio da semana? Não sei, e, pelo que diz a imprensa, o presidente do Benfica também não sabe.

Admito que a Champions League, pelo prestígio e pelo dinheiro, seja, em tese, mais importante que a Taça de Portugal (ainda que esta valha um troféu). Já não entendo porque motivo ficar em primeiro lugar do grupo - com toda a relevância que já aqui destaquei, mas que o próprio Jesus desmentiu na flash interview de Manchester - pode ser razão para deitar fora a segunda prova do calendário nacional. Percebia a poupança perante um adversário de segundo escalão. Percebia a poupança se ainda estivesse em causa o apuramento na Liga dos Campeões. Poupar apenas porque é Taça, sendo Taça, parece-me um absurdo. O que é certo é que, sem todos aqueles jogadores em simultâneo, o Benfica não é, nem podia ser o mesmo.

Foi-se a Taça de Portugal (provavelmente oferecida ao Sporting), e com ela a possibilidade de terminar a época em festa. Como o Benfica não vai ser, seguramente, campeão europeu, e como a Taça da Liga não tem peso suficiente para salvar uma temporada, resta o Campeonato como barómetro do sucesso ou fracasso encarnado. Ou o Benfica é campeão, e tudo estará bem, ou perde o título e teremos um remake agravado da época passada, com consequências imprevisíveis. É esta situação de risco em que o clube ficou após a aventura (só posso chamar-lhe assim) madeirense.

Não me apetece falar muito mais do jogo. Acrescentarei apenas que a eliminação nem sequer me surpreendeu. Se Eduardo tivesse vestido a pele de Artur e salvo aquele chapéu, se o espantoso remate de Roberto Sousa tivesse batido na barra, teríamos uma sofrida vitória do Benfica, idêntica às de Aveiro, da Figueira da Foz, de Manchester e à da Luz com o Olhanense e com o Sporting. A sorte não dura sempre, e desta vez não havia Artur para fazer milagres. Previ, num comentário aqui feito após Old Trafford, que o Benfica chegaria ao Natal arredado da Taça e em terceiro lugar no Campeonato. Lamentavelmente, a primeira parte da profecia está cumprida. Quanto à segunda, veremos o que sucede no próximo domingo, no mesmo local.

O MELHOR AMIGO DO LEÃO

O que têm em comum Nuno Santos, Sony, Nogueira, Ivo Pinto, Cardozo, Jorginho, Talocha, Elderson e Wesley ?


Eu respondo: todos eles foram expulsos em jogos contra o Sporting nos últimos dois meses e meio, numa sequência que provavelmente deverá constituir recorde.


De facto, dos últimos treze jogos oficiais do clube de Alvalade, oito (!!) foram concluídos em superioridade numérica. Paços de Ferreira, Rio Ave, Feirense, União de Leiria e Benfica, no Campeonato; Famalicão e Sp.Braga, na Taça de Portugal; e Vaslui na Liga Europa, não puderam dispor de todas as suas unidades para fazer frente ao conjunto de Domingos Paciência, terminando amputados, muitas das vezes de forma injusta.


Por exemplo, nos jogos do Campeonato, das cinco expulsões referidas só a de Vila do Conde terá sido de aceitar, pecando todas as restantes pelo exagero, ou pelo absurdo. Isto torna-se bastante mais gravoso quando ficaram por expulsar vários jogadores do Sporting, alguns deles em lances bastante graves. Jeffren (contra a Olhanense), Onyewu (com o Rio Ave), João Pereira (com o União de Leiria), e Carriço (na Luz), deveriam ter visto o cartão vermelho, sendo que no caso do espanhol e do lateral-direito a expulsão seria directa.


Pelo que aqui fica exposto, e tão proclamada perseguição dos árbitros ao Sporting terá passado à história ainda antes de se iniciar. E, jogando sempre contra dez, é mais fácil embalar uma candidatura ao título, que com arbitragens diferentes provavelmente já se teria esvaziado.


O melhor amigo do leão é pois...encarnado.




PS: Vedeta da Bola sai para o fim-de-semana prolongado, e estará de volta na próxima semana.

O NOSSO SETE, NÃO É BEM A UM

7-1 é a coroa de glória da história do Sporting. 7-1 é também o esmagador balanço dos últimos oito dérbis lisboetas, mas neste caso a favor do Benfica. Acresce que, aqui, o "um" é um simples empate, sendo talvez melhor falar de "sete... a meio". Tendo em conta este panorama (que já justifica cânticos das claques, que não irei reproduzir aqui), é natural que alguém fique furioso.

Como a série começou no tal jogo da Taça da Liga, onde um erro do árbitro (um só erro) deu tanta polémica, aceito que os sportinguistas mais sensíveis não o considerem. A esses, dedico então as últimas seis linhas do quadro, e portanto um simples...seis a zero. É o cliente que escolhe.

O FOGO QUE OS QUEIMA

Como alguém já disse, o incêndio da Luz é o caso mais grave de violência passado num estádio em Portugal, desde que o Euro 2004 proporcionou ao país recintos topo de gama.

A ideia de alguém entrar para uma bancada munido de produtos inflamáveis, com o intuito preconcebido de provocar um incêndio, é algo de assustador. Salvaguardando as distâncias, trata-se de uma espécie de 11 de Setembro do hooliganismo luso. Trata-se de ir até onde nunca ninguém ousara chegar. A agressão aos bombeiros é a cereja no topo de tão amargo bolo.


Este episódio, e o cartão de visita que ele representa para quem o provocou, justificaria até mais do que uma gaiola ou uma jaula. Não era preciso outra coisa para se perceber que o Benfica tinha razão em isolar semelhante gente. E as tentativas do Sporting para agora, em desespero, tentar subverter a ordem das culpas, chegam a ser penosas, quando foram dirigentes seus a acicatar os ânimos dos adeptos contra uma “provocação” que só existiu nas suas obstinadas cabeças.


Qualquer observador minimamente atento percebe quem se saiu mal do caso, e essa vitória deveria ser suficiente para o Benfica agarrar a razão, tal como fez em campo com os três pontos. Perante isto, estivesse eu nos sapatos de Luís Filipe Vieira, a única coisa que faria era entregar o caso à polícia, e apresentar a factura das despesas à direcção leonina. Nem mais uma palavra, nem mais uma linha de comunicado, pois as imagens falam por si e o silêncio seria a banda sonora adequada. Para comentar o caso estaríamos cá nós, adeptos e benfiquistas com voz na comunicação social, resguardando os dirigentes de um combate onde nada mais têm a ganhar.


Uma estratégia de confronto, ou de conflito, nada vai beneficiar o Benfica, que já é vítima da hostilidade extrema de FC Porto, Sp.Braga e outros (para além das relações tensas com a Olivedesportos), situação que não tem paralelo passado ou presente para mais nenhum clube português, e que consome energias necessárias para as batalhas verdadeiramente desportivas. Assusta-me imaginar um Benfica de relações cortadas com toda a gente, pois se o Benfica é maior que todos os outros, não sei se será maior que todos os outros juntos, e unidos contra si.


Há sectores do Sporting (representados neste caso por Paulo Pereira Cristóvão, mas que se estendem a outras figuras) que procuram deliberadamente o confronto com o Benfica, fazendo desse conflito modo de afirmação. À semelhança do caminho percorrido por FC Porto e Sp.Braga, e há quem no Sporting pense que a maioridade competitiva do clube só se alcança hostilizando o rival da Luz. Ora não pode ser o próprio Benfica a fazer-lhes a vontade, dando-lhes mais importância do que a que têm, e escorregando nas cascas de banana que constantemente lhe colocam por diante.


O Benfica não pode ter medo dos conflitos, mas também não deve ter vergonha de os evitar. Sobretudo quando, como neste caso, a sua vantagem, desportiva, moral e institucional, é avassaladora. O silêncio será pois o melhor complemento ao golo de Javi Garcia, deixando que os rivais se queimem sozinhos nas próprias chamas que atearam.

CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA-SPORTING:

Já me referi à arbitragem de João Capela. Volto a dizer que esteve bem no plano técnico, e mal no disciplinar.

Pecou por excesso na mostragem de cartões. Elias, Cardozo (claramente o primeiro amarelo, e, possivelmente, o segundo), Wolfswinkel e Aimar foram injustamente punidos. Por outro lado, Carriço deveria ter ido para o banho mais cedo.

No lance entre Onyewu e Jardel, quando a bola parte já os jogadores estão no chão. Não fica claro que exista falta, mas se existisse nunca poderia ser passível de grande penalidade, pois a bola não estava em jogo.

Resultado real: 1-0


FC PORTO-SP.BRAGA:

Com um jogo do Benfica em hóquei, e depois com a emocionante penúltima jornada do Brasileirão, não vi praticamente nada do FC Porto-Sp.Braga. Até porque nos jogos entre estas duas equipas já se sabe qual vai ser o resultado, pelo que não vale a pena desperdiçar hora e meia a fazer de palerma em frente da tv.

Pelos resumos, tirando um ou outro fora-de-jogo, uma expulsão poupada a Álvaro Pereira (e logo com um árbitro que até costuma ser exigente), não me apercebi de mais nada com relevo.

Resultado real: 3-2


CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA 29

FC Porto 27

Sporting 27

CHAMA IMENSA










No rescaldo do jogo de Manchester, fui acusado, aqui e não só, de excessiva exigência para com a equipa, precisamente num momento em que os resultados estimulavam um discurso mais optimista e entusiasta. Aceito algumas dessas críticas (provavelmente exagerei mesmo), e embora muitas das minhas inquietações permaneçam vivas, nada me agrada mais do que ser a própria equipa, com o seu desempenho em campo, a obrigar-me a reconhecer aquele eventual excesso.


Houve, porém, algo que ficou sempre do lado de fora do quadro que tracei, mesmo nas linhas de maior implacabilidade. Falo da capacidade de sofrimento dos jogadores, do seu profissionalismo, da sua entrega, e do rigor com que defendem a camisola que vestem. Pois foi precisamente aí que residiu o âmago desta vitória, a sexta consecutiva sobre o rival lisboeta.


Sabia-se que o Sporting vinha fortemente moralizado, e trazia mais argumentos do que noutras ocasiões do seu passado recente. Isso notou-se desde o primeiro instante, fazendo deste, um dérbi com muito maior disputa e muito maior incerteza do que outros. Tal reequilíbrio trouxe-nos também um jogo de enorme intensidade competitiva (parecia um Benfica-FC Porto), disputado em poucos espaços, e apelando a características que iam para além da capacidade técnica ou táctica dos dois conjuntos. Exigia-se, à partida, um Benfica de luta, de grande coração, e de entrega total. Após a expulsão de Cardozo, essa necessidade foi levada aos limites.


Num desafio à sua coragem, o Benfica saiu-se com distinção. Foi feliz por ter procurado, com uma alma inesgotável, essa mesma felicidade. Triunfou merecidamente, porque soube ser eficaz. Percebendo que não tinha a faca do jogo, soube enrijecer o queijo, tornando-o impenetrável, e alcançando um sucesso que pode ter importância vital no desenrolar do campeonato.
Até ao momento da expulsão, a partida foi equilibrada, com o golo de Javi Garcia a determinar uma diferença tangencial que se aceitava. O Sporting podia ter marcado, o Benfica também dispusera de oportunidades flagrantes (uma das quais nos pés do próprio Cardozo), e tudo se encaminhava para, daí em diante, assistirmos a um natural ascendente territorial leonino em busca do empate, e a uma tentativa do Benfica em explorar os espaços que o adversário iria necessariamente libertar nas suas costas, à imagem e semelhança daquilo que acontece em tantos e tantos jogos de futebol.


Em razão da inferioridade numérica, o Benfica foi forçado a desistir de atacar. Com quase meia hora de jogo pela frente, e uma preciosa vantagem no marcador, os encarnados vestiram o fato de macaco, deram as mãos, e fecharam as portas da baliza de Artur. As substituições foram extraordinariamente criteriosas, dotando a equipa de uma capacidade táctica que lhe permitiria resistir até final. A raça dos jogadores fez o resto. Só esses últimos trinta minutos, com menos um elemento em campo, podem ter deixado a ideia de um ascendente sportinguista que, até então, em bom rigor, nunca se verificou. Em momento algum o Sporting jogou mal, mas só dominou verdadeiramente o jogo quando se viu em vantagem numérica, e mesmo aí, sem criar particular perigo junto da baliza benfiquista (paradoxalmente, as melhores ocasiões até haviam sido desperdiçadas antes).


É a segunda vez consecutiva (a outra foi aquando da última meia-final da Taça da Liga) que vejo os sportinguistas sairem da Luz felizes por perder por poucos, e por conseguir discutir um dérbi até ao fim. Esse estado de espírito é a melhor homenagem que prestam ao rival, ilustrando afinal que o melhor Sporting, que um grande Sporting (e este foi claramente o melhor Sporting que vi nos últimos anos), ainda não chega para um Benfica limitado nas suas unidades e nas suas forças.


Cabe aqui também uma palavra para o público, que soube interpretar o seu papel de décimo segundo (depois décimo primeiro) jogador, dispensando, em momentos cruciais, o apoio de que a equipa necessitava. O sofrimento que se vivia nas bancadas não dava para ondas ou entusiasmos festivos, mas o facto da equipa sentir que os adeptos estavam com ela terá sido crucial, designadamente na fase final do jogo.



No plano individual destacaria naturalmente Javi Garcia (pelo golo, e não só), mas também Witsel, Aimar (enquanto esteve em campo), Artur (pese embora aquela distracção…) e…Jardel. Falo de Jardel porque era, à partida, o elo mais fraco da equipa, mas o certo é que ao longo do jogo não me recordo de nenhuma falha comprometedora. O melhor elogio que se lhe poderá fazer (e até é um jogador de quem não sou propriamente fã) é que ninguém se lembrou de Luisão. Pelo contrário, Emerson deixou uma vez mais a sensação de que precisa, pelo menos, de uma alternativa forte à sua utilização.



Falta falar do árbitro. Se no plano técnico esteve - com um ou outro erro pontual - globalmente bem, nos critérios disciplinares espalhou-se ao comprido. Carriço ficou em campo tempo demais, e Cardozo acabou expulso depois de um primeiro cartão amarelo completamente absurdo, e um segundo que ninguém poderá garantir ter sido bem mostrado. Já o cartão a Aimar é anedótico. Não houve influência no resultado, mas fiquei curioso em saber o que se teria passado caso as expulsões tivessem sido trocadas (como se justificava), e fosse o Sporting a terminar com menos um.



PS: As responsabilidades do incêndio causado pelas claques sportinguistas nas bancadas do Estádio da Luz não podem deixar de ser endereçadas a quem, com atitudes mesquinhas, com declarações inoportunas, e com insinuações ligeiras, lançou a confusão e a polémica sobre medidas de segurança absolutamente normais, cuja necessidade, diga-se, estes mesmos comportamentos agora evidenciaram.
A presença ostensiva de dirigentes do Sporting no local apenas contribuiu para sancionar tais atitudes criminosas, não sendo os comunicados posteriores mais do que uma mera fuga para a frente, num assunto onde sabem ter perdido, uma por uma, todas as razões. Este foi, aliás, um exemplo perfeito de como podem polémicas inúteis induzir actos de violência extremamente graves.
Creio que o Benfica - que nem precisa de denunciar o que se passou, pois toda a gente viu – faz bem em adoptar uma postura de silêncio e distanciamento, deixando a falar sozinhos aqueles que, em bicos de pés, insistem em procurar conflitos, e em atear fogos que, mais do que cadeiras, mais do que o futebol, queimam sobretudo os próprios.

O MEU ONZE

A quem ainda não leu, deixo aqui também as minhas recordações do dérbi eterno.

...E A CONTA JÁ VAI EM CINCO







UMA...




TRÊS...


QUATRO...


CINCO...




...A ZERO!

UMA FALSA QUESTÃO

Desde que foi inaugurado em 2003, assisti a 156 jogos de futebol no novo estádio da Luz. Vi jogos em todos os pisos, em todas as bancadas, no interior de ambas as claques, em vários camarotes e até na tribuna presidencial. Além de futebol, vi 137 partidas das mais diversas modalidades nos dois pavilhões, já estive nas piscinas, nas salas de ténis de mesa e bilhar, fui dezenas de vezes às instalações do jornal e da Benfica TV, estive em diversos gabinetes da SAD, estive nos balneários, nos túneis, na sala de imprensa, em todos os parques de estacionamento, nos bancos de suplentes, e até no relvado, isto para não falar nas compras na “Media Markt”, na “Adidas” ou na loja do Benfica, ou nos jantares da Catedral da Cerveja e Terceiro Anel. Sei por onde entram os adeptos dos clubes adversários, que percurso fazem, que portas utilizam. Sei por onde entram as equipas, onde estacionam os autocarros, como chegam ao balneário, e como entram em campo. Ou seja, conheço tudo aquilo quase como se fosse a minha casa, e embora não seja perito em questões de segurança, sei a história do estádio, e tudo o que pode eventualmente trazer perigos para quem lá vai.


Há algum tempo que se percebe o intuito de o Benfica colocar os adeptos das equipas visitantes no piso 3, e não no piso 0, como tem sido habitual. Existem várias explicações para isso, que vão desde evitar a proximidade de claques adversárias com os jogadores, até à dificuldade que ali existe para as isolar convenientemente dos sócios benfiquistas cujos lugares sejam contíguos, e que nalguns casos até têm entrada pelas mesmas portas (obrigando a cordões policiais desnecessários, em zonas apertadas e sem espaço suficiente para uma acção adequada). Depois de várias experiências em jogos internacionais (lembro-me, assim de repente, do Celtic, do Liverpool e do Manchester United), os responsáveis benfiquistas tentaram, julgo que em 2007-08, colocar também os adeptos do FC Porto no piso superior, evitando os problemas atrás descritos. O resultado foi dramático, com o constante envio de petardos e tochas para os sectores abaixo, onde ficaram famosas as imagens de pais assustadíssimos a saírem com crianças ao colo. O projecto ficou na gaveta.


Recentemente, a exemplo do que se vê em muitos dos estádios estrangeiros que o Benfica visita, surgiu a ideia de, através de uma rede, resolver o problema que esse jogo com o FC Porto expôs, e simultaneamente aqueles que anteriormente se verificavam. Havia que a testar, e não seria obviamente com o Feirense que se poderiam tirar conclusões. O primeiro grande clássico a nível nacional, envolvendo claques e rivalidades, é o “dérbi” do próximo sábado, e será esse, como é óbvio, o momento adequado para estrear a rede.


Se eu estivesse na pele de quem tomou as decisões, provavelmente teria contactado previamente os dirigentes do Sporting, explicando a situação, e ceifando, à partida, qualquer polémica em redor do caso. Se isso não foi feito, ou tentado, residirá aí a minha única crítica à direcção encarnada neste assunto. O resto é, segundo a minha interpretação, pura mistificação, que apenas pretende exacerbar os estímulos da equipa de Domingos Paciência (que não deixará de utilizar o tema) para o jogo.

AS FACES DO PORTO

Não me surpreendeu a vitória do FC Porto na Ucrania. Em primeiro lugar, porque, tal como escrevi após o fim-de-semana, sei o que a casa gasta, e já os vi muitas vezes renascer das cinzas perante situações de grande pressão, sejam quais forem os métodos utilizados. Em segundo lugar porque a facilidade com que o FC Porto vence sistematicamente na Ucrania e na Rússia (países marcados por forte corrupção) chega a ser comovente.

Observemos, por exemplo, o seguinte quadro, que compara as deslocações do FC Porto aos países da ex-União Soviética (terrenos difíceis para quase todas as equipas normais) com as viagens a Inglaterra, onde, por mero efeito pitoresco, englobo também o País de Gales:


Como se vê, a dimensão internacional do FC Porto tem dias e locais marcados. Época europeia que se preze, terá sempre de incluir uma vitoriazita portista (quase sempre decisiva) em Moscovo ou na Ucrania, com mais erro defensivo ou menos erro defensivo a ajudar à festa. Já em Inglaterra, onde os clubes são, por norma, sérios, a coisa complica-se.


Para quem acredite em coincidências, isto não passará de uma curiosidade estatística. Já os que têm um sentido de observação mais apurado, e levam habitualmente a mão no bolso onde têm a carteira para prevenir situações desagradáveis, poderão ver aqui mais um dado que ajude a explicar a força quase sobrenatural da tão afamada "estrutura".


Enfim, tal como o fado, tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é Porto.

NA QUINTA DO REI ARTUR









Em texto anterior ao jogo, tinha pedido sorte para o Benfica na necessariamente difícil missão de Old Trafford.



Se sofrer um golo em fora-de-jogo, e ver o capitão sair lesionado, não se podem considerar propriamente simpatias da fortuna, também é preciso dizer que, em momentos determinantes do jogo - desde logo, os de ambos os seus golos, quando, a bem dizer, nenhum deles se justificava -, a sorte não deixou de acompanhar este Benfica.



É verdade que o futebol tem uma elevadíssima dose de aleatoriedade, e muitas das análises que se lhe fazem são fortemente induzidas pelos resultados. Neste caso, por exemplo, é difícil dissociar um empate extraordinariamente positivo (que além de ter sido obtido onde foi, vale um apuramento que, enquanto benfiquista, me deixa eufórico), e até uma série de jogos sem derrota que começa a impressionar, de uma exibição que teve bons momentos, mas que, a meu ver, nem sempre se adequou àquilo que a ocasião pedia.



Olho para esta partida, e recordo-me de jogos efectuados na temporada passada em Lyon e em Gelsenkirchen, ou na anterior em Anfield Road, e vejo uma matriz que, naturalmente, só pode ter a ver com uma certa ideologia do treinador. Em todos esses momentos, o Benfica assumiu uma espécie de roleta russa táctica, que foi aproveitada pelos adversários para, friamente, fazerem valer a sua eficácia. Na partida de hoje, a opção estratégica foi a mesma, e a única diferença esteve na ineficácia inglesa, não deixando de sublinhar aqui os méritos do homem que dá título a esta crónica (já lá irei). Dito de outro modo, o Benfica alcançou em Manchester os seus objectivos fundamentais, mas fê-lo por caminhos que eu não aconselharia, e que se viu no passado recente darem mais derrotas do que o contrário. O empate deixou-me bastante feliz, mas creio que em dez repetições daquele tipo de jogo, o Benfica perderia nove, o que, não afectando a alegria da qualificação, não deixa também de preocupar, tendo em conta que a temporada ainda nem chegou a meio.



Em que se traduz afinal essa ideologia que Jorge Jesus – qual troika, qual Merkel – insiste teimosamente em aplicar na Europa benfiquista? Basicamente numa atitude abertamente ofensiva (demasiados homens nas acções de ataque), de certa forma aventureira ou mesmo romântica (não se vê isto a ninguém), que parte os jogos em dois (uns atacam, outros defendem), e que, perante equipas fortes, faz cair os encarnados numa correria frenética e inconsequente de trás para a frente e da frente para trás, que, além de desgastar bastante os jogadores, abre espaço para o erro. No fundo, o Benfica quer assumir-se como uma equipa que não é (lamento, mas não é o Barcelona), acabando, em certos períodos, por se deixar enredar nos seus próprios equívocos de personalidade, expondo-se aos adversários, e convidando-os a aproveitar as suas (várias) debilidades. Em Old Trafford, tanto se viu o Benfica partir para o ataque com seis e sete unidades em simultâneo (até quando estava em vantagem), como mais tarde se viu uma equipa acabrunhada no interior da sua área, à espera que o opositor falhasse, uma por uma, as oportunidades que ia criando em série, numa manifestação quase grotesca de dupla personalidade, que não pode deixar ninguém tranquilo.
A uma equipa como o Benfica, num jogo como este, eu gostaria de ver uma atitude muito mais fria, muito mais prudente, direi mesmo muito mais especulativa, e, sobretudo, muito mais constante. Com ela, o Benfica não daria a sensação ilusória de, a espaços, dominar o Manchester na sua própria casa, mas também não se deixaria reduzir às cinzas de que parecia feito no início da segunda parte (sobretudo sempre que Nani pegava na bola), e até aos golos – fazendo lembrar, nessa fase do jogo, um certo sorriso de Arsene Wenger, num certo Arsenal-FC Porto. Por essa altura confidenciei para quem estava ao meu lado que só um milagre evitaria a derrota, e após o golo de Fletcher confesso que temi uma goleada. O resultado final recompôs-me o ego clubista, mas na hora de fazer esta análise não posso deixar de lembrar os momentos em que a equipa do Benfica se despiu, peça por peça, do fato com que, de modo fanfarrão (é assim que eu vejo, é assim que eu sinto), havia entrado no jogo.



Jorge Jesus é um treinador com qualidades extraordinárias, valoriza os jogadores como poucos, percebe o futebol português como ninguém, e espero que fique muitos anos na Luz, tornando-se numa espécie de Ferguson do Benfica. Defendi-o de forma convicta (inclusive no jornal do clube) quando, na época passada, chegou a ser posto em causa. Mas, como todos os génios, tem atitudes desconcertantes, que no seu caso se revelam sobretudo nos jogos internacionais. Para além das estratégias suicidas (que, como se viu, por vezes até correm bem), as suas declarações, antes e após o jogo, puseram em pé os poucos cabelos que me restam. Criticar, com soberba, a Liga Inglesa antes de jogar em Inglaterra é algo que me fez esfregar os olhos para poder acreditar. E dizer, depois do empate, quando o objectivo único desta fase passou a ser o primeiro lugar, que esse primeiro lugar interessa pouco, levou-me à fúria. É assim Jesus, e aceitá-lo faz parte dos mandamentos do benfiquismo actual. Tem virtudes e defeitos, e não posso deixar de os assinalar. A uns e a outros.



Em suma, depois de Old Trafford, ainda não sinto que possa acreditar definitivamente nesta equipa. Há algo que ainda me faz desconfiar dela. Falta-lhe justamente aquilo que certos comentadores (levados pelos resultados) lhe atribuem: consistência e solidez. Felizmente, não lhe tem faltado sorte.



Após ter esgotado as críticas (porventura demasiado duras, mas consequência de uma hora e meia de demasiado sofrimento), é altura de passar aos elogios. E, para além da entrega e profissionalismo de todos, de bons momentos de Gaitán e Witsel, da entrada sóbria de Miguel Vítor, eles resumem-se a uma só palavra: Artur.




Se o Benfica queria encontrar um guarda-redes que desse pontos, ei-lo. Já admirava o brasileiro quando defendia as redes do Sp.Braga, e não poderia repetir aqui os nomes que lhe chamei aquando da última meia-final da Liga Europa. Mas confesso que tinha dúvidas se o tal guardião quase sobrenatural que o clube da Luz procurava existia mesmo, ou se estaria apenas em Chamartin (com Casillas), em Munique (com Neuer), ou na memória de Preud’Homme e Manuel Bento. Afinal existe, e está aí, defendendo o que tem defesa, o que não tem defesa, e algo mais. Não quero cometer nenhum exagero, mas julgo que Artur Moraes estará hoje entre os cinco ou seis melhores guarda-redes do mundo, e só por distracção não é ainda titular da selecção do seu país. É a ele que cabe larga fatia dos méritos deste apuramento, é ele o grande responsável pelo facto de o Benfica não ter perdido ainda qualquer jogo nesta época. É ele, sem dúvida, que tem estabelecido a diferença entre os Benficas desta e da temporada anterior, ambos com batimentos cardíacos irregulares, ambos capazes de ser brilhantes e medíocres, muitas vezes dentro do espaço e do tempo de um só jogo de futebol.



O Benfica está nos oitavos-de-final da Champions pela segunda vez em 17 temporadas. Se, como espero, ficar em primeiro lugar do grupo, e o sorteio não lhe for hostil, pode ainda sonhar mais alto. Mas terá de entender que, na Europa dos grandes, é ainda demasiado pequeno para encher o peito, admirar-se ao espelho e jogar em bicos de pés.

O MEU ONZE

Doi-me o coração por deixar Rodrigo de fora, mas creio que a planta física e a experiência internacional de Cardozo podem ser, pelo menos na fase inicial do jogo, mais úteis à equipa. Caso o Benfica se veja em desvantagem, o espanhol saltaria do banco para... marcar.


PS: E só desejo que o Benfica tenha no jogo de Manchester a sorte que manifestamente lhe faltou no sorteio da Taça de Portugal. Marítimo e Sporting sucessivamente, ambos fora de casa, era o que de pior se poderia esperar.

A IMPORTÂNCIA DO PRIMEIRO LUGAR

Ao contrário do que sucede na Liga Europa e noutras competições, a diferença entre ser primeiro ou segundo classificado num grupo da Champions League não é um mero capricho.


Além de jogar a segunda-mão dos oitavos-de-final em casa, os lotes de possíveis adversários não são minimamente comparáveis. A avaliar pela classificação actual, vejamos o que pode acontecer nos restantes grupos: É verdade que, mesmo vencendo o grupo, ao Benfica poderia sempre calhar um Milan ou um Manchester City (embora este tenha ainda o apuramento em risco). Mas, caramba, não é possível compararmos Ajax, Marselha, Apoel, Leverkusen ou CSKA, com o lote de líderes que se começa a desenhar no horizonte.



Dito de outra forma, se o Benfica ganhar o grupo (teria, pelo menos, de empatar com golos hoje em Old Trafford), pode manter legítimas aspirações a ultrapassar também os oitavos-de-final, e caminhar para uma temporada europeia histórica. Se, apurando-se, ficar pelo segundo lugar, só um milagre (que se poderia chamar Zenit...ou Apoel) lhe permitirá sonhar com algo mais.

ALGUNS DADOS HISTÓRICOS

Veja-se o palmarés do Benfica nos jogos disputados em terras de sua majestade: Não é muito animador, embora haja quem nunca lá tenha ganho.



Também a história dos confrontos com o Manchester United (em casa e fora) não é simpática. Ei-la:



Como nota positiva, num e noutro caso, atente-se apenas que raramente o Benfica ficou em branco.

AS CONTAS DE OLD TRAFFORD

Ainda ontem ouvi um reputado jornalista (daqueles que eu admiro) dizer que ao Benfica, independentemente do jogo de Manchester, bastava vencer na Luz o Otelul para garantir a qualificação para os oitavos-de-final da Champions League. Errado!



Em caso de derrota por mais de um golo em Old Trafford, os encarnados ficarão desde logo dependentes de terceiros, sendo que, nesse caso, nem uma vitória na última ronda por 8-0 (ou 15-0, se preferirem) garantiria o necessário segundo posto.



Imaginemos, para ilustrar o caso, o seguinte cenário: o Benfica perde em Manchester por 2-0, e o Basileia vence na Roménia por 0-1. Creio que não seriam resultados que chocassem o mundo do futebol. A classificação, à partida para a última jornada, ficaria assim ordenada:



Manchester Utd 11 pontos / Benfica 8 pontos / Basileia 8 pontos / Otelul 0 pontos.



Agora, imaginemos que, nessa última jornada, o Benfica goleia o Otelul, e o Basileia vence um Manchester United, já praticamente qualificado, por 2-0.



As três equipas terminariam assim empatadas com 11 pontos, e o Otelul, em último lugar, com zero. Seria então necessário aplicar os critérios de desempate.




O primeiro critério, dos pontos nos jogos entre si, não nos leva a lado nenhum, pois todos os líderes teriam feito 5 pontos nessas partidas (além dos 6 frente ao Otelul). O segundo critério remete para os golos nos jogos entre as equipas empatadas. Vejamos então como ficaria a situação:




Manchester empatou na Luz 1-1, empatou em casa com o Basileia 3-3, perderia então na Suiça por 0-2, e teria vencido o Benfica pelo mesmo resultado. Total: 6-6 em golos, nos jogos com os adversários empatados em pontos.




O Basileia perdeu em casa com o Benfica por 0-2, teria ganho ao Manchester pelo mesmo resultado, empatou na Luz 1-1, e em Old Trafford 3-3. Total: 6-6 em golos.




Quanto ao Benfica, empatando em casa com ambos os adversários 1-1, ganhou na Suiça 0-2, e teria perdido em Manchester pelo mesmo resultado. Total: 4-4 em golos.




Mantendo-se a diferença de golos idêntica para os três, teríamos de partir para o terceiro critério de desempate, e aí contava o número total de golos marcados nestas partidas, ficando então o Benfica de fora. Não se chegava pois ao quarto critério, que seria o da diferença total de golos em todos os jogos do grupo, pelo que, mesmo uma eventual goleada ao Otelul de nada iria servir à equipa portuguesa.




Ou seja, perdendo em Manchester por mais de um golo de diferença, o Benfica fica dependente dos resultados do Basileia (na Roménia, e em casa diante do Manchester) para poder chegar ao segundo lugar, independentemente do que faça na última jornada. Pior que isso, expõe-se à eventualidade de um mesmo resultado (neste exemplo o 2-0) chegar a Basileia e Manchester United para se qualificarem ambos, abrindo campo a todas as especulações.




Obviamente, nada disto acontecerá se ocorrer uma de duas situações: 1) o Basileia não ganhar em Bucareste 2) o Benfica não perder em Old Trafford, ou perder tangencialmente.




Perdendo tangencialmente, os encarnados ficariam desde logo com uma diferença de golos positiva naquele eventual desempate, diferença essa que nunca poderia ser igualada ou superada por ambos os adversários (Basileia e Manchester) em simultâneo. Nesse caso, sim, uma vitória perante o Otelul chegaria para garantir o apuramento, independentemente daquilo que se passasse na Suíça.



PS: Entretanto, e também ao contrário do que muita gente pensa, o FC Porto depende apenas de si próprio para se qualificar. Ganhando na Ucrania, e vencendo o Zenit por 2-0 no Dragão, a (ainda) equipa de Vítor Pereira garante o apuramento, independentemente de todos os outros resultados do grupo.

COISAS DA TAÇA



NAVAL-BENFICA: Não pude ver o jogo em directo, e acabei por não ver a gravação integralmente. Não me parece que tenha perdido grande coisa, devendo destacar apenas mais um golo de Rodrigo, que se está a tornar um caso sério de eficácia diante das balizas. A chuva justifica alguma coisa, mas há que dizer que um Benfica tão expectante expõe-se a riscos que não deveria ter de correr.






ACADÉMICA-FC PORTO: Vi os últimos 10 minutos, ainda a tempo de me regalar com o segundo e o terceiro golo dos “estudantes”. Surpreende a incapacidade do FC Porto reagir à indolência competitiva em que se deixou mergulhar, restando saber se o problema reside no treinador (sem carisma, nem capacidade mobilizadora), nos jogadores (contrariados num clube onde já não queriam estar), ou na relação entre um e outros (que diz-se não ser fácil). Já os vi passar por situações semelhantes, e renascer das cinzas para grandes épocas (a última, curiosamente, até foi na Ucrânia, na altura diante do Dínamo de Kiev). Não dou pois, ainda, o FC Porto como um caso encerrado para 2011-12. Mas sabe bem vê-los assim.



JUV.ÉVORA-MARÍTIMO: Estive no Estádio Sanches de Miranda, e gostei bastante da réplica que a equipa eborense deu a um Marítimo na máxima força (apenas mudou de guarda-redes). Foi preciso um duplo erro de Duarte Gomes (canto inexistente, seguindo de golo em fora-de-jogo), para que os insulares alcançassem um apuramento que esteve em discussão até ao último segundo. Se jogar sempre assim, o Juventude não terá dificuldades para conseguir os seus objectivos no campeonato da 2ª divisão. Na próxima época haverá mais Taça para uma equipa que disputou vinte (!) eliminatórias desta competição nos últimos seis anos (tantas quanto o Benfica em igual período).



SPORTING-SP.BRAGA: Os jogos não se ganham sem sorte, mas por vezes a dose é exagerada. Quando o Sporting marcou o seu segundo golo (que viria a fechar o resultado), não havia feito absolutamente nada que justificasse a vantagem. E daí em diante, também pouco mais fez do que ver o adversário jogar e desperdiçar lances de ataque (mesmo em inferioridade numérica). O Sp.Braga pagou o preço da sua ineficácia, e sofreu também os efeitos de uma arbitragem bastante caseira (um golo em fora-de-jogo, e um penálti perdoado a Polga).