VITÓRIA (À) JUSTA

O triunfo do Benfica em Barcelos foi justo, inequívoco, mas podia ter sido mais tranquilo. 
Sobretudo após o 1-2, houve momentos de alguma tensão e algum descontrolo, numa partida que, até aí, tinha pouca história para contar.
Uma vez mais, só Roger Schmidt entende o onze que colocou em campo. Mas quando se ganha, tudo está bem. Não estou a ser irónico: para mim, desde que as vitórias pinguem, está mesmo tudo bem.
Não posso porém deixar de estranhar a ausência de João Neves - um dos melhores, senão o melhor jogador da equipa nas últimas partidas. De Neres, já falei o quanto baste. Por mim, era ele e mais dez. Neste caso, eles os dois e mais nove. Frente ao Gil Vicente, estiveram outros nove, mas Neves e Neres ficaram de fora. No caso do jovem médio, quase me deu para rir.
Aursnes a lateral...enfim.
Em sentido contrário, Di Maria, que durante a semana afirmou publicamente não gostar de ser substituído, tendo feito saber isso mesmo ao treinador, permaneceu em campo os noventa minutos. Inclusivamente quando o jogo ficou partido, e ele, com as suas características e com a sua idade, obviamente já não se mexia muito.
Percebo que não possam jogar todos. Percebo que o plantel está sobredimensionado em certas posições. Mas continuo a não entender os critérios de escolha dos onzes, nem das substituições. Como disse atrás, só quero que o Benfica ganhe. E não tenho sombra de dúvidas de que Roger Schmidt percebe infinitamente mais de futebol do que eu. Desejo, ardentemente que tudo isto tenha uma lógica, e que no fim seja ele a ter razão. Entretanto vou dizendo e escrevendo o que penso, que é para isto que serve um blogue. Por vezes também para desabafar, mesmo correndo riscos de cair em exageros ou mesmo divagações, mas sempre de acordo com o que a cada momento vou sentindo. Nada me move contra o treinador benfiquista (pelo contrário, já lhe devemos um campeonato e uma supertaça), até parece simpático, é inteligente e educado. Por vezes não o entendo, e, com quase cinquenta anos que levo a ver futebol, tenho algum receio que isso seja um sinal de perigo.
Quanto aos que jogaram, Rafa foi o melhor. Já leva três golos, e espero que a boa forma seja para manter (o futuro... logo se vê). Musa entrou e marcou, o que tem sido hábito. Mostrou, sobretudo, que neste momento merece a titularidade. Até porque Arthur Cabral está longe de me convencer.
Em relação aos guarda-redes já não tenho muito mais a dizer: Odysseas foi lamentavelmente queimado, Trubin é uma incógnita, e Samuel Soares (que, enquanto for titular, é obviamente o meu guarda-redes) continua a parecer-me um pouco verde, e sinto que corre riscos de um destes dias se vir a svilarizar. Mais uma vez, desejo estar enganado.
Que o Benfica continue a ganhar, pois isso é a única coisa que verdadeiramente me interessa.

O MEU ONZE PARA BARCELOS


 

O QUE EU TERIA FEITO

O mercado ainda não fechou. Ainda pode haver desagradáveis surpresas de última hora (Morato? Ristic? Florentino? Rafa? Neres? outro?). E é mais fácil suceder algo assim, do que vir algum reforço de monta - dado o dinheiro já consumido.
O que está feito, feito está. E mesmo sabendo que o futebol profissional não é propriamente o "Championship Manager", faço aqui um exercício daquilo que, fosse eu a decidir, teria acontecido, ou teria tentado que acontecesse:
1) Não contratava Trubin por 10 milhões. O Benfica precisava de um suplente para Vlachodimos, e não de um guarda-redes tão caro que, até agora, mesmo sem ter jogado, mesmo sem qualquer culpa, parece ter já causado problemas. Os guarda-redes de Arouca, Famalicão ou Gil Vicente eram boas opções para servir de "Heltons Leites", dando espaço e tempo a Samuel Soares para amadurecer. Odysseas não é Courtois, como Rafa não é Mbappé. Infelizmente, o Benfica só pode ter jogadores de nível mundial, ou no início das carreiras (antes de explodirem), ou no fim (como é agora o caso de Di Maria). O grego pagou sempre o preço de ter sucedido a Ederson e Oblak que, esses sim, foram a excepção. Além de que o grau de exigência que alguns adeptos e analistas hoje em dia colocam nos guarda-redes raia o absurdo. Fossem Costa Pereira, José Henrique ou Bento (como Damas ou Vítor Baía, como Yachine Maier ou Zoff)) avaliados pelos mesmos critérios, e nenhum passava da mediocridade.
Um guarda-redes, no campeonato português, numa equipa grande, nem sequer é assim tão importante. Até com Bruno Varela o Benfica ia sendo campeão, como aliás foi com Quim. No Sporting já vi Adán fazer exibições miseráveis, e quanto ao tão idolatrado Diogo Costa, basta recordar o Mundial, onde enterrou a selecção portuguesa (algo que, diga-se, tem sido silenciado como se não tivesse realmente acontecido). Para o Benfica ser campeão e fazer uma boa Champions, Vlachodimos é mais do que suficiente. Temo que já tenha sido queimado - a começar pelo próprio treinador.
2) Tinha mantido Gilberto no plantel. O titular é Bah, e Gilberto era o suplente perfeito, tratando-se de um jogador aguerrido, comprometido, identificado com o clube e com o país. Um campeão. Não sei se se encontrará muito melhor para o banco, e sem gastar mais dinheiro.
3) Não tinha renovado com Otamendi. Trata-se de um veterano, com um salário elevadíssimo, que disfarça com a experiência as claras lacunas de velocidade que vai apresentando. Não me esqueço de Chaves, de Milão e de muitos outros jogos em que se percebeu que o seu tempo passou. Fosse o apertadíssimo critério-Odysseas aplicado ao central argentino e já tinha sido sumariamente despedido. António Silva e Morato seriam a dupla perfeita para a titularidade, com João Victor, Tomás Araújo e, eventualmente, mantendo também Lucas Veríssimo, como opções de banco.
4) Partindo do princípio que não era mesmo possível segurar Grimaldo (nem oferecendo-lhe os 14 milhões gastos em Jurasek),para discutir o lugar com Ristic contratava um lateral-esquerdo verdadeiramente bom. Não sei se o checo o é, ou vai ser. Até agora não gostei nada. Mesmo nada. Além de que estou farto de defesas que não são assim tão fortes a...defender.
5) Jamais gastaria 25 milhões em Kokçu. Parece bom jogador, mas não era, de todo, aquilo que o Benfica, a meu ver, precisava para o meio-campo. O verdadeiro substituto de Enzo Fernandez emergiu na fase final da época passada, e chama-se João Neves. A alternativa era Chiquinho, que também cumpriu aquando da sua comissão de serviço. A posição estava mais do que acautelada, e o turco acaba por ser, pelo menos por enquanto, mais problema do que solução. O salário (bem como as respectivas consequências no balneário), prefiro nem saber. Mas, reafirmo, parece ser, de facto, bom jogador.
6) Contratava, sim, um trinco para competir com Florentino pela posição "seis". De preferência um "gorila", forte, alto e agressivo. Em jogos grandes, e na Champions, o Benfica vai precisar de músculo. E este plantel carece bastante de altura e de largura.
7) Em vez de Otamendi renovava, isso sim, com Rafa. É cinco anos mais novo, e tem sido a estrela do Benfica nas últimas épocas. É o melhor jogador da equipa desde o tempo de Jonas, conquistou vários títulos, e aparece sempre nos momentos importantes, a decidir (veja-se, por exemplo, as duas últimas vitórias do Benfica no Estádio do Dragão, que, aliás, valeram os dois últimos campeonatos ganhos pelos encarnados). O meu Benfica seria sempre Rafa e mais dez, pelo menos por mais duas ou três temporadas. É o jogador mais subvalorizado do clube, e até do futebol português. Talvez a sua personalidade contribua para isso. O empresário também não ajuda. Mas é um craque dos pés à cabeça.
8) Schjelderup, até ver, não tem nada a mais do que jovens que o Benfica tem emprestado ou mesmo dispensado. A diferença é que custou muito dinheiro. Aliás, ele e Tengstedt, terão sido precipitações do último mercado de Inverno - que é um mercado particularmente propício a enfiar barretes. Apostava em Tiago Gouveia, e.. confesso que não sei o que se passa com Henrique Araújo (em quem, há pouco mais de um ano atrás, depositava infinita confiança).
9) Gosto muito de Di Maria. Foi dos maiores craques que passou pelo Benfica. Acontece que vai a caminho dos 36 anos, e duvido seriamente (espero estar enganado), que faça toda a época sem lesões ou grandes oscilações de rendimento. No contexto do plantel do Benfica, tem um estatuto estratosférico, que obrigará o treinador a colocá-lo sempre, independentemente do rendimento desportivo. Tem também um salário elevadíssimo, que além de pesar no cofre, também pesa num balneário onde Grimaldo já não quis renovar, e Rafa pediu uma fortuna para o fazer. Quando se é argentino, e o empresário é Jorge Mendes, tudo se torna diferente. Este é, de tudo o que escrevi neste post, o ponto em que tenho mais dúvidas. Só no fim da época poderemos saber se este Di Maria, aos 35 anos, vindo de uma época atribulada na Juventus, é mesmo o Di Maria, e equivale mesmo ao salário que aufere. Eu teria duvidado, e aproveitado o dinheiro noutras coisas. Mas até ao momento não posso dizer que tenha razões de queixa - a não ser talvez a menor utilização de outro craque, Neres (que com Rafa, João Mário e Aursnes chegava para assegurar o meio-campo ofensivo).
10) Uma dessas coisas podia ser convencer Gonçalo Ramos a ficar mais uma temporada. Entre Trubin, Otamendi, Jurasek, Kokçu, Di Maria e Arthur Cabral, juntando tudo (passes, salários, comissões etc), não estão menos de 100 milhões. É verdade que eu não era o presidente do clube de fãs do jovem avançado algarvio, mas, honestamente, estava convencido de que nesta época ia crescer bastante, e explodir como grande goleador. E estou plenamente convencido de que é melhor (muito melhor) do que o brasileiro contratado à Fiorentina por mais de 20 milhões. Com um salário generoso (dado ser o jogador mais valioso no mercado, não me chocava ter o salário mais elevado do plantel) e algumas promessas (sair daqui a um ano), talvez o rapaz pudesse ficar, pelo menos esta temporada. Ou então é apenas fantasia minha, e resta-me acreditar que Arthur Cabral (suplente da Fiorentina) seja, no mínimo, melhor que Musa. Se assim for, já fico consolado.

Enfim, estão aqui descritas algumas das razões pelas quais não estou particularmente optimista. A Supertaça surpreendeu-me, e no Bessa houve demasiado azar. Mas vejo muita coisa com potencial para correr mal. Obviamente que seguirei atentamente todas estas situações ao longo da temporada. Se pelo menos em metade delas tiver de dar o braço a torcer, já ficarei bastante feliz. Fazer o Totobola à segunda-feira é fácil. Estou a fazê-lo antes, tal como o teve de fazer a estrutura da SAD benfiquista. Há muita coisa que não domino (personalidades dos jogadores, relacionamentos entre eles, relações com empresários, etc), mas por norma gosto de seguir a velha máxima segundo a qual "em equipa que ganha, não se mexe". Ora parece-me que neste Benfica, que foi campeão há três meses, e fez uma belíssima carreira europeia, ter-se-á já mexido porventura demasiado.

QUE FIQUE POR LÁ

Não me interessa quanto vai lucrar o FC Porto com a venda de Otávio. Enquanto adepto do futebol, agrada-me ver o campeonato português livre do seu elemento mais tóxico, e espero ardentemente que o seleccionador nacional também se esqueça dele - caso contrário serei eu, e muitos outros, a esquecerem-se progressivamente da Selecção.
Houve jogadores de clubes rivais que me irritaram pela sua enorme qualidade, pelas exibições e pelos golos que marcaram ao Benfica. Lembro-me, por exemplo, de Fernando Gomes, no FC Porto, e Manuel Fernandes, no Sporting. Ambos me magoavam bastante no plano desportivo, mas sempre se deram ao respeito dentro e fora do campo. Temia-os enquanto adversários, mas, terminadas as respectivas carreiras, não pude deixar de os aplaudir como desportistas exemplares que sempre foram. A Gomes, infelizmente, já não o poderei fazer, mas a Manuel Fernandes ainda gostava de um dia lhe dar um abraço e, pessoalmente, "pedir-lhe satisfações" pelo poker de 1987. São nomes fortes da minha infância e adolescência. Grandes jogadores de um tempo em que a rivalidade desportiva era apenas... rivalidade desportiva. Homens que conquistaram títulos para os seus clubes, marcaram centenas de golos (só ao Benfica, em conjunto, foram 26!!), sem precisarem de achincalhar ninguém. Engrandeceram o desporto português, e, à sua maneira, do lado de lá do campo, também contribuiram para a minha paixão pelo futebol.
Otávio é o contrário de tudo isso, e, diga-se, nunca marcou um golo ao Benfica. 
Admito que até tenha alguma qualidade técnica, não o conheço pessoalmente (nem quereria jamais conhecer), mas simboliza em campo tudo aquilo que é mais desprezível no futebol, e em particular no futebol português. As constantes provocações, as simulações teatralizadas, os protestos por tudo e por nada, a falta de respeito por adversários, árbitros e adeptos, no fundo, uma chico-espertice do mais alto nível levada para os relvados, alimentando o ódio e, em última análise, a própria violência  - que nasce de elementos e comportamentos nocivos como estes.
Prefiro, honestamente, ver o Porto embolsar 40, ou 50, ou lá quantos milhões são (nem que fossem 100), e nunca mais ver este indivíduo nos relvados portugueses.
Não tem a ver com o FC Porto. Tem a ver com dignidade e com cultura desportiva.
Adeus, que fique lá para sempre e nunca mais volte a este país.


NERES CONTRA O MUNDO

E desse mundo, além dos adversários e do azar que surgiu no Bessa (por contraponto com a sorte que outros candidatos vão tendo), fazem também parte as opções de Schmidt, cuja teimosia e personalidade cada vez me irritam mais - mesmo com todo o crédito que o título 38 lhe conferiu.
Desta vez, de uma cajadada, pode ter matado dois jogadores campeões. Na época passada vi Bah, Otamendi (enterrou a equipa em Chaves, em Milão etc, e ainda lhe renovaram o contrato milionário, queimndo também Morato), João Mário, Gonçalo Ramos e até Rafa fazerem alguns jogos miseráveis. O técnico alemão foi insistindo até à náusea em mantê-los, e a coisa acabou por corer bem, embora com sustos desnecessários pelo caminho, e uma eliminação talvez evitável na Champions.
A Vlachodimos bastou uma exibição negativa para merecer estúpidos reparos publicos e perder logo o lugar para um jovem da equipa B (para mais, com o ucraniano de 10M no banco).
Já a David Neres não bastam sucessivas grandes exibições para justificar a titularidade, sobretudo em partidas desta tipologia. Foi ele a resolver um jogo que podia e devia ter sido resolvido mais cedo. E quanto a Ristic, também ainda não entendi a resistência em utilizá-lo, quando me parece o menos mau lateral do Benfica, e neste caso pontual sem sequer ter concorrência à esquerda. Desperdiçou-se Aursnes. Uma vez mais.
Florentino também não tem suplente no plantel, mas nem assim joga de início. Nem assim se acautelou a posição seis no mercado, desconfio que também por capricho de Schmidt.
Quanto a Arthur Cabral, vamos ver quantos golos marca. 
Enfim, mais coisa haveria para dizer sobre tudo isto. O resultado, hoje, foi uma vitória de aflitos contra um adversário de segunda divisão, com o risco, que chegou a ser real, de ficar já a cinco ou seis pontos da liderança.
Veremos os próximos capítulos. Mas há muita coisa a rever. A Supertaça disfarçou erros e insuficiências, que começam na abordagem ao mercado, e continuam na teimosia de um treinador demasiado obstinado para o meu gosto, e no receio que tenho de ver comprometer tudo o que se alcançou na época passada em termos de coesão de grupo e consequente dinâmica de vitória. 
Oxalá o tempo desminta o meu pessimismo.
Para já, não estou a gostar muito. E duvido da renovação do titulo - que só acontecerá por eventual inépcia dos rivais. 

ENTRADA EM FALSO

Muitas incidências. Muito azar (nos lances, nos momentos, nos cartões, nas traves, nas substituições, nas decisões do árbitro, nos descontos... ) . A história do Boavista-Benfica podia, e devia, ter sido totalmente diferente. Ganhou quem não merecia, perdeu quem cometeu alguns erros graves e não teve a mínima sorte do seu lado. No fundo, aconteceu futebol, e, numa jornada em que os encarnados até podiam ter conquistado pontos a todos os rivais, acabam por perdê-los de forma inglória 
Sempre defendi Odysseas. Desta vez não só não o posso fazer, como tenho de o apontar como o pai, ou pelo menos um dos pais, desta derrota. Dois erros clamorosos, que deitaram abaixo um Benfica que lutou, mas não resistiu ao desastre total do seu guarda-redes.
Acontece a todos. Vi Bento fazer o mesmo. Mas a verdade é para se dizer: hoje Vlachodimos não esteve à altura. Terá sido, porventura, a sua pior exibição de sempre em Portugal. 
De resto, também ainda não gostei de Jurasek, nem de.. Kokcu. Só entre eles estão 40M, e até agora, salvo a assistência do turco na Supertaça, pode dizer-se que a equipa passava muito bem sem eles.
Tudo o mais foi azar. Muito azar. Sobrando exibições positivas de Rafa e, uma vez mais, João Neves -  cuja saída de campo não entendi. 
Enfim. Que dizer mais? Nada. Apenas esperar que a equipa supere este choque, e as próximas 33 jornadas sejam bem mais felizes. Esta foi para esquecer. Tudo o que podia correr mal, correu. Não acredito que seja sempre assim, mas três pontos já voaram. 

SEM ESPINHAS

Ah, como eu gosto de me enganar quando a realidade supera as expectativas... 
E se a primeira parte foi exactamente o que eu esperava (Porto intenso e agressivo, Benfica macio e sem saber lidar com a pressão contrária, onde só João Neves parecia saber o que fazer em campo) , na segunda aconteceram duas coisas que me surpreenderam: uma firme reacção de um Benfica revitalizado e reorganizado pelas substituições, e um inusual esgotamento físico do FC Porto.
Então emergiu Di Maria, que foi soltando o talento que tem nos pés, e, com ele, dando o grito que virou definitivamente a contenda. 
No balanço final, a segunda parte do Benfica foi bastante melhor do que a primeira dos portistas, ficando por explicar o que levou Schmidt a tomar algumas opções iniciais que francamente não se entenderam, e podiam ter custado um ou dois golos, e com eles o troféu.
Tudo está bem quando acaba bem. Fica uma saborosissima vitória, que, confesso, não esperava, mas que a dada altura até ameaçou ser mais expressiva. 
O árbitro mostrou amarelos a mais e a menos. Pepe, por exemplo, esteve seis minutos a mais em campo. E quanto a Conceição, o juiz alentejano só tinha de deixar os elementos da PSP retirarem o treinador, não lhe devendo satisfações. Mas não houve, isso é factual, qualquer influência no resultado.

Sobre o técnico portista tem de haver decisões: nem devia ter estado no jogo, soma 25 (!!!) expulsões e começa a estar a mais no futebol. A fita que protagonizou tem de ter consequências. Já deixou de ser trágico. Começa a ser cómico. 

ONZE PARA AVEIRO...SEM RAMOS


 ...e à espera de um milagre.

E OS HORÁRIOS?

A apenas duas semanas de distância, e numa altura em que os portugueses que podem, marcam férias, ainda se desconhecem os horários, e os dias dos jogos da segunda jornada da liga portuguesa. Por exemplo, não sei se o Benfica recebe o Estrela da Amadora na sexta-feira dia 18, no sábado dia 19, no domingo dia 20, ou na segunda-feira dia 21, às 15h, às 17h, às 20h ou a outra hora qualquer. Não sei nada, nem sobre esse, nem sobre nenhuma das outras partidas. Se quisesse reservar um hotel para a próxima quinzena, ou ignorava o futebol, ou esperava que tudo esgotasse. Só se sabe (o que é absolutamente fantástico!!) que nesta temporada não haverá jogos a começar após as 20.45h (!!!) em dias úteis. Muito obrigado Sr. Pedro Proença, por essa extraordinária decisão. Espero que na próxima época, com a evolução que a liga tem trazido ao futebol português, o impedimento seja a partir da 20.44h... Só a título de exemplo, a Premier League está toda calendarizada até Outubro, com pouquíssimos agendamentos depois das 17.30h, e jamais depois das 20.00h, mesmo aos fins de semana.
Vale-nos que, à semelhança do que faz com a Selecção Nacional, um supermercado agora dispõe-se a ajudar a encher estádios como os do Arouca, do Portimonense ou do Casa Pia (se é que existe). Mas se para verem o Cristiano Ronaldo a coisa ainda pega, neste caso, se não for em jogos com o Benfica, talvez seja necessário, além do bilhete, oferecerem também lombo de porco à borla para convencer alguém a ir ver este miserável campeonato ao vivo.

INEVITÁVEL

O mundo é o que é, e não o que gostaríamos que fosse. Gostemos ou não, o futebol moderno transformou-se numa máquina de fazer girar dinheiro. 
Criam-se sad's, abre-se capital a investidores incertos (e tantas vezes obscuros), mudam-se estádios de local e de tipologia, alteram-se emblemas para, segundo especialistas em marketing, se tornarem mais globais, multiplicam-se os equipamentos alternativos e a sua frenética variação (um para casa, outro para fora, um para as provas europeias, outro para quando chove ou faz sol) somente para fazer render as marcas (vendendo por cem, camisolas que neo-escravos produzem no sudeste asiático por cinco), rodam-se jogadores que aos quinze anos já só pensam em ser ricos, tiram-se comissões por intermediação numa cadeia sequencial de múltiplos agentes por cada negócio, vende-se merchandising, desenvolve-se o branding, transformam-se adeptos em customers e clubes em plataformas comerciais corporate (só as próprias palavras já me irritam), publicitam-se lugares premium para conforto de algumas carteiras, e no fim há ainda um speaker (que eu simplesmente despedia, pondo apenas música nos intervalos) a agradecer a presença no estádio do infeliz adepto que, ingenuamente, pensava que a alma de tudo aquilo era ele e os outros como ele que enchem as bancadas, e não uma qualquer empresa abstracta que lhe pretende vender tudo, e tudo, e tudo, como se estivesse num shopping qualquer, onde após lhe apresentarem a conta dizem "muito obrigado". 
Cada vez rola mais dinheiro, e roda, e roda, e rende, e rende, e gira, e gira, até que um dia tudo isto vai esbarrar numa parede - quando se perderem os últimos vestígios de identidade e paixão que, na base, alimentaram o fenómeno, e sem o que este se tornaria absolutamente fútil e inútil. Quem vai enriquecendo está-se nas tintas. É sacar enquanto dá. E agora, com os árabes, ainda vai dar mais, pelo menos até esse tal dia em que chocar de frente com a sua vazia realidade e a bolha rebentar. Talvez seja o reflexo da decadência da sociedade ocidental - que ainda assim, como diria Churchill, é a pior à excepção de todas as outras.
O que vale é que ao futebol podemos virar costas assim que quisermos, e confesso que já estive mais longe de o fazer. A pandemia também nos ensinou que podemos muito bem viver sem ele, que não é assim tão importante para o nosso quotidiano, e que se não for bem tratado por quem tem poder e obrigação de o fazer, irá direitinho para o cano de esgoto junto com a água do próprio banho.
De tudo isto, confesso que já só gosto mesmo do "meu" (enquanto me permitirem senti-lo assim) Benfica. Tudo o resto, no mínimo enjoa-me, no máximo enoja-me. Mas é no meio desse "tudo o resto" que o "meu" Benfica está metido.
E a verdade é que, qualquer clube que pretenda manter-se vivo, aspirar a ser vencedor, tem necessariamente de entrar neste carrossel. Se esse clube for de um país periférico, e estiver encurralado numa liga miserável, atafulhada de equipas-fantasma e que ninguém vê em parte nenhuma do mundo, a única via será vender, ano após ano, o mais caro possível, os seus anéis, e adquirir (ou formar) outros que possam ser rentabilizados para mais tarde serem, também eles, vendidos. Se as coisas forem bem feitas e correrem bem, entretanto ganham-se uns campeonatos nacionais, e de vez em quando consegue-se uma participação honrosa na Liga dos Campeões - que muito dificilmente irá além dos quartos-de-final das duas últimas temporadas.
Não há outra via. O mundo do futebol profissional é isto. A menos que queiramos disputar apenas torneios amadores, estamos condenados a aceitar (ou abandonar) esta realidade. 
Por tudo isto, já se sabia que Gonçalo Ramos ia sair do Benfica. Sobretudo a partir do "hat-trick" do Mundial, a sua cotação atingiu um nível insustentável para o futebol português. De certo ia ter propostas salariais quatro, cinco, sete ou nove vezes mais altas (o que, convenhamos, para qualquer profissional, de qualquer área, como eu ou como o estimado leitor, se tornariam dificilmente recusáveis).  E o clube tinha nele o "ativo" (outra expressão aterradora quando aplicada a jogadores de futebol) mais valioso, cuja receita seria fundamental para novos investimentos, ou meramente para manter os imperiosos equilíbrios financeiros.
Pensei que Ramos ficasse até à Supertaça. Infelizmente, parece que nem isso é possível.
Resta desejar boa sorte ao rapaz, e partir para outra - neste caso, para outro. Gimenez ou Beltran? Talvez preferisse o primeiro, por já estar adaptado ao contexto europeu. Mas o preço também é diferente - e entretanto até renovou contrato com o Feyenoord, o que dificultará ainda mais uma negociação.

Quando pagamos impostos, a melhor estratégia é fazê-lo e evitar pensar muito no assunto. Neste caso é igual. Tinha de ser, pois que seja. Havendo saúde, a vida vai continuar. Com ou sem Gonçalo Ramos, com ou sem futebol.

O MEU ONZE PARA AVEIRO

Não havendo lesões, não havendo mais jogos, e como não posso assistir aos treinos, antecipo desde já o meu onze para a Supertaça:
Isto mesmo: com Otamendi, Jurasek, Kokcu, Di Maria e Rafa no banco.


ENTRE ROUBOS E OFERTAS, O PANORAMA É ESTE

 Todas as Supertaças disputadas entre Benfica e FC Porto:


AI A SUPERTAÇA...

Será normal que uma equipa que acabou de se sagrar campeã nacional, manteve quase todo o plantel, e ainda se reforçou com três jogadores de nomeada (entre eles, o mais caro de sempre em Portugal), enfrente outra equipa que ficou em segundo lugar, perdeu um titular absoluto e se reforçou muito menos, e não seja favorita? É possível, pois trata-se de um Benfica-FC Porto, e infelizmente, independentemente do local, do valor dos plantéis, dos jogadores em campo, ou dos treinadores (e recentemente, até dos árbitros), nos clássicos Benfica-FC Porto o favorito é o FC Porto.
Há várias razões para isso. Tácticas, físicas e mentais. A algumas das quais não são alheios os próprios adeptos do Benfica, com a sua proverbial mania das grandezas e do futebol artístico, tido como uma espécie de matriz identitária - mas que nem sequer está nas raízes de um clube que se fez grande com atletas operários e de combate, enfrentando com garra os Violinos, ou o super Barcelona em Berna, na altura ainda sem Eusébio nem Simões. Jogadores como Guarín, Mbemba, Marega ou Zaidu (e trago nomes ao calhas), no Benfica seriam assobiadíssimos. No FC Porto... só interessa ganhar. E enquanto uma equipa do Benfica não conseguir ser, em campo, um carro de combate compacto e inexpugnável (mesmo se assobiado), até pode ser campeão (ganhando os outros 32 jogos no meio de aplausos e olés), mas terá muitas dificuldades, com os seus toques de calcanhar, as suas verónicas e chicuelinas e uma crónica suavidade defensiva, em ganhar no confronto directo a um FC Porto sempre de faca nos dentes, sangue nos olhos, e rigor táctico à prova de bala na hora de defender. Com um treinador que olha pouco para os adversários, e para como os bloquear, a coisa agrava-se. A menos que Stefan Eustáquio dê dois pontapés na perna de Bah logo nos primeiros minutos de jogo...
Já se percebeu que a minha confiança para a Supertaça não é muita. E se já não o era no final da temporada anterior (pelos motivos acima invocados), depois de ver o Feyenoord-Benfica ainda piorou.
Até porque, além de algumas coisas que esta equipa tem a menos (lá está: músculo, altura, agressividade, rigor...), agora parece-me ter também outras ...a mais.
À parte Jurasek - que ainda não mostrou absolutamente nada, mas cuja posição era imprescindível reforçar - os outros reforços estão a parecer-me, além de (muito) caros, também inúteis ou até mesmo inconvenientes. Di Maria e Kokçu provavelmente vão colocar David Neres e João Neves no banco, por uma mera questão de estatuto. Em termos de rendimento, e pelo que vi até agora, não justificam a entrada no onze. Veremos, ao longo da época, se justificam o avultadíssimo investimento. E já agora, também Otamendi - que deverá remeter Morato para o banco - renovou contra-corrente por mais duas épocas depois de ter mostrado claro défice na ponta final desta última (Chaves, Milão etc). Ou seja, sem Otamendi, Kokçu e Di Maria, talvez o Benfica fosse neste momento melhor, mais compacto e seguramente muito mais barato - e com margem para investir forte no substituto de Gonçalo Ramos, que bem poderia ser, desde logo, o ponta-de-lança do Feyenoord.
Enfim, é cedo para tirar conclusões definitivas. Depois de uma derrota olhamos sempre para o copo meio-vazio. E não está em causa o valor em abstrato de nenhum dos jogadores nomeados, mas sim o momento, e o contexto de um plantel que já tinha Neres, Aursnes, João Mário, Rafa, Schjelderup, Gouveia e mais tarde Guedes para as alas, já tinha António Silva, Morato, João Victor, Tomás Araújo e ainda Lucas Veríssimo para o eixo da defesa, e viu nascer em João Neves o substituto natural de Enzo Fernandez, depois da bem sucedida comissão de serviço de Chiquinho como alternativa válida para o lugar. Já Florentino continua a ser apenas um, e tem ido para o banco.
Que eu esteja enganado. Que sejam as obsessões de Roger Schmidt a vingar. Mas tenho de confessar que, para mim, se o Benfica ganhar esta Supertaça, será uma enorme surpresa. A vantagem é que, se por milagre acontecer, saberá melhor, pois a derrota, essa tenho-a quase por garantida. Aliás, nem sequer lá vou.

NOTAS SOBRE A PRÉ-ÉPOCA

Antes de mais, devo dizer o que vi, e o que não vi.
Estava no estrangeiro e não vi, de todo, o jogo com o Basileia. Vi a espaços partes do Al Nassr, pela TV. Assisti, ao vivo, ao Benfica-Celta no Estádio do Algarve. E vi na TV o jogo desta noite com o Burnley.
De tudo isto, as ideias com que fiquei são as seguintes, sector a sector:

BALIZA - Quem frequenta este espaço sabe que sou fã de Vlachodimos. É claro que gostava mais de ter o Courtois. Mas para a realidade do Benfica, acho que só circunstancialmente (como foram os casos de Oblak e Ederson) podemos ter um guarda-redes muito melhor do que o grego. E para pior (Moreira, Quim, Roberto, Artur Moraes, Bruno Varela, etc), antes assim.
Acho porém - e isso ficou hoje bem claro - que o jovem Samuel Soares ainda está demasiado verde para número dois, e a dada altura ter de assumir subitamente (pode acontecer...) a titularidade. Deve continuar a crescer na Equipa B, e como terceiro guarda-redes da A, ou então ser emprestado. Fica, portanto, a faltar alguém, nem que seja um Helton Leite qualquer. Ou seja, alguém minimamente experiente para, se houver necessidade, suprir as ausências (lesões, cartões) de Ody.
Investir 12 milhões em Bento, apesar do nome sugestivo, não me parece ponderado para quem não venha para a titularidade absoluta - e, como disse, não é bem disso que o Benfica precisa. Na Liga Portuguesa até há dois ou três guarda-redes que cumpririam o papel, poupando-se o dinheiro para a mais do que provável necessidade de vir a ter de substituir Gonçalo Ramos.

DEFESA - Otamendi ainda não foi utilizado, e isso condiciona um pouco a análise. A verdade é que não tenho gostado da solidez defensiva da equipa, ainda que tal não se deva apenas aos elementos do respectivo quarteto. Aí, falta claramente uma alternativa a Bah (tanto João Victor como, sobretudo, João Neves, rendem muito mais nas suas posições, e nenhum me convenceu como lateral), enquanto no lado esquerdo Jurasek ainda não mostrou as credenciais - aliás, se fosse eu a fazer o onze, neste momento preferia Ristic (que defensivamente, diga-se, também deixa muito a desejar). Quanto a centrais, o plantel está bem servido, embora António Silva não tenha ainda regressado totalmente das férias.

MEIO-CAMPO - As alternativas são muitas, mas o que me parece é que apenas há um Florentino. Dito de outra forma, de todos os médios, ele é o único verdadeiramente recuperador - e não está ainda em grande forma, longe disso. Kokcu, João Neves, Aursnes e Chiquinho são, todos eles, cada um a seu modo, mais criadores do que que equilibradores. E se Aursnes também está longe dos mínimos físicos, mas já mostrou o que vale, Kokcu ainda não mostrou praticamente nada face ao preço que custou. Neste momento, o melhor é mesmo João Neves. Tino-Neves seria a minha dupla nesta altura.

EXTREMOS - É certamente o ponto mais forte da equipa, e nem sequer conto com Rafa, Chiquinho ou Guedes para as alas. Neres entrou bem na pré-época, Di Maria é...Di Maria (a não ser que as lesões o venham a trair), João Mário vai ser...João Mário, e ainda há Aursnes. Schjelderup evidenciou alguns pormenores de talento, mas muito pouca substância prática, sendo mais um jogador de futuro do que de presente.

ATAQUE - Não fosse Gonçalo Ramos estar em vias de ser vendido (não tenhamos ilusões quanto a isso), e, com ele, Rafa e Musa (mais tarde, também Guedes) eu dormiria descansado. Infelizmente, numa das próximas semanas, o Benfica ficará sem o seu ponta-de-lança titular, justamente na temporada em que acho que ele vai explodir definitivamente - o problema é que outros também acham, e têm dinheiro para achar.
Se vier Santiago Gimenez, a coisa compõe-se. Mas vai ser exigida uma pipa da massa pelo mexicano, e não é fácil encontrar finalizadores do mercado (por isso são tão valorizados). Temos pois aqui um grande desafio de mercado.
Rafa ficar, pelo menos este ano, é uma excelente notícia. Musa ainda está longe do que pode fazer. Já quanto a Tengstedt, confesso que ainda não vi nada que tivesse justificado a contratação (e a ideia já vem de há vários meses). Nem talento, nem capacidade física, nem eficácia. Espero que ainda me possa fazer mudar de opinião, e tornar-se uma espécie de Musa 2. Jamais será titular indiscutível do Benfica, isso parece-me claro.

CONCLUSÃO - O plantel é forte, precisando apenas de pequenos ajustes na baliza e laterais, e de tratar (bem) a questão do ponta-de-lança, quando Ramos sair. As dinâmicas de Schmidt estão para manter, mas há ainda elementos demasiado longe da melhor forma para poder aplicar a receita, tendo em conta que a Supertaça já não tarda. A construção de jogo ofensivo tem sido o ponto forte, a eficácia e a solidez defensiva, os pontos fracos. Jurasek e Kokcu terão de mostrar muito mais. Se isto dá para ganhar ao FC Porto? Ao do ano passado, até pelas características tácticas de ambas as equipas,, temo que não. Mas não vi, nem tenho qualquer ideia de como está a equipa de Sérgio Conceição neste momento, e muito menos como estará daqui a duas semanas.

O ONZE NO MOMENTO: Ody, Bah, António, Morato, Ristic, Tino, Neves, Di Maria, Rafa, Neres e Ramos.

COMEÇAR A GANHAR

Estes amigáveis de pré-temporada, sobretudo os primeiros, têm pouco que contar. Na prática são apenas treinos mais intensos. Ferramentas de trabalho para o treinador e para os jogadores.
Da partida com o Southampton, registo apenas a boa forma de Neres e a certeza de que o 4-2-3-1 de Schmidt é para manter. Tudo o resto seriam considerações inúteis e talvez até injustas para este o aquele elemento do plantel.
No domingo, novo teste frente ao Basileia.

RIDÍCULO

O castigo aplicado a Neres é absolutamente ridículo, e esbarra numa tremenda falta de critério do CD da FPF. Coisas graves são ignoradas e branqueadas. Um comentário totalmente inócuo nas redes sociais, que até pode ser entendido com algum humor (quando o futebol não tiver este tipo de picardia entre adeptos e intervenientes, perde a graça) é castigado com ausência numa partida que decide um troféu.
Ou me engano muito, ou também estão a preparar o caldinho para Odysseas - pasme-se, por ter dito um palavrão no balneário !!!???!!!
Gostava de ver o dia em que a pandilha que constitui este CD (quase todo com geografia a norte) fosse varrida para longe do futebol. Se procuraram a isenção de quem vinha de fora, encontraram incompetência, absoluto desconhecimento do fenómeno...e a mesma falta de isenção de sempre.
O futebol português está doente. Tanto Liga como FPF estão pejadas de mediocridade. A primeira vive à conta de resultados de uma ou duas equipas nas provas europeias (pois do quarto lugar para baixo, o campeonato é absolutamente miserável, e cada vez pior). A segunda, à conta de uma geração excepcional de jogadores, formados nos clubes (e não pela FPF), que vão criando expectativas (também quase sempre defraudadas) nas competições de selecções.
E depois, ainda colocam gente desta (com lábia, ambição, oportunismo, mas total impreparação) em cargos de decisão.
Pobre futebol.

PONTO DE SITUAÇÃO

GUARDA-REDES: Bento, não só pelo nome, parece-me uma boa opção para discutir a titularidade com Odysseas. Dependerá do preço. Um dos três jovens será terceiro guarda-redes, sendo que André Gomes vai estar parado alguns meses. E Samuel Soares talvez devesse ser emprestado a clube da primeira liga, para mais tarde poder voltar em grande. Resta Kokubo.
DEFESAS: Espero que António Silva fique, mas... Disso depende a constituição do lote final de centrais, sendo que ainda há Otamendi, Morato, Tomás Araújo, João Victor e também Lucas Veríssimo. Se o jovem português ficar, Lucas Veríssimo deve ser o sacrificado - pela lesão, da qual não mais recuperou na plenitude, e por ter mercado no Brasil. Entre Tomás Araújo e João Victor, também não me admirava que um deles acabasse emprestado, pois não sei se Schmidt quer 4 ou 5 centrais.
Nas faixas, ou ficam Gilberto e Ristic e então a contratação de Jurasek (Kerkez está fora de hipótese) resolve tudo, ou se algum deles sair, terá(ão) de ser acautelada(s) a(s) rectaguarda(s) da(s) posição(ões). Não creio que os jovens João Tomé e Rafael Rodrigues estejam preparados para se assumir desde já como verdadeiras alternativas às laterais. 
MÉDIOS: Espero ardentemente que Rafa fique, renove e termine a carreira no Benfica. Acho que merecia um esforço do clube, pois é claramente um craque, que muito admiro. Se é irregular? Então e Otamendi? Então e João Mário? Então e Ramos? Enfim, mais vale cair em graça do que ser engraçado. Os valores pedidos (10M à cabeça, e 3,5 limpos por mais 4 épocas), a serem verdadeiros, parecem-me, porém, claramente exagerados. Eu tentaria baixar alguma coisa. E se as exigências exorbitantes se mantivessem, o melhor talvez fosse mesmo vendê-lo para o Médio Oriente, antes que, dentro de um ano, ainda vá parar ao FC Porto. Com o empresário que tem, nunca se sabe.
Não me passa pela cabeça que Aursnes ou João Neves (nesta fase) possam ser vendidos. E gostava que também Florentino ficasse. Não sei qual a arrumação do meio-campo que Schmidt pretende face à contratação de Kokçu. Mas entre estes quatro nomes, talvez haja um a mais. Esse, naturalmente, será Florentino - com valor de mercado bastante razoável.
Duvido que haja espaço para Paulo Bernardo ou Martim Neto (que acabou de renovar). Tiago Gouveia talvez mereça uma oportunidade no plantel principal, pelo menos até Janeiro. Já Schjelderup, ou evolui rapidamente, ou terá de ser emprestado. Di Maria parece confirmado.
AVANÇADOS: Sinceramente não acredito que o Benfica segure Gonçalo Ramos. Até porque o modelo de negócio prevê vender, pelo menos, um jogador por ano. Se António Silva e João Neves ainda estão a maturar, Ramos já está no ponto (embora eu ache que ainda pode, e deve, evoluir mais). O Benfica pede 80M. Acredito que acabe por vender acima de 60M. Seja como for, caso saia, é imprescindível contratar o ponta-de-lança para ser titular de caras. Castellanos? Gimenez? Quanto a Henrique Araújo e Tengstedt, julgo que pelo menos um deles deva ser emprestado. Do português esperava francamente que tivesse crescido mais depressa. Do nórdico, temo que não passe do pouco que já mostrou.

SÓ FALTAVAM MAIS ESTES

O mercado de transferências já era o que era. E, quanto a mim, era o que de pior já tinha o futebol moderno.
Só faltava aparecerem os árabes a querer contratar tudo o que mexe, a inflacionar os valores e a causar ainda mais confusão. Veja-se o caso Luís Castro, por exemplo.
Se alguém pensa que o futebol ganha com isto, anda enganado. Estão a matar a galinha dos ovos de ouro.
A pandemia ensinou-nos, a mim e a muita gente, que podemos muito bem viver sem futebol, e gastar o tempo livre noutras coisas (livros, cinema, música etc). 
Sabemos também, ou devíamos saber, que retirando identidade cultural aos clubes e às equipas, não sobra quase nada. Podem pôr o Messi, o Ronaldo e o Mbappé a fazer malabarismos com a bola vestidos de coletes de treino, que isso não me diz nada, nem perco um segundo a ver. Não é isso que me seduz, e para tal prefiro jogar eu com os meus amigos - mesmo sem malabarismos. 
A dimensão histórica e sócio-cultural dos clubes, os adeptos que enchem estádios de alma, de fervor e de paixão, isso sim, é o que tem interesse no futebol. É o que move as multidões. 
Por mim, se isto se tornar o que me parece que se vai tornar, estarei a meio caminho de me afastar cada vez mais. Não vou deixar de pagar ao Benfica tudo aquilo que entendo dever-lhe (quotas e Red Pass, que, aliás, acabei de renovar). Quanto ao resto, meus amigos, a tendência é mesmo para deixar de gastar um cêntimo com Sportvs, Elevens, Jornais, consumo de programas TV, etc. 
Há coisas na vida muito mais interessantes do que este futebol incolor, mercantilizado, sem alma e sem história, que parece estar a levar avante sobre o outro - aquele de que eu gostava. Com a FIFA já sabemos que não se pode contar: o mundial no Qatar diz tudo
Não há problema. Sendo o futebol um artigo de 16ª necessidade nas nossas vidas, rapidamente o podemos colocar de lado. Que fiquem os abutres que o rodeiam entretidos a comer-se uns aos outros, até não terem mais ninguém a ver. Depois...acabou-se. A vida, essa continuará com outras coisas e por outros lados.

A MINHA PROPOSTA PARA RAFA

Fosse eu presidente do Benfica, e era isto que oferecia:
Contrato até 2026 a 2,5M net por ano.
Custo total: aproximadamente 12 ou 13M (dependendo do salário actual, que desconheço). Ou seja, manter o melhor jogador do Benfica por mais duas épocas, ao preço de um Schjelderupzito.
Os valores de que se fala na imprensa implicam um custo anual de 7M (salário mais impostos) por quatro anos. Até a mim, que sou quase o líder do clube de fãs do Rafa, me parece exagerado. Mas acho que faz sentido fazer um esforço, e esse é, mais ou menos, aquilo que apresento (desconhecendo até que ponto a proposta do Benfica se aproxima ou não de tal).

DÁ QUE PENSAR

Por lá, aos 14 anos, já sonham com ganhar ...ao Benfica.
Na Luz apregoa-se que se ganha #pelobenfica.
Posso estar enganado, mas isto, sobretudo nos confrontos directos, tem o seu peso. E os resultados, nos confrontos directos, sobretudo no Estádio da Luz, estão à vista.
Se o Benfica não quiser continuar a perder em casa com o FC Porto, ano após ano, mesmo com equipas tecnicamente muito superiores e muito mais caras, terá de repensar as suas estratégias de motivação.
O próximo Benfica-FC Porto tem de ser anotado no calendário, e lembrado semanalmente.
E se eu fosse ao Lourenço Pereira Coelho, mandava decorar os balneários, não com as vitórias do Benfica, mas com as comemorações do FC Porto na Luz, por exemplo em 2012 e em 2022. Para todos se lembrarem que isso tem mesmo de acabar.
Nos "clássicos" do campeonato estão em jogo 12 pontos. E falta pouco mais de um mês para a Supertaça.



O ONZE DA LIGA - agora a sério

DIOGO COSTA

PEPÊ

ANTÓNIO SILVA

OTAMENDI

GRIMALDO

UGARTE

JOÃO MÁRIO

AURSNES

RAFA

TAREMI

GONÇALO RAMOS


VERGONHOSAMENTE SÓS

CLUBES APURADOS PARA A CHAMPIONS LEAGUE 2023-24 (com/sem equipa feminina):
Das 26 equipas já apuradas para a Champions da próxima época, o FC Porto é a única que não tem equipa de futebol feminino. Além de uma excentricidade, é também uma vergonha para Portugal e para os portugueses.
Está previsto, espero que para breve, serem impedidos de participar na Champions clubes que não tenham equipa feminina (como já sucede com o futebol-formação). Aí, a bem ou a mal, o clube de Pinto da Costa terá de deixar de olhar para as mulheres como meras anfitriãs do "Calor da Noite".

NÃO SEI SE ESTÃO TODOS. MAS SÃO MUITOS.

 
Estes são os títulos que consegui apurar da temporada 2022-23 do Benfica. É possível que ainda faltem aqui alguns de competições com menor visibilidade. Mas são já muitos. 56 no total, já mais 10 do que os que apurei na época anterior.
Estão ainda por disputar, até final do mês, pelo menos:
HÓQUEI JUNIORES MASCULINOS (02/07)
HÓQUEI INICIADOS MASCULINOS (02/07)
HÓQUEI JUNIORES FEMININOS (02/07)
ATLETISMO PISTA AR LIVRE ESPERANÇAS MASCULINOS (02/07)
ATLETISMO PISTA AR LIVRE ESPERANÇAS FEMININOS (02/07)
HÓQUEI JUVENIS MASCULINOS (09/07)
HÓQUEI INFANTIS MASCULINOS (09/07)
ATLETISMO PISTA AR LIVRE JUNIORES MASCULINOS (16/07)
ATLETISMO PISTA AR LIVRE JUNIORES FEMININOS (16/07)
ATLETISMO PISTA AR LIVRE MASCULINOS (23/07)
ATLETISMO PISTA AR LIVRE FEMININOS (23/07)

Diga-se também que, se o Benfica já venceu 56 títulos, do Sporting, com a mesma pesquisa, não contei mais do que 19, e do FC Porto apenas 12.

CONTAS FINAIS

Este é o balanço final da temporada desportiva, quanto às competições nacionais das principais modalidades e escalões.
De uma forma geral, pode dizer-se que, em cada prova, ganharam os melhores. Enfim, talvez no basquetebol feminino o Benfica fosse a melhor equipa, mas falhou no jogo da negra, em casa. E no futebol junior, talvez pudesse ter havido uma melhor gestão entre os sub-19 e os sub-23, o que teria permitido, pela primeira vez na história do clube, fazer o hat-trick (Juniores, Juvenis e Iniciados).
Que venha outro ano igual a este.

LINDO

 


O Voleibol já havia triunfado no mês passado, na Luz. Há pouco mais de uma semana, o Basquetebol festejou em Alvalade. E agora o Hóquei em Patins repetiu a proeza, também no pavilhão do rival lisboeta. Falta o Futsal (que, a ser campeão, também o será em Alvalade, no próximo Domingo). 
A época não foi excelente apenas no Futebol. Também nas modalidades, com títulos igualmente no Sector Feminino (Futebol  Hóquei, Futsal, Andebol e Polo Aquático), e várias Taças, Supertaças entre outros troféus - pelas minhas contas, até agora, num total de 52.
No Futebol Formação, títulos em Juvenis e Iniciados, sendo que o de Juniores foi perdido para o Famalicão na última jornada.
Uma temporada à Benfica!

UM DOS NOSSOS? NÃO, UM DOS TEUS!

Ninguém me fará torcer por uma equipa onde esteja Otávio. Muito menos o presidente da FPF, que devia estar preocupado com outros assuntos, bem mais graves.
Otávio não faz falta à selecção, nem faz falta ao futebol. Não tem carácter, passa os jogos em simulações e provocações, não respeita nada, nem ninguém. Ainda goza com os adeptos e com todos nós. 
O problema dele não é o lugar onde nasceu ( embora a convocatória de naturalizados para valorizar futuras transferências seja altamente discutível). Nem o clube onde joga. O problema é a forma como se comporta, e que não representa em nada Portugal e os portugueses. Sendo a selecção uma representação nacional, envergonha-nos. 
Dizer que se defende o futebol espectáculo e o desportivismo, colocar fair-play nas camisolas, tentar agregar o povo em redor da equipa nacional, e depois aceitar e tolerar um indivíduo como este de quinas ao peito, é uma contradição e uma hipocrisia.
Enquanto Otávio estiver na seleção, podem chamar os super-dragões para a apoiar. A mim, não me levam. 
Se sou doente? Então padeço de uma doença da qual não me quero curar: a dignidade.
Quanto ao Sr. Martinez, também pode ir de volta para de onde veio. Assim, mais valia o engenheiro - que pelo menos nunca tentou dar lições de moral a ninguém. 

PATÉTICO


O vice-presidente do Sporting para as modalidades, que na época passada havia acabado detido na esquadra da PSP de Moscavide após a sua equipa ser eliminada na meia-final do campeonato de Hóquei pelo Benfica, voltou a fazer um número após a derrota no jogo 3 da final deste ano.
Desta vez, que se saiba, não foi detido pela polícia. Foi apenas parvo, promovendo uma conferência de imprensa ridícula, que mais não visa do que pressionar e condicionar as arbitragens para os dérbis que se seguem (ainda no Hóquei e também no Futsal).
Quem não tenha visto o jogo pode imaginar o que quiser. Acontece que eu vi.
Ao intervalo, o Sporting ganhava 0-1 graças a um cartão azul mal mostrado. Houvera também uma agressão clara, com uma stickada na cabeça, de um hoquista do Sporting a um do Benfica, que ficou impune. Devo dizer que até estranhava a passividade do pavilhão face ao que se estava a passar, e que era escandaloso.
Na segunda parte o Benfica virou o resultado, e o senhor Afonso ficou aziado. É verdade que a arbitragem continuou a cometer erros, metendo os pés pelas mãos, aí para ambos os lados.
Na cultura do Sporting, quando há erros a favor e contra, ignoram-se os primeiros, e faz-se um barulho inacreditável com os segundos. É assim há muitos anos. Se qualquer clube seguisse a mesma lógica de raciocínio, desde o Manchester City até ao Juventude de Évora, todos eram roubados, todos eram perseguidos, e todos faziam conferências de imprensa ridículas, lutos e por aí fora.
Tenho assistido a quase todos os jogos dos play-offs das modalidades. Em três finais Benfica-Sporting (Basquetebol, Hóquei e Futsal), já lá vão nove partidas. Só não vi a cabazada no jogo 3 do Basquete e os 5-1 do Futsal em Alvalade. Devo dizer que o Benfica tem sido claramente mais prejudicado pelas arbitragens (e até pelas próprias federações, como no caso-Travante), situação que acho merecer reflexão para o futuro. Até por isso, ouvir este indivíduo a chorar no fim deste jogo é digno de desenhos animados.
Vamos ver se um destes dias não acaba outra vez na esquadra de Moscavide. Aliás, a direcção do Sporting cada vez se assemelha mais a um grupo de forcados.

RAFA? RENOVAR PARA ONTEM!

Sete anos de Benfica: 274 jogos e 72 golos. É hoje, de longe, o jogador deste plantel com mais jogos e com mais golos pelo clube.
Sem um único penálti, marcou mais de águia ao peito do que nomes como Chalana, Simões, Aimar, Valdo, Rui Costa, Di Maria, Poborsky, Gaitán, Alves ou Paneira, e mesmo pontas-de-lança como Saviola, Mitroglou, Lima, Isaías, Filipovic, Miccoli, Mantorras, Jimenez, Darwin, Yuran, César Brito ou Vata.
É o oitavo goleador de sempre do Benfica nas provas europeias, só atrás de Eusébio, Nené, Cardozo, José Augusto, Águas, Torres e Nuno Gomes. Se considerarmos apenas a Champions League, ultrapassa Nuno Gomes e passa o sétimo de sempre. Leu bem: sétimo goleador da história do Benfica na Champions!!
Desde que chegou à Luz, é também o melhor marcador de "Dérbis" e "Clássicos" envolvendo o Benfica, mesmo contando com jogadores adversários (anotou já seis golos a leões e dragões). Taremi e Pote juntos não marcaram tantos golos ao Benfica como Rafa aos rivais.
Nas duas últimas vitórias do Benfica no Estádio do Dragão, que valeram também os últimos dois títulos, foram dele os golos decisivos. E neste último campeonato, marcou também o golo ao Braga na Luz - que, a meu ver, foi o momento que colocou uma pedra sobre o campeonato. Rafa é, de resto, um homem para grandes momentos.
Para quem - dizem - tem um problema de finalização, não estamos nada mal...
Quanto a arte, devo dizer que desde o tempo de Jonas é, para mim, o mais talentoso jogador que vestiu a camisola do Benfica. Os seus raids com a bola colada a pé só têm paralelo em algumas estrelas das melhores equipas do mundo. E só me fazem lembrar...Fernando Chalana.
Como dizia Mircea Lucescu, não se percebe como nunca saiu do Benfica para uma liga de topo. Como dizia Jurgen Klopp, "Rafa? Uau!!!"

Caro Rui Costa,
Por favor renove imediatamente com este jogador, pagando-lhe o que ele merece, e que é, sem dúvida, o topo salarial do plantel. Nos mercados em que o Benfica se movimenta, não há ninguém melhor do que ele.
Por mim, quero Rafa por mais três épocas, e com um salário ao nível dos mais altos que se pagam em Portugal. Ele é o melhor, é o mais decisivo, e não é por não ser benfiquista de nascença que não irá ficar na história das grandes lendas do clube. Aliás, já lá está.

UM PEDAÇO DE JUSTIÇA

A condenação do chico esperto e do seu pequeno escudeiro mostra que a justiça (a dos Tribunais, não a da praça pública, nem a de investigações por dá cá aquela palha, tornadas públicas segundo as conveniências), embora estupidamente demorada, ainda está viva, e garante alguma tranquilidade aos cidadãos deste país.
O que se passou em 2018 foi um crime grave. Um crime de roubo, truncagem e divulgação de correspondência privada, visando destruir a maior instituição do país. Um crime de terrorismo comunicacional, jamais imaginado, e que só mentes doentes, obcecadas, cheias de ódios recalcados e complexos de inferioridade provincianos poderiam ter levado a cabo. 
Imagine-se o mesmo ter acontecido a um partido político, ou a um governo. Imagine-se que todos tínhamos acesso a todas as comunicações internas de Sporting e FC Porto. Assim é mais fácil perceber o que esteve em causa.
Não me esqueço de como tudo foi feito, nem de quem, além obviamente dos criminosos,  pelas televisões e jornais do país, foi explorando e potenciando o caso - ora para conquista de audiências, ora embarcando no tiro ao Benfica, para o atingir, para o matar. Alguns jornalistas ficaram gravados na minha memória para todo o sempre.
E o Benfica também não pode, nem deve, esquecer o que lhe fizeram, ou tentaram fazer. Nem quem o fez, nem quem embarcou no folclore criado. Importa também lembrar aqui que os processos envolvendo o anterior presidente Luís Filipe Vieira não foram expostos por aquela gente, mas sim resultado de investigações policiais, nada têm a ver com corrupção desportiva, e em alguns deles, se se provarem as alegações, o Benfica é vítima e não culpado.
Rui Pinto foi preso e está a ser julgado (espero que acabe com uma punição exemplar e de acordo com o perigo que hoje representa o cibercrime, talvez o crime do século XXI), Marques foi condenado a pena de prisão, Faria foi condenado a pena de prisão. Falta aquele indivíduo baixo e gordo, com cara de boi charolês, que também participava no programa. E faltam mais alguns agentes (Saraiva, lembram-se? também foi visto em Budapeste) que directa ou indirectamente estiveram envolvidos nisto. Era importante esclarecer também quem pagou a Cássio, Marcelo e Edgar Costa (que bem que fica este delinquente na segunda divisão...) para fazerem afirmações caluniosas visando prejudicar o Benfica. Sem falar em quem, do alto da sua cadeira, patrocinou tudo. Há, aliás, ainda muito por esclarecer, mas com o tempo acredito que a verdade se saberá, e a justiça será, ainda que parcialmente, ainda que tardiamente, reposta. E a FPF, como a Liga, não podem assobiar para o lado como se nada tivessem a ver com o assunto.
E já agora, e isto é, por exemplo, para o jornal "A Bola" (que ainda respeito), porque não deixarem de reproduzir tudo o que um criminoso, condenado a pena de prisão, já com anteriores condenações por outros casos (um delinquente, portanto), com uma mente doente, obcecada e odienta, escreve nas redes sociais? Também vale tudo para obter visualizações?

KOKÇU E O MERCADO

Do pouco que vi do médio turco no Feyenoord, gostei. Parece um jogador dinâmico, intenso e criativo. Um médio moderno que tanto pode ser o substituto de Enzo Fernandez, como uma alternativa a Rafa - numa posição mais subida no terreno. E até marca bem livres (lacuna que Grimaldo deixa no plantel).
O preço não me parece nada mau. Julgo ter sido considerado o melhor jogador da Eredivisie, liga que acaba de suplantar a nossa no ranking da UEFA. Foi a estrela da equipa campeã. É jovem. Dentro de dois ou três anos, pode até representar uma importante mais-valia financeira (depois de, em campo, espero, contribuir com títulos).
O único problema é que esta contratação pode vir a tapar a progressão de João Neves. E devo dizer também que, para mim, com Florentino, Aursnes, João Neves e Chiquinho, o meio campo até estaria razoavelmente bem preenchido, necessitando talvez apenas de um gorila (Al Musrati?) - coisa que o turco manifestamente não é. Mas Roger Schmidt é que o escolheu, é que o pediu, é que sabe como quer jogar e quanto valem os que lá tem. Foi campeão na sua primeira época em Portugal, e dou-lhe o crédito que isso lhe confere.
Quanto a outras contratações, parece-me evidente a necessidade urgente de um lateral-esquerdo (Kerkez? Lodi? Alba? Lelo?), de um guarda-redes suplente (Bento? Andrew? Luiz Junior? Arruabarrena?) e, caso Gonçalo Ramos venha a sair (como temo), também de um ponta-de-lança (Gimenez? Castellanos? Osmajic? neste último caso não dispensando uma primeira opção). De resto, com os que estão, com os possíveis regressos de Tomás Araújo, João Victor, Paulo Bernardo, Tiago Gouveia e Henrique Araújo, e com a eventual manutenção de Guedes, creio que se pode construir um plantel para vencer tudo no país, e voltar a chegar longe na Europa.
A haver outras contratações, só peço que se olhe também para a dimensão atlética. Tem sido um dos factores de afirmação do FC Porto nos confrontos directos.

PELO BENFICA...MAS NÃO SÓ

Na hora da vitória, percebo que se seja magnânimo.
Por isso, aplaudo Rui Costa e a forma como soube ganhar. É um presidente cuja postura orgulha os benfiquistas, e isso faz parte da grandeza de um clube. Também Luís Filipe Vieira, com todos os defeitos que tinha e/ou lhe quiserem pôr, e decerto com notórias lacunas de benfiquismo, nunca hostilizou ou provocou os rivais – ao contrário do que fizeram connosco, sempre a norte, e durante um certo período também a sul.
Ganhar pelo Benfica é já um lema, que entrou no vocabulário e na cultura da casa. Escreve-se em cachecóis. Usa-se no marketing. É bonito, faz bem ao futebol e ao desporto em geral.
Dito isto, e da minha parte enquanto adepto, sinto-me livre para pensar de outro modo. Não me esqueço, por exemplo, da campanha que a dada altura da temporada a TVI/CNN (que desde que foi adquirida pelo tipo do norte que foi ao Espaço perdeu quase toda a credibilidade, no desporto e não só) lançou sobre o clube da Luz, como também não esqueço o javardo “diretor de comunicação” do FC Porto (cujas baboseiras incendiárias publicadas nas redes sociais continuam a ser estranhamente reproduzidas em jornais respeitáveis), e de tantos outros, que, fora do campo, sempre destilaram ódio ao Benfica, e tudo fizeram para dividir e destruir o clube.
Lamento, mas a minha vitória, enquanto sócio e benfiquista, não é apenas pelo Benfica. É também contra toda essa gente.
O Benfica é uma instituição democrática, e já o era antes do país o ser. Aqui, cada um sente as alegrias como quer. Não haveria nenhum problema nisso, não fosse o caso de também me parecer que a assimilação daquele lema pelo clube o faz perder jogos – designadamente quando enfrenta os rivais, sobretudo o FC Porto. Nos últimos 22 jogos com o seu adversário directo na Luz, o Benfica apenas venceu quatro, e perdeu dez. Há razões físicas e tácticas (também de algum modo relacionadas com uma cultura benfiquista ainda muito agarrada ao futebol bonito dos anos sessenta, quando tudo era diferente) que ajudam a explicar esse registo. Mas esperar que uma identidade candidamente desportivista vença em campo o ódio, o rancor, a faca nos dentes e o sangue nos olhos (afinal de contas o "contra tudo e contra todos") parece-me demasiado romântico no contexto do desporto português, e insuficiente para o combate que temos de travar. Deixa-nos em desvantagem óbvia, pois se para nós um duelo com os rivais é apenas um jogo (pelo Benfica), para eles é o jogo (contra o Benfica). Em alguns anos dá para ser campeão (como agora). Porventura menos do que aqueles em que podíamos e devíamos ser, até porque assim, para triunfarmos, a superioridade técnica tem de ser muito mais acentuada (como neste caso foi), e os custos provavelmente também.
O tema não é fácil. Mas só partindo da premissa de que temos do outro lado quem nos quer destruir podemos definir como queremos, de facto, actuar e/ou sentir.
Obviamente tudo isto tem a ver com mentalidade. Jamais com qualquer tipo de violência física ou mesmo verbal. Temos de querer ganhar pelo Benfica, mas também temos de querer ver os rivais sofrer – desportivamente, claro. Fazê-los pagar, em campo, pelo ódio que nos destinam. E todas as nossas equipas, no futebol e nas modalidades, têm de entrar nos campos, no pavilhões ou nas pistas, com esse tónico adicional. O "ódio" aos rivais é um poderoso suplemento anímico que, no triste contexto do desporto português, infelizmente não podemos dispensar
Ganhar pelo Benfica e contra os outros. Em campo. Depois, nas festividades, então sim poderemos ser simpáticos com toda a gente (como fomos).

RADIOGRAFIA AOS CAMPEÕES

ODYSSEAS VLACHODIMOS – Creio que já terá feito temporadas melhores, talvez por então ter estado mais exposto. Todavia foi, uma vez mais, titular indiscutível, quer no Campeonato, quer na Champions, e esteve sempre à altura das exigências. Não é Ederson nem Oblak, mas guarda-redes desse nível não estão, hoje, ao alcance do clube. É o seu segundo título, tendo já mais de duzentos jogos como titular do Benfica. Que continue por cá.

SAMUEL SOARES – Teve o seu minuto de glória no jogo do título. Ainda não foi posto à prova, pelo que ficaria mais tranquilo se o Benfica contratasse um suplente mais experiente, ficando Samu como terceiro guarda-redes e titular na equipa B. Terá o seu tempo, que ainda não é o presente.

ALENXANDER BAH – Apesar de se tratar de um internacional com provas dadas, durante meses deixou-me algo reticente, chegando a considerá-lo o pior jogador do onze titular. A verdade é que se lesionou no Benfica-FC Porto, quando o Benfica ganhava por 1-0 e estava virtualmente com treze pontos de vantagem. E depois, sem ele, foi o que se viu - até porque Gilberto, que começara bem a temporada entrou em queda livre de rendimento, obrigando à adaptação de Aursnes. Bah é muto bom a atacar, mas continuo a achar que carece de alguma solidez defensiva, embora dê a mão à palmatória quanto à sua importância na equipa.

NICOLAS OTAMENDI – Valeu pela experiência, pelo enquadramento de António Silva, pela voz de comando e liderança no balneário. É um jogador duro, dos poucos do plantel com músculo e fibra de combatente. Dito isto, também é verdade que cometeu alguns erros comprometedores, sendo o caso mais flagrante o jogo de Chaves. Com o salário que tem, não me choca que saia, desde que António Silva fique mais uma temporada.

ANTÓNIO SILVA – Este sim, foi cinco estrelas quase toda a época. É sem dúvida a grande revelação do campeonato, tendo em conta que começou como quarta ou quinta opção, e acabou como jogador de selecção e titular indiscutível. Pena o jogo de Alvalade, em que não foi feliz, mas isso faz parte do caminho que outros (lembro-me de Ruben Dias) percorreram até ao topo do mundo.

ALEJANDRO GRIMALDO – Fez a melhor temporada da carreira, mostrando-se peça chave da equipa campeã. Atacou como sabe, fez assistências e golos, e disfarçou melhor do que nunca as insuficiências defensivas. Acaba por sair pela porta grande, com vários troféus conquistados e uma imagem lavada.

GILBERTO – Arrancou como titular, e a sua fibra e empenho manteve-o nos primeiros jogos da época, pese a concorrência de Bah. Quando saiu do onze, talvez não o merecesse. A verdade é que depois, sempre que foi chamado, teve dificuldades em responder à altura – só ele saberá porquê. Perdeu espaço e sai do clube como campeão, título que lhe assenta bem.

MORATO – Não fora uma inoportuna lesão, e provavelmente não tinha havido António Silva. Morato estabelecera-se como titular ao lado de Otamendi, estava bem, e só perdeu o lugar por problemas físicos. A afirmação do jovem português impediu o regresso do brasileiro ao onze. Quando, esporadicamente, o teve de fazer, cumpriu.

LUCAS VERÍSSIMO – Prevalece a dúvida acerca da sua real condição física depois da longa paragem. Nos poucos momentos que esteve em campo, confesso que não gostei do que vi. Sei que era capaz de melhor. Não sei se voltará a ser. Disso (e de uma eventual transferência de António Silva) depende a necessidade do Benfica ir ou não ao mercado por um central.

MIHAILO RISTIC – Deste até gostei do que vi, não percebendo porque motivo não deu mais descanso a Grimaldo ao longo da época. Não vejo os treinos, mas em campo pareceu-me uma opção bastante válida, com doses suficientes de talento, força e intensidade.E até marcou um belo golo ao Estoril. Espero que possa ficar como segunda opção ao novo titular (Kerkez?).

JOHN BROOKS – Foi contratado num momento muito específico, e por motivos muito específicos, quando havia três centrais lesionados. A estrepitosa afirmação de António Silva tornou-o desnecessário. Não tem culpa. Merece um agradecimento.

JAN VERTONGHEN – Ainda é campeão, com toda a justiça, depois de ter jogado alguns minutos num dos primeiros jogos do campeonato. Um senhor dentro e fora do campo, ainda que já sem fôlego para mais do que aquilo que deu. Tudo de bom para ele.

JULIAN WEIGL – Quase as mesmas palavras de simpatia do que para Vertonghen, embora um esteja manifestamente em final de carreira, e o outro não tenha simplesmente tido perfil para jogar neste Benfica. Justa ou injustamente, fica ligado a um dos piores períodos da equipa encarnada neste século: entrou com o Benfica campeão e com sete pontos de vantagem no início de 2020, e sai no início da época de recuperação. A culpa não foi dele, mas também não terá sido totalmente por acaso.

FLORENTINO LUÍS – Quando era suplente de Tchouameni no Mónaco, dizia-se que “nem no Mónaco jogava”. O futuro explicou porquê. Só não percebo porque se apagou em 2020, e porque Jorge Jesus nunca o aproveitou. Foi titular na maior parte da época, e é opção válida para os próximos anos.

CHIQUINHO – Teve um papel fundamental no pós-Enzo, em que assumiu o lugar, senão com brilhantismo, pelo menos com competência. Foi muito importante para ultrapassar esse período, embora na parte final do campeonato acabasse por se apagar um pouco. Fez a melhor temporada da carreira, e a verdade é que só Roger Schmidt percebeu o seu potencial. Termina com um estatuto bem diferente daquele com que se apresentou há um ano.

ENZO FERNANDEZ – Nunca se saberá o que podia o Benfica ter feito, nomeadamente na Champions, se o argentino não tivesse saído em Janeiro. Até então foi claramente a estrela da companhia, esbanjando classe pelos relvados do país e da Europa. Forçou a saída, mas a verdade é que deixou muito, mesmo muito dinheiro. Decisivo na entrada de rompante no Campeonato, cuja pontuação até ao Mundial acabou por ser determinante para definir o vencedor.

FREDRIK AURSNES – Foi a surpresa do Campeonato, e argumentavelmente o melhor jogador da temporada. Serviu para tudo, até para queimar a imagem jogando como lateral-direito na ausência de Bah. Mas foi como médio que soltou todo o seu dinamismo, e toda a sua velocidade e inteligência táctica. Foi o pulmão da equipa, e até marcou golos importantes. Espero que seja possível mantê-lo por cá, mas temo que não seja fácil. Os grandes clubes raramente se enganam e sabem observar.

JOÃO NEVES – Só perde para António Silva como revelação da época porque o defesa jogou sempre, e o jovem médio só apareceu na ponta final. Apareceu, diga-se, num momento delicado, sendo titular pela primeira vez frente ao Estoril, justamente no pós-semana negra. A verdade é que se fixou de pedra e cal, sendo bastante importante para refrescar e equilibrar o meio-campo naquela fase. O golo em Alvalade foi um dos momentos do título. Acaba como a grande promessa para 2023-24, e se tudo lhe correr bem essa será a sua última em Portugal.

JOÃO MÁRIO – Outro que realizou a melhor temporada de sempre, sobretudo na primeira metade, em que mostrou também uma veia goleadora nunca vista – mesmo se descontarmos os penáltis que converteu. Foi titular em todos os jogos, excepto em Famalicão, depois a expulsão com o Vizela, por tirar a camisola após um golo obtido no último lance do jogo. Na fase derradeira da temporada apagou-se bastante, tal como outros. Podia ter sido mais poupado, mas isso não foi culpa dele.

RAFA SILVA – Para mim Rafa é…Rafa. Quem me lê sabe o quanto admiro o extremo/avançado benfiquista, que, desde Jonas, e com uma pequena intermitência de Darwin, considero o melhor jogador do Benfica. Por vezes faz-me lembrar Chalana, e isso não é para qualquer um. Em 2022-23 foi autor daquela que creio ter sido a melhor exibição individual de um jogador encarnado, designadamente na Luz frente à Juventus. Foram dele também os dois mais importantes golos na corrida ao título: Dragão e em casa com o Braga. Marcou também na festa final. Esteve lesionado no início da segunda volta, falhando alguns jogos. Demorou a recuperar a forma. Mas ainda chegou a tempo de voltar a ser brilhante e decisivo. Merece a camisola dez de Chalana, Valdo, Rui Costa e Aimar. E gostei de o ver cantar “eu amo o Benfica” no dia do título. Não conheço pessoalmente, mas, para além do talento, trata-se de uma personalidade que me desperta bastante curiosidade.

DAVID NERES – Foi o fantasista, o criativo, o abre-latas de serviço. Entrou como titular indiscutível e peça determinante no primeiro ciclo de vitórias. Com a afirmação de Aursnes numa ala, perdeu algum espaço no onze titular, não deixando de entrar quase sempre em campo (só não participou em três jogos), e muitas vezes para decidir. A dada altura parecia triste com a sua condição. E foi quando o Benfica passou pelo pior momento que Neres voltou a emergir para dar o toque de imprevisibilidade que parecia faltar à equipa. Um craque, que espero ver mais alguns anos de Manto Sagrado.

ANDREAS SCHJELDERUP – Tem dezoito anos, e isso (a menos que se trate de João Neves) diz quase tudo. Em todo o caso, a expectativa criada com a sua contratação foi, para já, defraudada. Vindo de paragem competitiva, demorou a aparecer. E depois, no pouco que apareceu, falo também da Equipa B, ficou longe de convencer. Não ficou provado que a troca de Diogo Gonçalves tenha sido benéfica para o plantel – que, no seu pior momento, careceu de opções de banco credíveis.

DIOGO GONÇALVES – Ainda participou em dez jogos, chegando a ser titular em dois. Schmidt até parecia gostar dele. Nunca foi um jogador brilhante, mas, pelo que disse atrás, talvez a sua dispensa tenha sido precipitada. Schjelderup nada acrescentou ao que Diogo poderia dar. Pelo contrário.

JULIAN DRAXLER – O grande flop do Benfica e porventura de toda a Liga. Era craque acima de suspeita, e vinha para fazer a diferença, mas as sucessivas lesões tiraram-lhe todo e qualquer protagonismo. Ainda jogou dez jogos, quatro como titular, mas o mais intrigante é que também nessa fase deixou uma imagem triste, pesada e sem cor. De bom, apenas as palavras de despedida, em que pediu desculpa aos benfiquistas por não ter ajudado mais. Que seja feliz e consiga recuperar pelo menos parte daquilo que já foi.

GONÇALO GUEDES – As semelhanças com Draxler são que veio emprestado, trazia grande expectativa, e sucessivas lesões tiraram-lhe protagonismo. A diferença é que ainda conseguiu ser importante, designadamente no início da segunda volta, quando suportou as ausências, quase simultâneas, de Ramos e Rafa. Além disso é um jovem da casa, o que facilitou a integração. Ao contrário de Draxler, pareceu sempre bastante feliz por estar cá, e se a sua condição física for debelável, espero que possa continuar.

CHER NDOUR – Fui surpreendido pela notícia de que estaria de saída, recusando-se definitivamente a renovar com o Benfica. Jogou uns minutos na Madeira, mas esteve no banco na maioria dos jogos da ponta final do campeonato. Schmidt parecia gostar dele, e o meio-campo precisa de alguém possante. Estranho estas opções de jovens que ainda não amadureceram e acham-se já muito melhores do que talvez um dia venham a ser. Como é possível um jovem recusar renovar pelo clube onde começava a ter oportunidades, que vai estar na montra milionária no próximo ano, e que tem sido um trampolim para a carreira de tantos craques portugueses e estrangeiros? É algo que me intriga. O mesmo é válido para Diego Moreira, que não jogou no campeonato, mas teve uns minutos das pré-eliminatórias da Champions.

GONÇALO RAMOS – Foi uma das estrelas do Benfica e do Campeonato, sendo neste momento o jogador com maior valor de mercado do plantel (o que faz com que dificilmente fique por cá). Demorou a convencer-me, e na fase final da época também se apagou ao ponto de muita gente (eu incluído) pôr em causa a sua titularidade. No meio realizou grandes jogos, marcando golos de todas as formas e feitios. Fosse responsável pelas grandes penalidades do Benfica e terminaria com cerca de trinta golos, só atrás de Haaland nas estatísticas dos principais campeonatos europeus. Acresce um Mundial extremamente afirmativo, e que lhe valeu grande notoriedade – ainda mais por estar directamente ligado à substituição de Ronaldo. É ainda muito jovem, e tem enorme margem para crescer, nomeadamente em termos atléticos, o que o dotará de maior resistência e capacidade de choque. Prevejo qualquer coisa como 80 milhões, e isso diz tudo.

PETAR MUSA – Chegou sem grande alarido, e a verdade é que foi uma bela surpresa. Está por saber o que valeria se fosse titular (e há jogadores que só rendem saídos do banco, lembram-se de Raul Jimenez?). A verdade é que sempre que entrou deixou a sua marca, com golos, assistências, bolas ganhas em duelos aéreos, e algumas coisas que nem Gonçalo Ramos conseguia dar aos jogos. Foi muito empenhado e importante, e talvez merecesse ainda maior utilização. Deixa grande expectativa para a próxima época.

CASPER TENGSTEDT – Quase diria o mesmo que disse de Schjelderup, com a diferença (importante) de que já não tem 18 anos. Sendo jogador feito, esperava-se muito mais. Acabou por não fazer muita falta, pois Ramos e Musa deram conta do recado. Mas cheira demasiado a flop. Oxalá esteja enganado e na próxima temporada justifique o dinheiro que custou – e também não foi pouco.

HENRIQUE ARAÚJO – Tal como Diogo Gonçalves por Schjelderup, também a substituição mo Inverno de Henrique por Tengstedt não provou trazer qualquer mais valia. O jovem madeirense ainda marcou na Dinamarca e em Israel. Mas também é verdade que não teve qualquer sucesso no seu empréstimo ao Watford, não sendo sequer titular na segunda divisão inglesa. Algo que me deixa desapontado, pois confesso que até acreditava mais nele do que em Gonçalo Ramos. Ainda não perdi a esperança, mas a próxima temporada pode dar a resposta definitiva sobre o futuro de Henrique Araújo – que está num momento chave da carreira, que tanto pode acabar no Real Madrid como no Odivelas.

RODRIGO PINHO – Entrou em quatro partidas, duas delas frente ao PSG. Muito marcado pelas lesões, nunca deixou perceber o que realmente valia. Acredito que, noutro contexto, pudesse ser uma espécie de Musa, embora com características totalmente diferentes. Deixa boa imagem, mas pouca utilidade para o clube.

ROMAN YAREMCHUK – Por diversas razões, algumas extra-desportivas, Roman Yaremchuk foi um jogador bastante simpático aos benfiquistas. Prova disso, a ovação dispensada aquando do Benfica-Brugge. Em campo, porém, e talvez fruto de circunstâncias, lá está, fora do âmbito do futebol, nunca provou ser o ponta-de-lança de que a equipa precisava. Na primeira época havia marcado uns golitos importantes. Nesta ainda participou nos dois primeiros jogos, e depois, sem espaço no plantel, porventura demasiado pesado na folha salarial, partiu para a Bélgica. As maiores felicidades para ele e sua família.

Treinaram com a equipa, e/ou estiveram no banco sem utilização no Campeonato ainda os seguintes jogadores: André Gomes, Helton Leite, João Tomé, André Almeida, João Victor, Gil Dias, Rafael Rodrigues, Paulo Bernardo, Martim Neto, Hugo Félix e Diego Moreira.

O GRITO QUE FICOU ATRAVESSADO

De todas as formas de festejar um campeonato, a minha não foi certamente das melhores. Depois de resistir durante mais de três anos, a covid apanhou-me, com uma pontaria lamentável, na véspera do jogo do título. Fui obrigado a assistir ao jogo e à festa pela TV, deitado com dores de cabeça e febre. Ironizando, diria que, para mim pessoalmente, este título foi à...Sporting 2021.
Escrevinhei por aqui o que pude, e como pude. Agora já estou bem.
Enfim... Trágico seria perder o Campeonato. Isso não aconteceu, mas sinto-me desde já credor de um 39 em grande para, daqui por um ano, festejar duplamente.
Assim que possível farei um pequeno balanço daquilo que foi a época do Benfica. Por agora fica esta justificação aos leitores para o facto de ter sido tão lacónico num momento que se queria tão empolgante.