1 - Quatrocentos milhões de euros! Impressionante!
Enquanto outros se entretinham a vociferar diariamente na comunicação
social, o nosso presidente assinava o maior negócio de sempre do desporto
português, mostrando, por um lado, a sua já conhecida sagacidade empresarial, e
por outro, a força cintilante da marca Benfica.
No momento em que escrevo, não são ainda conhecidos todos os detalhes
deste negócio milionário. Mas o que se sabe é mais do que suficiente para
afirmar estarmos perante um passo muito importante rumo à sustentabilidade
futura do Clube – que também se reflectirá, mais tarde ou mais cedo, na
competitividade das nossas equipas.
Sabemos que irão surgir tentativas de desvalorizar o que está em
causa. Já há quem se mostre particularmente empenhado nessa tarefa. Tal não
passa de dor de cotovelo de quem inveja a dimensão do Benfica – a qual não tem
paralelo em Portugal.
Não me importa que canal transmite os jogos, até porque normalmente os
vejo no estádio. Importa-me, sim, que o Clube rentabilize ao máximo a sua força
mediática, e é isso que esta direcção tem vindo a fazer de forma brilhante. Em
relação aos direitos televisivos, e não só.
2 – Ao que parece, FC Porto e Sporting estão empenhados em regressar
ao Ciclismo. Gostaria que também o pudéssemos fazer. Ostentamos uma roda no
emblema, e devemos uma parte importante da nossa implementação nacional aos
tempos em que, ainda com pouco futebol, José Maria Nicolau levava a camisola
vermelha (ou amarela, mas de águia ao peito) aos locais mais recônditos do
país. Talvez esta seja uma boa oportunidade para se pensar no assunto.
O REI VAI NU
Mediante as movimentações ocorridas no defeso, já se antevia uma
temporada futebolística marcada pela polémica. Porém, as piores expectativas
estão a ser superadas.
O Sporting sente a necessidade imperiosa de ser campeão. E parece não
olhar a meios para alcançar esse desiderato.
O investimento foi gigante, e a estratégia de altíssimo risco. Sem champions,
sem patrocínios, e sem vendas de jogadores, um título de campeão é a única
possibilidade que resta aos nossos vizinhos para equilibrar os deves e haveres,
sem colocar seriamente em causa o equilíbrio futuro - quando não houver perdões
bancários que lhes valham.
Daí, toda uma campanha de condicionamento da arbitragem nunca antes
vista, a qual, há que reconhecer, vai tendo sucesso.
A facilidade com que se marcam penáltis a favorecer o Sporting
contrasta com a dificuldade que os juízes encontram em vislumbrar faltas
evidentes na sua área, bem como na área dos adversários do Benfica. Os casos
vão-se somando. Em Braga, mais um penálti ficou por sancionar, agora sobre
Pizzi, desta vez sem consequências.
Nos três dérbis já disputados, e independentemente do futebol que cada
equipa jogou, a verdade é que ficou sempre uma grande penalidade por assinalar
dentro da área sportinguista (sobre Gaitán no Algarve, sobre Luisão na Luz e em
Alvalade). Podemos lembrar também o que se passou nos jogos Tondela-Sporting,
Arouca-Sporting, Benfica-Moreirense ou Arouca-Benfica. Qualquer aritmética
daria uma classificação bastante diferente da actual.
Até podemos fechar a boca. Mas não podemos fechar os olhos. E o que se
vai passando não é bonito de se ver.
EM NOME DA JUSTIÇA
Para o Benfica, perder é sempre mau. Perder com o Sporting, pior ainda.
Perder três vezes com o Sporting, deixa-nos profundamente frustrados e
magoados.
Na hora de fazer uma análise, a frustração e a mágoa não são boas
conselheiras. E, a frio, há muita matéria a ter em conta antes de avançar com
qualquer acusação extemporânea e injusta.
Centremo-nos no jogo de sábado. O Benfica perdeu em Alvalade, após
prolongamento, com o líder do campeonato, frente a um treinador que conhece muito
bem as nossas forças e fraquezas, com uma arbitragem infeliz (para ser brando),
tendo os jogadores lutado até à exaustão por um resultado diferente. Pergunto
eu: será uma derrota desta natureza, e nestas circunstâncias, motivo para, de
um momento para outro, colocar tudo em causa? Não creio.
Há que reconhecer que o plantel encarnado revela hoje carências que só
o mercado pode solucionar. Rui Vitória tem feito os possíveis, mas perante um
adversário que tão bem as conhece, torna-se muito difícil disfarçá-las.
O meio-campo e as faixas laterais da nossa equipa têm pouco a ver com
os tempos de Maxi Pereira, Fábio Coentrão, Matic ou Enzo Perez. A verdade é
que, por vários motivos, ainda não foi possível dar ao novo treinador as
condições de que dispôs o anterior. Acredito que isso venha a acontecer, e
ainda a tempo de alcançar o principal objectivo da temporada: o tri-campeonato.
Em Janeiro teremos Nélson Semedo e Sálvio. E talvez mais alguém.
Para já, há que apoiar incondicionalmente estes jogadores, e este
técnico, que estão a trabalhar seriamente para que os resultados apareçam. O
balanço far-se-á no fim.
À VITÓRIA
Amanhã há Taça, e talvez estejamos perante o primeiro dérbi lisboeta da
última década em que o favoritismo pende para o lado de lá.
Três ordens de razões concorrem para tal. Em primeiro lugar (com menor
grau de importância) o factor “casa” sempre confere a quem dele beneficia uma
certa vantagem relativa - basta consultar as estatísticas históricas. Em
segundo lugar, há que dizer que teremos pela frente o líder do Campeonato, com
toda a confiança que esse estatuto lhe confere, enquanto nós, com muita
juventude na equipa, ainda andamos à procura de um ritmo cruzeiro que se
enquadre na identidade competitiva que recentemente adoptámos. Por último, e
com grande relevo num “tête-à-tête” desta natureza, teremos de admitir que vai
estar do lado oposto um técnico que conhece as forças e fraquezas da nossa
equipa como a palma das suas mãos, aspecto que, a meu ver, pesou decisivamente,
quer no jogo da Supertaça, quer na partida da Luz para o Campeonato, com os
resultados que conhecemos.
Partir com menos favoritismo pode influenciar as casas de apostas, mas
não deve inibir o Benfica de jogar para ganhar. Um dérbi é um dérbi, e o
Benfica é o Benfica.
A quem já venceu no Vicente Calderón (onde o favoritismo do adversário
era muito mais acentuado), tudo é possível. Recorde-se também a excelente
primeira parte feita no Dragão, à qual só faltaram os golos. Jogando com a
intensidade evidenciada nessas ocasiões, contando com a inspiração dos principais
artistas (falo de Gaitán e Jonas), e tendo do nosso lado a pontinha de sorte
que protege os campeões, creio que ultrapassaremos esta eliminatória.
O CAPITÃO
A história do Benfica está recheada de grandes jogadores, e de grandes
capitães.
Homens que transportaram a mística pelos estádios de Portugal e da
Europa, homens que personificaram vitórias e ergueram troféus, homens que inscreveram
o seu nome, a letras de ouro, na memória colectiva do benfiquismo.
Lembro-me de Toni, de Humberto Coelho, de Manuel Bento. Já não vi
jogar Mário Coluna, mas qualquer benfiquista sabe bem o que ele representou
para o clube. Orgulho-me do simples facto de ainda o ter podido cumprimentar
pessoalmente.
Cada um na sua dimensão, cada um a seu tempo, estes nomes foram
símbolos do Benfica. Todos eles escreveram pedaços de história pelo seu próprio
punho.
No século XXI, creio que um só jogador atingiu semelhante nível de
simbolismo na nossa equipa de futebol. Esse jogador chama-se Anderson Luís da
Silva, vulgo Luisão.
Grandes craques passaram entretanto pelo clube. Mas a volatilidade do
mercado que caracteriza os tempos modernos não permitiu que se fixassem por muitos
anos entre nós. A dimensão superior de Luisão resistiu a tudo isso, e este
brasileiro (ou português, ou simplesmente benfiquista) entrou para a nossa
família, construiu doze anos de carreira de águia ao peito, e promete não ficar
por aqui.
Inevitavelmente, um dia Luisão deixará de jogar. A lei da vida não
permite excepções. Mas não tenho dúvidas de que esse dia ainda está demorado,
tal a forma como o nosso capitão se exibe, como comanda a equipa, como sua a
camisola que veste, como dá o exemplo aos mais novos.
Luisão já está na história. Já escreveu história. Mas o ponto final
ainda vem longe.
À BENFICA
Enquanto a equipa de futebol, com todas as transformações ocorridas na
pré-temporada, atravessa ainda um natural período de adaptação ao seu novo
paradigma, as modalidades do Benfica evidenciam já, de forma bem clara, a
matriz triunfante que caracterizou toda a época passada.
Vejamos: em jogos do campeonato, nas cinco principais modalidades de
pavilhão, os encarnados contam neste momento com a impressionante cifra de 33
vitórias em 34 jogos realizados. A única derrota veio do andebol, e de uma
partida disputada no Porto.
Não constando o Carcavelinhos de nenhum dos campeonatos, diga-se que
em hóquei já vencemos em Viana, goleamos o Sporting (9-0), e ganhámos ao
Barcelos; em basquetebol vencemos o FC Porto; em futsal ganhámos no Fundão, ao
Sporting e ao Beleneneses; em andebol triunfámos ante o Madeira e o ABC; e em voleibol
ganhámos em Espinho e nos Açores.
Estes números não nos surpreendem, tendo em conta a extraordinária
qualidade das nossas equipas. Com jogadores com passado na NBA no basquetebol,
com titulares da selecção espanhola no hóquei, com a espinha dorsal das equipas
campeãs de futsal e voleibol, e com uma aposta declarada em jovens talentos no andebol,
o Benfica apresenta-se como forte candidato a ganhar todas as provas nacionais
em que participa, tendo inclusivamente fundamentadas ambições europeias em algumas
das modalidades referidas - todas elas objecto de participação internacional.
Esta reiterada força do nosso ecletismo merece que enchamos os
pavilhões. Merece um apoio incondicional de todos os sócios e adeptos, pois o
Benfica é mais, muito mais, do que futebol.
VITÓRIA NA DIGNIDADE
O resultado do dérbi esteve longe de corresponder às nossas
expectativas. Expectativas legítimas de quem, já nesta época, havia visto o
Benfica cilindrar o Belenenses, ou vencer categoricamente no Estádio Vicente
Calderón.
O adversário foi feliz. Abriu o marcador num momento em que o Benfica
até dominava, e teve mérito no aproveitamento das falhas que fizeram avolumar o
resultado.
Com 0-3 ao intervalo, restava à nossa equipa jogar com
profissionalismo. E fê-lo.
Estivesse o árbitro num plano de maior acerto, e os números poderiam
ter sido diferentes. Mas, se formos justos, saberemos reconhecer que, neste
jogo, o Benfica não foi a melhor equipa em campo.
Se perdemos em futebol, temos também de dizer que ganhámos em
dignidade. O que se passou na Luz a meio de uma segunda parte onde as
esperanças de um resultado positivo eram já meramente académicas, vai ficar na
memória de todos os que assistiram, participaram e sentiram. O Benfica é
aquilo. E se tantas vezes se fala de falta de cultura desportiva em Portugal,
ora ali esteve um exemplo da forma como deve ser vivido o futebol, e de como
deve ser apoiada uma equipa, nas horas boas, e nas horas más. De resto, toda a
partida decorreu com correcção, dentro e fora de campo, o que, depois de
semanas de polémica, não poderá deixar de ser enaltecido.
O sorteio da Taça deu-nos uma boa oportunidade de desforra. Vamos
aproveitá-la.
Quanto ao campeonato, ganhando na Madeira, poderemos estar a 5 pontos
do primeiro lugar. Basta recordar o que aconteceu em algumas das últimas
temporadas para perceber quão insignificante pode ser essa desvantagem.
SEM SENTIDO
Para além de patriota, sou também adepto da selecção nacional, em
particular, e do futebol de selecções, em geral. E é por sê-lo, que há muito
defendo uma reconfiguração dos calendários competitivos a este nível. A lesão
do nosso Nélson Semedo apenas vem reforçar esta minha convicção.
Não creio que faça sentido interromper a temporada clubista para
realizar jogos de qualificação, seja para Europeus, seja para Mundiais. Seria
muito mais interessante para os adeptos, e menos penalizador para os clubes,
que as fases de qualificação fossem integralmente realizadas no final de cada
época – no mês de Junho.
Estas paragens a meio de campeonatos e de provas europeias são uma
espécie de anti-climax no entusiasmo do adepto, forçando-o a um contorcionismo afectivo
para lhes permitir apoiar figuras que, nas semanas anteriores, e nas semanas
seguintes, estiveram e estarão noutros lados da barricada das emoções. Iniciado
o defeso clubista, então sim, haveria todo o espaço para o afecto patriótico, e
para um entusiasmo muito maior com o futebol de selecções – à semelhança do que
geralmente acontece aquando das fases finais das grandes provas.
Para os clubes, estas pausas são um calvário. Os jogadores são
forçados a viagens longas, a diferentes métodos de trabalho, a cargas físicas
que por vezes rompem com o planeamento feito pelos seus treinadores, e estão
sujeitos a lesões que os prejudicam a si, e prejudicam seriamente quem lhes
paga os salários. Ou seja, se as selecções têm pouco ou nada a ganhar, os
clubes têm tudo a perder.
Não tenho dúvidas que isto um dia mudará. Só não sei quando.
CHEGOU A HORA
Ao longo das últimas semanas, o Sport Lisboa e Benfica, os seus sócios
e adeptos, e o desporto português em geral, têm sido alvos de uma ofensiva sem
precedentes.
Um arrivista sem nível, à procura de popularidade barata, socorreu-se
dos meios mais infames para, em bicos de pés, fazer os seus números. Grita
todos os dias, à espera que o oiçam. De disparate em disparate, vai subindo o
tom, não escondendo irritação pela ausência de resposta.
Para além de dois ou três papagaios de ocasião, o eco surge através
das páginas de um diário desportivo que, pela sua história, e por respeito aos
leitores, jamais deveria prestar-se ao triste papel de “voz do dono” – sendo que
aqui é o dono que ladra, e o cão só abana a cauda.
Muito bem, o Benfica tem sabido manter a serenidade. Ao contrário do
que pretendiam dono do cão e cão do dono, toda esta fumarada apenas serviu para
nos unir ainda mais, inflamando também o orgulho dos nossos jogadores e
técnicos. Não precisávamos de tanto. Mas agradecemos a ajuda.
A resposta para a imbecilidade é o silêncio. A resposta para a
provocação é dada em campo. E o ruído virá das bancadas – que fervilharão de
benfiquismo como nunca.
Chegou a hora de dono (ou cão) terem o que merecem. No domingo, às
17.00, vamos responder-lhes como mais lhes dói: com uma grande vitória, com uma
vitória à Benfica.
Veremos como rapidamente se colocam no devido lugar. Veremos como toda
a gritaria se dissipa. Veremos como baixam as orelhas, e fogem com a cauda
entre as pernas.
Então, regressaremos aos plácidos tempos em que os animais não
falavam. Regressaremos à normalidade.
FUTEBOL FANTASMA
O adiamento do União-Benfica levanta questões subjacentes que, mais
tarde ou mais cedo, terão de ser objecto de reflexão profunda.
Na origem do caso está a inexistência de um estádio com condições para
um clube disputar os seus jogos, problema que já se colocou esta temporada em
Tondela e em Arouca.
Diga-se que estes e outros clubes da primeira liga, além de não terem estruturas,
também não têm… adeptos. Ou seja, são realidades mais ou menos fantasma, que,
suponho, apenas servem para satisfazer caciquismos locais sem qualquer expressão
popular. São inexistências desportivas, cujo lugar jamais poderia ser num
campeonato altamente profissionalizado.
Conheço razoavelmente a realidade de pequenos clubes e de pequenas
cidades, e intriga-me como se financiam os Moreirenses, os Aroucas, os Uniões e
os Tondelas. Não sei como pequenos municípios, ou mesmo freguesias, com pompa,
mas sem circunstância, alimentam clubes de primeira divisão, recheados de
jogadores estrangeiros, sem bancadas, sem sócios, nem adeptos. Também é
estranho que a região autónoma da Madeira (cuja beleza tanto admiro, e cujas
gentes muito prezo) mantenha três clubes (!!!) no principal campeonato. Recordo,
por exemplo, que o Algarve está à margem do futebol maior, para não falar em
todo o interior do país, ou até nos Açores.
Se queremos um campeonato
equilibrado, competitivo, espectacular, e com estádios cheios, este não é o
caminho. Com metade dos clubes, estruturas à altura, e paixão nas bancadas (e
já agora, também com ordenados em dia), o futebol português poderia atingir o
nível que merece. Haja bom senso para tal.
UM ARTISTA
É natural que, num debate televisivo onde participam adeptos de três
clubes, as vozes por vezes se elevem, e os ânimos por vezes aqueçam. Sempre foi
assim desde que o modelo existe, e embora o grau de esclarecimento seja quase
sempre baixo, o grau de entretenimento torna-se compensador para quem aprecia o
estilo. As audiências sobem, as estações agradecem. Quem não gosta, não vê.
O que já não é normal é o presidente de um grande clube aceitar
expor-se a registos desta natureza, colocando-se ao nível do simples adepto sem
responsabilidades, debitando retórica comprometedora para o clube que dirige, e
envergonhando aqueles que era suposto representar.
A figura que o presidente do Sporting fez na TVI24 entristece-me
enquanto adepto do futebol. Independentemente das rivalidades, habituei-me a
ver em Alvalade dirigentes cujo comportamento cívico era inatacável. João
Rocha, Amado de Freitas, José Roquette e Dias da Cunha são apenas alguns
exemplos. Agora, olhamos para o outro lado da rua, e vemos um artista sem
categoria, cujas habilidades chocam aqueles que prezam um futebol acima do
nível da taberna. Quando se juntam os holofotes do mediatismo à mediocridade, o
resultado é este.
Fundos, empresários, jornalistas, jogadores, treinadores, funcionários,
antigas glórias, árbitros, dirigentes, ex-dirigentes, clubes, UEFA,
comentadores, grupos de adeptos, hotéis, etc. Todas as guerras servem para ganhar
popularidade, num indivíduo que não consegue esconder o deslumbramento pela sua
nova vida de figura pública.
Infelizmente, também já tivemos disto cá em casa. Conhecemos a
espécie.
Pobre Sporting.
JORNADA DE ELEIÇÃO
1.Recuperados dois pontos a ambos os rivais, antecedendo paragem para
selecção e Taça de Portugal, e na antecâmara de um Benfica-Sporting, o jogo de
domingo, frente ao União, é muito mais importante do que parece.
Ganhar significa, pelo menos, manter as distâncias, e encarar o dérbi
com a força de quem pode chegar-se à frente. Atrasar-nos neste momento
acrescentaria pressão à nossa equipa, e - muito importante – retirá-la-ia aos
rivais. Creio ser mais provável vencer o dérbi se a ele chegarmos a apenas dois
pontos, do que no caso de o resultado do Funchal nos atirar para longe da
liderança.
Ao contrário do que tem acontecido na Luz – onde o Benfica é rei e
senhor -, fora de casa ainda não encontrámos o caminho das vitórias. Está é uma
bela ocasião para afastar também esse estigma. Eu voto numa vitória clara do
Benfica.
2. Numa altura em que o nosso vizinho procura, em várias frentes,
retomar a competitividade de que há muito andava arredado, todos os dérbis
lisboetas (do futebol ao matraquilho) terão de ser encarados com crescente importância
estratégica. Infelizmente, supertaças de futebol e (agora) hóquei em patins, e taça
de honra de futsal, voaram para o lado de lá da rua, servindo apenas para os
galvanizar. Não podemos voltar a dar-lhes a mão de forma tão generosa.
Espera-se um rápido ponto final nesta triste sequência, e a retoma da ordem
natural das coisas.
3. De basquetebol e voleibol esperam-se dois troféus para este sábado.
A equipa de Carlos Lisboa já alcançou uma conquista. A de José Jardim
estreia-se oficialmente. Há que manter a senda triunfante da última temporada.
DERROTADOS, MAS...
Não existem vitórias morais. O Benfica perdeu o clássico, e, como tal,
ninguém na família benfiquista pode estar minimamente satisfeito. Acresce que
esta foi a segunda derrota em outros tantos jogos fora de casa, o que, não
sendo dramático, não pode deixar de constituir matéria de reflexão.
Dito isto, é preciso dizer também que da partida de domingo ficaram
algumas notas positivas.
A primeira parte foi bastante bem conseguida. Não me recordo, nos anos
mais recentes, de entrada tão forte do Benfica no Estádio do Dragão. Ao
intervalo, o melhor em campo era claramente o guarda-redes do FC Porto, que já
evitara dois golos cantados.
A equipa encarnada apresentou-se personalizada, com os sectores muito
juntos, funcionando em harmónio, tanto a defender como a atacar. Os jovens não
tremiam (excelente exibição de Nélson Semedo), e, na frente, Mitroglou abria
espaços e criava perigo. O FC Porto não conseguia, sequer, aproximar-se da
nossa baliza.
No segundo período tudo mudou. Para sermos justos, há que dar mérito à
equipa da casa, que apareceu transfigurada. Terá faltado, então, alguma
inspiração aos artistas Jonas e Gaitán para que o Benfica conseguisse sacudir a
pressão a que foi submetido. O tempo ia passando e, a cinco minutos do fim da
partida, o resultado esperado era o empate. Aí, faltou a sorte do jogo. A sorte
que havíamos tido, por exemplo, na época anterior – quando alcançámos uma
vitória carregada de felicidade.
Nada está perdido. Se a nossa equipa jogar sempre como naqueles 45
minutos, certamente perderá poucos pontos no resto do campeonato. E no fim,
faremos as contas.
MEIA DÚZIA
Chame-se-lhe nota artística ou outra coisa qualquer (o nome é
indiferente), a exibição conseguida pelo Benfica diante do Belenenses fica nos
registos, para já, como a melhor da temporada. Vou mais longe: mesmo puxando
pela memória, não me recordo de qualquer partida da época anterior na qual o
perfume do futebol apresentado pelos encarnados tenha atingido o esplendor evidenciado
na passada sexta-feira na Luz.
Com Gaitán e Jonas endiabrados (que dupla!), com um Mitroglou muito
activo no seu papel de jogador de área capaz de marcar e criar espaços, com
Talisca de regresso aos golos, com dois jovens da formação a titulares - e
outro entrado mais tarde, terminando a partida com cinco portugueses em campo
-, o Benfica deliciou os adeptos, e garantiu, não só estar firmemente empenhado
na conquista do tri-campeonato, como ter instrumentos para lá chegar.
Quem duvidava que Rui Vitória poderia devolver ao futebol encarnado o
encanto de outras temporadas terá ficado esclarecido. Uma exibição como esta só
está ao alcance de equipas que sabem muito bem o que estão a fazer, que sabem muito
bem o que querem, e como o alcançar. Ficou pois uma promessa. Esperamos vê-la
concretizada nas próximas semanas – começando já por este domingo, na
deslocação ao Porto.
Entretanto, já depois de ter escrito estas linhas, jogou-se para a
Liga dos Campeões. Acredito que o resultado tenha sido normal. Assim como
acredito que o Benfica ultrapasse a fase de grupos, algo que, desde 2006, só por
uma vez conseguiu. O grupo não é proibitivo. Cabe à nossa equipa não facilitar,
sobretudo nos jogos em que é favorita.
ESCLARECEDOR
Duas entrevistas a dois diários desportivos portugueses, duas personalidades
bem distintas, dois discursos bem diferentes.
No jornal “A Bola”, um verdadeiro homem de estado fala sobre o futuro
da instituição a que preside, denota confiança, transborda determinação quanto
ao rumo que pretende seguir. Respeita os adversários. Com humildade, sabe que
não poderá vencer sempre, mas acredita que pode vencer mais vezes do que os
outros. Muito importante: garante que, com ele, o futuro do clube jamais será
hipotecado.
No jornal “Record”, um indivíduo ressabiado ajusta contas com o
passado. Do alto da sua ilimitada vaidade, desrespeita aqueles que o levaram ao
topo, dispara a vários colegas de profissão, e mostra um revelador desapego face
aos que hoje lhe pagam o principesco ordenado que aufere. Há três meses estava
num clube, agora está num rival, e já ameaça partir para outro. Vai com quem
pagar mais, tal como certas senhoras que, por vezes, vemos na estrada. Admite
que andou a brincar com o Benfica e com o seu treinador, na antecâmara da supertaça.
Mas a principal pérola da entrevista surge quando, candidamente (?), faz a
seguinte afirmação: “nunca vão conseguir pôr os adeptos do Benfica contra mim”.
Ou está a rir-se de nós, ou vê muito pouco para lá das quatro linhas de um
campo de jogo. Deveria saber que foi ele próprio a colocar os adeptos do
Benfica contra si, saindo pelas traseiras, deitando todo um passado para o
lixo, e transformando-se, num sopro, em figura menor na história do clube. Talvez
seja preciso explicarmos-lhe melhor. Talvez à oitava jornada o entenda
devidamente.
UMA TRADIÇÃO
Não fossem dois erros de arbitragem registados em Aveiro, e o Benfica
estaria, pelo menos, a par dos seus dois rivais no topo da classificação. Não
fosse a inspiração de Gaitán e Jonas, e outro erro clamoroso de arbitragem
ter-nos-ia subtraído mais dois pontos na partida com o Moreirense. Já nos jogos
do nosso vizinho lisboeta, vimos um lançamento irregular proporcionar um golo
decisivo aos 95 minutos da primeira jornada, e, nesta última ronda, vimos
assinalados mais dois penáltis a seu favor – um dos quais a deixar bastantes
dúvidas.
Paradoxalmente, o que se assiste é a um irritante ruído em torno de
alegados prejuízos do Sporting, que começa nos comunicados insultuosos do
presidente nas redes sociais, e acaba no proverbial queixume de comentadores
televisivos alinhados com o clube de Alvalade.
É uma tradição. Os romanos tinham os jogos florais, o Sporting
queixa-se das arbitragens. E fá-lo recorrendo a uma retórica simplista, que
repete até à náusea cada erro (ou pseudo-erro) verificado contra as suas cores,
ignorando olimpicamente todos os erros ocorridos a favor – mesmo quando estes
são bem mais flagrantes.
Nem a arbitragem portuguesa, nem o Benfica, têm nada a ver com o que
se passou no Playoff da Liga dos Campeões. Aí, no plano externo, todos os
clubes portugueses têm as suas razões de queixa. Nós, por exemplo, perdemos uma
final europeia há bem pouco tempo devido a uma arbitragem calamitosa. Com muito
menos barulho.
Misturando tudo, pretendem confundir a opinião pública, e, sobretudo,
condicionar os jogos seguintes. A nós não perturbam nem confundem. Aos
árbitros, veremos.
A TEMPO DE CORRIGIR
Era importante conquistar a Supertaça. Era importante entrar na temporada a vencer. Era importante ganhar moral. Era importante responder, em campo, ao discurso arruaceiro que ouvimos do outro lado. Os nossos jogadores deram tudo, mas esse tudo não foi suficiente para derrotar um adversário muito reforçado e muito confiante. Ficámos sem um troféu, mas julgo que percebemos o que há a fazer para que os principais objectivos da época possam vir a ser alcançados.
O onze escalado foi o mais forte do momento. As substituições até melhoraram a equipa. Mas não podemos ignorar que, para esta temporada, ficámos sem três titulares indiscutíveis (com Luisão, quatro neste jogo), e que a única contratação à altura do onze base (Mitroglou), com poucos dias de trabalho, evidenciou uma condição física ainda deficiente. Do outro lado tivemos um rival que apresentou quatro reforços como titulares, aparentemente já bem integrados nos mecanismos colectivos. Não custa a admitir que o Sporting ganhou com justiça.
Há mercado até ao fim do mês. Estou seguro de que o mesmo vai ser aproveitado para corrigir os desequilíbrios que se notam, e que no Campeonato (pai de todos os objectivos) teremos um Benfica forte e afirmativo, capaz de se superiorizar a adversários bastante bem apetrechados. Também o Bayern de Guardiola, e o Chelsea de Mourinho, perderam as suas Supertaças. Nem por isso hipotecaram o que quer que fosse, e estão aí, prontos para os combates que têm pela frente. Tal como nós.
Uma palavra final para Jonas: a sua atitude no final foi de Homem, de Líder, e de Capitão. Destes é que precisamos.
AGORA A SÉRIO!
A pré-época já lá vai.
Terminou o período dedicado às experiências, onde existe margem para
errar, e os resultados não são mais que um mero detalhe. Jogadores e técnicos
cumpriram o plano de trabalhos delineado, a equipa preparou-se, e testou o que
havia para testar. Agora é a sério.
A Supertaça abre portas à temporada oficial. Trata-se de um troféu importante,
que pode também servir de mola impulsionadora para uma época vitoriosa. Em
ocasiões recentes, verificámos o quanto pesa uma Supertaça na moral de quem a
disputa, e as consequências que tem para as competições posteriores. Ainda há
um ano, o triunfo sobre o Rio Ave, em Aveiro, deitou para trás das costas o
cepticismo que já se estava a criar, e inaugurou um ciclo de vitórias que terminaria
no Marquês. Uns anos antes, recordo-me, pelo contrário, de uma derrota com o FC
Porto marcar negativamente toda a temporada que se lhe seguiu.
E esta é uma Supertaça muito especial. Trata-se de um
Benfica-Sporting, e como se a força simbólica do “dérbi eterno”– com tudo o que
ele, só por si, significa – não bastasse, os encarnados terão pela frente o seu
ex-treinador, num reencontro que não pode deixar de apimentar ainda mais a
ocasião, e que deve servir-nos de motivação suplementar. Podemos, desde já,
começar a demonstrar que a estrutura que suporta o nosso futebol não depende de
nenhum funcionário, e que os títulos não se transportam numa qualquer mala de
viagem.
Perante todas as circunstâncias que a rodeiam, talvez esta seja a
Supertaça mais importante de sempre. O estádio vai estar cheio. O apoio será total.
Venha de lá a vitória!
A AMARELO
Concluído o Tour de France, aí está a Volta a Portugal. Na ausência de
futebol a sério, são as bicicletas que ocupam o seu lugar.
Paisagem, aventura, esforço, cores, dramas, mitos, povo, heróis e
alguns vilões, fazem do ciclismo um espectáculo maravilhoso. Parece feito de
encomenda para a televisão, proporcionando longas horas de transmissão directa,
conduzindo o espectador por montanhas e vales, como se ele próprio estivesse de
viagem. Doping? Existe em todo o desporto profissional, e esta é certamente a
modalidade mais controlada.
Enquanto amante de ciclismo, e enquanto benfiquista, não posso deixar
de me associar aos muitos que sonham com o regresso do clube às estradas, mesmo
sabendo quão difícil seria materializar tal sonho no imediato.
O ciclismo não vende bilhetes. Vive da publicidade, e custa dinheiro
(500 mil euros/ano, para uma equipa ganhadora a nível nacional). As empresas interessadas
em investir pretendem um nível de visibilidade que a marca Benfica – se a elas
associada – ofuscaria. A nossa última incursão neste mundo não correu nada bem.
Creio, porém, que o Benfica carrega esta dívida para com a sua
história. Ostenta uma roda no emblema, e deve grande parte da sua popularidade
a nomes como José Maria Nicolau, que levavam as camisolas vermelhas até aos
locais mais recônditos do país, quando nem sequer existia campeonato de
futebol.
Falta pouca coisa para que o nosso Benfica seja integralmente
devolvido àquilo que foi no passado. O regresso ao ciclismo poderia ser um
desafio para um dos próximos mandatos de Luís Filipe Vieira. Seria a cereja no
topo do bolo.
A BOM RITMO
Não dou mais importância aos jogos de preparação do que a que eles
realmente têm. Constituem uma ferramenta de trabalho útil para jogadores e
técnicos, mas, competitivamente, o seu interesse é reduzido, ou mesmo nulo.
Antigamente havia curiosidade em conhecer os novos jogadores e a nova
equipa. Mas desde que o mercado futebolístico se transformou numa interminável
feira, ao longo da qual, até dia 31 de Agosto, ninguém sabe quem fica, quem
sai, ou quem entra, esta fase perdeu o pouco encanto que lhe restava.
Por isso, uma derrota em torneios particulares, por mais prestigiantes
que sejam, não incomoda nada. Dispenso títulos de pré-época, e ainda recordo anos
em que tudo parecia maravilhoso em Julho, para se tornar angustiante em Maio. Ultimamente
tem sucedido o contrário, e não me importaria de continuar neste registo.
Não deixei, porém, de ver o jogo do último fim-de-semana. E até gostei
da primeira parte, onde a base da equipa bi-campeã apareceu solta e alegre,
prometendo bom futebol e vitórias. No segundo período, as substituições
quebraram o ritmo, e o jogo tornou-se tristonho. Nada que preocupe.
Se para o lado direito da defesa, Sílvio e André Almeida parecem opções
válidas, ainda não vi quem possa fazer de Sálvio (até Janeiro), ou de Gaitán
(se a venda deste se vier a confirmar). Mais um ponta-de-lança, capaz de
discutir a titularidade, também não seria demasiado, pois a época é longa. De
resto, a equipa afigura-se consistente, não necessitando de grandes revoluções.
Dia 9 de Agosto as coisas serão a sério. Até lá, há que trabalhar
tranquilamente, com entusiasmo e confiança.
SERENIDADE
Serenidade é talvez a palavra que melhor define o momento da
pré-temporada benfiquista.
Pode parecer estranho, depois das saídas de treinador e sub-capitão para
emblemas rivais. Mas percebe-se, quando se fala de um Bi-Campeão nacional.
O paradoxo desta pré-temporada é, aliás, a forma como os três principais
clubes estão a lidar com as circunstâncias.
Do lado de cá, a resposta à fuga - ou traição, ou deserção, ou aquilo
que lhe quisermos chamar – dos dois elementos acima referidos, não podia ter
sido mais adequada. Como alguém disse, tanta calma até parece incomodar a
concorrência. O Benfica, que em tempos resistiu à perda de uma figura maior
como foi Eusébio, é demasiado grande para depender de figuras menores, cujo
lugar na história acaba de ser apagado pelos próprios. Em Agosto, ninguém se
lembrará das ausências, e a vontade de vencer poderá mesmo sair reforçada.
Na vizinhança, pós-loucura financeira em torno de um novo técnico, por
entre guerras com ex-presidentes, ex-treinadores, processos disciplinares,
justas causas, perdões bancários e contratos rasgados, as notícias vão
apontando para sucessivos falhanços na contratação de jogadores. Ou me engano
muito, ou em breve assistiremos também a uma debandada dos principais
titulares.
Mais a norte, o desespero também dita leis. Com membros da direcção a
contas com a justiça, a regra parece ser, contrata-se primeiro, e, quanto a
dinheiros… logo se vê. Algo me diz que não vai correr bem.
Enquanto isso, no Seixal trabalha-se. Com confiança e entusiasmo. Rumo
ao tri.
Pressão? Loucuras? Ficam para os outros. Nós só queremos os títulos.
TRISTE FIGURA
Apenas 40 dias decorrem entre duas imagens fortes. Primeiro, vê-se uma
criatura, aos saltos, no relvado da Luz, acompanhando os cânticos dos adeptos
do Benfica, na comemoração de um título. Depois, a mesma criatura, aos saltos, no
relvado de Alvalade, acompanhando os cânticos dos adeptos do Sporting, como novo
membro da tribo.
Benfica e Sporting são rivais há mais de um século. Em apenas 40 dias,
salta-se num lado, salta-se no outro, e salta-se de um lado para o outro, como
se a história não existisse, e como se não fosse a história, e a paixão do povo,
a permitir que um simples treinador de futebol possa hoje auferir quatro, ou
cinco, ou seis milhões de euros por ano.
Chamem-me romântico, chamem-me ingénuo, chamem-me até retrógrado. Mas
este não é o futebol de que aprendi a gostar – no qual havia algum pudor, e uns
quantos zeros não legitimavam todo o tipo de comportamento. O futebol resume-se
à emoção, e quem dele pretender retirar essa componente, corre o risco de lá não
deixar nada.
Cresci a chorar pelo Benfica. E a respeitar, também, quem chorava por
outros emblemas. Não aprecio cristãos novos, e muito menos traições.
Não embarco no discurso da gratidão. Nós, que pagamos quotas, cativos,
bilhetes, deslocações, e ainda compramos camisolas e cachecóis, que apanhamos
chuva, sol e trânsito, para nos sentarmos no nosso lugar a sofrer pelo clube
que amamos, nunca seremos devedores de nada, neste meio que se vai tornando
cada vez mais indiferenciado e obscuro.
Os que nele ganham milhões, esses sim, devem a todos nós o estatuto de
que desfrutam. E devem-nos, sobretudo, respeito.
MUNDO CÃO
Confesso que, aos 45 anos de idade, o mundo do futebol ainda consegue
surpreender-me pela negativa.
Aquilo que me intriga é o seguinte: o que faz com que um profissional,
em final de carreira, com situação financeira confortável e futuro assegurado, despedace
uma imagem construída ao longo de quase uma década, ignore olimpicamente a
paixão de milhões de adeptos, volte as costas à possibilidade de inscrever o
nome na história junto das grandes lendas, e feche uma porta que poderia vir a abrir-se
no futuro, tudo em troca de mais uns patacos no recibo de vencimento?
Não falo de um jovem com a carreira por construir. Também não falo de gente
com um ou dois anos de casa, sem o vínculo emocional que só o tempo robustece.
Nem de quem ganhe, vá lá, 100 mil euros por ano. Falo de alguém experiente,
respeitado como símbolo de um clube, e que já aufere dez vezes aquele valor.
Trouxe aqui o tema, a outro propósito, há umas semanas atrás. Nunca é
demais repetir: os montantes milionários que o futebol movimenta, e os gordos
salários que jogadores e treinadores de topo recebem, devem-se, exclusivamente,
à paixão dos adeptos. Um cirurgião ou um juiz não terão certamente menos
responsabilidades. Só não têm quem os idolatre, nem amor clubista que lhes
pague. Não perceber isto, é não perceber nada. Ignorar isto, é cuspir no próprio
prato.
Profissional não pode ser sinónimo de mercenário. Não é assim em
profissões menos recompensadas, pelo que jamais deveria sê-lo numa actividade
que deve tudo, mas mesmo tudo, aqueles que enchem os estádios, vibram com os
clubes, e choram na derrota e na vitória.
O NOSSO TREINADOR
À medida que a poeira assenta, a nação benfiquista vai-se congregando
em torno do novo treinador.
Qualquer mudança traz sempre alguma ansiedade associada. Sobretudo quando
parte de uma base de sucesso. Diz-se que as grandes reformas devem fazer-se na quietude
do triunfo, e não no tumulto do fracasso. O certo é que a volatilidade dos
tempos modernos não permite dormir sobre êxitos findos. Ela obriga a reinventar
para manter o rumo. O passado respeita-se, e evoca-se, mas é o futuro que deve
orientar a acção. O futuro do futebol encarnado chama-se agora Rui Vitória.
O técnico ribatejano chega ao nosso clube bastante mais jovem, e traz
na bagagem um currículo bastante mais composto, que o do anterior treinador em
2009. Vem com a ambição e a energia de quem quer conquistar o mundo. Traz,
ainda, um suplemento de alma importante numa actividade que vive de paixões: é
benfiquista. É um dos nossos!
A humildade com que afirma que irá manter o que está bem, abona em seu
favor. O discurso afirmativo, confiante e clarividente também. É um homem do
futebol, mas não é um homem apenas do
futebol. Acredito que, mais do que para transformar, ele vem para acrescentar.
Em Agosto, quando as competições oficiais se iniciarem, todos seremos
um só. O novo treinador, um renovado plantel (certamente competitivo, e com a
mesma sede de ganhar), e os mesmos adeptos de sempre – aqueles que fazem do
Benfica o gigante que é, e que, com diferentes treinadores, com diferentes
jogadores, vão festejando campeonatos sucessivamente. Já vamos em 34. O próximo
é o 35º. E este será com Rui Vitória sentado no banco.
ANO DE OURO
Campeão de Futebol, Hóquei em Patins, Basquetebol, Voleibol, Futsal e
Atletismo, vencedor das Taças de Portugal de Hóquei, Basquetebol, Voleibol e
Futsal, vencedor das Supertaças de Futebol, Basquetebol e Voleibol, das Taças
da Liga de Futebol e Basquetebol, entre outros troféus, no sector masculino e
feminino (e aqui, destaque para as meninas do Hóquei e o seu magnífico “penta”,
com título europeu incluído), nos seniores ou nas camadas jovens, pode dizer-se
que nunca o Benfica ganhou tanto.
Por exemplo, se atendermos apenas a campeonatos, e às sete principais
modalidades (as já referidas, mais o Andebol), o máximo histórico de títulos
numa só temporada era de quatro. Esta época vencemos seis!
Enquanto outros afirmam, sem se rir, ser a maior potência desportiva
do país, nós conquistamos os campeonatos, os bi-campeonatos, os
tri-campeonatos, os tetra-campeonatos, os penta-campeonatos, as dobradinhas e
os tripletes, nos relvados, nos pavilhões ou nas pistas, numa sequência
impressionante, e a uma cadência que quase nos baralha. E, entre jogadores,
técnicos e dirigentes, ninguém dá sinais de querer abrandar o ritmo.
Para aqueles que temem que o nosso Clube esteja dependente deste ou
daquele treinador, deste ou daquele jogador, este conjunto de triunfos é também
uma resposta, pois demonstra que a competência, a qualidade, o talento, o
trabalho e a vontade de ganhar são, hoje, uma marca bem vincada em todo o
universo benfiquista.
Benfica voltou a ser sinónimo de títulos. O escudo voltou a ser peça
comum nas nossas camisolas. Hoje, não ganhar é excepção.
Que grande Benfica nós temos!
APAGADOS
Há uma diferença óbvia entre a legalidade e a ética. Não é à toa que
existem códigos de conduta para muitas profissões, por vezes de cumprimento
obrigatório.
Treinadores e jogadores de futebol têm o direito legal de mudar
directamente para um clube rival. Mas se me perguntam se isso é saudável,
respondo categoricamente que não.
Embora estejamos perante um universo altamente volátil e
mercantilizado, por onde rodam muitos milhões de euros, entendo que os agentes
de uma indústria que desperta tão intensas paixões jamais devem perder de vista
um facto muito simples: são essas paixões que lhes sustentam o estatuto e lhes
permitem vidas milionárias. Respeitar os adeptos que os idolatram não é um
favor, nem um acto de altruísmo. É uma exigência.
Paulo Sousa, Pacheco ou Rui Águas (Figo, lá fora), ignoraram essa
exigência no passado. Nenhum deles mereceria ver aberta a porta por onde um dia
fugiu. Mais do que um clube, trataram mal o próprio futebol – subvertendo a sua
natureza enquanto fenómeno identitário de agregação e de emoções.
Perante a lei, fizeram aquilo a que achavam ter direito. Não podem é
esperar, depois, qualquer tipo de compreensão, carinho, admiração ou respeito
por parte daqueles que choram com as derrotas, que não dormem na véspera dos
grandes jogos, e que, directa ou indirectamente, pagam do seu bolso (muitas
vezes com grande sacrifício) todo o futebol.
O agora treinador do Sporting entendeu seguir este caminho, quando
podia deixar o seu nome escrito a ouro na nossa história. Apagou-se a si
próprio nas fotografias. Não as da loja, mas, sobretudo, as da nossa memória.
PARADIGMAS
O tema é recorrente. Será que o Benfica aposta na formação? Será que o
faz da forma mais adequada?
A resposta só pode ser afirmativa. Com um forte investimento em infraestruturas
de ponta, munidas da necessária competência técnica, essa aposta é insofismável.
As milionárias vendas de André Gomes, Bernardo Silva e Cancelo são, para já, o
resultado desse investimento. Que grande resultado, diga-se. E se também para
outros houver mercado, venham mais milhões, que o tempo não está para
desperdícios.
Não estou seguro é de que a formação encarnada esteja preparada para,
no imediato, alimentar a equipa principal – sabendo-se que o objectivo desta é a
conquista de títulos, e não qualquer outro romantismo purista.
Excepção feita ao Barcelona, não há registo de clubes
predominantemente formadores com grande sucesso desportivo. E em Portugal não
me parece que estejamos perante uma geração particularmente dotada. Hoje, a
ambição começa na infância. O sonho dos jovens das academias já não é,
simplesmente, entrar no plantel principal. Os mais talentosos são desde cedo aliciados
com os milhões de outras paragens, pelo que se torna impossível segurá-los
muito tempo. Sobram…os restantes.
Podemos então avançar para um paradigma competitivo alicerçado na
formação? O Benfica quebrou a hegemonia portista recorrendo a jogadores
experientes, capazes de não vacilar perante as adversidades. Há, aqui por
perto, quem abuse da juventude imberbe. Mas não são campeões desde os tempos de
João Pinto, Jardel ou Schmeichel.
A formação é útil como instrumento, como meio. Num clube como o nosso,
não pode ser um fim.
VENHA OUTRA!
Hoje há mais. Na final da Taça da Liga, espera-se nova festa
benfiquista. Espera-se o 6º troféu oficial em duas temporadas.
Depois, o futebol parte para férias. Será altura de preparar a próxima
época e o ataque ao Tri.
Com uma equipa alicerçada na experiência de jogadores na casa dos
trinta anos, como Júlio César, Maxi Pereira, Luisão, Lima ou Jonas, o Benfica
terá porventura, neste defeso, uma menor pressão de mercado face à que sofreu
em anos anteriores. Sabe-se que Gaitán e Salvio são muito pretendidos, mas parece
perfeitamente exequível segurar na Luz, pelo menos, os restantes nove
titulares, mais os dois ou três suplentes habitualmente utilizados. Assim, com
um ou outro reforço cirúrgico, será possível manter uma linha de continuidade,
salvaguardando também - e este não é assunto menor - o tão louvado espírito de
grupo deste plantel.
Em cima da mesa está igualmente a questão do treinador. Estou certo que
o presidente e a direcção farão todos os possíveis, e até alguns impossíveis,
para manter Jorge Jesus. A estabilidade no comando técnico da equipa tem sido
uma arma determinante no sucesso do nosso futebol. Jesus criou um modelo de
jogo eficaz e ganhador, fazendo crescer dezenas de atletas. Deu-nos vitórias e
dinheiro. Muito dinheiro. No meu tempo de vida não recordo outro técnico tão influente
e decisivo. Não será fácil encontrar igual.
Começar do zero, num contexto económico muito menos favorável que o de
2009, acarretaria riscos substancialmente mais elevados do que o custo da
renovação do contrato. Até porque, como diz o povo sabiamente, “o barato por
vezes sai caro”.
DIGA 34
“…enquanto os outros falavam, nós íamos trabalhando”.
Esta frase, dita no rescaldo do jogo do título pelo capitão Luisão,
reflecte o que se passou ao longo da temporada, e explica porque estamos agora em
festa.
Perante um adversário directo que bateu todos os recordes de
investimento para nos derrotar, que dispôs do plantel mais caro da história do
futebol português, e que, por tudo isso, era tido em Agosto como o grande favorito
à conquista do título, o Benfica valeu-se da humildade, da união, do crer, da
raça, e da regressada mística, para inverter os papéis, e terminar na frente. Valeu-se,
também, do manto protector de milhões de adeptos espalhados pelo país, que em
momentos-chave carregaram a equipa ao colo rumo a importantes vitórias.
Quem mais falou, acabou ajoelhado no chão, de mãos a abanar, e
insultado pelos seus. Nós, acabamos Bi-Campeões, e envolvidos numa gigantesca
festa nacional e lusófona - bem mais ampla do que os pontuais incidentes
verificados em Lisboa.
O mérito deste título é de muita gente. Mas dois homens emergem como
figuras maiores de uma conquista cujo significado histórico vai bastante além
do número 34. Jorge Jesus, que reconstruiu uma equipa de raiz, dotando-a de uma
dinâmica de vitória absolutamente notável, e, sobretudo, Luís Filipe Vieira,
que já não andará longe de se tornar o maior presidente de sempre do Sport
Lisboa e Benfica.
Feita a festa, é altura de olhar para a frente. Falta ainda garantir a
Taça da Liga, de modo a fechar mais uma temporada futebolística com três
troféus: uma espécie de triplete-versão dois, que não queremos desperdiçar.
SÓ MAIS UMA!
Depois de nove longos meses de competição, de jornadas intensas – ora
mais difíceis, ora menos complicadas –, de ansiedade e sofrimento, de muitos
avanços e poucos recuos, de constante pressão, de demasiada conversa fora das
quatro linhas, de boas exibições e grandes golos, de muito suor e algumas
lágrimas, eis chegado o momento em que tudo poderá, enfim, ficar definido.
Falta-nos uma, apenas uma vitória. Com mais três pontos, ninguém nos
poderá retirar o direito de comemorar a conquista do 34º título nacional,
consumando assim o principal objectivo da temporada desportiva de 2014-2015.
Poderá acontecer já em Guimarães, num terreno difícil, e perante um adversário
que não nos tem sido nada simpático – nos últimos sete anos, derrotou-nos cinco
vezes, quer em jogos do Campeonato, quer na Taça de Portugal.
Com uma margem de erro que ainda permite um deslize, não haverá motivo
para que a equipa acuse qualquer tipo de pressão negativa. Sabemos que somos
melhores, que merecemos ganhar, e que vamos certamente cortar a meta em
primeiro. É com a auto-estima em alta que devemos partir para a cidade-berço. E
é em festa que esperamos de lá voltar.
Estou em crer que o Futebol nos fará justiça já nesta jornada, no
primeiro de dois “matchs-points” de que dispomos para fechar as contas do
título. Estou em crer que a glória está iminente. Falta um bocadinho assim.
Vamos a isso!
PS: O Hóquei e o Volei já estão no papo. O Futebol vem caminho.
Espera-se que também o Basquete e o Futsal possam ainda festejar. Talvez
estejamos à beira de um momento absolutamente ímpar na nossa história
centenária.
A FESTA PODE ESPERAR
Por esta altura, não haverá muitos benfiquistas a quem passe pela
cabeça a hipótese de ver fugir o título nacional.
Depois de cumpridas 31 jornadas, com dois jogos em casa por disputar,
com uma margem de erro simpática, e com a força competitiva demonstrada em
Barcelos, é de facto difícil imaginar outro cenário.
Porém, a nossa história recente obriga a todas as precauções. Se o
entusiasmo, e até a euforia, são sentimentos legítimos de uma massa associativa
que se alimenta de glórias, aos jogadores e quem os rodeia não é permitido
qualquer tipo de dispersão, em face de um objectivo que só estará alcançado
quando a matemática assim o determinar.
Há dois anos encontrámo-nos numa situação semelhante. Sabemos o que
aconteceu depois. Se o Gil Vicente pode ter sido uma espécie de Marítimo de
2012-2013, não podemos permitir que, amanhã, o Penafiel se transforme numa
espécie de Estoril. É pois necessário encarar este jogo como mais uma dura
“final”, numa caminhada que ainda não está concluída.
Um estádio cheio irá ajudar. Não para comemorar seja o que for, mas
sim para dar mais um forte empurrão à nossa equipa – a qual devemos ajudar,
sobretudo no caso de, por qualquer motivo, e em qualquer momento, o jogo vir a
tornar-se mais complicado do que o esperado.
Muito dificilmente seremos campeões neste fim-de-semana. O mais
provável é entrarmos no difícil estádio de Guimarães ainda a necessitar de
pontos. É muito importante poder fazê-lo com algum conforto, sob pena de as
contas se complicarem.
Por todas estas razões, amanhã sim, estaremos perante o jogo do ano. A
festa? Essa pode esperar.
TODOS OS NOMES
Chame-se Lotopegui, Lobategui ou Lopatego, o basco que treina o FC
Porto tem o condão de não agradar a ninguém – consenso que, diga-se, não é
fácil de estabelecer num futebol português extremamente polarizado e polemizado.
Não agrada aos desportistas em geral, pois trouxe com ele uma postura
de antipatia e petulância que o povo português bem dispensava. Não agrada aos
adversários, pois a sua retórica provocadora tem sido uma constante. Não agrada
aos jornalistas, com os quais é altivo e mal-educado. Não agrada aos árbitros,
dos quais se queixa jornada após jornada, sem razões objectivas para tal. Não
agradará, sequer, aos adeptos do seu clube, pois com o plantel mais caro da
história do país arrisca-se a não vencer um único troféu, tendo sido eliminado
da Taça de Portugal, em casa, pelo Sporting; da Taça da Liga pelo Marítimo; humilhado
na Liga dos Campeões pelo Bayern de Munique; estando agora dependente de
terceiros, a quatro jornadas do fim, na única competição que lhe resta.
Discurso oficial à parte, quem o contratou ter-se-á também já
arrependido. Se outros não acertam no seu nome, ele raramente acerta nos nomes
dos jogadores que coloca a jogar, e raramente acerta no que diz. Há pessoas
assim.
Enquanto benfiquista, desejo vê-lo no clube rival por mais alguns anos
(com ele no banco, não há Jacksons, Danilos, Casemiros ou Oliveres que lhes
valham). Enquanto português, parece-me que temos por cá dezenas de treinadores
mais competentes e sabedores do que ele.
Resta saber se este aparente erro de casting significa, ou não, o
canto do cisne da tão incensada “estrutura” portista.
VENCER, VENCER
Não andaria longe da verdade se afirmasse que temos, esta temporada,
uma das melhores equipas de Hóquei em Patins da história do Benfica. A vitória
por 5-1 sobre o FC Porto (a acrescer ao triunfo por 3-7 no Dragão) traduziu
essa clara superioridade, consumando um título há muito anunciado. 23 vitórias
e 1 empate, em 24 jornadas, são outro dos cartões de visita dos nossos
fantásticos hoquistas. Estou em crer que a Taça de Portugal também não fugirá,
concretizando a desejada “dobradinha” – algo que não acontece desde 1995.
No domingo é a vez do Futebol. Entende-se
que Jorge Jesus queira retirar pressão dos ombros dos jogadores, mas, com ou
sem retórica, o jogo é mesmo decisivo. E se o vencermos, nem o mais laureado matemático
me fará duvidar do título.
Em casa, a nossa equipa tem demonstrado forte predominância sobre os
adversários, e uma qualidade de jogo digna de campeão. Esta partida terá, provavelmente,
características diferentes, apelando menos à nota artística, e mais à generosidade
dos jogadores na disputa de cada lance. Será um desafio à coragem. Um repto à
alma benfiquista.
O Inferno da Luz também está convocado, sobretudo para os momentos em
que a equipa mais necessitar de apoio. É importante percebermos que os jogos
têm noventa minutos, e passam por fases distintas. Num ou noutro período, os nossos
jogadores poderão precisar de sentir que estamos com eles, e que estamos unidos
em torno de um objectivo comum.
Há que mostrar, também nas bancadas, que o adversário não nos
amedronta, e fica demasiado pequeno perante o grito da nossa fé. O grito que
nos conduzirá à glória.
A FEBRE DE SÁBADO À TARDE
As últimas partidas disputadas na Luz têm enchido as medidas aos
benfiquistas, quer pelas vitórias sucessivas, quer pela qualidade de jogo
apresentada, quer pelos muitos e bons golos, quer pelo ambiente vivido antes,
durante e após os jogos. Uma verdadeira febre de sábado à tarde, que
pretendemos manter até ao fim da época.
O horário é o ideal, como se comprova pelos números da bilheteira. E
as exibições têm correspondido à expectativa dos adeptos mais exigentes,
resgatando o futebol para a sua pureza festiva – que, em Portugal, a dada
altura, e por motivos que não vêm ao caso, terá sido hipotecada. Trata-se, no
fundo, de fazer coincidir um bom espectáculo dentro das quatro linhas, com
bancadas cheias de entusiasmo, jovialidade e fervor clubista. É isso que temos
conseguido. É isso que este grande Benfica (desportiva, institucional e
socialmente) tem conseguido.
Amanhã, queremos ver reproduzida toda esta intensidade e alegria no
Restelo. Não há razão para que, num estádio pintado de vermelho (como
certamente será o caso), a equipa não entre em campo com a autoridade que tem
demonstrado na Luz, e que mal deixa respirar os atónitos adversários.
Não é possível jogar dois jogos ao mesmo tempo: por agora é este, e
apenas este, que teremos de vencer. Um Benfica à altura do escudo de campeão
que ostenta, e em harmonia com aquilo que tem evidenciado nas últimas partidas
em casa, corresponderá com certeza ao imperativo de conquistar os três pontos,
dando mais um passo rumo ao 34º título.
PS: Para o Voleibol (e, já agora, para o Hóquei) deixo apenas três
palavras: Vamos ser Campeões!
SETE FINAIS
Número bíblico, número mítico, número da perfeição, sete são os dias
da semana, sete são também os jogos que nos separam da conquista do
Bi-Campeonato.
Podem até ser menos (dependendo dos resultados que entretanto se forem
verificando). Podem ser apenas cinco, se os vencermos todos. Mas para isso, há
que olhar para cada um como se fosse o último. Como se fosse uma final.
Amanhã é dia grande. É dia de final. Temos pela frente a Académica –
equipa que começou mal a temporada, mas tem crescido manifestamente nas últimas
semanas. Vai colocar-nos dificuldades. Com talento, com alma, com garra
benfiquista, e com apoio incessante nas bancadas (nos momentos mais
exuberantes, mas também naqueles em que é necessário arrefecer o jogo, ou
conter o ímpeto de adversários que querem igualmente os pontos), vamos
certamente vencer, e dar mais um importante passo rumo ao título.
Estes fantásticos jogadores merecem tudo. Este treinador resgatou a
competitividade do nosso futebol para níveis que só num passado já longínquo
encontram paralelo. Este presidente pegou nos escombros de anos malditos, e
ergueu o colosso que temos hoje à nossa frente, devolvendo-nos o orgulho, e devolvendo-nos
a esperança. Temos, em campo, no banco, e na tribuna, os intérpretes perfeitos
da nossa grandeza. Cabe-nos a nós, sócios e adeptos, cumprir a nossa parte.
Amanhã seremos muitos. Além de sermos mais, temos também de ser
melhores. Temos de estar ao nível da importância do momento. Os benfiquistas
sabem bem como o fazer. Como levar os seus à Glória. Unidos, em torno de um
ideal.
Todos por um. Todos pelo título. Força Benfica!
POTENCIA DESPORTIVA
Com as várias modalidades ainda a entrarem na fase decisiva das
principais competições, será prematuro fazer desde já um balanço rigoroso da
temporada eclética do nosso clube.
Ainda assim, pode dizer-se que o Voleibol, o Basquetebol e o
Atletismo, mesmo tendo pela frente as decisões nos respectivos campeonatos, já
fizeram por tornar positiva a época de 2014-15. No Voleibol, Taça e Supertaça
estão já nas nossas vitrinas, troféus aos quais temos que juntar uma histórica
prestação internacional, faltando apenas selar o tri-campeonato. No Basquete, haverá
que concretizar o tetra-campeonato, mas já arrecadámos Taça, Supertaça, e os
troféus Hugo dos Santos e António Pratas, ou seja, todas as provas oficiais disputadas
no país. No Atletismo, aos títulos já alcançados não podemos deixar de somar o
triunfo de Nélson Évora nos Europeus de Pista Coberta – ainda que com as cores
da selecção portuguesa.
Nas restantes três modalidades de pavilhão, está tudo em aberto. A
fantástica equipa de Hóquei em Patins tem o título nacional e a Taça de
Portugal à mercê, levando 23 vitórias, um empate e zero derrotas nestas duas
provas até ao momento (uma pena a eliminação europeia…). O Futsal aponta também
a uma eventual dobradinha, seguindo igualmente invicto nas duas provas (22
vitórias e 3 empates). Quanto ao Andebol, começa este fim-de-semana a disputar
a meia-final do play-off, sendo que também na frente europeia se tem destacado.
Com uma percentagem de vitória na casa dos 86% (82% nos dois anos
anteriores), as nossas modalidades estão bem e recomendam-se. Espera-se, pois,
mais um ano à Benfica.
NA FRENTE
Se, por absurdo, em Agosto de 2014, no fim de uma pré-temporada
angustiante, alguém nos desse a assinar um documento por via do qual, no início
de Abril, o Benfica estaria a liderar o campeonato com três pontos de vantagem
sobre o segundo classificado, seria fácil recolher quase tantas assinaturas
quantos os sócios e adeptos abordados.
Independentemente das expectativas que, num ou noutro momento, por
este ou aquele resultado, foram sendo criadas, ninguém de bom senso esperaria
que o presente campeonato se transformasse num passeio – como, diga-se, de
algum modo acabou por ser o anterior.
O plantel encarnado sofreu entretanto muitas baixas, e o rival directo
reforçou-se com exuberância. As forças equilibraram-se. E se este Benfica pôde
continuar a vencer, não é justo exigirmos-lhe que o faça nadando num mar de
facilidades.
A derrota de Vila do Conde foi dolorosa, mas não vai iludir os factos:
estamos a fazer um campeonato brilhante, e somos os mais sérios candidatos ao
título. Perdemos uma batalha. Já havíamos perdido outras. Mas a guerra está aí,
diante de nós, para ser vencida. Com agruras, com sofrimento, com avanços e
recuos, com suor e com lágrimas. A nossa cor é de sangue, e a nossa história é
de luta. Da Farmácia Franco aos heróis de Berna, de Eusébio e Coluna aos dias
de hoje.
Não foi a choramingar que nos tornámos um dos maiores clubes do mundo.
Foi, sim, a reagir às adversidades com alma de campeão, e a erguermo-nos, mais
fortes, de cada vez que tropeçámos.
Faltam apenas oito finais. Hoje é o primeiro dia do resto da
temporada, e partimos na frente.
Força Benfica!
ONDA VERMELHA
O espaço desta coluna não chegaria para destacar todas as vitórias que
o nosso Clube alcançou na passada semana, com o realce que cada uma delas
merecia.
Teria de escrever sobre Andebol, e sobre a impressionante vitória na
Polónia, na 1ªmão dos quartos-de-final da Taça Challenge. Teria de escrever
sobre Voleibol, e o claro triunfo perante o SC Espinho no primeiro jogo das
meias-finais do Playoff. Teria de mencionar mais uma gorda vitória do
Basquetebol no campeonato que há muito lidera. Teria de falar de Atletismo, e
da limpeza nos nacionais de Corta-Mato. Teria, sobretudo, de saudar as meninas
do Hóquei em Patins, que alcançaram um feito histórico de suprema grandeza,
tornando-se Campeãs da Europa - aliás, o desporto feminino tem sido uma aposta
do Benfica, tratando-se de uma vertente com franca margem de progressão.
Mas posso também falar de Futebol, e do enorme espectáculo a que assistimos
no Sábado, quer dentro do campo, quer nas repletas bancadas da Luz, onde mais
de 60 mil deram voz à alma de campeão.
A sensação que se colhe de uma experiência como aquela é a de que um
Benfica assim é imparável. Somos muitos, e, quando unidos e capazes de
transmitir confiança e vibração à equipa, tornamo-nos esmagadores.
A prestação dos jogadores foi notável, e dois golos souberam a pouco
para tanto futebol.
O colorido das bancadas fica na retina de quem o viveu (o horário dos
jogos também ajuda, como tem sido demonstrado ao longo destas duas épocas).
Ficou bem claro qual o caminho que teremos de percorrer para que o
sonho do bi-campeonato se transforme numa doce realidade. É seguir em frente.
JOGOS ESPECIAIS
Terminado o jogo entre SC Braga e FC Porto, esperava-se alguma
indignação por parte dos dirigentes da equipa da casa, face a um lance de
grande penalidade que ficou por sancionar, e que poderia ter dado o empate.
Pelo contrário, o presidente bracarense não só ignorou esse lance, como
afirmou, a despropósito, que a sua equipa teria de fazer tudo para ganhar… ao
Benfica.
Independentemente da falta de oportunidade da declaração, fica por
saber o que será esse “tudo”. Mas, olhando à diferença de atitude competitiva
que o SC Braga tem revelado quando defronta o Benfica – jogos que disputa de
faca nos dentes, com níveis de agressividade próximos do intolerável -, e quando
tem pela frente o FC Porto – jogos em que normalmente é dócil e submisso -,
podemos chegar a algumas pistas.
O futebol tem coisas estranhas, que escapam ao entendimento do adepto
comum. É normal que uma equipa mais pequena se agigante quando tem pela frente
nomes sonantes. Mas não é normal que, ano após ano, jogo após jogo, uma mesma
equipa coloque grandes dificuldades a um adversário, e apresente total
passividade face a outro. Desde os tempos de Domingos Paciência que assim é.
Certamente por coincidência.
Quem terá de ignorar tudo isto somos nós. E a solução para vencer é
apenas uma: entrar com a mesma intensidade do adversário minhoto, sabendo que, assim,
a maior capacidade técnica dos nossos jogadores fará a diferença. É também
importante que o apoio dos adeptos se faça sentir, não com bolas de golfe ou
intimidação (como por vezes sucede em Braga), mas com incentivos capazes para
empurrar a equipa para o golo.
O REI ARTUR
Todos nos recordamos de algumas primeiras páginas de jornais na semana
que antecedeu o último dérbi lisboeta, e das pressões que foram lançadas sobre
os ombros do guarda-redes Artur, procurando desestabilizá-lo, desacreditá-lo, e
até humilha-lo.
Artur respondeu como se impunha. Foi um dos melhores em campo nessa
partida, e, nos quatro jogos que desde então realizou, apenas voltou a sofrer um
golo (sem culpas, diga-se). Mais: nesses jogos (cinco no total), não cometeu
qualquer erro, realizando excelentes intervenções. Bastará dizer que, nestas
semanas, não se sentiu a ausência de Júlio César.
Não me esqueço (nem lhe perdoo…) a fantástica exibição que Artur fez
pelo SC Braga, na meia-final da Liga Europa de 2010-11. Também não me esqueço dos
seus primeiros meses no Benfica, ao longo dos quais exibiu grande segurança,
contribuindo decisivamente para alguns bons resultados – designadamente na
Champions. Na última Supertaça voltou a ser decisivo, quando muitos
desconfiavam dele. E na primeira jornada deste Campeonato, defendeu um penálti
num momento extremamente importante para a equipa.
Passou tempos menos felizes, que, para azar dele (e nosso) coincidiram
com jogos decisivos – sobretudo na dramática ponta final da temporada 2012-13.
Caiu então sobre Artur um anátema do qual custou a libertar-se, mas que é
totalmente injusto face à sua grande categoria.
Poucos se têm lembrado dele por estes dias. Os guarda-redes dão nas
vistas sobretudo quando erram. Mas Artur merece esta referência. E se o Benfica
for campeão – como todos esperamos – terá um lugar muito especial nas
festividades.
CANTIGAS DE ESCÁRNIO
À medida que nos vamos aproximando da fase decisiva da temporada, é
cada vez mais sonoro o ruído provocado pela única, e já clássica, aliança
verdadeiramente existente no futebol português: a que congrega FC Porto e
Sporting, num afinado ataque ao Benfica.
De um lado, aqueles que durante décadas beneficiaram de arbitragens
protectoras em troca de viagens ao Brasil, de favores de prostitutas, de promoções
na carreira, de aconselhamento matrimonial, ou – quando tal não se revelava suficientemente
cativante – de manobras de intimidação à moda siciliana. Crimes cujo castigo ficou
vedado por meras incidências processuais, mas que jamais irão cair no nosso esquecimento.
Do outro lado, o queixume próprio de quem nada ganha há longos anos, de
quem sempre se colocou em bicos de pés na tentativa reiteradamente frustrada de
se sentir à altura do odiado vizinho e rival, e de quem tem a necessidade
crescente de encobrir desilusões próprias atirando lama para cima dos triunfos
alheios. Enfim, uma lamúria antiga e bem conhecida.
Um canto que não era canto – era penálti…. Um cartão vermelho que,
objectivamente, ninguém ousa contestar. Um lance dividido, mas limpo, na área
do Benfica. Três momentos do jogo de Moreira de Cónegos cujo benefício extra-desportivo
para o Benfica foi nulo, mas que, ainda assim, serviram de arma de arremesso no
âmbito do futebol falado e escrito, devidamente misturados num ressequido bolo
de mistificação e embuste.
A razão para a gritaria é só uma: o medo de ver o Benfica sagrar-se
novamente campeão nacional.
O objectivo é simples: pressionar as arbitragens dos próximos jogos,
para assim tentar impedir que esse temido desfecho se torne realidade.
A resposta será dada dentro do campo. E também nas bancadas, onde a
nossa voz se fará ouvir mais alto que todas as tentativas de desestabilização
de que seremos alvo até ao fim deste campeonato.
Estamos todos convocados. Cada jogo uma final, cada lance uma vida. E
um título à distância da nossa união e vontade de vencer.
CROMO DA BOLA
Para os lados de Alvalade, o Carnaval veio com uma semana de
antecedência. E é provável que continue muito para além da tradicional
quarta-feira de cinzas.
Logo que chegou à presidência do Sporting, a postura de Bruno Carvalho
perante certas figuras parecia a de alguém capaz de trazer algo de novo ao
futebol português. Rapidamente a máscara lhe caiu. Viu-se precipitação em vez de
sensatez, fanfarronice em vez de coragem, e conflitualidade barata em vez de
determinação.
Tratando o clube como um brinquedo, incompatibilizou-se com o FC
Porto, incompatibilizou-se com a Liga, incompatibilizou-se com a Federação,
incompatibilizou-se com os fundos, incompatibilizou-se com a UEFA,
incompatibilizou-se com os jogadores, incompatibilizou-se com o treinador,
incompatibilizou-se com figuras históricas do seu clube, incompatibilizou-se
com os anteriores dirigentes, incompatibilizou-se com grupos de adeptos,
incompatibilizou-se com a imprensa, e faltava, obviamente, incompatibilizar-se
com o Benfica. Não havia melhor ocasião do que o rescaldo de um resultado
frustrante. Uma tarja infeliz serviu de pretexto.
Fosse eu a decidir, e teria ficado sem resposta desde o primeiro
comunicado. Este tipo de personagem procura protagonismo, e nada melhor que uma
boa dose de polémica para o conseguir. Infelizmente, já por cá tivemos igual.
Conhecemos a espécie. Daqui ao descrédito total – mesmo entre os seus - é apenas
uma questão de tempo.
O corte de relações não nos tira o sono. Não me recordo do Benfica
ganhar alguma coisa por ter melhores ou piores relações institucionais com o
Sporting. Nos momentos-chave, em que o futebol português podia dar passos no
sentido da regeneração, o Sporting assobiou para o lado. Ao respeito que sempre
lhes dispensámos, responderam com o ressentimento próprio dos invejosos. Não
servem para nada. Não fazem falta. Não contam para o nosso campeonato. Podem
ficar a falar sozinhos. Daqui, não os ouvimos.
Vamos ganhar ao Moreirense, pois é isso que verdadeiramente interessa.
PRAGMATISMO
Não tivesse eu visto o dérbi com os meus próprios
olhos, e a julgar pelos comentários que ouvi e li – alguns dos quais, pela voz e
pela pena de distintos benfiquistas –, seria levado a pensar que o Benfica fora
massacrado, que o Sporting criara dúzias de oportunidades de golo, e que o
resultado justo teria sido uma goleada a favor dos nossos rivais.
A realidade é bem diferente. Assistiu-se a uma
partida tacticamente amarrada, na qual as defesas se superiorizaram aos ataques.
A iniciativa de jogo foi, naturalmente, da equipa que mais precisava de ganhar.
O Benfica, a quem o empate não inquietava, jogou com as cautelas que o
pragmatismo aconselha. Podia ter tido o azar de perder com um erro nos últimos
minutos, na segunda oportunidade criada pelo Sporting. Teve a sorte de empatar
nos últimos segundos, na segunda oportunidade que criou. Com tão poucos lances
de perigo junto das balizas, diria que o resultado normal teria sido 0-0. Os
golos apimentaram a noite, trazendo, eles sim, sensações de angústia e de
euforia que iludem a racionalidade, e enviesam as análises.
Teria o Benfica alguma coisa a ganhar mostrando
outra ousadia? Não sei. Na casa de um adversário altamente moralizado, não era
prudente entrar em campo com a petulância dos fanfarrões. Prefiro que outros se
queixem da nossa sorte, do que sermos nós a queixar-nos do azar.
As críticas mais simplistas à estratégia de Jesus –
que também fizeram eco na família benfiquista – ignoram dois aspectos essenciais.
O primeiro é que jogar bem, jogar bonito e jogar ao ataque não são
necessariamente sinónimos. O segundo é que o Benfica não tem hoje os argumentos
técnicos de que dispunha nas últimas temporadas.
Sim, acredito que seremos campeões. Mas com uma
banda sonora diferente da música que tocavam Aimar, Saviola e Di Maria, ou,
mais tarde, Matic, Enzo e Markovic. Agora o caminho tem de ser outro. E desde
que nos leve ao Marquês (onde, aí sim, haverá espectáculo), não vai ser um
trinco a mais que nos fará festejar a menos.
MAIS DO QUE UM DÉRBI
Olhando para as estatísticas, e ao contrário da “verdade” com que
somos anualmente confrontados, um Benfica-Sporting, na Luz, tem sempre um acentuado
favorito. Por exemplo, nos últimos nove campeonatos, o Benfica venceu seis
vezes, empatou três, não perdendo em nenhuma ocasião. Mais: nos últimos oito
Benficas-Sportingues disputados na Luz, apenas sofremos um golo.
Pelo contrário, em Alvalade, e segundo as mesmas estatísticas, o
equilíbrio prevalece, não havendo favoritismos a atribuir. Ou não se
registassem precisamente três vitórias, três empates e três derrotas, nos
últimos nove dérbis para o campeonato jogados no recinto dos nossos vizinhos.
Para este domingo, é pois difícil avançar com prognósticos – até
porque, como alguém sabiamente afirmou, em futebol eles apenas devem ser feitos
no fim dos jogos.
Já quanto à importância do desafio não restam dúvidas. Embora uma
vantagem de sete pontos salvaguarde, sob o ponto de vista aritmético, a
liderança benfiquista, sabemos que, na prática, uma derrota em Alvalade traria
o Sporting de regresso à luta pelo título (coisa que bem dispensamos),
permitindo igualmente a aproximação do FC Porto - que poderia passar a depender
apenas de si próprio, situação substancialmente mais motivadora para qualquer
perseguidor numa prova desta natureza. Tratando-se de um jogo decisivo para os
nossos adversários directos, trata-se, consequentemente, de um jogo decisivo
também para nós. E é dessa forma que o teremos de abordar.
Sabemos que do outro lado está uma equipa jovem, e que a pressão de
enfrentar o tão odiado quanto temível Benfica costuma pesar-lhe nos ombros. Devemos
saber jogar com isso, e com a força que o escudo de campeão transmite aos
nossos atletas. A confiança e a maturidade poderão ser a chave para um
resultado positivo. Um empate não seria dramático - não abria espaço a qualquer
dos perigos acima referidos -, mas as vitórias são a nossa forma de estar na
vida, e é para a conquista dos três pontos que teremos de apontar as baterias.
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