IMPORTANTE, OU TALVEZ NÃO

Sou daqueles que entende que todos os troféus são importantes (nem concebo o desporto de outro modo), e que um clube como o Benfica tem sempre de jogar para os ganhar. Nunca vi um benfiquista na rua a comemorar qualquer das Taças da Liga conquistadas, mas pessoalmente não deixei de as festejar à minha maneira. Fiquei particularmente feliz com os 3-0 diante do FC Porto, há duas épocas, curiosamente na única final em que não pude estar presente. E será também oportuno lembrar o quanto fiquei aborrecido com a eliminação em Setúbal, na primeira edição, em jogo a que assisti, e obviamente antes do Benfica ter o seu nome inscrito no palmarés da prova.
Se analisarmos, por exemplo, as audiências televisivas, verificamos o quanto a Taça da Liga veio trazer ao futebol português, tendo hoje o seu lugar bem firmado no panorama competitivo luso. Alguns dos seus jogos entraram directamente para a história (o célebre penálti assinalado por Lucílio Baptista foi dos momentos mais mediáticos dos últimos anos), e se nos lembrarmos que as finais tiveram sempre lotação esgotada, e algumas meias-finais assistências imponentes (50 mil pessoas no Benfica-Sporting do ano passado), confirmamos que a Taça da Liga foi efectivamente uma excelente ideia, embora porventura ainda necessite de um regulamento mais eficaz.
Sou, pois, um defensor da importância da Taça da Liga, e de todos os troféus oficiais, entendendo que cada um tem o seu próprio espaço, e merece a sua própria relevância. Dito isto, não posso no entanto deixar de estabelecer algumas hierarquias, quer em termos absolutos, quer no plano conjuntural.
Obviamente a Liga dos Campeões é mais importante que a Taça da Liga, assim como o Campeonato é mais importante que a Taça de Portugal, e como a Taça da Liga é mais importante que a Supertaça. A minha hierarquia é fácil de estabelecer: provas europeias (à cabeça das quais, naturalmente, a Champions), campeonato, taças (sendo a de Portugal, pela sua tradição, e pela final do Jamor, mais relevante), e por fim supertaças.
Para além disso, ou na sequência disso, há, no plano conjuntural, que atender a vários factores, que podem, no limite, determinar que uma equipa prescinda do campeonato (se chegar, por exemplo, a umas meias-finais da Champions), de uma Liga Europa (como aconteceu com o Benfica há dois anos), ou de uma Taça de Portugal (como desconfio tenha acontecido agora). É nesta medida (e também porque vem de três triunfos consecutivos) que me parece que o Benfica não deverá comprometer-se muito nesta (e apenas nesta) edição da Taça da Liga.
O calendário é apertado, as lesões começam a surgir (por diferentes motivos estão fora Garay, Ruben Amorim, Enzo Perez, Aimar e Cardozo), e o Benfica - já o disse aqui – não pode arriscar um milímetro na luta pelo título. A Champions é a Champions, e terá, como é óbvio, de ser jogada nos limites. Sendo este campeonato particularmente importante, e estando a luta tão acesa, não me parece que exista espaço para mais nada, num plantel que é bom, mas não é super.
Deste modo, defendo que Benfica jogue com uma segunda linha durante esta primeira fase. Se tiver de ser eliminado, que seja – pode ser que daí saia finalmente a valorização do tri alcançado -, se chegar às meias-finais, então logo se verá. Em Guimarães percebia que era necessário dar ritmo aos titulares. Agora esse problema não se coloca, pelo que é hora de poupar.
Deixo pois o onze que eu, em coerência com a ideia que acabo de expressar, escolheria para a partida com o Santa Clara. Tenho a convicção de que será suficiente para vencer. Os outros? Que descansem bem, pois no domingo a luta continua.























