Concluído o Tour de France, aí está a Volta a Portugal. Na ausência de
futebol a sério, são as bicicletas que ocupam o seu lugar.
Paisagem, aventura, esforço, cores, dramas, mitos, povo, heróis e
alguns vilões, fazem do ciclismo um espectáculo maravilhoso. Parece feito de
encomenda para a televisão, proporcionando longas horas de transmissão directa,
conduzindo o espectador por montanhas e vales, como se ele próprio estivesse de
viagem. Doping? Existe em todo o desporto profissional, e esta é certamente a
modalidade mais controlada.
Enquanto amante de ciclismo, e enquanto benfiquista, não posso deixar
de me associar aos muitos que sonham com o regresso do clube às estradas, mesmo
sabendo quão difícil seria materializar tal sonho no imediato.
O ciclismo não vende bilhetes. Vive da publicidade, e custa dinheiro
(500 mil euros/ano, para uma equipa ganhadora a nível nacional). As empresas interessadas
em investir pretendem um nível de visibilidade que a marca Benfica – se a elas
associada – ofuscaria. A nossa última incursão neste mundo não correu nada bem.
Creio, porém, que o Benfica carrega esta dívida para com a sua
história. Ostenta uma roda no emblema, e deve grande parte da sua popularidade
a nomes como José Maria Nicolau, que levavam as camisolas vermelhas até aos
locais mais recônditos do país, quando nem sequer existia campeonato de
futebol.
Falta pouca coisa para que o nosso Benfica seja integralmente
devolvido àquilo que foi no passado. O regresso ao ciclismo poderia ser um
desafio para um dos próximos mandatos de Luís Filipe Vieira. Seria a cereja no
topo do bolo.
A BOM RITMO
Não dou mais importância aos jogos de preparação do que a que eles
realmente têm. Constituem uma ferramenta de trabalho útil para jogadores e
técnicos, mas, competitivamente, o seu interesse é reduzido, ou mesmo nulo.
Antigamente havia curiosidade em conhecer os novos jogadores e a nova
equipa. Mas desde que o mercado futebolístico se transformou numa interminável
feira, ao longo da qual, até dia 31 de Agosto, ninguém sabe quem fica, quem
sai, ou quem entra, esta fase perdeu o pouco encanto que lhe restava.
Por isso, uma derrota em torneios particulares, por mais prestigiantes
que sejam, não incomoda nada. Dispenso títulos de pré-época, e ainda recordo anos
em que tudo parecia maravilhoso em Julho, para se tornar angustiante em Maio. Ultimamente
tem sucedido o contrário, e não me importaria de continuar neste registo.
Não deixei, porém, de ver o jogo do último fim-de-semana. E até gostei
da primeira parte, onde a base da equipa bi-campeã apareceu solta e alegre,
prometendo bom futebol e vitórias. No segundo período, as substituições
quebraram o ritmo, e o jogo tornou-se tristonho. Nada que preocupe.
Se para o lado direito da defesa, Sílvio e André Almeida parecem opções
válidas, ainda não vi quem possa fazer de Sálvio (até Janeiro), ou de Gaitán
(se a venda deste se vier a confirmar). Mais um ponta-de-lança, capaz de
discutir a titularidade, também não seria demasiado, pois a época é longa. De
resto, a equipa afigura-se consistente, não necessitando de grandes revoluções.
Dia 9 de Agosto as coisas serão a sério. Até lá, há que trabalhar
tranquilamente, com entusiasmo e confiança.
SERENIDADE
Serenidade é talvez a palavra que melhor define o momento da
pré-temporada benfiquista.
Pode parecer estranho, depois das saídas de treinador e sub-capitão para
emblemas rivais. Mas percebe-se, quando se fala de um Bi-Campeão nacional.
O paradoxo desta pré-temporada é, aliás, a forma como os três principais
clubes estão a lidar com as circunstâncias.
Do lado de cá, a resposta à fuga - ou traição, ou deserção, ou aquilo
que lhe quisermos chamar – dos dois elementos acima referidos, não podia ter
sido mais adequada. Como alguém disse, tanta calma até parece incomodar a
concorrência. O Benfica, que em tempos resistiu à perda de uma figura maior
como foi Eusébio, é demasiado grande para depender de figuras menores, cujo
lugar na história acaba de ser apagado pelos próprios. Em Agosto, ninguém se
lembrará das ausências, e a vontade de vencer poderá mesmo sair reforçada.
Na vizinhança, pós-loucura financeira em torno de um novo técnico, por
entre guerras com ex-presidentes, ex-treinadores, processos disciplinares,
justas causas, perdões bancários e contratos rasgados, as notícias vão
apontando para sucessivos falhanços na contratação de jogadores. Ou me engano
muito, ou em breve assistiremos também a uma debandada dos principais
titulares.
Mais a norte, o desespero também dita leis. Com membros da direcção a
contas com a justiça, a regra parece ser, contrata-se primeiro, e, quanto a
dinheiros… logo se vê. Algo me diz que não vai correr bem.
Enquanto isso, no Seixal trabalha-se. Com confiança e entusiasmo. Rumo
ao tri.
Pressão? Loucuras? Ficam para os outros. Nós só queremos os títulos.
TRISTE FIGURA
Apenas 40 dias decorrem entre duas imagens fortes. Primeiro, vê-se uma
criatura, aos saltos, no relvado da Luz, acompanhando os cânticos dos adeptos
do Benfica, na comemoração de um título. Depois, a mesma criatura, aos saltos, no
relvado de Alvalade, acompanhando os cânticos dos adeptos do Sporting, como novo
membro da tribo.
Benfica e Sporting são rivais há mais de um século. Em apenas 40 dias,
salta-se num lado, salta-se no outro, e salta-se de um lado para o outro, como
se a história não existisse, e como se não fosse a história, e a paixão do povo,
a permitir que um simples treinador de futebol possa hoje auferir quatro, ou
cinco, ou seis milhões de euros por ano.
Chamem-me romântico, chamem-me ingénuo, chamem-me até retrógrado. Mas
este não é o futebol de que aprendi a gostar – no qual havia algum pudor, e uns
quantos zeros não legitimavam todo o tipo de comportamento. O futebol resume-se
à emoção, e quem dele pretender retirar essa componente, corre o risco de lá não
deixar nada.
Cresci a chorar pelo Benfica. E a respeitar, também, quem chorava por
outros emblemas. Não aprecio cristãos novos, e muito menos traições.
Não embarco no discurso da gratidão. Nós, que pagamos quotas, cativos,
bilhetes, deslocações, e ainda compramos camisolas e cachecóis, que apanhamos
chuva, sol e trânsito, para nos sentarmos no nosso lugar a sofrer pelo clube
que amamos, nunca seremos devedores de nada, neste meio que se vai tornando
cada vez mais indiferenciado e obscuro.
Os que nele ganham milhões, esses sim, devem a todos nós o estatuto de
que desfrutam. E devem-nos, sobretudo, respeito.
MUNDO CÃO
Confesso que, aos 45 anos de idade, o mundo do futebol ainda consegue
surpreender-me pela negativa.
Aquilo que me intriga é o seguinte: o que faz com que um profissional,
em final de carreira, com situação financeira confortável e futuro assegurado, despedace
uma imagem construída ao longo de quase uma década, ignore olimpicamente a
paixão de milhões de adeptos, volte as costas à possibilidade de inscrever o
nome na história junto das grandes lendas, e feche uma porta que poderia vir a abrir-se
no futuro, tudo em troca de mais uns patacos no recibo de vencimento?
Não falo de um jovem com a carreira por construir. Também não falo de gente
com um ou dois anos de casa, sem o vínculo emocional que só o tempo robustece.
Nem de quem ganhe, vá lá, 100 mil euros por ano. Falo de alguém experiente,
respeitado como símbolo de um clube, e que já aufere dez vezes aquele valor.
Trouxe aqui o tema, a outro propósito, há umas semanas atrás. Nunca é
demais repetir: os montantes milionários que o futebol movimenta, e os gordos
salários que jogadores e treinadores de topo recebem, devem-se, exclusivamente,
à paixão dos adeptos. Um cirurgião ou um juiz não terão certamente menos
responsabilidades. Só não têm quem os idolatre, nem amor clubista que lhes
pague. Não perceber isto, é não perceber nada. Ignorar isto, é cuspir no próprio
prato.
Profissional não pode ser sinónimo de mercenário. Não é assim em
profissões menos recompensadas, pelo que jamais deveria sê-lo numa actividade
que deve tudo, mas mesmo tudo, aqueles que enchem os estádios, vibram com os
clubes, e choram na derrota e na vitória.
O NOSSO TREINADOR
À medida que a poeira assenta, a nação benfiquista vai-se congregando
em torno do novo treinador.
Qualquer mudança traz sempre alguma ansiedade associada. Sobretudo quando
parte de uma base de sucesso. Diz-se que as grandes reformas devem fazer-se na quietude
do triunfo, e não no tumulto do fracasso. O certo é que a volatilidade dos
tempos modernos não permite dormir sobre êxitos findos. Ela obriga a reinventar
para manter o rumo. O passado respeita-se, e evoca-se, mas é o futuro que deve
orientar a acção. O futuro do futebol encarnado chama-se agora Rui Vitória.
O técnico ribatejano chega ao nosso clube bastante mais jovem, e traz
na bagagem um currículo bastante mais composto, que o do anterior treinador em
2009. Vem com a ambição e a energia de quem quer conquistar o mundo. Traz,
ainda, um suplemento de alma importante numa actividade que vive de paixões: é
benfiquista. É um dos nossos!
A humildade com que afirma que irá manter o que está bem, abona em seu
favor. O discurso afirmativo, confiante e clarividente também. É um homem do
futebol, mas não é um homem apenas do
futebol. Acredito que, mais do que para transformar, ele vem para acrescentar.
Em Agosto, quando as competições oficiais se iniciarem, todos seremos
um só. O novo treinador, um renovado plantel (certamente competitivo, e com a
mesma sede de ganhar), e os mesmos adeptos de sempre – aqueles que fazem do
Benfica o gigante que é, e que, com diferentes treinadores, com diferentes
jogadores, vão festejando campeonatos sucessivamente. Já vamos em 34. O próximo
é o 35º. E este será com Rui Vitória sentado no banco.
ANO DE OURO
Campeão de Futebol, Hóquei em Patins, Basquetebol, Voleibol, Futsal e
Atletismo, vencedor das Taças de Portugal de Hóquei, Basquetebol, Voleibol e
Futsal, vencedor das Supertaças de Futebol, Basquetebol e Voleibol, das Taças
da Liga de Futebol e Basquetebol, entre outros troféus, no sector masculino e
feminino (e aqui, destaque para as meninas do Hóquei e o seu magnífico “penta”,
com título europeu incluído), nos seniores ou nas camadas jovens, pode dizer-se
que nunca o Benfica ganhou tanto.
Por exemplo, se atendermos apenas a campeonatos, e às sete principais
modalidades (as já referidas, mais o Andebol), o máximo histórico de títulos
numa só temporada era de quatro. Esta época vencemos seis!
Enquanto outros afirmam, sem se rir, ser a maior potência desportiva
do país, nós conquistamos os campeonatos, os bi-campeonatos, os
tri-campeonatos, os tetra-campeonatos, os penta-campeonatos, as dobradinhas e
os tripletes, nos relvados, nos pavilhões ou nas pistas, numa sequência
impressionante, e a uma cadência que quase nos baralha. E, entre jogadores,
técnicos e dirigentes, ninguém dá sinais de querer abrandar o ritmo.
Para aqueles que temem que o nosso Clube esteja dependente deste ou
daquele treinador, deste ou daquele jogador, este conjunto de triunfos é também
uma resposta, pois demonstra que a competência, a qualidade, o talento, o
trabalho e a vontade de ganhar são, hoje, uma marca bem vincada em todo o
universo benfiquista.
Benfica voltou a ser sinónimo de títulos. O escudo voltou a ser peça
comum nas nossas camisolas. Hoje, não ganhar é excepção.
Que grande Benfica nós temos!
APAGADOS
Há uma diferença óbvia entre a legalidade e a ética. Não é à toa que
existem códigos de conduta para muitas profissões, por vezes de cumprimento
obrigatório.
Treinadores e jogadores de futebol têm o direito legal de mudar
directamente para um clube rival. Mas se me perguntam se isso é saudável,
respondo categoricamente que não.
Embora estejamos perante um universo altamente volátil e
mercantilizado, por onde rodam muitos milhões de euros, entendo que os agentes
de uma indústria que desperta tão intensas paixões jamais devem perder de vista
um facto muito simples: são essas paixões que lhes sustentam o estatuto e lhes
permitem vidas milionárias. Respeitar os adeptos que os idolatram não é um
favor, nem um acto de altruísmo. É uma exigência.
Paulo Sousa, Pacheco ou Rui Águas (Figo, lá fora), ignoraram essa
exigência no passado. Nenhum deles mereceria ver aberta a porta por onde um dia
fugiu. Mais do que um clube, trataram mal o próprio futebol – subvertendo a sua
natureza enquanto fenómeno identitário de agregação e de emoções.
Perante a lei, fizeram aquilo a que achavam ter direito. Não podem é
esperar, depois, qualquer tipo de compreensão, carinho, admiração ou respeito
por parte daqueles que choram com as derrotas, que não dormem na véspera dos
grandes jogos, e que, directa ou indirectamente, pagam do seu bolso (muitas
vezes com grande sacrifício) todo o futebol.
O agora treinador do Sporting entendeu seguir este caminho, quando
podia deixar o seu nome escrito a ouro na nossa história. Apagou-se a si
próprio nas fotografias. Não as da loja, mas, sobretudo, as da nossa memória.
PARADIGMAS
O tema é recorrente. Será que o Benfica aposta na formação? Será que o
faz da forma mais adequada?
A resposta só pode ser afirmativa. Com um forte investimento em infraestruturas
de ponta, munidas da necessária competência técnica, essa aposta é insofismável.
As milionárias vendas de André Gomes, Bernardo Silva e Cancelo são, para já, o
resultado desse investimento. Que grande resultado, diga-se. E se também para
outros houver mercado, venham mais milhões, que o tempo não está para
desperdícios.
Não estou seguro é de que a formação encarnada esteja preparada para,
no imediato, alimentar a equipa principal – sabendo-se que o objectivo desta é a
conquista de títulos, e não qualquer outro romantismo purista.
Excepção feita ao Barcelona, não há registo de clubes
predominantemente formadores com grande sucesso desportivo. E em Portugal não
me parece que estejamos perante uma geração particularmente dotada. Hoje, a
ambição começa na infância. O sonho dos jovens das academias já não é,
simplesmente, entrar no plantel principal. Os mais talentosos são desde cedo aliciados
com os milhões de outras paragens, pelo que se torna impossível segurá-los
muito tempo. Sobram…os restantes.
Podemos então avançar para um paradigma competitivo alicerçado na
formação? O Benfica quebrou a hegemonia portista recorrendo a jogadores
experientes, capazes de não vacilar perante as adversidades. Há, aqui por
perto, quem abuse da juventude imberbe. Mas não são campeões desde os tempos de
João Pinto, Jardel ou Schmeichel.
A formação é útil como instrumento, como meio. Num clube como o nosso,
não pode ser um fim.
VENHA OUTRA!
Hoje há mais. Na final da Taça da Liga, espera-se nova festa
benfiquista. Espera-se o 6º troféu oficial em duas temporadas.
Depois, o futebol parte para férias. Será altura de preparar a próxima
época e o ataque ao Tri.
Com uma equipa alicerçada na experiência de jogadores na casa dos
trinta anos, como Júlio César, Maxi Pereira, Luisão, Lima ou Jonas, o Benfica
terá porventura, neste defeso, uma menor pressão de mercado face à que sofreu
em anos anteriores. Sabe-se que Gaitán e Salvio são muito pretendidos, mas parece
perfeitamente exequível segurar na Luz, pelo menos, os restantes nove
titulares, mais os dois ou três suplentes habitualmente utilizados. Assim, com
um ou outro reforço cirúrgico, será possível manter uma linha de continuidade,
salvaguardando também - e este não é assunto menor - o tão louvado espírito de
grupo deste plantel.
Em cima da mesa está igualmente a questão do treinador. Estou certo que
o presidente e a direcção farão todos os possíveis, e até alguns impossíveis,
para manter Jorge Jesus. A estabilidade no comando técnico da equipa tem sido
uma arma determinante no sucesso do nosso futebol. Jesus criou um modelo de
jogo eficaz e ganhador, fazendo crescer dezenas de atletas. Deu-nos vitórias e
dinheiro. Muito dinheiro. No meu tempo de vida não recordo outro técnico tão influente
e decisivo. Não será fácil encontrar igual.
Começar do zero, num contexto económico muito menos favorável que o de
2009, acarretaria riscos substancialmente mais elevados do que o custo da
renovação do contrato. Até porque, como diz o povo sabiamente, “o barato por
vezes sai caro”.
DIGA 34
“…enquanto os outros falavam, nós íamos trabalhando”.
Esta frase, dita no rescaldo do jogo do título pelo capitão Luisão,
reflecte o que se passou ao longo da temporada, e explica porque estamos agora em
festa.
Perante um adversário directo que bateu todos os recordes de
investimento para nos derrotar, que dispôs do plantel mais caro da história do
futebol português, e que, por tudo isso, era tido em Agosto como o grande favorito
à conquista do título, o Benfica valeu-se da humildade, da união, do crer, da
raça, e da regressada mística, para inverter os papéis, e terminar na frente. Valeu-se,
também, do manto protector de milhões de adeptos espalhados pelo país, que em
momentos-chave carregaram a equipa ao colo rumo a importantes vitórias.
Quem mais falou, acabou ajoelhado no chão, de mãos a abanar, e
insultado pelos seus. Nós, acabamos Bi-Campeões, e envolvidos numa gigantesca
festa nacional e lusófona - bem mais ampla do que os pontuais incidentes
verificados em Lisboa.
O mérito deste título é de muita gente. Mas dois homens emergem como
figuras maiores de uma conquista cujo significado histórico vai bastante além
do número 34. Jorge Jesus, que reconstruiu uma equipa de raiz, dotando-a de uma
dinâmica de vitória absolutamente notável, e, sobretudo, Luís Filipe Vieira,
que já não andará longe de se tornar o maior presidente de sempre do Sport
Lisboa e Benfica.
Feita a festa, é altura de olhar para a frente. Falta ainda garantir a
Taça da Liga, de modo a fechar mais uma temporada futebolística com três
troféus: uma espécie de triplete-versão dois, que não queremos desperdiçar.
SÓ MAIS UMA!
Depois de nove longos meses de competição, de jornadas intensas – ora
mais difíceis, ora menos complicadas –, de ansiedade e sofrimento, de muitos
avanços e poucos recuos, de constante pressão, de demasiada conversa fora das
quatro linhas, de boas exibições e grandes golos, de muito suor e algumas
lágrimas, eis chegado o momento em que tudo poderá, enfim, ficar definido.
Falta-nos uma, apenas uma vitória. Com mais três pontos, ninguém nos
poderá retirar o direito de comemorar a conquista do 34º título nacional,
consumando assim o principal objectivo da temporada desportiva de 2014-2015.
Poderá acontecer já em Guimarães, num terreno difícil, e perante um adversário
que não nos tem sido nada simpático – nos últimos sete anos, derrotou-nos cinco
vezes, quer em jogos do Campeonato, quer na Taça de Portugal.
Com uma margem de erro que ainda permite um deslize, não haverá motivo
para que a equipa acuse qualquer tipo de pressão negativa. Sabemos que somos
melhores, que merecemos ganhar, e que vamos certamente cortar a meta em
primeiro. É com a auto-estima em alta que devemos partir para a cidade-berço. E
é em festa que esperamos de lá voltar.
Estou em crer que o Futebol nos fará justiça já nesta jornada, no
primeiro de dois “matchs-points” de que dispomos para fechar as contas do
título. Estou em crer que a glória está iminente. Falta um bocadinho assim.
Vamos a isso!
PS: O Hóquei e o Volei já estão no papo. O Futebol vem caminho.
Espera-se que também o Basquete e o Futsal possam ainda festejar. Talvez
estejamos à beira de um momento absolutamente ímpar na nossa história
centenária.
A FESTA PODE ESPERAR
Por esta altura, não haverá muitos benfiquistas a quem passe pela
cabeça a hipótese de ver fugir o título nacional.
Depois de cumpridas 31 jornadas, com dois jogos em casa por disputar,
com uma margem de erro simpática, e com a força competitiva demonstrada em
Barcelos, é de facto difícil imaginar outro cenário.
Porém, a nossa história recente obriga a todas as precauções. Se o
entusiasmo, e até a euforia, são sentimentos legítimos de uma massa associativa
que se alimenta de glórias, aos jogadores e quem os rodeia não é permitido
qualquer tipo de dispersão, em face de um objectivo que só estará alcançado
quando a matemática assim o determinar.
Há dois anos encontrámo-nos numa situação semelhante. Sabemos o que
aconteceu depois. Se o Gil Vicente pode ter sido uma espécie de Marítimo de
2012-2013, não podemos permitir que, amanhã, o Penafiel se transforme numa
espécie de Estoril. É pois necessário encarar este jogo como mais uma dura
“final”, numa caminhada que ainda não está concluída.
Um estádio cheio irá ajudar. Não para comemorar seja o que for, mas
sim para dar mais um forte empurrão à nossa equipa – a qual devemos ajudar,
sobretudo no caso de, por qualquer motivo, e em qualquer momento, o jogo vir a
tornar-se mais complicado do que o esperado.
Muito dificilmente seremos campeões neste fim-de-semana. O mais
provável é entrarmos no difícil estádio de Guimarães ainda a necessitar de
pontos. É muito importante poder fazê-lo com algum conforto, sob pena de as
contas se complicarem.
Por todas estas razões, amanhã sim, estaremos perante o jogo do ano. A
festa? Essa pode esperar.
TODOS OS NOMES
Chame-se Lotopegui, Lobategui ou Lopatego, o basco que treina o FC
Porto tem o condão de não agradar a ninguém – consenso que, diga-se, não é
fácil de estabelecer num futebol português extremamente polarizado e polemizado.
Não agrada aos desportistas em geral, pois trouxe com ele uma postura
de antipatia e petulância que o povo português bem dispensava. Não agrada aos
adversários, pois a sua retórica provocadora tem sido uma constante. Não agrada
aos jornalistas, com os quais é altivo e mal-educado. Não agrada aos árbitros,
dos quais se queixa jornada após jornada, sem razões objectivas para tal. Não
agradará, sequer, aos adeptos do seu clube, pois com o plantel mais caro da
história do país arrisca-se a não vencer um único troféu, tendo sido eliminado
da Taça de Portugal, em casa, pelo Sporting; da Taça da Liga pelo Marítimo; humilhado
na Liga dos Campeões pelo Bayern de Munique; estando agora dependente de
terceiros, a quatro jornadas do fim, na única competição que lhe resta.
Discurso oficial à parte, quem o contratou ter-se-á também já
arrependido. Se outros não acertam no seu nome, ele raramente acerta nos nomes
dos jogadores que coloca a jogar, e raramente acerta no que diz. Há pessoas
assim.
Enquanto benfiquista, desejo vê-lo no clube rival por mais alguns anos
(com ele no banco, não há Jacksons, Danilos, Casemiros ou Oliveres que lhes
valham). Enquanto português, parece-me que temos por cá dezenas de treinadores
mais competentes e sabedores do que ele.
Resta saber se este aparente erro de casting significa, ou não, o
canto do cisne da tão incensada “estrutura” portista.
VENCER, VENCER
Não andaria longe da verdade se afirmasse que temos, esta temporada,
uma das melhores equipas de Hóquei em Patins da história do Benfica. A vitória
por 5-1 sobre o FC Porto (a acrescer ao triunfo por 3-7 no Dragão) traduziu
essa clara superioridade, consumando um título há muito anunciado. 23 vitórias
e 1 empate, em 24 jornadas, são outro dos cartões de visita dos nossos
fantásticos hoquistas. Estou em crer que a Taça de Portugal também não fugirá,
concretizando a desejada “dobradinha” – algo que não acontece desde 1995.
No domingo é a vez do Futebol. Entende-se
que Jorge Jesus queira retirar pressão dos ombros dos jogadores, mas, com ou
sem retórica, o jogo é mesmo decisivo. E se o vencermos, nem o mais laureado matemático
me fará duvidar do título.
Em casa, a nossa equipa tem demonstrado forte predominância sobre os
adversários, e uma qualidade de jogo digna de campeão. Esta partida terá, provavelmente,
características diferentes, apelando menos à nota artística, e mais à generosidade
dos jogadores na disputa de cada lance. Será um desafio à coragem. Um repto à
alma benfiquista.
O Inferno da Luz também está convocado, sobretudo para os momentos em
que a equipa mais necessitar de apoio. É importante percebermos que os jogos
têm noventa minutos, e passam por fases distintas. Num ou noutro período, os nossos
jogadores poderão precisar de sentir que estamos com eles, e que estamos unidos
em torno de um objectivo comum.
Há que mostrar, também nas bancadas, que o adversário não nos
amedronta, e fica demasiado pequeno perante o grito da nossa fé. O grito que
nos conduzirá à glória.
A FEBRE DE SÁBADO À TARDE
As últimas partidas disputadas na Luz têm enchido as medidas aos
benfiquistas, quer pelas vitórias sucessivas, quer pela qualidade de jogo
apresentada, quer pelos muitos e bons golos, quer pelo ambiente vivido antes,
durante e após os jogos. Uma verdadeira febre de sábado à tarde, que
pretendemos manter até ao fim da época.
O horário é o ideal, como se comprova pelos números da bilheteira. E
as exibições têm correspondido à expectativa dos adeptos mais exigentes,
resgatando o futebol para a sua pureza festiva – que, em Portugal, a dada
altura, e por motivos que não vêm ao caso, terá sido hipotecada. Trata-se, no
fundo, de fazer coincidir um bom espectáculo dentro das quatro linhas, com
bancadas cheias de entusiasmo, jovialidade e fervor clubista. É isso que temos
conseguido. É isso que este grande Benfica (desportiva, institucional e
socialmente) tem conseguido.
Amanhã, queremos ver reproduzida toda esta intensidade e alegria no
Restelo. Não há razão para que, num estádio pintado de vermelho (como
certamente será o caso), a equipa não entre em campo com a autoridade que tem
demonstrado na Luz, e que mal deixa respirar os atónitos adversários.
Não é possível jogar dois jogos ao mesmo tempo: por agora é este, e
apenas este, que teremos de vencer. Um Benfica à altura do escudo de campeão
que ostenta, e em harmonia com aquilo que tem evidenciado nas últimas partidas
em casa, corresponderá com certeza ao imperativo de conquistar os três pontos,
dando mais um passo rumo ao 34º título.
PS: Para o Voleibol (e, já agora, para o Hóquei) deixo apenas três
palavras: Vamos ser Campeões!
SETE FINAIS
Número bíblico, número mítico, número da perfeição, sete são os dias
da semana, sete são também os jogos que nos separam da conquista do
Bi-Campeonato.
Podem até ser menos (dependendo dos resultados que entretanto se forem
verificando). Podem ser apenas cinco, se os vencermos todos. Mas para isso, há
que olhar para cada um como se fosse o último. Como se fosse uma final.
Amanhã é dia grande. É dia de final. Temos pela frente a Académica –
equipa que começou mal a temporada, mas tem crescido manifestamente nas últimas
semanas. Vai colocar-nos dificuldades. Com talento, com alma, com garra
benfiquista, e com apoio incessante nas bancadas (nos momentos mais
exuberantes, mas também naqueles em que é necessário arrefecer o jogo, ou
conter o ímpeto de adversários que querem igualmente os pontos), vamos
certamente vencer, e dar mais um importante passo rumo ao título.
Estes fantásticos jogadores merecem tudo. Este treinador resgatou a
competitividade do nosso futebol para níveis que só num passado já longínquo
encontram paralelo. Este presidente pegou nos escombros de anos malditos, e
ergueu o colosso que temos hoje à nossa frente, devolvendo-nos o orgulho, e devolvendo-nos
a esperança. Temos, em campo, no banco, e na tribuna, os intérpretes perfeitos
da nossa grandeza. Cabe-nos a nós, sócios e adeptos, cumprir a nossa parte.
Amanhã seremos muitos. Além de sermos mais, temos também de ser
melhores. Temos de estar ao nível da importância do momento. Os benfiquistas
sabem bem como o fazer. Como levar os seus à Glória. Unidos, em torno de um
ideal.
Todos por um. Todos pelo título. Força Benfica!
POTENCIA DESPORTIVA
Com as várias modalidades ainda a entrarem na fase decisiva das
principais competições, será prematuro fazer desde já um balanço rigoroso da
temporada eclética do nosso clube.
Ainda assim, pode dizer-se que o Voleibol, o Basquetebol e o
Atletismo, mesmo tendo pela frente as decisões nos respectivos campeonatos, já
fizeram por tornar positiva a época de 2014-15. No Voleibol, Taça e Supertaça
estão já nas nossas vitrinas, troféus aos quais temos que juntar uma histórica
prestação internacional, faltando apenas selar o tri-campeonato. No Basquete, haverá
que concretizar o tetra-campeonato, mas já arrecadámos Taça, Supertaça, e os
troféus Hugo dos Santos e António Pratas, ou seja, todas as provas oficiais disputadas
no país. No Atletismo, aos títulos já alcançados não podemos deixar de somar o
triunfo de Nélson Évora nos Europeus de Pista Coberta – ainda que com as cores
da selecção portuguesa.
Nas restantes três modalidades de pavilhão, está tudo em aberto. A
fantástica equipa de Hóquei em Patins tem o título nacional e a Taça de
Portugal à mercê, levando 23 vitórias, um empate e zero derrotas nestas duas
provas até ao momento (uma pena a eliminação europeia…). O Futsal aponta também
a uma eventual dobradinha, seguindo igualmente invicto nas duas provas (22
vitórias e 3 empates). Quanto ao Andebol, começa este fim-de-semana a disputar
a meia-final do play-off, sendo que também na frente europeia se tem destacado.
Com uma percentagem de vitória na casa dos 86% (82% nos dois anos
anteriores), as nossas modalidades estão bem e recomendam-se. Espera-se, pois,
mais um ano à Benfica.
NA FRENTE
Se, por absurdo, em Agosto de 2014, no fim de uma pré-temporada
angustiante, alguém nos desse a assinar um documento por via do qual, no início
de Abril, o Benfica estaria a liderar o campeonato com três pontos de vantagem
sobre o segundo classificado, seria fácil recolher quase tantas assinaturas
quantos os sócios e adeptos abordados.
Independentemente das expectativas que, num ou noutro momento, por
este ou aquele resultado, foram sendo criadas, ninguém de bom senso esperaria
que o presente campeonato se transformasse num passeio – como, diga-se, de
algum modo acabou por ser o anterior.
O plantel encarnado sofreu entretanto muitas baixas, e o rival directo
reforçou-se com exuberância. As forças equilibraram-se. E se este Benfica pôde
continuar a vencer, não é justo exigirmos-lhe que o faça nadando num mar de
facilidades.
A derrota de Vila do Conde foi dolorosa, mas não vai iludir os factos:
estamos a fazer um campeonato brilhante, e somos os mais sérios candidatos ao
título. Perdemos uma batalha. Já havíamos perdido outras. Mas a guerra está aí,
diante de nós, para ser vencida. Com agruras, com sofrimento, com avanços e
recuos, com suor e com lágrimas. A nossa cor é de sangue, e a nossa história é
de luta. Da Farmácia Franco aos heróis de Berna, de Eusébio e Coluna aos dias
de hoje.
Não foi a choramingar que nos tornámos um dos maiores clubes do mundo.
Foi, sim, a reagir às adversidades com alma de campeão, e a erguermo-nos, mais
fortes, de cada vez que tropeçámos.
Faltam apenas oito finais. Hoje é o primeiro dia do resto da
temporada, e partimos na frente.
Força Benfica!
ONDA VERMELHA
O espaço desta coluna não chegaria para destacar todas as vitórias que
o nosso Clube alcançou na passada semana, com o realce que cada uma delas
merecia.
Teria de escrever sobre Andebol, e sobre a impressionante vitória na
Polónia, na 1ªmão dos quartos-de-final da Taça Challenge. Teria de escrever
sobre Voleibol, e o claro triunfo perante o SC Espinho no primeiro jogo das
meias-finais do Playoff. Teria de mencionar mais uma gorda vitória do
Basquetebol no campeonato que há muito lidera. Teria de falar de Atletismo, e
da limpeza nos nacionais de Corta-Mato. Teria, sobretudo, de saudar as meninas
do Hóquei em Patins, que alcançaram um feito histórico de suprema grandeza,
tornando-se Campeãs da Europa - aliás, o desporto feminino tem sido uma aposta
do Benfica, tratando-se de uma vertente com franca margem de progressão.
Mas posso também falar de Futebol, e do enorme espectáculo a que assistimos
no Sábado, quer dentro do campo, quer nas repletas bancadas da Luz, onde mais
de 60 mil deram voz à alma de campeão.
A sensação que se colhe de uma experiência como aquela é a de que um
Benfica assim é imparável. Somos muitos, e, quando unidos e capazes de
transmitir confiança e vibração à equipa, tornamo-nos esmagadores.
A prestação dos jogadores foi notável, e dois golos souberam a pouco
para tanto futebol.
O colorido das bancadas fica na retina de quem o viveu (o horário dos
jogos também ajuda, como tem sido demonstrado ao longo destas duas épocas).
Ficou bem claro qual o caminho que teremos de percorrer para que o
sonho do bi-campeonato se transforme numa doce realidade. É seguir em frente.
JOGOS ESPECIAIS
Terminado o jogo entre SC Braga e FC Porto, esperava-se alguma
indignação por parte dos dirigentes da equipa da casa, face a um lance de
grande penalidade que ficou por sancionar, e que poderia ter dado o empate.
Pelo contrário, o presidente bracarense não só ignorou esse lance, como
afirmou, a despropósito, que a sua equipa teria de fazer tudo para ganhar… ao
Benfica.
Independentemente da falta de oportunidade da declaração, fica por
saber o que será esse “tudo”. Mas, olhando à diferença de atitude competitiva
que o SC Braga tem revelado quando defronta o Benfica – jogos que disputa de
faca nos dentes, com níveis de agressividade próximos do intolerável -, e quando
tem pela frente o FC Porto – jogos em que normalmente é dócil e submisso -,
podemos chegar a algumas pistas.
O futebol tem coisas estranhas, que escapam ao entendimento do adepto
comum. É normal que uma equipa mais pequena se agigante quando tem pela frente
nomes sonantes. Mas não é normal que, ano após ano, jogo após jogo, uma mesma
equipa coloque grandes dificuldades a um adversário, e apresente total
passividade face a outro. Desde os tempos de Domingos Paciência que assim é.
Certamente por coincidência.
Quem terá de ignorar tudo isto somos nós. E a solução para vencer é
apenas uma: entrar com a mesma intensidade do adversário minhoto, sabendo que, assim,
a maior capacidade técnica dos nossos jogadores fará a diferença. É também
importante que o apoio dos adeptos se faça sentir, não com bolas de golfe ou
intimidação (como por vezes sucede em Braga), mas com incentivos capazes para
empurrar a equipa para o golo.
O REI ARTUR
Todos nos recordamos de algumas primeiras páginas de jornais na semana
que antecedeu o último dérbi lisboeta, e das pressões que foram lançadas sobre
os ombros do guarda-redes Artur, procurando desestabilizá-lo, desacreditá-lo, e
até humilha-lo.
Artur respondeu como se impunha. Foi um dos melhores em campo nessa
partida, e, nos quatro jogos que desde então realizou, apenas voltou a sofrer um
golo (sem culpas, diga-se). Mais: nesses jogos (cinco no total), não cometeu
qualquer erro, realizando excelentes intervenções. Bastará dizer que, nestas
semanas, não se sentiu a ausência de Júlio César.
Não me esqueço (nem lhe perdoo…) a fantástica exibição que Artur fez
pelo SC Braga, na meia-final da Liga Europa de 2010-11. Também não me esqueço dos
seus primeiros meses no Benfica, ao longo dos quais exibiu grande segurança,
contribuindo decisivamente para alguns bons resultados – designadamente na
Champions. Na última Supertaça voltou a ser decisivo, quando muitos
desconfiavam dele. E na primeira jornada deste Campeonato, defendeu um penálti
num momento extremamente importante para a equipa.
Passou tempos menos felizes, que, para azar dele (e nosso) coincidiram
com jogos decisivos – sobretudo na dramática ponta final da temporada 2012-13.
Caiu então sobre Artur um anátema do qual custou a libertar-se, mas que é
totalmente injusto face à sua grande categoria.
Poucos se têm lembrado dele por estes dias. Os guarda-redes dão nas
vistas sobretudo quando erram. Mas Artur merece esta referência. E se o Benfica
for campeão – como todos esperamos – terá um lugar muito especial nas
festividades.
CANTIGAS DE ESCÁRNIO
À medida que nos vamos aproximando da fase decisiva da temporada, é
cada vez mais sonoro o ruído provocado pela única, e já clássica, aliança
verdadeiramente existente no futebol português: a que congrega FC Porto e
Sporting, num afinado ataque ao Benfica.
De um lado, aqueles que durante décadas beneficiaram de arbitragens
protectoras em troca de viagens ao Brasil, de favores de prostitutas, de promoções
na carreira, de aconselhamento matrimonial, ou – quando tal não se revelava suficientemente
cativante – de manobras de intimidação à moda siciliana. Crimes cujo castigo ficou
vedado por meras incidências processuais, mas que jamais irão cair no nosso esquecimento.
Do outro lado, o queixume próprio de quem nada ganha há longos anos, de
quem sempre se colocou em bicos de pés na tentativa reiteradamente frustrada de
se sentir à altura do odiado vizinho e rival, e de quem tem a necessidade
crescente de encobrir desilusões próprias atirando lama para cima dos triunfos
alheios. Enfim, uma lamúria antiga e bem conhecida.
Um canto que não era canto – era penálti…. Um cartão vermelho que,
objectivamente, ninguém ousa contestar. Um lance dividido, mas limpo, na área
do Benfica. Três momentos do jogo de Moreira de Cónegos cujo benefício extra-desportivo
para o Benfica foi nulo, mas que, ainda assim, serviram de arma de arremesso no
âmbito do futebol falado e escrito, devidamente misturados num ressequido bolo
de mistificação e embuste.
A razão para a gritaria é só uma: o medo de ver o Benfica sagrar-se
novamente campeão nacional.
O objectivo é simples: pressionar as arbitragens dos próximos jogos,
para assim tentar impedir que esse temido desfecho se torne realidade.
A resposta será dada dentro do campo. E também nas bancadas, onde a
nossa voz se fará ouvir mais alto que todas as tentativas de desestabilização
de que seremos alvo até ao fim deste campeonato.
Estamos todos convocados. Cada jogo uma final, cada lance uma vida. E
um título à distância da nossa união e vontade de vencer.
CROMO DA BOLA
Para os lados de Alvalade, o Carnaval veio com uma semana de
antecedência. E é provável que continue muito para além da tradicional
quarta-feira de cinzas.
Logo que chegou à presidência do Sporting, a postura de Bruno Carvalho
perante certas figuras parecia a de alguém capaz de trazer algo de novo ao
futebol português. Rapidamente a máscara lhe caiu. Viu-se precipitação em vez de
sensatez, fanfarronice em vez de coragem, e conflitualidade barata em vez de
determinação.
Tratando o clube como um brinquedo, incompatibilizou-se com o FC
Porto, incompatibilizou-se com a Liga, incompatibilizou-se com a Federação,
incompatibilizou-se com os fundos, incompatibilizou-se com a UEFA,
incompatibilizou-se com os jogadores, incompatibilizou-se com o treinador,
incompatibilizou-se com figuras históricas do seu clube, incompatibilizou-se
com os anteriores dirigentes, incompatibilizou-se com grupos de adeptos,
incompatibilizou-se com a imprensa, e faltava, obviamente, incompatibilizar-se
com o Benfica. Não havia melhor ocasião do que o rescaldo de um resultado
frustrante. Uma tarja infeliz serviu de pretexto.
Fosse eu a decidir, e teria ficado sem resposta desde o primeiro
comunicado. Este tipo de personagem procura protagonismo, e nada melhor que uma
boa dose de polémica para o conseguir. Infelizmente, já por cá tivemos igual.
Conhecemos a espécie. Daqui ao descrédito total – mesmo entre os seus - é apenas
uma questão de tempo.
O corte de relações não nos tira o sono. Não me recordo do Benfica
ganhar alguma coisa por ter melhores ou piores relações institucionais com o
Sporting. Nos momentos-chave, em que o futebol português podia dar passos no
sentido da regeneração, o Sporting assobiou para o lado. Ao respeito que sempre
lhes dispensámos, responderam com o ressentimento próprio dos invejosos. Não
servem para nada. Não fazem falta. Não contam para o nosso campeonato. Podem
ficar a falar sozinhos. Daqui, não os ouvimos.
Vamos ganhar ao Moreirense, pois é isso que verdadeiramente interessa.
PRAGMATISMO
Não tivesse eu visto o dérbi com os meus próprios
olhos, e a julgar pelos comentários que ouvi e li – alguns dos quais, pela voz e
pela pena de distintos benfiquistas –, seria levado a pensar que o Benfica fora
massacrado, que o Sporting criara dúzias de oportunidades de golo, e que o
resultado justo teria sido uma goleada a favor dos nossos rivais.
A realidade é bem diferente. Assistiu-se a uma
partida tacticamente amarrada, na qual as defesas se superiorizaram aos ataques.
A iniciativa de jogo foi, naturalmente, da equipa que mais precisava de ganhar.
O Benfica, a quem o empate não inquietava, jogou com as cautelas que o
pragmatismo aconselha. Podia ter tido o azar de perder com um erro nos últimos
minutos, na segunda oportunidade criada pelo Sporting. Teve a sorte de empatar
nos últimos segundos, na segunda oportunidade que criou. Com tão poucos lances
de perigo junto das balizas, diria que o resultado normal teria sido 0-0. Os
golos apimentaram a noite, trazendo, eles sim, sensações de angústia e de
euforia que iludem a racionalidade, e enviesam as análises.
Teria o Benfica alguma coisa a ganhar mostrando
outra ousadia? Não sei. Na casa de um adversário altamente moralizado, não era
prudente entrar em campo com a petulância dos fanfarrões. Prefiro que outros se
queixem da nossa sorte, do que sermos nós a queixar-nos do azar.
As críticas mais simplistas à estratégia de Jesus –
que também fizeram eco na família benfiquista – ignoram dois aspectos essenciais.
O primeiro é que jogar bem, jogar bonito e jogar ao ataque não são
necessariamente sinónimos. O segundo é que o Benfica não tem hoje os argumentos
técnicos de que dispunha nas últimas temporadas.
Sim, acredito que seremos campeões. Mas com uma
banda sonora diferente da música que tocavam Aimar, Saviola e Di Maria, ou,
mais tarde, Matic, Enzo e Markovic. Agora o caminho tem de ser outro. E desde
que nos leve ao Marquês (onde, aí sim, haverá espectáculo), não vai ser um
trinco a mais que nos fará festejar a menos.
MAIS DO QUE UM DÉRBI
Olhando para as estatísticas, e ao contrário da “verdade” com que
somos anualmente confrontados, um Benfica-Sporting, na Luz, tem sempre um acentuado
favorito. Por exemplo, nos últimos nove campeonatos, o Benfica venceu seis
vezes, empatou três, não perdendo em nenhuma ocasião. Mais: nos últimos oito
Benficas-Sportingues disputados na Luz, apenas sofremos um golo.
Pelo contrário, em Alvalade, e segundo as mesmas estatísticas, o
equilíbrio prevalece, não havendo favoritismos a atribuir. Ou não se
registassem precisamente três vitórias, três empates e três derrotas, nos
últimos nove dérbis para o campeonato jogados no recinto dos nossos vizinhos.
Para este domingo, é pois difícil avançar com prognósticos – até
porque, como alguém sabiamente afirmou, em futebol eles apenas devem ser feitos
no fim dos jogos.
Já quanto à importância do desafio não restam dúvidas. Embora uma
vantagem de sete pontos salvaguarde, sob o ponto de vista aritmético, a
liderança benfiquista, sabemos que, na prática, uma derrota em Alvalade traria
o Sporting de regresso à luta pelo título (coisa que bem dispensamos),
permitindo igualmente a aproximação do FC Porto - que poderia passar a depender
apenas de si próprio, situação substancialmente mais motivadora para qualquer
perseguidor numa prova desta natureza. Tratando-se de um jogo decisivo para os
nossos adversários directos, trata-se, consequentemente, de um jogo decisivo
também para nós. E é dessa forma que o teremos de abordar.
Sabemos que do outro lado está uma equipa jovem, e que a pressão de
enfrentar o tão odiado quanto temível Benfica costuma pesar-lhe nos ombros. Devemos
saber jogar com isso, e com a força que o escudo de campeão transmite aos
nossos atletas. A confiança e a maturidade poderão ser a chave para um
resultado positivo. Um empate não seria dramático - não abria espaço a qualquer
dos perigos acima referidos -, mas as vitórias são a nossa forma de estar na
vida, e é para a conquista dos três pontos que teremos de apontar as baterias.
MURRO NO ESTÔMAGO
Os cerca de quarenta anos que levo a ver futebol ensinaram-me uma
máxima, segundo a qual, uma grande equipa pode perder jogos decisivos contra
outra grande equipa, uma grande equipa pode até perder jogos não decisivos
contra equipas menores, mas uma grande equipa jamais poderá perder jogos
decisivos contra equipas que não são da sua igualha. Na Mata Real, o Benfica –
que nas semanas anteriores havia justificado o epíteto de “grande equipa” –
falhou na resposta a essa equação.
As pessoas ligadas directamente futebol (jogadores, treinadores,
dirigentes, etc) encontrarão explicações para este tipo de acontecimento.
Muitas dessas explicações resumem-se à simples e batida frase “é futebol”. Para
o adepto comum, mesmo o mais atento (como, perdoem-me a imodéstia, creio ser o
meu caso), as coisas não são assim tão fáceis de entender. E muito menos de
digerir.
Em Paços de Ferreira, a nossa equipa desperdiçou uma oportunidade
soberana para quase colocar uma pedra sobre este importantíssimo campeonato.
Não o fez, e se as consequências na moral dos jogadores encarnados estão ainda
por aquilatar, já quanto à moral dos principais adversários na luta pelo
título, tenho, neste momento, poucas dúvidas: esta generosa derrota recuperou o
ânimo do FC Porto, e reforçou fortemente o do Sporting.
Dito isto, importa não chorar mais sobre o leite derramado. Importa,
sobretudo, olhar para os próximos jogos com redobrada atenção, e redobrada
vontade de vencer. Continuamos na frente, com uma vantagem ainda considerável,
e não deixámos de ser os principais candidatos ao título.
Este sábado, diante do Boavista, temos nova “final”. É imperioso
vencer, para afastar fantasmas, e repor uma certa ordem na história deste
campeonato. É importante que os adeptos esqueçam rapidamente a frustração da
passada segunda-feira, e voltem a focar-se no apoio a uma equipa que, ainda
assim, continua a realizar uma temporada bastante acima das expectativas
iniciais.
Perdemos uma batalha, mas venceremos a guerra.
EQUIPA DE AUTOR
Estávamos em Agosto, às portas das competições oficiais, e o Benfica
levava 6 derrotas em 8 jogos de pré-temporada - a última das quais por 5-1
diante do Arsenal. Apenas Sion e Estoril haviam sido ultrapassados por uma
equipa encarnada que se dizia estar em decomposição.
Oblak, Garay, Siqueira, André Gomes, Markovic, Rodrigo e Cardozo,
peças importantes no “Triplete”, haviam partido. Antes já partira Matic. Mais
tarde partiria também Enzo Perez. Até jovens promessas como Cancelo, Bernardo Silva
ou Cavaleiro nos deixavam. Fejsa, Amorim, Sílvio e Sulejmani apresentavam
lesões graves e demoradas. Do “melhor plantel dos últimos trinta anos” pouco
mais restava do que cinzas.
Confesso que fui dos muitos a desconfiar das potencialidades de um
conjunto do qual os presumíveis titulares eram outrora suplentes, no qual o
banco estava agora ocupado por ex-renegados, e para o qual as novas contratações
estavam longe de entusiasmar. Até porque nos quadros do principal adversário
entravam “estrelas” em catadupa. Muita gente terá então suposto que o novo
campeão estava encontrado, restando-nos lutar pelo segundo lugar.
Estamos em Janeiro, e nada está ganho. Mas ver este Benfica comandar
categoricamente a classificação, com vantagem pontual significativa, e agora
também com nota artística elevada, é reconfortante, e diz bem da qualidade do
trabalho realizado por um treinador de excepção.
Jorge Jesus já mostrara capacidade para fazer equipas de luxo a partir
de grandes plantéis. Nos últimos meses tem demonstrado que também as faz a
partir de escombros. Ou melhor, a partir daquilo que pareciam escombros, mas
que ele soube potenciar e transformar em ourivesaria fina.
É oficial: temos de novo uma grande equipa, jogamos de novo um
belíssimo futebol, e somos os mais fortes candidatos ao título. Podemos não o
conquistar, mas a performance até agora alcançada, nas circunstâncias acima
referidas, não está ao alcance do comum mortal.
Este Benfica é pois uma obra de autor. Diria mesmo, uma obra de
mestre.
INFERNO NO PAVILHÃO!
A nossa equipa de Futebol, com manueis
e com joaquins, leva já 43 pontos em
16 jornadas. Melhor, só em 1984, ou seja, há mais de 30 anos. O caminho é o do
título, e todo o apoio será pouco para garantir que a saga termine como
desejamos.
Mas também nos pavilhões, o Benfica 2014-15 vai dizimando a
concorrência.
Em Hóquei, aquela que será, porventura, uma das melhores equipas da
história encarnada, conta 13 vitórias em 14 jogos - das quais, as últimas três,
7-3 no Porto, 10-0 ao Valongo e 7-0 ao Sporting, são bem elucidativas da força
e da classe que por ali abunda. Amanhã discute-se na Luz o 1º lugar do grupo
europeu com o Barcelona. Não andaria longe da verdade se afirmasse estarmos
perante os dois melhores conjuntos do momento em todo o mundo. Para quem gosta
de Hóquei, este será um petisco a não perder. E também as meninas, lideres
destacadas cá no burgo, têm compromisso internacional, igualmente na Luz, diante
do Voltregá.
O Basquetebol, já com dois troféus no bolso, vai passeando pelo
campeonato, rumo ao Tetra. Espera-se que neste sábado alcance a 11ª vitória em
12 jogos, precisamente sobre o único adversário que não derrotou na primeira
volta: o Galitos. O jogo é em casa.
O Voleibol também joga na Luz, com o Esmoriz, e procura o 12º triunfo
em 13 partidas. Outra marca impressionante na caminhada para o Tri.
A renovada equipa de Futsal tem arrasado todos os adversários. Já leva
16 vitórias em 17 jogos, grande parte delas por números esclarecedores. Este
sábado inicia a luta pela conquista da Taça, em Braga.
O Andebol mantém vivas todas as esperanças para o Play-off. Amanhã
enfrenta o Passos Manuel, a fechar uma grandiosa jornada à Benfica nos nossos
pavilhões.
O trabalho que tem sido feito por esta gente merece a presença em
massa dos benfiquistas. Este sábado, temos uma boa oportunidade para demonstrar
gratidão, por tantas vitórias; e confiança, de que elas se traduzam em títulos.
Basquete, Volei, Hóquei, Andebol e mais Hóquei. Das 15.00h às 23.00h.
Força Benfica!
UM ANO INESQUECÍVEL
O ano de 2014 entrou para a galeria dos mais empolgantes da história
recente do Benfica.
É verdade que começou de forma triste, com o desaparecimento de duas
lendas do futebol português e mundial, que tantas saudades nos deixaram. Eusébio
e Coluna partiram, e, infelizmente, já não puderam desfrutar dos triunfos com
que o clube que tanto amavam, e ao qual tanto deram, varreu o país.
Certamente que a magnitude do seu legado serviu de inspiração aos
atletas encarnados que, ao longo dos meses seguintes, nas várias modalidades e
escalões, fizeram de 2014 um ano para recordar. Desde logo, no Futebol.
Campeonato Nacional, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça. Tudo
ficou nas nossas mãos. Mais títulos nacionais houvesse, mais títulos seriam
conquistados. Foi, como se costuma dizer, uma limpeza.
Só um árbitro alemão de má memória impediu a nossa equipa de alcançar
a consagração internacional que tanto merecia. Os penáltis de Turim foram, sem
dúvida, o momento desportivo mais doloroso de 2014, não só pela perda de algo
que parecia estar perfeitamente ao nosso alcance, como pelo sentimento de
injustiça face à forma obtusa como tal desfecho se concretizou.
Já na nova temporada, as treze vitórias em quinze jogos do Campeonato,
a clara vitória no Estádio do Dragão, e os seis pontos de vantagem na tabela
classificativa, indiciam que o sonho do “Bi” está bem vivo. É esse o grande desejo
de todos nós para 2015. É esse o desígnio que terá de nortear a família
benfiquista durante os próximos cinco meses. Unidos, enchendo estádios, criando
uma avassaladora onda vermelha em torno da equipa e de cada partida, estou
seguro de que voltaremos ao Marquês.
Também nas restantes modalidades o Benfica deu cartas em 2014. Campeão
de Basquetebol, Atletismo e Voleibol, vencedor da Taça de Portugal em Hóquei em
Patins, líder nas várias frentes em que participa nesta nova época, o último ano
evidenciou um Benfica altamente competitivo, e predominantemente ganhador. Também
no ecletismo, 2015 promete.
A APOSTA NA FORMAÇÃO
O debate inunda os espaços de opinião ligados ao Benfica, e não só.
“Devíamos apostar mais na formação”, “Jesus não aposta na formação”, etc., são
frases que entraram no léxico futebolístico, e no universo benfiquista em
particular. Mas antes de concluirmos seja o que for a este respeito, importa
esclarecer do que falamos quando falamos de “formação”.
Será essa aposta a construção de infraestruturas de ponta, dotadas da
mais avançada tecnologia? Isso já o Benfica faz, desde que criou o Centro de
Estágio do Seixal. Será ela a composição de uma estrutura técnica competente,
capaz de juntar aos conhecimentos genéricos a mística benfiquista? Isso também tem
sido feito. Será a prospecção de talentos, o seu acolhimento, e o seu
desenvolvimento desportivo e humano? O nosso clube é quem mais alimenta as
selecções jovens. À pergunta se o Benfica aposta ou não na formação, a resposta
só pode, pois, ser claramente afirmativa.
Outra coisa é o reflexo dessa aposta na equipa principal. Mas isso
depende do talento individual, e não da escolha do treinador – que, obviamente,
quer vencer. Pretenderíamos ver já Bernardo Silva no lugar de Enzo? Quereríamos
Cavaleiro no lugar de Gaitán? Gostaríamos de ter Cancelo no lugar de Maxi? Pese
embora o valor dos jovens em causa, e a esperança que neles depositamos, não me
parece que fosse esse o caminho para os títulos que se exigem. E estes, caro
leitor, são o objectivo último (eu diria mesmo único) de um clube como o nosso.
Custará a admitir, mas a verdade é que há muitos anos não sai da nossa
formação alguém com capacidade para se fixar como titular indiscutível no onze
principal (um Chalana…um Rui Costa…). Há uma crise de talento no futebol
português em geral, fruto de circunstâncias várias, algumas delas extra
desportivas (vejam-se os efeitos na Selecção A). Assim sendo, não me parece prudente
impor jovens, apenas porque são jovens. Há, do outro lado da rua, quem tenha
feito algo como isso. Mas nós não queremos lutar pelo terceiro lugar, pois não?
PLANTEL GLORIOSO
Em boa hora, o meu caro João Tomaz e o Fernando Arrobas levaram a cabo
a iniciativa de promover a escolha dos melhores jogadores da história do
Benfica.
O resultado é um livro – que aconselho vivamente -, onde 100 pessoas,
de alguma forma ligadas ao benfiquismo, elegem 26 jogadores e 3 treinadores da
sua preferência.
Tive a honra de ser um dos votantes, e devo dizer que as minhas opções
pouco diferiram do plantel vencedor. Como se calcula, o exercício não foi
fácil, pois, para nossa felicidade, da história centenária do Benfica constam
muito mais do que 26 nomes merecedores de uma distinção como esta. Dos que
escolhi, apenas Pietra, Vítor Paneira, Simão Sabrosa e Di Maria, não figuram na
lista final. De entre estes, confesso que foi a ausência do extremo argentino a
que maior estranheza me causou, por estar convencido de se tratar de um dos
melhores - senão o melhor… - estrangeiros de sempre a vestir o Manto Sagrado. Democracia
é democracia, e os escolhidos são também, todos eles, craques de primeiríssimo
plano. Todos nos orgulham, e alimentam a nossa memória colectiva. E nem me
atrevo a dizer, neste momento, quem deixaria de fora para colocar Di Maria, ou
qualquer outra das minhas preferências pessoais.
Quanto a treinadores, tive menos dúvidas. Optei por Béla Guttman, pelo
impressionante palmarés, por Eriksson, por ter revolucionado o futebol do
Benfica na minha adolescência (nunca esquecerei a equipa de 82-83…), e por
Jorge Jesus, por tê-lo feito nos anos mais recentes. Foi, de resto, este trio
que venceu a votação, se bem que Otto Gloria, Jimmy Hagan e Toni também
merecessem uma menção honrosa. Nem percebo a relativa polémica que a escolha de
Jesus causou nalguns meios (mais externos do que internos): quem fere uma
hegemonia de décadas do FC Porto, quem alcança todos os títulos nacionais numa
temporada, quem chega a duas finais europeias consecutivas e coloca o clube no
top 5 do ranking europeu, tudo com um futebol bonito e empolgante, entra
claramente para a eternidade.
MAIORIDADE
Puxemos o filme atrás, até à pré-época, até às 6 derrotas nos 7 jogos
de preparação que antecederam a Supertaça, e ao cepticismo com que muitos
olhavam para a debandada de jogadores como Oblak, Garay, Siqueira, Markovic,
André Gomes, Rodrigo ou Cardozo. Recordemos o que então se disse.
Depois de anos sucessivos em que um forte investimento na equipa
escancarava as portas à esperança, o último Verão parecia deixar-nos uma amarga
sensação de fim de festa: por motivos vários, o Benfica deixaria inevitavelmente
a dianteira do panorama futebolístico nacional, devolvendo-a ao todo poderoso,
e reinventado, FC Porto.
Confrontemos com a realidade actual. 11 vitórias em 13 jogos do
Campeonato, 6 pontos de vantagem para o 2º classificado, e vitória categórica
no reduto do principal adversário. Nem os mais optimistas julgariam possível tão
eloquente desempenho. Mas ele aí está, e tem um nome: Jorge Jesus.
Se em épocas anteriores alguns argumentavam que o técnico do Benfica
usufruíra de plantéis luxuosos, com os quais qualquer um seria capaz de brilhar
(afirmação que, diga-se, está longe de corresponder à realidade do futebol
moderno), nestes meses, com uma equipa desfalcada – além dos que saíram, também
as lesões de Sílvio, Eliseu, Ruben Amorim, Fejsa, Jara e Sulejmani reduziram o
lote de opções -, o que Jesus conseguiu é digno dos mais vivos encómios. E a
vitória no Dragão (a sua 8ª sobre o FC Porto), alicerçada numa estratégia de
jogo imaculada, apenas confirmou aquilo que se vai tornando evidente desde 2009:
temos, neste momento, um dos melhores treinadores da história do Benfica.
O triunfo de domingo significou, também, o atingir de uma certa
maioridade desta equipa, na qual poucos confiavam no início da temporada.
Aqueles jogadores mostraram estofo, e garantiram-nos que podemos contar com
eles.
Com um calendário desanuviado, com uma vantagem pontual confortável, a
aposta no Bi-Campeonato terá, agora, de ser um desígnio de todos. Chegados
aqui, não podemos deixar escapar este título.
TRANSPARÊNCIA...OU BOAS-FÉS?
Defendo, há muito, a impossibilidade de clubes do mesmo escalão
partilharem direitos sobre um mesmo jogador – seja a título de empréstimo, seja
mediante qualquer outro enquadramento contratual.
Todavia, a regulamentação em vigor (ainda) não aponta nesse sentido,
privilegiando os interesses dos atletas, e acreditando que a boa-fé proteja,
por ela própria, o interesse do adepto pagante e a verdade desportiva.
Neste contexto, parece-me mais razoável que um ou outro jogador, num
ou noutro jogo, se vejam impedidos de defrontar clubes com os quais têm ligação,
do que fazê-lo, e, então sim, abrir espaço a todas as suspeitas – sobretudo se
o seu desempenho não for o mais feliz.
Vivemos no país do Apito Dourado. Vivemos num país em que uma partida
decisiva para a atribuição do título teve frente a frente aqueles que viriam a
sagrar-se campeões, e o seu futuro treinador e alguns dos seus futuros
jogadores. Vivemos num país em que certas exibições, de certos defesas ou
guarda-redes, deixaram no ar um certo sentimento de estranheza, sempre que enfrentavam
clubes com os quais se viriam a vincular pouco depois. Ainda me recordo,
também, do caso Cadorin, e, mais remotamente, de um auto-golo de Manaca. Tudo
isso deixou-me um irreversível sentimento de desconfiança no futebol português,
e na grande maioria dos seus agentes. Por isso, quando se trata de futebol
português, a boa-fé é uma treta.
O Benfica-Belenenses foi um jogo transparente. Não que, com a presença
de M.Rosa e Deyverson, deixasse de o ser. Mas, nestas coisas, além de ser, é
importante parecer. Quer se trate de um Benfica-Belenenses, de um P.Ferreira-FC
Porto, de um Leixões-FC Porto, ou de um V.Guimarães-Sporting.
PS: No domingo a liderança estará em jogo. Não sendo uma partida decisiva
trata-se, porém, de um momento importante para o futuro do campeonato. Espero
que tudo decorra dentro da normalidade, e que não haja qualquer interferência
externa ao normal desempenho dos jogadores. Assim, o Benfica ficará mais perto
da vitória.
TUDO PELO TÍTULO!
Se, no início da temporada, o Campeonato já era apontado como o
principal objectivo do nosso futebol, depois da eliminação europeia não resta
nenhuma dúvida acerca de onde concentrar energias.
Não é a primeira vez que o Benfica sai cedo da cena internacional.
Recordo que nem mesmo Eusébio e seus pares evitaram algumas eliminações
prematuras, como por exemplo em 1964 ou em 1967 – anos em que os encarnados não
resistiram à segunda eliminatória. Mais tarde, muitos se recordarão de um Aris
de Salónica, de um FC Liegeois ou, pior ainda, de um Celta de Vigo. Nem só de
glórias se escreve a história de qualquer grande clube.
A novidade é que, com duas finais, uma meia-final e dois
quartos-de-final em cinco anos (que valeram o brilhante 5º lugar no ranking da
UEFA), ficámos mal habituados. E esta época, tudo correu mal. Desde o sorteio,
ao fatídico primeiro jogo em casa, seguido de uma arbitragem hostil na
Alemanha, de pecados de concretização no Mónaco e na Rússia, e de resultados
inesperados noutros jogos do nosso grupo – que levaram a que eventuais 7 pontos
não cheguem, sequer, para sonhar com um 3º lugar.
O que lá vai, lá vai. Agora importa concentrar todas as forças naquilo
que há para conquistar, e que é…quase tudo. Quem comanda isolado o Campeonato
com 9 vitórias em 11 jogos, quem mantém as aspirações na Taça de Portugal e na
Taça da Liga, e já guarda a Supertaça na bagagem, só pode estar confiante numa
temporada triunfante.
O grito “nós só queremos Benfica
campeão!” nunca fez mais sentido. É, de facto, esse o nosso desígnio. Há
que fazer de cada jornada uma final, e disputar cada lance como se fosse o
último. Com o regresso dos lesionados (Sílvio, Eliseu, Fejsa e Ruben Amorim), o
lote de opções aumentará. E sem o desgaste europeu, a capacidade física da
equipa poderá manter-se a top.
Não nos falta nada. Temos jogadores, treinador, estrutura envolvente,
motivação, um mar vermelho de milhões a apoiar. E agora também um calendário
desanuviado.
Em Maio, estaremos no Marquês.
24 x BENFICA
Já o fim-de-semana anterior havia sido gordo: mesmo sem futebol, as
várias modalidades, de pavilhão e não só, nos sectores masculino e feminino,
haviam contado por vitórias os jogos disputados. Depois, a meio da semana, o basquetebol
deu-nos mais uma alegria, ao vencer brilhantemente na Finlândia, fazendo
renascer a esperança de apuramento na Eurochallenge.
A série de vitórias continuou imparável no sábado e no domingo. Triunfos
no futebol, no futebol de formação (Juniores, Juvenis e Iniciados), no hóquei
em patins masculino (em França) e feminino, no basquetebol masculino e
feminino, no futsal masculino e feminino, no andebol (dupla jornada europeia,
com apuramento para a fase seguinte da Challenge Cup), e no voleibol (dupla
jornada nacional, com vitórias amplas). Se considerarmos todos estes registos,
o balanço daqueles nove dias poderá traduzir-se em algo como 24 jogos e 24
vitórias. Ou seja, uma semana em cheio. Uma semana à Benfica!
Destaque naturalmente para os sucessos europeus em três frentes (hóquei,
basquete e andebol), esperando que a elas se possa juntar um bom resultado do futebol
na bela cidade de São Petersburgo. O voleibol entrará em cena na próxima
semana, completando a mão cheia de presenças internacionais de alto nível.
As classificações reflectem, naturalmente, esta onda triunfante .
Lideramos em futebol, hóquei em patins (masculino e feminino) e futsal
(masculino e feminino). Estamos bem perto (é uma questão de tempo, direi eu) no
basquetebol e no voleibol. Caso tenhamos ganho ao Madeira, ascendemos ao
segundo posto também no andebol.
Mais uma vez as nossas modalidades colocam-se em posição de escrever
história. Mais adiante se verá, mas o caminho é este.
Já amanhã temos novos desafios. As nossas equipas sabem bem que
camisola vestem. Há que manter as lideranças que conseguimos, e tomar de
assalto as que ainda nos escapam. Com vigor, com alma e com paixão. Com milhões
a apoiar. Para ganhar tudo!
Somos do Benfica, e isso nos envaidece.
O EVANGELHO SEGUNDO PEDRO
Pedro Proença foi o árbitro do Boavista-Benfica de 2002, que ditou a
demissão de Toni, após uma actuação que o deu a conhecer ao grande público.
Foi o árbitro do penálti de Silva, em 2004, no primeiro dérbi que
apitou, e onde também fez questão de deixar a sua marca.
Foi o árbitro do caso-Penafiel (penso que não será exagero chamar-lhe
assim), em Maio de 2005, que por pouco não nos subtraiu o título dessa
temporada.
Foi o árbitro que não viu um penálti tamanho do estádio, sobre Nuno
Assis, em jogo com o Belenenses que terminou a zeros.
Foi o árbitro do penálti de Yebda, no Dragão, que então nos retirou da
liderança do campeonato 2008-09.
Foi o árbitro que não viu a mão na área do bracarense Rodriguez, no
jogo do título de 2010, que nos poderia ter custado caro.
Foi o árbitro do penálti de Emerson (…de costas) em Braga, que na
altura nos impediu de vencer importante partida.
Foi o árbitro do golo de Maicon na Luz, que nos retirou o campeonato
de 2011-12.
Foi o árbitro que expulsou Siqueira na última meia-final da Taça (com
um primeiro cartão amarelo absurdo), obrigando o Benfica a um esforço épico
para vencer o FC Porto.
Foi o árbitro do mais recente FC Porto-SC Braga, onde deixou um
penálti por marcar aos 93 minutos na área portista.
Há mais de uma década que este indivíduo nos persegue, com uma
panóplia variada de atropelos à verdade desportiva. Até na Taça da Liga nos
prejudicou - na final com o Paços de Ferreira -, entre muitos outros jogos que
seria fastidioso trazer para aqui.
Com a bênção da A.F.Porto, os abraços de Fernando Madureira, as festas
na cabeça de Vítor Pereira ou Domingos Paciência, e as cunhas na UEFA, este
homem foi escrevendo a história do futebol português pelo seu próprio sopro.
Diz agora que a arbitragem está um caos. Tem razão. Enquanto ele,
Benquerença e outros “internacionais” cozinhados nos tempos do Apito Dourado
por lá andarem, a regeneração é impossível.
Diz também que se vai embora. Ficamos a rezar para que assim seja. Dos
relvados, e do futebol.
A MESMA CANTIGA
Há várias tendências
que se repetem na história do futebol português das últimas décadas. As
arbitragens protegerem o FC Porto nos momentos decisivos é uma delas. O
Sporting queixar-se espalhafatosamente das mesmas, exacerbando pequenos
prejuízos, e ignorando benefícios, é outra. Mas há uma terceira,
verdadeiramente pavloviana, que se repete a cada campeonato que o Benfica
lidera, mormente quando a distância para a concorrência começa a ter algum
significado.
Sempre que tal
acontece, surge um coro de comentadores e escribas mais ou menos encartados,
mais ou menos assumidos, pouco ou nada isentos, a entoar uma música já muito
batida: “o Benfica está a ser levado ao colo”. Foi assim em 2005, foi assim em
2010, foi assim a dada altura da temporada passada, pelo que não devemos,
agora, ficar particularmente surpreendidos.
A melodia não tem
graça, mas o concerto é afinado. Ora diz um, ora escreve outro, até fazer
vingar a máxima de que uma mentira repetida muitas vezes pode transformar-se
numa verdade.
Tomemos por exemplo a
última jornada. No Estoril vi um penálti claríssimo ser perdoado ao FC Porto,
ainda na primeira parte. Em Alvalade, vi um golo irregular ser bem anulado
(sendo essa, por sinal, opinião partilhada por todo o painel de um programa da
insuspeita Sport Tv). Na Choupana, o único erro que recordo foi um fora-de-jogo
de centímetros mal assinalado, num lance que, estou em crer, Júlio César
deteria. Poderia ainda lembrar a única derrota do Benfica nesta Liga, e uma
grande penalidade claríssima sobre Gaitán, que ficou por assinalar na área
bracarense. Mas, eles não se calam, nem irão calar-se enquanto o Benfica seguir
na liderança.
Nós não nos deixamos
impressionar. Mas confesso o meu receio de que árbitros e assistentes encarem
as coisas de outro modo, e tendam a procurar dissipar o ruído da pior forma
possível. No fundo, uma questão de coragem, ou de falta dela. E é preciso dizer
que as minhas expectativas relativamente a essa gente também não são elevadas.
À MODA DA FIFA
As nomeações da FIFA valem o que valem. Estão, aliás, ao nível da
própria instituição, presidida por uma personagem típica dos filmes série B, que
por sua vez está ao nível da UEFA de Platini (outro que tal), o que expressa bem
o panorama futebolístico internacional – aparentemente ainda mais desprezível
do que aquele que vemos no nosso país, para mal dos pecados de uma modalidade
que não tem culpa de ser tão sedutora para milhões de adeptos em todo o mundo.
Ainda assim, as injustiças cometidas não podem deixar de ser
denunciadas. E a ausência de Jorge Jesus da lista de dez treinadores escolhidos
para a eleição anual é uma delas.
Relembremos os nomeados: Ancelotti, Conte, Guardiola, Klinsmann, Low,
Pellegrini, Sabella, Simeone, Mourinho e Van Gaal.
Não há dúvida de se tratar de um lote de elevado nível. Mas se as
presenças de Ancelotti (campeão europeu), Low (campeão mundial), Simeone
(campeão espanhol), Pellegrini (campeão inglês), Guardiola (campeão alemão) e
Conte (campeão italiano) parecem pacíficas, já os restantes nomes não mostraram
nada de relevo em 2014. Van Gaal, enfim, ainda chegou às meias-finais de um
Mundial com a sua Holanda. Sabella foi levado até à final da mesma prova pelo
talento individual que tinha à disposição. Mas Mourinho, nas várias competições
em que a sua equipa esteve envolvida, nem a uma final chegou. E Klinsmann (o
maior dos mistérios,) só alguns saberão tratar-se do seleccionador dos EUA -
que passaram com honra, mas sem glória, pelo Mundial do Brasil.
Jorge Jesus, vencedor do Campeonato, da Taça de Portugal, da Taça da
Liga, da Supertaça, e finalista da Liga Europa (onde foi derrotado por um
árbitro alemão, e pela infelicidade nos penáltis), ficou esquecido.
Este tipo de prémio poderia até ser interessante. Peca, porém, pela
obscuridade dos critérios. Serão os títulos? Seguramente não. Será a qualidade
do futebol? Não parece. Será o mediatismo? Talvez. Questões relacionadas com
patrocinadores? Provavelmente. A ser assim, é melhor não haver nada.
REAGIR!
Costuma dizer-se que ganhar e perder faz parte do desporto.
Poderá ser assim em muitos quadrantes onde existam provas desportivas,
por este país e por esse mundo. Em modalidades várias, na alta, média ou baixa
competição, em encontros de amigos ou de rivais, em quase tudo. Porém, quando
se fala de Benfica, quando falo de Benfica, apenas admito um resultado: a
vitória.
Um século de história gloriosa, e em particular o legado de Eusébio,
ensinou-nos a ser assim. As últimas temporadas, em que a dupla Vieira-Jesus
recolocou o Benfica no seu devido lugar, quer no panorama português, quer no panorama
europeu, devolveram-nos também esse grau de exigência, que na transição do
milénio quase havíamos hipotecado. Hoje, deixámos de conseguir encaixar uma
derrota. E a de Braga doeu.
Independentemente de podermos felicitar os vencedores, de lhes
devermos respeito dentro e fora dos campos, admitir uma derrota não pode jamais
constar da nossa matriz identitária. Temos de exigir de nós próprios, e de
todos no clube, uma espécie de revolta interior, que não permita olhar, nem por
um segundo, para as derrotas como coisa natural. Para o Benfica, perder não é normal.
Não pode ser normal.
Após uma pré-temporada complexa, e a meio de uma Liga dos Campeões
pouco entusiasmante, a vantagem pontual com que o Benfica liderava a
classificação do Campeonato (principal objectivo da época) era a almofada onde
a família benfiquista repousava a sua confiança. Perder em Braga, naquele que
era tido como o primeiro grande teste à equipa encarnada, representou um rude golpe
nesse sentimento de confiança.
Hoje, há nova partida do campeonato. E na terça-feira joga-se o futuro
europeu. O que se espera de todos é um grito de revolta face ao que aconteceu
no Minho. A mesma revolta que os adeptos sentiram ao ver fugir três pontos, ao
ver a vantagem classificativa reduzir-se à sua mínima expressão, ao ver os
rivais directos recuperarem ânimo e tranquilidade, numa luta que não permite
falhas, hiatos ou hesitações.
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