RECEITA INFALÍVEL PARA VENCER CAMPEONATOS EM SÉRIE
2) organização e disciplina
3) doping de última geração
4) arbitragens simpáticas
5) adversários amestrados
Os dois primeiros ingredientes são aplicados em todas as refeições. O terceiro, em dias de festa. Os dois últimos, quando necessário.
Não é imperioso misturar o controlo absoluto dos órgãos de jurisdição, e muito menos da comunicação social. Se se conseguir englobar também esses dois condimentos, o prato fica ainda mais saboroso. Mas fundamentais a uma alimentação contínua, são os cinco anteriormente referidos.
ALGUNS NÚMEROS
- O Benfica consegue, esta época, a sua segunda melhor pontuação em 18 anos, só superada pela temporada 2009-10.
- Os 66 pontos alcançados até agora pelos encarnados, dariam para liderar 8 dos últimos 14 campeonatos.
- O FC Porto de Vítor Pereira, com maior ou menor espectacularidade, é o terceiro mais eficaz em 15 anos, suplantado apenas por André Villas-Boas, e por uma das épocas de José Mourinho.
- Em 18 anos, só por duas vezes o Benfica estava à frente do FC Porto à 29ª jornada (épocas em que viria a sagrar-se campeão), e só por três vezes tinha uma desvantagem menor do que os actuais 6 pontos.
- O principal adversário do Benfica venceu 13 dos últimos 18 campeonatos, está no top-10 do ranking da Uefa, e ergueu 3 taças europeias nos últimos 10 anos. Nunca, em toda a história do desporto nacional, o Benfica se teve de bater com um rival tão forte.
PARA QUEM NÃO LEU
- Quando faltam resultados é normal alguma desilusão e descontentamento, mas o que temos visto vai um pouco além disso, temos assistido, nas últimas semanas, nomeadamente no último sábado, a alguma contestação. Como comenta essa contestação?
- A crítica e a contestação são sempre legítimas, fazem parte de organizações que são democráticas, e desse ponto de vista temos de respeitar, perceber e, em alguns casos, aproveitar algumas dessas críticas. Neste clube, a unanimidade não se alcança, como em outros clubes, pela intimidação daqueles que discordam, ou que pensam diferentes, isso são práticas instituídas e assumidas noutras paragens.
- Quer concretizar a acusação?
- Creio que o Miguel Sousa Tavares ou próprio Rui Moreira estarão em melhores condições do que eu para fazer esse exercício, mas como estou aqui para falar do Benfica, vou tentar não me desviar. Hoje somos o clube que somos, exactamente por termos sabido construir a nossa história na diversidade de opiniões. É isso que nos diferencia de outros. Mas, atenção, também temos de saber diferenciar a crítica séria, da crítica oportunista. Aqueles que repetidamente aparecem apenas quando há uma conjugação de dois factores: ano eleitoral e resultados menos bons, esses senhores não são críticos, são oportunistas.
- Mas é normal que num ano eleitoral apareçam projectos alternativos?
- É normal e desejável, e todos beneficiam com isso, porque é evidente que há projectos e pessoas válidas fora da actual Direcção, mas o que já não é normal é que algumas pessoas já passaram pelo Benfica, que o afundaram, que, inclusive, foram responsáveis por abrir as portas a Vale e Azevedo, e com isso comprometeram anos da nossa história, pessoas que passaram por outros clubes e os deixaram à beira da falência e com ordenados em atraso, se apresentem agora como cinderelas imaculados, como se não tivessem passado. O problema é que o passado persegue-nos sempre, para o bem e para o mal.
- Está a referir-se a José Veiga, que criticou, duramente, Luís Filipe Vieira?
- Por acaso não era a ele que me estava a referir, mas José Veiga também tem um problema mal resolvido com o seu passado e o seu passado a nível de gestão também não é propriamente o mais recomendável, mas se ele acha que tem um projecto para o Benfica, vai ter tempo para o apresentar, o que não vale a pena é estar atirar pedras e a esconder a mão, porque esse tipo de comportamentos tem um nome...
- Está a dizer que a contestação a que temos assistido nos últimos jogos, nomeadamente no sábado, é manipulada?
- Tenho poucas dúvidas. Mas há uma coisa que vale a pena esclarecer, qualquer generalização é perigosa e os jornalistas muitas vezes caem nessa tentação. Não se pode tomar uma parte pelo todo, nem assumir que o comportamento de alguns representa todo o universo benfiquista, aliás viu-se claramente que não é assim, mas muitas vezes é a ideia que passa. As regras da democracia são claras, há quem critique a quem apoie, é tudo uma questão de escala. Temos manifestações de mais de 100 mil pessoas no Marquês de Pombal e depois vemos que as sondagens continuam a dar maioria aos partidos de governo. Sabe porquê? Porque a decisão pertence a mais de 8,5 milhões de eleitores e não a 100 mil pessoas. No Benfica é igual, o universo eleitoral é de mais de 200 mil sócios, independentemente de alguns serem mais ruidosos ou mais artistas com pinturas murais.
- Jorge Jesus é um dos principais alvos de contestação.
- A diferença entre as expectativas que havia e os resultados alcançados explica essa equação. Jorge jesus devolveu ao Benfica um futebol de qualidade como há muito já não víamos, trabalha bem os jogadores, tem uma marca, conseguiu fixar, nestes últimos anos, o Benfica na luta pelo acesso a meias-finais e finais das provas da UEFA, mas infelizmente não conseguimos o objectivo principal que era ganhar o título da Liga esta época. Nestas alturas temos sempre tendência para desvalorizar tudo aquilo que se conseguiu e maximizar o que não se conseguiu. É evidente que tudo seria diferente se tivéssemos ganho o campeonato, mas neste caso em concreto, não temos de mudar de treinador, temos é de mudar de árbitros.
- Jorge Jesus não parte fragilizado para a próxima época?
- O fundamental é que os níveis de ambição não tenham diminuído e tenho a certeza de que desse ponto de vista a ambição de Jorge Jesus é a mesma. Curiosamente acho que parte menos fragilizado que o treinador que ganhou o campeonato nacional, o que não deixa de ser um contra senso. Os treinadores dependem e sempre continuarão a depender de resultados e é evidente que Jorge Jesus será o primeiro a estar insatisfeito por não ter conquistado o campeonato, mas também é verdade que tem valor em tudo aquilo que foi feito nos três últimos anos e acho que as pessoas reconhecem isso.
- Mas também contou com o maior investimento de sempre nível do futebol?
- Isso é um elogio à gestão desta Direcção, porque se esse investimento foi possível é porque se trabalhou bem. Há uns anos isso não teria sido possível. Qual foi o investimento do Real Madrid o ano passado? E a quantos pontos ficou do Barcelona? E no entanto o Mourinho o investimento do Manchester City o ano passado? Podia dar muitos mais exemplos.
- Também alinha no discurso de que a arbitragem é responsável pela perda do título deste ano?
- Diria de outra forma. O título de campeão deste ano é um tributo da arbitragem ao FC Porto e o convite a Pedro Proença para apitar o jogo de sábado (FC Porto - Sporting) foi uma justíssima homenagem. A partir de um determinado momento foi evidente que o Benfica passou a ser prejudicado. É curioso que o ano passado o ataque verificou-se logo nas primeiras jornadas do Campeonato, este ano sucedeu o contrário, aconteceu tudo na parte final, mas tudo o resto foi exactamente igualmente descarado. Acho que a agressão ao Aimar na grande área da Académica ser transformada em falta atacante é um monumento ao descaramento.
- Vítor Pereira, o treinador do FC Porto, diz que esse tipo de justificações é assobiar para o lado.
- É uma afirmação tão válida como dizer que ele continuará a ser o treinador do FC Porto na próxima época. Assobiar para o lado é ignorar o que se passou nesta fase final do campeonato com algumas arbitragens.
- Acredita na intencionalidade desses erros?
- Há uma coisa em que não acredito: em coincidências. Um ano e meio depois de Olegário Benquerença ter feito o que fez em Guimarães, na época passada, volta a apitar um jogo do Benfica e fazer vista grossa de dois penalties que são verdadeiros casos de atropelamento e fuga na área do Rio Ave, não é coincidência. Dois anos depois do Pedro Proença ter transformado uma simulação descarado do Lisandro em penalty, no Dragão, ter, este ano, validado um golo em fora-de-jogo na Luz – mas atenção que não é um fora-de-jogo de centímetros, é de metros – outra vez num jogo contra o Porto. Tudo isto tem de começar a ser motivo para os responsáveis da arbitragem se interrogarem e começarem a fazer uma limpeza séria, isto se estiverem interessados em trazer verdade ao nosso futebol.
- Mas não há outro tipo de responsabilidade internas que tenham contribuído para isto?
- Seguramente que há, também houve erros que o treinador já reconheceu, mas por muito bom que um nadador seja, não consegue aguentar muito tempo a nadar contra a corrente e o que assistimos neste último terço do campeonato foi uma corrente demasiado forte.
- Os árbitros também têm direito ao erro, isso faz parte do futebol.
- O erro faz parte do futebol. Todos temos direito a errar, é a natureza humana, mas quando se erra prejudicando sempre os mesmos, isso já não são erros é manipulação. Portanto, repito o que já tinha dito há um mês, a classificação deste Campeonato está aldrabada e quando se concentram em pouco mais de cinco jogos tantos erros temos efectivamente de nos perguntar: como é possível?
- Está a sugerir uma acção concertada?
- Acho que como em tudo na vida há bons e maus profissionais, mas creio que o verdadeiro responsável por esta situação, não contando com o fraco carácter de algumas pessoas, é a Justiça portuguesa, porque efectivamente, há um par de anos, escancarou as portas à ideia de que valia tudo, de que algumas pessoas beneficiam de total impunidade e a verdade é que essas pessoas assustaram-se numa determinada altura, mas entretanto parece que tudo voltou a ser como era dantes. Faz sentido haver árbitros, a seguir a Guimarães, que nas reuniões técnicas, antes dos jogos, ameaçavam os responsáveis do Benfica?
- Ameaçavam como?
- Ameaçar talvez não seja a palavra certa. Intimidavam talvez seja a forma mais adequada de caracterizar a atitude de que, pelo menos, dois árbitros tiveram a seguir a Guimarães, nessas reuniões técnicas com os responsáveis do Benfica. Mas acho que essa deve ser uma preocupação, mais uma, que o senhor Vítor Pereira deve ter. É a ele que devem perguntar.
- Foi uma das pessoas envolvidas verbalmente nos incidentes da primeira volta no Estádio da Luz, no jogo com o Sporting. Já passou bastante tempo, como é que estão as relações com o Sporting?
- Apetecia-me dizer que estão em lume brando, mas elas efectivamente não existem e a culpa não é nossa. Não acredito que a maioria dos sportinguistas se revejam no que foi o comportamento de algumas pessoas responsáveis pelo clube na semana que antecedeu o jogo e no próprio dia do jogo. Não vi em San Mamés nenhum incómodo por parte dos adeptos que foram acompanhar a equipa com a rede atrás da qual assistiram ao jogo. Mas já agora, o mais estranho é que já passaram seis meses e o Conselho de Disciplina continua mudo.
- Mas houve uma decisão do Conselho de Disciplina.
- Apenas em relacção às responsabilidades do Benfica e onde fomos ilibados, mas em relação aos prejuízos e as respectivas sanções para os responsáveis por tudo o que sucedeu, nada, zero e já lá vão, como lhe disse, seis meses. Isto não é normal e coloca em causa a estabilidade da competição e a confiança dos agentes desportivos num órgão que devia julgar com celeridade. Essa é, aliás, uma das principais razões para a existência de órgãos de jurisdição desportiva.
- O Benfica espera uma sanção pesada para o Sporting?
- O Benfica esperava que o Conselho de Disciplina agisse, mas pelos vistos pedir muito. Vou dar-lhe um exemplo: na Grécia, e já não falo de Espanha ou Inglaterra ou Itália, houve incidentes semelhantes num Panatinaikos-Olympiakos, em Março. Em menos de uma semana os órgãos jurisdicionais da federação grega decidiram. O Panatinaikos perdeu pontos, foi obrigado a pagar uma pesada multa e a jogar alguns jogos à porta fechada. Tudo isto na Grécia, aqui parece que a única preocupação real do Conselho de Disciplina foi punir o Aimar com dois jogos. E é assim que querem erradicar a violência no futebol?
João Gabriel, entrevistado por Nuno Paralvas, in A Bola
CLASSIFICAÇÃO REAL
Não houve casos.
Resultado Real 1-0
FC PORTO-SPORTING
Só vi o resumo. A expulsão directa de Polga é absurda, pois, com homens ainda no caminho da bola, era lance para cartão amarelo. O lance nasce, aliás, de uma irregularidade, pois há um claro empurrão de Hulk a Pereirinha, sem o qual o brasileiro nunca ganharia a posição.
Resultado Real 1-0
CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 74
FC Porto 71
Sp.Braga 59
Sporting 59
POBRE DESPEDIDA
Jogo triste, melancólico e sonolento, com muitos adeptos (entre os quais eu próprio) ainda a digerir a amarga derrota no Voleibol, e outros - os No Name - a dar um espectáculo ainda mais triste do que aquilo que se via no relvado. Nem sequer apareceu o golinho de Cardozo, que o isolaria na lista dos marcadores. O Benfica selou o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, mas, decididamente, não foi uma noite feliz.28 JORNADAS, 22 PENÁLTIS !!!
É certo que ele por vezes falha alguns penáltis. Mas, com os que os árbitros sonegaram ao Benfica, convertendo cerca de 75%, o paraguaio teria neste momento, seguramente, mais de trinta golos apontados.
Os números que se seguem são impressionantes. São os dos penáltis que os juízes não viram, ou não quiseram ver, ao longo do Campeonato, prejudicando o Benfica. Alguns são discutíveis – admito-o -, mas grande parte deles não ofereceram dúvidas, e desafio a Benfica Tv a fazer um resumo com as respectivas imagens.
Não são os únicos lances que penalizaram os encarnados ao longo da época. Basta recordarmos o penálti de Braga, os golos mal anulados a Cardozo ainda na primeira volta (Paços e Olhanense), o penálti de Jorge Sousa a favor do Nacional, ou o golo fora-de-jogo de Maicon na Luz.
22 penáltis por assinalar (17 dos quais a partir do momento em que o Benfica se viu com a vantagem de 5 pontos) constituem, porém, um número demasiado grave para ser ignorado.
Outro dado curioso é que o Benfica sofreu, neste Campeonato, tantos golos de penálti como aqueles que marcou (quatro), o que não deixa de ser estranho para um candidato ao título, para mais reconhecido pelo seu futebol bastante ofensivo.
A GRANDE QUESTÃO
Esgota os jogadores numa fase prematura da época, não fazendo a gestão correcta do plantel; expõe demasiado a equipa aos adversários, sofrendo golos em quase todos os jogos; toma decisões difíceis de explicar, como a insistência em Emerson até o queimar por completo; tem um discurso megalómano e desresponsabilizante; falha vezes demais em momentos decisivos.Pese embora tudo isto, a pergunta que a SAD benfiquista tem de colocar a si própria é a seguinte: será possível contratar, neste momento, algum treinador que, de uma forma clara, dê mais garantias de sucesso do que Jorge Jesus, que apesar de tudo foi campeão uma vez, valorizou jogadores, promoveu um futebol espectacular, e conseguiu interessantes participações europeias?
Se não houver essa garantia clara - e eu temo que não haja -, então será melhor cumprir o contrato até ao fim, poupando milhões de indemnização, e evitando começar novamente do zero, com os custos desportivos a que isso naturalmente conduzirá.
ESPELHOS
Há sensivelmente dois anos, quis o destino que, no mesmo dia, quase à mesma hora, o Benfica se sagrasse campeão nacional no Estádio da Luz, e o Juventude de Évora, com algumas jornadas ainda por disputar, assegurasse a subida de divisão em Faro. Dois anos depois o FC Porto vê-se campeão a duas rondas do fim, e, no mesmo dia, o Juventude desce para a 3ª divisão, desta vez no último jogo, depois de passar quase todo o campeonato acima da linha de água. Coincidências do futebol, coincidências da vida. Ora felicidade, ora desilusão. Ora dias em cheio, ora dias para esquecer.Sobre o jogo de Vila do Conde, eu diria que constituiu uma metáfora perfeita daquilo que foi a temporada. Não faltou lá nada: erros grosseiros de arbitragem, erros tácticos de Jesus, facilitismo dos jogadores do Benfica, e desespero final. Lamentavelmente, os encarnados desperdiçaram assim a última oportunidade para manter alguma incerteza na questão do título (Sporting e Rio Ave iriam jogar com o FC Porto com necessidade absoluta de pontos), e ofereceram a festa antecipada ao rival.
Escrevi aqui, após a derrota portista em Barcelos, que daí em diante o FC Porto já não iria ganhar o campeonato. Só o Benfica o poderia perder. Pois foi isto mesmo que aconteceu.
Jesus diz que os campeões têm sempre mérito. Neste caso, não o reconheço: ainda neste sábado se viram coisas estranhas no Funchal (irei acompanhar com atenção a carreira de Fidelis nas próximas épocas), e se falarmos apenas de futebol, teremos de dizer que foi o suicídio benfiquista que determinou o rumo da competição. Um FC Porto medíocre, sem treinador, sem ponta-de-lança, com quatro médios no plantel, sem jogar futebol, viu cair-lhe nos braços um título, que a dada altura da temporada nem os seus mais ferrenhos adeptos já esperariam. Este foi, precisamente por isso, o título que mais me custou a engolir, de entre os muitos que os portistas venceram nas últimas épocas. Quanto a arbitragens, foi igual a quase todos os outros. Mas, de todos, foi o único que o Benfica teve na mão e deitou fora.
O futebol continuará com as finais europeias e com o Euro 2012.
SEM GLÓRIA
Tal como o Benfica frente ao Sp.Braga, faz agora um ano (então sem foguetório nem qualquer reconhecimento, mas antes com tremenda frustração), o 2-1 conseguido em Lisboa fazia do Sporting o favorito ao apuramento. Para mais, diante de uma equipa conhecida pelo seu poder ofensivo, e…pelas suas debilidades defensivas - que durante toda a primeira parte (enquanto houve Matias, enquanto houve Sporting) ficaram bem à vista.
Até aos 88 minutos, sempre me mantive convencido que o Sporting iria acabar por marcar, e alcançar o que pretendia. Mas, na verdade, olhando para aquilo que se passou em toda a segunda-parte, há que dizer que o resultado é inteiramente justo. Sem Izmailov, e depois também sem o médio chileno (a juntar às já conhecidas ausências de Rinaudo e Elias), o meio-campo leonino revelou-se demasiado frágil para este tipo de exigências. Depois do intervalo, só de bola parada conseguiu ameaçar a baliza de Iraizoz. Ainda assim, o facto de o Athletic também não marcar nas várias oportunidades de que ia dispondo, levava-me a pensar que os deuses estavam, uma vez mais, com Sá Pinto, com Rui Patrício e com o Sporting (como haviam estado, quer em Manchester, quer em Kharkiv). O golo de Llorente tudo resolveu, e já não havia tempo para qualquer veleidade.
A final vai ser entre Atléticos. E o Sporting demorará alguns anos até voltar a ter uma oportunidade tão clara como esta de estar numa final. Se a Liga Europa acabar, talvez até nunca mais tenha.
...E NO FIM GANHAM OS ALEMÃES
Num jogo absolutamente dramático, o Real de Cristiano Ronaldo, Mourinho, Coentrão e Di Maria, sucumbiu ao desempate por penáltis, e ficou fora da final da Champions League.Raramente terei torcido tanto por uma equipa, num jogo entre estrangeiros (se é que se poderá considerar este Real Madrid como tal), como nesta noite. De um lado um conjunto cheio de caras conhecidas (algumas delas simpáticas), onde o treinador e o melhor jogador são portugueses. Do outro, uma equipa alemã, com tudo o que isso significa, sobretudo nos tempos que correm. Infelizmente a coisa acabou mal, e confesso que, sem Barca e sem Real, a final de Munique (com uma equipa a jogar em casa) não terá, para mim, o mesmo encanto.
José Mourinho perdeu a possibilidade de se tornar o primeiro treinador a vencer três títulos europeus por três clubes diferentes, e assim entrar para a eternidade como o melhor de sempre. Cristiano Ronaldo terá perdido a possibilidade de voltar a vencer a “Bola de Ouro”, propriedade exclusiva de Lionel Messi nos últimos anos. O Real fica mais uma vez arredado do jogo decisivo, o que acontece invariavelmente desde os tempos de Figo e Zidane.
Como único aspecto positivo a reter, saliento o facto de Ronaldo e Coentrão ficarem disponíveis mais cedo para a Selecção Nacional.
Independentemente das minhas simpatias (e também tenho alguma por Jupp Heynckes), devo dizer que este Bayern é igualmente uma super-equipa, e tem todo o mérito no apuramento conseguido. De resto, assim de repente não me recordo de ver uma equipa alemã perder um desempate por penáltis, o que não deixa de contrariar a ideia de que os mesmos se tratem de uma mera questão de sorte ou azar. Gary Lineker sabia o que dizia.
LIÇÃO DE SOFRIMENTO
CLASSIFICAÇÃO REAL
Nenhum dos lances de eventual mão na bola reclamados, me parece oferecer motivos para a marcação de penálti.
Como erro, apenas consideraria a expulsão poupada a Roberto Sousa, que já com um cartão amarelo, fez falta merecedora de uma segunda admoestação, ainda antes do intervalo.
De resto, o habitual festival de apito de Bruno Paixão, que interrompe os jogos por tudo, por nada, e por mais alguma coisa.
Resultado real: 4-1
FC PORTO-BEIRA MAR
O caso do jogo é o penálti que abriu o marcador. Vendo as repetições, não parece haver motivos que justifiquem a penalidade, embora em movimento rápido fique a sensação de um derrube.
Com um resultado de 3-0, a polémica fica dissipada. Mas, o facto é que uma vez mais, num caso de dúvida, a decisão favoreceu o FC Porto.
Resultado real: 2-0
NACIONAL-SPORTING
Só vi os golos, e o lance que originou o penálti decisivo. Nada a dizer quanto a essa decisão.
Resultado real: 2-3
CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 68
FC Porto 65
Sp.Braga 56
Sporting 56
FORAM-SE OS ANÉIS, QUE FIQUEM OS DEDOS!
Com o empate do Sp.Braga em Paços de Ferreira, só uma tragédia tirará o Benfica do apuramento directo para a fase de grupos da Liga dos Campeões do próximo ano, onde deverá marcar presença pela terceira vez consecutiva, e pela sexta vez em oito anos – o que depois de dez épocas (1995 a 2005) com uma única participação, não é coisa de somenos.
Nolito foi o homem da tarde, com dois golos e duas assistências. Ele, tal como Capdevila, ou mesmo Saviola, mostraram que talvez tivessem merecido outro tipo de utilização, sobretudo na fase da temporada em que era necessário poupar os elementos mais desgastados. De resto, a equipa encarnada, com Saviola e Aimar em simultâneo, fez lembrar, a espaços, a do último título.
É preciso dizer também que o Marítimo parece em quebra, o que acentua ainda mais o conforto do FC Porto na primeira posição, sendo essa justamente a sua mais difícil deslocação até ao fim do Campeonato.
De estranhar o sétimo jogo consecutivo de Óscar Cardozo sem marcar. Mesmo sem jogar mal, o paraguaio tem andado arredado dos golos, o que não será totalmente dissociável dos mais recentes resultados da equipa.
Bruno Paixão esteve globalmente bem, embora a sua proverbial forma de apitar, interrompendo o jogo por tudo e por nada, me irrite solenemente.
MUITO EM JOGO
QUE NEM LEÕES!
As últimas impressões são as que perduram, e os últimos quinze minutos do Sporting, nesta primeira-mão da meia-final, mostraram uma equipa empolgante e endiabrada, na busca de um terceiro golo que tornasse a viagem ao País Basco mais tranquila.Até aí o jogo fora substancialmente diferente. E quando, na sequência de um canto, uma bola disparada à queima embateu estrondosamente no poste da baliza de Patrício, a equipa de Sá Pinto parecia rendida…e eliminada. O estranho golo de Ínsua (porque não viu o Benfica este lateral-esquerdo?), tudo mudou.
O futebol é assim mesmo: é o momento, é o golpe de sorte, é o detalhe fatal…ou feliz.
Diga-se, porém, que este Sporting impressiona pela raça que coloca na disputa de cada bola. É uma equipa tremendamente generosa, e bastante confiante nas suas armas. Foi assim que bateu o Manchester City, o Benfica, e agora o Atlético de Bilbau.
Parabéns a Sá Pinto, que já aqui disse tratar-se de uma agradável surpresa - quer sob o ponto de vista técnico-táctico, quer pelo seu discurso, que sem perder a ambição, tem revelado serenidade, ponderação e respeito.
Quanto à eliminatória, se a coisa estava 50%/50%, após este jogo daria 65% de hipóteses à equipa portuguesa.
OLHA QUEM SÃO ELES!
O mesmo Chelsea que há duas semanas atrás era fraco, pouco ou nada valia, estava decadente, era adversário acessível, e qualquer um estava obrigado a ganhar-lhe, venceu agora o todo-poderoso Barcelona, e colocou-se numa posição privilegiada para chegar à segunda final da sua história.Uma vitória em casa, sem sofrer golos, é, a este nível, um resultado precioso. Um golo marcado em Camp Nou, e o Barcelona estará em apuros.
Este Chelsea, muito italianizado por Di Matteo, é hoje uma equipa cínica, que dá a bola e o espaço ao adversário, para se tornar letal no contra-ataque. Foi assim com o Benfica (que fez melhor resultado em Stanford Bridge do que o Barça). Foi assim na Taça de Inglaterra, onde despachou o Tottenham por 5-1 (!). Repetiu a fórmula frente aos campeões europeus, para já, com sucesso.
O jogo da segunda-mão promete, com o Barcelona a ter de puxar dos galões.
POUCO REAL
A expectativa era grande, mas o jogo nem foi particularmente atractivo.O Real Madrid desiludiu um pouco, sobretudo quando, alcançado o empate, praticamente desistiu de procurar a vitória. Foi castigado com um golo nos últimos minutos, que trouxe alguma justiça ao placard.
A vantagem bávara é magra, mas numa eliminatória tão apertada, pode ser decisiva.
Na próxima semana, jogo de deuses no Bernabeu. E já hoje, Chelsea-Barcelona começam a discussão meia-final onde deveria estar o Benfica.
AGENTE POUCO SECRETO
O homem que pintou os túneis de Alvalade com imagens de violência,o homem que moralmente causou o incêndio nas bancadas da Luz,
o homem que ameaçou um árbitro no intervalo de um jogo,
o homem que mandou depositar dois mil euros na conta de um juiz-de-linha,
o homem que é acusado de espionagem a jogadores e dirigentes do seu próprio clube,
…continua a ser vice-presidente do Sporting.
DUAS DÚVIDAS
MUITO MELHOR QUE NADA
As palavras de Rodrigo, no fim do jogo, espelham bem aquilo que é hoje uma discussão totalmente absurda em torno da importância da Taça da Liga, para a qual, diga-se, alguns benfiquistas têm também contribuído.A Taça da Liga não é a Champions League, nem o Campeonato Nacional. Ninguém, alguma vez, o pretendeu dizer. É a terceira prova do calendário nacional, e tem a importância que tem – tal como, um pouco mais, a Taça de Portugal, e um pouco menos, a Supertaça. Ganhá-la, como ganhar qualquer um destes troféus, é importante (uns mais, outros menos), e deve ser valorizado. Não chega para salvar a época a um clube que investiu forte para ser campeão nacional, mas chega para tornar essa época um pouco menos sombria. Tudo isto me parece lógico. Tudo isto me parece óbvio. Não sei porque se discute.
A final foi uma festa, e teve um vencedor justo. O Gil Vicente sentiu o peso da ocasião, e o Benfica, mesmo sem brilhantismo, soube desempenhar o seu papel de favorito. Ganhou a prova pela quarta vez, depois de eliminar V.Guimarães, Marítimo e FC Porto, vencendo nesta final uma equipa que tem vindo a realizar uma temporada excepcional. Em Coimbra fez o que lhe competia, não tendo culpa dos seus rivais terem ficado pelo caminho.
É pena que este triunfo tenha chegado imediatamente após duas derrotas que custaram o adeus às duas principais provas em que o Benfica estava envolvido. O estado de espírito dos adeptos não era o melhor, e muitos não se esqueceram que o Campeonato tinha ficado hipotecado poucos dias antes. É por isso natural que a festa tenha sido contida, mas nada justifica a reacção estúpida de meia dúzia de imbecis à chegada dos jogadores à Luz. O momento em que se ergue o único troféu da temporada, parece-me o timing mais desadequado para manifestações daquele tipo, que não escondem haver alguém por trás. A comunicação social faz o resto, dando o mesmo destaque aos 15 mil benfiquistas que se deslocaram a Coimbra e apoiaram a equipa, que a dez encapuçados numa rua de Lisboa.
Para a história fica mais um troféu, ganho com todo o mérito. Esta é assim a sexta, das últimas nove temporadas, que o Benfica termina com, pelo menos, uma conquista. Se nos lembrarmos que em 18 anos o Benfica foi campeão apenas duas vezes, em 16 ganhou somente uma Taça de Portugal, e há 50 anos que não vence um título europeu, os últimos números não podem deixar de ser tomados como positivos.
PARA AFOGAR AS MÁGOAS
Eu pertenço a este último lote, coisa que pode ser comprovada por tudo aquilo que escrevi desde que a competição foi criada, e mesmo antes do Benfica a ter vencido pela primeira vez.
Assisti a duas finais (Sporting e Paços de Ferreira), e sempre a considerei uma excelente ideia, e um projecto com futuro. O regulamento é um pouco estranho, mas compreende-se à luz da necessidade de cativar patrocínios. Critica-se o facto de não dar acesso à Liga Europa, mas, segundo se diz por aí, esta sim, estará condenada ao desaparecimento dentro de poucos anos. Já tenho mais dificuldade em compreender o horário tardio da Final, que contraria um pouco o espírito que se lhe quer atribuir.
Mesmo tarde, adorei o clima de desportivismo em redor da última edição, e é isso que espero agora ver repetido, se possível também com uma vitória do Benfica.
Circularam na passada semana mensagens que aconselhavam a não levar crianças ao Dérbi lisboeta. Ora desta final da Taça da Liga, quase se poderia dizer o contrário: levem as crianças, as famílias, e desfrutem de uma final, sem a odiosa pressão de outras competições, mas com estádio cheio, alegria, tranquilidade, segurança, futebol e festa.
Pena que o Benfica venha de duas derrotas importantes (no ano passado vinha de perder a Taça de Portugal em casa com o FC Porto), o que retira entusiasmo aos seus adeptos, e acrescenta pressão aos jogadores. Mas creio que, mesmo assim, a noite será festiva.
AFINAL HAVIA OUTROS
O problema levanta-se porém num contexto mais genérico, e tem a ver com o poder que os árbitros-assistentes têm no futebol, o qual não encontra paralelo no semi-obscurantismo mediático em que vivem. Quando as coisas correm mal, lançam-se culpas ao árbitro principal, esquecendo-se que nem sempre reside aí a causa primeira do erro. Os outros, os assistentes, são ignorados, como se fossem autómatos, como se não tivessem vontade própria, como se não tivessem interesses, preferências ou problemas matrimoniais, como se fossem…uma simples bandeira colorida.Ficou para a história o célebre golo de Petit a Vítor Baía, que Olegário Benquerença não sancionou. Olegário Benquerença, disse eu? Disse mal, efectivamente, por muitas más arbitragens com que esse senhor nos tenha brindado, nessa ocasião a culpa não foi dele, mas sim do assistente (ou auxiliar, ou fiscal-de-linha, ou liner, ou bandeirinha, ou lá como se chamava na altura). Ainda recentemente, Pedro Proença validou um golo ilegal do FC Porto, também no Estádio da Luz. Pedro Proença, disse eu? Disse mal, pois ao árbitro principal jamais seria possível ver o lance em boas condições. Luís Tavares e Ricardo Santos passaram assim por entre os pingos da chuva de dois dos mais negros momentos da arbitragem portuguesa nos últimos anos (não por acaso favorecendo ambos o FC Porto).É esta sombria questão que o caso-Cardinal tem agora o condão de puxar, com estrondo, para a agenda mediática do futebol português.
A CARA E A COROA DE JESUS
CLASSIFICAÇÃO REAL
Bem no julgamento de duas faltas muito perto da área portista, mas fora dela, Olegário Benquerença deixou a sua marca ao não expulsar Defour, com 2º cartão amarelo, como se impunha em lance ainda antes do intervalo.
Resultado Real: 0-1, mas…sabe-se lá…
SPORTING-BENFICA
Arbitragem muito fraca, com erros sucessivos.
Vários casos no aspecto técnico:
- Penálti claro por assinalar sobre Gaitán, no primeiro minuto de jogo, faltando também o correspondente cartão amarelo a Polga.
- Aceita-se o penálti assinalado, embora com critério muito estreito no julgamento do contacto.
- Algumas dúvidas em lance entre Garay e Wolfswinkel, à entrada da área do Benfica (não se consegue perceber se fora, se dentro). Eu não marcaria nada, mas com o critério estreito aplicado ao lance anterior, poder-se-ia considerar faltosa a intervenção do argentino.
- Agarrão de camisola a Luisão, por Izmailov, na área leonina. Seguindo o critério do penálti assinalado, aqui também haveria lugar à marcação de falta, ou seja, grande penalidade.
- Yannick Djaló travado em falta muito perto da área. Seria livre perigoso. Cardozo estava desinspirado, mas isso não é assunto que diga respeito ao juiz da partida.
E vários casos, também, no plano disciplinar:
- Perdoada a expulsão a Schaars, que vê um cartão bem mostrado, alguns minutos depois de uma outra falta, na zona intermediária, que teria igualmente de valer o respectivo amarelo.
- Perdoada a expulsão a João Pereira, que em três lances para amarelo, apenas viu um.
Resultado justo, atendendo ao futebol jogado: vitória do Sporting.
Resultado Real: 1-1, com muito boa vontade (1-2 se considerarmos o agarrão de camisola a Luisão).
CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 65
FCPorto 62
Sp.Braga 55
Sporting 53
THE END
No meio da mediocridade generalizada, não posso deixar de salientar Artur, como o melhor homem em campo. Já noutras fases da temporada ele andou com a equipa ao colo. E agora, mais uma vez, não fora ele e o Benfica poderia ter saído humilhado de Alvalade. A sua actuação fez-me lembrar uma outra, de Preud’Homme, em jogo a que assisti no antigo estádio do Sporting, e que curiosamente também terminou com 1-0 a favor dos leões. Evocar o grande guarda-redes belga é o melhor elogio que posso hoje fazer ao número um encarnado.Em sentido contrário, não consigo perceber o que se passa com Rodrigo. Uma lesão de seis meses, e até se perceberia a quebra de ritmo. Não foi o caso. Esteve uns dias sem treinar, e nesse curto período passou de um dos grandes craques do Campeonato português, a uma caricatura de um avançado de clube grande. Razões físicas, ou psicológicas? E agora até Cardozo parece eclipsar-se, acentuando ainda mais as debilidades de uma equipa em que os avançados, estranhamente, deixaram de marcar golos. Takuara não marca há 5 jogos, Nélson há 8, Rodrigo há 13 e Saviola há 21. A bola não tem chegado lá muitas vezes, mas…
Sobre Soares Dias já disse o essencial. Errou gravemente no primeiro lance (a única dúvida que me ficou, num primeiro momento, e depois dissipada pelas repetições televisivas, foi a de o lance ter ocorrido dentro ou fora da área, mas ele nem livre assinalou), e não manteve o critério até final da primeira parte. Não quero lançar suspeições sobre um árbitro que nem considero dos piores. Mas também não gostei de ver um juiz da Associação do Porto designado para um jogo tão importante como este, onde um título poderia ficar entregue a um clube dessa mesma Associação.
Para terminar queria manifestar, uma vez mais, a minha estranheza pela forma como o mundo sportinguista entende a rivalidade com o Benfica, bem reflectida nos festejos de uma vitória que não aqueceu nem arrefeceu o pobre campeonato do Sporting, e nas inflamadas declarações de populares à saída do estádio. Na verdade, não consigo perceber (estou a ser absolutamente sincero) porque motivo conseguem agregar tanto ódio a um adversário que, pelo menos em termos institucionais, nunca os hostiliza, e que nem sequer tem ganho títulos com frequência nas décadas mais recentes. No passado (anos sessenta, setenta) a coisa fazia sentido. Actualmente, a rivalidade lógica do futebol português é a que acontece entre Benfica e FC Porto, dois primeiros classificados, também, destes últimos campeonatos. É claro que a história pesa, e eu também não gosto do Sporting. Nunca esperaria que em Alvalade gostassem do Benfica. Mas…tanto ódio?!!?? Como? E, sobretudo, porquê?!? O que vê o sportinguista comum no Benfica? Inveja pela popularidade do clube da Luz? Pela sua maior dimensão? Pelo tratamento alegadamente preferencial da imprensa? Que culpa tem o Benfica disso? Sinceramente, mesmo depois de um ciclo de seis vitórias consecutivas (agora quebrado), tudo isto é algo que transcende a minha compreensão.
PS: A Taça da Liga não irá salvar a época, mas pode, e deve, servir para limitar os danos. É um troféu, pode ser uma conquista. Além do mais, é importante que a equipa não desmobilize, pois o segundo lugar no Campeonato está em causa, e é de importância crucial, quer em termos financeiros, quer em termos de preparação da próxima temporada.
GANHAR OU...GANHAR
No outro lado da moeda está a possibilidade de vitória, e com ela, o alimentar da chama do título. É verdade que faltará menos uma jornada, é verdade que os benfiquistas viram, neste sábado, Braga por um canudo. Mas é também verdade que a equipa encarnada, em caso de triunfo, terá ultrapassado, nesta ronda, o mais difícil obstáculo que lhe restava até final. Disporá, a partir daí, de um calendário substancialmente mais favorável que o do FC Porto, e colocará uma pressão adicional em Vítor Pereira e seus comandados. Alem de que, uma vitória no dérbi é sempre…uma vitória no dérbi.
Não creio, porém, que o FC Porto deixe de ser o principal favorito, mesmo que o Benfica hoje ganhe. Nesta fase, depender apenas de si próprio significa manter a capacidade de criar uma dinâmica de vitória que normalmente se alimenta a si própria. Sobretudo num clube cujas sucessivas equipas nos habituaram a uma força mental assinalável. Falando justamente de força mental, ou falta dela, as melhores chances dos encarnados foram deitadas fora em Guimarães, em Coimbra e em Olhão (jogos em que, uma só vitóriazinha, valeria agora a liderança isolada), e chegados aqui, só por felicidade a situação poderá ser revertida. Ganhando em Alvalade, o Benfica estará apenas a abrir uma porta por onde essa eventual felicidade pode ou não vir a entrar. Não ganhando, fechá-la-á definitivamente. Em nenhuma situação terá boas perspectivas. Terá, na melhor das hipóteses, a possibilidade de manter…algumas perspectivas.
Como vantagem, o Benfica terá a tradição recente, e também a maior frescura da equipa (um dia a mais de repouso). Como desvantagem, a moralização que o Sporting tem conseguido na Liga Europa, e que o fará encarar este jogo com uma confiança (e sem qualquer pressão) bem maior do que tem sido comum nos últimos anos. A ausência de Aimar também é um contra-tempo digno de referência.
Não vou cair no erro de fazer previsões, pois os dérbis não aceitam tal coisa. Nem sequer falarei de favoritos. Apenas digo que acredito na vitória do Benfica. Confesso que, mais neste jogo, do que propriamente no campeonato.Título à parte, ganhar ao Sporting significará também, uma mais do que provável qualificação directa para a próxima Liga dos Campeões. O futebol moderno tem aliás destas coisas: o Sporting pode vencer a Liga Europa, vencer a Taça de Portugal, terminar a temporada em glória, e ganhar meia dúzia de cêntimos com tudo isso. O Benfica pode fracassar por completo, e todavia encher os cofres com uns quartos-de-final, que já atingiu, e a garantia de uma nova presença na fase de grupos da Liga milionária, que pode facilmente atingir.
Ficam aqui as minhas memórias de dérbis, já publicadas noutras ocasiões, e fica também o meu onze para a partida.
ACTUALIDADES
Do jogo de Karkhiv, queria deixar apenas uma nota, que aliás ficara por mencionar desde a eliminatória com o City. Recordo-me de muitos sportinguistas criticarem veementemente o Artur por, no dérbi da Luz, ter simulado uma lesão para queimar tempo. Que dirão agora da forma como o Sporting tentou passar os últimos minutos destas duas eliminatórias, quer em Inglaterra, quer na Ucrania? Eu, assim de repente, não me lembro de ver tanto anti-jogo nas competições europeias dos últimos anos. As responsabilidades são dos árbitros, e não levo a mal a Sá Pinto, nem aos jogadores do Sporting, que tenham tentado essa estratégia, aliás com inteiro sucesso. Mas…não falem dos outros. É como a questão do Fundo de Jogadores, é como a questão da Caixa de Segurança para os adeptos…
Não sou hipócrita. As vitórias internacionais de outros clubes portugueses não me proporcionam um miligrama de satisfação. Neste caso, se na eliminatória anterior ainda havia a vantagem de aplicar uma pequena humilhação ao FC Porto (que fora goleado pelo mesmo adversário), agora nem isso. Não perdi o sono, nem me preocupei nada com este resultado, mas não me peçam para torcer pelo Sporting. Já o fiz no passado, mas hoje, depois de uma profunda reflexão sobre o tema, parece-me que tal não faz qualquer sentido.
Isto não me impede de tirar o chapéu a Sá Pinto, pela garra que incutiu na equipa, e pela surpreendente serenidade que revela no seu discurso. Um “senhor”, que eu não conhecia.
MAIS LONGE – A vitória do Valência sobre o Alkmaar permitiu-lhe ganhar uma posição ao Benfica no ranking da UEFA, posição essa que pode determinar a oitava equipa do pote 1 no sorteio dos grupos para a próxima edição da Champions League. Resta a possibilidade da equipa espanhola não se apurar (teria de ser ultrapassada por Levante e Málaga no seu campeonato), para o Benfica poder usufruir desse privilégio. Mas, depois de uma semana europeia particularmente azarada, tal já não me parece viável.
SP.BRAGA-FC PORTO – Há cerca de duas semanas, à mesa de um restaurante, e perante um amigo comum, tive oportunidade de manter uma interessante conversa com um portista convicto, residente no Porto, e próximo de algumas pessoas da estrutura do FC Porto. Não irei obviamente revelar nomes, em respeito ao meu amigo, em respeito a esse simpático e pitoresco interlocutor, e em respeito à forma cortês como a coisa decorreu – ao fim de um par de horas, as rivalidades clubistas haviam cedido ao bom vinho e aos bons pitéus que íamos partilhando.
Falando sobre o campeonato, e dando cada um, educadamente, os seus palpites sobre o que poderia acontecer, chegou-se ao Sp.Braga-FC Porto. Eu, ingenuamente, disse que me parecia ser o jogo mais difícil para a equipa de Vítor Pereira até final. Incrédulo, o homem respondeu:”Bocê está luouco??? em Braga??? Nem pense nisso!!!! Esse juogo está gainho! Sei benhe o que estau a dizer!!!” Perante tão convicta resposta, meti a viola no saco, e limitei-me a responder: “Se você o diz, você o saberá. O Braga está na luta, e teoricamente é difícil. Mas…talvez não seja”. Se ainda tinha dúvidas, fiquei com a certeza que desta jornada nada iria pingar.
Nem sequer vi a primeira parte, e só a insistência de familiares que tinha em casa me fizeram ver a segunda. Não foi preciso esperar mais do que cinco minutos para o Hulk rematar, o Nuno André Coelho ficar a olhar para ele, e a bola a entrar. Senti que nem seria preciso Olegário Benquerença entrar em acção. O assunto estava arrumado.
Ao Benfica resta ganhar todos os jogos, e esperar por um deslize portista no Funchal. Aí, talvez não haja amizades, nem simpatias…
JUSTO RECONHECIMENTO

Não gosto de vitórias morais, mas há alturas em que, mesmo na hora da derrota, é preciso apoiar e reconhecer os méritos daqueles que, em circunstâncias particularmente adversas, lutaram com bravura contra o mundo.
O Benfica terá feito em Londres, mormente na segunda parte, a melhor exibição da temporada. Uma exibição de arreganho, de combate, de raça, e de vontade de ganhar, que dignificou o clube e o futebol português. Merecia claramente estar entre os quatro maiores da Europa, ao lado de Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique. Não está, porque não o deixaram estar.
Independentemente do que aconteça no campeonato, os encarnados fizeram, globalmente, uma grande temporada internacional, e isso tem de ser agora enaltecido.
Se esta atitude competitiva tivesse estado presente em Guimarães, em Coimbra e em Olhão, o campeonato estava ganho. Essa é a minha maior mágoa. Mas se estiver presente nos cinco jogos que faltam, talvez ainda seja possível chegar ao título. Esse é agora o grande desafio.
O Benfica de Londres é o meu Benfica. É aquele que luta até ao fim. É aquele que não se resigna às contrariedades. É aquele que me enche de orgulho, mesmo quando o resultado não é o desejado.
Foi pois amplamente merecida a recepção dos adeptos no aeroporto, e se eu pudesse também lá teria estado.
QUE MAL LHE FEZ O BENFICA?
"Os encarnados tiveram tudo contra si. Desde logo o resultado da primeira mão, que conferia vantagem aos franceses. Mas também tiveram bastante infelicidade em várias das oportunidades desperdiçadas, e, sobretudo, na inqualificável arbitragem de um esloveno do qual não quero nem recordar o nome. É pouco usual, depois de uma importante vitória europeia, lembrarmo-nos, com revolta, do desempenho do árbitro. Pois este senhor tudo fez para colocar o Benfica fora da Liga Europa, com dois penáltis por assinalar, e uma série de equívocos tecnicos e disciplinares, sempre em desfavor da equipa portuguesa" MARSELHA-BENFICA, Março de 2010"O árbitro protegeu em demasia a equipa mais famosa, nomeadamente ao perdoar dois livres a favor do Benfica em zona de perigo" BENFICA-M.UNITED, Setembro de 2011
"Aquilo que se viu, principalmente durante a primeira parte, faz-me deixar de acreditar no futebol europeu enquanto jogo honesto. Não sei se a culpa é de Platini, se o esloveno será um simples peão de uma qualquer estratégia oculta, ou se foi o dinheiro de Abramovic a ditar o rumo desta eliminatória. O que é facto é que o Benfica foi varrido da Champions, pela pior arbitragem de sempre em toda a sua história europeia - que cedo deixou bem vincada a sua vontade" CHELSEA-BENFICA, Abril de 2012
Lamentável a sequência de arbitragens deste esloveno em jogos internacionais do Benfica. Um verdadeiro Benquerença à escala europeia.
Tanta coisa junta, não pode ser coincidência. E a dúvida que me fica é se se trata de algo pessoal, ou estamos mesmo perante um conluio ao mais alto nível das instâncias do futebol europeu.
Será responsabilidade de Platini, que quer proteger o seu negócio, colocando as equipas com maiores audiências planetárias nas fases finais?
Será responsabilidade do próprio árbitro, eventualmente agraciado pela generosidade de alguém (Abramovic?)?
Terá sido uma simples compensação da UEFA pela arbitragem de há dois anos, num Chelsea-Barcelona?
Haverá alguma influência obscura no interior da UEFA contra o Benfica (Guilherme Aguiar? António Garrido? Benquerença? Outros?)?
Haverá algum défice de comunicação do Benfica perante a UEFA?
O que é preciso fazer para acabar com isto? E porque não se faz?
Não queria embarcar em teorias de conspiração, mas à semelhança do que sucede em Portugal, também na Europa o Benfica tem sido vítima de verdadeiros assaltos (recordo, por exemplo, os quartos-de-final de 2006, ante o Barcelona). E esta arbitragem, com uma descarada dualidade de critérios, deixou bem à vista que algo se passa.
FRAUDE!
Uma dose de azar nunca vista, e uma arbitragem absolutamente criminosa, puseram fora da Liga dos Campeões uma grande equipa.O Benfica de Londres foi gigante, lutou bravamente contra a fatalidade, e merecia muito mais do que uma eliminação honrosa.
Infelizmente, numa altura em que as instituições europeias perderam toda a sua credibilidade, numa altura em que a Europa se vai suicidando aos olhos do mundo, é natural que também a UEFA não queira ficar atrás. Aquilo que se viu, principalmente durante a primeira parte, faz-me deixar de acreditar no futebol europeu enquanto jogo honesto. Não sei se a culpa é de Platini, se o esloveno será um simples peão de uma qualquer estratégia oculta, ou se foi o dinheiro de Abramovic a ditar o rumo desta eliminatória. O que é facto é que o Benfica foi varrido da Champions, pela pior arbitragem de sempre em toda a sua história europeia - que cedo deixou bem vincada a sua vontade.
O orgulho é que nenhum esloveno de segunda categoria poderá tirar aos benfiquistas, que devem unir-se em torno desta equipa, e tranformar a revolta numa grande vitória em Alvalade.
NADA A PERDER, TUDO A GANHAR
Em futebol tudo é possível, são onze de cada lado, e a bola é redonda. Vontade de fazer história é coisa que não falta , e, chegado aqui, ao Benfica nada mais resta senão tentar ser feliz.
A equipa encarnada já cumpriu a sua obrigação nesta Champions, pelo que nada tem a perder. Chegou onde era possível chegar, venceu quem tinha de vencer, e integrar o estrito lote dos oito melhores do planeta é, desde logo, motivo de orgulho para um clube que - não o esqueçamos - vive ainda num processo de recuperação da sua identidade ganhadora. Não teve a pontinha de felicidade de que necessitava para pôr esta eliminatória a seu jeito, e chega a Londres na desconfortável posição de ter de virar um resultado. Nada que não seja natural quando se defrontam equipas do primeiro mundo do futebol internacional, ao qual este Chelsea claramente pertence, e ao qual o Benfica de hoje apenas tenta aproximar-se.
Se me pedissem um palpite, diria que restavam aos encarnados 15% de hipóteses de chegar às meias-finais. São poucas mas existem. Há pois que procurar essas hipóteses.
Se Luisão recuperar, creio que Jesus poderá apresentar uma equipa competitiva, e à altura da ocasião, recuando Javi e fazendo entrar Matic para o miolo. Se houver necessidade de “inventar” centrais, as coisas tornam-se necessariamente mais difíceis. Defendo, contudo, que Luisão só deva ser utilizado no caso de não existir qualquer risco de agravamento da sua mazela, pois o campeonato pode decidir-se dentro de dias, e, ao contrário do que sucede com esta Champions League, perder na luta interna seria dramático.
Noutros momentos critiquei o treinador benfiquista por ser demasiado audaz nos jogos europeus fora de casa. Hoje estará como gosta, devendo entrar com tudo, à procura de uma oportunidade para repor o equilíbrio na eliminatória. Se marcar primeiro, o Benfica pode embalar para uma noite de glória. Mas mesmo que sofra um golo, nada ficará perdido. Se, por exemplo, chegar ao intervalo com 1-1 no placard, creio que as hipóteses de sucesso na segunda parte serão consideráveis. Ou seja, nestas circunstâncias, importa muito mais marcar do que não sofrer, o que teoricamente favorece o futebol deste Benfica.
Volto atrás, para repetir que não há nada a perder. Desta noite, ou sobra uma eliminação tranquila, esperada e honrosa, ou uma jornada épica, capaz de recolocar o clube da Luz na senda dos melhores tempos de Eusébio. A angústia está reservada para as jornadas que faltam disputar no campeonato. Aqui, é de festa que se trata.
Ver o Benfica ao lado de Real Madrid, Barcelona e Bayern, na luta pelo título europeu, é coisa perante a qual teria de me beliscar para poder acreditar. Faltam noventa minutos. Não custa tentar. Com força, e com fé.
Deixo o meu onze, que privilegia a mobilidade de Rodrigo, e sugere a poupança do muito desgastado Cardozo:
CLASSIFICAÇÃO REAL
FC PORTO-OLHANENSE
Um dos lances ocorreu neste jogo, tendo sido pedida uma grande penalidade sobre Hulk. A sensação que dá é que o defesa bem tentou fazê-la (como se chama ele? qual o clube de origem?), mas a coisa dá-se já fora da área. Esteve mal o árbitro ao não assinalar o livre respectivo.
Noutro lance, de uma alegada mão, não creio que exista qualquer falta.
Resultado Real: 2-0
BENFICA-SP.BRAGA
Há alguns erros a apontar a João Ferreira, mas no geral o árbitro setubalense saiu-se bem.
Ficou por mostrar o segundo cartão amarelo (e correspondente vermelho) a Douglão, em falta cometida sobre Witsel à entrada da área. O penálti sobre Bruno César nem merece perdas de tempo: é indiscutível, e nem Guilherme Aguiar o questionaria. O livre de onde nasce o golo do Sp.Braga não é muito claro, mas não me custa dar o benefício da dúvida ao árbitro.
No lance mais polémico do jogo, a alegada falta de Javi Garcia sobre Lima, as dúvidas também são mais do que as certezas, e só o facciosismo de uns (os que dizem tratar-se de um penálti escandaloso), e de outros (os que dizem peremptoriamente não haver nada), pode levar a conclusões definitivas.
Julgo tratar-se de um dos muitos lances de futebol em que a análise será sempre subjectiva (mesmo após dezenas de repetições televisivas), prevalecendo o critério do juiz. É este tipo de lances que alimenta discussões sem fim, pois nunca uns estarão de acordo com os outros. Na verdade, pode argumentar-se a favor e contra, com igual dose de razão, o que faz com que todos julguem estar certos.
Eu não assinalaria nada, por dois motivos. Primeiro não tenho a certeza (ninguém de boa fé a pode ter) de o toque ter sido efectuado dentro da área. Lima cai lá dentro, é verdade, mas há repetições onde parece notar-se bem que o contacto é anterior, e ainda fora do risco. Segundo porque me parece que o contacto é insuficiente para provocar a queda do avançado brasileiro, que, de resto, nem sequer protesta.
No estádio, confesso que nem me apercebi do lance, e deixo aqui uma pergunta: algum árbitro inglês assinalaria uma falta daquele tipo?
Resultado Real: 2-1
U.LEIRIA-SPORTING
Não vi o jogo, mas segundo rezam as crónicas, não houve muita coisa digna de registo.
Resultado Real: 0-1
CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 64
FC Porto 59
Sp.Braga 55 a)
Sporting 52
a) Apenas considerados os dois pontos retirados no jogo com o U.Leiria, e o ponto do empate com o Benfica (penálti inexistente).
NO ÚLTIMO SUSPIRO
Foi de facto um grande jogo, dos melhores que me recordo em toda a temporada (Champions incluída), e teve um vencedor justo. O Benfica foi a equipa que mais quis ganhar, aquela que mais procurou a vitória, e a que conseguiu uma prestação mais contínua ao longo de toda a partida. O Sp.Braga teve grandes momentos, criou perigo, deu muita luta, mas, durante grande parte do tempo, suou apenas para segurar o empate. Foi forte, mas nunca conseguiu ser brilhante. Nessa medida, devo dizer que me desiludiu, pois de um líder da classificação esperaria uma postura mais afirmativa e mais audaciosa, em busca dos três pontos, e…do título. Era isso que pensava quando aqui dei 15 % de chances ao Benfica de ser campeão, e 40% ao Sp.Braga. O que este jogo nos disse é que a hierarquia ainda é o que era, e os grandes candidatos ainda são FC Porto e Benfica, até ver, por esta ordem.
A primeira parte não teve muitas oportunidades, mas nem por isso deixou de ter a intensidade de um grande jogo de campeonato. Não era por falta de objectividade, nem de criatividade, que o golo não aparecia. Simplesmente, ninguém cometia o mais pequeno erro, e o jogo fechava-se logo que se aproximava das áreas, predominantemente a do Sp.Braga.
Foi até dos minhotos a melhor oportunidade, à saída para o intervalo, num remate de Mossoró após cruzamento de Alan, a que Artur correspondeu com defesa instintiva. Esse lance deu aliás o mote para o que seria o segundo período, com o Sp.Braga a acreditar paulatinamente que, mesmo sem manter o domínio do jogo, poderia surpreender o Benfica através de contra-ataques.
Esses contra-ataques, quase sempre lançados por Mossoró, intensificaram-se à medida que o relógio ia avançando, e as pernas dos jogadores do Benfica se ressentiam do cansaço acumulado. O jogo ia partindo, e nessa fase o golo poderia surgir para qualquer dos lados. A lesão de Miguel Vítor, a substituição queimada, e a saída de Cardozo, pareciam danificar a chama benfiquista, e favorecer os intentos de um Sp.Braga por quem o tempo jogava. Mas, por felicidade ou algo mais, a verdade é que as alterações beneficiaram o futebol do Benfica, quer fruto da mobilidade de Nélson Oliveira (que trouxe problemas para os quais a defesa bracarense não estaria preparada), quer pela inclusão de Matic, e recuo de Javi Garcia, que levou o Benfica a uma maior predominância na zona intermediária.
O penálti (indiscutível) e o golo foram o corolário desse período, e, a pouco mais de dez minutos do fim, parecia estar definitivamente resolvida a contenda. Nada disso. O empate não demorou mais do que dois ou três minutos a surgir, também de bola parada, e, uma vez mais, aí sim, as contas pareciam encerradas. Deixar fugir a vantagem a tão pouco tempo do final era um golpe duro na confiança do Benfica, e poucos seriam os que apostavam na possibilidade de novo golo na baliza de Quim.
Foi nesses últimos dez minutos que se percebeu cabalmente o que uma e outra equipas pretendiam deste jogo. O Sp.Braga deu-o por terminado, limitando-se a tentar queimar o pouco tempo que faltava para o apito final. O Benfica reagiu muito bem, indo buscar forças a uma alma que nas últimas semanas raramente se vira. Foi premiado por isso, conseguindo um magnífico golo, e lançando o Estádio da Luz numa euforia que, a quem não soubesse, quase parecia anunciar a iminência do título. Por mim falo: o golo de Bruno César foi para mim, provavelmente, o instante de maior alegria desportiva em toda a temporada.
João Ferreira esteve globalmente bem.
A vitória mantém a esperança em aberto, mas só após a próxima jornada se saberá em que medida o Benfica pode ou não ainda ser campeão. Um ponto é apenas um ponto, mas o jogo de Alvalade não será fácil (o Sporting fará tudo para evitar ver o rival campeão), e não me admiro de o FC Porto acabar por ganhar em Braga - afinal de contas, ganhou em Donetsk, e ganhou na Luz, os dois jogos de características mais similares a este que fez na temporada. Pelo contrário, também direi que se o Benfica sair de Alvalade no primeiro lugar (ganhar, e Porto não ganhar), dificilmente alguém o tirará de lá nas restantes jornadas.
A HORA DE TODAS AS DECISÕES
Não é uma constatação matemática, mas antes uma confissão de fé, que se consubstancia na forma periclitante que o FC Porto tem evidenciado ao longo da temporada, e na fácil previsão de que venha, até ao fim (em Braga? nos Barreiros? com o Sporting? noutro jogo qualquer?), a perder pelo menos dois pontos, que permitam a ultrapassagem classificativa.
Se este cenário, partindo da condição inicial, não me custa muito a prever, já essa mesma condição inicial me levanta as maiores interrogações. Ou seja, olhando àquilo que tem sido o desempenho recente do conjunto de Jesus, e atendendo ao facto de a Liga dos Campeões não ser ainda um caso totalmente encerrado (pelo menos em termos de investimento físico e anímico), custo bastante a acreditar na hipótese do Benfica fazer todos os dezoito pontos em disputa até ao dia 13 de Maio, a não ser que qualquer milagre de Fátima o empurre para tal façanha.
De facto, a equipa benfiquista parece esgotada física e mentalmente, tal como pareceu, na mesma altura, nas duas épocas anteriores, o que traduz uma tendência que em análise posterior não poderá ser ignorada. Esse eclipse, cujo surgimento é perfeitamente identificável no momento do jogo de São Petersburgo, dia 15 de Fevereiro, designadamente no minuto da lesão de Rodrigo - no ano passado, o ponto de inflexão ocorrera em Braga, a 6 de Março, no minuto da expulsão de Javi; e em 2010, já não veio a tempo de comprometer o título, mas se nos lembrarmos de Liverpool, e das exibições nas duas últimas jornadas da Liga, perceberemos a comparação -, tem feito cair o Benfica para uma bitola futebolística francamente abaixo daquilo que evidenciou, por exemplo, no mês de Janeiro (outra semelhança com as temporadas anteriores).
O último mês e meio foi estranhamente penoso para o Benfica (jejum quaresmal?), e, também à luz do que se viu na época transacta, nada aponta para que a situação seja revertida, e possa ainda voltar a aparecer-nos aquela equipa empolgante que, entre Dezembro e Fevereiro, marcou 31 golos em 9 jogos, seduzindo todos os que gostam de bom futebol.
É pois aqui, e não na matemática, que reside a minha desconfiança. Lamento dizê-lo, mas não dou mais do que 15% de hipóteses ao Benfica de ser campeão, contra 45% do FC Porto, e 40% do Sp.Braga. E mais, temo bem que, nas contas finais, nem o importante segundo lugar seja assegurado.
Se, todavia, as próximas duas jornadas trouxerem, por milagre, duas vitórias benfiquistas, então creio que as coisas se podem inverter. O futebol é fértil em surpresas, e para mim, este Benfica ganhar sucessivamente ao Sp.Braga e em Alvalade, será uma surpresa. Uma boa surpresa que pode valer um, agora também ele surpreendente, título nacional.
Fica o onze para enfrentar o Sp.Braga, e os votos que ninguém pense noutra coisa que não na vitória, e na possibilidade de conquistar o título.






