MAIS DO QUE UM JOGO

Faltam quatro.
Apenas quatro jornadas para o fim de um dos campeonatos mais empolgantes dos últimos anos, e, provavelmente, o mais importante da última década.
Cada jogo é uma “final”, como há muito afirma Rui Vitória. Mas a “final” deste domingo é especial, e pode definir muito mais do que os três pontos em disputa. Pode muito bem ser a verdadeira “final”. O momento chave na decisão do título. O Cabo da Boa Esperança na rota para o Marquês.
O Rio Ave está em 5º lugar, a lutar arduamente por uma vaga na Liga Europa (os adversários seguintes estão do 10º lugar para baixo, e já sem objectivos). O estádio do Rio Ave é difícil, e tradicionalmente problemático para o Benfica (ainda na época passada lá perdemos). O Rio Ave tem uma equipa muito coesa, onde pontuam jogadores emprestados pelos nossos rivais. O treinador, excelente diga-se, é também ele um antigo jogador do Sporting, valha isso o que valer. A equipa vila-condense apresenta-se praticamente na máxima força (apenas Roderick não jogará). Esta jornada antecede um FC Porto-Sporting, cuja abordagem em muito depende do que se vier a passar em Vila do Conde.
Não são precisos mais condimentos para olharmos para a partida de domingo como uma das mais importantes da temporada.
O jogo com o V.Setúbal evidenciou algum desgaste da nossa equipa. Após tão exigente compromisso europeu, não seria de esperar outra coisa. Felizmente, chegou para vencer.

Agora, com uma semana de repouso, teremos de entrar “a matar” no Estádio dos Arcos, como se de cada lance dependesse toda uma vida. Só assim podemos trazer a vitória. Só assim chegaremos ao 35º.

DE OLHOS BEM ABERTOS

Na jornada anterior, o Sporting jogava no Restelo. Nas vésperas da partida, o conflito entre o clube e a SAD do Belenenses agudizou-se. Foi cortada a luz e a água no estádio. Houve jogadores impossibilitados de prosseguir planos de recuperação. O treinador foi impedido de preparar o jogo. A equipa de Belém, mesmo sem Tonel, apresentou-se bastante abaixo das suas potencialidades. O Sporting venceu facilmente.
No último fim-de-semana o Sporting jogava com o Marítimo. Nas vésperas da partida verificaram-se agressões entre jogadores num treino dos insulares. Alguns foram suspensos e não estiveram em Alvalade. A equipa madeirense apresentou-se desfalcada. O Sporting venceu facilmente.
O próximo adversário dos leões é o Moreirense. Nesta última jornada, um conjunto de cartões amarelos cirúrgicos afastou vários titulares da equipa minhota. Também não jogarão os emprestados e os lesionados. Teremos um Sub-Moreirense neste sábado. O Sporting vai certamente vencer sem dificuldades.
Entretanto Slimani foi ilibado de uma agressão que todo o país viu.
É necessário que tomemos atenção a todas estas coincidências. A estrutura sportinguista tenta passar a mensagem de que o clube só não ganhou títulos nas últimas décadas devido a práticas subterrâneas dos seus rivais. E o corolário dessa teoria é achar-se legitimado a usar todos os meios, lícitos e ilícitos, éticos e não éticos, por cima e por baixo das mesas, para ganhar este campeonato – do qual depende muito do seu futuro próximo.

Já vimos isto no passado, com outros protagonistas. Não podemos voltar a cometer o erro de achar que não é connosco.

TANTO PARA VENCER

1)      Escrevo estas linhas antes de conhecer o resultado do jogo de Munique. Porém, o que quer que tenha acontecido na Baviera, não desviará o Benfica, os seus profissionais, os seus dirigentes, e os seus adeptos, do grande desígnio da temporada: a conquista do 35º campeonato. Nesse sentido, o jogo grande da semana é em Coimbra, e é esse que estamos obrigados a vencer. Aliás, tenho a convicção de que, ganhando as próximas três partidas (Académica, V.Setúbal e Rio Ave), o título dificilmente nos fugirá.
2)      O Andebol encarnado está a superar todas as expectativas. Quem diria, há um mês atrás, que teríamos a Taça de Portugal nas mãos, que estaríamos nas meias-finais da prova europeia, e que levaríamos uma vantagem de 2-0 diante do hepta-campeão FC Porto na meia-final do playoff? É verdade que as últimas vitórias foram obtidas nos prolongamentos, e arrancadas dramaticamente nos últimos segundos dos jogos. Mas a força competitiva destes jogadores ficou já amplamente demonstrada. Vamos acreditar que a saga não fica por aqui.

3)      Com a passagem do Hóquei à final-four da Liga Europeia (que bom seria poder ser na Luz…), garantimos desde já, pelo menos, quatro meias-finais de provas internacionais nas nossas modalidades nesta época. Para além do Hóquei, o Voleibol chegou às meias-finais da Challenge Cup, o Futsal está nas meias-finais da Uefa Cup, e o Andebol nas meias-finais da sua Challenge Cup. Teremos ainda o Atletismo a disputar a Taça dos Campeões da Pista. Entre tantas frentes, é lícito esperar que pingue um título. Isto sim, é uma verdadeira potência desportiva. A única em Portugal.

UMA FINAL

Depois de uma incompreensível pausa para jogos amigáveis das selecções – porque não antecipar o fim de época numa semana, ao invés de a interromper na sua fase mais quente, numa espécie de anti-climax que não agrada a um único adepto de futebol? -, regressa o campeonato. E regressa com mais uma final, esta diante de um adversário que está a realizar uma temporada fantástica, com aspirações em quatro frentes distintas. Há mesmo quem diga que este será o jogo mais difícil que o Benfica tem pela frente na sua caminhada rumo ao 35º.
Além da qualidade do adversário – equipa com experiência de grandes momentos, que dificilmente se impressionará perante as 65 mil pessoas que se esperam na Luz -, e além de esta partida chegar na sequência da referida pausa, com desgaste de viagens, com diferentes metodologias de treino, com dispersão mental face aos objectivos, haverá também que combater todos os pensamentos, palavras, actos e omissões que remetam para compromisso seguinte, o de Munique. Não podem jogar-se dois jogos ao mesmo tempo, e independentemente do prestígio internacional que uns quartos-de-final da Liga dos Campeões conferem, ninguém (jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos) pode esquecer, por um momento que seja, que o grande desígnio da época é o Tri-Campeonato, e que a caminhada para o atingir não permite o mais ínfimo percalço.

Nestas circunstâncias, dizer que o Benfica-Braga se trata de uma final, não é conversa fiada. Tendo em conta que um empate pode significar a perda da liderança, e a dependência de terceiros, o que hoje teremos na Luz é mesmo uma verdadeira Final. 

OS INÁCIOS

Há quem seja Inácio de nome. Mas há também quem não consiga ser outra coisa. São os que não passam de…inácios.
Mas o que é ser inácio?
Ser inácio é acusar mais de uma dezena de pessoas de conspirar contra o Sporting, metendo no pacote dirigentes, comentadores, empresários, adeptos e jornalistas, como se todos pudessem ser tomados pelo mesmo critério de clubismo, e como se não fosse o acusador o primeiro a conspirar semanalmente contra o Benfica, inventando e mentindo sem limites nem pudor.
Ser inácio é insistir na ausência de penáltis contra o Benfica, omitindo que o Sporting tem a seu favor, neste campeonato, mais penáltis do que Benfica e FC Porto juntos.
Ser inácio é teimar na inexistência de expulsões de jogadores encarnados, esquecendo que o Sporting já leva 126 minutos de superioridade numérica, ao passo que nem Benfica, nem FC Porto, tiveram ainda o privilégio de jogar contra dez. As estatísticas são como a água benta: cada um toma a que quer.
Ser inácio é falar de guerra de palavras, quando de um lado se ouvem, e lêem, berros de rancor, azia e ódio, e do outro se mantém o silêncio.
Ser inácio é confundir declarações de comentadores, ou funcionários de um clube, com as de um presidente - que implicam responsabilização institucional distinta.
Ser inácio é fazer reparos à folha salarial do Benfica, quando a do Sporting (seguindo a linha remuneratória do próprio presidente) quase duplicou em menos de um ano.
Ser inácio é achar que vale tudo, é incendiar o país desportivo, é caluniar, é vender a dignidade.

Mas, enfim, há que dar desconto. Afinal, os inácios não passam de… inácios.

PRIORIDADES

No momento em que o estimado leitor puder ler estas páginas, provavelmente já conhecerá o adversário do Benfica nos quartos-de-final da Champions League. Já saberá, pois, se o “Glorioso” tem poucas, muito poucas, ou quase nenhumas hipóteses de seguir em frente. Numa perspectiva pragmática, é esse o naipe de possibilidades que esta fase da competição nos coloca, dada a colossal capacidade financeira e desportiva das forças em presença.
O sonho é legítimo, mas a realidade diz-nos que as obrigações externas do nosso Clube já estão, nesta temporada, amplamente cumpridas. Daqui em diante, há que desfrutar, sem dramas, e sem pressões que não sejam as de dignificar a camisola e preservar o prestígio internacional que Eusébio e seus pares nos legaram.
Paralelamente, temos um Campeonato ao rubro e uma liderança presa por um cabelo – a qual, precisamos de manter até ao fim, custe o que custar. Bela Guttmann dizia que o futebol português não tinha rabo para duas cadeiras. E por essa Europa fora é já bem conhecido o chamado “Vírus Champions”, que subtrai pontos nas ligas nacionais, quer nas vésperas, quer no rescaldo dos grandes jogos europeus. As explicações não vêm ao caso, mas não são do domínio da coincidência.

Temos pois que analisar friamente o que queremos, o que podemos alcançar, e qual a melhor forma de o conseguir. Este Campeonato é, por múltiplos motivos, tremendamente importante para o Benfica. Porventura o mais importante da última década. É na sua conquista que tem de estar o foco de todos os profissionais da casa. Terá de ser essa a nossa prioridade absoluta. O resto se verá.

REGRESSO À NORMALIDADE

Com o triunfo de Alvalade o Benfica voltou ao seu lugar: o primeiro.
Nada está ganho. Nada está garantido. Mas olhando de cima para baixo, vê-se tudo mais nítido, e respira-se um ar diferente. Um ar que nos é familiar.
Conforme se esperava, os comentários do pós-jogo foram deliciosos. Que jogámos como equipa pequena, que só defendemos, que não merecíamos vencer. Enfim… litros de azia e mau perder, que só nos fazem rir.
A verdade é que o Benfica entrou no dérbi autoritário, e dominou os primeiros minutos, até marcar. Uma vez em vantagem, adoptou uma estratégia de contenção, cedendo a iniciativa e a posse de bola. Controlou alguns dos pontos fortes do adversário (Slimani pouco se viu), e foi levando a água ao moinho. Ganhou com justiça, e também com a dose de sorte que alimenta os campeões. Com a sorte que havia faltado, por exemplo, no jogo com o FC Porto. Houve eficácia, houve maturidade, houve solidariedade, e houve, sobretudo, humildade. Quatro predicados de campeão. Do outro lado notou-se ansiedade a mais para tanta presunção.
Agora, começa um novo campeonato. Um campeonato de 9 jornadas, no qual não há margem de erro, mas para o qual partimos com a moral em alta.

A euforia entre os adeptos é saudável. Afinal, o futebol serve para nos proporcionar momentos como estes, e temos o direito de os viver sem espartilhos. Esse clima não pode é entrar pela porta do balneário, onde os profissionais terão de estar cientes do longo itinerário que ainda falta percorrer. Estou seguro de que saberão interpretar devidamente esta vitória. O caminho para o 35º não terminou aqui. Começou aqui.

ELES TÊM MEDO

Eles queimaram milhões com um treinador, correm o risco de não ganhar nada.
Eles precisavam de ir à Champions, não passaram das qualificações.
Eles sonhavam chegar à final da Liga Europa, foram sumariamente eliminados.
Eles estão em 37º lugar do ranking da UEFA, nós seguimos em 6º, e continuamos a escrever história.
Eles ambicionavam voltar a triunfar no Jamor, caíram em Braga.
Eles queriam finalmente conquistar a Taça da Liga, foram humilhados por uma equipa da 2ª divisão.
Eles tiveram oito pontos de avanço no campeonato, já só têm um.
Eles apenas nos ganharam dois jogos em Alvalade, na última década, para o campeonato. Nós vencemos lá três.
Eles não festejam o título há 14 anos. Nós somos Bi-Campeões, e lutamos pelo Tri.
Eles derrotaram-nos três vezes na fase inicial da temporada, mas em cada uma delas ficou um penálti por marcar a nosso favor. Nós não o esquecemos.
Eles sabem que estamos melhor, que somos melhores, que somos mais fortes. Eles sabem que somos Benfica.
Eles estão aterrorizados. Estão cheios de medo de nós.
Estão cheios de medo que lhes tiremos da mão o único pássaro que ainda lhes resta. Jogam aqui a vida. Jogam o futuro. Jogam tudo.
Estão cheios de medo de que sejamos nós a rir por último, depois de tanta gritaria e fanfarronice.
Estão cheios de medo de que sejamos nós a vencer uma vez mais o campeonato.
Tremem só de nos imaginar Tri-Campeões. E sabem que, ganhando este dérbi, ninguém mais nos irá parar rumo ao 35º. Tremendo, vão cometer erros. Resta-nos aproveitar.
Vamos mostrar-lhes quem manda. Vamos calá-los. Vamos ajoelhá-los aos pés do Campeão.

Benfica, dá-me o 35!

CIRCO DE FERAS

As pressões sobre a arbitragem não são, infelizmente, novidade.
Desde os tempos de Pedroto, recordo inúmeras situações em que os agentes desportivos tentaram, usando e abusando da comunicação social, condicionar o consciente e o subconsciente dos árbitros para os jogos seguintes. Outrora ou hoje, a receita é sempre a mesma, e bastante simples. Acusação, vitimização e queixume, tudo devidamente emoldurado numa sonora e persistente gritaria, capaz de transformar verdades em mentiras, e mentiras em verdades.
Naqueles tempos, a coisa até tinha piada. Em 2016, confesso que já não lhe acho graça nenhuma. Com o avançar da idade, parece-me tudo demasiado óbvio, demasiado básico. E aquilo que os responsáveis do Sporting têm feito ao longo deste campeonato, de tão ridículo, chega a ser penoso.
O ponto mais absurdo desta estratégia – e por si só capaz de descredibilizar todos os outros – terá sido a algazarra em torno da partida com o Tondela, onde uma boa arbitragem foi devastada pelos muitos apaniguados que o Sporting tem na comunicação social.
Esta semana, mais do mesmo: um penálti assinalado a favor do Benfica, num lance difícil de analisar, e eis que se reabriu a torneira da desfaçatez, com o objectivo único de condicionar as arbitragens seguintes, nomeadamente a do próximo dérbi.
Quero acreditar que, em 2016, os árbitros não sejam tão maleáveis como há vinte anos atrás. Isso deixa-me esperança de que todo este ruído não passe de folclore. Mas também é verdade que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, sendo que neste caso, nem a pedra é muito dura, nem a água é muito mole.

SEM EXPLICAÇÃO

Quando uma determinada equipa ganha um jogo de futebol, comentadores e analistas de pronto vêem o copo meio cheio, evidenciando virtudes, e procurando encontrar nelas a razão da vitória. Quando essa mesma equipa perde, lá têm de olhar para o copo meio vazio, e procurar defeitos a partir dos quais explicar a derrota. É essa a forma de fazer corresponder – muitas vezes com artifício - cada resultado, às vicissitudes técnicas, tácticas e físicas que envolvem as partidas. De colorir uma retórica que vai muito para além da única evidência que o futebol regista: o número de bolas que entra nas balizas.
Toda essa verborreia omite, porém, um dado essencial: estamos, antes de mais, perante um jogo, cujos resultados incorporam uma larga componente aleatória.
É verdade que as equipas jogam bem ou mal, que passam por momentos de forma melhores ou piores, que têm pontos fortes e pontos fracos. As que jogam melhor e são mais fortes, ganham mais vezes.
O que não é justo é cantar loas a quem alcança uma dúzia de vitórias consecutivas, e depois, ao primeiro revés, colocar tudo em causa, como se, por magia, de um dia para outro, os atributos se transformassem em inépcias.
Um bom exemplo disto foi o Clássico da passada semana, no qual o Benfica construiu oito (!!) ocasiões clamorosas de golo, sendo todavia derrotado por um adversário tão insípido quanto afortunado – que teve no seu guarda-redes o homem do jogo.

Mais prosa, menos prosa, mais teoria, menos teoria, o futebol é mesmo assim. Nem sempre é justo, nem sempre se explica. É esse um dos seus encantos. É também por isso que nos apaixona.

A HORA DA VERDADE

Chegou a hora de mostrar o que vale este Benfica. De confirmar os resultados, as boas exibições, e a impressionante veia goleadora dos últimos dois meses. De calar os críticos, os mal-dizentes e as aves agoirentas. De responder aos provocadores e aos incendiários. De meter pressão máxima no rival de Lisboa, e afastar da corrida o rival do Porto.
Chegou a hora de mostrar o quanto cresceram alguns jogadores desta equipa. De André Almeida, Eliseu e Pizzi demonstrarem que estão num nível a que nunca haviam chegado antes. De confirmar que todos eles merecem discutir a titularidade na selecção nacional. De Jardel se arvorar definitivamente como patrão da defesa, e futuro grande capitão da equipa. De Renato Sanches se afirmar, já, como uma pedra preciosa para todas as circunstâncias. De Jonas prosseguir a sua caça insaciável à Bota de Ouro. De Mitroglou aumentar a inveja daqueles que não o conseguiram contratar. De Gaitán continuar a espalhar magia pela relva. De Fejsa ou Samaris confirmarem que, qualquer um deles é trinco de equipa campeã. De Júlio César gritar bem alto que é, ainda, um dos melhores do mundo.
Chegou a hora de mostrar que este Benfica já nada deve às versões anteriores. Que muitos dos seus jogadores nunca haviam evoluído tanto. De alcançar a 14ª vitória consecutiva no campeonato, sequência que há décadas não era obtida. De se afirmar eloquentemente como a melhor equipa portuguesa, e a mais forte candidata ao título.
Chegou a hora da verdade. Hoje e terça-feira, FC Porto e Zenit são os adversários ideais para o momento. Medo? Nenhum! Confiança? Toda!

Carrega Benfica!

GATO ESCONDIDO


Todos percebemos como pretende o Sporting chegar ao título: pressão incessante sobre a arbitragem, e lobbying nos media, para que se faça eco do discurso oficial de vitimização, repetindo-o até à náusea, até parecer verdade.

No meio da fumarada, muitos casos ficam esquecidos. Relembro os penáltis por assinalar nos três jogos com o Benfica, sobre Gaitán na Supertaça, e sobre Luisão no Campeonato e na Taça; o golo irregular que lhes valeu a vitória em Tondela; o off-side no golo ao Estoril; o escandaloso penálti que ficou por marcar em Arouca; o bloqueio no livre de que resultou o primeiro golo frente ao Moreirense; o penálti fora da área que Jorge Sousa ofereceu na partida com o SC Braga (jogo em que ficaram por expulsar três jogadores do Sporting); ou ainda as sucessivas e impunes agressões de Slimani a vários adversários, em várias jornadas.

Porém, as vendas proporcionadas pela gritaria do bando de Alvalade parecem tocar fundo no coração de editores e directores de jornais – que não olham a esforços no momento de dar destaque a casos, ou pseudo-casos, em que o Sporting se diz prejudicado. Fazem-no de uma forma insultuosa para com o rigor e a independência. Gozam com os leitores.

A primeira página do jornal “A Bola” do passado domingo poderia muito bem ser a do jornal “Sporting”, tal o modo parcial como tratava uma questão de arbitragem. Fosse uma final europeia entre Sevilha e Benfica, e nem o patriotismo os levaria a tanto.

No “Record”, já nos habituáramos à tonalidade esverdeada. A coisa agora disseminou-se.

Podem continuar. Não só não nos enganam, como perdem o nosso respeito.

CHEGA!

Não alinho em preconceitos quando se fala de claques. Se por um lado lhes imputo um histórico recheado de problemas de mau comportamento, e não ignoro que por elas circula hoje muito dinheiro, tornando-as num centro abusivo de poder, à margem da lei, dos clubes e até do futebol, por outro reconheço que os jogos sem banda sonora não seriam iguais. E os cânticos das nossas claques são particularmente arrebatadores.
Acresce que, nos maus momentos, perante assobios ou silêncio generalizado, só eles apoiam a equipa. E fazem-no sempre. Em casa e fora. Ao sol ou à chuva.
Dito isto, e com o devido cuidado de não tomar o todo pela parte, acho que é chegada a hora de identificar e pôr na ordem o bando de imbecis que, reiteradamente, no nosso estádio e fora dele, inclusive no estrangeiro, nos envergonha enquanto benfiquistas.
Aquilo a que assistimos, no passado sábado, no seio de uma das claques, e que já sucedera noutras ocasiões, é inqualificável, imperdoável, e só pode ser resolvido com mão muito dura. Terá de ser o próprio clube a fazê-lo, antes que alguém o faça por nós, com consequências bem piores.
Não me interessa se as claques são legais ou ilegais. De uma forma ou de outra, não deixarão de ter as mesmas virtudes e defeitos. Mas a minoria que, em nome delas, se comporta daquela forma selvagem, não tem lugar no estádio, nem no clube, nem no futebol.

Não adianta apelar-lhes. Não lêem jornais, e se lessem, não percebiam. O meu apelo é aos nossos dirigentes, e aos responsáveis pela segurança do estádio. É altura de acabar com isto de vez. Se não puder ser a bem, terá de ser a mal. 

SEM LIMITES

Há muitos anos que o Sporting se faz notar pelas constantes queixas contra a arbitragem, a maioria das vezes sem razão. Até aqui, o método consistia em empolar todos os lances em que se sentiam prejudicados, e ignorar sumariamente aqueles em que eram beneficiados. Na passada sexta-feira, subiram um degrau. Chegaram ao absurdo. Agora, já não interessam as evidências, nem os próprios lances. São prejudicados, porque sim.
O presidente grita, os funcionários replicam, e, numa reacção digna dos cães de Pavlov, toda uma horda de comentadores amestrados, e de jornalistas de vão-de-escada, faz o eco suficiente para criar uma nuvem de mistificação e embuste.
Um penálti do tamanho do estádio, e uma expulsão óbvia, fizeram-me esfregar os olhos. Seria aquele o lance que estava em causa? Céus! Como era possível? Ouvindo o treinador, e as suas fantasmagóricas teorias, percebi que era mesmo daquilo que se queixavam. Estavam, pois, a tentar tomar-nos por parvos.
Para esta gente, vale tudo. Mentir descaradamente, pressionar, coagir ou empurrar. Vendo algumas imagens da partida, lembrei-me dos jogadores do FC Porto a correrem atrás de José Pratas, numa Supertaça dos anos do Apito Dourado. Mas, como dizia Marx, a história repete-se sempre: primeiro como tragédia, depois como farsa. Chegámos à fase da farsa.

Os benfiquistas não se deixam enganar. Já quanto aos árbitros, tenho receio dos efeitos deste ruído. O Sporting quer chegar ao título a qualquer preço, e vê na arbitragem, e na comunicação social, dois elementos a manipular. Estejamos nós desatentos, e irão fazê-lo sem pudores e sem limites.

O GOLEADOR

Nas brincadeiras de infância e juventude, jogava sempre a avançado. Era alto e forte. Não tinha jeito para fintas. Gostava de rematar. Era perto da baliza adversária que me sentia mais confortável.
A escassez de talento não me permitiu fazer carreira, mas permaneceu uma certa ligação emocional à posição. Embora o grande ídolo da minha meninice fosse Fernando Chalana, sempre nutri um carinho muito especial por todos os goleadores, de Nené a Mats Magnusson, de Nuno Gomes a Óscar Cardozo.
Mais do que dribles, túneis, passes milimétricos, toques de calcanhar, cabritos, rabonas ou chicuelinas, o que sempre me seduziu no futebol foi mesmo o golo. O golo, puro e simples. O último toque. O remate. As redes a abanar. Os braços no ar. As bancadas em festa.
São os golos que fazem vibrar o povo da bola. Sem eles, não resta quase nada. Com eles, vem todo o sumo de que o jogo necessita.
Não admira pois que Jonas seja hoje o futebolista que mais admiro no Benfica. Embora não se trate de um ponta-de-lança clássico (como Raúl Jimenez ou Mitroglou), são dele 40% do total de golos da equipa no campeonato. É ele o goleador. Não só do Benfica como da prova. Acresce que não se limita a marcar. Fá-lo com classe.
Na Choupana, em jogo difícil, foi mais uma vez protagonista. Tem sido assim frequentemente desde que chegou a Portugal – com expectativas não muito altas, diga-se.

Luisão é o líder, Nico Gaitán o artista, mas quem mais vezes me faz saltar da cadeira chama-se Jonas Gonçalves Oliveira. É internacional brasileiro, leva 50 golos em época e meia de águia ao peito, e não se cansa de nos fazer felizes.

2016: ANO 35

A cada ano que começa, manifestamos desejos e traçamos metas, de modo a que, mais tarde, possamos aferir o que foi alcançado. Com um Bi-Campeonato de Futebol, e múltiplas conquistas nas modalidades, 2015 foi um ano em cheio. Para 2016, deseja-se o mesmo de 2015, e o mesmo de sempre: títulos!
É esse o único objectivo de um Clube com a história e a dimensão do nosso. É para isso, e só para isso, que o Benfica existe. É por isso, e só por isso, que apaixona milhões de pessoas no país e no mundo.
Sendo o Futebol a modalidade mais representativa, quando falamos em títulos pensamos desde logo na conquista do Tri-Campeonato. E não há paradigma, novo ou velho, que possa subjugar esse desígnio a qualquer outro.
Formação, patrocínios, profissionalização, expansão da marca, recursos humanos ou infraestruturas, são meios (importantes, é certo) para alcançar um fim. Mas o fim é, exclusivamente, ser campeão. Caso contrário, tudo o resto será completamente inútil. Não se trata aqui somente de emoção. Trata-se de razão. Da razão de existirmos.
É pois esta a bitola segundo a qual terá de ser medido o novo ano, assim como foram medidas, ano após ano, todas as temporadas desportivas desde que me lembro de existir, e de chorar pelo Benfica. Se em Maio estivermos no Marquês de Pombal, 2016 será um sucesso. Se lá não estivermos, será um fracasso.

O nosso ano zero foi em 1904, e daí em diante fizemo-nos gigantes através de títulos. É deles que se enche orgulhosamente o museu Cosme Damião. Eles são tudo. Sem eles, tudo o resto é nada. São eles, e só eles, que podem fazer de 2016 mais um ano à Benfica.

2015, UM ANO DE GLÓRIAS

O ano que termina ficou repleto de sucessos para o nosso Glorioso Clube.
Em 2015, fomos Bi-Campeões nacionais de futebol, algo que não sucedia desde 1984. Vencemos também, e uma vez mais, a Taça da Liga (a sexta, nas últimas sete edições). Já nesta nova temporada, conseguimos um brilhante apuramento para os oitavos-de-final da Champions League, e mantemo-nos vivos na corrida ao Tri-Campeonato. Assistimos ainda ao nascimento de novos futebolistas ao mais alto nível, provenientes da escola do Seixal.
Na componente extradesportiva, há que salientar os negócios de milhões celebrados, quer com a Fly Emirates, quer com a NOS, que tanta inveja causaram junto dos nossos principais rivais, e que tão grande importância têm no reforço dos alicerces económico-financeiros do Clube, a curto, médio e longo prazo.
Nas modalidades, o ano benfiquista foi espantoso. Porventura, o melhor de sempre. Estou em crer que nunca, em 111 anos de história, o Benfica se havia sagrado campeão nacional de tantas modalidades, nem erguido tão elevado número de troféus, numa mesma temporada. Se evidências faltassem, ficou cabalmente demonstrado quem é, de facto, e de longe, a maior potência desportiva do país. Para além do Futebol, fomos campeões de Hóquei em Patins, Basquetebol, Voleibol, Futsal e Atletismo, títulos aos quais há que juntar diversas Taças de Portugal, Supertaças e outras competições oficiais. Como se tal não bastasse, o sector feminino, através do Hóquei, deu-nos ainda, entre outros, um inédito título europeu. Em suma, ganhámos praticamente tudo.

Que venha 2016. E possa ser, pelo menos parecido.

GIGANTES!

Nem um empatezinho para amostra! 33 jogos, 33 vitórias! 22 jornadas de 2014-15, e mais 11 (o pleno) de 2015-16. É este o inacreditável pecúlio da equipa de Hóquei em Patins do Benfica no Campeonato Nacional da 1ª divisão, desde o já distante dia 25 de Outubro de 2014.
7-0 fora e 9-0 em casa com o Sporting, 10-0 ao Valongo, 7-3 no Dragão e 5-1 ao FC Porto na Luz, eram alguns dos resultados averbados neste percurso. Faltava uma vitória sofrida, com contornos de filme de suspense, e sabor a mel, para compor o quadro. Ela aconteceu no último sábado, após um espectáculo inolvidável.
Aquele último minuto vai ficar marcado na história do Hóquei português, e na memória de todos os que enchiam o Pavilhão da Luz. Virar um resultado de 3-4 para 6-4 em apenas 68 segundos, frente a um, também ele, candidato a todos os títulos nacionais e internacionais, não é proeza que possa passar em claro. E apenas está ao alcance daquela que é hoje, sem dúvida, uma das melhores equipas do mundo, e, porventura, a melhor de sempre do hóquei encarnado.
Não será preciso lembrar que, apesar destas exuberantes manifestações de qualidade, ainda nada está ganho esta época. Tenho a certeza que os festejos estão bem guardados lá mais para o fim. Mas, a manter-se o espírito, todas as ambições são legítimas.

Enquanto benfiquista, e apaixonado do Hóquei em Patins, tenho um sonho: ver o capitão Valter Neves erguer mais um troféu de campeão europeu, desta vez na nossa casa, perante uma multidão idêntica à de sábado passado. Até o adversário poderia ser o mesmo. Fica já reservada uma das doze passas da passagem do ano.

A CRÓNICA DE UM FRACASSO ANUNCIADO

Um verdadeiro benfiquista não pode enterrar a cabeça na areia quando alguma coisa está manifestamente a correr mal. Identificar falhas, apontar caminhos, discutir estratégias, é algo de que, quem vive o Benfica, quem sofre com o Benfica, e quem chora pelo Benfica, jamais poderá abrir mão. Muita coisa está a correr bem (a área comercial, a Btv, as modalidades, e as infraestruturas, são apenas alguns exemplos), mas o epicentro do clube, o dínamo que o faz rodar, aquilo que o tornou popular e mobiliza milhões de pessoas espalhadas pelo mundo, não tem correspondido às exigências. E é isso – que se traduz numa frase que bem poderia ser a mãe de todos os lemas da casa  “ser campeão nacional de futebol” – que leva a um sentimento de angústia que não pode ficar refém de qualquer silêncio cúmplice.
Estamos ainda a alguns dias do Natal, e o Benfica já perdeu a Supertaça, já foi eliminado da Taça de Portugal e está praticamente afastado da luta pelo Campeonato Nacional. Partindo do pressuposto que ganhar a Champions League é tarefa quimérica, e que um eventual triunfo na Taça da Liga seria mero paliativo para as dores, facilmente se conclui que a época está perto de se considerar perdida. E, a ser assim, não encontro outra palavra para a definir que não seja: fracasso.
Quando, no último verão, a direção benfiquista anunciou a adoção de um novo "paradigma”, assente numa crescente “aposta na formação”, confesso que senti um arrepio na espinha. Infelizmente, os meses decorridos estão a dar razão ao meu ceticismo.
A não renovação de contrato com Jorge Jesus – justificada tacitamente por esse “novo paradigma” – representava o fim de um ciclo, e o princípio de uma nova era, na qual o Seixal assumia preponderância (aliás, é preocupante o histórico de treinadores campeões empurrados do Benfica, de Mortimore a Toni, de Trappatoni a Jesus).
Até aceitaria o propósito, não viesse o Benfica da conquista de um Bi-Campeonato, totalmente assente no anterior “paradigma” (ou lá o que se lhe queira chamar), e nas ideias ganhadoras do agora treinador do Sporting. Então, nesse velho "paradigma” , o que interessava era ser campeão, independentemente dos nomes, idades, caras, cores, nacionalidades ou penteados dos jogadores que entravam em campo. Agora, com o novo "paradigma”, parece haver uma subversão de prioridades. O que interessa é formar jogadores, e lançá-los. Primeiro na equipa, depois no mercado. Os títulos? Logo se vê. Se esta não é a verdade, anda lá próximo.

Para protagonizar esse novo “paradigma”, foi contratado um treinador cujo cartão-de-visita consistia precisamente no lançamento de jovens jogadores na equipa principal do Vitória de Guimarães. O facto de se tratar de um clube sem responsabilidades de lutar por títulos, de os resultados não terem sido empolgantes, e de tais jogadores, com uma ou outra exceção, se terem perdido entretanto no anonimato, não foi tido em conta. Foi prometido, na altura, que o novo técnico teria à sua disposição meios idênticos aos usufruídos pelo anterior, promessa que de forma alguma foi cumprida – o que, pelo menos em parte, até iliba o pobre Rui Vitória dos onze pontos já desperdiçados no Campeonato, da derrota na Supertaça, e da eliminação da Taça de Portugal.
Aceitaria o argumento de que esta alteração abrupta e inoportuna de uma política desportiva que se revelava altamente ganhadora (e financeiramente rentável) tivesse sido imposta por circunstâncias externas, impossíveis de contornar (colapso do BES?). Ou seja, tal não teria constituído uma opção estratégica voluntária, mas sim uma necessidade premente, ditada pela tesouraria, ou qualquer outra questão semelhante e inultrapassável. A ser o caso, e tomando de barato algumas contratações estranhas e caras (porquê, e para quê, aquele "pack-dez"? porquê, e para quê, trazer jogadores com o perfil e o histórico de Taarabt?), a situação carecia de uma explicação cabal, frontal e exaustiva, onde não faltasse um redimensionar de expetativas em baixa, capaz de satisfazer uma massa associativa cada vez mais jovem, cada vez mais letrada e esclarecida, e cada vez mais exigente quanto a todos os aspetos da vida do clube que ama…e que paga. Esse exercício não foi feito, o que abre naturalmente o espaço à crítica. À construtiva – como pretende ser esta -, mas também à daqueles que estão sempre na linha da frente para usar, exponenciar e alimentar os fracassos do futebol encarnado, com fins alheios, e nada inocentes.
O erro estratégico é evidente, e pode detalhar-se em onze parâmetros de análise. Tantos quantos os jogadores de uma equipa de futebol. A saber:
1)      Tendo a equipa sofrido um colossal desinvestimento no verão de 2014 (só para recordar: Oblak, Garay, Siqueira, Markovic, Matic, André Gomes, Enzo Perez, Cardozo e Rodrigo…), não foi relevado o indiscutível mérito do treinador na conquista da Liga de 2014-15. De uma manta de retalhos, de um plantel dizimado e substancialmente mais fraco que o do principal opositor, Jorge Jesus conseguiu o milagre de vencer quinze dos primeiros dezassete jogos do campeonato, embalando a equipa para mais um título nacional (o terceiro em seis anos). Foi a dinâmica imposta pelo treinador, a sua base de trabalho, e o seu modelo de jogo, que ganharam uma competição que, no papel, se antevia como quase impossível por quem, em agosto de 2014, olhasse os factos com alguma lucidez. Na hora de festejar, muitos rostos apareceram. Mas se o campeonato de 2013-14 tinha sido de Luís Filipe Vieira (honra lhe seja feita), o último foi claramente de Jesus. E por muito mal que possamos pensar do homem, do seu caráter, da sua teimosia, da sua má educação, das suas atitudes ou declarações, da forma extemporânea com que bateu com uma porta que lhe haviam entreaberto, manda a verdade reconhecer que só talvez José Mourinho esteja hoje no mesmo patamar de competência técnica e de capacidade ganhadora. Ou seja, tínhamos o ouro, e demo-lo ao bandido.
2)      Foi e continua a ser sobrevalorizada a relevância do Centro do Seixal como potencial alimentador de jogadores para a equipa A. Por muito que se tente demonstrar o contrário, desde o tempo de Rui Costa (vá lá, com boa vontade, talvez de Manuel Fernandes) que não surge na formação benfiquista um jogador capaz de se afirmar na equipa principal, e desde logo fazer a diferença, ou trazer benefícios (é disto que se trata, pois pô-los a jogar é fácil, ganhar com eles, nem tanto). Aliás, independentemente das infraestruturas criadas (mérito indiscutível desta direção), está por demonstrar que o Seixal, em termos de know-how e de resultados práticos, represente por ora uma mais-valia relativamente aos principais rivais. Podíamos falar de Gelson Martins, de Matheus Pereira, de André Silva ou de Ruben Neves (ao nível dos quais talvez não haja ninguém entre os jovens da Luz). Mas, também, de um FC Porto campeão nacional de Juniores, de um Sporting campeão nacional de Iniciados, ou da classificação das equipas B na corrente Liga de Honra (onde o Benfica B de Hélder Cristóvão corre riscos de descida). Aliás, por falar em Juniores, o Benfica tem apenas um campeonato ganho nessa categoria nos últimos doze anos. É verdade que há argumentos em sentido oposto (maior número de convocados para as seleções jovens, ou presenças na Youth League), mas aqueles também são válidos. No global, creio que o deve e o haver se equilibram, logo, essa mais-valia não existe, não traduzindo, em linguagem empresarial, qualquer vantagem comparativa notória face aos rivais.
3)      Pelé ou Maradona à parte, jovens de 18 ou 19 anos não têm, nem podem ter, o perfil competitivo que se exige a uma equipa que quer vencer todas as competições em que participa, e que carrega o peso dessa responsabilidade perante milhões de seguidores. Por muito talento que exista, os erros de posicionamento e de passe, as inconsistências técnicas, táticas e físicas, a falta de capacidade de choque e de frieza na hora da decisão, a ansiedade perante os grandes momentos, para além de um eventual, fácil e pernicioso deslumbramento, são razões mais do que suficientes para ter cautelas na hora de lançar um novo jogador para o estrelato. O desenvolvimento de futebolistas não pode ser feito à custa de derrotas. No Vitória de Guimarães, talvez. Na equipa B, certamente. Na equipa principal do Benfica, nunca. Nomes como Gonçalo Guedes, João Teixeira, Nuno Santos, Nélson Semedo, Lindelof, Clésio, Victor Andrade ou Renato Sanches têm futuro, mas não podem ser eles a alicerçar o presente do futebol encarnado. É um peso excessivo nos seus ombros, e um perigo para eles próprios e para a equipa. Em condições normais, seriam emprestados, para um dia voltarem – então sim – em condições de se tornarem verdadeiras mais-valias. Foi assim, num passado mais distante, com Diamantino. Foi assim com o próprio Rui Costa (cujo empréstimo ao Fafe, ele próprio o admitirá, foi muito importante para a sua carreira). Há bons exemplos também noutros clubes (William Carvalho, Adrien Silva, João Mário...). Outra alternativa seria constarem de um plantel que, para além deles, tivesse mais 20 jogadores feitos e de grande qualidade, capazes de suprir todas as posições nos momentos capitais, sobrando para os mais jovens o espaço da Taça da Liga, da Taça de Portugal, ou de alguns minutos em jogos disputados na Luz com resultado já definido. Aos poucos iam assumindo maior responsabilidade e protagonismo. Iam crescendo e, a seu tempo, se aproveitassem essas oportunidades, afirmar-se-iam como titulares. Pode argumentar-se, com alguma razão, que o anterior treinador nunca se preocupou com isso. Mas…nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
4)      A este propósito, é importante questionarmos quantos são, e quem são, os jogadores da formação na equipa principal do Real Madrid, do Bayern de Munique, do Manchester City, do Manchester United, da Juventus, do Paris Saint-Germain, do Chelsea, da Roma, do Liverpool, ou do Inter. Pode falar-se, é certo, do Barcelona, mas essa é a exceção (fundamentada num poderio financeiro que permite manter todas as jóias em casa) e não a regra. Mesmo em Camp Nou, o número de jogadores da cantera têm diminuído à medida que se vai esbatendo a prodigiosa geração dos Valdés, Puyol, Xavi e Iniestas. Messi, como um dos melhores jogadores mundiais de todos os tempos,  é um caso singular. Mas, por exemplo, Piquê andou emprestado até se fixar na equipa. Serve isto para dizer que raramente existem clubes simultaneamente formadores e ganhadores. No campo dos primeiros, poderia mencionar o West Ham, o Ajax, o Southampton, o Dínamo de Zagreb, o Auxerre, o Espanyol, ou o Sporting das últimas décadas. Nenhum serve de exemplo às ambições do Benfica, tal como eu as entendo, e como a esmagadora maioria dos benfiquistas exige.
5)      Nos tempos de Nené, Shéu, Humberto Coelho, Chalana ou Bastos Lopes, qualquer júnior aspirava fazer carreira na equipa principal. Estes conseguiram-no, outros não tiveram o mesmo destino, mas o objetivo era comum: chegar ao plantel principal, ganhar lugar no onze, e ficar no clube até pendurar as chuteiras. A realidade de hoje é substancialmente diferente, e qualquer adolescente, realizando dois ou três jogos com o Manto Sagrado, logo sonha ser transferido para um Chelsea ou para um Real Madrid, de forma a enriquecer depressa e bem. A vulnerabilidade ao parasitismo dos empresários é total. Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro, João Cancelo e André Gomes já foram vendidos (nada a opor a negócios milionários como estes), sendo que se tratavam das maiores promessas da academia benfiquista. Renato Sanches, Nélson Semedo ou Gonçalo Guedes apenas esperam a primeira oportunidade para dar o salto. Se os melhores rapidamente saem, quem ficará? Daqui se conclui ser impossível alicerçar uma equipa competitiva, a médio prazo, com base em jogadores da casa – como acontecia nos anos setenta. O futebol de hoje é composto por grandes multinacionais, é extremamente volátil, e o romantismo do amor à camisola pertence a um passado cada vez mais distante. Não adianta lutar contra a chuva, pois ela continuará a cair. Um clube, mesmo com a dimensão do Benfica, tem pouca margem para alterar as regras de um fenómeno global, que veio para ficar – goste-se muito, pouco ou nada dele.
6)      De um modo mais genérico, coloco também grandes reticências ao perfil do jogador português lactu sensu, seja ele oriundo do Seixal, de Alcochete, do Olival ou de Carrazeda de Anciães. Não fosse Cristiano Ronaldo (caso raro, apenas com paralelo no Rei Eusébio), e a Seleção Nacional estaria hoje num nível paupérrimo, bem abaixo do potencial natural que existe por cá. O padrão do jogador português saído das academias está recheado de características negativas. Normalmente traz-nos jovens talentosos sim, mas também algo mimados, demasiado preguiçosos, muito dados a vedetismos precoces e a presenças reluzentes nas revistas cor-de-rosa. Veja-se o contraste com jovens argentinos, colombianos ou uruguaios, e note-se a diferença em termos de atitude guerreira, de trabalho físico, e mesmo de humildade. Acresce que, demasiados jogadores portugueses num plantel, num universo altamente mediatizado como é o futebol profissional dos dias de hoje, com a pressão social e comunicacional inerente, é meio caminho para fugas de informação, desestabilização jornalística, e casos passíveis de minar por dentro qualquer balneário saudável. Nada como um exército de sul-americanos concentrado num condomínio fechado, vivendo em circuito interno, longe dos prazeres da noite, da pressão dos fãs, e da curiosidade jornalística, para manter a disciplina e a coesão de um grupo ganhador.
7)       “Estrutura” foi talvez a palavra mais ouvida e lida nos dias que se seguiram à saída de Jorge Jesus. Com essa palavra mágica, tudo se resolveria. Mas a verdade é que o pilar de qualquer estrutura futebolística é o treinador principal, e ao mexermos nessa peça, todo o edifício abana. Por analogia com a vida política, uma boa constituição e um bom presidente da república, não fazem, por si só, com que um governo seja bem sucedido. O enquadramento ajuda, mas não é tudo. O futebol português ofereceu-nos um caso em que, suportado por uma certa "estrutura" (chamar-lhe-ia antes "sistema"), qualquer treinador triunfava. Mas aí, no FC Porto dos anos noventa, não só a metodologia era dúbia (perdoe-se-me o eufemismo) , como a oposição era fraca. Tal não é passível (nem desejável) de ser reproduzido no Benfica dos tempos de hoje. Aliás, nem o atual FC Porto resiste a uma má escolha para o seu comando técnico, conforme se tem visto ultimamente.
8)      Não podendo, ou não querendo, manter o técnico, talvez se justificasse, pelo menos, um maior esforço na manutenção do onze titular, e campeão, da época anterior. A verdade é que, à fatalidade de Salvio, juntaram-se as evitáveis perdas de Maxi Pereira e Lima. Quanto a reforços, ficaram em falta (no mínimo) um lateral-esquerdo e um médio-centro, para fazer esquecer nomes como Siqueira e Enzo Perez. Não sei porque saiu Ruben Amorim, e, dada a referida lesão do extremo direito argentino, também não se entende a guia de marcha simultânea para Ola John e Sulejmani, seus substitutos naturais no plantel campeão. Já que se fala no plantel, relembremos as dez contratações feitas no mercado de verão. Os nomes falam por si: Ederson, Diego Lopes, Pelé, Dálcio, Taarabt, Carcela, Marçal, Léo Natel, Francisco Vera e Murillo. Depois ainda vieram Raúl Jimenez (demasiado caro para o valor que tarda em demonstrar) e Mitroglou (o único reforço que, enfim, mesmo sem deslumbrar, com um golito aqui, outro ali,  lá tem cumprido o seu papel). Por fim, uma dúvida: o que aconteceria se, além de Luisão, também Jardel se lesionasse, ou, acidentalmente, visse um qualquer cartão vermelho? Quem acompanharia Lisandro no eixo da defesa?
9)      Perante tudo isto, pode dizer-se que, ao invés de um novo ciclo, estamos sim perante uma inversão de ciclo, na qual o Benfica tomou lamentavelmente o papel do Sporting e vice-versa. O vizinho de Alvalade apostou na formação durante décadas, com os resultados que se conhecem, e que quase levaram ao fim do clube - enquanto emblema ganhador. O Benfica deu um salto competitivo gritante a partir de 2009, fruto de um forte investimento em jogadores de qualidade, mas, sobretudo, da escolha sagaz de um treinador com perfil adequado, e competência singular. Foi imposto um crescente grau de exigência a todos os jogadores no treino e no campo, foi feita uma aposta na experiência e na segurança, visando a redução do erro a níveis mínimos, e com isso conquistaram-se vários títulos. Manteve-se o espírito ganhador quando, em 2013, o presidente Luís Filipe Vieira percebeu que um pontapé fortuito do improvável Kelvin não podia relativizar uma época futebolisticamente espantosa. Infelizmente, em 2015 não houve a mesma perspicácia (ou a mesma resistência a pressões internas, movidas mais por aspetos de relacionamento pessoal, do que por interesses desportivos do clube).
10)   Um grupo acessível, e uma vitória também fortuita, em Madrid, perante um adversário claramente superior, permitiu ao Benfica ultrapassar o seu grupo europeu, e iludir, até ver, uma temporada que corre o risco de se aproximar do desastre. Ao contrário do discurso que entretanto se foi ouvindo e lendo, importa porém lembrar que os resultados europeus de 2010 a 2015 se saldaram por um enorme êxito, com duas finais e umas meias-finais da Liga Europa, uns quartos-de-final da Liga dos Campeões, e a ascensão até ao quinto lugar do Ranking da UEFA. Neste período estivemos sempre presentes na fase de grupos da principal prova de clubes do mundo (seis presenças consecutivas, tantas quantas no total dos quinze anos precedentes). Temo seriamente que também esse “ciclo” venha a terminar em breve. Oxalá me engane.
11)    Por fim, importa relembrar o único motivo pelo qual o Benfica existe, e mantém milhões de adeptos espalhados pelo mundo. Esse motivo reduz-se a uma palavra: TÍTULOS. E, de entre os títulos, o Campeonato Nacional de Futebol é a expressão máxima do triunfo. Conquistar títulos tem de ser o lema absoluto, e único, de todos os que trabalham no clube, do cortador de relva ao presidente. Tudo o resto é paralelo. Tudo o resto é acessório. Formação, infraestruturas, patrocínios, mercado, comunicação, expansão da marca ou direitos televisivos são aspetos importantes para o presente e futuro do clube, mas não passam de meios para alcançar o fim último. O fim último, e único, é ganhar títulos. Novos paradigmas, velhos paradigmas, apostas estratégicas, novos ciclos, não passam de folclore retórico se não estivermos no Marquês de Pombal, em maio, a comemorar campeonatos. É isso o Benfica, e é para isso, apenas e só para isso, que ele serve. É isso que os adeptos pagam, é nisso que os patrocinadores investem, é disso que consta a nossa história. No museu Cosme Damião não estão negócios, nem resultados operacionais, nem patrocinadores. Estão troféus. Não pode haver anos zero. Ano zero foi 1904 (e, vá lá, também 2001). E se é um erro hipotecar o futuro em nome do presente, maior erro será hipotecar o presente em nome de um futuro incerto. Não tenho a certeza de que toda a gente que trabalha no clube pense deste modo. A profissionalização trouxe vantagens e desvantagens. Admito que em maior medida as primeiras do que as segundas. Percebo também algum vício profissional de quem vem de áreas de negócio (quase todas, exceto o futebol) onde as prioridades são outras. Nesta SAD o principal não é o lucro. O objetivo é vencer, e há que sofrer por isso. Creio que talvez faltem lágrimas nalguns setores do clube. Lágrimas como as que tantas vezes nós, adeptos, derramamos na hora da derrota, ou na hora da vitória. 
Dito tudo isto, e na convicção de que este leite está derramado, importa agora que os benfiquistas apoiem jogadores e treinador, pois nem uns nem outro têm qualquer culpa de ali estar em nosso nome. E percebam que também os dirigentes têm o direito a errar – sobretudo depois de tantas e tão grandes realizações ao serviço do clube. Há que contribuir para terminar a época com dignidade, e dentro dos melhores resultados possíveis. Insultos ou protestos gratuitos não levam a nada, e apenas empurram a equipa ainda mais para baixo. Além de que, neste caso, são imerecidos por quem os ouve.
Não me recordo de qualquer momento da temporada em que me tenha ficado a sensação de que quem estava em campo não estivesse comprometido com o jogo e com a vitória. Nem mesmo nesta última partida. O problema desta equipa não é falta de atitude ou de trabalho. É falta de qualidade. E não vai resolver-se do pé para a mão. É mais fácil destruir uma equipa do que construí-la. Mas não será com jovens imberbes que a reconstrução se poderá fazer rapidamente. As soluções só podem vir do mercado, e não da Liga de Honra ou do Campeonato de Juniores.
Ou me engano muito (e tanto que desejo ter de engolir todas estas palavras…), ou o tempo que irá demorar até se desistir desta ideia, ou deste “paradigma”, será menor do que aquele que resta até à conquista do 35º campeonato. 

FACILIDADE: ZERO!


Em 13 jogos realizados contra equipas portuguesas, o Zenit venceu 8, empatou 3 e perdeu apenas 2. Com o Benfica, ganhou 3 das 4 partidas que disputou. Quem espera facilidades de uma equipa cujo orçamento é astronomicamente superior ao nosso, cujo principal patrocinador é também um dos grandes parceiros da UEFA (valha isso o que valer), e cujo treinador tão bem conhece o futebol luso, desengane-se: nos Oitavos-de-Final da Liga dos Campeões, o adversário que nos calhou em sorte é favorito a passar a eliminatória.

Podia ser pior? Sim, muito pior. Se o Zenit ainda nos permite acreditar numa surpresa (sim, numa surpresa), face a equipas como Barcelona, Real Madrid ou Bayern, nem mesmo sonhar nos seria consentido. Há que reconhecer que o Benfica, apesar do peso histórico que detém, é hoje um outsider nesta prova, e, um alvo apetecível para a maioria dos emblemas presentes em qualquer sorteio. Por isso, todo o optimismo deverá ser contido. A Liga dos Campeões é isto mesmo: a partir de determinada fase (sobretudo não se sendo cabeça-de-série), as hipóteses variam entre o extremamente difícil e o quase impossível. Saiu-nos a primeira versão.

É claro que alguma comunicação social, de forma pouco inocente, vai empurrar o Benfica para a pressão de ter de vencer. Não nos deixemos embarcar na cantiga. Vamos jogar, tentar ganhar, mas, no presente contexto do futebol europeu, nenhuma equipa portuguesa está obrigada a ultrapassar este Zenit. Se o conseguirmos, se chegarmos aos Quartos-de-Final, isso sim, será um feito digno de realce. Até porque a obrigação (chegar até aqui) já foi cumprida.

À GRANDE E À BENFICA

1 - Quatrocentos milhões de euros! Impressionante!
Enquanto outros se entretinham a vociferar diariamente na comunicação social, o nosso presidente assinava o maior negócio de sempre do desporto português, mostrando, por um lado, a sua já conhecida sagacidade empresarial, e por outro, a força cintilante da marca Benfica.
No momento em que escrevo, não são ainda conhecidos todos os detalhes deste negócio milionário. Mas o que se sabe é mais do que suficiente para afirmar estarmos perante um passo muito importante rumo à sustentabilidade futura do Clube – que também se reflectirá, mais tarde ou mais cedo, na competitividade das nossas equipas.
Sabemos que irão surgir tentativas de desvalorizar o que está em causa. Já há quem se mostre particularmente empenhado nessa tarefa. Tal não passa de dor de cotovelo de quem inveja a dimensão do Benfica – a qual não tem paralelo em Portugal.
Não me importa que canal transmite os jogos, até porque normalmente os vejo no estádio. Importa-me, sim, que o Clube rentabilize ao máximo a sua força mediática, e é isso que esta direcção tem vindo a fazer de forma brilhante. Em relação aos direitos televisivos, e não só.

2 – Ao que parece, FC Porto e Sporting estão empenhados em regressar ao Ciclismo. Gostaria que também o pudéssemos fazer. Ostentamos uma roda no emblema, e devemos uma parte importante da nossa implementação nacional aos tempos em que, ainda com pouco futebol, José Maria Nicolau levava a camisola vermelha (ou amarela, mas de águia ao peito) aos locais mais recônditos do país. Talvez esta seja uma boa oportunidade para se pensar no assunto.

O REI VAI NU

Mediante as movimentações ocorridas no defeso, já se antevia uma temporada futebolística marcada pela polémica. Porém, as piores expectativas estão a ser superadas.
O Sporting sente a necessidade imperiosa de ser campeão. E parece não olhar a meios para alcançar esse desiderato.
O investimento foi gigante, e a estratégia de altíssimo risco. Sem champions, sem patrocínios, e sem vendas de jogadores, um título de campeão é a única possibilidade que resta aos nossos vizinhos para equilibrar os deves e haveres, sem colocar seriamente em causa o equilíbrio futuro - quando não houver perdões bancários que lhes valham.
Daí, toda uma campanha de condicionamento da arbitragem nunca antes vista, a qual, há que reconhecer, vai tendo sucesso.
A facilidade com que se marcam penáltis a favorecer o Sporting contrasta com a dificuldade que os juízes encontram em vislumbrar faltas evidentes na sua área, bem como na área dos adversários do Benfica. Os casos vão-se somando. Em Braga, mais um penálti ficou por sancionar, agora sobre Pizzi, desta vez sem consequências.
Nos três dérbis já disputados, e independentemente do futebol que cada equipa jogou, a verdade é que ficou sempre uma grande penalidade por assinalar dentro da área sportinguista (sobre Gaitán no Algarve, sobre Luisão na Luz e em Alvalade). Podemos lembrar também o que se passou nos jogos Tondela-Sporting, Arouca-Sporting, Benfica-Moreirense ou Arouca-Benfica. Qualquer aritmética daria uma classificação bastante diferente da actual.

Até podemos fechar a boca. Mas não podemos fechar os olhos. E o que se vai passando não é bonito de se ver.

EM NOME DA JUSTIÇA

Para o Benfica, perder é sempre mau. Perder com o Sporting, pior ainda. Perder três vezes com o Sporting, deixa-nos profundamente frustrados e magoados.
Na hora de fazer uma análise, a frustração e a mágoa não são boas conselheiras. E, a frio, há muita matéria a ter em conta antes de avançar com qualquer acusação extemporânea e injusta.
Centremo-nos no jogo de sábado. O Benfica perdeu em Alvalade, após prolongamento, com o líder do campeonato, frente a um treinador que conhece muito bem as nossas forças e fraquezas, com uma arbitragem infeliz (para ser brando), tendo os jogadores lutado até à exaustão por um resultado diferente. Pergunto eu: será uma derrota desta natureza, e nestas circunstâncias, motivo para, de um momento para outro, colocar tudo em causa? Não creio.
Há que reconhecer que o plantel encarnado revela hoje carências que só o mercado pode solucionar. Rui Vitória tem feito os possíveis, mas perante um adversário que tão bem as conhece, torna-se muito difícil disfarçá-las.
O meio-campo e as faixas laterais da nossa equipa têm pouco a ver com os tempos de Maxi Pereira, Fábio Coentrão, Matic ou Enzo Perez. A verdade é que, por vários motivos, ainda não foi possível dar ao novo treinador as condições de que dispôs o anterior. Acredito que isso venha a acontecer, e ainda a tempo de alcançar o principal objectivo da temporada: o tri-campeonato. Em Janeiro teremos Nélson Semedo e Sálvio. E talvez mais alguém.

Para já, há que apoiar incondicionalmente estes jogadores, e este técnico, que estão a trabalhar seriamente para que os resultados apareçam. O balanço far-se-á no fim.

À VITÓRIA

Amanhã há Taça, e talvez estejamos perante o primeiro dérbi lisboeta da última década em que o favoritismo pende para o lado de lá.
Três ordens de razões concorrem para tal. Em primeiro lugar (com menor grau de importância) o factor “casa” sempre confere a quem dele beneficia uma certa vantagem relativa - basta consultar as estatísticas históricas. Em segundo lugar, há que dizer que teremos pela frente o líder do Campeonato, com toda a confiança que esse estatuto lhe confere, enquanto nós, com muita juventude na equipa, ainda andamos à procura de um ritmo cruzeiro que se enquadre na identidade competitiva que recentemente adoptámos. Por último, e com grande relevo num “tête-à-tête” desta natureza, teremos de admitir que vai estar do lado oposto um técnico que conhece as forças e fraquezas da nossa equipa como a palma das suas mãos, aspecto que, a meu ver, pesou decisivamente, quer no jogo da Supertaça, quer na partida da Luz para o Campeonato, com os resultados que conhecemos.
Partir com menos favoritismo pode influenciar as casas de apostas, mas não deve inibir o Benfica de jogar para ganhar. Um dérbi é um dérbi, e o Benfica é o Benfica.

A quem já venceu no Vicente Calderón (onde o favoritismo do adversário era muito mais acentuado), tudo é possível. Recorde-se também a excelente primeira parte feita no Dragão, à qual só faltaram os golos. Jogando com a intensidade evidenciada nessas ocasiões, contando com a inspiração dos principais artistas (falo de Gaitán e Jonas), e tendo do nosso lado a pontinha de sorte que protege os campeões, creio que ultrapassaremos esta eliminatória. 

O CAPITÃO

A história do Benfica está recheada de grandes jogadores, e de grandes capitães.
Homens que transportaram a mística pelos estádios de Portugal e da Europa, homens que personificaram vitórias e ergueram troféus, homens que inscreveram o seu nome, a letras de ouro, na memória colectiva do benfiquismo.
Lembro-me de Toni, de Humberto Coelho, de Manuel Bento. Já não vi jogar Mário Coluna, mas qualquer benfiquista sabe bem o que ele representou para o clube. Orgulho-me do simples facto de ainda o ter podido cumprimentar pessoalmente.
Cada um na sua dimensão, cada um a seu tempo, estes nomes foram símbolos do Benfica. Todos eles escreveram pedaços de história pelo seu próprio punho.
No século XXI, creio que um só jogador atingiu semelhante nível de simbolismo na nossa equipa de futebol. Esse jogador chama-se Anderson Luís da Silva, vulgo Luisão.
Grandes craques passaram entretanto pelo clube. Mas a volatilidade do mercado que caracteriza os tempos modernos não permitiu que se fixassem por muitos anos entre nós. A dimensão superior de Luisão resistiu a tudo isso, e este brasileiro (ou português, ou simplesmente benfiquista) entrou para a nossa família, construiu doze anos de carreira de águia ao peito, e promete não ficar por aqui.
Inevitavelmente, um dia Luisão deixará de jogar. A lei da vida não permite excepções. Mas não tenho dúvidas de que esse dia ainda está demorado, tal a forma como o nosso capitão se exibe, como comanda a equipa, como sua a camisola que veste, como dá o exemplo aos mais novos.

Luisão já está na história. Já escreveu história. Mas o ponto final ainda vem longe.

À BENFICA

Enquanto a equipa de futebol, com todas as transformações ocorridas na pré-temporada, atravessa ainda um natural período de adaptação ao seu novo paradigma, as modalidades do Benfica evidenciam já, de forma bem clara, a matriz triunfante que caracterizou toda a época passada.
Vejamos: em jogos do campeonato, nas cinco principais modalidades de pavilhão, os encarnados contam neste momento com a impressionante cifra de 33 vitórias em 34 jogos realizados. A única derrota veio do andebol, e de uma partida disputada no Porto.
Não constando o Carcavelinhos de nenhum dos campeonatos, diga-se que em hóquei já vencemos em Viana, goleamos o Sporting (9-0), e ganhámos ao Barcelos; em basquetebol vencemos o FC Porto; em futsal ganhámos no Fundão, ao Sporting e ao Beleneneses; em andebol triunfámos ante o Madeira e o ABC; e em voleibol ganhámos em Espinho e nos Açores.
Estes números não nos surpreendem, tendo em conta a extraordinária qualidade das nossas equipas. Com jogadores com passado na NBA no basquetebol, com titulares da selecção espanhola no hóquei, com a espinha dorsal das equipas campeãs de futsal e voleibol, e com uma aposta declarada em jovens talentos no andebol, o Benfica apresenta-se como forte candidato a ganhar todas as provas nacionais em que participa, tendo inclusivamente fundamentadas ambições europeias em algumas das modalidades referidas - todas elas objecto de participação internacional.

Esta reiterada força do nosso ecletismo merece que enchamos os pavilhões. Merece um apoio incondicional de todos os sócios e adeptos, pois o Benfica é mais, muito mais, do que futebol.

VITÓRIA NA DIGNIDADE

O resultado do dérbi esteve longe de corresponder às nossas expectativas. Expectativas legítimas de quem, já nesta época, havia visto o Benfica cilindrar o Belenenses, ou vencer categoricamente no Estádio Vicente Calderón.
O adversário foi feliz. Abriu o marcador num momento em que o Benfica até dominava, e teve mérito no aproveitamento das falhas que fizeram avolumar o resultado.
Com 0-3 ao intervalo, restava à nossa equipa jogar com profissionalismo. E fê-lo.
Estivesse o árbitro num plano de maior acerto, e os números poderiam ter sido diferentes. Mas, se formos justos, saberemos reconhecer que, neste jogo, o Benfica não foi a melhor equipa em campo.
Se perdemos em futebol, temos também de dizer que ganhámos em dignidade. O que se passou na Luz a meio de uma segunda parte onde as esperanças de um resultado positivo eram já meramente académicas, vai ficar na memória de todos os que assistiram, participaram e sentiram. O Benfica é aquilo. E se tantas vezes se fala de falta de cultura desportiva em Portugal, ora ali esteve um exemplo da forma como deve ser vivido o futebol, e de como deve ser apoiada uma equipa, nas horas boas, e nas horas más. De resto, toda a partida decorreu com correcção, dentro e fora de campo, o que, depois de semanas de polémica, não poderá deixar de ser enaltecido.
O sorteio da Taça deu-nos uma boa oportunidade de desforra. Vamos aproveitá-la.

Quanto ao campeonato, ganhando na Madeira, poderemos estar a 5 pontos do primeiro lugar. Basta recordar o que aconteceu em algumas das últimas temporadas para perceber quão insignificante pode ser essa desvantagem.

SEM SENTIDO

Para além de patriota, sou também adepto da selecção nacional, em particular, e do futebol de selecções, em geral. E é por sê-lo, que há muito defendo uma reconfiguração dos calendários competitivos a este nível. A lesão do nosso Nélson Semedo apenas vem reforçar esta minha convicção.
Não creio que faça sentido interromper a temporada clubista para realizar jogos de qualificação, seja para Europeus, seja para Mundiais. Seria muito mais interessante para os adeptos, e menos penalizador para os clubes, que as fases de qualificação fossem integralmente realizadas no final de cada época – no mês de Junho.
Estas paragens a meio de campeonatos e de provas europeias são uma espécie de anti-climax no entusiasmo do adepto, forçando-o a um contorcionismo afectivo para lhes permitir apoiar figuras que, nas semanas anteriores, e nas semanas seguintes, estiveram e estarão noutros lados da barricada das emoções. Iniciado o defeso clubista, então sim, haveria todo o espaço para o afecto patriótico, e para um entusiasmo muito maior com o futebol de selecções – à semelhança do que geralmente acontece aquando das fases finais das grandes provas.
Para os clubes, estas pausas são um calvário. Os jogadores são forçados a viagens longas, a diferentes métodos de trabalho, a cargas físicas que por vezes rompem com o planeamento feito pelos seus treinadores, e estão sujeitos a lesões que os prejudicam a si, e prejudicam seriamente quem lhes paga os salários. Ou seja, se as selecções têm pouco ou nada a ganhar, os clubes têm tudo a perder.

Não tenho dúvidas que isto um dia mudará. Só não sei quando.

CHEGOU A HORA

Ao longo das últimas semanas, o Sport Lisboa e Benfica, os seus sócios e adeptos, e o desporto português em geral, têm sido alvos de uma ofensiva sem precedentes.
Um arrivista sem nível, à procura de popularidade barata, socorreu-se dos meios mais infames para, em bicos de pés, fazer os seus números. Grita todos os dias, à espera que o oiçam. De disparate em disparate, vai subindo o tom, não escondendo irritação pela ausência de resposta.
Para além de dois ou três papagaios de ocasião, o eco surge através das páginas de um diário desportivo que, pela sua história, e por respeito aos leitores, jamais deveria prestar-se ao triste papel de “voz do dono” – sendo que aqui é o dono que ladra, e o cão só abana a cauda.
Muito bem, o Benfica tem sabido manter a serenidade. Ao contrário do que pretendiam dono do cão e cão do dono, toda esta fumarada apenas serviu para nos unir ainda mais, inflamando também o orgulho dos nossos jogadores e técnicos. Não precisávamos de tanto. Mas agradecemos a ajuda.
A resposta para a imbecilidade é o silêncio. A resposta para a provocação é dada em campo. E o ruído virá das bancadas – que fervilharão de benfiquismo como nunca.
Chegou a hora de dono (ou cão) terem o que merecem. No domingo, às 17.00, vamos responder-lhes como mais lhes dói: com uma grande vitória, com uma vitória à Benfica.
Veremos como rapidamente se colocam no devido lugar. Veremos como toda a gritaria se dissipa. Veremos como baixam as orelhas, e fogem com a cauda entre as pernas.

Então, regressaremos aos plácidos tempos em que os animais não falavam. Regressaremos à normalidade.

FUTEBOL FANTASMA

O adiamento do União-Benfica levanta questões subjacentes que, mais tarde ou mais cedo, terão de ser objecto de reflexão profunda.
Na origem do caso está a inexistência de um estádio com condições para um clube disputar os seus jogos, problema que já se colocou esta temporada em Tondela e em Arouca.
Diga-se que estes e outros clubes da primeira liga, além de não terem estruturas, também não têm… adeptos. Ou seja, são realidades mais ou menos fantasma, que, suponho, apenas servem para satisfazer caciquismos locais sem qualquer expressão popular. São inexistências desportivas, cujo lugar jamais poderia ser num campeonato altamente profissionalizado.
Conheço razoavelmente a realidade de pequenos clubes e de pequenas cidades, e intriga-me como se financiam os Moreirenses, os Aroucas, os Uniões e os Tondelas. Não sei como pequenos municípios, ou mesmo freguesias, com pompa, mas sem circunstância, alimentam clubes de primeira divisão, recheados de jogadores estrangeiros, sem bancadas, sem sócios, nem adeptos. Também é estranho que a região autónoma da Madeira (cuja beleza tanto admiro, e cujas gentes muito prezo) mantenha três clubes (!!!) no principal campeonato. Recordo, por exemplo, que o Algarve está à margem do futebol maior, para não falar em todo o interior do país, ou até nos Açores.

Se queremos um campeonato equilibrado, competitivo, espectacular, e com estádios cheios, este não é o caminho. Com metade dos clubes, estruturas à altura, e paixão nas bancadas (e já agora, também com ordenados em dia), o futebol português poderia atingir o nível que merece. Haja bom senso para tal.

UM ARTISTA

É natural que, num debate televisivo onde participam adeptos de três clubes, as vozes por vezes se elevem, e os ânimos por vezes aqueçam. Sempre foi assim desde que o modelo existe, e embora o grau de esclarecimento seja quase sempre baixo, o grau de entretenimento torna-se compensador para quem aprecia o estilo. As audiências sobem, as estações agradecem. Quem não gosta, não vê.
O que já não é normal é o presidente de um grande clube aceitar expor-se a registos desta natureza, colocando-se ao nível do simples adepto sem responsabilidades, debitando retórica comprometedora para o clube que dirige, e envergonhando aqueles que era suposto representar.
A figura que o presidente do Sporting fez na TVI24 entristece-me enquanto adepto do futebol. Independentemente das rivalidades, habituei-me a ver em Alvalade dirigentes cujo comportamento cívico era inatacável. João Rocha, Amado de Freitas, José Roquette e Dias da Cunha são apenas alguns exemplos. Agora, olhamos para o outro lado da rua, e vemos um artista sem categoria, cujas habilidades chocam aqueles que prezam um futebol acima do nível da taberna. Quando se juntam os holofotes do mediatismo à mediocridade, o resultado é este.
Fundos, empresários, jornalistas, jogadores, treinadores, funcionários, antigas glórias, árbitros, dirigentes, ex-dirigentes, clubes, UEFA, comentadores, grupos de adeptos, hotéis, etc. Todas as guerras servem para ganhar popularidade, num indivíduo que não consegue esconder o deslumbramento pela sua nova vida de figura pública. 
Infelizmente, também já tivemos disto cá em casa. Conhecemos a espécie.

Pobre Sporting.

JORNADA DE ELEIÇÃO

1.Recuperados dois pontos a ambos os rivais, antecedendo paragem para selecção e Taça de Portugal, e na antecâmara de um Benfica-Sporting, o jogo de domingo, frente ao União, é muito mais importante do que parece.
Ganhar significa, pelo menos, manter as distâncias, e encarar o dérbi com a força de quem pode chegar-se à frente. Atrasar-nos neste momento acrescentaria pressão à nossa equipa, e - muito importante – retirá-la-ia aos rivais. Creio ser mais provável vencer o dérbi se a ele chegarmos a apenas dois pontos, do que no caso de o resultado do Funchal nos atirar para longe da liderança.
Ao contrário do que tem acontecido na Luz – onde o Benfica é rei e senhor -, fora de casa ainda não encontrámos o caminho das vitórias. Está é uma bela ocasião para afastar também esse estigma. Eu voto numa vitória clara do Benfica.
2. Numa altura em que o nosso vizinho procura, em várias frentes, retomar a competitividade de que há muito andava arredado, todos os dérbis lisboetas (do futebol ao matraquilho) terão de ser encarados com crescente importância estratégica. Infelizmente, supertaças de futebol e (agora) hóquei em patins, e taça de honra de futsal, voaram para o lado de lá da rua, servindo apenas para os galvanizar. Não podemos voltar a dar-lhes a mão de forma tão generosa. Espera-se um rápido ponto final nesta triste sequência, e a retoma da ordem natural das coisas.

3. De basquetebol e voleibol esperam-se dois troféus para este sábado. A equipa de Carlos Lisboa já alcançou uma conquista. A de José Jardim estreia-se oficialmente. Há que manter a senda triunfante da última temporada.