O QUE AINDA FALTA AO BENFICA
Prometido é devido, e é agora tempo de analisar, sector por sector, o plantel benfiquista que se antevê para a temporada que se avizinha, identificando aquilo que está ainda por fazer no sentido de capacitar Fernando Santos para, agora sim, poder construir uma equipa vencedora, que é como quem diz, uma equipa campeã. Vejamos então:Entendia-se bem melhor a venda de Moretto e a integração de um jovem da formação como terceiro guarda-redes, mas seja como for este é um sector com o qual os benfiquistas podem dormir descansados.
Se nas laterais a contratação de Zoro parece resolver o problema -já havia Nelson, e do lado esquerdo Léo e Miguelito, o que perfaz dois jogadores para cada lugar -, já no centro da defesa há ainda um certo défice que perdura desde as saídas de Alcides e Ricardo Rocha, quase no mesmo dia, em Janeiro passado.
Luisão é indiscutível, mas ao seu lado falta alguém que dê inequívocas garantias de segurança, senão vejamos:-David Luíz tem talento mas ainda está em fase de amadurecimento, e como tal não lhe deverá ser ainda demasiada responsabilidade. Pode e deve ser uma primeira alternativa de banco.
-Anderson está claramente desmotivado e as suas últimas declarações revelam uma personalidade algo infantil e pouco orientada para o espírito que deve presidir a uma equipa altamente profissional (qualquer jogador tem de jogar onde o técnico entender e ponto final, pois ganha o dinheiro suficiente para o fazer sem lamentos). O ideal seria talvez a sua venda, pois supõe-se que tenha mercado, pelo menos no Brasil.
-Sretenovic é um tiro no escuro, e segundo as primeiras indicações está longe de corresponder às expectativas mais optimistas.
-Zoro deverá talvez ser o titular do lado direito da defesa (com Nelson a transitar para o banco), e como tal talvez não possa contar como opção para o centro.
Como se percebe, ao contrário do que tem sido anunciado, parece evidente a necessidade de contratar um bom central, daqueles que não ofereça dúvidas e garanta no imediato a titularidade (falou-se de Pellegrino, mas há outros). É verdade que já não haverá muita folga orçamental, mas sempre se pode conseguir um bom empréstimo, ou um oportuno custo zero, mesmo que subindo um pouco a massa salarial da equipa – uma boa performance na Champions de certo compensará o esforço.
, e se possível, com alguns ganhos competitivos.Petit, Katsouranis, Manuel Fernandes e Simão podem constituir um quarteto de luxo, reforçado com o “Joker” ( também ele de luxo) Rui Costa, cujo tempo de utilização terá necessariamente de ser gerido com algum critério. Sobra ainda a alternativa Nuno Assis, que assegura a indispensável rotatividade no meio-campo ofensivo, e ainda o jovem Romeu Ribeiro. Mas, e se Petit se lesiona ? ou é castigado, o que conhecendo-se o seu estilo de jogo até é um risco manifesto ?
É verdade que Katsouranis pode fazer a posição “seis” mas nesse caso o losango
ficaria desfalcado de um dos médios de transição, o que em certos jogos até poderia ser disfarçado, mas perante um adversário mais forte tornar-se-ia certamente perigoso.Fernando Santos tem alguma razão quando diz que Diego Souza, emprestado ao Grémio, tem brilhado mais em termos de construção, e aí tem Rui Costa, Simão e Nuno Assis. Falta um médio de características mais defensivas – ainda que saiba atacar -, e preferencialmente alto e bom cabeceador. Em suma, um outro Katsouranis, que até nem terá ficado assim tão caro.
No ataque, mau grado as saídas de Derlei, e sobretudo Fabrizio Miccoli, foi o sector onde o Benfica mais se reforçou. As contratações de Bergessio – a dar excelentes indicações nos primeiros treinos – e de Cardozo dotam o clube da Luz de alternativas que antes não tinha.
Nuno Gomes talvez venha também a ganhar com a presença de uma referência fixa na área, podendo demonstrar enfim, com os espaços conquistados pelo paraguaio e/ou pelo argentino, a sua veia goleadora há tanto tempo arredia. Sobram ainda Fábio Coentrão, de características diferentes, Mantorras para as aflições, e a promessa Yu Dabao, que todavia talvez tivesse mais a ganhar em ser emprestado a um clube onde pudesse jogar semanalmente.Se for contratado mais um avançado não será demais (há lesões, há castigos). Mas com estes cinco elementos, ressalvando as necessárias adaptações dos contratados, parece não ser esta a maior prioridade.
Em suma, para fazer deste um Benfica fortíssimo, claramente favorito ao título nacional e a uma presença na Liga dos Campeões condigna com o seu passado (e que seria grosso modo, para além de evidentemente alcançar o apuramento, ultrapassar também a fase de grupos), haveria que contratar um grande central (para ser indiscutível ao lado de Luisão), um bom médio de contenção/transição (para suprir ausências de Petit e/ou Katsouranis), e eventualmente um avançado móvel e goleador. Para que o equilíbrio seja total, convém que estes possam ser elementos altos e fortes fisicamente mesmo que menos habilidosos, pois uma das carências da equipa no ano transacto era justamente a sua debilidade atlética.
Moretto é vendável, tal como Manú. Por sua vez Sretenovic, Romeu Ribeiro e Yu Dabao poderiam e talvez devessem ser emprestados.
Palavra a José Veiga, na esperança que este Benfica possa ainda vir a ser, com mais esses três elementos, efectiva e finalmente, uma grande equipa !






DANNY SZETELA (Estados Unidos) Outra das estrelas da selecção americana, este goleador já marcou 3 golos nesta competição.




































