PÁTIO DAS CANTIGAS

Sempre que o Benfica se aproxima da conquista de um Campeonato, logo ouvimos os sons cacofónicos de uma orquestra que procura desvalorizar méritos, encontrar desculpas, e produzir ruídos. Tais ruídos não passam de arrotos causados por uma difícil digestão. Mas, de tão intensos, acabam por deixar que o embuste tome o lugar da realidade, num espaço mediático onde - graças a alianças nada santas - a proporção de forças surge quase sempre invertida face ao enorme peso popular do nosso Clube.
Foi assim em 2005, a propósito de um jogo disputado no Algarve. Foi assim em 2010, quando, no túnel da Luz, os agressores foram convertidos em vítimas, e a verdade convertida em mentira. Voltou a verificar-se o mesmo após o Dérbi do passado fim-de-semana, o qual deixou o FC Porto mais longe de alcançar o único objectivo que lhe resta na temporada, e o Sporting apeado daquela que seria a única ocasião capaz de proporcionar alegria aos seus adeptos (a de nos atrapalhar na corrida ao título).
Desde as bancadas do estádio, assistiu-se a um bom espectáculo, a um excelente golo (na primeira parte), e ao mais belo lance de toda a época futebolística nacional (na segunda). Viu-se também um Sporting motivado - o que não é notícia quando joga contra o seu invejado vizinho -, e feliz por ter evitado uma temida goleada. Presenciou-se uma vitória justa da melhor equipa, e uma arbitragem que, desde o primeiro instante, dentro e fora das áreas, dos dois lados do campo, adoptou um critério largo e equitativo, contribuindo para a fluidez do jogo como poucas vezes se vê em Portugal.
Cometeu erros? No estádio não dei por eles, embora a televisão demonstre um ou outro. Ficaram penáltis por marcar? Dentro do critério seguido pelo juiz, apenas um lance, aos 88 minutos, parece deixar dúvidas. Foi uma arbitragem perfeita? Não. Foi uma boa arbitragem? Sim.
A razão para tanto barulho é pois a mesma de sempre: a dificuldade em engolir os sucessos do Benfica, e em travar uma onda que nos vai tornando imparáveis.

15 DIAS À BENFICA

Passamos já o meio de Abril, e temos um mundo diante de nós.
Recordo-me como, não há muitos anos atrás, esta era normalmente uma fase de resignação, e de esperança…na temporada seguinte.
Neste momento, com nove jogos oficiais por disputar, podemos estar a caminho da melhor época de todos os tempos. Sim, de todos os tempos!
Esse sonho pode, porém, desmoronar-se num ápice. Como disse nestas páginas o meu amigo Pedro Ferreira, estamos entre um “quase tudo” e um “quase nada”, não sabendo ainda em que ponto exacto iremos terminar tão estimulante (e angustiante…) caminhada.
Estou convicto que os próximos quinze dias darão respostas mais conclusivas.
Acredito, por exemplo, que, ganhando ao Sporting na Luz, e ao Marítimo no Funchal, o Campeonato dificilmente nos irá escapar. Ultrapassando os turcos do Fenerbahce, voltaremos a uma Final Europeia - quase um quarto de Século depois da derrota de Viena ante o AC Milan de Gullit, Rijkaard e Van Basten -, na qual tudo será possível. Estes quatro jogos (a que devemos acrescentar um quinto: a recepção a um surpreendente Estoril-Praia), jogam-se em apenas quinze dias. Quinze loucos dias, que podem deixar-nos à beirinha do paraíso, mas, durante os quais, qualquer passo em falso nos fará cair no inferno, ou, pelo menos, num purgatório difícil de gerir e digerir.
Fui defendendo, ao longo da época, que, dada a aleatoriedade das provas europeias (decididas por detalhes), a prioridade deveria ser posta no Campeonato. Disse também que, eventualmente chegados a umas Meias-Finais, a equação poderia ter de ser reformulada. Ora aí estamos nós, com (os) três troféus para conquistar, e jogos decisivos atrás uns dos outros. Ninguém me peça agora para escolher. Quero ganhar tudo. Queremos ganhar tudo. E podemos ganhar tudo.
Acredito na equipa. Acredito no treinador. Acredito na estrutura. Só não sei como o meu coração irá resistir a cada jogo, a cada minuto e a cada lance, sabendo que de todos esses instantes dependerá este nosso encontro com a História.

FANTASIAS

Nada tenho contra o Boavista. Pelo contrário, creio que o Benfica teria a ganhar com a existência de um segundo clube na cidade do Porto, de forma a equilibrar os pratos de uma balança que tem em Lisboa um contra-peso a puxar-nos constantemente pelos calcanhares – e cujo fardo se faz sentir, não tanto nos relvados, mas principalmente no espaço mediático em redor dos mesmos.
Jogadores marcantes na história do Benfica, vieram do Boavista. Recordo-me, por exemplo, de João Pinto, Isaías ou Nuno Gomes.
Tive o privilégio de festejar um título (porventura o mais saboroso da minha vivência desportiva) nas bancadas do Bessa, sendo essa uma recordação que jamais irei esquecer.
Pese embora tudo isto, não posso estar de acordo com a recente decisão da Liga de Clubes, que não só aponta para a reintegração do Boavista no principal Campeonato, como, a reboque disso, impõe um alargamento suicida.
Deixo de lado o facto de tal decisão estar sustentada numa prescrição, que, pelo menos aos meus olhos, não inocenta ninguém. Detenho-me nos aspectos económicos.
A situação do país é conhecida. Os patrocinadores desaparecem como areia por entre os dedos. O flagelo dos salários em atraso atinge a maioria dos clubes. E, perante este panorama, eis que corremos o risco de ver um Campeonato inflacionado por equipas medíocres, com muito menor competitividade (e, esta época, à 25ª jornada, os dois primeiros ainda não perderam um só jogo), muito menos dinheiro para dividir, e, certamente, muito mais problemas, inclusive ao nível da verdade desportiva (ou da falta dela).
Defendo, há muito, uma Liga profissional com dez clubes (ou mesmo apenas oito), a quatro voltas, deixando tudo o resto por conta do amadorismo. Nem sei se uma II divisão fará sentido. Talvez apenas Campeonatos Regionais, com uma fase final para apurar uma equipa a promover. Tudo o resto é fantasia, de quem ainda não percebeu que o (nosso) mundo mudou, e que esta é uma actividade deficitária que poucos clubes têm condições para sustentar.

CUMPLICIDADES

Podemos acusar a Associação de Futebol do Porto de muita coisa. Podemos lembrar-nos de tudo o que aconteceu no dramático consulado de Lourenço Pinto no Conselho de Arbitragem da FPF. Podemos recordar escutas telefónicas, e fugas para a Galiza com avisos prévios. Mas há algo que todos temos de reconhecer àquela gente: a gratidão para com quem lhes presta bons serviços. Aliás, já vimos disto em filmes.
À Gala promovida pela referida Associação, e pelo seu sinistro presidente, não faltou ninguém. E, na maioria dos casos, não se pode dizer que não merecessem o convite. Falo, por exemplo, do impagável Pedro Proença.
Devo fazer, porém, um pequeno reparo. Achei algo injusto o lugar que lhe foi destinado na sala. O treinador André Villas-Boas, que deu somente um Campeonato Nacional ao FC Porto, tinha assento reservado na primeira fila, bem próximo de Pinto da Costa. Enquanto isso, o árbitro da brilhantina, que, com idêntico zelo, ofereceu, pelo menos, dois Campeonatos ao FC Porto - e nunca percebi se é o FC Porto o filiado na AF Porto, ou se, pelo contrário, é esta a funcionar como um mero departamento do clube -, ficava-se por uma modesta segunda linha, bem atrás daquilo que o seu protagonismo sempre fez por justificar. Pormenores à parte, há que dizer que o homem estava em família, e rodeado pela sua gente.
Não sei se, desta vez, houve lugar a prémios. Mais uma medalha, não lhe ficaria nada mal, embora fossem necessários muitos e muitos troféus para premiar todas e cada uma das ocasiões em que o juiz lisboeta ajudou os seus amigos.
Também desconheço quanto vale, nesta sombria contabilidade, uma final da Liga dos Campeões, e uma final de um Europeu. Saldo para um lado, ou saldo para o outro, o certo é que tanto a coluna do crédito, como a do débito, parecem neste caso muito bem preenchidas. Demasiado bem preenchidas.
Entre galas, relvados portugueses e nomeações internacionais, veremos como decorrem os próximos episódios desta saga, algures entre o romance e o “film noir”.

MULTI BENFICA

Quem tiver lido aquilo que escrevi, nesta mesma coluna, há uma semana atrás, percebeu ser minha convicção que cinco vitórias consecutivas do Benfica, nas próximas cinco jornadas da Liga de Futebol, representarão (com o devido respeito ao Moreirense) a conquista do respectivo título.
Para além dessa minha convicção pessoal – que, acredito, seja partilhada pela maioria dos benfiquistas, e também por muitos não benfiquistas -, está a matemática. Esta, mesmo com a implacável frieza dos seus cálculos, acrescenta apenas um número aos cinco triunfos que “pedi” aos jogadores encarnados. Ou seja, cinco vitórias mais uma, valem matematicamente o título, e aí não haverá Moreirenses que nos atrapalhem a vida.
As seis vitórias de que o nosso Futebol necessita para fazer a festa estendem-se, numa curiosa similitude, àquilo que se passa noutras modalidades.
Seis triunfos consecutivos garantem, também, a revalidação do título nacional de Hóquei em Patins, sendo que cinco deixarão as coisas praticamente à nossa mercê (tal como no Desporto-rei). Seis vitórias asseguram, igualmente, o título nacional de Andebol, que nos escapa há já alguns anos. Seis vitórias serão igualmente suficientes para erguer o ceptro de Voleibol, contando com os jogos que faltam da segunda fase, e com as duas primeiras partidas do Play-off final. Só o Basquetebol e o Futsal, dada a especificidade do formato dos respectivos Campeonatos, carecem de mais tempo, e mais vitórias, para renovar as conquistas do ano passado.
À semelhança do que sucede nos relvados, também nos pavilhões as próximas semanas serão decisivas. Elas determinarão até que ponto será possível repetir, ou (porque não?) superar, o feito histórico de 2011-2012, quando fomos vencendo sucessivamente Hóquei, Basquetebol e Futsal, acrescentando-lhes o Atletismo – que, também ele, tem somado títulos nos últimos tempos.
Isto sim, é Eclectismo com E grande. Não de palavreado (como se vê em alguns vizinhos invejosos), mas de competições, de vitórias, e de títulos.

VENHAM MAIS CINCO!

Rio Ave, Sporting e Estoril, na Luz. Deslocações a Olhão e aos Barreiros. São estas as cinco próximas jornadas do Campeonato. São estas, creio, as cinco vitórias que nos separam do título.
A semana passada correu particularmente bem ao futebol encarnado: apuramento europeu em Bordéus, e dilatar da vantagem doméstica em Guimarães, num jackpot de emoções que temos de saber gerir com entusiasmo, com confiança, mas de pés bem assentes no chão.
Se na frente internacional, com Chelsea, Tottenham e Lazio ainda em prova, o sonho de uma subida aos céus permanece mais distante do que aparenta, intramuros o Benfica depende agora apenas da sua concentração competitiva para alcançar o grande objectivo da temporada. É verdade que o pássaro europeu vai esvoaçando cada vez mais perto dos nossos olhos. Só que o de raça lusitana está já na nossa mão, e não o podemos deixar fugir.
Não é impossível vencer no Dragão na penúltima jornada. Muito menos trazer de lá um empate. Porém, nós sabemos, que eles sabem, que nós sabemos, que eles sabem, que nesta altura, ao contrário do que faria supor a mais inocente das matemáticas, a diferença entre quatro e três não é apenas um. Quatro pontos - estes mesmos que levamos de vantagem - podem dispensar uma decisão dramática, num terreno hostil, onde valerá quase tudo. Para nos salvaguardarmos dessa eventualidade, dispomos agora de um caminho alternativo. Ele passa por cinco vitórias, em cinco “finais” que terão de ser encaradas como os jogos das nossas vidas.
Há um Newcastle para ultrapassar, que acredito estar ao alcance de um bom Benfica - onde jogadores menos utilizados como Aimar, Carlos Martins, Rodrigo, Luisinho, ou os dois jovens Andrés, podem muito bem caber. Mas, mais do que nunca, julgo que a prioridade absoluta terá de ser o Campeonato, que no passado Domingo nos piscou ostensivamente o olho.
Quem tudo quer, tudo perde, diz o povo com sabedoria. Queiramos pois, com muita força, este 33º título. Se alguma coisa vier por acréscimo, tanto melhor.

HERÓIS DA LUZ

Se não estou errado, passaram já cerca de três meses desde a última vez que o Benfica jogou para o Campeonato em horários adequados. Leia-se, sem ser nas noites de Domingo.
É pois sem surpresa que se verifica um decréscimo de espectadores, facto a que, diga-se, também não será alheia a crise económica em que o país vive mergulhado - e, em menor medida, o rigoroso Inverno que a meteorologia nos destinou.
O clube vai fazendo os possíveis por chamar pessoas ao estádio. Quer dentro do campo, mantendo o 1º lugar, a invencibilidade, e a veia goleadora que tem caracterizado a era-Jesus; quer através da prática de preços convidativos, de que é exemplo o chamado “pacote-família”.
Não me parece fácil, porém, atrair multidões, quando sistematicamente se joga a horas em que quem ainda tem emprego (e pode pagar o bilhete) privilegia normalmente o conforto do lar. Acresce que, sendo o nosso Clube de matriz vincadamente nacional, e estando a maioria dos seus adeptos espalhada pelo país (ou pelo mundo), torna-se difícil encher a Luz apenas com benfiquistas de Lisboa. E não vejo como qualquer Casa do Minho, de Trás-os-Montes, ou da Beira Alta, possa organizar uma excursão apelativa em horários desta natureza.
Esta é uma das chagas do futebol português.
Em Inglaterra também há televisão, e quase todos os jogos se disputam de tarde. Em Itália também há televisão, e são poucas as partidas jogadas à noite (normalmente apenas uma por jornada). Na Alemanha também não há notícia de jogos nocturnos, excepto às sextas-feiras. Só em Espanha temos uma realidade mais parecida com a nossa, embora a capacidade desportiva e financeira dos principais clubes lhes permita encher os estádios, desde logo, com bilhetes de época.
Ir ao futebol no nosso país, em altura de austeridade, suportando viagens e bilhetes, apanhando frio e chuva, e regressando a casa a horas impróprias, é quase para heróis.
Espera-se que a Benfica TV ajude a resolver este problema nos próximos anos, devolvendo o futebol aos adeptos.

PRIMEIROS!

Com sorte, mas também com alma e capacidade de sofrimento, o Benfica saiu de Aveiro na liderança isolada da Liga Portuguesa de Futebol, acendendo as luzes da esperança na sua gigantesca massa adepta.
Faltam nove jogos, tudo continua por decidir, e a equipa dá mostras de não vacilar. A nota artística vai alternando, enquanto as vitórias se vão sucedendo, sendo necessário recuar quarenta anos na história para encontrarmos uma tão eficaz campanha.
É altura, pois, de recriarmos uma onda vermelha capaz de invadir as bancadas do nosso estádio, e percorrer todo o país, empurrando o Benfica rumo ao 33º título. É altura de entrarmos também nós em campo, para erguer a moldura que habitualmente enquadra os campeões.
Há quem fale de penáltis, atirando as razões da liderança benfiquista para as costas das arbitragens. Se nos lembrarmos das expulsões de Proença na Choupana, dos penáltis de Xistra em Coimbra, e das ”defesas” de Alex Sandro em vários locais, percebemos que tudo não passa de manobras de diversão de quem avista o perigo. Até porque as duas últimas grandes penalidades marcadas a nosso favor foram inequívocas, escapando a qualquer racionalidade as dúvidas levantadas por algumas vozes acerca delas.
Somos primeiros porque somos melhores, e não é só no Futebol que o Benfica mostra a sua força. Somos líderes também em Basquetebol, Hóquei em Patins, Voleibol e Andebol, mantendo todas as esperanças intactas no Futsal. Permanecemos nas Taças de Portugal de todas estas modalidades, com a excepção do Voleibol. Estamos entre os oito melhores da Europa do Hóquei. E como se tudo isto não bastasse, recebemos recentemente a doce notícia relativa à aquisição dos direitos de transmissão, para a Benfica Tv, da melhor e mais bonita liga nacional de todo o mundo - facto que traz dados novos ao mercado audiovisual português, e ao nosso posicionamento perante ele.
Tudo isto é Benfica. Tudo isto é, um grande Benfica. Acima de tudo e de todos, voando como uma águia que procura atingir os céus.

NÚMEROS HISTÓRICOS

Seria preciso recuarmos até 1984 para vermos um Benfica ainda mais forte nas primeiras vinte jornadas de um Campeonato Nacional de Futebol. Então, com Eriksson ao leme, e ainda com Bento, Humberto, Chalana e Nené na equipa, os encarnados chegaram a esta altura da prova sem qualquer derrota, mas apenas com dois empates consentidos (contra os quatro de 2012/13). Esse é, de resto, o único Campeonato do pós-Eusébio em que os números do Benfica se sobrepõem aos do actual. Diga-se, porém, que em 1983/84 já caíramos da Taça de Portugal, e agora estamos a um pequeno passo de chegar ao Jamor. Ou seja, olhando estritamente para os resultados, em cerca de quarenta anos é difícil encontrar paralelismo com a notável temporada que a nossa equipa está a realizar – sendo que, na frente externa, só uma estranha carambola de resultados nos impediu de prosseguir na Champions, e que, na Liga Europa, o primeiro e difícil obstáculo está já ultrapassado.
É certo que a competitividade deste Campeonato se resume aos dois principais emblemas, e que nem sempre assim foi. Havia Sporting, houve também, a seu tempo, Boavista, e do meio da tabela para baixo, a força da maioria das equipas era genericamente superior à que manifestam nos austeros tempos que vivemos.
Nada disto, nem o facto de (ainda) não estarmos em primeiro lugar, retira mérito ao trabalho destes jogadores, e, sobretudo, deste treinador. Recordemo-nos daquilo que se disse em Agosto, quando, por muitos milhões, Javi Garcia e Witsel partiram para outras paragens. Confesso que eu próprio duvidei, na altura, que tão rapidamente os esquecêssemos. Hoje vemos Matic (um dos melhores jogadores a actuar na nossa Liga), vemos Enzo Perez, e percebemos que mantemos uma “Senhora Equipa”, à qual Lima e Olá John também vieram acrescentar qualidade.
Ainda não ganhámos nada. Nem temos garantias de que o possamos fazer. Há muitas barreiras a transpor (equipas de futebol, e não só). Mas o caminho é este, e está a ser percorrido com eficácia e brilhantismo.

PRIORIDADES

Escrevo estas linhas antes da 2ªmão da eliminatória da Liga Europa. O resultado obtido na Alemanha deixou as coisas bem encaminhadas, mas neste tipo de competição, contra este tipo de adversário, não é possível cantar vitória antes do tempo.
O que quer que se diga aqui não perderá, porém, aplicabilidade. Nesta época (seria bom sinal), ou nas próximas, e sempre que nos virmos envolvidos em várias frentes, sabendo que dificilmente temos condições para triunfar em todas elas. Está em causa a dicotomia entre o sonho e a realidade, e a escolha entre o bom e o possível, sabendo que o óptimo tem poucos amigos.
Se alguém me perguntar se prefiro ganhar a Liga Europa ou o Campeonato, escolho, sem hesitações, a primeira hipótese. Avaliamos a dimensão histórica de cada conquista, e lembramo-nos que um título europeu é algo que nos escapa há mais de 50 anos. Sobretudo para a minha geração, que não viu José Águas erguer à Taça dos Campeões, seria muito importante ver Luisão com um troféu internacional nas mãos – e manda o pragmatismo perceber que só na Liga Europa tal sonho tem condições de se concretizar.
Mas este desejo não pode chocar com o grande desígnio estratégico do Benfica do presente, que passa por disputar a liderança do futebol português com o FC Porto. E sabemos que um plantel como o nosso terá dificuldades em aguentar a exigência de dois jogos de alta intensidade por semana, condição fundamental para conciliar o título nacional com uma grande prestação extramuros.
Creio, pois, que só um Campeonato prematuramente resolvido (a bem ou a mal, que é como quem diz, ganho ou perdido) permitiria apostar todas as fichas numa aventura europeia. No ponto em que estamos, onde cada jogo doméstico é absolutamente decisivo, não podemos levantar os pés do chão.
Se, com rotatividade e sorte, conseguíssemos porventura chegar a umas meias-finais, então seria de reequacionar prioridades. Até lá, não deve haver lugar a dúvidas. Nem na estrutura do clube, nem, sobretudo, na cabeça dos jogadores.

BASTA!

Já não há desculpas. Só é enganado quem quer.
Desde 2001 que ele anda por aí.
Teve tempo de resolver (pelo menos) dois Campeonatos, recebeu todas as insígnias que lhe deviam, não faltou às merecidas homenagens, e deixou cair todas as máscaras.
Começou por se auto-intitular “benfiquista”, certamente para dissimular vontades. Depois, sempre muito bem penteado, foi lançando as sementes de uma carreira frutuosa, que o levou Europa fora, até aos mais cintilantes palcos, para dirigir os mais importantes jogos, recebendo os louvores e prémios correspondentes.
Pelo meio, fez o que fazem aqueles que, nos meandros da arbitragem portuguesa, pretendem chegar longe: protegeu os poderes instalados, com o seu apito sempre afinado segundo a mesma escala, sem variações, sem uma só colcheia ou semi-fusa a destoar.
Não irei repetir-me. Não vou voltar a descrever todo o vasto e negro historial da criatura. Nem esta coluna daria para tanto.
Quero apenas manifestar o meu desejo, ou melhor, a minha exigência, de que isto não fique assim. Quero acreditar que a força social e institucional do meu Clube seja suficiente para impedir este indivíduo de continuar, época a época, a transformar jogos do Benfica num repetido Carnaval.
Não acredito em coincidências. Nem em azares – sobretudo quando se sucedem em série. E não duvido da sabedoria, da preparação nem da perspicácia de quem tão galardoado é. Sobram pois poucas hipóteses.
Achei graça a uma entrevista concedida nas vésperas do último Clássico. Diverti-me com as acrobacias retóricas de quem pretendia estar nesse jogo, certamente para fazer dele o que fez de outros. Mas esperava que o bom senso não permitisse voltar a vê-lo por perto.
Eis que regressou, em todo o seu esplendor, para dar mais um bailinho - agora na Madeira - a todos os que, ingenuamente, ainda crêem na sua isenção.
O homem continua a sua luta. Talvez queira tornar-se imortal. Talvez sonhe ser uma espécie de Calabote ao contrário. E enquanto o deixarem, enquanto o deixarmos, ele não irá parar.

PROENÇAMENTOS

A saborosa vitória em Braga significou um passo importante na luta pelo principal objectivo da época. Em teoria, tratava-se do segundo mais difícil compromisso do Campeonato, pelo que os três pontos alcançados não podem deixar de constituir um estímulo para jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos, neste combate que se prevê renhido até final.
Com os dois “grandes” igualados na liderança, sem cederem pontos a ninguém, todo o país desportivo antevê uma penúltima jornada escaldante e decisiva, quando ambos se encontrarem frente a frente. E desde já se vai falando do nome do árbitro a escalar para a ocasião. Pedro Proença, com todos os galões regionais, nacionais e internacionais que alguém se encarregou de lhe conceder, é, obviamente, aquele que surge no horizonte dos que pretendem voltar a vencer um Campeonato à custa de lances irregulares – como o penálti de Lisandro em 2009, ou o golo de Maicon em 2012.
Não adianta recordar aqui o longo cadastro do homem, que começa no Bessa em 2002, passa por Penafiel em 2005, e, depois de muitos outros episódios, continua a deixar marcas, como se viu em Setúbal há pouco mais de uma semana.
Proença pode até ser considerado, por quem quiser, o melhor árbitro do universo. Por mim, sou livre de ter as minhas dúvidas de que seja o mais honesto; e o seu negro historial em jogos do Benfica demonstra que não é, seguramente, o mais imparcial.
Há já algum tempo escrevi que, por aquilo que me era dado a ver do mundo do futebol, o problema principal não estava na Liga, nem na FPF, nem no Gomes, nem no Pereira, nem na Olivedesportos. O grande vício residia nos próprios árbitros em pessoa, e, em particular, no grupo de internacionais que vai sendo homenageado, à vez, por Lourenço Pinto e amigos.
Os últimos tempos têm sedimentado essa ideia. E só espero que a recta final deste Campeonato não venha a confirmá-la de vez, com um qualquer fora-de-jogo a decidir o título, e um tipo de brilhantina a pedir desculpa em público, rindo-se de nós em privado.

STRONG...COMO OUTROS

A recente confissão de Lance Armstrong sobre as práticas de dopagem que o levaram a tornar-se num dos mais bem sucedidos desportistas de sempre, chocou o mundo, e, em particular, os fãs do Ciclismo, como é o meu caso.
Na verdade, ao longo da sua triunfante carreira, o hepta-campeão do Tour de France foi objecto de centenas de análises para despiste do consumo de substâncias proibidas, e nenhuma delas acusou qualquer ilegalidade. Só a denúncia de antigos colegas de equipa desencadeou o processo - que terminou agora, com o ex-campeão de joelhos perante o mundo.
Se a história do Ciclismo tem sido fértil em casos de doping, também é justo dizer-se que a modalidade tem estado quase sempre na vanguarda da luta contra ele. De recolhas sanguíneas surpresa efectuadas durante as férias, até aos chamados “passaportes biológicos” (onde vão sendo registadas as variações hematológicas de cada atleta), tudo tem sido feito para combater a fraude, pelo que não deixa de causar alguma inquietação a forma como foi possível, ainda assim, alguém enganar tudo e todos durante quase todo o tempo.
Ora, sabendo-se que o tipo de controlo aplicado ao Futebol, comparado com o do Ciclismo, não passa de uma mera e inocente formalidade, a suspeita de que a verdade desportiva nos relvados não passe, também ela, de um embuste, torna-se dramaticamente verosímil. Até porque os muitos milhões de euros envolvidos - bem mais suculentos no Desporto-Rei - são o convite que normalmente seduz os infractores.
Em Portugal, temos casos comprovados de tentativas de falsear a verdade desportiva por outros meios, nomeadamente através da corrupção de árbitros. Ninguém me convencerá facilmente que, esses mesmos corruptores, na ânsia de ganhar a qualquer preço, não se sirvam também de outros expedientes que a fragilidade da vigilância lhes coloca à disposição.
Não me surpreenderia, pois, que um dia o Futebol português revelasse um monstro de dopagem à medida de Armstrong. E com muito mais do que sete títulos para devolver.

AFIRMA PEREIRA

Há empates com sabor a vitória (Bessa, 2005). Há empates com sabor a derrota (Camp Nou, 2012). Mas há também empates com sabor a…empate. Foi o caso do último “Clássico”.
O Benfica fez mais remates, teve mais cantos, criou mais ocasiões de golo e sofreu mais faltas. O FC Porto controlou o jogo, impediu o adversário de fazer aquilo que gosta, e conseguiu o que queria, saindo do relvado em efusivos festejos. A arbitragem foi boa, deixando jogar, evitando até ao limite a mostragem de cartões, favorecendo assim um espectáculo que começou em grande estilo, manteve intensidade e emoção até final, mas não conseguiu cumprir aquilo que o frenético ritmo do primeiro quarto-de-hora parecia prometer. Houve, genericamente, correcção, quer dentro quer fora do campo. E o resultado acabou por ser justo, premiando com um ponto o empenho das equipas, e penalizando com dois os erros cometidos.
Num jogo desta natureza, com toda a pressão que o envolve, há sempre quem esteja menos feliz. O nosso Artur, por exemplo, costuma fazer muito melhor. Mas o figurão da noite, pela negativa, foi o acidental treinador portista.
Já sabemos que naquele clube ninguém tem voz própria, e todos se limitam a dizer aquilo que lhes mandam. Mas alguns, no passado recente, sabiam trazer os recados com maior assertividade. Este Pereira, que revela gritantes dificuldades em se afirmar como o verdadeiro comandante das suas tropas, espalhou-se ao comprido numa conferência de imprensa em tons de surrealismo.
Até poderíamos compreender que, mal habituado a penáltis de Lisandro, ou golos de Maicon, tenha estranhado não dispor, desta vez, do habitual obséquio dos juízes. Mas dizer do Benfica aquilo que disse, além de fazer rir o país desportivo, foi insultuoso, até para com os seus próprios jogadores.
Não é a primeira vez que o homem se enxovalha em público. Mas talvez seja uma das últimas. É que, fora do contexto em que herdou este FC Porto, não o vejo com nível para muito mais do que um qualquer Santa Clara desta vida.

"À PORTO"

Ninguém me contou. Eu vi, ao vivo e in loco. Estupefacto e revoltado. Com o meu filho ao lado.
Um guarda-redes de Hóquei do FC Porto agrediu, selvática e cobardemente, com uma violenta stickada, adeptos do Benfica que se encontravam na bancada perto do túnel de acesso aos balneários.
Pensei tratar-se do suplente, que, sentado no banco, tivesse sido alvo de especial provocação ao longo da partida, e jurasse vingança à saída de palco. Vim a saber tratar-se do titular (de capacete parecem iguais), que passou todo o tempo na baliza, sem que alguém, desde o local da agressão, o pudesse ter perturbado até àquele momento.
Acredito que tenha ouvido, de passagem, alguns impropérios, coisa natural num jogo entre rivais, em qualquer parte do mundo. Não vi ser arremessado qualquer objecto, ou algo que explicasse tamanha manifestação de brutalidade num indivíduo que é suposto ser desportista profissional, que tem idade suficiente para ter juízo, e que, para mais, acabara de vencer o jogo.
Minutos depois, entrou a Polícia, e deteve…um adepto do Benfica. Não percebi porquê, mas, infelizmente, tenho a preocupante certeza de que no Dragão as coisas seriam diferentes. Aliás, para aqueles lados, tudo é diferente. Entre Madureiras, Abeis e Lourenços Pintos, há um território sem lei, e uma protecção, não da ordem pública ou da cidadania, mas antes daqueles que representam uma dada ideologia de guerrilha regionalista e provinciana - extensível, de resto, a certos meios de comunicação social, o que se viu na forma como este caso foi tratado.
Não sei se o meu filho quererá voltar ao Hóquei. Nem o que lhe dizer se, por absurdo, voltar a ver aquele guarda-redes numa baliza. Mas, pelo menos, a tarde serviu-lhe para perceber aquilo que é jogar à Porto (com intimidação, provocações e teatro na pista), ganhar à Porto (com uma inaceitável dualidade de critérios da arbitragem), e sair à Porto (com ódio, arrogância, violência e impunidade). Coisas que nós, mais velhos, há trinta anos bem conhecemos.

2012. UM BALANÇO

Chegados aos últimos dias de mais um ano, é altura de recordar aquilo que ele nos trouxe - quer de bom, quer de menos bom, quer, sobretudo, de ensinamentos úteis para o futuro.
Para o Benfica, pode dizer-se que 2012 foi genericamente positivo. É verdade que não fomos campeões nacionais de futebol - não nos deixaram sê-lo…-, mas essa foi a única lacuna num ano recheado de êxitos. Não podemos esquecer que estivemos entre os oito melhores da passada Champions League (só uma infeliz carambola de resultados nos afastou da presente edição), nem que conquistámos, uma vez mais, a Taça da Liga, nem que chegámos a esta altura da nova época invictos, na liderança do Campeonato principal, e com francas possibilidades de regressar ao Jamor.
No Verão, conseguimos realizar negócios do outro mundo, com as vendas dos passes de Javi Garcia e Witsel por valores irrecusáveis, e sem que tais ausências se reflectissem sobremaneira no rendimento colectivo da equipa (méritos ao treinador). E aí estamos nós, carregados de legítima esperança para os meses que se avizinham.
Nas modalidades conseguimos fazer história, alcançando títulos nacionais de Futsal, Basquetebol (este em circunstâncias particularmente saborosas), Hóquei em Patins (colocando ponto final num longo jejum) e Atletismo, entre muitas outras vitórias e troféus – dos quais se destaca, já na corrente temporada, uma inédita colecção de cinco (!) Supertaças.
Também no Futebol Formação alcançamos sucessos, quer por via do título de Iniciados, quer pelo elevadíssimo número de jovens benfiquistas chamados às respectivas selecções nacionais, quer, ainda, pelo surgimento de nomes como André Gomes na órbita da equipa principal.
Em termos institucionais, as eleições ocorridas em Outubro, para além de responderem afirmativamente à nossa antiga tradição democrática, trouxeram a clarificação necessária para prosseguirmos na rota do reencontro com a nossa história.
Temos hoje mais e melhor Benfica. Estamos no caminho certo. 2013 espera por nós.

DE TRÊS EM TRÊS

De três em três pontos se vai construindo uma cada vez mais sólida candidatura ao título. De três em três golos vai o nosso artilheiro, Óscar Cardozo, convencendo os mais cépticos de se tratar, desde já, de um nome para entrar na mais fina prateleira da história do Glorioso Benfica.
É espantoso como um avançado que, apenas em jogos oficiais, marca 146 golos – dos quais 7 ao FC Porto, 10 ao Sporting, 27 nas provas europeias…- em cinco temporadas e meia (melhor média de sempre atrás de Eusébio e José Águas), não recolhe, ainda assim, a unanimidade das simpatias dos adeptos. Mesmo depois de dois “hat-tricks” consecutivos (um dos quais em Alvalade), talvez haja ainda quem não entenda a forma de jogar do paraguaio – que não assenta em requintes técnicos, toques de calcanhar, sprints inúteis ou dribles para a bancada ver, mas antes naquilo em que consiste a essência do futebol, e faz ganhar jogos: os golos.
Com um sentido posicional notável dentro da área, com movimentos de desmarcação que lhe permitem aparecer repetidas vezes na cara do guarda-redes, com um pé esquerdo fulminante (quer de bola corrida, quer de bola parada), e com uma capacidade de choque sem paralelo no futebol luso, Cardozo é, de longe, o melhor ponta-de-lança que o Benfica teve neste século XXI, bastando recorrer aos números para esclarecer tamanha evidência. Terá sido vítima, a dada altura, de uma injusta comparação com Falcao (o melhor do mundo na actualidade), mas já era tempo de todos perceberem que não é por haver sol que outras estrelas se apagam. Luisão não é Piqué, Aimar não é Messi, e nem Artur será Casillas.
Para a nossa realidade, não me parece crível que possamos ter, nem agora, nem num futuro próximo, um goleador com tão elevado grau de eficácia a comandar o nosso ataque. Vibremos pois com os golos de Tacuára, sabendo que no dia em que nos deixar, a saudade irá fazer com que finalmente todos compreendam aquilo que perderam. É que, em futebol, o que parece fácil é, quase sempre, o mais difícil.

UM QUATRO, UM TRÊS E UMA ESPERANÇA


Em poucos dias, o Sport Lisboa e Benfica deu-nos três diferentes motivos de orgulho.
A nossa Benfica TV cumpriu o seu quarto aniversário, afirmando-se cada vez mais como uma presença indispensável ao universo benfiquista. Nasceu de um projecto arrojado – como tantos que o Clube tem levado à prática -, e passados estes anos pode dizer-se que tem sido acompanhada de inteiro sucesso. A prova é que os rivais se apressaram a tentar copiá-la, uns com um arremedo de imitação barata, outros sem passar de pomposos, e eternamente adiados, manifestos de intenções. O futuro aponta para um reforço desta aposta, eventualmente em novas plataformas, e com um modelo que permita rentabilizar as transmissões dos jogos de futebol no nosso estádio.
Outro motivo de contentamento foi a vitória esclarecedora obtida em Alvalade, num jogo que até começou por nem correr de feição. Não sei, honestamente, se ganhar ao Sporting, mesmo fora de casa, significa hoje o que significava na minha infância. Sei que, terminada a partida, a incontrolável euforia com que outrora vivia estas jornadas se transformou numa agradável, mas simples e tranquila, sensação de dever cumprido. Sinal dos tempos. Sinal de um clube que soube retomar a sua dimensão, e manter-se na disputa pela liderança do futebol nacional, e de um outro que parece caminhar em direcção ao abismo.
Antes, em Barcelona, a nossa equipa ficara à beira de um feito histórico. Com uma pontinha de sorte teríamos vencido em Camp Nou, perante um adversário onde pontificavam Puyol, Pique, Song, David Villa, e…Lionel Messi, entre alguns jovens (Montoya, Tello, Thiago, etc) utilizados com maior ou menor frequência no onze principal – ou seja, perante uma grande equipa. O acumulado de resultados do grupo afastou-nos caprichosamente do apuramento. Mas não foi neste jogo que o Benfica sucumbiu. Pelo contrário, aquilo que fizemos em Camp Nou deve ser valorizado, e servir como uma boa base para a Liga Europa - que se aproxima, e para a qual devemos olhar com ambição.

TOP-DEZ

A vitória obtida sobre o Celtic trouxe com ela a possibilidade de continuarmos a sonhar com uma noite épica em Camp Nou, e com o correspondente acesso à fase seguinte da principal prova mundial de clubes. Mas, independentemente da concretização, ou não, desse objectivo, aquele triunfo garantiu-nos a continuidade na Europa do futebol, o que, por sua vez, nos pode encaminhar para um lugar no Top-dez do ranking da UEFA no final da corrente temporada – coisa que não se via desde há mais de quinze anos.
Recordo, a propósito, que em 2001 o Benfica ocupava um humilhante 91º lugar, atrás de nomes como Slovan Liberec, Union Berlim, Roda, Rayo Vallecano, Paok, Vitesse, Grasshopper ou…Boavista. O trajecto internacional do Benfica tem tomado, na última década, um rumo de constante e sustentado crescimento, apenas intercalado por uma temporada francamente negativa (com Quique Flores, em 2008-2009). Desde que Jorge Jesus assumiu o comando técnico da nossa equipa, não mais ficámos fora de competição antes dos Quartos-de-Final (uma vez na Liga Europa, outra na cintilante Champions League), e voltámos, dezassete anos depois, a marcar presença numas Meias-Finais europeias (embora a forma como, aí, desperdiçámos a oportunidade de chegar à respectiva final, nos tenha deixado um profundo amargo de boca). São dados concretos, que nos devem orgulhar, e aos quais nem sempre é concedido o devido reconhecimento.
Se a estes números acrescentarmos mais uma campanha de bom nível, entraremos pois no tal Top-dez, onde só cabem os grandes nomes do futebol europeu e mundial.
É verdade que, entre eles, está também o nosso grande rival interno. Mas isso, ao invés de nos diminuir, deve, pelo contrário, ajudar a explicar porque motivo nos tem sido tão difícil alcançar o desígnio estratégico da recuperação da hegemonia no futebol português. Não jogamos sozinhos, e a verdade é que nunca na nossa história centenária (exceptuando talvez os anos dos “Cinco Violinos”) tivemos de nos bater com tão forte adversário.
30/11/2012

O REGRESSO POSSÍVEL

Para que este espaço não morra definitivamente, e mantendo-se a impossibilidade de o actualizar ao ritmo do passado, decidi publicar aqui as crónicas que semanalmente escrevo para o Jornal "O Benfica". Com uns dias de atraso, para que ninguém deixe de comprar o jornal...

COMUNICADO

Por motivos profissionais, este espaço terá de ficar suspenso por tempo indeterminado.
É porém com alegria que "deixo" o Benfica na frente das classificações de praticamente todas as competições que disputa, nas várias modalidades que já tiveram início - entre as quais, naturalmente, o Futebol. Por isso mesmo, custo a entender acontecimentos tristes como os da última AG.
Assim que possível, voltarei.

NÚMEROS ESMAGADORES

Listas de Melhores Marcadores da Liga Portuguesa, de 2007/08 até agora:
2007/08: 1º LISANDRO 24; 2º Cardozo 13; 3º Weldon 12
2008/09: 1º NENE 20; 2º Cardozo 17; 3º Liedson 17
2009/10: 1º CARDOZO 26; 2º Falcao 25; 3º Liedson 13
2010/11: 1º HULK 23; 2º Falcao 16; 3º Cardozo 12
2011/12: 1º CARDOZO 20; 2º Lima 20; 3º Hulk 16
2012/13: 1º CARDOZO 4; 2º Rodrigo 3; 3º Jackson 3

Total de golos de Cardozo no Campeonato pelo Benfica: 92
Total de golos de Cardozo em Jogos oficiais pelo Benfica: 133
Total de golos de Cardozo, incluindo amigáveis, pelo Benfica: 163

Melhores goleadores do Benfica no sec.XXI
CARDOZO 133
2º Simão Sabrosa 96
3º Nuno Gomes 90
Melhores goleadores do Benfica (média por temporada) de sempre:
1º EUSÉBIO 31,5/época
2º José Águas 29,0/época
Cardozo 22,2/época
4º Julinho 20,2/época
5º Nené 19,9/época

Quem faria melhor?
Como é possível assobiar um jogador com estes números?!?

XISTRA, 2 - BENFICA, 2

"À quarta jornada, está encontrado o árbitro que vai ser homenageado por Lourenço Pinto no próximo ano" JOÃO GOBERN na RTP.
Eu não diria melhor. Uma arbitragem desastrada retirou o Benfica da liderança. De resto, vi uma exibição bem agradável da equipa, com muitas oportunidades criadas, duas concretizadas, e um domínio total do jogo. Mas contra o factor X (de Xistra) é muito difícil ganhar.

POSITIVO

Dadas as circunstâncias em que o Benfica partiu para Glasgow, tanto a exibição, como o resultado, são de enaltecer. Foi, afinal de contas, a primeira vez na história que o clube não saiu derrotado do Celtic Park. Além de que, começar a poule empatando no terreno de um dos adversários directos, não é coisa de somenos.
Podia ter vencido? Sim. Mas no futebol, como na vida, o bom é inimigo do óptimo. Um maior risco ofensivo, na fase derradeira da partida, poderia ter ditado uma indigesta derrota – sobretudo sabendo-se das limitações com que a equipa se apresentava do meio-campo para trás. Não tenho muitas dúvidas que o Benfica teria mais a perder com uma maior abertura táctica da partida, pois jogava fora, e o resultado era-lhe (e foi-lhe) muito mais favorável do que ao seu opositor.
O jogo não começou bem, mas pode dizer-se que, pouco a pouco, o Benfica se foi adaptando a ele. Não era ocasião para requintes, e foi de fato-macaco que a equipa acabou por impor-se, alcançando os objectivos mínimos, podendo dizer-se que até ficou mais perto da vitória do que da derrota.
Em termos individuais há que destacar as prestações de Jardel, Garay e Enzo Perez, embora Melgarejo também tenha deixado indicações de rápido crescimento enquanto dono da ala esquerda da defesa.
O árbitro não deixou que se desse por ele.
Em suma, mesmo não tendo assistido a um grande jogo, mesmo não tendo visto qualquer golo, posso dizer que fiquei satisfeito com o que se passou. Com o Barcelona será para...ver Messi. A luta pelo apuramento segue em Moscovo.

INVENTANDO O MENOS POSSÍVEL

Artur;
Miguel Vítor, Jardel, Garay, Melgarejo;
Matic, Salvio, Aimar, Enzo Perez;
Rodrigo e Cardozo.

COISAS DA VIDA

E o que foi de borla (Saviola), deu bailinho ao dos 40, perdão, 60 milhões (Hulk).

ESPERTEZA SALOIA

Primeiro lança-se um simulacro de castigo a Jesus, num timing estapafúrdio, com uma ridícula declaração de vencido , para "indignar" as vozes do anti-benfiquismo, e preencher o espaço público com frenéticas acusações de favorecimento.

Depois, com o caldo bem quente, castiga-se à séria, de forma injusta, na sala ao lado, um jogador imprescindível, para "compensar" uma balança minada.

Quem não os conheça que os compre. E quem acredita (ou acreditou) neles, que acorde.

A mim, resta-me apenas o consolo de não me deixar enganar. Com 43 anos, de chico-espertismo já levei a minha dose. E também li Maquiavel.

UM CLUBE DIFERENTE...

Dinheiro depositado na conta de um árbitro.




Fraude fiscal na compra de um jogador.

...E EM JANEIRO

...fazendo regressar Airton, concretizando o empréstimo de Sílvio, vendendo Gaitán ao melhor preço (15 M, neste momento, já seria aceitável), e cedendo Ola John para rodar noutro clube, o Benfica poderia ficar com um plantel muito mais equilibrado, sem gastar um cêntimo, e ainda embolsando mais uns milhõezitos. Qualquer coisa como isto:
GUARDA-REDES - Artur, Paulo Lopes e Mika
DEFESAS - Maxi Pereira, Luisão, Garay, Melgarejo, Sílvio, Jardel, Miguel Vítor e Luisinho
MÉDIOS - Matic, Airton, Salvio, Enzo Perez, Aimar, Carlos Martins, Nolito e Bruno César
AVANÇADOS - Cardozo, Rodrigo e Lima
Até lá, rezar para que ninguém se lesione, e perder o menor número de pontos possível.

O NOVO BENFICA



O LOUCO MERCADO

Depois de um saboroso período de férias, VEDETA DA BOLA volta hoje ao seu convívio.
Devo dizer desde já, e por respeito aos leitores, que motivos relacionados com a minha vida profissional vão necessariamente impor, nos próximos tempos, um aligeirar de conteúdos. Não sei ainda de que forma, nem em que medida. Não posso prometer nada. A coisa vai andando assim até ver, e enquanto puder ser.
Mas vamos ao Futebol.
Neste momento impõe-se, claro, um comentário aos surpreendentes (ou talvez não) desenvolvimentos do mercado de transferências. Como as situações são diferentes, aqui vai uma breve análise, também ela segmentada:
JAVI GARCIA - Quando um jogador chega por 7 milhões, e sai por 20, estamos sempre perante um bom negócio. Sobretudo em tempos de crise, quando o crédito é difícil (ou impossível), e quando, em função dessa mesma crise, as receitas correntes vão minguando a todos os níveis (patrocínios, quotizações, bilheteira, merchandising, etc).
Acresce que, no momento em que Javi é negociado, há a perspectiva de manter Witsel (já lá vamos). Tratando-se do último dia da janela de transferências (arrastamento levado ao limite pelo comprador no sentido de diminuir os argumentos negociais do vendedor), as hipóteses de recrutar mais alguém credível para o meio-campo não eram muitas. O jogador, claro, queria sair, pelo que pouco ou nada havia a fazer senão aceitar os desígnios do destino…e o dinheiro. É assim o futebol moderno, gostemos ou não dele.
Javi tinha um peso enorme nos equilíbrios da equipa. Vai deixar saudades. Mas nem eu perdoaria aos dirigentes do Benfica se, no contexto daquele momento, deitassem fora mais de vinte milhões de euros, mantendo um jogador certamente contrariado e pouco motivado para render a top. Há comboios que não passam duas vezes no mesmo sítio. Este poderia ser um deles.
WITSEL – Se nada havia a fazer para segurar Javi, que dizer do belga, cuja cláusula de rescisão foi accionada, sem que o Benfica, aparentemente, tivesse voto na matéria.
40 milhões são um autêntico jackpot para os cofres da Luz, fazendo do investimento de 6,5 milhões, de há um ano, uma simples bagatela. O problema da saída de Witsel foi…a saída de Javi. E, sobretudo, o timing de ambas, esburacando o coração da equipa, sem tempo para reagir no mercado.
Ao contrário de Javi (do qual, confesso, não conhecia qualquer sinal de saída), creio que o Benfica deveria estar prevenido para a eventual perda de Witsel, e precisamente para o… Zenit. A sustentar esta tese direi que, por um daqueles acasos da vida, fui neste Verão parar à porta do Estádio do Heysel, no dia de um Bélgica-Holanda de preparação. Não pude ver o jogo, pois tinha comboio para Amesterdão à hora do mesmo. Mas, por entre visitas ao Atomium, e à Mini-Europa, que ficam ali mesmo ao lado, ainda tive oportunidade de conviver com alguns dos muitos adeptos belgas que, vestidos a rigor, com ar festivo, e muita cerveja a circular, aguardavam o derbi da região. O tema de conversa foi, obviamente, Witsel. E enquanto em Lisboa se falava insistentemente de Real Madrid e Milan, os belgas asseguravam-me (estávamos, creio, a 15 de Agosto), que o médio iria para o Zenit. Pensei tratar-se de especulação, mas agora, com o facto consumado, chego à conclusão que era a imprensa portuguesa que andava mal informada. Acredito que o Benfica o não estivesse. Mas acredito também que ninguém, nos corredores da Luz, achasse possível que os russos chegassem tão longe nos números, ao ponto de deixarem sem pio os seus interlocutores do lado de cá. A saída de Witsel foi, pois, também ela uma fatalidade.
…E AGORA? – Agora, não há meias palavras para dizer isto: o meio campo do Benfica ficou decapitado, os equilíbrios do conjunto perderam-se, e a equipa ficou substancialmente mais fraca. Lamento que, perdendo a oportunidade de Sílvio (esta, sinceramente, mais difícil de justificar), deixando Airton no Brasil e Ruben Amorim em Braga, o Benfica não tenha agora, sem custos acrescidos, algumas soluções capazes de disfarçar os seus problemas. Esperemos para ver o que reserva Janeiro, tendo em conta que o Sp.Braga já jogou na Luz, o FC Porto só chega em 2013, havendo apenas nove jogos do Campeonato até ao Natal. Também Sp.Braga e FC Porto perderam os seus melhores jogadores, embora – diferença substancial – não tenham perdido os equilíbrios colectivos. Quem pode lucrar é o Sporting, mas conhecendo-se o que aquela casa gasta, duvido que o venha a fazer. Para já coloco o FC Porto, mesmo sem Hulk, como o grande favorito ao título. O Benfica vai ter de suar as estopinhas, puxar pela prodigiosa imaginação táctica de Jesus, e esperar que a sorte o acompanhe (designadamente afastando lesões), para se manter na luta pelos seus objectivos.
LIMA – Algumas palavras também para a aquisição de um grande jogador. Não sei se o Benfica perderia muito em ter mantido Nélson Oliveira, poupando o dinheiro do bracarense. Mas tendo em conta que, a não vir para a Luz, aterraria muito provavelmente no Dragão, creio que a contratação de Lima se aceita, esperando-se agora que o seu rendimento em campo possa sedimentar essa ideia.
HULK – Por 40 milhões é bem vendido. Era totalmente irrealista esperar que alguém fosse muito mais além disso face a um jogador cujo prestígio que desfruta em Portugal (amplamente justificado, há que o reconhecer) não encontra paralelo noutros quadrantes, a começar pelo próprio Brasil – onde sempre desconfiam de jogadores que não sabem fazer fintas, nem dão toques de calcanhar.
O problema dos números foi contrariarem a palavra de Pinto da Costa, que na véspera havia garantido ter recusado 50 milhões (uma mentira em que o bom senso não deixaria quase ninguém acreditar). Mas palavra é coisa que, em Pinto da Costa, tem um valor sempre muito relativo.

ATÉ JÁ!

Caríssimos leitores, chegou a minha hora.
Entrarei a partir de amanhã num período de férias, este ano um pouco mais longo do que é habitual. Regressarei apenas em Setembro, já com o Campeonato em vivo andamento, e às portas da Fase de Grupos da Champions League.
Sendo único editor deste espaço, o mesmo terá de encerrar – a menos que alguém se candidate para o ir actualizando…
Espero que este período traga boas notícias. Vitórias nos primeiros jogos oficiais (se possível, acompanhadas de perda de pontos dos principais adversários), manutenção no plantel de figuras como Witsel e Cardozo (admito a saída de Gaitán), contratação de um lateral-esquerdo de raiz, para ser titular indiscutível da equipa, e um bom grupo nas sortes da Europa.
Veremos o que se passa.
Até lá, boas férias, ou bom trabalho, conforme os casos.

MESTRE NA DISCIPLINA


Não é o 155º golo de Cardozo com a camisola do Benfica que domina as discussões. É antes uma reprimenda de Jorge Jesus a Ola John, feita aos olhos de todos, no final da partida.
Se há virtude absolutamente intocável no técnico encarnado, é a de disciplinador. Pode dizer-se que é arrogante, que inventa tacticamente, que despreza o momento defensivo, que esgota fisicamente os jogadores, mas ninguém pode dizer que Jesus não sabe como liderar um grupo de trabalho. Nos últimos trinta anos, não me recordo de um fase com tão poucos casos de indisciplina no plantel benfiquista como desde que Jorge Jesus chegou. Diria mesmo que essa é a sua principal mais-valia – que também se reflecte no rendimento dos atletas, na sua disponibilidade, e consequentemente no futebol apresentado. Neste aspecto, sim. É mestre!
Não o queiram pois ensinar como se lida com jogadores de futebol, muitos deles ricos e mimados (como dizia um certo senhor), e sem fazer corresponder a sua vida profissional e privada ao grau de responsabilidade que altíssimos salários lhes conferem. Ninguém sabe que instruções deu o treinador ao jogador antes do jogo, ou nos treinos prévios. Ninguém sabe de que forma (mais ou menos ostensiva, mais ou menos desleixada) ele as incumpriu. Neste, como em muitos outros casos, não falta quem fale de cor.
Ola John, ele sim, começa a ser um caso neste Benfica. Obviamente ainda é cedo para conclusões definitivas, mas cheira demasiado a… Balboa. Não lhe vi ainda absolutamente nada de positivo (nem técnica, nem velocidade, nem remate, nem cruzamento, nem sentido colectivo). Não tivesse custado oito milhões de euros, e estaria seguramente na primeira linha dos jogadores a dispensar.
Como atenuantes tem o factor idade, e também o facto de ser proveniente de um país e de um futebol onde as liberdades são bastantes diferentes das nossas. Por acaso irei à Holanda durante o mês de Agosto, e prometo tentar informar-me sobre as qualidades que justificaram tão elevado investimento. Mas lá que começo a temer um enorme fracasso, lá isso…
Quanto à partida (que os Jogos Olímpicos não me deixaram ver na totalidade), as indicações pareceram-me genericamente positivas, ainda que a Juventus – à semelhança do Real Madrid – se apresentasse bastante desfalcada, e com menos tempo de preparação.
No sábado, novo teste. Agora com o Fortuna Dusseldorf. Será o último jogo antes de se iniciar o Campeonato.

QUALQUER COISA COMO ISTO

Partindo do princípio que Witsel sai mesmo (Real Madrid), que Gaitán acabará por sair também (Liverpool?), e tendo em conta que, com o empréstimo de Nélson Oliveira, Cardozo permanecerá na Luz (agora não pode ser de outra forma), este parece ser o lote de opções com que Jorge Jesus irá iniciar a nova temporada. Fica a notar-se a falta de um bom lateral-esquerdo de raiz (não estou nada convencido do sucesso da adaptação de Melgarejo), de uma alternativa mais experiente a Maxi Pereira, e de...Witsel - pois o Benfica não tem 40 milhões de euros para comprar outro igual.

TABELA DE PREÇOS

Actualizada, segundo o andamento dos mercados:








30 MILHÕES














20 MILHÕES












20 MILHÕES















UMA "MANITA", COM DEDICATÓRIA A EUSÉBIO




O Real Madrid estava desfalcado? Estava!
Tem menos tempo de preparação? Tem!
Não foi um jogo da Liga dos Campeões? Não!
Ainda assim, dar “chapa cinco” a uma equipa orientada por José Mourinho, onde pontificavam, entre outros, Fábio Coentrão, Varane, Lass Diarra, Kaká, Granero, Di Maria, Higuain, Morata, Callejon e Benzema, não pode deixar de se considerar um grande resultado, sobretudo se alicerçado numa exibição bastante vistosa – coisa que aconteceu, mormente na segunda metade.
Na equipa do Benfica estiveram em destaque Witsel, Enzo Perez e Carlos Martins. Gostei de Melgarejo, mas apenas sob o ponto de vista ofensivo. Pela negativa, Ola John, que tarda em justificar o avultado investimento.
No final do jogo, Mourinho foi igual a si próprio, e ao seu proverbial mau perder. Sinal de que estava profundamente incomodado com o que os seus olhos acabavam de ver. Já o conhecemos há muito tempo. Não é de estranhar.
É interessante que, em seis partidas que os dois clubes disputaram no seu longo historial, o Benfica tenha goleado em três delas: 5-3 na final de Amesterdão, 5-1 nos quartos-de-final de 1965, e agora, salvaguardando as distâncias, neste ainda assim imponente 5-2.
É também curioso que em Portugal se tenha desvalorizado muito mais esta goleada do que no próprio país vizinho. Nem me refiro aos catalães “Mundo Deportivo” e “Sport”, naturalmente alinhados com o Barcelona. Na própria “Marca”, jornal conotado com o “madridismo”, fala-se de uma “dolorosa goleada”.

O HOMEM DA BRILHANTINA - A saga de um auto-intitulado "benfiquista"

"Parte I
Chegou de brilhantina, e dizia que era do Benfica - apesar de ter sido atleta do Sporting. Tão solene confissão terá enganado alguns incautos. Terá lançado a confusão, e conseguido o efeito que, na verdade, pretendia. Rapidamente, porém, o homem mostrou ao que vinha, o que se dispunha a fazer, e a quem servia. Hoje, já só é enganado quem quer. E ele, continua a rir-se de nós.
Uma história longa
Estávamos no longínquo mês de Janeiro de 2002, quando o protagonista desta história começou a dar nas vistas. Era Toni o nosso treinador, jogávamos no Bessa as últimas esperanças na corrida ao título, e na jornada anterior fôramos vítimas da pior arbitragem da carreira de Duarte Gomes. Em pleno Estádio da Luz, diante do Sporting, uma vantagem de dois a zero fora então totalmente subvertida pelo senhor do apito (também da Associação de Futebol de Lisboa), com uma dualidade de critérios que poupou duas expulsões a sportinguistas, colocando-nos, pelo contrário, em inferioridade numérica, oferecendo mais tarde uma grande penalidade totalmente absurda que Mário Jardel se encarregou de transformar no 2-1, para pouco tempo depois, o mesmo jogador, partindo de posição irregular, selar o escandaloso empate. Um pormenor: se o Benfica ganhasse, isolava-se no comando da classificação. Mas voltemos ao homem da brilhantina.
Nessa partida frente ao Boavista, que o Benfica perdeu (perdendo também as derradeiras hipóteses de ser campeão), foram ignorados dois penáltis, qual deles mais evidente: um por agarrão a Mantorras, e outro por rasteira a Simão Sabrosa (as imagens podem ser vistas em http://pluribusunum7.blogspot.pt/2012/06/hipocrisia-medo-servilismo-ou-corrupcao.html) A derrota, para além das consequências classificativas óbvias, originou a demissão de Toni. Era o primeiro assomo de alguém cujo protagonismo nunca mais deixaria de se fazer sentir no futebol português. Era o primeiro episódio de uma saga, que ainda perdura, e parece não ter fim. E, olhando ao detergente que tem sido usado ultimamente, deixo aqui a minha aposta em como o filme ainda não terminou.
Pontos altos
Precisamente dois anos mais tarde, o homem voltou a atacar. E logo num dérbi.
Não querendo ficar atrás do colega Duarte Gomes, fez questão de deixar claro que, na arte de apitar, e de condicionar jogos sempre com um sorriso nos lábios, ninguém o iria parar. Rapidamente assinalou um penálti fantasma num lance inócuo entre o sportinguista Silva e o guarda-redes Moreira, em que o primeiro simula uma queda. Depois expulsou Miguel, terminando com um outro penálti inexistente, desta vez após uma carga de ombro de Ricardo Rocha a Sá Pinto. O central também foi expulso, e terminamos com nove. Resultado: 1-3 para o Sporting. Mas o pior estava para vir.

Avancemos para Maio de 2005, altura em que o Benfica de Trappatoni, a três jornadas do fim, dispõe de três pontos de vantagem no comando do Campeonato Nacional, estando assim à beira de se sagrar campeão, onze anos depois do último título. Joga em Penafiel, e o que se passa nessa partida dava para todo um compêndio. Primeiro, o brasileiro Geovanni é pontapeado na área. Depois, Pedro Mantorras é agarrado e deitado ao chão aquando da marcação de um pontapé de canto. Mais tarde, Simão Sabrosa é empurrado pelas costas. E, pelo meio, há um corte com a mão de um defesa penafidelense, a cruzamento do mesmo Geovanni. Tudo isto fica impune. As imagens também estão na Internet. Balanço: quatro-penáltis-quatro (!!!!) escamoteados ao Benfica. Resultado: Penafiel, 1-Benfica, 0, e perda do primeiro lugar. Dúvida: cometendo tantas grandes penalidades no mesmo jogo, será que os jogadores da equipa nortenha sabiam de antemão aquilo que podiam fazer em campo? Certeza: um penálti, passa, dois já é mais estranho, mas quem não marca quatro, não quer mesmo marcar nenhum.


A história continuou meses mais tarde, já na temporada seguinte, numa partida entre Benfica e Belenenses, na qual ficou por sancionar falta clara sobre Nuno Assis. Os encarnados não foram além de um empate a zero, permitindo que o FC Porto de Co Adriaanse se afastasse na liderança da prova. O labor deste árbitro no sentido de prejudicar, sempre, o Benfica, era já digno de nota.
Faltava, todavia, um momento. Um momento de decisão. Penafiel fora um caso exemplar, mas inconsequente – o Benfica, duas semanas mais tarde, conquistaria o título. Faltava decidir um Campeonato, entregando-o de bandeja aos mesmos de quase sempre, e mostrando a quem de direito como um simples árbitro podia fabricar campeões. Esse momento chegaria em 2009.

Parte II
Enfim, decisivo!
Estávamos já em plena segunda volta do Campeonato de 2008-09, jogava-se um FC Porto-Benfica no Estádio do Dragão, e em caso de vitória os encarnados isolavam-se na liderança da prova. À época, o Benfica era orientado pelo espanhol Quique Flores. O seu futebol não impressionava, mas o do FC Porto de Jesualdo Ferreira, com 14 pontos perdidos nas primeiras 14 jornadas, também não convencia muita gente. As equipas equivaliam-se na mediania, e a diferença foi, uma vez mais, estabelecida por conta de outrem.


O “Clássico” até começou bem. Um golo de Yebda, na sequência de um canto, colocou o Benfica em vantagem pouco antes do intervalo. O tempo foi passando, e o resultado de 0-1 prevalecia no marcador. As campainhas de alarme terão então soado a alguns ouvidos mais sensíveis. Era preciso fazer alguma coisa, e havia que encontrar rapidamente um pretexto. Já perto do final, Lisandro Lopez mergulha para o relvado numa encenação mal esgalhada, que nem o próprio deverá ter achado convincente. Era a ocasião perfeita para o homem da brilhantina mostrar os seus dotes. Penálti! Apitou ele de pronto. O FC Porto empatou, e acabaria por ser campeão.
A marca do artista
Por esta altura, já o nome do personagem constava da lista de obséquios da UEFA. Essa mesma UEFA, na qual se movem e cruzam interesses obscuros, e onde a proximidade a algumas figuras influentes do futebol português é maior do que parece.
No ano seguinte, o Benfica conseguiu por fim chegar o ansiado título. Fê-lo com todo o mérito, sobrepondo-se às adversidades que lhe foram sendo colocadas no caminho - às quais respondeu com um futebol deslumbrante. Há campeões assim: grandes! Outros nem tanto. Nós, para sermos felizes, temos de ser muito melhores que todos os outros, e superiorizarmo-nos às forças que nos querem destruir. Temos de jogar sistematicamente contra catorze, e só as grandes equipas conseguem fazê-lo com sucesso. Esse Benfica (com Di Maria, David Luíz, Ramires e Fábio Coentrão, entre outros) era uma extraordinária equipa, e ninguém a conseguiu parar. Era muito melhor que as outras. Quando somos iguais, ou, apenas, ligeiramente melhores, normalmente perdemos, pois há sempre uma mão diligente que faz pender os pratos da balança para o outro lado. Em 2010, essas mãos não foram suficientes para nos fazer cair, e no meio dos festejos, poucos benfiquistas terão recordado com rigor as arbitragens de toda a temporada. Alguns, inebriados pela conquista, terão até acreditado que a obscuridade pertencia a tempos passados, e que o futebol português caminhava para a purificação. Nada mais errado. Basta lembrar aqui dois dos jogos que o artista da brilhantina nos apitou nessa época. Em Alvalade, permitiu que agressões de Adrien Silva e Anderson Polga ficassem impunes, e subtraiu-nos dois pontos, retirando-nos provisoriamente do primeiro lugar da tabela classificativa. Mais tarde, no chamado “jogo do título”, frente ao Sp.Braga na Luz, poupou a expulsão a Renteria (por agressão a Di Maria), e deixou passar um claríssimo corte com a mão do peruano Rodriguez, que poderia ter tido influência decisiva no jogo, e no título. Não me recordo se Domingos Paciência lhe terá dado o habitual e caloroso abraço no fim do jogo. Mas lá que o homem merecia, disso não restam dúvidas.
Novamente em acção
À partida para a temporada de 2010-11, o campeão Benfica era tido como o principal favorito ao título. Mantivera a base da equipa, e reforçara-se com nomes prometedores. Era o alvo a abater. Não entrou bem na época, em parte por culpas próprias, mas, sobretudo, por culpas de terceiros. Falou-se muito de Olegário Benquerença (outro árbitro de elite da UEFA), que nos matou as esperanças com uma arbitragem assassina em Guimarães. Falou-se de Cosme Machado, que abriu as hostilidades no jogo da Luz com a Académica, logo na ronda inaugural. Mais uma vez, o homem da brilhantina passou por entre os pingos da chuva.


A verdade, porém, é que também ele ficou ligado a esse triste começo de época, com uma arbitragem tão má quanto as piores, na Choupana, onde dois penáltis ficaram por assinalar a nosso favor - corte com a mão de um defensor madeirense; e rasteira a Fábio Coentrão-, e onde deixámos os três pontos. Nessas semanas desenhou-se o destino de mais um Campeonato. Em 2011-12, as coisas não seriam muito diferentes.

Parte III

É preciso dizer, antes de prosseguir a saga do homem que um dia afirmou ser benfiquista, que a sua acção não se circunscreveu ao Campeonato, nem a jogos do próprio Benfica. Recordemo-nos, por exemplo, da meia-final da Taça da Liga em 2010, e de um penálti evidente perdoado ao FC Porto, frente à Académica, no Estádio do Dragão. Nessa ocasião, acabou por fazer o favor de nos colocar o nosso maior rival por diante, na Final do Algarve, de onde saiu vergado a uma expressiva derrota (3-0).
Na mesma prova, apanhámos com o cavalheiro na Final seguinte. Foi em Coimbra, na Primavera de 2011, num jogo que - entalado entre derrotas com o FC Porto para a Taça da Portugal, e com o SC Braga para a Liga Europa – tinha enorme importância para a estabilidade da equipa e do Clube. Jogávamos com o Paços de Ferreira, e o homem fez uma vez mais questão de exibir os seus predicados. Assobiou para o ar a um penálti do tamanho do estádio a favor do Benfica, ao passo que, na outra área, foi lesto a assinalar uma grande penalidade, que todavia Moreira defendeu. Os encarnados venceram mas, uma vez mais, este árbitro cumpriu aquela que parece ser a sua grande missão: prejudicar o Benfica.
Dois jogos, dois escândalos


Chegamos então a 2011-12. Não será preciso puxar muito pela memória dos leitores, pois todos estarão lembrados daquele que foi o detalhe decisivo da temporada futebolística portuguesa: um golo marcado em duplo fora-de-jogo atribuiu o título nacional a uns (os mesmos de sempre), e retirou-o a outros (igualmente, os mesmos de sempre). Não é de estranhar que o árbitro dessa partida fosse, também ele, o mesmo que esteve em todos os momentos mencionados, desde há três semanas, nestas páginas, e que o seu ajudante tenha tido, também ele, direito a prémio, viajando de pendura até à final da Liga dos Campeões, depois ao Europeu, e depois, à final do Europeu. Quem tanto prejudica o Benfica, arrisca-se a tudo isto, e a sabe-se lá que mais.
Esse inesquecível lance (numa bola parada, sem ninguém a tapar a visão) não foi, porém, caso único na época. Aliás, o fulano apitou apenas dois jogos do Benfica no Campeonato, e em ambos fez questão de deixar o seu inconfundível dedo. O primeiro havia sido à 10ª jornada, em Braga (cidade de Arcebispos e de apagões), onde ele muito fez pela vida. Ainda com zero a zero, deixou passar um penálti claro, quando Luisão foi agarrado e derrubado dentro da área bracarense. Depois, um lance perfeitamente acidental originou um daqueles penáltis que só os predestinados, aqueles que chegam às finais dos Europeus, conseguem descortinar. Emerson estava de costas, não movimentou os braços nem viu a bola partir, mas o Benfica não podia ganhar. A um minuto do intervalo, ora aí estava mais um erro grosseiro de sua alteza árbitro da final do Euro.


Mais um erro grosseiro a prejudicar o Benfica. Mais um resultado subvertido. Como sempre. A apitar desde 2002.Em apenas dois jogos, três pontos retirados ao Benfica (dois em Braga, mais um no “Clássico”), e três pontos acrescentados ao FC Porto (dois na Luz, e um em Alvalade, onde um fora-de-jogo incrivelmente tirado a Wolfswinkel ajudou os portistas a evitar a derrota). A diferença entre primeiro e segundo classificados do Campeonato ficou pois, inteiramente, por sua conta. Outros ajudaram (lembro-me particularmente do novo internacional Hugo Miguel, em Coimbra, e também de João Capela, Soares Dias, para além do eterno Benquerença), mas ninguém como o juiz da Final do Europeu conseguiu ser tão decisivo.
Aplausos? Não!
Não me peçam pois para aplaudir. Ser português não é um valor em si mesmo, e até me choca ouvir ou ler benfiquistas a passar por cima de tudo o que aqui lembrei, concedendo-lhe os elogios que não merece, e ajudando a branquear uma realidade obscura. Não tenho qualquer orgulho na carreira internacional deste indivíduo. Pelo contrário, enquanto português, adepto do desporto e da seriedade, sinto-me envergonhado, e mesmo revoltado. Não consigo, por exemplo, explicar ao meu filho como pode alguém errar tanto, e ser tão bem sucedido na vida. É o mundo virado de pernas para o ar.


A escolha deste árbitro para tão importantes eventos deixa-me inquieto quanto ao futuro do futebol. Quando o vejo decidir campeonatos com erros grosseiros (sempre a penalizar os mesmos), e ser premiado desta forma, ninguém me impedirá de desconfiar que exista algo por detrás a ligar os factos. E, por isso mesmo, temo que daqui por um ano haja matéria para um quarto capítulo."


Texto publicado por LF no jornal "O Benfica", em capítulos, ao longo das últimas três semanas

UMA QUESTÃO...LATERAL

2000, Escalona e Diogo Luís; 2001, Pesaresi e Caneira (adaptação); 2002, Fyssas e Ricardo Rocha (adaptação); 2003, Ricardo Rocha (adaptação) e Cristiano; 2004, Fyssas e Dos Santos; 2005, Léo e Dos Santos; 2006, Léo e Miguelito; 2007, Léo e Sepsi; 2008, Jorge Ribeiro e David Luíz (adaptação); 2009, César Peixoto (adaptação) e Shaffer; 2010, Fábio Coentrão (adaptação) e César Peixoto (adaptação); 2011, Emerson e Capdevila; 2012, Luisinho e Melgarejo (adaptação).
É esta a chocante lista de laterais-esquerdos com que o Benfica iniciou cada uma das últimas treze temporadas. Se descontarmos as adaptações (devidamente sinalizadas, e de entre as quais somente Coentrão vingou) sobram Léo, e, vá lá, Fyssas. Capdevila teve um passado grandioso, mas chegou ao clube com 34 anos. O resto? Lixo ou quase!
Não faço ideia de quem seja a culpa (Jesus? Vieira? Rui Costa? Domingos Oliveira? Financiadores? Azar?), mas já começam a escassear justificações para tão gritante, e repetido, problema. Na verdade, o Benfica tem-se reforçado bem em todas as outras zonas do terreno (sobretudo desde 2008), mas, época após época, parece fazer gala em não contratar um lateral-esquerdo de qualidade. Ninguém de bom senso entende porquê.
Este capricho (é só como lhe posso chamar) tem custado muito caro. Se, por exemplo, verificarmos como em partidas fundamentais da temporada passada Emerson foi protagonista pela negativa (em Braga, e com o FC Porto e com o Chelsea na Luz), perceberemos mais cabalmente o quanto uma simples posição mal preenchida pode condenar toda uma equipa.
Tudo isto resulta agravado quando vemos que Mathieu, Álvaro Pereira, Ansaldi, Didac, Alex Sandro, Rojo, e mais alguns, acabaram noutras paragens, depois de dados como quase certos no Benfica. Os casos de Álvaro Pereira (comprado pelo FC Porto por 4,5 milhões, antes do Benfica declarar que sempre havia preferido… Shaffer) e Rojo (adquirido agora pelo Sporting por 4 milhões, quando os encarnados ofereciam 3,6 milhões) são particularmente chocantes, sendo que o primeiro teve, dois anos depois, uma oferta de 30 milhões, e ambos são internacionais “A”, por Uruguai e Argentina respectivamente. Neste período de tempo os encarnados deixaram também fugir nomes como Cissokho (que se exibia a apenas 40km de distância) e Ínsua (que o Sporting conseguiu trazer para Lisboa, em condições muito favoráveis).
A saga do lateral-esquerdo do Benfica é já um clássico de pré-época (contrata/não contrata), e…de toda a época (buraco, adaptações, golos sofridos, derrotas). Agora a história repete-se, cheirando-me que, depois de Escalona, Diogo Luís, Pesaresi, Miguelito, Sepsi, Jorge Ribeiro, Shaffer, César Peixoto e Emerson, os próximos crucificados serão Luisinho e Melgarejo (o primeiro um bom suplente, tal como, aliás, Emerson; o segundo um excelente extremo; nenhum dos dois um titular credível para o lugar em causa).
Depois de muito puxar pela cabeça, a única razão que encontro para este estranhíssimo caso é um eventual desfasamento entre aquilo que vale hoje um bom lateral-esquerdo no mercado, e aquilo que os responsáveis benfiquistas julgam valer – avaliando sistematicamente por baixo as suas propostas. Não se entende, por exemplo, como se dá 8 milhões por um jovem como Ola John (não estando em causa o seu talento, mas havendo Gaitán, Bruno César, Nolito, Enzo Perez, Melgarejo e Yannick no plantel), e se recusam apenas 400 mil euros mais para ganhar a corrida a um lateral-esquerdo internacional argentino, também ele bastante jovem.
Enfim. O mercado ainda está em aberto, e acredito que até ao dia 31 de Agosto seja encontrada uma solução. Espero que esta novela tenha fim, e o Benfica possa enfrentar a época com uma equipa compacta e equilibrada (tão forte quanto possível), e não com treze (!) avançados e nenhum lateral-esquerdo. Se acontecer o que temo, os custos pagar-se-ão em pontos, e provavelmente em títulos.

PRÉ-ÉPOCA? QUAL PRÉ-ÉPOCA?

É natural que alguns leitores estranhem a indolência que este espaço tem evidenciado nos últimos dias. Afinal de contas o Benfica voltou à acção, e por aqui…nada.
Na verdade não gosto de escrever sobre aquilo que não sei, e neste momento pouco ou nada sei sobre o apuro de forma dos encarnados, pois não vi nenhum dos seis jogos já realizados. Ou por outra, vi alguns minutos do jogo contra a fome (mais pela curiosidade de ver Figo, Rui Costa, e, sobretudo, Ricardo Araújo Pereira, Pedro Ribeiro e Fernando Mendes, do que por qualquer outra coisa), e com esta excepção, limitei-me a ver curtíssimos resumos, sendo que nalguns casos (como, por exemplo, nestes da Polónia), nem um golinho vi.
O futebol, para mim, começa dia 19 de Agosto – embora pense assistir ao Benfica-Real Madrid, pois perder um clássico desta natureza, na Luz, também seria demais. Até lá, é tempo para outras coisas, pois a vida de adepto (vivida com intensidade) também necessita de férias. Para além disso, outros motivos me afastam dos jogos de pré-época, a saber:
1) Não me entusiasmo mesmo nada com jogos amigáveis. Futebol sem competição não é futebol. É outra coisa qualquer, que me diz muito pouco. Há excepções, como esta Eusébio Cup, pois não é todos os dias que se vê um Real Madrid ao vivo.
2) O Europeu consumiu-me o mês de Junho, com overdoses diárias de Futebol, de comentários sobre Futebol, e de emoções fortes á volta a campanha portuguesa. Após o mesmo, uma sensação de descompressão, e uma necessidade de respirar, colocaram-me num planeta distante do mundo da bola. Ainda por lá estou.
3) Mal acabou o Euro, teve início o Tour de France, prova desportiva que vivo sempre com grande entusiasmo e carinho. Como também tenho de trabalhar, o tempo livre para ver televisão tem sido diariamente destinado às etapas diárias, em directo ou gravadas, conforme a disponibilidade. Agora seguem-se os Jogos Olímpicos, cuja carga horária ainda é maior. Em qualquer dos casos, privilegio, sem hesitar, este tipo de competições de importância global, e de intensidade extrema, a joguinhos de Futebol em relvados suíços, sem qualquer interesse, jogados a ritmo de férias, e com quinze substituições pelo meio.
4) Tudo o que acabo de escrever podia ser um pouco diferente, caso estivéssemos perante a nova e definitiva equipa do Benfica. Era assim no passado (na minha infância e juventude), quando os primeiros jogos particulares já mostravam o plantel fechado, quando o que estava em causa era definir o onze-base, e onde podíamos, a partir deles, perceber desde logo a correlação de forças face aos rivais. Acontece que não tenho certeza que Garay, Witsel, Javi Garcia, Gaitán ou Cardozo permaneçam na Luz, não sei quem será o lateral-esquerdo, nem o lateral-direito suplente, nem os substitutos daqueles que eventualmente saiam. Também não sei se Hulk, Moutinho, Fernando, Álvaro Pereira, Rolando ou James vão continuar no FC Porto. Entre estes nomes, de um e outro lado, as combinações possíveis são demasiado numerosas para qualquer avaliação prévia. Ou seja, em termos de ilações a tirar, isto ainda é muito pouco, para não dizer que não é quase nada.
5) Nos anos anteriores, as pré-eliminatórias europeias obrigaram a um antecipar de atenções. Nesta época, felizmente, elas não serão obstáculo. Em rigor estamos a 27 longos dias do primeiro jogo oficial. É tempo demasiado para abraçar desde já qualquer tipo de entusiasmo semelhante ao esperado para os principais momentos da temporada.
6) Elas não matam mas moem. Os últimos dois anos dos futebol benfiquista foram férteis em desilusões. Desde a mal fadada meia-final da Liga Europa, em Braga – ocasião que, pela angústia em que me deixou, marcou fortemente a minha devoção ao Futebol -, confesso que não mais recuperei na plenitude. Para o conseguir, precisava de um título, e ele não apareceu. A pedra continua no meu sapato, e quando olho para a equipa, para o seu desempenho, para os seus problemas, para as soluções que não aparecem (a questão do lateral-esquerdo é já um clássico, não só de pré-temporada, mas de…temporada), vejo mais semelhanças do que queria face aos momentos das duas maiores tristezas futebolísticas que vivi em mais de vinte anos: a de Braga, e a Taça com o FC Porto na Luz, derrotas que não consigo esquecer.
7) Não é que, em contexto de crise, defenda esse tipo de política. Mas o que é certo é que os anos em que chegavam à Luz Di Maria e Cardozo, depois Aimar e Reyes, depois Saviola e Ramires, traziam um colorido à pré-temporada que agora parece impossível de reviver. Desde o título de 2010, os principais movimentos têm sido de saída e de desinvestimento (Di Maria, Ramires, David Luíz, Coentrão, e o mais que brevemente se verá). E nenhuma das contratações efectuadas tem nome e força mediática para despertar a curiosidade do adepto mais adormecido.
8) Se nos jogos a doer entendo que a equipa merece e precisa do apoio dos adeptos (e nunca de cenas lamentáveis como as que ocorreram após a Taça da Liga), nesta fase quer-me parecer que talvez precise mais de tranquilidade em seu redor. Por mim, vou deixá-los trabalhar totalmente em paz.
Assim, vou permanecer a meio-gás, embora a minha atenção provavelmente vá caminhar em sentido ascendente, à medida que o dia 19 de Agosto se for aproximando.

COMEÇAR BEM...


...para acabar melhor.

O HOMEM DA BRILHANTINA

"Chegou de brilhantina, e dizia que era do Benfica - apesar de ter sido atleta do Sporting. Tão solene confissão terá enganado alguns incautos. Terá lançado a confusão, e conseguido o efeito que, na verdade, pretendia. Rapidamente, porém, o homem mostrou ao que vinha, o que se dispunha a fazer, e a quem servia. Hoje, já só é enganado quem quer. E ele, continua a rir-se de nós. (...)"

(1ª parte completa na próxima edição do Jornal "O Benfica"; 2ª parte na edição da semana seguinte)

UMA HISTÓRIA (Et Pluribus Unum)

"Estávamos a preparar a próxima época. No final da época 2011/2012 o Benfica tinha-se sagrado Campeão Nacional. Para além disso tinha vencido novamente a Taça da Liga, eliminando nas meias-finais o FC Porto. Na Liga dos Campeões tinha sido eliminado nos quartos-de-final demonstrando nos 2 jogos ser melhor que o Campeão Europeu.
Nas modalidades tínhamos ganho tudo no futsal, sido campeões no dragão caixa em basquetebol, campeões no hóquei 14 anos depois, destronando a hegemonia do Porto nos últimos 10 anos, campeões no atletismo, e mesmo no voleibol tínhamos ganho Taça e Supertaça. Apenas o Andebol tinha sido uma desilusão.
Estávamos em euforia depois de uma época excepcional e motivados para a próxima. Continuávamos com um grande plantel e quase 100% dele já estava no estágio. Apenas nos faltava 1 jogador para ser titular, um concorrente para outra posição e escolher os jogadores dispensáveis. Entravamos directamente na Liga dos Campeões e tínhamos ambição de ir um pouco mais longe do que os quartos-de-final.
Ainda não tínhamos renovado com a Olivedesportos e a coisa parecia encaminhada para definitivamente nos livrarmos de um dos tentáculos do polvo.
Tínhamos tido um ano com resultado positivo nas contas ao passo que os nossos concorrentes directos tinham tido prejuízos entre os 20 e 30 milhões de euros.
Luís Filipe Vieira chegava ao fim do seu mandato desportivo com 2 títulos nacionais, 3 taças da liga e sempre a chegar, no mínimo, aos quartos-de-final nas campanhas europeias. Nas modalidades tínhamos ganho vários campeonatos, várias taças e até 3 títulos internacionais. A contestação era pouca e não se vislumbrava nenhum candidato capaz de derrotar Vieira.
À volta da equipa não havia barulho nem pressão. As eleições de Outubro não iam afectar a nova época. Jorge Jesus continuava a ser o treinador. Em 3 anos tinha ganho 2 títulos. Todos o aclamavam.
Para os lados do Porto vivia-se uma depressão sem memória. Uma época apenas com a vitória na Supertaça. Tinham sido humilhados nas competições europeias não obtendo as receitas que esperavam obter. Ainda por cima tinham investido 50 milhões em novos jogadores ou percentagens de passes de outros que já cá estavam. Tinham existido vários erros na construção do plantel. Os mais visíveis tinham sido a falta de um ponta-de-lança e no não cumprimento dos requisitos da UEFA para a inscrição de jogadores podendo apenas inscrever 21. Nas modalidades apenas um titulo de Andebol.
A nível financeiro tinha ocorrido um prejuízo de mais de 20 milhões. O passivo nos últimos 2 anos tinha crescido à volta de 70 milhões.
A contestação a Vítor Pereira era grande. Continuava-se a questionar a contratação de Danilo por 20 milhões. Tinham existido ordenados em atraso na época anterior, e nesta pré-época tinham de vender vários jogadores para equilibrarem as contas. Para além disso jogadores como Álvaro Pereira estavam descontentes e não tinham ido para o estágio. Existiam muitas indefinições quanto ao plantel da época seguinte. A pressão para a próxima época era enorme.
Acabo aqui a minha história. O que leva a que não seja uma história mas sim a realidade são as 2 primeiras linhas deste texto. E essas 2 linhas não são uma realidade quase exclusivamente por causa
disto.
Espero que isto ajude a entender a força que um conjunto de árbitros pode ter no futebol. O que podiam ser hoje 2 títulos em 3 épocas e a recuperação da hegemonia em Portugal do Benfica, transformou-se em apenas 2 títulos em 10 épocas de Vieira. O que hoje podia ser um optimismo fundamentado, transformou-se em depressão e contestação. O que hoje podia ser um inicio de época tranquilo, transformou-se num inicio de época sobre pressão e vulneráveis aos homens do apito, pois até Outubro, vão passar para segundo plano em caso de derrotas ou empates do Benfica."

Texto retirado de Et Pluribus Unum