EM GRANDE!

Quando a selecção nacional entrou em campo de vermelho vestida e com onze jogadores portugueses, e quando pouco depois todos eles cantaram a voz firme o hino nacional, senti aquele arrepio na espinha que tantas vezes me fizera vibrar com os jogos da equipa das quinas no passado recente.
Terá sido um prenúncio do que estava para acontecer, mas se já esperava uma vitória de Portugal, nem em sonhos julgaria ser possível vencer um jogo do campeonato do mundo por 7-0. Foi esse o espantoso resultado que nos deixa a um pequeno passo (uma formalidade...) do acesso aos oitavos-de-final da prova.
O onze inicial foi praticamente aquele que aqui propus. Parecia-me aquele que melhor resposta táctica daria a esta partida, mas parecia-me também um onze capaz de, finalmente, aglutinar os mais cépticos em torno da selecção portuguesa. Com Deco e Pepe lesionados, com Liedson fora de forma (acabaria, ainda assim, por entrar e marcar), a selecção nacional voltou a ser, simbolicamente ou mais do que isso, uma verdadeira equipa. E que equipa!
Os golos apareceram em catadupa na segunda parte, mas logo nos primeiros minutos se percebeu que a atitude de Portugal nada tinha a ver com a do jogo anterior, nem sequer com a da maioria dos jogos da qualificação. Desde o início, viu-se um conjunto alegre, arrasador, e com uma ambição de ganhar notada em cada lance disputado, em cada bola ganha, em cada centímetro do relvado. Viu-se uma grande selecção, finalmente reencontrada com todo o potencial dos seus brilhantes jogadores.
Primeiro uma bola ao poste, depois o golo de Meireles, e mais algumas ocasiões para marcar. Ao intervalo já o resultado parecia escasso face ao domínio português, apenas interrompido por alguns minutos de reajustamento e reacção coreana.
Foi na segunda parte, após o golo de Simão – algo facilitado, mas construído de forma muito bonita -, que se entornou toda a torrente lusa sobre uma pobre Coreia, sem norte, e sem perceber porque motivo lhe tinha calhado tão cruel destino por diante. Os golos foram-se sucedendo, sem que o fulgor ofensivo parasse por um instante. Como o Benfica de Jorge Jesus, esta selecção quis sempre mais, e teve quase tudo.
Faltava marcar Cristiano Ronaldo (mais uma vez demasiado individualista durante demasiado tempo), mas mesmo depois de mais um fantástico remate à barra, acabou por ser num rocambolesco lance que o fantasma finalmente lhe desapareceu da frente. Tem agora todas as condições para, nos próximos jogos, voltar a colocar todo o seu talento ao serviço do colectivo – coisa que nos últimos minutos desta partida de certa forma já se viu um pouco.
Mais um golo de Tiago e estava consumada uma das maiores goleadas da história dos Mundiais. Um momento que o futebol português vai guardar, e que pode muito bem marcar uma viragem no percurso desta equipa.
O mediatismo do madeirense elegeu-o uma vez mais o melhor em campo. Mas se olharmos para as exibições portentosas de Raul Meireles e, sobretudo, Tiago (realizando porventura o melhor jogo da sua carreira), percebemos a injustiça da nomeação. Também Simão e Fábio Coentrão estiveram em grande nível. Os centrais não tiveram grande trabalho, e só Miguel pareceu algo desajustado do altíssimo ritmo colectivo mostrado pela equipa (andamos, andamos e chegaremos à conclusão que, na ausência de Bosingwa, Ruben Amorim é de facto a melhor alternativa naquele lugar, conforme tenho defendido).
Os oitavos-de-final estão assegurados. Se a sorte nos acompanhar, e a Espanha não se cruzar connosco, poderemos sonhar alto. Veremos que Portugal entra em campo na sexta-feira – a equipa confiante, brilhante, empolgante e arrasadora de hoje, ou a selecção timorata, abúlica, cinzenta da primeira jornada? Sexta-feira, às 16.45, saberemos, mas, mesmo sem entrar no oito-oitentismo tipicamente português, desde esta tarde passei a acreditar na primeira hipótese.
E se me permitem terminarei com um... Viva Portugal!

BREVES NOTAS SOBRE O MUNDIAL

- Deco faria melhor se jogasse mais e falasse menos. Por mim, já tinha regressado a Portugal (ou ao Brasil).
- Perante os casos que têm ocorrido, não deixa de ser paradoxal que Queiroz, tido como exemplo da organização e do rigor, tenha tanta dificuldade em garantir a serenidade de que a equipa precisa.
- A segunda jornada está finalmente a trazer algum bom futebol. Veremos se pega (não acredito muito).
- Melhor equipa? Argentina, claramente. Tenho dúvidas sobre a sua capacidade defensiva, mas muitas certezas quanto à beleza e eficácia do seu jogo ofensivo.
- Di Maria apagado? Um pouco, embora seja de ter em conta que o seu posicionamento, numa equipa com Messi, Tevez e Higuain, obriga a cuidados que no Benfica não tem (ou não tinha).
- Possíveis revelações? México, Uruguai, Gana e Chile.
- Desilusões? Quase todas as equipas europeias, com excepção da Alemanha e da Holanda.
- Nunca tinha visto o futebol tão bem tratado na TV como no excepcional programa da RTPN. Parabéns ao Carlos Daniel, que sei ser leitor deste blogue, e que cada vez que oiço a comentar jogos mais lamento o tempo que perde noutras coisas.
- Equipa para derrotar a Coreia do Norte: Eduardo, Paulo Ferreira, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão, Pedro Mendes, Raul Meireles, Tiago, Cristiano Ronaldo, Hugo Almeida e Simão Sabrosa. O melhor onze, curiosamente com onze portugueses.

A TRISTE HISTÓRIA DE UM FUTEBOL SEM BALIZAS

Um empate a zero era, de facto, o único resultado que poderia ter acontecido numa partida particularmente marcada pelo medo e pelo calculismo.
Não se pode dizer que o Portugal-Costa do Marfim tenha fugido à regra deste Mundial - e a FIFA terá de reflectir sobre o caminho que levam este tipo de competições, disputadas em fim de época, com um formato que não favorece o risco, e estimula o total anti-futebol que genericamente se tem observado enquanto não se adormece diante do televisor -, mas quando se passam noventa minutos a trocar a bola, apenas na expectativa de um erro do adversário, dificilmente se podem esperar golos. Foi este o retrato do jogo, e o resultado não poderia ser mais adequado.
Há que dizer que, de entre as duas equipas, foi Portugal ainda assim aquela que menos exagerou na estratégia defensiva. Sobretudo Cristiano Ronaldo, na primeira parte, e Raul Meireles, enquanto esteve em campo, procuraram alguns movimentos de ruptura, mas não tiveram a companhia de mais nenhum jogador da equipa nacional, uns por estarem demasiado amarrados a um modelo de jogo muito conservador (Fábio Coentrão, por exemplo), outros por manifesta desinspiração (como Deco ou Liedson). A pressão dos africanos era intensa assim que Portugal entrava no seu meio-campo, e a cada lance notava-se uma clara assimetria físico-atlética entre os dois conjuntos.
A aposta em Danny foi um fiasco. O jogador do Zenit é efectivamente elegante quando as coisas lhe saem bem, só que ....as coisas raramente lhe saem bem. A verdade é que Simão também pouco ou nada trouxe ao jogo, não conseguindo, com uma exibição pobre, confirmar a ideia de a sua exclusão ter sido um erro. Mas até prova em contrário continuo a achar o luso-venezuelano um jogador de menos para a titularidade na selecção portuguesa.
Os primeiros minutos pareciam trazer-nos uma explosão de Ronaldo. Começou solto, a conseguir criar espaços, e esteve à beira de marcar na melhor jogada do desafio. Com o tempo foi-se limitando a toques artísticos (não faz um passe normal, sem tentar adornar o lance), perdendo toda a eficácia que a sua acção poderia ter. Se a estratégia de Queiroz era não arriscar minimamente e esperar que Ronaldo resolvesse, pode dizer-se que foi neste segundo aspecto que Portugal falhou. E sem um grande Ronaldo, será quase absurdo esperar um grande Mundial para a nossa selecção.
A segunda parte foi ligeiramente mais aberta, mas a escassez de lances junto das balizas manteve-se quase até final. Ficou sempre a sensação que este era um resultado relativamente aprazível para ambas as equipas, e que só um lance de génio poderia ditar outro destino ao jogo. Esse lance não apareceu.
O empate deixa tudo em aberto, quase como se a primeira jornada não tivesse existido. Veremos se a segunda ronda nos permite conquistar a vantagem que é lícito esperar de um confronto com a Coreia do Norte.
Individualmente Raul Meireles e Fábio Coentrão foram os mais regulares. Paulo Ferreira, Danny, Deco e Liedson os mais apagados.

PRIMEIRAS NOTAS

- Pouco futebol, muitas cautelas defensivas

- Boas arbitragens, fracos guarda-redes
- França decadente, e em fim de ciclo
- Argentina candidata
- Inglaterra decepcionante
- Coreia do Sul surpreendente

AÍ ESTÁ ELE!

BENFICA BI-CAMPEÃO, BENFICA BI-CAMPEÃO

BASQUETEBOL: 4-1 ao FC Porto

FUTEBOL INICIADOS: 4-0 ao FC Porto

O MEU ONZE

Dentro dos jogadores convocados, e partindo do princípio que Pepe não recupera a 100%, parece-me ser esta a solução ideal para Portugal iniciar o Campeonato do Mundo.
Como se percebe, é um onze que permite um desdobramento entre 4-3-3 e 4-4-2, e que dá a liberdade de que Liedson e Ronaldo precisam para desmontar as defesas contrárias.
Os laterais do Benfica não são super-laterais, mas não há lá ninguém melhor que eles. Até pela elevadíssima confiança que levam, são, quanto a mim, a melhor opção.
A minha maior dúvida reside entre Meireles e Tiago. Mas com laterais mais ofensivos, a escolha do portista permite uma maior segurança nas necessárias compensações defensivas.

UMA MÁ NOTÍCIA, UMA BOA ESCOLHA

Não era naturalmente desta forma que eu gostaria de ter Ruben Amorim na selecção. A saída forçada (mas, diga-se, também algo estranha) de Nani é uma péssima notícia para a Selecção Nacional, e, a não ser talvez o próprio Ruben e a sua família, mais nenhum português deverá estar satisfeito com esta situação.
Penso, contudo, que o substituto dificilmente poderia ter sido melhor escolhido. Pela espantosa época que fez, o benfiquista justificava amplamente a chamada, e embora não seja previsível que venha a jogar muito, a simples presença já é um bom prémio para a sua categoria e para o seu profissionalismo.
Confesso também que, com a integração de mais um campeão nacional na equipa, a minha motivação para este Mundial, já bem mais composta nos últimos dias, acelera vigorosamente. Não de satisfação (Nani é uma baixa considerável), mas de reconhecimento e de identificação com o grupo.

ESCADA DE FAVORITISMO

1.BRASIL
2.ESPANHA
3.ARGENTINA
4.ITÁLIA
5.ALEMANHA
6.INGLATERRA
7.HOLANDA
8.FRANÇA
9.PORTUGAL
10.DINAMARCA
11.URUGUAI
12.SÉRVIA
13.GRÉCIA
14.MÉXICO
15.COSTA DO MARFIM
16.ESTADOS UNIDOS
17.SUÍÇA
18.PARAGUAI
19.ÁFRICA DO SUL
20.CHILE
21.CAMARÕES
22.GANA
23.NIGÉRIA
24.COREIA DO SUL
25.ARGÉLIA
26.ESLOVÁQUIA
27.ESLOVÉNIA
28.JAPÃO
29.AUSTRÁLIA
30.COREIA DO NORTE
31.HONDURAS
32.NOVA ZELÂNDIA


Aplicando esta escala a cada jogo, teríamos pois Portugal a chegar aos oitavos-de-final, sendo então eliminado pela Espanha.

JÁ SOMOS (pelo menos) DOIS

Eu também não confio!

EFEITO SEIXAL

Com as atenções gerais voltadas para o Mundial, o futebol intra-muros vai vivendo das competições mais jovens.
Este domingo, com direito a transmissão da TVI, o Benfica venceu em Alvalade por 0-2 (golos de Ruben Pinto e Rafael Costa, nas fotos), e manteve em aberto a luta pelo título. A duas jornadas do fim, os encarnados terão de esperar ainda mais um deslize do rival para revalidar o título (sim, no campo o campeão da época passada foi o Benfica).
Já os Iniciados encarnados, com a vitória robusta (6-0) ante o V.Guimarães (também televisionada, mas pela Benfica TV), estão apenas a um ponto do bi-campeonato, quando faltam igualmente duas jornadas.
Os Juvenis, depois da derrota no Porto, têm a vida mais difícil. Precisam de ganhar os jogos que faltam (quatro), e esperar, pelo menos, por mais um empate dos dragões.
A título de curiosidade atente-se no exercício, meramente académico, de somar as pontuações das três provas. Daria o seguinte resultado: BENFICA 19 pts, FC Porto 16, Sporting 15 e V.Guimarães 8.
Alguma coisa está a mudar na formação em Portugal.

RISCO MÁXIMO

Ou este jovem é mesmo um génio (e até agora nada garante que o seja), ou Pinto da Costa pode ter aqui o seu canto de cisne.
Um novo fracasso significará uma clara mudança de ciclo no futebol português, e, consequentemente, a morte de um certo FC Porto - que, diga-se, não deixará saudades aos amantes do desportivismo.
Ao contrário do Benfica, não creio que o clube nortenho tenha força social para resistir a alguns anos de jejum, pelo que a responsabilidade colocada nos ombros de André Villas-Boas não é nada pequena.

A GRANDE APOSTA

"Nos inesquecíveis momentos que se seguiram à conquista do título nacional, Jorge Jesus confessou que gostaria de ganhar a Liga dos Campeões da próxima época.
É saudável que o nosso treinador manifeste tamanha ambição, e não duvido que, no mesmo grau, esse sentimento seja extensível a dirigentes, jogadores e adeptos - por exemplo, aos benfiquistas da minha geração, que já não viram o Benfica erguer nenhuma das Taças dos Campeões Europeus, jóias da coroa do nosso palmarés, e cimento do prestígio internacional do clube.
Além do mais, dispomos de um plantel que permite - sobretudo se reforçado com mais um ou dois elementos de qualidade - olhar para a Europa de frente e sem medo. Com um pouco de sorte (designadamente no alinhamento dos sorteios) poderíamos efectivamente fazer história.
Mas, deverá a Liga dos Campeões ser a prioridade maior do nosso clube para a próxima temporada? A meu ver, não.
Sou, desde sempre, um apaixonado pelas provas internacionais. Aprendi muito do meu benfiquismo com as inesquecíveis caminhadas europeias dos anos oitenta, onde chegámos a três finais. Sendo de fora de Lisboa, via os benfiquistas da minha terra mobilizarem-se, sobretudo, para os jogos internacionais (foi num deles o meu baptismo de estádio), pelo que aprendi a olhá-los como o pilar fundamental da afirmação competitiva do clube. Nessa altura o Benfica era hegemónico no plano interno, e conquistava campeonatos nacionais em série. E é precisamente essa a diferença face ao contexto actual. O grande objectivo estratégico que o nosso clube tem hoje por diante passa essencialmente por recuperar essa supremacia interna. Perdemo-la para o FC Porto há vinte anos atrás, e não será com um só título que a iremos ter de volta. Um campeonato, um simples campeonato, não vai ser suficiente para varrer do futebol português todo o lixo com que Pinto da Costa o manchou nas últimas décadas. Se não houver continuidade, se este triunfo se vier a revelar um acontecimento episódico (como de alguma forma sucedeu em 2005), ele não fará mais do que algumas cócegas nas forças contra as quais lutamos. Sem a materialização de um novo e consequente ciclo de triunfos, o título que acabámos de vencer, em boa verdade, não servirá para nada.
Deste modo, a prioridade do Benfica na próxima época, bem como, provavelmente, nas duas ou três seguintes, terá de apontar novamente para a conquista do campeonato nacional. Não se trata de escolher entre ser campeão nacional ou campeão europeu (a resposta seria óbvia), mas sim de agarrar primeiro, e com as duas mãos, aquilo que é decisivo para nós, e que só depende de nós, não o comprometendo à aleatoriedade de um percurso europeu escravo das mais variadas circunstâncias.
Obviamente que isto não significa um menor empenho na Liga dos Campeões. Além do prestígio que confere, e da valorização que proporciona aos atletas, a principal prova europeia constitui também uma importante fonte de receitas, que não podemos menosprezar. Há que jogá-la pois com entusiasmo e ambição, mas sem permitir que o combate pelo título nacional resulte minimamente beliscado. Trata-se, no fundo, de seguir a estratégia da época finda, onde até fizemos uma excelente campanha internacional – e muito bem estaríamos caso voltássemos a alcançar os quartos-de-final (agora na Champions), o que no plano financeiro significaria, desde logo, um considerável encaixe.
Talvez não seja fácil passar este discurso para os nossos profissionais. Para eles, para as suas carreiras, para o seu futuro, a projecção internacional é incomparavelmente mais relevante que qualquer luta doméstica, e sabemos que a Liga dos Campeões é, a esse nível, o palco principal. Pouco interessará a um jogador, qualquer que ele seja, e qualquer que seja o clube que represente, quem domina ou deixa de dominar o futebol português para lá do seu contrato. Mas essa é justamente a guerra em que o Benfica, enquanto clube, está envolvido, e todas as batalhas se devem submeter a ela.
Conquistado o “Bi”, e depois o “Tri”, então sim, talvez nos possamos dar ao luxo de sacrificar um ou outro campeonato à frente externa, talvez possamos partir para outro patamar de ambição. Concluído o trabalho de casa, poderemos então sair para a rua que no passado nos consagrou. E se todo este guião se concretizar, muito diferente será o futebol português por esses dias. Esse é, de resto, o meu desejo, mas também meu palpite."

LF no Jornal "O Benfica" de 28/05/2010

JESUS NA "MARCA"

"Jorge Jesús (Amadora, 24 de julio de 1954) es, con permiso de Mourinho, el entrenador de moda en Portugal. Acaba conquistar la Liga y la Copa con el Benfica y su objetivo es repetir triunfos esta temporada. A sus órdenes juegan futbolistas contrastados como Aimar y Saviola, y también varias grandes estrellas de los próximos años, como Di María, Fabio Coentrao o David Luiz. Aunque sabe que la próxima temporada no va a poder contar con todos ellos.

Está de moda el Benfica, no sólo por los títulos, sino también porque parece que muchos clubes quieren llevarse a sus jugadores.
El equipo ha jugado este año con mucha calidad. Muy creativos, con mucho gol. Ha sido uno de los dos equipos europeos que han dado ejemplo de juego ofensivo y de técnica: Barcelona y Benfica. Es normal que este estilo guste.

¿Qué nombres le pondría al éxito del Benfica?
Nuestro éxito pasa por el colectivo, no por las estrellas. Fomentamos la idea del vencedor colectivo. Y el público: Portugal tiene 10 millones de habitantes. Pues seis millones son de Benfica.

Muchos conocidos de la Liga española en su once titular. Empecemos por Javi García.
Yo creo que a Javi García no le conocen bien en España. Es un jugador excelente, y ha demostrado toda su calidad en Benfica. Tiene que crecer todavía mucho, porque es un jugador joven.

¿Le da miedo que el Real Madrid quiera repescarlo si el próximo año vuelve a jugar así de bien?
Pero el Madrid ya le respescó de Osasuna. Si lo quieren volver a hacer...bueno. Será bueno para las arcas del club. Significará que hemos revalorizado al jugador, y eso es también mérito nuestro.

Saviola también ha brillado.
La afición del Real Madrid conoce muy bien a Saviola, pero esta año ha hecho la mejor temporada desde que es profesional, quizá la primera que hizo en River, pero este año ha estado fantástico. Lo mismo que Aimar, que ya es un hombre contrastado, que ha resurgido con nosotros.

Ha hecho un gran trabajo de recuperación de unos jugadores, que parecían no tener mayor recorrido en la Liga española.
El trabajo de un entrenador es global. Tienes que estar pendientes de todos los aspectos, no sólo de la táctica y la física. Convencer a Saviola de que podía volver a su nivel. Es un niño que precisa mucho cariño del entrenador y yo creo que con nosotros está muy cómodo, y el año que viene va a ser todavía mejor.

¿Cómo ve a su equipo en la Champions?
Si no perdemos muchos jugadores, uno o dos a lo sumo, Benfica va a ser un equipo fuerte. Hay mucha igualdad en la Champions, quitando uno o dos equipo. Lo que no quiero es encontrarme ni con el Madrid ni con el Barça en esta trayectoria. Esos son para mi los peores rivales.

Veo que está totalmente volcado en el Benfica, a pesar de que su nombre se ha escuchado como posible entrenador de clubes más grandes, incluso como sustituto de Mourinho en el Inter.
Yo lo que quiero esta temporada es quedarme aquí porque la afición del Benfica me tocó en el corazón. Benfica no es campeón dos años seguidos desde el año 1981 y 82. Eso es lo que quiero lograr ahora. Después ya se verá. Me gusta mucho la Liga española, por encima de la italiana y desde luego más que la inglesa.

Es decir, que le atrae la idea de entrenar fuera de Portugal.
Lo que me atrae es ganar la Championes League. Si un equipo en Portugal me puede dar esa opción, bien. Es difícil, pero no imposible. Si Benfica me diera esa opción, no cambiaría Benfica por otro. Si no, tendré que intentarlo fuera.

¿Hay muchas diferencias entre Mou y usted?
Sí. Somos completamente diferentes. Él es más joven que yo. Podemos parecernos en algunas cosas, pero tenemos ideas diferentes a la hora de analizar el juego. Mou es el mejor entrenador del mundo porque los mejores son aquellos que ganan. No hay duda.

Los entrenadores portugueses están de moda también
Pienso que Portugal tiene una metodología de entrenamientos que está diez años avanzada con relación al resto del mundo. No todos, somos tres o cuatro, pero estamos mucho más avanzados que los entrenadores del resto del mundo. Ya verás como aparecerán muchos más Mourinhos en el futuro.

¿Y los españoles, qué opinión le merecen?
Hay tres o cuatro buenos. Pero el mejor de todos, no está entrenando ahora. Luís Aragonés es para mi una referencia de toda la vida. Muchas cosas empiezan con él. Es un genio. Luego Guardiola, por supuesto, y alguno más.

¿Cuál diría que es la máxima estrella de su equipo?
Es difícil, individualmente diría que Di María. Él es un genio. Tiene las condiciones y la creatividad para ser diferente. No hay un jugador en el mundo como él en su posición. No es el mejor del mundo, porque son Ronaldo y Messi, pero en su puesto, es sin duda el mejor. Es muy fuerte en el uno contra uno, hace goles, asiste, es determinante. Si Di María va al Madrid, va a enamorar a toda la afición. Es un artista con la bola. Tiene 22 años, ¡es un niño! El futuro es suyo.

Si usted fuese Mourinho, ¿le elegiría antes que a Jesús Navas?
Sin ninguna duda. No hay comparación posible. Navas es un buen jugador. Di María es un gran jugador, con mayúsculas.

Tiene usted claro que va a perder a Di María para la próxima temporada, por lo que veo.
Claro qué lo voy a perder. Cualquier entrenador con capacidad financiera querría a Di María, porque no hay jugador de su posición en el mundo como él.

¿Por qué club le aconsejaría que fichase?
Si él me pide consejo, él sólo tiene dos equipos para jugar: Madrid o Barcelona. Y Benfica, pero Benfica no puede ser."

AUMENTE-SE!

Este rapaz, e o seu empresário, estão mesmo a pedir um aumento de ordenado.
Creio que seria justo (afinal de contas estamos a falar do melhor marcador do Campeonato e da Liga Europa), e acredito que ainda exista alguma margem para o fazer. Não creio, por outro lado, que se consiga contratar facilmente um ponta-de-lança com a mesma relação salário-golos.
Com uma valorização contratual de, por exemplo, 7 ou 8 %, todos ficariam felizes - Tacuara, Jorge Jesus e os adeptos.
Sendo necessário realizar mais-valias, há jogadores no plantel francamente mais fáceis de substituir.

UMA PEQUENA DOSE DE ESPERANÇA

A selecção nacional fechou o estágio da Covilhã com uma vitória, e uma exibição que, sem encher o olho, é no entanto bastante mais animadora face à competição que se aproxima.
A expulsão prematura de Samuel Eto’o (de longe, o melhor jogador da equipa adversária) ajudou bastante, mas também temos de dizer que a movimentação colectiva da equipa registou alguns progressos desde o deplorável jogo com Cabo Verde. Nem podia ser de outra forma.
Como eu já esperava, Carlos Queiroz tirou Fábio Coentrão da equipa. Aliás, os dois melhores jogadores no jogo anterior (o lateral benfiquista e Nani), ficaram ambos no banco, talvez por castigo face ao seu elevado dinamismo, em claro contraste com a sonolência e circunspecção então generalizada. Ainda entraram a tempo de inverter a tendência de um jogo que anunciava o perigo de mais uma humilhação (permitir uma recuperação de 2-0 a um adversário em inferioridade numérica), pondo fim à reacção final do conjunto africano.
A equipa portuguesa segue assim para a África do Sul com a auto-estima um pouco mais composta, sendo também a altura para enterrar os machados de guerra, dando a esta equipa o apoio que uma representação nacional merece.
Não gosto de Carlos Queiroz (como técnico, pois como pessoa não o conheço), não aprecio minimamente o seu estilo, nem concordo com grande parte das suas opções. Mas isso não pode ser motivo para regatear apoio ao conjunto das quinas. O Benfica teve, na sua história, treinadores como Artur Jorge ou Jesualdo Ferreira, por quem nunca nutri qualquer tipo de simpatia, e nem aí deixei de apoiar entusiasticamente a equipa.
Devo confessar que vivi estes jogos amigáveis com alguma indiferença. Mas quando começar o Mundial irei sofrer por esta equipa, olhando mais para as camisolas e para o escudo que levam ao peito, do que para o rosto de alguns dos personagens que as vestem. Há pouca gente que me seja simpática naquele grupo (até é fácil contá-los: F.Coentrão, Tiago, Simão, R.Carvalho, C.Ronaldo e Nani), mas, para o bem e para o mal, é ele que me representa.
Vamos pois atacar o Mundial, e unir esforços para que a bandeira portuguesa saia prestigiada da competição.

AS CONTAS

Bastará vender um, só um, dos jogadores referidos há três posts atrás, para o prejuízo agora apresentado pelo Benfica desaparecer por completo.
As contas do próximo ano, com Liga dos Campeões, com aumento generalizado de receitas, e com possível venda de jogadores, terão seguramente uma cara muito diferente destas, reflectindo, então sim, o momento actual do clube.
Dir-me-ão que se trata, em larga medida, de receitas extraordinárias. É verdade, mas o problema de exploração do Benfica põe-se apenas até 2013, altura em que os direitos televisivos irão ser renegociados. No próximo ano estaremos já em 2011, pelo que não é difícil acreditar que, com o acréscimo de receitas agora esperado, o barco se mantenha equilibrado por mais dois anos.

NADA DE CONFUSÕES

Não retirando mérito ao troféu conquistado pelo Sporting, há que dizer contudo que o mesmo é apenas o quarto em importância na modalidade (a seguir à Liga dos Campeões, à Taça das Taças e à Taça EHF), que não conta com qualquer clube dos países melhor classificados no ranking europeu (por exemplo de Espanha, Alemanha, Rússia ou Dinamarca), e que não mereceu qualquer destaque nos principais sites internacionais de Andebol, todos eles focados na final da Liga dos Campeões entre o Kiel e o Barcelona. Não há pois como comparar esta vitória leonina com o título europeu de Futsal conquistado pelo Benfica, conforme já vi por aí.
Quanto ao FC Porto, ficou pelo caminho no Hóquei em Patins, como é habitual.

UM, DOIS, TRÊS

Sexta, BASQUETEBOL 73-63
Domingo, FUTEBOL INICIADOS 1-0
Domingo, BASQUETEBOL 63-53

OS MEUS PREÇOS

Independentemente de aspectos que não conheço em pormenor (nomeadamente quanto a eventuais exigências criadas pelo fundo de investimento), e independentemente das opiniões nada inocentes de José Mourinho (que pouco me interessam), estes seriam os valores pelos quais aceitaria negociar dois (APENAS DOIS!) jogadores do actual plantel encarnado:
Todos os restantes são inegociáveis, pois o peso na equipa suplanta claramente o respectivo valor de mercado (falo de nomes como Saviola, Javi, Aimar ou, sobretudo, Luisão).
Se nenhuma proposta atingir os valores que proponho, encantado da vida - não saindo ninguém, o Benfica conseguiria muito provavelmente o bi-campeonato, poderia até talvez apontar para uma aventura europeia, e dentro de um ano cá estaríamos de novo a contar milhões.
Libertar mais do que dois jogadores, isso sim, pode tornar-se perigoso para o futuro próximo da equipa, e consequentemente do clube.

RESPEITO...MAS NÃO ENTENDO

A menos que exista qualquer problema extra-futebolístico que me escape, não percebo como se deita para o lixo aquele que ainda é, quanto a mim, o melhor guarda-redes português.
Jorge Jesus tem crédito para tomar as decisões que quiser, e não falarei muito mais vezes no assunto. Mas não podia deixar de expressar a minha perplexidade por esta sua opção, e, já agora, também pela forma como a tornou pública.

UM CAMPEÃO, DEZ MATRAQUILHOS E UM IDIOTA

A campanha de preparação da selecção portuguesa para o Mundial começou como se esperava, ou seja, de forma decepcionante.
Não fosse a excelente prestação do campeão Fábio Coentrão (quão maior seria o dinamismo desta equipa com Ruben Amorim do outro lado?) a mediocridade teria sido absoluta, como, de resto, o próprio resultado expressa.
Cristiano Ronaldo passou, uma vez mais, ao lado do jogo, Liedson e Deco estão (definitivamente?) irreconhecíveis, Nani limitou-se a uns fogachos, Pedro Mendes e Miguel Veloso revelaram-se apostas furadas (e não deixa de ser curioso ver três sportinguistas no onze inicial, após a "espantosa" época conseguida pelo clube de Alvalade). Em suma, dez matraquilhos (mais os que se lhes juntaram depois) que pareciam pedir, a cada minuto que passava, que os deixassem em paz.
O que mais preocupa nesta equipa é a total ausência de uma ideia colectiva de jogo, dando a impressão que não treina. É claro que o trabalho numa selecção não tem a regularidade e a consistência que o dia a dia de um clube permite, mas as constantes invenções, e a irritante lógica experimentalista que este seleccionador implementou, em nada ajudam a contornar esse obstáculo. E quando olhamos para o banco e vemos Zé Castros, Dudas, Ricardos Costas, Danieis Fernandes, Betos, Rolandos e Dannys, percebemos que a estrada é demasiado estreita para nela podermos passar. Só falta mesmo recolocar Duda no lugar de Coentrão (apeteceu-me pedir-lhe para se vir embora), para termos uma verdadeira equipa à Queiroz.
Faltam mais dois testes até se iniciar a competição. Espero estar enganado, mas temo um fracasso total ao velho estilo de Saltillo e da Coreia.

RANKING TAÇA/LIGA DOS CAMPEÕES (actualização)


REAL DESPERDÍCIO

Este é um onze formado apenas por jogadores dispensados do Real Madrid nos últimos anos. Ainda sobram nomes como Huntelaar, Van Nistelrooy, Júlio Baptista, Robinho, entre outros, para além de treinadores como Del Bosque ou Fábio Capello.
Nunca percebi o que procura o Real Madrid, mas se quiserem dispensar ao Benfica Van derVaart e Benzema (já agora, não custa pedir...), até podem levar o Di Maria, que continuarei a simpatizar com eles.

SEM ESPINHAS

Não sou fã de Mourinho, mas não me custa a reconhecer a qualidade do seu trabalho.
A vitória de sábado foi justíssima, e o Inter já merecia viver este momento.
Destaque para a tremenda eficácia de Diego Milito, um dos jogadores que o Mundial poderá fazer destacar.
E já agora, quem será o próximo gigante europeu a regressar aos títulos?

EMBLEMAS COM HISTÓRIA

...e um palpitante duelo entre uma criatura e um dos seus principais criadores.

UMA INSUPORTÁVEL MANCHA AZUL

Quando poderemos voltar a ver um equipamento do Benfica livre deste horrível anúncio?

QUEM FALA A VERDADE NÃO MERECE CASTIGO

Talvez na próxima semana já tenha maior disposição para escrever sobre o Mundial, e sobre a "nossa" selecção.

UM ESBOÇO PARA 2010-2011

Partindo do princípio que a perda de Di Maria é inevitável (o seu valor de mercado está em alta, vai ser titular da Argentina, tem meia Europa atrás dele, e uma cláusula de rescisão acessível aos grandes tubarões), e que será possível manter todos os restantes (o que duvido, mas para já aceito como hipótese de base), o quadro de saídas e entradas na equipa do Benfica poderia ser o seguinte:
Lamento mas continuo a ver Fábio Coentrão como um fantástico extremo-esquerdo, pelo que o substituto de Di Maria estaria, à partida, encontrado. De entre os actuais emprestados, apenas faria regressar Urreta, que seria a alternativa perfeita ao internacional português.
Quanto aos jogadores a contratar apenas posso dizer que no mercado nacional não vislumbro absolutamente ninguém (talvez apenas Evaldo, para o lado esquerdo da defesa). Mas aceitam-se sugestões.
Posto isto, reservando 5 milhões para abater passivo, o plantel para atacar o Bi-Campeonato, a Champions League (até onde for possível), e todas as outras competições, ficaria assim esquematizado:
Embora desconheça o valor de Gaitán e Jara, acredito que este plantel seria ainda mais forte do que o anterior.

CONTAS POR ALTO...UNS 90 MILHÕES

Nunca por menos...

PEDRO, O INGRATO

Já que estou em maré de citações, aqui vai mais uma. Escrevi isto na caixa de comentários de um dos últimos posts, em resposta a uma questão colocada por um leitor, relacionada com a ausência de Pedro Mantorras da festa do título:
Como qualquer benfiquista, tenho a maior simpatia por Mantorras. Foi um jogador carismático, e poderia ter sido uma estrela de nível mundial não fosse a dramática lesão que desde cedo o condicionou. Compreendo que, durante estes anos, o Benfica o tenha mantido no plantel, até como forma de o ressarcir por eventuais erros cometidos na altura pelo seu próprio departamento médico (embora ele próprio, ao que sei, também não tenha tido os cuidados que então lhe foram pedidos).
Posto isto, entendo também que o Benfica, um Benfica altamente profissional, um Benfica campeão e que se pretende de cariz europeu, não possa continuar a dar-se ao luxo de ocupar uma vaga do seu plantel com um jogador que não tem condições físicas para jogar mais do que quinze minutos.Há que preservar a memória e os símbolos. Mas haverá outras formas de o fazer sem beliscar a coerência do plantel. Caso contrário, o Eusébio ainda faria parte dele. Suponho que Mantorras vai regressar ao seu país. Gostava que pudesse ficar ligado, de algum modo, ao Benfica. Mas como jogador, sejamos objectivos, não é já uma mais-valia. E não creio que o Benfica deva permitir que se torne um estorvo. Ele não o mereceria. Quanto à ausência em si, talvez não tenha passado de uma pequena birra por não jogar uns minutos do último jogo. Estou seguro que o teria feito, caso o Benfica tivesse conquistado o título na semana anterior, e o jogo com o Rio Ave fosse uma mera festa de consagração. Tendo que fazer pontos na última jornada, nem eu perdoaria a Jorge Jesus se ele não convocasse os jogadores que achava em melhores condições, sem qualquer tipo de sentimentalismos. O Benfica está acima do interesse de qualquer jogador, e os sentimentalismos que mais me comovem são aqueles que foram demonstrados por milhões de pessoas em todo o mundo com a vitória de domingo.”
Depois disto, o angolano borrou o resto da pintura, perdendo-se em afirmações estapafúrdias e próprias de quem não tem os pés muito bem assentes no chão. Se uma birra extemporânea era desculpável, o que ele agora disse, a frio, já é mais difícil de engolir. A um Mantorras que se tinha como a alegria do povo, contrapôs-se um Mantorras preocupado exclusivamente com o seu próprio umbigo, sem qualquer noção da sua real dimensão futebolística, e sem o sentido de gratidão que a sua insólita situação justificaria. As pessoas gostam do Mantorras porque são do Benfica, e não o contrário, como ele parece supor. Danificar a sua própria relação com o clube da Luz é destruir toda a sua ligação ao futebol profissional, e é suicidar-se enquanto figura popular.
O que cada um de nós poderia ter sido na vida dava para muitas histórias cor-de-rosa. Mas a realidade é implacável, e com todo o azar que se lhe reconhece, a verdade nua e crua é que Mantorras nunca chegou a ser um grande jogador do Benfica. E se alguma vez andou lá perto, essa esperança morreu, e está há muito tempo enterrada. É uma pena que Mantorras não o perceba.

MADEIRA NA...MADEIRA

Foi com um misto de mágoa e felicidade que tomei conhecimento da contratação de Márcio Madeira pelo Nacional. Para quem não saiba, trata-se da grande estrela do Juventude de Évora, clube da minha terra que subiu esta época à 2ªdivisão.
Tenho pena que saia, mas congratulo-me com a possibilidade que tem de voar mais alto. Não foi preciso vê-lo jogar muitas vezes para perceber que se tratava de jogador a mais para a 3ª divisão.
Irei acompanhar a sua carreira atentamente.
Que tenha muita sorte!

TAÇA DERRAMADA

"FC Porto, Rio Ave, Naval e Chaves são os semi-finalistas da Taça de Portugal. A prova tem tradições, tem história, é bonita, mas tem andado, nestas últimas épocas, ferida de morte. O motivo é só um: a ausência do Benfica (e de todo o seu peso social) das fases mais adiantadas.
Por muito que isto desagrade a alguns, sem o Benfica as competições perdem mediatismo, perdem interesse, perdem dinheiro, e acabam por definhar longe dos holofotes da ribalta. E se o clube da Luz não salvar a Taça de Portugal nas próximas épocas (vencendo-a, ou chegando, pelo menos, às finais), temo que esta se venha a tornar, a breve trecho, uma competição menor, destinada apenas às proezas ocasionais de clubes da província.
Entalada entre a última jornada do campeonato e o início do Mundial, a meio de uma tarde provavelmente soalheira e a convidar à praia, sem atribuir qualquer lugar europeu, estou certo que a outrora bela final do Jamor vai este ano (à semelhança do anterior) dar lugar a uma triste formalidade federativa, sem alma, sem cor, sem vida, e sem que a maior parte dos portugueses dê por ela.Em sentido inverso tem caminhado a jovem Taça da Liga, que, por felicidade sua, tem contado com o Benfica nos momentos de decisão. Bateu recordes de audiência (a última final foi o programa televisivo mais visto do ano), esgotou estádios, dominou as atenções dos adeptos, as conversas de café e os artigos de jornal, deliciando os responsáveis pela sua organização.
Esta reflexão faz-nos perceber a importância que o Benfica tem no contexto desportivo nacional, do qual é simultaneamente coração e pulmão, não havendo sinais de vida sem ele, nem para além dele.Qual o último grande jogo de Taça? Foi talvez o 5-3 de Alvalade, há dois anos atrás, exactamente na última ocasião em que o Benfica chegou às meias-finais.Qual será o próximo grande jogo de Taça? Provavelmente a próxima vez que o Benfica chegar a uma final.
Até lá… o vazio. Que a Taça de Portugal consiga sobreviver-lhe, são os votos que faço."

LF em "O Benfica", dia 9 de Abril de 2010.
Escrevi isto antes das meias-finais. Podia ter sido ontem, ou anteontem, a propósito de uma final de tristes (nem o Chaves tinha motivos para festejar a ocasião, pois acabara de ser despromovido) à qual, obviamente, ninguém ligou.
De que se queixa afinal Jesualdo? De que se queixam portistas e sportinguistas, que constantemente confundem a muito maior dimensão social do Benfica (que, manifestamente existe, e se faz sentir nos estádios, nos cafés, nos empregos, na rua, ...nas vendas), com insinuações sobre um alegado proteccionismo subterrâneo, ou, por outro lado, com uma alegada perseguição às suas cores, coisas que, de todo, não existem?

CHAMPIONS 2010-11

Terminados que estão a maioria dos campeonatos europeus, é já possível definir com alguma precisão o perfil da Liga dos Campeões da próxima temporada.
Vejamos o quadro dos apurados:
Partindo do princípio que as equipas melhor classificadas no ranking ultrapassam os seus adversários nas pré-eliminatórias, chegamos então ao sorteio da fase de grupos com a seguinte configuração:
Um grupo englobando Sevilha, Benfica, Basileia e Copenhaga era deveras apetitoso. Já um outro contendo Barcelona, Benfica, Tottenham e Spartak de Moscovo, causaria maiores dificuldades.
A título de curiosidade diga-se que os adversários do Sp.Braga no sorteio da pré-eliminatória poderão ser os seguintes: Celtic de Glasgow, PAOK de Salónica, Gent, Unireia Urziceni e Young Boys de Berna. Passando uma destas equipas chegará ao play-off, onde poderá ter pela frente: Sevilha, Werder Bremen, Tottenham, Zenit ou Ajax. Só então poderá aceder à fase de grupos.

ACTUALIDADES

JESUS – A renovação do contrato de Jorge Jesus adivinhava-se desde há algum tempo. O timing foi o mais natural, após a conquista do título.
As provas da sua qualidade são eloquentes, o seu excepcional trabalho está à vista. Tal como diz Ricardo Araújo Pereira, por mim também renovava com o técnico até 2050.
Como o mundo não é perfeito, creio contudo que mais uma época como esta e Jesus acabará por voar para outros campeonatos.
Bem… venha lá outra época como esta, que depois se verá.
CARDOZO – Por entre a incompreensível incompreensão de alguns adeptos mais desatentos, o paraguaio acaba de se sagrar melhor marcador também da Liga Europa (juntamente com Pizarro do Werder Bremen), tendo ainda fortes possibilidades de se tornar o artilheiro máximo de todas as provas da UEFA. Talvez só o Mundial tire de vez as dúvidas a quem ainda as tem.
FALCÃO – É um excelente jogador, e durante toda a temporada sempre se deu ao respeito, o que não é frequente para aquelas bandas. Também por isso, tenho alguma pena que não esteja no Benfica. Já ele não se deve lamentar muito, pois se no FC Porto foi o segundo na lista dos marcadores, na Luz dificilmente passaria do banco, enquanto suplente de Cardozo e Saviola.
EDUARDO – Se alguma vez fosse contratado, passaria a ter o meu apoio, como qualquer outro. Mas, se me perguntassem opinião, jamais Eduardo vestiria a camisola do Benfica. Primeiro porque não tenho memória curta, e não esqueço o seu comportamento no túnel de Braga, depois porque não o acho tão bom como dizem.
QUIM – Pelo contrário, Quim é, para mim, o melhor guarda-redes português, e como tal, espero bem que chegue rapidamente a acordo com o clube para renovação do contrato. Não podendo, obviamente, ambicionar um Casillas ou um Buffon, não me parece que seja fácil ao Benfica encontrar no mercado um guarda-redes melhor que o actual.
TAÇA – O comunicado do Benfica sobre a final da taça fez-me lembrar que ela de facto existe. Com este documento, a direcção encarnada deu uma vez mais mostras de um nível superior, apelando ao bom senso, e lembrando aos adeptos que vingança é coisa dos fracos. Parece óbvio, parece elementar, mas infelizmente não é assim em todo o lado. Se alguma coisa acontecer, o Benfica, enquanto clube, jamais poderá ser responsabilizado - coisa que o FC Porto não soube, nem quis evitar, há duas semanas atrás.
EQUIPAMENTOS – São bonitos como todos os anteriores, mas, desta vez, tenho um reparo a fazer. Porquê uma só estrela sobre o emblema, quando o Benfica irá jogar a Liga dos Campeões, prova que venceu…duas vezes? Já não concordava com as três estrelas (a haver estrelas teriam sempre de ser duas), mas só uma é que não faz mesmo qualquer sentido. Talvez ainda haja tempo para corrigir este pormenor.

PARABÉNS !

Ainda que com uma pontinha de inveja, fiquei bastante satisfeito com a vitória do Atlético de Madrid na Liga Europa.
Trata-se de uma equipa recheada de boa gente, onde, para além de Simão Sabrosa, figuram também jogadores como Reyes e Tiago (embora este não tenha participado na prova). Todos eles, em diferentes medidas, deixaram saudades na Luz. Gosto de os ver felizes.
Independentemente da opinião que, tecnicamente, se possa ter sobre o trabalho de Quique Flores no Benfica (onde teve mais baixos do que altos), a verdade é que, também ele, deixou atrás de si uma imagem de respeito e integridade, que não podemos, nem devemos, esquecer. O seu trabalho no Atlético tem sido notável - partiu de posições de descida, recuperou na tabela classificativa, ganhou a Liga Europa, e está na final da Taça do Rei. Provou que, num contexto adequado às suas características, é um excelente treinador, e também ele merecia este sucesso.
Quanto à participação do Benfica, tendo em conta tudo o que hoje se sabe, reforço a ideia de que, ultrapassando o Liverpool e disputando umas meias-finais intensas e desgastantes, talvez tivesse chegado à final, talvez a ganhasse, mas provavelmente o campeonato teria fugido para Braga.

O NÚMERO

50.066 (a média de espectadores no Estádio da Luz no campeonato de 2009-10)

RETRATOS DE GLÓRIA