O MUNDO DE PERNAS PARA O AR

Presunção de inocência? O que é isso? Para a UEFA, entidade obscura cujo escrutíneo deixa muito a desejar, há que ir atrás da onda. Sobretudo se a onda envolve o Real Madrid.
Independentemente do castigo, eu deixaria Prestianni em Lisboa. Ia jogar sobre brasas, o ambiente ia ser mais hostil, e não se trata de um titular indiscutível. Havia mais a perder do que a ganhar em colocá-lo em campo. Mas essa seria uma decisão de José Mourinho e/ou do Benfica. 
Suspender um jogador sem provas, sem um relatório que sustente a acusação, apenas porque sim, enfim, nem sei como qualificar.
A palavra de Vinicius parece valer mais do que qualquer outra. Um indivíduo que instrumentaliza a luta contra o racismo em seu proveito. Que se serve dela. Um menino rico e privilegiado que usa a cor da pele para provocar, e insultar, e humilhar toda a gente a seu bel-prazer e de forma impune. Que já todos conhecem ou deviam conhecer. É mais grave incendiar estádios inteiros ou dizer uma palavra que mais ninguém ouviu?
Esta situação revolta-me. Até porque estão a metê-la num saco onde ela não cabe. O combate ao racismo é demasiado importante para ser intoxicado por um imbecil, e por toda uma orquestra de non sense que acaba por relativizar tudo o resto, e misturar amoras com abóboras.
Há uns tempos um grupo de energúmenos associados à claque do Sporting espancou um indivíduo de origem asiática numa estação de serviço da A1. O assunto foi nota de rodapé. Rapidamente foi esquecido. Um puto de 20 anos pronuncia entre-dentes uma palavra que mais ninugém ouviu, e temos um escândalo mundial. Assim, não se faz justiça. E assim, também não se combate o racismo.

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem , Luís
Subscrevo tudo na íntegra.
Quarta-feira espero que os jogadores e treinadores do Benfica não cumpram o protocolo de cumprimentar o n. 7 e o n. 10 dos blancos.

Anti n. 7 e n. 10 dos blancos

Sport Billy disse...

Neste caso, estou de acordo relativamente à suspensão do jogador sem que haja provas inequívocas do que aconteceu. Aliás, a única prova possível tem de ser factual, não pode basear-se na palavra de um jogador que mentiu (o francês) e num mero indício: ter posto a camisola sobre a boca.
A ser assim, Otamendi, se se tivesse lembrado e fosse um canalha, quando Vinícius tapou a boca com a camisola um pouco mais à frente, desatava a correr até ao árbitro a dizer que o brasileiro lhe chamou X, Y ou Z.