SUB 23

Talvez esteja a passar despercebido a muita gente, mas a média de idades do plantel do Benfica é...23 anos. É verdade que há gente da formação que não tem jogado muitos minutos, mas mesmo olhando para os nomes mais conhecidos, Henrique Araújo, que venceu a Youth League, é já mais velho que, por exemplo, Dedic, Sudakov, Dahl, Ivanovic, Schjelderup ou Prestianni. Talvez esteja aqui mais uma boa razão para contratar Rafa. É que este plantel é mesmo muito, muito jovem. Porventura, demasiado jovem. Grande parte dele podia jogar a Liga Revelação.

A MATEMÁTICA

Se a matemática do campeonato é simples de fazer (ganhar os jogos todos e o FC Porto ainda perder sete pontos), a da Champions é bastante mais confusa. E perdoem-me desde já algum lapso nas contas, mas como ninguém me paga para isto, que se lixe o rigor, digamos, mais rigoroso.
Parece-me claro que a barreira para passar à fase seguinte se situa no meio dos nove pontos. Isto é, haverá equipas apuradas com nove pontos, e outras eliminadas com os mesmos nove pontos (pelo que os golos também podem ser determinantes - e vão ser, não sabemos é se para o Benfica, era bom...).
Ponto de partida: ganhar ao Real Madrid, nem que seja por meio a zero. Sem esses três pontos a eliminação é matemática. E o Real ainda não tem lugar assegurado nos oito primeiros, pelo que esse é desde logo, à partida, um enorme obstáculo.
Se a Luz nos proporcionar uma noite épica, com uma vitória sobre o colosso espanhol, a equipa de José Mourinho tem boas hipóteses de ser feliz. Mas precisará, ainda assim, que se cumpram sete das seguintes onze condições (à frente de cada jogo os resultados favoráveis às contas do Benfica):


Como se percebe, algumas destas condições são relativamente fáceis de conjecturar. O St.Gilloise não irá ganhar por 7-0 ao Atalanta, dificilmente o Pafos ganha por três ou mais golos ao Slávia de Praga, o Atlético de Madrid não deverá perder em casa com o Bodo, e também não é expectávvel que o Barcelona seja derrotado em Camp Nou pelo Copenhaga. Logo aqui temos quatro das sete condições necessárias. Precisamos de mais três. Ou seja, partindo do princípio que nem Ajax, nem Brugge goleiam os seus adversários, SIMPLIFICANDO, sem escândalos, o Benfica precisaria de TRÊS DESTES RESULTADOS:


Não é assim tão difícil acertar três resultados neste "totobola". O mais difícil será mesmo vencer o Real Madrid.

SE NÃO HOUVESSE BALIZAS...

Fosse o futebol um jogo sem balizas, como a patinagem artística, com pontuação pelo estilo, e o Benfica não tinha perdido em Turim. Dominou durante largos períodos, trocou bem a bola, correu, lutou por vezes bravamente, e até entrar na área fez quase tudo bem. Aliás, como já acontecera no Dragão. 
Porém, no futebol os resultados conseguem-se com golos. De nenhuma outra forma. Com os que se marcam e com os que se evitam. Veja-se o caso do Sporting-PSG. E se os encarnados continuam a pecar na defesa da sua área, muitas vezes por desconcentrações individuais - o que não é de hoje -, na área adversária quase chegam a parecer ter medo de rematar e de marcar.
É claro que Pavlidis (em óbvia crise de confiança, o que é particularmente dramático num goleador), que já tinha sido o rosto de um falhanço inacreditável nos momentos finais do jogo da Taça, e voltou a fazer-se notar pela forma desastrada (o grego merece que sejamos simpáticos) como bateu um penálti - que, naquela altura ainda podia trazer alguma esperança -, é o foco mais visível da ineficácia encarnada. Mas o problema não é apenas, nem principalmente, o melhor marcador da Liga Portuguesa. Gente como Schjelderup,  Prestianni, Dedic, Sudakov, ou mesmo Aursnes, é bem capaz de trocar passes sucessivos dentro da área contrária, sem que se lembrem que há por ali uma baliza. Aos dois jovens extremos, pouco falta mesmo para chegarem a um metro da linha de golo, e ainda voltarem para trás, para mais um drible, para mais um passe. Diga-se também que quando tentam alguma outra coisa, ou a bola bate num defesa, ou sai desenquadrada. Ou seja, uma equipa em que quase ninguém marca golos, e que vê o seu ponta-de-lança em crise de forma, tem naturalmente grandes dificuldades em vencer. Sobretudo quando não joga com o Rio Ave ou o Estoril. E quando também não tem uma gota de felicidade.
Esta derrota compromete, a meu ver de modo definitivo, a passagem à fase seguinte. Mesmo ganhando ao Real Madrid (o que já de si seria uma proeza histórica), o Benfica ainda ficará a depender de terceiros,  de quartos e de quintos para lograr um milagre. Aqueles pontos com o Qarabag podiam agora fazer a diferença. Mas como diz o povo, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. E o facto é que a eliminação é muito mais do que provável. Como na luta pelo título nacional, o Benfica está ligado às máquinas, e agarrado somente à matemática.
Em três quartas-feiras sucessivas voaram três objectivos da temporada. Está a ser um mês negro, que deixa como única meta a "conquista" do segundo lugar no Campeonato. Objectivo tão importante para as finanças, quanto pouco estimulante para os adeptos. A luta será contra uma equipa que acaba de bater o campeão europeu. É o que há. É o pouco que sobra de uma época que se antevia difícil, mas da qual se esperava muito mais.
Gostava de ter a certeza de contar com José Mourinho para 26-27. Assim teria a esperança de que, com tempo, com alguns reforços, com margem para lançar alguns jovens, conseguisse construir uma equipa à sua imagem. Nem essa certeza há. 
Enfim, não me apetece dizer mais nada

ONZE PARA TURIM

Trubin, Dedic, Araújo, Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Prestianni, Sudakov, Schjelderup e Pavlidis.

BEM-VINDO A CASA

Cito aqui o texto que escrevi quando Rafa Silva saiu do Benfica. Está lá tudo o que penso dele. E a verdade é que o Benfica não voltou a ser campeão.
Não sei em que condições físicas estará, mas se for, ou puder vir a ser, o Rafa que vi na Luz, venha ele. Sem dúvida, um dos melhores jogadores do Benfica na última década. E tanto quanto espero, um dos melhores jogadores deste plantel.
No mundo de hoje, mais vale cair em graça do que ser engraçado. Como Rafa não publica coisas nas redes sociais e fala pouco, há quem não goste dele. A mim, isso não interessa nada. Aliás, até é uma vantagem. Em campo é um craque.  

"8 épocas de águia ao peito
325 jogos (22º da história do SLB com mais jogos)
93 golos (24º da história do SLB com mais golos)
8 títulos (3 campeonatos, 1 taça e 4 supertaças)
48 jogos na Champions (10º da história do SLB com mais jogos na prova)
13 golos na Champions (6º da história do SLB com mais golos na prova, só atrás de Eusébio, José Augusto, José Águas, José Torres e Nené).
Melhor marcador dos três actuais plantéis em "Clássicos" e "Dérbis" (7 golos)
Marcador dos golos das duas últimas vitórias do SLB no Dragão (que valeram os dois últimos campeonatos)
Marcador do decisivo golo frente ao Braga no último título do SLB
Melhor marcador do SLB neste campeonato (12 golos)
Melhor marcador do SLB nesta temporada (20 golos)
Mais assistências pelo SLB neste campeonato (11 assistências, 2º da competição)
Mais assistências pelo SLB nesta temporada (14 assistências)
Campeão europeu em 2016
Como disse Jurgen Klopp: "Rafa? Uau!!!" Como disse Mircea Lucescu: "Como é possível Rafa ainda jogar em Portugal?"
Os números são impressionantes. O estilo faz lembrar Chalana. Querido de todos no balneário. Titular absoluto com todos os treinadores. Um dos melhores jogadores do Benfica neste século.
Perante tudo isto, perante uma verdadeira lenda (que nunca me cansei de elogiar), o que se estranha é a indiferença de tantos benfiquistas, ao longo dos anos, face a Rafa Silva. Talvez não saiba vender a imagem como outros. E a verdade é que o empresário também não ajuda. Mas... 
Por um lado, queixam-se do futebol moderno, e dos jogadores relâmpago que saem ao primeiro aceno (Félix, Sanches, Enzo, Darwin). Por outro, não valorizam quem fica tantos anos no clube, sempre com números espantosos, sempre com elevado profissionalismo, sempre um dos melhores da equipa.
Rafa merece todos os aplausos. Merece todas as vénias.
Como outros antes dele, só depois de sair será devidamente valorizado.
Lamento profundamente que parta. E não antevejo fácil a substituição."

UM BOM CLIENTE

Recordemos todos os jogos entre o "Glorioso" e a "Vecchia Signora", dois gigantes, ambos com dois títulos europeus, ambos com cinco finais perdidas, ambos com mais de trinta campeonatos nacionais (ambos recordistas), e ambos os clubes mais populares dos seus países:











Como se vê, o balanço das partidas entre Benfica e Juventus é francamente positivo. Em nove jogos, sete vitórias, um empate e apenas uma derrota. E mais de metade dos jogos são dos últimos doze anos. Nos tempos de Eusébio, apenas dois.
Entre estas partidas contam-se dois apuramentos para finais: em 1968 na Taça dos Campeões, em 2014 na Liga Europa.
Devo dizer também que uma delas foi das melhores exibições do Benfica que recordo no século XXI (os 4-3 com Roger Schmidt, que apenas comparo aos 4-0 ao Atlético de Madrid na época passada). Outra foi uma das maiores alegrias que o futebol alguma vez me deu: o épico apuramento em 2014, num jogo extremamente tenso, em que o Benfica terminou com apenas nove homens em campo, e que para mim teve contornos pessoais muito particulares - acabei em lágrimas.
Que a saga continue, com mais um importante triunfo.

PARA QUEM FICOU COM DÚVIDAS

FONTE: site da UEFA. Primeiro fora dos "Big Five" no ranking principal. A notícia de "A Bola" estava certa.

EM SEMANA EUROPEIA, FAZ BEM AO EGO

TÍTULO ENTREGUE

Não vejo qualquer hipótese do FC Porto, com este impressionante registo, perder o campeonato. Uma equipa que em 18 jogos vence 17, e apenas sofre 4 golos, não dá o menor sinal de quebra. E quando o dá, alguma coisa acontece - há quem lhe chame estrelinha de campeão.
Estas duas saídas consecutivas (Açores e Guimarães) eram porventura a ultima esperança de reabrir a corrida. Os dois triunfos por 1-0, um deles com um golo oferecido, o outro com um penálti perto do fim, a meu ver, fecharam as contas.
A menos que haja uma hecatombe portista, o título está entregue. Mas o campeonato continua. Para alcançar o importante segundo lugar o Benfica apenas depende de si próprio. É nisso que tem de se focar.
Com as taças perdidas, há que tentar a passagem à fase seguinte desta Champions, e, sobretudo, garantir a possibilidade de entrada na próxima. 

DE CARA LAVADA

Depois de duas derrotas bastante penalizadoras, o Benfica voltou a ganhar, e fê-lo com estilo.
Sobretudo na primeira parte, e com uma entrada a todo o gás, a equipa de Mourinho chegou mesmo a encantar. Devia ter ficado logo aí definido o resultado, mas no mundo negro de Luciano Gonçalves,  Rui Caeiro e companhia, vale tudo para puxar os pés ao Benfica. Acabaram por não fazer dano, mas ficaram dois penáltis por assinalar - com responsabilidades repartidas entre o árbitro de campo e o VAR. Parece haver um novo protocolo em vigor: se antes, em caso de dúvida, o VAR não intervinha, agora em caso de dúvida, intervém se for para prejudicar o Benfica e/ou favorecer o Sporting. 
Voltando ao futebol,  com 0-2, a segunda parte foi menos brilhante.  Os encarnados optaram, naturalmente, por um maior controlo de jogo, mas não deixaram de ser a equipa mais perigosa. O resultado acabou por ser escasso.
Há que destacar as exibições de Sudakov - que definitivamente rende mais numa posição central - e Barreiro, que faz o seu trabalho em todo o lado e ainda marcou um golo.
Os seis pontos perdidos estupidamente em casa, na negra trilogia S.Clara, R.Ave e C.Pia, continuam a pesar muito na classificação e na temporada benfiquista. Como ficou uma vez mais demonstrado,  a equipa tem talento para mais do que ditam os seus resultados. Sendo um conjunto muito jovem (só nesta partida: Trubin, Dedic, Araújo,  Dahl, Prestianni, Schjelderup,  Sudakov e depois Sidny, Rêgo, Manu...), está naturalmente mais exposto a oscilações, quer durante os jogos, quer de jogo para jogo. Com tantas lesões,  torna-se também difícil estabelecer uma base. Para hoje não havia Rios, nem, de certo modo, Enzo, que têm formado a dupla titular no meio campo. Ainda haverá Lukebakio, Bah, Bruma e provavelmente alguns reforços. Também por isso, tenho a convicção de que existe uma margem muito grande para crescer. A tempo de quê? Veremos no fim da época, sendo que o objectivo mais realista é o segundo lugar, e esse depende apenas do Benfica.
Segue-se a "final" de Turim. Eu ainda acredito no apuramento. E a acontecer, não pode ser totalmente irrelevante na avaliação da temporada. Há quem apenas ligue a troféus (mas a Supertaça não vale, como a Taça da Liga também não valeu há um ano atrás). Eu valorizo igualmente (porventura mais do que as taças mencionadas) as prestações europeias, que são aquelas que o mundo vê. É nelas que o prestígio internacional do clube é cimentado. Foi nelas que o Benfica se tornou gigante.
Obviamente que,  não vencendo o campeonato, a época será sempre globalmente negativa. Como não vale a pena chorar sobre leite derramado, há que agarrar o que há. Fase seguinte desta Champions e qualificação para a próxima. 
PS: se André Luiz é apenas aquilo, parece-me que os valores de que se fala são completamente absurdos. Antes o Rafa

ONZE PARA VILA DO CONDE

ATÉ MORRER!

O Benfica ainda não perdeu qualquer jogo neste campeonato, algo que, à 17ª jornada, nos últimos 35 anos, apenas sucedeu noutras duas ocasiões. Na verdade, não perde na prova há quase um ano civil: a última derrota verificou-se em Rio Maior, diante do Casa Pia, no dia 25 de Janeiro de 2025.
Todavia, não venceu o último campeonato, fruto do atraso acumulado nas primeiras rondas, de alguma infelicidade, e também de obstáculos colocados por terceiros. E está igualmente numa situação bastante difícil neste. Entre equívocos de arbitragem penalizadores, uma campanha notável do FC Porto e culpas próprias (inadmissível ceder três empates em casa, contra equipas da segunda metade da tabela, com golos sofridos no tempo extra, fruto de erros individuais difíceis de tolerar), ficou a dez pontos da liderança, dependendo de uma quebra mais ou menos acentuada do rival nortenho para ainda poder sonhar com o título.
Já a luta pelo segundo lugar apresenta contornos diferentes. Aí, apenas depende de si. Ganhando todas as partidas por disputar garante, pelo menos, a segunda posição.
Desde 2010, o Benfica apenas falhou uma presença na fase principal da Liga dos Campeões (eliminado pelo PAOK de Abel Ferreira em jogo único no terreno do adversário). Soma um total 15 presenças nas últimas 16 temporadas, números apenas ultrapassados, neste período, pelos plenos de Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique.
Serve tudo isto para chegar a uma conclusão: o Benfica não pode deixar de estar presente na Champions da próxima temporada. Por motivos financeiros, desportivos e históricos. Por tudo. Tem de lá estar novamente. É lá o seu lugar.
Se ainda puder lutar pelo título, tanto melhor. Mas, independentemente do atraso para o primeiro classificado, não pode deixar de dar a vida em cada um dos jogos até ao fim. Até morrer!

MOURINHO FOREVER

É de algum modo paradoxal que possa ser positiva a análise a um técnico reconhecidamente resultadista, mas que de águia ao peito, num histórico de 35 jogos, perdeu sete e empatou oito. Porém, Mourinho é Mourinho. E contextos são contextos.
Claro que as metodologias inovadoras que explorou e aplicou, com retumbante sucesso, na primeira década do século, são hoje comuns até na Liga 3. Provavelmente, Mou já não vencerá mais nenhuma Champions League, nem deverá voltar a treinar um clube de topo dos chamados Big Five. 
Acontece que as circunstâncias do Benfica são muito diferentes- Por isso ele está cá.. E em Portugal, com tempo e alguns recursos, pode construir o tanque de guerra competitivo de que o clube necessita há anos. Estou convencido de que o vai fazer... se tiver respaldo total para isso.
O caminho é longo e sinuoso. Quem contrata José Mourinho sabe que está a contratar um treinador "especial". Está a contratar um pacote completo, que inclui os chamados mind games, recados internos e externos, críticas violentas à arbitragem, mas sempre com o controlo emocional/comunicacional de quem sabe muito bem o que está a dizer e porquê. Pode já não ser, no plano técnico-táctico, um dos melhores treinadores da história do futebol (como inegavelmente foi), mas continua a ser um homem extremamente inteligente, muito hábil na comunicação e ainda mais experiente do que nos seus tempos áureos. Em Portugal goza ainda de um prestígio que lhe permite dominar o discurso mediático em seu redor (porventura, se o deixarem, em redor da equipa e do próprio clube), influenciar adversários e árbitros, para além do controlo total que mantém sobre um balneário onde a maior estrela é ele.
Em suma, o Benfica não consegue, hoje, ter um treinador melhor do que José Mourinho, ou sequer igual. Há que fazer tudo para o manter, a um prazo tão longo quanto possível.
Espero por isso, antes de mais, que o próprio não queira saír no fim da época (Força Portugal, Força Martinez !!!). Mas espero, também, que no Benfica ninguém ceda à tentação de optar pelo caminho mais fácil - que é sempre o de colocar o ónus dos maus resultados nos ombros do treinador...e depois vem outro... e depois vem outro, como dizia Bruno Lage.
Pelo contrário, a Mourinho há que dar tempo, e, sendo a quem é, há que dar carta branca. Porventura a um nível do qual nenhum treinador do passado recente do clube desfrutou. O orçamento do Benfica não é o do Chelsea, mas o treinador setubalense sabe disso, e não vai exigir o impossível. Obviamente dentro das suas limitações orçamentais, o Benfica deve seguir o seu treinador até onde este quiser. Deve deixá-lo trabalhar, com total e absoluta confiança, com total e absoluta autonomia. 
Ronovar o contrato com Roger Schmidt em 2023, a meio de uma época em que estava a ganhar todos os jogos, revelou-se um disparate. Talvez renovar com Mourinho agora, que está afastado de todos os títulos, (mais um paradoxo) não fosse má ideia. O Benfica precisa de tempo e de reinventar todo o seu futebol. Não há ninguém em condições de o fazer melhor. Se José Mourinho ficar mais três anos na Luz, tenho a convicção que, nesse período, ganhará pelo menos dois campeonatos. Mais do que isso, pode deixar uma equipa à sua imagem, que  permaneça ganhadora para além da sua própria presença. 
Se nas presidenciais deste fim-de-semana posso ainda ter as minhas dúvidas, para o banco do Benfica voto Mourinho. Inequivocamente!

O PREÇO DA INEFICÁCIA

Num jogo intenso e equilibrado,  com maior ascendente do Porto na primeira parte e do Benfica na segunda, foi a ineficácia dos encarnados a ditar a derrota. Ao golo portista, numa das duas únicas oportunidades que criou, o Benfica não conseguiu responder nas várias  de que dispôs até final. A última, de Pavlidis, foi inacreditavelmente falhada, e não me lembro de ver o grego ser tão desastrado num lance de baliza aberta. 
O Benfica perdeu na taça, fazendo um jogo globalmente mais conseguido do que no empate do campeonato. 
Ao contrário do que aconteceu em Leiria, hoje não há nada a apontar aps jogadores. Lutaram, correram, e durante muitos minutos conseguiram impor-se no estádio de uma equipa ultra agressiva, ultra confiante, e com uma linha defensiva que marca claramente a diferença face ao Porto do ano passado.
Confesso que não percebi a substituição de Prestianni, que estava a ser o elemento mais agitador do ataque benfiquista,  quando Sidny dava sinais de muito maior desgaste. Mourinho saberá o que faz, e a verdade é que foi já depois desse momento que o Benfica esteve mais perto de empatar. 
Houve três lances duvidosos na área portista. Não fiquei com certezas, mas gostava de ter visto mais e melhores repetições. Claro que com Luís Ferreira no VAR seria impossível assinalar fosse o que fosse.
Houve também um pontapé de canto escamoteado ao Benfica no último minuto, e recordemos que foi num canto que a partida se decidiu.
Depois de perder sem honra nem glória a Taça da Liga, a equipa de Mourinho perde agora a Taça de Portugal, também sem glória, mas com a sua honra intacta. Não houve felicidade no sorteio, não houve felicidade no jogo. A jogar assim o Benfica tinha condições para realizar uma temporada muito diferente. 
Resta agarrar o que ainda está na mesa, e que, em termos financeiros, até são os dois maiores tesouros: qualificação para a fase seguinte desta Champions,  e segundo lugar no Campeonato que possibilite a entrada na próxima. 
Parabéns ao FC Porto, e parabéns também àqueles que se dizem benfiquistas, mas apenas esperam por derrotas para poder disparar sobre quem legitimamente dirige o clube.

PARA GANHAR!

Na verdade todos os jogos são para ganhar, mas, enfim, como diria Orwell, uns são mais para ganhar do que outros. Quando o Benfica jogou no Dragão para o Campeonato, estava a quatro pontos de distância do seu adversário. Então, o empate não era um mau resultado - e não foi certamente esse jogo que ditou o destino dos encarnados na prova. Agora não haverá empate e, que mais não seja por isso, o único resultado que interessa é a vitória. Mas há mais: independentemente da importância financeira do segundo lugar na Liga, independentemente da carreira que equipa ainda possa fazer na Champions (não está fácil...), depois do afastamento da Taça da Liga, a Taça de Portugal é a hipótese mais objectiva de ainda poder conquistar de um troféu. O Benfica ganhou a Supertaça a abrir a temporada. Era interessante que a fechasse erguendo a Taça no Jamor - algo que no ano passado foi impedido de fazer.
Acredito em Mourinho neste tipo de jogos, de elevada componente estratégica, onde interessa, antes de mais, impedir o rival de colocar em campo as suas maiores virtudes. Contra todas as apostas, eu acredito na vitória -  nem que seja por penáltis. Fica o meu onze, bem como o registo dos últimos jogos ccom o FC Porto, que têm vindo a mostrar uma inversão de tendência: em oito, o Benfica ganhou cinco, empatou um e perdeu dois.


PRESIDENTES, PARA QUE VOS QUERO

Faço aqui um desafio aos leitores: dizerem, sem pesquisar, quem era o presidente do Benfica quando o clube foi campeão europeu, em 1961 e 1962. Não sabem? Pois eu também tenho de ir ver, até porque foram dois diferentes. José Águas, José Augusto ou Eusébio, esses sim, todo o mundo (o mundo mesmo) sabe quem foram.
Sim, votei em Rui Costa, mas na verdade não me interessa assim tanto quem é o presidente do Benfica. Acho que uma certa facção do clube entrou, há uns anos (talvez na era que historicamente poderia ser apelidada de veirismo tardio) numa deriva delirante, que hiperboliza a presidência, quando toda a história do Benfica, e de qualquer clube de futebol, foi escrita pelos jogadores e pelos treinadores. Não foi o Benfica que mudou. Foram sim, alguns dos seus adeptos, sobretudo os mais jovens, criados num determinado caldo cultural do qual já aqui falei noutras ocasiões e talvez volte a falar no futuro.
Para mim, Rui Costa foi um extraordinário jogador. E é esse o seu principal papel na história do Benfica. Agora ocupa cincunstancialmente a presidência, mas isso é uma questão meramente institucional, burocrática, lateral, sem relevo para a minha paixão clubista. Talvez por isso mesmo, não vi motivos para mudar nas eleicções de Outubro.
Diz o povo que "quando não há pão, todos ralham e ninguém tem razão". Ora o Benfica não tem ganhado tantos campeonatos como seria desejável. Logo, neste mundo de intolerância total ao erro, de imediatismo e mediatismo elevados ao absurdo, exige-se tudo de todos, começando por cabeças. Neste caso concreto, parte-se de um pressuposto que me parece espantoso, que é o de que o Benfica não foi campeão por causa do presidente, e, mais espantoso ainda, que seria campeão com outro presidente qualquer. Independentemente dos méritos ou deméritos de Rui Costa, esse é um princípio que não me convence mesmo nada, como, de resto, não convenceu a maioria dos sócios. Não me parece difícil de compreender esse cepticismo, mas há muita gente que, mesmo explicando bem, não o compreende.
É claro que houve, na História, casos limite em que era imprescindível mudar. Lembro-me de um: Vale e Azevedo, então apoiado por muitos que agora se afirmam "exigentes". Tratou-se de um caso de polícia, de um charlatão que enganou meio mundo e queria tornar-se dono do clube. De resto houve presidentes melhores, presidentes piores, mas acredito que todos tentaram contribuir para o bem do clube. E não tenho dúvidas que todos cometeram erros, em alguns casos bem mais graves que os do último mandato presidencial. Quer em tempos mais recentes, quer num passado em que não eram, sequer, discutidos, senão por três ou quatro reformados que passavam o dia à porta do estádio.
Vivemos numa era em que um escrutínio elevado a infinitos, que parte do cancro que são as redes sociais (ainda não totalmente assimilado por uma sociedade genericamente iletrada), que se estende ao país e ao mundo, e transforma toda a gente que toma decisões, primeiro em incompetentes, depois em vigaristas. O que se tem passado na política, quer nas duas anteriores legislaturas (ou nos dois últimos governos, por sinal de cores diferentes), quer nas presidenciais, é elucidativo: todos são corruptos, todos são criminosos, menos um. Não dou para esse peditório, e bastaria aplicar um décimo do escrutínio a que tem sido sujeito Rui Costa a outros tempos e a outros nomes, para rapidamente pendurarmos pescoços ou até exumarmos cadáveres.
A perfeição não existe, muito menos em quem tem de tomar decisões em cenários de grande incerteza. É muito fácil apontar o dedo depois, como se aquele lapso, aquele equívoco, fossem óbvios à partida. Depois, por vezes são. Aliás, quase sempre o são. Mas não no momento em que a decisão é tomada - e esse exercício mental não é fácil de fazer.
Obrigam-me constantemente a falar de Rui Costa, a falar de presidentes ou de candidatos. Às vezes, a quem não saiba e chegue aqui às escuras, até parece que fui o único sócio a votar no "Maestro". As eleicções deram uma audiência a este espaço que havia anos não se verificava. A polarização que, estranhamente, continua mais de dois meses depois da segunda volta, é, ao que parece, o factor mais saliente nas discussões online sobre o Benfica. Quando o Benfica ganha jogos, os números descem. Curiosamente, ao contrário das conversas em pessoa, que têm uma dinâmica inversamente proporcional. É estranho que seja assim, é um caso de estudo, ou um sinal dos tempos.
Enfim, quando a equipa vestida de encarnado entrar em campo amanhã, no Estádio do Dragão, não é de Rui Costa que me vou lembrar. E quando, no final dos 90, ou 120 minutos, recolher de volta aos balneários, também não. O meu benfiquismo foi assim nos anos oitenta, nos anos noventa, no que já vai deste século, e assim será até ao dia em ue me apresentar para o juizo final.

PARABÉNS VITÓRIA!

Adoro Guimarães. É uma cidade fantástica, com muito boa gente.  Depois de eliminar FC Porto, Sporting e SC Braga, o Vitória bem merece este troféu.
Parabéns!

TRATAMENTO DE CHOQUE

É assim que a imprensa designa as palavras de Mourinho na conferência de imprensa de Leiria, no duríssimo pós-eliminação da Taça  da Liga.
Ao contrário daqueles que acham que sabem tudo, eu não sei o que se passa no interior do balneário, nem quais as razões que levam uma equipa a entrar em campo com a atitude da primeira parte frente ao Braga, particularmente se depois até foi capaz de mostrar (tarde demais) que podia jogar bastante mellhor.
Como adoro futebol, adoro os jogadores. Da infância fiquei com Chalana no coração, mas todos os jogadores do Benfica são meus ídolos...enquanto vestem a camisola do clube. Depois passam a profissionais, que me limito a respeitar (Não é João Félix?, Não é Bernardo Silva? Não é Ruben Dias?). E respeitarei sempre, pois são eles que fazem o jogo, que marcam ou evitam os golos, que me fazem ou fizeram vibrar. Mais do que treinadores, muito mais do que dirigentes, muitíssimo mais do que árbitros, são os jogadores que escrevem a história do futebol - de que eu tanto gosto.
Tendo a defender sermpre os atletas de críticas injustas, sobretudo quando apontam a factores técnicos. Nunca assobiei um jogador do meu clube, e jamais o farei - pelo menos durante um jogo.  Sei que Leandro Barreiro nunca fará o que vi fazer a Chalana. Se errar um passe, percebo e aceito. Eu, por muito boa vontade que tivesse, faria certamente bem pior.
Já falhas de atitude competitiva, confesso que tenho mais dificuldades em aceitar. E aquilo que se viu em Leiria, como já se vira noutros momentos da presente temporada (a trilogia dos golos nos descontos, Qarabag, segunda parte de Newcastle, primeiros minutos do dérbi da Luz, etc), não me parece ser do domínio técnico-táctico. 
Já vi Richard Rios fazer bons jogos. Já vi Sudakov fazer bons jogos. Já vi Dahl fazer bons jogos. Tal como Otamendi, Dedic, Tomás Araújo, Manu Silva, Aursnes ou o citado Barreiro (senão em técnica, em força, velocidade, movimento, concentração, atitude) Podem até nem ser superestrelas. Não o são. Mas têm capacidades físicas e técnicas, em doses variáveis, mas suficientes, para construir uma equipa competitiva. Para ganhar ao Santa Clara, ao Rio Ave, ao Casa Pia, ao Qarabag e mesmo ao Braga. Para não perder seis pontos da mesma ridícula maneira. A verdade é que não as aplicaram, parecendo pensar uma de três coisas 1) a competição não interessa muito e ir à final são favas contadas 2) temos de nos poupar para a montra da Champions 3) estamo-nos nas tintas para este clube. Qualquer delas imperdoável em quem ganha tanto dinheiro para fazer aquilo que é suposto gostar de fazer (deixo de fora Trubin e Pavlidis que, como depois Prestianni, merecem ser ilibados do desastre de Leiria).
Se há jogadores que têm algum talento e/ou alguma capacidade física, se conseguem mostrá-lo quando são espicaçados, porque não o fazem sempre? Porque não lutam sempre até aos seus limites? Porque não deixam tudo em campo? Houve bons exemplos de aplausos depois de maus resultados, em jogos em que os adeptos reconheceram esforço e empenho totais. Infelizmente, não foi o caso. E de Leiria, alguns jogadores, não só não mereciam qualquer aplauso, como merecia assobios ou mesmo ter vindo a pé, ou de Uber.
Foi erro do presidente contratar um Rios que sabe jogar como fez com o Sporting e com o Nápoles, ou como fazia no Palmeiras? Ou um Dedic que entrou de rompante na temporada e toda a gente parecia "Amar"? Ou apostar num Dahl que na época anterior, sempre que entrtava, causava boa impressão? Foi a táctica de Mourinho que não resultou? Mas a mesma táctica resultou noutros jogos, e mesmo na segunda parte deste. Então?
Enfim. Acho que há muito que reflectir, e seja com tratamento de choque ou não, há jogadores que têm de dar mais de si, muito mais.
O mercado está aberto. Quem não tem perfil para vestir a camisola de um clube que joga sempre para ganhar, deve ir à sua vida, e procurar um Bournemouth ou um Oviedo qualquer. No Benfica, seja qual for o resultado, temos de ter a certeza de que todos deram o seu máximo até ao apito final do árbittro, até à última gota de suor. Em Leiria não fiquei nada convencido disso.
Parafraseando Mourinho, espero que tenham dormido tão mal como eu.

IMPERDOÁVEL

Não há piedade que valha a uma primeira parte miserável, em que o Benfica foi toureado pelo seu adversário, e na qual ficou traçado o destino da partida.
De facto, é difícil entender que uma equipa que, depois, até mostrou que o jogo podia ter sido bem diferente, se apresente numa meia-final a passo, sem chama, sem ideias, sem rumo, sem...nada. Foi penoso chegar ao intervalo. Senti-me envergonhado. Senti-me traído por uma equipa que tantas vezes tenho defendido até aos limites da boa vontade. E por vários jogadores que não foram merecedores de vestir aquela camisola.
Na segunda metade houve uma reacção, houve alguma dignidade, mas era difícil reverter tamanho prejuízo. Até porque o Braga não é uma equipa qualquer, e soube proteger-se de males maiores. O terceiro golo naturalmente matou o jogo.
As coisas já estavam tão mal que João Pinheiro nem precisaria de grande intervenção. Mas, talvez por querer ir ao Mundial, talvez por achar que prejudicando o Benfica estará mais próximo de o conseguir, decidiu expulsar Otamendi num lance em que o central argentino sofreu uma falta duríssima.  Não influenciou muito este jogo, mas João Pinheiro sabe o que faz. E nós sabemos o que é a arbitragem portuguesa de há um ano para cá. 
Durante a segunda parte houve dois toques com a mão dentro da área minhota. Um deles pareceu-me faltoso.  E essas coisas também contam.
De qualquer modo, não há perdão para uma primeira parte como a que o Benfica protagonizou em Leiria. Nem há perdão para deitar fora um troféu que estava ali à mão de semear.
Esta partida, juntamente com o Qarabag e com a trilogia de golos sofridos nos descontos, constituem um lado negro, demasiado negro, de uma equipa que, mesmo com limitações, tinha obrigação de fazer muito mais.
E sim. Era um jogo decisivo. Era uma competição importante, a qual sempre valorizei aquando das vitórias, e a qual valorizo igualmente agora (há quem não siga o mesmo critério). Foi uma derrota dura, demasiado dura.
Exige-se uma vitória no Dragão. Será a única oportunidade de salvar a face a este Benfica, versão 2025-26. A não acontecer, haverá muito para reflectir.
E, claro, todos são culpados. Sem excepção. 

UMA PRIORIDADE

Conforme está o Campeonato, as Taças devem ser encaradas como uma prioridade absoluta para o Benfica. 
Já aqui o disse: perdendo o principal objectivo da temporada, mas ganhando as duas Taças, juntando a Supertaça já conquistada, um apuramento para a fase seguinte da Champions, e um eventual segundo lugar no Campeonato, a época não seria nada má. Além de que daria tempo e espaço para Mourinho construir, à sua maneira, face a 2026-27, um Benfica verdadeiramente ganhador, e necesariamente campeão.
No espaço de uma semana joga-se o destino da Taça da Liga (em Leiria), e em larga medida também o futuro na Taça de Portugal (no Dragão).
Os encarnados partem para estas decisões (na semana seguinte trata-se da Champions) bastante limitados fisicamente. Mas terão de estar a 100% em termos anímicos. A eliminação do Sporting faz como que, em caso de apuramento para a final, o Benfica entre em campo, nesse eventual jogo decisivo, como claro favorito. Em suma, há que dar tudo para aproveitar a oportunidade, e garantir um segundo troféu na temporada. E o Vitória de Guimarães que me perdoe, mas o principal obstáculo será mesmo o Braga - com quem até há umas contas a ajustar.
Dadas as ausências, o onze a apresentar não poderá ser muito diferente do seguinte: TRUBIN, DEDIC, T.ARAÚJO, OTAMENDI, DAHL, MANÚ, RIOS, BARREIRO, PRESTIANNI, SUDAKOV e PAVLIDIS

O POSSÍVEL

Conforme Mourinho disse, e conforme eu aqui já tinha dito, o desfecho dos campeonatos tem uma componente de relatividade, e depende também, muitas vezes, do desempenho dos rivais.
Em 2005 o Benfica foi campeão com sete derrotas. Em 2026 não tem nenhuma.
O FC Porto em 2005 perdeu 22 pontos em sua casa. Em 2026, até ao momento, apenas perdeu dois em termos absolutos.
No confronto directo, empataram 0-0.
A história está repleta de situações análogas.
Sejamos francos: com dez pontos de atraso, sem o FC Porto dar sinais de vacilar (quando os dá, acontece qualquer golo estranho que resolve o problema), vai ser difícil ao Benfica chegar ao título. E como tal, esta nunca será uma época boa.
Mas juntando à Supertaça as duas taças, e atingindo o segundo lugar e o acesso à Champions, a época também não será má.
Vamos a isso.

NOS OUTROS É REFRESCO

Há já muito tempo que observo, e denuncio, uma clara sobrerepresentação do Sporting na comunicação social portuguesa. Talvez por isso, já cansa ouvir falar sobre os lesionados de Alvalade, que foram a justificação preferencial apresentada até à exaustão para o empate de Barcelos.
Pois eu não sei quantos são, mas sei que no Benfica é uma equipa completa. Depois há quem se queixe de falta de profundidade do plantel:
Samuel Soares, Alexander Bah, Joshua Wynder, António Silva, Enzo Berrenechea, Nuno Félix, Fredrik Aursnes, João Veloso, Bruma, Dody Lukebakio e Henrique Araújo. Cinco deles, potenciais titulares.
Mas como é no Benfica...
A vantagem é que se torna fácil escolher o onze para Leiria: são os que sobram.

UM AVANÇADO BASTA

Quando é do nível de Pavlidis. 
E eu tenho um certo orgulho em afirmá-lo, pois desde que o vi jogar pela primeira vez, percebi que estava ali jogador. Podia ter-me enganado. Não sou scouter. Mas neste caso concreto, contra muito cepticismo de muita gente nos primeiros três ou quatro meses, sempre defendi acerrimamente o grego. E agora só lamento que daqui a poucos meses tenhamos fatalmente de nos despedir dele. É jogador a mais para uma liguita miserável como a portuguesa. 
Ao contrario de outros avançados que correm como cavalos, mesmo no tempo extra, e depois acabam aos pontapés e murros a tudo o que encontram pela frente, Pavlidis é um jogador requintado, que nem precisa de correr muito para cumprir a sua missão. Marca, joga e faz jogar. E com ele em campo, Mourinho pode dar-se ao "luxo" de acabar um jogo com o Estoril, em casa, com cinco trincos, como ele gosta, e como vamos ter de nos habituar - isto se quisermos dar-lhe o tempo de que necessita para construir um tanque de guerra ganhador, como fez quase sempre nas equipas que treinou, e em grande parte delas com o sucesso de que todos nos lembramos.
Vamos ter de nos habituar também a esquecer as notas artísticas de Jesus, alguns períodos de Lage e alguns períodos de Schmidt. Com Mourinho joga-se exclusivamente para o resultado. Em largas fatias das partidas com dez atrás da linha da bola, e com risco mínimo nas saídas, independentemente de se ouvirem aplausos ou assobios. Quando as coisas não correram bem, foi devido (uma vez mais) a erros individuais.  Colectivamente já se vai percebendo alguma identidade na equipa. E com o tempo só pode melhorar. 
Para este tipo de futebol é imprescindível ter um matador na frente. Ele existe. Ele vai provavelmente deixar de existir em Julho.  Espero que Mourinho fique e seja salvaguardada a substituição do grego.
Gostei muito da estreia de Sidny. Confesso que não conhecia, e impressionou desde logo pela confiança com que entrou, assumiu bolas paradas, e teve duas excelentes arrancadas, culminando uma delas no golo da tranquilidade. Não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão. Sidny aproveitou em pleno, e mostrou ser opção credível para esta equipa.
Uma palavra final para os aplausos a Pizzi. É bonito ver as bancadas respeitarem um jogador que tanto deu ao Benfica, que foi quatro vezes campeão na Luz, que marcou dezenas de golos e bem merece ser assim recebido. Era um daqueles casos de ódio nas redes sociais. Mas como temos visto, as redes sociais, no Benfica,  valem o que valem - que é pouco ou nada, e ainda bem. Assim fosse noutras áreas da nossa vida colectiva. 

NERVINHOS


Ponham-no a fazer chichi...

ENQUANTO HOUVER VIDA...

 ...dar tudo em campo e nas bancadas.
Onze para o Estoril: Trubin, Dedic,  Tomás Araújo, Otamendi, Dahl, Enzo, Rios, Aursnes, Barreiro, Sudakov e Pavlidis.

PS: para chegar ao título será preciso que o FCP quebre (e o seu treinador tem um passado que deixa alguma esperança quanto a isso).
Mas para alcançar o 2°lugar (e o acesso à próxima Champions), para vencer a Taça da Liga, para vencer a Taça de Portugal e para passar à fase seguinte desta Champions, o Benfica só depende de si próprio. O mercado está aberto e permite fazer alguns ajustes. Haja ânimo. A época está longe de terminar.

PS2: Hjullmand continua inimputável. Reclama por tudo e por nada, manda no jogo e no árbitro, e mesmo tendo levado um amarelo, continuou a fazer e dizer tudo o que lhe apeteceu, com total impunidade. Para a arbitragem portuguesa há jogadores de primeira e de segunda. Rios não pode tocar em nada nem em ninguém.  Este sueco, ou lá o que é, pode fazer tudo. 

LINDO DE SE VER




EM 2025:

Para 2026 queremos mais. Assim nos deixem.

DOZE PASSAS, DOZE DESEJOS PARA 2026

1- quando um jogador pisar a cabeça de outro, seja expulso;

2- quando um jogador tropeçar no ombro de outro, não seja assinalado penálti;

3- quando um jogador for agarrado na área do Sporting, seja assinalado penálti;

4- quando a bola bater no peito do António Silva, não seja assinalado penálti;

5- quando o Benfica marcar um golo limpo, o golo seja validado;

6- que Richard Rios tenha para si o mesmo critério arbitral que tem Hjullmand;

7- quando um jogador rematar por cima da barra não seja assinalado canto;

8- que as nomeações de árbitros não sejam provocatórias e insultuosas;

9- que as linhas de fora de jogo sejam colocadas com critério, e que a Sportv mostre as repetições dos lances de dúvida;

10- que o VAR não demore 14 minutos para descortinar uma falta que não existe;

11- que os benfiquistas apoiem a equipa;

12- que haja saúde.