PÉROLAS A PORCOS

Tal como está, a centralização de direitos televisivos consiste em roubar dinheiro das carteiras de quem verdadeiramente vê e gosta de futebol (adeptos de Benfica, Sporting e Porto), e entregá-lo a investidores estrangeiros fantasma, de SAD's fantasma, com fundos sabe Deus de onde - cujo lugar era na segunda divisão, ou mesmo, em alguns casos, no lixo.
Até poderia apoiar este processo se o mesmo trouxesse, com ele, uma redução drástica do número de clubes na Liga. Por mim seriam apenas oito (eventualmente a quatro voltas), ou, no máximo, dez. E com fortes imposições em termos de qualidade dos recintos desportivos, evitando imagens que me envergonham enquanto português. Em Portugal apenas existem Benfica, Sporting, Porto, Braga, Guimarães e mais dois ou três esforçados (Gil Vicente? Famalicão? Marítimo?). Os outros servem apenas para preencher grelhas televisivas, e nada dão ao futebol português. Pelo contrário, nivelam o campeonato por baixo. Nem sequer dão emprego a jovens jogadores portugueses, antes a um carrocel de estrangeiros de qualidade medíocre, cujas transferências também apenas servem para encher mais alguns bolsos. E quanto a árbitros, é melhor nem falarmos.
A quem interessa um Casa Pia-Arouca? Ou um Estrela da Amadora-Alverca? Ou um Moreirense-Rio Ave? Qual a audiência desses jogos? Quantos adeptos congregam? Porque existem numa primeira divisão? Que direito têm de estar aí? Com que dinheiro se financiam? Em que é que beneficiam o futebol português? Porque diabo têm de ser ajudados com receitas que não geram?
Equilibrar o quê? Encher chouriços com entidades fantasma? Encher-lhes os bolsos para fingirem que são clubes a sério?
Solidariedade é com pessoas, não com clubes de futebol, e muito menos com inexistências sociais e desportivas.
Portugal tem tantas equipas no escalão principal como a Alemanha. Aliás, é até embaraçoso olhar para a segunda divisão alemã . E para além do desequilíbrio de massa crítica, força social e mediática, há também um gigantesco fosso geográfico, com os clubes dos distritos de Lisboa, Porto e Braga a dominarem 72% do campeonato, e treze dos dezoito distritos (também 72%) sem qualquer representação. Não existe, por exemplo, qualquer clube a sul do rio Tejo. E apenas um em todo o interior. Compare-se com Espanha, com França, com a Alamanha, com Inglaterra, com qualquer país.
Acresce que emblema históricos, com sócios e adeptos, com tradição, com palmarés, como Belenenses, Boavista, Académica, Beira-Mar ou Vitória de Setúbal, cairam nas divisões secundárias sem apelo nem agravo, sem qualquer auxílio, sem qualquer repartição de receitas, fruto de todo um modelo de negócio equivocado à partida.
Este profundo desequilíbrio não parece perturbar ninguém. Com estes assuntos a FPF nada se preocupa.  Apenas com as aparições bem penteadas de Pedro Proença em todo o lado, e com o dinheiro que Cristiano Ronaldo vai fazendo entrar nos cofres da cidade do futebol. A Liga de Clubes é autorregulada, e como os perus não votam a favor do Natal, dali não podemos esperar nada.
E estamos nisto, a caminhar para o abismo. A nivelar o futebol português por baixo. A tirar dnheiro dos adeptos para o dar a paraquedistas.A prejudicar o desempemho luso nas provas da UEFA.
E o Benfica no meio desta situaçãao? Sozinho não pode fazer nada. Gritar de nada serve. Com este Sporting também não pode (nem deve) contar. E o tempo para procurar consensos com FC Porto, Braga ou Guimarães também já parece ter passado. Sinceramente, não vejo qualquer saída.
A minha última esperança é o poder político abrir os olhos para o que está a ser cozinhado, e impôr-se a este bando de vigaristas, a esta repugnante nuvem de obscuridade.

9 comentários:

Anónimo disse...

Tiro completamente ao lado, LF. Quem mais ganha com a centralização é o Sporting e o Porto: encontraram um meio “legal” para chegar mais perto do Benfica.

Alguém pode explicar como, depois de haver a tal negociação centralizada, que vai gerar o tal bolo maior, se segue uma “chave de repartição “ em que o principal fator de distribuição (depois de retirada a parcela igual para todos), não é as audiências dos jogos?

Ou seja, deveria receber mais quem mais contribui para o valor dos direitos, ou não?

Contribui mais para o valor dos direitos quem tem mais audiências, ou não?

Estamos a ser roubados e é por isso que tentam, por todos os meios, dividir os benfiquistas.

Anónimo disse...

Estou de acordo com o seu comentário. Eu sou sócio do Benfica, não do Arouca.

É uma goleada!

Anónimo disse...

Tudo muito bem na sua análise, Luís Fialho.

Até ao parágrafo final.
Nada fazer? Também já não rema contra a maré? Já ficou assim tão hipnotizado.
Alianças com o Porto? Escrito pelo autor do famoso (e excelente) “20 anos de mentiras, de A a Z”?

Que lhe aconteceu, Luís?

Lutar, sempre. Gritar, enquanto a voz nos dói!

A centralização e uma decisão executiva. Do Governo.
O Benfica é o maior clube de Portugal. Com mais sócios e mais adeptos.
O que o Goverrno decidiu, por decreto, foi prejudicar o Benfica.
Foi um Governo do PS? Melhor ainda…

Mas então o que nos custa dizer isto mesmo, tintim por tintim, aos Benfiquistas todos? Porque não fala (nem precisa gritar) o Presidente do Benfica, aos Benfiquistas, que o Governo está a prejudicar o Benfica?

E que o Benfica não aceita ser prejudicado.
E que se o Governo prejudica o Benfica… então há que mudar o Governo!

Que custa dizer isto? Que errado tem isto? Porque não se diz isto? De quem tem medo, Rui Costa? Que teme Rui Costa?

Que sejamos prejudicados com a centralização?! Mais?!?
Que sejamos prejudicados pelas arbitragens?! Mais?!!
Que o Ministério Publico invente processos contra o Benfica?! Mais?!

A Direção atual do Benfica, por inépcia e inércia, deixou a coisa chegar ao péssimo estado a que chegou.
Todo o novelo de apoio institucional, a Proença na Liga e depois na FPF, à direção da Liga, mais todo o desaparecimento do Benfica do mercado de transferências nacional… tudo deu nisto.
Não foi obra do acaso. Nada fizeram. Falharam.

Vão a tempo de mudar? Não sei.
Mas vão sempre a tempo de lutar. De cair de pé. De mostrar coragem. De ser dignos do nosso passado, do nosso lema, do nosso símbolo.
O silêncio é cobarde.

Arregimentem is Benfiquistas. Sejam os líderes que você, Luís, alvitra que são. Mostrem coragem, porra.

Anónimo disse...

Eu acho que devemos lutar para ter mais dinheiro para comprar lukebakios sudakoves Cabrais trubinas Rafas etc etc etc

Anónimo disse...

Eu acho que devemos lutar para ter mais dinheiro para comprar lukebakios sudakoves Cabrais trubinas Rafas etc etc etc

Anónimo disse...

O texto estava mais ou menos bem até ao penúltimo paragrafo. Depois entrou o Fialho fatalista, imobilista, apologista de quem deixou andar 5 anos sem tugir nem mugir.

O Benfica não pode fazer nada? Podia para começar ter continuado a ir às reuniões da Liga Centralização. Mas podia muito mais: podia ter usado a sua implantação social para pressionar o poder político, fazer lobbying (Benfica vale votos), encomendar estudos para desmontar as fantasias do Proença, apresentar modelos alternativos para lançar para cima da mesa, propôr modelos alternativos para a comercialização dos direitos no estrangeiro que interessassem mais ao Porto e ao Sporting, podia tentado estabelecer pontes com os outros grandes (aí se calhar difícil, porque são beneficiados) ou até ter tentado uma aliança com os clubes médios para reduzir as equipas na Liga, podia ter tentado atrasar o processo por via judicial e usar isso como arma negocial, enfim, podia ter feito uma data de coisas, mas agora realmente já vai tarde.

Essa ideia de que não havia nada a fazer só serve mesmo para quem não fez nada alijar responsabilidades.

Anónimo disse...

Os 65% são resignados.

Pensamento crítico dá muito trabalho.

Anónimo disse...

Trabalhar dá muito trabalho. É mais fácil a culpa ser sempre dos árbitros, do sistema, dos políticos, etc.

Tudo menos assumirmos responsabilidade pelo que nos acontece. Isso é que não!

Anónimo disse...

Para isso pede-se emprestado ou aumenta-se o Red Pass. Não vale a pena a malta chatear-se com coisas complicadas.