RIDÍCULO


É muito triste ver alguém em bicos de pés. E o culto da personalidade na FPF está a atingir níveis norte-coreanos.
Proença aparece em todo o lado, a propósito de tudo e de nada. Raro é o espaço entre programas do canal 11 onde não o vemos, ao abrir o site da federação lá está ele quase sempre. Mas vê-lo colocar-se ao lado de Cristiano Ronaldo ultrapassa todos os exageros.
Não sou fã do jogador, mas, caramba, é uma figura incontornável do futebol português e mundial. É normal que a FPF explore a sua imagem (pô-lo a jogar, aos 40 anos, é outra coisa). Não é normal que alguém figure a seu lado. Muito menos este ex árbitro medíocre que fez carreira nacional e internacional à custa de favores aos poderes então instalados.
A imagem é repugnante. De alguém que não tem noção da sua insignificância. De alguém que se julga muito mais do que é - sendo que o que é já é muito mais do que merecia ser.
Um bom árbitro para a UEFA e para a FIFA tem de cumprir três requisitos: apresentar boa forma física,  falar bem inglês e conseguir manipular resultados sem dar muito nas vistas. A meu ver, Proença falhou demasiadas vezes na terceira condição: dava demasiado nas vistas.
Tanto como árbitro como agora enquanto dirigente.

VISTO ASSIM, ATÉ PARECE QUE...


 

MISSÃO CUMPRIDA

Sem Dedic, Otamendi,  António Silva e Aursnes, obrigado a adaptações no eixo da defesa, frente a um adversário com bons jogadores e com um novo treinador, a missão do Benfica nesta partida não era fácil. 
O golo de Prestianni, após um precioso roubo de bola de Rios, desbloqueou o jogo. Mas ainda assim, no resto da primeira parte, pouco mais se viu. Um Benfica desinspirado e um Vitória incapaz foram arrastando os minutos até ao intervalo.
Na segunda parte, novo roubo de bola e nova assistência de Rios, desta vez para finalização de Pavlidis (regressando assim aos golos), praticamente fechou o resultado. Haveria ainda tempo para um auto-golo, para várias substituições, e um ou outro momento de futebol. Ficou 3-0.
Globalmente não foi um grande jogo, mas teve um bom resultado.  E, mais golo menos golo, a vitória encarnada nunca esteve em causa.
Destaque para Richard Rios, que criou os dois primeiros golos, tendo assim papel preponderante na vitória do Benfica.

UM ONZE DIFÍCIL

Com muitas ausências, terá de ser algo com isto: Trubin, Bah, Tomás, Gonçalo Oliveira, Dahl, Enzo, Barreiro, Lukebakio, Schjelderup, Pavlidis, Ivanovic.

HOJE É DIA DE FESTA

Cumprem-se hoje precisamente vinte anos desde o dia do nascimento deste espaço. 
Foi a 20 de Março de 2006, ainda sem smartphones, no auge da blogosfera, e na sequência de trocas de mensagens com amigos, que entendi ser hora de partilhar as minhas opiniões com mais gente. 
Num primeiro momento, a ideia era um blogue sobre futebol em sentido lato. Com o tempo, acabou por se tornar num espaço quase exclusivamente de benfiquismo.
Começou em modo clandestino, frequentado por três ou quatro amigos. Deu um grande salto em Abril de 2008, com a publicação de "Vinte anos de Mentiras de A a Z", que foi na altura uma bomba com quase 300 comentários em pouco tempo. Confesso que, quando escrevi o texto, não tive a mínima noção do impacto que ia causar.
Esse momento popularizou o blogue, que foi citado, entre outros sítios, no "Record" e na "RTP", e poucos meses depois originaria um primeiro convite para um programa da Benfica TV, e, ainda que indirectamente, também o convite para o jornal "O Benfica". No reverso da medalha, também algumas ameaças que apenas serviram para me dar maior resistência.
Em 2012, motivos de natureza pessoal obrigaram-me a limitar o conteúdo aos artigos que publicava no jornal e pouco mais. Muitos leitores afastaram-se irremediavelmente, algo que lamento mas não foi possível evitar. Em finais de 2016 o blogue voltou de algum modo à normalidade, e assim prosseguiu até às últimas eleicções do Benfica - com a pandemia e as suas vicissitudes pelo meio.
O apoio declarado a Rui Costa, em sintonia com a maioria dos benfiquistas, mas em contramão com grande parte do espaço cibernauta, por se tornar um assunto demasiado polarizado e polarizador, deu um impulso enorme às audiências - algo, garanto, muito longe de ser deliberado
Desde o último Verão, quebraram-se sucessivos records, e não deixa de ser gratificante comemorar os vinte anos com as audiências a um nível nunca verificado desde que o Blogger as regista (coisa que acontece só desde de 2011). Embora acredite que essas audiências são fruto mais da clivagem de opiniões, que de uma maior qualidade dos conteúdos. Não tenho a certeza de escrever melhor do que em 2006. Nem de ser mais clarividente. Mais experiente sim, sem dúvida. Talvez mais desencantado também.
Muitos questionam o porquê de nunca ter passado a habitar outras plataformas, designadamente Instagram e/ou Facebook e/ou X. Na verdade, tenho algumas tendências anarco-primitivistas, e gosto de andar atrás (e não à frente, nem ao lado) da tecnologia. Mas as verdadeiras razões prendem-se com falta de tempo (a minha vida não é isto), e com o facto de esta actividade, além de unipessoal, ser estritamente amadora. Também por achar que o prazer que retiro de escrever não seria maior, nem diria mais nada do que posso dizer aqui. Talvez um dia possa acontecer. Agora não. 
Em dia de festa, agradeço a todos os leitores e comentadores. São vocês que dão vida a este espaço. É também por vocês, e para vocês, que me dou a este trabalho. Mesmo quando não concordam comigo.
Espero que continuem a aparecer por aqui. Não prometo mais vinte, mas...
Um Forte Abraço. E Muito Obrigado!

DESCANSE EM PAZ

Um guarda-redes que disputou duas finais da Taça dos Campeões Europeus pelo Benfica (e nesses dois jogos apenas sofreu um golo), merece lugar na história do clube. Silvino terá pago o elevado preço de suceder a Manuel Bento, por lesão deste, e talvez por isso nunca lhe tenha sido dado o valor que merecia. Parte cedo demais, aos 67 anos. Paz à sua Alma!
Fica a minha homenagem, com fotos das equipas dessas duas finais (1988 e 1990). Apesar de disputadas com apenas dois anos de distância, para além de Silvino, só Pacheco (infelizmente também já desaparecido) e Magnusson repetiram presença no onze inicial.

TODOS OS DÉRBIS

Temos, pois, no total, até ao momento, nesta época desportiva: 46 vitórias, 9 empates e 31 derrotas diante do Sporting.
No próximo fim-de-semana há dérbis em Basquetebol (Juniores Masculinos, Juniores Femininos e Iniciados Femininos), Andebol (Juvenis Femininos) e Voleibol (Iniciados Masculinos e Juniores Femininos).
Deixo ainda o quadro comparativo dos últimos anos:

PONTO DE SITUAÇÃO - modalidades

HÓQUEI EM PATINS MASCULINO:
CAMPEONATO: Em 1º na fase regular a 5 jornadas do fim com 14 pontos de vantagem sobre o 2º classificado (Sporting)
TAÇA DE PORTUGAL: Apurado para a final-four (já eliminou o FC Porto no Dragão Caixa)
ELITE CUP: Vencedor (4-2 ao Sporting na final)
TORNEIO DE ABERTURA: Vencedor (9-0 ao Alenquer na final)
LIGA DOS CAMPEÕES: Em 1º do grupo com 10 pontos de vantagem sobre o Liceo e 11 sobre o Sporting. Já apurado para a final-eight
JOGOS: 38 vitórias, 3 empates, 0 derrotas

HÓQUEI EM PATINS FEMININO:
CAMPEONATO: Em 1º da segunda fase, após 3 vitórias em 3 jogos. Na primeira fase 14 vitórias em 14 jogos
TAÇA DE PORTUGAL: Apurado para a final-four
SUPERTAÇA: Vencedor (3-1 à Sanjoanense)
ELITE CUP: Vencedor (2-1 à Sanjoanense na final)
TORNEIO DE ABERTURA: Vencedor (2-0 ao Stuart Massamá  na final)
LIGA DOS CAMPEÕES: Apurado para a final-four
JOGOS: 32 vitórias, 2 empates, 0 derrotas

BASQUETEBOL MASCULINO:
CAMPEONATO: Em 1º na fase regular a 6 jornadas do fim com 2 pontos de vantagem sobre o 2º classificado (Sporting)
TAÇA DE PORTUGAL:Eliminado pelo SC Braga nos oitavos-de-final (81-82)
TAÇA DA LIGA: Em 1º do grupo com 4 vitórias em 4 jogos. Apurado para a fase seguinte
SUPERTAÇA: Vencedor (91-65 ao FC Porto)
LIGA DOS CAMPEÕES: Eliminado na fase de grupos
JOGOS: 21 vitórias, 7 derrotas

BASQUETEBOL FEMININO:
CAMPEONATO: Em 2º da fase regular, a 1 jornada do fim, a 2 pontos do Quinta dos Lombos
TAÇA DE PORTUGAL: Apurado para as meias-finais (vai defrontar o Esgueira)
TAÇA DA LIGA: Vencedor (86-85 ao Quinta dos Lombos na final)
SUPERTAÇA: Perdeu com o Quinta dos Lombos na final (55-67)
LIGA EUROPA: Eliminado na fase de grupos
JOGOS: 21 vitórias, 11 derrotas

FUTSAL MASCULINO:
CAMPEONATO: Em 1º da fase regular a 5 jornadas do fim com 6 pontos de vantagem sobre o 2º classificado (Sporting)
TAÇA DE PORTUGAL: Apurado para os oitavos-de-final (vai defrontar o Torreense)
TAÇA DA LIGA: Vencedor (7-1 ao Eléctrico na final)
SUPERTAÇA: Perdeu com o Sporting (1-6)
LIGA DOS CAMPEÕES: Eliminado pelo Sporting nos quartos-de-final (4-3 e 4-7)
JOGOS: 27 vitórias, 1 empate, 2 derrotas (ambas com o Sporting)

FUTSAL FEMININO:
CAMPEONATO: Ficou em 1º da fase regular com 3 pontos de avanço sobre o Nun'Álvares. Vai defrontar o Novasemente nos quartos-de-final do playoff
TAÇA DE PORTUGAL: Apurado para a final-four
TAÇA DA LIGA: Perdeu com o Nun'Álvares na final, no desempate por penáltis
SUPERTAÇA: Perdeu com o Nun'Álvares (2-3)
JOGOS: 22 vitórias, 1 empates, 2 derrotas (ambas com o Nun'Álvares)

ANDEBOL MASCULINO:
CAMPEONATO: Vai começar a fase final, com 4 equipas e 6 jornadas. Parte em 3º lugar a 4 pontos do 1º classificado (Sporting). 
TAÇA DE PORTUGAL: Apurado para os quartos-de-final (vai defrontar o Póvoa)
LIGA EUROPA: Eliminado na 2ª fase de grupos
JOGOS: 23 vitórias, 3 empates, 8 derrotas

ANDEBOL FEMININO: 
CAMPEONATO: Comçou com 1 vitória a fase final, com 5 equipas e 10 jornadas. Segue em 1º com 3 pontos de vantagem sobre o 2º classificado (Madeira Sad)
TAÇA DE PORTUGAL:Apurado para os quartos-de-final (vai defrontar o São Pedro do Sul)
SUPERTAÇA: Vencedor (26-18 ao Madeira Sad na final)
LIGA EUROPA: Eliminado pelo Savehof na pré-eliminatória (28-29 e 27-29)
JOGOS: 21 vitórias, 0 empates, 3 derrotas (duas delas na prova europeia)

VOLEIBOL MASCULINO:
CAMPEONATO: Ficou em 2º na fase regular a 3 pontos do Sporting. Vai defrontar o SC Espinho nos quartos-de-final do playoff
TAÇA DE PORTUGAL: Perdeu com o Sporting na final (2-3)
SUPERTAÇA: Perdeu com o Sporting (1-3)
TAÇA CHALLENGE: Eliminado nos oitavos-de-final pelo Izmir no golden set
JOGOS: 27 vitórias, 6 derrotas (4 delas com o Sporting, 2 na Europa)

VOLEIBOL FEMININO:
CAMPEONATO: Ficou em 4º lugar na fase regular atrás de FC Porto, SC Braga e Sporting. Vai defrontar o Leixões nos quartos-de-final do playoff
TAÇA DE PORTUGAL: Eliminado pelo SC Braga nos quartos-de-final (1-3)
SUPERTAÇA: Vencedor (3-0 ao Sporting)
LIGA DOS CAMPEÕES: Eliminado na fase de grupos
JOGOS: 23 vitórias, 12 derrotas

TOTAL ABSOLUTO:
JOGOS: 316
VITÓRIAS: 255 (81%)
EMPATES: 10 (3%)
DERROTAS: 51 (16%)
TROFÉUS EM DISPUTA: 45
TROFÉUS CONQUISTADOS: 10
TROFÉUS PERDIDOS: 15
TROFÉUS PENDENTES: 20
SÓ COMPETIÇÕES NACIONAIS:
JOGOS: 244
VITÓRIAS: 213 (87%)
EMPATES: 7 (3%)
DERROTAS: 24 (10%)
TROFÉUS EM DISPUTA: 34
TROFÉUS CONQUISTADOS: 8
TROFÉUS PERDIDOS: 8
TROFÉUS PENDENTES: 18

BOA, MIÚDOS!

Vencendo o Inter, em Milão, por 2-3, o Benfica assegurou a presença na Final Four da UEFA Youth League - prova que venceu em 2022. Coletta, Tiago Freitas e Francisco Silva marcaram os golos.
O adversário da Meia-Final, dia 17 de Abril, será o Club Brugge, que ganhou em Madrid, ao Atlético, por 0-4, e que, tal como os encarnados, leva oito vitórias em nove jogos (não será um passeio...). Também em Madrid, o Sporting perdeu com o Real (2-1) e foi afastado. Real e PSG disputarão o outro lugar na Final. - que se disputa dia 20 de Abril em Lausanne.
HISTÓRICO DO BENFICA NA PROVA:
Até agora, em 98 jogos, 57 vitórias, 21 empates e 20 derrotas. Se o Benfica chegar à final, fará então o seu 100º jogo na prova. E que bonito seria assinalá-lo com o título...

Gonçalo Moreira e Francisco Silva estão em competição, e podem subir nesta lista.

PALMARÉS GLOBAL:
Se o Benfica chegar à final, passará a ser, de forma isolada, o clube com mais finais disputadas na prova. Se a vencer, igualará o Chelsea com dois triunfos, ficando apenas atrás do Barcelona que tem três.

Recordemos também as equipas-base das quatro finais disputadas pelo Benfica:
Sublinhem-se os nomes de Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Ruben Dias, Florentino Luís, João Félix, Tomás Araújo, Gonçalo Ramos, António Silva e João Neves.
O FC Porto também venceu, em 2019, numa equipa onde actuavam, entre outros, Diogo Costa, Vitinha, Fábio Vieira, João Mário e Fábio Silva.
Em 2026, o onze de gala dos encarnados na Suíça poderá ser: Diogo Ferreira, Daniel Banjaqui, João Fonseca, Gonçalo Oliveira, José Neto, Rafael Quintas, Tiago Freitas, Miguel Figueiredo, Federico Coletta, Gonçalo Moreira e Anísio Cabral.

DIFERENÇAS

Presenças em Quartos-de-Final da principal prova de cllubes da UEFA:
BENFICA.....20 (1961, 1962, 1963, 1965, 1966, 1968, 1969, 1972, 1976, 1978, 1984, 1988, 1990, 1992, 1995, 2006, 2012, 2016, 2022 e 2023)
FC Porto.......11 (1987, 1991, 1993, 1994, 1997, 2000, 2004, 2009, 2015, 2019 e 2021)
Sporting.........2 (1983 e 2026)

A CULPA É DO RUI COSTA

O Sporting, que já foi o de Bettencourt, que já foi o de Godinho Lopes, com o #varandasout chegou aos quartos-de-final da Champions, algo que só acontecera uma vez, em... 1983.
Mais do que os cinco golos, sublinharia a gestão de compêndio da segunda parte do prolongamento. Uma equipa, para além de outras coisas, com uma maturidade impressionante. Com toda a sabedoria para gerir as circunstâncias do jogo. Sem erros. Sem precipitações. Cheia de confiança e mais não sei quê - mesmo não sendo o Bodo-Glimt aquilo que alguma comunicação social quis fazer dele.
Seja lá pelo que for, nestes três anos temos visto o Sporting mais forte desde os "Violinos" (dentro e fora do campo). E por outro lado, se eu aposto que não vão ganhar a prova, já não poria um cêntimo quanto ao Porto de Farioli na Liga Europa.
É este o contexto. Quem quiser ignorá-lo não percebe nada de nada.
Infelizmente, há quem ache que existe uma lei qualquer que obriga o Benfica a ganhar sempre a toda a gente. Mesmo quando, circunstancialmente, se depara com um contexto histórico sem paralelo. Quando, no passado, houve um Sporting desafiante, não havia Porto. Depois, durante décadas, não houve Sporting. Agora...
Ao Benfica só resta um caminho: trabalhar muito para crescer, para fazer crescer a sua jovem equipa. E era bom que todos os adeptos ajudassem nesse processo.
PS: queria ainda, com desportivismo, deixar os parabéns aos meus amigos sportinguistas. Alguns deles bem mereciam esta noite. O post é sobre o Benfica, não sobre o Sporting que pode e deve festejar a sua noite.

OU HÁ SILÊNCIO, OU COMEM TODOS

Por mim, o silêncio de jogadores e técnicos durava até ao fim da época, e podia mesmo prolongar-se nas próximas. Aliás, com uma variante: falavam quando queriam (e só José Mourinho).
As declarações depois, e sobretudo antes, dos jogos, não têm interesse nenhum. Apenas servem para encher grelhas televisivas, ou fazer tiro ao alvo para criar folclore.
Além disso,  a comunicação social, como a arbitragem,  como a disciplina e a justiça do futebol, são hoje às riscas verdes. Há uma sobrerepresentação de sportinguismo nos media, que não corresponde à dimensão popular e social dos clubes. Depois, o Benfica é que vende. E quando está mal ainda vende mais. Isso faz das conferências de imprensa uma tourada. Bruno Lage, sem o estatuto e a estaleca de Mourinho, foi um alvo sistemático. Mas nem o "Special One" consegue lidar com tamanha hostilidade.
Por isso eu deixo uma proposta: o treinador só voltaria a sentar-se na sala de imprensa quando aqueles que decidem tantos jogos, os árbitros, também o fizessem. Ou há circo para todos, ou não há palhaço para ninguém. 

NOS LIMITES

Muita gente já estaria com o dedo preparado para esmagar os teclados. A verdade é que Ivanovic resolveu um jogo extremamente difícil, que começou mal, e a dada altura parecia ir permanecer assim até ao fim. Coisa que, diga-se, podia ter acontecido.
Estas vitórias acabam por ser bastante saborosas. Não devem porém iludir um padrão que se verificou ao longo da temporada, e foi razão para o Benfica se ver na situação em que está. Oito pontos perdidos com Santa Clara, Rio Ave, Casa Pia e Tondela. Triunfos demasiado sofridos na Choupana e em Arouca. Em suma, uma enorme dificuldade em lidar com blocos baixos, que passa por debilidades no jogo aéreo, e por médios e extremos pouco dados ao golo. Mas terá também uma componente mental: nos jogos com o Real Madrid viu-se uma equipa sempre intensa e concentrada - que, a espaços, também apareceu nos "Clássicos". Neste tipo de partidas comuns de campeonato, por motivos que desconheço, entra em campo a passividade, a sobranceria e a lentidão. Além de falhas de concentração absolutamente inadmissíveis. 
É preciso perceber porquê, e evitar partir para a próxima época com os mesmos problemas. 
Sabe-se também a falta que faz Aursnes. Acresce que, na frente, Pavlidis é uma sombra do jogador que já mostrou ser. Desde aquele falhanço no jogo do Dragão, não mais se encontrou, e está a precisar urgentemente de banco. Até porque Ivanovic tem entrado bem, e teve esta noite em Arouca um dos seus momentos da temporada - que certamente o irá deixar mais confiante.
Rios, apesar do golo, Rafa, que tarda em mostrar o futebol que sabemos ter, e Tomás Araújo, com pouca agressividade, Trubin com mais uma defesa para a frente, também merecem nota negativa. A primeira parte foi, aliás, toda ela medonha.
Na segunda parte a equipa entrou melhor, mas pecou sistematicamente no último passe ou na finalização. Na área apenas um semipavlidis. Fora dela, Lukebakio e Schjelderup iam insistindo, mas foram perdendo fulgor.
O golo parecia ter o condão de poder virar o jogo do avesso, mas à medida que tempo passava, confesso que comecei a temer mais um segundo golo do Arouca do que a esperar por uma tardia vitória do Benfica.
Ela apareceu quando já poucos acreditavam. Acreditou Ivanovic. Foi o suficientemente.
A arbitragem não teve nível. Acabou por não comprometer o resultado, mas deixou uma colecção de erros que não pode deixar de ser notada. Contei doze cartões, o que, face ao jogo que se viu, é manifestamente exagerado. António Silva e Dedic ficam fora da próxima jornada. Foram dados apenas seis minutos de compensação,  quando o jogo estava empatado. Após o golo do Benfica jogaram-se outros tantos, talvez para permitir o empate. Enfim, habilidades.
Venha agora alguma serenidade, venham mais vitórias, aconteçam elas como acontecerem. No fim fazem-se as contas.
Para amanhã estão agendadas três finais nas modalidades: Taça de Portugal de Voleibol, e Taças da Liga de Futsal Feminino e Masculino. E, quem sabe, no fim do dia o Moreirense prega uma partida no Dragão?

ONZE PARA AROUCA

Trubin, Dedic, Tomás,  António,  Dahl, Barreiro, Rios, Lukebakio, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.

O BENFICA (QUASE) TODO


Faltam ainda as modalidades individuais (Atletismo, Natação, Canoagem, Judo, etc), o Bilhar cuja fase de títulos ainda não começou, algumas fases preliminares das camadas de formação, e mais alguma coisa que, ainda assim, me passe ao lado.
Temos pois, neste quadro, 473 vitórias, 53 empates e 141 derrotas, na temporada desportiva.
Considerando apenas as equipas principais, masculinas e femininas, em termos de percentagem de vitórias o ranking, por modalidade, é o seguinte
Destaque para a impressionante campanha dos hóqueis: 66 vitórias, 6 empates, nenhuma derrota, e muita esperança em títulos nacionais...e europeus.

RANKING DA UEFA

 O Benfica é a única equipa no top 15 fora dos chamados "big-five".

AI SE FOSSE O BENFICA...

Mesmo tendo, nos últimos anos, ganhado categoricamente a Barcelona (que semanas depois deu 0-4 no Bernabéu), Real Madrid (que acaba de dar 3-0 no City), Atlético de Madrid, Bayern de Munique, Ajax (que semanas antes tinha dado 1-5 ao Amorim em Alvalade) e Juventus (que também eliminou o Sporting) nas provas internacionais, se o Benfica tivesse perdido hoje 3-0 na Noruega, o que diriam os pseudo-exigentes ciberbenfiquistas ou benfiquistas virtuais ou abenfiquistas ou neobenfiquistas tóxicos?
Se, no mesmo dia, a sua equipa feminina fosse eliminada da Taça da Liga pelo Valadares Gaia, e a de Futsal pelo Leões de Porto Salvo, só não havia manifestações à porta do Estádio da Luz porque esses pseudo-exigentes não são assim tantos, e quando uma vez convocaram uma manifestação (já não me lembro por que parvoíce) não apareceu ninguém.

GRANDES CLUBES, POUCOS CAMPEONATOS

Escolhi trinta clubes, entre as principais ligas da Europa e América do Sul, que têm ganhado pouco, ou nada. Podiam não constar alguns, podiam constar outros. O Benfica está naturalmente aí no meio, com um campeonato em sete (considerando que este está perdido), mas recordemos que o FC Porto também já não ganha há três anos. Na verdade, com excepção de M.City, Bayern, Barcelona, R.Madrid, PSG (por cá o Sporting) e mais uns quantos, poderíamos dizer que todos os restantes clubes estão em crise. Na verdade, em cada ano, em cada país, só pode vencer um. E normalmente há vários candidatos. Todos queriam ser dominadores. Todos tiveram fases brilhantes. Agora, ou não estão a conseguir, ou estão quase a conseguir mas ainda não conseguiram, ou têm conseguido poucas vezes. Em alguns casos, com investimentos estratoesféricos. 
É assim o futebol: uma competição entre clubes, uns contra os outros e não uma competição de clubes consigo próprios e/ou com a sua história.
Segue a lista, por ordem alfabética:
Com benevolência, podíamos também dizer que o Benfica ganhou seis dos últimos doze. O dobro de cada um dos seus rivais.

A FRIO

A perder desde os nove minutos, vi, como todos os benfiquistas, quase todo o jogo angustiado. E depois de mais de uma hora de dor de cabeça, a sensação final foi a de uma primeira parte horrível (ou mesmo 70 minutos horríveis), e de uma ponta final, essa sim, empolgante. A marcha do marcador a isso levou.
Revi o jogo hoje, na televisão. Normalmente só o faço em caso de grandes vitórias, para as saborear. Desta vez fui levado por mera curiosidade. Ora a primeira parte foi, afinal, muito mais equilibrada do que as emoções levaram a crer no momento. Ao intervalo o resultado era manifestamente exagerado. Houve falhas, nos lances dos golos, mas também bom futebol, intensidade, oportunidades e um Benfica quase sempre por cima da partida. Quem se der ao trabalho, e tiver a coragem, de voltar a ver o jogo, despido das emoções e das angustias do resultado, chegará certamente às mesmas conclusões. Até Mourinho mudaria de opinião. 
Em sentido contrário, mesmo na melhor fase do Benfica, os portistas podiam ter marcado, até mais de uma vez, e assim chegado à goleada. Seria extremamente injusto, mas podia ter acontecido.
É interessante perceber o contraste entre uma observação apaixonada e instintiva, e uma outra mais fria. Nem tudo é o que parece.
Em suma, um grande jogo, com um resultado justo, mas sem fragilidades acentuadas, nem amassos. Podia ter acabado 4-2 ou 2-4. E nesses casos todas as análises seriam diferentes. É assim o futebol. 
Numa coisa estará toda a gente de acordo: não foi neste "Clássico" que o Benfica perdeu o campeonato. 

PONTO FINAL

Era preciso vencer. O Benfica não venceu, e agora só a matemática o mantém na luta pelo primeiro lugar.
O jogo foi deprimente, para o Benfica, até aos 68 minutos. As ausências de Aursnes e Barreiro (dupla que esteve na melhor versão do Benfica desta temporada) custaram muito caro, Trubin ofereceu um golo, e os ataques, num padrão que se tem repetido, circulavam entre a linha de fundo e os bicos das áreas, sem que alguém procurasse o golo com a determinação necessária para o conseguir. Pavlidis atravessa uma baixa de forma que se vai prolongando demasiado no tempo, não há outros bons finalizadores. O FC Porto defende bem, e é venenoso no contra-ataque. Vai ser naturalmente campeão. Não só, mas também por mérito próprio.
Durante dois terços da partida, a equipa encarnada viu serem-lhe esfregadas na cara todas as suas insuficiências físicas, técnicas e tácticas, face a um adversário mais maduro, mais intenso, mais coerente e mais concentrado. Os pontos pareciam entregues. 
A reacção final foi bastante digna. Os golos apareceram, e chegou a cheirar a reviravolta. Nem sempre com grande esclarecimento, mas com um coração tamanho do estádio. As últimas imagens são as que ficam, e o empate, dadas as circunstâncias, acabou por ser um mal menor. Não na luta pelo título (essa, creio, acabou hoje) mas para um segundo lugar face ao qual o Benfica continua a depender de si próprio.  Continua também invicto. Não é particularmente importante, mas já agora era engraçado levar essa imbatibilidade até ao fim.
Seria diferente empatar 0-0. Para a classificação era igual, mas para o meu estado de espírito, e certamente o de muitos adeptos, recuperar de 0-2 para salvar um empate, frente a um rival, é um pouco diferente. 
Gostei das entradas de Barreiro, Lukebakio e Ivanovic. Não gostei de Enzo, Rios, Rafa, Pavlidis, Otamendi e Trubin.
Fiquei com muitas dúvidas sobre o lance entre Diogo Costa e Pavlidis nos instantes finais. Tenho a sensação que se fosse ao contrário, João Pinheiro seria chamado ao VAR. Pelo menos, era mais falta do que o penálti do FC Porto frente ao Arouca. Mas essa tem sido também a história desta temporada. 
Independentemente de tudo, não foi nos Clássicos que o Benfica perdeu o campeonato. E neste, em particular, o esforço dos jogadores merece aplauso.
PS: Vale o que vale, mas há 48 anos que o Benfica não passava dois campeonatos seguidos sem perder com o FC Porto.

DIA D

D de Dia. D de Domingo. D de Decisão. Esperemos que não de derrota...
Sabe-se que o Benfica não vai ganhar o campeonato neste jogo. Sabe-se, sim, que pode perdê-lo (basta não vencer o próprio jogo). No contexto a que se chegou (pelos mais diversos motivos, que agora não importa analisar), o "Clássico" de Domingo tornou-se absolutamente decisivo para a equipa de Mourinho.
Uma vitória deixará tudo em aberto para as restantes nove jornadas. Qualquer outro resultado limitará o Benfica à luta pelo segundo lugar.
Segue o meu onze: Trubin, Dedic, Tomás, Otamendi, Dahl, Enzo, Barreiro, Rios, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.

O HOMEM QUE NÃO TINHA JEITO PARA VIVER

Inegavelmente, um dos maiores vultos da literatura portuguesa contemporânea. Um homem difícil, angustiado, mas de uma densidade humana imensa. 
Julgo possuir toda a sua obra na minha biblioteca pessoal. Embora alguns livros tivessem ficado por ler, em eterna e longa lista de espera (poderá ser agora...), li os suficientes para conhecer e apreciar a sua prosa esteticamente brilhante, e de uma honestidade até aos limites mais absurdos. No fundo, todos os seus romances parecem o mesmo - um longo desabafo, mais ou menos ostensivo, sobre os seus próprios fantasmas (muitos deles adquiridos na guerra colonial, outros num contexto familiar em que se terá desviado dos padrões para os quais, na sua juventude, o empurravam).
Apesar de ele próprio desconsiderar as sua crónicas, creio tratar-se, porventura, do maior cronista português de sempre. Aconselho vivamente.
Na dicotomia Lobo Antunes-Saramago, sempre fui, confesso, mais saramaguiano. Nas artes e nas letras não é, porém, necessário ser exclusivo. Entre os escritores portugueses que, digamos, ainda apanhei vivos, se um deles era o número um, o outro seria o número dois. E ambos estão na mesma galeria intemporal de Pessoa, Camilo, Eça ou Camões. No meu paladar pessoal, acima de qualquer um desses.
Uma vez autografou-me um livro, na Feira de Lisboa. Terá demorado mais de dois minutos a fazê-lo, sem sequer olhar para mim, sem dizer uma palavra. Não tomei isso como uma atitude de antipatia. Sim como uma manifestação de quem tinha tanto a correr e a decorrer na sua própria cabeça que por vezes lhe escasseava o tempo para olhar o que ficava do lado de fora. O que tinha a dizer, o que tinha a mostrar - e era muito, e era tudo - fazia-o nos livros. Não tinha, como ele próprio dizia, jeito para viver.
Trago-o para aqui porque era, também, um grande benfiquista. Dos que, em tempos, ia ao estádio, sofria e vibrava com os jogos. Há algumas menções ao Benfica nos seus livros. E até praticou hóquei em patins com as cores do clube nas camadas jovens. Um exemplo, como Camus, como Galeano, como outros, de que a mais elevada intelectualidade pode conviver com a irracionalidade da paixão futebolística. Afinal de contas, a humanidade expressa-se em diferentes dimensões, que não se contrapõem - complementam-se.
Homens como António Lobo Antunes não morrem. 

SANGUE DE CAVALO

Vejo a meia-final da Taça de Portugal, e acho difícil ao Benfica, ou a qualquer equipa portuguesa (e não só), vencer estes dois. Ambos repletos de jogadores tecnicamente banais (com algumas excepções, naturalmente), mas todos eles com a frescura física de um pássaro, e com a agressividade competitiva de um boi. Certas caras, filmadas em grande plano durante o jogo, se as visse na rua mudava de passeio.
Já agora, com uma arbitragem em linha: valeu tudo menos tirar olhos. Nem na Libertadores. 
O resultado? Era o que menos me interessava. Foi decidido pelo futuro Bota de Outo - que agora já não é o sueco. Se venderem este, os sportinguistas não devem preocupar-se. No próximo ano vem outro bota de ouro qualquer. Deve ser da camisola...
Vou divertir-me a ver a segunda mão. Daqui a vários meses.

PRONTOS PARA O CLÁSSICO

Num grande jogo de futebol (nem parecia a liga portuguesa), no terreno daquela que é, quanto a mim, a quinta melhor equipa do campeonato, o Benfica conseguiu passar, e manter vivo o sonho do título. 
Não se esperavam facilidades. E assim foi: uma vitória arrancada a ferros, mas justa e, sobretudo,  muito importante. 
Na antecâmara de uma jornada que tem um Braga-Sporting e um Benfica-Porto, era absolutamente proíbido perder pontos. A exibição encarnada não foi deslumbrante, foi necessário vestir o fato-macaco, mas isso ficou a dever-se em grande parte à tenaz oposição do Gil Vicente. A equipa de César Peixoto, bem orientada e com excelentes executantes, tornou a vida difícil ao Benfica, jogou para ganhar (não para o pontinho), e discutiu o resultado até ao último fôlego. 
Não destacaria nenhuma individualidade. Mas não queria deixar de lamentar o momento de Pavlidis, que luta, tenta, mas vai-lhe saindo tudo mal, e já não esconde alguma ansiedade. Quem sabe mostra outra cara, a sua melhor cara, no "Clássico"? Há cerca de um ano fez um hat-trick ao FC Porto. Que seja um bom prenúncio. Já agora, com Aursnes em campo.

DECISÃO 1

Decisão 1: Barcelos. A decisão 2 será na Luz com o FC Porto.
Não se decide a vitória no campeonato. Pode decidir-se, sim, a perda do campeonato. 
Qualquer esperança que ainda subsista no título, passa necessariamente por vencer estes dois jogos. E, ainda assim, ficar a quatro pontos do primeiro lugar. Enfim, manter a esperança.
Dois jogos extremamente difíceis. Primeiro no campo da equipa revelação desta Liga, e depois um "Clássico" na Luz contra um FC Porto que praticamente não sofre golos e para quem um empate não é mau de todo.
Onze para o Minho: Trubin, Dedic, Tomás, Otamendi, Dahl, Aursnes, Rios, Barreiro, Rafa, Pavlidis e Schjelderup. A fórmula Madrid.