O JAMOR ESPERA POR NÓS

O Tirsense que me perdoe, mas podemos hoje afirmar que, em condições normais, o Benfica estará no Jamor - e, parafraseando o José Mourinho dos velhos tempos, em condições anormais, também.
O jogo valeu essencialmente pela primeira parte, em que os encarnados se apresentaram a alto nível. Rapidez, intensidade, confiança. Faltaram mais golos, a uma exibição que merecia menos sofrimento.
Na segunda parte o Braga reagiu. Também joga à bola, tem os mesmos pontos que o Porto no Campeonato, e tinha ambições de ganhar a Taça. O Benfica retraiu-se, mas ainda assim criou as melhores oportunidades, que foi desperdiçando, ora por Bruma, ora por Pavlidis, ora por Schjelderup. No fim, a vitória da melhor equipa não sofre contestação.
Confesso que não compreendi a saída de Tomás Araújo (tendo em conta que Carreras tinha amarelo, e havia outro lateral-esquerdo (e bom) em campo. Também preferia ter mantido Bruma e ter tirado Akturkoglu - que estava manifestamente mais desgastado e é opção na Champions. E teria metido logo Schjelderup e não Belotti, evitando partir demasiado um jogo que se estava a ganhar. Poderá haver razões que de fora desconhecemos, nomeadamente de ordem física. Se Lage pretendia fazer uma experiência, então, diante do Braga, e com margem tangencial, não era com certeza o momento mais adequado. Mas confio no treinador do Benfica, e tenho a certeza que não fez as substituições por capricho. Nem quero sobrevalorizar esse aspecto de um jogo em que, globalmente, a equipa esteve bem.
Individualmente destacaria Pavlidis. Não só pelo golo, mas pelo que trabalha para a equipa. Recordo-me de o ver, em sprint, recuperar uma bola no seu meio-campo. É um avançado completo, coisa de que nunca tive dúvidas. Precisa, como todos, de confiança. E, com ela, é um dos dois melhores pontas-de-lança da Liga. Está anos-luz acima de Arthur Cabral, Tengstedt ou Musa, com os quais o Benfica enfrentou a temporada passada. Aliás, também Belotti é melhor que qualquer um desses.
Destacaria ainda Bruma e Dahl. O primeiro não me surpreende - era o melhor jogador do Braga, e presumível jogador de selecção. Já o segundo está a ser uma agradável surpresa. Esperava um jovem imberbe a ser preparado para a sucessão a Carreras, aparece um jogador feito, com grande critério de movimentos e de passe, com capacidade técnica, e que permite que toda a equipa possa jogar de forma diferente. A sua afirmação (e a cada momento que passa ganha pontos quanto à titularidade) faz lembrar a de Aursnes, também nórdico, também versátil, também pouco conhecido, e que pegou de estaca na equipa, sendo hoje, indubitavelmente, uma das suas figuras. E já que falo de Aursnes, aproveito para dizer que, ao contrário de toda a gente, sempre gostei de o ver a lateral-direito. Aliás, gosto de o ver em quase todas as posições onde já actuou.
O Benfica pode ter conquistado esta temporada no mercado de Inverno. Face às inúmeras lesões que afectam, sobretudo, os dois primeiros classificados, o rival de Alvalade, praticamente sem se reforçar, ficou exposto a problemas gritantes na construção do seu onze. O Benfica, com um investimento moderado, reforçou verdadeiramente o plantel. No fim se verá, mas se a equipa de Bruno Lage vier a ser campeã (como espero e desejo), estou certo de que o mercado de Inverno vai ser lembrado. A quem tanto critica a Direcção por tudo e por nada, eis um momento em que trabalhou bastante bem - independentemente daquilo que venha a acontecer até final da época.
Agora, finalmente uma semana inteira para preparar o próximo jogo. E que jogo...

1 comentário:

joão carlos disse...

mais uma vez, como no anterior jogo, foi um festival do desperdício e suspeito muito que os bonecos no seixal sejam de origem checa só assim se percebe o tiro ao boneco neste dois jogos.

é incrível como é que o pavlidis continua a fazer o mais difícil e depois a falhar escandalosamente o mais fácil.

para somar ao desperdício, que já vem do jogo anterior, o nosso treinador ainda quis tornar as coisas mais difícil e toca de meter dois pontas de lança tão ao gosto dos especialista da bola, conclusão no perigo em que estiveram os dois em campo nem um remate fizemos.
pior do que ser por capricho, que de certeza não foi, é ter sido por falta de inteligência.

depois lá emendou a mão mas como só estão disponíveis jogadores que com bola são poucos inteligentes lá tivemos um festival de más decisões e um desaproveitar de superioridades numérica, mas mais uma vez os especialista da bola gostam é destes jogadores com pouca inteligência porque os que a tem, dizem eles, emperram o jogo.

o aursnes é um mau defesa direito não só pela falta de qualidade para a posição como principalmente com o ele deixa de fazer naquele que é a sua verdadeira posição mas sobretudo neste jogo quando para lá foi jogar já estava nas lonas e se no meio ainda ia disfarçando na direita já não o conseguiu.