APOCALIPSE NO BESSA

É verdade que a pré-época correu mal, é verdade que o plantel se manteve indefinido até bem tarde, é verdade que mudou o treinador, é verdade que tem havido lesões, é verdade que muitos jogadores estiveram no Mundial, é verdade que o Caso-Mateus acabou por prejudicar a equipa obrigando a dezoito dias sem competição, mas nada, nada disso justifica a exibição realizada no Bessa, cujo adjectivo que me ocorre para melhor lhe aplicar é: miserável.
Lastima-se que nem o facto de estar a pisar o relvado onde festejou pela última vez um título nacional tenha sido suficiente para espicaçar a equipa da Luz, que assim entra na Liga de forma absolutamente calamitosa.
O Benfica foi uma equipa completamente desarticulada, nada imaginativa a atacar e insegura a defender, apresentando períodos absolutamente negros ao longo do jogo, tal o desnorte que se apoderou de quase todos os jogadores encarnados. Demonstrou índices físicos assustadores para quem inicia a Champions League esta semana. Demonstrou ainda, à semelhança do que acontecera nalguns momentos da pré-temporada (por exemplo frente ao Sporting), uma total incapacidade para jogar perante equipas muito pressionantes, como foi o Boavista - não encontrando soluções para esta realidade, o Benfica pode dizer adeus a uma boa época.
Outro dos problemas que parecem evidentes é que as caracteristicas dos principais jogadores do plantel do Benfica não apontam para um estilo de jogo sustentado em posse e circulação de bola intensiva e numa postura de ataque constante e afirmativo (romântico?) como Fernando Santos diz pretender e a equipa por vezes parece tentar praticar, com os resultados que estão à vista. Por outras palavras, este Benfica não tem condições para ser uma equipa "mandona", embora até talvez se possa tornar numa equipa "matreira".
Veremos até que ponto esta derrota vai ter consequências no futuro imediato, pois já na quarta-feira o Benfica terá um jogo determinante para as suas ambições internacionais. Os últimos minutos do Bessa mostraram uma equipa de cabeça demasiado quente, algo que nos próximos três dias terá que ser revisto de modo a que não se comprometa desde já também o futuro na Champions.

Individualmente as pontuações (de 0 a 5) não poderão ser generosas: Quim 4 (salvou-se do naufrágio e foi o melhor benfiquista, o que atesta também aquilo que foi o jogo), Nelson 2, Luisão 1, Anderson 0, Leo 2, Petit 2, Katsouranis 1, Rui Costa 1, Manu 3, Nuno Gomes 0, Miguelito 0, Fonseca 0, Nuno Assis 0 e Mantorras -.

A LEI DA EFICÁCIA

O jogo da Choupana confirmou o Sporting como uma equipa compacta, harmoniosa e com capacidade de sofrimento suficiente para encarar os jogos e os pontos com um realismo digno de assinalar.
Com grandes exibições de Moutinho e Nani, os leões ganharam (com um golo solitário envolto em polémica) num terreno difícil depois de um jogo de sofrimento, mau grado as melhores oportunidades lhes terem pertencido. Na ponta final da partida, na sequência de lances de bola parada ou cruzamentos tensos para a área, os madeirenses causaram alguns sustos a Ricardo, mas nunca conseguiram disfarçar a falta de um ponta-de-lança eficaz na frente de ataque – o seu melhor marcador (André Pinto) saiu do clube.De salientar ainda a estreia de Alecsandro, que denotou alguns bons pormenores, parecendo em boa posição para tirar o lugar a um Bueno muito discreto.

GOLPE DE ESTÁDIO (1)

Há 30 anos...
O Verão estava insuportável. O calor sufocava, e o futebol preparava-se para iniciar mais
uma época. Os jogadores, regressados de férias, vinham com pouca vontade de trabalhar. Os
dirigentes, esses, estavam mais atarefados do que nunca. Eram as contratações, o estudo
das novas directrizes e a organização dos respectivos departamentos o que mais os
preocupava. Mas as atenções estavam viradas para o maior clube da cidade(Porto).
Anunciavam-se grandes transformações para um novo mandato de Américo de Sá, um
dirigente de corpo inteiro cuja figura e postura se assemelhava á de um aristocrata. Educado,
afável, mas um tanto pretensioso, seguia uma linha directiva com mais de trinta anos. Nos
últimos tempos, as vitórias começavam a sorrir e até veio um título já esperado há muitos
anos. O clube estava a ganhar uma nova estrutura organizativa, fruto da revolução política
que anos antes tinha acontecido e o aproveitamento correcto das linhas de acção traçadas
pelos partidos apontavam para a regionalização e a descentralização do poder.
Alguns homens do Norte tinham ganho força nos mecanismos estatais e tentavam
implantar na sua região uma retaguarda de pressão para combater a tendência de esquerda
que vinha da região sul. O momento foi soberbamente aproveitado em toda a sua extensão e
teve como principal mentor José Maria Pedroto, o técnico mais conceituado do futebol
português.
O homem já tinha revelado, mesmo como jogador, uma inteligência invulgar e, logo que
tomou conta do clube do seu coração, procurou colocar um plano que noutros tempos se
tinha mostrado de difícil execução.
Para o acompanhar, escolheu elementos que já antes se tinham feito notar pela sua forte
dinâmica. O seu mais directo colaborador era Pinto da Costa, o homem que chefiava o
departamento e comparticipava em toda a estratégia por ele montada. Pinto da Costa movia-se
habilmente pelos corredores do poder, possuía uma memória invulgar, e escrúpulos era
coisa que se não lhe conhecia. Hábil na utilização do discurso, atacava as suas vítimas com
uma certa ironia, mas não tinha contemplações para quem se lhe atravessasse no caminho.
Esta dupla era imbatível, mas perigosa. Ambos já tinham mostrado a sua intuição e
poder de manobra quando conseguiram ludibriar o poder que outrora vinha da capital e dos
clubes que normalmente dividiam entre si os prazeres da vitória. O certo é que do Norte
surgia um intruso a querer também saborear esses incomensuráveis prazeres da conquista.
Aquele título, ganho depois de tantos anos de luta contra as mais miseráveis injustiças, era
uma lança cravada em terras de Mouros. Um verdadeiro desafio àqueles que usavam e
abusavam do poder que possuíam. Mais do que tudo, tinha sido uma vitória do Norte. Os
populares rejubilavam com o feito, mesmo a gostarem de outras cores clubísticas. Pedroto
surgiu como um herói e passou a ser a bandeira dos humilhados e oprimidos. Lenine não
faria melhor.
Mas tanto Pedroto como Pinto da Costa sabiam o perigo que isso representava e
prepararam-se para enfrentar novos ataques. Era necessário ser duro na acção e lutar sem
contemplações contra o inimigo, mas o presidente do clube e os seus pares não possuíam a
estaleca necessária para os acompanhar nesta corrida louca contra a hegemonia da capital.
Américo de Sá mais parecia um aristocrata e no futebol os punhos de renda estavam a passar
de moda.
- Com o Sá, não vamos a lado nenhum!- choramingou PC.
- Ir, vamos. Mas quando atravessamos a Ponte da Arrábida já estamos a perder!- atirou
Pedroto, sempre mais pragmático e mostrando mais uma vez que era um homem que anda
sempre um passo ou dois á frente dos restantes.
Pinto da Costa, com a sua cara de bebé chorão e os óculos descaídos sobre o nariz,
sorriu e tentou imaginar a melhor forma de dar a volta ao problema. Havia que contar com
duas situações, antes do mais.
Pedroto era agressivo, competente e justo. Lutava como ninguém e por aquilo em que
acreditava e não se deixava "comer por lorpa", mas preservava os seus amigos e era incapaz
de trair quem se envolvesse com ele na acção.
Tinha de se arranjar uma solução ajustada ao prestígio de Américo de Sá.
Todas as noites, Pedroto gostava de um joguinho e cartas, e o seu jogo predilecto era a
"ricardina". O local de encontro e de jogo era a tasca do Ilídio Pinto, também proprietário da
mercearia Petúlia. Nas catacumbas, uma nova fé clubística crescia, mas esta estava pronta
para soltar os leões sobre o dono do Circo...
Depois de uns copos e de uma conversa animada sobre futebol, a noite acabava sempre
na cave da mercearia com o tal jogo da "ricardina". Ilídio Pinto sofria como ninguém os
problemas do clube. O seu maior sonho era ser um dia director do departamento de futebol,
mas havia muitos mais candidatos para o lugar, e ninguém o levava a sério. E, que se
soubesse, o cargo não era prémio que saísse como brinde do bolo-rei. Mas a inteligência era
um dote que não contemplava o Ilídio. Lá que era um homem astuto, era. E lá que estava
cheio de dinheiro, disso também ninguém duvidava. E como estava sempre de bolsa aberta
para ir em socorro dos problemas do clube, havia que deixá-lo pensar que o sonho um dia se
iria realizar. A sua riqueza tinha como base muita poupança e o segredo roubado ao seu
antigo patrão da receita da broa de Avintes. Em poucos anos, apesar de ter a sua mercearia
noutra zona, transformou-se no "Rei da Broa de Avintes" e as vendas foram de vento em
popa. Os negócios estavam maus, a economia fraca, o País vivia tempos difíceis, e a broa de
Avintes sempre era barata e enchia os foles do estômago dos menos favorecidos. E a bolsa
do Ilídio.
A noite estava quente, e o ambiente alegre, mas PC chegou de semblante carregado e
fez um sinal de cumplicidade a Pedroto: - Porque é que está com um ar tão «saturno»?
Pedroto quase se desfazia numa gargalhada, mas Pinto da Costa, já habituado ás bacoradas
do Ilídio, respondeu com a ironia que lhe era habitual:
- É do tempo, e os astros não ajudam. Depois de ter dado uma palmada nas costas do
Ilídio, adivinhando-lhe as intenções, foi-lhe dizendo: - Vamos a uma partidinha!
O Ilídio não deixou de mostrar um sorriso rasgado de orelha a orelha. Era daquilo que
ele mais gostava. Não se importava de perder todas as noites. A broa de Avintes dava para
tudo. O importante era estar com os heróis que fizeram do seu clube campeão. Mandou
fechar a loja, meteu o apuro do dia no bolso e foi de imediato buscar as cartas. PC
aproveitou a ausência e contou a sua estratégia a Pedroto.
- A melhor forma de conseguirmos levar em frente o nosso plano, é convencermos o
Américo de Sá de que o futebol no clube tem de ser totalmente autónomo. Ou seja ele gere o
clube e nós tomamos conta do futebol.
- Por acaso não lhe fica nada mal o papel de corta-fitas. Como é que vamos fazer isso? -
perguntou PC largando um sorriso cúmplice.
- Ele é capaz de não aceitar essa situação com tanta facilidade. Entretanto , o Ilídio
chegou com o baralho de cartas, e ouvindo as últimas frases, perguntou com um ar de quem
não está a entender nada.
- O Américo Tomás vai voltar? Pedroto piscou o olho a Pinto da Costa e mudou o tema á
conversa.
- PC, é desta que vais jogar a «ricardina»?
- Bem sabes que jogo de cartas não é comigo. Os meus jogos são outros.
Chegaram outros convidados para uma partidinha e começou o saque ao Ilídio. Irritado
com tanta falta de sorte, o dono da mercearia só via na sua frente o desfiar dos naipes que
lhe tinham tocado. Pinto da Costa assistia impávido e sereno ao baralhar das cartas e á forma
como eram distribuídas. E pensou: «Um dia serei eu a distribuir o jogo». Algo aborrecido,
levantou-se e aproveitando o entusiasmo do Ilídio, subiu á mercearia e começou a retirar
alguns chocolates das prateleiras. Voltou a descer e, com o à-vontade que lhe era peculiar,
distribuiu algumas tabletes pelos jogadores. O Ilídio também se serviu, sem dar conta que as
mesmas lhe foram roubadas, tal o seu entusiasmo pelo jogo.
Pedroto riu-se, e os presentes também não se contiveram. O Ilídio parece ter acordado e,
dando uma dentada no chocolate, pensou em voz alta:
- Vocês estão a rir-se muito, devem ter bom jogo. Mas não faz mal, a minha sorte também
há-de chegar. A sorte só lhe chegou no dia seguinte com a venda de mais broa de Avintes.
No final do joguinho de cartas, Pedroto convidou PC para uns fadinhos. Sempre era um sítio
recatado para uma conversa a dois. Já só faltava um dia para que a equipa de futebol se
apresentasse e nada estava definido em relação à chefia do departamento de futebol.
- O Américo de Sá já me convidou para continuar, mas temos de ter mais poder para fazer
frente aos mouros.
Pedroto era um homem de soluções rápidas e não esteve com meias medidas, lançando a
sua proposta a PC.
- Amanhã vais falar com o homem e dizes-lhe que aceitas continuar no cargo, mas com
algumas condições, e aproveitas para expor o teu plano. Não tenhas problemas, porque o
título ganho deu-nos uma tal força, que é difícil haver gente com coragem para nos derrubar.
Confiante nas palavras do "mestre", PC marcou encontro com Américo de Sá e colocou-o
ao corrente do seu plano. Américo de Sá mostrou-se desconfiado e delicadamente disse
"talvez sim", o que bem podia ser traduzido por "certamente que não". E para que Pinto da
Costa não ficasse com dúvidas, o presidente fez mesmo questão de precisar:
- Mas, para já, se quer ficar com o departamento de futebol, fica, embora nas condições
anteriores.
PC não estava a contar com aquela resposta e ficou lívido de raiva. Bateu com a porta e
saiu, pensando na velha máxima de Júlio César que era para si o referencial da vida: "Antes
ser o primeiro numa aldeia que ser o segundo em Roma".
Pinto da Costa telefonou de imediato a Pedroto e colocou-o ao corrente da situação.
- Temos que nos encontrar com urgência para sabermos o que vamos fazer amanhã.
Pedroto tentou colocar alguma água na fervura e tranquilizou PC.
- Vem já a minha casa, para elaborarmos a estratégia para amanhã.
em pouco tempo tudo ficou gizado. Os tempos do PREC ainda estavam bem vivos, e se o
Américo de Sá se julgava importante, iria ter de se vergar ao poder popular.
Dizia PC:
Tem calma. Essas coisas não se tratam dessa forma. Em primeiro lugar vamos fazer um
comunicado e amanhã revolucionamos isto tudo.
Nessa noite voltaram a encontrar-se na Petúlia para afinarem a estratégia. Mas como não
se sabia muito bem no que é que aquilo tudo ia resultar, era melhor colocarem Ilídio Pinto no
plano, estabeleceu PC. Pedroto reagiu pela negativa.
- Deixa o Ilídio em paz, porque ele ainda é capaz de nos estragar a estratégia.
- Estás doido. Vamos só dar-lhe um cheirinho. Nunca se sabe se vamos necessitar de
dinheiro, e se for caso disso, onde é que o vamos buscar?
Pedroto hesitou, mas acabou por concordar. Convidaram o Ilídio para a reunião e
contaram-lhe apenas algumas peripécias do plano. O Ilídio revelou-se eufórico, como quando
lhe saía bom jogo. Era mesmo aquilo que ele queria. O Américo de Sá não ia aguentar este
ataque e abandonava o clube. O Pinto da Costa passava a presidente, e ele realizava o seu
velho sonho: tomar conta do departamento de futebol.
O Ilídio até foi mais cedo para a cama, depois de ter dito ao Pedroto e ao PC que podiam
contar com tudo o que necessitassem. Mesmo dinheiro, a quantia que fosse necessária. Logo
que chegou a casa, não resistiu. Tirou a bata de trabalho e foi ao roupeiro escolher o seu
melhor fato. Vestiu-o, colocou uma gravata, foi a uma pequena gaveta da cómoda e retirou
uma braçadeira com uma inscrição bordada a branco: «delegado ao jogo». Passeou-se um
pouco no quarto de cabeça erguida e começou a gritar para a mulher, que já estava a
dormir:
- Levanta-te que isso não é nada. Vai à esquerda. Vai lá, corre. Corta, passa, chuta que é
golo! A mulher acordou estremunhada e, vendo o Ilídio naqueles propósitos, logo pensou:
«Ai que o meu Ilídio ficou maluquinho!»
- Mulher, estás a ver um futuro delegado ao jogo! Amanhã vai haver um golpe de estádio
e ninguém mais nos vai poder parar.
A Dona Virgínia, sem perceber o que se estava a passar, pensou: «E mais uma das
maluquices do meu marido». E virou-se para o outro lado, voltando a adormecer, pois, de
manhã, bem cedinho, tinha que estar no seu posto a fabricar a broinha.
Pedroto foi o primeiro a entrar no estádio e logo que os jogadores chegaram fez uma
reunião e contou-lhes o que se estava a passar.
- Rapazes, se queremos continuar a ganhar, a conquistar títulos e a criar fama, temos de
manter o grupo unido. Fomos nós que conseguimos realizar o sonho de conquista do título e
não queremos ficar por aqui. Tenho a informar-vos que o nosso presidente, Américo de Sá,
excluiu o Pinto da Costa do departamento de futebol e, sendo assim, não trabalho com mais
ninguém. Fora a ditadura e os incompetentes. Unidos ninguém nos vence.
Um dos jogadores, atento e entusiasmado com o discurso, ainda esboçou a palavra de
ordem:
- Os jogadores unidos jamais serão...
Atento, Pedroto travou o entusiasmo do jogador.
- Alto aí! Por esse caminho não, porque às tantas ainda dizem que somos comunistas, e
isto não é um golpe de Estado. Isto é apenas um golpe de estádio.
O Ilídio não perdeu pitada do que estava a acontecer. Entusiasmado com a possibilidade
de poder realizar o seu velho sonho de chefiar o departamento de futebol, subiu a um banco
e apoiou Pedroto:
- É isso mesmo. Isto não é um golpe de Estado, é um golpe de estádio.
Pedroto retirou o chapéu que lhe encobria o «capachinho», fez deslizar os dedos pelos
poucos cabelos de que ainda era proprietário, enquanto pensava na melhor forma de fazer
sair o Ilídio, para que a bronca não fosse ainda mais longe. Pediu então a todos os presentes:
- Gostava de ficar agora sozinho com os jogadores e a equipa técnica. Ó António, pede
aos restantes que saiam!
Novamente na posse do comando da situação, Pedroto explanou as linhas mestras do seu
plano, como se estivesse apenas a dar a táctica para o próximo jogo:
- O Américo de Sá não tem o direito de travar a caminhada gloriosa do nosso clube. Nós
assumimos uma grande responsabilidade para com os nossos associados e não podemos
desiludi-los. Neste momento, não há outra alternativa. Ou ele ou nós e nós somos a
verdadeira glória do clube. Somos os únicos capazes de lutar contra os mouros, de os
derrotar novamente, como fez D. Afonso Henriques.
O ambiente voltou a aquecer, e o entusiasmo da maior parte dos jogadores tomou conta
da situação. Discutiu-se a melhor forma de enfrentar o problema e ficou acordado escreverse
um comunicado para entregar á Imprensa, dando-lhes conta da situação. Um dos
jogadores ainda disse:
- Quem vai buscar uma folha de papel?
Mas Pedroto apressou-se a acrescentar:
- Não vale e pena. Dormi toda a noite sobre o assunto e por acaso até já trago aqui o
comunicado feito. Alguns jogadores ficaram desconfiados. Aquilo mais parecia um golpe de
uma organização comunista. Trabalhadores a quererem tomar conta das empresas tem dado
mau resultado. Resolveram logo pôr em causa aquela acção. Houve alguma discussão no
balneário e, como a maioria estava de acordo, resolveram encostar a direcção á parede. Ou
aceitavam as condições de Pinto da Costa, ou vamos todos embora. Mas o tiro saiu-lhes pela
culatra. Américo de Sá não se deixou abater pela intimidação e não aceitou as exigências. O
escândalo rebentou.
Só quatro jogadores ficaram de fora da situação e alinharam com Américo de Sá, os outros
foram para a mercearia do Ilídio Pinto.
Os grupos de pessoas com influência no clube dividiu-se. Se era verdade que tanto
Pedroto como Pinto da Costa tinham feito uma autêntica revolução no futebol quando
ganharam o título, também não era menos verdade que não estava certo que se
aproveitassem da situação para assaltar o poder.
Moviam-se nos bastidores os mais variados tipos de influências, porque acima de tudo
estavam os mais elementares interesses do clube. Os prejuízos podiam ser desastrosos,
estavam a perder-se dias de preparação, o campeonato estava á porta e a equipa iria
ressentir-se disso se o braço de ferro não terminasse. Sob o comando de um preparador
físico, os jogadores treinavam-se nas ruas da cidade e no final cada um ia tomar banho a sua
casa. Era o descalabro. Nunca antes se tinha assistido a coisa igual.
Estava na hora de o Ilídio entrar em cena. Reuniu-se com Pedroto e PC e perguntou-lhe o
que é que podia fazer para ajudar. Sentiu-se de imediato um brilho nos olhos de PC. Estava
ali a resolução para parte do problema.
- Precisamos de dinheiro para pagar o estágio aos jogadores. Vamos mandá-los para
onde ninguém os encontre. Assim, eles podem trabalhar em paz, até que tudo isto se
resolva. Temos também de lhes garantir os vencimentos no final do mês. Ilídio, você arranja
dinheiro para fazer face a estas despesas?
O Ilídio gostava de se sentir útil. Era ele que ia resolver o problema. A carteira era a sua
divisa e colocou-a ao dispor da situação. Aquele estava a ser um dia bom, pois já vendera
500 broas.
Os jogadores hospedaram-se numa estalagem junto ao pinhal e tudo se complicou ainda
mais. Toda a gente queria saber onde estavam os craques. A imprensa procurava e não
encontrava. Criaram-se grupos de espiões de parte a parte. A pressão aumentava, e o Ilídio
tinha de retirar os seus dividendos. A sua oportunidade não tardava, mas toda a gente tinha
de ficar a saber que era ele que estava a financiar a situação. Mandou chamar um jornalista
amigo e confessou-lhe:
- Fui eu que dei o dinheiro para o estágio . Eles estão.. bzzzzzzzzzzz
No outro dia, os jogadores voltaram a ser «assaltados pela malta dos jornais. Novo
escândalo. Américo de Sá não dava sinais de fraqueza. Resistiu a todos os tipos de pressão.
Foram reuniões, mais reuniões e assembleias gerais. Mas o presidente e os seus homens não
recuaram um milímetro que fosse.
Vencidos pelo tempo e pela persistência, todos os jogadores recuaram. Todos...menos
um: António Oliveira. Pedroto e Pinto da Costa ficaram sozinhos. Américo de Sá tinha
vencido. Contratou um novo treinador e ofereceu a chefia do departamento de futebol a um
homem da sua confiança.
O Ilídio é que não perdeu tempo. Quando viu as coisas mal paradas, resolveu virar-se
para o outro lado. Telefonou ao Américo de Sá e defendeu-se:
- Olhe que aquilo do dinheiro do estágio não fui eu que dei. É tudo mentira. O presidente
já sabe que pode contar comigo. Se for necessário contratar jogadores e um novo treinador,
já sabe que não há problema nenhum!
Ninguém tinha dúvidas de que iria ser necessário muito dinheiro, e no clube não
abundavam os mecenas. Numa situação destas, o Ilídio podia vir a ser muito útil.
Pinto da Costa, Pedroto e o «capitão» de equipa, António Oliveira, mantiveram as duas
posições. Tinham sido derrotados, mas não havia nada a uni-los. Cada um que se safasse da
forma que lhe desse mais jeito. Pedroto, sem abandonar a mania da conquista da capital aos
Mouros, instalou-se na terra de D. Afonso Henriques.
- A luta continua. Vai ser aqui que me vou inspirar para voltar a conquistar o poder.
Levou com ele o António, seu adjunto. O preparador físico também tinha desertado e
procurado encosto no grupo de Américo de Sá. Só mesmo António Oliveira resistiu,
preferindo o desemprego á humilhação de voltar atrás. Tinha assumido uma posição e
mantinha-a, mesmo que agora pensasse que tudo estava errado.
- Vamos com calma. Roma e Penafiel não se fizeram num dia.
Dito isto, virou á esquerda, travou a fundo e abriu a porta a uma miúda que por ali estava
encostada a um candeeiro.
Pinto da Costa assumiu a derrota, mas não a digeriu. Parecia perdido para o futebol. A sua
atitude revolucionária tinha deixado marcas bastante profundas. O seu futuro como dirigente
estava severamente comprometido, mas Pinto da Costa sempre acreditou que no futebol é o
golo que comanda as atitudes e as situações e que provoca a queda dos dirigentes e
treinadores. Por isso, PC não se deixava abater com tanta facilidade. A sua resistência não
tinha limites e afinal só tinha perdido uma batalha. O importante, agora, era fazer com que o
seu clube tivesse alguns desaires. Tinha, por isso, de montar a sua estratégia, mesmo sem os
seus anteriores aliados.
Os seus companheiros, os da tentativa de revolução, colocaram-se á margem para se
aliarem a quem ficou com o poder, e os profissionais seguiriam o seu rumo, a sua vida era
aquela; e, mais tarde ou mais cedo, acabariam por surgir novos empregos. Eram artistas do
futebol, tinham mérito e qualidade. O seu caso era mais difícil. Era um dirigente com algum
carisma ganho á custa do prestígio de Pedroto. A sua personalidade e capacidade ainda não
tinham sido verdadeiramente testadas. Faltava-lhe prestígio para fazer frente a Américo de
Sá. E não podia continuar a vender fogões toda a vida...
Sem abandonar os bastidores do futebol, foi minando a gerência de Américo de Sá. Não
era homem para ser derrotado com tanta facilidade, mas em alguns momentos chegou
mesmo a sentir o desespero de uma causa que parecia perdida. Mestre a colocar o boato a
circular, fez constar que um clube da capital lhe tinha dirigido o convite para assumir o
comando do departamento de futebol. O objectivo era deixar passar a mensagem de que o
inimigo tinha visto nele superiores qualidades e, perante tal facto, esperar que algumas vozes
se levantassem, reconhecendo o erro que tinham cometido. Mas acabou por acontecer o
contrário. A credibilidade de Pinto da Costa em relação ás posições que tomou em defesa do
Norte foi afectada.
Apercebendo-se de que a sua estratégia não resultara, logo se apressou a desmentir o
boato posto por ele a circular. As eleições estavam próximas e era necessário estabelecer um
plano mais sólido para derrotar Américo de Sá. Não era homem para viver sob o domínio da
derrota ou mudar de atitude procurando novamente as boas graças do presidente. Na sua
personalidade e forma de estar não encaixava a imagem de um falhado.
Pinto da Costa passou a sua idade escolar num colégio onde imperava uma grande
influência da religião católica e quando atingiu o liceu foi internado num colégio de padres.
Dos mais prestigiados do Norte do País. Ali fabricavam-se verdadeiros homens. Eram testados
como cobaias para poderem enfrentar no futuro as mais adversas contrariedades da vida.
Uma das disciplinas era constituída pela defesa individual de cada aluno perante toda a
turma e, já nessa altura Pinto da Costa era tido como o mais desenvolto no uso do discurso,
na sua capacidade de raciocínio rápido e retenção na memória de dados essenciais.
Inteligente e astuto como um verdadeiro jesuíta, bem cedo começou a demonstrar um
grande sentido de chefia. Sabia como dividir para reinar, utilizando um ar cândido e
descomprometido quando algumas atitudes de má-fé lhe eram dirigidas. Atirava a pedra e
sabia como esconder a mão. Mas a sua verdadeira arma era a grande capacidade de trabalho
e a completa dedicação a tudo o que fazia. Chegou a pensar ordenar-se padre, e o director
do colégio apostava que, se ele seguisse essa carreira, iríamos ter o segundo papa
português. A sua postura, a sua forma de falar e de estar deram-lhe sempre um toque
clerical. A mesma mão que abençoava os amigos, empunhava a cruz onde ele havia de
crucificá-los. Cativava, fazia amizades com facilidade e sabia como as utilizar e destruir como
se nunca tivesse culpa de nada.
Nunca foi grande atleta, mas a sua paixão pelo desporto atirou-o para o dirigismo.
Começou por baixo, mas não foi necessário muito tempo para chegar ao topo da pirâmide.
Destronar Américo de Sá era agora o seu maior desafio. Começou então a rodear-se de
amigos com algum prestígio no clube, procurando apoios para se candidatar. Tarefa que não
era fácil. Na altura, para se ser presidente de um clube de futebol era necessário ser-se um
empresário de sucesso e ter dinheiro disponível para enfrentar algumas situações, e esse não
era o caso de Pinto da Costa. Ele sabia-o como ninguém e procurou então apoiar-se em
pessoas abastadas economicamente, não dispensando o seu grande amigo, Ilídio Pinto.
Havia, no entanto, uma situação que era necessário ultrapassar. O Ilídio tinha-se
encostado ao Américo de Sá, mas PC sabia que ele estaria sempre do lado de quem tivesse o
poder e, com alguma facilidade, jogava sempre com um pau de dois bicos.
O certo é que Ilídio tinha o dinheiro, e PC iria necessitar desse apoio. Tinha também na mão
outra gente que vivia desafogadamente em termos financeiros e que por terem sido
preteridos por Américo de Sá se colocaram do seu lado, mas esses eram mais inteligentes e
não seria fácil arrancar-lhes o dinheiro sem lhes dar nada em troca.
Não podia também colocar em risco uma nova derrota. Tinha de ir à luta pela certa, e o
momento era propício porque se começava a notar um certa instabilidade no seio do clube.
Tudo servia para se atacar a gerência de Américo de Sá. Faziam-se assembleias gerais
agitadíssimas, com Pinto da Costa a colocar algumas pessoas estrategicamente no meio dos
sócios a criar a confusão.
Américo de Sá passou momentos de grande desespero, porque lhe era impossível
controlar a situação. Foi então que tomou consciência da existência de um jovem com
alguma história no clube. Reinaldo Teles, campeão nacional de boxe e na altura treinador, foi
a solução encontrada para controlar as agitadas assembleias gerais. Ex-pugilista, brigão,
chulo e nutrindo uma certa paixão por negócios ilícitos, ofereceu-se para arrumar a casa e
impor a ordem nas confusões programadas por Pinto da Costa. Era treinador de boxe do
clube e reuniu os seus rapazes para patrulharem a sala, e o certo é que com alguns murros e
cabeçadas acabou por conquistar o lugar de chefe da segurança de Américo de Sá.
Pinto da Costa temia-o, porque não era um brigão vulgar e muito menos um marginal
estúpido e incompetente. Reinaldo Teles tinha um espírito e uma personalidade muito
idênticos aos de PC. Dava as ordens para descascar á fartazana e depois surgia como o
apaziguador, o bom rapaz que anda tinha a ver com aquela violência. PC detestava-o, mas
viu nele a solução para o futuro.
Reinaldo Teles era um ás a esgrimir os punhos, sabia avaliar com grande exactidão a
capacidade dos seus adversários, e quando não os podia vencer trazia-os para junto de si.
Um anjo, este rapaz que veio bastante jovem de uma aldeia transmontana para servir numa
tasca de um tio. O estabelecimento estava aberto toda a noite, numa altura em que ainda
existiam poucas discotecas. E as que funcionavam em pleno estavam viradas para o alterno e
a prostituição. Mas R. Teles sabia que «putas e vinho verde» só combinam nas horas e nos
locais certos. Havia que tratar da vidinha.
Ajudava o seu tio pela madrugada dentro e vivia com entusiasmo as cenas de pancadaria
entre azeiteiros, putas e marginais. O seu sonho era um dia vir a ser como eles. Homens
valentes, com charme, e mulheres tratadas a pontapé a levarem-lhes o apuro da noite e o
que até tinham roubado ao prazer. Sobre as delícias do amor, Reinaldo propagandeava dotes
extraordinários, como fruto da leitura de um livrinho que comprara na Feira de Vandoma,
uma obra cujo título tinha algo a ver com cama (obviamente) e que ensinava a combinar o
beijo inclinado com o beijo pressionado. Essa era a matéria que Reinaldo dominava
perfeitamente, como já se disse, com destaque para a arte de beijar.
Mas ainda estava longe de ser o rei na noite, sendo por norma acordado por mais um
pedido da Bety ou da Lady, pois as putas por aqueles lados tinham todas nomes ingleses...
- Ó miúdo, serve-me aí uma sande de fígado com molho e cebola e um copo desse verde
rasca que o teu tio tem aí!
Reinaldo Teles não se deixava comover. Afinal, eram putas. Tinham de ser tratadas
assim. Enrugando a face, com os cantos da boca a quebrarem para baixo, fazia inchar o
peito, punha-se em bicos de pés na tentativa de imitar os chulos e atirava com o prato da
sande e o copo para a frente da mulher enquanto pensava: «Ainda vais trabalhar para mim».
Foi então que um indivíduo com cara de rato, esquelético e de cabelo oleoso, se foi
encostando á prostituta que Reinaldo servia e, com uma habilidade nata, meteu os garfos na
carteira e roubou-lhe o porta-moedas. Reinaldo, que estava por detrás do balcão a retirar da
montra de vidro um naco de polvo envolto em cebola, viu a cena e não perdeu a sua
oportunidade de brilhar. Saiu do balcão e, com determinação, agarrou o carteirista e evitou
que a Alzira, mais conhecida por Lady, ficasse sem os poucos tostões que o seu chulo lhe
deixou.
Apercebendo-se de toda a cena, a Alzira levantou a mão e deu um soco no carteirista
enquanto lhe dizia:
- Ah, meu filho da puta de choringa!
Sem tempo para pensar, Reinaldo Teles nem sequer hesitou quando se apercebeu que o
carteirista ia responder á agressão. Formando um salto, deu uma cabeçada seguida de uma
esquerda no choringa e este esparramou-se no chão sem vontade de se levantar.
Quando o pôde fazer, nem sequer olhou para trás, deitando a fugir pela rua abaixo. Os
presentes fartaram-se de gabar Reinaldo, não só pela sua coragem como também por aquela
esquerda indomável. A Alzira esqueceu-se de que tinha sido vítima de roubo e começou a
medir o miúdo de alto a baixo com um sorriso comprometedor e, olhando por cima do
ombro, disse-lhe quase num sussurro:
- Hoje tens direito a uma de graça!
- Com direito a beijo pressionado?- quis logo saber Reinaldo.
Que sim, disse ela. Reinaldo Teles não cabia em si. Puxou do pente que trazia no bolso
de trás das calças, passou-o pelos cabelos e não deixou ninguém perceber que ainda era
virgem. Pegou no resto do vinho que sobrou no copo da Alzira e emborcou-o de uma golada
enquanto lhe dizia:
- Estou-te com uma sede!
Quando fechou a tasca, lá estava a Lady á sua espera para uma madrugada de amor.
Mas estava, ainda, Reinaldo com a chave metida na porta, e já o chulo da Alzira lhe tocava
no ombro.
Onde pensas que vais meu filho. O estabelecimento já fechou. Se queres desenferrujar o
prego, espera para amanhã e não te esqueças de trazes trocado.
Reinaldo Teles ficou fora de si. Já estava a pensar com os tomates, e aquele gajo não
lhe podia vir estragar a festa. Olhou de alto a baixo o chulo. Fixou-o bem nos olhos e achou
que lhe podia dar uma tareia. A sua célebre esquerda saltou como um gancho e abateu-se
nos queixos do chulo. Ainda este não se tinha recomposto e já levava um meia dúzia de
socos, caindo KO no passeio.
Numa só noite, Reinaldo tinha abatido dois adversários. Alzira não hesitou. Estava cheia
daquele chulo, e Reinaldo serio o seu novo amante. Meteu-lhe o braço e, com firmeza, levouo
até ao seu quarto alugado, por trás da Igreja da Trindade. Por coincidência ou não, os
sinos tocaram a assinalar as cinco da matina e uma gata berrou de cio.
Reinaldo estava eufórico e, depois de ter descascado em dois duros da noite, não podia
de forma alguma deixar perceber que aquela era a sua primeira noite de amor. As suas
calças de bombazina preta começaram a ser afagadas por Alzira enquanto ela se despia.
Ao ver o seu par de mamas, Reinaldo não se aguentou mais e teve uma ejaculação. Lady
sentiu as calças humedecidas.
- Já te vieste?
Reinaldo, sem mostrar atrapalhação por aquele percalço, ensaiou uma vez mais a pose
de durão.
- Isto é só uma amostra. Vê se te preparas depressa.
E em que pressinha se foi a virgindade de Reinaldo Teles.
Alzira ficou encantada com toda aquela fogosidade e, mostrando-se submissa, pediu com
um certo carinho:
- A partir de hoje vais ser o meu chulo?
Reinaldo sorriu, enquanto puxava as calças para a cintura e apertava o cinto.
- Depois da sova que deu ao teu chulo, achas que ele teria coragem de aparecer? O teu
homem a partir de hoje, claro que sou eu.
Mas para que essa conquista ganhasse forma, havia muitas lutas para vencer. Os
pretendentes faziam fila porque o negócio estava mau e havia de aparecer um valentão a
conquistar os seus direitos da mesma forma que o fez Reinaldo.
Alzira gostava do miúdo, era forte e atrevido, mas para ficar com ele tinha de pensar
numa forma de o proteger. Reinaldo tinha punhos, mas faltava-lhe a experiência. De súbito,
veio a solução. Ela tinha um cliente que era treinador de boxe do maior clube da
cidade(Porto)e ia-lhe apresentar Reinaldo Teles para o rapaz poder ir lá fazer uns treinos.
Uma semana depois, o tal treinador de boxe disse a Alzira que Reinaldo tinha futuro. A
partir daí, quando as coisas aqueciam no «Ginginha», a tasca do seu tio, R. Teles fazia uns
treinos extra, passando a ser conhecido e respeitado. Depois de fechar a tasca, aproveitava a
boleia de um amigo e ia ter com a Alzira, que atacava em Santos Pousada.
Trazia o apuro e a rapariga. Os dois estavam apaixonados. O beijo pressionado passava
à história.
Reinaldo começou a somar êxitos no boxe e acabou por deixar o emprego na tasca do
seu tio para se colocar como segurança e porteiro numa casa de alternos. Foi aí que
conheceu a Luísa. Mas um dia, Alzira descobriu tudo, entrou pela boite dentro, localizou a
Luísa, que bebia uma garrafa de champanhe com um cliente enquanto este a beijava no
pescoço, pegou-lhe pelos cabelos, atirou-a por cima da mesa e armou por ali uma algazarra
tremenda.
Reinaldo Teles tentou acalmar as coisas. Não podia perder o emprego e lá convenceu
Alzira a ir-se embora, não sem antes esta prometer que matava a Luísa se ela continuasse
atrás do homem dela.
Reinaldo Teles tinha-se tornado num dos chulos mais importantes da cidade e, com a
ajuda da Luísa, acabou por comprar o seu próprio estabelecimento. O rapaz tinha jeito para o
negócio, e a Luísa tinha uma perspicácia tremenda para escolher as melhores putas.
Ambicioso, inteligente, hipócrita e já com algum poder económico, Reinaldo Teles tinha
apenas mais um sonho: ser campeão nacional de boxe. Ele era bom de punhos, mas havia
outros melhores.
Com algum sacrifício e habilidade, conseguiu chegar á fase que lhe permitiu disputar o
título. O seu adversário era poderoso e Teles não se podia arriscar a deixar fugir o seu sonho.
Sempre inclinado para negócios marginais, colocou logo em prática um plano diabólico. Ele
sabia que no boxe profissional a corrupção por parte de grupos marginais era uma prática
constante e quase normalizada, e num ápice resolveu o seu problema. Contactou o seu
adversário, negociou a vitória no terceiro "round" e um KO mal disfarçado deu-lhe a
oportunidade de saltar no ringue elevando as luvas em sinal de vitória. Era importante para o
seu negócio que os jornais noticiassem no dia seguinte que ele era o novo campeão nacional
de boxe. Aquele título significava respeito e medo. Os factores mais importantes para quem
quer gerir com tranquilidade uma casa de alternos e de prostituição. Este fora o seu
primeiro acto no mundo da corrupção, e Teles ficou fascinado com o poder do dinheiro.
Afinal, ele tinha feito um investimento altamente rentável. Pagou para conquistar o título,
realizou o seu sonho e duplicou a facturação no seu estabelecimento. Ninguém se arriscava a
criar conflitos na sua área de alternos e muito menos a deixar contas penduradas. Os punhos
de um campeão eram sempre temidos.

O SUB-MUNDO DO FUTEBOL PORTUGUÊS NO VEDETA DA BOLA - a partir de amanhã

Numa altura em que se volta a falar de favorecimentos na arbitragem – com as últimas notícias de prejuízo para Benfica e Sporting e benefício para F.C.Porto e Boavista entre 2002 e 2004 – e quando o processo “Apito Dourado” parece a caminho do esquecimento, VEDETA DA BOLA decidiu lembrar aos seus leitores os dúbios caminhos que o futebol português percorreu desde dos anos oitenta, designadamente a partir do momento em que a ele chegou a figura de Jorge Nuno Pinto da Costa.
Marinho Neves, portuense, ex jornalista do “Norte Desportivo” e da “Gazeta dos Desportos” publicou em 1996 (oito anos antes de vir a lume o “Apito Dourado”) um romance intitulado “Golpe de Estádio” onde, utilizando nomes fictícios, contava tudo o que sabia acerca do sub-mundo do futebol português, e não era pouco. Na sequência dessa publicação, o referido jornalista foi ameaçado, agredido, chantageado, até desaparecer misteriosamente. O caso foi abafado.
Posteriormente, alguém teve a paciência de “traduzir” o romance, colocando os respectivos nomes aos personagens. É essa versão que VEDETA DA BOLA, leva agora até si.
Entre verdades, hipóteses ou especulações, o que é um facto é que, sabendo-se o que agora (oito anos depois) se sabe, o grosso da história faz todo o sentido.
A edição deste texto será dividida em seis capítulos, que serão publicados nas próximas seis sextas-feiras.
Fique atento. Não perca esta “Bomba” !

RENDIMENTO MÍNIMO

Scolari avisara. A selecção nacional está muito longe da sua melhor forma.
Em Helsinquia ficou bem claro que as várias ausências e o facto de se estar em início de época, tolhem ainda a capacidade duma equipa que, dentro de um mês, com Miguel, Maniche, Meira, Simão e Quaresma, terá seguramente outra face bem mais risonha e alegre que a que hoje demonstrou.
Os primeiros minutos foram pouco menos que caóticos, com perdas de bola sucessivas, erros defensivos infantis e uma Finlândia firme e confiante lançando-se num ataque desenfreado que fez temer o pior. O golo nórdico surgiu com naturalidade e nem com ele a selecção nacional se conseguiu empertigar ou esboçar uma reacção consistente, sobretudo se nos abstrairmos de um ou outro pormenor de Nani.
Perto do intervalo surgiu o golo de Nuno Gomes que quase se pode dizer ter caído do céu,
quer pela feição do jogo até então quer pelo momento determinante em que ocorreu.
Para a segunda parte Portugal, tranquilizado pela obtenção do golo,apareceu bem mais audaz e afirmativo, e desde logo se instalou no meio campo finlandês tomando conta do jogo. Todavia esse período acabou por ser curto pois Ricardo Costa viu o segundo cartão amarelo deixando a equipa em inferioridade numérica, e com as lacunas físicas até então mal disfarçadas Portugal ter-se-á sentido completamente impotente para tentar a vitória, entrando assim numa toada de risco mínimo que lhe pudesse garantir, como veio a suceder, um empate que dadas as circunstâncias não é mau de todo.
Na ponta final do jogo ainda houve tempo para sofrer um pouco, e vir à memória o jogo com a Holanda no Mundial. O empate final não é mau.Esperemos por melhores dias.

OS NOSSOS UM POR UM

CANEIRA (2) Foi pelo seu lado que a Finlândia obteve o golo, e foi também pela direita que se fez sentir a maior pressão dos últimos minutos. Mais uma vez não foi na selecção o que costuma ser no Sporting.
RICARDO COSTA (1) Depois de um início de carreira muito promissor, Ricardo Costa parece ter-se eclipsado enquanto central seguro e sóbrio que parecia ser. Será talvez um problema de quebra de confiança, mas o que é certo é que as suas últimas aparições pela selecção (no F.C.Porto não é titular) têm sido um fracasso completo. Erros atrás de erros, e culpas directas no golo. Depois desconcentrou-se e acabou expulso.
RICARDO CARVALHO (2) Que bicho lhe mordeu nas férias ? À semelhança do seu parceiro do lado, também não fica nada bem na fotografia do golo finlandês.
NUNO VALENTE (3) Não esteve tão mal como os restantes elementos da defesa, mas também esteve longe do fulgor do Mundial.
COSTINHA (2) Muito apagado, muito complicativo. Só a sua experiência impediu que fosse batido mais vezes numa zona nevrálgica como a que ocupa no terreno.
PETIT (2) Também está completamente fora de forma. É generoso, como sempre, mas não conseguiu ser criterioso como quando está em forma.
DECO (3) Foi ainda assim aquele que mais tentou inverter a fatalidade de uma má exibição colectiva. Não foi muito feliz na maioria das suas tentativas individuais, mas tem o mérito de ter lutado muito, e conseguido causar algumas preocupações ao meio campo e defesa finlandesa. O seu passe para golo é delicioso e revelou-se determinante.
CRISTIANO RONALDO (3) À semelhança de Deco também tentou remar contra a maré, não se escapando contudo de uma ou outra nota de individualismo excessivo. Tentou rematar, e na ponta final assegurou toda a acção ofensiva da equipa.
NUNO GOMES (3) Não fazendo uma exibição muito vistosa, acabou sendo o homem do jogo, ao marcar um golo de grande importância. No resto do tempo lutou muito, procurando vir atrás pegar no jogo e partir em tabelinhas como tão bem sabe fazer.
NANI (3) Foi dos melhores portugueses. Não tendo disputado o Mundial, aparece naturalmente em melhores condições físicas que os companheiros. Lutou, recuperou bolas e tentou várias vezes o remate, mas sempre sem sucesso. Rapidíssima a sua adaptação ao grupo.
RICARDO ROCHA (3) Jogou simples e transmitiu uma segurança que Ricardo Costa nunca conseguiu patentear. Talvez devesse ter sido titular.
JOÃO MOUTINHO (-) Não teve espaço nem tempo para se evidenciar muito. Tentou contribuir para uma maior segurança no meio campo.
TIAGO (-) As palavras utilizadas para Moutinho assentam-lhe como uma luva, se bem que tivesse estado ainda menos tempo em campo.

VEDETA DO JOGO

RICARDO (4) À semelhança do que fez no Mundial, Ricardo voltou a ser determinante para a selecção nacional evitar a derrota. Um punhado de intervenções de grande nível garantiu um ponto e voltou a demonstrar que, quando está bem, é o melhor em Portugal.

FRACA GENTE

Só ontem pude assistir ao triste espectáculo proporcionado pelos chamados “homens do futebol” no programa “Prós e Contras” da RTP.
A discussão naturalmente girou em redor do Caso-Mateus, mas a única coisa que ficou clara foi a total incapacidade daquela gente para regenerar o futebol português e colocá-lo, em termos organizativos, ao nível do que os jogadores e técnicos têm feito dentro do campo.
Se de Valentim Loureiro já sabíamos o que poderíamos esperar, ou seja nada, e se Gilberto Madaíl deu mais uma vez mostras de ser um homem cansado e sem chama – tenho para mim que se trata de alguém sem grandes capacidades, mas com a felicidade de ter estado no lugar certo à hora certa -, o secretário de estado Laurentino Dias, que pouco ou nada se dera a conhecer até agora (a única situação em que apareceu foi no caso Nuno Assis e de forma totalmente despropositada, diga-se), foi a maior decepção da noite. Já sabemos de que massa é feita a classe política deste país: a massa da incompetência e da mediocridade, normalmente proporcional ao “jogo de cintura” que lhes permite ascender nas estruturas partidárias até chegarem a estes “poleiros”. Mesmo assim, Laurentino conseguiu superar, pela negativa, todas as expectativas, que já de si não eram muito altas. A primeira ideia que me veio à cabeça é que a única preocupação do homem era sair dali politicamente incólume, ou seja, bem com gregos e troianos (deve seguramente ter dito mal da vida dele quando este caso lhe caiu em cima da mesa). A segunda e final foi que não percebia nada daquilo que se estava a falar, embora a sua verborreia, tipicamente politiqueiro-governamentista, por vezes quase transmitisse a sensação contrária.
José Luís Arnaut foi o único capaz de acrescentar alguma coisa de útil à discussão – o seu relatório sobre o desporto europeu tem pontos de algum interesse, nomeadamente no que toca aos aspectos financeiros que rodeiam o futebol -, mas nem assim conseguiu fugir a uma populista e demagógica tentação acusatória à FIFA, qual carrasca do pobre, pequenino e desprotegido portugalzinho, que estes senhores constantemente evocam, estando eles muitas vezes entre os responsáveis por essa mesma pequenez.
Do debate propriamente dito pouco há a acrescentar. O Caso-Mateus ficou no mesmo sítio onde estava, e os telespectadores mais impressionáveis lá ficaram com a sensação que a FIFA (que eu tanto critiquei noutras questões, mas que nesta tem a razão do seu lado) é culpada de todos os males. Não retenho nenhuma ideia forte, nenhuma proposta, mas apenas a guerra surda Liga-Federação, a necessidade urgente de reformular as estruturas desportivas portuguesas de alto a baixo, e um secretário de estado do qual não se pode esperar absolutamente nada, quer na solução do impasse em que estamos, quer no desenvolvimento do desporto do nosso país.
Apesar de eu ainda me lembrar do que era o futebol português pré-liga (dos Adrianos e Lourenços Pintos, dos Guímaros, dos Silvanos, dos Calheiros, dos “quinhentinhos”, das poderosas associações nortenhas, da corrupção generalizada), dada a situação actual, e pelo que já se viu de Hermínio Loureiro, o melhor se calhar seria mesmo acabar com a Liga, tal como Luís Filipe Vieira pretende. Até porque podia ser que esse fosse, neste momento, o empurrão para que o “apito” viesse mesmo a apitar, sendo esse o passo, sem o qual, tudo o resto nunca passará da podridão e da vergonha. Além disso, poupava-se dinheiro.
Infelizmente parece-me que, passada esta turbulência, irá continuar tudo como está.
Coitados dos jogadores, dos treinadores e sobretudo dos adeptos.
Coitado do futebol.

SINAIS DE ALERTA

A derrota por 4-2 que a selecção portuguesa não conseguiu evitar em Copenhaga, não tem qualquer significado relevante. Não só porque se tratava de um jogo particular, como a Dinamarca não é nenhuma Andorra ou Luxemburgo, podendo-se entender como natural a sua vitória em casa.
Apesar desta realidade, não podemos deixar de ficar preocupados com os erros defensivos cometidos, com as baixas anunciadas e com o resultado da Finlândia na Polónia, onde venceu categoricamente por 1-3.
Nestas provas é fundamental começar bem, e o jogo de Helsínquia será assim um interessante aferidor das reais capacidades de Portugal repetir o vitorioso percurso das últimas fases de qualificação que disputou.
De facto, este não será um jogo fácil. Miguel, Jorge Andrade, Fernando Meira, Maniche, Deco, Simão Sabrosa, Quaresma, além de Figo e Pauleta, e ao que parece agora também de Carlos Martins e Hugo Almeida, são baixas demasiadas para permitirem um onze à altura do que esteve no Mundial.
Não havendo tanto talento, resta aos jogadores portugueses vestirem o fato de macaco e trazerem, a bem ou a mal, com maior ou menor sofrimento, os três pontos na bagagem.
Deve ser esse o caminho a seguir, e sabemos como Scolari é especialista nestas situações limite.

ERA MESMO NECESSÁRIO ?

No limite do prazo para o fim das inscrições na generalidade dos países europeus, o Benfica, na impossibilidade de os conseguir colocar, decidiu ficar com os internacionais Karagounis e Karyaka no seu plantel.
Parece-me uma opção lógica oferecer uma segunda oportunidade a jogadores que, não tendo sido até agora felizes na Luz, haviam todavia já demonstrado bastantes qualidades antes de aqui chegarem. O que não se entende muito bem é a forma como o processo foi conduzido nestas últimas semanas.
Porque não trabalharam os jogadores com o resto do plantel e foram dados em toda a imprensa como dispensados quando, apesar de se pretender vendê-los, se ponderava ainda a hipótese de os manter na equipa ? Não seria mais sensato mantê-los a trabalhar normalmente, até como forma de os valorizar?
Veja-se a este propósito o que se passou com Douala do Sporting, também ele a ser negociado mas mantendo-se sempre integrado no plantel para o que desse e viesse.
Douala acabou por sair, num negócio muito razoável para o clube de Alvalade. Karagounis e Karyaka irão ficar. Com que moral ?

QUO VADIS

Não ata nem desata.
O Caso Mateus ameaça poder tornar-se num enorme pesadelo para o futebol português.
Mais do que identificar culpados, importa neste momento encontrar uma qualquer rápida saída para o imbróglio que a extrema e absurda complexidade da teia juridica, e a absoluta incompetência de quem nela actua, originaram.
Parece claro que António Fiúza e Valentim Loureiro (que há muito deveria, por muitíssimos motivos, estar afastado do futebol) surgem à cabeça como os maiores responsáveis por esta surrealista situação. Mas também Laurentino Dias e Hermínio Loureiro, por omissão, terão de se juntar ao rol.
Vítimas só há uma: o futebol português.
Numa altura em que a selecção nacional conseguira uma classificação histórica no Mundial, e em que os três grandes garantiram todos, pela primeira vez, presença na Liga dos Campeões, só mesmo este grotesco caso para nos devolver ao nosso triste fado. O fado da palhaçada, do caciquismo, da incompetência, do tráfico de influências e da corrupção.
Se ninguém tem força ou vontade para colocar o insignificante Gil Vicente no seu devido lugar, como esperar que casos como o Apito Dourado tenham um desenlace positivo e regenerador ?

À CONQUISTA DA EUROPA

Enquanto o Caso-Mateus continua a dominar a actualidade desportiva portuguesa, a selecção nacional, menos de dois meses depois da histórica campanha do Mundial da Alemanha, inicia o ataque à fase de qualificação para o Euro-2008.
As retiradas de Figo e Pauleta, conjugadas com as lesões de Miguel, Simão e a inactividade de Maniche e Hugo Viana, obrigaram Scolari a uma remodelação forçada, ainda que cirúrgica, no seu quadro de jogadores.
Foram convocados os médios sportinguistas Carlos Martins, Nani e João Moutinho, o benfiquista Ricardo Rocha e o ex-portista Hugo Almeida - Quaresma, também lesionado falhou mais uma vez a chamada. Dos vinte e três mundialistas mantêm-se: Ricardo, Quim, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Fernando Meira, Nuno Valente, Ricardo Costa, Marco Caneira, Costinha, Tiago, Petit, Deco, Cristiano Ronaldo, Nuno Gomes, Boa Morte e Hélder Postiga.
Olhando para esta convocatória parece-me que pouco haverá a contestar. Os elementos cuja ausência no Mundial mais tinta fizeram correr estão presentes (à excepção de Quaresma, que já depois de convocado foi dispensado por fractura de maxilar), e todos os que se podiam manter estão no grupo.
Além destes, poderemos ao longo desta campanha ainda assistir às chamadas de jogadores como Custódio, Tonel, Raul Meireles, Nelson, Abel, Miguelito, Pedro Mendes e, caso recupere, Manuel Fernandes. Estará assim, com mais uma ou outra surpresa que apareça (Manu ? Djaló ? Vaz Tê ? Vieirinha ?) completado um processo de renovação que tem condições para permitir à equipa nacional manter o elevado nível que tem apresentado ao longo da última década. Para já, em termos tácticos, e tendo como dado absolutamente seguro que o figurino se manterá inalterável, o grande problema que se coloca a Felipão é o da escolha de um ponta-de-lança à altura da difícil tarefa de fazer esquecer Pauleta. Nuno Gomes é para já a opção mais credível para finalmente se firmar como titular da equipa das quinas, mas a boa forma de Hugo Almeida (agora no Werder Bremen) ameaça o experiente benfiquista. Postiga parece não passar de uma terceira opção, apesar da simpatia que Scolari nutre por ele.
De qualquer modo, Nuno Gomes tem 30 anos e para o médio prazo há que aquilatar da real evolução da dupla formada nas escolas do Dragão. O futebol português teve ao longo da sua história fases em que a grandes jogadores de meio campo não correspondia uma eficácia goleadora à altura, limitando com isso os resultados a um nível pouco mais que medíocre. Não queremos voltar a esses tempos, mas a verdade é que, enquanto em todas as outras zonas do campo há talentos a emergir, no eixo do ataque as alternativas mais jovens são poucas e ainda de algum modo duvidosas.
Para já temos pela frente um grupo de qualificação bem duro, com várias selecções candidatas ao apuramento. Polónia, Sérvia, Bélgica e Finlândia são adversários respeitáveis, perante os quais Portugal vai ter de demonstrar a sua melhor face se quiser evitar problemas em termos de apuramento. Cazaquistão, Azerbeijão e Arménia são outsiders, mas qualquer deles poderá retirar pontos aos favoritos, sobretudo nos jogos a disputar em sua casa.
Para o primeiro jogo, na Finlândia na próxima quarta-feira, Scolari deverá apresentar uma equipa similar a esta: Ricardo, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Fernando Meira, Nuno Valente, Costinha, Petit, Deco, Cristiano Ronaldo, Nuno Gomes e Luís Boa Morte.
Resta pois entrar com o pé direito nesta competição. Uma vitória em Helsínquia pode muito bem ser a alavanca para mais uma qualificação tranquila como ultimamente a selecção nos tem habituado.
Boa sorte !

QUEM É ALECSANDRO ?

De modo a poder satisfazer a curiosidade dos adeptos, em particular dos sportinguistas, acerca da nova contratação do clube de Alvalade, eis o que o nosso amigo brasileiro Marcel Jabbour diz de Alecsandro:

Alecsandro tenta sua primeira aventura pela Europa. No Brasil actuou pelo Noroeste, Vitória, Sport, Ponte Preta até chegar ao Cruzeiro em Setembro de 2005, substituindo Fred, que acabava então de se transferir para o Lyon. Marcou 11 gols em 18 jogos no ano passado. É um atacante muito oportunista, talvez sem muita técnica, mas de grande força física. Particularmente, prefiro Deivid, porém é inegável seu talento para marcar golos.
Apenas a título de curiosidade, Alecsandro é irmão mais velho de Richarlyson, jogador do São Paulo.

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

À semelhança da temporada passada, VEDETA DA BOLA vai contabilizar pontualmente, um por um, os erros de arbitragem que favoreçam ou prejudiquem os três candidatos ao título ao longo da Liga.
Recorde-se que são passíveis de alterar a classificação as seguintes ocorrências: golos irregulares, golos mal anulados, penáltis por assinalar e mal assinalados (se convertidos).
Para já, nesta primeira e incompleta ronda, nada de relevante a assinalar:

SPORTING 3
F.C.Porto 3
Benfica n.j.

VEDETA DA JORNADA

NANI : Um golo a abrir a vitória leonina perante o Boavista, e uma justa chamada à selecção A, justificam os holofotes da semana.
É um talento emergente do nosso futebol, que poderá muito bem ser a grande revelação da temporada que agora se inicia.

COM O PÉ ESQUERDO

Numa jornada que tinha agendados dois jogos para Lisboa em dias diferentes, pensei marcar presença em Alvalade no sábado para o Sporting-Boavista, e na Luz ontem para o Benfica-Belenenses, dando assim da melhor forma o pontapé de saída para a Liga 2006-2007. Lamentavelmente não foi possível estar em nenhum dos estádios.
Na Luz não houve jogo pelos tristes motivos que todos conhecem, e sobre os quais honestamente não me apetece alongar muito - gosto de falar e escrever sobre futebol, e não sobre o lixo que por vezes o rodeia.
Pobre futebol.
Por outro lado, em Alvalade jogou-se um Sporting-Boavista de luxo, pelo menos a avaliar pelos preços com que incredulamente me deparei. Quem não era detentor de “GameBox” (nome pomposo este…), nem sócio do Sporting, teria de pagar 40 euros para ver o jogo atrás de uma baliza (mesmo os sócios teriam, no mínimo, de desembolsar 25 euros).
Recordo que na fase final do Mundial da Alemanha e do Euro 2004, havia bilhetes desde 35 euros, e que um sócio do Benfica podia assistir por 10 euros ao jogo com o Manchester United, decisivo para a Liga dos Campeões do ano passado, e um não sócio podia fazê-lo por 25 euros.
Escusado será dizer que o Sporting, para além dos detentores de “GameBox”, vendeu pouco mais de dois mil bilhetes para esta partida
Deste modo, acabando por nem sequer assistir ao jogo pela TV, e uma vez que compromissos vários me impediram de seguir também o F.C.Porto-U.Leiria de sexta-feira, pouco terei para dizer sobre uma jornada que de facto não acompanhei de todo. Não houve surpresas, não houve (a avaliar pelos resumos) casos de arbitragem significativos, e toda a atenção mediática foi desviada para o caso Mateus, que cada vez parece mais pantanoso, e do qual apenas espero não traga consequências àqueles que em nada para ele contribuíram.

TIRO DE PARTIDA

Quando se aproxima o início de mais uma edição da Liga Portuguesa, VEDETA DA BOLA traz-lhe uma breve antevisão daquilo que poderá ser esta competição, designadamente no que à luta pelo título diz respeito.
Embora o Sporting de Braga se vá paulatinamente afirmando no panorama futebolístico nacional, a verdade é que os grandes candidatos ao título são os mesmos de sempre: F.C.Porto, Sporting e Benfica. Assim sendo, esta abordagem incidirá nessas equipas, até por serem aquelas que, graças a uma maior visibilidade, mais se permitem explorar.
Vamos então a isto:

F.C.PORTO

Com um orçamento que representa quase o dobro dos concorrentes directos, o F.C.Porto parte para esta época como campeão em título e com o quadro de jogadores praticamente inalterado. Não fosse a súbita mudança de treinador a duas semanas do início da competição, poder-se-ia dizer que se apresentava com amplo favoritismo para a renovação do título.
Todavia, a substituição de Co Adriaanse por Jesualdo Ferreira merece ser encarada de forma substancialmente diferente do que uma mera mudança de comando técnico. Esta alteração será também, inevitavelmente, uma mudança de conceitos, de princípios e de métodos, com uma amplitude que dificilmente evitará deixar algumas marcas. Um sucessor de Adriaanse, qualquer que ele fosse, nunca poderia constituir uma solução de continuidade, tais as especificidades evidenciadas pelo controverso técnico holandês. Quem, depois de variadíssimas experiências, coloca a equipa a jogar com três defesas e quatro avançados, quem dispensa Jorge Costa, Nuno Valente, César Peixoto, Diego, Hélder Postiga, Hugo Almeida, McCarthy, encosta Vítor Baía e sugere as aquisições de Sonkaya e Sektioui, não é, de todo, fácil de compreender, sobretudo se se torna campeão e vencedor da taça.
A primeira questão que se coloca ao F.C.Porto é pois a de saber até que ponto Jesualdo Ferreira será capaz de impor as suas ideias dispondo de um plantel que foi construído por Adriaanse, e feito a pensar na tipologia de jogo do holandês, nomeadamente se atentarmos ao sector defensivo, onde as opções não são de modo algum equiparáveis à abundância do meio campo para diante. Se essa operacionalização for efectuada com sucesso, teremos um Porto em condições de revalidar o título e de se apresentar em termos internacionais com uma envergadura que Adriaanse não lhe conseguiu dar. Mas o caminho não será fácil.
Não se vê por exemplo como Bosingwa e Marek Cech possam ser capazes de sustentar as faixas laterais sem qualquer alternativa durante toda a temporada, partindo do princípio que será recuperado um sistema com quatro defesas. O centro do ataque entregue exclusivamente a Adriano e Hélder Postiga também não oferece muitas garantias (a menos que Lisandro se afirme como ponta-de-lança) sobretudo em caso de lesões ou castigos - recorde-se que um dos motivos de queixa de Adriaanse foi justamente a sua insistência no compatriota Vanegoor of Hasselink, nunca satisfeita pela direcção portista. Não se vê quem possa emparceirar com Quaresma no flanco de ataque oposto (ou substitui-lo em caso de ausência forçada), nem que modelo possa articular na mesma equipa Lucho Gonzalez, Raul Meireles, Ibson, Anderson, Jorginho e Paulo Assunção (um losango ?). No centro da defesa, com as lesões de João Paulo e Pedro Emanuel, as opções estão reduzidas aos jovens Ricardo Costa, Pepe e Bruno Alves, o que parece manifestamente pouco para quem tem legítimas ambições de ir longe na Champions League, prova que ganhou há pouco mais de dois anos - equipa da qual, diga-se, já não resta um único elemento entre os titulares.
Portanto, um plantel ao qual bastaria um ponta-de-lança para apresentar um notável equilíbrio face à ideologia de Adriaanse, afigura-se-nos, mau grado o valor individual de muitas das suas peças, algo desarticulado se pensarmos nos sistemas de jogo que Jesulado Ferreira (como qualquer treinador “normal”) tem privilegiado na sua carreira, e que têm oscilado entre o 4-3-3 (sobretudo este) e o 4-4-2.
De qualquer modo a qualidade existe, há jogadores a despontar como grandes promessas, caso de Anderson, e outros que são certezas absolutas como as estrelas Quaresma e Lucho, ou Pepe, uma das revelações da época passada. Há também a hipótese, pouco provável, de Jesualdo manter ao longo da época o modelo herdado de Adriaanse (que teve tempo de estudar), e assim procurar traçar uma linha de continuidade capaz de garantir uma maior segurança competitiva.
Para já, o FCP tem motivos de satisfação, pois conquistou o primeiro troféu oficial da época: a Supertaça.
Resumindo temos:

PONTOS FORTES: Grande qualidade individual de alguns jogadores; Juventude e ambição na generalidade do plantel; Auto-estima reforçada com as conquistas do ano passado; Experiência do treinador, grande conhecedor do futebol português; Orçamento capaz de limar as arestas existentes no plantel já ou em Janeiro; Hábitos de vitória bem implantados; Meio campo com múltiplas soluções; Eficácia goleadora de Adriano; Magia de Ricardo Quaresma; Apenas Ricardo Costa e Lucho estiveram no Mundial, e pouco jogaram.
PONTOS FRACOS: Inoportuna substituição técnica; Provável necessidade de ruptura com o modelo anterior; Plantel desenhado por e para Adriaanse; Poucas opções na defesa, quer na zona central quer nas faixas; Falta de alternativa a Quaresma; Saídas de McCarthy e Hugo Almeida não devidamente supridas
ESTRELAS: Helton, Quaresma e Lucho Gonzalez
A SEGUIR COM ATENÇÃO: Anderson
EQUIPA TIPO: Helton, Bosingwa, Pepe, Ricardo Costa, Marek Cech, Paulo Assunção, Lucho Gonzalez, Anderson, Ricardo Quaresma, Adriano e Lisandro Lopez
GRAU DE FAVORITISMO: 35%

SPORTING

Se houvesse campeões na pré-época, o Sporting teria já assegurado o título.
Mantendo a estrutura da temporada anterior completamente inalterada – o mesmo técnico, o mesmo modelo de jogo e os mesmos jogadores -, o Sporting viu ainda nascer mais um conjunto de produtos das suas torrenciais escolas (como Miguel Veloso, Djaló ou Ronny), que garantem ao seu plantel um leque de opções maior e mais versátil que aquele com que conquistaram o segundo lugar e o acesso directo à Liga dos Campeões no último campeonato.


Com um 4-4-2 em losango já devidamente afinado, o Sporting, com uma equipa organizada, talentosa e bastante equilibrada, tem contudo em Liedson a sua unidade determinante, sem a qual todos os méritos encontrados na restante gestão do plantel não passariam de pura fantasia. O “levezinho” é claramente o melhor avançado a jogar em Portugal, e só por si garante a totalidade do caudal de jogo ofensivo dos leões, sendo capaz de pôr em sentido qualquer linha defensiva contrária.
Com Ricardo na baliza, o Sporting tem em Abel, Tonel, Anderson Polga e Marco Caneira, um quarteto defensivo sólido mas sem grandes opções de banco, sobretudo no sector central. No losango de meio-campo, a utilização do criativo quarteto da “cantera” Custódio, Carlos Martins (agora chamado por Scolari), João Moutinho e Nani é uma hipótese, complementada muito bem com as credíveis opções de João Alves, o uruguaio Paredes, o argentino Romagnoli, o chileno Tello e o sueco Farnerud, todos eles internacionais. O ataque será Liedson e mais um, que pode bem ser Djaló, o brasileiro Deivid ou o recém contratado Carlos Bueno. Há ainda o camaronês Douala, que vem de uma época muito apagada e dificilmente encontra o seu espaço no modelo de jogo preconizado por Paulo Bento.
Pode-se pois dizer que o Sporting, sem as indefinições dos seus rivais, com total estabilidade de processos e de meios, é neste momento a equipa que se encontra em melhor posição para enfrentar a Liga.
Resta saber se a juventude e inexperiência internacional da grande parte da equipa (e do treinador) não se fará sentir, nomeadamente na articulação entre a participação na Champions League e as provas nacionais, se Tonel e Polga não se lesionam, se Liedson não se constipa, se Carlos Martins (ou Romagnoli…ou mesmo Moutinho…) não se eclipsa novamente, e se uma maior competitividade no balneário não fará algum sangue ao longo de uma temporada em que alguns elementos poucas vezes terão oportunidade de jogar.
Seja como for, se tivesse de apostar em alguém, fria e objectivamente, escolheria o Sporting como principal favorito à conquista do título que lhe foge há já quatro anos.

PONTOS FORTES: Estabilidade resultante da manutenção de toda a estrutura; Liedson; Equilíbrio do plantel face ao modelo de jogo utilizado; Juventude e ambição da equipa; Grande personalidade do técnico; Modelo de jogo muito bem sistematizado; Meio campo fortíssimo com múltiplas opções; Muito entusiasmo dos adeptos em redor da equipa ; Praticamente imune ao desgaste do Mundial.
PONTOS FRACOS: Faltam opções de banco no centro da defesa; Falta de flanqueadores; Excessiva dependência de Liedson no ataque; Inexperiência de muitos jogadores do plantel; Possível excesso de confiança, se as coisas lhe começarem a correr bem; Eventual maior desgaste com um grupo fortíssimo na Liga dos Campeões.
ESTRELAS: Ricardo, Liedson e João Moutinho
A SEGUIR COM ATENÇÃO: Ronny e Djaló
EQUIPA TIPO: Ricardo, Abel, Tonel, Anderson Polga, Marco Caneira, Custódio, Carlos Martins, João Moutinho, Nani, Liedson e Deivid
GRAU DE FAVORITISMO: 40%

BENFICA

Apresentando-se com um plantel de qualidade em termos individuais – é quem dispõe de mais internacionais A, é a equipa mais experiente e fisicamente mais robusta da liga - o Benfica passa porém por uma fase de alguma indefinição em termos competitivos.
A novela em redor da saída ou não de Simão Sabrosa teve amplas consequências no trabalho da equipa, a começar pela arquitectura inicial do plantel e a terminar na mudança de sistema que Fernando Santos (recém chegado ao clube) foi obrigado a fazer a meio da pré-época, após uma série de maus resultados.
Tendo como certa a saída do capitão, o Benfica libertou Geovanni, impelindo Santos a estruturar um modelo de 4-4-2 em losango (semelhante ao do Sporting), onde não cabiam extremos de raiz (que deixavam assim de existir no plantel), e havia lugar para dois pontas-de-lança, o que levou à insistência em novo empréstimo de Miccoli e precipitou a contratação do mexicano Fonseca, quando já estavam na Luz Nuno Gomes, Mantorras e Marcel.
Os maus resultados – normais num período de adaptação, mas dificilmente digeridos pelos adeptos – e o presumível volte-face no caso Simão (para além da mais que provável saída de Karagounis, elemento crucial para fazer de interior no “quatro” de meio campo), parecem ter levado o técnico a alterar o programa, e a recuperar o 4-2-3-1 que os encarnados utilizavam desde os tempos de José António Camacho. Os resultados na pré-eliminatória da Champions League parecem ter sido o sinal definitivo de que o técnico necessitava para se decidir por que caminho enveredar.
Acontece que, para jogar desta forma, o Benfica necessita de mais um médio defensivo como opção a Petit e Katsouranis (podia ser… Manuel Fernandes), de um ala direito de qualidade para assumir a titularidade (podia ser… Geovanni) tendo, por outro lado, demasiados pontas-de-lança para quem pensa privilegiar a utilização de apenas um de cada vez na maioria dos jogos.
Há pois um desequilíbrio, à primeira vista insanável, de que o técnico é o menor responsável, mas que condiciona, veremos se definitivamente ou não, a expectativa do Benfica para a época que está à porta.


Tal como Jesualdo no F.C.Porto, Fernando Santos também se vê obrigado a uma difícil ginástica táctica para formar um grupo vencedor, o que não sendo impossível, poderá demorar ainda algum tempo, tempo esse já entretanto ganho pelo Sporting de Paulo Bento.
Para já, o Benfica tem para oferecer uma defesa seguríssima (uma das melhores da Europa na temporada passada, e de onde ninguém saiu), uma boa dupla de médios defensivos, um artista que, se a condição física ainda o permitir, será seguramente um dos destaques da liga (Rui Costa), e uma colecção de pontas-de-lança para todos os gostos. Ah… e Simão Sabrosa.
Tem também o mérito de, numa liga onde actuarão mais de duzentos estrangeiros, se ter apresentado na pré-eliminatória da Champions inicialmente com oito portugueses no onze inicial. À semelhança do F.C.Porto (vencedor da Supertaça), também já atingiu um dos objectivos da temporada: estar na elite da prova rainha do futebol europeu.

PONTOS FORTES: É, destacadamente, o plantel com maior número de internacionais A pelos seus países; É o plantel fisicamente mais alto e forte de entre os três grandes; Espinha dorsal constituída por jogadores de larga experiência; Grande identificação com a mística do clube de muitos dos principais jogadores (Luisão, Petit, Rui Costa, Nuno Gomes etc); Sector defensivo muito bem recheado, e quase insuperável quando inspirado; Boa dupla de médios defensivos; Pontas-de-lança em quantidade e razoável qualidade; Rui Costa extremamente motivado, com a camisola do seu coração finalmente vestida; A força da maior massa adepta do país que, se as coisas correrem bem de início, poderá ser determinante.
PONTOS FRACOS: Indecisão provocada pelo caso Simão; Instabilidade generalizada na construção do plantel (além de Simão, também Manuel Fernandes, Karagounis, Miguelito, Marcel, Karyaka etc); Alteração de toda a programação táctica planeada inicialmente; Treinador sem contacto directo com o futebol português nas últimas épocas; Falta de mais um médio defensivo como solução alternativa; Falta de um ala direito de qualidade e experiência; Excesso de pontas-de-lança para o sistema que agora se pretende utilizar; Algumas possíveis feridas de balneário abertas por Koeman e ainda não devidamente saradas; Desgaste acrescido do Mundial, onde teve sete jogadores presentes; Alguns resultados da pré-temporada algo desmotivadores.
ESTRELAS: Luisão, Rui Costa e Simão Sabrosa
A SEGUIR COM ATENÇÃO: Manu
EQUIPA TIPO: Quim, Nelson, Luisão, Anderson, Léo, Petit, Katsouranis, Rui Costa, Miccoli, Nuno Gomes e Simão Sabrosa.
GRAU DE FAVORITISMO: 25%

RESTANTES EQUIPAS
Sem conhecer em profundidade a forma como algumas delas se têm apresentado na pré-temporada, apenas poderei acrescentar que o Sporting de Braga é claramente o quarto melhor plantel da prova, o Boavista parece bastante enfraquecido, tal como Nacional e Vitória de Setúbal. Por outro lado Marítimo, Académica, U.Leiria e Estrela da Amadora poderão ser as surpresas da época.
A forma como o Belenenses reagirá a toda a indefinição jurídica acerca da sua participação poderá ser um obstáculo à sua performance, ainda que tenha excelentes jogadores e um treinador sagaz e experiente.
Aves, Beira-Mar, Paços de Ferreira e Naval, são incógnitas, mas nenhum deles deverá fugir da luta pela despromoção até às últimas jornadas, salvo se Mário Jardel (contratado pelo Beira-Mar) conseguir recuperar o fulgor que fez dele um dos maiores goleadores da Liga Portuguesa há uns anos atrás.

SORTE GRANDE NA LUZ, TERMINAÇÃO EM ALVALADE

O resultado do sorteio do Mónaco não pode deixar de ser visto como francamente positivo para o Benfica, que para além de poder defrontar a equipa de coeficiente mais baixo de entre todas as apuradas (os nórdicos do F.C.Copenhaga), encontra dois clubes britânicos - tradicionalmente favoráveis para o futebol português - um que derrotou na última edição (Manchester United), e outro (Celtic de Glasgow) que, sem anunciar facilidades, não deixa de ser um dos menos fortes do pote 2, de onde podiam ter saído Chelsea ou Bayern de Munique.
É precisamente o Bayern que, juntamente com Inter de Milão e Spartak de Moscovo, se apresenta no caminho do Sporting, que não foi, de todo, feliz nesta roda da sorte, saindo-lhe um grupo pouco menos que inultrapassável.
O F.C.Porto também não tem grandes motivos para sorrir, pois Hamburgo, CSKA de Moscovo e Arsenal estão longe de garantir qualquer espécie de tranquilidade. Ainda assim, um Porto ao seu melhor nível, poderá perfeitamente derrotar alemães e russos.
É claro que tudo isto não passa de teoria, e por vezes perante as maiores dificuldades as equipas agigantam-se, sucedendo também o contrário.
Resta pois desejar sorte a todas as equipas portuguesas envolvidas.

CINCO MIL !

VEDETA DA BOLA está de parabéns.
Foi ultrapassada a marca dos cinco mil leitores, o que para além de constituir motivo de orgulho, representa também uma acrescida responsabilidade.
Mais do que crescer, importa agora sobretudo manter estes cinco mil, que são decerto os melhores leitores do mundo.
Muito obrigado a todos !

ANDA À RODA NO MÓNACO

Ficou ontem completa a lista dos trinta e dois participantes na edição de 2006-2007 da milionária Liga dos Campeões da Uefa.
A única grande surpresa da 3ª pré-eliminatória foi o afastamento do Ajax de Amsterdão aos pés do F.C.Copenhaga, para mais tendo em atenção que os holandeses haviam ganho na Dinamarca por 2-1. Ontem foram escandalosamente derrotados no Arena por 0-2.
Por países, Portugal apresenta-se pela primeira vez com três concorrentes, sendo apenas ultrapassado pela Inglaterra com quatro. Espanha, França, Alemanha e Itália têm também três clubes presentes.
Assim, no sorteio desta tarde figurarão as seguintes equipas:

POTE 1: Barcelona, Milan, Manchester, Arsenal, Inter, Real Madrid, Liverpool e Valência
POTE 2: F.C.Porto, Chelsea, Bayern, Lyon, Roma, PSV, Lille e Celtic
POTE 3: Benfica, Sporting, Bremen, Bordéus, Steaua, Olympiakos, CSKA e AEK
POTE 4: Hamburgo, Anderlecht, D.Kiev, Spartak, Galatasaray, Donetsk, Levski e Copenhaga

Quer isto dizer que, a sorte de hoje poderá ser determinante para as possibilidades de uma boa campanha, sobretudo para Benfica e Sporting, que ficaram à beira do pote 2 sem nele entrar.
Um grupo com Barcelona, Chelsea e Hamburgo, não é bem a mesma coisa, convenhamos, que um que englobe Valência, Lille e Copenhaga por exemplo.
Conforme já disse neste espaço, parece-me que a chave da sorte para os rivais de Lisboa estará na equipa que resultar do pote 2. No último pote, à excepção do Hamburgo, todos parecem mais ou menos ultrapassáveis, enquanto que, pelo contrário, no pote 1 não há muita escolha.
Não podendo sair o F.C.Porto, de entre as restantes sete equipas julgo que PSV, Lille e Celtic serão aquelas que poderão abrir a janela da esperança a Sporting e Benfica. Saindo uma destas e evitando o Hamburgo, o sorteio será sempre muito positivo.
Para o F.C.Porto a vida está mais facilitada, pois beneficia ainda da pontuação do ano em que foi campeão e engloba o segundo naipe de equipas no ranking uefeiro. De entre as cinco equipas do pote 3 que lhe poderão calhar em sorte, penso que o Bremen (de Diego e Hugo Almeida), sobretudo este, é de evitar, tal como o Olympiakos e o CSKA de Moscovo. Steaua de Bucareste seria talvez o adversário mais simpático para os portistas, que todavia deverão encontrar sempre um grupo que proporcione boas hipóteses de apuramento para os oitavos-de-final.

O INFERNO DA LUZ

OUVIU-SE MÚSICA ENQUANTO O MAESTRO ESTEVE EM CAMPO

Uma magistral exibição de Rui Costa foi a nota dominante da partida de ontem na Luz que ditou o apuramento do Benfica para a fase de grupos da mais importante prova de clubes da Europa onde, pela primeira vez na história, Portugal vai colocar três representantes.
Foi a partir do perfumado futebol do regressado maestro que o Benfica – novamente no 4-2-3-1 que exibiu nas últimas temporadas - se desembaraçou de um adversário que já no jogo da primeira mão demonstrara estar bastantes furos abaixo dos encarnados e das exigências de uma competição como a Champions League. É lugar comum dizer-se que uma equipa joga o que a outra deixa jogar, mas se nos lembrarmos dos conjuntos que eliminaram F.C.Porto e Sporting das competições internacionais na época transacta (Artmédia e Halmstad), verificamos como por vezes o que parece fácil se complica. Pois o Benfica não complicou, e esse foi o seu grande mérito nesta eliminatória, que acabou por resolver com toda a tranquilidade e segurança.
Entrando a todo o gás, a equipa da Luz cedo tomou conta do jogo e partiu para uma primeira parte com momentos de grande fulgor a roçar o brilhantismo. Rui Costa a pensar e a organizar o jogo, Nuno Gomes como complemento ideal para o seu futebol de veludo, e a irreverência de Manu a dar profundidade ofensiva, foram os alicerces em que assentou a boa exibição benfiquista neste período.
Aos vinte minutos, corolário do amplo domínio encarnado, Manu e Nuno Gomes construíram a jogada que Rui Costa brilhantemente finalizou. Estava feito o mais difícil.
Se se esperava uma reacção austríaca, a verdade é que ela não surgiu. A toada de jogo diminuiu um pouco, mas o controlo e o domínio da partida permaneceram sempre, em absoluto, na equipa benfiquista.
No último minuto da primeira parte, um corte de cabeça de Katsouranis isolou Nuno Gomes que, com facilidade, bateu o guarda-redes do Áustria pela segunda vez dando, num momento decisivo, o golpe de misericórdia na partida.
Obviamente que, nesta fase da época e com a eliminatória praticamente resolvida, seria de esperar uma segunda parte menos intensa. Ainda assim, foi novamente dos pés de Rui Costa que nasceu o lance do terceiro golo, concretizado por Petit após assistência de Manu. A partir de então, a única dúvida seria saber quantos mais golos o Benfica marcava.
Apesar de um ou outro lance de perigo, o resultado não mais se alterou. A substituição de Rui Costa (com todo o estádio de pé a aplaudi-lo) acabou com o jogo, pois a partir daí o Benfica perdeu a sua principal referência a meio campo, enveredando por um futebol mais atabalhoado, que nem as entradas de Fonseca e Mantorras puderam contrariar. O tempo foi passando, a festa foi-se fazendo nas bancadas, e quando Terje Hauge apitou para o final da partida, as quase sessenta mil pessoas presentes puderam sair com a clara sensação de que, afinal, têm jogadores e equipa para enfrentar a temporada com toda a confiança, algo que há semanas atrás não parecia assim tão líquido.
Agora espera-se que a fada madrinha possa dar uma ajuda no sorteio de amanhã à tarde, no qual o Benfica estará juntamente com o Sporting no pote 3 (o F.C.Porto estará no 2, pelo que teoricamente poderá beneficiar de um grupo mais acessível). Partindo do princípio que as equipas do pote 1 são pouco menos que inultrapassáveis, e as do pote 4 poderão ser as menos difíceis, a chave está em saber quem cairá do pote 2. PSV Eindhoven (de Koeman), Ajax e Celtic de Glasgow parecem, à partida, as mais desejáveis. Veremos se haverá condições para, pelo menos, repetir a prestação da época passada, onde o Benfica só foi derrotado pelo Barcelona (que havia de se sagrar campeão) nos quartos-de-final.

ANÁLISE INDIVIDUAL

QUIM (3) Teve pouquíssimo trabalho, realizando apenas uma defesa de relevo. Uma falha numa intercepção ainda no primeiro tempo não chega para pôr em causa o seu trabalho e a sua merecidíssima titularidade.
NELSON (4) Sendo o elemento do sector defensivo com maior vocação atacante, seria naturalmente de esperar que estivesse em plano de maior evidência numa partida com estas características. “Netcha” não desaproveitou a ocasião fazendo uma primeira parte de muito bom nível. Apagou-se um pouco no período final do jogo, como toda a equipa, mas fica ideia de estar a caminho da forma que fulgurantemente exibiu nos seus primeiros jogos de vermelho vestido.
LUISÃO (3) O Áustria de Viena nunca foi capaz de pôr à prova a linha defensiva do Benfica. Luisão realizou um ou outro bom corte, mas não teve trabalho suficiente para exibir toda a sua reconhecida autoridade e capacidade.
ANDERSON (3) O que se disse para Luisão é absolutamente pertinente para o seu parceiro do lado. No pouco que teve de fazer esteve seguro.
RICARDO ROCHA (3) Certamente motivado pela chamada à selecção de Scolari, o polivalente benfiquista entrou com vontade de evidenciar a sua presença. Sabe-se que não é lateral de raiz, e como tal sente algumas dificuldades sempre que tem de jogar em profundidade. Por esse motivo a sua exibição acabou por não ter a continuidade que os momentos iniciais prometiam, não saindo todavia de um registo positivo.
PETIT (3) Está muito longe da sua melhor forma, o que é perfeitamente natural num jogador que teve pouco mais de uma semana de férias após o Mundial. Mesmo assim acabou por ficar na história da partida marcando o terceiro golo (num lance em que o mais difícil seria mesmo não concretizar). Tentou, em vão, a sua forte meia distância na sequência de livres à entrada da área.
KATSOURANIS (3) Impressiona desde logo pela planta física. É um cabeça-de-área tradicional, jogando curto e valendo-se dum apuradíssimo sentido posicional para cortar linhas de passe e compensar as subidas dos companheiros. O jogo não lhe exigiu muito, acabando por estar também num dos golos (o segundo), através de um cabeceamento que isolou Nuno Gomes.
MANU (4) Uma das unidades de maior e mais constante rendimento. Dotado de uma velocidade estonteante, parece voar dentro do campo tal a leveza com que corre. Se juntarmos a isso um bom domínio de bola e sentido de passe, temos jogador. Manu, que esteve em dois dos golos, foi uma (muito) agradável surpresa na noite de ontem, e a jogar assim não se vê como possa perder a titularidade.
NUNO GOMES (4) Apesar de, tal como Petit, ter também estado no Mundial da Alemanha, Nuno apareceu em grande neste primeiro jogo na Luz, à semelhança aliás do que sucedera em Viena. Voltou a marcar (dois golos em dois jogos, para começar, não é nada mau), cumprindo aquilo que se pede a um ponta-de-lança, mas para além disso soube interpretar muito bem a “música” que brotava dos pés do maestro Rui Costa, complementando-o com constantes tabelinhas e desmarcações. Foi de uma dessas tabelinhas que resultou o golo do “dez” que abriu caminho à vitória.
PAULO JORGE (2) Foi o elemento em menor destaque na frente de ataque e em toda a equipa, mais por infelicidade em dois ou três momentos que podiam ter marcado a sua exibição, do que por falta de vontade de agradar que, diga-se, nunca lhe faltou. Se se concretizar a continuidade de Simão no plantel, poderá sair-lhe a fava, o que representará uma acrescida pressão sobre as costas do ex-boavisteiro, ainda nos seus primeiros passos de águia ao peito. Já mostrou (em Viena) que é capaz de fazer melhor.
BETO (3) É absolutamente incompreensível a forma como os sócios do Benfica o receberam, demonstrando, pelos vistos, não estar satisfeitos com a sua permanência no plantel. O que vale a Beto é a sua capacidade de se alhear da pressão que lhe cai das bancadas e jogar com tranquilidade e segurança, o que mais uma vez fez. Já se sabe que não é nenhum Rui Costa, mas as equipas também necessitam de carregadores de piano. De piano às costas, Beto foi, é, e será elemento de extrema utilidade no plantel encarnado.
FONSECA (2) Esteve pouco tempo em campo, mas o suficiente para verificar que se trata de um jogador com cultura do lugar e com estrutura física para se fazer notar ao longo da época.
MANTORRAS (2) O povo adora-o e, ao contrário de Beto, não precisa de fazer grande coisa para receber constantes ovações das bancadas da Luz. A vida tem destas coisas. Gostei de o ver encostado à linha do lado direito, lugar onde poderá ser mais útil à equipa do que propriamente como ponta de lança (Camacho já o utilizara dessa forma).

Na equipa austríaca só o guarda-redes demonstrou argumentos para disputar uma Liga dos Campeões. O árbitro norueguês (que apitou a última final da prova), esteve irrepreensível.

VEDETA DO JOGO

RUI COSTA (5) Muitos anos passaram desde que vestira pela última vez a camisola do Benfica no estádio que o viu crescer. Ontem o tempo pareceu voltar para trás, tal o requinte da exibição do camisola dez encarnado. Desde cedo demonstrou que dos seus pés continuam a sair autênticas obras de arte, ao que alia um amplo conhecimento do jogo, sentindo-se a sua voz no comando e gestão das movimentações de toda a equipa. Um grande golo, uma assistência fabulosa, passes, dribles, cruzamentos teleguiados e até recuperações de bola foram páginas do brilhante livro que o artista da Damaia abriu ontem na Luz. Depois deste jogo resta apenas a seguinte interrogação: não estará este Benfica demasiado dependente de Rui Costa ?

O TEU LUGAR !


És o quinto classificado no ranking de sempre da Liga dos Campeões !
Essa é a tua taça !
Esse é o teu lugar !
À vitória !

DE REGRESSO !

Ora cá estamos nós !
Após um retemperador período de férias, VEDETA DA BOLA volta hoje ao convívio dos seus leitores, para uma nova temporada que se espera repleta de grandes emoções.
Nesta pausa, algumas coisas dignas de nota ocorreram no futebol português.
O F.C.Porto obteve o primeiro título da temporada, batendo com facilidade um Vitória de Setúbal extremamente frágil, no jogo da Supertaça. Destaque para os brasileiros Anderson e Adriano que prometem muito numa equipa que tem no sector defensivo (agora privado de Pedro Emanuel) o seu “calcanhar de aquíles”.
Já antes deste jogo, o técnico holandês Co Adriaanse apresentara surpreendentemente (ou talvez não…) a demissão, originando uma triste novela em torno da sua substituição.
Adriaanse nunca foi um bem amado quer pelos jogadores, quer pelos adeptos portistas, pelo que a sua partida não terá feito correr muitas lágrimas. De qualquer modo, a “dobradinha” que fez na temporada passada fica como marca indelével da sua passagem por Portugal.
Diga-se que Jesualdo Ferreira parece ser, no momento actual, uma boa escolha, mas também é verdade que na única ocasião em que esteve à frente de um grande (Benfica 2002), os resultados não foram famosos. Não tinha o plantel que o F.C.Porto neste momento tem, mas ainda assim dispôs, nas duas meias épocas que fez, de jogadores como Enke, Moreira, Miguel, Fernando Meira, Ricardo Rocha, Marco Caneira, Tiago, Petit, Zahovic, Maniche, Simão Sabrosa, Drulovic, Roger, Mantorras, Nuno Gomes, Feher e Jankauskas, e nem a qualificação para as competições europeias alcançou, sendo depois eliminado da Taça de Portugal em casa pelo Gondomar (então na 2ª B), jogo que marcou o seu despedimento. Viu-se a diferença que, com o mesmo plantel, José António Camacho veio depois a implementar.
Na Luz continua a instabilidade na definição do plantel, resultado sobretudo do caso Simão, mas também dos (estranhos) casos Miguelito e Karagounis, sem esquecer Manuel Fernandes, que para todos os efeitos ainda é jogador do Benfica.
Com inúmeras condicionantes, o Benfica conseguiu ainda assim em Viena um resultado que o coloca à beirinha de, amanhã na Luz (onde obviamente VEDETA DA BOLA vai marcar presença), carimbar a presença na fase de grupos da Champions League.
A fragilidade denotada pelos austríacos há quinze dias parece ser suficiente para gerar algum optimismo entre o povo encarnado, mas…toda a prudência é pouca.
O caso Simão, diga-se o que se disser, vai perdurar até à meia noite do próximo dia 31, até porque o jogador não está convocado para o jogo de amanhã, deixando assim a possibilidade de transferência em aberto.
Pelas bandas de Alvalade tudo corre sobre rosas, e o clube leonino – em altura de festa centenária – sai desta pré-época como seu claro triunfador (vitórias inequívocas sobre Benfica, Huelva, Corunha e Sevilha). Para já, e levando em linha de conta que é o único a manter toda a estrutura da época anterior, assume-se como o principal candidato ao título. Mas, eloquentes campeões de pré-temporada que se afundaram na competição “à sério”, é o que não falta na história do futebol português…O Benfica que o diga !
Lá para finais desta semana, após esta importante eliminatória europeia, terá neste espaço uma antevisão da Liga Portuguesa, com particular destaque naturalmente, para a pormenorizada análise aos três principais e crónicos candidatos ao título.

ATÉ JÁ !

Chegou a hora de VEDETA DA BOLA ir a banhos.
Dentro de duas semanas terá o seu blogue de volta, bem a tempo da segunda mão da pré-eliminatória da Liga dos Campeões.
Até já !

POR CURIOSIDADE

Uma observação sobre o plantel dos três grandes revela que o Benfica dispõe de 16 internacionais pelas selecções principais dos seus países, o Sporting de 9 e o F.C.Porto de apenas 8.
Surpresa ?

UM ENORME BENFIQUISTA

TRANQUILIDADE PRECISA-SE

O Benfica de Fernando Santos voltou a perder. É a terceira derrota consecutiva nesta pré-temporada, marcada por mais uma exibição pálida e pouco afirmativa.
Tentando ser frio e objectivo, não me parece haver ainda motivos para acrescentar muito ao que disse no texto intitulado "Sem Dramas". O tempo vai passando, é certo, mas é perfeitamente natural que a equipa, com todas as indefinições de plantel que tem tido (às quais Santos, diga-se, é completamente alheio), com alguns importantes jogadores quase sem férias, com alterações de técnico, de modelo de jogo e de sistema táctico, não exiba ainda uma consistência que, com paciência e tranquilidade em seu redor, acredito possa vir a alcançar dentro de algumas semanas.
Fernando Santos diz agora que vai alterar o sistema de jogo. Compreende-se que às portas de uma eliminatória que pode marcar toda a temporada, e perante as dificuldades que o plantel tem revelado em assimilar a nova face táctica, o técnico queira diminuir os riscos, e jogar da forma que, para já, lhe oferece mais garantias de triunfo.
Todavia não me parece que o 4-4-2 deva deixar de ser trabalhado, pois numa perspectiva de médio prazo julgo ser aquele que melhor se enquadra neste plantel (partindo do princípio que Simão sai mesmo), conforme já expliquei em comentário ao post anterior.
O factor físico também não me preocupa. O Benfica tem grandes jogadores e um técnico experiente, a época é muito longa, e por vezes os fracos índices físicos no início acabam por, em crescendo, se transformar em títulos no final - não sou formado em educação física, mas a experiência diz-me que uma coisa tem muitas vezes que ver com a outra.
Seja qual for o sistema, o que julgo ser mais importante é os sócios do clube não se deixarem embarcar pela onda de instabilidade que a comunicação social está a começar a criar.
Há que dar tempo a esta equipa, e até agora não se perdeu absolutamente nada.