CARTA ABERTA A PRESTIANNI
Caro Gianluca,
Não te conheço pessoalmente, mas sei que és um jovem com idade para ser meu filho. Tenho até um filho um pouco mais velho do que tu.
Não te conheço pessoalmente, mas sei que és um jovem com idade para ser meu filho. Tenho até um filho um pouco mais velho do que tu.
Admiro muito o teu talento. Acho que és um prodígio de técnica, que apenas precisa de afinar o remate à baliza (e trabalhares muito) para te tornares um craque de dimensão mundial. Já o escrevi aqui, e não só aqui.
Abomino qualquer tipo de racismo. E sou, com imenso orgulho, sócio e adepto de um clube cuja maior lenda, com direito a estátua á porta do estádio, como tu sabes, é um negro: o grande Eusébio da Silva Ferreira. E cuja segunda maior figura talvez seja outro negro: o grande capitão e líder Mário Esteves Coluna.
Tenho a certeza de que tu também não és um racista. Tenho a certeza de que, no balneário, respeitas e és respeitado por gente de vários países, de diferentes etnias, e cujo estatuto é definido, não pela cor da pele, mas pela experiência, pela atitude e pelo talento. Na maior parte dos casos é assim o futebol. Felizmente.
Não ouvi o que disseste no relvado. Ninguém ouviu, excepto tu e aquele indivíduo a quem tenho dificuldade em chamar jogador profissional. Outros dizem que ouviram, mas as imagens disponíveis indicam que estão simplesmente a mentir. Para te prejudicar. Para branquear o comportamento miserável do alegado destinatário das tuas palavras.
Estás a ser crucificado por um mundo repleto de hipocrisia. Estás a ser atacado por pessoas que nem sequer estavam no estádio. Algumas nem sequer viram as imagens. Simplesmente, lança-se para o ar a palavra racismo, há um preto e um branco, e a partir daí já não interessa quem tem razão. Um é desde logo culpado e é para decapitar. Outro é desde logo inocente e deve ser beatificado. Mas a vida nunca é a preto e branco. É a cores. Com muitas cores. Como o vermelho da camisola que vestes. Com muita gente boa e má, sejam brancos, pretos, amarelos ou às riscas.
Estás a ser crucificado por um mundo repleto de hipocrisia. Estás a ser atacado por pessoas que nem sequer estavam no estádio. Algumas nem sequer viram as imagens. Simplesmente, lança-se para o ar a palavra racismo, há um preto e um branco, e a partir daí já não interessa quem tem razão. Um é desde logo culpado e é para decapitar. Outro é desde logo inocente e deve ser beatificado. Mas a vida nunca é a preto e branco. É a cores. Com muitas cores. Como o vermelho da camisola que vestes. Com muita gente boa e má, sejam brancos, pretos, amarelos ou às riscas.
Podes até ter-te excedido nas palavras. Se aconteceu, vais aprender com o erro, e perceber o meio onde te movimentas, e no qual qualquer passo em falso tem um efeito planetário e exacerbado. Eu, quando tinha a tua idade, não teria maturidade para lidar com uma situação deste tipo. Mas tu talvez a tenhas, e tens o apoio e a protecção do clube, bem como de seis milhões de adeptos que, por boas ou más razões, acabaste de unir em torno de ti.
O que fizeste tu afinal? Tentaste, da forma que, mal ou bem, naquele momento entendeste ser a mais apropriada, defender o clube que representas. Em campo, interpretaste a indignação e o ultraje que sentiam, nas bancadas, adeptos como eu, ao ver atitudes de uma "super-estrela" mimada que - sendo bastante mais velho do que tu, ganhando bastante mais dinheiro do que tu, tendo muito mais responsabilidade do que tu - não tem carácter, nem merecia estar ali a jogar a Champions, ou a representar um clube como o Real Madrid. Em Espanha conhecem-no bem. E mesmo no seu clube, diz-se que há quem esteja farto das suas atitudes. O problema dele não é a cor da pele. O problema dele é mesmo o cérebro. Já leva 21 episódios desta natureza. Há milhares de futebolistas negros, e só ele (um dos mais ricos, um dos mais privilegiados) é que é sempre a "pobre vítima". Talvez um dia tenha o que merece.
Tu, Gianluca, tens o meu apoio total e absoluto. Como, estou certo, tens o apoio total e absoluto do clube e dos seus adeptos.
És um miúdo. Desculpa dizer-te isto, mas vejo-te ainda, assim como a alguns dos teus colegas, como uma criança. Tens a vida pela frente, tens um talento incrível que tens de saber aproveitar. Com o tempo e com a maturidade, talvez não te deixes cair em ratoeiras como a que te foi, e está a ser, montada. À semelhanca, por exemplo, do teu companheiro Otamendi, como do teu ex-companheiro Di Maria. É neles que tens de pôr os olhos, é o exemplo deles, desde logo de profissionalismo, trabalho e humildade, que tens de seguir. Também de esperteza, para não cederes a provocações. Para seres tu a ditar as leis. Para defenderes, com tudo, a tua equipa e os teus colegas.
Jogas num grande clube. Estamos contigo. Trabalha, treina arduamente, joga, marca golos, e tenho a certeza de que o mundo acabará por te fazer justiça.
Força Prestianni!
Aceita um Abraço de um grande admirador do teu talento.
LF
2 comentários:
Situação muito complicada.
Por um lado temos o Vinícius que na minha opinião tem recorrentemente um mau comportamento (um verdadeiro mete-nojo).
Por outro lado temos o Prestianni que escondeu a boca claramente para insultar o adversário.
Se o Prestianni não o chamou "macaco", só tem que se apresentar numa conferência de imprensa e dizer isso mesmo. "Não chamei o Vinicius de 'Mono'. Dou a minha palavra de honra e juro pela saúde da minha família!"
Ou então fazer isso na reunião que seguramente vai acontecer com pessoas da UEFA, mas se está de consciência tranquila era fazê-lo mesmo publicamente!
Se não tiver coragem para o dizer, então teremos mesmo que assumir que foi o que disse.
Ninguém tem dúvidas que houve troca de insultos. A única coisa que precisa de ser esclarecida é se esses insultos foram racistas ou não. E se não foram racistas, o assunto deve morrer alí!
Senão não é condenado por insultos racistas, mas é condenado por homofobia (isto quando TODOS os jogadores se insultam uns aos outros).
Assino por baixo! Muito bem sr Fialho foi um excelente Post!!
Acho que pouca coisa mudou entre os dias de hoje e a idade média. Antigamente acusava-se alguém de bruxaria e era o suficiente para a multidão ir atrás desta pessoa com paus e espadas e queima-la. Nos dias de hoje as pessoas fazem o mesmo, a única diferença é que as pessoas usam o teclado e o telefone. Todos atacam o Prestianni mas ninguém pode provar o que ele disse. Se o Ral Madrid já se queixou a UEFA com provas e racismo, espero que o Benfica faça o mesmo e que não seja brando em relação a defesa do nosso jogador. Se há provas que o Prestianni foi racista então que apresentem provas concretas e não "ouvi ,"ele chamou " ou diz se que". Mas se não houver provas espero que o Benfica também não se cale e não se esqueça também de criticar esta arbitragem tendenciosa. Em relação ao arbitro francês já tinha grandes desconfianças dele e já não é de hoje que eles sempre que apitam (clubes portugueses ou seleção) que nos prejudicam.
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