OPORTUNIDADE DE OURO

Não é imaginável, nem aceitável, que Portugal desperdice a oportunidade que tem por diante de chegar aos play-offs de acesso ao Mundial.
Depois de passar por grandes dificuldades, a equipa nacional viu a felicidade sorrir-lhe neste sábado, dispondo agora de uma nova vida, numa campanha que parecia irremediavelmente destinada ao fracasso.
Há quatro meses atrás (a meio da qualificação), Portugal tinha cinco jogos disputados, apenas uma vitória (precisamente sobre Malta), três empates a zero e uma derrota. Nas cinco partidas que faltavam, tinha de se deslocar à Albânia, à Hungria e à Dinamarca, antes desta dupla jornada final em casa. O panorama era negro.
O que é certo que, quando já poucos acreditavam, a equipa de Queiroz conseguiu reerguer-se, vencendo três dos últimos quatro jogos, alcançando ainda um precioso empate na Dinamarca. É verdade que o triunfo em Tirana foi obtido no tempo de descontos, e o golo do empate de Copenhaga a quatro minutos do fim, em duas partidas que poderiam ter corrido muito mal. Mas não seria justo deixar de saudar esta ponta final do conjunto luso, que, olhando agora para o copo meio cheio, acaba esta fase de qualificação com apenas dois verdadeiramente maus resultados: o empate em Braga com a Albânia, e a derrota em Alvalade perante a selecção dinamarquesa (esta, diga-se, na sequência de uma exibição agradável).
Independentemente daqueles golos providenciais de Bruno Alves e Liedson, não creio que esta boa ponta final tenha sido fruto acaso. Ela coincide precisamente com o momento em que Queiroz estabilizou o seu onze, e largou o experimentalismo que havia marcado os primeiros meses do seu trabalho. Nos últimos cinco jogos, sete jogadores foram sempre titulares, e dois só falharam um jogo (Deco por lesão, Pepe por castigo). Nos quatro primeiros houvera alterações em todos os sectores, em todas as convocatórias, em todos os onzes apresentados – só três jogadores haviam então feito o pleno.
Queiroz cometeu o erro crasso de querer alterar de forma abrupta todo o legado que Scolari havia deixado. Perdeu pontos, foi criticado, expôs-se, e expôs Portugal a uma profunda desilusão. Mas deve reconhecer-se que, a dado passo, inflectiu o seu caminho, e nas últimas convocatórias pouco há a apontar-lhe. Tem hoje o seu grupo mais ou menos definido, dispondo agora de todas condições para cumprir o objectivo básico de chegar ao Mundial. Certamente ele próprio estará arrependido de algumas das opções que tomou e de algumas frases que proferiu.
Também por este motivo, não creio que faça muito sentido que alguns sectores da opinião pública (em que, de resto, me incluo), que não viram com bons olhos o seu regresso à selecção, e menos ainda a sua entrada de elefante em loja de porcelanas (entre afirmações bombásticas e convocatórias ridículas), insistam agora nas críticas mais veementes e numa antipatia pessoal que não é muito diferente da que outros dispensaram a Scolari durante vários anos. Nem a convocação de Liedson (com a qual não concordo) será argumento, pois foi justamente com Felipão que os naturalizados tiveram entrada na equipa.
A Selecção Nacional é, sempre foi, e continuará a ser a equipa de todos nós, quer o seleccionador tenha bigodes, quer não tenha, e quaisquer que sejam os jogadores que conjunturalmente a representem. É esse o espírito de pacificação a que estes últimos resultados abriram espaço, e é essa a porta por onde os verdadeiros adeptos do futebol português podem e devem agora entrar, no sentido de recuperar a alma que nos levou a uma final de um Europeu, e a umas meias-finais de um Mundial.
Eu já entrei por essa porta. Viva Portugal !

PS: Será já com a qualificação para o play-off garantida, que espero ver um palpitante e decisivo Uruguai-Argentina. De um lado Maxi Pereira, Álvaro Pereira, Fucile e Cristian Rodriguez (e Forlán). Do outro, Aimar e Di Maria (e Messsi). Uma repetição da final do primeiro Mundial (em 1930), um duelo apaixonante entre vizinhos e rivais, que poderá deixar uma das selecções de fora do África do Sul-2010. Por vários motivos, seria uma pena que fosse a Argentina...

5 comentários:

BT26 disse...

Ainda não consigo ter essa visão. Pura e simplesmente porque existem coisas por trás que não fazem desta selecção a equipa de todos nós. Dou só um exemplo. Como é que se pode continuar a convocar (já não digo tanto, vá, digo só jogar) raul meireles, quando se tem por exemplo Rubem Amorim, que tem sido um dos grandes jogadores deste ano do Benfica, enquanto o meireles por exemplo neste ultimo jogo, fez unicamente 2 passes que chegaram ao destino(??!?!?). Estamos a falar de um jogador do meio-campo, que as suas virtudes convém ser o passe, e em 90 minutos conseguir perder a bola umas 8 vezes e só por 4 conseguir algo (2 passes e 2 foras),e isto não é só deste ultimo jogo,tem sido assim durante os jogos da selecção(e no porto também,mas ai costuma ter uma ajuda dos bois quando perde a bola),para alem das ajudas dos comentadores de serviço(cada vez que os passes lhe saem dizem logo que é um grande jogador)...Isto para já não falar que o Rubem consegue fazer todas as posições do meio campo e ainda ajudar na defesa, jogador versátil.

Benfica sempre

Jotas disse...

Caro Lf, julgo que não passa pela cabeça de ninguém, depois da jornada favorável do fim de semana, frente a uma equipa como Malta, Portugal desperdiçar o apuramento para o play-off, no qual se conjugou um factor essencial que é o de ser cabeça de série.

Infiltrado disse...

Há razões que a razão desconhece.
de facto C Queiroz tem uma agenda secreta no que respeita às convocatórias. E nessa agenda não há lugar para jogadores de determinados clubes, nomeadamente do SLB.
A chamada do Nuno Gomes muitas vezes até tem um carácter provocatório como aconteceu no passado sábado. Mais valia não o ter posto sequer a jogar!
C Queiroz tem demasiados "rabos de palha" com clubes como o SCP e o fcp e tenta sempre agradar a quem faz favores (a titulo de exemplo, a transferência do putativo novo Pelé - Anderson - do fcp para o Manchester United teve o dedinho de CQ, mas já se viu que afinal o rapaz não é assim tão bom quanto se pintava, no entanto, a transferência foi quase que a pedido, pois interessava muito ao fcp para equilibrar certas coisas...)

Peter disse...

Este está ganho.

Anónimo disse...

Se houvesse gente responsável com eles no sitio hoje à noite e logo após o jogo demitia o Queiroz imediatamente e nomeava um seleccionador capaz para o play-off e para a eventual presença no Mundial 2010.
Pode ser que o Humberto Coelho esetja disponivel se a Tunisia não se qualificar...