UM BOM ENSAIO

O ensaio geral da selecção nacional diante da Geórgia correu bem, e terá correspondido aos objectivos que Scolari tinha definido para o mesmo.
Pouco se pode esperar deste tipo de partidas. Normalmente pretende-se apenas que os jogadores não percam o ritmo competitivo, que tenham oportunidade de ensaiar um ou outro lance – nomeadamente de bola parada -, e que ganhem confiança para os jogos a doer. Além de que, não o esqueçamos, o público de Viseu não mereceria ver partir a selecção sem poder desfrutar de um momento de festa como decerto se viveu no sábado passado na cidade de Viriato.
Quanto à equipa a apresentar no início do Europeu, quase tudo parece definido. Na baliza Ricardo continuará a marcar presença, no centro da defesa Pepe e Ricardo Carvalho constituem a dupla eleita, no meio-campo Petit e Moutinho conquistaram definitivamente o lugar, e na frente Nuno Gomes e Simão também estão de pedra e cal. Da equipa que VDB aqui tinha proposto, apenas Quim e Nani ficaram de fora, embora no caso do ala, a frescura exibida por Simão me tenha de certo modo deixado convencido da sua eventual maior utilidade. Dito de outro modo, se voltasse hoje a fazer a equipa talvez trocasse apenas de guarda-redes, o que não significa que me sinta inseguro com Ricardo na baliza.
A primeira parte do jogo foi, com aquele onze, razoavelmente conseguida, muito embora não fosse de esperar uma exibição demasiado forçada – o que de resto não deixaria até de acarretar algum risco. No segundo tempo, com as alterações efectuadas a equipa ressentiu-se. Quaresma, Meireles e Miguel Veloso ter-se-ão preocupado em demasia com o seu protagonismo e Scolari não deixou passar isso em claro, referindo-se no final a jogadores com pouco sentido colectivo. Se alguma dúvida ainda persistia quanto ao estatuto (de suplentes) destes jogadores, este aspecto dissipou-as por completo. Do segundo tempo ressaltou apenas a boa exibição de Miguel, embora não seja crível que possa, para já, roubar o lugar a Bosingwa, até porque a Geórgia não pôs muito à prova a estrutura defensiva da equipa portuguesa.
Cristiano Ronaldo exibiu-se em clara poupança de esforços, o que é perfeitamente natural face ao desgaste que leva acumulado, e à importância que tem na equipa. Este tipo de estágios, em final de época, com quilómetros e quilómetros de futebol nas pernas, quer-se o mais dócil possível, e há que entender a forma como os jogadores mais sacrificados aparentemente se passeiam nos treinos e nos jogos de preparação. Acompanhei de perto o estágio para o Mundial 2006, pude contrastar as respostas físicas nas sessões de trabalho e depois na competição, e sei do que estou a falar.
Agora, já na Suiça, há que assegurar que a última etapa da preparação decorra com êxito. Apoio não falta, e certamente vontade de ganhar também não.
Viva Portugal !

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