13/09/07

(IN)CONSEQUÊNCIAS

Há muito que uma parte do país desportivo aguardava por isto. Scolari teve um momento de fraqueza e, em poucos segundos, deu bastos motivos aos seus críticos para clamarem veementemente contra si, desta vez sem a evidência dos resultados – um pormenor, claro…- a desmenti-los e ridiculariza-los.
É de certa forma engraçado assistir a estas movimentações de ajuste de contas, em que já se sabe quem são as vozes que se erguem, o que dizem, e o que querem.
Rui Santos, António Pedro Vasconcelos, Rui Moreira, Guilherme Aguiar, Miguel Sousa Tavares, para além do restante séquito portista - perdoem-me se me estou a esquecer de alguém – já disseram, ou irão dizer, cobras e lagartos do seleccionador nacional, uns porque este um dia não convocou Vítor Baía, outros porque nunca lhes deu a importância de que se julgariam merecedores. Mas eis que no meio dos habitués da maledicência surge também alguém que, tendo a não rara arte de falar quando devia estar calado, e abrir a boca de vez em quando para dizer disparates, veio agora a terreiro, com o seu ar superior, exigir “consequências” da agressão de Scolari ao jogador sérvio. Falo de Laurentino Dias.
Este secretário de estado, normalmente bastante ausente, tem de facto um condão impressionante para, pouco ou nada fazendo pela sua área de trabalho – o desporto português lá vai sobrevivendo sem ele -, se destacar por declarações avulsas, próprias de quem quer, à viva força, maquilhar perante a opinião pública uma incapacidade gritante. O trabalho de Laurentino Dias em mais de dois anos à frente do desporto português, resume-se lamentavelmente ao condenar e quase destruir da carreira de um futebolista (Nuno Assis), pretendendo agora, sabe-se lá porquê, navegar também neste coro populista anti-Scolari. O que fez o secretário de estado pela selecção nacional ? O que fez pela regeneração do futebol português ? e pelos salários em atraso, pela falências de clubes e quadros competitivos ? e pelo combate à corrupção ? Como tem o desplante de exigir o que quer que seja a quem tantas alegrias deu à nação portuguesa ?

Já critiquei a atitude do seleccionador. Espero ainda um seu pedido de desculpas ou sinal de arrependimento. Mas não é um momento de descontrolo que coloca em causa um fabuloso trabalho de cinco anos. Scolari é o melhor seleccionador nacional que me recordo em trinta anos de futebol – terá sido mesmo, a avaliar pelos resultados, o melhor de sempre -, e merece alguma margem de tolerância a um erro que, indubitavelmente cometeu. Se o povo português, na sua maioria, será certamente capaz de, a frio, separar o essencial do acessório, já dos poderes públicos, pelo andar da carruagem e pelo perfil de personagens como este “zeloso” secretário de estado, nada há infelizmente a esperar.
Temo assim pelo futuro da selecção. Uma selecção que nos últimos anos nos emocionou como nunca antes, que encheu estádios, trouxe o país para a rua, fez as novas gerações amar o hino e a bandeira, quase conquistou a Europa e o Mundo. Uma selecção construída por Luíz Felipe Scolari, à sua imagem e semelhança. À imagem de um campeão que era e é.

8 Comments:

Blogger  said...

se até agora ainda não ganhou nada, daqui para a frente pior...
andor!

14.9.07  
Blogger cj said...

o triste espectáculo das virgens ofendidas vai começar.

14.9.07  
Blogger LF said...

Só,

Scolari foi um dos pouquíssimos técnicos no activo que foi campeão do mundo.
Ganhou taças de Libertadores, e vários títulos brasileiros.

Em Portugal chegou mais longe que qualquer outro.


Cj,

O espectáculo já começou...

14.9.07  
Anonymous Anónimo said...

palhaço.

14.9.07  
Anonymous Anónimo said...

Os Por mim até podia ter ganho o europeu, o mundial e ter-nos já qualificado para o europeu de 2008... um treinador de uma selecção como a portuguesa, com a visibilidade que tem, não pode nunca partir para a agressão seja ela de que natureza for. Como o fez, a única saída é a demissão! Mais, apesar de ainda haver brujessos a quem basta meia duzia de falsas-vitórias (nenhuma delas valeu um titulo), folgo em saber que há igualmente quem saiba que o desporto visa a integração das pessoas numa sociedade sã e sem violência, algo muito mais importante que um qualquer titulo desportivo! Para que conste, ganhar não se faz só no campo, mas sim e em particular no dia a dia!

14.9.07  
Blogger LF said...

Num país em que existe um processo chamado Apito Dourado, e a justiça desportiva finge que não é nada com ela, ninguém tem autoridade moral para exigir a demissão de um homem só porque, num momento de fraqueza e sentindo-se provocado, encostou a mão à cara de outro.

Antes de Scolari já muita coisa deveria ter acontecido, e muita gente devia ter sido penalizada no futebol português.

14.9.07  
Anonymous renato sousa said...

Não sou portista, sempre apoiei Scolari, até quarta-feira. A partir daquele momento considero não haver condições para continuar à frente da nossa selecção. Sá Pinto com Artur Jorge, João Pinto com o árbitro, Zequinha ao retirar o cartão vermelho, entre muitos outros casos, também se terão arrependido daquelas reacções a quente.
O seleccionador nacional não pode ter aquela atitude pois nunca mais consegue segurar o balneário. Qualquer jogador pode a partir de agora perder a cabeça que pedindo desculpas no dia seguinte fica tudo bem. Espero que nos qualifiquemos e que sejamos campeões da europa, mesmo se o Scolari continuar, mas penso que não existem condições para tal.

15.9.07  
Blogger LF said...

Renato Sousa,

É um ponto de vista respeitável, e que também me preocupa, mas neste momento, além de desculpar ou não a atitude de Scolari, devemos tomar como prioridade o apuramento de Portugal para o Euro2008.
Para a selecção não tenho dúvidas que uma mudança técnica nesta altura seria catastrófica.
Também por este motivo, me parece que se deve encarar este assunto com alguma ponderação.

Não façamos uma tempestade num copo de água. Foi um momento de desvario, mas o homem não matou ninguém. Parece-me que nem sequer lhe chegou a tocar...
Mourinho também um dia rasgou uma camisola de um jogador adversário, já teve muitos gestos e atitudes provocatórias, e toda a gente o admira.

15.9.07  

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