CLASSIFICAÇÃO REAL

O fora-de-jogo do terceiro golo portista é um erro (vamos chamar-lhe assim por simplificação semântica) que não se desculpa. A bola está parada, o assistente pode ouvir pelo auricular a sinalização do momento em que o livre é marcado, e o seu olhar tem de estar fixo na linha do último defesa. Não tem ninguém a tapar. Como diz Jesus, não marcou porque não quis. Não vejo qualquer outra explicação que me convença.
O futebol português tem tido muito disto. Há trinta anos que é assim. Veja-se bem o que sucedeu no início do campeonato passado, quando se temia o bi benfiquista. Veja-se o que sucedeu em Braga, com a expulsão de Javi Garcia, quando o Benfica, com 18 vitórias consecutivas, voltou a ameaçar. Veja-se, agora, o que aconteceu nas jornadas seguintes ao Gil Vicente-FC Porto, quando os portistas ficaram a cinco pontos. Primeiro o barulho e a pressão, depois…o penálti marcado por Jorge Sousa na Luz a favor do Nacional; em seguida o penálti escamoteado em Guimarães, por falta sobre Rodrigo; mais tarde o penálti claro cometido sobre Aimar em Coimbra (nem falo no corte com a mão de Cedric no mesmo jogo); e agora um fora-de-jogo escandaloso a decidir o clássico, e provavelmente o título.
O sistema existe, trabalha em silêncio nos momentos mortos, mas quando a situação aperta, perde a vergonha e aparece em todo o seu esplendor. E o problema não está na Liga, nem na Olivedesportos, nem em Vítor Pereira. Está nos próprios árbitros e seus assistentes, em pessoa. Sobretudo no lote de árbitros internacionais que provém do “antigo regime” (leia-se, tempos do Apito Dourado), e que mantém uma teia de cumplicidades, amizades e gratidões que subverte totalmente o seu papel de isenção.
Proença marcara o penálti em Braga, situação de que o Benfica já saíra penalizado com a perda de dois pontos. Desta vez, além do erro do auxiliar, deixou passar um corte com o braço de Maicon à entrada da área (que eu não consideraria faltoso, mas que choca com o critério deste mesmo juiz nesse jogo de Braga), e fez vista grossa a um toque no pé de apoio de Witsel, no lance que antecede o segundo golo do FC Porto. Há depois dois dados que explicam cabalmente o que Proença foi fazer ao Estádio da Luz: 1) Janko fez nove faltas (!!!) e não levou um único cartão amarelo, enquanto que Emerson fez uma falta e meia, e foi expulso; 2) A distribuição de faltas e cartões amarelos no tempo de desconto (fazendo-o assim passar de forma ainda mais rápida), mostra uma habilidade que só ilude os mais distraídos.
Enfim. Todo o protagonismo de Pedro Proença na arbitragem portuguesa dava para muitas e muitas páginas. Para já apenas espero que, à semelhança de Benquerença, o Benfica se veja livre deste homem por muito tempo.
E o FC Porto lá continua, sem que a história de trinta anos registe uma única situação em que tenha sido prejudicado em jogos desta natureza.
Resultado Real: 2-2 (admitindo que, mesmo depois da falta sobre Witsel, Gaitán podia e devia ter recuperado a bola antes de James empatar a partida)
V.SETÚBAL-SPORTING
Um penálti por assinalar sobre Matias, e um penálti mal assinalado, que acabou por não ser convertido, orbigam, contas feitas, a dar um ponto aos leões.
Resultado Real: 1-1
CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 54
FC Porto 51
Sp.Braga ??
Sporting 43
RESULTADO MENTIROSO
ONZE PARA O CLÁSSICO
A SUBVERSÃO DOS FACTOS, A VITIMIZAÇÃO DO COSTUME

INQUIETAÇÃO

RAZÕES DE FÉ

1986-87 (Mortimore), 30 jornadas (dois pontos por vitória)

1993-94 (Toni), 34 jornadas (dois pontos por vitória)

2004-05 (Trappatoni), 34 jornadas
2009-10 (Jesus), 30 jornadasClassificação à 10ª jornada:
Classificação à 13ª jornada:

2011-12 (Jesus), 30 jornadas
Classificação à 18ª jornada:
BENFICA 48 pts
FC Porto 43 pts
Sp.Braga 40 pts
Classificação à 20ª jornada:
FC PORTO 49 pts
Benfica 49 pts
Sp.Braga 46 pts
21ª jornada: BENFICA-FC PORTO
Benfica perdeu 5 pontos de vantagem antes do clássico
Resultado: ?-?
Campeão: ?
BRILHANTINA
Hoje fiquei sem reacção, quando soube pelo jornal a Bola que este tinha sido o escolhido. A sua aparição no Dragão pode até não ter nada a ver com as nomeações, mas é tudo muito estranho... cheira-me a algo de errado! Obrigado pela atenção."
TIRO AO LADO
Se me perguntarem se faz sentido disputar um jogo decisivo para o título apenas algumas horas depois de compromissos das selecções, responderei que não.BEM ESCOLHIDOS
Não deixa de ser curioso, mas os vencedores do prémio Cosme Damião nas categorias de jogador e treinador, foram justamente aqueles que eu distingui, há dois meses, na minha página do jornal do clube, como figuras do ano, no futebol e nas modalidades respectivamente.NOME GRANDE
Em criança, o meu Pai falava-me de Jaime Graça. E os jogadores de que o meu Pai me falava (Jaime Graça, Arsénio, José Águas, Eusébio, Rogério, Chico Ferreira ou Coluna), são, mais do que quaisquer outros, a razão de ser do meu benfiquismo, e da minha paixão pelo futebol.TOQUE A REBATE
CLASSIFICAÇÃO REAL
ACADÉMICA-BENFICA
SPORTING-RIO AVE
CLASSIFICAÇÃO REAL
INESPERADO SUICÍDIO
COMO DE COSTUME

Todos os anos existe o Natal, existe a Primavera, e também...uma goleadazita sofrida pelo FC Porto em terras de Sua Majestade.
CLASSIFICAÇÃO REAL
BRINCADEIRA DE CARNAVAL

Em toda a história do campeonato português, só o Benfica de Hagan, e o FC Porto de Villas-Boas, venceram a prova sem qualquer derrota. Outras equipas houve, tão boas ou melhores que essas (Sporting dos Violinos, Benfica de Guttman, Benfica de Eriksson, ou FC Porto de Mourinho), que não o conseguiram fazer, pelo que este Benfica de Jesus, tantas vezes empolgante, tantas vezes esmagador, não sairia necessariamente diminuído na sua temporada por perder um jogo, após 18 bem sucedidas jornadas.
Grande parte do mérito do melhor Benfica das últimas décadas cabe a Jorge Jesus. Disse, e mantenho, que é o melhor treinador que passou pelo clube em muitos anos, e por mim renovava já contrato com ele por mais uma meia-dúzia de temporadas. Mas há alturas, há jogos, em que, de facto, (por incapacidade minha, certamente) não consigo compreendê-lo em todas as dimensões da sua genialidade. Deixar Witsel no banco de suplentes, num jogo com este perfil (de luta, de combate), e onde havia que contar com o impedimento de Javi Garcia, foi algo que me pareceu totalmente despropositado. Colocar Rodrigo em campo quando, manifestamente, não estava nas melhores condições, foi uma opção inútil e prejudicial à equipa e ao próprio atleta. Deixar as substituições para os últimos cinco minutos (ainda por cima não simultâneas), quando havia jogadores em claro défice (físico? anímico?), foi outra coisa que escapou ao meu entendimento. Não por acaso, foi precisamente nesses últimos minutos que, com a equipa retocada, o Benfica conseguiu ser mais afirmativo em campo, deixando a ideia de que, com as alterações feitas 15 minutos antes, o resultado poderia ter sido diferente. Outro aspecto me deixou os nervos em franja: como é possível desperdiçar três livres directos à medida de Óscar Cardozo, sem que ao paraguaio tenha sido dada uma só oportunidade de os tentar aproveitar? E já agora, como compreender que, de tantos pontapés de canto a favor, não tivesse resultado um único lance de perigo, fazendo lembrar um tristemente célebre jogo em Tel-Aviv?
Talvez pior que tudo isto foi a reacção final de jogadores e treinador. Perante uma derrota num jogo tão importante (será que o entenderam assim?), eu esperava alguma revolta, algum desespero face ao inesperado desfecho. O que vi foi os jogadores a trocarem cumprimentos e sorrisos com os adversários, a baterem tranquilamente palmas ao público, e depois um técnico a dizer, na flash-interview, que os outros é que têm de se preocupar porque o Benfica vai de vento em popa. Que alguém do departamento de comunicação explique aos profissionais do clube que, mesmo que não a sintam, pelo menos respeitem, a dor que muitos adeptos, por vezes de lágrimas nos olhos, sofrem na hora de certas derrotas. Isto fez-me lembrar Braga, no ano passado, quando só Fábio Coentrão reagiu, dentro do campo, da forma que a mim me apetecia reagir, fora dele. É também por isso que está agora no Real Madrid. É também por isso que o FC Porto ganha tantas vezes. Foi por falta disso que o Benfica andou tantos anos sem ganhar. Ontem à noite, em Guimarães, tivemos um Benfica desse triste tempo.
RAP DE REGRESSO

PS: Perdoa-me também tu, Ricardo, por te colocar num post logo a seguir ao do Bruno Alves. Passei isto com lixívia, mas mesmo assim...
LIMPAR PORTUGAL (II)
A FRIO
DEZ PREGOS PARA UM CAIXÃO
QUE IMPACIÊNCIA!
Não gosto do personagem, nem esqueço alguns números seus, quer enquanto jogador, quer, já como treinador, na época em que disputou o título até ao fim com o Benfica.CLASSIFICAÇÃO REAL
UM FESTIVAL!
Um estádio cheio, uma grande equipa, uma fantástica exibição, uma goleada, liderança cimentada, e menos uma jornada em falta para a merecida consagração. Eis o Benfica. Eis um grande Benfica, que só uma tremenda injustiça impedirá de se tornar campeão.
É altura de me penitenciar, aqui, de a dada altura da época ter duvidado desta equipa. A pouca fluência do seu futebol de então (Setembro, Outubro…) não se comparava a estas maravilhas, e, escaldado por um ano de desilusão, não consegui calar os desabafos, provavelmente bastante precipitados. O Benfica resistiu, ganhando, a jogos menos conseguidos. É também disso que se alimentam os campeões. Digo agora, deixando mais uma vez que os dedos arrastem as emoções, deixando mais uma vez ao léu os riscos de um amanhã sem canto: este Benfica é dos melhores, senão o melhor, do meu tempo.
O caminho do título ainda é longo. E creio que passa fundamentalmente pelas próximas três jornadas (Guimarães, Coimbra e Clássico), nas quais, com outras tantas vitórias, dificilmente o pássaro fugirá. Mas, aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: o prazer de ver esta equipa jogar já ninguém vai tirar aos benfiquistas.
ONZE PARA SÁBADO
PABLO ATÉ 2013
"Se há jogador que, ao longo dos últimos doze meses, mereceu inequivocamente a admiração e carinho de toda a família benfiquista, ele chama-se Pablo Aimar. Aos 32 anos, aparentemente recuperado das lesões que outrora o apoquentaram, o argentino está a viver um dos melhores momentos da sua carreira, perfumando com classe os relvados que vai pisando em Portugal e na Europa. Aimar é a grande referência técnica do futebol do Benfica, sentindo-se a sua falta a cada minuto de ausência. É ele que ilumina a equipa com uma prodigiosa visão de jogo, e com o requinte de um toque de bola de excepção. É um verdadeiro príncipe, herdeiro de outros “números dez” que escreveram história no clube, como Chalana, Valdo ou Rui Costa. Para além de toda a magia que lhe sai dos pés, demonstra, dentro e fora do campo, uma atitude definidora de um grande carácter. Humilde, inteligente e profissional, de Pablo Aimar apenas se lamenta ter chegado tão tarde ao Benfica."
O AMIGO PEDRO
Vejo sempre as finais da Liga dos Campeões. Desta vez, porém, distraí-me com outros afazeres (certamente menos transcendentes), e só pude ver um breve resumo.TAS LOUCO
Alberto Contador suspenso retroactivamente, mesmo tendo corrido dois anos após a alegada infracção, depois de ter ganho variadíssimas competições (sempre devidamente controlado, e limpo), agora todas reclassificadas. O mais irónico: o Giro de Itália que perde vai direitinho para as mãos de um ciclista que saíra de uma suspensão de…dois anos, por…doping – nesse caso, inequívoco.UM INIMIGO DE ESTIMAÇÃO
Por muita, pouca ou nenhuma simpatia que tenhamos pela figura de Joaquim Oliveira, e pelo que representa (um certo Norte, proximidade com o FC Porto, etc), a verdade é que ele, e a sua empresa, parecem ser agora as únicas no terreno com capacidade para pagar um preço justo, ou aproximado, àquele que a popularidade do Benfica justifica. O que está em causa na animosidade dos benfiquistas para com a Olivedesportos não é pois uma questão económica (aí, trata-se, sem dúvida, de um parceiro negocial poderoso), mas antes a colagem (não sei se inteiramente justa) que fazem daquela empresa ao sistema que vigorou no futebol português durante décadas, e que tanto nos penalizou.
Não conheço os bastidores do futebol ao ponto de ter uma opinião inteiramente fundamentada sobre o assunto. Mas do que me é dado a ver, não me parece que tenha sido a Olivedesportos, nem Joaquim Oliveira, a ordenar ou a instigar Olegário Benquerença, Carlos Xistra, ou para irmos mais atrás, José Silvano, José Guímaro, Carlos Calheiros, entre outros, a prejudicarem o Benfica como o fizeram, directa e indirectamente, em várias ocasiões. Posso estar enganado, posso até estar a ser ingénuo, mas tem-me parecido que o objectivo de Joaquim Oliveira no futebol é tão somente o comum a qualquer homem de negócios: ganhar dinheiro. Como tal, vejo-o, até prova em contrário, da mesma forma que a qualquer outro interlocutor. Apresentando a melhor proposta, e ninguém me comprovando devidamente a sua ligação ao “Sistema”, nada teria – enquanto sócio do Benfica - a opor ao negócio, pois o assunto é sério e, como disse acima, não se compadece com estados de alma, ou simpatias de ocasião."
LIGADO À TAÇA
PS1: Vi as repetições dos lances polémicos de Alvalade, e continuo a achar que o árbitro decidiu bem, tanto ao assinalar penalti de Onyewu (a falta deve ser marcada onde termina), como ao ignorar o teatro de Matias Fernandez, na área contrária. Percebo que os adeptos, à saída do estádio, tendam a encontrar desculpas sumárias para o insucesso da sua equipa. É também usual que Domingos, sentindo-se acossado, dispare para outras direcções, desculpabilizando-se. Já me parece mais estranho que um subdirector de um diário desportivo (ainda que sportinguista ferrenho), e um comentador televisivo (provavelmente também), alinhem pelo mesmo diapasão.











