UMA NOTA DE OPTIMISMO

 Roger Schmidt em "Clássicos":

Contra FC Porto: três vitórias e uma derrota. Contra Sporting: uma vitória, dois empates e nenhuma derrota.

ONZE PARA ALVALADE

É uma primeira mão, em que o empate pode não ser mau de todo. Além disso, creio que o Sporting de Ruben Amorim se dá pior com equipas em bloco mais baixo e mais retraídas. Este onze é cauteloso, e permite, em certos momentos, se necessário, usar três centrais. Ponta de lança? Infelizmente o plantel do Benfica não tem nenhum de qualidade, pelo que mais vale jogar sem ele.

INQUALIFICÁVEL! RIDÍCULO!

Não agendar jogos para os dias de eleições era uma regra saudável, para o futebol e para a democracia.
Nos tempos que correm, vale tudo.
O Famalicão-Sporting ainda não tem data, nem se sabe quando poderá vir a ter - por mim, nem se disputava...
Infelizmente, ninguém quer perceber o que se passa. E o que se passa é uma sobrecarga imensa de jogos e competições, que não favorece, nem os intervenientes, nem os espectadores, nem o próprio espectáculo. Apenas os operadores televisivos.
Por vezes dou por mim farto de futebol. Não me deixam desligar no Natal, nem nas férias de Agosto, e agora nem o dia das eleições legislativas se salva. Um dia, ainda matam a galinha dos ovos de ouro.
A agravar, o Benfica jogará às 20.30h. Ao menos não podia ser à tarde? Num momento em que o país estará parado perante um importante momento político, servem-nos um jogo do campeonato como se necessitássemos de nos distrair.
Reduza-se o campeonato para 10 ou 12 clubes, jogue-se a Taça ao fim-de-semana, e deixe-se estas datas para outros aspectos da vida pública.
A propósito, espero que a ausência de Roger Schmidt das últimas "antevisões" sejam o princípio do fim das mesmas. São absurdas, redundantes e não servem para nada, se é que alguém as vê ou ouve. Por mim, a "flash-interview" seria mais do que suficiente.

120 ANOS, 120 NOMES

Estão aqui 120 nomes que escreveram a história do Benfica. Separados em lotes por guarda-redes, laterais, centrais, médios, extremos e avançados. 
Muitos outros caberiam, alguns não serão consensuais, como sempre acontece em listas deste género. Há também quem tenha jogado pouco no Benfica, mas foi craque e brilhou noutras paragens. Há quem se tenha tornado lendário por uma ou outra situação específica. Há ainda quem não merecia estar aqui, mas a qualidade desportiva ou os números a isso obrigam. Haverá muitos nomes, da década de cinquenta para trás, que não constam, pois é-me difícil perceber o verdadeiro impacto que tiveram à sua época. Por critério, não estão jogadores do plantel actual - sendo que há dois ou três nomes que aqui cabiam de caras. Enfim. É o que se consegue arranjar. 
O desafio que deixo a cada leitor é que escolha o seu onze (podendo, naturalmente, ir buscar ausentes desta lista).
Aqui vai o meu: Preud'Homme, Veloso, Humberto, Mozer, (Pietra, ou Álvaro, ou Ângelo, ou Schwarz), Coluna, Rui Costa, José Augusto, Eusébio, José Águas e Chalana.
É curioso como até aqui me é difícil escolher um lateral-esquerdo. Neste caso, não por falta de qualidade das opções...

BILHETES, PARA QUE VOS QUERO...

Já aqui escrevi sobre o assunto mais de uma vez. A verdade é que vai sendo cada vez mais longa a lista de jogos fora de casa para os quais, mesmo detentor de Red Pass com assiduidade, mesmo colocando-me à hora certa na fila virtual, não consigo bilhete. Ou, melhor dizendo, não tenho qualquer hipótese de o comprar - graças a uma App aterradoramente ineficiente.
Em poucos meses, Portimonense-Benfica e Sporting-Benfica na época passada; Estoril-Benfica e Sporting-Benfica na corrente. Não me parece normal, até porque muitas mais pessoas se queixam deste problema, e depois, nas bancadas, aparecem sempre os mesmos - e eu cortaria uma orelha em como grande parte deles nem sequer passou pela App, se é que são sócios.
Não, não falo de convidados, patrocinadores, ou ex-jogadores. Até porque esses nem vão para aqueles sectores. Falo, muito directamente, da alegada "claque", que formalmente não existe, mas serve para punir o clube com multas e situações vergonhosas (Milão, San Sebastian...), e para caçar todos os bilhetes disponíveis para todos os jogos. Quem compactua com isto? Acho que sei, mas não o vou aqui dizer. 
É uma pena que este problema -  que até já foi levantado, e bem, numa AG - continue por resolver. A verdade é que Rui Costa tem feito bastante na vertente competitiva do clube (pelo menos eu acho que o balanço, aí, é francamente positivo), mas nas áreas de suporte, como a bilhética, continua tudo igual, ou pior.
Havias duas formas de solucionar isto: ou um aumento de preços (que nem sei se o Benfica pode aplicar nestas situações, e que faria uma segregação pelas possibilidades financeiras de cada sócio, pelo que não o defendo), ou (aquilo que já aqui defendi) um sorteio em que quem quisesse se inscrevia, e, pelo menos, escusava de perder tempo num App que é um poço sem fundo.
Tenho pena que, na véspera do 120º aniversário do clube, volte a sentir que estou a bater à porta de um familiar querido, e ele não a abre. Isto dói.


MATAR UM BORREGO

Dérbis em Alvalade, nos últimos 60 anos, a contar para a Taça de Portugal:
Ainda pior: em toda a história, nas únicas duas ocasiões em que o Benfica venceu no estádio do Sporting em jogos da Taça de Portugal (1945 e 1963), em ambas acabou eliminado no agregado, perdendo em casa. Ou seja, o Benfica nunca eliminou o Sporting em Alvalade a jogo único, e em eliminatórias a duas mãos apenas levou a melhor uma vez (em 1959), mas perdendo lá.
Um estranho registo, tendo em conta que o Benfica foi campeão em 7 das 10 temporadas referidas, o Sporting não o foi em nenhuma delas, e no Campeonato, ao longo dos últimos 60 anos, os encarnados têm saldo positivo em Alvalade (23 vitórias, 18 empates e 19 derrotas) - acrescendo que nos últimos 12 anos, ainda para o Campeonato, só lá perderam uma vez, e à porta fechada. Na única ocasião em que o Benfica ali jogou para a Taça da Liga também ganhou, e de forma expressiva (1-4). 
Um Dérbi com diferentes faces, sendo a da Taça de Portugal claramente a mais negra.
Desta vez vai ser diferente.

MISSÃO CUMPRIDA

Mais um jogo em que se pode aplicar a velha máxima das duas partes distintas.
Nos primeiros 45 minutos viu-se uma autêntica partida de Andebol. As linhas do Portimonense a fecharem a sua área, e os jogadores do Benfica a trocarem a bola diante delas, à procura de um espaço em aberto, mas sem conseguir penetrar. Ainda assim, em três ocasiões, o golo podia mesmo ter aparecido. Neres, Otamendi e Rafa não lograram obtê-lo.
Notava-se a falta de um ponta-de-lança. A verdade é que, se ele lá estivesse, sabendo-se quem, a falta continuaria a notar-se...
Na segunda parte, aqueles três minutos definiram o resultado. Três excelentes golos, em que as individualidades do Benfica mostraram que podem marcar sem ter ninguém fixo na área - o que pode ser um bom sinal para os "clássicos" que se avizinham. O plano do Portimonense, que se resumia a manter o nulo até que lhe fosse possível, esfumou-se.
Depois, foi gerir até final, havendo tempo para mais um bom golo, e para dar descanso a algumas das unidades mais sacrificadas..
Era proibido perder pontos. A equipa de Schmidt cumpriu o seu dever, e viu-se premiada com os empates dos rivais. Resultados muito importantes, sobretudo pelo FC Porto-Benfica que se segue, e em que, deste modo, talvez um ponto não seja de desperdiçar, mantendo assim os encarnados a dependerem apenas de si próprios para revalidar o título.
Mas antes ainda haverá Taça de Portugal.

F...., QUE MERCADO(S)!

LATERAL-ESQUERDO: Investimento acumulado de 24 milhões de euros


PONTA-DE-LANÇA: Investimento acumulado de 49 milhões de euros


Caramba, com uma disponibilidade financeira total de 73 milhões, custava assim tanto resolver os dois únicos problemas que o plantel tinha, e encontrar substitutos para Grimaldo e Gonçalo Ramos?????
No Verão de 2022 o mercado do Benfica foi extraordinário: Enzo, Neres, Aursnes, Bah e Musa. 
Daí em diante, numa dúzia de contratações, salvam-se apenas Trubin e Di Maria. 
Assim, não há Roger Schmidt nenhum que resista...

ONZE PARA O PORTIMONENSE


PODIA TER SIDO PIOR...

Não foi o Slávia. Foi o Rangers - que seria a minha segunda opção, não havendo muito mais por onde escolher.
Esta equipa vem de uma série de 15 vitórias em 16 jogos, e comanda a sua liga. Não será tarefa fácil, até porque em sua casa os escoceses (Celtic e Rangers) costuma ganhar asas. Há que vencer obrigatoriamente na Luz, e jogar muito melhor do que com o Toulouse nas duas mãos
Em apenas oito dias, o Benfica vai a Alvalade, ao Dragão e recebe o Rangers. Um ciclo terrível que exige o melhor Benfica da temporada.
O onze base do Rangers é mais ou menos este, num esquema bastante parecido com o de Roger Schmidt: Butland: Tavernier, Goldson, Souttar e Barisic; Diomandé e Lundstram; Sima, Cantwell e McCausland; Fábio Silva (que passou pela formação do Benfica e jogou no FC Porto).

JÁ SINTO SAUDADES ATÉ DESTE TIPO...

Falhava muito, mas ainda marcou 74 golos de águia ao peito. Sem ser um Cardozo, um Jonas, um Darwin ou um Lima, era, ainda assim, claramente superior a qualquer um dos actuais pontas-de-lança do Benfica.
 

SEMÁFORO EUROPEU


E FOI PRECISO UM MILAGRE

Miserável. É a palavra que me ocorre para definir a exibição do Benfica - da qual apenas Trubin sai ileso.
O modesto Toulouse só não esmagou a equipa encarnada porque Deus não quis. E a passagem da eliminatória acabou por ser, além de imerecida, quase milagrosa. 
A primeira parte foi sofrível. Mas as substituições de Schmidt ao intervalo mataram de vez a equipa. Lembrei-me da segunda parte de Milão e da primeira de San Sebastian. A diferença esteve na pontaria dos franceses. 
Um motor precisa de todas as suas peças para funcionar. Ao Benfica faltam duas peças desde o inicio da temporada: não tem lateral esquerdo nem ponta de lança. Ora isto condiciona todo o futebol da equipa. E se Morato ainda disfarça alguma coisa sob o ponto de vista defensivo, e Tengsted ainda consegue fingir que faz a posição na frente do ataque, Carreras é outro Jurasek, e Arthur Cabral voltou a ser anedótico. 
O corredor esquerdo do Benfica tornou-se uma autoestrada (só estancada, parcialmente, por Aursnes. E na frente ninguém conseguia segurar uma bola. 
Houve que sofrer e sofrer e sofrer. E finalmente suspirar ao apito final, 
Assim é difícil ter esperanças do que quer que seja. 
Enfim. Há que respirar fundo e esperar por melhores doas, e por mais milagres. Já aconteceu um com o Sporting na Luz, outro em Salzburgo, e agora este. O futebol também é assim.
Sorte por sorte, venha de lá o Slavia. 

QUE DESCANSE EM PAZ

Artur Jorge está longe de ser uma figura consensual entre os benfiquistas. Da minha geração em diante - os que já só o conheceram como treinador - é visto como aquele que deu títulos ao FC Porto e arrasou um plantel campeão no Benfica.
Mas manda o rigor separar o seu percurso em três fases. E na primeira, enquanto jogador, foi ponta-de-lança titular e goleador de um dos melhores Benficas de sempre, ao lado de Eusébio, marcando mais de 100 golos de águia ao peito (18º melhor de todos os tempos), conquistando quatro campeonatos e duas taças em seis temporadas. É esse Artur Jorge que quero guardar, não tanto na memória, porque não me lembro dessas épocas, mas no lugar que ele merece na história do clube e do futebol.
É preciso dizer também que, enquanto treinador do FC Porto, sempre se distinguiu pela cordialidade, e pela elevação moral e intelectual. Não tenho presente nenhuma declaração desrespeitosa para com os adversários, e isso permitiu-lhe, também, chegar mais tarde ao comando técnico dos encarnados.
Aí, as coisas não correram bem. 
Na primeira temporada esteve doente e ausente por um longo período, não conseguindo domar um plantel com características muito diferentes daquelas que tinha encontrado no FC Porto. Deram-lhe carta branca para mudar o que quisesse a seu bel-prazer, mas depois, não só não houve dinheiro para consumar a revolução encetada (contratando substitutos à altura), como não houve tempo para mostrar o resultado das suas decisões, sendo despedido logo no começo da segunda temporada - quando já haviam sido dispensados, entre outros, Neno, Abel Xavier, William, Mozer, Veloso, Vítor Paneira, Isaías e César Brito. Em poucas semanas, o Benfica viu-se privado de um balneário campeão, que sobrevivera até a incumprimentos salariais, e também do treinador que decidiu "limpá-lo". As consequências são do conhecimento de todos.
Não o isento de responsabilidades, mas não me parece que tenha sido ele o único (nem mesmo o principal) culpado dessa situação, quando o clube vivia um contexto de desorganização geral e aflitiva falta de meios financeiros. E até consigo perceber o que tentou fazer: um Benfica à imagem do FC Porto rigoroso, defensivo, combativo, agressivo e carrancudo com quem tinha conquistado os títulos. Acontece que a cultura dos dois clubes era, e é, muito diferente, em Lisboa já não tinha as ajudas fora do campo que tivera a Norte, e a estrutura do Benfica estava totalmente desorientada e descaracterizada, não lhe dando o suporte de rectaguarda de que tão drásticas mudanças careciam. Não há contraditório histórico possível para se saber o que poderia ter acontecido se: 1) tivesse continuado o seu trabalho no Benfica, que mais não fosse para depois arcar com todas as responsabilidades, 2) tivesse sido despedido antes da limpeza de balneário que levou a cabo. Infelizmente, não aconteceu uma coisa nem outra, e tivemos o pior dos mundos.
Daí para a frente a sua carreira tornou-se errática e pouco significativa. Esgotou-se, como acontece com muitos treinadores (veja-se Mourinho, veja-se Jesus).
Em suma, para o bem e para o mal, Artur Jorge foi uma grande figura do futebol português, e uma figura da história do Benfica. Por mim, fico com o goleador da primeira metade da década de setenta.
Condolências à família, e eterno descanso.

ONZE PARA TOULOUSE


O BENFICA EM FRANÇA

Total:16 jogos, 4 vitórias, 4 empates, 8 derrotas. 15/20 golos. 
A verde, eliminatórias/fases ultrapassadas:10 em 16. 
De sublinhar, já agora, que em 19 partidas, nunca qualquer equipa francesa ganhou ao Benfica em Portugal. Mas o Benfica também não ganha em França há mais de dez anos...
 

FORÇA MIÚDO!

Perder uma Mãe é sempre algo que nos enche de dor, e infelizmente sei o que isso é. Perdê-la aos 50 anos, e quando se tem 19, é um choque que nem imagino.
Muita força e coragem, miúdo, para enfrentar esta finta do destino. E que no exercício da tua profissão, em cada treino, em cada jogo, possas sentir que está alguém em algum lado a olhar por ti, e a orgulhar-se do teu esforço e do teu trabalho. 
Uma palavra também para o António Silva, que perdeu o avô.


MEIA DOSE DE REQUINTE

O lugar comum do jogo com duas partes distintas aplica-se na perfeição ao Benfica-Vizela.
Nos primeiros 45 minutos, o Benfica apareceu de cara lavada, e com a frescura física decorrente da revolução levada a cabo por Schmidt (que mexeu em 7 posições). Marcou cinco golos, mais um invalidado por centímetros, e uma ou duas oportunidades desperdiçadas. Não vou tão longe como o técnico alemão, e não direi que foi a melhor exibição da temporada. Parece-me que houve bastante demérito do adversário - que está em último lugar e caminha alegremente para a segunda divisão. De facto, o Vizela foi tão frágil que não deixa perceber até que ponto esta exibição vistosa do Benfica poderá ser catalogada como "a melhor".
Na segunda parte a equipa encarnada meteu folga, limitando-se a deixar o tempo correr. Sofreu um golo, Trubin defendeu um penálti, mas a história do jogo estava escrita. Houve ainda ocasião para Marcos Leonardo picar o ponto, mostrando que é o avançado do Benfica com maior instinto matador.
O destaque individual vai todo para David Neres. Dois golos, duas assistências, e mais alguns detalhes de classe. Muito boa notícia para o Benfica, que bem precisa do craque brasileiro para o que falta de temporada.
Mas também gostei da exibição de Tengstedt, que mostrou como um ponta-de-lança pode ser útil mesmo sem marcar. Ao contrário do que acontece com Arthur Cabral, o nórdico sabe movimentar-se, criar desequilíbrios, e auxiliar a equipa, pese embora as limitações técnicas que tem com a bola nos pés. Finalizasse ele como Marcos Leonardo, e seria claramente titular desta equipa.

PERDOEM-LHE, POIS NÃO SABE O QUE DIZ

A CEO da Liga, que aprendeu nalguma universidade a vender o peixe, como se faz nas empresas comerciais, quer convencer-nos que tudo é maravilhoso no futebol português.
Pode invocar os números que quiser, e colocar flores à volta. A verdade é que a Liga Portuguesa é miserável, vive de quatro clubes e meio, e se os retirarmos da equação lá se vão todas as estatísticas. Eu diria mais: se tirarmos o Benfica, não sobra quase nada, pelo menos em termos de assistências e de mediatismo.
Benfica, Sporting, Porto, Braga e Guimarães. São estes os únicos clubes de futebol em Portugal. Tudo o resto é lixo. Emblemas sem carisma, sem massa adepta, sem representatividade regional (todos encavalitados nas mesmas regiões, quase parecendo um torneio das aldeias do Minho), com relvados horríveis, estádios franciscanos, sempre às moscas - excepto quando recebem o Benfica, ou quando o "Continente" oferece os bilhetes -, e que nem sequer servem para dar emprego aos jovens jogadores portugueses, pois estão recheados de estrangeiros de 7º ou 8º nível. São, aliás, grande parte deles, SAD representantes de capital estrangeiro, oriundo não se sabe de onde, nem porquê, nem para quê. E orientados em campo por treinadores espertalhões, especializados apenas em não deixar os adversários jogar futebol. Para completar o ramalhete, temos árbitros tendenciosos e permeáveis ao ruído, e vídeo-árbitros ensonados e distraídos. Nem falo já dos horários tardios, ou das calendarizações em cima do joelho. É esta a verdade da nossa triste Liga
Não me conformo com a decisão de avançar para a centralização de direitos televisivos, que só servirá para tirar dinheiro dos verdadeiros adeptos, e encher os bolsos desses "investidores" - retirando, também, competividade internacional àqueles que verdadeiramente alimentam o ranking do país, vendem audiências e enchem alguns estádios.
Centralizar? Apenas com uma drástica redução do número de clubes na 1ª Liga. Dez já eram demais. Não podem ser os adeptos do Benfica (ou do Porto ou do Sporting) a financiar um Casa Pia-Moreirense qualquer, que nenhum espectador do mundo quererá perder tempo a ver, e que só mobiliza as famílias dos jogadores.

DESCUBRA AS DIFERENÇAS

Eu sei que este exercício é penoso. Mas deve ser feito. Infelizmente, é isto que pode vir a definir a temporada.
Entre Rollheisers, Prestiannis e Schelderups, o Benfica talvez ainda não tenha percebido qual é o seu problema. Com todo o dinheiro que gastou (e até agora só Di Maria e Trubin justificaram o investimento), podia ter comprado Santiago Gimenez, Pavlidis ou...Gyokeres (aqui, com a vantagem de o subtrair ao rival). Não o fez. Agora resta chorar e esperar por milagres todas as semanas.

 

UM PONTA-DE-LANÇA, POR FAVOR!

Confesso que já não sei quem escolher para o ataque. Queria ver ali um ponta-de-lança, mas não sei se ele existe no plantel. Há quem se apresente como tal, mas não há quem sirva para o Benfica. Tenho esperança em Marcos Leonardo, mas ainda parece verde. Tengstedt é esforçado, mas insuficiente. E o Picanhas não passa daquilo - e aquilo é muito pouco.
Já não peço um Jonas, um Cardozo ou um Darwin. Não há muitos anos, o Benfica chegou a ter no mesmo plantel Jonas, Raul Jimenez, Mitroglou, Jovic e Talisca. Teve Lima, Rodrigo, Saviola. No ano passado ainda tinha Gonçalo Ramos e Musa. Não é preciso, nem agradável, lembrar que o Sporting tem Gyokeres.
Já estou por tudo. Um Raul Jimenez ficava a matar, mas podia ser um Seferovic ou um Vata. Até mesmo um RDT podia servir. Um ponta-de-lança qualquer, que seja capaz de ganhar um duelo, de dar linhas de passe, de marcar e de se desmarcar, de dar dimensão ofensiva ao futebol da equipa.
Fala-se de Schmidt (e há quem se admire de ele por vezes querer jogar sem ponta-de-lança), fala-se dos laterais, fala-se (eu também) de Kokçu, mas o verdadeiro problema do Benfica é que deitou o dinheiro de Gonçalo Ramos ao mar com avançados que se vê facilmente que não servem para o clube. Com mais de 50M investidos apenas nessa posição, a verdade é que não vejo quem me dê garantias de marcar o raio de um golo ao Vizela.

SÓ MESMO DI PENÁLTI

O Benfica salvou o essencial, a vitória, mas desperdiçou a oportunidade de resolver a eliminatória em sua casa, diante de um adversário com poucos argumentos.
O jogo parecia da liga portuguesa. E o Toulouse também. Com um treinador espanhol com ar de espertalhão, a equipa francesa colocou o autocarro diante da baliza, e começou a queimar tempo logo aos 10 minutos. Roger Schmidt já devia estar habituado, mas por vezes não parece.
Os encarnados dominavam a bola e o meio-campo, mas, à entrada da área, faltava sempre qualquer coisa. Eu diria, um ponta-de-lança de qualidade, capaz de abrir espaços, dar linhas de passe, tabelar e desmarcar-se, de forma a transformar a posse de bola em lances perigosos. Infelizmente, Arthur Cabral, pese embora os golos que tem marcado ultimamente, está sempre fora do sítio, aparece sempre fora do tempo, raramente ganha uma bola dividida, nunca ganha uma bola em velocidade, e deixa um enorme buraco na frente ofensiva da equipa.
Ao longo da segunda parte parecia óbvio que a equipa encarnada necessitava de um segundo avançado, para baralhar as marcações, e abrir os espaços que a cortina defensiva francesa cobria. Schmidt resistiu, resistiu, resistiu, e só meteu Marcos Leonardo em campo aos 87 minutos, e em troca de...Arthur Cabral. Enfim, já sem tempo para mudar o perfil do jogo, mas ainda a tempo de conseguir um penálti salvador.
Não quero acreditar que o Benfica seja eliminado. E talvez o jogo de França se venha a tornar mais fácil do que este. Mas há muita coisa a rever na equipa, caso queira chegar longe nesta prova. Já no campeonato, a diferença para o Sporting - que é, afinal de contas, a diferença entre Gyokeres e Arthur Cabral - começa a ser preocupante. Não tanto na tabela classificativa, mas pelo que se vê em campo.
Individualmente não há como não destacar Di Maria, autor dos dois golos, ainda que de grande penalidade. Não desgostei de Kokçu, embora continue a achar que (ainda?) não vale o preço que custou. Já António Silva manchou uma boa exibição com a abordagem ao lance do golo francês.
Pela negativa, já falei de Arthur Cabral. Também João Mário, completamente fora de forma e longe do nível da época passada, não está a justificar a titularidade. E Carreras não explicou porque motivo "remeteu" Morato para o banco.
Segue-se o Vizela, que irá colocar os mesmos problemas que este Toulouse. Se não houver outras soluções, as coisas voltarão a ser complicadas.

ONZE PARA A EUROPA


 

DO MAL O MENOS

Há resultados que me deixam irritado, outros, deprimido, outros ainda, revoltado. Este empate em Guimarães deixou-me conformado.
Antes de mais porque foi isso mesmo: um empate em Guimarães, estádio difícil, equipa aguerrida, adeptos hostis - grau de frustração diferente de um enpate em casa com um Casa Pia ou com um Farense. Depois porque o campo estava impraticável, obrigando a um esforço adicional dos jogadores, e tornando aleatórias muitas posses de bola. E ainda porque o pontinho foi salvo aos 90 minutos, quando a derrota parecia inevitável.
É preciso dizer também que a arbitragem nada ajudou. O lance do penalti é precedido de mão na bola, e os seis minutos de compensação foram ridículos. 
O Benfica mantém-se em primeiro lugar, à condição, e continua a depender apenas de si próprio para chegar ao título. E depois de uma jornada destas, tal não é despiciendo. 
Individualmente destaco Di Maria. Com duas assistências esteve nos melhores momentos do Benfica. Está em forma e a fazer a diferença, como sempre se espera de um jogador da sua qualidade. Arthur Cabral também fez aquilo que se espera de um ponta de lança, e marcou mais um golo importante. Talvez tenha de rever o que cheguei a escrever sobre ele. O futuro dirá. 
Pela negativa, Kokcu. Também já escrevi sobre ele, mas não me dá motivos nenhuns para rever o que disse. As semanas passam e continua misteriosamente apagado. Também é um mistério que se mantenha no onze, mas disso não tem culpa. 

ONZE PARA O ASSALTO AO CASTELO


 

VENHAM DE LÁ OS DÉRBIS

Num jogo com pouca história o Benfica levou de vencida o seu adversário, e seguindo, com toda a justiça para as meias-fnais da Taça de Portugal - onde encontrará o Sporting.
Viram-se bons momentos de futebol, mas também alguma permeabilidade. Afinal de contas, a imagem de marca deste Benfica 2023-24. 
Individualmente, Kokçu continua a não me convencer, e não percebo porque voltou a ser titular. Já agora, também não teria trocado Morato por Carreras.
O Vizela é bastante frágil e tenta disfarçar essa fragilidade com uma agressividade sem limites. É uma equipa façanhuda e embirrante, com jogadores violentos e provocadores. Aliás, à semelhança dos seus adeptos.
A segunda divisão é o lugar ideal para esta gente. Mas como os perus não votam a favor do Natal, e o futebol é autorregulado, continuamos a ter tantas equipas no escalão principal como a Alemanha.
Isto não vem a propósito, até porque era um jogo de Taça. Mas quando vejo certas atitudes de certos jogadores em campo, tenho de me lembrar do tema.
Já agora, não sei onde descobriram aquele arbitrozito. Não gostei nada, e vou ficar de olho nele.

SEM POUPANÇAS


 

BOM... ENQUANTO DUROU

A liderança é virtual. Ainda assim era importante o Benfica aproveitar a oportunidade, e colocar pressão extra nos rivais - um porque não jogou e viu-se, à condição, ultrapassado, outro porque empatou em casa e tem muito com que se entreter.
A primeita parte foi boa. Em alguns momentos, mesmo muito boa. Desta vez a equipa de Schmidt soube tornar as coisas fáceis e não dar avanço nem hipótese ao adversário.
Bah regressou em bom plano, permitindo a Aursnes ocupar o lugar em que rendeu mais na época passada. Finalmente Kokçu ficou no banco, implicando a titularidade de Florentino. Essas alterações deram aos encarnados muito maior capacidade de pressão, soltando o cheiro de 2022-23.
Brilharam Di Maria, João Neves e um Arthur Cabral muito mais confiante que há uns meses atrás.
Com 2-0 ao intervalo, temia-se uma reacção minhota. Mas o golo de Rafa matou o jogo. Daí em diante o campeão passeou-se no relvado da Luz, havendo tempo e espaço para dar minutos aos novos reforços.
E pronto. O Benfica está em 1° lugar. E se o Famalicão-Sporting for só em Abril, como se diz, espera-se que esta liderança seja mesmo para manter até ao fim. 

ONZE PARA O GIL


 

ÀS PORTAS DO PARAÍSO

Não sei se foi a melhor exibição de sempre do futebol feminino do Benfica. Foi certamente a melhor que eu vi.
Para quem não saiba, há que dizer que o Barcelona tem as 3 últimas "Bolas de Ouro", é campeão europeu em título, tendo disputado as últimas 3 finais, é líder destacado do ranking da UEFA, tinha 5 vitórias em 5 jogos da Champions, e 14 vitórias em 14 jogos da liga espanhola, tendo sofrido no total desses 19 jogos tantos golos quantos o Benfica hoje lhe marcou (4). Trata-se, em suma, da melhor equipa do mundo.
Com o Seixal completamente à pinha (record de assistência), a verdade é que, aos 95 minutos de jogo, o resultado era um espantoso 4-3 para as encarnadas (mesmo sem Kika Nazareth, ainda lesionada). Foi pena aquele golo sofrido no último lance, que ditou o empate final - único jogo que as catalãs não venceram em toda esta temporada. 
O apuramento, esse já estava garantido antes desta última ronda da fase de grupos. Seguem-se os quartos-de-final, onde o Benfica terá pela frente mais um colosso - Lyon (8 vezes campeão europeu, a última das quais em 2022, actual líder da liga francesa e 2º do ranking da UEFA), PSG (2º da liga francesa e 4º do ranking da UEFA) ou Chelsea (líder da liga inglesa e 6º do ranking da UEFA). As probabilidades de ir mais além parecem quase nulas. Mas a exibição desta noite deixa água na boca.

O FIM DA MACACADA

Depois de operações em larga escala, e em diferentes momentos, nas claques do Benfica e do Sporting, parecia que o Porto era um território sem lei.
A operação policial incidindo sobre os Super Dragões peca apenas por tardia, após anos e anos de abusos e impunidade. 
Foi preciso zangarem-se as comadres, mas mais vale tarde do que nunca.  
Talvez seja o fim da macacada, ou então o princípio de algo ainda maior, que chegue mais alto e mais além.
Os da comunicação estão condenados. Os da tropa de choque irão sê-lo. Falta o elo que liga e comanda tudo aquilo. 
Cheira-me que será para breve.