ONZE PARA BARCELOS


 

CAÇA AO BENFICA?

Já estava à espera disto. Quando as coisas apertassem, as nomeações, e as respectivas arbitragens, entrariam na luta pelo título.
Ora aí está: Fábio Veríssimo para tirar pontos (e cartões amarelos) ao Benfica.
Independentemente da (im)parcialidade do leiriense (que a história nos lembra ser muito duvidosa), é um facto, que até o próprio assumirá, tratar-se de um árbitro com critério apertadíssimo na mostragem de cartões. O homem certo, pois, para dizimar a defesa do Benfica, com António Silva, Otamendi e Grimaldo à bica. O jogo seguinte é com o Braga.
No dérbi portuense, o VAR nomeado, Cláudio Pereira também tem que se lhe diga.
Sejam quais forem os resultados, quem parece querer levar já uma faixa de campeão é Fontelas Gomes.
Depois das queixas sobre Sérgio Conceição e Pinto da Costa, o Benfica tem de comer e calar, sob pena de fazer aquilo de que se queixou.
Mas fora do plano institucional há forma, e gente, para denunciar este caldinho. Depois, pode ser tarde demais.

MUITO AINDA PARA SOFRER

Era imperioso ganhar: o Benfica venceu, e manteve distâncias para a concorrência, ficando a faltar menos uma jornada.
Era conveniente fazer uma boa exibição e afastar todos os fantasmas: nesse sentido, perante um adversário frágil (e amputado do seu melhor jogador), a prestação encarnada foi intermitente. A primeira parte foi prometedora, mas de grande ineficácia ofensiva, e a segunda marcada pelo baixo ritmo que a partida tomou, com a pressão encarnada a léguas daquilo que se viu na primeira metade da temporada. Se João Mário e Rafa mostraram ligeiros sinais de melhoria, já Gonçalo Ramos “não esteve” em campo. E Otamendi, mau grado o golo, voltou a evidenciar falhas gritantes na abordagem a alguns lances.
Além da vitória, há que destacar as excelentes exibições de Neres e João Neves, as duas novidades no onze. O brasileiro foi determinante no lance que decidiu o jogo, e esteve nos melhores momentos do Benfica na primeira parte. O jovem médio confirmou as boas indicações que já havia dado, sendo titular pela primeira vez, e realizando os noventa minutos. Com ele, o meio-campo flui com maior rapidez e verticalidade. Uma alternativa a considerar no imediato.  Musa marcou um belo golo, anulado por um fora-de-jogo no início do lance, e também ele mostrou que afinal há banco.
O árbitro apitou demasiado, como é seu timbre. Terá ficado um penálti por marcar, sobre Aursnes. E aceitaria que Otamendi tivesse visto o segundo amarelo já no fim da partida.
Percebo o que diz Schmidt sobre o VAR. De facto, é preciso perceber-se se apenas intervém em lances claros (como diz o protocolo), ou se esmiúça pequenos toques que por vezes até passam despercebidos aos próprios jogadores em campo. É que o critério umas vezes é um, e noutras vezes é outro. Se se marcam penáltis como o do último Benfica-Sporting, ou o do Benfica-Inter, ou o do Paços-FC Porto, tem de se marcar também os de Braga-Benfica e Inter-Benfica. Ou então não se marca nenhum. Tem é de haver um critério que todos os intervenientes entendam.
Globalmente, o Benfica melhorou, subiu mais um degrau da escada que tinha começado a subir em Milão, e creio que uma vitória em Barcelos porá um ponto final na crise, trazendo de volta a normalidade – com vista às últimas e decisivas quatro jornadas. Barcelos (fora de casa, campo difícil, adversário aguerrido) será pois mais um teste de fogo. O próximo.
A menos que o FC Porto entretanto escorregue, creio que o caminho do título passa por chegar a Alvalade com estes quatro pontos de vantagem. Para isso é preciso vencer em Barcelos e em Portimão, bem como o Braga na Luz. Para o Benfica do último Outono, era canja. Para este, uma tarefa difícil e exigente.

MUDAR, MEXER, AGITAR, SURPREENDER

No "Leopardo", de Lampedusa, a dada altura dizia-se que era preciso mudar alguma coisa para que tudo ficasse na mesma. No Benfica, de Schmidt, parece-me que neste momento também será preciso mudar alguma coisa para que, neste caso, a classificação fique na mesma. Otamendi tem cometido erros a mais, e vem de dois jogos ao nível do lixo (que podem ser o seu fim de linha no clube). Chiquinho perdeu o estado de graça, embora a sua saída do meu onze tenha mais a ver com questões tácticas. Rafa precisa de banco. Neres precisa de ser titular. E toda a equipa, que me parece algo cristalizada, precisa de surpreender o adversário - sendo a colocação de dois pontas-de-lança uma forma de o fazer. Para mim é fácil, pois ninguém me vai pedir responsabilidades se correr mal. Em todo o caso, arrisco lançar esta proposta.

ÚLTIMOS DEZ JOGOS FORA

10 jogos, 6 vitórias, 4 empates, 0 derrotas, 23-10 em golos. Passagens incólumes por Camp Nou, Amsterdam Arena, Anfield Road, Turim, Parque dos Príncipes e San Siro, entre outros. Continua em Setembro...

MELHORES ATAQUES -CHAMPIONS 22-23


 

RANKING UEFA

A sombreado as equipas ainda em prova (azul Champions, rosa Europa, verde Conference).

FOI EM LISBOA...

E o milagre não aconteceu.
Era disso que o Benfica precisava para passar uma eliminatória que (irremediavelmente, viu-se agora) comprometera em Lisboa, mas do outro lado estava uma equipa experiente, cínica, com grandes executantes, particularmente talhada para defender resultados, e que nunca deixou que houvesse discussão sobre quem chegaria às meias-finais.
Três golos marcados, uma bola no poste, uma grande penalidade sonegada, são dados suficientes para não desmerecer da exibição encarnada, sobretudo ao longo da segunda metade. O Benfica correu muito, lutou muito e, mesmo sem deslumbrar, fez o melhor jogo dos últimos cinco (incluindo aqui o de Vila do Conde).  O empate obtido naquele forcing final de dignidade premiou esse esforço - que, mau grado a já esperada eliminação, deixa uma janela de esperança para as próximas partidas.
Há de facto jogadores nucleares em má forma (identifico Otamendi, João Mário, Rafa e Ramos), mas Schmidt ficou a saber que afinal tem banco. Neres, Neves e Musa entraram muito bem. Guedes está à procura da melhor forma, mas é um jogador experiente e de grande qualidade. Não é preciso insistir sempre nos mesmos. É possível fazer substituições.
Já mencionei a grande penalidade sobre Aursnes. É inconcebível o VAR não assinalar aquele lance. Na altura poderia dar o 1-2, e ninguém sabe o que mais. Manteve-se a tradição: sempre que o Benfica chega aos quartos-de-final da Champions há alguém que diz “já chega”. Assim é (ainda mais) difícil.
Fica uma eliminação decepcionante (sobretudo pelas expectativas criadas), definida na primeira mão, mas as notícias da morte deste Benfica talvez tenham sido exageradas. O que jogou, correu e lutou em San Siro, dará, em princípio, para bater o Estoril, o Gil Vicente, e enfrentar o Braga já noutro contexto temporal e desportivo.
Como balanço, há que sublinhar uma grande Champions dos encarnados (a segunda consecutiva), desde as catacumbas das pré-eliminatórias, até aos oito melhores do mundo. O sorteio criou a ilusão de que seria possível ir ainda mais longe. A verdade é que o orçamento do Inter é muito superior. E nestas fases isso (que se traduz em qualidade individual e experiência) é muito importante.
Findo o sonho, agora há que despertar com todas as forças para a realidade, e vencer o 38.

PARA TENTAR UM MILAGRE


 

ESTADO DE CHOQUE

É inacreditável como, numa semana, o Benfica passa de uma temporada sublime, da possibilidade de fechar o campeonato com 13 pontos de vantagem, e da hipótese de fazer história na Champions, para uma caricatura de si mesmo, deixando tudo em causa, e correndo sérios riscos de perder um campeonato de forma fantasmagórica, e com isso deixar-se cair para um abismo de consequências imprevisíveis.
É preciso dizer, em nome da verdade, que a sorte também não tem ajudado. Pelo menos com o Inter e agora em Chaves, os resultados podiam ter sido um pouco menos penalizadores. As arbitragens não surpreendem, e metem o dedo, mas isso já se esperava. É preciso também notar que não parece haver menos vontade ou empenho dos jogadores. Mas quando se entra nesta espiral negativa, nunca se sabe quando, ou se, se vai sair dela.
Nem 2013, nem 2020 (campeonatos perdidos de forma dramática) se poderão assemelhar à eventualidade do Benfica deixar escapar este título. Seria algo para entrar na história, não só do futebol português, mas também do europeu.
Para já nem quero pensar nisso. É preciso manter alguma serenidade, e agarrar a vantagem que ainda existe. É preciso ganhar rapidamente (ao Estoril, depois ao Gil...) , recuperar a confiança, e os adeptos também têm um papel importante nessa matéria.
Não sei que mais escrever. Podia especular com as férias concedidas, ou com a insistência no mesmo onze, ou com substituições tardias ou erráticas. Acho extemporâneo fazê-lo. O Benfica ainda lidera a classificação, e só no fim se tiram conclusões. 

NERES? ENTÃO E EU?

Após a derrota com o Inter, David Neres saiu de campo irritado, e não quis cumprimentar ninguém.
Se eu aqui contasse como fiquei depois desse jogo e no dia seguinte, diriam que era louco ou estava doente. E no meu caso, o futebol é "apenas" um brinquedo de emoções, não a minha profissão.
Estas duas derrotas foram particularmente duras. Para mim, sobretudo a segunda, pois francamente não estava à espera que a eliminatória com o Inter, e a eventualidade de uma Champions histórica, ficassem desde logo comprometidas em Lisboa.
Neres gostava de ter sido titular, não foi. Entrou, deu tudo, tentou ajudar, não conseguiu. A equipa perdeu. Seria estranho que saísse contente. O que não suporto, nem tolero, é profissionais que, na hora da derrota, reagem com ligeireza, como se nada fosse. Esses sim, estão totalmente errados. Esses sim, estão a mais no Benfica.
Que Neres seja titular em Chaves, e reverta para campo a sua raiva. É dessa matéria que se fazem campeões. Aliás, em Chaves espero um enorme grito de revolta de toda a equipa.
Tentar transformar isto num caso disciplinar é absurdo, ou outra coisa bem pior.

NADA DE FANTASIAS

O sonho da Champions morreu. E como é óbvio, já não adianta estar a alimentar um morto.
O Campeonato, esse sim, continua bem vivo. E é nele que o Benfica deve apostar as fichas todas. Mesmo TODAS!
Faltam sete finais, que até podem ser apenas cinco (caso as ganhe). Dessas, penso que as próximas três são absolutamente fundamentais. Vencendo Chaves, Estoril e Gil Vicente, cumprindo a obrigação nessas partidas, o Benfica poderá depois gerir a vantagem de sete pontos no trio de jogos seguintes, teoricamente mais difíceis. Deixar contas por fazer com Braga e Sporting é, não só arriscado, como pode vir a ser arrasador em termos anímicos.
Esqueçam por favor San Siro. É um caso perdido. Há que agarrar com todas as forças o pássaro que ainda está na mão. E começar por ganhar, seja de que forma for, em Chaves.


FALTA DE SENSO

Um VAR holandês no Benfica-Inter, quando Portugal discute com a Holanda o lugar no ranking da UEFA, não lembra a ninguém. Só a uma UEFA perdida no seu labirinto.
Michael Oliver esteve mal, em campo. Mas o VAR mostrou clara parcialidade, o que não espanta. Afinal estava ao serviço dos interesses da sua Federação.
As arbitragens da Champions até tinham sido boas até agora. Esta foi claramente a pior, no momento em que tal menos devia acontecer.

PESADELO

 

Não tenho ilusões: a oportunidade de fazer história na Champions caiu por terra com esta derrota.

Seria preciso realizar a melhor exibição do século (e encontrar um Inter bastante ensonado) para reverter, em Milão, uma desvantagem de dois golos. Matematicamente é possível. Futebolisticamente, não. Estamos a falar de uns Quartos-de-Final da Champions, onde ninguém dorme, muito menos em sua casa, e quando se tem jogadores como Brozovic, Barella, Mkhitaryan, Di Marco ou Lautaro.

Esta era uma oportunidade que dificilmente se irá repetir nos tempos mais próximos. O Inter confirmou na Luz que não é um papão, e com um pouco de sorte o resultado teria sido diferente – os italianos marcaram no melhor momento dos encarnados, que depois viriam a desperdiçar dois lances flagrantes diante da baliza. O resultado justo talvez tivesse sido o empate. Nunca uma derrota por dois golos de diferença.

Mas não foi só o azar a determinar o resultado. Creio que o desaire começou a desenhar-se antes do jogo. Começou na sexta-feira quando o Benfica desperdiçou também, e neste caso com muito mais culpas próprias, a possibilidade de resolver o campeonato e, então sim, abraçar o sonho europeu com ânimo e determinação, dando desde logo um sinal de força a todos os adversários.

Não fez tudo o que podia para ganhar ao rival. Obviamente perdeu. Expôs debilidades. Deixou entrar fantasmas em casa. Agora apareceu em campo descrente, desconfiado de si próprio, a hesitar nos seus processos, e acabou estendido no chão. Até o ambiente no estádio se ressentiu. Foi diferente e mais impaciente. Era de esperar, ou não Roger Schmidt?

Os jogadores correram, lutaram, mas sentiram o peso das circunstâncias. E o Inter tentou, com sucesso, fazer o que o FC Porto fez – sobretudo no plano defensivo. Uma derrota levou a outra, e se não houver cuidado, Chaves pode abrir caminho a uma total debacle emocional, com custos que nem quero, por ora, imaginar.

Individualmente não me apetecia destacar ninguém. Talvez apenas Vlachodimos, que evitou uma goleada (que seria, porém, extremamente injusta). Queria também sublinhar que não entendo como, a perder, com uma equipa a dar sinais evidentes de cansaço físico e emocional, apenas se faz uma substituição. Todos os treinadores têm as suas pancadas. Roger Schmidt teve, até há poucos dias, todos os benefícios das dúvidas e das certezas, ao ponto de renovar o contrato, ficar a auferir o dobro, mesmo sem sequer ter conquistado um troféu. Agora começa a mostrar teimosia, para além das reiteradas manifestações de desconfiança nos jogadores que se sentam ao seu lado no banco. As próximas semanas ditarão o real valor do alemão, designadamente sob o ponto de vista estratégico. Preparar equipas fisicamente, e criar situações bonitas de jogo, não é suficiente. É preciso ser sagaz. Só assim se ganham títulos (e ele tem poucos, muito poucos).

Também não gostei de Michael Oliver. Um dos árbitros mais conceituados do mundo esteve mal em diversas situações, parecendo exibir um gostinho especial em irritar as bancadas. Critério desigual na amostragem de cartões, e porventura – confesso que não vi os lances na televisão – um penálti por marcar a favor do Benfica. Também sem ver todas as repetições, o penálti de João Mário ainda não me convenceu totalmente, isto se tivermos em conta os critérios que normalmente são aplicados no futebol europeu, e em…Inglaterra. Em qualquer caso, culpas maiores para o VAR holandês, que assim se viu livre de um país concorrente no rankings.

Para mim, agora é simples: o Benfica tem de se agarrar ao campeonato e aos sete pontos que ainda tem de vantagem. Vitórias com o Chaves, o Estoril e o Gil Vicente poderão recompor o moral da equipa. São absolutamente fundamentais. Depois…faltarão quatro jornadas.

Dando tudo o que tem, colocando aí todas as fichas, o Benfica tem obrigação de vencer estes três jogos. É esse o desafio imediato, de modo a não estragar totalmente uma época que chegou a fazer sonhar bem alto.

Enfim, deixo uma só palavra: Chaves!

ONZE PARA O INTER

Nunca pensei fazer um onze para um jogo importante, e deixar o Rafa de fora. Infelizmente, a exibição fantasmagórica frente ao FC Porto obriga-me a tal. Apetecia-me deixar outros também, mas Neres está a pedir a titularidade, e noutras posições não há alternativa.

RIDÍCULO. VERGONHOSO. INSULTUOSO. PATÉTICO.

Ganhar ao FC Porto tem-se tornado extremamente difícil. Há razões tácticas, físicas e mentais, que explicam tantas derrotas (quase sempre jogo bonito e aberto contra parede defensiva, bailarinas contra gladiadores, #pelobenfica contra ódio), e estranho nunca terem sido devidamente analisadas e corrigidas, algo que começa a ser embaraçoso para o clube. O Benfica, ano após ano, continua a investir em Schelderups, quando precisava claramente de dois ou três gorilas para o meio campo e para as laterais, deixar-se de chicuelinas e aprender a defender com rigor, a bloquear adversários, e, mais do que querer ganhar, jogar também pelo prazer de ver os rivais perderem - indo de encontro ao espírito desses mesmos adversários e dos próprios adeptos, que, infelizmente, não se vê em campo, nem no banco, nem na tribuna. Já escrevi muito sobre isso, parece-me algo bastante óbvio, e estou farto. 
Partindo já com essa inferioridade táctica atlética e psicológica, entrar em campo apenas a passear as camisolas e a pensar no jogo seguinte, deixa as probabilidades de surpreender perto de zero. Lamentavelmente, foi isso que aconteceu.
Senti-me insultado. Não vi grande vontade de ganhar ao Porto, a não ser nos 60 mil das bancadas. Foi uma exibição própria dos desenhos animados. E o pior é que esta derrota e a Champions e esta derrota e a Champions e esta derrota e. ..enfim, pode vir a correr bastante mal. O Benfica arrisca deixar fugir todos os pássaros. 
Aliás, houve jogadores que, por mim, não entrariam em campo frente ao Inter. Não o merecem. Fiquem no banco, ou mesmo em casa, a pensar no... Chaves. 
Do lado de lá estas coisas não acontecem. Eles sabem fazer contas. E odeiam-nos. No Benfica, aparentemente, pensa-se mais nos contratos que um jogo europeu pode proporcionar.
E não digo mais nada até terça. Já que, em campo, e no banco (?), apenas se preocuparam com esse dia, dando uma vez mais oxigénio a um rival moribundo - que, mesmo com pouco talento, costuma saber como o aproveitar. 

O ONZE ÓBVIO


DADOS PESSOAIS

 CLÁSSICOS BENFICA-FC PORTO A QUE ASSISTI AO VIVO (34):

TODAS AS VITÓRIAS DE QUE ME RECORDO (40):


O "MEU" CLÁSSICO:

Foi o primeiro clássico a que assisti ao vivo. Nele se registou a maior assistência de sempre num jogo de futebol em Portugal (os jornais falaram em 140 mil pessoas acotoveladas no antigo Estádio). Foi a última vez que o meu pai foi ao Estádio da Luz (ainda conseguiu entrar, comigo, enquanto outros familiares não sócios, que iam para outra bancada, ficaram cá fora com o bilhete na mão, sem sequer se conseguirem aproximar da porta, tal a enchente).
Vi o jogo na última fila do velho Terceiro Anel. Era o único lugar disponível, num espaço minúsculo onde dois adeptos jogavam às cartas. Quase tivemos de pisar cabeças para lá chegar. Empurrão para cá, empurrão para lá, lá nos acomodámos.
O Benfica vinha de perder 7-1 em Alvalade, o FC Porto ia sagrar-se campeão europeu nessa temporada (estava em alta e trouxe mais de 40 mil pessoas a Lisboa, que enchiam o novo Terceiro Anel). Um Hat-Trick de Rui Águas deu uma vitória (3-1) que poderia até ser mais expressiva, e foi nessa partida, primeira jornada da segunda volta, que os encarnados, comandados por John Mortimore, arrancaram para o título.
Podia escolher o jogo dos Eusébios, em 2013-14. Ou o do golo de Saviola com chuva diluviana, em 2009-10. Mas este, de 1987, por todas as vicissitudes que referi, é o "meu" clássico.
No Benfica, Veloso, Álvaro, Shéu, Diamantino e Rui Águas. No FC Porto, João Pinto, Jaime Pacheco, Futre, Madjer e Gomes. Um jogaço!

COMO SEMPRE

Antes do jogo da primeira volta, escrevi isto. Mantém-se actual:

O QUE O BENFICA VAI ENCONTRAR: Onze halterofilistas de faca nos dentes, sangue nos olhos, movidos a turbo e com impunidade absoluta, dispostos  a tudo (provocações, simulações, agressões, insultos) para fazer o jogo do ano e esmagar o odiado rival.

RECEITA PARA VENCER: Serenidade, futebol rápido de primeiro toque e variações de flanco, fazendo-os correr, e libertando-se das zonas de pressão. Aproveitar as oportunidades.

SÉRGIO QUER VITÓRIA AVASSALADORA!

Mais do que ganhar, quer ferir, desestabilizar, destruir. E já o transmitiu aos capitães.
Veremos se consegue.
Recordo como ficará a classificação em caso de vitória "avassaladora" do FC Porto:
BENFICA 71
FC Porto 64
Quanto ao histórico de triunfos do Porto na nova Luz, dos oito, pelo menos três foram negra e diretamente influenciados pela arbitragem (Benquerença 04-05, Proença 11-12, três centímetros 21-22). Ou seja, mais do que um terço. Quase metade, se preferirem. Aqui sim, uma influencia "avassaladora" nas estatísticas.


ISTO SIM, É UM NOJO!

Já em 2019 eu escrevia isto. Nada mudou, nada se passou, aparentemente ninguém investiga.
O Portimonense jogou 23 vezes no Porto, perdeu todas, marcou dez golos, sofreu...oitenta.
O que é certo é que o FC Porto continua, época após época, a começar os campeonatos com seis pontos, enquanto a Justiça e a Comunicação Social (agora também o Varandas) continuam a entreter-nos com suspeitas de 2016. Em 2022, a SAD de brasileiros que se chama Portimonense chegou a apresentar um onze sem qualquer defesa central no Estádio do Dragão (perdeu 7-0...), cereja sobre um bolo que nos continua a ser servido duas vezes por ano, e que mete vários negócios entre ambos, penáltis atirados por cima da barra por jogadores transferidos entre si, dinheiro a rodar, etc, etc. 
Nada como recordar os resultados dos últimos Portimonenses-FC Portos e FC Portos-Portimonenses:
O Algarve merecia melhor do que uma equipa subsidiária, financiada e mantida por gente obscura, que está manifestamente a mais na Primeira Liga, subvertendo a verdade desportiva.

VENHA O CLÁSSICO

Desde Janeiro, desde o início da segunda volta, que venho defendendo uma tese: ganhando todos os jogos até ao Clássico com o FC Porto, o Benfica seria campeão. Escrevi-o aqui e noutros sítios, e consumada esta série de dez triunfos consecutivos, nem a prudência me impede agora de afirmar que muito dificilmente este título fugirá aos encarnados - mesmo com uma eventual derrota no Clássico da próxima sexta-feira.
Era pois, a meu ver, de vital importância vencer em Vila do Conde, frente a uma equipa agressiva, em bom momento, num estádio inóspito e após mais uma estúpida pausa da FIFA. Perdendo pontos, então sim, o jogo com o FC Porto assumia-se como decisivo, sabendo-se que o Benfica, em vésperas de quartos-de-final da Champions, estará em piores condições para o abordar. Assim, em condições normais, na sexta-feira apenas se decidirá se o campeonato é já resolvido, ou se demora mais umas semanas a sê-lo. Isso não é pouco importante, pois daí depende também a margem que o Benfica terá para abordar a Champions com todas as fichas.
A exibição, tal como temia, não foi grande coisa. Mas a mais importante foi assegurado, com um golo de Gonçalo Ramos a abrir a segunda parte, e num momento em que a angústia começava a tomar conta das almas encarnadas. Depois, havia que sofrer até ao fim. 
Tudo está bem quando acaba bem. O Benfica ganhou com toda a justiça, embora tenha corrido alguns riscos desnecessários (sobretudo após chegar à vantagem).
No plano individual, Chiquinho e Aursnes destacaram-se, mostrando haver alternativa a Florentino. João Mário criou o lance que decidiu a partida, mas de resto pareceu bastante afectado pela pausa. O mesmo se pode dizer de Ramos. Bah continua sem convencer, e uma vez mais salvou-se de comprometer a equipa, num lance que passou despercebido ao VAR (e confesso que a mim também).
A arbitragem deixou um penálti por assinalar para cada lado, pois a cotovelada em Gonçalo Ramos seria objecto de falta e sanção disciplinar em qualquer outra zona do campo, devendo naturalmente sê-lo também dentro da área, com a grande penalidade correspondente.
Agora, venha o Clássico.
PS: As vitórias, de algum modo esperadas no Futebol e Futsal femininos, mas absolutamente surpreendente no Futsal masculino, deram a este fim-de-semana uma intensa cor vermelha. Que o(s) próximo(s) seja(m) parecido(s).