ENZO

No momento em que escrevo não sei se Enzo fica ou sai. Como é óbvio, gostava que ficasse: acho que é uma pedra angular desta equipa, e será muito difícil substituí-lo a preceito.
Tenho também de dizer que, se sair pelos 120 milhões, mesmo que o montante seja negociado em parcelas (de outra forma não acredito que o Chelsea possa sequer avançar, devido às regras de fair-play financeiro), compreenderei a decisão de Rui Costa. É muito dinheiro, e não esqueçamos que é precisamente por uma questão de dinheiro que o Benfica não consegue ombrear com os principais colossos da Europa.
120 milhões, se bem utilizados (e a SAD tem mostrado ultimamente saber fazer bons mercados), podem permitir construir uma super-equipa (pelo menos no plano nacional). Podem marcar a diferença para as próximas duas ou três temporadas.
Além disso, o meu princípio para a venda de jogadores é precisamente vendê-los no pico da valorização - nem antes, como foi Bernardo Silva (ou seria agora, por exemplo, António Silva), nem depois, como aconteceria se estivéssemos agora perante uma proposta, por exemplo, por Rafa. Enzo preenche esse requisito, após um grande Mundial. 
Tudo isto era óbvio não fosse o caso de... estarmos a meio da época, nos oitavos da Champions e em primeiro lugar no campeonato.
O problema aqui foi a data do Mundial, que partiu uma época ao meio, e desestabilizou totalmente o mercado. Num final de temporada a transferência era pacífica - ainda no último verão o Benfica vendeu o seu melhor jogador da altura, Darwin Nuñez, e a equipa reconstruiu-se muito bem. Agora, ninguém sabe como ficará aquele meio-campo. Ninguém sabe o que valem Santiago Hezzo ou Alan Varela. E sabemos o que valem Chiquinho ou Paulo Bernardo (jogadores razoáveis, mas a léguas de Enzo).
Até aqui a inflexibilidade tem feito todo o sentido. Daqui em diante, só Deus sabe o que se deve ou não fazer.
Ao contrário de alguns que estão à espera para dizer mal, eu compreenderei qualquer decisão. Digo-o desde já, antes de conhecer o desenlace final.

ONZE PARA AROUCA

Em casa do sexto classificado, sem Enzo, Rafa e Gonçalo Ramos, este jogo é de alto risco.

QUEM TEM MAIS TÍTULOS?

A vitória do FC Porto na Taça da Liga levantou novamente uma questão sobre o número de títulos. Quem tem mais? Benfica ou FC Porto?
Há duas formas de ver a questão: ou se consideram estritamente títulos oficiais reconhecidos por todas as instâncias do futebol, ou se acrescentam títulos semi-oficiais, como a Taça Latina, a Toyota Cup, a Taça Império (tipo Supertaça da antiguidade) e até a Taça Ibérica (organizada pela RFEF e pela FPF em 1983, e que depois não teve continuidade). Estes são títulos, digamos, festejáveis, importantes cada um à sua época, difíceis de conquistar, meritórios, nos quais as equipas investiram, mas para os quais a doutrina se divide quanto ao carácter oficial ou oficioso. Eu, por mim, vejo mais mérito numa Taça Latina do que numa Supertaça ganha a uma equipa da segunda divisão, ou mesmo numa Toyota Cup ganha ao Once Caldas por penáltis. O que não se pode é considerar a Toyota Cup, e não a Taça Latina, ou vice-versa.

Ou seja, títulos absolutamente oficiais, sem margem para discórdia, são:
BENFICA =  37 Campeonatos Nacionais, 26 Taças de Portugal, 3 Campeonatos de Portugal, 7 Taças da Liga, 7 Supertaças e 2 Ligas dos Campeões   TOTAL = 82
FC PORTO = 30 Campeonatos Nacionais, 18 Taças de Portugal, 4 Campeonatos de Portugal, 1 Taça da Liga, 23 Supertaças, 2 Ligas dos Campeões, 2 Ligas Europa e 1 Supertaça Europeia  TOTAL = 81

Se considerarmos títulos semi-oficiais, no meu ponto de vista temos:
BENFICA =  37 Campeonatos Nacionais, 26 Taças de Portugal, 3 Campeonatos de Portugal, 7 Taças da Liga, 9 Supertaças, 2 Ligas dos Campeões, 1 Taça Latina e 1 Taça Ibérica   TOTAL = 86
FC PORTO = 30 Campeonatos Nacionais, 18 Taças de Portugal, 4 Campeonatos de Portugal, 1 Taça da Liga, 23 Supertaças, 2 Ligas dos Campeões, 2 Ligas Europa, 1 Supertaça Europeia e 2 Toyota Cups  TOTAL = 83

Se não falham as contas, é isto.
A partir daqui cada um pode escolher o menu que quiser. Tem é de haver critério.

COMO SE MONTA UM ESQUEMA

1º Um amigo do director de comunicação de um clube contacta outro amigo, pirata informático, para roubar toda a correspondência eletrónica de um clube rival;

2º Procuram-se nessa correspondência, parcelas de texto que, se truncadas e manipuladas, possam ser suscetíveis de criar escândalo. Essa tarefa fica a cargo do primeiro amigo;

3ª Faz-se constar que a informação partiu de dentro do clube rival, e servem-se essas parcelas de texto a conta-gotas de modo a criar o máximo dano possível;

4º Após reunião num hotel com a comunicação de um clube terceiro, também interessado em prejudicar o rival, identificam-se um conjunto de jornalistas pontas-de-lança em vários órgãos de comunicação social para difundir e explorar o assunto - e ignorar outros, como a troca de favores e resultados entre o clube do pirata e um outro, mais pequeno, do mesmo campeonato, ou uma vitória numa última jornada com um penálti fora da área, no terreno do terceiro classificado, seguida de transferências em massa de treinador e jogadores para o clube vencedor;

4º Noutro tabuleiro, paga-se (em dinheiro ou em contratos para as Arábias) a um par jogadores de duas equipas para dizer, no MP e na comunicação social, que foram aliciados por um empresário em nome do clube rival que se pretende atingir, como se não fosse bem mais fácil aliciar jogadores para dizer uma mentira do que para perder propositadamente um jogo; 

5º O empresário em causa tem ligações próximas com o clube do hacker, do amigo e do director de comunicação;

6º Esse empresário agencia também jogadores do clube rival (alguns recusam-se a renovar), teve negócios com ele, e recebeu dinheiro em comissões declaradas e/ou não declaradas;

7º Sazonalmente, quando o rival ganha alguns jogos seguidos, e mesmo sem haver novidades substantivas, volta a explorar-se toda a matéria, a difundi-la nos jornais e nas televisões, para continuar a fazer dano e condicionar arbitragens;

Só falta agora o empresário confirmar a mentira junto do MP, para completar o puzzle. 

Mas...tal como nunca pensaram que o hacker seria descoberto, também o resto do esquema será um dia posto a nu. A verdade é como o azeite.

15 MINUTOS À BENFICA

...e depois, mais nada. A não ser, de bom, os três pontos (o mais importante), e de mau, a lesão de Gonçalo Ramos.

ONZE PARA PAÇOS


 

BENDITAS SOIS VÓS ENTRE AS MULHERES








Estas modalidades já conquistaram, nesta temporada e extra-campeonato, dez títulos (seis Supertaças, duas Taças da Liga e dois Torneios de Abertura). Conseguiram também 19 vitórias em partidas das respectivas competições europeias. À excepção do Voleibol, lideram todos os campeonatos. Elas são: Raínhas!!!

DUAS EQUIPAS!


 Ainda sobram André Almeida, Brooks, Gil Dias, Paulo Bernardo, João Neves, Musa...

LINDAS MENINAS

Este espaço é (ainda) de futebol profissional masculino - não há tempo para tudo... Mas o escriba acompanha e vibra com todas as modalidades, masculinas e femininas. E estas têm sido particularmente recompensadoras, pois o Benfica segue na frente em Futebol, Hóquei, Basquete, Andebol, Futsal, Rugby e Polo Aquático, em alguns dos casos só com vitórias. Falta apenas o Vólei, que talvez merecesse uma atençãozinha, que é como quem diz, um ou dois reforços.
Neste sábado, em Futebol, para a Taça de Portugal, e perante 15 mil pessoas na Luz, as encarnadas despacharam o Sporting por 5-0. E quem viu o jogo sabe que poderiam ter sido dez. Foi um autêntico massacre.
Que lindo!

ANTICICLONE

Numa jornada algo embirrante (vitórias de Braga e Sporting aos 98m, triunfo tangencial do Porto em Guimarães), o Benfica cumpriu a sua obrigação, e também venceu.
A exibição teve momentos melhores e outros não tão bons. Mas genericamente pode dizer-se que as coisas correram bem, mesmo sem Otamendi e Rafa, mesmo com Fábio Veríssimo a apitar, mesmo num terreno onde o FC Porto empatara.
O destaque vai para a estreia de Gonçalo Guedes, que após meia dúzia de minutos em campo fez o gosto ao pé, mostrando ao que vem. Mas o melhor em campo foi claramente Enzo Fernandez, com mais uma prestação cintilante, ao nível daquilo que fez no Mundial, e daquilo que fizera na primeira metade da temporada.
E o Benfica chega assim ao fim da primeira volta com 4 pontos sobre o Braga, 5 sobre o Porto e 12 sobre o Sporting. Nada mau, mas longe de significar qualquer coisa de definitivo, como a dada altura uma vantagem de 8 pontos chegou a fazer crer.
Na quinta-feira novo jogo, na casa do último classificado. 

ONZE PARA OS AÇORES


 

QUASE TUDO

Falta um guarda-redes capaz de substituir Odysseas em caso de necessidade (tenho dúvidas sobre a maturidade dos jovens da formação, sem qualquer jogo realizado, para um posto tão específico e de tanta responsabilidade).
Falta ainda dispensar André Almeida, Brooks, Gil Dias e Draxler. E emprestar João Victor e Paulo Bernardo. 

BEM-VINDO A CASA

Confesso que não esperava esta contratação. Ainda que por seis meses, Gonçalo Guedes, jogador de selecção, pretendido pelo Barcelona (a fazer fé na capa da "Marca" de há uns dias), chega ao Benfica para reforçar as opções de Roger Schmidt, e ajudar a equipa a chegar ao título e fazer uma boa Champions.
Não é Maradona, nem vem fazer milagres. É um reforço que, bem enquadrado, em sua casa, pode explodir e voltar ao nível que já teve. Parabéns à estrutura do Benfica por esta abordagem ao mercado, que ainda teve o condão de evitar especulações e apenas se saber com os factos consumados.

COMO É POSSÍVEL?

Jogadores com mais cartões amarelos na Liga Portuguesa:

O quê????? Rafa?????? Inacreditável!!! Aquele que é, porventura, o mais sacrificado jogador do campeonato, objecto de marcações impiedosas e faltas constantes, está à porta do top-10 dos jogadores mais amarelados da Liga. De resto, até já falhou um jogo por acumulação de cartões.
Neste top não está nenhum jogador do Sporting ou do FC Porto (nem sequer do SC Braga), equipas conhecidas pela forma macia como jogam... Já o Benfica, conhecido pelo seu futebol rude e carroceiro, tem dois. E se Otamendi até se entende, a posição de Rafa neste ranking é absolutamente escandalosa, e mostra como o ruído sobre as arbitragens vai fazendo o seu caminho.
Diga-se que Rafa, na Liga dos Campeões, em oito jogos, não viu nem um cartãozinho. E nessa mesma prova, no top-dez dos mais sancionados, estão, aí sim, jogadores do FC Porto e Sporting. Não há coincidências.

É JÁ UMA ODISSEIA

Odysseas Vlachodimos é o sexto guarda-redes que mais vezes vestiu a camisola do Benfica, alcançando a bonita marca de 200 jogos. Fazendo mais duas ou três épocas na Luz (e espero que as faça), pode ainda subir bastante neste ranking - talvez mesmo até ao pódio.
Agora vou dar uma opinião que certamente gerará polémica: destes seis guarda-redes, Vlachodimos é, para mim, o mais completo.
Adoro Manuel Bento (foi o guarda-redes da minha infância, e como tal um ídolo), Costa Pereira ganhou tudo, e José Henrique é ainda hoje um símbolo vivo de mística. Acontece que a posição de guarda-redes foi a que mais evoluiu ao longo dos tempos. Talvez não seja justo comparar Bento com Vlachodimos, mas se tiver de o fazer, recordando os principais erros e lacunas de um e de outro (e, diga-se, Bento cometeu erros que hoje crucificavam sumariamente qualquer "keeper"), o grego leva vantagem. Tal como levará dos restantes, salvaguardando que não vi qualquer jogo de António Martins.
Os melhores guarda-redes da história do clube não estão neste lote, e são Michel Preud'Homme, Ederson Moraes e Jan Oblak, talvez por esta mesma ordem, não esquecendo a primeira temporada de Júlio César - que o Benfica apanhou já em fim de carreira e bastante condicionado por uma lesão nas costas. Aliás, este top é, em certa medida, responsável pela sub-valorização que a generalidade dos benfiquistas faz do grego: ele chegou após um ciclo de extraordinários guarda-redes, e não é, de facto, tão bom como os que o antecederam na baliza benfiquista (que são dos melhores do mundo).
Mas é muito bom, e espero que fique por cá muitos anos. Rafa também é muito bom, mas não é Messi. E Gonçalo Ramos não é Lewandowski. Infelizmente o Benfica não pode ter os melhores do mundo das várias posições. Odysseas está ao nível do Benfica, e não podemos ter melhor. Talvez precise é de um suplente à altura...
Os números apresentados são do ZeroZero.

SOUBE A ZERO

Ao contrário da opinião generalizada, não me parece que o dérbi tenha sido um grande jogo de futebol. O Benfica realizou uma exibição sofrível ao longo de quase toda a primeira parte, e uma exibição, digamos, esforçada, ao longo da segunda. O Sporting preocupou-se o tempo todo em não deixar jogar, recorrendo à habilidade do seu treinador em bloquear adversários mais fortes, e a algum jogo sujo com a complacência de Soares Dias. No fim, nenhum dos intervenientes tem motivos para satisfação.
Não houve muita qualidade. Houve, isso sim, emoção, intensidade (até demasiada) e golos. Para além dos habituais casos de arbitragem neste tipo de partidas, desde logo com uma grande penalidade que jamais seria concedida na Premier League - e na Champions, só se fosse a favor de algum clube rico.
A primeira meia-hora mostrou um Benfica aparentemente desconhecedor daquilo que o esperava, insistindo em sair a jogar curto desde trás, quando era precisamente aí que o Sporting acentuava a sua pressão. Mais adiante, com Aursnes a flectir para o meio, faltava claramente um Neres a abrir a ala. O treinador do Benfica dava ao rival tudo aquilo que ele queria. Os erros sucederam-se, uns mais forçados do que outros. Um golo sofrido, desvantagem no marcador, fantasmas da temporada passada, e se o jogo terminasse aos 30 minutos, diria que Ruben Amorim tinha dado um banho táctico a Roger Schmidt.
Naturalmente a equipa encarnada acabou por se redescobrir, e perceber que assim não ia lá (até porque do outro lado não estava lá nenhum Matheus Nunes, nem nenhum Sarabia). Acelerou o seu futebol, procurou o espaço nas costas da defesa leonina, e intensificou os duelos perante um adversário de faca nos dentes (ou javardo, nas próprias palavras do seu treinador há uns tempos atrás). 
O empate apareceu, e a partir daí, na minha cabeça, estava convencido de que a segunda parte iria mostrar um Benfica amplamente dominador, e capaz de derrotar uma equipa tecnicamente muitos furos abaixo. O penálti condicionou naturalmente essa reacção, colocando novamente os encarnados atrás do prejuízo, e o Sporting confortável no tipo de jogo que mais lhe agrada (de notar que sofreu os golos com oito e nove jogadores dentro da área respectivamente).
Ainda assim, até final, o Benfica (com alma e esforço) soube tomar novamente conta da partida, chegou ao empate com naturalidade, e ficou a dever a si próprio uma vitória que, pela segunda parte, fez por merecer. Até porque o Sporting começava a parecer esgotado fisicamente, e tinha de recorrer a um banco medíocre de onde saíram cromos que eu nem conhecia - e com os quais o seu contra-ataque morreu por completo.
Individualmente destacaria Gonçalo Ramos, pela eficácia, e Rafa por ser...Rafa. Pela negativa, creio que António Silva fez um jogo confuso e irregular, pareceu-me que João Mário se intimida a jogar contra a ex-equipa (tanta indecisão...nos minutos finais esperei em vão por Draxler), e o próprio Aursnes não esteve no seu melhor. O pior foi, no entanto, Bah. Não sei que mal fez Gilberto para agora nem sequer ser convocado, mas o dinamarquês está claramente fora de forma, e já não é a primeira vez que compromete, mostrando-se bastante displicente no plano defensivo.
Do lado do Sporting apenas Porro jogou futebol. Os outros espanhóis, uruguais e nortenhos que constituem o onze, entraram em campo só para enervar o Benfica e o árbitro, e para evitarem a derrota que temiam. Destaque neste particular, para os portistas portugueses Nuno Santos, Pedro Gonçalves e Paulinho - três javardolas, recorrendo uma vez mais a citações de Ruben Amorim.
Soares Dias foi igual a si próprio: errante, complacente e tendencioso no plano disciplinar, cobarde no lance da grande penalidade (que o VAR nunca poderia ter indicado, por ser tudo menos um lance claro).
Ficam cinco pontos de vantagem. Fica também uma série de apenas duas vitórias em seis jogos, que, pese embora a naturalidade de haver pequenas oscilações de forma durante uma longa época, permite aos rivais, falo do FC Porto, a possibilidade de se manterem objectivamente na luta pelo título. 
O calendário é, no entanto, prometedor, senão vejamos as próximas seis deslocações dos três principais candidatos (até ao "Clássico" da Luz):

MEMÓRIAS

O PRIMEIRO NA LUZ:
1976-77: 2-1

O PIOR NA LUZ (e primeiro ao vivo):
1985-86: 1-2

O MELHOR NA LUZ:
2004-05: 1-0

O ÚLTIMO NA LUZ:

2021-22: 1-3

...e muitos outros.

TODOS OS DÉRBIS QUE VI AO VIVO:


ONZE PARA O DÉRBI

Se Grimaldo e Rafa não recuperarem, que avancem Ristic e Aursnes.

ESPERO QUE NÃO ACONTEÇA ISTO:

2011-12, primeiros minutos do dérbi em Alvalade, grande penalidade clara cometida sobre Gaitán que Soares Dias fingiu não ver. O Benfica perdeu 1-0 e viu fugir o FC Porto na luta pelo título:


NEM ISTO:

2016-17, só na primeira parte do Dérbi, também em Alvalade, entre os 39 e os 44 minutos, ficaram por assinalar três penáltis (!!!) a favor do Benfica. E se o terceiro deixa dúvidas (William sobre Rafa), os dois primeiros (Schelotto sobre Grimaldo e Bruno César sobre Lindelof) são evidentes. Soares Dias fez que não viu nenhum. O Benfica perdia por 1-0, e só chegou ao empate já na segunda parte:


Podia juntar aqui outros jogos, nomeadamente com o FC Porto (golo anulado a Pizzi na Luz, falta sobre Ferro antes de golo do FC Porto no Dragão, penálti por assinalar por corte com a mão no jogo dos Eusébios, etc, etc). Mas esta ilustração já chega para me sentir preocupado quanto à presença de Soares Dias no dérbi. Com a pressão que tem sido feita, está criado o caldo perfeito para que o Benfica seja esbulhado, e o FCP se possa aproximar da liderança, com os idiotas úteis de Alvalade a aplaudir.

TÃO PREVISÍVEIS...




O futebol português ainda é o que era. Em vésperas de dérbi (decisivo para alguns), sobe o volume de queixas da arbitragem, evidenciando, para quem ainda tivesse dúvidas, qual o objectivo de fazer tanto barulho: condicionar e pressionar os árbitros da(s) jornada(s) seguinte(s).
Não vi absolutamente nada do Casa Pia-FC Porto. Mas no Marítimo-Sporting e no Varzim-Benfica, não me recordo de qualquer lance que justificasse queixas ou lamentos, nem mesmo aqueles que são invocados. Há queixas de penáltis que só acontecem no campeonato português (como o lance de Porro). Pequenos toques, pequenos contactos, dentro ou fora da área, que em nenhuma Liga são sancionados. O que existe em Portugal é demasiado zelo dos árbitros em assinalar faltas que não existem, e parar constantemente os jogos, estragando os espectáculos. Esse mau hábito, juntamente com uma cultura de chico-espertismo de jogadores e técnicos, serve para, nestas ocasiões, procurar obter benefícios.
Mas só se deixa enganar quem quer.

ENZIMA

Três grandes notícias:
1ª O Benfica passou aos Quartos-de-Final da Taça, e alcançou a segunda vitória consecutiva sem sofrer golos, pondo termo aos fantasmas de Braga e do pós-Mundial;
2ª Enzo jogou, brilhou e marcou, mostrando que, para já, e no imediato, está de corpo e alma com a equipa, sabendo ele, e todos nós, que, sendo jogador a mais para o campeonato português, mais dia menos dia terá mesmo de sair (espero que apenas no final da época, e a troco de muito dinheiro). Hábil gestão do caso por parte de Roger Schmidt - quem já teve 21 anos tem de saber perdoar certas atitudes menos ponderadas nessa idade;
3ª Num raide ao norte da Europa, Rui Pedro Braz terá negociado dois jovens altamente promissores, que irão reforçar a equipa exactamente como se pretende: talento, margem de crescimento, salários moderados e sem comprometer as dinâmicas tácticas e de balneário já criadas. Quando conseguir escrever os nomes, poderei falar mais deles.
Duas más notícias: 
1ª Rafa não jogou devido a uma entorse, ficando no ar a dúvida quanto à sua utilização no dérbi. Sendo quanto a mim, a par de Enzo, um dos melhores e mais importantes jogadores do Benfica, e como tal imprescindível num jogo grande;
2ª Grimaldo saiu lesionado, depois de dupla carga no tornozelo, e também ele pode estar em risco para domingo. E embora até confie em Ristic, o espanhol tem feito uma temporada notável, está na melhor forma de sempre, e espero ardentemente que recupere.
Uma notícia assim-assim:
1ª A exibição encarnada na Póvoa teve altos e baixos, sendo de rever a metade inicial da segunda parte. O Benfica não pode sofrer tanto contra uma equipa da Liga 3.

ATENÇÃO ÀS...CANELAS

Tiago Margarido é treinador do Varzim desde o verão passado, depois de vários anos a orientar o Canelas.
Esse mesmo, o da pancadaria, o dos Super Dragões, o das joelhadas a árbitros cometidas por posteriores condenados por homicídio, equipa contra a qual alguns adversários se recusaram a jogar sendo até alvo de reportagem do L'Equipa, e onde teve como adjunto o ex-presidente do clube, como dirigente a mulher de Fernando Madureira, e o próprio como capitão de equipa.
É esta a origem do técnico e de alguns jogadores da equipa poveira. E assim sendo, temo pela integridade física dos atletas do Benfica.

SEM POUPANÇAS

Nos últimos 26 anos o Benfica apenas ganhou três Taças de Portugal (2004, 2014 e 2017). Significa isso que perdeu 23, o que é manifestamente pesado para o maior clube português, sobretudo se tivermos em conta que, nesse mesmo período, o FC Porto venceu dez troféus e o Sporting cinco.
A Taça de Portugal tem vindo a tornar-se, pois, a competição maldita para os encarnados - à semelhança do que sucedeu, durante décadas, com a Supertaça (nas primeiras 35 edições, apenas quatro triunfos). Só que esta, a meu ver, tem muito menos relevância, história e magia (trata-se de apenas um jogo a encerrar a pré-época), pelo que me preocupa muito mais o registo na segunda prova nacional.
Notável é que, das 23 eliminações, apenas oito ocorreram diante de FC Porto ou Sporting. Ou seja, nos últimos 26 anos o Benfica foi 15 vezes eliminado da Taça de Portugal por equipas que não os dois maiores rivais. Concretamente: três vezes por Braga e Guimarães (a maioria delas em Lisboa), duas por Setúbal e Marítimo e uma por Boavista, Rio Ave, Leixões, Gondomar e...Varzim. E se o Leixões estava na altura na primeira divisão, o Varzim estava na segunda e o Gondomar na terceira.
Tendo tudo isto em consideração, mais o empate já nesta época em Caldas, e ainda as vitórias tangenciais que valeram passagens sofridas diante de Cinfães, Penafiel, Covilhã, Vianense, 1º Dezembro, Olhanense, Montalegre, Paredes e Trofense (cingindo-nos apenas à última década), concluímos que talvez o Benfica nem sempre tenha abordado os jogos da Taça da forma exigida.
Acho que não é preciso dizer mais nada para justificar o onze que proponho para defrontar a equipa orientada pelo ex-treinador do Canelas:


UM ZERO BASTA

Não é de agora que o Benfica tem problemas de finalização. Ao longo desta temporada muitas foram as goleadas perdoadas devido ao desperdício. Foi, aliás, eliminado da Taça da Liga por isso mesmo. 
Neste jogo era importante somar os três pontos. Fosse de que forma fosse. Com muitos ou poucos golos. Com muita ou pouca nota artística. Havia que espantar os fantasmas de Braga, e voltar à dinâmica de vitória de antes da paragem. 
Isso foi conseguido. Pelos pontos, e por uma exibição que ficou a dever a si própria mais alguns golos.
Agora é vencer na Póvoa. E "recuperar" Enzo. Estarão então criadas as condições perfeitas para enfrentar o Sporting - que, já se sabe, vai fazer deste jogo o seu campeonato.
Depois se verá o que dita o mercado até ao fim do mês 

O ONZE PARA O PORTIMONENSE


É o onze possível, sem Rafa, nem Enzo, nem Neres (os três melhores jogadores do plantel).
Rafa está castigado. Neres, penso, continua lesionado. Enzo não tem condições, pelo menos neste jogo, para entrar em campo - quer pela sua atitude disciplinar, quer pelo mediatismo da sua situação.

127 MILHÕES NÃO SE RECUSAM POR NINGUÉM

Se isto é verdade, não há que hesitar: vender imediatamente, seja a pronto ou a prestações.
O Benfica vive para ganhar. Mas no futebol profissional não se ganha sem dinheiro. Os jogadores são mal vendidos quando ainda se estão a valorizar (ex: António Silva), ou quando o seu valor de mercado já não cobre o valor desportivo (ex: Rafa). Quando estão num pico de valorização (ex: Enzo) é aproveitar a onda, antes que uma lesão ou quebra de rendimento faça perder o comboio.
Adeus Enzo.

CASO ENZO: QUE FAZER?

Talvez haja muita matéria que não seja do conhecimento público. Daquilo que se sabe na comunicação social, o que eu faria era:

- Punir o jogador pela ausência à revelia das indicações do clube (multa, e eventual suspensão para o jogo com o Portimonense);

- Explicar-lhe que ninguém está acima do clube, que ninguém o obrigou a assinar o contrato, e que será vendido no momento próprio, salvaguardando os interesses de todas as partes. E ainda que este tipo de atitudes não o valorizam, nem aos olhos dos adeptos, nem aos olhos do mercado;

- Preparar desde já a sucessão, intensificando a abordagem ao mercado;

- Havendo propostas acima de 100 milhões, vender já.