OPORTUNIDADE(S) PERDIDA(S)

Mesmo sofrendo três golos, o guarda-redes do Aahrus foi o melhor em campo, e só ele evitou que a eliminatória ficasse desde já resolvida em Lisboa. Com tantas oportunidades desperdiçadas, a equipa de Marco Silva desperdiçou também a oportunidade de voltar a golear, e poder, assim, ir passear à Dinamarca na próxima semana - tal como foi à Escócia na anterior.
Fica tudo em aberto, sendo que, com este 3-1, em condições normais o Benfica estará na fase regular da Liga Europa. E se alguma coisa correr muito mal, já nunca ficará fora das provas da UEFA. Com os novos formatos, a Conference é quase igual.
A primeira parte foi muito melhor do que a segunda. Se nos primeiros 45 minutos os encarnados marcaram três e deixaram outros tantos por anotar, no segundo período ficaram a zeros e apenas por duas vezes ameaçaram a baliza dinamarquesa. Algum desgaste de jogadores nucleares, e uma ou outra substituição que não entendi, fizeram com que a partida se arrastasse até ao fim. O Benfica sem fulgor, o Aahrus sem capacidade para mais. E ficou tudo como estava.
Acredito que este Benfica, no plano ofensivo, possa vir a ser bastante forte. Palhinha e Aursnes no miolo, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis mais à frente. Rios, Barreiro, Lukebakio, Sudakov e Durán como alternativas. Enfim, olhando desta perspectiva, isto parece-se com um plantel campeão.
O problema está mais atrás, sendo que Palhinha, com a capacidade de compensação,  com a sua agressividade e o seu jogo aéreo, pode de alguma forma mitigá-lo. A solidez defensiva, longe de se mostrar minimamente conseguida, pode também depender muito da afirmação de algum, ou de alguns dos jovens que irão, para já, guarnecer o quarteto titular. Acredito que Banjaqui, Circati, Índio e José Neto, ao longo da época, não sejam, todos eles, cartas fora do baralho. Se assim suceder, o Benfica pode ter um plantel forte e equilibrado. Caso contrário, irá penar bastante quando encontrar pela frente adversários mais fortes. Com extremos pouco dados a trabalho defensivo, exigem-se laterais extremamente seguros. Bah e, sobretudo, Dahl são...Bah e, sobretudo, Dahl. E no meio, tanto Tomás como Lenglet, são ambos de perfil demasiado açucarado - o que ficou bem patente no golo sofrido esta noite.
Samuel Soares esteve bem, mas continuo sem o achar superior a Trubin. Simpatizo com o rapaz, é da casa (espero que renove), mas nunca o vi fazer uma grande defesa na equipa principal. Pelo contrário, vi-o sofrer alguns golos (não nesta partida) que talvez o ucraniano pudesse ter evitado.
Não gostei da arbitragem. 

O MEU ONZE

Trubin (lamento, mas Samu não me convence), Bah, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Aursnes, Barreiro, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.

TER CÃO

Circati parece ser o central contratado. Palhinha, dizem, está a caminho. Dois internacionais provenientes de ligas premium, um mais jovem, outro mais maduro.
Entretanto, aqueles que criticavam o Benfica pelo atraso na contratação de um defesa e de um médio, já começaram a campanha de descredibilização de um e de outro - mesmo que, provavelmente,  nem sequer tenham visto o jovem central jogar. Basta ler o Record.
Recordo que, se Palhinha vem para pegar de estaca, Circati será,  no imediato, uma alternativa a Tomás Araújo. 
O médio enquadra-se claramente naquilo que Marco Silva pretende, devendo fazer dupla com Aursnes no miolo do terreno. Circati esperarei para ver.
Não sei se o plantel fica fechado. Mas com estes dois reforços, e a não saír nenhum dos habituais titulares, fica claramente mais forte e equilibrado. 

AMASSO

...e o Casa Pia bem merecia, depois daquilo que tem feito contra o Benfica, quer em "casa" quer na Luz.
Foi um jogo de sentido único, que o Benfica soube tornar fácil. Ao contrário da primeira jornada, a equipa não adormeceu à sombra da vantagem, e só levantou o pé quando a goleada garantia definitivamente os três pontos. Comportando-se sempre desta forma, ganhará a maioria dos jogos do campeonato. Esperemos, pois, que a lição do Académico de Viseu tenha sido aprendida.
O Benfica precisa de reforçar a defesa e o meio-campo. Daí para a frente, precisa apenas de manter as principais figuras. O plantel não é tão mau como se pinta, tem excelentes jogadores, e com Rafa, Prestianni,  Schjelderup e Pavlidis ao melhor nível, fica com um quarteto mais do que suficiente para compor um onze campeão. Depois há o caso Sudakov, do qual nem Marco Silva ainda desistiu, e sobre o qual nem eu perdi a esperança. 
Venha o Aahrus.

GANHAR!

1-0 basta. 

Trubin, Bah, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Barreiro, Rios, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.

SEM CONVENCER

Por motivos pessoais só consegui ver os últimos 30 minutos do jogo de Edimburgo.
O aspecto positivo: o Benfica esteve quase sempre por cima, e, nesse período, a haver um vencedor teria de ser a equipa encarnada.
Os aspectos negativos: a facilidade com que se sofreu mais um golo, e as prestações de Durán e Kaminski, dando ideia que os reforços desta época são piores do que os da época anterior, que por sua vez já haviam sido piores que os de 2024.
Parece haver, de facto, uma problema com a construção das equipas. Scouting? Área financeira? Capacidade de negociação? Mário Branco? O presidente?
Para mim não é claro. Vejo o presidente como uma figura tutelar, simbólica e de agregação, que não tem de andar a ver e a escolher jogadores para o plantel. Mas há algo que não está a funcionar e tem de ser corrigido. Há gente no clube que não está a fazer bem o seu trabalho.  E haverá gente que, porventura, nem estará a fazer trabalho nenhum.
Rui Costa tem de se rodear melhor, tem de reformar algumas áreas do clube e da Sad, se não quiser perder a confiança daqueles que apostaram nele, lhe deram mais uma oportunidade no ano passado, mas, se as coisas voltarem a correr mal, podem chegar à conclusão que a mudança tem de ser mais profunda.
Palhinha não vem. O central, vamos ver. E a gestão das saídas tem de ser criteriosa. Vamos ver o que acontece nas próximas semanas. Este mercado tem de trazer,  pelo menos, alguma esperança. Até agora isso não foi conseguido.

ONZE PARA A ESCÓCIA

Trubin, Bah, T.Araujo, Lenglet, Neto, Barreiro, Rios, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.

AINDA HÁ TEMPO. MAS POUCO.

Um central (de preferência que possa jogar também na esquerda), João Palhinha, e um extremo, casa saia Schjelderup ou Lukebakio ou ambos. Também um guarda-redes, claro, se saír Trubin. E nem quero ouvir falar em vender Pavlidis.
Não sei quem anda a negociar os jogadores para o Benfica. Quem quer que seja tem de perceber que não haverá mais margem para errar. Nem tempo a perder.
O campeonato já começou, e cada dia conta.
 

TOTALMENTE VAZIO

Isto não podia mesmo acontecer. O Benfica está a preparar-se há semanas, as pré eliminatórias - como sempre defendi - valiam o que valiam, mas a entrada no campeonato tinha de ser ganhadora. E se as bancadas levantaram fantasmas da pandemia, o desempenho da equipa, sobretudo na hora de defender, levantaram fantasmas da época passada. Até o resultado de 2-2 cheira a déjà vu.
Quem criticava o futebol feio de Mourinho, talvez não tenha percebido o que ele tentou fazer no Benfica - e estou em crer que nesta temporada o conseguiria: transmitir segurança a uma equipa que quando perde a bola parece perder também a cabeça,  evidenciando uma permeabilidade totalmente incompatível com quem quer ser campeão. Veremos o que poderá fazer Marco Silva relativamente a esta questão. E o mercado também terá que trazer alguém que ajude. Palhinha? Um médio que faça compensações (que saudades de Florentino...)? Um lateral esquerdo? Um central que não seja um passarinho como Araújo? Outro guarda redes (Samu é de equipa B)?
Os dois golos do Académico de Viseu são absolutamente inaceitáveis. E quem sofre golos assim, não merece vencer.
Aliás, cada vez que o Académico ultrapassava o meio-campo, o pânico instalava-se, e a equipa partia-se em três: os atarantados e aveludados defesas, os erráticos médios e avançados/ extremos que não existem sem bola. Já se tinha visto nas partidas anteriores. Não houve nenhuma evolução. Desta vez com consequências graves.
A primeira parte até prometia. A inspiração de Prestianni parecia um dínamo capaz de transportar toda a equipa. Oportunidades falhadas, bolas ao poste e a sensação de que o jogo podia ter ficado resolvido logo ali.
Na segunda parte o Académico acertou algumas marcações, e a apatia tomou conta do Benfica. Houvesse solidez defensiva (como no FCP) e a coisa teria ficado assim. 1-0, 2-0. Mas quando cada bola no meio campo do Benfica representa uma oportunidade de golo, e cada oportunidade de golo tem larga probabilidade de se concretizar (seja contra que adversário for), as coisas complicam-se. 
O Benfica começa mal. E a única esperança é que o mercado ainda está aberto. Para aqueles que já não querem ali estar (como Schjelderup ou Lukebakio), e para outros que têm forçosamente de chegar. 

COMEÇA BEM...

Gonçalo Inácio tropeça nele próprio,  golo anulado ao Estrela. Ao que parece, mesmo investigada pelas autoridades, a arbitragem portuguesa continua ao serviço das mesmas cores.
Enquanto o gangster que preside ao CA por lá continuar, vai ser assim. Podem calar os intervenientes com castigos sucessivos. Aos benfiquistas não calam. 

ONZE

Infelizmente sem gente à volta. Quem aplica este tipo de castigo, não gosta de futebol. 

Trubin, Bah, T.Araujo, Lenglet, Dahl, Enzo, Barreiro, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.

NOITE QUASE PERFEITA

Ninguém sabe como vai terminar a época. Ninguém sabe, sequer, como vai começar o campeonato. Mas em três jogos oficiais realizados, nota-se uma clara melhoria de cada um deles face ao anterior. Na Suíça o Benfica esteve mal, em casa com o St.Gallen já fez uma boa segunda parte, e hoje esteve bem durante quase todo o tempo de jogo. Há aspectos a corrigir, sobretudo no plano defensivo, mas há também dinâmicas que mostram o dedo do treinador, que mostram o trabalho da equipa e a sua evolução. 
Prestianni veio dar alegria aos flancos, Rafa voltou a marcar, tal como Pavlidis. Barreiro dá consistência ao meio campo, Bah aparece em boa forma, mas são as movimentações colectivas que melhor explicam a segunda goleada consecutiva, e a quase garantia de qualificação europeia - pois em caso de derrota no playoff, sobrará sempre a Conference League.
Não percebi a aposta em Samuel Soares, a não ser para preparar uma eventual saída de Trubin. O jovem guarda-redes da formação ainda não me convence de ter maturidade ou segurança para tomar conta da baliza do Benfica. Se o ucraniano sair, tem de chegar novo guardião. 
Enzo esteve bem, como em algumas partidas da fase inicial da época passada. Então não manteve a consistência e caiu na mediocridade. Veremos se agora escreve uma história diferente.
De notar ainda mais uma enchente na Luz, o que demonstra a esperança dos benfiquistas numa boa temporada. Há reforços por chegar, há jogadores ainda longe da melhor condição (Schjelderup é o caso mais flagrante), mas para já a equipa está a cumprir o que dela se espera.
Venha o campeonato. 

ONZE

Trubin, Bah, Araújo, Lenglet, Dahl, Barreiro, Rios, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.

O EQUILÍBRIO

Manter Pavlidis, apesar da pressão do mercado; e trazer Palhinha, apesar da concorrência. É este o desafio que lanço ao presidente do Benfica, para que mostre a toda a gente um posicionamento de mercado que priviligia efectivamente a vertente desportiva. 
Pavlidis é, porventura, o melhor jogador deste plantel. Não me choca que venha a ter um dos salários mais altos. Não será possível contratar um ponta de lança que garanta igual rendimento por menos de 30 ou 40 milhões de euros. Por isso, há que manter e motivar o grego.
Palhinha pode ser uma contratação de luxo, de um internacional português que Marco Silva conhece bem, para uma posição carenciada. Acredito que seja difícil, mas é crucial para formar um onze equilibrado e trazer ânimo aos adeptos - dando, de caminho, uma bicada ao rival.
Falta ainda um central, que acredito esteja para breve. E um extremo, se Schjelderup sair.
Mas é nos dois PP, de Pavlidis e Palhinha, que se joga a maior fatia do mercado do Benfica. Ou, se preferirmos, são estes os casos mais simbólicos daquilo que pode ser um mercado ganhador.

...E A TAÇA LATINA?

Não me interessa muito uma contabilidade desvirtuada pelos números de uma competição menor, que consiste num único jogo - como a Supertaça, que eu ainda me lembro de ser jogada com onzes, digamos, alternativos.
Mas se é para fazer contas, então é preciso englobar também uma prova como a Taça Latina, onde o Benfica obteve a primeira grande vitória internacional de um clube português. Não vou repetir aqui amplos estudos que demonstram o carácter oficial da competição - que na altura era a única internacional envolvendo equipas da Europa ocidental. Basta consultar o palmarés do Real Madrid, o clube que provavelmente menos precisaria de acrescentar exorbitâncias ao currículo. 
Para mim, o Benfica tem 88 troféus de futebol senior masculino. E, para já, ainda nenhum emblema português tem mais.