CLASSIFICAÇÃO REAL
Talvez esta tenha sido, até agora, a mais pacífica jornada da Liga em termos de arbitragem. Mesmo perdendo (FC Porto e Sp.Braga) e empatando (Sporting), nenhum dos derrotados da jornada tem ponta por onde se agarrar. Na Luz também não houve muita coisa a registar.V.GUIMARÃES-SP.BRAGA
O único lance duvidoso que recordo desta partida foi uma mão de Evaldo dentro da área (a segunda em duas jornadas consecutivas) que ficou por sancionar. Não teve influência no resultado, mas não deixa de ser sintomático da protecção de que a equipa bracarense tem desfrutado ao longo de quase todo o campeonato, com a excepção daquele golo de João Tomás em Vila do Conde.
Resultado Real: 2-0
MARÍTIMO-FC PORTO
Podia ter sido mostrado um cartão vermelho a um jogador do Marítimo (Rodrigo, salvo erro). Perto do fim, Falcão, partindo de fora-de-jogo, poderia ter empatado a partida. Dois erros que não chegam para manchar um trabalho globalmente positivo de Paulo Baptista.
Resultado Real: 1-0
RIO AVE-SPORTING
Ficaram-me dúvidas no penálti assinalado a favor do Sporting. O ângulo da imagem televisiva não é o melhor, e não se percebe se o defensor vilacondense ajeita ou não a bola com o braço. De qualquer forma, na dúvida, benefício para o árbitro.
Devo dizer também que o primeiro cartão amarelo a Carriço me pareceu exagerado, ainda que, noutro lance, o mesmo jogador o pudesse já ter visto anteriormente.
Tal como no Funchal, também neste jogo um off-side por assinalar poderia ter comprometido a actuação do árbitro. A falta de jeito de Caicedo (que salvaguardando as diferenças de cor e de cabeleira, me faz lembrar eu próprio a jogar), encarregou-se no entanto de escrever direito (se é que se pode dizer tal coisa) por linhas tortas.
Já ouvi falar de um possível penálti de André Marques (outro “talento”…) sobre Bruno Gama, mas honestamente não me recordo do lance. Se for caso disso, corrigirei mais tarde a pontuação.
Resultado Real: 2-2
BENFICA-NAVAL
Um jogo praticamente sem casos serviu para Lucílio Baptista se reconciliar com o apito.
Não deixou de cometer pequenos erros, como a não marcação de um livre perigoso em posição frontal por falta sobre Fábio Coentrão, ou um lançamento ao contrário. Mas globalmente esteve bem.
Um lance de área, em que David Luíz apareceu estatelado no chão, deixou dúvidas no estádio. Vendo as imagens, verifica-se que não há de facto razão para penálti.
Uma carga de ombro de Maxi Pereira sobre Marinho tem levantado alguns murmúrios no pós-jogo, mas apenas por parte daqueles que sentem necessidade de encontrar subterfúgios para todas as vitórias do Benfica (sejam por 1-0, 6-1 ou qualquer outra margem). Ninguém da Naval reclamou, o que é revelador. É verdade que existiram tempos em que lances desta natureza eram motivo para penálti, sobretudo se no Estádio das Antas, a favor do FC Porto. Foi nos anos noventa, quando até Lourenço Pinto foi presidente do conselho de arbitragem, e quando, por via desses e de outros comissários, Pinto da Costa alicerçou a hegemonia portista no futebol português. Há quem tenha ficado mal habituado…
Resultado Real: 1-0
CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 28
Sp.Braga 20
FC Porto 18
Sporting 16
Penálti assinalado contra o Marítimo (Soares Dias, do Porto), golo de Luisão validado em Braga (Jorge Sousa, do Porto), e o título estaria praticamente entregue…
Etiquetas: real 09-10






A segunda parte foi um vendaval vermelho. Não tão expressivo, na sua componente ofensiva, como havia sido o de quinze dias antes na Luz, mas suficientemente eloquente para não permitir quaisquer equívocos sobre a superioridade do Benfica, no jogo e no grupo. Di Maria teve nos pés o golo por duas vezes (uma falhou, isolado, por demérito próprio, outra por mérito da espectacular defesa do guarda-redes contrário), mas foi com a entrada de Aimar, com o perfume do seu futebol, que o Benfica deu o golpe definitivo no conjunto inglês.
A arbitragem deixou passar um lance de penálti na área do Benfica (agarrão de David Luíz), e poupou um cartão vermelho a Yakubu - o golo de Cardozo é legal, pois a bola vem de um defesa britânico. Tais erros não se podem considerar graves dada a forma criteriosa como sempre permitiu que se jogasse, evitando interrupções no espectáculo. Sem Jorges Sousas, o Benfica provou que a crise que muitos já lhe vaticinavam não passou afinal de pequena nuvem num céu cada vez mais estrelado.



Aliás, convém referir que, além do título de Juniores, o Benfica conquistou também os de Iniciados, Infantis e Escolas (estes dois de âmbito regional). E esta época lidera todas as classificações de todos os escalões.






Apesar de toda a cortina depressiva que se estende em redor da equipa, a verdade é que Sporting não está a fazer em 2009-10 muito pior do que fez nas últimas épocas.
Já aqui demonstrei que, ao contrário do que as classificações finais possam indiciar (e do que em Alvalade se apregoa), foi o Benfica, e não o Sporting, a dar alguma luta à hegemonia FC Porto nestes anos: já depois dos dois segundos lugares de Camacho, do título de Trappatoni, e da Liga dos Campeões de 2005-06, foi o Benfica de Fernando Santos que a sete jornadas do fim discutiu a liderança com o FC Porto na Luz (1-1), foi o Benfica de Quique que comandou a classificação durante dois meses e foi campeão de Inverno, e até Camacho, quando se demitiu, mantinha o 2º lugar com 6 pontos de avanço sobre o Sporting. Só a total desmobilização encarnada sempre que se viu afastado do primeiro lugar foi permitindo ao Sporting (fortemente motivado pela perspectiva de ultrapassar o rival) chegar ao segundo. Em termos internacionais, outro equívoco: nas últimas quatro épocas o Benfica participou em tantas edições da Liga dos Campeões como o Sporting, chegando numa delas aos quartos-de-final, algo que o Sporting não conseguiu.
Ao treinador será lícito argumentar com as debilidades orçamentais. Já quanto aos dirigentes tal não faz o menor sentido, pois é a eles, e a mais ninguém, que cabe a tarefa de encontrar formas de eliminar essa limitação. Embora Paulo Bento pareça cada vez mais impotente para reverter uma situação que, nos termos actuais, é de facto irreversível, seria apropriado ver José Bettencourt assumir também algumas responsabilidades. Ou então, pelo menos, dizer a verdade aos sócios e adeptos: o Sporting está de tanga, tem uma equipa miserável, e assim não pode ser candidato a coisa nenhuma, tendo de encetar um longo caminho (porventura de alguns anos) até recuperar o seu estatuto histórico no futebol português. Nada que o Benfica não tenha feito desde 2001, ao que parece, com sucesso.