06/12/16

HAJA VERGONHA

Houvera necessidade de explicar o motivo de um país campeão da Europa, com o melhor jogador do mundo, e alguns dos melhores treinadores da actualidade, ter uma liga tão fraca e pouco apelativa, e o último Marítimo-Benfica seria um óptimo exemplo. 
Embora com um historial respeitável, esta equipa madeirense mostrou não ter lugar naquilo que seria um campeonato conforme as exigências acima mencionadas. Na primeira parte praticou wrestling. Na segunda, teatro. Futebol? Nada. Sobrou uma chico-espertice saloia, também ela tão tipicamente lusitana - a fazer lembrar um certo Benfica-V.Guimarães da temporada passada, que tanta celeuma levantou na altura. Enquanto adepto, senti-me gozado.
A arbitragem foi um desastre, contribuindo para a encenação grotesca a que assistimos. Durante a maior parte do tempo, aos da casa valia tudo menos tirar olhos. Na ponta final, quando o Benfica precisava de cada segundo para tentar o golo, e com um critério diametralmente oposto, o juiz interrompia o jogo por coisa nenhuma, cortando-lhe o ritmo, e alimentando toda a espécie de simulações. Os seis minutos de desconto foram risíveis, dado o que se passara até então. Não queria chamar-lhe habilidade, mas...
Não é possível pretender um campeonato competitivo e compactuar com este tipo de treinadores, jogadores e árbitros, que não têm nível para o futebol de topo. Os primeiros, pela atitude tacanha de quem promove o anti-jogo como lema (e não falo de sistemas tácticos defensivos, esses absolutamente legítimos). Os últimos, pela incompetência (vamos dizer assim) na gestão do espectáculo.
Pobre desporto.

30/11/16

MOMENTO CHAVE

Júlio César, André Almeida, Jardel, Samaris, Carrillo, Rafa e Mitroglou. A espinha dorsal de um onze de topo? Não, o sumptuoso banco de suplentes do Benfica na última jornada, mesmo com os lesionados Grimaldo, Horta e Jonas (todos eles, também, possíveis titulares) fora do leque de opções.
Por este banco, e por estes nomes, percebe-se a qualidade que existe, hoje, no nosso plantel. Dispomos, de facto, de uma equipa de luxo, e só assim tem sido possível resistir aos azares que têm atirado para o departamento médico vários jogadores nucleares, mantendo um nível competitivo muito elevado, e uma pontuação a condizer.
Diga-se, igualmente, que só uma grande equipa pratica um futebol do nível daquele que pudemos ver, durante mais de uma hora, em Istambul, na passada semana. O resultado foi amargo, e foi-o precisamente por não fazer justiça a uma exibição de gala que, aos 80 minutos, se aprestava para entrar na história europeia do Benfica das últimas décadas, ao lado de célebres recitais, que todos recordamos, no Olímpico de Roma em 1983, em Highbury Park em 1991, em Leverkusen em 1994, ou em Anfield Road em 2006.
O que passou, passou. E as próximas partidas requerem essa melhor roupagem. Terça-feira ficará decidido o futuro na Champions, enquanto Funchal e Sporting, podem dizer muito acerca da caminhada para o “Tetra” – cuja prioridade se sobrepõe a todas as outras.
Três grandes jogos em apenas 10 dias, constituem um tríptico de respeito, que é também um desafio à resistência física e mental dos atletas.
Estamos com eles, confiamos neles e em quem os dirige.

Comecemos então pelo Marítimo.

NOTA: Este texto foi remetido ao Jornal O Benfica antes de conhecer a tragédia da Chapecoense. Já não houve tempo de lhe fazer qualquer referência. Porém, a minha consternação é enorme, como será a de todos aqueles que amam o desporto, e o futebol em particular. Não podia deixar de aproveitar este meio para a expressar.

21/11/16

A HISTÓRIA COMO ELA É

A patética ideia do presidente do Sporting de reivindicar mais uns quantos títulos para o seu clube é fantasiosa, e nem mereceria, sequer, estas linhas de texto.
A história foi o que foi. Os factos são conhecidos. Chame-se Campeonato Nacional, Liga, 1ª Liga, 1ª Divisão, Superliga, ou a marca de qualquer patrocinador passado, presente ou futuro, títulos nacionais são títulos nacionais, e contam-se desde 1934-35 - altura em que foi criada a prova que encaixa nas características daquela que, até hoje, determina o campeão nacional. O Benfica venceu 35 vezes, o FC Porto 27, o Sporting 18, o Boavista e o Belenenses uma cada. Não constam da lista Olhanense, Carcavelinhos ou Marítimo. Mas vivemos num país livre, e cada um pode dizer as baboseiras que quiser. Gritem então que têm 22, 44 ou 88… É indiferente. O que conta é a verdade. Ponto final quanto a isto.
Este revisitar da história das competições lusas levanta, porém, uma outra questão, essa sim pertinente. Não entendo o motivo de nunca terem sido agregados os Campeonatos de Portugal às Taças de Portugal, prova que, com todas as evidências, lhes sucedeu no tempo, no formato, e até no desenho do troféu. Face à relação directa com os nossos rivais ficaríamos com menos um troféu? Paciência. Factos são factos, e no próximo mês de Maio podíamos acertar a conta.

Cabe à FPF acabar de vez com este equívoco, o qual abre espaço a confusões desnecessárias, e alimenta devaneios absurdos. Mas também devemos fazer a nossa parte: chegar à final do Jamor, e, ao erguermos a Taça de 2016-17, inscrever um gordo número 29 nos adereços da festividade.

18/11/16

NOJO

Uma imagem vale por mil palavras. E quando a imagem é nítida, não há palavras que lhe resistam, nem areia ou vapor que nos tapem os olhos.
Todo o país viu o presidente de um clube cuspir ostensivamente na cara de outro. Só isso basta para concluir estarmos perante uma situação gravíssima, e inédita na história do dirigismo desportivo.
Impõe-se que as instituições jurisdicionais sejam implacáveis. Mas é preciso que também a comunicação social assuma as suas responsabilidades, e deixe de compactuar com comportamentos que, a prazo, matam o próprio negócio, e têm efeitos nefastos a outros níveis.
Estamos a falar de um fenómeno de massas, seguido por milhões de crianças e jovens. Os exemplos que nos entram em casa via TV transcendem o universo desportivo, atingindo uma dimensão social não negligenciável. Os jornais e as televisões não podem, com paninhos quentes, debaixo da hipocrisia do politicamente correcto, tolhidos pelo receio de ferir susceptibilidades clubistas, sustentar, branquear ou promover figuras que usam este tipo de conduta, que fomentam guerrilhas, e delas se servem para, em bicos de pés, conquistar protagonismo e poder junto de falanges de adeptos fanatizadas.
Não é de Benficas, de Sportingues, ou de Aroucas que se trata. Aliás, com todo o clima de ódio que nos tem sido particularmente dirigido, somos Tri-Campeões, e estamos no rumo do Tetra. O problema aqui é já de sociedade.

Este episódio passa todas as marcas. E no dia em que alguém me convencer que é normal presidentes andarem a escarrar na cara uns dos outros nos túneis dos estádios, deixarei de ir ao futebol. 

07/11/16

ATÉ AO FIM

Há pouco mais de um ano, saíamos do Estádio do Dragão vergados a uma derrota injusta, com um golo sofrido nos últimos minutos, após uma excelente exibição - que de algum modo anunciava o potencial que a equipa viria a demonstrar meses mais tarde.
Ainda no último Campeonato, mas já na segunda volta, na Luz, depois de dominarmos completamente o FC Porto, e de criarmos cerca de uma dezena de ocasiões flagrantes para marcar, acabámos por perder de forma inacreditável por 1-2, num dos “Clássicos” com resultado mais desfasado da realidade a que alguma vez assisti.
Indo mais atrás, ainda hoje é difícil de engolir o trágico minuto 92 que, em 2013, nos custou um Campeonato - com toda a certeza o momento mais cruel que o desporto me proporcionou em 47 anos de vida e de benfiquismo.
Ao contrário das situações acima invocadas, há que reconhecer que desta vez a sorte esteve do nosso lado.
Com um golo nos instantes finais de uma partida que, até então, não nos correra bem, evitámos uma derrota que poderia efectivamente ter acontecido.
Sem subtrair mérito à performance do adversário, há que salientar o facto de os nossos jogadores nunca terem deixado de acreditar que podiam ser felizes. E sublinhar que a forma como Rui Vitória mexeu na equipa se revelou determinante no desfecho do jogo.
Não festejo empates, e era o triunfo que eu queria. Mas, dadas as circunstâncias, o ponto alcançado e os dois subtraídos ao rival acabaram por saber bem, mantendo-nos firmes na caminhada rumo ao grande objectivo da época.

Ficou o aviso. Nada nos será dado gratuitamente, e até Maio ainda teremos muito que sofrer.

03/11/16

UNIDOS

O elevado número de sócios que acorreu ao acto eleitoral da semana passada demonstra que estamos firmes e unidos rumo às metas que temos por diante.
A democracia no Benfica antecedeu, em largas décadas, a do próprio país. E essa tradição democrática ficou uma vez mais vincada na forma organizada e livre como decorreram as eleições. É verdade que só houve uma lista, mas o facto de a mesma ser apoiada de modo tão veemente – inclusive por sócios que num passado recente se apresentaram a sufrágio com outros projectos – reforça o nosso clube, relegitima os órgãos sociais, e cria condições para que nos próximos anos continuemos a caminhada que nos trouxe até aqui, e que nos vai certamente levar ainda mais longe.
Vivemos um grande momento. Temos um Benfica ao nível dos melhores de sempre. Temos um líder inequívoco e incontestado, que já é o presidente mais realizador e ganhador em 112 anos de história. Dispomos de um excelente treinador, de um plantel de luxo, e seguimos destacados na frente do campeonato. Respiramos saúde, estabilidade, competência e confiança. Somos fortíssimos em todas as modalidades. Sabemos, porém, que não podemos parar, e que o triunfalismo é, neste momento, um perigoso adversário.

Sabemos igualmente o quanto tudo isto incomoda os nossos rivais, pelo que, daqui em diante, as tentativas de desestabilização vão recrudescer. É sempre assim. Estamos habituados. Noutras temporadas arranjaram estoris, túneis, colinhos e vouchers. Alguma coisa inventarão desta vez para nos tentar perturbar, e desviar da rota das vitórias. Se nos mantivermos unidos, não vão conseguir.

24/10/16

SALTO PARA O ESQUECIMENTO

Num fim-de-semana de tantas vitórias, de grandes exibições, de supertaça aqui e supertaça ali, confesso que a transferência de Nélson Évora não me abalou minimamente. Se o objectivo era darem-nos uma alfinetada, pela minha parte não senti a mais leve picadela.
Estamos a falar de um atleta com passado, mas sem futuro. Os seus anos de glória foram…2007 e 2008. Desde então, esteve quase tanto tempo lesionado como a competir, deixando repetidas evidências de que não voltará a ganhar nada de relevo, a não ser, ao que parece, bastante dinheiro.


A crua verdade é que não faz falta nenhuma ao Benfica. Ao invés, talvez o carinho e o afecto que os benfiquistas lhe devotaram ao longo destes anos, e que ele acaba de deitar para o lixo - ou vender, para ser mais exacto -, lhe pudessem um dia vir a dar jeito. Então, será tarde. Problema dele.
O que me intriga neste tipo de transferências é justamente a falta de visão dos protagonistas acerca da dimensão histórica e simbólica que detêm junto de milhões de pessoas, e a facilidade com que dela prescindem a troco de mais uns patacos. De como se auto-excluem de museus, de livros, da eternidade, mas, sobretudo, do coração dos adeptos, por causa de desentendimentos circunstanciais. Mas a minha incompreensão é igual à minha indiferença. 
António Leitão continuará a ser um símbolo do atletismo encarnado, como Carlos Lopes sempre será um símbolo do Sporting. Quanto a Nélson Évora, mais medalha menos medalha, talvez fique na história também como um símbolo da miséria mercenária em que o desporto de alta competição se transformou nas últimas décadas.

18/10/16

SUPERBENFICA

A pré-temporada não fora bem conseguida, com alguns resultados negativos. A Supertaça doméstica escapou, por via de uma primeira parte desastrada frente ao FC Porto. Mas no passado sábado, com um pavilhão bem composto, o Hóquei em Patins benfiquista regressou às suas jornadas de glória, goleando o Óquei de Barcelos por 9-2, e alcançando o 7º título internacional em 7 épocas (8º, se lhes acrescentarmos o sector feminino). Desta vez, a Taça Continental, ou Supertaça Europeia, conforme lhe queiramos chamar.
As modalidades do Benfica, diga-se, estão bem e recomendam-se. É óbvio que não se pode ganhar sempre, e além da Supertaça portuguesa de Hóquei, também a de Basquetebol nos fugiu. Porém, conquistámos as de Futsal e de Andebol (além, naturalmente, do Futebol), faltando ainda decidir o Voleibol. E nos vários campeonatos nacionais levamos 12 vitórias em 13 partidas, registo ao qual podemos, e devemos, acrescentar a passagem à segunda ronda da prova europeia andebolista, e um triunfo histórico do Basquete em Itália.
Na ponta final da temporada passada fomos muito pouco felizes. Excepção feita ao Hóquei (título nacional e europeu) e ao Atletismo, morremos na praia nas restantes frentes da nossa grande força eclética. Estivemos nas finais dos play-offs de Futsal, Basquetebol, Andebol e Voleibol. Faltou sorte, sobretudo nestas duas últimas (nas quais, ainda assim, conquistámos as respectivas Taças de Portugal). Mas ninguém ouse dizer que não fomos competitivos.

A nova época traz outra vez um grande Benfica, em todos os domínios. Mais títulos vão seguramente aparecer. É o nosso destino.

O NOME É GOMES

Para quem siga com atenção o futebol jovem do Benfica, não é certamente novidade o surgimento de José Gomes, aos 17 anos, no nosso plantel principal, com minutos e protagonismo.
Não sendo eu um observador muito regular dos jogos da formação, nem mesmo assim me escapou aquele miúdo, com movimentos felinos e faro pela baliza, que terei visto pela primeira vez aos seus 14 anos. Logo me impressionou. Desde então, a cada jogo que via das suas equipas (sub 15, sub 17 ou sub 19), rapidamente o procurava, seguindo todos os seus pormenores, arrancadas, movimentações, desmarcações e golos. Não era preciso ser especialista para perceber tratar-se de um talento raro. De um possível fora-de-série.
Mais do que Renato Sanches, mais do que Bernardo Silva, foi José Gomes o jovem da “cantera” do Seixal que mais cedo me saltou à vista. Talvez por ser ponta-de-lança – sendo essa a minha espécie predilecta no mundo do futebol.
Beneficiando das lesões de Jonas e Jimenez, chegou agora à equipa principal. Mas isso para ele não pode ser um ponto de chegada. É sim, o ponto de partida.
Com a sua idade, e com todo um trabalho que ainda tem pela frente, dentro de uma década tanto poderá estar no Real Madrid como no Real Massamá. A diferença é muito ténue, e não faltam exemplos para o comprovar. O caminho é estreito, e qualquer desvio será fatal.
Depende dele, do seu trabalho, da sua humildade, do seu empenho em cada treino, dos cuidados a ter fora do campo, da sua vontade de aprender mais e mais, de melhorar todos os detalhes. Cada dia conta. Talento não lhe falta. Enquadramento também não.

A bola é tua, Zé.

CASA CHEIA

Os quase 60 mil que estiveram presentes no Benfica-Feirense criaram uma atmosfera extraordinária, galvanizaram a equipa para mais uma vitória, e expressaram duas evidências que não podem passar em claro.
A primeira é a de que o futebol disputado à luz do dia tem outro encanto, e cativa muito mais adeptos. Quem viva na zona de Lisboa talvez não entenda quão importantes são os horários dos jogos para benfiquistas que se deslocam de vários pontos do país – de Trás-os-Montes ao Algarve -, e têm de regressar a casa a tempo de poder trabalhar no dia seguinte. Uma partida realizada numa noite de domingo deixa automaticamente de fora uns quantos milhares de pessoas que, simplesmente, não podem ir. Diga-se, em nome da justiça, que a BTV deu um grande impulso no regresso do futebol à sua hora tradicional. E a consequência tem sido um assinalável acréscimo do número de espectadores no estádio.
A segunda evidência é a de que a nação benfiquista não tem quaisquer dúvidas acerca da grande prioridade para esta temporada. Mesmo depois de uma derrota europeia, o clima de apoio, de alegria, e de entusiasmo, foi um sinal inequívoco do que o povo efectivamente quer. E isso escreve-se com cinco letras: Tetra!
A Champions é uma competição maravilhosa, que proporciona grandes espectáculos, permite valorizar jogadores, e encher os cofres. Mas nenhum clube português tem condições de a vencer. Chegar longe é fantástico… quando se é Campeão Nacional.

A Liga Portuguesa é pois o foco onde devem estar concentradas todas as nossas energias. É nela que se vai escrever o destino da época. Os adeptos sabem isso.

O DIABO VERMELHO

Noutras ocasiões, já aqui falei da minha grande admiração por pontas-de-lança. Ou seja, por quem, na verdade, me faz levantar da cadeira e vibrar de alegria.
O futebol é um desporto colectivo, onde todos são importantes. Uma peça a menos pode causar derrotas e comprometer títulos. Mas, enquanto adepto, a minha grande devoção vai mesmo para quem faz os golos. Mais até do que para os artistas do passe, da finta, ou do estilo, normalmente muito apreciados na Luz.
Nunca entendi, por isso, os assobios a Óscar Cardozo, ou, muitos anos antes, as críticas a Nené. Um e outro são, juntamente com Nuno Gomes (também ele, nem sempre consensual), os que mais golos marcaram no clube desde que vejo futebol. Cada um a seu tempo, foram ídolos que venerei, e aos quais estarei eternamente grato pelos momentos de alegria que me proporcionaram.
Serve isto para destacar, agora, o nosso Mitroglou.
O grego, em pouco mais de uma época, já está à porta do top-dez dos goleadores do Benfica do sec. XXI, superando avançados com o simbolismo de Mantorras ou Miccoli. E caso tivesse convertido os penáltis que Jonas converteu na temporada passada, teria sido ele o “Bola de Prata” – isto sem melindre para o extraordinário avançado brasileiro, tão somente o melhor e o mais completo jogador a actuar em Portugal.
Recordemos que o Sporting fez tudo para contratar Mitro. Veio para nossa casa in-extremis, e foi também dele o golo que, em Alvalade, acabou por decidir o título.
Em bom momento, o clube adquiriu o seu passe.

A barba dá-lhe um certo ar de diabo. Mas são os golos que fazem dele um ponta-de-lança dos diabos.

22/09/16

O MESTRE DA BAZÓFIA

Há duas faculdades que temos de reconhecer ao actual treinador do Sporting.
A primeira é a de, por via de uma hábil gestão de expectativas e/ou de rumores, ano após ano, Julho após Julho, fazer subir o seu próprio salário até níveis muito pouco compatíveis com a realidade do futebol português, e, sobretudo, com a realidade de um profissional que, aos 62 anos, apenas alcançou títulos significativos num dos clubes onde trabalhou.
A segunda é a de, por arte e engenho seus, ou por sortilégio das circunstâncias, conseguir dos presidentes que o contratam, padrões de investimento nos plantéis igualmente acima daquilo que é comum no nosso país, e daquilo que é, ou foi, concedido a diferentes treinadores desses mesmos clubes em momentos anteriores e posteriores – aconteceu entre 2009 e 2015 no Benfica, repete-se agora no Sporting.
As caríssimas equipas de que este técnico dispôs enquanto esteve na Luz, e de que dispõe em Alvalade, quer em termos de investimento, quer quanto a custos com a massa salarial, não têm paralelo na história dos dois rivais lisboetas. Tivessem idênticos meios, e muitos outros treinadores teriam podido encher o peito, e a boca, em conferências de imprensa, como génios de uma lâmpada que, todavia, não acende para todos com semelhante grau de luminosidade.

Quando andou por cá, uma envolvente estrutural de topo permitiu-lhe aproveitar bem os recursos, traduzindo-os em títulos. Veremos o que a sua suprema sapiência consegue até final da carreira, enquanto nos vamos divertindo com declarações que outrora nos faziam sentir desconfortáveis, ou até mesmo envergonhados. 

05/09/16

O MUNDO AO CONTRÁRIO

Supertaças nacionais e europeia, jornadas de Campeonato, playoffs de competições da UEFA, tudo disputado no meio de um vai e vem de jogadores, e de consequente diarreia de informação e contra-informação corrosiva e desestabilizadora, por via do estapafúrdio estender do mercado de transferências para além dos timings aceitáveis.
Encerrado o mercado, quando os adeptos puderam, enfim, entusiasmar-se com os seus jogadores, e com as suas equipas, eis que o futebol de clubes ficou parado, dando lugar a uma jornada dupla de selecções – que poderia ter sido disputada uma ou duas semanas antes.
Não conheço razões que expliquem tamanho absurdo, perturbador para a generalidade dos adeptos que, directa ou indirectamente, paga tudo isto.
Mais do que vídeo-árbitros, ou seja o que for que destrua aquilo que o futebol tem de melhor face a outras modalidades – a fluidez -, importava às instâncias federativas nacionais e internacionais rever os calendários competitivos, e ajustá-los a um qualquer assomo de lógica minimamente entendível.
Se as sacro-santas janelas de mercado de transferências são intocáveis, se as datas FIFA são impostas pelos seus tão credíveis e zelosos dirigentes, então que se altere o calendário nacional, começando o Campeonato na segunda semana de Setembro, e deixando o mês de Agosto, por exemplo, para eliminatórias da Taça da Liga e/ou Taça de Portugal, e para todas as insuportáveis contingências do mercado de transferências.

Hoje jogamos em Arouca, com os nossos jogadores, com o nosso plantel. Hoje começa, finalmente, o futebol de que todos gostamos. Já não era sem tempo.

CUIDADOS REDOBRADOS

1. Sorteios são sorteios. Não há que lamentar, nem rejubilar. Mas o grupo da Champions que nos calhou não é nada fácil, sobretudo tendo em conta que o Benfica saltava, com todo o mérito, do pote 1.
Nápoles, Besiktas e Dinamo de Kiev são adversários a quem podemos ganhar, mas com quem também podemos perder. A afirmação parece um tanto lapalissiana, mas a verdade é que entre estas quatro equipas qualquer classificação será, digamos, normal. É o chamado grupo traiçoeiro, acessível na aparência, mas perigoso a cada esquina. A última vez que algo semelhante nos tocou em sorte (há dois anos, com Zenit, Monaco e Leverkusen), correu-nos mal. Não há “pêras doces”, como noutros grupos. Não há tubarões que possam retirar todos os pontos a todos os adversários. Cada jogo é decisivo, e pode não haver margem de erro. Acresce que todos os adversários (dois campeões e um vice-campeão) estão em excelente momento da sua história recente.
Dito isto, é óbvio que acredito no Benfica, e em mais um apuramento para a fase seguinte.
2.A arbitragem portuguesa parece estar a mudar…mas para pior. Podem ser apenas sinais. Pode ser precipitado fazer já uma avaliação. Mas o que se percebe destas primeiras três jornadas, quer em termos de nomeações, quer em termos de desempenhos, não augura nada de bom. Estejamos atentos, e não permitamos o regresso a um passado negro, agora com outros protagonistas.

3. A época das modalidades começou da melhor forma, com o triunfo na Supertaça de Andebol. Será certamente o primeiro de muitos títulos, pois a infelicidade que tivemos nas últimas finais não durará para sempre. 

04/08/16

ACÇÃO!

Após vários jogos de preparação, recheados de testes e de experiências, com distintos, mas pouco relevantes resultados, eis-nos chegados ao futebol a sério.
No domingo, em Aveiro, o Tri-Campeão apresenta-se forte e para ganhar.
A Supertaça Cândido de Oliveira tem sido uma competição maldita para as nossas cores, sendo a única prova futebolística nacional em que não somos a força dominante: em 37 edições apenas conquistámos 5 troféus, somando 18 derrotas nas 34 partidas disputadas. É altura de atenuar estes números, e começar a inverter a situação.
Durante alguns anos, talvez não tenhamos levado a Supertaça suficientemente a sério, enquanto outros acumulavam triunfos. A prova entretanto credibilizou-se, e estabilizou o seu lugar no calendário desportivo – sobretudo a partir do momento em que passou a ser disputada a uma só mão, e na abertura das temporadas. Não sendo a nossa maior prioridade, é o primeiro dos 5 objectivos para 2016-17.
O adversário que teremos pela frente surge muito motivado. Nunca venceu a prova. Quererá, igualmente, começar bem uma época para a qual parte com grandes aspirações. Numa final, não há favoritismos. E só com muita humildade, a mesma que nos levou ao Tri, conseguiremos erguer o troféu. O apoio dos benfiquistas é imprescindível. Com ele, vamos certamente entrar na temporada com o pé direito, e com mais uma taça nas mãos.

PS: Há Homens cuja respeitabilidade e relevo transcendem, em muito, os clubes que representam. O Professor Moniz Pereira era um deles. Fica a gratidão por tudo o que fez pelo desporto, e pela forma elevada como nele sempre soube estar.

28/07/16

É SIMPLES...

VENDER: Carcela e Talisca
EMPRESTAR: Zlobin, Mandava, Kalaica, Marçal, Celis, Benitez, J.Carvalho, J.Teixeira, R.Fonte, Sponijc, D.Gonçalves e Jovic
COMPRAR: Médio-ofensivo
e...fechar plantel para o Tetra!


PLANTEL (25):
J.César, Ederson e P.Lopes;
A.Almeida, Lindelof, Jardel, Eliseu, N.Semedo, Luisão, Lisandro e Grimaldo;
Fejsa, Salvio, médio-ofensivo, Cervi, Samaris, Pizzi, Horta, Carrillo, Danilo e Zivkovic;
Jonas, Mitroglou, Jimenez e Guedes.

12/07/16

NOVA ORDEM

Para além do saboroso triunfo português, o Europeu de França deixou duas evidências difíceis de contrariar.
Em primeiro lugar a de que o futebol tem uma larga componente de aleatoriedade, muitas vezes negada pelos analistas (têm de ganhar a vida…), mas que define grande parte das competições e dos seus vencedores. Há ciência na preparação dos atletas, na organização das equipas e no estudo dos adversários, mas, entre conjuntos equilibrados, tudo o resto é…sorte. Por muito que nos possa ser útil teorizar acerca da superior capacidade dos nossos jogadores, a verdade é que se aquela bola de Gignac, aos 91 minutos, se tem aconchegado dois centímetros mais para dentro, estaríamos agora a lamentar mais uma desilusão portuguesa. Isto é válido para a final, para os penáltis contra a Polónia, mas também para o Alemanha-França, para a fase de grupos, para …tudo.
Outra evidência é a de que jogar bonito, jogar ao ataque, empolgar plateias, não interessa absolutamente nada. Para os puristas do jogo belo isto é um drama. Mas de entre as várias formas de ganhar finais, o realismo e a contenção parecem ser as preferidas das principais equipas do futebol internacional. É uma tendência que se nota desde 1982, mas talvez nunca como neste Europeu ela tenha estado tão patente.
Aliás, o desporto vive actualmente com um grave problema da falta de espectacularidade, que a médio prazo o poderá matar. Nota-se no Tour de França, na Fórmula 1, no Ténis, e na generalidade das modalidades, onde o dinheiro abunda na mesma proporção em que o risco escasseia.

Seja como for, aqui fica mais um …Viva Portugal!

11/07/16

PARA A ETERNIDADE!

Se, depois de uma fase de grupos insípida, e de uma qualificação sofrida, alguém me dissesse que Portugal ia ser Campeão da Europa, diante da anfitriã, sem Cristiano Ronaldo, e com Eder a marcar o golo da vitória, provavelmente teria soltado uma gargalhada.
Sim. Era um dos que não acreditava. Era um dos que duvidava das capacidades da equipa, e das possibilidades de êxito num Europeu onde França, Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica e Inglaterra se apresentavam com grandes ambições. Era um dos que pensava que o optimismo do seleccionador era excessivo, ou até romântico.
Mas o futebol é assim mesmo, e é por ser imprevisível, irracional e caprichoso que o seguimos com tanta paixão.
Há que reconhecer que a sorte bafejou Portugal. Quer na final, quer no trajecto até lá chegar. Mas tem de se dizer também que a equipa nacional soube aproveitar essa dose de fortuna com humildade e com competência. Soube interpretar muito bem as suas forças e fraquezas, potenciando as primeiras, e disfarçando as segundas. Cresceu ao longo da prova, mudando quando tinha de mudar. Demonstrou união, solidez e uma confiança à prova de bala. Mereceu entrar para a história.
Num país pequeno e periférico como o nosso, este triunfo é algo de extraordinário, e, provavelmente, irrepetível. E prova que o nosso futebol – tantas vezes vilipendiado e mal-tratado por cá – é um dos grandes agentes do orgulho português no exterior. Que felizes devem estar os nossos emigrantes, particularmente os que vivem em França! Eles, mais do que ninguém, mereceram este triunfo.
Obrigado Fernando Santos!

Obrigado Selecção Nacional!

06/07/16

O TETRA COMEÇA AQUI

O Campeonato da Europa tem dispersado as atenções, mas a nova temporada clubista está aí, e o mercado continua a girar.
No Seixal trabalha-se no duro, enquanto os adeptos se mantêm na esperança de que o plantel campeão não sofra mais mexidas. No news, good news…
Para já, ficámos sem Renato Sanches e Nico Gaitán, duas saídas inevitáveis que não serão fáceis de suprir. De entrada estão Carrillo, Cervi, Celis, André Horta, Kalaika, Benitez e, ao que parece, Zivkovic. Alguns deles de qualidade acima de suspeita. Outros, apostas de futuro.
Por agora, talvez falte apenas um substituto directo para Renato Sanches, pois tanto quanto conheço dos reforços anunciados, nenhum preenche essas características. De resto, mantendo-se a base titular, a equipa ficará muito forte, e tem tudo para enfrentar a luta pelo 36º título com optimismo.
Na baliza não parece haver alterações. Na defesa, seria importante manter o quarteto base da temporada passada, nomeadamente a dupla de centrais rápida e forte no jogo aéreo. No centro do terreno, haverá necessariamente mudanças, devido às saídas acima mencionadas, mas homens como Fejsa, Pizzi, Samaris, Salvio ou Gonçalo Guedes serão o fio condutor capaz de enquadrar os novos recrutas. No ataque, certos que estão Mitroglou e Jimenez, seria determinante manter Jonas, pois não é fácil encontrar no mercado alguém que marque quase 70 golos em dois anos, e que assuma tanta preponderância na manobra ofensiva da equipa.

Além da valia técnica dos jogadores, há que preservar o espírito que levou ao Tri. E com estes jogadores, sabemos que contamos com entrega total.

27/06/16

À PORTUGUESA

À hora a que este jornal chegar às mãos do estimado leitor, já se conhecerá o desfecho do Portugal-Polónia. Antes dessa partida, é-me difícil fazer uma análise profunda ao desempenho do conjunto luso no Europeu de França: chegar às meias-finais será uma coisa, ser eliminado pelos polacos será outra bem diferente.
Além do mais, esta selecção tem viajado da terra ao céu, e do céu à terra, a uma velocidade que nem o proverbial oito-oitentismo português consegue acompanhar. Uma fase de grupos muito modesta levou à depressão generalizada dos adeptos portugueses. Mas logo uma vitória sofrida, e bastante feliz, sobre a Croácia, mergulhou o país nas ondas da euforia. No momento em que escrevo, já vamos outra vez ser campeões.
O seleccionador Fernando Santos é soberano nas suas escolhas. E, se chegar à final, todos os que o criticaram nas últimas semanas terão de meter as violas no saco. Também eu - um dos dez milhões de seleccionadores de bancada -, que não só teria feito outras opções desde o início da prova (Renato Sanches, Quaresma…), ou até antes dela (André Almeida, Pizzi, André Silva…), como teria adoptado um discurso bem mais prudente face às limitações de uma equipa que depende em demasia de um só jogador, e que tem alguns pontos fracos… bastante fracos (o jeito que faria um ponta-de-lança a sério...).
O que me parece inegável é que, até aqui, temos tido a sorte do nosso lado: na fase de qualificação, no grupo que nos calhou, nos enquadramentos desta fase eliminatória, e, pelo menos, no jogo com a Croácia.

Que os deuses nos tenham continuado a proteger na partida de quinta-feira.

HERÓIS

Perder custa. Perder com rivais, custa a dobrar. Sobretudo havendo troféus em disputa.
O nosso Hóquei registou uma amarga derrota no domingo passado, em Ponte de Lima, diante do FC Porto, não conseguindo juntar o Tri na Taça, ao Bi-Campeonato e à Liga Europeia.
Não pude assistir ao jogo, pelo que não me seria lícito comentar a arbitragem. Seja como for, há que lembrar a fabulosa temporada da nossa equipa, a qual terá chegado a esta final-four em inteligível clima de descompressão, depois das glórias nacionais e internacionais recentemente alcançadas, e das semanas que entretanto se passaram.
Estamos a falar daquela que é, presumivelmente, a melhor equipa de sempre do Hóquei em Patins encarnado. E aos saudosistas de outros tempos respondo desde já com um facto irrefutável: fomos duas vezes campeões europeus (2013 e 2016), e só desta vez juntámos o título doméstico à conquista internacional.
Aliás, estes triunfos vêm na senda de várias temporadas de grande fulgor. Nos últimos seis anos, somámos três Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal, duas Supertaças, duas Ligas Europeias, uma Taça Cers, duas Taças Continentais e uma Taça Intercontinental. Um palmarés impressionante, ao nível do Clube que, ininterruptamente, pratica a modalidade há mais tempo no mundo.

Houve Cruzeiro e Perdigão, houve Ramalhete e Livramento, houve Paulo Almeida e Rui Lopes, houve ainda Panchito. Um dia também falaremos de Trabal, Valter Neves, Diogo Rafael, João Rodrigues, Adroher ou Nicolia, como grandes figuras de uma época dourada. Que estamos a viver, e esperamos ver prolongada por mais uns anos.

14/06/16

O TETRA

O Benfica existe para ganhar. Apenas para ganhar.
Foi a ganhar que cresceu. Foi a ganhar que se tornou popular e gigantesco, que nos cativou e envolveu.
Diz-se que perder e ganhar é desporto. Mas não é de desporto (muito menos de indústria ou de comércio) que se fala quando se fala de Benfica. É de amor. É de paixão. De uma paixão sem limites, que não admite outra coisa que não a vitória, que somente aceita a glória absoluta.
Somos Tri-campeões. Mas se em Maio de 2017 não festejarmos o Tetra, ninguém se lembrará dos maios anteriores. Todas as conquistas passadas serão meras peças de museu. Dignas de orgulho, mas carentes de sentimento. Serão outros a festejar, ou a verde, ou a azul. Já não estamos habituados. Custa-nos, só de imaginar o cenário.
A estes axiomas, que nos moldam a alma, e que nos exigem superação constante, acresce um contexto estratégico muito peculiar. Temos um dos rivais desportivamente moribundo, à procura de uma oportunidade para se reerguer. Temos outro em bicos de pés, a tentar afirmar-se por todos os meios – mesmo os mais estapafúrdios e indecorosos. Depende de nós deixá-los, ou não, renascer das cinzas. Depende de nós estabelecermos, ou não, um ciclo de manifesta hegemonia no futebol português, que pode levar décadas a ser quebrado, mas que, no sopro de uma temporada menos conseguida, rapidamente se esfumará, como areia que se escapa pelos dedos das mãos.

O Benfica não irá certamente ganhar todos os campeonatos até ao fim das nossas vidas. Mas alguns não os poderá perder. O próximo é um deles. 

07/06/16

MODALIDADES

A gloriosa saga do ecletismo encarnado de 2015 era difícil de repetir. Então, só o Andebol escapara ao pleno dos campeonatos nacionais entre as modalidades mais significativas. Foi o melhor ano de sempre a este nível.
Em 2016, se Futebol e Hóquei repetiram o título (no caso do Hóquei acompanhado de brilhante conquista europeia), e se Futsal e Atletismo mantêm em aberto essa possibilidade, Basquetebol, Andebol e Voleibol falharam o principal objectivo - pese embora a conquista de Taças e Supertaças.
Os casos são diferentes, bem como o contexto e as expectativas que rodeavam cada uma das equipas. Se a de Andebol era, à partida, a menos favorita, a forma como deixou fugir o campeonato acabou por ser, porventura, a mais dolorosa. O meu grau de benfiquismo não me permite aceitar com naturalidade derrotas como a do último Sábado, quando, com quatro golos de vantagem a pouco mais de três minutos do fim, o título estava no bolso. A não repetir.
Também o Basquetebol desiludiu. O Benfica era o grande favorito à conquista do penta. Mantinha a estrutura e reforçara-se com nomes sonantes. Mas durante os play-offs percebeu-se que as coisas iriam correr mal. Jogámos pouco. As sete (!) derrotas com o FC Porto obrigam necessariamente à reflexão.
O Voleibol foi, sobretudo, infeliz. Perdeu no último set da última partida, depois de 24 vitórias em 25 jogos até chegar à final. Creio que nesta modalidade recuperaremos o título rapidamente.
De Futsal falarei no fim do campeonato. E o Hóquei, pela estrondosa época que fez (ainda falta a Taça), merece um texto inteiro, assim que a oportunidade espreitar.


02/06/16

A ANGÚSTIA DO ADEPTO NO MOMENTO DO MERCADO

O tema é recorrente. A cada defeso, a angústia do adepto cresce à medida que as notícias da saída de jogadores se avolumam nos jornais.
Quase não nos deixam comemorar os títulos em paz. Em poucos dias, a crer na imprensa, praticamente não temos equipa.
Para além de Renato Sanches, pelo menos Ederson, Jardel, Lisandro, Lindelof, Fejsa, Salvio, Talisca, Carcela, Gaitán e Jonas, foram, por estes dias, dados como negociados, ou negociáveis, para outros destinos. Na maioria dos casos tal não passa de especulação. O problema é que por vezes o fumo traz fogo, e alguns deles podem mesmo ter de vir a sair.
Sabe-se como funciona o modelo de negócio em clubes como o nosso, de países periféricos, e sem o poder financeiro de outros mercados. Sabe-se que, para manter contas equilibradas, e não comprometer o futuro, há que vender jogadores. Sabe-se que os mais procurados, os mais valiosos, os mais rentáveis, são, obviamente, os melhores. Sabe-se que os próprios, aliciados por salários principescos, são frequentemente os primeiros a forçar a saída. Sabe-se da pressão de agentes e intermediários. Sabe-se que, sobretudo em anos de Europeu ou Mundial, é difícil planificar o que quer que seja nesta matéria.
Porém, existem princípios orientadores que convém não desprezar.

Há jogadores em picos da valorização, mas susceptíveis de ser bem substituídos. Por outro lado, há jogadores cujo valor de mercado, por motivos etários ou outros, é manifestamente inferior ao valor desportivo – leia-se, ao peso na equipa. Poderá ser boa gestão vender os primeiros. Será sempre mau negócio perder os segundos. 

27/05/16

ILUSTRAÇÃO

A conclusão do texto anterior poderá ser ilustrada pelo quadro seguinte:

Ao qual acrescentaria:

- Duas finais europeias, e recuperação no ranking da Uefa, desde o 91º lugar até ao 6º actual.
- Múltiplos títulos nas modalidades, entre os quais 2 Ligas Europeias, 1 Taça Cers, 2 Taças Continentais e 1 Taça Intercontinental no Hóquei; 1 Uefa Cup no Futsal; finais europeias inéditas no Andebol e no Voleibol.
- Construção do Estádio, do Centro de Estágio, de dois pavilhões, de piscinas, do Museu Cosme Damião.
- Criação de BTV, da revista Mística, rejuvenescimento do Jornal.
- Aumento recorde do número de sócios.
- Expansão das Casas do Benfica.
- Captação recorde de receitas com patrocínios.
- Profissionalização da gestão, e total reestruturação do clube, que, em 2001, estava falido, desorganizado e desacreditado. 




25/05/16

UM POR TODOS

Seria fácil dizer agora que sempre acreditei. Que, também eu, era um entusiasta da aposta na formação. Que vira com bons olhos a substituição de um treinador campeão. Que olhara sem desconfianças para uma alteração de paradigma, justamente quando começávamos a vencer com regularidade.
Estaria a mentir.
Na verdade, foi com bastante cepticismo que encarei as mudanças do Verão passado. E quando, a poucos dias do Natal, estávamos a 7 pontos do Sporting, e a 5 do FC Porto, não apostaria um fósforo na possibilidade do Tri. Não fosse uma carreira europeia prometedora, e dava, nessa altura, a época como morta.
Nada melhor do que ser desmentido pelos factos quando estes superam as nossas melhores expectativas. E este Benfica superou tudo aquilo que eu perspectivara.
Na altura, muitos pensavam como eu. Mas houve um (aquele que interessava, aquele que decidia) que se manteve absolutamente fiel às suas convicções. Que, com grande coragem, insistiu no caminho que sabia ser o melhor para o Clube.
Este título é de muita gente. É de um técnico que, para além de enorme competência, soube manter uma atitude que nos orgulha. É de todos os benfiquistas, mesmo daqueles que, como eu, tinham poucas certezas quanto à forma de lá chegar. Mas este título é, sobretudo, de Luís Filipe Vieira.
O nosso presidente apostou forte. Arriscou muito. E, seguindo a sua convicção, venceu em toda a linha.

A obra feita no Benfica já falava por si. Este campeonato, a forma como foi ganho, e tudo aquilo que nos mostrou, tornou óbvia uma certeza: Vieira é o presidente mais marcante dos 112 anos de história do nosso Clube.

17/05/16

ARBITRAGENS 2015-16

ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS

Grandes Penalidades a favor:
SPORTING-11
Benfica - 7
FC Porto - 5

Grandes Penalidades contra:
SPORTING - 5
Benfica - 1
FC Porto - 1

Grandes Penalidades decisivas a favor:
SPORTING - 5
FC Porto - 3
Benfica - 2

Grandes Penalidades decisivas contra:
SPORTING - 2
FC Porto - 1
Benfica - 0

Cartões Vermelhos:
SPORTING - 4
FC Porto - 3
Benfica - 2

Cartões Vermelhos a adversários:
SPORTING - 7
Benfica - 4
FC Porto - 0

Minutos em superioridade numérica:
SPORTING - 212
Benfica - 4
FC Porto - 0

Minutos em inferioridade numérica:
BENFICA - 53
Sporting - 48
FC Porto - 17

Benefício em pontos por erros grosseiros de arbitragem:
SPORTING - 6
Benfica - 4
FC Porto - 3

Prejuízo de pontos por erros grosseiros de arbitragem:
BENFICA - 3
Sporting - 2
FC Porto - 2

CLASSIFICAÇÃO REAL:

BENFICA (88-4+3) = 87
Sporting (86-6+2) = 82
FC Porto (73-3+2) = 72


JOGO A JOGO




AGRADECIMENTOS

Ao presidente do Sporting, e a toda a comunicação social que o tolerou, promoveu, e cuja estratégia de ódio, guerrilha e conflito permanente branqueou – como, de resto, no passado, havia feito com outro protagonista.
Aos seus mais fiéis acólitos que, na cegueira anti-benfiquista, apoiaram e interpretaram essa estratégia.
Ao milionário treinador do Sporting, e a toda a sua pesporrência, ingratidão, e mau perder, que ora nos dá pena, ora nos faz rir.
Aos inácios televisivos, e às repetidas mentiras, insinuações e provocações - desde uma campanha sórdida e racista visando Renato Sanches, a aspectos risíveis como a calendarização dos jogos - com que tentaram sistematicamente desestabilizar e descredibilizar o Benfica.
A Norton de Matos, Nelo Vingada e Sérgio Conceição, pelo modo singular como abordaram algumas partidas do campeonato, abrindo uma perturbadora caixa de pandora, de efeitos imprevisíveis para a verdade do futebol português.
Aos conselhos de justiça e de disciplina da FPF, pela impunidade, patetice e esperteza saloia com que lidaram com as agressões de Slimani.
A todos eles os meus agradecimentos.

Aos jogadores, técnicos, dirigentes e restante estrutura profissional do SL Benfica, agradeço vivamente a conquista de mais um campeonato, o 35º da nossa história. Mas aos anteriormente mencionados tenho de agradecer por terem transformado essa conquista na maior alegria desportiva da minha vida.