27/01/12

NUMA CAIXINHA DE FÓSFOROS

Não creio que a Liga proteja o futebol, permitindo (ou melhor, impondo) jogos importantes num campo deste tipo. Não se vê isto em nenhum campeonato europeu do primeiro mundo, e a menos que existam interesses escondidos, não se percebe a lógica da decisão que agora veio a público.
É com alguma inquietação (e até, revolta) que vejo uma equipa que pratica bom futebol, ser obrigada a prescindir dele para entrar numa luta de outra natureza, num recinto que envergonha a competição.
Recordemos, aliás, que na última vez em que o Benfica jogou num campo assim, também liderava a tabela classificativa, e perdeu 2-0, na Trofa. Nessa temporada, não mais voltou ao comando. Lembram-se?
E, já agora, devo dizer que também o árbitro me inspira total desconfiança. É incompetente, mal preparado, é irmão de Paulo Costa, e vem do Porto. Ao longo da sua carreira, sempre que pôde, prejudicou o Benfica.
Tudo isto chega para me tirar o sono. Até ao jogo com o FC Porto, talvez seja este o obstáculo mais difícil que o conjunto de Jorge Jesus tem pela frente.
Deixo o meu onze, necessariamente condicionado às circunstâncias:

26/01/12

VIVA O FUTEBOL!

Com um espectáculo deslumbrante, Barcelona e Real Madrid demonstraram ao mundo porque motivo são as duas melhores equipas da actualidade.
O resultado voltou a sorrir aos catalães, mas desta vez o conjunto de Mourinho esteve muito perto de impedir que tal acontecesse. Marcando um terceiro golo (que chegou a parecer iminente), o Real conseguiria uma reviravolta digna de entrar na história do futebol. O empate final soube a injustiça, após uma das melhores exibições que vi aos “merengues” nos últimos anos. Aliás, se com problemas de balneário eles fazem aquilo em campo, sejam benditos os problemas de balneário.
No dia de todos os deuses, o deus maior, Messi, esteve aquém do seu melhor nível – que é, como sabemos, altíssimo. Nem por isso o Barcelona deixou de nos brindar com momentos, também eles, de grande futebol. Estaria ainda agora, horas depois, a ver o fantástico clássico, com o olho regalado. É daquilo mesmo que eu gosto, e até tenho pena de quem não viu.
Já aqui disse que, entre estes dois clubes, sempre me senti mais próximo do Real. Agora, com tantos portugueses (nem todos me são simpáticos, é certo), essa predilecção acentuou-se. Ela não passa, porém, de uma pequena simpatia. Nunca rejubilei com qualquer vitória madridista, nem, muito menos, senti a mínima perturbação com as suas derrotas. Se me obrigassem a escolher, assinando num papel qual queria que vencesse, punha a cruzinha no Real. Mas depois de tão cintilante recital de futebol (a que, diga-se, a estupenda realização televisiva, a alta definição e os inigualáveis comentários de Luís Freitas Lobo também ajudaram), a última coisa que me interessou foi se o resultado favoreceu um ou outro. Por mim, podiam ganhar os dois.
PS: Fica aqui bem mencionar, que o Liverpool-Manchester City, cuja gravação vi depois, não deslustrou a gala de Camp Nou. Teve o mesmo resultado, excelentes momentos de futebol, e a mesma emoção.

25/01/12

OUTRA VEZ?

Resultados do Clássico espanhol desde que Guardiola orienta o Barcelona: Decerto, Mourinho dispensaria mais este jogo...

HOJE, O REI FAZ ANOS

Parabéns Eusébio!

24/01/12

O PONTO CRÍTICO

"Ganhar ao Sporting, nesta altura, significaria muito do lado de cá, e porventura ainda mais do lado de lá. Seria uma poderosa machadada na confiança do rival. Seria um tiro no porta-aviões do entusiasmo e da mobilização que o clube de Alvalade conseguiu recriar em redor da sua equipa e dos seus adeptos. Podia até significar, no limite, a eliminação (senão objectiva, ao menos psicológica) de um dos candidatos ao título"
LF, jornal "O Benfica", 25 de Novembro de 2011, véspera do último Benfica-Sporting
O Sporting entrou na Luz vindo de uma sequência de 13 vitórias em 14 jogos. Vejamos os seus resultados daí em diante:
Classificação antes do dérbi: FC Porto 24, Benfica 24, Sporting 23
Classificação actual: Benfica 42, FC Porto 40,...,..., Sporting 29
Está assim encontrada a causa da crise sportinguista. Sempre o mesmo fantasma vermelho...

CLASSIFICAÇÃO REAL

FC PORTO-V.GUIMARÃES
Ia de viagem, mas nem o relato ouvi (nunca seria capaz de trocar um CD de Astor Piazzolla, que ainda por cima me faz lembrar Aimar, Messi e Maradona, por um jogo do FC Porto).
Pelos resumos, apercebi-me que o livre de que resultou o golo vimaranense é muito duvidoso (Fernando parece tocar primeiro na bola). De resto, à excepção de um cartão amarelo que ficou por mostrar a João Moutinho, nada mais tenho a considerar. O penálti aceita-se.
Resultado Real: 3-0
BENFICA-GIL VICENTE
Já ficou tudo dito no texto anterior. O livre que originou o golo de Cardozo pareceu-me bem assinalado. Já o livre indirecto da segunda parte resulta de uma interpretação com a qual eu não concordo (embora Artur devesse ter sido mais prudente). Perto do final, Rodrigo viu um amarelo por protestos, após uma falta inexistente.
Resultado Real: 3-1
OLHANENSE-SPORTING
Todos os anos, mais ou menos por esta altura, me interrogo se vale mesmo a pena considerar o Sporting nestas contas. Afinal, não está aqui o Sp.Braga (claramente o terceiro grande dos últimos anos), como não está também o Marítimo (que discute o quarto lugar com os leões).
Enfim. Como começei, vou esforçar-me por manter a coisa por mais umas semanas.
No jogo de Olhão (do qual também só vi resumos), não me apercebi de nenhum erro grave do árbitro. Os treinadores queixaram-se, mas deveriam antes remeter as queixas para as suas próprias equipas. O Olhanense porque falhou golos em série, desperdiçando uma excelente hipótese de somar três pontos. O Sporting porque desde o longínquo dia 6 de Novembro só ganhou ao Nacional (e de aflitos), dando mostras de caminhar para uma total desagregação, que só Rui Patrício vai conseguindo disfarçar.
Resultado Real: 0-0
CLASSIFICAÇÃO REAL
1º BENFICA 44
2º FC Porto 40
3ª(?) Sporting 33

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23/01/12

UFF... QUE SUSTO!

Faltavam apenas 17 minutos para o final do jogo, o Benfica empatava em casa, e não criara, ao longo de toda a segunda parte, uma única oportunidade de golo.
Ansiedade, talvez seja palavra curta para descrever o estado de espírito que então assaltava a família benfiquista, ao ver fugir, a cada segundo que passava, dois preciosos pontos, numa luta cada vez mais renhida com o seu principal opositor. Era o deitar por terra, não das hipóteses na luta pelo título, mas de toda uma envolvência de entusiasmo e confiança que a equipa fizera por merecer em seu redor. Era um murro no estômago, tão forte quanto inesperado.
Ao longo do jogo, as dificuldades colocadas por um improvável Gil Vicente foram muitíssimas. Pressionando alto, a equipa minhota descaracterizou por completo a primeira fase de construção do Benfica, deixando-o sem espaço nem ideias para aplicar o seu habitual futebol ofensivo. E não era tudo. Conseguindo recuperações de bola já perto do meio campo encarnado, os gilistas ameaçavam frequentemente a área de Artur, construindo lances de ataque em número e nível de perigo verdadeiramente surpreendentes para uma equipa que luta para não descer.
Há que dizer, todavia, que um Benfica ao seu melhor nível teria tido obrigação de encontrar as soluções mais indicadas para o puzzle que lhe foi colocado por diante. Marcando primeiro, até fez o que parecia mais difícil, mas o golo do Gil, já muito perto do intervalo, recolocou tudo como no início, com a agravante de haver menos tempo para jogar. Quer antes, quer depois dos golos, os encarnados estiveram sempre longe da melhor inspiração, não conseguindo levar a cabo as saídas rápidas para o ataque que a situação aconselhava. Foram uma equipa lenta, previsível, e de certa forma bloqueada pelas inesperadas dificuldades que o adversário ia originando. Durante a primeira parte, o Benfica parecia expectante. A meio da segunda parte, o Benfica parecia… rendido.
Aimar é um grande jogador, e, como todos os grandes jogadores, a sua ausência não é fácil de suprir. No conjunto de Jesus, a falta do mago argentino é um buraco que se abre entre uma linha intermediária com pouco pendor ofensivo (Javi Garcia e Witsel), e avançados de último toque, sem grande apetência para a construção de jogo. Gaitán, que também sabe jogar pelo corredor central, poderia, a espaços, disfarçar a lacuna. Acontece que o jovem extremo está num período de forma deplorável, não conseguindo sequer cumprir com acerto as suas funções na ala. Esta conjugação de factores tem obrigado o Benfica a privilegiar um modelo de transição ofensiva iniciado uns metros mais atrás. Foi essa necessidade que Paulo Alves interpretou na perfeição, atingindo o Benfica onde mais lhe poderia doer.
Com Aimar em campo, o onze encarnado reequilibrou-se. Aí, o problema já não residia no plano táctico. Eram sim as emoções, e as inquietações, que começaram a tomar conta das almas e das pernas dos jogadores do Benfica. Passes errados, precipitações, dificuldades em serenar, e até alguns assobios das bancadas (de uma estúpida inoportunidade, diga-se).
O golo lá surgiu, e com ele o respirar fundo de uma equipa que já não sabia muito bem o que fazer do jogo. Logo a seguir, Aimar punha uma pedra sobre o resultado, e sobre a ansiedade, garantindo os três pontos. Mesmo assim o Gil Vicente reagiu, mas já era tarde para conseguir mais do que uma vitória moral, alicerçada numa exibição impressionante de audácia, rigor e frescura.
O que se passou esta noite fará certamente o Benfica pousar os pés no chão, e interiorizar que o título ainda está muito longe de ser uma realidade. Aparecerão mais alguns Giles Vicentes nas esquinas do Campeonato, pelo que a caminhada não permite repousos. Na próxima semana, novo desafio à equipa encarnada, com um jogo disputado numa caixa de fósforos, frente a um adversário aguerrido – que, por sinal, tirou pontos ao FC Porto.
O árbitro esteve globalmente bem.
Não têm razão os responsáveis gilistas ao reclamar a falta que origina o primeiro golo, que, de facto, existe . No lance do livre indirecto, à luz do que se tem visto noutros estádios, até aceito o critério, mas não creio que ele se enquadre no espírito da lei (que é o de evitar perdas de tempo propositadas).

20/01/12

ONZE PARA O GIL

Espero que Cardozo recupere (...e Ney nem cartão amarelo levou). Caso o paraguaio não possa jogar, entraria Saviola. Aimar parece fora de questão, e Gaitán está muito longe do seu melhor.
PS: Marcar este jogo para as 20.15 de um domingo parece ter o objectivo de cortar a onda vermelha que o fim-de-semana passado fazia adivinhar para os próximos tempos.

MUNDIALITO 80 - Uma recordação

Num zapping fortuito pelos canais de desporto, fui dar, há dias, com um documentário da ESPN Classic sobre o Mundialito de 1980, realizado no Uruguai.
Confesso que já pouco me lembrava daquele evento. Mas ao ver o programa, a minha memória transportou-me para fabulosas recordações de infância, dos tempos em que por vezes apenas sabia os resultados no dia seguinte, pelo Diário de Notícias que o meu pai religiosamente comprava.
Na altura, passou-me totalmente despercebida a envolvência política do acontecimento, num contexto de ditadura militar, tão comum na América Latina daqueles tempos. Tinha 10 anos, e só me interessavam Maradona, Zico e Rummenigge, estrelas de então, naquilo que foi a antecâmara para o fantástico Mundial 1982 – o melhor de todos os do meu tempo.
O documentário mostra como a competição foi instrumentalizada pelo poder político e militar, e como as contas lhe saíram furadas, tendo a vitória uruguaia sido antes uma oportunidade para o povo se manifestar nas ruas. Nas cadeias, guardas e presos políticos comemoraram em conjunto os golos de Valdemar Victorino, e o triunfo sobre o Brasil.Tenho a ideia daquilo ter sido vivido como um verdadeiro Mundial (e, pelo menos para os uruguaios foi-o), só que sem televisão em directo (ao contrário do que acontecera, por exemplo, no Argentina 78). Além das notícias de jornal, recordo-me vagamente de ter ouvido uma parte do relato da grande Final, já noite dentro, numa estação de rádio espanhola que se apanhava no Alentejo.
Foi nesta prova que nasceu o lendário Brasil de Telé Santana (goleou a campeã europeia Alemanha por 4-1), que encantaria o mundo nos anos seguintes. Foi também esta a primeira grande competição internacional de Maradona, e de Sócrates, recentemente falecido.
Um documentário delicioso, que aconselho vivamente aos que se lembram, e aos que não se lembram, que um dia houve um Mundialito, ou Copa de Ouro (nome oficial dado pela FIFA).

UM DADO

As três melhores temporadas do Benfica, à 15ª jornada, nos últimos 18 anos:
1ª 2011-2012, 39 pontos, Jorge Jesus
2ª 2009-2010, 36 pontos, Jorge Jesus
3ª 2010-2011, 33 pontos, Jorge Jesus

O SPORTING A FAZER POUCO DE SI PRÓPRIO (2)

Segundo me contou fonte bem informada, este rapaz é o segundo jogador mais bem pago do Sporting, só ultrapassado pelo salário extraterrestre de Elias. Dinheiro bem empregue, portanto.

O SPORTING A FAZER POUCO DE SI PRÓPRIO (1)

Se isto, por absurdo, acontecesse no Benfica, eu exigiria aqui, de imediato, a demissão do responsável pelas instalações. Como é possível não perceberem que apenas estão a ridicularizar o próprio clube?

19/01/12

SEM HIPÓTESES

3 Ligas dos Campeões, 2 Mundiais de Clubes, 2 Supertaças Europeias, 5 Campeonatos, 1 Taça do Rei, 5 Supertaças de Espanha, e 5 Bolas de Ouro. É este o impressionante palmarés do Barcelona desde 2004, desde que Messi começou a jogar.
Há quem diga que é a melhor equipa de todos os tempos. Talvez sim. Talvez se tenha de bater com o Milan de Sacchi, com o Liverpool de Paisley, com o Ajax de Cruyff, com o Real Madrid de Di Stéfano, com o Bayern de Beckenbauer, ou com o Santos de Pele. Pior não é seguramente.
Não pratica, é verdade, o estilo de futebol que eu mais gosto (demasiado rentilhado, com muito passe para trás). Mas, como gosto de futebol, também tenho de gostar …daquilo.
O que é certo é que este Barça parece invencível, e a única hipótese que Mourinho tem de se sagrar campeão (e em Espanha não terá muitas mais) será chegar a Camp Nou, em fins de Abril, com pelo menos quatro dos cinco pontos de vantagem que tem actualmente. Em confronto directo, não tem hipóteses. Ninguém tem hipóteses, tendo sido, ainda assim, o técnico português, o único a tirar troféus (até agora dois) a este super-Barça.
Lamento por Coentrão. Não lamento por Pepe, que continua a envergonhar a bandeira portuguesa em que o deixaram enrolar-se.

MANDEM-ME EMBORA!

As declarações de Domingos Paciência atingem frontalmente:
1) o presidente da Direcção, que foi quem disse que a equipa estava aquém das expectativas
2) o presidente da Assembleia-Geral, que é médico, e será certamente um dos que, segundo o técnico, fala sem perceber nada do assunto (aliás, se não fosse o mediatismo do futebol, se as pessoas não falassem dele, queria ver quem pagava o salário milionário de Domingos ...)
Será que o treinador do Sporting pretende ajudar a fazer a própria cama, para que no final da época se sente, enfim, na sua "cadeira de sonho", substituíndo Vítor Pereira?

SEM RISCO, SEM DANOS

Tinha aqui defendido que o Benfica não deveria expor-se demasiado nesta edição da Taça da Liga. Entendi, por isso, não só as opções de Jesus (apenas duas diferenças relativamente ao meu onze), como o ritmo tranquilo que a equipa imprimiu ao jogo.
Não houve danos, o Benfica ganhou o jogo, e ficou ainda a dever a si próprio mais um ou dois golos. Mas só com Witsel, Nolito e Rodrigo em campo se viu a superioridade encarnada, num jogo em que também o Santa Clara se apresentou a passo – provavelmente pensando num simpático zero a zero.
Com um palpitante Real Madrid-Barcelona no outro canal, assistir a este sonolento jogo foi um verdadeiro desafio ao benfiquismo. Valeu pela vitória, por um ou outro lance de Nolito, pelas boas indicações dadas por Capdevila (e se estivesse ali a solução para o lado esquerdo?...), pelo primeiro golo de Nelson Oliveira, e pela esperança num grande Benfica-FC Porto lá para fins de Março. Para o apuramento, fica a faltar apenas um empate em casa.
O árbitro esteve bem.