10/11/09

CLASSIFICAÇÃO REAL

Talvez esta tenha sido, até agora, a mais pacífica jornada da Liga em termos de arbitragem. Mesmo perdendo (FC Porto e Sp.Braga) e empatando (Sporting), nenhum dos derrotados da jornada tem ponta por onde se agarrar. Na Luz também não houve muita coisa a registar.

V.GUIMARÃES-SP.BRAGA
O único lance duvidoso que recordo desta partida foi uma mão de Evaldo dentro da área (a segunda em duas jornadas consecutivas) que ficou por sancionar. Não teve influência no resultado, mas não deixa de ser sintomático da protecção de que a equipa bracarense tem desfrutado ao longo de quase todo o campeonato, com a excepção daquele golo de João Tomás em Vila do Conde.
Resultado Real: 2-0

MARÍTIMO-FC PORTO
Podia ter sido mostrado um cartão vermelho a um jogador do Marítimo (Rodrigo, salvo erro). Perto do fim, Falcão, partindo de fora-de-jogo, poderia ter empatado a partida. Dois erros que não chegam para manchar um trabalho globalmente positivo de Paulo Baptista.
Resultado Real: 1-0

RIO AVE-SPORTING

Ficaram-me dúvidas no penálti assinalado a favor do Sporting. O ângulo da imagem televisiva não é o melhor, e não se percebe se o defensor vilacondense ajeita ou não a bola com o braço. De qualquer forma, na dúvida, benefício para o árbitro.
Devo dizer também que o primeiro cartão amarelo a Carriço me pareceu exagerado, ainda que, noutro lance, o mesmo jogador o pudesse já ter visto anteriormente.
Tal como no Funchal, também neste jogo um off-side por assinalar poderia ter comprometido a actuação do árbitro. A falta de jeito de Caicedo (que salvaguardando as diferenças de cor e de cabeleira, me faz lembrar eu próprio a jogar), encarregou-se no entanto de escrever direito (se é que se pode dizer tal coisa) por linhas tortas.
Já ouvi falar de um possível penálti de André Marques (outro “talento”…) sobre Bruno Gama, mas honestamente não me recordo do lance. Se for caso disso, corrigirei mais tarde a pontuação.
Resultado Real: 2-2

BENFICA-NAVAL

Um jogo praticamente sem casos serviu para Lucílio Baptista se reconciliar com o apito.
Não deixou de cometer pequenos erros, como a não marcação de um livre perigoso em posição frontal por falta sobre Fábio Coentrão, ou um lançamento ao contrário. Mas globalmente esteve bem.
Um lance de área, em que David Luíz apareceu estatelado no chão, deixou dúvidas no estádio. Vendo as imagens, verifica-se que não há de facto razão para penálti.
Uma carga de ombro de Maxi Pereira sobre Marinho tem levantado alguns murmúrios no pós-jogo, mas apenas por parte daqueles que sentem necessidade de encontrar subterfúgios para todas as vitórias do Benfica (sejam por 1-0, 6-1 ou qualquer outra margem). Ninguém da Naval reclamou, o que é revelador. É verdade que existiram tempos em que lances desta natureza eram motivo para penálti, sobretudo se no Estádio das Antas, a favor do FC Porto. Foi nos anos noventa, quando até Lourenço Pinto foi presidente do conselho de arbitragem, e quando, por via desses e de outros comissários, Pinto da Costa alicerçou a hegemonia portista no futebol português. Há quem tenha ficado mal habituado…
Resultado Real: 1-0

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 28
Sp.Braga 20
FC Porto 18
Sporting 16
Penálti assinalado contra o Marítimo (Soares Dias, do Porto), golo de Luisão validado em Braga (Jorge Sousa, do Porto), e o título estaria praticamente entregue…

Etiquetas:

SÓ À CABEÇADA SE MATOU O FANTASMA

Numa jornada em que todos os adversários directos haviam perdido pontos, o Benfica tinha diante de si o ensejo de recuperar a liderança (ainda que em parceria) e, sobretudo, cavar uma distância pontual significativa para o FC Porto – sua grande ameaça, pois o Sporting, preso aos seus equívocos internos, está hoje muito mais perto do último lugar (despromoção) do que do primeiro (título) -, antes de uma longa pausa na prova.
Era pois uma oportunidade a não desperdiçar, para uma equipa em ressaca europeia e desfalcada de Ramires e Cardozo, dois dos seus mais influentes jogadores. Era um momento muito importante para o desenho da classificação, que poderia (e poderá) marcar o destino da temporada. Era um daqueles jogos em que as grandes equipas, os verdadeiros campeões, não costumam, nem podem, falhar. Mais do que a deslocação a Braga (onde qualquer resultado era aceitável), este sim, era um verdadeiro teste à capacidade competitiva do Benfica, ao seu edifício mental, e à regularidade que conquista campeonatos.
Encontrando pela frente um rígido “autocarro” defensivo, conduzido por um guarda-redes tocado por inspiração divina, os encarnados viram-se e desejaram-se para obter os três pontos. Foi com muito sofrimento que o conseguiram, depois de 89 minutos em que os fantasmas de Marítimo (Peçanha), do Boavista (William), do Espanyol (Iraizoz) e do União de Leiria (Costinha), fizeram reviver na Luz uma daquelas estranhas noites de tiro ao boneco, em que o boneco assume uma sobrenatural capacidade de atrair todos os cartuxos. Parece sina do Benfica, ver brilhar em sua casa guarda-redes cuja carreira nem sempre passa da vulgaridade, mas que na Luz se enchem de brios e fazem a exibição de uma vida. Enfim, eles estão lá para isso, e ninguém se pode queixar senão das bruxas do azar e da infelicidade.
Mas por muito grande que seja a aleatoriedade que envolve um resultado de um jogo de futebol, a verdade é que as coisas nem sempre acontecem por acaso. Há momentos, no desporto como na vida, em que a vontade e o talento superam a falta de sorte, e em que os objectivos são alcançados sobre os escombros do fatalismo. A poderosa cabeçada de Javi Garcia define um desses momentos, e ajusta-se bem ao que foi a prestação do Benfica nesta partida.
Efectivamente, dado o desenrolar do jogo, olhando às suas estatísticas e às oportunidades criadas, poderíamos estar agora a falar de mais uma goleada. Só na primeira parte, Peiser realizou cinco (!!) defesas de golo, e viu uma bola bater no seu poste. Tivesse sido concretizada uma dessas ocasiões e o jogo seria outro.
Na segunda parte o Benfica perdeu algum fulgor (sobretudo a partir do momento em que as pilhas de Aimar se esgotaram), mas voltou ainda assim a desperdiçar oportunidades de golo em série. Mais um punhado de grandes intervenções do guardião da Naval, mais uma bola ao poste (Di Maria), mais uma escandalosa perdida de Nuno Gomes, com Peiser batido, e uma baliza, enorme e escancarada, á sua frente.
Para além do caudal atacante conseguido, a equipa de Jesus teve o mérito de nunca deixar de acreditar em si própria, e na sua capacidade de reverter uma situação que a cada minuto que passava se ia tornando mais difícil. O desespero invadia as bancadas, mas nunca tomou conta dos jogadores, que lutaram até à última gota de suor – com empenho e com serenidade - por uma vitória que contrariasse o destino de uma noite azarada. Conseguiram-no, o que também é sinal da sua tremenda auto-confiança, da sua força mental, do seu espírito guerreiro e vencedor. Há também quem lhe chame “estrelinha” de campeão.
O ambiente vivido no final da partida não diferia muito das noites das goleadas ao Everton ou ao Nacional. O golo de Javi Garcia fez explodir um estádio já algo angustiado, fazendo lembrar um outro, obtido também de cabeça por Luisão há quatro anos atrás frente ao Sporting. Ganhar assim, com sofrimento e com dramatismo, talvez seja ainda mais saboroso, sobretudo quando tal corresponde à justiça do futebol jogado. Esta foi pois – desengane-se quem pensar o contrário – mais uma grande noite de festa para os mais de 40 mil que estiveram na Luz. Uma festa diferente, mas não menos entusiasmante. Um caldeirão de emoções, com final feliz.
Não se fique no entanto com a ideia de que tudo – excepto Peiser – foi perfeito para o Benfica. Para além da constatação de que sem Cardozo o Benfica perde parte significativa da sua eficácia ofensiva (Nuno Gomes fora de forma, e Keirrison fora do futebol da equipa, não garantem a necessária presença na área) aqueles três minutos de compensação deixaram muito a desejar em termos de segurança defensiva, numa fase em que bastava segurar a bola longe da baliza para que rapidamente o árbitro apitasse. Aspectos que Jorge Jesus terá de rever com a equipa, sabendo-se que se aproximam os grandes clássicos, para os quais tenho algum receio do sector esquerdo da defesa encarnada (sobretudo quando apanhar Hulk pela frente).
Por falar em árbitro, diga-se que Lucílio Baptista não foi desta vez protagonista. Não houve casos, e assim de repente não me lembro de um único erro cometido pelo setubalense. Mas na televisão apenas vi o golo.
Por fim deixo uma nota para a postura da Naval. Defendeu, estacionou o autocarro em frente da baliza, prescindiu de qualquer acção ofensiva, mas não simulou lesões, não agrediu ninguém, não queimou tempo em demasia. E assim, podia ter empatado o jogo. Se houvesse quatro pontos em disputa, a equipa de Inácio mereceria um deles.

09/11/09

JACKPOT ?

Só falta o mais importante: uma vitória sobre a Naval, num jogo em que Ramires e Cardozo estão de fora, Javi Garcia está á beira da suspensão, e o árbitro é Lucílio Baptista, especialista a deixar adversários de fora dos jogos com o seu Sporting, e certamente empenhado em "lavar" a imagem da Taça da Liga.
Espera-se um Estádio da Luz quase cheio, que empurre a equipa para a vitória, num momento extremamente importante do Campeonato.
O meu onze seria: Quim-Maxi Pereira-Luisão-David Luíz-Fábio Coentrão-Javi Garcia-Ruben Amorim-Aimar-Di Maria-Saviola-Nuno Gomes.

06/11/09

O ADEUS ANUNCIADO

A notícia só surpreende por tardia: Paulo Bento demitiu-se.
Conforme aqui dissera, era difícil compreender a posição de alguém que, sendo alvo de uma contestação implacável, dava mostras, a cada jogo, de não ter instrumentos e/ou argumentos para reverter a situação criada.
O problema do Sporting não vai ficar resolvido. Mas Paulo Bento, que também não o iria conseguir resolver, livra-se dele.
Com Pedros Silvas, Angulos e Caicedos, e com o campeonato praticamente perdido, não queria estar na pele do próximo treinador do Sporting.
Mas é justo dizer que a responsabilidade da situação actual não é de Paulo Bento, nem dos pobres jogadores que fazem o melhor que sabem. O problema do Sporting está nos seus dirigentes, que não estão à altura da grandeza do clube, nem da legítima ambição dos seus adeptos.
O Sporting precisa de homens com menos perfume e com mais coragem, que sejam conhecedores do futebol, que sintam o cheiro do balneário, que se movimentem bem no mercado, e que, em vez de se queixarem constantemente do orçamento, consigam encontrar os meios financeiros necessários para poder competir com os rivais. E Bettencourt, em todas estas vertentes, está a revelar-se um autêntico flop.

ESPERAVAM ROCK ? TOMEM LÁ UMA SONATA !

Três anos e meio depois, o Benfica voltou a ganhar na terra dos Beatles, e novamente por 0-2. Fê-lo desta vez diante do segundo clube da cidade, e num palco onde Eusébio, há mais de 40 anos, encantara o Mundo com quatro golos á Coreia do Norte.
O Everton não é o Liverpool, e este Benfica é, creio, superior àquele (ao de 2006). Talvez por isso esta vitória não surpreenda tanto, embora não deixe de constituir – e isso é inegável - um fantástico resultado, ao nível do melhor que os encarnados conseguiram na sua última década europeia. Se nos lembrarmos que só por oito vezes o Benfica venceu fora de casa nas competições europeias dos últimos dez anos (além das vitórias em Liverpool, apenas Molde, Bystrica, Beveren, Copenhaga, Donetsk e Bucareste) mais facilmente chegaremos a essa conclusão.
Devo confessar que não gostei muito dos primeiros minutos do Benfica. Mais do que Braga (onde até jogou bem, e só não ganhou por culpa de terceiros), aquela primeira meia-hora fez-me lembrar… Atenas. Muitos passes errados, alguma displicência, e falhas defensivas que só não foram melhor aproveitadas porque o Everton, fruto da goleada sofrida na Luz, entrou em campo aparentando bastante receio do adversário que tinha por diante. Nas saídas para o ataque sentia-se a falta de Aimar, no centro da defesa Sidnei denotava falta de ritmo, e esses dois pontos de desequilíbrio afectavam a tonalidade global do futebol da equipa.
Só por volta dos trinta minutos o Benfica se soltou, assegurando então o controlo do jogo para não mais o perder. Percebeu-se então que o Everton também não seria capaz de submeter os encarnados à forte pressão que se esperaria de uma equipa inglesa a jogar em casa.
Talvez por medo, talvez devido a um precário estado de forma de alguns dos seus jogadores, a equipa azul nunca abordou o jogo do modo que maior dano causaria ao Benfica. Procurou povoar o meio-campo, colocou apenas um ponta-de-lança no meio dos centrais encarnados, e dessa forma deu tempo a que a equipa de Jesus conquistasse o espaço físico e anímico de que precisava para reagir, e impor a sua estratégia. A primeira grande oportunidade de golo acabaria por ser para o Benfica, quando Cardozo cabeceou ao poste, e na recarga Saviola obrigou Tim Howard a uma espectacular defesa. Estava dado o mote para mais uma exibição empolgante e mais uma vitória categórica.
A segunda parte foi um vendaval vermelho. Não tão expressivo, na sua componente ofensiva, como havia sido o de quinze dias antes na Luz, mas suficientemente eloquente para não permitir quaisquer equívocos sobre a superioridade do Benfica, no jogo e no grupo. Di Maria teve nos pés o golo por duas vezes (uma falhou, isolado, por demérito próprio, outra por mérito da espectacular defesa do guarda-redes contrário), mas foi com a entrada de Aimar, com o perfume do seu futebol, que o Benfica deu o golpe definitivo no conjunto inglês.
Os golos surgiram com naturalidade. Poderiam ter aparecido mais. Só talvez a necessidade de reservar energias para o compromisso de segunda-feira evitou nova goleada. Mas os três preciosos pontos estavam já bem guardados.
Em termos individuais, Saviola, Di Maria, e depois Aimar, voltaram a ser os reis da festa. O trio argentino esteve no que de melhor o Benfica fez em campo, não esquecendo a eficácia de Óscar Cardozo (melhor marcador também já na Liga Europa), e o bom regresso de David Luíz a uma posição que já conhecia, e na qual mostrou ser, para certas ocasiões (para outras será Fábio Coentrão), a melhor opção do plantel benfiquista.
Da noite do Goodison Park lamenta-se a lesão de Ramires. Mesmo sem a preponderância que assumira no início da temporada, o médio brasileiro é peça chave no equilíbrio do meio-campo encarnado. A paragem que se avizinha no campeonato pode ser providencial, mas a forma como Ramires saiu do campo não augura nada de bom.
A arbitragem deixou passar um lance de penálti na área do Benfica (agarrão de David Luíz), e poupou um cartão vermelho a Yakubu - o golo de Cardozo é legal, pois a bola vem de um defesa britânico. Tais erros não se podem considerar graves dada a forma criteriosa como sempre permitiu que se jogasse, evitando interrupções no espectáculo. Sem Jorges Sousas, o Benfica provou que a crise que muitos já lhe vaticinavam não passou afinal de pequena nuvem num céu cada vez mais estrelado.
Agora há que conquistar o pontinho que falta na visita à Bielorrússia, de modo a que no jogo com o AEK, três dias antes de receber o FC Porto, seja possível poupar todos os titulares.

05/11/09

NA ROTA DA EUROPA

O Everton joga em casa, tem o orgulho ferido e quererá vingança. Não se esperam pois facilidades para o Benfica, num estádio que diz muito a Eusébio.
Este jogo não chega num bom momento, pois uma segunda derrota em poucos dias pode comprometer a onda de entusiasmo e confiança de que a equipa tem desfrutado até agora.
Um triunfo quase resolveria a questão do apuramento, mas o empate está longe de ser um mau resultado. A derrota, para além do eventual efeito psicológico, obrigará o Benfica a horas extraordinárias, deixando irremediavelmente a decisão para o último jogo em casa, diante do AEK, a três dias de receber o FC Porto para o campeonato.
Aimar e Quim ficarão de fora, e eu faria descansar também Saviola, para assim dispôr de um trio atacante a todo o fulgor no jogo frente à Naval (Aimar, Saviola e Nuno Gomes, pois Cardozo estará, como se sabe, impedido). Não creio que Fábio Coentrão seja, para já, uma aposta a descartar para o lado esquerdo da defesa (apesar daquele lance infeliz em Braga). A entrada de Sidnei e o deslocamento de David Luíz para a esquerda é também uma hipótese a considerar.

04/11/09

O QUE LUZ É OURO

Como se vê, mais milhar de euros, menos milhar de euros, os investimentos efectuados pelo Benfica nos últimos anos são valores seguros no património desportivo e financeiro do clube. As grandes vitórias ainda não apareceram, mas é inegável a forte valorização de activos como Di Maria, Cardozo, David Luíz, Fábio Coentrão ou Ramires, face ao montante pelo qual foram adquiridos, e que então foi objecto de críticas.
É um facto que os valores considerados na coluna da direita são subjectivos, e dependem, quer das oscilações de mercado, quer do que a equipa fizer até final da época, podendo nalguns casos descer, noutros inclusivamente subir. Mas quaisquer que sejam eles, o grau de valorização nunca será muito inferior a 100%, ou seja, ao dobro do investimento efectuado.
Estão aqui os onze titulares no último jogo, e todos os jogadores adquiridos por mais de 4 milhões de euros. Está aqui a maior fatia do investimento do Benfica nos últimos anos.
Daí para baixo há os casos Balboa e Makukula (os dois únicos maus negócios no que diz respeito a aquisições), mas, para os colmatar, também há muitos jovens cuja evolução poderá supreender e permitir encaixes significativos nos próximos anos.

CONTAS CERTAS

Tinha pensado escrever um artigo de fundo sobre as contas do Benfica, mas depois de ler isto, pareceu-me que, por agora, pouco haveria a acrescentar.
É provável que volte ao tema (talvez no jornal do clube). Digo apenas que na gestão específica de um clube de futebol existem dois tipos de ciclos:
1) investimento - reforço competitivo - resultados desportivos - aumento de militância - incremento de receitas - mais investimento - maior reforço competitivo - etc-etc
2) contenção - decréscimo competitivo - perda desportiva - diminuição de militância - quebra de receitas - mais contenção - maior decréscimo competitivo - etc-etc
Outros caíram neste segundo ciclo. Felizmente que o Benfica optou pelo primeiro, até porque, bem vistas as coisas, os riscos (que de facto existem) acabam por ser menores.

03/11/09

EM CAMPO UM CAMPEÃO, NA JUSTIÇA UMA CANÇÃO

Antes ainda do Conselho de Disciplina da FPF se pronunciar, tinha aqui escrito que o título de Juniores estava, para mim, entregue. O jogo de Alcochete não era uma final, mas sim a última jornada de uma “poule” cuja classificação o Benfica comandava isolado, facto que os 26 minutos então disputados naquele local não deram sinais de vir a alterar.
A minha confiança nas instituições federativas (seja o Conselho de Disciplina, seja o Conselho de Justiça), nas instituições judiciais (Tribunais), e até nas forças policiais (neste caso a GNR) é nula, pelo que não encontro relevância, para além da formal, na maioria das suas decisões. Só acredito no que vejo, e as imagens veiculadas pelas televisões mostram adeptos do Sporting em confronto com as forças de segurança no meio do relvado, mostram adeptos do Sporting a atirar tochas para a parte de fora do recinto (onde estavam os do Benfica), e mostram adeptos do Sporting a arremessar pedras desde a bancada no momento da entrada dos benfiquistas. Provavelmente os mesmos adeptos do Sporting que este fim-de-semana tentaram invadir a sala de imprensa, tentaram vandalizar o parque de estacionamento de Alvalade, e foram, a tiro, obrigados a dispersar pelo Corpo de Intervenção da PSP.
Acresce que, ao que se sabe, o Benfica propôs a repetição do jogo nos dias seguintes, num local seguro, proposta que o Sporting não acolheu. Era a última oportunidade dos leões tentarem alcançar o título dentro das quatros linhas, hipótese que recusaram, preferindo apostar na secretaria, e nas incompetências, imbecilidades, iniquidades, atropelos, manobrismos, irresponsabilidades, golpadas e afins em que os juristas, e em particular os das instâncias desportivas, são ilustres especialistas.
O Conselho de Justiça que diga pois o que quiser, que envie a taça para onde quiser, que promova uma festa se assim entender. Para mim os campeões foram encontrados no campo, em Junho, e são Nelson Oliveira, Roderick, David Simão, Leandro Pimenta, Yartey e companhia. Foram eles que conseguiram mais pontos (ver classificação abaixo), e é isso, apenas isso, o motivo do meu orgulho benfiquista. O resto são tretas jurídicas, daquelas que nos últimos anos tanto têm envergonhado o país, no quadrante desportivo e não só.
Aliás, convém referir que, além do título de Juniores, o Benfica conquistou também os de Iniciados, Infantis e Escolas (estes dois de âmbito regional). E esta época lidera todas as classificações de todos os escalões.

FOLHETIM DE SEGUNDA

O que espera Paulo Bento para se demitir?
Não está em causa a sua capacidade (que aprecio), nem sequer os resultados obtidos. É já uma questão de dignidade, de auto-estima, e de respeito por si próprio.
Acompanho o futebol há muitos anos, e não me recordo de uma situação como esta. Para Bento, mas também para o Sporting, não há retorno possível. Quando se chega a este ponto, só a mudança assegura a necessária estabilidade, mesmo que a médio prazo os problemas se voltem a fazer sentir, mesmo que o treinador seja (como é) o menos culpado da situação criada.
Ser competente não basta. Há dinâmicas que se ganham e que se perdem, há tempos próprios e tempos perdidos. Um clube de futebol não é um banco, coisa que Bettencourt talvez ainda não tenha percebido cabalmente.
Por mim podem continuar assim. Mas não creio que o Sporting tenha muito a ganhar em arrastar todo este dramático folhetim por mais semanas.

02/11/09

UM CLUBE PROSTITUÍDO

O ambiente criado em torno do jogo com o Benfica fez lembrar os negros e sinistros tempos do guarda Abel.
É uma pena que um clube como o Sporting de Braga enverede pelo caminho dos cozinhados estilo casas de alterne, da violência gratuita, da xico-espertice saloia e pacóvia, dos fogos de bastidores, do provincianismo mais serôdio, que Pinto da Costa, Reinaldo Teles e a sua gente trouxeram para o desporto português há quase trinta anos.
Se pensam que assim vão seguir as pisadas dos mentores, estão enganados. O mundo mudou, e não haverá mais "FC Portos" em Portugal. E o que resta, tem os dias contados.

CLASSIFICAÇÃO REAL

O jogo de Braga vai ficar nos registos desta edição da Liga como aquele em que, até agora, maior influência da arbitragem se fez sentir. Um verdadeiro tratado de manipulação, a lembrar os velhos tempos de Lourenço Pinto, irmãos Calheiros e José Guímaro.
Mas também em Alvalade há coisas para contar.

FC PORTO-BELENENSES
Na passada sexta-feira, à hora do jogo do FC Porto, estava eu a ver uma belíssima peça de teatro, coisa que nunca trocaria por uma qualquer partida daquela equipa. O espectáculo terminou já perto da meia-noite, pelo que só quando cheguei a casa tomei conhecimento do resultado pelo teletexto – meio pelo qual, curiosamente, também me foram dadas a conhecer as derrotas portistas da época passada frente a Naval e Leixões.
Não sendo supersticioso, não garanto que não volte a esperar tranquilamente pelo fim do próximo jogo do FC Porto, para só depois consultar o resultado no teletexto. Não sei se o farei, mas ficar quase duas horas a ouvir cornetas e cânticos ofensivos, e a ver Brunos Alves e Rolandos, não é provável que aconteça.
Vale isto por dizer que pouco ou nada sei do que se passou no Dragão, pois apenas vi um resumo muito rápido, com três ou quatro lances, e quase sem repetições. Deu para perceber que há um golo duvidosamente anulado ao FC Porto, mas terei de rever o lance para me poder pronunciar.
Por enquanto o resultado real mantém-se: 1-1

SP.BRAGA-BENFICA
Logo num dos primeiros lances, ficou por mostrar um cartão amarelo a Cardozo. Conhecendo Jorge Sousa, confesso que fiquei espantado. Mas não seria necessário esperar muito tempo para perceber que, afinal, tudo iria voltar à "normalidade".
Veja-se:
- Dois livres perigosos perdoados por mão na bola de jogadores do Sp.Braga perto da sua área;
- Em cerca de vinte minutos estavam amarelados David Luíz (este não se percebendo porquê), Fábio Coentrão e Javi Garcia, precisamente os três elementos preponderantes nas transições defensivas do Benfica, e logo, mais atreitos a ter de cometer novas faltas;
- Golo limpo anulado a Luisão;
- Lance duvidoso de penálti que originou cartão amarelo para…Saviola, que foi efectivamente tocado no joelho pelo defesa do Sp.Braga;
- Pontapé de canto subtraindo ao Benfica, num lance em que Ramires não toca na bola antes dela sair pela linha de fundo, impelida por um jogador bracarense;
- Expulsão de Cardozo (melhor goleador do Benfica e do campeonato) depois de ter sido agredido três vezes, nada acontecendo a Ney, Eduardo, Mossoró e outros elementos do staff bracarense, todos tomados por uma loucura própria de quem não está totalmente em si;
- Segundo cartão amarelo perdoado a João Pereira nos minutos iniciais da segunda parte, depois de falta exactamente igual à de Fábio Coentrão no lance do primeiro golo;
- Corte com a mão de Evaldo cerca dos 60 minutos de jogo sem correspondente marcação de penálti;
- Amarelo por mostrar a Rodriguez por falta exactamente igual à de Javi Garcia na primeira parte;
- Lance duvidoso de penálti sobre Di Maria, embora o argentino ainda consiga rematar para defesa de Eduardo;
…e é o que me recordo, mesmo sem recorrer a qualquer cábula.
Não adianta os jornais virem agora dizer que o Braga é isto e aquilo, que o Benfica errou aqui e ali, pois a verdadeira raiz deste resultado está na arbitragem de Jorge Sousa.
Sim. Foi por causa do árbitro que o Benfica perdeu, e quem disser o contrário mente.
Como os cartões não contam para a classificação, aqui a coisa fica-se por um empate (considerando o golo de Luisão e o pénalti de Evaldo). Mas com uma arbitragem isenta e justa o Benfica teria ganho, e estava agora com 5 pontos de vantagem do FC Porto, e 12 sobre o Sporting.
Resultado Real: 2-2

SPORTING-MARÍTIMO
A expectativa em torno da situação de Paulo Bento fez-me ver este jogo quase por completo.
Embora existam dois lances duvidosos na área do Sporting – um corte com o cotovelo, e um eventual derrube de Miguel Veloso a Marcinho -, há que dizer que o erro mais claro de Cosme Machado ocorreu na área contrária, quando considerou fora da área um derrube a Hélder Postiga já dentro dela, no início da segunda parte.
Se nos dois primeiros casos se poderá dar o benefício da dúvida ao critério do árbitro, neste trata-se de um erro claro, que prejudicou o Sporting (ou talvez não, a avaliar pela posição de alguns adeptos face ao treinador).
Resultado Real: 2-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 25
Sp.Braga 20
FC Porto 18
Sporting 15

Etiquetas:

A BRAGA O QUE É DE BRAGA, A SOUSA O QUE É DE SOUSA

Imaginava-se que, mais tarde ou mais cedo, o Benfica acabasse por perder um jogo. Desejava-se que tal eventualidade, a ter de suceder, se devesse tão somente a uma grande exibição de uma equipa adversária, ou mesmo a uma noite azarada dos jogadores do Benfica.
Se estas duas condições, em parte, também se verificaram em Braga, a verdade é que a primeira derrota do conjunto de Jorge Jesus foi fortemente influenciada por terceiros, nomeadamente por Jorge Sousa, árbitro do Porto.
Um golo mal anulado, um lance de possível penálti – por mão de um defensor bracarense (Rodriguez? Evaldo?) dentro da área, já na segunda parte, que só uma fortuita repetição televisiva permitiu ver, e que, sabe-se lá porquê, não foi mais mostrado -, e uma expulsão perdoada a João Pereira, por falta absolutamente idêntica à que originou o primeiro golo e valeu o amarelo a Fábio Coentrão, foram por si só factos suficientes para alterar e condicionar o rumo de um jogo equilibrado. Chegando ao empate (todas aquelas ocorrências se verificaram com o resultado em 1-0), o Benfica poderia abordar a partida com muito maior segurança. Em superioridade numérica teria muito mais espaço para impor o seu futebol. Desse modo, o desfecho final seria, com alto grau de probabilidade, bem diferente.
Mas não é tudo. A expulsão de Óscar Cardozo deixa muitíssimas interrogações no ar, até porque as imagens televisivas da entrada no túnel mostram o avançado paraguaio a ser triplamente agredido, e mostram vários jogadores bracarenses de cabeça perdida (será das malas cheias de dinheiro?, será doping?), não se detectando qualquer comportamento incorrecto da parte dos elementos da equipa benfiquista no local. Só imagens do interior do túnel poderão esclarecer o que efectivamente se passou, mas o comportamento parcial e habilidoso de Jorge Sousa ao longo da partida, naquilo que todos vimos, não pode deixar de provocar desconfianças sobre o que não vimos.
É uma pena que tão grandioso espectáculo de futebol se veja adulterado desta forma, mas já se calculava que este tipo de adversário acabasse por emergir. É no fundo dos árbitros, dos seus assistentes, dos observadores e de todo esse exército de perversão que o Benfica pode ter fundado receio. São eles que o podem derrotar. Mas este ano, talvez não o consigam fazer muitas vezes.
Mesmo contra doze, o Benfica fez mais do que o suficiente para não perder o jogo. Criou 4 ou 5 flagrantes ocasiões de golo, marcou um golo limpo, dominou grande parte de um jogo frente a um adversário cujos méritos (inegáveis) residiram mais na forma como manietou algumas unidades benfiquistas (sobretudo Aimar), não as deixando jogar, do que na forma como se impôs em campo, coisa que na verdade só conseguiu no primeiro quarto de hora. A manter a agressividade que mostrou, este Braga será candidato ao título. A jogar como jogou, não vejo o Benfica a perder muitas vezes, salvo se para a derrota for empurrado pelos Jorges Sousas do nosso futebol. Pelo que fez, a equipa de Jesus deve sair de cabeça bem erguida, e mostrar que os grandes campeões não se vêm quando caem, mas sim na forma como rapidamente se levantam.

30/10/09

UMA ESPÉCIE DE CLÁSSICO

Qualquer que seja o resultado do escaldante jogo de Braga, ambas as equipas ocuparão os dois primeiros lugares da tabela classificativa no final da jornada. Não é pois, nem pouco mais ou menos, um jogo decisivo.
Não é também, por muito que alguns o possam tentar insinuar, um teste definitivo para qualquer dos conjuntos. O Sp.Braga já ganhou ao FC Porto e ao Sporting, e não será um eventual desaire perante o líder que lhe irá comprometer a época. O Benfica já fez o suficiente (no Restelo, na Mata Real, com o Everton, com o Nacional etc) para merecer todo o crédito, mesmo que uma qualquer partida lhe venha a correr menos bem - até porque este é um dos três mais difíceis jogos de toda a Liga, e se vencerem os outros 27, os encarnados serão seguramente campeões.
Quem espera goleadas também não terá o gosto feito. A equipa de Domingos Paciência tem a melhor defesa do campeonato, joga em casa, e constituirá com certeza um adversário duríssimo para o Benfica. Mesmo sendo de atribuir algum favoritismo aos lisboetas (até por Jesus conhecer melhor o adversário), este tipo de jogos é normalmente decidido por detalhes, e assim deverá suceder uma vez mais.
Direi mesmo que, enquanto adepto do Benfica, não ficaria desiludido com um empate. Um eventual nulo permitiria manter a liderança e a invencibilidade, e estou em crer que não beliscaria minimamente a confiança da equipa face aos compromissos seguintes. Um campeonato não é um jogo de computador, e se há momentos em que o pragmatismo pode fazer campeões, este talvez seja um deles.
Espera-se que Jorge Sousa não estrague um espectáculo que tem todos os ingredientes para ser belo e apaixonante.

29/10/09

CASO PARA DESCONFIAR...

(clique para aumentar)
Não disponho dos dados anteriores, mas lembro-me de uma eliminação na Taça de Portugal, na Luz, diante do V.Guimarães, com um golo solitário obtido após domínio de Flávio Meireles com a mão; e com o mesmo adversário, de um penálti estapafúrdio por alegado encosto de Luisão a Romeu em 2004-05, num jogo disputado em Felgueiras.
É tido como um dos melhores árbitros portugueses, mas, que diabo, com este curriculo, nada aconselhava a sua nomeação para este jogo.
Também é verdade que as alternativas (Benquerença, Proença, etc) eram de fugir...

A SOCIEDADE PERFEITA

9 golos nos últimos dois jogos, 36 golos na temporada. Quem poderá parar Cardozo e Saviola ?

28/10/09

CLASSIFICAÇÃO REAL

Esta terá sido, provavelmente, a jornada com mais decisões polémicas, desde que se iniciou a Liga.
Em todos os jogos se verificaram vários erros graves, ainda que em termos de pontos só uma partida (a de Vila do Conde) origine correcções.
RIO AVE-SP.BRAGA
Apenas vi os golos, e na verdade, o do Rio Ave nasce de uma falta de João Tomás. Depois de tantas ajudas, chegou a vez do Sp.Braga também ser penalizado pelas arbitragens.
Resultado Real: 0-1

FC PORTO-ACADÉMICA
Uma arbitragem caótica deixou a sua marca em quase todos os golos. Mas logo na primeira parte, ao não sancionar um penálti cometido por Bruno Alves, Hugo Miguel começou a errar.
O central portista escapou, aliás, duplamente à expulsão. Quer nos dois amarelos que deveria ter visto e não viu, quer no vermelho que ficou por mostrar quando agrediu de forma selvática um seu adversário, primeiro com o cotovelo, depois com a bota, em mais uma demonstração de violência e da respectiva impunidade. Nada que não estejamos já habituados a ver nos relvados portugueses.
Esse lance (o da agressão) é impressionante. A forma como Bruno Alves o disputa é verdadeiramente elucidativa daquela que é a sua postura em campo, e deixa no ar a interrogação: será apenas a agressividade de quem quer ganhar e sabe que o pode fazer por todos os meios ? ou será mais alguma coisa ?
Um golo obtido por Farias em fora-de-jogo completa o ramalhete de ajudas aos da casa.
Mas há que dizer que ambos os golos da equipa estudantil ficaram também marcados pela ilegalidade. No segundo não tenho dúvidas, há mesmo mão na bola. No primeiro gostaria de ver outra imagem, mas infelizmente (por acaso ou não) a RTP apenas disponibilizou uma, onde parece haver infracção, mas não fica a certeza absoluta de tal acontecer. Sendo os indícios demasiado fortes, devo todavia, em justiça, retirar ambos os golos à Académica.
Resumindo, o Porto marcaria apenas duas vezes, e a Académica uma (a do penálti). Bruno Alves teria sido expulso com a sua equipa em desvantagem, mas todas as conjecturas que se possam fazer sobre essa eventualidade carecem de objectividade.
Resultado Real: 2-1

BENFICA-NACIONAL
Outra arbitragem péssima, igualmente com prejuízos para ambos os lados.
Na primeira parte assistiu-se a um verdadeiro show do fiscal-de-linha (chamemos-lhes assim) do lado dos bancos. Faltas mesmo nas suas barbas que fez que não viu, desorientação total, e para culminar, a validação do golo do Nacional, obtido em claro fora-de-jogo. Perto do intervalo foi poupada a expulsão a Patacas, que já com cartão amarelo protagonizou uma entrada violenta sobre Di Maria, passível de lhe valer o segundo cartão.
Ao intervalo temi o pior. Pensei como seria fácil a meia-dúzia de indivíduos vestidos de negro, reduzir a cacos toda a exuberância e talento de uma grande equipa de futebol.
Obviamente que o Estádio da Luz não podia ficar calado. A assobiadela monumental com que brindou a equipa de arbitragem ter-lhe-á feito sentir os erros que tinha cometido, e admito que o penálti (inexistente) assinalado aos três minutos da segunda parte possa ter tido origem nessa má consciência. Tenho dúvidas que exista simulação (parece mais um tropeção ou uma escorregadela), mas, de facto, não havia qualquer razão para grande penalidade.
Os erros não se ficaram por aqui.
Pouco depois, novamente o mesmo fiscal-de-linha (e como seria bom saber os seus nomes, de onde são, como apareceram no futebol etc), anula um lance de ataque ao Benfica que culminaria num golo de Saviola. Mais tarde, foi novamente a vez do Benfica ser favorecido, com a marcação da falta que originou o 5º (?) golo e expulsão (mais tardia do que injusta) de Patacas, num lance em que Ruben Amorim tropeça nas suas próprias pernas.
Espero não me estar a esquecer de mais nenhum lance.
Um grande espectáculo não pode ser apagado por uma exibição desastrosa do árbitro, para mais, quando acabou por não ser ele a definir o vencedor. Mas esta arbitragem prova a falta de categoria de alguns árbitros, e a falta de cuidado de Vítor Pereira ao nomeá-los para certos jogos.
Resultado Real: 5-0

V.GUIMARÃES-SPORTING
Dois erros claros marcam este jogo, um para cada equipa.
No lance do golo anulado a Caicedo, o equatoriano está em linha no momento do passe, pelo que se trata de um equívoco do assistente. Por outro lado, há um penálti, também na primeira parte, cometido por Vukcevic junto da linha de fundo, e que Olegário Benquerença não terá visto.
São ambos lances difíceis de avaliar sem recurso às repetições televisivas. Mas com estas, percebe-se claramente que os erros aconteceram.
No golo do Sporting, quando é efectuado o passe, Matias Fernandez está atrás da linha da bola, nada havendo assim que apontar à decisão do auxiliar.
Resultado Real: 2-2

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 24
Sp.Braga 19
FC Porto 17
Sporting 12

Etiquetas:

LEÃO SEM JUBA

Apesar de toda a cortina depressiva que se estende em redor da equipa, a verdade é que Sporting não está a fazer em 2009-10 muito pior do que fez nas últimas épocas.
Faz agora um ano (estávamos pois em 2008-09), os leões acabavam de perder em casa com o Leixões, e tinham, à 8ª jornada, somente mais um ponto do que têm agora – e os mesmos que somavam em 2005-06. Há duas épocas (2007-08) tinham perdido 9 pontos nos primeiros oito jogos, o que também está longe de ser um registo empolgante. Em 2006-07 fizeram um pouco melhor, cedendo ainda assim 7 pontos.
Com a excepção de 2006-07 (em que estava por esta altura a apenas 2 pontos da liderança), a regra deste período tem-nos mostrado o Sporting a atrasar-se logo na alvorada do campeonato, ficando rapidamente para trás no comboio de um título que não vence desde 2002. Tudo foi sempre tolerado, tudo foi sempre entendido. Só esta época a contestação se generalizou.
O que mudou agora?
A resposta é clara: o que mudou, e muito, foi o…Benfica.
A relação do Sporting com o Benfica tem algo de doentio, e está muito para além da rivalidade natural entre dois grandes clubes. Trata-se no fundo de uma relação de dependência, ou, sendo um pouco mais duro, de subalternidade.
Na verdade, o Sporting não sobrevive sem o Benfica (sua verdadeira razão de ser), e os seus adeptos, mais do que com as vitórias próprias, satisfazem-se com os fracassos do vizinho - algo que não se vê, na mesma medida, no FC Porto, cujas glórias internacionais permitiram libertar para uma espécie de auto-suficiência desportiva.
Essa atitude paroquiana do mundo sportinguista é a principal responsável pelas ilusões em que o clube embarcou nos últimos anos: a de que discutia verdadeiramente os títulos com o FC Porto, a de que tinha crescido competitivamente face ao passado, e a de que tinha deixado o Benfica irremediavelmente para trás.
Já aqui demonstrei que, ao contrário do que as classificações finais possam indiciar (e do que em Alvalade se apregoa), foi o Benfica, e não o Sporting, a dar alguma luta à hegemonia FC Porto nestes anos: já depois dos dois segundos lugares de Camacho, do título de Trappatoni, e da Liga dos Campeões de 2005-06, foi o Benfica de Fernando Santos que a sete jornadas do fim discutiu a liderança com o FC Porto na Luz (1-1), foi o Benfica de Quique que comandou a classificação durante dois meses e foi campeão de Inverno, e até Camacho, quando se demitiu, mantinha o 2º lugar com 6 pontos de avanço sobre o Sporting. Só a total desmobilização encarnada sempre que se viu afastado do primeiro lugar foi permitindo ao Sporting (fortemente motivado pela perspectiva de ultrapassar o rival) chegar ao segundo. Em termos internacionais, outro equívoco: nas últimas quatro épocas o Benfica participou em tantas edições da Liga dos Campeões como o Sporting, chegando numa delas aos quartos-de-final, algo que o Sporting não conseguiu.
Desde 2005 – quando, com Peseiro, jogava um excelente futebol, mas ficou, pela última vez, atrás do Benfica – o Sporting não melhorou em nada. Limitou-se a aproveitar os problemas do rival para, com segundos lugares fortuitos, satisfazer adeptos pouco exigentes. O estado actual do clube de Alvalade não significa mais do que o esbarrar com a realidade que a crise benfiquista foi escondendo.
Culpas de Paulo Bento? Não creio. Olhando para o onze apresentado esta noite em Guimarães, vemos no Sporting um grande jogador (Liedson), um bom jogador (João Moutinho), três jogadores razoáveis (Miguel Veloso, Vukcevic e Matias Fernandez), e tudo o resto é mediocridade.
Outro problema de fundo do clube reside, por paradoxal que pareça, na aposta na formação. Jogadores como Daniel Carriço, Adrien Silva, Yannick Djaló, Carlos Saleiro, André Marques, Bruno Pereirinha ou mesmo Rui Patrício, no Benfica ou no FC Porto estariam seguramente emprestados (ou dispensados), enquanto no Sporting – para além das necessidades decorrentes de uma situação financeira débil - parece haver sempre quem espere deles novos Cristianos Ronaldos, Simãos ou Nanis (que, verdade se diga, há muito deixaram de aparecer em Alcochete). A estratégia de privilegiar a formação é bonita, simpática, pode até ser interessante em termos económicos, mas não dá títulos. E esse balanço está por fazer em Alvalade.
Ao treinador será lícito argumentar com as debilidades orçamentais. Já quanto aos dirigentes tal não faz o menor sentido, pois é a eles, e a mais ninguém, que cabe a tarefa de encontrar formas de eliminar essa limitação. Embora Paulo Bento pareça cada vez mais impotente para reverter uma situação que, nos termos actuais, é de facto irreversível, seria apropriado ver José Bettencourt assumir também algumas responsabilidades. Ou então, pelo menos, dizer a verdade aos sócios e adeptos: o Sporting está de tanga, tem uma equipa miserável, e assim não pode ser candidato a coisa nenhuma, tendo de encetar um longo caminho (porventura de alguns anos) até recuperar o seu estatuto histórico no futebol português. Nada que o Benfica não tenha feito desde 2001, ao que parece, com sucesso.