18/01/17

...SÃO OS ÁRBITROS

Contratações de Bruno Carvalho (2013-2016):

ALAN RUIZ
ANDRÉ
AQUILANI
BARCOS
BRUNO PAULISTA
CAMPBELL
CASTAIGNOS
CISSE
DOUGLAS
DRAMÉ
ELIAS
EWERTON
GAULD
HELDON
JOÃO PEREIRA
JONATHAN
JUG
MAGRÃO
MARKOVIC
MELI
NALDO
PETROVIC
PIRIS
RABIA
ROSELL
SACKO
SARR
SHIKABALA
SLAVCHEV
SPALVIS
TANAKA
VÍTOR
WELDINHO
ZEEGELAAR

CALENDÁRIO DE COMPETIÇÕES - uma ideia

Para concretizar aquilo de que falei no artigo anterior, segue uma proposta de calendário de competições futebolísticas, considerando a temporada 2017-18.
Este exercício demonstra como seria viável um campeonato nacional com 8 equipas a 4 voltas (dois jogos ao sábado, e dois ao domingo, sempre às 16.00 e às 19.00), uma taça de Portugal com os grandes a entrarem desde o início, sempre a uma volta e com sorteio puro, e as competições de selecções no mês de Julho (com uma única convocatória, e muito mais tempo de preparação conjunta). 
O mercado estaria aberto apenas em Junho e Julho. E os meses de Dezembro e Janeiro eram dedicados às taças. 
Era isto que eu um dia gostaria de ver. 
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16/01/17

O CRIME COMPENSA?

É provável que três golos irregulares, em pouco mais de dez minutos, constituam recorde na história da arbitragem.
Errar é próprio do homem. Eu acrescentaria que ceder, quando se é avassaladoramente pressionado, ameaçado e intimidado, também faz parte do incontável conjunto das fraquezas humanas. Temia-se, por isso, que a gritaria dos últimos tempos tivesse consequências. Ei-las: em duas jornadas, dois pontos oferecidos ao Sporting, um ponto regalado ao FC Porto, dois pontos subtraídos ao Benfica. Era isto, e não tanto a Taça da Liga, que eles queriam.
Mas o que mais me agastou no sábado passado foi voltar a ver uma equipa a tentar jogar, e a outra a… não deixar que se jogasse.
Não falo de tácticas. Aceito um 10-0-0 como a mesma legitimidade de um qualquer 4-3-3. É futebol, e até nem foi o caso do Boavista durante a primeira parte.
Falo, sim, de uma chico-espertice saloia - tão tipicamente lusitana -, que no nosso campeonato se traduz em constantes simulações, quebras de ritmo, provocações a adversários e ao público, teatralidade nas substituições, comum à maioria das equipas que nos visitam, e que conta sempre com a complacência dos juízes.

O lugar desta gente era, obviamente, na segunda divisão. Mas o corporativismo dos agentes futebolísticos do país impede aquilo que, a meu ver, resolveria o problema: uma Liga com oito clubes, que agregasse os melhores jogadores, treinadores e árbitros, bem como, redobradas audiências e patrocínios. Muitos ficariam sem emprego, mas nós adeptos, que directa ou indirectamente lhes pagamos a todos, ficávamos com espectáculos de maior dignidade.

10/01/17

ATÉ À MORTE!



Bandeiras bailam com o vento,
Em longas bancadas sem fim.
Cúmplice, a relva chama o olhar.
E recebe os soldados no momento,
De uma guerra sem mártires que assim,
Em vez de fazer morrer faz amar.

As faces enchem-se de ansiedade.
As almas, de uma fé contagiante.
As vozes condensam num só grito,
Os ecos de uma indómita vontade,
E de um delírio deveras contrastante,
Com quem nos roga conflito.

Um tórrido calor no coração.
Nas mãos, a humidade agreste.
Mais do que a vida, mais do que a morte.
Tal a força desta paixão,
Ou da glória que a angústia veste.
Rasga-se o fado, e reza-se a sorte.

Começa o jogo. Há um apito.
Não. Não é jogo, que isto é dança!
Cor de sangue, cor de luta, cor de gente,
Guiado por uma sede de infinito,
Sobre o tapete verde da esperança,
Um vermelho vivo e ardente.

E quando a rede balança, rendida,
Quando o povo perde a lucidez,
Será golo, será poema, será mito?
Abraça-se a família reunida,
Querendo repetir mais uma vez,
O sabor deste prato favorito.

Hora e meia voa, terminada.
Após louca e cega comoção,
Foi-se o sofrimento que flagela.
E com orgulho na grandeza legada,
Devolvidos ao mundo da razão.
Ganhámos! A vida é bela.

Ninguém tolhe este sentimento vespertino.
Este lacrimejar doce e brilhante,
Que não deixa contentar-nos de contentes,
Que nos prende por escolha a um destino,
Forte, firme, nobre e vibrante.
O de servirmos a ti, que sempre vences.

Sem ostentação fútil de vaidade,
Depois de ter a lua, somos gente.
Gente bem mais densa e bem mais forte.
Voltaremos, muitas vezes, na verdade,
A amar-te assim perdidamente,
Sempre, e sempre, e sempre, até à morte.     

LF                                             

09/01/17

GRITEM MAIS ALTO!

A história repete-se. Benfica na frente do Campeonato é sinónimo de desespero, e consequente espernear dos rivais. Os pretextos variam: foi o Estoril, o Túnel, o Colinho, os Vauchers, quase sempre as arbitragens.
Os objectivos são claros: iludir fracassos próprios, subtrair méritos alheios, e condicionar os juízes para o que se segue. Se o Benfica conquistar o Tetra, como esperamos, no dia seguinte calam-se todos, como também tem sido hábito.
Os vizinhos da 2ª circular, por exemplo, mesmo com dois penáltis perdoados a Coates nas últimas duas partidas, não deixam de fazer barulho. Além de uma proverbial azia, têm eleições para breve. Que se enganem entre eles, pois a nós, não só não enganam nem comovem, como reforçam a união e a motivação rumo ao grande desígnio da temporada. E, francamente, cá de cima, já há dificuldade em ouvi-los. Terão, talvez, de gritar mais alto…
O que temo é que os próprios árbitros não tenham coragem para resistir a tamanha pressão. É um desafio que se lhes coloca, e ao qual estaremos atentos.
Há que manter vigilância também sobre outras questões, tais como quem empresta jogadores a quem, quem treina quem, ou quem estabelece parcerias com quem, em face de alguns jogos do Campeonato e da Taça a ocorrer no próximo mês e meio.
Na época passada assistimos a algumas situações esquisitas (Sporting-U.Madeira, Benfica-V.Guimarães, etc). Sabemos que, neste momento, nos confrontamos com gente sem escrúpulos, capaz de tudo, e que quer, à força, ganhar fora do campo o que há muito não consegue dentro dele.

O Benfica está destacado no 1º lugar, mas não está a dormir. 

A GRITARIA JÁ RENDE

Parece que a gritaria já está a render :
Em Paços penalti perdoado ao FCPorto.
Em Alvalade golo fora de jogo e mais um penalti de Coates não assinalado.

06/01/17

UM DESAFIO À CORAGEM DOS ÁRBITROS

Não tenho dúvidas de que os violentíssimos ataques, esses sim orquestrados, das duas facções do segundo maior clube de Portugal, o Anti-Benfica, apenas vão reforçar a união e a força do maior clube de Portugal, o Sport Lisboa e Benfica.
O que já não tenho certeza é de que os árbitros tenham a coragem e a força mental (nalguns casos, até a vontade) necessárias para resistirem a tamanha pressão.
A próxima jornada é pois um desafio à coragem dos árbitros. À coragem de não se deixarem perturbar por quem tão violentamente os pressiona, os ataca, os ameaça, e os intimida.
Que sejam Homens! 

05/01/17

...E O PENÁLTI SOBRE ZIVKOVIC?

Não é por se gritar muito que se passa a ter razão.
A barulheira que se ouviu nesta jornada da Taça da Liga assume contornos surrealistas, e não pode ficar sem resposta. O silêncio seria cúmplice. 
Percebe-se o objectivo: condicionar as próximas arbitragens do Campeonato, nomeadamente a do V.Guimarães-Benfica.
Mas os factos são o que são. Vamos por partes:

BENFICA-VIZELA
Ficou um penálti claro por marcar, na primeira parte, numa falta sobre Zivkovic que o árbitro transformou em livre fora da área.
Os encarnados meteram quatro golos. Ninguém se queixou.

MOREIRENSE-FC PORTO
Lances de possível penálti como o de André André e Pedro Rebocho existem às dezenas, em todos os estádios europeus, e raramente são marcados. Houve um igual no Marítimo-Benfica, sobre Salvio, de que pouco se falou. Por acaso, no FC Porto-SC Braga, foi assinalado um sobre André Silva, em lance semelhante (que também deixou muitas dúvidas). 
São decisões extremamente difíceis de tomar para um árbitro no campo, por vezes longe, por vezes coberto, e levantam incerteza mesmo depois de várias repetições televisivas. Podia ser, podia não ser. Está longe de se tratar de um erro grosseiro, e nem sei mesmo se terá sido um erro. Concedo.
A expulsão de Danilo compreende-se perfeitamente, e só por má fé se poderá ridicularizar algo que, numa análise mais serena, se torna óbvio. Em primeiro lugar, o cartão foi amarelo (só resulta em expulsão porque o jogador já tinha visto outro). Em segundo lugar, o encosto começa efectivamente no movimento do árbitro, mas a forma como o médio portista reage ao mesmo tem muito pouco de inocente. Não se ouvem as palavras, mas percebe-se que elas existem, e o gesto também é claro (um "chega para lá" ostensivo, muito pouco desportivo, e nada respeitador), agravado pela reacção após a exibição do cartão. Recordemos que, nesse mesmo instante, toda a equipa portista estava a reclamar um atraso ao guarda-redes adversário (reclamação, também ela, sem fundamento, mas que ajuda a perceber o contexto do caso).
O FC Porto ficou em último lugar do grupo, e só marcou um golo em três jogos (dois deles em casa). Terá sido por causa das arbitragens que não se apurou?

V.SETÚBAL-SPORTING
Ninguém fala do penálti por assinalar aos 71 minutos, cometido por Coates na área sportinguista (conforme documenta a imagem acima). Porquê? Não sei.
Quanto ao último lance da partida, também ele é muito difícil de analisar em campo. Em tempo real não parece, de facto, haver falta. Mas pelas repetições televisivas nota-se um duplo contacto (perna direita e braço nas costas). Edinho aproveitou para forçar a queda? Claro. Quem não o faria?
Seja como for, o contacto existe, e aceita-se perfeitamente a decisão do árbitro.
Custa perder aos 92 minutos? Os benfiquistas que o digam.
Mas com avançados como Castaignos e André Felipe fica-se à mercê de qualquer circunstância de jogo menos favorável.
A Jorge Jesus interessa desresponsabilizar-se por mais um fracasso (o segundo nesta temporada, o oitavo desde que está em Alvalade: campeonato, taça, taça da liga, champions e liga europa em 2015-16, mais champions, liga europa e taça da liga em 2016-17), e manter a aura que lhe permite auferir vários milhões de euros todos os anos. Percebo-o.
A Bruno Carvalho interessa desviar atenções, e unir as tropas face a um inimigo imaginado, em ambiente pré-eleitoral. Também o entendo bem.
O universo sportinguista já nos habituou a este tipo de encenações, exorbitando situações de possível prejuízo, e ignorando as de possível benefício. Pela mesma bitola, todos os clubes, da Liga dos Campeões aos Distritais, teriam vastos motivos para se sentir perseguidos, pois os erros acontecem sempre, e fazem parte do futebol. Se apenas contabilizarmos o que nos interessa...
Ainda assim, confesso que ver Beto a reclamar de arbitragens e de penáltis me provoca algumas náuseas.
E temo é que toda esta gritaria venha a ter as consequências que pretendem aqueles que a promovem.

03/01/17

TODOS PELO TETRA

Tetra. Tetra. Tetra. Tetra!
Diga-se quatro vezes, ou as que forem necessárias, para que fique bem vincada a mãe de todas as prioridades do Benfica no ano que agora se inicia.
É verdade: queremos também outras coisas.
Queremos voltar ao Jamor, e erguer a Taça de Portugal. Queremos mais uma Taça da Liga. Queremos, depois, a Supertaça.
Queremos, se possível, repetir a brilhante participação da última Champions, ou inclusive (quem sabe?) melhorá-la.
Queremos, pelo menos, três Campeonatos nacionais nas cinco modalidades de pavilhão. E mais alguns troféus para acrescentar. Queremos, até, uma final europeia numa delas (Hóquei? Voleibol?), ou mesmo um título.
Queremos ver o Passivo reduzido - um dos desígnios da reconduzida Direcção, e uma necessidade face aos tempos que se avizinham.
Queremos potenciar ainda mais os frutos que a árvore do Seixal vai brotando. Queremos valorizar o nosso plantel, e aproveitar as boas oportunidades de mercado, mantendo a elevadíssima qualidade da equipa.
Queremos encher o Estádio a cada jornada, e queremos que mais sócios se juntem a esta grande família.
Tudo isto é muito. Mas tudo isto será pouco se, em Maio, não estivermos no Marquês. Até porque, se não formos nós a festejar, outros o irão fazer.
Será então, nessa noite de Primavera, que se avaliará, em larga medida, o 2017 do nosso Clube. E até lá, é em 19 jogos, 1710 minutos de futebol, e muitas horas de treino, que se define tudo.
Tetra. Repetimos uma vez mais. Repetiremos sempre. Todos os dias. Todas as horas. Todos os momentos. Até lá chegarmos.

É de História que se trata. E vamos certamente escrevê-la.

MAIS VERDE OU MAIS VERMELHO

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Eis o pecúlio de cada um dos presidentes do SCP neste milénio.
Nem tudo o que parece, é. E aquilo que Bruno Carvalho trouxe para o Sporting foi essencialmente gritaria e propaganda, além de campeonatos para o...Benfica. À luz dos factos, o resto é um mito.
Repare-se no palmarés de Dias da Cunha (o último campeão), ou mesmo de Soares Franco (que nunca ficou abaixo do 2º lugar, com muito menos meios, ganhando duas taças e duas supertaças). É verdade que 2012-13 foi uma época catastrófica. Mas...
Enfim. Enquanto benfiquista, por mim está bem assim.
Enquanto adepto do futebol, e de um desporto limpo desta conflitualidade permanente, gostaria de ver do outro lado alguém cuja voz se notasse mais dentro das quatro linhas, e menos nos jornais e nos facebooks - mesmo correndo o risco de ver o Benfica ganhar menos vezes.

20/12/16

UM ANO EM CHEIO

Não há como começar qualquer balanço do ano de 2016 sem lembrar, desde logo, o tão inesperado quanto saboroso triunfo português no Europeu. É justo fazê-lo também aqui. Foi um momento histórico para Portugal e para os portugueses. Tivemos o privilégio de o viver, com a consciência de que dificilmente se repetirá nas nossas gerações.
Dito isto, permitam-me confessar que, para mim, o grande dia do ano aconteceu algumas semanas antes, quando, a 15 de Maio, festejámos o Tri-Campeonato na Luz.
A distância temporal ainda não o permite garantir com clareza, mas arriscaria afirmar que se terá tratado da maior alegria desportiva da minha vida.
Um campeonato é um campeonato. Porém, aquele foi especial. Quer pelas circunstâncias que o rodearam dentro e fora do campo, quer pela enorme empatia criada entre dirigentes, treinador, jogadores e adeptos na inesquecível caminhada rumo à glória. Talvez o Futebol nunca me tenha levado a tão altos índices de ansiedade como em algumas partidas das derradeiras jornadas. Valeu a pena!
Gostaria de juntar aqui as outras modalidades. À cabeça, a Liga Europeia de Hóquei, por desígnios do destino conquistada na mesmíssima tarde do “Tri” futebolístico. Estive lá, cumprindo o sonho de ver, ao vivo, o Benfica Campeão Europeu de uma modalidade que nos é tão querida.
De salientar, igualmente, a Medalha de Bronze da nossa Telma no Rio de Janeiro. E recordar que não andámos longe de triunfos internacionais em Andebol, Voleibol e Futsal, tendo chegado às finais de todos os play-offs domésticos.

Por tudo isto, 2016 ficará nas nossas memórias. Que venha outro parecido.

VIDEO JOGOS

Se a aplicação de vídeo-tecnologias no Mundial de Clubes era um teste para aferir a eficácia das mesmas, há que dizer que tal redundou num absoluto fracasso.
Poderia destacar dois momentos: um árbitro parar o jogo e correr para a linha lateral para confirmar um lance nos ecrãs, e um golo festejado, depois retido na dúvida, e finalmente re-festejado como válido. Eis duas situações caricatas, que mostram, enfim, aquilo que, quem pensasse um pouco no assunto, já há muito tempo havia concluído: esta ideia corta ritmo ao Futebol, retirando-lhe espontaneidade e beleza, dando-lhe pouca coisa em troca.
Há quem argumente com a redução do erro. Há quem apresente exemplos de modalidades como o Râguebi, o Basquetebol ou o Ténis.
Pois quando assisto a uma partida de uma liga estrangeira, a última coisa com que me preocupo é com a arbitragem. Pelo contrário, o que pretendo - e pago para ver - é um espectáculo corrido, sem paragens, nem cortes.
Já nas modalidades referidas, as pausas fazem parte da respectiva identidade. Não é comparável a fluência de um jogo de Futebol a um de Râguebi (com tanto tempo parado como a jogar-se), a um de Basquetebol (com mais tempo parado do que a jogar-se, também por via dos estupidamente excessivos tempos técnicos), ou a um de Ténis (disputado lance a lance). Talvez por isso o Futebol seja mais popular do que qualquer dessas modalidades.

Já chegam as faltas, as substituições e o intervalo. Por mim, enquanto adepto, dispenso mais pausas. Até porque, como se viu na própria final da competição mencionada, nada disto porá fim ao erro, ou às discussões em torno dele.

13/12/16

PENÁLTIS...OU TALVEZ NÃO?

Repare-se que o tão aclamado e insuspeito painel d'"O Jogo" é unânime: não há penálti nenhum!
Já agora, deixo a minha opinião: algumas dúvidas no lance com Pizzi (aceitaria qualquer decisão, sendo um lance extremamente difícil de analisar, mesmo depois de 15 repetições televisivas), e nenhuma dúvida de que não há penálti do Nélson Semedo (ombro na bola, e braço puxado atrás precisamente para evitar a falta).

Balanço: meio penálti, digamos assim. 
Nada comparado com os três penáltis subtraídos ao Benfica nos três dérbis perdidos da época transacta (rasteira de Carrillo a Gaitán na Supertaça, agarrão de camisola de Ruiz a Luisão, na Luz, para o Campeonato, ainda com 0-0, e abalroamento de Luisão nos últimos segundos do prolongamento na Taça). Tudo com muito menos barulho à mistura.

RUI PATRÍCIO 12º DO MUNDO ? Toda a verdade

Quem tenha ouvido ou lido a notícia, poderá ser levado a pensar que um vasto lote de especialistas colocou o guarda-redes do Sporting no top-12 do futebol mundial - porventura em virtude da sua excelente exibição na final do Europeu.
Não! O facto deve-se exclusivamente a um anónimo cidadão cabo-verdiano chamado André Amaral.
Perceba-se porquê:
A votação "desta" Bola de Ouro não foi feita por treinadores ou capitães das selecções nacionais (como acontecia nos últimos anos, e como acontecerá com o prémio Jogador do Ano da FIFA, agora a atribuir em separado, no próximo mês de Janeiro). Aqui a votação foi feita por jornalistas, um por cada um dos 173 países convidados, que tinha a missão de escolher três nomes, valendo à primeira escolha 5 pontos, a segunda 3 pontos, e a terceira 1 ponto. Da soma de todos os votos, resulta a classificação final.
No geral, os votados não foram assim tantos (Ronaldo, Messi, Neymar, Suarez, Bale, Griezmann e mais alguns nomes esperados, e outros... nem por isso).

Onde entra então Rui Patrício?
Entra com 6 pontos, decorrentes de um terceiro e um primeiro lugar nas escolhas de 2 dos 173 votantes - o que lhe permitiu, numa tão restrita lista de votados, aparecer na classificação final numa inusitada 12ª posição.
Admita-se que um desses pontos tenha sido oferecido com alguma boa vontade, por parte de um sportinguista de Macau, chamado Pedro André Santos ("Tribuna de Macau"), que lhe atribuiu o 3º lugar atrás de Ronaldo e Griezmann (talvez até para ajudar a impedir Messi de discutir a vitória). Ok, tudo bem. Não choca, nem ofende a verdade.
Mais estranhos são os restantes 5 pontos. Os mesmos resultam de um comovente 1º lugar (!!!!) atribuído pelo representante de Cabo Verde (outro país de língua portuguesa).
Trata-se do Sr. André Amaral (do jornal "Expresso das Ilhas") - que, curiosamente, não colocou nem Cristiano Ronaldo, nem Messi, nem Griezmann, entre os três melhores. Álcool no sangue? Brincadeira com amigos? Uma aposta? Sportinguismo? Só ele saberá.

Ver também

Tal pode confirmar-se através da infografia abaixo, retirada do jornal "Record". Basta clicar para aumentar, e ver todos os votos de todos os votantes:

O próprio "France Football" (organizador do prémio), considera esta opção como uma das mais surpreendentes. E noutra publicação francesa, a mesma figura num artigo que fala dos votos exóticos (houve também um adepto da Juventus, de San Marino, que escolheu Buffon (!!) para melhor do ano).
A quem perceba um pouco de francês, aqui ficam algumas citações.
Para quem não perceba, eu traduzo, "isto é um embuste":

FRANCE FOOTBALL:  "En club, son année n'a pas été aussi réussie. Avec le Sporting Portugal, Rui Patricio n'a rien gagné. En Championnat, son club a échoué à la deuxième place du classement. En Ligue des champions, l'équipe portugaise a été éliminée dès la phase éliminatoire de la C1"

SPORTS: "Un gardien à l’honneur également pour le journaliste de Cap-Vert qui a fait encore plus exotique en nommant Rui Patricio devant Paul Pogba et Bale"
Acrescentando muito justamente que..."pas de quoi remettre en cause le quatrième sacre de CR7"

EUROSPORT "C'est la grosse surprise de ce début de classement. Gardien titulaire du Portugal, Rui Patricio fait une entrée fracassante dans le classement en terminant directement 12e"

O desafio que fica ao leitor é o de encontrar mais comentários a estas escolhas, noutras publicações internacionais. Eu não tive tempo para procurar muito.

NOTA FINAL: Também eu estou grato a Rui Patrício pelo que fez no Europeu, e entendo que é, indiscutivelmente, o melhor guarda-redes português da actualidade. Acho-o também um profissional respeitável, correctíssimo, e que sabe honrar a camisola da Selecção Nacional.
Tenho, porém, muitas dúvidas de que seja, sequer, um dos três melhores guarda-redes do campeonato português (onde estão, recorde-se, Ederson, Júlio César e Casillas). E tenho absoluta certeza que não está, nem alguma vez estará, entre os 50 melhores jogadores de futebol do mundo, nem em 2016, nem em qualquer outro ano passado ou futuro.
Em todo o caso, acho que uma camisola autografada era o mínimo que Patrício poderia enviar ao seu amigo cabo-verdiano. Fica a sugestão.
E já agora aproveitaria também para deixar os parabéns a Cristiano Ronaldo. Esse sim, colocado no lugar que lhe compete.


SPORTING: Uma história europeia de "sucesso" 1955-2017

São estas, e apenas estas, as eliminatórias (ou pré-eliminatórias) ultrapassadas pelos "leões" em toda a história da Taça / Liga dos Campeões Europeus, desde 1955 até 2017.
Nas restantes participações, foi sempre sumariamente afastado, ou nas pré-eliminatórias, ou na primeira ronda, ou na logo fase de grupos (quando para aí entrou directamente). Só em 1982-83 ultrapassou mais do que uma eliminatória (com dois empates frente a uma equipa búlgara).
De notar que, em 2008-09, após a única passagem na fase de grupos, o desfecho foram duas copiosas derrotas frente ao Bayern de Munique por 0-5 e 1-7.
Deixo ao leitor a tarefa de encontrar outros clubes que, no velho continente, possam evidenciar semelhante palmarés. Não vale a pena procurar entre os principais emblemas.

12/12/16

NA RAÇA !

Há várias formas de analisar um jogo de futebol.
Podemos fazê-lo à luz das estatísticas (sempre relativas, e condicionadas ao evoluir do resultado), pela eficácia, ou quanto à garra demonstrada pelas equipas.
Aquilo que verdadeiramente importa são os golos. Mas quando vejo o Benfica jogar com a atitude competitiva que demonstrou no “dérbi”, com a concentração e combatividade que colocou em cada lance, com aquele espírito de luta que define os campeões, fico com a certeza de que dificilmente alguém nos conseguirá bater.
A vitória começou, pois, a desenhar-se na coragem e bravura dos nossos homens, que correram mais, lutaram mais, e foram mais fortes nos duelos físicos, durante a maior parte do tempo.
Em desvantagem, cabia ao adversário assumir as despesas ofensivas da partida. Muito mal estaria o nosso rival se, a perder por 2-0, não mostrasse qualquer reacção. Mostrou-a, e aí soubemos agarrar com unhas e dentes os preciosos pontos, contando com o acerto da linha defensiva, e com a qualidade de Ederson, sem nunca perder de vista o contra-ataque.
As habituais desculpas de mau perdedor apenas procuram desviar a atenção dos dois desaires consecutivos (externo e interno), daquele que é o mais bem pago treinador da história do futebol português.
Se quiserem falar de arbitragem, que falem dos cartões perdoados a jogadores do Sporting: são os únicos casos em que as opiniões dos especialistas não se dividem, e foram também os únicos bem visíveis em todo o estádio.

Como visíveis foram as inqualificáveis provocações do presidente de um clube que merecia alguém com outro nível a dirigi-lo.

06/12/16

HAJA VERGONHA

Houvera necessidade de explicar o motivo de um país campeão da Europa, com o melhor jogador do mundo, e alguns dos melhores treinadores da actualidade, ter uma liga tão fraca e pouco apelativa, e o último Marítimo-Benfica seria um óptimo exemplo. 
Embora com um historial respeitável, esta equipa madeirense mostrou não ter lugar naquilo que seria um campeonato conforme as exigências acima mencionadas. Na primeira parte praticou wrestling. Na segunda, teatro. Futebol? Nada. Sobrou uma chico-espertice saloia, também ela tão tipicamente lusitana - a fazer lembrar um certo Benfica-V.Guimarães da temporada passada, que tanta celeuma levantou na altura. Enquanto adepto, senti-me gozado.
A arbitragem foi um desastre, contribuindo para a encenação grotesca a que assistimos. Durante a maior parte do tempo, aos da casa valia tudo menos tirar olhos. Na ponta final, quando o Benfica precisava de cada segundo para tentar o golo, e com um critério diametralmente oposto, o juiz interrompia o jogo por coisa nenhuma, cortando-lhe o ritmo, e alimentando toda a espécie de simulações. Os seis minutos de desconto foram risíveis, dado o que se passara até então. Não queria chamar-lhe habilidade, mas...
Não é possível pretender um campeonato competitivo e compactuar com este tipo de treinadores, jogadores e árbitros, que não têm nível para o futebol de topo. Os primeiros, pela atitude tacanha de quem promove o anti-jogo como lema (e não falo de sistemas tácticos defensivos, esses absolutamente legítimos). Os últimos, pela incompetência (vamos dizer assim) na gestão do espectáculo.
Pobre desporto.

30/11/16

MOMENTO CHAVE

Júlio César, André Almeida, Jardel, Samaris, Carrillo, Rafa e Mitroglou. A espinha dorsal de um onze de topo? Não, o sumptuoso banco de suplentes do Benfica na última jornada, mesmo com os lesionados Grimaldo, Horta e Jonas (todos eles, também, possíveis titulares) fora do leque de opções.
Por este banco, e por estes nomes, percebe-se a qualidade que existe, hoje, no nosso plantel. Dispomos, de facto, de uma equipa de luxo, e só assim tem sido possível resistir aos azares que têm atirado para o departamento médico vários jogadores nucleares, mantendo um nível competitivo muito elevado, e uma pontuação a condizer.
Diga-se, igualmente, que só uma grande equipa pratica um futebol do nível daquele que pudemos ver, durante mais de uma hora, em Istambul, na passada semana. O resultado foi amargo, e foi-o precisamente por não fazer justiça a uma exibição de gala que, aos 80 minutos, se aprestava para entrar na história europeia do Benfica das últimas décadas, ao lado de célebres recitais, que todos recordamos, no Olímpico de Roma em 1983, em Highbury Park em 1991, em Leverkusen em 1994, ou em Anfield Road em 2006.
O que passou, passou. E as próximas partidas requerem essa melhor roupagem. Terça-feira ficará decidido o futuro na Champions, enquanto Funchal e Sporting, podem dizer muito acerca da caminhada para o “Tetra” – cuja prioridade se sobrepõe a todas as outras.
Três grandes jogos em apenas 10 dias, constituem um tríptico de respeito, que é também um desafio à resistência física e mental dos atletas.
Estamos com eles, confiamos neles e em quem os dirige.

Comecemos então pelo Marítimo.

NOTA: Este texto foi remetido ao Jornal O Benfica antes de conhecer a tragédia da Chapecoense. Já não houve tempo de lhe fazer qualquer referência. Porém, a minha consternação é enorme, como será a de todos aqueles que amam o desporto, e o futebol em particular. Não podia deixar de aproveitar este meio para a expressar.

21/11/16

A HISTÓRIA COMO ELA É

A patética ideia do presidente do Sporting de reivindicar mais uns quantos títulos para o seu clube é fantasiosa, e nem mereceria, sequer, estas linhas de texto.
A história foi o que foi. Os factos são conhecidos. Chame-se Campeonato Nacional, Liga, 1ª Liga, 1ª Divisão, Superliga, ou a marca de qualquer patrocinador passado, presente ou futuro, títulos nacionais são títulos nacionais, e contam-se desde 1934-35 - altura em que foi criada a prova que encaixa nas características daquela que, até hoje, determina o campeão nacional. O Benfica venceu 35 vezes, o FC Porto 27, o Sporting 18, o Boavista e o Belenenses uma cada. Não constam da lista Olhanense, Carcavelinhos ou Marítimo. Mas vivemos num país livre, e cada um pode dizer as baboseiras que quiser. Gritem então que têm 22, 44 ou 88… É indiferente. O que conta é a verdade. Ponto final quanto a isto.
Este revisitar da história das competições lusas levanta, porém, uma outra questão, essa sim pertinente. Não entendo o motivo de nunca terem sido agregados os Campeonatos de Portugal às Taças de Portugal, prova que, com todas as evidências, lhes sucedeu no tempo, no formato, e até no desenho do troféu. Face à relação directa com os nossos rivais ficaríamos com menos um troféu? Paciência. Factos são factos, e no próximo mês de Maio podíamos acertar a conta.

Cabe à FPF acabar de vez com este equívoco, o qual abre espaço a confusões desnecessárias, e alimenta devaneios absurdos. Mas também devemos fazer a nossa parte: chegar à final do Jamor, e, ao erguermos a Taça de 2016-17, inscrever um gordo número 29 nos adereços da festividade.

18/11/16

NOJO

Uma imagem vale por mil palavras. E quando a imagem é nítida, não há palavras que lhe resistam, nem areia ou vapor que nos tapem os olhos.
Todo o país viu o presidente de um clube cuspir ostensivamente na cara de outro. Só isso basta para concluir estarmos perante uma situação gravíssima, e inédita na história do dirigismo desportivo.
Impõe-se que as instituições jurisdicionais sejam implacáveis. Mas é preciso que também a comunicação social assuma as suas responsabilidades, e deixe de compactuar com comportamentos que, a prazo, matam o próprio negócio, e têm efeitos nefastos a outros níveis.
Estamos a falar de um fenómeno de massas, seguido por milhões de crianças e jovens. Os exemplos que nos entram em casa via TV transcendem o universo desportivo, atingindo uma dimensão social não negligenciável. Os jornais e as televisões não podem, com paninhos quentes, debaixo da hipocrisia do politicamente correcto, tolhidos pelo receio de ferir susceptibilidades clubistas, sustentar, branquear ou promover figuras que usam este tipo de conduta, que fomentam guerrilhas, e delas se servem para, em bicos de pés, conquistar protagonismo e poder junto de falanges de adeptos fanatizadas.
Não é de Benficas, de Sportingues, ou de Aroucas que se trata. Aliás, com todo o clima de ódio que nos tem sido particularmente dirigido, somos Tri-Campeões, e estamos no rumo do Tetra. O problema aqui é já de sociedade.

Este episódio passa todas as marcas. E no dia em que alguém me convencer que é normal presidentes andarem a escarrar na cara uns dos outros nos túneis dos estádios, deixarei de ir ao futebol. 

07/11/16

ATÉ AO FIM

Há pouco mais de um ano, saíamos do Estádio do Dragão vergados a uma derrota injusta, com um golo sofrido nos últimos minutos, após uma excelente exibição - que de algum modo anunciava o potencial que a equipa viria a demonstrar meses mais tarde.
Ainda no último Campeonato, mas já na segunda volta, na Luz, depois de dominarmos completamente o FC Porto, e de criarmos cerca de uma dezena de ocasiões flagrantes para marcar, acabámos por perder de forma inacreditável por 1-2, num dos “Clássicos” com resultado mais desfasado da realidade a que alguma vez assisti.
Indo mais atrás, ainda hoje é difícil de engolir o trágico minuto 92 que, em 2013, nos custou um Campeonato - com toda a certeza o momento mais cruel que o desporto me proporcionou em 47 anos de vida e de benfiquismo.
Ao contrário das situações acima invocadas, há que reconhecer que desta vez a sorte esteve do nosso lado.
Com um golo nos instantes finais de uma partida que, até então, não nos correra bem, evitámos uma derrota que poderia efectivamente ter acontecido.
Sem subtrair mérito à performance do adversário, há que salientar o facto de os nossos jogadores nunca terem deixado de acreditar que podiam ser felizes. E sublinhar que a forma como Rui Vitória mexeu na equipa se revelou determinante no desfecho do jogo.
Não festejo empates, e era o triunfo que eu queria. Mas, dadas as circunstâncias, o ponto alcançado e os dois subtraídos ao rival acabaram por saber bem, mantendo-nos firmes na caminhada rumo ao grande objectivo da época.

Ficou o aviso. Nada nos será dado gratuitamente, e até Maio ainda teremos muito que sofrer.

03/11/16

UNIDOS

O elevado número de sócios que acorreu ao acto eleitoral da semana passada demonstra que estamos firmes e unidos rumo às metas que temos por diante.
A democracia no Benfica antecedeu, em largas décadas, a do próprio país. E essa tradição democrática ficou uma vez mais vincada na forma organizada e livre como decorreram as eleições. É verdade que só houve uma lista, mas o facto de a mesma ser apoiada de modo tão veemente – inclusive por sócios que num passado recente se apresentaram a sufrágio com outros projectos – reforça o nosso clube, relegitima os órgãos sociais, e cria condições para que nos próximos anos continuemos a caminhada que nos trouxe até aqui, e que nos vai certamente levar ainda mais longe.
Vivemos um grande momento. Temos um Benfica ao nível dos melhores de sempre. Temos um líder inequívoco e incontestado, que já é o presidente mais realizador e ganhador em 112 anos de história. Dispomos de um excelente treinador, de um plantel de luxo, e seguimos destacados na frente do campeonato. Respiramos saúde, estabilidade, competência e confiança. Somos fortíssimos em todas as modalidades. Sabemos, porém, que não podemos parar, e que o triunfalismo é, neste momento, um perigoso adversário.

Sabemos igualmente o quanto tudo isto incomoda os nossos rivais, pelo que, daqui em diante, as tentativas de desestabilização vão recrudescer. É sempre assim. Estamos habituados. Noutras temporadas arranjaram estoris, túneis, colinhos e vouchers. Alguma coisa inventarão desta vez para nos tentar perturbar, e desviar da rota das vitórias. Se nos mantivermos unidos, não vão conseguir.

24/10/16

SALTO PARA O ESQUECIMENTO

Num fim-de-semana de tantas vitórias, de grandes exibições, de supertaça aqui e supertaça ali, confesso que a transferência de Nélson Évora não me abalou minimamente. Se o objectivo era darem-nos uma alfinetada, pela minha parte não senti a mais leve picadela.
Estamos a falar de um atleta com passado, mas sem futuro. Os seus anos de glória foram…2007 e 2008. Desde então, esteve quase tanto tempo lesionado como a competir, deixando repetidas evidências de que não voltará a ganhar nada de relevo, a não ser, ao que parece, bastante dinheiro.


A crua verdade é que não faz falta nenhuma ao Benfica. Ao invés, talvez o carinho e o afecto que os benfiquistas lhe devotaram ao longo destes anos, e que ele acaba de deitar para o lixo - ou vender, para ser mais exacto -, lhe pudessem um dia vir a dar jeito. Então, será tarde. Problema dele.
O que me intriga neste tipo de transferências é justamente a falta de visão dos protagonistas acerca da dimensão histórica e simbólica que detêm junto de milhões de pessoas, e a facilidade com que dela prescindem a troco de mais uns patacos. De como se auto-excluem de museus, de livros, da eternidade, mas, sobretudo, do coração dos adeptos, por causa de desentendimentos circunstanciais. Mas a minha incompreensão é igual à minha indiferença. 
António Leitão continuará a ser um símbolo do atletismo encarnado, como Carlos Lopes sempre será um símbolo do Sporting. Quanto a Nélson Évora, mais medalha menos medalha, talvez fique na história também como um símbolo da miséria mercenária em que o desporto de alta competição se transformou nas últimas décadas.

18/10/16

SUPERBENFICA

A pré-temporada não fora bem conseguida, com alguns resultados negativos. A Supertaça doméstica escapou, por via de uma primeira parte desastrada frente ao FC Porto. Mas no passado sábado, com um pavilhão bem composto, o Hóquei em Patins benfiquista regressou às suas jornadas de glória, goleando o Óquei de Barcelos por 9-2, e alcançando o 7º título internacional em 7 épocas (8º, se lhes acrescentarmos o sector feminino). Desta vez, a Taça Continental, ou Supertaça Europeia, conforme lhe queiramos chamar.
As modalidades do Benfica, diga-se, estão bem e recomendam-se. É óbvio que não se pode ganhar sempre, e além da Supertaça portuguesa de Hóquei, também a de Basquetebol nos fugiu. Porém, conquistámos as de Futsal e de Andebol (além, naturalmente, do Futebol), faltando ainda decidir o Voleibol. E nos vários campeonatos nacionais levamos 12 vitórias em 13 partidas, registo ao qual podemos, e devemos, acrescentar a passagem à segunda ronda da prova europeia andebolista, e um triunfo histórico do Basquete em Itália.
Na ponta final da temporada passada fomos muito pouco felizes. Excepção feita ao Hóquei (título nacional e europeu) e ao Atletismo, morremos na praia nas restantes frentes da nossa grande força eclética. Estivemos nas finais dos play-offs de Futsal, Basquetebol, Andebol e Voleibol. Faltou sorte, sobretudo nestas duas últimas (nas quais, ainda assim, conquistámos as respectivas Taças de Portugal). Mas ninguém ouse dizer que não fomos competitivos.

A nova época traz outra vez um grande Benfica, em todos os domínios. Mais títulos vão seguramente aparecer. É o nosso destino.

O NOME É GOMES

Para quem siga com atenção o futebol jovem do Benfica, não é certamente novidade o surgimento de José Gomes, aos 17 anos, no nosso plantel principal, com minutos e protagonismo.
Não sendo eu um observador muito regular dos jogos da formação, nem mesmo assim me escapou aquele miúdo, com movimentos felinos e faro pela baliza, que terei visto pela primeira vez aos seus 14 anos. Logo me impressionou. Desde então, a cada jogo que via das suas equipas (sub 15, sub 17 ou sub 19), rapidamente o procurava, seguindo todos os seus pormenores, arrancadas, movimentações, desmarcações e golos. Não era preciso ser especialista para perceber tratar-se de um talento raro. De um possível fora-de-série.
Mais do que Renato Sanches, mais do que Bernardo Silva, foi José Gomes o jovem da “cantera” do Seixal que mais cedo me saltou à vista. Talvez por ser ponta-de-lança – sendo essa a minha espécie predilecta no mundo do futebol.
Beneficiando das lesões de Jonas e Jimenez, chegou agora à equipa principal. Mas isso para ele não pode ser um ponto de chegada. É sim, o ponto de partida.
Com a sua idade, e com todo um trabalho que ainda tem pela frente, dentro de uma década tanto poderá estar no Real Madrid como no Real Massamá. A diferença é muito ténue, e não faltam exemplos para o comprovar. O caminho é estreito, e qualquer desvio será fatal.
Depende dele, do seu trabalho, da sua humildade, do seu empenho em cada treino, dos cuidados a ter fora do campo, da sua vontade de aprender mais e mais, de melhorar todos os detalhes. Cada dia conta. Talento não lhe falta. Enquadramento também não.

A bola é tua, Zé.

CASA CHEIA

Os quase 60 mil que estiveram presentes no Benfica-Feirense criaram uma atmosfera extraordinária, galvanizaram a equipa para mais uma vitória, e expressaram duas evidências que não podem passar em claro.
A primeira é a de que o futebol disputado à luz do dia tem outro encanto, e cativa muito mais adeptos. Quem viva na zona de Lisboa talvez não entenda quão importantes são os horários dos jogos para benfiquistas que se deslocam de vários pontos do país – de Trás-os-Montes ao Algarve -, e têm de regressar a casa a tempo de poder trabalhar no dia seguinte. Uma partida realizada numa noite de domingo deixa automaticamente de fora uns quantos milhares de pessoas que, simplesmente, não podem ir. Diga-se, em nome da justiça, que a BTV deu um grande impulso no regresso do futebol à sua hora tradicional. E a consequência tem sido um assinalável acréscimo do número de espectadores no estádio.
A segunda evidência é a de que a nação benfiquista não tem quaisquer dúvidas acerca da grande prioridade para esta temporada. Mesmo depois de uma derrota europeia, o clima de apoio, de alegria, e de entusiasmo, foi um sinal inequívoco do que o povo efectivamente quer. E isso escreve-se com cinco letras: Tetra!
A Champions é uma competição maravilhosa, que proporciona grandes espectáculos, permite valorizar jogadores, e encher os cofres. Mas nenhum clube português tem condições de a vencer. Chegar longe é fantástico… quando se é Campeão Nacional.

A Liga Portuguesa é pois o foco onde devem estar concentradas todas as nossas energias. É nela que se vai escrever o destino da época. Os adeptos sabem isso.

O DIABO VERMELHO

Noutras ocasiões, já aqui falei da minha grande admiração por pontas-de-lança. Ou seja, por quem, na verdade, me faz levantar da cadeira e vibrar de alegria.
O futebol é um desporto colectivo, onde todos são importantes. Uma peça a menos pode causar derrotas e comprometer títulos. Mas, enquanto adepto, a minha grande devoção vai mesmo para quem faz os golos. Mais até do que para os artistas do passe, da finta, ou do estilo, normalmente muito apreciados na Luz.
Nunca entendi, por isso, os assobios a Óscar Cardozo, ou, muitos anos antes, as críticas a Nené. Um e outro são, juntamente com Nuno Gomes (também ele, nem sempre consensual), os que mais golos marcaram no clube desde que vejo futebol. Cada um a seu tempo, foram ídolos que venerei, e aos quais estarei eternamente grato pelos momentos de alegria que me proporcionaram.
Serve isto para destacar, agora, o nosso Mitroglou.
O grego, em pouco mais de uma época, já está à porta do top-dez dos goleadores do Benfica do sec. XXI, superando avançados com o simbolismo de Mantorras ou Miccoli. E caso tivesse convertido os penáltis que Jonas converteu na temporada passada, teria sido ele o “Bola de Prata” – isto sem melindre para o extraordinário avançado brasileiro, tão somente o melhor e o mais completo jogador a actuar em Portugal.
Recordemos que o Sporting fez tudo para contratar Mitro. Veio para nossa casa in-extremis, e foi também dele o golo que, em Alvalade, acabou por decidir o título.
Em bom momento, o clube adquiriu o seu passe.

A barba dá-lhe um certo ar de diabo. Mas são os golos que fazem dele um ponta-de-lança dos diabos.

22/09/16

O MESTRE DA BAZÓFIA

Há duas faculdades que temos de reconhecer ao actual treinador do Sporting.
A primeira é a de, por via de uma hábil gestão de expectativas e/ou de rumores, ano após ano, Julho após Julho, fazer subir o seu próprio salário até níveis muito pouco compatíveis com a realidade do futebol português, e, sobretudo, com a realidade de um profissional que, aos 62 anos, apenas alcançou títulos significativos num dos clubes onde trabalhou.
A segunda é a de, por arte e engenho seus, ou por sortilégio das circunstâncias, conseguir dos presidentes que o contratam, padrões de investimento nos plantéis igualmente acima daquilo que é comum no nosso país, e daquilo que é, ou foi, concedido a diferentes treinadores desses mesmos clubes em momentos anteriores e posteriores – aconteceu entre 2009 e 2015 no Benfica, repete-se agora no Sporting.
As caríssimas equipas de que este técnico dispôs enquanto esteve na Luz, e de que dispõe em Alvalade, quer em termos de investimento, quer quanto a custos com a massa salarial, não têm paralelo na história dos dois rivais lisboetas. Tivessem idênticos meios, e muitos outros treinadores teriam podido encher o peito, e a boca, em conferências de imprensa, como génios de uma lâmpada que, todavia, não acende para todos com semelhante grau de luminosidade.

Quando andou por cá, uma envolvente estrutural de topo permitiu-lhe aproveitar bem os recursos, traduzindo-os em títulos. Veremos o que a sua suprema sapiência consegue até final da carreira, enquanto nos vamos divertindo com declarações que outrora nos faziam sentir desconfortáveis, ou até mesmo envergonhados. 

05/09/16

O MUNDO AO CONTRÁRIO

Supertaças nacionais e europeia, jornadas de Campeonato, playoffs de competições da UEFA, tudo disputado no meio de um vai e vem de jogadores, e de consequente diarreia de informação e contra-informação corrosiva e desestabilizadora, por via do estapafúrdio estender do mercado de transferências para além dos timings aceitáveis.
Encerrado o mercado, quando os adeptos puderam, enfim, entusiasmar-se com os seus jogadores, e com as suas equipas, eis que o futebol de clubes ficou parado, dando lugar a uma jornada dupla de selecções – que poderia ter sido disputada uma ou duas semanas antes.
Não conheço razões que expliquem tamanho absurdo, perturbador para a generalidade dos adeptos que, directa ou indirectamente, paga tudo isto.
Mais do que vídeo-árbitros, ou seja o que for que destrua aquilo que o futebol tem de melhor face a outras modalidades – a fluidez -, importava às instâncias federativas nacionais e internacionais rever os calendários competitivos, e ajustá-los a um qualquer assomo de lógica minimamente entendível.
Se as sacro-santas janelas de mercado de transferências são intocáveis, se as datas FIFA são impostas pelos seus tão credíveis e zelosos dirigentes, então que se altere o calendário nacional, começando o Campeonato na segunda semana de Setembro, e deixando o mês de Agosto, por exemplo, para eliminatórias da Taça da Liga e/ou Taça de Portugal, e para todas as insuportáveis contingências do mercado de transferências.

Hoje jogamos em Arouca, com os nossos jogadores, com o nosso plantel. Hoje começa, finalmente, o futebol de que todos gostamos. Já não era sem tempo.

CUIDADOS REDOBRADOS

1. Sorteios são sorteios. Não há que lamentar, nem rejubilar. Mas o grupo da Champions que nos calhou não é nada fácil, sobretudo tendo em conta que o Benfica saltava, com todo o mérito, do pote 1.
Nápoles, Besiktas e Dinamo de Kiev são adversários a quem podemos ganhar, mas com quem também podemos perder. A afirmação parece um tanto lapalissiana, mas a verdade é que entre estas quatro equipas qualquer classificação será, digamos, normal. É o chamado grupo traiçoeiro, acessível na aparência, mas perigoso a cada esquina. A última vez que algo semelhante nos tocou em sorte (há dois anos, com Zenit, Monaco e Leverkusen), correu-nos mal. Não há “pêras doces”, como noutros grupos. Não há tubarões que possam retirar todos os pontos a todos os adversários. Cada jogo é decisivo, e pode não haver margem de erro. Acresce que todos os adversários (dois campeões e um vice-campeão) estão em excelente momento da sua história recente.
Dito isto, é óbvio que acredito no Benfica, e em mais um apuramento para a fase seguinte.
2.A arbitragem portuguesa parece estar a mudar…mas para pior. Podem ser apenas sinais. Pode ser precipitado fazer já uma avaliação. Mas o que se percebe destas primeiras três jornadas, quer em termos de nomeações, quer em termos de desempenhos, não augura nada de bom. Estejamos atentos, e não permitamos o regresso a um passado negro, agora com outros protagonistas.

3. A época das modalidades começou da melhor forma, com o triunfo na Supertaça de Andebol. Será certamente o primeiro de muitos títulos, pois a infelicidade que tivemos nas últimas finais não durará para sempre. 

04/08/16

ACÇÃO!

Após vários jogos de preparação, recheados de testes e de experiências, com distintos, mas pouco relevantes resultados, eis-nos chegados ao futebol a sério.
No domingo, em Aveiro, o Tri-Campeão apresenta-se forte e para ganhar.
A Supertaça Cândido de Oliveira tem sido uma competição maldita para as nossas cores, sendo a única prova futebolística nacional em que não somos a força dominante: em 37 edições apenas conquistámos 5 troféus, somando 18 derrotas nas 34 partidas disputadas. É altura de atenuar estes números, e começar a inverter a situação.
Durante alguns anos, talvez não tenhamos levado a Supertaça suficientemente a sério, enquanto outros acumulavam triunfos. A prova entretanto credibilizou-se, e estabilizou o seu lugar no calendário desportivo – sobretudo a partir do momento em que passou a ser disputada a uma só mão, e na abertura das temporadas. Não sendo a nossa maior prioridade, é o primeiro dos 5 objectivos para 2016-17.
O adversário que teremos pela frente surge muito motivado. Nunca venceu a prova. Quererá, igualmente, começar bem uma época para a qual parte com grandes aspirações. Numa final, não há favoritismos. E só com muita humildade, a mesma que nos levou ao Tri, conseguiremos erguer o troféu. O apoio dos benfiquistas é imprescindível. Com ele, vamos certamente entrar na temporada com o pé direito, e com mais uma taça nas mãos.

PS: Há Homens cuja respeitabilidade e relevo transcendem, em muito, os clubes que representam. O Professor Moniz Pereira era um deles. Fica a gratidão por tudo o que fez pelo desporto, e pela forma elevada como nele sempre soube estar.

28/07/16

É SIMPLES...

VENDER: Carcela e Talisca
EMPRESTAR: Zlobin, Mandava, Kalaica, Marçal, Celis, Benitez, J.Carvalho, J.Teixeira, R.Fonte, Sponijc, D.Gonçalves e Jovic
COMPRAR: Médio-ofensivo
e...fechar plantel para o Tetra!


PLANTEL (25):
J.César, Ederson e P.Lopes;
A.Almeida, Lindelof, Jardel, Eliseu, N.Semedo, Luisão, Lisandro e Grimaldo;
Fejsa, Salvio, médio-ofensivo, Cervi, Samaris, Pizzi, Horta, Carrillo, Danilo e Zivkovic;
Jonas, Mitroglou, Jimenez e Guedes.