SABE A POUCO

Dado o que tem acontecido nos últimos clássicos, e aquilo que tem sido o desempenho da equipa do Benfica ao longo desta época, se me dessem o empate antes do jogo, mais a mais depois do resultado do Sporting, certamente teria aceitado.

Depois dos 98 minutos sabe a pouco. 

Nesta partida viu-se finamente um excelente Benfica, capaz de se superiorizar ao seu rival durante quase todo o tempo, igualando-o na raça e na agressividade, jogando rápido e com fluidez, faltando apenas eficácia na área para construir uma vitória que seria o resultado mais adequado ao que se viu.

Não ganhou o jogo, fica um sabor amargo, mas penso que pode ter ganho uma equipa.

Acredito que nada será igual daqui em diante, e numa altura em que ainda há margem e tempo para recuperar, esta exibição é também uma boa notícia.

Por fim, é preciso dizer: Jorge Jesus está vivo e continua a ser um super-treinador. Independentemente do empate, tacticamemte deu um banho a Conceição. 

O MEU ONZE


 

EM FRENTE

Estes jogos de Taça, com elementos pouco utilizados e nada rotinados entre si, contra equipas de escalões inferiores arreganhadas, raramente resultam em bons espectáculos.
A primeira parte da partida da Reboleira confirmou esse padrão: futebol lento, previsível, desajeitado. 
No segundo período o Benfica melhorou. Ajudaram as substituições, e também os golos que foram soltando a equipa para um jogo mais fluído e agradável. Entraram quatro, poderiam ter sido sete ou oito. Há que dizer porém que o Estrela não merecia resultado mais pesado, podendo inclusivamente ter marcado em mais do que uma ocasião (chegou a fazê-lo, mas em fora-de-jogo).
Nota para a estreia absoluta de Todibo, que não pareceu tão mau como o pintavam. Já vi Ferro, e até Jardel, fazer bem pior.
A notícia da eliminatória acaba por ser o afastamento do Sporting (em bom rigor, o FC Porto também deveria ter sido eliminado, mas uma arbitragem à antiga evitou-lhe esse destino), que deixa o Benfica com total favoritismo para chegar até à final - espera-se, no Jamor.
Agora, centrar atenções no Dragão.

RODAR


CAMINHO ATÉ À FINAL:

- Estrela da Amadora, fora;

- Belenenses ou Fafe, casa:

- Marítimo ou Estoril, a duas mãos.
 

SEM CONVENCER

Não quero bater no ceguinho. Mas dos três candidatos ao título, o Benfica era o único que jogava em casa, e foi o que esteve mais próximo de perder pontos. E voltou a dar 45 minutos de avanço.
As indicações para sexta-feira não são boas. Ou acontece uma surpresa, ou este Benfica pode ficar já bastante longe do primeiro lugar, ainda antes do final da primeira volta.
Espera-se que algo mude. Mas já se espera isso há longas semanas. Veremos se é agora.


PORQUE NÃO?


Os nomes até podem ser alterados, mas parece-me que o plantel do Benfica daria para tudo isto e muito mais. Aqui vão, a título de exemplo, um 4-3-3, um 3-5-2 e um 4-2-3-1. Em qualquer das hipótese a equipa parece (no papel, claro) mais consistente, e a defesa mais protegida. É claro que a contratação de um médio ajudaria...

UMA TRAGÉDIA EM TRÊS ACTOS - ou uma história que se repete

 

   1) Em 2018 pensava-se que o problema era Rui Vitória.
É verdade que tinha sido Bi-Campeão, e conquistara seis títulos. O Benfica realizara exibições brilhantes durante duas épocas, com garra, personalidade e ambição. Dizia-se que a força residia no balneário, onde nomes como Luisão, Jonas, Salvio, Gaitán, Fejsa, Júlio César, Paulo Lopes ou Eliseu ditavam regras. Houve até relatos de jogadores que entravam em campo em lágrimas, tal a emoção que punham em cada partida. Grandes alegrias tivemos, talvez das maiores de que me recordo nos últimos anos (Mitroglou em Alvalade, Jonas no Bessa, Jimenez em Vila do Conde, etc etc)
Mas a partir de dada altura a equipa emperrou e estranhamente deixou de render. As exibições passaram a ser miseráveis, e rapidamente os resultados passaram a condizer.
Os primeiros sinais foram dados num estranho empate 3-3 na Luz com o Boavista.
Enfim, a coisa compôs-se, veio o “Tetra” e a “Dobradinha”. Já em 2017-18, não houve desculpa para a horrível carreira europeia (zero pontos!), ainda que o desinvestimento no plantel possa ser circunstância atenuante.  O início de 2018-19 não trouxe melhorias, e Rui Vitória caiu sem surpresa, depois de derrotas comprometedoras com Belenenses, Moreirense e Portimonense. A nau estava a afundar, e a culpa era do treinador – que afinal só ganhara porque tinha tido a sorte dos deuses do seu lado.

   2) Veio Bruno Lage, e durante meses pareceu confirmar-se a tese: o Benfica voltou a jogar, a marcar, a ganhar e a bater recordes. Entre a segunda volta de 2018-19 e a primeira de 2019-20, a equipa de Bruno Lage ganhou 36 em 38 jogos do campeonato (!!!). Na segunda volta de 2018-19 marcou 66 golos (!!!). Nas primeiras 18 jornadas de 2019-20 sofreu apenas 6 (!!!). Pelo meio deu-se a “Reconquista”, sob fortíssima aposta na formação (Ruben, Ferro, Tino, Gedson, Jota, Félix…). Tudo corria sobre rosas, e até podíamos contratar jogadores de 20 milhões (primeiro RDT, depois Weigl e Pedrinho).  O Benfica estava um patamar acima da concorrência. Era opinião unânime.
Só que…o bicho voltou a morder a equipa da Luz, e subitamente também Lage perdeu o pé. Depois daquela impressionante sequência, apenas duas vitórias em dez jogos entregaram, em circunstâncias que nenhum adepto consegue ainda descortinar, o título 2019-20 a um FC Porto intervencionado, com cortes salariais e longe de qualquer brilhantismo. Nessa série negra, que atravessou a pandemia (mas começou antes), houve apedrejamentos, houve gritos do presidente no balneário (após o jogo com o Tondela), e sobretudo exibições tão deploráveis que tornaram impossível a permanência do técnico setubalense. Dizia-se que o modelo de jogo estava esgotado, e entendido por todos os adversários, e que Lage não conseguia apresentar plano B. Mas cheguei a escrever, aqui e no jornal, que sem apurar verdadeiramente as causas de tão súbito decréscimo de rendimento competitivo, as coisas podiam repetir-se.

   3) Veio Jesus, pois com ele não havia hipótese de falhar. Nem em campo, nem no balneário – que JJ segurara com unhas e dentes em todos os clubes por onde passou.
Ainda por cima, com um investimento de quase 100 milhões de euros, nunca antes visto em Portugal, contrataram-se internacionais belgas, argentinos, brasileiros, uruguaios e alemães.
A época começou mal com a eliminação da Champions (com atenuantes face ao tempo de treino, à integração de novas pedras na equipa, e ao facto de a eliminatória se ter disputado em jogo único no campo do adversário). Mas depois a equipa pareceu equilibrar-se, e arrancou para uma série de sete vitórias consecutivas (22-5 em golos), altura em que Gabriel parecia imprescindível, André Almeida ainda assegurava o lado direito, Waldschmidt e Darwin brilhavam na frente, e Everton parecia crescer de rendimento. Tudo dentro do esperado, e é neste contexto que ocorrem as eleições, certamente por coincidência (não é ironia, não vejo mesmo qualquer possível relação, apenas o registo de um facto).
Eis que chegamos ao Bessa, e a uma estrepitosa derrota 0-3 frente a uma equipa que não ganhara nenhum jogo até então, nem voltou a ganhar depois dessa estranha noite. Seguiu-se uma semana negra, com nove golos sofridos em três jogos, empate milagroso com o Rangers (que terá custado o primeiro lugar no grupo da Liga Europa, e derrota caseira com o Braga (2-3 depois de se chegar, novamente, a 0-3). O pior é que não foi algo circunstancial, e a verdade é que a equipa não mais se recompôs, padronizando o seu comportamento em exibições medíocres com resultados mais ou menos milagrosos. Um FC Porto repleto de Manafás e Zaidus foi adversário demasiado forte na Supertaça, e tantas vezes o cântaro foi à fonte que se partiu nos Açores com este empate.
E agora? Encetar mais um capítulo desta novela, chegar novo treinador, fazer meia dúzia de jogos bons, e depois afundar-se no mesmo precipício? Mudar meio plantel?
Sinceramente, gostava de saber. Este Benfica assemelha-se cada vez mais a um filme de David Lynch, em que as pistas estão todas por ali, mas é difícil concluir o puzzle.
Está mais do que visto que o problema não é de treinador. Será de balneário? Faltarão os Luisões e os Jonas, mas também os Eliseus e os Paulos Lopes? Haverá indisciplina ou simples desenquadramento de novos jogadores? Faltará um Director-Desportivo? Será de estrutura de rectaguarda? Alguma coisa mudou na preparação dos jogadores?

PARA REFLECTIR

"O Benfica gastou 98,5 milhões em reforços, feito o desconto conseguido com Pedrinho – e antes de Lucas Veríssimo –, e terá recebido 76 milhões. Além dos 68 milhões por Rúben Dias, houve ainda a venda de Lema, os empréstimos de Florentino e Carlos Vinícius, além de uns trocos aqui e ali com outros jogadores. Contas feitas, os gastos ficam em 22,5 milhões, embora tenha de sublinhar-se a perda da maior referência defensiva, titular da Seleção Nacional e, hoje, do Manchester City, com os elogios a serem praticamente diários, inclusive do treinador Pep Guardiola, como podem ler neste jornal. No entanto, se afastarmos a parcela recebida deste nosso exercício, a conclusão mais óbvia a retirar dos resultados e exibições é que, 98,5 milhões de euros depois – 99,5 se somarmos a cláusula de Jorge Jesus de um milhão – o Benfica está muito longe de ser um plantel completo e equilibrado, estar consolidado no processo de jogo e ser, nesta altura, em janeiro, o mais forte candidato ao título, mesmo perante rivais a atravessar momentos financeiros muito difíceis. Pior, o investimento de 100 milhões, se nos permitirem arredondar, nada alterou o status quo dentro do grupo: Pizzi, Rafa e o hoje lesionado André Almeida – jogadores com qualidade, mas que têm mostrado, ao longo dos anos, dificuldades em manter o registo elevado sempre que a exigência sobe, seja nos confrontos com rivais diretos ou nas competições internacionais – continuam a ser as maiores referências. Ou seja, se aplicarmos aqui a lógica, os encarnados não fizeram crescer o nível médio de qualidade do grupo de trabalho. Mesmo em termos de carisma, os jogadores contratados deixam bastante a dever em termos de capacidade de liderança, com tamanha timidez que apresentam. A braçadeira tem passado de braço para braço, com Ferro a usá-la hoje, ao segundo jogo de início, depois dos 90 minutos com o Paredes.

Há a questão do treinador e, vivamos ou não um momento de anormalidade com a questão da pandemia – que é argumento válido para todas as equipas –, este talvez seja o pior trabalho, ainda que a meio e recuperável, reconhecido a Jorge Jesus. Se o gosto pelo jogo partido continua lá, há erros contínuos nos passes em fase de construção – que aumentam com Taarabt e/ou Gabriel em campo – e que expõem o setor mais recuado, e ainda uma primeira e segunda linhas de pressão que deixam constantemente a bola descoberta e que possibilitam ao adversário colocá-la nas costas da defesa. Depois, também os erros individuais que alguns jogadores acrescentam – o caso de Otamendi tem sido o mais flagrante – não ajudam. Se Jesus nada pode fazer neste último ponto, a equipa não parece ter evoluído muito nos anteriores. Mesmo que Gilberto agora se posicione mais por dentro, quando a bola circula do outro lado, para prever uma mais forte reação à perda.

Se defensivamente, as coisas não melhoram, o excessivo jogo interior em ataque posicional torna a equipa demasiado previsível. Everton é um jogador que não consegue jogar por fora, precisa que Grimaldo esteja em overlappings constantes, o que também o desprotege defensivamente. Rafa ataca muito mais o canal interior entre lateral e central do que a linha e já se sabe que Gilberto não consegue grande profundidade. Além disso, mesmo a forçar o jogo interior, os elementos mais adiantados estão sempre muito estáticos sem procurar movimentos de rotura. Waldschmidt continua a ser o único a tentar encontrar espaço entre linhas, mas atravessará um momento de menor confiança – e acaba quase sempre como sacrificado, ainda que com outros em pior momento.

Mesmo que apresente largura, se ninguém se movimentar, o impasse continua. Nos Açores, verificaram-se algumas melhorias no primeiro tempo, mas a verdade é que o Santa Clara deu 45 minutos de avanço.

O que piorou bastante foi a transição ofensiva, com o desperdício de inúmeras situações de superioridade e igualdade numérica em determinados jogos, e que se explica pela tomada de decisão geralmente deficiente dos atacantes, nomeadamente Rafa, Seferovic e Darwin. O uruguaio tem também outro defeito grave, que é o primeiro toque – a receção simples ou orientada – e que o tem prejudicado em muitos momentos. Apresenta outras valências e não são poucas, mas se quer singrar ao mais alto nível, tem de começar a reagir melhor ao momento em que recebe a bola. A isso e ao posicionamento no momento do passe de rotura.

As declarações do técnico também fazem parte do pacote. O vamos arrasar vai ter eco cada vez maior sempre que os jogos não correrem bem, mas têm surgido igualmente declarações menos adequadas sobre alguns jogadores, como Gonçalo Ramos e agora Diogo Gonçalves, que nada lhes acrescenta em termos de confiança. E, sobretudo, aquela em que colocou o futebol brasileiro ao nível da Premier League terá deixado os adeptos preocupados. Será que Jesus pensa mesmo assim, e daí a aposta em Everton, os suspiros por Gerson e Bruno Henrique, e agora a chegada de Lucas Veríssimo? É que se é verdade que JJ beneficiou de um pensamento e método europeu – e talvez do melhor plantel do Brasileirão, reforçados com jogadores acabados também de chegar da Europa – para ganhar o que ganhou pelo Flamengo, a realidade no Velho Continente é bem outra.

Há questões mais profundas, que se prendem com o regresso à Luz depois da passagem pelo rival – com acusações e palavras feias, entretanto certamente já esquecidas pelas partes, embora não pelos adeptos –, mas sobretudo depois da mudança de rumo. Primeiro, a questão de princípio: ao fazer regressar Jesus, Luís Filipe Vieira resignou-se àquele que passou a ser o melhor treinador que o Benfica poderia contratar, fosse ou não verdade na altura. Uma espécie de fim da história, como professava Fukuyama.

Depois, o paradigma. O emblema da Luz chegou a ter um dos melhores departamentos de scouting da Europa e ainda terá também uma das melhores academias de formação, com jogadores que estão à porta da equipa principal. A porta parece fechada para os dois circuitos, enquanto Jesus estiver no banco. Contratado quase com um selo de garantia de sucesso imediato – que passava pelo apuramento para a Liga dos Campeões e que se estende ao título e, agora, a uma boa participação na Liga Europa –, é difícil não olhar para estes primeiros meses com alguma desconfiança.

O Benfica parece parado no tempo. Em campo, não evolui. Na política desportiva, terá involuído."


Com a devida vénia, Luis Mateus em "A Bola"

PORQUÊ?

Com um plantel de milhões, com um treinador que, até agora, tinha brilhado em todo o lado, nem mesmo assim o Benfica apresenta um futebol consistente e compatível com uma equipa que quer ganhar títulos.

A Champions foi logo por água abaixo, a Supertaça também já lá vai, a Taça da Liga escapou por pouco, e no Campeonato alguma sorte tem evitado o total descalabro. Como a sorte não dura sempre, alguma vez a coisa acabaria mal. Foi hoje.

É incompreensível aquilo que se passa no Benfica. E a história já vai longa. Começou nos últimos tempos de Rui Vitória, repetiu-se na segunda época de Lage, e agora é o que se vê. Sempre com plantéis mais caros e extensos que os dos adversários, sem renderem o que podem e deles se espera, a afundarem-se na mediocridade competitiva. Jogadores apáticos e entregues, sem rendimento nem alegria, nem reacção. 

Zero remates na última meia hora, com o jogo empatado?!?!? Mas o que é isto? 

Porquê?

Urge uma explicação. Exige-se uma explicação. Não podemos pagar quotas e não perceber o que se passa no clube que amamos.

O Benfica está doente, e enquanto não houver um murro na mesa, e não se identificar essa doença, as coisas não vão melhorar.

Neste momento, Sporting, Porto e Braga jogam mais, e gastaram muito menos. 

E se olharmos para as restantes modalidades do clube, o padrão mantém-se. Se há relação, não sei. 

Mas, volto a dizer, espero e exijo explicações. E parece-me que seria altura do presidente dizer alguma coisa. 



SEM BRILHO

Jorge Jesus dispensou a nota artística, e os jogadores levaram à letra. A exibição foi muito pobre, se exceptuarmos os primeiros 20 minutos, e a partida terminou em aflição - mesmo diante do último classificado da Liga.

Este Benfica é um case study, e já não é de agora. 

Enfim, pode ser que o ano novo traga vida nova. E já agora algumas mudanças no plantel. 

POR LINHAS TORTAS

Mau demais.

Tudo. O jogo, o árbitro, o Benfica. 

De boa qualidade parecem ser as vitaminas que os jogadores do FCPorto tomam sempre que jogam com o Benfica ou na Champions. Voam em campo, pressionam como cães, e quem vê futebol há muito tempo sabe que não há milagres.

Quanto à arbitragem, parece ter ficado um penalti por marcar na área portista, mas o que não me convence mesmo são as linhas de fora de jogo no lance que origina o primeiro golo. As linhas são, digamos, como o Natal: onde um homem quiser. E quando mete Porto, já se sabe o que os homens querem.

E por fim, o Benfica. Os problemas de sempre, acrescentados por uma abordagem ridícula de Jorge Jesus ao jogo (meio campo a descoberto) e sobretudo às substituições, deixando Everton e Waldschmidt em campo até ao absurdo, tirando Rafa que parecia o único capaz de romper a defesa do FC Porto.

Enfim, num ano para esquecer a todos os níveis, o Benfica interpretou isso na perfeição perdendo tudo de todas as maneiras.

Muito para reflectir. Sobre o Benfica e sobre o futebol português. 


E QUE TAL UM 4-3-3?


 

BENFICA NA SUPERTAÇA


 

CINZENTO. DEMASIADO CINZENTO.

Não fosse Vlachodimos, e a história deste Gil Vicente-Benfica tinha sido outra.
Mesmo a jogar contra dez toda a segunda parte, os encarnados ficaram a dever ao guardião grego (mais) uma vitória demasiado difícil para o potencial da equipa.
E não, desta vez o problema não esteve na defesa. O Gil Vicente pouco ou nada atacou durante a primeira parte, e mesmo assim o Benfica mostrou-se totalmente incapaz de ultrapassar a cortina defensiva montada pelo treinador contrário. Foi lento, previsível, parco de ideias, expectante, e acomodado às circunstâncias. Para quarta-feira, temo o pior.
Continuo a pensar que Jorge Jesus é o melhor treinador português, e se ele não consegue colocar esta equipa a jogar futebol, mais ninguém conseguirá. Recordo que o mal já vem de Rui Vitória, e de Bruno Lage, que depois de conquistarem títulos não evitaram um apagão total difícil de compreender e nunca devidamente analisado.
Já disse também que a perda do campeonato passado não chegou a ser explicada. Tinha de o ser. E talvez essa explicação fizesse luz ao que ainda se passa com esta equipa do Benfica. A verdade é que o problema existe e mantém-se. Depois de um investimento de quase 100 milhões de euros, não é de qualidade individual do plantel. Também está visto e revisto que, depois de Vitória, Lage e agora Jesus, não é de treinador. O presidente é o mesmo do Tetra. Será de estrutura? Será de balneário? Bem gostava de saber. E ainda espero que me expliquem.

PS: Nada disto tem a ver com o que se passou em Alvalade. Aquele penálti foi uma inqualificável resposta ao barulho que o Sporting fez em Famalicão. Infelizmente, quem não chora não mama. E a arbitragem portuguesa não se dá ao respeito, cedendo à mais pequena pressão.

SORRISO AMARELO

Decididamente não vi o mesmo jogo que Jorge Jesus.
Aos meus olhos, a exibição do Benfica foi muito pobre, e só com alguma sorte se salvou de cair desde já da Taça da Liga.
A primeira parte foi mesmo medonha. Só quando entrou Pizzi, se viu algum futebol - ainda assim, pouco para o que se espera deste plantel.
Não, o problema não é só a defesa. É também a incapacidade do meio-campo (quer para destruir, quer para construir), e a ineficácia do ataque (que tem dias).
Estamos já perto do Natal, e o Benfica de Jorge Jesus tarda em aparecer. É certo que há desequilíbrios no plantel (que a eliminação prematura da Champions acentuou), mas mesmo com este plantel, mesmo com estes jogadores, há que jogar mais, há que correr mais, há que vencer, pelo menos, os Guimarães, os Paços de Ferreira e os Boavistas desta vida.


PARA GANHAR

 

BENFICA NA TAÇA DA LIGA

 

HOJE ACESSÍVEL, EM FEVEREIRO UMA INCÓGNITA

 

Ocupa o 15º lugar da Premier League, e está com graves problemas de balneário. O treinador Arteta está por dias. Hoje seria um adversário acessível. Como estará o Arsenal em Fevereiro? E o Benfica?

Por agora fiquemos com uma grata recordação da equipa londrina:

A VERDADEIRA LIGA DOS CAMPEÕES?


Consequentemente nenhum dos 16 sobreviventes na Champions lidera o seu campeonato nacional. Atlético de Madrid e Liverpool têm os mesmos pontos do líder, todos os outros estão para trás. E alguns bem para trás...

OBRIGAÇÃO CUMPRIDA

 Os golos apareceram cedo, e isso ajudou.
Após o 5-0 a equipa perdeu fulgor, o que também se compreende.
Eliminatória passada, e alguns bons apontamentos. Destaque para Pedrinho, que bem trabalhado pode dar craque.

SEMÁFORO EUROPEU


Numa Liga Europa com 6 ex-campeões europeus e 9 líderes de campeonatos nacionais, não ser cabeça-de-série é de facto um problema.
E no lote dos possíveis adversários do Benfica não vejo nenhuma facilidade. Mas convenhamos que é diferente defrontar o Dínamo Zagreb ou o Tottenham de Mourinho (líder da Premier League).
Por mim, não me importava de apanhar o Ajax, o PSV (contas a ajustar) ou mesmo o Arsenal. Fazem cartaz, e dão algumas possibilidades. 

ASSIM ASSIM


Vendo o copo meio vazio, observamos um empate tristonho, contra uma equipa bastante débil, anotamos mais uma quantidade significativa de falhas defensivas, e o falhanço do objectivo relativo ao primeiro lugar do grupo - que pode custar caro no sorteio de segunda-feira.
Vendo o copo meio cheio, vemos um conjunto de oportunidades criadas que daria para vencer dois ou três jogos, e a evidência do guarda-redes do Standard ter sido o melhor em campo, com um punhado de defesas de golo (além das bolas no poste e na trave). Algum azar, portanto.
Tudo é verdade, sendo que o Benfica fica a dever à ineficácia a construção de uma vitória robusta.
Porém, há que dizer que os encarnados marcaram mais dois golos, e terminaram esta fase de grupos como um dos melhores ataques da prova. O que é revelador quanto ao verdadeiro problema da equipa, que toda a gente sabe situar-se mais atrás: na defesa, na forma de defender, nas transições defensivas, enfim, em tudo o que deveria servir para evitar golos aos adversários.
Faltam dois laterais consistentes, e um médio defensivo varredor. Este é um problema estrutural do plantel encarnado, que só o mercado poderá resolver. Este Jesus, não é Cristo. É apenas Jorge e não faz milagres.

GERIR


 

MILAGRE

 Tudo está bem quando acaba bem.

E o golo de Luka, no último lance do jogo, tornou francamente positiva uma jornada que parecia terminar bastante mal.

Para trás ficou uma exibição demasiado pobre para ser justificada apenas pelo cansaço. Estamos em Dezembro, e este Benfica de Jesus, mesmo com o mais elevado investimento da história, tarda em aparecer. 

Também é verdade que foi prejudicado pela arbitragem. O golo do Paços é um compêndio acerca do fora de jogo posicional. No momento do remate, há dois joagores deslocados. Um não tem interferência na jogada. O outro tem. Simples.

Enfim, o que conta é que numa semana os encarnados somaram três vitórias. Talvez seja prenúncio de uma equipa mais confiante e segura de si no futuro próximo. 

PIZZI - um nome para a história

Este é o quadro com o top-dez dos melhores marcadores de sempre do Benfica em provas europeias. Só José Augusto, Coluna e Pizzi não são avançados.


Para trás ficam nomes como João Pinto, Simão, Filipovic, Simões, Rui Águas, Diamantino, Rui Costa, Saviola, Chalana, Di Maria, Valdo, Magnusson, Jonas ou Aimar.
Pode gostar-se mais ou menos do transmontano. Mas os números não mentem. É craque e está na história.

BOAS SENSAÇÕES

Desde 2010 que o Benfica não ganhava por quatro golos de diferença numa competição europeia.
É verdade que o Lech Poznan não é nenhum colosso. Mas não será muito pior do que o Boavista, e ainda não há muito tempo, no Bessa, foi o que se viu.
A equipa de Jesus entrou confiante, e confiante se manteve ao longo do jogo, produzindo um futebol agradável e construindo uma vitória robusta que garante o apuramento. Noutros jogos, também entrou confiante, mas as falhas defensivas originaram golos aos adversários, e foi esse o principal factor de inquietação que arrastou todo o onze para o cinzentismo. Desta vez não houve golo sofrido, e as coisas correram com maior normalidade.
É uma pena que, por uma mera questão de golos fora, os encarnados dependam de terceiros para chegar ao primeiro lugar do grupo, o que pode fazer diferença na hora do sorteio dos dezasseis-avos-de-final. Enfim, o mais importante era segurar o apuramento, e isso está feito.
De notar que o Benfica marcou já 16 golos nesta fase de grupos. É o segundo melhor ataque atrás do Bayer Leverkusen. Só Pizzi e Darwin marcaram 10 golos. Decididamente não é na frente que a equipa tem problemas.
Agora...campeonato. A Europa pode esperar.

TRÊS PONTOS


VITÓRIA: Nesta fase o Benfica precisa, sobretudo, de ganhar confiança. E isso consegue-se com vitórias. Ganhar na Madeira é sempre difícil, pelo que esta foi uma vitória importante.
OTAMENDI: Os benfiquistas têm uma certa tendência para crucificar jogadores. Otamendi representou o Porto (como João Félix, Miklos Feher, Rui Águas ou Bèla Guttmann), e isso faz dele um alvo fácil.
Creio que neste momento o jogador precisa de apoio, e confiança, pois só assim poderá atingir o nível que dele se espera. Não dou pois para o peditório da fogueira. Até porque os problemas do Benfica não se centram em Otamendi, e estão longe de se limitar ao quarteto defensivo.
ANTI-JOGO: Separo claramente duas coisas. Uma é a utilização de tácticas defensivas, com muitos jogadores atrás da linha da bola, marcações em cima, e poucas saídas para o ataque - tudo isso é legítimo e faz parte do futebol. Outra é a queima deliberada de tempo, corte de ritmo, simulação de lesões e provocações aos adversários - o que já acho intolerável. O Marítimo, abusando do primeiro (o que temos de aceitar), entra também vezes demais no segundo comportamento (o que é condenável e já não se vê nos principais campeonatos europeus). Cabe ao árbitro gerir isso, e os sete minutos dados na primeira parte foram uma boa resposta.
EVERTON: Foi o homem do jogo, mas penso que pode fazer mais. Tanto no plano ofensivo, como no fechar do flanco e auxílio a Grimaldo.  
SEGUNDO GOLO: É verdade que a falta é marcada ao contrário. Mas é a meio-campo, e não só ninguém adivinhava o que dela resultaria, como o VAR fica impedido de intervir para anular o lance.

PONTO DE INTERROGAÇÃO


Salvou-se um ponto. Mas este ponto é de interrogação face ao futuro próximo da equipa do Benfica.
Até aos 75 minutos, a exibição foi medíocre, e a ameaça de goleada bem real.
Como o Rangers não é o Bayern de Munique, bastaram 15 minutos de algum futebol para inverter o rumo dos acontecimentos, e praticamente colocar uma pedra sobre o assunto do apuramento - também, era o que mais faltava o Benfica não se apurar num grupo da Liga Europa...
Se tantas vezes a defesa comprometeu, desta vez o ponto crítico situou-se no meio-campo. Até ver, não me parece que Gabriel seja um "seis", e Chiquinho jamais será um "oito". Apesar de tudo, Pizzi é Pizzi, e quando quer é jogador para ser indiscutível no onze encarnado. Também porque tem veia goleadora, coisa que rareia naquele meio-campo.
Destaque para o jovem Gonçalo Ramos, que também tem golo, e pode vir a ser uma solução interessante para algumas partidas.
O árbitro poupou uma grande penalidade clara ao Benfica. As vezes também acontece. Aliás, na UEFA acontece frequentemente contra os pequenos (já tinha ocorrido com o Liége), sucedendo o contrário frente aos grandes (Bayern, Chelsea, Barcelona, para me lembrar alguns casos bem evidentes).  Quem viu a arbitragem do Inter-Real Madrid, perceberá o que quero dizer. Por vezes as competições europeias fazem-me lembrar dos jogos de caricas que fazia em criança, nos quais, depois de muita intensidade e drama, ganhava sempre quem eu queria. A sorte é que nesta fase de grupos da Liga Europa, o Benfica também é um dos grandes.

O ONZE POSSÍVEL


 

10 FOTOS DE DEUS

Início de carreira nos Argentinos Juniors, dando-se a conhecer ao mundo no Mundial sub-20 de 1979 no Japão.

Transferência para o Boca Juniors, seu clube de coração, onde se faz estrela.

Não é feliz no seu primeiro Mundial, em 1982, acabando eliminado e expulso com o Brasil, após agressão a um adversário.

Transfere-se para o Barcelona, onde uma hepatite no primeiro ano, e depois uma lesão grave no segundo, condicionam a sua afirmação.

Procura a felicidade em Nápoles, e encontra-a. Os seus melhores anos são no clube do sul de Itália, levando o até aí modesto emblema ao título nacional por duas vezes e a uma vitória da Taça UEFA.

Os quartos-de-final do Mundial 86 trazem os momentos mais célebres da sua carreira: primeiro marca um golo com a mão (dirá ter sido com a mão de Deus)... 

...pouco depois anota aquele que é considerado o melhor golo de sempre, num impressionante slalon que destrói a selecção inglesa. Dias mais tarde conquistará o título com uma selecção construída em seu redor, e consagra-se definitivamente como o melhor do mundo.

No Mundial de Itália elimina a equipa da casa em...Nápoles, num ambiente escaldante que tentou condicionar. Porém, a Argentina cai na final diante da Alemanha, com uma arbitragem polémica.

Cai em desgraça, deixando-se enredar nas malhas da droga. Os anos 90 são de decadência e de caminho para o abismo.

Tenta regressar aos Mundiais em 1994. Ainda marca um golo. Mas após a segunda jornada é apanhado no doping, e termina a carreira internacional pela porta do fundo.


A sua vida dava (e deu, graças a Kusturica) um filme. Viajou entre o céu e o inferno, sempre com alta intensidade. É sem dúvida o jogador mais talentoso de sempre, e quem o viu (tive a felicidade de viver o seu tempo) jamais o esquecerá.

CURVEMO-NOS PERANTE EL PIBE


Não sei se foi o melhor de sempre (a irregularidade, porventura a droga, talvez não o tenha permitido), mas foi, sem dúvida, o mais talentoso, com um pé esquerdo absolutamente sobrenatural.
Mas melhor do que dizer o que quer que seja sobre Diego Armando Maradona, é recordar alguma da sua magia. Aqui fica a homenagem de VEDETA DA BOLA:

D.E.P. BASTOS

 

Morreu mais um do heróis da Taça Latina. Uma lenda das balizas do Benfica. José Bastos. Até Sempre!



PREOCUPANTE

...e vamos ver o que mais acontece até quinta-feira.
 

ENFADONHO

Quem joga com um onze que parecia um espécie de lista de dispensas, arrisca-se a que as coisas não corram bem.
Neste caso valeu apenas a vitória, numa noite enfadonha e sem quase nada a assinalar.
Venham os próximos jogos, para vermos se a verdadeira equipa do Benfica está ou não recuperada do vírus que a atingiu antes da paragem para as selecções.

O ONZE POSSÍVEL

Infelizmente as infecções por Covid 19 já não surpreendem.
Em todo o caso, não se percebe como foi possível realizar estes jogos das selecções, com múltiplas viagens intercontinentais, e mistura de jogadores de vários países.  Como se está a ver trata-se de uma bomba relógio, e o Benfica tem a sua dose.
Não sei se Weigl e Darwin seriam titulares na Taça. Entre lesões, covid e cansaço, este parece o onze possível:

BENFICA NA TAÇA

 

NÃO DIRIA MELHOR

"(...) não lanço, pois, o apelo à “Paz Benfiquista”, uma vez que isso seria colocar-me sob fogo amigo e inimigo. Mas deixo um repto: se sem essa paz, como sabemos, é impossível alcançarmos o sucesso, para quê manter a guerra?

O processo eleitoral teima em não findar, com um pedido de recontagem de votos (e não contagem, como muitos parece não perceberem) feito 15 dias depois da proclamação do vencedor, apesar do vencido, com muita dignidade, ter aceite os resultados, o que mantém abertas feridas que já deviam estar a sarar, com reflexo claro nas redes sociais: a cada golo sofrido, a cada revés, enchem-se de ódio e proclamações vertiginosas.

Ódio esse incompreensível, deixem-me que vos diga. Um querido amigo, com o humor refinado que muitos lhe conhecemos, perguntava antes do último jogo para o campeonato, em pleno Twitter, uma coisa deste género: não levam a mal que apoie o Benfica?

Muitos de nós crescemos com os nossos Pais a ensinarem-nos que assobiar o Benfica era pior que cuspir no prato da sopa. Esses professores, que aprenderam, por sua vez, de seus Pais, envergonhar-se-iam se descessem ao Twitter, ao Facebook ou ao Whatsapp durante um jogo de futebol do nosso Benfica. Aí não se assobia, mas faz-se pior: achincalha-se, destroem-se jogadores e faz-se política no infortúnio - como será, lamentavelmente, feita na vitória (...)

João Pereira da Costa

in  https://www.benficaindependente.com/

DIA 1 DE JANEIRO, SEM TEMPO A PERDER


Se não for possível chegar a Gerson, pois que venha outro número oito de qualidade, para ser titular indiscutível.


AS BUSCAS

Acerca das buscas à SAD do Benfica, digo apenas o que sempre disse a propósito de todas as situações anteriores: no dia em que se provar, repito, provar, preferencialmente em mais de uma instância (pois a justiça também tem dias, como se viu com o procurador Valter Alves), que o Benfica subornou árbitros ou jogadores adversários para facilitar jogos, tirarei as devidas consequências, reverei os meus posicionamentos, e retirarei o apoio a esta direcção e a este presidente. Até lá, vejo muito fumo e pouco fogo, e tudo aquilo que eu possa acreditar ter acontecido não duvido ser generalizado a outros clubes e ao futebol nacional e internacional no seu todo.
Comissões, offshores, branqueamentos, fuga ao fisco, sacos azuis, negócios por baixo da mesa, infelizmente começam na FIFA e acabam em clubes dos distritais. Vejam-se os e-mails de todos, investiguem-se todos, caso contrário não haverá moralidade.
Luís Filipe Vieira não é certamente um santo. Mas até prova em contrário não é um criminoso. É um homem do meio, que pode não ter feito tudo bem, mas não acredito que tenha pisado as linhas vermelhas que acima coloquei. É essa a minha profunda convicção.
Sei também que o mediatismo do futebol, e a sua vertente concorrencial e conflitual, traz para as primeiras páginas dos jornais questões que provavelmente nem notícia seriam se de uma qualquer empresa de outro ramo se tratasse. É preciso perceber isso, e deixar correr a tinta. Confesso que, para já, me preocupam mais as derrotas com Boavista e Braga, e os buracos na defesa, do que este tipo de espectáculo.
Posto isto, vamos deixar que o JN, o Jogo, o CM, a Sábado etc, se divirtam com o assunto. E esperar que nada disto desvie o Benfica do seu foco: a conquista de títulos.

HECATOMBE DEFENSIVA


Lembro o que escrevi na última quinta-feira: "...enquanto o Benfica tiver laterais medíocres e demasiado ofensivos, extremos que não defendem, centrais lentos, médios macios e pouco dados a coberturas, não pode ter quaisquer ambições internacionais. E mesmo nacionais, vamos ver..."
Infelizmente não foi preciso esperar muito tempo para mais uma negra demonstração de falta de segurança defensiva, que elevou para nove o número de golos sofridos apenas numa semana, a uma preocupante média de três por jogo.
Olho para o plantel do Benfica, e não vejo forma de Jorge Jesus resolver o assunto com a matéria-prima de que dispõe. De todos os defesas, apenas Grimaldo tem qualidade e intensidade ao nível do resto da equipa (leia-se, das linhas ofensivas), e mesmo assim tem características que obrigariam a mecanismos de compensação bastante rigorosos no eixo da defesa e no meio-campo defensivo. Otamendi e Vertonghen tiveram a sua época, um deles ao lado de um central rápido poderia disfarçar as limitações físicas, mas a utilização de ambos, ao mesmo tempo, torna essa tarefa impossível. Em Gilberto, Diogo Gonçalves e Nuno Tavares, lamento, mas não vejo qualidade para o Benfica, André Almeida seria talvez um bom suplente, mas nem conta para esta temporada, Jardel está acabado, e Ferro não se afirmou. Ou seja, era preciso uma defesa inteiramente nova para tornar este plantel capaz de se superiorizar aos oponentes internos, e deixar boa imagem na Europa. Com quase 100 milhões de euros investidos em extremos e avançados, fica o lamento de não se ter dado atenção à defesa, como se fosse coisa sem importância. A verdade é que qualquer Braga, qualquer Rangers, e até qualquer Boavista, expõe este Benfica a dissabores. E a causa está à vista de todos.
Vlachodimos, nesta e em épocas anteriores, tem disfarçado muita coisa. Hoje nem isso aconteceu.

O SALVADOR

Exibição muito, muito, muito pobre.
Defesa muito, muito, muito permeável.
Resultado muito, muito, muito lisonjeiro.
Valeu Darwin para evitar uma humilhação europeia em casa - que a dada altura parecia inevitável.
O apuramento não está, para já, em questão. Mas a preocupação cresce. E no Domingo há Braga.
Enquanto o Benfica tiver laterais medíocres e demasiado ofensivos, extremos que não defendem, centrais lentos, médios macios e pouco dados a coberturas, não pode ter quaisquer ambições internacionais. E mesmo nacionais, vamos ver...
Por agora, apenas um sorrisinho amarelo.

CAVALOS DE CORRIDA

Excepcionalmente, começo pelo adversário: esta equipa do Boavista ainda não tinha ganhado um jogo, fora cilindrada pelo FC Porto em casa por 0-5, e ocupava o penúltimo lugar da tabela.
Não acredito que, em qualquer uma das outras partidas do campeonato, os axadrezados tenham jogado assim, tenham corrido assim, ou tenham manifestado a frescura física que hoje permitiu, já dentro dos últimos dez minutos, que alguns dos seus jogadores ainda fizessem sprints monumentais, e ganhassem bolas em corrida a adversários acabados de entrar em campo. Elis, por exemplo, a jogar sempre deste modo, seria ...Mbappé. Mas contra o FC Porto ficou no banco, e entrou na segunda parte sem grande gás.
Já vejo futebol há muitos anos, e o Boavista - que em tempos era tido como a equipa que mais corria em toda a Europa, e que mais tarde se soube que até no banco de suplentes se injectava - tem atrás de si uma tradição, diria, de grande combatividade.
Foi no cruzamento entre uma equipa preparada fisicamente e clinicamente até ao nível de se parecer, a espaços, com um Bayern de Munique, e um Benfica cansado e pouco inspirado, que este resultado se deu.
Deixo portanto os meus parabéns aos preparadores físicos e à equipa médica do Boavista. Assim, serão candidatos, pelo menos, ao apuramento para a Liga dos Campeões.
Quanto ao Benfica, a luta continua. Foi uma pena desperdiçar a hipótese de deixar o FC Porto a oito pontos, mas a vida é mesmo assim. No próximo fim-de-semana os encarnados voltarão à liderança. É a minha convicção.

VITÓRIA SEGURA


A notícia da noite foi o regresso dos adeptos às bancadas da Luz. Não como todos gostaríamos (estádio cheio), mas nas circunstâncias actuais é o que se pode arranjar. E é melhor do que nada.
A equipa encarnada brindou as bancadas com uma vitória clara, e uma exibição consistente (bastante melhor o sector defensivo...), dando passo de gigante rumo ao apuramento. Com seis ponto de avanço só uma hecatombe tirará o Benfica da segunda fase.
Destaque para Pizzi, com dois golos. O transmontano entrou no top-15 de goleadores europeus da história do Benfica, superando nomes como Jordão, Simões, Rui Águas, Diamantino, Filipovic, Lima, Rui Costa, Saviola, Chalana, Carlos Manuel, Di Maria, Magnusson, Jonas e Valdo. A história escreve-se assim, e com maior ou menor simpatia dos adeptos, a verdade é que Pizzi tem números extraordinários - sobretudo tratando-se de um médio.
Nota final para a arbitragem. Tantas vezes o Benfica foi prejudicado na Europa, nomeadamente sempre que chegou a fases mais adiantadas da Liga dos Campeões (Barcelona, Chelsea, Bayern...), que manda a honestidade reconhecer que desta vez foi beneficiado. O primeiro penálti aceita-se, mas no segundo a falta é fora da área, havendo um lance posterior na área encarnada que foi assinalado fora (sendo Diogo Gonçalves poupado à expulsão). 

GANHOU O BENFICA!


Eleições mais participadas de sempre, e sem quaisquer incidentes.

Resultado clarificador.

Campanha conduzida com elevação (enfim, descontando uma ou outra declaração compreensível em momentos eleitorais).

Grande vitória do Benfica!

O resultado legitima amplamente a continuidade do projecto mais empreendedor e ganhador da história do clube.

Uma palavra para os derrotados. Sobretudo para João Noronha Lopes, que realizou uma campanha interessante, congregou apoios de benfiquismo insuspeito, e pode vir a colocar-se como alternativa válida ao pós-Vieira. O Benfica também precisa dessa consciência crítica, sobretudo se exercida com a elevação manifestada pelo candidato alentejano.

Agora a eleição terminou, os sócios escolheram, e todos os benfiquistas devem estar unidos no apoio à sua equipa. Venham os títulos!