ATÉ JÁ !


"O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso !" BILL SHANKLY


Está em penúltimo lugar do campeonato alemão, mas na Uefa tem conseguido bons resultados - em seis jogos apenas perdeu com o Everton.
Muito bom para o Sporting, bom para Benfica e azarado para Sp.Braga. É assim que defino a forma como decorreu o sorteio da Taça Uefa.
Já a entrada de Nuno Gomes, e a sua utilização simultânea com Cardozo na frente de ataque, parece ter tido enorme peso na forma como a defesa do Estrela se acabou por desorganizar. Penso ser esta uma solução mais adequada a jogos desta natureza, em que o adversário, mais ou menos fechado – e o Estrela nem é dos piores… - vem jogar a pensar no pontinho do empate. Também Di Maria parece querer retomar o rumo que anunciava aquando das suas primeiras aparições na alvorada da época, o que oferece novas soluções ao ataque do Benfica.
Com uma exibição segura e convincente, o Sp.Braga alcançou o apuramento para os dezasseis-avos de final da Taça Uefa, juntando-se assim a Benfica e Sporting no sorteio de amanhã.
Nem só de grandes jogos nacionais ou internacionais vive a memória dos adeptos. Por vezes foi mesmo na nossa região, na nossa terra, ou mesmo no nosso bairro que se disputou aquele ou aqueles jogos que mais fortemente nos marcaram, e que parecem querer viver para sempre na nossa lembrança. Um desses casos, que marcou profundamente a minha infância, foi sem sombra de dúvida um célebre Juventude de Évora-Estoril, disputado em Maio de 1981, e que, na última jornada do campeonato, perante um estádio a abarrotar, decidia a subida à primeira divisão. Creio que nenhum adepto do futebol em Évora alguma vez se esqueceu dessa soalheira tarde de domingo.O princípio de temporada não foi bom, e à quarta jornada o Juventude estava abaixo da linha de água com três derrotas consecutivas. No final da primeira volta contudo, mesmo com o peso de cinco derrotas e quatro empates em quinze jogos, a equipa já fora capaz de recuperar até ao sétimo lugar.Na segunda volta, o Juventude explodiu então para uma das mais entusiasmantes temporadas da sua longa história. Com onze vitórias em treze jogos - série apenas interrompida por uma derrota no Campo Estrela diante do eterno rival por 1-0 e um empate em Beja -, triunfando em terrenos difíceis como Faro (0-1 ao Farense com golo de José Fernandes), Cova da Piedade, Oriental, Odivelas ou Montijo, quase sempre de forma tangencial (onze vitórias tangenciais no campeonato), a equipa azul e branca foi trepando lugares na classificação, e a quatro jornadas do fim era já segundo classificado a dois pontos do líder Estoril-Praia.Na antepenúltima jornada, os eborenses venceram em casa o Vasco da Gama de Sines por 3-2, enquanto o Estoril derrapava, perdendo o seu jogo e deixando-se igualar no topo da tabela. A equipa estorilista beneficiava contudo da vitória por 1-0 sobre o Juventude na última jornada da primeira volta, mas…ainda tinha de jogar em Évora.Na jornada seguinte o Estoril ganhou, mas o Juventude não foi capaz de pontuar no Estádio dos Barreiros diante do Nacional, perdendo por 2-0, num jogo que, com a equipa já envolvida até ao pescoço na luta pela subida, fez juntar uma pequena multidão junto da sede do clube para ouvir o relato.
Mas nada estava perdido. Na última jornada, com dois pontos a separá-los, jogava-se na Cidade Museu um Juventude-Estoril ! Em caso de vitória por dois ou mais golos de diferença, o Juventude igualava o adversário e ganhava vantagem no confronto directo, subindo assim de forma directa, à primeira divisão. Qualquer outro resultado garantia a subida aos estorilistas, remetendo a equipa alentejana para a liguilha de promoção.Não me recordo de ver tão grande enchente no Sanches de Miranda, e só a presença da selecção em Évora, antes do último Mundial, terá trazido tanta gente ao futebol na cidade nos últimos quarenta anos. Foi erguida uma bancada suplementar, e foi precisamente nela que me sentei. Tinha onze anos, e as emoções eram muitas e muito fortes.Nessa tórrida tarde de domingo, o Juventude alinhou com Peres, Simplício, José Carlos, Ricardo, Modas, Lelo, Quim, Fernando, Edvaldo, Coentro Faria e Bolota. Viriam a entrar depois Carvalho e Baía.O Estoril-Praia, orientado por António Medeiros, apresentava uma equipa tremendamente experiente e à base da que jogara a temporada anterior (e jogaria na seguinte) na primeira divisão: Manuel Abrantes, Teixeirinha (ex-F.C.Porto), Franque (futuro jogador do Juventude), Pedroso, José António (futuro internacional do Belenenses já falecido), Paris, Manaca (ex-Sporting e V.Guimarães), Salvado, Jerónimo (ex-juventudista), José Abrantes e Diamantino (ex-titular do Benfica, no início dos anos setenta).
Depois de uma primeira parte equilibrada, e quando já se estava à beira do intervalo, Coentro Faria conseguiu uma recarga vitoriosa a um remate de meia distância, atirando para o fundo da baliza de Manuel Abrantes. Foi o delírio no estádio, com uma mini-invasão de adeptos eufóricos com um golo em tão importante momento.Durante o intervalo a esperança tomou conta do estádio e da cidade. Mas logo aos cinco minutos do segundo tempo, José Abrantes desviou ao primeiro poste um cruzamento de Diamantino, e bateu Peres, restabelecendo a igualdade, e complicando as contas da equipa juventudista.O Juventude sentiu muito este golo, e não mais voltou a ser a equipa acutilante que fora até então. Veio ao de cima a experiência do Estoril, e a dez minutos dos noventa, de novo José Abrantes, em lance individual, acabou com o jogo e com a ilusão dos da casa. 1-2 foi o resultado final, com a invasão final a ser agora dos muitos adeptos que acompanharam o Estoril, e no relvado fizeram a festa de uma subida que deixou Évora banhada em lágrimas.Embora não fosse a primeira vez que o clube eborense estava próximo da primeira divisão, o facto de o jogo se disputar em Évora, de ser uma última jornada, e até pela carreira crescente da equipa tornou esta partida verdadeiramente lendária. Foi sem dúvida um momento para a história do clube, seguramente um dos mais amargos, mas inegavelmente um dos que mais alto fez soar o nome do clube.
Desse jogo ficou também a polémica em torno de Coentro Faria que, à data desta decisiva partida, estaria já comprometido com o Estoril, onde jogou no ano seguinte. O ponta-de-lança, que marcara quinze golos no campeonato (mais sete que Bolota, o segundo melhor marcador da equipa) foi então acusado de falta de zelo contra a sua futura equipa, contribuindo assim para a derrota. Acusações sem qualquer sentido, até porque, para além do golo do Juventude ter sido marcado justamente por Coentro Faria, Franque, defesa estorilista nessa partida, jogaria no Juventude no ano seguinte. Coentro Faria, anos mais tarde, em duas diferentes ocasiões, viria a treinar a equipa eborense, mas sócios houve que nunca se esqueceram dessa polémica.
Ainda recordo a emissão de um resumo da partida, com reportagem da festa estorilista, no telejornal do dia seguinte. Dia de grande e profunda decepção, mas de renovado fervor clubista, como em mim as grandes derrotas sempre tiveram condão de fazer recrudescer.
Na liguilha, duas derrotas em casa com Académico de Viseu e Nazarenos, deixaram o Juventude fora da corrida. Apesar de na época seguinte chegar a andar algumas jornadas no comando da classificação, nunca mais o clube voltaria a estar perto de disputar o principal campeonato do nosso país.
Etiquetas: eternidade
À semelhança do que aconteceu no ano passado, VEDETA DA BOLA dá aos leitores a possibilidade de escolherem os melhores futebolistas do ano.
O A.C.Milan juntou mais um título ao seu extenso palmarés, ao tornar-se neste domingo na primeira equipa europeia a sagrar-se campeã mundial de clubes. Os italianos, que ainda há menos de três semanas se viram e desejaram para sair do Estádio da Luz com um empate, bateram claramente o Boca Juniors por 4-2, depois de uma exibição muito bem conseguida, que os colocou inclusivamente às portas de uma histórica goleada.
VUKCEVIC – É um jogador intermitente, capaz do melhor e do pior. Já foi, segundo a ”A Bola”, em três ocasiões considerado o melhor em campo, mas possivelmente, outras tantas, terá sido o pior, ou dos piores.Etiquetas: arbitragem
É de certo modo penoso para um benfiquista escrever sobre a partida de sábado passado no Restelo. Mais ainda tendo lá estado, exposto aos rigores de uma temperatura excepcionalmente baixa – num estádio onde isso se sente de forma quase dramática -, e com bilhetes a preço de ópera.
Naturalmente que isto se reflecte no próprio ranking oficial da UEFA. Para a época 2008-2009, no ranking previsional (falta obviamente terminar a presente temporada), o Benfica é o único dos clubes nacionais que figura no top-20, designadamente em 17º lugar. O F.C.Porto é 25º e o Sporting 28º.
Mas se a dúvida do leitor se prende com a qualidade dos adversários que Benfica e F.C.Porto enfrentaram neste período, diga-se que, se os portistas enfrentaram Chelsea (2), Liverpool, Inter (2) e Arsenal, o Benfica teve de se haver com Manchester (2), Liverpool, Barcelona e Milan, e o Sporting com Roma, Manchester, Inter e Bayern.
Aqui está a prova de como o mediatismo de certas ideias nem sempre resiste a uma análise factual e objectiva.
Constitui um hábito saudável, quem passa pelo desempenho de funções relevantes sob o ponto de vista político, social ou mediático, descrever a sua experiência quando as mesmas cessam. José Veiga, aproveitando também para fazer render a sua visibilidade, deixa neste “Como tornar o Benfica campeão” o testemunho, não só do tempo que passou no Benfica, mas de quase toda a sua vivência desportiva.
GRUPO A – A hierarquia natural deste grupo foi rompida com a desastrosa primeira volta do vice-campeão Liverpool, que dobrou primeira volta da desta fase com apenas 1 ponto, recuperando depois de forma sensacional com três imponentes goleadas. Todos os outros resultados foram de algum modo naturais, com o F.C.Porto a vencer na Turquia, posicionando-se desde logo de forma muito vantajosa face ao apuramento, vantagem essa que não desperdiçou, acabando por vencer o grupo.
O Sporting conseguiu uma bela despedida da Champions, com uma vitória robusta e uma exibição agradável.
O F.C.Porto fez ontem aquilo que dele se esperava, e aquilo a que tem habituado os seus adeptos. No momento decisivo, gritou presente, e definiu com toda a naturalidade a sua qualificação para os oitavos-de-final da Champions League, alcançando ainda o importantíssimo primeiro lugar do grupo, o que lhe irá permitir evitar alguns “tubarões” no sorteio do próximo dia 21.
Com possíveis adversários como o Schalke, o Fenerbahce, o Celtic, o Glasgow Rangers ou o Olympiakos, bem se pode dizer que o Porto tem toda a legitimidade para sonhar com uma grande prestação nesta edição da prova. A equipa está bem, mostra um grau de organização e mecanização incomum até mesmo a nível europeu, e tem artistas capazes de desequilibrar. Não é o Porto de Mourinho, mas será, neste momento, a melhor equipa portuguesa do pós-Mourinho.
Há já algumas semanas que andava com vontade de falar do Juventude de Évora, clube que, como sabem, ocupa um lugar muito especial no meu coração futebolístico.
Como acontece com todos os pequenos clubes pelo nosso país fora, o que o Juventude deseja da Taça, por motivos financeiros, mas também desportivos, é poder receber a visita de um clube grande. Naturalmente que o meu desejo seria que esse grande clube fosse o Benfica, até porque os dois emblemas nunca se defrontaram em jogos oficiais de futebol sénior. Seria certamente um dia de fortíssimas emoções para quem, como eu, nutre enorme paixão pelos dois, e há muitos, muitos anos aguarda a possibilidade de realizar o sonho de os ver frente a frente no relvado. Receber o Sertanense, único sobrevivente da 3ª divisão, ou até ficar isento, são naturalmente desfechos que também agradariam aos juventudistas.
Nos últimos 25 anos, esta é a terceira vez que os azuis e brancos de Évora conseguem chegar aos dezasseis-avos de final da Taça, tendo em ambas as ocasiões anteriores sido derrotados pelo também azul e branco F.C.Porto. A primeira foi em 1992-93 quando, depois de eliminar o primodivisionário Gil Vicente por 1-0 em Évora, a equipa juventudista foi às Antas perder por 4-0. A outra foi em 1997-98 quando, depois de uma também heróica vitória em Campo Maior, os eborenses voltaram a viajar até ao Estádio das Antas. O resultado foi desta vez esmagador: 9-1 para os portistas, com sete golos (!!) de Mário Jardel, seu record em Portugal.
As melhores prestações de sempre do clube na Taça foram duas presenças nos quartos-de-final: em 1951-52, derrotado pelo Barreirense; e em 1981-82 pelo Ginásio de Alcobaça. O Juventude é o único clube alentejano ainda em prova, fazendo jus ao estatuto que esta época detém de clube mais representativo da região em todos os campeonatos nacionais.
Na Luz, perante fraquíssima assistência, o Benfica realizou uma primeira parte de bom nível, e chegou ao intervalo com uma vantagem de dois golos, perfeitamente de acordo com a superioridade que tinha manifestado. Na segunda parte a Académica reagiu, conseguiu marcar um golo (com muitas culpas para Butt), e deu por alguns minutos a sensação de que poderia discutir o jogo e o resultado. Foi já nos minutos finais que Cardozo (quatro golos em seis dias) fechou a contagem e colocou definitivamente o Benfica na eliminatória seguinte.
Esta é a primeira selecção portuguesa de sempre a estar presente numa grande competição internacional. Quase quarenta anos antes dos "Magriços", esta equipa disputou os Jogos Olímpicos de 1928.
Quando falta apenas uma jornada para se concluir a fase de grupos da Taça Uefa, já é possível olhar para o panorama que espera Benfica e Sporting no sorteio dos dezasseis-avos de final da prova (esperemos que o Braga também lá esteja), a realizar de hoje a uma semana na Suiça.
O Sp. Braga deu um importante passo rumo ao apuramento para os dezasseis-avos de final da Taça Uefa, ao empatar a um golo na difícil deslocação a Salónica.
1988/89
R1: Montpellier HSC (FRA), 3-0* & 3-1
R2: RFC Liege (BEL), 1-2* & 1-1
1990/91
R1: AS Roma (ITA), 0-1* & 0-1
1992/93
R1: Belvedur Izola (SVN), 3-0 & 5-0*
R2: Izzo Vac (HUN), 5-1 & 1-0*
R3: Dynamo Moscow (RUS), 2-2* & 2-0
QF: Juventus Torino (ITA), 2-1 & 0-3*
1995/96
R1: SK Lierse (BEL), 3-1* & 2-1
R2: Roda (NED), 1-0 & 2-2*
R3: Bayern Munich (GER), 1-4* & 1-3
1997/98
R1: SEC Bastia (FRA), 0-1* & 0-0
1999/00
R1: Dynamo Bucharest (ROM), 0-1 & 2-0*
R2: PAOK Thessaloniki (GRE), 2-1* & 1-2 vp
R3: Celta Vigo (ESP), 0-7* & 1-1
2000/01
R1: Halmstads BK (SWE), 1-2* & 2-2
2003/04
R1: La Louviere (BEL), 1-1* & 1-0
R2: Molde FK (NOR), 3-1 & 2-0*
R3: Rosenborg (NOR), 1-0 & 1-2*
R4: Internazionale (ITA), 0-0 & 3-4*
2004/05
R1: Dukla Bystrica (SVK), 3-0* & 2-0
R2 (Grp G): SC Heerenveen (NED), 4-2
R2 (Grp G): VfB Stuttgart (GER), 0-3*
R2 (Grp G): Dynamo Zagreb (CRO), 2-0
R2 (Grp G): KSK Beveren (BEL), 3-0*
R3: CSKA Moscow (RUS), 0-2* & 1-1
2006/07
R3: Dynamo Bucharest (ROM), 1-0 & 2-1*
R4: Paris St. Germain (FRA), 1-2* & 3-1
QF: Espanyol (ESP), 2-3* & 0-0
Podem-se elaborar grandes e complexas análises, podem-se estabelecer grandes teorias filosóficas, mas a verdade do futebol é que se trata de um jogo simples, onde a aleatoriedade tem um peso determinante, e onde os golos que entram ou não entram definem o vencedor, por muito que depois possamos arranjar toda uma panóplia de argumentações tácticas ou estratégicas que os justifiquem, como se encontrássemos explicação para o céu ser azul, o sol brilhante ou dois mais dois serem quatro.
golos quando pouco fizeram por os justificar, acabando por conquistar os três pontos e o bilhete para a consoladora Taça Uefa, algo que, diga-se, souberam depois guardar com grande capacidade de sofrimento, espírito de combate e sentido de entreajuda.
na competição rainha, mas numa prova onde poderá encontrar alguns adversários da sua igualha e, quem sabe, chegar mais longe do que os quartos-de-final onde esteve na época transacta. Mesmo em momento festivo, fica deste jogo, e da classificação final do grupo, um ligeiro travo a frustração por verificar o quanto tudo podia ter sido diferente. Como disse Mircea Lucescu (técnico da equipa ucraniana), se a Liga começasse agora, o Benfica seria provavelmente um dos apurados, pois à excepção do jogo de San Siro nunca se mostrou inferior aos adversários, acabando por, no confronto directo com os adversários, somente perder com o campeão europeu Milan, e por apenas um golo. Tal como no campeonato português, onde as duas primeiras jornadas representaram quatro pontos perdidos, também na Champions o Benfica pagou caro os desvarios da pré-temporada, entrando em falso, com uma equipa por construir e jogadores por integrar.
ÓSCAR CARDOZO (5) Se a um ponta-de-lança se pedem golos, que dizer da sua actuação ontem que, objectivamente, colocou o Benfica na Taça Uefa ?
Ao contrário do sorteio da fase de qualificação para o Mundial 2010, o da fase final do Euro 2008 foi, dadas as possibilidades, de certo modo tranquilizador para as cores lusas. Livrámo-nos da França, da Itália e da Holanda (que curiosamente calharam todas no mesmo grupo, juntamente com a infeliz Roménia), que era o que se podia fundamentalmente pedir. Para além disso, se a lógica imperar - nós ganharmos o grupo e a Alemanha vencer o seu -, teremos provavelmente Croácia ou Polónia para os quartos-de-final, o que também não é propriamente um cenário de aterrorizar.
RICARDO QUARESMA: O F.C.Porto da Luz valeu pelo seu conjunto, mas Quaresma, pelo golo que marcou, fica claramente ligado à história deste jogo. Ele foi o rosto da vitória portista, provando ser homem para as grandes ocasiões. Repete pois a nomeação da semana anterior, ameaçando ser ele também o rosto de mais um título para o seu clube.Etiquetas: arbitragem
Sobre o Juventude fica prometido falar um destes dias. Quanto ao Sporting, cumpriu-se a estranhíssima tradição de não ganhar no seu estádio a equipas mais pequenas, sempre que o autor destas linhas se lembra de, acidentalmente, marcar presença, o que, diga-se, para felicidade dos leões, até nem tem sucedido muitas vezes. Fora derbys, fora Euro 2004, fora selecção nacional, estive no Alvalade XXI apenas quatro vezes: Sporting-Rio Ave (1-1) de 2003-04, no Sporting-Penafiel (0-2) de 2004-05, no Sporting-E.Amadora (0-1) de 2005-06 e agora neste Sporting-U.Leiria (1-1) de 2007-08. Enfim, sair de Alvalade ao som dos assobios e com lenços brancos a serem exibidos, no meio de um clima fúnebre contrastante com a reprimida alegria de lampião intruso, já se vai tornando um hábito mais ou menos anual que, aviso desde já, pretendo intensificar assim que a classificação o justifique.
um rigor militar (próprio das grandes equipas europeias), ora fechando a equipa numa concha, manietando por completo a acção do homem da bola, ora desmultiplicando-se em acções ofensivas assim que em posse, servindo-se então da classe individual de alguns dos seus executantes para lançar o pânico da defensiva contrária, o que tão bem fez ao longo de toda a primeira parte. O primeiro defesa do F.C.Porto é justamente Lisandro Lopez, que exerce uma pressão incansável sobre a primeira linha de construção do Benfica, limitando desde logo as suas opções de saída para o ataque. De resto, em todos os momentos de jogo, a equipa portista funciona como um bloco coeso e organizado, por antagonismo com o Benfica, onde há jogadores que defendem, outros que atacam e, bastas vezes, um enorme espaço entre eles.
Mas, ao analisar a condição física dos dois conjuntos, não podemos deixar de dizer também que a gestão estratégica desta semana de competição foi bastante mal conduzida por José António Camacho. Com a Liga dos Campeões praticamente perdida e o campeonato nacional ao rubro, não fazia sentido uma aposta tão firme e eloquente no jogo com o Milan. Percebe-se que o prestígio internacional é importante, e eu próprio, enquanto adepto, em igualdade de circunstâncias, privilegio sempre as competições internacionais. Neste caso porém, as possibilidades de êxito não eram equivalentes, e nunca se saberá até que ponto teria sido possível apresentar outra face frente ao F.C.Porto, caso o desgaste físico e emocional do jogo europeu tivesse sido, digamos, mais comedido, quer através da não utilização dos dois ou três elementos mais desgastados, quer pelo menos, por via de uma abordagem ao jogo mais pausada, provavelmente menos espectacular, mas, olhando ao momento competitivo em termos de temporada, talvez mais eficaz. Katsouranis, Maxi Pereira e Rodriguez sentiram claramente nas pernas o peso do esforço de quarta-feira, Rui Costa ou Léo também, enquanto que nos dragões, pago o preço de uma goleada em Liverpool, todas as unidades apareceram na Luz, num jogo fundamental para a classificação, com níveis físicos e anímicos impressionantes. Acresce que o F.C.Porto ficou com todas as suas possibilidades em aberto na Europa, e o Benfica, caso tivesse perdido com o Milan, estaria exactamente como está neste momento, a precisar de vencer em Donetsk para seguir na Uefa.
Tendo em conta todos estes aspectos, a vitória do F.C.Porto reveste-se da maior naturalidade. Há que reconhecer que a força dos encarnados tem residido, nas últimas e vitoriosas semanas, mais em aspectos do domínio emocional do que propriamente técnico-tácticos. Ou seja, o Benfica tem conseguido vitórias alicerçadas no seu carácter e na sua atitude competitiva – elementos incutidos por Camacho -, que o têm feito, e provavelmente farão, perder poucos pontos contra equipas mais pequenas e com menores argumentos técnicos. Num jogo desta natureza esses elementos estão necessariamente presentes de ambos os lados em igual medida, sendo assim neutralizados. Vêm então ao de cima a organização colectiva (táctica), a qualidade das individualidades (talento) e, neste caso também, a condição atlética (força). Em todos eles o F.C.Porto fez um verdadeiro xeque-mate, tendo agora caminho aberto para o título.